13/04/2009 - 10:29h Internet Total: Portland é a segunda cidade dos EUA a ter cobertura WIMAX disponível para seus habitantes

O caderno LINK, do jornal O Estado de São Paulo, traz hoje uma interessante reportagem sobre Internet sem fio na cidade de Portland, no Oregon (EUA). Reproduzo a seguir a introdução do trabalho feito pelos repórter do Estadão. O caderno comporta vários artigos sobre o assunto e também uma entrevista de Greg Welch, diretor de portabilidade da Intel (a entrevista será postada acima). Vale a pena conferir o conjunto dos artigos no caderno Link.

Esta questão está longe de ser uma simples questão de tecnologia. Ela é uma questão central da construção do futuro das nações. Mas ela concerne também a questão da exclusão digital, como instrumento da perpetuação da desigualdade social.

Como este tema esteve presente na última campanha eleitoral em São Paulo, ele ainda suscita polemicas acaloradas. Os mesmos que foram contra a construção do CEU, contra a implantação do Bilhete-Único, contra a distribuição de uniforme e material escolar gratuito nas escolas municipais, contra a construção da Ponte Estaiada; foram adversários ferozes da proposta de implementar internet sem fio gratuita na cidade.

Podem apostar, que do mesmo jeito que após combaterem as propostas foram obrigados a aceitá-las, assim procederão com a questão da proposta defendida por Marta Suplicy. Só que, não tendo a questão da inclusão social como eixo da suas atuações políticas, a apropriação das ideias procura emascarar o esvaziamento do conceito e do conteúdo. Assim os CEU ainda aguardam “os outros módulos” (ou seja não tem teatros, não tem aulas de música etc.), os uniformes nunca chegam a tempo e a Ponte vira cartão-postal, mas a favela do lado e que devia ser substituída por habitação popular, ainda aguarda.

Boa leitura e a luta prossegue em favor da inclusão digital. Internet gratuita e sem fio é possivel. LF

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Após Portland, repórter se sente um “sem-internet”

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06/10/2008 - 09:04h O PT e os partidos aliados do governo Lula ganham na maioria das capitais e nas principais cidades do Brasil

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Vou tratar das questões de São Paulo em outro momento do dia. Quero neste post chamar a atenção sobre os dois artigos reproduzidos no blog, sobre o balanço do primeiro turno das eleições municipais no país.

Os artigos mostram que o PT e os partidos aliados do governo Lula são os grandes vitoriosos deste teste eleitoral.

Convém lembrar que em 2000, com FHC como presidente, as eleições municipais comportaram uma dimensão federal maior, na medida em que o PT assumiu claramente sua oposição ao governo federal de FHC, combinando este posicionamento com o tratamento das questões municipais e locais. As vitórias obtidas pelo PT naquele ano alavancaram o crescimento da candidatura Lula que seria vitoriosa dois anos depois, em 2002.

Desta vez a oposição demo-tucana desertou completamente o plano federal e limitou seu discurso ao plano estritamente local e municipal, procurando escapar do confronto com os resultados e a força de Lula e do seu governo. Na outra ponta, os candidatos da base aliada e o PT fizeram questão de trazer Lula e os resultados do governo federal para dentro da disputa eleitoral e da reflexão dos cidadãos. Mesmo a oposição tendo escapulido do confronto, para tentar vencer sem se assumir como tal, são os candidatos da base do governo Lula e que fizeram questão de manifestar isto em alto e bom som, os que emergem vitoriosos deste primeiro turno. De todos os partidos da base do governo é o PT quem sai na frente das principais vitórias nas capitais.

A leitura dos jornais ofusca estes fatos, que os artigos que reproduzi embaixo, do jornal O Estado de São Paulo, permitem medir com precisão e objetividade. Das 100 cidades com maior arrecadação do país, pelo menos 66 serão governadas por um prefeito da base do governo Lula. O PT foi o grande vencedor das eleições nas capitais do país. Leiam os dois artigos que seguem para bem medir o significado desta vitória eleitoral.

Este é um primeiro elemento para abordar a conjuntura política à luz da manifestação eleitoral e seus desdobramentos no plano político e das relações de força existentes. A análise específica de cada município, das regiões e dos Estados deverá incorporar este elemento maior que emerge das urnas: a vitória eleitoral do presidente Lula e das forças do governo é o fato eleitoral decisivo, em particular na perspectiva das eleições presidenciais de 2010. Evidentemente, projetar os resultados municipais sobre as eleições presidenciais seria ignorar que pesará mais no futuro pleito o desfecho da crise em Wall-Street, que os resultados das eleições municipais de 2008. Mas o impacto da vitória política e eleitoral do presidente Lula constitui um alicerce poderoso para construir as condições políticas da vitória daqui a dois anos. A derrota política e eleitoral da oposição, por outro lado, é uma demonstração do impasse que a falta de um programa e de alternativas, provoca na configuração de um pólo aglutinador desse campo. O único programa da oposição parece ser a de ter um candidato, José Serra, com liderança relembrada e com força eleitoral no Estado de São Paulo e a do Lula não ser ele mesmo o candidato a sua sucessão. Muito pouco, mais ainda após os resultados das eleições municipais.  LF

04/12/2007 - 09:32h Bate boca entre Demos e tucanos sobre pesquisa do PSDB para prefeitura de São Paulo

clique na imagem do JT para ampliar

19/11/2007 - 06:23h Cria corvos e te arrancarão os olhos

Não é segredo para ninguém que José Serra, governador do Estado, deixou um preposto para cuidar da Prefeitura, que ele abandonou. Também é segredo de polichinelo que ele continua mandando por lá. Aliás o comando é Demos e PSDB, chefiados pela dupla Kassab-Andréa Matarazzo, mas o “ménage à trois“, tem Serra na chefia.

Acontece que Serra é do PSDB, onde o autoritarismo se fantasia de pretensão erudita, por isso chama a atenção a irreverência mostrada pela juventude do PSDB. Não só recusam apoio eleitoral a Kassab, como alfinetam a submissão deste ao governador… do PSDB.

Filhote de tucano é corvo, eles os criam e os bichinhos querem arrancar-lhes os olhos.

Leia a seguir a nota do jornal O Estado de São Paulo

LF

Juventude do PSDB rechaça apoio a Kassab

A Juventude do PSBD em São Paulo, que congrega todos os filiados até 30 anos, rechaçou o eventual apoio do partido à candidatura do atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) nas eleições municipais de 2008. A nota defende a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin e diz que “a cidade precisa de um líder independente, que não seja apenas uma ‘filial’ do governo estadual”. A candidatura de Kassab é a opção preferida do governador José Serra.

18/11/2007 - 08:06h PT de São Paulo espera sinalização de Marta até janeiro

Vereadores paulistanos pressionam ministra a concorrer, pois temem que bancada diminua se sigla lançar outro nome

Partido avalia que precisa de tempo para construir uma candidatura alternativa capaz de enfrentar Kassab, do DEM, e Alckmin, do PSDB

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

O PT paulista espera para janeiro uma sinalização da ministra do Turismo, Marta Suplicy, para decidir se poderá contar com ela na disputa pela Prefeitura de São Paulo nas eleições do ano que vem.
Os principais líderes do partido na capital avaliam que até o final do primeiro mês de 2008 ela deverá indicar, pelo menos internamente, se tem alguma intenção de aceitar o desafio de concorrer pela terceira vez ao cargo de prefeita -ela foi eleita em 2000, mas perdeu a eleição em 2004- ou se pretende permanecer no Turismo até 2010.
Até agora, Marta é o principal nome do partido para a eleição, mas, quando questionada sobre o tema, tem repetido que está feliz no ministério.
A maior pressão para que ela concorra em 2008 vem da atual bancada de vereadores do PT. Os parlamentares, 12 no total, estimam que terão muitas dificuldades nas urnas se a ministra não disputar a eleição -a previsão é que o número de cadeiras hoje em poder do partido terminará diminuindo.

Legislação
Conforme a Lei Eleitoral, Marta tem até o final de março para se desincompatibilizar do Turismo, mas, se deixar para a última hora e não aceitar concorrer, a ministra poderia atrapalhar o partido, que ficaria sem tempo de “construir” uma candidatura em uma eleição na qual o PT terá adversários pesos-pesados, no entendimento de alguns membros do PT.
A previsão dos petistas é a de que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) disputará a reeleição e terá como um dos adversários o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato a presidente derrotado por Lula no segundo turno em 2006.
Alckmin ainda não declarou ser candidato a prefeito. Ex-governador do Estado, porém, ele desponta como favorito nas pesquisas de intenção de votos para o ano que vem. De acordo com o último levantamento do Datafolha, realizado em agosto, o tucano aparece na frente em todos os cinco cenários em que seu nome é apresentado como candidato à Prefeitura de São Paulo, com percentuais que variam de 30% a 41%, de acordo com o adversário.
Além de se dizer satisfeita com o ministério, Marta tem se mostrado seduzida pela possibilidade de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes ou até mesmo ao Palácio do Planalto em 2010. Por isso, preferia se guardar para a disputa futura.
Entre seus aliados, no entanto, há quem avalie que ela chegará forte em 2010 mesmo se for derrotada no ano que vem, desde que consiga chegar ao segundo turno e faça uma campanha centrada em suas realizações e nas do governo Lula.

Disputa interna
O temor dos “martistas” é que, se Marta abrir mão da disputa municipal e seu substituto no partido chegar ao segundo turno, ele passará automaticamente a ser um dos concorrentes internos à disputa pelo governo do Estado em 2010.
Caso a ministra não aceite o desafio, pelo menos quatro nomes estão colocados hoje no PT: o do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, os dos deputados federais Jilmar Tatto e José Eduardo Cardozo e o do senador Aloizio Mercadante, que disputou e perdeu o Palácio dos Bandeirantes no ano passado.
Nesse caso, é muito provável que o candidato seja decidido por meio de uma prévia interna. Chinaglia tem trabalhado nos bastidores para ter o apoio do grupo da ministra, hegemônico na capital paulista.

16/11/2007 - 07:18h A construção de uma candidatura

Valor

O senhor é um bandido, senhor Law. Saia de São Paulo. Se não sair por bem, vai sair no camburão. Nesta cidade queremos pessoas do bem, que paguem impostos, que trabalhem com seriedade e que respeitem aqueles que estão criando seus filhos aqui. Enquanto for prefeito, este shopping aqui não abre”.

O prefeito Gilberto Kassab liderava uma comitiva de policiais, promotores e secretários ao entrar no shopping na região da 25 de Março, principal zona de comércio popular da cidade, para expulsar Law Kin Chong, dono do empreendimento. Naquele momento, o comerciante chinês, um dos maiores contrabandistas do país, cumpria prisão domiciliar no Morumbi, de onde, horas depois, foi levado pela Polícia Federal.
Em outro episódio fartamente documentado, o prefeito enfrentou o empresário Oscar Maroni Filho depois do acidente do avião da TAM, em Congonhas. Lacrou o hotel do empresário que, além de ser alvo da reclamação de pilotos que pousavam no aeroporto, liga-se por uma passarela a outra de suas propriedades, a maior casa de prostituição de luxo da cidade.
Kassab foi a primeira autoridade a chegar no buraco do metrô, depois do acidente do início deste ano; sobe em escadas para retirar faixas que desobedecem à Cidade Limpa, projeto anti-poluição visual de sua administração; e acompanha subprefeitos em operações de retirada de ambulantes das ruas.
A última escorregadela pública aconteceu há nove meses, quando expulsou de um posto de saúde, aos gritos de vagabundo e empurrões, um pequeno empresário que, acompanhado de um filho de 7 anos, fazia um protesto público contra o Cidade Limpa.
Desde então tem cumprido com esmero o roteiro para cativar o eleitor que identifica na falta de autoridade a principal carência da cidade. O estilo lhe rende comparações óbvias com a passagem de Jânio Quadros pelo cargo 20 anos atrás. Mas além da estampa de bom moço que não bebe, não fuma e é obcecado por trabalho, o que mais radicalmente separa as duas gestões são as urnas.
O fim da gestão Jânio deu início a um período em que três partidos passaram a se revezar no comando da prefeitura: PT, PP e PSDB. Ao ocaso do deputado federal Paulo Maluf correspondeu a ascensão dos tucanos na cidade e à bipolarização da política paulistana. Na última eleição, 75% dos votos malufistas caíram no colo de Serra. Uma disputa tripartite trará uma evidente disputa entre Kassab e Alckmin pelo mesmo eleitorado.
A maior preocupação do DEM, desde que o partido tomou a decisão de fazê-lo candidato à reeleição, é transformar uma curva crescente de avaliação positiva em voto. No partido, Kassab é comparado a um time que, apesar da boa campanha no campeonato, ainda não tem torcida. “Como o Kassab não foi eleito, não há o compromisso político do voto, que gera parceria no sucesso e cumplicidade no insucesso”, diz uma análise interna do partido sobre o potencial de sua candidatura.

Desafio é transformar avaliação em voto


Nos últimos cinco meses, o partido tem recebido números semanais do Ipsos colhidos em pesquisas domiciliares, indicando que a avaliação positiva do prefeito passou de 39% para 55%. A aprovação evolui à medida em que cresce também a renda. No eleitorado que ganha mais de 10 salários mínimos, a satisfação com a gestão Kassab é duas vezes maior do que a dos eleitores com renda inferior a esse patamar.
Na metade superior, estão os eleitores em busca de um gerente para uma cidade caótica. Na metade de baixo, estão aqueles que usam os serviços de transporte e saúde públicos, e neles identificam os principais problemas da cidade. Para conquistá-los, Kassab depende da melhoria na qualidade dos seus ambulatórios locais e dos investimentos prometidos pelo governador José Serra em transportes metropolitanos.
Na avaliação dos estrategistas do DEM, o prefeito engatará a reeleição se fizer coincidir sua intenção de voto com o patamar de ‘ótimo e bom’. Neste, o prefeito estaria hoje colhendo 37%.
A candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin não explica sozinha a dificuldade de Kassab converter sua aprovação em voto. Nas simulações com Alckmin, o prefeito alcança 18% das intenções de voto – e o tucano , 33%. No cenário sem o ex-governador em que o principal adversário é a ministra do Turismo, Marta Suplicy, o prefeito empata com a petista em 22%.
O DEM dedica-se a tirar Alckmin da parada com uma costura política embainhada em 2010. A estratégia parte do pressuposto de que Serra estaria disposto a jogar todas as suas fichas na eleição de Kassab porque o prefeito se tornaria assim a principal liderança no DEM e afastaria de uma vez por todas, quaisquer chances de a legenda embarcar em algum outro projeto presidencial senão o do próprio Serra.
Os estrategistas do prefeito não levam a sério qualquer ameaça de Aécio Neves engrossar o caldo de Alckmin. Avaliam que a fidelidade partidária inviabilizou as chances de o governador mineiro trocar de partido e acomodou suas perspectivas de aceitar a vice, numa chapa encabeçada pelo governador paulista, em troca de uma candidatura em 2014.
É um jogo mais meticuloso do que aquele exposto pelas brigas internas do PSDB. Em alguns segmentos do partido, nem tão internas assim. Há duas semanas, num evento público, o secretário de subprefeituras, Andrea Matarazzo, repetiu, para deixar claro que não se tratava de ato falho, que esperava ver o prefeito concluir sua gestão daqui a cinco anos.
Esta semana, os dirigentes da juventude do PSDB trocaram notas de repúdio pela imprensa por conta da divisão entre a candidatura tucana e a reeleição do prefeito.
Das intempéries tucanas que estão no caminho de Kassab, porém, nenhuma é tão difícil de ser contornada quanto a desconfiança mútua entre Alckmin e Serra no compromisso de que a retirada de cena do primeiro em 2008 resultaria no apoio incondicional do governador a seu nome para sucedê-lo no Palácio dos Bandeirantes em 2010.


Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

mcristina.fernandes@valor.com.br

29/10/2007 - 08:49h Disputa por votos malufistas deve marcar eleição à Prefeitura de SP

Cristiane Agostine – jornal Valor


Kassab: atual prefeito de São Paulo poderia ser beneficiados com os votos dos “órfãos” do ex-prefeito Paulo Maluf

Caso o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) concorram à eleição municipal de São Paulo no próximo ano, eles disputarão uma mesma parte do eleitorado, órfão de Paulo Maluf (PP). Nas duas últimas eleições, em 2000 e 2004, os tucanos conseguiram captar mais votos malufistas (da direita) do que o PT. Além da disputa pelo mesmo perfil eleitoral com os tucanos, o DEM terá de enfrentar outro problema: a entrada no cenário eleitoral, antes fechado pelos candidatos do PT, PSDB e PP.

Em São Paulo, cidade com a disputa eleitoral mais acirrada do país, 44% dos eleitores já têm suas preferências partidárias definidas. Nos três últimos pleitos, o PT mostrou que tem o voto garantido de pelo menos 17% do eleitorado. O PSDB tem 15% e o PP, 12%. Os números indicam o percentual de eleitores que votam no partido independente da chance de vitória do candidato lançado.

A análise do comportamento eleitoral e da dinâmica partidária das eleições de 1996, 2000 e 2004, realizada pelos pesquisadores Fernando Limongi e Lara Mesquita, mostra que o domínio do PT, PSDB e PP fechou o “mercado eleitoral” na cidade e impediu que, no período, candidatos de outros partidos ganhassem projeção. Os três partidos controlaram as eleições paulistanas nos últimos 15 anos. “Ainda que o voto partidário inicial, de 44% dos eleitores, não seja capaz garantir a vitória (de nenhuma agremiação), ele é capaz de bloquear a entrada de outros candidatos”, analisou Lara. A pesquisa, patrocinada pela Fapesp, foi apresentada no 31º encontro da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs).

Como os candidatos destes três partidos contam com um patamar mínimo de votos, explicam os pesquisadores no estudo, os eleitores tendem a convergir ao longo do processo eleitoral a um deles.

Um possível cenário favorável à candidatura de Kassab, vinculada a um partido de direita, seria a conquista dos votos do PP, dos “órfãos” de Paulo Maluf – deputado federal ícone da legenda, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo. Entretanto, ele esbarrará na parcela conquistada pelo PSDB nas últimas disputas eleitorais. Dos eleitores que votaram no PP em 1996, 27% mudaram o voto para o PSDB em 2000 e apenas 6,3% para o PT. Já na eleição seguinte, de 2004, a transferência de voto foi menor, mas ainda assim os tucanos conseguiram mais votos do que os petistas do grupo malufista: 1,9% dos que escolheram o PP em 2000 foram para o PSDB e 0,8% para o PT.

Com exceção de Celso Pitta, apadrinhado por Maluf em 1996, nenhum outro candidato sem experiência nas urnas ganhou a eleição na capital. “O custo para disputar a cidade é muito alto”, observou Lara. “Nas últimas disputas, como o PT, PP e PSDB tinham 44% dos votos eles conseguiam coordenar a arena eleitoral. A disputa teve de ser em torno dos três”, afirmou a pesquisadora ligada ao Cebrap, mestranda da USP. “O DEM não é uma força tradicional em São Paulo e entrará agora na disputa, em um lugar que sempre foi ocupado por Maluf”, disse Lara.

26/10/2007 - 12:11h pesquisa eleições municipais em Recife

Coluna de Magno Martins na Folha de Pernambuco

Mendonça consolida imagem

Algumas constatações óbvias da pesquisa do Ipespe sobre a sucessão de João Paulo no Recife, divulgada, ontem, dentro do pacote do “Barômetro Pernambuco”: Mendonça Filho se desvinculou completamente da imagem de Jarbas, de quem foi vice, ganhou luz própria e continua liderando nos três cenários avaliados.

Cadoca, que está em segundo, mas numa situação caracterizada de empate técnico, mostra, mais uma vez, que não pode ser um candidato subestimado, mesmo estando numa legenda nanica, o PSC. O candidato mais forte do PT, como se esperava, é o ex-ministro Humberto Costa, com 18% das intenções de voto, enquanto o mais fraco é Maurício Rands, com 2%.

João da Costa, o preferido do prefeito, aparece com 5%. A grande surpresa da pesquisa é o desempenho do candidato do PMDB, Raul Henry, que não consegue ultrapassar a casa dos 7%, mesmo depois de uma mídia intensa na tevê ao lado do senador Jarbas Vasconcelos.

Aliados do prefeito têm dito nos bastidores que farão uma campanha light em relação a Cadoca, porque quando seu nome é retirado de qualquer cenário em pesquisa, os votos migram quase na sua totalidade para Mendonça e não Henry. No mais, essa pesquisa vai dar mais munição às correntes do PT que passaram a combater a candidatura de João da Costa.

22/10/2007 - 12:02h PT articula-se nos 100 maiores municípios

Cristiane Agostine
Valor

 

A um ano das eleições municipais, o PT articula-se para disputar o comando dos 100 maiores municípios, que concentram 40% dos eleitores brasileiros. Dentre os maiores colégios eleitorais, o partido está na oposição na maioria dos municípios (55 cidades) e pretende ampliar o quadro da situação de 45 cidades para 83.

Das agremiações no comando dos maiores colégios eleitorais, o PT aparece com 23 prefeituras, seguido por PSDB, com 19, PDT e PMDB, com 12 governos cada partido e PPS com 9. Segundo o secretário de Organização do PT, Romênio Pereira, responsável pelo levantamento eleitoral, o partido terá candidatura própria em quase todas as capitais.

Por enquanto, em apenas três capitais o PT cogita não ter cabeça de chapa: Aracaju (apesar de ser prefeitura do PT, devem apoiar o PCdoB), Goiânia (cogita-se acordo com PMDB, de Iris Rezende) e Manaus (acordo com o PSB). “As cem maiores cidades são prioritárias porque nelas estão concentrados os eleitores e estão os maiores orçamentos. Não adianta um partido ganhar 400 cidades. Isso não significa um capital eleitoral”, diz Pereira.

Na eleição de 2004, o partido foi eleito em nove capitais. Em Fortaleza, desta vez o PT estará ao lado de Luizianne Lins, que disputará a reeleição. Entretanto, a petista terá dificuldade em conquistar o apoio dos partidos de esquerda. A senadora Patrícia Saboya saiu do PSB para o PDT para viabilizar sua candidatura à prefeitura e a tendência é que o PSB do governador Cid Gomes e de Ciro Gomes (com quem Patrícia foi casada) apóie a senadora. O secretário-geral do PSB, senador Renato Casagrande, entretanto, anunciou apoio ao PT. “É certo que em Fortaleza iremos apoiar a Luizianne”, disse.

A prefeita de Fortaleza minimiza o impacto da possível falta de apoio do bloco de esquerda. “O PCdoB e o PSB são aliados, mas cabe a eles decidir se vão me apoiar ou não”, afirmou Luizianne.

As prévias partidárias serão feitas em janeiro, depois da escolha das novas direções do PT, que será feita em dezembro. A expectativa é de que aconteçam entre 30 e 35 prévias. Esse é o caso de São Paulo: se a ministra do Turismo, Marta Suplicy, se candidatar à prefeitura paulistana, não haverá prévia. Nas demais hipóteses, com Arlindo Chinaglia, José Eduardo Martins Cardozo ou Jilmar Tatto, haverá. Em Minas a situação é semelhante. Caso o ministro Patrus Ananias se lance, não haverá prévia. Com o deputado Virgílio Guimarães ocorrerá o mesmo.

Na próxima reunião da Executiva nacional, o PT convocará uma comissão para cuidar das candidaturas e alianças nos 100 maiores colégios. Os municípios são estratégicos e em 2006 o PT viu sua influência diminuir nos municípios mais populosos.

Nas últimas eleições o partido teve a maioria dos votos metropolitanos, enquanto os do PSDB estavam espalhados nos menos populosos. Mas na eleição de 2006 o quadro eleitoral se alterou e há um maior equilíbrio de votos petistas e tucanos nas metrópoles. No ano passado, a candidatura petista perdeu a liderança absoluta dos votos nos municípios populosos, com mais de 1 milhão de eleitores, mas continuou crescendo nas cidades pequenas e nos grotões. Já os tucanos conseguiram mais que o dobro dos votos conquistados pelo partido em 2002, distribuídos nas áreas metropolitanas e em cidades com mais de 200 mil eleitores

Em 2006, nas cidades grandes, com mais de 200 mil habitantes, o PSDB cresceu de 19,695 milhões de votos para 39,95 milhões. Já o PT teve seu crescimento mais significativo nas cidades pequenas, com menos de 50 mil eleitores. A base de votos do PT nos municípios entre 10 mil e 50 mil cresceu de 29,6% para 38,6%. O aumento foi ainda maior nas cidades com menos de 10 mil eleitores: de 28,3% para 38,2%.

Os cem maiores municípios também estão na prioridade dos partidos do bloquinho de esquerda, composto pelo PCdoB, PSB e PDT . Em algumas capitais já é certo que não haverá acordo entre os partidos, como no caso de Porto Alegre. O PCdoB deve apoiar a deputada Manuela D´Ávila para a prefeitura, uma das principais apostas do partido em 2008.

Mesmo com a proximidade ao PT, os aliados não deixarão de lançar candidatos no primeiro turno nas cidades com mais de 100 mil habitantes. Com a decisão do Supremo Tribunal Federal de que o mandato pertence ao partido e não ao parlamentar, os dirigentes querem reforçar a imagem das agremiações. Para o PDT, é essencial ter o tempo na TV e no rádio para fazer propaganda da legenda. “Teremos candidato para o partido aparecer na mídia. Se ficar só nas alianças, quem terá destaque é o cabeça de chapa”, disse o secretário-geral do PDT, Manoel Dias. “Assim o partido desaparece.” Segundo Dias, o bloquinho é prioridade nas alianças, mas os objetivos eleitorais não são “imediatos”. Os partidos, segundo ele, precisam ganhar mais governos antes.

Nas capitais, o PDT planeja ter de 18 a 20 candidaturas nas capitais. Em 2004, o partido chegou ao governo de Salvador, São Luis e Maceió. Agora, o partido pretende duplicar o número de prefeituras em capitais.

O PSB reforça o discurso de que irá lançar candidato nas maiores cidades, mas dá indicações das conversas mais adiantadas sobre as alianças nas capitais. Segundo o secretário-geral do partido, senador Renato Casagrande, em Aracaju e Vitória o partido negociará apoio aos candidatos do PCdoB e PT (respectivamente). Em Manaus, João Pessoa e Natal, entretanto, com prefeituras do partido, o PSB tentará ser a cabeça de chapa do bloco de esquerda.

O PCdoB lembra do apelo feito pelo presidente Lula, de ter o maior número de candidaturas unificadas entre PT e o bloquinho de esquerda, mas ressalta ser “muito difícil” no primeiro turno. “O PCdoB nunca lançou tantos candidatos como agora. Candidatura municipal é candidatura de base. É natural ter muitos candidatos.”

Os comunistas prevêem candidaturas em 17 capitais e já anuncia as principais: Porto Alegre (Manuela D´Avila), Rio (Jandira Feghali), Belo Horizonte (Jô Moraes), Aracaju (Edvaldo Nogueira), Recife (Luciano Siqueira), São Luís (Flávio Dino), Manaus (Vanessa Grazziotin) e Piauí (Osmar Jr.).

Em Rio Branco o partido deve apoiar o PT. Já em João Pessoa e Manaus os comunistas deverão compor a chapa do candidato do PSB. Na capital paulista, o PCdoB pode lançar Aldo Rebelo ou apoiar a candidatura de Luiza Erundina (PSB) ou Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT). “Não faz sentido termos em São Paulo três candidaturas do bloquinho. Seria inviável e podemos retirar a nossa”, disse Rabelo.


21/10/2007 - 02:26h Impasse entre Alckmin e Kassab imobiliza rivais

Em São Paulo, adversários do DEM e PSDB esperam definição para se posicionar, enquanto Aécio oferece ajuda à campanha do tucano

Carlos Marchi – O Estado de São Paulo

A um ano das eleições municipais paulistanas, o impasse entre as potenciais candidaturas do prefeito Gilberto Kassab (DEM), por um lado, e do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), por outro, paralisa a aliança de 13 anos que junta tucanos e o antigo PFL, e imobiliza os adversários, que aguardam uma definição na disputa para se posicionar. Há duas semanas Alckmin ganhou um inesperado presente: o governador Aécio Neves (PSDB), de Minas, prometeu-lhe total engajamento em sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2008.

A preocupação em definir um rumo para a aliança juntou num jantar de exploração de hipóteses, na última terça-feira, o ex-presidente do DEM, ex-senador Jorge Bornhausen (SC), e Alckmin. Na sexta, Aécio, o senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, e o governador José Serra (PSDB) tiveram um encontro em São Paulo para discutir a CPMF e, no entremeio, conversar sobre a eleição municipal de 2008. Serra apóia a candidatura do atual prefeito, Gilberto Kassab, à reeleição, mas muitos tucanos questionam a inexperiência de Kassab em disputas eleitorais.

Quem festeja o impasse e torce para que ele se prolongue é o PT, principal adversário de PSDB e DEM em São Paulo, que sonha em recuperar a prefeitura da maior cidade do País em 2008. “Kassab está tomando eleitores que seriam de Alckmin”, comemora o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), um dos aliados da ex-prefeita Marta Suplicy, hoje ministra do Turismo, ao comentar a melhoria da avaliação do atual prefeito. Ele acha que, um ano antes, a divisão de tucanos e DEM antecipa um cenário de segundo turno na eleição paulistana.

SEM BRIGAS

“Não haverá dois candidatos”, decreta solenemente o empresário Guilherme Afif, do DEM, ao garantir que haverá um acordo entre os dois partidos e só um deles concorrerá. “Farei tudo para manter a aliança”, assegura José Henrique Reis Lobo, presidente do PSDB paulistano e secretário de Relações Institucionais do governo Serra. “Não sei ainda a fórmula para manter a aliança, mas não é um problema para agora”, observa o deputado Mendes Thame, presidente do PSDB paulista.

No mesmo tom, alguns tucanos vão mais longe e prevêem que pode até acontecer de os dois concorrerem, mas sem que isso seja produto de um rompimento entre eles. A idéia atende à preocupação tucana com a inexperiência de Kassab, que nunca enfrentou uma disputa majoritária e pode se perder nela; assim, se Alckmin estiver concorrendo também, carreia os votos da antiga aliança.

Entre os tucanos, no entanto, a disputa de 2008 tem características de uma partida de xadrez que se prolongará até 2010. O dilema maior é de Alckmin. Sem muito espaço no governo Serra, seus seguidores o pressionam para sair candidato à prefeitura. Thame interpreta a voz do partido: “Se quiser, ele será o candidato.” Os tucanos dizem que Serra – apesar de simpático a Kassab – não será obstáculo à candidatura, mas Alckmin terá de responder a muitas interrogações para tomar essa decisão.

Se for candidato à prefeitura, terá a obrigação de ganhar. Se vencer, ainda assim não robustecerá tanto sua biografia, mas uma derrota levará a um ocaso prematuro de sua carreira política. Além da pressão dos seguidores, Alckmin tem recebido estímulos externos, como o de Aécio e do próprio PSDB paulista. Mais: o Diretório Estadual do PSDB recomendou que o partido tenha candidato próprio a prefeito em todos os municípios em que está organizado. Assim, não caberia abrir mão da “cabeça de chapa” justo no maior dos municípios, a capital paulista.

Muita gente no PSDB defende a tese de que Alckmin seja “guardado” para 2010, para disputar o Palácio dos Bandeirantes, para o caso de Serra ser candidato à Presidência. O PSDB, que controla São Paulo desde 1994, teme não ter um candidato competitivo, se Serra voar mais alto. Ele vê dois cenários: por um lado, elegendo-se prefeito, Alckmin não poderá sair um ano depois para disputar o Estado, como fez Serra, com algum desgaste, em 2006; por outro, se Serra não for o candidato do PSDB à Presidência, obviamente concorrerá à reeleição. A Alckmin, então, restaria disputar o Senado.

O DEM diz que Kassab depende somente de si: se continuar melhorando sua avaliação, como vem fazendo, se viabilizará como candidato competitivo. No PSDB todos acham que é cedo para definir candidatos. “Quem vai dar o primeiro sinal é o PT”, diz Lobo, lembrando que, para ser candidata, Marta – a mais expressiva opção do PT – terá de se desincompatibilizar até 31 de março de 2008.

01/10/2007 - 13:14h Ibope mostra Fogaça à frente em Porto Alegre

Zero Hora

A primeira pesquisa Ibope para a eleição de Porto Alegre em 2008 mostra o prefeito e candidato à reeleição José Fogaça (PMDB) à frente dos adversários.

O peemedebista aparece em primeiro lugar nas intenções de voto nos sete cenários da pesquisa estimulada de primeiro turno nos quais seu nome é apresentado aos entrevistados — foram feitas nove simulações desse tipo.

O índice mais alto do prefeito é obtido no cenário em que enfrenta Luciana Genro (PSOL), Onyx Lorenzoni (DEM) e Miguel Rossetto (PT). Nessa situação, Fogaça obtém quase um terço das preferências — 29%. Nos demais cenários, seus índices variam de 22% a 28%.

Em segundo lugar, tecnicamente empatadas, estão as deputadas Maria do Rosário (PT), Manuela D’Ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL). Maria do Rosário e Manuela aparecem como favoritas nos dois únicos cenários de primeiro turno em que Fogaça não está entre os candidatos.

Entre todos os adversários, Maria do Rosário (PT) é a que mais se aproxima de Fogaça no primeiro turno. Nos quatro cenários em que os dois se enfrentam, a petista fica de seis a 10 pontos percentuais atrás do prefeito. Maria do Rosário também leva pequena vantagem — de um ponto percentual — sobre Manuela na simulação em que as duas se enfrentam, sem o nome do prefeito entre os candidatos.

O Ibope ouviu 602 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 22 e 26 de setembro. A margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

01/10/2007 - 11:13h Melhor agir agora, que lamentar depois

Tenho insistido neste blog (ver Reflexões pessoais sobre o pleito municipal de 2008) sobre o erro de precipitar discussões na base aliada do Lula sobre 2010 e ignorar a importância de unificar os palanques municipais. O próprio Lula tinha encomendado ao presidente do PMDB, Michel Temer, a organização de convergências entre os 11 partidos que configuram a coligação governamental.

Hoje aparece claro que o chamado Bloco de esquerda, e até o próprio Michel Temer do PMDB, procuram isolar o PT preocupados mais em impor seus candidatos para 2010, que em conseguir vitórias eleitorais significativas em 2008.

Esta movimentação divisionista, multiplicando candidaturas, muitas delas inviáveis eleitoralmente,em caso de persistir, terá como conseqüência um resultado eleitoral fraco em 2008. O pior é que o próprio planalto parece incentivar a discussão de nomes para 2010, se despreocupando de pesar no pleito municipal.

A ressaca vai deixar com dor de cabeça a mais de um.

Luis Favre

iceberg

ice

Partidos da coalizão de Lula estarão rachados em 2008

Base aliada contraria pedido do presidente para repetir aliança em disputas municipais

Mesmo os tradicionais parceiros deverão ocupar palanques opostos e lançar candidaturas próprias nas grandes cidades do país

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar dos apelos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reprodução da aliança nacional na disputa municipal, a ampla base de sustentação do governo periga ruir nas eleições do ano que vem. Dispostos a ganhar musculatura para as eleições de 2010 -a primeira sem Lula desde 1989-, os partidos aliados investem no lançamento de candidaturas próprias nas grandes cidades.
Até os tradicionais parceiros do PT duvidam das chances de a composição se repetir em todo o país. Na maior parte das cidades, PT e aliados deverão ocupar palanques opostos.
Prova disso está no chamado bloquinho de esquerda, que tem o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) como potencial candidato à Presidência. Integrantes do bloco, PC do B, PSB e PDT adotaram como norma para 2008 o lançamento de candidatos nas cidades com mais de cem mil habitantes (200 mil, no caso do PDT).
Onde não for possível, vão costurar alianças dentro do próprio bloco. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes)

22/09/2007 - 20:26h Chinaglia admite ter interesse em disputar prefeitura de SP

Se a Marta não se candidatar, terei o maior prazer em ser prefeito da cidade’ , diz o presidente da Câmara

SÃO PAULO – O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), admitiu,em entrevista neste sábado, 22, interesse em disputar a Prefeitura de São Paulo, caso a ministra do Turismo e ex-prefeita da cidade, Marta Suplicy, não se candidate.

“Eu acho que se a pessoa se sentir com compromisso com a cidade (SP) e se sentir capaz, dá vontade. É um desafio tremendo ser prefeito de São Paulo. Se a Marta não for candidata- que é o nome mais forte para SP-, serei uma alternativa e terei imenso prazer em ser prefeito”, disse o presidente da Câmara à rádio Eldorado.

Ainda sobre candidaturas, Chinaglia diz que se o PT não tiver candidato em 2010 para as eleições presidenciais em em 2010 seria um “erro”.

“No 3º Congresso Nacional do PT ( realizado no mês passado), eu fui o primeiro a falar e defendi a candidatura. Seria um erro um partido do tamanho do PT sem candidato próprio em 2010″.

Chinaglia comentou também a discussão sobre a prorrogação da CPMF, aprovada em primeiro turno na Câmara e que causa polêmica no Congresso Nacional. Para ele, é possível, sim , governar sem o tributo, ao contrário da declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Quando Lula diz que não dá pra governar sem os R$39 bilhões (arrecadação), é claro que dá, desde que consideremos que esse dinheiro vá fazer falta em alguma área. Lula faz avaliação que para se manter os programas atuais, não daria pra governar (sem o tributo).

Chinaglia disse ainda que a defende redução da alíquota, mas não a extinção da CPMF.

Caso Renan

Sobre o escândalo envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Chinaglia disse que “cada um é responsável pelo que faz” e que prefere acreditar que nunca viveria uma situação dessas, de ser pressionado a se afastar do cargo até que as investigações sejam concluídas.

“É claro que quando o presidente do Senado é atingido, acaba atingindo o Congresso inteiro. Isso é extremamente grave, não quero avaliar como é que eu ficaria, prefiro acreditar que não entraria nessa situação nunca (polêmica do afastamento)”. Leia mais aqui

18/09/2007 - 10:03h Alckmin busca aliança com PMDB para 2008

Ex-governador tucano se reuniu com Quércia no domingo; acerto acabaria com acordo com Democratas

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Líder das pesquisas pela prefeitura de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin está flertando com o PMDB. Alckmin se reuniu domingo com o presidente estadual do partido, o ex-governador Orestes Quércia, a quem propôs aliança para 2008. Um acordo com o PMDB implodiria a tradicional composição do PSDB com o DEM.
Na conversa, Alckmin reproduziu o que dissera há 15 dias ao presidente municipal do PMDB, Bebeto Hadad: que deverá concorrer à prefeitura no ano que vem. A Quércia afirmou que será o candidato do partido se quiser. “Ele me disse que está bem com o Serra e que busca alianças”, contou Quércia, afirmando que a intenção do PMDB é lançar candidato.
Alckmin disse que convidará Quércia para uma segunda conversa quando voltar de uma breve viagem. Há 15 dias, Hadad chegou a sugerir que Alckmin se filiasse ao PMDB e concorresse à prefeitura pela sigla.
Como a época era de instabilidade no PSDB, Alckmin não teria descartado a idéia e pediu uma audiência com Quércia.
Ao receber Quércia, Alckmin fez questão de afirmar que vive um bom momento com o governador José Serra. Segundo tucanos, ele estaria disposto a oferecer a vice ao PMDB. “Alckmin disse que gostaria que caminhássemos juntos em 2008 e 2010″, disse Hadad.
Serra e Alckmin se reaproximaram no fim do mês passado, quando decidiram desmontar um quadro de disputa pela presidência municipal do PSDB.
No encontro -noticiado pela Folha- os dois concordaram em buscar um nome alternativo à presidência do PSDB. O escolhido foi o do secretário estadual de Relações Institucionais, José Henrique Reis Lobo.
A eleição de Lobo não foi consumada domingo. Para assumir a presidência, Lobo pediu que pudesse indicar o secretário-geral e o tesoureiro. O atual presidente da sigla, Tião Farias, não concordou, sugerindo Marcos Zerbini para a secretaria-geral. Numa reunião no gabinete de Tião, Lobo disse que não seria presidente sem sua equipe. A escolha deve ser oficializada na quinta.
Folha de São Paulo (para assinantes)

18/09/2007 - 10:00h Possível saída de senadora do PSB muda eleição no CE

Patrícia Saboya está negociando filiação ao PDT

KAMILA FERNANDES
DA AGÊNCIA FOLHA, EM FORTALEZA

A pouco mais de um ano das eleições, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), que vai tentar a reeleição, está prestes a ter sua base de apoio dividida. O motivo é a possível saída da senadora Patrícia Saboya (PSB), que negocia se filiar ao PDT para viabilizar sua candidatura à prefeitura.
Patrícia tem dito que gostaria de disputar a prefeitura, mesmo contra Luizianne, porém tem encontrado resistências no PSB, único partido que apoiou a petista na eleição passada. Entre as resistências está a do governador Cid Gomes (PSB), que tem afirmado apoiar Luizianne, apesar da amizade que tem com Patrícia (a senadora foi casada por muitos anos com Ciro Gomes, irmão de Cid).
A senadora já recebeu um convite do PSDB também (ela é a candidata preferida do senador tucano Tasso Jereissati), mas descartou, pois representaria um distanciamento político muito grande com Ciro e seu projeto presidencial para 2010.
O PDT, por sua vez, não seria uma ruptura, já que o partido integra um bloco no Congresso junto ao PSB e ao PC do B. E o próprio Ciro, ainda que fique no PSB, dificilmente deixaria de apoiá-la, o que demonstra ao fazer críticas constantes à administração de Luizianne.
A decisão de Patrícia, se fica ou sai do PSB, deve ser tomada ainda neste mês, pois pela legislação eleitoral o candidato precisa estar pelo menos há um ano no partido para disputar um mandato.
Outra novidade no cenário da disputa pela prefeitura de Fortaleza é a situação de Luizianne, que em 2004 se candidatou contra a vontade do partido e agora é apoiada por toda a cúpula que antes a rejeitou. Em 2004, Luizianne, detentora de maioria simples do comando do PT na capital cearense, conseguiu alavancar sua candidatura contra a cúpula nacional, que queria abrir mão da candidatura para apoiar Inácio Arruda (PC do B). A situação agora é a oposta, em que há o apoio e dinheiro federal para uma série de obras que ficaram para o final da administração.
Além de Patrícia, entre os adversários mais certos está o ex-deputado federal Moroni Torgan (DEM), que, após três derrotas seguidas (duas à prefeitura e a última ao Senado), precisa do apoio do PSDB para ampliar seus espaços. Em caso de candidatura própria, o PSDB não tem lideranças de peso para concorrer -Tasso já disse que não entra na disputa. Uma das opções poderá ser o atual secretário de Justiça do Estado, Marcos Cals, filho de um ex-governador, mas pouco conhecido do eleitorado, ou o ex-prefeito Antônio Cambraia, que foi o candidato do partido na eleição passada, mas não chegou ao segundo turno.

12/09/2007 - 00:47h blefe? Sérgio Cabral afirma que pode ser candidato a prefeito do Rio de Janeiro

Aloysio Balbi – O Globo

Foto: arquivo

CAMPOS – O governador Sérgio Cabral disse na tarde desta terça-feira, durante a inauguração da ponte sobre o Rio Paraíba do Sul, em Campos, que pode renunciar ao mandato e sair candidato à Prefeitura do Rio nas eleições do ano que vem. Segundo Cabral, o Rio não pode interromper a continuidade de parceria com o governo federal, risco que corre caso seja eleito um candidato da aliança do ex-governador Garotinho com o prefeito Cesar Maia, ambos ferrenhos adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- Vou para o sacrifício se necessário. Não estou blefando. Deixo o Governo e disputo para ganhar a Prefeitura do Rio – afirmou.

O vice-governador do Rio, Pezão, que acompanhava Sérgio Cabral, disse que o assunto começou a ser discutido há dois dias:

- Se as eleições fossem amanhã, a estratégia seria essa. Eu estou pronto para governador o Rio.

11/09/2007 - 10:05h PMDB e DEM fecham aliança no Rio para 2008

Ana Paula Grabois para Valor

O PMDB e o DEM fecharam ontem uma aliança para as eleições municipais de 2008 no Estado do Rio. O pacto uniu antigos desafetos – o ex-governador do Estado e atual presidente regional do PMDB, Anthony Garotinho, e o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM). “Fomos da mesma escola política do PDT, do Brizola”, disse Garotinho. “Ele tem as críticas dele, eu tenho as minhas. Temos estilos diferentes, temos opiniões diferentes sobre muitas coisas, mas se nós fôssemos iguais estaríamos no mesmo partido”, afirmou o ex-governador.

Ainda inelegível por decisão do TRE, Garotinho argumenta que o acordo com o DEM tem o objetivo de enfraquecer o PT, que segundo ele, não tem estrutura partidária no Estado para sustentar a aliança que o PMDB tinha necessidade de fazer. No PMDB, foram 63 votos a favor, 8 contra e uma abstenção pelo pacto, já aprovado pelo DEM regional na semana passada. De acordo com Cesar Maia, o acordo prevê que a cabeça de chapa seja do DEM em 2008 e do PMDB em 2010, na eleição para governador. “Isso foi falado entre o governador Sérgio Cabral e eu”, disse o prefeito do Rio. Além disso, Maia contaria com o apoio do PMDB para a candidatura que planeja ao Senado. Os possíveis nomes do DEM para a prefeitura da capital, entretanto, ainda não foram definidos.

A união entre os dois partidos incomodou o PT local, que tinha a esperança de fechar alianças com o PMDB em pelo menos 35 municípios. O PT apostava na boa relação mantida entre o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Achávamos que o caminho do PMDB no Rio era formar uma aliança conosco. Eles optaram em se aliar com uma ala política em decadência no Estado, mas vamos conversar com Cabral”, disse o presidente do PT do Rio, Alberto Cantalice.

Cabral, que divide forças com Garotinho no PMDB regional, somente apoiaria um nome que não fizesse oposição a Lula, embora mantenha conversas com Cesar Maia. O prefeito diz que a aliança é fruto de uma relação que se tornou forte em 2007 entre ele e Cabral. Um dos que mais trabalharam pelo acordo com o DEM, o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani (PMDB), diz não saber qual posição Cabral tomará diante de um eventual mal-estar com o governo federal, do qual recebe apoio desde a posse. “Sou do seu grupo político, mas acho que o governador avaliará que foi uma decisão majoritária que não é contra o Lula ou o PT. É para definir uma política de alianças do partido”, disse Picciani. Ele lembrou que a união ocorreu em 1986, quando o então PFL se aliou ao PMDB para apoiar a candidatura de Moreira Franco a governador. Cabral não se pronunciou sobre o tema.

Sem o PMDB, o PT do Rio agora procura o bloco formado pelo PSB, PDT, PRB e PCdo B, e que tem como pré-candidatos para a capital o senador e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Marcelo Crivella (PRB) e a ex-deputada Jandira Feghali (PC do B). O PT tem quatro pré-candidatos declarados para a capital do Rio, mas pode apoiar uma chapa encabeçada por outra legenda. “É difícil, mas não impossível. Vamos discutir “, disse o presidente regional do PT. Na sexta-feira, petistas se reúnem para tratar da nova estratégia de alianças a ser adotada no Estado.

A principal exceção no acordo DEM-PMDB diz respeito às eleições para a prefeitura de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O prefeito Lindbergh Farias (PT) tentará se reeleger em uma chapa cujo vice é o deputado federal Rogério Lisboa, presidente do DEM regional. Segundo Lisboa, o PMDB e o DEM ainda disputarão a prefeitura de outros municípios do Estado.

09/09/2007 - 11:17h Investidas em ninhos petistas

Brasília. Embora seja discreta as campanhas do PSDB de Minas e São Paulo para conquistar novos prefeitos, casos curiosos vêm à tona sem nenhum constrangimento. Como o do prefeito de Itapeva, cidade do Sul de São Paulo, onde o prefeito Luiz Antonio Hussne Cavani, 51 anos, desfiliou-se semana passada do PT e aterrissou todo feliz no PSDB, na quinta-feira. Um caso raro envolvendo rivais, mas que pode tornar-se comum nos dois Estados com o assédio das tropas dos governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP).

Para o deputado federal Mendes Thame, presidente do PSDB paulista, a estratégia não tem erro. O partido quer candidatos com potencial em todas as cidades do Estado. A começar pela capital.

- Geraldo Alckmin é um candidato natural, nem precisa falar – assegura Mendes Thame.

O tucano lembra, porém, que qualquer tipo de vôo solo neste momento é perigoso. E abre o jogo, num possível acordo que envolve o atual prefeito Gilberto Kassab, sucessor de Serra, embora o Democratas resista.

- Nosso trabalho é manter aliança com DEM na capital – assegura.

Com a prudência dos paulistas, Mendes Thame já organizou 24 encontros com prefeitos no interior. O PSDB hoje tem diretórios em 645 cidades do Estado e 211 prefeitos. Quer alcançar a marca de 300 até o congresso nacional do partido.

As negociações estão avançadas em ambos os Estados. Com a discrição dos mineiros, o secretário de Governo de Aécio, Danilo de Castro, deixa o governador a par das adesões todos os dias, mas nega que o chefe comente a disputa presidencial.

- Há possibilidade de vir mais alguns prefeitos, de cidades-pólo. Até o fim do ano chegamos a 200 – contabiliza Danilo.

Em Belo Horizonte, o nome mais forte do PSDB, no momento, é o do ex-governador e hoje senador Eduardo Azeredo. Um aliado próximo diz que ele já tem “todo o projeto de eleição pronto”. Um obstáculo, no entanto, pode abater o vôo do tucano antes mesmo da decolagem. Azeredo, no entanto, está apreensivo com a possibilidade de ser denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ao Supremo Tribunal Federal, por suspeita de caixa 2 na campanha à reeleição pelo governo do Estado em 1998. (L.M.)

09/09/2007 - 11:14h Tucanos armam-se para a guerra de 2010

Leandro Mazzini

Jornal do Brasil (JB)

Brasília. Numa discreta manobra política de dois presidenciáveis do PSDB, os grupos dos governadores de São Paulo, José Serra, e Minas Gerais, Aécio Neves, começam a se articular para as campanhas municipais de 2008 de olho na disputa de 2010. A meta é angariar o máximo de apoio possível no partido, em cada Estado. Aécio e Serra buscam aumentar o cacife nas hostes tucanas e chegar munidos para o embate na convenção de 2009, quando será escolhido o candidato.

O primeiro teste na medição de forças será daqui a dois meses, no III Congresso Nacional do PSDB. Há duas semanas, o governador mineiro – que oficialmente nem toca no assunto da disputa presidencial – apresentou ao PSDB, num encontro com o diretório nacional em Belo Horizonte, nada menos que 40 prefeitos do Estado recém-filiados ao partido, oriundos de várias legendas – com exceção do PT. Aécio não se envolve diretamente no garimpo, mas tem emissários só para isso: o deputado federal Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), vice-presidente da Câmara e presidente do partido em Minas, e o secretário de Governo Danilo de Castro, ex-deputado federal e um dos homens fortes de Aécio. Dizem que não há segredo na conquista dos alcaides.

- Ninguém está almejando 2010, estamos vendo o que é bom para Minas – observa Danilo. – Mas não há dúvidas de que, quanto mais fortalecido dentro do partido, melhor para Aécio.

O PSDB de Minas tem trabalhado muito para se fortalecer na carona do prestígio de Aécio, afirma Danilo:

- Estou tocando essas adesões, junto com Nárcio. A maioria dos prefeitos, no entanto, está nos procurando por causa do nosso programa de governo.

No encontro com o tucanato em Minas, Aécio – que agora tem nas mãos 188 prefeitos no Estado – apontou o motivo desse apoio.

- Temos um novo modelo de gestão pública para o Brasil – comemorou o governador.

Não por acaso, os tucanos paulistas ligados a José Serra, outro grão-tucano, não querem ficar atrás. Dão o troco no discurso e exaltam a organização do partido em São Paulo. Às vésperas do III Congresso Nacional do PSDB, em novembro, correm para mostrar o poder do diretório estadual. O presidente da legenda em São Paulo, deputado federal Mendes Thame, também entoa o discurso de fortalecimento da legenda. Admite que Serra é um candidato natural para 2010, mas nega que o governador participe diretamente da busca de apoio.

- Tanto Serra quanto Aécio são fortes para 2010, mas estamos muito longe da eleição – desconversa Mendes Thame. – O importante para o PSDB é estar presente em todas as cidades do país.

O tucano dá sinal de que há uma disputa interna, embora discreta, no ninho tucano.

- Há uma diferença muito grande entre o PSDB de São Paulo e o de outros Estados. Aqui temos força e organização, enquanto em outras regiões o partido não está formado. Em oito Estados, por exemplo, não elegemos nenhum deputado federal.

07/09/2007 - 13:09h Monstros na cama

LUIZ GARCIA

O Globo (para assinantes)

Primeiro, cultura para o povo: a expressão “estranhos companheiros de cama” não tem, na origem ou no uso corrente, qualquer conotação de safadagem. Graças à erudição instantânea que nos oferece o Google, podemos informar que ela tem berço shakespeariano.

A mais antiga referência conhecida aparece em “A tempestade”, a propósito de um náufrago que desperta em terra firme e se vê na companhia de um monstro, um “strange bedfellow”.

Em português, a expressão mais parecida é união dos contrários. Não tem a mesma graça.

A partilha de travesseiros hoje ensaiada pelo prefeito Cesar Maia, dos Democratas — “dems” na intimidade — e o ex-governador Anthony Garotinho, do PMDB, tem o objetivo imediato de garantir que prefeituras importantes na Baixada Fluminense não caiam ou não continuem nas mãos do PT a partir de 2008.

Num mundo que sabemos não existir, a manobra seria repelida pelo eleitorado em qualquer etapa eleitoral. Afinal, Cesar e Garotinho, sempre cobertos de razão, já disseram um do outro coisas que o Papa não fala de Satanás.

Do prefeito sobre o ex-governador, por exemplo: “Nunca se viu, dentro de um governo, uma concentração de corrupção tão grande” (2004). Ou: “Só otário acredita em Garotinho nesta altura do campeonato” (2006).

E de Garotinho sobre Cesar: “A natureza dele é de confronto, beligerante… a coisa mais desagregadora da História.” Ou: “Ele não consegue explicar como é que mora num apartamento de R$ 1 milhão com salário de prefeito.” O petista Edson Santos, possível candidato a prefeito, definiu a aproximação entre prefeito e exgovernador como “abraço de coveiro”. Boa imagem.

Provavelmente custará a Edson um caixão de votos na região do Caju.

Exemplos de estranhas companhias em palanque não são raros na política brasileira. Com certeza, é algo que tem tudo a ver com a natureza do sistema partidário, tão fragmentado que o sucesso eleitoral exige acordos para todos os lados. Não se tem notícia de que uma aliança em qualquer nível — do municipal ao nacional — tenha fracassado porque o eleitor, com raiva e nojo, rejeitou o artificialismo das alianças. Pena.

No caso fluminense, a aproximação entre Cesar e Garotinho tem complicador curioso. A meta principal da união desejada é evitar o crescimento do PT no estado. Acontece que, pelo menos até agora, o governador Sérgio Cabral — do PMDB como Garotinho — está de namoro ostensivo com o presidente Lula, do mesmo PT.

Bastante confuso. Mas, em política, amanhã e depois de amanhã não falam a mesma língua. A aproximação com o DEM (que nome, que nome) pode ser conveniente para Sérgio mais adiante.

Desde, é claro, que não encha demais a bola de Garotinho, indesejável companheiro de palanque.

Podemos ficar por aqui um tempão, enumerando entretantos. Mas isso é ofício de analistas políticos.

Num exercício modesto de cidadania, limitemonos a mostrar um metro de estranheza e dois quilos de nojo ante a facilidade com que nossos homens públicos insistem em confirmar suas folhas corridas pulando, com tanta naturalidade e desfaçatez, uns nas camas de outros.

Merecem, todos, acordar na companhia de monstros shakespearianos.

05/09/2007 - 11:15h Cardozo é pré-candidato a prefeito de SP

Blog Entrelinhas de Luiz Antonio Magalhães

O DCI publica nesta quarta-feira uma entrevista do deputado federal José Eduardo Cardozo ao autor destas Entrelinhas e à repórter Patricia Acioli em que ele lança a sua pré-candidatura a prefeito de São Paulo pelo PT. Cardozo está animado com a possibilidade, mas admite as dificuldades para superar os concorrentes diretos na disputa interna da agremiação – também estão no páreo Arlindo Chinaglia e Jilmar Tatto. Se Marta Suplicy decidir concorrer, o deputado avalia que todos abririam mão da postulação. Ex-presidente da Câmara Municipal e ex-secretário de governo na gestão Erundina, Cardozo conhece bem os problemas da capital e conta na entrevista o que faria para melhorar a vida dos paulistanos.

21/08/2007 - 22:06h Sob determinação de Lula, aliados fazem jantar para discutir alianças para 2008

Ilimar Franco – O Globo

BRASÍLIA. Os presidentes e líderes dos 11 partidos que apóiam o governo Lula participam de um jantar nesta noite para discutir alianças eleitorais nas eleições municipais do ano que vem. O encontro ocorre no apartamento do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e foi convocado por sugestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preocupado com a dispersão dos partidos aliados na disputa eleitoral do ano que vem, com prováveis reflexos em 2010.

O presidente Lula decidiu atuar para impedir que se crie um quadro eleitoral de enfrentamento entre os partidos da base, sobretudo entre o PT e o Bloco de Esquerda, formado por PSB, PDT e PCdoB, com cicatrizes difíceis de ser superadas.

O presidente Lula confidenciou a aliados que não quer que se repita nas eleições municipais o que aconteceu na disputa pela presidência da Câmara, no início deste ano, entre os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que oito meses depois de ocorrida continua uma ferida aberta.

- A iniciativa é positiva. Temos que evitar que os partidos aliados batam de frente nas eleições municipais. Trabalhar numa linha para que no dia 2 de outubro de 2008 pessoas que constroem juntos o governo Lula não se sintam impossibilitados de sentar na mesa e tratar de 2010 – disse o líder do PT, deputado Luiz Sérgio (RJ).

A conversa desta noite, conforme Temer, seria apenas o pontapé inicial desse diálogo. O pemedebista avalia que essa iniciativa é diferente da fracassada tentativa do PT e do PMDB de lançarem, em 2004, alguns candidatos comuns nas capitais. De lá para cá, o PT apanhou muito e isso teria feito o partido ficar mais aberto e flexível às alianças e a apoiar cabeças de chapa de outros partidos governistas.

- O mundo era outro naquela época. Não existia a coalizão que hoje governa o Brasil nem estávamos tão próximos como estamos agora com o funcionamento do Conselho Político – afirmou Michel Temer.

Apesar do discurso, as articulações em curso revelam que os governistas estão longe de uma unidade mínima. Nas duas principais capitais do país, São Paulo e Rio de Janeiro, a base aliada trabalha com várias candidaturas. Em São Paulo, o PT tem os nomes da ministra Marta Suplicy e o do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia; o PCdoB vai sair com Aldo Rebelo; o PSB tem a deputada Luiza Erundina; e o PDT o deputado e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.

No Rio de Janeiro, o PMDB trabalha para fazer o vice-governador Luiz Fernando de Souza Pezão seu candidato; no PT a principal articulação é em torno da ex-governadora Benedita da Silva; o PCdoB tem a ex-deputada e secretária da Saúde de Niterói, Jandira Feghali.

O quadro de proliferação de candidaturas governistas para um mesmo cargo se repete em outras capitais. Em Porto Alegre a base aliada já tem três candidatos: Manuela D’Ávila (PCdoB), Vieira da Cunha (PDT) e Miguel Rossetto ou Maria do Rosário (PT). Em Salvador os nomes são: o profeito João Henrique Carneiro (PMDB), Nelson Pelegrino (PT), Lídice da Mata (PSB) e Alice Portugal ou Olívia Santana (PCdoB).

13/08/2007 - 11:11h Serra e Kassab contra Geraldo Alckmin?

Entrelinhas

Mídia & Política

Luiz Antonio Magalhães
Jornalista, editor de Polí­tica do jornal DCI e editor-assistente do Observatório da Imprensa.

O dado mais interessante da pesquisa Datafolha divulgada neste domingo sobre a disputa pela prefeitura de São Paulo no próximo ano é a chance, cada vez mais alta, de Geraldo Alckmin (PSDB) enfrentar Gilberto Kassab (DEM) em um eventual segundo turno.

Explica-se: os cenários com a candidatura de Marta Suplicy são perda de tempo, uma vez que ela dificilmente será candidata. Sem Marta, o PT é quase carta fora do baralho – Mercadante e Chinaglia nitidamente não empolgam – e o jogo fica entre Alckmin e Kassab. O prefeito está em uma curva ascendente e Alckmin lidera com certa folga, inclusive nas simulações de segundo turno. Este blog duvida que qualquer dos dois venha a abrir mão da candidatura em favor do outro, de forma que a maior probabilidade é mesmo de ambos disputarem a prefeitura. Neste caso, o governador José Serra (PSDB) ficará em uma saia justíssima, uma vez que até as paredes do Palácio dos Bandeirantes sabem que ele prefere o atual prefeito a Geraldo Alckmin. Kassab foi vice de Serra e tem sido bastante leal ao governador. Serra, porém, não tem força para impor uma aliança com o atual prefeito se Alckmin bater o pé pela candidatura. E a Alckmin só resta mesmo concorrer, do contrário em 2010 o chamado efeito “recall” já estará bem prejudicado – seja para concorrer à presidência novamente ou ao governo do Estado. Em outras palavras, quatro anos fora do cenário político é muito tempo, especialmente para Alckmin, que não prima pelo carisma.

No fundo, a eleição de 2008 pode se tornar um emblema da divisão das forças que se opõem ao petismo. Democratas de um lado, tucanos divididos de outro, não há fórmula melhor para uma terceira via, que pode até ser do PT, mas não necessariamente, ganhar musculatura política e vencer o pleito, ainda que as pesquisas hoje não apontem tal força. Pode ser Erundina, Aldo Rebelo, José Eduardo Cardozo ou até mesmo um outsider do PSOL, por exemplo. Quem viver, verá…

30/07/2007 - 11:14h RADAR ON-LINE da Veja

   
Lauro Jardim
Com Jan Theophilo
e-mail: radaronline@abril.com.br
   
Alckmin lidera em São Paulo

Alckmin: à frente nas pesquisas

O Vox Populi concluiu uma pesquisa sobre a corrida municipal em São Paulo. Por encomenda de Paulinho da Força, do PDT, foram analisados dez cenários. O tucano Geraldo Alckmin lidera em todos nos quais aparece. Confrontado com a petista Marta Suplicy, ganharia por 31% a 28%. Sem ele, quem leva é Marta, que chega até 33%. O prefeito Gilberto Kassab, do DEM, varia entre 7% e 18%, de acordo com os oponentes, índices semelhantes aos de Paulinho. Arlindo Chinaglia, regra-três do PT para o caso de Marta não se candidatar, varia entre zero e 1%. Paulo Maluf está no topo do ranking da rejeição, com 39%. Marta tem 18%; Kassab, 15%; Luiza Erundina, 8%; Alckmin, 4% e Paulinho, 1%.

24/06/2007 - 19:19h Elección porteña parece confirmar Macri

Con un porcentaje de participación algo mayor al de la primera vuelta, comenzó el escrutinio en el ballottage porteño. La información que se maneja en ambos búnkers confirma la victoria del candidato de PRO, Mauricio Macri. Resta conocer oficialmente si su diferencia sobre el kirchnerista Daniel Filmus será mayor o menor a los 20 puntos que mostraban los últimos sondeos habilitados. Fuente Clarín