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	<title>Blog do Favre &#187; eleições USA</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Da secessão&#8230; à consagração</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 20:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Abraham Obama, painel do artista Ron English, em Boston, sobrepõe as imagens de Abraham Lincoln e Barack Obama

Eleições de Lincoln, em 1860, e de Obama, em 2008, mostram um Sul dos EUA ainda avesso à mudança

Flávio Henrique Lino &#8211; O Globo
Ambos têm nomes bíblicos e vieram de famílias de classe média.
Ambos foram os primeiros a chegar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><em>Abraham Obama, painel do artista Ron English, em Boston, sobrepõe as imagens de Abraham Lincoln e Barack Obama</em></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.ilovepolitics.info/photo/984950-1229819.jpg" alt="http://www.ilovepolitics.info/photo/984950-1229819.jpg" /></div>
<p><font size="5">Eleições de Lincoln, em 1860, e de Obama, em 2008, mostram um Sul dos EUA ainda avesso à mudança</font></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/44/Abraham_Lincoln_head_on_shoulders_photo_portrait.jpg/456px-Abraham_Lincoln_head_on_shoulders_photo_portrait.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/44/Abraham_Lincoln_head_on_shoulders_photo_portrait.jpg/456px-Abraham_Lincoln_head_on_shoulders_photo_portrait.jpg" width="252" height="332" /><img src="http://kara.allthingsd.com/files/2008/06/barack-obama-official-small.jpg" alt="http://kara.allthingsd.com/files/2008/06/barack-obama-official-small.jpg" width="265" height="331" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Flávio Henrique Lino &#8211; O Globo</p>
<p>Ambos têm nomes bíblicos e vieram de famílias de classe média.</p>
<p>Ambos foram os primeiros a chegar à Casa Branca nascidos em estados fora do corpo histórico principal do país e fizeram carreira política no Illinois. Ambos pegaram uma nação em crise profunda e marcaram época com sua eleição. Ambos libertaram os negros americanos — um de grilhões reais; o outro, de grilhões mentais. Numa dessas curiosas ironias da História, são muitas as semelhanças que traçam uma linha do tempo direta entre Abraham Lincoln e Barack Obama. Uma delas, no entanto, chama a atenção por transcender a mera coincidência. Quase um século e meio decorridos desde que Lincoln tornou-se o primeiro republicano eleito presidente, em 1860, e Obama, o primeiro negro, em 2008, tanto um quanto o outro foram rejeitados pelo Sul dos Estados Unidos, num recorte regional de votos que delimita não somente diferenças geográficas, mas, sobretudo, de mentalidades.</p>
<p>Nos 11 estados que declararam a secessão após a eleição de Lincoln e formaram os Estados Confederados da América, baluarte da escravidão nos EUA, Obama ganhou somente em três: Virgínia, Carolina do Norte e Flórida. Um desempenho certamente melhor que o de Lincoln, cujo nome sequer apareceu nas cédulas de nove dos dez estados sulistas que decidiam por voto direto seus delegados ao Colégio Eleitoral, tamanha a rejeição local às suas propostas em favor da limitação da servidão dos negros. No único em que concorreu — Virgínia, onde teve 1,1% dos votos — a derrota avassaladora sinalizou o caminho para o confronto inevitável entre duas visões de mundo diametralmente opostas, levando Norte e Sul dos Estados Unidos ao mais sangrento conflito já travado no continente. A Guerra Civil Americana cavou, no rastro de 600 mil mortes, um fosso ainda hoje intransponível entre as duas regiões, muito depois de os canhões silenciarem em 1865.</p>
<p>— Nosso país foi invadido e derrotado. Há 143 anos estamos sob ocupação — enfatizou ao GLOBO, da Carolina do Norte, o presidente da Sociedade Confederada da América, Craig Maus, tratando o Sul como nação e usando um tom amargurado como se a guerra tivesse terminado dias atrás. — Só queremos ser deixados em paz pelo governo federal.</p>
<p>Obama só venceu em 228 de 1.104 condados do Sul</p>
<p>Contado em votos, o desempenho do “abençoado” Barack, cujo nome é a versão africana do hebraico Baruch, foi infinitamente melhor que a de seu antecessor longínquo, também batizado numa referência bíblica, ao patriarca do povo judeu. O negro Obama foi escolhido por 18 milhões de eleitores dentro dos limites da antiga Confederação, contra os 20 milhões que votaram em seu adversário, o branco John McCain. Já Lincoln teve ínfimos 18.915 votos, de um total de 856.461.</p>
<p>Mas, se por um lado foi surpreendente a expressiva votação do senador que se tornou o primeiro presidente não nascido nos EUA continentais (Obama é havaiano), em pelo menos um aspecto sua performance pouco difere da do exdeputado nascido no Kentucky, o primeiro não originário da matriz das 13 colônias a chegar ao poder supremo no país: em número de condados.</p>
<p>Lincoln levou apenas 2 dos 996 que formavam o Sul em sua época, enquanto Obama coloriu de azul somente 228 dos 1.104 em que a antiga Confederação está hoje dividida. Mesmo nos três estados sulistas que viraram as costas à História e deram a vitória ao filho da África no voto popular, ele passou longe de aproximar-se do número de condados que apoiaram o rival filho do patriciado branco. Ou seja, a reviravolta histórica foi garantida nas grandes cidades, mais populosas e arejadas culturalmente e mais antenadas com o espírito do século XXI; porém, nos rincões do Sul profundo, onde a vida cotidiana ainda deita raízes no passado, predominam atitudes e valores que remontam ao século XIX.</p>
<p>— Esta eleição foi igual a qualquer outra, e não vejo significado histórico nela. A cor e a origem do candidato não afetam nossas decisões.</p>
<p>Aliás, a guerra civil não foi por causa da escravidão, mas sim por causa dos impostos — garantiu Maus, que não quis revelar em quem votou. — Prefiro não falar nisso. Não faz qualquer diferença.</p>
<p>Seus vizinhos na pequena Mooresville, no entanto, claramente optaram por John McCain, cuja campanha se baseou fortemente na acusação de que Obama ia aumentar os impostos. No condado de Iredell, onde fica a cidadezinha de 19 mil habitantes na Carolina do Norte, o republicano bateu o democrata — embora Obama tenha vencido no estado — por 61,9% dos votos a 37,5%.</p>
<p>Uma tendência que o colunista Harold Meyerson, do “Washington Post”, apontou como o caminho do partido de George W. Bush neste início de século XXI: “Nas duas últimas eleições, os republicanos se enfraqueceram em todos os lugares, exceto no Sul branco rural — a região que permanece a menos educada e a menos diversificada”.</p>
<p>Em Mooresville, cujo prefeito — reeleito em 2007 — é republicano, 81% dos habitantes são brancos, e o resto se divide entre negros (14%) e outras etnias, segundo o Censo de 2000.</p>
<p>Vitória de um negro seria sinal de novos ventos</p>
<p>Apesar de tudo, a eleição de Obama pode já ser o sinal de que algo está mudando, mesmo no recalcitrante Sul. Os próximos quatro anos vão mostrar se os EUA realmente ingressaram na era pós-racial, como o agora presidente eleito pregou incessantemente durante a campanha.</p>
<p>— Pode haver algum desconforto de alguns, e bastante desconforto de outros com a vitória de Obama, mas acho que estamos prontos aqui no Sul para esperar e ver — acredita a professora Andrea Simpson, do Departamento de Ciência Política da Universidade de Richmond, na Virgínia, ela própria negra e eleitora democrata. — Ele já mostrou que tudo é possível e que as atitudes raciais estão mudando. Se fizer bem seu trabalho, mais pessoas vão começar a se modificar.</p>
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		<title>EUA: governo precisará de ousadia</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 14:25:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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E. J. Dionne Jr. &#8211; Washington Post &#8211; O Globo
Quase todo mundo tem uma interpretação diferente para o que realmente significa a vitória de Barack Obama. Por isso, o presidente eleito deve tomar cuidado com os conselhos que recebe. Os piores virão de seus adversários conservadores, o pessoal que o chamou de socialista poucos dias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/eua-governo-precisara-de-ousadia/8423/" rel="attachment wp-att-8423" title="obama_noir.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/obama_noir.jpg" alt="obama_noir.jpg" width="551" height="370" /></div>
<p></a></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>E. J. Dionne Jr. &#8211; Washington Post &#8211; O Globo</strong></p>
<p>Quase todo mundo tem uma interpretação diferente para o que realmente significa a vitória de Barack Obama. Por isso, o presidente eleito deve tomar cuidado com os conselhos que recebe. Os piores virão de seus adversários conservadores, o pessoal que o chamou de socialista poucos dias antes da eleição e que, agora, passou a dizer que ele só ganhou porque se mostrara conservador.</p>
<p>Os mais velhos entre eles declararam após as eleições de 1980 que os 51% de votos de Ronald Reagan representavam uma revolução ideológica, mas argumentam agora que a ampla margem obtida por Obama não terá implicações filosóficas.</p>
<p>Esses conservadores estão tentando, na verdade, impedir Obama de cumprir algumas promessas de campanha: acesso universal à saúde, redistribuição da carga tributária, retirada americana do Iraque, e a criação de mecanismos mais robustos de regulação econômica. O argumento é que os EUA ainda são um país de “centro-direita”, porque há mais americanos que se consideram conservadores do que os que se acham liberais.</p>
<p>O que essas análises ignoram é que os americanos se voltaram ainda mais para a esquerda de onde estavam há quatro, oito ou dez anos.</p>
<p>O desejo da população por mais ações do governo na economia, na garantia do sistema de saúde, e o ceticismo em relação à desregulamentação do mercado sugerem que temos agora um país moderado e que sinaliza cuidadosamente para a esquerda. Mas, fundamentalmente, somos uma nação não-ideológica. Muitos dos que gostariam de ver o governo agindo com mais ousadia não se identificam com ideologias e ainda precisarão ser convencidos da capacidade deste novo governo.</p>
<p>Neste ponto, temos uma semelhança com o período Reagan.</p>
<p>Assim como o 40º -presidente, Obama recebeu autorização para se movimentar em uma outra direção. Se Reagan teve dos eleitores a permissão para se mover para o liberalismo, Obama tem agora o aval para se afastar das políticas mais conservadoras. Reagan foi julgado por suas escolhas, Obama também será.</p>
<p>Reagan também nos oferece uma outra lição: suas primeiras movimentações no governo foram ousadas, e Obama não deve ter medo de seguir esse exemplo.</p>
<p>Na verdade, timidez é um perigo bem maior que ousadia, porque é muito mais fácil ser cauteloso. E qualquer um que ache que os democratas são de extrema-esquerda não os têm observado nos últimos dois anos. Como disse a líder do partido na Casa, Nancy Pelosi, os democratas incluem esquerdistas empedernidos e moderados resolutos. Ela reconhece que o partido não cresceu em 2006 esposando idéias de extrema-esquerda.</p>
<p>Isto é verdade, e sublinha o fato de que para ser ousado não é preciso ser ideológico.</p>
<p>Isso é algo que o chefe de Gabinete do futuro governo, Rahm Emanuel, entende. Ele já disse ver Obama atuando especialmente em quatro grandes áreas que preocupam a classe média que “está trabalhando mais, aprendendo menos e pagando mais”: saúde, energia, reforma tributária e educação. Em todos esses temas, Obama não pode ter medo de ser audacioso.</p>
<p>Daqui para frente, Obama poderá passar seu tempo se perguntando como agir somente preocupado com erros, ou se ocupando das mudanças realmente necessárias.</p>
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		<title>Duas visões da vitória de Obama</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 21:01:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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por Luiz Weis &#8211; Verbo Solto
Deu nos jornais. Há poucas semanas, a deputada republicana Michele Bachmann, de Minnesota, disse na televisão que estava “muito preocupada” com a possibilidade de Obama ter “idéias anti-americanas”. No dia seguinte à eleição, ela se declarou “extremamente grata por termos um presidente afro-americano”. A vitória de Obama, exultou, “foi um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/duas-visoes-da-vitoria-de-obama/8414/" rel="attachment wp-att-8414" title="obama_bandeira.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/obama_bandeira.jpg" alt="obama_bandeira.jpg" /></div>
<p></a></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>por Luiz Weis &#8211; <a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id_blog=3">Verbo Solto</a></strong></p>
<p>Deu nos jornais. Há poucas semanas, a deputada republicana Michele Bachmann, de Minnesota, disse na televisão que estava “muito preocupada” com a possibilidade de Obama ter “idéias anti-americanas”. No dia seguinte à eleição, ela se declarou “extremamente grata por termos um presidente afro-americano”. A vitória de Obama, exultou, “foi um tremendo sinal que nós mandamos.”</p>
<p>Se fosse mais uma das incontáveis cenas explícitas de adesismo que os políticos se permitem o tempo todo em toda parte (Mangabeira Unger e Eduardo Paes em relação a Lula, por exemplo, guardadas as devidas), o episódio não serviria de gancho para espetar nele um comentário – ou uma provocação – sobre o que parece a este blogueiro um dos aspectos mais interessantes da eleição americana de que a imprensa mundial se ocupou, com pencas de fatos e argumentos, mas, salvo engano, sem parar para discuti-los.</p>
<p>A deputada, a rigor, não aderiu a Obama. O que ela queria, segundo uma interpretação, era “não ficar no lado errado da história”. Isso deve ser verdade também para aqueles americanos que, a julgar por suas manifestações dos últimos dias, sonhavam desde criancinha com a eleição de um negro para a Casa Branca – e com os quais não se devem confundir os milhões de pessoas, dentro e fora dos Estados Unidos, que torciam ardentemente por ele e acham que o mundo ficou melhor depois da maior das terças-feiras da história da América.</p>
<p>Mas não é nem disso que se trata exatamente. O ponto – que remete aos tais fatos e argumentos que inundaram a mídia, sem que ela os tivesse posto em debate – está no fecho da fala da senhora Bachmann.</p>
<p>Repetindo: “Foi um tremendo sinal que nós enviamos”.</p>
<p>Então lá vai: “Nós” quem, cara-pálida?</p>
<p>”Nós”, evidentemente, seriam os Estados Unidos da América – os seus valores de berço com os quais o país, sem distinções, se reencontrou elegendo Obama. Não foi ele próprio quem disse, no discurso de vitória, que a América “é o lugar onde tudo é possível”?</p>
<p>Ou, no título do editorial da edição do último domingo do Observer, de Londres: “A América restaurou a fé mundial nos seus ideais”.</p>
<p>Aceitar esses enunciados pelo seu valor de face implica, primeiro, passar batido pelo fato de que esses ideais – “democracia, liberdade, oportunidade e inabalável esperança”, Obama, no mesmo discurso – conviveram durante 76 anos (de 1787, quando foi promulgada a Consitutição de Filadélfia, a 1863, quando acabou a Guerra Civil) com a escravidão legal e, depois, durante mais de um século com a segregação racial, aberta ou disfarçada, em muitas partes da América.</p>
<p>É fato histórico que, entre abolir a escravidão e garantir a unidade das 13 colônias que viriam a formar os Estados Unidos, os “pais fundadores” escolheram a unidade.</p>
<p>É fato histórico ainda que eles adotaram um sistema político – o do voto majoritário, ou distrital, para a eleição do Congresso, combinado com a escolha em última análise indireta do presidente da República – concebido para barrar a ascensão ao poder das minorias, quaisquer que fossem. E adotaram um sistema eleitoral feito para desestimular os mais pobres a votar [“O voto americano visto do Brasil”, neste blog].</p>
<p>Mas é fato histórico também que, em matéria de liberdades individuais, a começar da mais essencial delas, a de expressão, nenhum país iguala os Estados Unidos.</p>
<p>O país, escreveu na semana passada o historiador holandês Ian Buruma, “representa o que o combalido mundo ocidental tem de melhor e de pior”. Pura verdade.</p>
<p>Em segundo lugar e mais prosaicamente, aceitar o enunciado de que “a América” elegeu Obama faria sentido se ele devesse a sua vitória a uma maioria homogênea, ou quase isso, de eleitores. Não foi assim: quem deu a Obama 65,4 milhões de votos (ante 57,4 milhões para McCain) foi uma determinada América – a coalisão de negros, jovens, mulheres e hispânicos das grandes cidades.</p>
<p>As pesquisas de boca-de-urna (depois da votação) revelaram que votaram em Obama 95% dos negros, 70% dos moradores das metrópoles, 66% dos jovens de 18 a 29 anos – o grande exército mobilizador de recursos e eleitores, via internet –, 66% também dos hispânicos e 56% das mulheres.</p>
<p>A propósito, dos eleitores de primeira viagem, 7 em 10 votaram em Obama.</p>
<p>Se dependesse apenas do voto masculino, não se sabe no que daria a eleição. Foram 49% para Obama, 48% para McCain. Se dependesse apenas do voto branco, daria McCain por 55% a 43%. Embora, proporcionalmente, mais homens brancos votaram em Obama do que em qualquer outro candidato democrata desde Jimmy Carter (1974), Bill Clinton incluído.</p>
<p>Além disso, Obama ganhou no Nordeste, no Meio-Oeste e no Oeste. Perdeu no Sul (Arkansas, Oklahoma, Louisiana, Tennessee, Missisippi, Alabama, Georgia e Carolina do Sul), embora tivesse obtido uma vitória histórica – com perdão pelo adjetivo – na Carolina do Norte.</p>
<p>A coalisão pró-Obama foi também uma coalisão de motivações – o que a ênfase no “voto da América” que percorre a mídia torna mais difícil discernir.</p>
<p>Os negros votaram em Obama, antes de tudo, porque era o primeiro deles escolhido candidato por um dos dois grandes partidos nacionais, portanto o primeiro a ter chances reais de chegar lá.</p>
<p>O mestiço Obama, no Brasil, seria mulato. Nos Estados Unidos de duas cores, negro. E, como tal, os negros o encamparam. Perguntado, depois da vitória, se preferia se referir a Obama como meio-branco e meio-negro, ou simplesmente negro, um barman de Washington respondeu: “Negro. Porque significa mais.”</p>
<p>Não menos revelador – e neste caso também por relativizar a teoria de que “a América” elegeu Obama – foi um comentário recolhido pelo correspondente do Globo em Washington, José Meirelles Passos, em Birmingham, Alabama.</p>
<p>“Sempre houve, no fundo, a sensação de que os negros não podiam ser parte do povo americano, e muito menos do sonho americano”, disse-lhe Jacqueline Wood, diretora-assistente do Programa de Estudos Afro-Americanos da Universidade do Alabama. “Nós estávamos sentados na cozinha. Agora passamos para a sala de visitas.”</p>
<p>Os jovens votaram em Obama principalmente por se identificar com o mais inspirador (“Yes, we can”) dos políticos americanos desde John Kennedy e decerto o mais singular deles: pelas origens, trajetória, personalidade, estampa – e coolness.</p>
<p>Também junto às mulheres funcionaram as suas “armas de atração em massa”. Com uma particularidade que, de novo salvo engano, só foi destacada na imprensa graças a um artigo no New York Times da sexta-feira, 7, pelo sociólogo jamaicano Orlando Patterson, da Universidade Harvard.</p>
<p>”Essa campanha, de maneira notável, foi uma reencenação da inteira e entrelaçada luta de negros e mulheres pela inclusão política”, observou. “A primeira vez que rejeitaram o seu confinamento ao papel de virtuosa maternidade na esfera privada no início da República foi ao liderar o combate muito público pela abolição da escravatura.”</p>
<p>As conquistas negras sempre pressagiaram os avanços femininos, lembra Patterson, “embora não sempre pelos motivos mais nobres”. Ou seja, o movimento pela emancipação das mulheres se nutria da seguinte rationale: afinal, se os negros podem votar, podem encontrar na lei proteção contra a discriminação e disputar cargos eletivos, por que não nós, mulheres?</p>
<p>A partir dos anos 1980, pela primeira vez desde que passaram a ter direito ao voto, as mulheres passaram a votar proporcionalmente mais do que os homens e em candidatos comparativamente mais progressistas.</p>
<p>”Em termos demográficos crus, o mais importante fator da vitória de Obama foi a margem de 13 pontos a seu favor no eleitorado feminino”, assinala o sociólogo.</p>
<p>De fato, a vantagem de Obama foi relativamente maior entre os mais jovens. Mas estes são apenas 18% do eleitorado. Vale para os hispânicos: como os jovens, 2 em cada 3 deles votaram em Obama; mas representam somente 8% do eleitorado. Já as mulheres (56% pró-Obama) pesaram mais porque são 53% do eleitorado.</p>
<p>E os trabalhadores brancos, aqueles a quem, nas prévias do Partido Democrata, e no seu pior momento, Hillary Clinton pediu o voto com uma mensagem que se curvava ao seu preconceito (”Hard-working Americans; White hard-working Americans…”)? O que levou sabe-se lá quantos deles a votar em Obama?</p>
<p>A resposta, numa palavra, parece ter sido a crise. Como se tivessem posto num dos pratos da balança o medo de ter um presidente negro, no outro o medo de ter um presidente branco incapaz de salvá-los do naufrágio econômico.</p>
<p>O New York Times ouviu um deles, no subúrbio de Levittown, Pensilvânia (Estado em que McCain investiu pesadamente, em vão, na reta final da campanha). O técnico em ar-condicionado Joe Sinitski disse ao repórter Michael Sokolove:</p>
<p>”Durante muito tempo eu não podia ignorar o fato de que Obama é negro, se é que me entende. Não me orgulho disso, mas fui criado a pensar que não há negros bons. Eu podia ver que ele é muito inteligente, e isso conta para mim, mas meu instinto ainda era o de fechar com o branco. Mas, quando ele escolheu [a governadora do Alasca] Sandra Palin para vice, com todos os problemas que a gente tem, isso não mostrou inteligência da parte de McCain. Não dizia coisa boa dele em geral.”</p>
<p>O interesse próprio prevaleceu sobre o racismo, em suma.</p>
<p>O que vai acontecer com o racismo americano não se pode prever. O lugar-comum que se encontra numa página dos jornais e na outra também é que o próprio triunfo de Obama – e a sua repercussão mundial sem paralelo – funciona por si só como um breve contra o preconceito.</p>
<p>Tomara. Afinal, o homem tem uma capacidade única de fazer com que as pessoas ponham para fora o que têm de melhor. A euforia dos europeus, por exemplo, é o reverso da medalha da hostilidade européia aos imigrantes, principalmente de pele escura.</p>
<p>Mas, nos Estados Unidos, há apenas quatro meses uma pesquisa nacional mostrou que apenas 30% dos eleitores brancos diziam ter uma opinião favorável de Obama. E mais: cerca de 60% dos entrevistados negros – e não mais de 34% dos brancos – achavam que as relações raciais no país são em geral ruins.</p>
<p>A pesquisa revelou que muitos padrões raciais na sociedade americana permanecem intocados nos anos recentes. Muito pouco mudou no componente racial da vida cotidiana no país desde 2000, quando o New York Times publicou uma série de reportagens intitulada “Como a raça é vivida na América”.</p>
<p>Exemplo: mais de 40% por cento dos negros americanos acham que foram parados pela polícia por causa da cor de sua pele, a mesmo índice de respostas da pesquisa de oito anos atrás.</p>
<p>”Devagar com o andor pós-racial”, escreveu na Folha o correspondente Sérgio Dávila. “Os Estados Unidos mudaram, os novos eleitores e os eleitores novos ajudaram a eleger Barack Obama – mas foi preciso uma crise econômica sem precedentes e o equivalente ao gênio negro na política concorrendo para que isso acontecesse.”</p>
<p>Toda eleição, obviamente, tem a sua circunstância. A desta, nos Estados Unidos, se chamou George W. Bush, atolando americanos em duas guerras, nos maiores índices de pobreza e desigualdade desde os impropriamente chamados Anos Dourados (a década de 1920), e, enfim, no colapso financeiro e na recessão.</p>
<p>Foi o que decidiu a parada em favor de Obama. Antes do derretimento de Wall Street, não custa lembrar, ele e McCain estavam cabeça a cabeça nas pesquisas.</p>
<p>Então, uma coisa é dizer que Obama encarna o que a América tem de melhor ou que a América ficou melhor com a sua vitória. Outra coisa é dizer que o resultado eleitoral comprova a excepcionalidade dos Estados Unidos, o poderio incomparável de seus valores.</p>
<p>A imprensa ficou devendo um debate sobre essas duas visões – um debate, em suma, sobre a democracia na América.</p>
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		<title>O triunfo de uma nação</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 17:35:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Dorrit Harazim &#8211; O Globo
Na noite em que Franklin D. Roosevelt obteve colossal vitória sobre o adversário republicano Herbert Hoover, em meio à Grande Depressão que engolia os Estados Unidos em 1932, o 32º presidente eleito fez uma confidência rara ao mais velho de seus 6 filhos: — Ao longo da minha vida, eu tive [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.huffingtonpost.com/huff-wires/20081008/obama/images/49da8fa4-8ee2-467f-b24e-1075616b153d.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www.huffingtonpost.com/huff-wires/20081008/obama/images/49da8fa4-8ee2-467f-b24e-1075616b153d.jpg" width="256" height="385" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Dorrit Harazim &#8211; O Globo</strong></p>
<p>Na noite em que Franklin D. Roosevelt obteve colossal vitória sobre o adversário republicano Herbert Hoover, em meio à Grande Depressão que engolia os Estados Unidos em 1932, o 32º presidente eleito fez uma confidência rara ao mais velho de seus 6 filhos: — Ao longo da minha vida, eu tive medo de apenas uma coisa, Jimmy: de incêndio.</p>
<p>(Roosevelt tinha os membros inferiores paralisados e vivia numa cadeira de rodas). Mas hoje acho que sinto medo de algo mais.</p>
<p>— De quê, pai? — Medo de talvez não ter a força necessária para dar conta da tarefa.</p>
<p>Como se sabe, Roosevelt deu conta, e o país se reencontrou como nação para encarar a Segunda Guerra mundial.</p>
<p>Na madrugada de anteontem, perante uma América de todas as raças que se sentia dona de sua própria História, o 44º presidente eleito Barack Hussein Obama festejou: — Esta vitória em si não basta para trazer a mudança que buscamos — ela é apenas o meio&#8230; Talvez leve um ano, talvez mais do que um só mandato&#8230;.</p>
<p>Mas nunca me senti mais esperançoso do que esta noite de que chegaremos lá.</p>
<p>Surpreendentemente, seu tom não era exultante. Era sóbrio e comedido.</p>
<p>Já para a multidão que acompanhava o discurso no Grant Park de Chicago com expressão de alumbramento, tudo, por um instante, pareceu possível — inclusive Obama sair dali caminhando sobre as águas.</p>
<p>Nessa jornada dos Estados Unidos ao encontro de sua História, o país escolheu ser conduzido por um homem cujo sobrenome (Obama), como já foi apontado, lembra o de um terrorista do Oriente Médio; e o nome do meio (Hussein) evoca o do ditador derrubado; e cujo prenome (Barack) rima com Iraque. Difícil inventar algo mais esdrúxulo para o paladar americano.</p>
<p>Mas é esse filho de mãe sulista branca e pai negro queniano, criado no Havaí por avó materna e deslocado para a Indonésia islâmica na juventude — tudo isso antes de procurar sua negritude na periferia de Chicago e se formar em Direito por Harvard — que acaba de receber do rapper Jay-Z a saudação definitiva: — Rosa Parks tomou assento para que Martin Luther King pudesse marchar. Martin Luther King marchou para que Obama pudesse correr. E Obama correu para que pudéssemos voar. O novo presidente é um brother.</p>
<p>A eleição de Obama vem tão carregada de simbolismos que cada um pendura nela o que quiser. Ela tem um efeito cascata que ultrapassa o universo do negro e sua “liberdade de voar”. Também o menino hispânico, a imigrante asiática, ou qualquer cidadão que não nasceu anglo-saxão mas tem na América o chão em que pisa todos os dias haverá de lembrar-se do dia em que Barack Obama foi eleito.</p>
<p>Obama expandiu a noção de pátria</p>
<p>A força por trás da vitória do candidato democrata pouco tem a ver com suas propostas políticas, posições ideológicas ou qualificação específica para o cargo de comandante-emchefe da nação mais poderosa do mundo. O que ele tem a oferecer, por enquanto, é o poder da imagem, o impacto de sua figura como retrato oficial dos Estados Unidos da América.</p>
<p>Para os povos que viveram as últimas décadas com motivos para demonizar o colosso americano, a troca do olhar furtivo de George W. Bush pelos traços mais universais de Barack Obama é tudo, menos cosmética. Ao contrário de seus antecessores, cujo lugar na História dependeu dos rumos que imprimiram a seus mandatos, Obama já garantiu sua cadeira cativa antes mesmo de ser empossado: pelo simples fato de ter sido eleito, ele já redefiniu o que é ser americano. Expandiu a noção de pertencimento, de cidadania, de pátria e de nação. Ou melhor, foram os eleitores que viram nele a possibilidade de redesenhar essas fronteiras.</p>
<p>De resto, a persona política do senador do Illinois continua engenhosamente indecifrável, e, portanto, sem arestas definidas, como lhe convém.</p>
<p>Para a geração que se perdeu entre a Guerra do Vietnã e o colapso de Wall Street essa indefinição vem a calhar, pois permite comparar o fenômeno eleitoral Barack Obama ao rastilho de voluntariado nacional desencadeado por John F. Kennedy em 1960.</p>
<p>Semelhanças com Kennedy</p>
<p>À primeira vista, nada a ver, pois o jovem senador de Massachusetts (40 anos incompletos, quando disputou a Casa Branca) já nascera milionário, caucasiano, era filho de patriarca em cujas veias corria poder. Mas ambos não passavam de calouros na política e disputaram a indicação partidária com senadores escaldados — Lyndon Johnson e Hubert Humphrey, no caso de Kennedy; Hillary Clinton no caso de Obama. Ambos, formados por Harvard, irromperam no cenário nacional de forma inesperada, tomando a palavra numa convenção partidária.</p>
<p>E Kennedy nascera católico, o que, para a América de 50 anos atrás, parecia impedimento político semelhante, senão maior, do que ser negro na América de hoje (à época, a hipótese de algum dia vir a existir um candidato negro sequer era aventada).</p>
<p>Nenhum dos dois se notabilizou por oferecer ao eleitor um plano de governo detalhado nem posições claras sobre questões pontuais de época.</p>
<p>Mas ambos perseguiram com teimosia uma visão de esperança na vida e confiança na capacidade de julgamento do eleitor. Ted Sorensen, conselheiro e braço-direito de JFK por 11 anos, conta que Lyndon Johnson ficou tão desconcertado com as adesões que Kennedy arrebanhava por onde passava que instruiu um assessor a espionar a campanha do adversário: “Descubra qual é o segredo dele, sua estratégia, suas fraquezas”.</p>
<p>Não adiantou. Só Kennedy tinha intuído que a nação americana aspirava por mudança.</p>
<p>Era um desejo vago, difícil de ser computado, uma vez que o presidente em exercício , Dwight Eisenhower, era um dos mais populares desde Franklin D. Roosevelt. Mas a intuição era certa.</p>
<p>Na eleição de 2008, a aspiração de mudança esteve escancarada o tempo todo, ao alcance de qualquer candidato.</p>
<p>Apenas um, Barack Hussein Obama, teve a audácia de convidar a nação a derrubar a sua fronteira mais enraizada. Pode ser uma jornada rumo ao desconhecido.</p>
<p>Mas ela não tem volta. A isso pode se chamar fazer História.</p>
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		<title>EUA: Democratas querem mais Estado</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 13:30:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Damian Paletta, The Wall Street Journal, de Washington &#8211; VALOR
Os deputados do Partido Democrata planejam usar a maioria ampliada nas eleições desta semana para aprovar o mais rápido possível um papel mais preponderante do governo americano nos mercados financeiros, incluindo maiores direitos para os acionistas, mais restrições no pacote de socorro de US$ 700 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/eua-democratas-querem-mais-estado/8315/" rel="attachment wp-att-8315" title="democratic_party.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/democratic_party.jpg" alt="democratic_party.jpg" /></div>
<p></a> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/eua-democratas-querem-mais-estado/8314/" rel="attachment wp-att-8314" title="democratic_party.png"> </a></p>
<p style="background-color: #ffff99">Damian Paletta, The Wall Street Journal, de Washington &#8211; VALOR</p>
<p>Os deputados do Partido Democrata planejam usar a maioria ampliada nas eleições desta semana para aprovar o mais rápido possível um papel mais preponderante do governo americano nos mercados financeiros, incluindo maiores direitos para os acionistas, mais restrições no pacote de socorro de US$ 700 bilhões e a criação de uma agência federal para vigiar riscos sistêmicos à economia.</p>
<p>O presidente da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara, o democrata Barney Frank, comparou a criação dessa autoridade ao estabelecimento da SEC, a comissão de valores mobiliários americana, durante a Grande Depressão nos anos 30. Ele disse que os democratas planejam pressionar agressivamente por essas medidas e chamou o resultado das eleições de terça-feira de um repúdio às críticas de que o país estava adotando uma política exageradamente intervencionista no livre mercado.</p>
<p>&#8220;Esse argumento foi desacreditado pela realidade&#8221;, disse Frank ao Wall Street Journal.</p>
<p>O colapso da Lehman Brothers Holdings Inc. e o quase colapso da American International Group Inc. estremeceram os mercados financeiros e expuseram brechas na vigilância feita pelo governo. Esses acontecimentos também aceleraram as negociações para a criação de um tipo de &#8220;super policial&#8221; do mercado.</p>
<p>&#8220;Acho que uma agência de vigilância do risco sistêmico para todas as empresas que agora são cobertas pela regulamentação bancário é o ponto principal&#8221;, disse Frank.</p>
<p>O setor bancário americano já se prepara para um 2009 difícil, e as perspectivas ficaram um pouco piores anteontem à noite quando um de seus principais aliados, o deputado republicano Tom Feeney, da Flórida, não conseguiu se reeleger. Feeney defendeu com afinco o setor bancário durante a crise econômica e estava na rara posição de integrar tanto a Comissão de Serviços Financeiros quanto a Judiciária.</p>
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		<title>Equilíbrio entre negros e brancos</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 12:25:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Mestiço com raízes em vários continentes, Obama enfrentou acusações sem negar sua origem
Gilles Lapouge* &#8211; O Estado SP
O 44º presidente dos Estados Unidos é negro. E o planeta inteiro, das choupanas do Quênia e das favelas do Senegal, até os círculos mais seletos de Paris, está maravilhado.
Os rostos que desfilaram pelas telas no mundo inteiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/equilibrio-entre-negros-e-brancos/8312/" rel="attachment wp-att-8312" title="obama_comiciony.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/obama_comiciony.jpg" alt="obama_comiciony.jpg" width="551" height="277" /></div>
<p></a></p>
<p><strong>Mestiço com raízes em vários continentes, Obama enfrentou acusações sem negar sua origem</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Gilles Lapouge* &#8211; O Estado SP</strong></p>
<p>O 44º presidente dos Estados Unidos é negro. E o planeta inteiro, das choupanas do Quênia e das favelas do Senegal, até os círculos mais seletos de Paris, está maravilhado.</p>
<p>Os rostos que desfilaram pelas telas no mundo inteiro eram belos, com risos e soluços ao mesmo tempo. Eram dos negros de Chicago, do Harlem, encantados e incrédulos ao mesmo tempo. Às vezes, os olhos de uma velha senhora negra que parecia recém-chegar dos campos de algodão do Alabama perdiam-se naquele mar de gente, como se sua memória revivesse o sofrimento de seu povo, desde os tempos do pelourinho até o momento da chegada de um negro à Casa Branca.</p>
<p>A fisionomia de outros negros, aqueles de Dacar ou do Quênia, dos subúrbios agressivos de Paris ou Londres, narra uma outra história. Eles estão orgulhosos e radiantes, como se o acesso desse homem negro ao topo do país mais poderoso do mundo fosse uma &#8220;redenção&#8221;, abrindo a porta da História a povos que jamais foram &#8220;sujeitos da História, mas objetos, vítimas, espectadores passivos e martirizados da História&#8221;.</p>
<p>Mas o verdadeiro triunfo de Obama é que sua vitória foi também a dos latinos e dos brancos dos Estados Unidos. Obama evitou, com elegância, com a leveza de uma borboleta, todas as armadilhas. Mestiço, teve de manter um equilíbrio quase impossível entre dois precipícios: o de ser um mestiço renegando sua parte branca ou um mestiço rejeitando sua parte negra.</p>
<p>O exercício não era simples. No início, ele quase caiu: os líderes negros históricos não viram com bons olhos o jovem elegante, ágil como um felino, um intelectual chique, formado nas melhores universidades brancas. Não era nem mesmo um descendente de escravos. Além do mais, ainda pretendia se tornar o primeiro negro presidente dos EUA. Que arrogância! No começo da campanha, ao final de uma reunião, e sem saber que o microfone ainda estava ligado, o reverendo Jesse Jackson, um personagem valioso, mas um veterano do &#8220;black power&#8221; e do &#8220;black is beautiful&#8221;, perguntou: &#8220;De onde saiu esse sujeito? Vamos cortar os seus colhões.&#8221;</p>
<p>Mas não cortaram. Primeiro, por causa de sua virtuosidade. Obama ziguezagueou como se estivesse num esqui, com essa agilidade de felino, entre os obstáculos colocados no seu caminho. E se definiu não como mestiço, mas como negro. Ao mesmo tempo, soube guardar os laços com as duas margens do seu destino e estabelecer uma ponte entre as duas.</p>
<p>Obama é uma genealogia da espécie humana. Sua família vem de quatro continentes. Filho de pai queniano e muçulmano, educado na Indonésia, depois no Havaí, seus avós estavam um pouco por toda a parte. Ele representa, tão somente pelo seu nascimento, um tipo humano inédito, da modernidade.</p>
<p>O planeta entrou na era da globalização não só no campo da economia, mas sobretudo no plano das mentalidades, das culturas. E caminha na direção da aldeia planetária profetizada por McLuhan. Nessa aldeia global, Obama ocupa um posto avançado. Ao mesmo tempo, permite que seu país, tão preso na sua &#8220;brancura agressiva&#8221;, volte a ocupar seu lugar no coração da modernidade. Essas são verdades que Barack Obama soube fazer americanos e o mundo compreenderem. O momento crucial da sua campanha foi em março, quando foi atacado pelo campo adversário, tentando apresentá-lo como o &#8220;candidato contrário aos brancos&#8221; e chamando atenção para suas relações com o pastor Jeremiah Wright, conhecido por suas posições racistas.</p>
<p>O ataque foi terrível. Atingido no ponto mais vulnerável, Obama reagiu de imediato. Em 18 de março, pronuncia um discurso na Pensilvânia e aborda o tema da raça, que até então tinha cuidadosamente evitado.</p>
<p>Nesse dia, vimos que Obama era um grande intelectual e, sem dúvida, o melhor orador político da história dos EUA. Ele condenou o &#8220;bloqueio racial&#8221; que paralisa e corrompe o país (e o mundo), dividido entre a agressividade branca e o &#8220;comunitarismo&#8221; das minorias negras e outras. Teria sido arrancado, nesse dia, o sinistro ferrolho que parecia fechar para sempre a livre circulação entre a comunidade negra e as outras? Seis meses depois, os brancos expressaram seu apoio entusiasmado ao negro Obama.</p>
<p>O desempenho impecável de Obama no campo minado do racismo não diz respeito apenas aos EUA. Foi ao povo negro em sua totalidade, e além das fronteiras americanas, que ele dirigiu seu discurso de 18 de março. Nada será mais terrível do que uma falsa interpretação, pelos negros fora dos EUA, da ascensão de um negro à Casa Branca.</p>
<p>Um novo capítulo da História se inicia. Mas não vamos nos iludir: o caminho será difícil, repleto de ardis, armadilhas e minas, muitas vezes prestes a se afundar. Será preciso muita prudência e talvez de um pouco de genialidade para Obama e os Estados Unidos não caírem no abismo. O fantástico salto dado pelos Estados Unidos que, depois de oito anos de descrédito, bobagens e vergonha, que foram os dois mandatos de George W. Bush, coloca um negro na sua presidência e deixa a porta aberta para a esperança.</p>
<p><strong>*Gilles Lapouge é correspondente em Paris </strong></p>
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		<title>Após 145 anos, finalmente acabou a Guerra Civil</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 12:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Obama terá dificuldades, mas poderá ser um dos grandes presidentes da história americana
Thomas L. Friedman, The New York Times * &#8211; O Estado SP

Aconteceu que, em 4 de novembro de 2008, pouco após as 22 horas (horário da costa leste dos EUA), a Guerra Civil americana acabou quando um negro &#8211; Barack Hussein Obama [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Obama terá dificuldades, mas poderá ser um dos grandes presidentes da história americana</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Thomas L. Friedman, The New York Times * &#8211; O Estado SP</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.express.co.uk/img/dynamic/1/x190/69527_5.jpg" alt="http://www.express.co.uk/img/dynamic/1/x190/69527_5.jpg" /></div>
<p>Aconteceu que, em 4 de novembro de 2008, pouco após as 22 horas (horário da costa leste dos EUA), a Guerra Civil americana acabou quando um negro &#8211; Barack Hussein Obama &#8211; recebeu uma votação suficiente para se tornar presidente.</p>
<p>A Guerra Civil que, até certo ponto, foi decidida pela Batalha de Gettysburg, Pensilvânia, em 1863, terminou 145 anos mais tarde pelas urnas nesse mesmo Estado. Pois Obama conquistou a Pensilvânia, crucial para as eleições, garantindo sua vitória.</p>
<p>Em seu Discurso de Gettysburg, o presidente Lincoln instou cada americano a retomar &#8220;o trabalho inacabado que os que aqui lutaram promoveram até agora tão nobremente&#8221;. Entretanto, essa obra ficou inacabada por um século e meio. Pois, apesar de décadas de ativismo social, de intervenções judiciais, de leis em defesa dos direitos civis &#8211; do caso Brown contra a segregação nas escolas, da cruzada de Martin Luther King (&#8221;Eu tenho um sonho&#8221;) e da Lei dos Direitos Civis de 1964 -, não se podia dizer que a Guerra Civil tivesse acabado enquanto a maioria branca dos EUA não elegesse um presidente negro.</p>
<p>Foi o que aconteceu na noite de anteontem, e os americanos acordaram em um país diferente. A luta pela igualdade nunca acaba. Mas agora podemos recomeçar de um novo ponto de partida. Que toda criança, todo cidadão e todo imigrante saiba que deste dia em diante &#8220;tudo é realmente possível nos EUA&#8221;.</p>
<p>Como Obama conseguiu? Provavelmente, foi necessária a crise econômica para que houvesse votos brancos suficientes para eleger um negro. E o jeito calmo de Obama, sua oratória comedida e branda, sua mensagem de &#8220;mudança&#8221; desprovida de ameaças foram elementos que ele soube usar muito bem.</p>
<p>Mas houve também o &#8220;efeito Buffett&#8221;, que derrotou o &#8220;efeito Bradley&#8221; &#8211; pelo qual os eleitores brancos diriam a pesquisadores que votariam em Obama mas votariam no candidato branco. O efeito Buffett foi o contrário: foram os republicanos brancos que afirmaram aos colegas no restaurante masculino do Country Club que votariam em McCain e depois votaram em Obama, mesmo sabendo que isso implicaria aumento de impostos.</p>
<p>Por quê? Alguns fizeram isso porque perceberam que seus filhos concentraram suas esperanças em Obama e não só não quiseram frustrar essas esperanças como secretamente decidiram compartilhá-las. Outros abraçaram intuitivamente as convicções de Buffett segundo as quais, se você é bem-sucedido, é porque teve a sorte de ter nascido nos EUA. Portanto, precisamos mais uma vez arrumar nosso país &#8211; precisamos de um presidente que possa nos unir. Intimamente, também sabiam que, após a atuação desastrosa da equipe de Bush, haveria conseqüências gravíssimas para o Partido Republicano. Eleger McCain agora significaria premiar a incompetência, zombar da confiança no governo e desencadearia uma onda de cinismo nos EUA.</p>
<p>Obama será sempre nosso primeiro presidente negro. Mas conseguirá ser um dos nossos grandes presidentes? Ele terá sua chance, pois nossos maiores presidentes são os que assumiram o cargo nos momentos mais sombrios. &#8220;Assumir em um momento de crise não garante a grandeza, mas pode ser uma oportunidade para alcançá-la&#8221;, disse o especialista em filosofia política Michael Sandel, da Universidade Harvard. &#8220;Foi o que aconteceu com Lincoln, Franklin Delano Roosevelt (FDR) e Truman.&#8221; Entretanto, parte da grandeza de FDR &#8220;foi o fato de ele ter criado uma nova filosofia política aplicada ao governo &#8211; o New Deal &#8211; a partir dos destroços e da desordem política da depressão econômica herdados do antecessor&#8221;. Obama precisará proceder do mesmo modo, mas isso leva tempo.</p>
<p>&#8220;FDR não disputou em 1932 tendo como plataforma o New Deal&#8221;, disse Sandel. &#8220;Seu programa baseava-se no equilíbrio do orçamento. Assim como Obama, ele não assumiu a presidência com uma filosofia de governo claramente elaborada.&#8221;</p>
<p>Bush &amp; Co. não acreditaram que o governo pudesse ser um instrumento do bem comum. Castraram os secretários de gabinete e nomearam incompetentes para cargos importantes. Para eles, a busca do bem comum não passou da busca do interesse próprio. Os eleitores rebelaram-se. Mas houve também uma rebelião contra uma versão democrata tradicional do bem comum &#8211; que é a soma de todos os grupos de interesse que reivindicam sua fatia do bolo.</p>
<p>&#8220;Nesta eleição, o público americano rejeitou esses conceitos mesquinhos de bem comum&#8221;, afirmou Sandel. Mas uma nova política do bem comum não pode dizer respeito apenas ao governo e aos mercados. &#8220;Também terá de dizer respeito a um novo patriotismo &#8211; do que significa ser cidadão&#8221;, disse. O que arrancou os maiores aplausos em seu discurso de agradecimento foi a afirmação de que todo americano terá a possibilidade de freqüentar a universidade desde que preste um período de serviço à nação &#8211; no Exército, nos Peace Corps ou na comunidade. &#8220;A campanha de Obama despertou um idealismo civil, a fome de servir a uma causa maior do que eles próprios.&#8221;</p>
<p>Nada disso será fácil. Mas, de todas as mudanças que a presidência de Obama inaugurará, a ruptura com nosso passado racista será talvez a menor. Há muito trabalho a fazer. A Guerra Civil acabou. É hora de reconstruir.</p>
<p><strong>*Thomas Friedman é colunista </strong></p>
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		<title>A esperança venceu: Obama é o primeiro presidente negro dos Estados-Unidos</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Nov 2008 09:53:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Partido de Obama (Democratic Party) conquista a maioria absoluta no Senado e na Câmara dos Deputados.


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			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><font size="4"><strong>Partido de Obama (Democratic Party) conquista a maioria absoluta no Senado e na Câmara dos Deputados.</strong></font></p>
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		<title>Fazendo história</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 21:44:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Eleitores EUA 2008 -Jim Lo Scalzo for The New York Times
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<div align="center"><em>Eleitores EUA 2008 -Jim Lo Scalzo for The New York Times</em></div>
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		<title>Eua: o mapa eleitoral antes do voto</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 21:32:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[The Electoral Map: Key States
By ADAM NAGOURNEY, JEFF ZELENY AND SHAN CARTER 	  	 		 		    
November 4, 2008 			 	  		          		 			try{ 				var NYTINT = (window.NYTINT &#124;&#124; {}); 				NYTINT.flashQuery = function(){ 					return{ 						pageParams : {}, 						pageParamsFlat : \'?\',						 						init: [...]]]></description>
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<p><cite>By ADAM NAGOURNEY, JEFF ZELENY AND SHAN CARTER</cite> 	  	 		 		    <span class="nointrotext"></span></p>
<p><span class="nointrotext">November 4, 2008</span> 			 	  		          		<script type="text/javascript" charset="utf-8"> 			try{ 				var NYTINT = (window.NYTINT || {}); 				NYTINT.flashQuery = function(){ 					return{ 						pageParams : {}, 						pageParamsFlat : \'?\',						 						init: function(urlFragment){ 							try{ 								var urlStart 	= urlFragment.indexOf(\'#/\'); 								var urlEnd 		= urlFragment.length; 								if(urlStart > 0){ 									urlStart += 2; 									var urlSplits 	= urlFragment.substr(urlStart,urlEnd); 									urlSplits 		= urlSplits.split(\'&#038;\'); 									if(urlSplits){ 										for(var i=0; i < urlSplits.length; i++){ 											var paramSet = urlSplits[i].split(\'=\'); 											if(paramSet != \'\') NYTINT.flashQuery.pageParams[paramSet[0]] = paramSet[1]; 										} 									} 								} 							}catch(error) {}	 						} 					} 				}(); 				NYTINT.flashQuery.init(window.location.href); 			}catch(e){ var flashParams = \'\'; } 			 		</script> 		 			<script src="http://graphics8.nytimes.com/packages/js/multimedia/swfobject.js" type="text/javascript"></script></p>
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