09/09/2009 - 12:00h Consensos e dissensos no pré-sal

Colunista

Cristiano Romero – VALOR

Já existe, há pouco mais de uma semana do anúncio da proposta federal de um marco regulatório para a exploração de petróleo na camada pré-sal, um razoável consenso em torno dos principais aspectos do projeto. A criação do regime de partilha, o aumento da participação governamental na renda petrolífera e a instituição de um fundo soberano para impedir que o Brasil se transforme na Arábia Saudita da América do Sul são pontos convergentes, segundo avaliações públicas e reservadas de lideranças da oposição ao governo Lula. Há dúvidas quanto à capitalização da Petrobras, mas pouco se objetou, até o momento, à criação da nova estatal (Petro-Sal). O grande nó da discussão está fora da proposta oficial: a distribuição de royalties e participações especiais.

O plano inicial do governo era alterar as regras de distribuição de royalties e participações, de forma que os Estados e os municípios não produtores passassem a se beneficiar da renda gerada pelo petróleo. Para não confrontar os três maiores produtores – Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo -, o Palácio do Planalto concordou em manter tudo como está, sabendo, claro, que no Congresso prevalecerá a vontade da maioria. É o que vai acontecer.

Em entrevista ao Valor, a ministra Dilma Rousseff deixou clara a opinião do governo. O petróleo do pré-sal está a 300 Km da costa, logo, não seria justo que essa riqueza, incomensurável para os padrões da exploração petrolífera no Brasil, fosse distribuída somente entre os três maiores produtores. Manter a atual regra de distribuição seria contribuir para concentrar renda e acirrar as desigualdades regionais – São Paulo detém, segundo o IBGE (dados de 2006), 33,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e o Rio de Janeiro, 11,6%; a Bahia, o Estado mais rico do Nordeste, responde por apenas 4,1% do PIB brasileiro.

No ano passado, o Estado do Rio e os municípios fluminenses receberam R$ 4,7 bilhões em royalties, o equivalente a 43% do total distribuído. No caso das participações especiais, a sua fatia foi ainda mais generosa – R$ 5,5 bilhões, equivalentes a 47% do total. Somando-se os dois benefícios, chega-se, portanto, a R$ 10,2 bilhões. Trata-se, sob qualquer ponto de vista, de um belíssima fonte de renda.

As regras que asseguraram essa distribuição não foram nem serão alteradas pelo Congresso. Elas dizem respeito ao petróleo que vem sendo explorado na Bacia de Campos com base no regime de concessão. Lembre-se ainda que a maior parte dos três campos de pré-sal já licitados pela Agência Nacional de Petróleo, com base também no regime de concessão, está em mar territorial fluminense. De lá, portanto, jorrará não só petróleo em abundância – a reserva dos três campos é estimada em 14 bilhões de barris -, mas também royalties e participações especiais para o Estado do Rio – bem como para São Paulo e Espírito Santo.

Nesse contexto, a proposta do governador Sérgio Cabral de se manter tudo como está, inclusive nos campos de pré-sal a serem leiloados daqui em diante, pode ser encarada como uma provocação aos demais Estados – e/ou uma mera jogada política para o público interno, a pouco mais de um ano da eleição. Não há nada que justifique tamanho privilégio e apenas o diálogo impedirá que o Rio sofra um vexame político maior.

O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), prega a negociação. Já está construindo pontes com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), uma espécie de líder natural dos Estados não produtores, e mostra como resolveu o mesmo problema dentro do Espírito Santo. Há três anos, Hartung decidiu distribuir 30% dos recursos que o Estado arrecada com royalties entre os municípios não produtores de petróleo.

“Quem ganha mais ICMS recebe menos royalties, ponderado pelo número de habitantes”, revela o governador. Para evitar que esses recursos escorram pelo ralo do desperdício, algo muito comum atualmente entre os municípios bem aquinhoados por dinheiro de royalties, Hartung estabeleceu que eles devem ser destinados, prioritariamente, a obras de saneamento básico (tratamento de esgoto e coleta de lixo). O Espírito Santo arrecada recursos (R$ 143 milhões em 2008) que nada se comparam aos bilhões do Rio de Janeiro, mas o que vale aqui é a solução política. “Os recursos públicos são para atender a demandas sociais”, diz o governador. “É possível que a riqueza do pré-sal chegue aos Estados não produtores? Claro que é!”

Hartung pondera que a região do pré-sal, um faixa de 800 Km de comprimento, é diversa. O campo de pré-sal do Espírito Santo, o primeiro a produzir petróleo (20 mil barris diários), localiza-se a 72 Km e não a 300 Km da costa, como dizem os críticos do sistema de royalties. A expectativa é que a região de pré-sal do Parque das Baleias chegue a 2015 produzindo 300 mil barris por dia. Segundo essa estimativa, o país estará produzindo no pré-sal, nessa época, 582 mil barris diários.

O governador capixaba alega que o direito à compensação financeira dos Estados produtores, não só de petróleo, mas também de minérios em geral e de energia hidrelétrica, está previsto na Constituição. “O texto original tirava tudo dos Estados produtores, inclusive, tornava o projeto inconstitucional”, observa. Ele acredita que haverá entendimento político porque, com exceção da questão dos royalties, há convergência política nos principais temas do pré-sal.

“Há muitos pontos de convergência. E o cobertor, dessa vez, é maior. Não podemos, por movimentações políticas muito conjunturais, turvar uma possibilidade grande de entendimento, inclusive, entre PT e PSDB. Não é com bravata que vamos resolver essa situação, mas com negociação”, recomenda.

Ao defender o diálogo, Hartung usa um argumento polêmico – o de que o Rio de Janeiro merece um “olhar diferenciado” nessa discussão, por causa do esvaziamento político e econômico sofrido nas últimas décadas. “É preciso recuperar o Rio e a janela de oportunidade é a indústria do petróleo. Não tem outra”, argumenta.

Cristiano Romero é repórter especial e escreve às quartas-feiras.

E-mail cristiano.romero@valor.com.br

03/09/2009 - 16:47h Na TV, Ciro se apresenta como o “pós-Lula” e escancara candidatura presidencial

03.mar.2009/ABr
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Ciro Gomes, do PSB, se apresenta como pós-Lula no programa do partido na TV

VERA MAGALHÃES do Painel da Folha de S.Paulo, em Brasília

Se havia alguma dúvida sobre qual será o plano A de Ciro Gomes (CE) para 2010, ela deverá ser dirimida quando for ao ar, hoje à noite, o programa do PSB no horário eleitoral. Ciro se coloca claramente como o “pós-Lula”, elogia as duas gestões do presidente, faz questão de dizer que foi parceiro, mas diz a todo o tempo que é preciso “avançar”.

“O governo do presidente Lula é só o ponto de partida em relação ao que queremos e devemos fazer”, diz um Ciro sorridente, que, na casa de uma beneficiada pelo Bolsa-Família na periferia de Brasília, conduz o programa como mestre de cerimônia –o que mostra que o PSB, que esteve disposto a rifar o deputado federal para agradar a Lula, resolveu dar corda à pré-candidatura própria para decidir só depois o que fazer.

No que pode ser lido como uma alusão à própria resistência de Lula a mais uma candidatura no campo aliado, o programa do PSB começa com um texto que pergunta: “Quantas vezes você sonhou o impossível e depois viu o sonho acontecer?”

Ciro aparece falando sobre o “Brasil do século 21″, e elenca os ganhos da era Lula: mais crédito, redução da dívida externa, maior poder de compra para a população e competição de igual para igual com os chamados países ricos.

Sempre falando na terceira pessoa do plural, Ciro, que foi ministro da Integração Nacional no primeiro mandato, diz que muito foi feito (”fizemos”), mas muito está por ser feito. “O Brasil arrumou a casa, mas é preciso avançar, seguir adiante, evoluir”, diz.

Na casa da moradora de Ceilândia, Ciro se convida para um “cafezinho” e pede para “tirar o paletó para ficar mais à vontade”. Dona Silvana conta como sua vida mudou depois do Bolsa-Família. “Mas a senhora não quer só o Bolsa-Família, quer ir à luta”, diz Ciro, mais uma vez tentando se cacifar como o pós-Lula.

No programa, Ciro e o presidente do PSB, Eduardo Campos, também tratam de se apropriar da bandeira da transparência como um ativo do partido. A lei da Transparência, sancionada por Lula, é apresentada como uma ideia do ex-senador João Capiberibe (AP) e tema de jingle, para associá-la ao partido.

O programa vai ao ar hoje, em rede nacional. O publicitário responsável foi Edson Barbosa, da agência Link, que cuidou da conta do PT na crise do mensalão, quando Duda Mendonça caiu em desgraça.

Em reunião nesta semana, Ciro disse aos deputados e senadores do PSB que, se o partido quiser, aceita transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, para ser opção ao governo do Estado, mas afirmou que não se sentiria “confortável” nessas condições. “Sou candidato a presidente”, disse, textualmente, diante da bancada.

03/09/2009 - 10:03h Pré-sal: Só a tramitação com urgência une os governadores

PE e BA querem distribuição equitativa, RJ defende modelo atual e MG adota posição intermediária

 

Sérgio Lima/Folha Imagem
Foto Destaque
Wagner, Cabral e Campos: os três governadores são aliados de Lula mas têm posições divergentes sobre o modelo

 

Paulo de Tarso Lyra e César Felício, de Brasília e Belo Horizonte – VALOR

Em matéria de royalties do pré-sal, só uma coisa une os governadores da Bahia, Jaques Wagner (PT) , de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB): todos são favoráveis a que o Congresso trate do assunto nos próximos 90 dias, com a urgência pedida pelo governo, mas que pode cair hoje, a pedido dos líderes aliados. Prova disso foi o bate-boca que envolveu os três ontem na solenidade de lançamento do PAC do Saneamento.

Os três são de partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas Wagner e Campos defenderam que as riquezas decorrentes da exploração dos novos campos petrolíferos não podem ficar concentradas em apenas três estados – São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Para os dois, o pré-sal é uma riqueza nacional e, como tal, deve beneficiar todos os brasileiros e não repetir o modelo concentrador que rege a exploração dos atuais campos.

Em Belo Horizonte, o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), procurou adotar uma posição intermediária na polêmica. Propõe uma divisão em que uma parte minoritária dos royalties comporia um fundo para os Estados que não são limítrofes com os campos.

“Os Estados que estão mais próximos de onde será retirado esse óleo, podem ter um retorno diferenciado. Mas defendo que uma parcela expressiva seja investida principalmente em educação e saúde nos demais Estados, com a transferência desses recursos através de um fundo”, disse Aécio, que afirmou ter conversado sobre o tema com o governador de São Paulo, José Serra, por telefone, e com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

No dia 25, antes do envio da proposta, em encontro Cabral, Aécio já havia afirmado considerar “natural” que os estados produtores tivessem uma participação diferenciada na distribuição de royalties, mas frisou que considerava necessária “generosidade na discussão”. Na ocasião, o governo federal havia divulgado a sua intenção de alterar o formato da distribuição de recursos do pré-sal aos Estados. Um jantar entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Serra, Cabral e o governador capixaba Paulo Hartung (PMDB), domingo, fez com que o Planalto recuasse desta intenção.

Aécio não fez ressalvas ao projeto de marco regulatório, que garante papel protagonista à Petrobras na exploração do pré-sal. Sinalizou que talvez apóie a retirada da obrigatoriedade da estatal ter uma participação de 30% em todos os lotes. “Temos que tomar um cuidado grande para não afastarmos investidores importantes e outras petrolíferas que poderão ser parceiras do Brasil”, disse, segundo material distribuído por sua assessoria de imprensa.

O governador mineiro criticou, contudo, a decisão de Lula em pedir regime de urgência para o projeto, ponto que foi criticado também por Serra durante a solenidade promovida pelo governo federal nesta segunda. “Não há necessidade de uma discussão de efeitos tão decisivos e definitivos na vida brasileira, ser conduzida de forma tão açodada. Acho que se o governo retirar a urgência urgentíssima estará dando um sinal positivo para um entendimento e isso será compreendido por nós como tal”, afirmou.

Já o governador do Rio aferra-se à letra da Constituição para defender que os Estados produtores de petróleo têm o direito de ficar com o royalties: “Errado seria se nós quiséssemos pegar dinheiro de outros estados”. O debate foi acirrado ontem em Brasília. “Farinha pouca, meu pirão primeiro”, disse Cabral.

“Não podemos fazer este debate olhando para trás. São Paulo, Rio e Espírito Santo já desfrutam dos royalties das atuais bacias petrolíferas. Por que manter esta relação concentradora?”, indagou Campos. “Se não, qual opção sobra para o jovem pobre, de 18 anos, de Pernambuco? Pegar um ônibus, mudar-se para São Paulo e ir morar na periferia em busca de emprego”? questionou.

Campos foi encarregado pelo presidente Lula a de conduzir a discussão sobre a distribuição dos royalties junto aos governadores do Nordeste. Dia 10 estarão todos reunidos em Fortaleza. Nesta mesma data, Lula estará no Ceará fazendo algumas inaugurações (usinas eólicas, por exemplo). Entre os nove Estados nordestinos, há três produtores: Bahia, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Ele foi enfático na defesa da urgência constitucional ao comparar o debate do pré-sal com as eleições presidenciais. “A campanha presidencial dura 45 dias com meia hora de propaganda por dia. Por que o Congresso não pode, nos mesmos 45 dias, debatendo o dia inteiro, aprovar o marco regulatório?”

O governador da Bahia- Estado que já recebe royalties pela exploração de campos petrolíferos – defende que o modelo do pré-sal deve ser diferente. “As reservas estão a 300 quilômetros da costa, em alto-mar. Não há dano ambiental nenhum. Deve haver uma distribuição equilibrada destes recursos”, defendeu Wagner. “É natural que os demais Estados defendam a divisão, diz o governador baiano.

Sérgio Cabral, disse que o seu Estado é o segundo maior arrecadador de impostos federais, mas estes recursos são transferidos diretamente para a União. “Uma coisa são os recursos da União, outra são os estaduais. Não estamos criando uma falsa dicotomia entre Sudeste e Nordeste, estamos falando de Constituição. E nenhum dos projetos encaminhados pelo governo propõe mudanças constitucionais”, reforçou Cabral. “Não podemos retirar recursos de Estados e municípios”, acrescentou.

Cabral acrescentou que 50% de tudo que é arrecadado a partir do petróleo fluminense é repassado para a União, para investimentos em ciência e tecnologia. “Está na lei, não podemos fazer nada”. Mas disse que vários outros gastos estaduais estão atrelados à conta petróleo. “A nossa previdência pública é financiada com os recursos do petróleo. Se isto nos for tirado, nós quebramos”. Ele rebateu os recursos de Wagner e Campos, que afirmam que as bacias do pré-sal estão a 300 quilômetros da costa. “A Constituição assegura o pagamento de royalties do petróleo produzido em terra e no mar, não há mistério nisto”, argumentou.(Colaborou Carolina Mandl, do Recife)

14/08/2009 - 11:23h Ciro diz a Lula que é candidato ao Planalto

http://blogs.diariodepernambuco.com.br/politica/wp-content/uploads/2009/05/ciro-kacio.jpgEm jantar, presidente afirmou que quer deputado na corrida paulista

Vera Rosa, BRASÍLIA – O Estado SP

A possibilidade de candidatura da senadora Marina Silva (PT-AC) ao Palácio do Planalto pelo Partido Verde (PV), em 2010, fortaleceu o desejo do PSB de lançar o deputado Ciro Gomes (CE) à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em jantar que reuniu dirigentes do PSB e do PT, na quarta-feira, Ciro disse a Lula que sua prioridade é concorrer à Presidência, e não ao governo de São Paulo. Afirmou ainda que o projeto governista corre risco de derrota se a eleição for um “plebiscito” entre petistas e tucanos.

“Acho um grave erro apostar todas as fichas numa única candidatura da base aliada”, argumentou Ciro, numa referência à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a preferida por Lula para a disputa de 2010. O presidente, porém, não escondeu que, se dependesse dele, Ciro deveria concorrer à cadeira do governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

O Planalto mostra preocupação com a entrada de Marina no páreo presidencial. Ex-ministra do Meio Ambiente e petista histórica, a senadora está de malas prontas para o PV. Além disso, ela coleciona divergências com o governo e rusgas com a própria Dilma. No diagnóstico do Planalto, Marina pode não ter tantos votos, mas fatalmente empurrará a eleição para o segundo turno, jogará água no moinho dos tucanos e será uma candidatura de contestação ao atual modelo de desenvolvimento. Na prática, um contraponto feminino a Dilma feito por quem conhece o governo e o PT.

O racha na base aliada foi um dos principais assuntos do jantar, no Palácio da Alvorada. Anfitrião do encontro, Lula garantiu que não tentará demover Marina de sair do PT nem de entrar na corrida ao Planalto. “Em nenhum momento eu pediria a Marina para não ser candidata. A minha história foi construída com muitas candidaturas”, afirmou ele, de acordo com relato dos convidados.

Dilma também participou do jantar, que varou a madrugada, e conversou bastante com Ciro e com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.”Dissemos ao presidente Lula e à ministra Dilma que, se a tática de lançar vários candidatos puser em risco o projeto governista, reavaliaremos nossa posição”, contou Campos, que preside o PSB.

Ficou combinado que o PSB fará nova rodada de pesquisas, até 15 de setembro, para medir o potencial de Ciro em São Paulo e no País. É provável que o deputado transfira o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, mas isso não significa, necessariamente, que será candidato ao Bandeirantes.

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), afirmou que o partido tem simpatia pela candidatura de Ciro em São Paulo. Não é bem assim, pois Lula gosta de Ciro, mas ele sofre resistências na seara petista. O PT e o PSB também vivem às turras no Paraná e no Espírito Santo, além dos problemas enfrentados em São Paulo.

Diante do impasse, o presidente voltou a dizer que o deputado Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazenda, pode concorrer à vaga de Serra. Palocci está animado com essa possibilidade. Acusado de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, em 2006, o ex-ministro só aguarda o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e tem certeza de sua absolvição.

14/08/2009 - 10:53h PSB joga definição sobre Ciro para 2010

Alan Marques/Folha imagem Foto Destaque
Foto Destaque
Eduardo Campos com Ciro Gomes: “O PSB tem este projeto nacional muito antes deste movimento de Marina e do PV”

 

Raymundo Costa e Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

O PSB frustrou a primeira tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tornar “plebiscitária” a eleição presidencial de 2010. Mas nenhuma possibilidade foi fechada no jantar que reuniu os socialistas, o PT e o presidente na noite de anteontem, no Palácio da Alvorada, inclusive a de o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) concorrer ao governo de São Paulo com o apoio do PT. Os dirigentes do partido, no entanto, disseram a Lula que preferem ter Ciro como candidato a presidente da República. A eventual candidatura da ministra Marina Silva, pelo PV, permeou todas as conversas no Alvorada.

A decisão sobre a proposta de Lula – Ciro concorrer ao governo de São Paulo para o campo governista enfrentar o PSDB com apenas um candidato – será tomada até o dia 15 de janeiro. Mas isso não significa necessariamente a retirada da candidatura de Ciro Gomes, segundo explicou ao Valor um dos participantes do jantar.

“A prioridade do candidato único é de Lula; a nossa continua sendo a candidatura própria”, disse esse dirigente, sob a condição de não ser identificado. Segundo ele, Lula quer que o seu governo seja debatido, nas eleições. “Ele acha que seus mandatos batem qualquer outro que o país já teve”. Mas a comparação que Lula quer fazer é com os oito anos de Fernando Henrique Cardoso, porque acredita que o candidato do PSDB – logo, de FHC – será José Serra, ex-ministro do governo tucano nos ministérios do Planejamento e da Saúde.

O outro assunto dominante à mesa foi a eventual candidatura da ministra Marina Silva pelo Partido Verde. Os comensais avaliaram que em eventual segundo turno Marina ficaria com o candidato de Lula, ou seja, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, com a qual, aliás, ele teve atritos quando era ministra do Meio Ambiente. Mas a avaliação que predominou é que, embora Marina guarde suas mágoas, ela não saiu do governo com a raiva com que saiu o ex- ministro Cristovam Buarque (demitido por telefone) e nem rompida com ninguém

Um dirigente do PSB contou uma conversa que Marina teve com uma amiga comum. Nessa conversa, Marina teria dito que José Serra nada tem a ver com sua candidatura. Ela disse à amiga que tem “um projeto a defender”. Marina foi descrita como uma pessoa muito religiosa, com alto grau de misticismo e convencida de que está impregnada por uma missão. Lula não disse, mas já articula para que Marina não deixe o PT para ser candidata a presidente pelo PV.

O jantar demorou cerca de três horas. O PT – representado por Ricardo Berzoini (SP) e José Eduardo Cardozo (SP), presidente e secretário-geral, respectivamente -informou que se curvaria à decisão de Lula de indicar Ciro ao governo paulista.

“Para nós, quanto mais candidatos do nosso campo político disputarem, maiores as chances de vitória”, declarou o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Lula e o PT defenderam a unidade da coalizão governista já no primeiro turno, em torno da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff. Eduardo Campos concorda que o surgimento de outras candidaturas – além de Ciro, a senadora Marina Silva também tende a ser tornar candidata pelo PV – faz com que a eleição de 2010 deixe de ser plebiscitária e, fatalmente, force um segundo turno. “Para os planos do governo de vencer a disputa em primeiro turno, isto é um atrapalho enorme”, concordou.

Eduardo Campos deixou claro que Lula foi extremamente elegante e respeitoso diante da posição do PSB. O presidente voltou a demonstrar todo o apreço que tem por Ciro, “a quem considerou um amigo fraterno e leal, sobretudo durante o período em que foi ministro da Integração Nacional”. O governador de Pernambuco negou que a possibilidade de Marina tornar-se candidata fortaleça a manutenção da candidatura Ciro. “Vamos deixar uma coisa bem clara: o PSB e Ciro têm este projeto nacional muito antes deste movimento de Marina e do PV. Além disso, neste momento, quem articula a candidatura de Ciro ao governo de São Paulo é apenas o diretório estadual do partido”.

Sobre a candidatura de Marina Silva, Campos foi cauteloso. Falou da admiração que sente pela senadora, mas disse que ainda é cedo para fazer qualquer avaliação. “Primeiro, precisamos saber se, de fato, ela deixará o PT para filiar-se ao PV; depois, precisamos esperar para confirmar se ela será ou não candidata; por fim, precisamos ver a dimensão e expressão desta candidatura”. Mas Berzoini confidenciou a dirigentes do PSB que ele já considera Marina fora do PT. A principal dúvida, no PT e no PSB, é o discurso de Marina. A senadora é crítica da política econômica do governo Lula, por exemplo.

26/06/2009 - 11:46h Em condições de ser tudo. Ou nada

por Alon Feuerwerker – Correio Braziliense

(25/06) Ciro transita bem, pode ser a segunda opção de muita gente, mas no momento corre o risco de não ser a primeira de ninguém

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) tem uma grande qualidade: sua força política pessoal. Ela faz dele um aliado sempre desejado, ou então um candidato possível a qualquer cargo de relevo na República. Ciro disputou duas eleições presidenciais (1998 e 2002), e nas duas obteve votação expressiva. E mesmo sem entrar na última corrida pelo Palácio do Planalto aparece em todas as pesquisas com números de dar inveja.

Mas Ciro tem também fragilidades. Não conta até o momento com nenhuma corrente partidária expressiva disposta a correr grandes riscos para ajudá-lo num projeto nacional. É um general ainda sem exército. E no estado dele, o Ceará, o grupo político que o projetou e ele ajudou a consolidar dá sinais de fraqueza preocupante. Um sintoma da debilidade é o senador Tasso Jereissati (PSDB) estar em perigo eleitoral.

Nacionalmente, Ciro transita bem, pode ser a segunda opção de muita gente, mas no momento corre o risco de não ser a primeira de ninguém. Nem mesmo em seu partido.

O PSB é controlado com mão de ferro pelo governador Eduardo Campos (PE), que vai dormir e acorda pensando na reeleição ano que vem. Campos está bem avaliado, é favorito mas não pode vacilar. Deve enfrentar em 2010 uma coalizão de políticos com história, no estado e fora dele. As duas vagas pernambucanas em jogo no Senado são hoje do duas vezes vice-presidente da República Marco Maciel (DEM) e do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra.

E sempre existe a ameaça de o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) desejar voltar à cadeira que ocupou por dois mandatos. PSDB e DEM pressionam-no dia e noite para isso, ainda que ele por ora resista a bater de frente com a aliança PT-PSB num Pernambuco em que Luis Inácio Lula da Silva tem mais de 85% de aprovação.

Ciro candidato a presidente só seria um trunfo para Campos caso o PT decidisse lançar o ex-prefeito do Recife João Paulo na luta pelo governo estadual. João Paulo não controla a máquina partidária no estado, mas tem grande prestígio pessoal. Seria uma pedra no sapato do governador. E o PT joga com essa carta para convencer Campos a arquivar o projeto Ciro e engatar desde já o vagão do PSB no trem da ministra Dilma Rousseff.

O esforço tem dado resultado. Se fosse organizado um grid nacional de políticos entusiasmados com Dilma, o governador pernambucano seria forte candidato à pole position. Até porque a última coisa que o neto de Miguel Arraes deseja é Lula subindo em outro palanque local.

O cenário do PSB não é diferente nos demais lugares em que a legenda tem chances. E o fenômeno se estende ao PCdoB. O partido já esteve bem mais inclinado a levar adiante, como alternativa de poder, o bloco com o PSB em torno de Ciro, ou mesmo de Campos. Com a aproximação de 2010, começa a falar mais alto entre os comunistas o pragmatismo, que é diretamente proporcional aos incrementos na musculatura de Dilma.

E também porque a terceira perna do possível bloco, o PDT, bem instalado no Ministério do Trabalho, já está faz muito tempo com a chefe da Casa Civil para o que der e vier. Até porque a própria Dilma vem do partido de Leonel Brizola.

Uma solução para ajeitar Ciro seria a vice na chapa do PT. Mas tal saída dependeria de 1) o PMDB abrir mão de vaga que considera naturalmente sua ou 2) o PMDB conflagrar-se e não chegar a uma maioria pela aliança com o PT ou 3) o PMDB não alcançar acordo sobre o nome para a vice. Pode acontecer, há no governo inclusive quem torça por isso, mas sempre que a coisa depende mais dos outros do que de você mesmo é bom colocar as barbas de molho. Ainda mais na política, onde ninguém dá colher de chá para ninguém.

E São Paulo? Um pedaço do PT e o próprio PSB paulista gostam da ideia de ver Ciro candidato a governador, mas há problemas. O primeiro é a proximidade local da sigla com o governador José Serra (PSDB). O segundo é a resistência interna no PT, especialmente no grupo da ex-prefeita Marta Suplicy, a não ter candidato próprio. E o terceiro é o medo no PSB de abrir mão de um trunfo nacional em troca de um espaço em São Paulo que muito provavelmente seria apenas virtual, dado o favoritismo tucano. Como me disse um deputado paulista do PSB, “seria um pastel de vento, e sem o pastel”.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

@alonfeuerwerker no twitter.com

18/09/2008 - 13:54h Ato de Marta terá 3 governadores do Nordeste

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RANIER BRAGON – Campanha no ar
da Folha

De olho na população de origem nordestina que mora em São Paulo, a campanha petista já confirmou a presença de três governadores do Nordeste no ato de sábado que reunirá mais uma vez Marta Suplicy e o presidente Lula.

De acordo com a campanha de Marta, Eduardo Campos (PSB-PE), Cid Gomes (PSB-CE) e Marcelo Déda (PT-SE) vão estar no palanque.

O evento ocorre na manhã de sábado, em Cachoeirinha, zona noroeste de São Paulo.

Ao contrário do primeiro ato de campanha entre Lula e Marta, no final do mês passado, dessa vez não haverá desfile em carro aberto.

03/09/2008 - 09:50h Prefeito do Recife ameaça eleger sucessor no 1º turno

Leo Caldas/Valor

João da Costa: campanha embalada por gestão que agrada tanto os mais abastados quanto os eleitores da periferia

Carolina Mandl – VALOR

O candidato João da Costa (PT) começou a disputa pela Prefeitura do Recife sob a alcunha de “poste”. Sem nunca ter concorrido a uma eleição majoritária, enfrentava a rejeição inclusive dos caciques petistas. Pesquisas da campanha do candidato em meados deste ano também não deixavam dúvida: João da Costa era um total desconhecido para dois terços dos recifenses. O restante tinha apenas ouvido falar dele.

Porém, pelo último levantamento divulgado pelo Ibope no sábado, João da Costa venceria já no primeiro turno, com 47% dos votos. Juntos, os demais concorrentes não alcançavam 40%. A arrancada, que surpreende até seus próprios correligionários, logo enseja a pergunta: como ele alcançou esse resultado?

O grande impulso, na avaliação da coordenação de campanha, está vindo do maior cabo eleitoral de João da Costa, o atual prefeito João Paulo (PT), que tem altos índices de aprovação.

Em oito anos, a gestão do petista conseguiu agradar tanto os mais pobres quanto os mais abastados. Na periferia, prevaleceram as obras do Orçamento Participativo, que, sob o comando do então secretário João da Costa, investiu 12% do orçamento (R$ 300 milhões) em 3,6 mil intervenções, principalmente na área de urbanização. Para a classe média, agradaram projetos como o fim do transporte clandestino na cidade, que congestionava o trânsito, e do Recifolia, uma festa de axé que tumultuava o bairro de Boa Viagem.

Pesquisas qualitativas feitas com os eleitores têm mostrado que o impulso de João Paulo, que precisou impor a candidatura do seu secretário, tem sido forte. João da Costa ainda não é muito conhecido pela população. “Só se sabe que ele é o candidato de João Paulo. Isso, por enquanto, tem bastado”, diz um integrante da equipe de marketing.

O baixo grau de conhecimento do candidato deve-se ao fato de a experiência de sua experiência se concentrar nos bastidores de João Paulo. Depois de atuar como líder estudantil – cursou, sem concluir, Direito, Agronomia e Administração de Empresas -, foi secretário do prefeito nos últimos sete anos. Como um teste para a candidatura à prefeitura, lançou-se deputado estadual em 2006, mobilizando o exército de delegados do OP. Conseguiu se eleger, mas deixou o cargo para retornar à secretaria.

É nessa atuação com o OP que os programas de televisão e rádio se concentram para passar a idéia que ele vai continuar a gestão de João Paulo. “É a identidade com o prefeito que está gerando votos”, diz Karla Menezes, presidente do PT no Recife.

Com a estratégia, ele tem desbancado políticos bastante conhecidos na cidade, como o ex-governador José Mendonça (DEM) e Carlos Eduardo Cadoca (PSC), deputado federal por três vezes, mesmo sendo o único a ainda não ter apresentado um programa de governo.

Para a oposição, além do prefeito, a coligação de 16 partidos que o postulante conseguiu formar tem garantido parte expressiva dos votos. É um reforço de 419 candidatos a vereadores – de um total de 641 postulantes no Recife – que se transformam em cabos eleitorais. Mendonça (DEM), que aparece na segunda colocação nas pesquisas de intenção de voto, não conseguiu atrair outras legendas.

Apoiada por uma ação que corre na Justiça Eleitoral, movida por uma denúncia do Ministério Público (MP), a oposição também acusa – ainda que de forma velada – o candidato petista de usar a máquina da prefeitura. No processo, o MP afirma que funcionários podem estar sendo coagidos a trabalhar na campanha de João da Costa.

Segundo Michel Zaidan, coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia da Universidade Federal de Pernambuco, a arrancada de João da Costa também está relacionada ao perfil do eleitor recifense. “Ele gosta de polarizar. Uma terceira via nunca se concretiza. Quando o cenário está um pouco mais embolado, as pessoas já preferem migrar para os candidatos que estão na frente”, diz. E, na hora de optar entre Mendonça e João da Costa, o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contribui para a esquerda.

Por enquanto, a reação dos demais candidatos à escalada de João da Costa tem sido branda. Vai mais pela linha de que todos vão continuar o que está bom na atual gestão, mas prometem fazer mais. A coordenação de campanha de João da Costa, porém, tem receio do bombardeio que possa vir pela frente. “A velocidade com que ele subiu nas pesquisas foi muito rápida. É preciso cautela porque ainda tem um mês antes da votação”, explica um integrante da equipe.

Não se sabe se ele já chegou a um teto e pode cair com os ataques ou se ainda deve crescer mais. Amanhã Lula estará no Recife, o que pode dar um empurrão ao postulante. Por enquanto, porém, não estão previstos eventos políticos.

Na capital pernambucana, Lula enfrenta uma delicada situação. Além do petista João da Costa, Cadoca (PSC), que se encontra na terceira posição nas pesquisas com cerca de 10% dos votos, faz parte da base aliada do governo. Há ainda uma outra questão mais espinhosa: apesar de João da Costa ser o candidato oficial de Eduardo Campos (PSB), governador de quem Lula tem estado mais próximo, sua vitória em primeiro turno poderia fortalecer demais João Paulo como adversário a sua reeleição em 2010.

Nos últimos programas eleitorais, Eduardo tem aparecido mais ao lado de Cadoca do que de João da Costa. Na sexta-feira, o candidato do PSC pisou no calo da prefeitura na questão da segurança, um problema que já foi alvo de queixas do governo estadual pelo não envolvimento de João Paulo no combate aos homicídios da capital mais violenta do país. Cadoca disse que já está conversando com o governador sobre seus planos para a segurança. “Embora seja uma atribuição do Estado, o prefeito não pode se omitir”, afirmou, no mesmo tom usado por Eduardo Campos quando indagado sobre suas ações para a segurança pública.

15/04/2008 - 03:52h Projetos bilionários mudam perfil da economia de PE

Suape vai gerar mais de 260 mil empregos até 2011

Cibelle Bouças – VALOR

Um conjunto de investimentos nas áreas petroquímica e logística superior a US$ 10 bilhões estimulará a interiorização e a diversificação do perfil industrial de Pernambuco nos próximos três anos. O Estado, que tem perfil industrial focado nas áreas têxtil, de alimento e metalurgia, recebe aportes na construção da refinaria Abreu e Lima, da Petroquímica Suape e no estaleiro Atlântico Sul – áreas com pouca ou nenhuma presença no Estado.

Juntos, esses projetos reforçarão a logística local e estimularão outros investimentos, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho, durante o seminário “Pernambuco Novo: Cenários e Oportunidades para 2008″, promovido pelo Valor, em parceria com o governo do Estado.

“Pernambuco vive um momento importante, onde uma nova economia está se construindo”, afirmou o governador Eduardo Campos (PSB).

Parte das apostas concentra-se em Suape, que receberá R$ 1,2 bilhão em recursos públicos até 2010 para melhoria da infra-estrutura portuária. Segundo Bezerra, o governo do Estado aguarda autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), neste ano, para a construção de um novo terminal, que terá capacidade para 10 milhões de toneladas por ano. Em 2007, o porto movimentou 7 milhões de toneladas de minério e a previsão é elevar esse volume para 9 milhões neste ano.

A meta é elevar a capacidade a 35 milhões de toneladas/ano, para escoar combustíveis da refinaria Abreu e Lima, fruto de parceria da Petrobras com a venezuelana PDVSA e que terá aporte de US$ 4 bilhões até 2010. De acordo com Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobras, a refinaria processará 200 mil barris de petróleo por dia. O complexo também envolve investimento de US$ 657 milhões na Petroquímica Suape, com inauguração prevista para 2010. A empresa tem como sócios confirmados a Petrobras e a Companhia Integrada Têxtil do Nordeste. Segundo Costa, a entrada de novos sócios -e suas participações acionárias – será discutida hoje em Recife.

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Outro projeto anunciado é a construção do Estaleiro Atlântico Sul, investimento de US$ 5,8 bilhões para a construção de dez navios já encomendados pela Petrobras, disse Sérgio Machado, presidente da Transpetro.

Fora do complexo industrial de Suape, alguns setores ganham musculatura. É o caso da criação do pólo farmoquímico de Goiana, no litoral norte do Estado, que recebe investimentos de R$ 1,1 bilhão para a instalação de unidades dos grupos Hemobrás, Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe) e Novartis. Em Barreiros, Sul do Estado, o grupo espanhol Qualta investe ? 500 milhões em um complexo turístico. “Até junho, o governo deve fechar acordos para instalação de 25 empreendimentos, totalizando US$ 8,6 bilhões”, disse Bezerra.

Na área de fruticultura, estão previstos R$ 2 bilhões em um projeto de irrigação de 110 mil hectares em Petrolina e está em fase de negociação o projeto Canal do Sertão, de outros 140 mil hectares de irrigação, que terá aporte de US$ 4 bilhões. O projeto tem à frente os grupos Itochu, Petrobras, Odebrecht e Queiroz Galvão. “Estamos discutindo a criação de uma empresa de propósito específico (EPE) para a inclusão desse projeto no PAC”, disse Bezerra.

O avanço desses projetos dependerá da expansão da rede de gás. Ricardo Lamassa, assessor comercial da Copergás, disse que a empresa tem planos de investir R$ 600 milhões na expansão da rede de gasodutos em 880 quilômetros, e outros R$ 450 milhões na construção de terminal de gás natural liquefeito (GNL) para elevar a produção de gás dos atuais 1,1 milhão de metros cúbicos/dia para 6,5 milhões até 2015.

17/12/2007 - 16:19h Pernambuco e Recife: avaliação do governador e do prefeito no limbo

Na pesquisa da Plural, que esta coluna teve acesso com exclusividade, os números de avaliação do Governo estadual batem com os do Datafolha. Eduardo (PSB) tem 11% de ótimo e 37% de bom. Apenas 5% consideram ruim e outros 6% péssimo.

Eduardo Campos, governador de Pernambuco

João Paulo,
Prefeito de Recife


João Paulo vai bem –

Já o prefeito João Paulo (PT) passou no teste: tem 16% de ótimo, 44% de bom e apenas 8% de péssimo. Fonte Blog de Magno Martins

04/10/2007 - 00:12h Marta libera recursos do Prodetur para Pernambuco

Ana Cláudia Dolores
Agência Nordeste

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Ministra anuncia investimentos em Pernambuco

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» Entrevista com Marta Suplicy

RECIFE – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, assinou na tarde de hoje, no Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco, a liberação de recursos do Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (Prodetur) para o Estado. Foram liberados R$ 12,473 milhões para a implementação e pavimentação da estrada de 2,4 quilômetros de extensão, ligando as praias de Porto de Galinhas à Maracaípe, no Litoral Sul. Também foram descontingenciados do Prodetur R$ 192 mil para que se faça um diagnóstico das necessidades do setor do Turismo e para que se elabore um plano de qualificação profissional específico nas cidades litorâneas do Estado.

No projeto da rodovia que será construída entre as duas praias, constam ainda a implantação uma área de lazer com equipamentos destinados à prática de atividades físicas, um mirante para o manguezal do Rio Maracaípe e um parque de esculturas.

De acordo com o secretário de Transportes do Estado, Sebastião Oliveira, o edital de licitação das obras será lançado dentro de 90 dias e o prazo de conclusão da rodovia é de 12 meses. Já o diagnóstico das necessidades do setor e o projeto de qualificação devem ser concluídos pela Secretaria do Turismo em cinco meses. Após a conclusão desse plano, a secretaria espera receber R$ 9 milhões do Ministério do Turismo para implantar o programa, também com recursos do Prodetur.

Marta Suplicy avaliou que a liberação de recursos do Prodetur está acontecendo de forma satisfatória no Nordeste. “Desde que os novos governadores assumiram, houve a liberação de R$ 98 milhões do Prodetur para o Nordeste. No Rio Grande do Norte, por exemplo, já havia um trabalho muito bom feito pela governadora Wilma de Faria (PSB)”, ressaltou.

A ministra adiantou que o Governo Federal deverá lançar um Prodetur mais amplo, dando cobertura a todo o País. “Acredito que vamos ter o Prodetur Nacional, que será um guarda-chuva de R$ 1 bilhão focado não só no Nordeste, mas em todo o Brasil”, anunciou.

Amanhã, Marta Suplicy estará no Ceará, onde deve liberar R$ 33 milhões do Prodetur para o Estado. “Na hora em que o Prodetur é destravado, não só aqui, mas em todo o Nordeste, temos um motivo de orgulho, porque Turismo se faz também com infra-estrutura e qualificação profissional”, observou a ministra. O descontingenciamento de recursos do Prodetur foi comemorado pelo governador Eduardo Campos (PSB), que aproveitou a ocasião para criticar a gestão anterior, dos ex-governadores Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Mendonça Filho (DEM). “O papel do Estado, agora, é buscar os US$ 125 milhões que estavam na prateleira desde 2002 e transformar esse número bonito, que estava decantado em versos, prosas e reuniões, em ações concretas”, disparou.

Durante o evento, a ministra anunciou que o edital de licitação para obras de revitalização do Alto da Sé, em Olinda, orçadas em R$ 4 milhões, também foi liberado. Outro edital será lançado para a recuperação de rodovias e vias de acesso nos litorais Norte e Sul de Pernambuco, projeto orçado em R$ 66 milhões.

Além do Prodetur, Marta Suplicy adiantou outras ações que estão sendo feitas para promover o desenvolvimento do Turismo no Nordeste. Novas rotas internacionais serão lançadas em dezembro, com vôos das companhias América Airlines e Delta Airlines saindo do Recife e de Salvador com destino aos Estados Unidos. Ainda este mês, Pernambuco vai inaugurar um vôo do Recife para a África.

Uma campanha de divulgação de destinos turísticos brasileiros no exterior também está sendo executada pelo Ministério. Marta Suplicy destacou que a praia de Porto de Galinhas está sendo divulgada com publicidades nos ônibus de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

A assinatura de um protocolo de intenções entre o Ministério do Turismo e o Governo de Pernambuco para o combate ao turismo sexual no Estado estava na pauta do evento de hoje, no Palácio, mas não chegou a acontecer. Os assessores do governador alegaram que houve uma “falha operacional” e garantiram que o protocolo será assinado pelas duas partes ainda esta semana.

Pela manhã, a ministra Marta Suplicy participou de um café da manhã, em Porto de Galinhas, com o trade turístico de Ipojuca para prestigiar o lançamento oficial do site do município. Após o café, a comitiva da ministra foi para Olinda, onde visitou uma escola de capacitação de policiais para atendimento ao turista.

No final da tarde, após a cerimônia no Palácio, Marta Suplicy foi ao Mercado de São José, no Centro do Recife, para conhecer o projeto de revitalização. Ao todo, foi investido R$ 1,63 milhão, fruto de uma parceria entre Prefeitura, Ministério do Turismo e Fundação Banco do Brasil. As obras também incluíram a instalação de um Boxe de Informações Turísticas e um Espaço da Cultura Popular do Recife, que abrigará exposições temáticas.

O Espaço da Cultura Popular e suas exposições culturais são uma realização da parceria entre o Núcleo de Empreendimentos em Ciência, Tecnologia e Artes (Néctar) e a Prefeitura da Cidade do Recife.

02/10/2007 - 15:02h Pernambuco lança plano para prevenir violência contra a mulher

Diante da elevada incidência no número de homicídios praticados em Pernambuco, contra mulheres, o governo do estado decidiu lançar, na próxima sexta-feira (5), um plano estadual para prevenir e punir a violência contra elas. De janeiro até hoje, o número de casos de agressões contra mulheres soma 218. O plano tem apoio do governo federal.

Foram convidados para a solenidade, no Palácio do Campo das Princesas, a secretária de Políticas Públicas Para as Mulheres, ministra Nilcéa Freire, o secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi e a secretária de Políticas de Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro.

Segundo a titular da Secretaria de Mulher em Pernambuco, Cristina Buarque, está prevista a aplicação de recursos federais, estaduais e municipais para execução de ações de proteção, preventivas e repressivas, que serão realizadas, nos próximos oito anos, em parceria com as secretarias de Defesa Social, Saúde, Educação e Cultura.(Informações da Agência Brasil)