14/11/2009 - 09:54h Brasil reduzirá até 39% de gases-estufa

Lula arbitra disputa interna e define meta que o país apresentará na conferência do clima de Copenhague, em dezembro

Proposta varia entre 36,1% e 38,9% em relação à atual tendência das emissões, ou um corte de 15% em relação aos níveis de CO2 de 2005

Fernando Donasci/Folha Imagem

Carlos Minc e Dilma Rousseff conversam em evento de apresentação da meta de corte de CO

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

O Brasil saiu da retranca. Após semanas de uma guerra interna no governo, o país anunciou ontem que reduzirá de 36,1% a 38,9% de suas emissões de gás carbônico até 2020, em relação ao que emitiria se nada fosse feito. O compromisso será apresentado na conferência do clima de Copenhague, em dezembro.
Trata-se de um desvio de até 1,052 bilhão de toneladas de CO2 em relação ao cenário tendencial para 2020, que prevê emissões de 2,7 bilhões de toneladas. Em relação a 2005, o ano de pico das emissões brasileiras, é um corte de 15%.
“São ações quantificáveis, reportáveis e passíveis de verificação, que nós estamos assumindo de forma voluntária”, disse a jornalistas a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). O governo agora vai realizar uma série de reuniões para definir o custo das ações e a data em que elas serão implementadas.
A meta brasileira, chamada por Dilma e Carlos Minc (Meio Ambiente) de “a ação de mitigação mais forte dos países em desenvolvimento”, pode destravar as negociações do novo acordo internacional de combate ao aquecimento global, que ameaçam naufragar.
O Brasil, quinto maior emissor de carbono, vinha sendo cobrado por países ricos e pela ONU para pôr um número na mesa. Ao fazê-lo, deve constranger os ricos a elevarem suas metas de corte de emissões -hoje elas são insuficientes para impedir um aquecimento perigoso da Terra.
Minc havia proposto um corte de 40% em 2020 em relação ao cenário tendencial (o chamado “business as usual”). Alguns setores do governo, no entanto, vinham resistindo a adotar metas de redução além do desmate na Amazônia. Uma das principais resistências foi de Dilma, que via no corte de emissões um entrave ao crescimento econômico.
Outro foco vinha do Itamaraty, que temia adotar um objetivo ambicioso que o país não pudesse cumprir. “A questão é que não existe “meta voluntária”. A partir do momento em que se apresenta a meta à convenção [do clima da ONU], ela se torna vinculante”, disse a ex-ministra Marina Silva (PV).
Ontem, numa reunião em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva arbitrou a disputa interna e resolveu que a meta brasileira iria variar entre 36,1% e 38,9%, número mais próximo da proposta de Minc. “É um intervalo de confiança”, explicou Dilma, dizendo que o país poderia fazer menos ou mais dependendo de ter menos ou mais recursos e menos ou mais engajamento dos Estados e da população.

Outros setores
Além do desmatamento na Amazônia, compõem a proposta a redução de 40% no desmatamento no cerrado, que deve abater 100 milhões de toneladas de gás carbônico das emissões nacionais; uma série de ações no setor agropecuário (recuperação de pastagens, plantio direto, fixação biológica de nitrogênio e integração lavoura-pecuária); ações de eficiência energética, aumento no uso de biocombustíveis, expansão das hidrelétricas e fontes alternativas de energia; e o chamado “carvão verde” para a siderurgia, com a substituição de lenha de mata nativa por lenha de florestas plantadas.
Os cenários montados pelo governo para a redução comportam tanto um crescimento econômico de 4% quanto o de 5% ao ano, como Dilma quis.
O governo ainda não sabe quanto custará cumprir as metas; só no setor agropecuário, serão cerca de R$ 40 bilhões por ano. “O Brasil vai usar plenamente sua capacidade de financiamento para implementar suas ações”, afirmou Dilma. Segundo ela, apesar de o país esperar receber verba do mundo desenvolvido, grande parte do dinheiro da mitigação virá de fontes domésticas, especialmente o BNDES.
Escolhida por Lula para chefiar a delegação brasileira em Copenhague, Dilma apresentará as metas na próxima segunda-feira, numa reunião de ministros em Copenhague.
Hoje, Lula e Dilma exibem a proposta ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, que chamou Lula a Paris para debater clima.

Proposta brasileira vai ajudar acordo global, afirmam ONGs

DA REPORTAGEM LOCAL

Segundo a ONG ambientalista WWF, a proposta brasileira de redução de emissões é “um gesto político importante”. “Vai na direção correta e pode trazer um novo ânimo para Copenhague”, avalia Carlos Rittl, coordenador do programa de mudanças climáticas da entidade. Rittl, no entanto, diz que é preciso saber como a meta será alcançada, listando os esforços de cada setor da economia num plano de ação. Para ele, o fato de o governo voltar atrás na decisão de só anunciar seus compromissos na Dinamarca é também importante.
“Havia uma demanda grande, o mundo estava pedindo uma demonstração de liderança”, diz o ambientalista.
Segundo o Greenpeace, a adoção de uma meta para o Brasil quebrou um tabu. “Há dois anos, se você dissesse a palavra meta, o pessoal [do governo] queria tirar seu passaporte e te deportar”, disse o coordenador de mudança climática da ONG, João Talocchi. “É uma mudança que pode ajudar nas negociações em Copenhague.”
O ambientalista, porém, diz que o Greenpeace vai cobrar agora que a meta seja incluída no novo acordo. “Esses números precisam estar no documento que vai ser assinado lá”, afirma Talocchi.

15/10/2009 - 15:33h Arte X mudança climática

Civilización & Barbarie

Hoy es el Blog action day, el día en que los bloggers de todo el mundo que lo decidan, nos unimos para hablar sobre un tema en común.

Este año la consigna es alertar sobre los efectos del cambio climático.

Hace dos semanas Spencer Tunick, conocido fotógrafo que desnuda masas en espacios públicos, sumó su grano de arena al asunto al realizar una intervención con más de 700 personas en unos viñedos en la zona francesa de la Borgoña a pedido de Greenpeace.

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El objetivo de las personas que posaron y del célebre fotógrafo fue llamar la atención de la opinión pública y de los dirigentes políticos ante este fenómeno de cara a la cumbre mundial del Clima que se celebrará en diciembre en Copenhague.

“Si no actuamos aquí y ahora, el hombre y el conjunto de su patrimonio cultural están condenados”, alertó el director general de Greenpeace en Francia, Pascal Husting.

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El artista estadounidense, por su parte, alertó que además de los viñedos franceses, el cambio climático amenaza la agricultura y la naturaleza de todo el mundo.

Greenpeace instó a los líderes mundiales a que alcancen un acuerdo “ambicioso” en la cumbre de Copenhague, donde espera que los países industrializados se comprometan a reducir las emisiones de gases contaminantes en, al menos un 40 por ciento, de aquí al año 2020.

Otros años y otros artistas, llamaron la atención sobre este fenómeno en distintas muestras. Así sucedió en 2008 en Barcelona con la muestra El ambiente siempre está en el medio y con la muestra on line New climates.

Y aquí leé lo que los combloggers de Civilización&Barbarie proponen para la discusión sobre el cambio climático. Publicado por Cristina Civale

02/09/2009 - 16:17h Capa da Folha: Desmatamento é o menor desde 2004

Dados confirmam projeção de que taxa de 2009 será a menor em 20 anos, afirma Minc

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Desmatamento da Amazônia é o menor já visto, diz governo


Satélites do Inpe revelam que, só em julho, derrubada de árvores foi equivalente a mais da metade da área da cidade de São Paulo

Jorge Araújo – 12.out.07/Folha Imagem

Imagem do rio Negro, na Amazônia

MARTA SALOMON – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Embora os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais) tenham registrado o abate de árvores numa extensão equivalente a mais da metade da cidade de São Paulo em julho, o desmatamento acumulado na Amazônia em 12 meses foi o menor desde 2004, quando começou a funcionar o sistema mais rápido de detecção do ritmo das motosserras.
Esse primeiro dado é de um sistema chamado Deter, menos preciso que outro, o Prodes, que calcula efetivamente a taxa de desmatamento e é divulgado anualmente -o resultado do Prodes só sai no final do ano, mas a coleta dos dados vai de agosto de um ano a julho do outro. Os números de ontem confirmam a projeção de que o abate de árvores em 2009 será o menor da série histórica.
“O Prodes vai mostrar um desmatamento provavelmente entre 8.500 km2 e 9.000 km2. Falo isso baseado em projeções anteriores. Vai ser o menor desmatamento dos últimos 20 anos. Tenho certeza absoluta disso”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
O Inpe mede o avanço da devastação da floresta desde 1988. Nesse período, a menor taxa foi medida em 91 e superou 11 mil quilômetros quadrados. A expectativa é que o desmatamento neste ano fique abaixo de 9,5 mil km2, ou seis vezes a cidade de São Paulo.
O ministro atribuiu a queda do desmatamento às ações de repressão. Só neste ano, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) bloqueou a produção em mais de 2,6 mil quilômetros quadrados desmatados ilegalmente e aplicou mais de R$ 1 bilhão em multas. “Da queda do desmatamento, 90% foram por causa de pancada”, disse.
Minc defendeu o desenvolvimento sustentável como solução para a Amazônia. “Desmatamento zero ficou como o desenvolvimento sustentável e camiseta do Che Guevara. Todo mundo usa ou é a favor, sem saber direito o significado. Mas quando ajo contra o boi pirata, querem cortar o meu pescoço.”
A análise dos números do sistema Deter, divulgados ontem, precisa levar em conta a quantidade de nuvens na região. Assim, o desmatamento registrado pelos satélites em julho, quando 77% da região estava livre de nuvens, é resultado da ação das motosserras nos meses anteriores, quando havia mais nuvens impedindo a “visão” dos satélites.
A área de devastação registrada em julho – 836 quilômetros quadrados- é a maior do ano. Ainda assim, é 56% menor do que a média do ritmo de desmatamento registrado nos meses de julho desde 2003.
Em 12 meses, a área desmatada somou 4.375 quilômetros quadrados. Comparado aos 12 meses anteriores, a queda foi de quase 50%.
Os municípios de Novo Progresso e Altamira, no Pará, foram os que mais desmataram em julho. O Estado registrou, no ano, o maior aumento da área desmatada.

20/08/2009 - 09:23h Marina deixa PT e diz que pode ajudar na revisão programática do PV

A ex-ministra confirmou que a possibilidade da disputa à Presidência da República está sendo discutida.

O líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), afirmou que há conversas com outras legendas, como P-Sol e PSC, sobre uma eventual aliança na campanha, para aumentar o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão

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Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

A senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente do governo Luiz Inácio Lula da Silva por mais de cinco anos, confirmou ontem sua saída do PT, depois de 30 anos de filiação. Com a decisão, Marina avança nas negociações para se filiar ao Partido Verde (PV) e disputar a Presidência da República em 2010. Uma eventual candidatura da senadora ao Palácio do Planalto pode causar prejuízos tanto à estratégia eleitoral governista quanto à da oposição.

Marina deixa o PT sem receber de Lula um gesto no sentido de tentar demovê-la da decisão. No PV, a adesão da ex-ministra e sua candidatura a presidente são consideradas certas. Ontem, ela anunciou apenas a saída do PT, mas admitiu sentir-se “livre” para discutir o convite do PV para participar de uma “revisão programática”, com atualização do programa e do estatuto. O objetivo é apresentar ao país um modelo de desenvolvimento baseado na “sustentabilidade ambiental, social e econômica”.

Em carta ao presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), Marina lista algumas “conquistas” de sua gestão no Ministério do Meio Ambiente – a queda do desmatamento da Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental e a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal – e diz que “faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica”. Em entrevista, afirmou que o meio ambiente “não deveria ser algo periférico, onde você faz uma militância quase que à margem do processo decisório do governo”.

Ao comentar a decisão de Marina, Berzoini descartou a possibilidade de o partido reivindicar, na Justiça Eleitoral, o seu mandato no Senado. Segundo ele, a ação “não faria sentido”, já que a ex-ministra “não agiu em detrimento do PT”, nem “em postura dissonante” da legenda.

Decisão tomada em 2007 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), posteriormente confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), deu aos partidos o direito de preservar a vaga de político que, eleito pela sigla, pedir desfiliação sem justa causa. O partido tem 30 dias, depois do pedido de desfiliação, para pedir à Justiça Eleitoral a decretação da perda do mandato.

Na carta ao dirigente petista, a senadora criticou os “equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo” e disse ter desistido de lutar pela questão ambiental dentro do PT. “É o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte por quase 30 anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o país.”

Na entrevista, a ex-ministra confirmou que a possibilidade da disputa à Presidência da República está sendo discutida. Uma eventual candidatura de Marina a presidente é considerada prejudicial ao desempenho eleitoral da ministra Dilma Rousseff (chefe da Casa Civil), porque, em tese, ela terá votos no eleitorado petista. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), também pré-candidato a presidente, afirmou que Marina “implode” a candidatura de Dilma.

Por outro lado, tucanos admitem que o governador José Serra (SP), possível candidato do PSDB, teria problemas no Rio de Janeiro, onde o PV é aliado dos tucanos. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), até ontem pré-candidato a governador com apoio do PSDB, reconheceu a dificuldade com a mudança de cenário. “Minha situação é uma variável não resolvida dessa história”, afirmou.

Na primeira pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República em que seu nome foi incluído – realizada pelo instituto Datafolha e divulgada no último domingo -, Marina aparece com 3%. É pouco, mas ela lembra que começou com 3% da preferência do eleitorado do Acre na primeira campanha para o Senado. “É um desafio programático e não pragmático”, diz ela sobre sua mudança de partido, decisão que – afirma – não está subordinada à possibilidade de se candidatar a presidente.

O líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), afirmou que há conversas com outras legendas, como P-Sol e PSC, sobre uma eventual aliança na campanha, para aumentar o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão. Mas, assim como Gabeira, o líder analisou que o partido terá de utilizar “instrumentos diferentes dos tradicionais” para difundir a candidatura, como as ferramentas disponíveis na internet (blogs, twitter etc.). “A blogosfera pode ser um meio de superar a falta de espaço na televisão”, afirmou o deputado.

Na entrevista, Marina criticou avaliações segundo as quais seu discurso, numa campanha eleitoral, seria monotemático, restrito à questão ambiental. “Só aqueles que ainda não entenderam que falar de desenvolvimento sustentável é dar resposta a todos os setores da sociedade é que acham que sustentabilidade é algo monotemático. O argumento mostra fragilidade de quem não compreende o conceito.”

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), disse que, se for candidata, a senadora “tira votos de todos os candidatos, inclusive da oposição”. Considerou uma escolha pessoal “difícil” votar em Dilma ou Marina, por considerar ambas “excelentes”. Mas declarou apoio à ministra, pré-candidata do seu partido.

O senador Paulo Paim (PT-RS) lamentou a decisão tomada pela ex-ministra. Citando outros ex-petistas que podem disputar a Presidência – Heloísa Helena (P-Sol) e Cristovam Buarque (PDT) -, disse que isso “divide as forças que estariam aglutinadas na Frente Popular e democrática, liderada pelo PT”.

13/08/2009 - 12:00h Para fora do cercadinho

É preciso saber o que deseja Marina. Ela quer usar a eleição para fazer propaganda de teses? Ou pretende construir uma alternativa de poder? Se for a segunda opção, a senadora do Acre precisará dar um jeito de achar seu caminho para sair do cercadinho

Por Alon Feuerwerker – Correio Brasiliense

alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br

A eventual candidatura de Marina Silva à Presidência pelo PV vai enfrentar de cara uma dificuldade programática: como tirar o discurso e a militância ambientais do cercadinho, do microcosmo de fiéis falando a si mesmos, prevendo o apocalipse e condenando ao fogo eterno os céticos. A então ministra tentou fazer essa ampliação de horizontes no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os resultados foram limitados. O termo era “transversalidade”, a tentativa de introduzir a pauta verde no universo mais amplo das ações governamentais.

Não funcionou a contento, por razões várias. Uma delas, que talvez sintetize as demais: a agenda ambiental no Brasil construiu-se nos últimos tempos como uma federação de vetos. Para toda iniciativa de desenvolvimento, haverá pelo menos uma organização não governamental a afirmar, sem dúvida nenhuma, que aquilo constitui gravíssima ameaça ao meio ambiente. E que portanto não é o caso de fazer. Assim se passa com as hidrelétricas na Amazônia, com a termoeletricidade de origem nuclear, com as hidrovias, com as sementes geneticamente modificadas, etc.

Conversa difícil de emplacar num país cujos maiores desafios são acelerar o desenvolvimento e ocupar efetivamente o território. Dá para fazer isso respeitando 100% a sustentabilidade? É possível (provável) que sim. Só que até agora ninguém disse como. No debate sobre a energia, por exemplo, acena-se com as ditas alternativas, como as provenientes da luz solar e dos ventos. Mas será realista falar em desenvolver o Brasil no ritmo desejado (e necessário) renunciando às demais fontes energéticas?

Outro capítulo é o aquecimento global. Se o fenômeno for mesmo consequência do excesso de civilização, é razoável que a conta seja transferida principalmente a quem já alcançou o patamar superior no quesito. Uma tese bastante difundida diz que o planeta não suportará se o padrão de consumo (emissão de carbono) dos Estados Unidos e da Europa for estendido ao conjunto da humanidade. Tudo bem, mas o que fazer? Reduzir principalmente a emissão dos ricos ou distribuir o sacrifício também pelos pobres, já que em teoria estes serão os maiores prejudicados se nada for feito?

Junto com o Brasil, a China vem recebendo muitas críticas por resistir a metas de emissão de gases causadores do efeito estufa. A posição dos líderes políticos chineses deve ser analisada à luz de um fato. Nenhum governo ali fica na sela se não propiciar um crescimento econômico, sustentado, em torno de 10% ao ano. A necessidade política está também na base das posições dos governos na Europa e nos Estados Unidos, confrontados com uma opinião pública cada vez mais preocupada com a defesa dos ecossistemas.

Trata-se, assim, de uma disputa de poder. E há o risco de a agenda verde radical ser recebida como antinacional nos países do mundo subdesenvolvido. Mais ainda nos Brics, nações que finalmente ameaçam romper a hegemonia do Primeiro Mundo. Não é um xadrez fácil de jogar. É um jogo perigoso, que embute riscos a serem bem explorados em períodos eleitorais.

Se Marina Silva sair mesmo do PT e virar candidata a presidente (ou será presidenta?) pelo PV, e se ela mostrar viabilidade eleitoral, não terá como avançar sem enfrentar esse debate com algum grau de pragmatismo. É preciso saber o que deseja Marina. Ela quer usar a eleição para fazer propaganda de teses? Ou pretende construir uma alternativa de poder, ainda que estrategicamente?

Se for a segunda opção, a senadora do Acre precisará dar um jeito de achar seu caminho para sair do cercadinho.

06/03/2009 - 12:26h Descasamento, desligamento: abrindo a caixa preta da vida econômica

 

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*Ricardo Abramovay – VALOR

Não há desafio atual mais importante que o de transformar as bases materiais e energéticas em que se exprime o extraordinário aumento de renda do mundo contemporâneo. Para enfrentá-lo, são necessárias três rupturas fundamentais. A primeira é de natureza teórica: a ciência econômica faz abstração do conteúdo material e energético da reprodução social e se dedica apenas à maneira como a fartura e a escassez se traduzem nos preços. A segunda ruptura é contábil: não se trata mais de medir a riqueza social somente por aquilo que se compra e vende, e sim com base na ideia da ecologia industrial de que as economias modernas são organismos vivos, cujo metabolismo precisa ser permanentemente avaliado. A terceira ruptura é política e embute a ousadia de que o crescimento econômico talvez não seja o objetivo mais relevante para o bem-estar, ao menos naquelas sociedades que já atingiram alto grau de abundância material.

É notável o avanço de vários países da OCDE na formulação deste problema. Os termos decisivos são descasamento ou desligamento (decoupling, delinking): eles sinalizam para a quebra do vínculo entre crescimento econômico e uso dos recursos. Isso supõe o estabelecimento de uma contabilidade dos fluxos de insumos e detritos que se encontram não somente nos processos produtivos, mas também no consumo. Além da famosa (e muito criticada) pegada ecológica, existe hoje um conjunto amplo de indicadores e de institutos de pesquisa voltados a conhecer de perto as bases materiais e energéticas em que repousam o funcionamento da sociedade. Por incrível que possa parecer, este é um objetivo que não faz parte da ciência econômica, ao menos da maneira como é convencionalmente ensinada.

Há diversas técnicas para medir o avanço deste salutar descasamento entre a riqueza e seu fundamento biofísico. A “contabilidade nacional agregada de fluxos materiais” já é hoje amplamente utilizada na União Europeia. A Alemanha, o Japão e a Suíça elaboram relatórios governamentais públicos a este respeito, estimando o material necessário à produção de bens e serviços. O Japão tem como objetivo nacional chegar a uma “sound material-cycle society”, uma sociedade baseada num ciclo de vida saudável de sua base material. Seus relatórios ambientais partem da constatação de que “o crescimento econômico rápido associa a geração de vasto montante de lixo à crescente escassez de recursos”. O país gera 470 milhões de toneladas de lixo anualmente e seus aterros estão com os dias contados: 7,7 anos ao longo de todo o arquipélago e 3,4 anos na região metropolitana de Tóquio.

Uma das medidas básicas da contabilidade de fluxos materiais (Material Flow Account) é o peso físico daquilo que forma o processo produtivo. É claro que o impacto de um quilo de areia é bem diferente do estrago que um quilo de mercúrio pode provocar. Ainda assim, o livro, cujo título parodia a obra de Adam Smith (The Weight of Nations – Material Outflows From Industrial Economies, organizado por Emily Matthews e publicado pelo World Resources Institute), é uma referência incontornável.

Metade a três quartos dos insumos industriais da Alemanha, da Holanda, do Japão e dos Estados Unidos volta ao meio ambiente como lixo, após utilização. O requerimento material total (Total Material Requirement) necessário ao aparato produtivo (e que inclui tanto importações quanto “fluxos ocultos”, como erosão agrícola ou perda de solo na construção civil) varia de 45 toneladas per capita no Japão a mais de 80 toneladas per capita nos Estados Unidos.

É bem verdade que a eficiência aumenta ao longo do tempo nos países estudados. Cada unidade de PIB vai sendo produzida com quantidade menor de matéria e energia. Estes ganhos, no entanto, são largamente contrabalançados pelo crescimento econômico e pelos padrões de consumo destes países. O descasamento é apenas relativo à quantidade de materiais e energia por unidade de PIB. No entanto, em termos absolutos, a quantidade de lixo por habitante e a de materiais e energia utilizados no processo produtivo continua aumentando. A conclusão do livro organizado por Matthews é inequívoca: “a mudança econômica estrutural [em direção a uma economia de serviços] e os ganhos de eficiência tecnológica, sozinhos, têm poucas chances de trazer real redução no uso de recursos e na produção de rejeitos”.

A elevação do contingente populacional que, sobretudo na Ásia e na América Latina, passa a dispor de renda para partilhar ao menos de parte do padrão de consumo característico dos países centrais, só vem agravar este problema. Relatório recente da Goldman Sachs (The Expanding Middle: The Exploding World Middle Class and Falling Global Inequality) prevê a entrada de quase 1,5 bilhão de pessoas no que se pode chamar de “classe média mundial” até 2030, algo como 70 milhões de pessoas (com renda) por ano.

As conquistas recentes na luta contra a pobreza (e, até, embora em menor proporção, contra a desigualdade) são notáveis e marcam a vida de muitos países, além dos BRIC. No entanto, estes indicadores materiais sobre a relação entre sociedade e natureza mostram que poder corretivo espontâneo do crescimento e do progresso técnico não será capaz, por si só, de evitar o rochedo que se avizinha e as pressões sobre os recursos existentes que esta nova afluência vem reforçar.

A liderança mundial dos próximos anos não estará nas mãos dos países que vão crescer, vencer a pobreza e reduzir a desigualdade, e sim daqueles que conseguirem fazê-lo modificando o conteúdo material e energético da vida econômica. O que supõe não o mimetismo de acreditar que petróleo, biocombustíveis para motores a combustão interna e grandes obras para exportação formam o caminho do futuro, e sim a transição para sistemas produtivos que preservem o patrimônio natural, se apoiem no consumo cada vez menor de matéria e energia e valorizem a biodiversidade.

Ricardo Abramovay , professor titular do Departamento de Economia da FEA/USP, é coordenador de seu Núcleo de Economia Socioambiental (Nesa) e pesquisador do CNPq. www.econ.fea.usp.br/abramovay/

21/01/2009 - 18:41h Sexualité animale : orgies, trios et frottements

Les animaux sont-ils capables de “faire du sexe pour le sexe”, de se masturber ou d’avoir des relations homosexuelles ? La Villette consacre un cycle de conférences à la sexualité de ceux qu’on appelle un peu trop vite des “bêtes”.

Ggrubbing

La recherche du plaisir sexuel n’est pas l’apanage de l’être humain. Chaque mardi à 18h30,  jusqu’au 10 février, Frank Cézilly – professeur d’écologie comportementale à l’université de Bourgogne – et ses collègues animent à la Cité des Sciences toute une série de conférences qui devraient faire tomber des œillères : saviez-vous que les dauphins copulent avec des tortues dont ils se servent à la façon de poupées gonflables ? Les tortues ne sont pas consentantes. Mais qu’importe. Les dauphins se servent d’elles dans le seul but de se procurer du plaisir. Il leur arrive même de se satisfaire avec des anguilles ou des requins. Saviez-vous également que les girafes s’accouplent très fréquemment entre mâles ? Ces relations homosexuelles sont d’ailleurs caractérisées par une étrange parade appelée “necking” (l’enlacement des cous) : les mâles enlacent leurs cous, ce qui provoque généralement une érection suivie de “montes” auxquels peuvent s’associer 2 à 3 autres mâles attirés par le jeu…

“L’activité sexuelle ne limite pas à la simple copulation entre un mâle et une femelle chez un bon nombre d’espèces, résume Frank Cézilly. Des comportements homosexuels allant de simples comportements affiliatifs, jusqu’à la copulation, en passant par la stimulation sexuelle, s’observent par exemple chez certains insectes ou reptiles, chez les oies, chez les girafes, ou encore chez les bonobos.” Dans un livre à paraître en mars, aux éditions Le Pommier, Frank Cézilly consacre d’ailleurs un chapitre entier à la question de l’homosexualité animale. Ce chapitre, co-rédigé avec Michel Raymond (directeur de recherche au CNRS) ouvre de troublantes perspectives sur la vie privée des coléoptères, des papillons, des libellules et des blattes…

Je cite : “Il s’agit principalement de montes, ou de tentatives de montes, pratiquées par des mâles sur d’autres mâles. Mais il arrive qu’ils soient associés à une sorte de “frénésie sexuelle” qui touche les deux sexes. Ainsi, les observations d’agrégats formés par les charançons des agrumes, Diaprepes abbreviatus L.n ont révélé qu’à côté des accouplements “classiques” entre mâles et femelles, les femelles montent les mâles, les mâles se montent entre eux et montent même les couples déjà formés. La stimulation sexuelle associée à ces montes semble réelle puisqu’on observe que lorsqu’une femelle monte une autre femelle, elle étend son appareil ovipositeur de la même façon qu’au moment de pondre. De même, lorsqu’un mâle monte un autre mâle, son appareil génital pénètre la cavité anale de son partenaire.

Disséquant les mœurs étonnantes de toutes sortes d’animaux – de la couleuvre jarretière à flancs rouges jusqu’à l’oie cendrée -, les deux chercheurs dévoilent certaines découvertes récentes en écologie comportementale. Le scarabée japonais est incapable de faire la différence entre un partenaire mâle ou femelle (il s’accouple donc au hasard). Les mâles chez le gypaète barbu peuvent choisir de vivre en trio, avec une femelle et un autre mâle. Les bonobos femelles pratiquent couramment entre elles le GG-Rubbing (frottement des parties génitales suivant un rythme de 2,2 mouvements par seconde, aussi rapide que la copulation des mâles). Les parades homosexuelles des jars sont souvent bien plus exubérantes que celles de couples hétéros (quand un jar est plus grand que son partenaire, il le monte, et quand les jars ont la même taille, ils se montent à tour de rôle). Chez le petit pingouin, Alca torda, l’homosexualité est monnaie courante au sein de certains rassemblements: 66% des mâles sont “actifs” et 91% se font monter par d’autres mâles.

Les exemples d’unions sont également aussi divers que dans la population humaine: monogamie homosexuelle, monogamie hétérosexuelle, polygynie (lorsqu’un mâle monopolise plusieurs femelles), polyandrie (lorsqu’une femelle monopolise plusieurs mâles), promiscuité sexuelle… Tous les exemples sont dans la nature. Pour Frank Cézilly, qui organise à la Villette tout ce cycle de conférences sur les amours des dauphins ou des cygnes, il s’agit d’interroger “la limite entre l’homme et l’animal et ce qui sépare une sexualité  ancestrale ancrée dans la finalité reproductrice d’une sexualité hédoniste, censée être l’apanage de l’espèce humaine.” Préparez-vous à tomber des nues.

TROIS QUESTIONS A FRANK CEZILLY

Le préjugé concernant les animaux veut qu’ils soient strictement hétérosexuels, puisque leur sexualité n’aurait qu’un seul but : la procréation. Est-ce vrai ?

Si l’on restreint la sexualité à la procréation, il est évident que la sélection naturelle doit favoriser les copulations entre mâles et femelles. Mais est-ce que cela signifie pour autant qu’elle interdit toute homosexualité ?  Les organismes vivants ne sont pas des machines parfaitement réglées par un grand horloger, ils n’obéissent à aucun un dessein particulier pré-établi. Ce qui caractérise le vivant c’est précisément sa diversité, et en particulier celle qui existe à l’intérieur des espèces. Celle-ci peut dépendre en partie de la composition génétique des populations, mais elle procède aussi, particulièrement au plan comportemental, du développement des individus et de leur expérience. Si bien qu’il n’y a rien de surprenant à observer que les animaux, en diverses occasions et selon les espèces, peuvent développer des orientations homosexuelles et même des affiliations homosexuelles résultant en des associations stables dans le temps entre individus de même sexe.

Certains chercheurs avancent que ces comportements sont les symptômes d’un dérèglement : il s’agirait d’une perturbation dans l’équilibre de l’animal ou du groupe, ou d’un “trop plein de libido”. Les animaux ne seraient donc homosexuels (ou sur-sexuels) que dans des situations de crise, de pollution, de stress ou autre. A l’état naturel, dans un environnement “normal”, ils seraient toujours hétérosexuels?

Il est certain que la fréquence des comportements homosexuels augmente dans la nature lorsque qu’un sexe devient beaucoup plus fréquent que l’autre, quelle que soit la cause de cette altération de la sex-ratio. C’est aussi le cas en situation de captivité.  Pour autant l’homosexualité s’observe aussi en conditions “naturelles”, par exemple chez les gorilles, et elle peut être alors liée à une forme d’organisation sociale qui implique la formation de groupes multi-mâles par exemple.

Des études ont-elles été faites sur le pourcentage d’homosexuel(le)s au sein de telle ou telle espèce animale? Comparativement au pourcentage d’homosexuel(le)s dans l’espèce humaine?

Pas à ma connaissance, en tout cas de façon systématique à l’échelle d’une population. Qui plus est votre question sous-entend qu’il existerait des individus strictement homosexuels. Ce cas semble le moins fréquent, et il convient plutôt de concevoir que l’activité homosexuelle observée dans la nature est le plus souvent le fait d’individus bisexuels.

Triocervide

CONFERENCES A LA CITE DES SCIENCES (LA VILLETTE)

Mardi 20 janvier, à 18h30 : “Existe-t-il un rôle conventionnel des sexes chez les animaux ?
Conférence de Frank Cézilly (professeur d’écologie comportementale à l’université de Bourgogne)

Mardi 27 janvier, à 18h30 : “Hermaphrodisme et transsexualité : deux en un ?
Conférence de Philippe Jarne (CNRS, Centre d’écologie fonctionnelle et évolutive, Montpellier) et Thierry Rigaud (Equipe écologie évolutive, UMR CNRS biogéosciences, université de Bourgogne)

Mardi 3 février, à 18h30 : “Homosexualité dans le règne animal
Conférence de Michel Raymond (CNRS, Institut des sciences de l’évolution, université de Montpellier II) et Frank Cézilly.

Mardi 10 février, à 18h30 : “La sexualité des primates”
Conférence de Marie Charpentier (CNRS, Centre d’écologie fonctionnelle et évolutive, Montpellier) et Elise Huchard (Institut des sciences de l’évolution de Montpellier, Institut de zoologie de Londres)

Les conférences ont lieu dans l’Auditorium – Niveau 0 de la Cité des sciences. Ouvertes à tous, en accès libre et gratuit.

La Sexualité Animale, écrit sous la direction de Frank Cézilly, paraitra aux éditions le Pommier le 3 mars 2009.

Les images représentent : deux femelles bonobos pratiquant le Genital-to-Genital rubbing (frottement génital pour se procurer un orgasme) et un trio de cervidés (une femelle, deux mâles).

Fonte les 400 culs – Blog de Liberation

18/12/2008 - 09:21h Rodoanel foi principal causa de desmatamento em SP

http://www.miltonjung.globolog.com.br/Desmatamento%20Rodoanel%20020807%20(27).jpg

Por conta das obras, São Bernardo e São Paulo são os munícipios que tiveram maior perda

Secretário Municipal do Verde diz que desmate foi autorizado e será compensado com replantio e criação de 4 parques

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

São Bernardo do Campo e São Paulo são os dois municípios que mais tiveram desmatamento de mata atlântica entre 2005 e 2008 na região metropolitana de SP. Segundo o atlas da SOS Mata Atlântica e do Inpe, o primeiro contabilizou 112 hectares desmatados, enquanto o segundo, 70 hectares. A principal razão são as obras do rodoanel.
O secretário municipal de São Paulo Eduardo Jorge (Verde e Meio Ambiente) afirma que o desmatamento causado pela estrada foi autorizado pelos órgãos competentes e será compensado com o replantio de árvores e com a criação de quatro parques.
No caso da região metropolitana do Rio de Janeiro, os desmatamentos se concentraram no entorno da reserva biológica do Tinguá. As cidades com mais destruição de floresta são Itaboraí e Nova Iguaçu, ambos com 48 hectares de desmatamento. Os dados confirmam que a área é problemática -em 2005, um ambientalista que trabalhava na área foi assassinado (veja texto nesta página).
Já na região metropolitana de Vitória, a cidade que mais chama a atenção é Guarapari, com 68 hectares de desmatamento. Nem a SOS Mata Atlântica nem o Inpe souberam dizer porque o município teve o maior desmatamento da área. “O Estado e o município precisam atuar nas regiões apontadas e verificar as informações”, diz Flavio Ponzoni, do Inpe.
A respeito da Cantareira, Marcia Hirota, diretora da SOS Mata Atlântica e coordenadora do atlas, afirma que já alertou o poder público intensamente sobre invasões irregulares no local. A fundação ressalta que a Cantareira é responsável pelo abastecimento de mais da metade da população da região metropolitana de SP.

http://www.dersa.sp.gov.br/rodoanel/album_trechosul/18092007/lote1/image006.jpg

Fiscalização
Helena Carrascosa, coordenadora de biodiversidade e recursos naturais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, afirmou que ainda não havia analisado os dados do atlas e que hoje poderia falar com mais embasamento sobre o assunto.
Ela adiantou, porém, que de fato as obras do rodoanel elevaram a supressão de vegetação no Estado. “Não há estrada sem impacto. Mas se concluiu, na análise do estudo de impacto ambiental da obra, que os benefícios seriam maiores que os prejuízos, em relação a desafogar o trânsito, por exemplo”, disse.
Segundo ela, a obra irá compensar o dano plantando mais de 1.000 hectares de mata. “Vão trocar a vegetação que existe por outra plantada. Mas não dá para fazer um omelete sem quebrar os ovos”, compara.
De acordo com ela, o governo do Estado tem atuado na região da Cantareira. “Estamos fiscalizando e licenciando. O Estado está presente e tem o auxílio da polícia. Mas nem sempre conseguimos evitar tudo”, afirmou. Ela ressaltou que algumas ações têm sido feitas em parceria com a Prefeitura de São Paulo, “o que não acontecia antes”.
A reportagem tentou ouvir a Prefeitura de São Bernardo do Campo, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.
(AB)

21/11/2008 - 16:41h Gotas

1.000.216

Normalmente é no fim de mês que faço um balanço do blog. Mas acabei de verificar que no dia de hoje o Blog passou o milhão de leitores, desde que em 20 de fevereiro 2008 foi para IG.

Em 9 meses ter atingido esse número de leitores me reconforta. Ao mesmo tempo implica novos desafios para consolidar este instrumento de reflexão e dialogo. A cada mês o número de leitores tem crescido e contrariamente ao que pensei que aconteceria após as eleições municipais, não teve diminuição dos internautas que todos os dias entram nesta casa.

 

Mensalinho

O jornal O Estado de São Paulo fez um retrospecto sobre os escândalos do uso “político” do banco Nossa Caixa.

A nota, por sua vez, é um escândalo.  Para o Estadão o retrospecto para com a chegada dos tucanos ao comando do banco. Nos últimos 14 anos o jornal nada viu. Porem, faz pouco tempo o responsável da publicidade do banco teve que ser afastado pela generosidade com deputados estaduais aliados.

A Nossa Caixa gastou R$ 43,8 milhões em contrato com agências de publicidade, entre setembro de 2003 e julho de 2005. Duas empresas foram beneficiadas. Elas foram contratadas em 2002 para prestar serviços por 18 meses. Vencidos os contratos, os serviços continuaram sendo prestados sem que houvesse nova licitação ou que os contratos tenham sido prorrogados. Há a suspeita, amparada na liberação de verbas e em correspondência eletrônica trocada pelo Palácio dos Bandeirantes com as agências e o banco, de que empresas ligadas a deputados da base de sustentação política do governador foram favorecidas.

Como se vê, uma história mal contada.

Era o governo Alckmin, é o Estadão.

Uma coisa explica a outra?

 

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“Os bancos estatais brasileiros padecem de três enormes problemas crônicos. O primeiro deles é o clientelismo. Qualquer maioral da política se julga no direito de obter favores especiais”, a frase é da coluna de Celso Ming, articulista econômico do jornal O Estado de São Paulo.

Estranhamente ninguém utilizou este surrado argumento para aplicá-lo ao preço obtido por José Serra pela venda da Nossa Caixa ao BB, nem ao próprio fato dele ter decidido vender o banco. Tampouco serviu esta “verdade” para condenar a compulsória compra da folha de pagamento dos servidores estatais pela Nossa Caixa, imposta pelo governador.

O “clientelismo” só é condenado quando não favorece a escolha “politicamente correta”?

Argumentos

Não encontrei nenhum argumento que explique porque é um bom negocio pra o Estado de São Paulo vender Nossa Caixa e deixar de contar com um banco de incentivo para a indústria e o comércio estadual (Se este banco não for necessário, porque criar uma instituição de fomento, no seu lugar?). Muito foi dito sobre o interesse eleitoral de José Serra, mas ninguém parece considerar que este interesse deveria corresponder ao interesse público do Estado de São Paulo.

A venda da Nossa Caixa é um bom negocio para o Estado de São Paulo?

Porque?

 

 

Parabéns

O Ministério de Turismo está de parabéns. Graças ao seu trabalho e ao apoio das emendas dos parlamentares, o investimento no setor terá um acréscimo importante de verbas. Isto é essencial, particularmente em momentos de crise econômica mundial.

Segundo o jornal Folha de SP, que informa com destaque o assunto, as emendas estão destinadas a “obras de saneamento básico, construção de estradas, melhorias urbanas, investimentos em meio ambiente, qualificação profissional e campanhas de promoção de destinos turísticos.
“Considerando que o orçamento de programação é pequeno em face das necessidades e que o turismo é uma atividade econômica muito importante no país e em franco desenvolvimento, o aporte de emendas é fundamental e característico dos orçamentos do ministério desde 2004″, informou o ministério.
No Orçamento deste ano, de R$ 2,7 bilhões, R$ 2, 2 bilhões tiveram origem em emendas. Em 2007, foram propostos R$ 6,5 bilhões de emendas ao programa do Turismo. Os dados são das consultorias de Orçamento do Congresso.

 

Ar novo

As perspectivas de sucesso da luta mundial para combater o aquecimento global ganharam peso depois que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, deixou claro que o país pretende fazer sua parte nas negociações para a renovação do Acordo de Kioto para redução das emissões dos gases-estufa.

Suas palavras colocaram um ponto final em oito anos de obstruções impostas pelo governo de George W. Bush, que se recusou a ratificar o acordo em 2001, impondo danos incalculáveis aos esforços internacionais de elaborar uma resposta unificada ao problema.

Em contraste, as palavras do presidente eleito, gravadas em vídeo, injetaram novo ânimo e otimismo entre os negociadores.

Embora não vá participar da próxima reunião de clima na Polônia, em dezembro, ele garantiu: — Assim que eu assumir, vocês podem estar certos de que os Estados Unidos vão, mais uma vez, se engajar vigorosamente nessas negociações e ajudar a liderar o mundo em direção a uma nova era de cooperação global em mudanças climáticas. (Fonte The Independent e O Globo).

 

O lado bom

A direita já atira contra Dilma. Escolhendo o lado dos torturadores, ditadores e inimigos da democracia, a direita procura sujar o passado de Dilma Rousseff. O lado escolhido por Dilma na época do regime militar é motivo de orgulho para os defensores da democracia. Torturada e presa, esse passado é um argumento a favor de Dilma Rousseff, mesmo se a opção da “luta armada” não era a mais adequada, na minha opinião.

A direitona faz circular na internet este suposto curriculum vitae para atingi-la. Minha solidariedade para Dilma e meu respeito pela sua coragem.

http://homemculto.files.wordpress.com/2008/11/atgaaablwclsv-qni4uez62h_d1drxeta1bgpqzszwjntsdu9asf4ugzskp4vsi-urtbb5p9h1c3sv248332lwlzud38ajtu9vc7jmmmwnwwed7vksry3mtnzme7ka.jpg?w=455&h=598

 

 

 

Gotas, por Luis Favre

16/09/2008 - 21:55h Uma prefeita de atitude coerente

Marta diz que projeto Cidade Limpa é incompleto e defende diversidade sexual

CAMILA NEUMAM – colaboração para a Folha Online

homofobia.jpgEm encontro com pastores no Colégio Batista Brasileiro, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo, a candidata do PT à prefeitura da capital paulista, Marta Suplicy, teve de responder a uma verdadeira saraivada de perguntas com temas tabus, como homossexualidade, religiosidade nas escolas e ecologia.

Sem medo de perder votos, Marta foi direta ao defender a diversidade sexual e as escolas laicas. “Eu não aceitaria campanha contra os homossexuais. Quem conhece a minha história sabe disso, e até pela minha formação como psicanalista, não poderia ser diferente.”

A candidata ainda foi questionada quanto a possibilidade de apoiar o estudo religioso nas escolas. “Acho que a escola laica foi uma grande conquista para as escolas estaduais e municipais do país. Se abríssemos espaço para isso, teríamos de ter seis ou sete religiões. Acho que a busca pela religiosidade se faz pela família e não pela escola.”

Em meio ao debate sobre o assunto, o diretor do colégio, Gezio Duarte Medrado, tentou amenizar a discussão. “Ela não tentou agradar, se posicionou claramente que é a favor de as pessoas se manifestarem. O que queremos dizer é que somos contra a lei da homossexualidade.”

Ao ser questionada por um outro pastor sobre a invasão da cidade por prédios mal construídos, a petista aproveitou para atacar o projeto Cidade Limpa, do prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM).

“Ninguém é contra a cidade limpa, ou alguém prefere a cidade suja? O problema é que o projeto é incompleto. Para realmente limpar a cidade, seria necessário fazer usinas de compostagens e terminar o nosso projeto de reciclagem de lixo, retirando o lixo, inclusive, de favelas.”

Sobre a possibilidade de perder votos dos cerca de 70 mil batistas ou dos três milhões de evangélicos da cidade por suas opiniões diversas à comunidade, Marta afirmou: “Eu já fui prefeita e a maioria das pessoas já conhece minha opinião. Com isso, já passei por vários cargos com essa posição. Não estou fazendo nada de diferente aqui.”

15/08/2008 - 17:53h Marta apresenta suas propostas para São Paulo

Integra do discurso de Marta na apresentação do Programa de Governo

marta_plano.jpg

 

Minhas amigas, meus amigos…

Desde o primeiro dia desta campanha, temos anunciado com clareza o nosso propósito. E ele pode ser resumido nos seguintes termos:

Vamos reconquistar o poder municipal para – através de um governo de inovação, participação e inclusão – promover um grande avanço humano, social e urbano na cidade de São Paulo.

Em síntese, é isso. E devo sublinhar, aqui, que nenhuma dessas palavras é dita em vão. Nenhuma delas é pronunciada em termos meramente retóricos.

Para nós, cada uma dessas palavras não só possui um sentido preciso, como vem carregada de intensidade prática.

O que elas significam é que assumimos compromissos claros, temos diretrizes nítidas, apresentamos propostas concretas.

Isto está bastante claro no programa de governo que estamos divulgando, neste momento.

Não é por acaso que somos a primeira candidatura a divulgar um programa de governo com metas e propostas para todas as áreas.

Isso, queridas companheiras e queridos companheiros, é também uma nova atitude!

Pois nova atitude é saber que só pode governar bem quem tem coragem, criatividade, planejamento, competência e imaginação.

Quem antes de agir, saiba formular. E quem antes de formular tenha paciência de ouvir, debater e discutir novos caminhos para S. Paulo.

Minhas amigas e meus amigos,

Nesses anos de governo do presidente Lula, o Brasil superou a estagnação econômica e retomou, com uma vitalidade nunca antes vista, os caminhos do crescimento.

Com isso, São Paulo também cresceu. Mas o fato é que ficou aquém de onde poderia ter chegado. Porque a cidade não foi devidamente preparada para este crescimento.

Em conseqüência da falta de visão e da falta de planejamento municipais, São Paulo ficou anos sem intervenções urbanas estruturadoras. E o resultado é o que hoje se vê.

São Paulo não andou, como deveria, no campo social, na educação, na segurança, na saúde, na habitação. E menos ainda, é claro, no trânsito e no transporte.

Temos, agora, de recuperar o tempo perdido. Mas, sobretudo, temos de avançar.

Avançar fortalecendo individualmente cada morador desta cidade. Avançar fortalecendo coletivamente a comunidade geral dos moradores do município. Avançar fortalecendo nossa cidade.

Porque existem saídas para a situação em que nos encontramos. Saídas claras, concretas. Como está escrito na abertura de nosso programa de governo, São Paulo não é somente um conjunto de problemas. São Paulo é, acima de tudo, um conjunto de oportunidades.

Mas, para que as oportunidades cresçam mais do que os problemas, é necessário intensificar a ação social. Encarar a questão da segurança. Reduzir o déficit habitacional. Enfrentar, de forma sistêmica, a situação do trânsito e do transporte. Ter programas efetivos de economia urbana. Investir na saúde. Agir com critérios amplos e rigorosos de ecologia urbana. Promover um salto de qualidade na educação.

Mas não é preciso repetir, aqui, o que está exposto, de forma sintética e sistemática, em nosso programa. Quero, apenas, enfatizar algumas coisas, de uma perspectiva geral.

Estamos vendo agora que, de repente, muitos desandaram a falar da existência de uma nova classe média brasileira. De uma nova classe média paulistana. Mas não sabem o que fazer diante desse novo quadro social.

Não é o nosso caso. Não foi hoje de manhã que tomamos conhecimento do fenômeno. Há meses estamos acompanhando esse processo. E foi assim que chegamos à formulação de uma nova política de inclusão para São Paulo.

São Paulo vai voltar à vanguarda da ação social no Brasil, fazendo a passagem das políticas de transferência de renda para as políticas de emancipação e desenvolvimento.

Por um lado, vamos retomar e ampliar os programas redistributivos. De outro, vamos colocar em prática uma política pioneira de inclusão empresarial, estimulando a formação de negócios, incentivando o empreendedorismo emergente, potencializando as pequenas empresas.

Vamos encontrar formas de desoneração fiscal e de promover a transferência de tecnologia de ponta para os empreendimentos menores, para que eles possam produzir e empregar mais.

Do mesmo modo, vamos adotar uma medida fiscal para favorecer individualmente o cidadão, sem afetar em nada as finanças do município: a isenção de ISS para os profissionais liberais autônomos. Neste caso específico, diminuindo a forte carga tributária que incide sobre alguns profissionais, como advogados, arquitetos, engenheiros e outros profissionais liberais.

É toda uma nova ação no campo da economia urbana que pretendemos implantar e desenvolver.

Com planos específicos de desenvolvimento para as zonas norte, sul e leste da cidade, descentralizando incentivos e investimentos.

Buscando, inclusive, reverter a lógica da concentração de empregos nas áreas centrais de São Paulo.

Vamos caminhar, enfim, para um novo patamar. Para o momento da ampliação sustentada de oportunidades. Numa cidade mais justa, mais solidária, mais saudável e mais segura.

Uma cidade que tenha de volta a sua Secretaria Municipal de Segurança Urbana. Uma cidade com uma política habitacional fundada no conceito de moradia digna. Uma cidade livre das pragas do preconceito e da discriminação, que reconheça na diversidade sua maior riqueza cultural e humana.

Para que tudo funcione, vamos recuperar a fluidez no trânsito e investir pesado no transporte de qualidade. Ampliar a estrutura viária. Ordenar o transporte de cargas. Construir terminais. Integrar a bicicleta ao sistema.

Menos lentidão no trânsito significa menos prejuízos econômicos. Significa mais saúde e menos poluição, temas fundamentais para nossas futuras ações de governo.

São Paulo vai ter novos hospitais e policlínicas. Vai ter um atendimento melhor na saúde, já a partir do compromisso de que todo cidadão ou cidadã que chegar a uma unidade da rede, será atendido nesse mesmo dia.

Não separamos saúde e meio ambiente. E é nosso objetivo fazer um governo à altura do alto grau de consciência ambiental, de sensibilidade ecológica, que hoje caracteriza nossa população. Um governo que amplie, defenda e cultive o patrimônio natural da cidade.

Vamos prosseguir com determinação e ousadia a revolução educacional que iniciamos com os CEUs. Vamos reintegrar educação, cultura, esporte e lazer. Projetando todas essas práticas no horizonte maior da inclusão social.

Vamos fazer um governo centrado em nosso presente urbano, social e econômico. Mas que saiba incorporar o passado ao presente. E, a este mesmo presente, incorpore, também, fragmentos de futuro.

Incorporar o passado ao presente com a retomada do programa de revitalização do centro. Com a recuperação e atualização do espaço inaugural da existência histórica paulistana, reafirmando sua força na dimensão simbólica de nossas vidas.

A revitalização e melhoria da qualidade de vida no centro passam, necessariamente, pela questão do trânsito e do transporte.

Nesse processo, vamos melhorar o trânsito no centro não com uma medida meramente paliativa e mesmo prejudicial, como o pedágio urbano, que cerceia o direito de ir e vir, onerando, principalmente, a classe média.

O que pretendemos é fazer uma articulação do sistema viário e dos corredores, evitando baldeações que transformam o centro em estação de transbordo.

É preciso criar alternativas que evitem que pessoas que se desloquem, por exemplo, da Zona Sul para Zona Norte tenham que passar, obrigatoriamente, pelo centro.

Dentro desta perspectiva de evitar sobrecargas de trafego em áreas estratégicas, é importante também construir uma avenida paralela à Marginal, na região de Santana, que evite que as pessoas que se deslocam da Zona Norte para Noroeste, tenham que passar pela Marginal.

Incorporar fragmentos de futuro, por sua vez, significa fazer de São Paulo, literalmente, uma cidade antenada. A primeira capital brasileira a socializar, para o conjunto da população, o acesso à internet banda larga. A começar pela instalação do equipamento necessário nas centenas de prédios municipais aqui existentes, entre CEUs e telecentros.

E, ainda, promovendo pesquisas de ponta que produzam conseqüências práticas, constituindo São Paulo em centro de excelência mundial no campo das tecnologias urbanas.

Para o êxito de todo esse projeto, para forjar uma nova realidade paulistana, será necessário repensar e reconfigurar o próprio governo. Aprofundar a intersetorialidade como concepção e método de gestão.

Pelo simples motivo de que a cidade e as questões urbanas não se apresentam segmentadas em setores, ou em secretarias, como a máquina municipal. Ninguém é cidadão da educação, cidadão da saúde ou cidadão da habitação – isoladamente.

A cidade requer ações feitas com energia – e em sinergia.

Além disso, vamos descentralizar o poder, devolvendo autonomia às subprefeituras. E criar mecanismos tanto informais quanto institucionais de participação, incorporando formas da democracia direta em nossa democracia representativa.

E tudo isso sem nunca deixar de pensar São Paulo em seu horizonte e contexto metropolitanos.

São Paulo como núcleo poderoso e luminoso de uma constelação de cidades que partilham problemas comuns. E que, também de comum acordo, devem construir soluções, desenhar perspectivas e abrir caminhos de futuro.

Para finalizar, lembro que cada uma dessas questões é contemplada no programa de governo que hoje trazemos à luz e oferecemos à apreciação de todos.

Programa que se configura como uma espécie de carta de navegação, explicitando o roteiro para a transformação social e urbana que nos dispomos a realizar em São Paulo, nos próximos quatro anos.

Este é o objetivo maior. Vamos engajar São Paulo na maré de mudanças que o presidente Lula está promovendo em todo o país.

São Paulo precisa entrar em campo, com toda a garra e o pioneirismo de nosso povo. Porque sua transformação é decisiva, fundamental, não apenas em si, mas também para aprofundar o processo de transformação nacional em curso.

Para que assim tenhamos dias melhores para o nosso país. Para a nossa cidade. E para a nossa gente.

Para que S. Paulo, tenha, enfim, uma Nova Atitude.

29/06/2008 - 13:52h Wallace, o outro pai da evolução

Paralelamente a Darwin, o biólogo Alfred Russel Wallace traçou as idéias da teoria da seleção natural

Alfred Russell Wallace (1823 – 1913)

Herton Escobar – O Estado de São Paulo

Cento e cinqüenta anos atrás, no dia 1º de julho de 1858, a teoria da evolução por seleção natural foi apresentada pela primeira vez à Sociedade Lineana de Londres, na Inglaterra. A descoberta era assinada por dois naturalistas britânicos. O primeiro era Charles Darwin. O outro, freqüentemente esquecido, era um jovem biólogo autodidata, que chegara às mesmas conclusões pesquisando espécies do sudeste asiático, nas florestas do Arquipélago Malaio. Seu nome era Alfred Russel Wallace.

Um século e meio depois, a história selecionou Darwin como ícone supremo do pensamento evolutivo, enquanto Wallace foi reduzido ao status de espécie ameaçada, ofuscado pelo brilho daquele que foi seu ídolo científico. Poucos hoje sabem que Alfred Russel Wallace existiu. Menos ainda sabem que ele começou sua carreira de naturalista no Brasil.

Wallace passou quatro anos na Amazônia, coletando plantas e animais às margens do Rio Negro e do médio Amazonas. Desembarcou no porto de Belém em 26 de maio de 1848, acompanhado de outro jovem naturalista britânico, o amigo Henry Bates. Tinham apenas 25 e 23 anos.

A idéia era coletar o maior número possível de plantas e bichos exóticos da floresta, que depois seriam levados de volta à Inglaterra para estudo. Buscavam pássaros, peixes, borboletas e outros insetos interessantes. Para pagar as contas, enviavam duplicatas para um agente em Londres, que vendia os espécimes para colecionadores ou museus e remetia o dinheiro de volta.

DESASTRE

O plano quase deu certo. Após quatro anos de trabalho duro, vivendo embrenhado na floresta e com a saúde fragilizada, Wallace juntou o que tinha e embarcou de volta para a Inglaterra em 12 de julho de 1852. No meio do Atlântico, um desastre: o navio pegou fogo. O jovem naturalista assistiu de um bote salva-vidas seu patrimônio científico ser consumido pelas chamas no oceano. Salvaram-se apenas algumas anotações e desenhos que estavam em sua cabine – entre eles, vários rascunhos de peixes e palmeiras, que cientistas brasileiros usam até hoje como referência.

A alfândega brasileira deu sua contribuição. A maioria dos espécimes que deveriam ter sido despachados para a Inglaterra nos últimos dois anos da expedição ficou retida em Manaus, de modo que Wallace precisou carregar tudo de uma vez na viagem de volta – tornando o prejuízo muito maior.

“Com qual prazer eu admirava cada inseto raro e curioso que eu havia adicionado à minha coleção! Quantas vezes, quando quase derrubado pela febre, não me arrastei pela floresta e fui recompensado com alguma bela e desconhecida espécie! Quantos lugares, nos quais nenhum europeu havia pisado antes de mim, seriam resgatados à minha memória pelas aves e insetos raros que eles haviam proporcionado à minha coleção!”, escreveu Wallace. “Agora tudo estava perdido, e eu não tinha um único espécime para ilustrar as terras desconhecidas pelas quais eu havia caminhado ou para resgatar a lembrança das cenas selvagens que eu havia presenciado.”

Após dez dias à deriva, tapando vazamentos com rolhas,Wallace e a tripulação foram resgatados por um navio de passagem. Voltou para a Inglaterra sem dinheiro e sem bichos, mas conhecido o suficiente para ganhar uma passagem de graça para outra expedição, dessa vez para o Arquipélago Malaio (atual Indonésia). Foi lá que, em fevereiro de 1858, ele formulou sua teoria sobre a origem das espécies.

INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Wallace descreveu algumas espécies da Amazônia – entre elas a palmeira piaçava (Leopoldinia piassaba), usada na fabricação de vassouras -, mas não produziu nenhuma grande descoberta enquanto esteve lá. Nem por isso a viagem deixou de ser produtiva. O comércio de espécimes era apenas uma fonte de subsistência. O que Wallace queria mesmo, desde que colocou os pés na floresta, era descobrir a origem das espécies.

“Ele claramente já tinha uma hipótese quando embarcou para o Brasil”, diz George Beccaloni, pesquisador de insetos do Museu de História Natural britânico e especialista em Wallace. “Essa era sua motivação principal – muito diferente de Darwin, que ainda era cristão, não acreditava na evolução e não tinha nenhuma hipótese quando embarcou no Beagle.”

A Amazônia foi a escola que Wallace não freqüentara (nascido numa família pobre, ele abandonou os estudos aos 13 anos). “A extraordinária biodiversidade brasileira foi um ponto decisivo, ao colocar de maneira premente para ele a questão de como explicá-la racionalmente”, diz o físico e divulgador científico Ildeu de Castro Moreira.

Wallace é considerado o pai da biogeografia, ciência que estuda a relação entre fatores ambientais, geológicos e a distribuição de espécies. Ele foi o primeiro a descrever os grandes rios amazônicos como barreiras geográficas à biodiversidade – um conceito básico da ecologia moderna.

Wallace notou que, nos trechos largos dos rios, os macacos de um lado eram diferentes das espécies do outro lado. Mais tarde, essa observação se tornaria um dos pilares da teoria da evolução, explicando como o isolamento pode transformar duas populações de uma mesma espécie em espécies diferentes.

“Não há especiação sem isolamento geográfico e reprodutivo. Wallace entendeu isso perfeitamente”, diz Nelson Papavero, biólogo aposentado do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

29/05/2008 - 09:29h ‘Religião e ciência devem ficar separadas’

A principal referência do evolucionismo fala sobre o debate com criacionistas e propõe uma demarcação de campos de intervenção

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Carlos Orsi – O Estado de São Paulo

Ciência e religião podem conviver, mas não devem se misturar. Essa é a receita que o biólogo americano Douglas Futuyma oferece para evitar conflitos como os que ocorrem nos EUA, em torno do ensino da teoria da evolução em escolas públicas. Futuyma é um veterano dessas batalhas, tendo sido presidente da Sociedade Americana para o Estudo da Evolução e editor da revista científica especializada Evolution. É autor, entre outros livros, de Science on Trial: The Case for Evolution (Ciência em Julgamento: O Caso em Favor da Evolução), sobre o embate entre o ensino da evolução e do criacionismo, e de Biologia Evolutiva, uma das principais obras usadas no ensino da evolução nos cursos universitários brasileiros de Biologia. Futuyma está no Brasil nesta semana, para uma série de três palestras da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A primeira delas, anteontem, foi “A Biologia Evolutiva, 150 anos após a publicação de A Origem das Espécies”. A de ontem teve como tema “Evolução e o Ataque à Ciência”, sobre o duelo com os criacionistas, e hoje o tema é “A Evolução de Associações entre Insetos e Plantas Hospedeiras”. A palestra de anteontem superlotou a sala de defesa de teses do Instituto de Biologia da universidade, com estudantes e professores em pé, junto às paredes e sentados nos corredores para ouvir o cientista fazer um balanço dos avanços no estudo da evolução biológica ao longo do último século, principalmente a partir da descoberta do código genético. “Os genomas não fazem sentido sem a vinculação com a evolução, e hoje também podemos estudar a influência dos genes na evolução das espécies”, disse ele à platéia. Antes de iniciar a palestra, Futuyma falou à reportagem do Estado.

link Entenda o uso das células-tronco

Como está a teoria da evolução hoje, 150 anos depois de sua formulação inicial?

Mais forte que nunca. Gostaria de começar dizendo algo sobre a palavra “teoria”. Essa palavra é mal compreendida, nos EUA e, talvez, no Brasil também. Para muita gente, teoria é algo como uma idéia, um palpite. Em ciência, no entanto, usamos “teoria” de um modo diferente. Físicos falam em teoria quântica, teoria atômica, e não estão fazendo especulações vazias. Eles têm muita certeza daquilo que dizem. Em ciência, “teoria” significa um corpo de explicações que dá conta de uma ampla gama de observações, e forma um corpo de conhecimento muito forte. Nos últimos 150 anos, a teoria da evolução cresceu e acumulou evidências em seu favor. Por exemplo, no tempo de Darwin (Charles Darwin, autor de A Origem das Espécies, primeira obra a expor a teoria da evolução, publicada em 1859) não sabíamos sobre DNA, sobre genes, não sabíamos como as características passavam dos pais para filhos. Agora, usamos DNA para entender melhor a evolução, e a evolução para entender melhor o funcionamento dos genes. Outro exemplo: Darwin sugeriu, em 1866, que humanos e chimpanzés vinham de um ancestral comum, e agora sabemos, graças ao DNA, que ele estava certo, porque o DNA humano e dos chimpanzés coincide em mais de 90%.

O debate entre evolução e criacionismo causa polarização. A evolução parece ser o único tema, no currículo de ciências, a provocar reações tão extremas. Por quê?

É precisamente porque as pessoas resistem muito à idéia de que surgimos por meio de um processo puramente material, a partir de outras formas de vida. É uma idéia que preocupa. É vista como uma ameaça à dignidade humana, talvez. E também uma ameaça às crenças religiosas, porque dizem que os seres humanos são muito especiais, foram deliberadamente criados por um Criador bondoso que se importa com elas. Creio que é por isso que a evolução causa uma reação tão emocional.

Mas essa ameaça é real? O sentimento humano de ser protegido por um Criador onipotente está mesmo sob ameaça, ou se trata de um mal-entendido?

Creio que é possível aceitar a evolução totalmente e, ao mesmo tempo, preservar crenças religiosas e teológicas. E digo isso porque há milhões de pessoas que fazem isso. Incluindo inúmeros cientistas, que aceitam a religião e aceitam as evidências a favor da evolução, incluindo a evolução da espécie humana. O papa anterior (João Paulo II) escreveu um documento dizendo que a evidência a favor da evolução é tão forte que a teoria deveria ser aceita como mais que pura especulação. No entanto, o papa disse que isso não significa que existe uma explicação biológica para a alma. Há muitas pessoas que têm crenças religiosas e acreditam na evolução. Mas elas são cuidadosas em separar uma coisa da outra. Elas defendem que há lugares onde a ciência não deve entrar, por exemplo, na questão dos valores, da ética, da moralidade, coisas sobre as quais a ciência não tem nada de útil a dizer, e onde não deveria se meter. Mas, em compensação, quando se tenta explicar o mundo natural, quando se tenta explicar as coisas que acontecem na natureza, com animais, plantas, rochas, estrelas ou átomos, a abordagem científica não pode admitir a religião. É preciso separar e manter separado.

Quem é: Douglas Futuyma

É professor de Ecologia e Evolução, na State University of New York

Autor de “Biologia Evolutiva”, um dos livros mais usados para o ensino da evolução nas faculdades brasileiras

Participou ativamente dos embates entre evolucionistas e criacionistas nos Estados Unidos, durante os anos 80

12/01/2008 - 19:22h La culture du maïs OGM est suspendue en France


 

Action de Greenpeace contre les champs OGM. Photo: Greenpeace.

Action de Greenpeace contre les champs OGM. Photo: Greenpeace.

Vendredi 11 janvier, tard dans la soirée, un communiqué de Matignon annonçait la décision d’activer la clause de sauvegarde sur le maïs transgénique de Monsanto MON 810. Ce maïs destiné à l’alimentation animale étant le seul cultivé en France, le moratoire sur les cultures d’OGM est effectif.Le gouvernement s’appuie sur les “faits scientifiques nouveaux” invoqués par la Haute Autorité sur les OGM, qui concernent la pollinisation croisée entre les cultures et les effets sur la faune. L’Autorité fait également état d’“interrogations” sur les conséquences environnementales, sanitaires et économiques de la culture du MON 810. “Les doutes sur cet OGM ne condamnent pas l’intérêt de cette technologie pour relever les défis alimentaires et environnementaux”, ajoute Matignon. Un plan d’investissement de 45 millions d’euros dans les biotechnologies est annoncé.

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05/01/2008 - 13:06h Green Heroes: 50 people who could save the planet, by The Guardian

NOTA 10

Marina Silva
Politician

Marina Silva, 49, is Brazil’s environment minister. The daughter of a Brazilian rubber tapper, she spent her childhood collecting rubber from the Amazon forest and demonstrating against the destruction wrought by illegal loggers. In one of the great political journeys, she rose from being illiterate at 16 to become Brazil’s youngest senator, and is now the woman most able to prevent the Amazon’s wholesale ruin. Under her watch, deforestation has reduced by nearly 75% and millions of square miles of reserves have been given to traditional communities. Last year 1,500 companies were raided and one million cubic metres of illegally felled timber were confiscated. But the future, says Silva, is peril ous. The only way that long-term loss will be averted is with foreign help. “We don’t want charity, it’s a question of ethics of solidarity,” she says. (The Guardian)

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22/12/2007 - 18:37h As Earth Warms, Virus From Tropics Moves to Italy

David Yoder for the International Herald Tribune

“I thought, O.K., my time is up,” said Antonio Ciano, a Castiglione resident who became so sick after catching chikungunya he said he could not stand up.

Published: December 23, 2007
The New York Times

CASTIGLIONE DI CERVIA, Italy — Panic was spreading this August through this tidy village of 2,000 as one person after another fell ill with weeks of high fever, exhaustion and excruciating bone pain, just as most of Italy was enjoying Ferragosto, its most important summer holiday.

“At one point, I simply couldn’t stand up to get out of the car,” said Antonio Ciano, 62, an elegant retiree in a pashmina scarf and trendy blue glasses. “I fell. I thought, O.K., my time is up. I’m going to die. It was really that dramatic.”

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13/12/2007 - 12:21h Um bom debate para no jogar o lixo embaixo do tapete



Reproduzo a seguir dois artigos, que com um mês de intervalo, a Folha de São Paulo publicou sobre a questão do lixo na cidade de São Paulo.

O primeiro, já publicado também neste blog, é do vereador do PT, Antonio Donato e o segundo, do secretário municipal de Serviços, Dimas Ramalho, da administração demo-tucana da prefeitura de São Paulo.

Este debate interessa todos os municipes e permite abordar em toda sua dimensão, para além da demagogia e a politicagem, a importante questão dos resíduos sólidos e seu lugar nas prioridades das políticas públicas.

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13/12/2007 - 11:40h Um bom debate para no jogar o lixo embaixo do tapete



Reproduzo a seguir dois artigos, que com um mês de intervalo, a Folha de São Paulo publicou sobre a questão do lixo na cidade de São Paulo.

O primeiro, já publicado também neste blog, é do vereador do PT, Antonio Donato e o segundo, do secretário municipal de Serviços, Dimas Ramalho, da administração demo-tucana da prefeitura de São Paulo.

Este debate interessa todos os municipes e permite abordar em toda sua dimensão, para além da demagogia e a politicagem, a importante questão dos resíduos sólidos e seu lugar nas prioridades das políticas públicas.

É bom lembrar, como elemento deste debate, o editorial do jornal O Estado de São Paulo em 16 de novembro passado, que entre outras coisa, afirmava:

“Numa metrópole onde os dois aterros existentes estão completamente saturados, a produção de lixo aumenta 7% ao ano e grande parte das 16 mil toneladas de lixo produzidas diariamente é depositada em aterros particulares, essa questão deveria receber alta prioridade. Pelos cálculos do economista Sabetai Calderoni, autor do livro Os Bilhões Perdidos no Lixo, São Paulo poderia economizar US$ 1,2 bilhão por ano se reciclasse de forma organizada seus resíduos sólidos. Dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe) mostram que a capital desperdiçou 3,3 milhões de toneladas de lixo domiciliar em 2006.

Para os estudiosos do problema, a Prefeitura paulistana está muito atrasada. A reciclagem do lixo começou a ser discutida na capital na gestão Luiza Erundina (1989-1992) que chegou a criar um programa de coleta seletiva no fim do governo. Mas, depois disso, a Prefeitura progrediu muito pouco.

Os sucessores de Erundina não se empenharam no projeto. Apenas no governo Marta Suplicy, a coleta seletiva passou a constar das metas do governo municipal e a fazer parte das exigências feitas aos consórcios participantes da licitação para os serviços de transporte e destinação final das 16 mil toneladas de lixo diárias produzidas em São Paulo.

Pelo contrato firmado em 2003 com os consórcios Loga e EcoUrbis, a coleta seletiva porta em porta deveria estar em operação em toda a cidade até outubro de 2005.” (para ler a integra do editorial clique aqui: A gestão do lixo).

Este tema é da maior importância. Ele concerne uma questão central para a vida das pessoas, para o meio-ambiente, mas também sobre questões políticas de prioridades e visão de futuro.

Trata-se, no fundo, de uma questão de governo e de sociedade. Uma questão da maior atualidade. LF

Leia a seguir os dois artigos

Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Cidade limpa?



ANTONIO DONATO

A verdadeira cidade limpa exige consistente política ambiental, direção seguida no modelo de limpeza urbana da gestão passada

A MANUTENÇÃO, pela prefeitura paulistana, dos contratos de coleta de lixo e o arquivamento, pelo Conselho Superior do Ministério Público do Estado, da investigação que apurava eventual superfaturamento de preços na licitação que escolheu em 2004 as empresas que prestam esse serviço em regime de concessão na cidade comprovam que a gestão da prefeita Marta Suplicy à frente da administração municipal de São Paulo agiu no episódio com lisura e tendo em vista apenas o interesse público.
Não podemos, porém, deixar de enfatizar o caráter puramente político-eleitoral que envolveu o processo, já que o atual governo municipal tenta apresentar a manutenção dos contratos não como um reconhecimento à plena legalidade deles, mas como uma ação que estaria resultando em economia de recursos para os cofres públicos, o que não corresponde à natureza dos fatos. Senão, vejamos!
A citada redução de custos prevista no acordo feito agora entre a prefeitura e as duas empresas prestadoras do serviço, da ordem de 17,31% sobre um contrato de custo total de R$ 9,8 bilhões em 20 anos, foi justamente o índice sugerido pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), da USP, quando o órgão, na gestão do então prefeito e atual governador paulista, José Serra, contratou o órgão, sem licitação, a um custo de R$ 945 mil para recalcular os valores dos trabalhos de coleta.
Naquela oportunidade, a Fipe concluiu que os valores estavam todos corretos, mas que, se o início de determinados serviços previstos nos contratos fossem atrasados ou reduzidos, os pagamentos mensais poderiam ser 17,31% menores.
E quais seriam esses serviços não prestados à população paulistana dentro dos prazos contratuais previstos? Entre outros, a ampla implantação da coleta seletiva (que gera ganhos ambientais e produz trabalho e renda), a coleta em favelas e locais de difícil acesso (que, além do ganho ambiental, contribui com a geração de empregos formais em cada região), a construção de dois aterros sanitários (já que os atuais estão fechados) e de duas usinas de compostagem.
Resumindo, essa foi a “mágica” conjurada pela atual administração municipal: reduziu custos esticando prazos para a prestação de serviços essenciais à saúde pública da população, ou seja, a redução de investimentos na cidade é inversamente proporcional ao imenso prejuízo ambiental e social provocado.
A prefeitura levou exatos dois anos para finalmente adotar a sugestão que lhe foi dada pela Fipe em outubro de 2005, qual seja, acatar a legalidade dos contratos (reconhecida pelo Ministério Público) e atrasar a realização de serviços essenciais para reduzir o custo dos pagamentos mensais às companhias encarregadas do setor.
Só que essa demora acarretou também um ônus adicional para o município de R$ 139 milhões decorrentes das dívidas acumuladas com as empresas pela redução unilateral praticada pela administração paulistana desde 2005, cifra que será paga, conforme informações divulgadas pela imprensa a respeito do acordo fechado entre a prefeitura e as prestadoras, em dez prestações até o final da gestão do atual prefeito Gilberto Kassab.
É, portanto, imprescindível que, além da conduta correta adotada pela administração municipal petista que formalizou os contratos em questão, fique patente que o projeto que começou a ser implementado na área da limpeza urbana da cidade de São Paulo a partir de 2001 inaugurou um novo e moderno conceito desses serviços em termos de seu nível técnico e da democratização dos benefícios prestados à população como um todo em um dos maiores centros urbanos do mundo.
Modelo que, ao mesmo tempo, atende as demandas de serviços da cidade e contribui com aspectos sociais relevantes, como a geração de trabalho e renda. Tentar comprometer sua qualidade por meio de manobras puramente eleitoreiras é colocar em risco, em última instância, a saúde de uma população que o poder público tem a responsabilidade de preservar.
Uma verdadeira cidade limpa exige uma consistente política ambiental.
Essa foi a direção seguida na elaboração do modelo de limpeza urbana implantado na gestão passada. Mesmo tardio, o reconhecimento da transparência e da lisura do processo realizado por Marta Suplicy à frente da administração municipal de São Paulo acabou mostrando de que lado se encontrava o verdadeiro interesse público.


ANTONIO DONATO é vereador de São Paulo pelo PT. Foi secretário municipal das Subprefeituras de São Paulo (gestão Marta Suplicy).Quinta-feira, 13 de dezembro 21007

Lixo, uma renegociação limpa

DIMAS RAMALHO


O contrato está adequado à realidade financeira da Prefeitura de São Paulo. Há condições de dar ao lixo a atenção que merece


UMA RENEGOCIAÇÃO limpa, sensata, na qual a Prefeitura de São Paulo faz economia superior a R$ 2 bilhões e os concessionários fazem os investimentos e tocam os serviços e melhoramentos contratados, sem prejuízo do andamento da pendência judicial acerca do valor e do modelo do contrato de coleta de lixo na cidade de São Paulo.
Esse é o resumo de uma história ainda em curso, que começa quando a atual administração paulistana assumiu e que, ao determinar a revisão de todos os contratos vigentes, constatou que era conveniente voltar atrás em relação à coleta do lixo. Por quê? Porque, em síntese, era preciso adequar o contrato à capacidade orçamentária da prefeitura. Os cofres municipais não comportariam o desembolso de R$ 9,836 bilhões, distribuídos por um prazo de 20 anos (prorrogáveis por mais 20 anos).
Depois de rigoroso estudo sob os aspectos jurídico, financeiro e técnico, a atual gestão questionou judicialmente a licitação feita para essa concessão, ao mesmo tempo em que reduziu a tarifa paga pelos serviços. Não se tratou de decisão arbitrária. Os dados e as fundamentações consistentes então apresentados tinham o suporte de uma instituição de prestígio reconhecido, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), da USP, contratada para analisar e sugerir possibilidades de acordo com a realidade financeira do município.
Confiante na consistência de suas alegações e conforme as normas jurídicas em vigor, a prefeitura iniciou a reavaliação dos contratos e pagamentos que estavam previstos, pois a gestão passada não pagou nada; nem sequer uma mensalidade da tarifa estipulada. A atual gestão está quitando as parcelas de responsabilidade da gestão anterior.
Entre janeiro e setembro de 2005, pagou a tarifa contratada originalmente, R$ 40,983 milhões, tarifa reduzida para R$ 33,609 milhões e quitada entre outubro de 2005 até a presente data sem nenhum reajuste. Essa situação persistiu até julho deste ano, quando as concessionárias protocolaram propostas de retomada de investimentos e novos serviços, com redução real da tarifa e propondo discutir as obras necessárias.
A Secretaria de Negócios Jurídicos analisou as propostas das concessionárias e concluiu que eram razoáveis, e a Secretaria de Serviços tomou as medidas para que houvesse um entendimento, levando em conta a essencialidade dos serviços e o prosseguimento da discussão na Justiça. Com base em novos estudos da Fipe, decidiu assinar um termo de compromisso ambiental, em caráter transitório, válido no período em que os contratos permanecem “sub judice”. Por sua vez, as concessionárias retomam imediatamente os investimentos.
Os estudos da Fipe indicaram -e as concessionárias acataram- a redução tarifária de 17,34% e 17,71% para as regiões sudeste e noroeste, respectivamente, ressalvando que o desconto efetivo aplicado foi de 5,81% e 8,31% para cada região. No compromisso assinado, que reflete a preocupação do poder público, inclusive do Ministério Publico, do Tribunal de Contas do Município e da Câmara dos Vereadores, os concessionários iniciam imediatamente os investimentos em aterros, obras compensatórias, sistema de monitoramento GPS e de pesagem, programas de conscientização, pesquisas de avaliação. Ao mesmo tempo, abrem possibilidades de revisão do plano de obras a qualquer instante. Esse plano será discutido com todos os setores interessados e acompanhado por um grupo de gestão; além disso, poderá ser fiscalizado on-line pela população nas 24 horas do dia.
A economia para a municipalidade será de R$ 8,972 milhões por mês, em valores atualizados, ou R$ 107,670 milhões por ano. Considerando-se o tempo contratual de 20 anos, a economia será de R$ 2,110 bilhões -com todos os investimentos previstos e a retomada dos novos serviços.
Apesar de todos os problemas, discussões exaustivas e árdua negociação que consumiram meses, os serviços de limpeza da cidade são aprovados pela população. Segundo pesquisa do Datafolha, em agosto, 64% da população aprova a coleta do lixo. Por sua vez, o TCM avalia que os serviços de varrição têm 65% de qualidade.
Nos termos da renegociação feita, o contrato está adequado à realidade financeira da Prefeitura de São Paulo. Há condições de dar ao lixo a atenção que merece, como serviço essencial da cidade. Mas há também condições de dar atenção à educação, à saúde, à habitação, ao esforço geral para garantir melhor qualidade de vida ao cidadão paulistano.


DIMAS RAMALHO, 53, deputado federal licenciado, é secretário municipal de Serviços de São Paulo e membro do Ministério Público do Estado de São Paulo. Foi deputado estadual e secretário da Habitação do Estado de São Paulo (governo Mário Covas).

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

09/12/2007 - 12:40h Aloizio Mercadante no Globo: Estufa da desigualdade


ALOIZIO MERCADANTE

O Texas, que tem 23 milhões de habitantes, emite mais dióxido de carbono (CO²) que toda a África Subsaariana, região com população de 720 milhões. Os 19 milhões de habitantes de Nova York lançam mais CO² na atmosfera do que os 766 milhões de habitantes dos 50 países mais pobres do mundo.
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09/12/2007 - 12:34h Aloizio Mercadante no Globo: Estufa da desigualdade

ALOIZIO MERCADANTE

O Texas, que tem 23 milhões de habitantes, emite mais dióxido de carbono (CO²) que toda a África Subsaariana, região com população de 720 milhões. Os 19 milhões de habitantes de Nova York lançam mais CO² na atmosfera do que os 766 milhões de habitantes dos 50 países mais pobres do mundo.

Esses números dão uma idéia da imensa desigualdade nas responsabilidades concernentes ao efeito estufa. Com efeito, são os países desenvolvidos os grandes responsáveis pelas mudanças climáticas que ameaçam o planeta. Foram eles que lançaram na atmosfera sete de cada 10 toneladas de CO², desde que começou a revolução industrial. Tal responsabilidade não é apenas histórica, pois as nações desenvolvidas continuam a ser as principais poluidoras. Muitos argumentam que alguns países em desenvolvimento vêm aumentando suas participações nas emissões globais. A China, por exemplo, já é o segundo maior emissor de CO² do mundo. Contudo, esse aumento da participação é concentrado em poucos países, e encobre grande disparidade demográfica. Assim, quando analisamos as emissões per capita, verificamos que um chinês emite apenas um quinto do CO² emitido por um norte-americano. Já um brasileiro emite 11 vezes menos que um norte-americano. Ironicamente, a desigualdade nas responsabilidades pelas emissões se inverte quando se trata da vulnerabilidade às mudanças climáticas.

Os 1 bilhão de habitantes mais pobres do planeta, embora respondam por apenas 3% das emissões, são os mais afetados pelas mudanças climáticas. Na África, as secas intensas vêm provocando aumento da fome e da desnutrição. Na Bolívia, o encolhimento das geleiras andinas já causa escassez de água potável.

Pois bem, é dentro desse contexto de extrema desigualdade nas responsabilidades e vulnerabilidades relacionadas ao efeito estufa, as quais refletem as crescentes disparidades socioeconômicas mundiais, que devem ser analisadas as discussões do 13oEncontro da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que ocorre em Bali. Os países desenvolvidos, que, de um modo geral, aumentaram as suas emissões, ao invés de reduzi-las, como haviam se comprometido quando assinaram o Protocolo de Kioto, querem, agora, comprometer os países em desenvolvimento com metas de redução dos gases do efeito estufa. Pior: querem se aproveitar do tema para auferir ganhos comercias.

Elaboraram lista de produtos “ambientais” que poderiam ser comercializados com tarifa zero. Omitiram, no entanto, o etanol brasileiro da lista, pois pretendem continuar a proteger os seus mercados agrícolas.

Tal cenário impõe três conclusões. A primeira é que o Brasil, país de matriz energética limpa e de vanguarda nos biocombustíveis, deveria condicionar compromissos internacionais de metas diferenciadas para os países em desenvolvimento ao efetivo cumprimento das metas acordadas para as nações desenvolvidas. Ademais, a conciliação entre meio ambiente equilibrado e o direito ao desenvolvimento, conquista histórica obtida na Eco 92, tem de ser preservada.

Afinal, a manutenção da pobreza não vai resolver os problemas ambientais do mundo. Isso não significa omissão na luta contra as mudanças climáticas. Temos de assumir compromisso interno mais firme no que tange ao desmatamento da Amazônia.

Também devemos nos esforçar para assumir amplos compromissos regionais, no âmbito do Mercosul e da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica. Como membro do Parlamento do Mercosul, almejo propor protocolo específico sobre mudanças climáticas para o bloco.

A segunda conclusão é a de que o Protocolo de Kioto e o mercado de carbono, embora imprescindíveis, são insuficientes para lidar com a questão.

Precisamos de mecanismos mais eficientes que propiciem o financiamento de tecnologias limpas para países em desenvolvimento e da mitigação do efeito estufa. Por isso, apresentei proposta de criar o Fundo Ambiental Mundial, destinado ao combate ao efeito estufa, com base na arrecadação de 1% sobre as importações internacionais, com ênfase nas de petróleo, o que poderia redundar no recolhimento de US$ 100 bilhões por ano. Esse Fundo daria base financeira para que todos os países, inclusive os mais pobres, pudessem se empenhar nessa luta.

A terceira conclusão é de que não podemos esperar mais para agir. Certa vez, perguntaram a Gandhi se a Índia pretendia se desenvolver como a Inglaterra. Gandhi, após observar que a Inglaterra havia consumido metade dos recursos do planeta para se desenvolver, perguntou: “De quantos planetas precisará a Índia?” Só temos um planeta, e ele está doente. Ambiental e socialmente doente.

Temos de cuidar dele e enfrentar, em conjunto, essas duas terríveis enfermidades.

13/11/2007 - 06:48h O engodo tucano no Tietê: 15 anos é a mesma sujeira


Sem metas claras, Projeto Tietê não limpa o rio

Samantha Maia e Daniela Chiaretti – jornal Valor


“O Rio Tietê nasce em Salesopolis atravessa os municípios da Grande São Paulo , recebe como afluente o Rio Tamanduateí, que traz os esgotos da região industrial e doméstico dos municípios do grande ABC,que depois recebe mais um afluente com esgotos domésticos e industriais da região sul, pelo Rio Pinheiros. A espuma surge devido a falta de chuvas ,no período da noite, partir das 21horas ,quando a temperatura cai bastante,nesta época do ano, ocasionado pela alta concentração de poluentes e só começa se desmanchar às 10 horas da manhã quando os raios solares furam as bolhas da espuma”. Comentários e foto extraídos do site de Alex Minck. O mesmo cita no site que as fotos foram tiradas no mês de maio de 2003, sempre as 6:30 da manhã na sua ida ao trabalho.


Urbanistas dizem que uma cidade se conhece pelo seu rio. Por esta premissa, São Paulo é tão sombria quanto as águas do Tietê e seus afluentes, Pinheiros e Tamanduateí. Desde os anos 90, a cidade tenta limpar a região do Alto Tietê, num esforço alardeado como o maior projeto ambiental da história de São Paulo e o maior financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID. De maior, por enquanto, só o engodo da população levada a crer que em 15 anos poderia usar o Tietê “como os americanos usam o Potomac”. Ficou no bordão a promessa dos políticos de 1992, referindo-se ao rio de Washington onde no verão se vêem lanchas, caiaques e jet skis. Aqui se investiu mais de US$ 1,5 bilhão em estações de tratamento e redes de coleta, mas o Tietê continua a cruzar metrópole e arredores tão morto quanto antes.

Em 1992, na largada do Projeto Tietê, 75% dos moradores da Região Metropolitana de São Paulo tinham coleta e tratamento de esgoto, segundo cálculos do economista Marcelo Neri, com base na Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios, a PNA. Mesmo com todos os recursos gastos no saneamento do rio, a Grande São Paulo perdeu a primeira colocação no ranking de melhor área atendida por rede de esgoto entre as dez maiores regiões metropolitanas do país. Outras fizeram mais. Em 2006, os paulistas alcançaram um índice de 79%, caindo para o 3º lugar empatados com Salvador. Belo Horizonte ficou à frente (83%, tendo saído de 68% em 1992), seguida pelo Distrito Federal (80% hoje, 73% em 1992).

A coisa andou no Alto Tietê, mas a passos muito lentos e sem acompanhar o crescimento da população. O objetivo inicial -limpar 50% do rio em dois anos – ficou na bravata. Se o logo-ícone do projeto era um obstinado jacaré que apareceu no rio em 1990, agora seria melhor adotar uma tartaruga. De 1992 a 1997, a RMSP tratava 4 m3/s de esgoto, o resto, lançava in natura ao Tietê. Em 1998, fim da primeira fase do plano, o tratamento chegou a 8 m3/s. Em 2008, com a segunda fase em operação, serão tratados 16 m3/s, espera a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp. Saber ao certo quanto isto representa do total é um problema.

Na agência ambiental do Estado, a Cetesb, acredita-se que a RMSP produza cerca de 50 m3/s de esgoto, dos quais 81% são coletados e 37% tratados. Na Sabesp, os números são outros. Levam em conta sua produção de água e as perdas, e chegam a 57 m3/s. Aí os engenheiros aplicam um parâmetro clássico, que diz que 80% da água produzida transforma-se em esgoto. Descontam o que não é coletado e chegam a mais ou menos 33 m3/s. São 33 mil litros de esgoto que desaguam, por segundo, no rio, numa estimativa grosseira.


Se hoje não se sabe bem quanto de esgoto tem no Tietê, o início do projeto foi ainda mais nebuloso. Não havia – e ainda não há – metas ambientais claras a serem perseguidas. Hoje nem mesmo o Comitê de Bacia do Alto Tietê, uma instituição que reúne prefeituras, órgãos estaduais e sociedade civil e elabora o plano de gestão dos recursos hídricos da região, detalha metas para ressuscitar o rio. Mas um consenso é o êxito obtido com a queda da poluição industrial. Foram 1250 empresas monitoradas, as maiores poluidoras da região. Lançavam 4,7 toneladas por dia de metais pesados no rio, índice que caiu para 0,14 ton/dia já em 1995.

A fiscalização foi mantida, mas a menor poluição também ocorre porque das 1250 empresas, só 607 continuam na RMSP – a metade fechou ou mudou. Para a segunda fase do projeto, outras 290 indústrias deveriam ser monitoradas, com US$ 5 milhões do BID. Não aconteceu. “A lista das 290 empresas apresentada pela Sabesp tinha shoppings e supermercados, que não monitoramos”, diz Richard Hiroshi, da diretoria de controle de poluição ambiental da Cetesb. “Virou uma discussão de anos e em dezembro de 2006 resolvemos não participar do Tietê 2.”

Os recursos foram destinados a outras obras do projeto. Mas, segundo a Sabesp, o BID continua insistindo para que o trabalho com as empresas seja ampliado. “A Cetesb também tem responsabilidade”, diz Marcelo Salles de Freitas, diretor de empreendimentos e meio ambiente da Sabesp. “Vamos continuar discutindo este ponto.”

“Na parte industrial já chegamos aonde queríamos”, rebate Hiroshi. “Como podemos exigir que as indústrias façam mais investimentos? E o esgoto doméstico?” O volume gigantesco de descargas orgânicas continua sendo o algoz do Tietê. “São raros os momentos na RMSP em que o oxigênio dissolvido no rio sobe acima de 0,5 mg/l”, diz Eduardo Mazzolenis, gerente da Cetesb que lida com a qualidade das águas. “Para ter vida, o rio tinha que ter no mínimo 4 mg/l.” A medida da poluição orgânica é a demanda bioquímica de oxigênio, a DBO. Quanto mais alta a DBO, mais poluído o rio. “DBO é a fotografia do esgoto não tratado”, compara Mazzolenis.

Em 1992, em Pirapora do Bom Jesus, a DBO era 38 mg/l. Foi caindo e chegou a 21 mg/l em 2005, mas em 2006 saltou para 28 mg/l. “Ficamos invocados com a subida da DBO”, diz o técnico. O efluente despejado pelas estações de tratamento da Sabesp, as ETEs, está sendo investigado. Há suspeitas de que a ETE Parque Novo Mundo estaria fora dos padrões de qualidade estabelecidos pela legislação. O fato de em 2006 ter chovido menos também pode ter influenciado a piora da qualidade da água.

Com 4 mg/l de oxigênio dissolvido na água há alguma vida nos rios, mas no Tietê são raros os trechos com 0,5 mg/l

O Tietê nasce em Salesópolis e percorre 1100 km até desaguar no rio Paraná. Basta distanciar-se umas dezenas de quilômetros da nascente para que peixes e plantas sumam. “Leva o primeiro golpe em Suzano”, diz Mazzolenis. Em Itaquaquecetuba já é um rio morto. Assim segue por Guarulhos, passa pela capital e prossegue até Salto, onde começa a se recuperar. É no recuo desta mancha marrom que está um trunfo do projeto. Em 1992, estimava-se em 300 km o cobertor de poluição; hoje são 180 km, garante a Sabesp. Para o paulistano, contudo, nada mudou.

O que se sabe, 15 anos depois, é que a poluição do Tietê é bem maior que o esforço já feito. Nas contas de Hiroshi, da Cetesb, com todo o investimento em tratamento e coleta, chegou-se a apenas 1/3 do que se deveria para limpar o rio. A Sabesp admite que os trabalhos estão muito aquém do necessário para se notar alguma melhora. “Mas cumprimos o que queríamos fazer em termos de obras”, diz Freitas. A engenharia prevista na 1ª e 2ª fase aconteceu, mas com 10 anos de atraso. “A despoluição do rio vai levar mais uns oito anos para avançar um pouco. A limpeza completa levará décadas”, reconhece.

O ímpeto da primeira fase, que contou com US$ 1,1 bilhão, não se manteve na segunda. Ingressaram US$ 400 milhões frente a uma expectativa de US$ 1,2 bilhão. “Foi uma hora ruim. Teve a crise asiática, a desvalorização cambial”, lembra Freitas. Dessa forma, a segunda fase serviu para ampliar a rede e aproveitar a estrutura de tratamento erguida no primeiro período, de 16 m3/s, e não para puxar a capacidade para 28 m3/s, como foi idealizado no começo. A estratégia rebateu as críticas à primeira fase – dizia-se que se fizeram grandes estações de tratamento mas não se levou o esgoto até elas.

Outro nó que só agora começa a desatar é a relação da Sabesp com as cidades que têm serviços de saneamento próprio. Dos 34 municípios da região, seis não estão sob o regime da Sabesp e acabaram não participando do projeto. Guarulhos, o maior deles, com 1,2 milhão de pessoas, não trata uma gota de esgoto e joga tudo no rio.

Depois de muita negociação com o Ministério Público, em dezembro de 2006 a prefeitura de Guarulhos assinou um acordo onde se comprometia a universalizar coleta e tratamento em 30 anos. “É um abuso este prazo”, diz o geógrafo Gustavo Veronesi, da Fundação SOS Mata Atlântica. “Não temos tempo a perder, tinha que começar ontem.” A prefeitura explica o prazo dizendo que não tem dinheiro. O Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, pode encurtar este horizonte, cobrindo a metade dos R$ 550 milhões necessários ao saneamento de Guarulhos. “A expectativa agora é concluir as obras em cinco anos”, diz João Roberto Morais, superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos.

Também entre os municípios sob o regime da Sabesp há problemas. Sem investimentos, Itaquaquecetuba apelou ao Ministério Público para obter com a Sabesp um plano focado na cidade. São 350 mil habitantes e só 5% de tratamento de esgoto. O acordo, a ser assinado ainda em 2007, prevê 11 anos e R$ 176 milhões em coleta e encaminhamento dos efluentes para as estações de São Miguel e Suzano. Também serão instaladas estações provisórias em áreas mais populosas e onde já existe rede, conta João Antônio Campos, Secretário de Planejamento do município. Por seu lado, o gerente de departamento de planejamento integrado da unidade leste da Sabesp, Marcio de Oliveira, diz que os interceptores que permitirão a conexão entre Itaquaquecetuba e a estação de tratamento de São Miguel chegarão à cidade em 2008.

Esse é um exemplo do quebra-cabeças montado pela Sabesp dentro da RMSP, baseado na condução do esgoto a cinco grandes estações de tratamento, o que pode ser eficiente, mas também produz distorções. Barueri abriga a maior estação de tratamento de esgoto da America Latina, mas não é atendida por ela e despeja tudo onde? Bingo. “O esgoto da Billings será levado para Barueri, a 60 km de distância, sendo que a estação de tratamento do ABC é subutilizada”, aponta Veronesi, da SOS Mata Atlântica. Ele acredita que um sistema baseado em pequenas e médias estações pode funcionar e ser menos oneroso.

É o que aconteceu na pequena Biritiba-Mirim (29 mil habitantes), que em 2005 atingiu um dos melhores índices de saneamento do país. Com 95% do esgoto coletado e tratado, Biritiba reduziu a mortalidade infantil de 60 por mil nascidos vivos, em 1990, para 11 em 2005. A saída foi uma ação localizada. Com R$ 7 milhões, 90% financiados pela Caixa Econômica Federal, a cidade construiu a rede coletora e uma estação com capacidade para tratar 55 litros por segundo. “Para uma cidade com R$ 20 milhões de orçamento, é uma obra faraônica”, diz o prefeito Roberto Pereira da Silva (PSDB).

Para a terceira fase do Projeto Tietê, já em negociação com o BID, fala-se em outro US$ 1 bilhão. “Estamos formatando o plano”, diz Freitas. A idéia é que a terceira etapa comece em 2009 e a quarta, em 2018. A intenção é ampliar as ETEs existentes e expandir a rede. Ao final da terceira fase a Sabesp espera coletar 92% dos esgotos e tratar 82%. Não se fala mais em ver o rio limpo, porém. “Isso não vai acontecer nem ao fim da quarta fase”, diz o diretor da Sabesp.

15/10/2007 - 11:49h Gore Derangement Syndrome

The New York Times

On the day after Al Gore shared the Nobel Peace Prize, The Wall Street Journal’s editors couldn’t even bring themselves to mention Mr. Gore’s name. Instead, they devoted their editorial to a long list of people they thought deserved the prize more.


Paul Krugman.


And at National Review Online, Iain Murray suggested that the prize should have been shared with “that well-known peace campaigner Osama bin Laden, who implicitly endorsed Gore’s stance.” You see, bin Laden once said something about climate change — therefore, anyone who talks about climate change is a friend of the terrorists.

What is it about Mr. Gore that drives right-wingers insane?

Partly it’s a reaction to what happened in 2000, when the American people chose Mr. Gore but his opponent somehow ended up in the White House. Both the personality cult the right tried to build around President Bush and the often hysterical denigration of Mr. Gore were, I believe, largely motivated by the desire to expunge the stain of illegitimacy from the Bush administration.

And now that Mr. Bush has proved himself utterly the wrong man for the job — to be, in fact, the best president Al Qaeda’s recruiters could have hoped for — the symptoms of Gore derangement syndrome have grown even more extreme.

The worst thing about Mr. Gore, from the conservative point of view, is that he keeps being right. In 1992, George H. W. Bush mocked him as the “ozone man,” but three years later the scientists who discovered the threat to the ozone layer won the Nobel Prize in Chemistry. In 2002 he warned that if we invaded Iraq, “the resulting chaos could easily pose a far greater danger to the United States than we presently face from Saddam.” And so it has proved.

But Gore hatred is more than personal. When National Review decided to name its anti-environmental blog Planet Gore, it was trying to discredit the message as well as the messenger. For the truth Mr. Gore has been telling about how human activities are changing the climate isn’t just inconvenient. For conservatives, it’s deeply threatening.

Consider the policy implications of taking climate change seriously.

“We have always known that heedless self-interest was bad morals,” said F.D.R. “We know now that it is bad economics.” These words apply perfectly to climate change. It’s in the interest of most people (and especially their descendants) that somebody do something to reduce emissions of carbon dioxide and other greenhouse gases, but each individual would like that somebody to be somebody else. Leave it up to the free market, and in a few generations Florida will be underwater.

The solution to such conflicts between self-interest and the common good is to provide individuals with an incentive to do the right thing. In this case, people have to be given a reason to cut back on greenhouse gas emissions, either by requiring that they pay a tax on emissions or by requiring that they buy emission permits, which has pretty much the same effects as an emissions tax. We know that such policies work: the U.S. “cap and trade” system of emission permits on sulfur dioxide has been highly successful at reducing acid rain.

Climate change is, however, harder to deal with than acid rain, because the causes are global. The sulfuric acid in America’s lakes mainly comes from coal burned in U.S. power plants, but the carbon dioxide in America’s air comes from coal and oil burned around the planet — and a ton of coal burned in China has the same effect on the future climate as a ton of coal burned here. So dealing with climate change not only requires new taxes or their equivalent; it also requires international negotiations in which the United States will have to give as well as get.

Everything I’ve just said should be uncontroversial — but imagine the reception a Republican candidate for president would receive if he acknowledged these truths at the next debate. Today, being a good Republican means believing that taxes should always be cut, never raised. It also means believing that we should bomb and bully foreigners, not negotiate with them.

So if science says that we have a big problem that can’t be solved with tax cuts or bombs — well, the science must be rejected, and the scientists must be slimed. For example, Investor’s Business Daily recently declared that the prominence of James Hansen, the NASA researcher who first made climate change a national issue two decades ago, is actually due to the nefarious schemes of — who else? — George Soros.

Which brings us to the biggest reason the right hates Mr. Gore: in his case the smear campaign has failed. He’s taken everything they could throw at him, and emerged more respected, and more credible, than ever. And it drives them crazy.

15/10/2007 - 11:46h O Filtro de Thomas Traumann

A vitória verde
O fim-de-semana dos jornais americanos foi uma seqüência das especulações sobre o prêmio Nobel da Paz de Al Gore. Los Angeles Times define o prêmio como uma derrota para George W. Bush.

Thomas L. Friedman escreve no The New York Times que Gore é o que resta da credibilidade dos EUA no Exterior. Furioso, o The Wall Street Journal gastou seu artigo citando outras personalidades que deveriam ter recebido o prêmio ao invés daquele…verde!

Uma boa reportagem ambiental está no britânico The Observer, que conta que o líder ianomami Davi Kopenawa quer que as ONGs internacionais parem de comprar áreas de reserva na Amazônia. O seu alvo é o milionário conselheiro ambiental do governo inglês Johan Eliasch, cuja Ongs promete proteger a Amazônia comprando terras. É a velha idéia de que o problema da Amazônia são os brasileiros.

Leia a integra da coluna O Filtro no portal da revista Época

24/09/2007 - 12:29h Clinton Global iniciative: Huge effort urged on global warming


By Chrystia Freeland and Edward Luce in New York

The US needs to unleash “the greatest concentration of economic activity since we mobilised for World War II” by embracing new energy technology and regulatory incentives to tackle global warming, according to former US president Bill Clinton.

Speaking to the Financial Times on the eve of the Clinton Global Initiative – the annual New York conference of the ex-president’s global business philanthropy group – Mr Clinton strongly disputed the view that tackling climate change would reduce economic growth.

He contradicted a recent United Nations report that said tackling global warming would involve a sacrifice in economic growth. Mr Clinton also sided with China and India, which he said could not fairly be expected to cut their carbon emissions un-less wealthy countries such as the US first took the lead.

Later this week, George W. Bush is to host a Washington summit on global warming, which will include the leaders of India and China. The CGI is also focusing on climate change in addition to global health, education and poverty alleviation. Mr Clinton will host his first Asian CGI – in Hong Kong – next year.

“There’s way more economic opportunity than cost here, and I think unless we take the lead in the United States, we’ll never get the Indians and the Chinese to do it,” said Mr Clinton.

“But we will never be able to persuade them of that until we put our money where our mouth is . . . There’s money in this. This is economically smart.”

Citing a recent CGI initiative in which Mr Clinton persuaded five banks to stump up $5bn (€3.5bn, £2.5bn) to refit urban buildings that would be paid back by utility savings over time, Mr Clinton said the US should move rapidly to upgrade its regulatory targets to improve energy efficiency.

He cited the UK and Denmark as having created new jobs through new technology investments that had enabled them to avoid the stagnation in median wages that had affected America’s middle classes since 2000.

“In this decade, the UK has had rising median incomes and no increase in inequality because they’ve found a source of new jobs.”

He said Europe’s better focus on energy efficiency explained why it had created 13m new jobs between 2000 and 2005 compared with 8m in the US. More in Financial Times

14/09/2007 - 18:15h "Ou fica pelada ou matamos seu cachorro!"

Page not fund, Blog de Fernando Moreira

Quem mandou atiçar a curiosidade masculina? Agora a modelo argentina Nicole Neumann está em apuros! Tudo começou no fim de agosto, quando a beldade anunciou que participaria de um evento contra a indústria de peles de animais. Estava previsto que as modelos tirariam a roupa na manifestação em Buenos Aires. O anúncio da presença de Nicole, atualmente o maior símbolo sexual platino, fez com que uma multidão de marmanjos se concentrasse no ponto marcado para o protesto ecológico.

Quando viu a rapaziada sedenta na rua, Nicole amarelou e pediu que o motorista desse meia volta e saísse a toda velocidade. A modelo, juntamente com as outras manifestantes, decidiu fazer o protesto, bem mais comedido, em outro local.

Pronto, a multidão se revoltou! A fuga repercutiu em blogs e sites, que exigem que Nicole tire a roupa em público. Um grupo chegou a fundar um movimento, que lançou um vídeo em que ameaça matar o cachorro – um border collie – da modelo se ela não se despir.Em entrevista ao jornal “Clarín”, o porta-voz disse que o grupo “representa a vontade popular” e expressa uma petição “que pertence a todos os homens que se sentiram feridos”.

Bom, quem fizer uma busca por fotos na web, verá que tirar a roupa é um dos esportes preferidos de Nicole. Não entendo por que a moça não atende logo ao pedido dos hermanitos.