18/08/2008 - 08:42h “Internet terá mais impacto na formação de opinião”

Leia a integra da entrevista do publicitário Washington Olivetto na Folha de São Paulo

(…)

FOLHA - Nestas eleições no Brasil, a internet terá algum eco ou estamos muito distantes do que está havendo na disputa norte-americana?
OLIVETTO - No caso do Obama, o público jovem está sendo atingido por novas mídias. Isso, na realidade americana é maior, mas aqui está acontecendo. As pessoas se encantam com falibilidade, alguém mais coloquial, menos perfeito. Possivelmente, há a percepção de “isso parece mais verdade”. Essa é a grande mudança na comunicação. A relação, que antes era monólogo, agora é diálogo. Quem antes era receptor agora é discutidor e até produtor de mensagem. No Brasil, isso terá algum eco, apesar de que sempre achei nossos políticos muito antigos, defasados. Especialmente em uma eleição municipal, não sei se os candidatos são tão aparelhados a ponto de se modernizar no discurso. Mas algumas manifestações deverão acontecer, apesar de que a internet, nesta eleição, ainda terá mais impacto na formação de opinião do que no voto.

FOLHA - Apesar disso, os candidatos principais estão tentando investir nessa área. Por quê?
OLIVETTO - Se você não investir nisso, demonstra uma anticontemporaneidade, que contamina todo o resto da sua proposta. Como você será um dirigente no mundo moderno se não está atrelado ao mundo moderno? É uma questão de atitude, mais do que o resultado palpável que possa ter com isso em votos.

FOLHA - O que o sr. achou da decisão do TSE de buscar um controle do conteúdo eleitoral na internet?
OLIVETTO - Eles podem até se propor a fazer isso, mas conseguir é praticamente inviável.

(…)

Leia a integra da entrevista na Folha de São Paulo 

17/08/2008 - 13:38h Manual de auto-ajuda

dilma_pimentel_aecio.jpg
A ministra Dilma Russeff, junto com Fernando Pimentel(esq) e Aécio Neves

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

Reza a mais recente lenda eleitoral que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, cumpre uma frenética agenda de palanques para ajudar o PT a eleger seus candidatos a prefeito e vereador.

Depois de muita insistência do partido, o presidente Luiz Inácio da Silva teria “concordado” - contrariado, certamente - em liberar Dilma da regra imposta aos outros ministros, restritos à participação em campanhas nos respectivos domicílios eleitorais, para correr o País para ajudar os petistas a conquistar o coração do eleitorado.

Na mesma toada - menos enfeitada no tocante a devaneios, é verdade - segue o PSDB querendo fazer crer que a presença do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é imprescindível para eleger tucanos aos magotes nesse Brasil varonil.

Aécio desembarcou outro dia em São Paulo para dar seu aval à candidatura de Geraldo Alckmin e, segundo consta, já gravou participação em programas no horário gratuito de mais de 50 candidatos.

Ao fato: Marta Suplicy disparou na dianteira com 15 pontos porcentuais de diferença sem que Dilma pusesse os pés em São Paulo, eleitoralmente falando; na seara tucana, entre as duas últimas pesquisas e a passagem do governador mineiro pela cidade, Alckmin caiu de 31% para 26% na preferência do eleitor.

E o que Aécio Neves tem a ver com isso? Tanto quanto Dilma Rousseff tem a ver com o desempenho de Marta: nada.

Antes que se diga que São Paulo é um caso à parte, combinemos que a assertiva não influi nem contribui para a análise do tema em tela simplesmente porque não quer dizer nada.

Só não se pode afirmar que a presença dos dois pretendentes a presidente nos palanques municipais de Norte a Sul, de Leste a Oeste, é também desprovida de significado porque, no tocante aos respectivos projetos políticos, quer dizer muito.

A oportunidade de aparecer em palanques reais e virtuais durante mais de 40 dias no País inteiro é uma chance de diamante para quem tem muito capital - próprio ou potencialmente transferível -, mas precisa construir popularidade e disseminar sua imagem para poder pensar em 2010 com objetividade.

Não há nada de errado no movimento de ambos. Ao contrário. Dariam o jogo por entregue ao adversário (os internos e os externos, explícitos e ocultos) se não aproveitassem a campanha de 2008 para, como se dizia na esquerda, acumular forças.

Principalmente no caso da ministra, só não fica bem falar à sociedade na base do sinal trocado, tentando transparecer uma força política que não tem, mas nada impede que possa vir a ter.

No presente momento, se alguém ajuda alguém de verdade são os candidatos municipais quando abrem espaço para seus correligionários com pretensão a dirigentes nacionais.

A ministra da Casa Civil e o governador de Minas quando correm o País não o fazem em auxílio a outrem. Se ajuda há, é em prol da causa própria.

Dilma não é “puxadora” de votos - nem sequer viveu a experiência de produzir alguma quantidade deles na vida - muito menos tem o condão de transferi-los, tarefa árdua até para um ás na captura de mentes como o presidente Lula.

Ao fato: em 2006, Roseana Sarney perdeu a reeleição para o governo do Maranhão, a despeito do apoio de um Lula reeleito.

Merece atenção o que disse o cientista político Jairo Nicolau ao jornal Valor dias atrás: “O presidente influencia, mas o que define votos nessas eleições são os temas locais”.

E mesmo assim, alguns referenciais de competência local não conseguiram impor seus pesos nas respectivas províncias no período inicial das campanhas.

Dois fatos: no mais conhecido, Aécio Neves com mais de 80% de avaliação positiva e o prefeito Fernando Pimentel, popular na casa dos 70%, ainda não fizeram seu candidato sair do terceiro lugar.

No menos, a candidata do PT em Natal tem o apoio de Lula, do presidente do Senado, da governadora, do prefeito, todos maravilhosamente bem avaliados, mas está levando um baile de 20 pontos da adversária sustentada por uma esquisita aliança do PV com o DEM.

Ora, sendo o eleitor um imprevisível, pode virar um rebelde diante de imposições muito explícitas.

Ubaldo

Mãe de criação da paranóia no mundo dos negócios e da política, a grampolândia desenfreada tem deixado espíritos habitualmente atormentados em petição de miséria.

O governador José Serra, por exemplo. Se o assunto requer reserva, põe o indicador sobre os lábios pedindo silêncio e aponta para as paredes em volta sinalizando cuidado com escutas ambientais.

Há quem já tenha presenciado Serra pedir ao interlocutor que retirasse o chip do celular antes de conversar.

Fernando Henrique Cardoso contou o caso a um deputado, mas ele achou a coisa com jeito de intriga da oposição. Até conferir com dois secretários do governo de São Paulo, que confirmaram a história.

12/08/2008 - 10:37h Tio Patinhas para presidente!

http://marimontenegro.files.wordpress.com/2007/09/tio-patinhas.jpgA questão “boba” de Merval Pereira, comentarista do jornal Globo, vale seu peso em ouro. Após a Revolução francesa prevaleceu durante alguns anos o voto censitário: só tinha direito a votar e a serem votados os cidadãos detentores de propriedade. Finalmente foi abolido e substituído pelo voto universal, porém do qual as mulheres eram excluídas, corrigido só em 1947.

A filosofia de Merval é que se o candidato não conseguiu acumular um certo patrimônio é que é… ruim!

Trata-se de uma variante de “como pode ser presidente, se não tem diploma?”. Só que após Lula, o metalúrgico sem diploma e sem patrimônio, estar dando aula de gestão econômica, a “filosofia” mervalística soa como burrada monumental.

Talvez Merval deveria sugerir a AMB uma nova lista suja, a dos candidatos pobres. Só rico poderia ser candidato o que pressupõe (segundo a filosofia Merval) que a acumulação de dinheiro ou patrimônio é prova de capacidade a gerir as finanças públicas. Dantas que o diga!

Aqui vai a pérola de Merval:

“Já que estamos falando de eleições para prefeitos, chamou minha atenção a declaração de patrimônio de Alessandro Molon, o candidato petista: ínfimos R$11.161. Por pouco não repete Garotinho, que declarou patrimônio zero. Chegar a essa altura da vida com um patrimônio desses, vindo de uma família de classe média, em vez de mostrar a “honestidade”, só depõe contra a capacidade de Molon de gerir as próprias finanças e, em conseqüência, as finanças públicas.

O que pode ser uma questão boba, talvez reflita a visão do brasileiro — de que ser pobre é ser honesto, e ser rico é negativo. Diferentemente, a cultura anglo-saxônica faz com que aqui, nos Estados Unidos, poder mostrar um bom patrimônio signifique que o político foi exitoso em seus negócios particulares, o que é uma boa indicação, não uma falha”. Merval Pereira - O Globo

07/08/2008 - 09:04h PT não é página virada do folhetim

estrelita.gif

VALOR

O PT não pode simplesmente desconhecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e partir para uma carreira solo em 2010, lançando um candidato a presidente que não tenha o referendo e o apoio do atual chefe-de-governo - essa é uma opinião dominante. Não está claro, todavia, se o presidente Lula tem, sozinho, o condão de levar um candidato à sua sucessão à revelia de seu partido.

O PT não é o partido dos sonhos de Lula, mas sequer está claro se Lula é o presidente dos sonhos do PT. É verdade que Lula terá um enorme poder de transferência nas eleições de 2010, quando terá terminado seu segundo mandato e estará se preparando para voltar a São Bernardo do Campo. Lula teve 60,3% dos votos válidos no segundo turno das eleições de 2006. Segundo pesquisa do Instituto Vox Populi feito para a Fundação Perseu Abramo, cujos dados foram coletadas nos últimos dias de maio, Lula nadaria em águas plácidas se pudesse disputar um terceiro mandato. Se isso fosse possível, 43% dos entrevistados votariam nele. Se for considerado como índice de aprovação de seu governo a soma de avaliações positivas e regulares, Lula está no meio do segundo mandato deitado em 93% de aprovação. Tem 59% de avaliações positivas na média do país, que pode chegar a 71% quando se aproxima do Nordeste. Amarga, na média, apenas 7% de avaliações negativas, que chegam no máximo a 11%, quando o eleitor é da Região Norte.

O PT, todavia, não é uma página virada, descartada do folhetim de Lula. O partido que amargou um enorme desgaste no escândalo do mensalão, em 2005, não apenas voltou a patamares anteriores à crise política, como superou-os. Perto dos outros partidos, o PT continua sendo o mais reconhecido pelo eleitor, para o bem ou para o mal - o que significa que tem visibilidade. É a legenda a quem o entrevistado atribui qualidades políticas e conteúdo ideológico. A primeira façanha do PT foi a de manter-se no primeiro lugar das preferências partidárias. Num universo de eleitores onde mais da metade não se identifica com um partido (54%), um quarto (25%) prefere o PT. O PMDB vem em segundo, com 7%; o PSDB tem 6%; e o DEM, 2%. Em março de 2004, o PT tinha 19%; em julho de 2006, depois do mensalão e antes da reeleição de Lula, baixou para 17%. Seu índice de rejeição, que era de 8% em 2004 e subiu para 12% em 2006, foi reduzido para 8% este ano. O DEM, por exemplo, tem 4% de rejeição, mais do que os 2% que ostenta das preferências dos eleitores. No caso do PSDB, os dois índices, de preferência e de rejeição, quase empatam - 6% e 5%, respectivamente. Os eleitores também atribuem alguma coerência ideológica ao partido de Lula - 23% consideram que o PT é de esquerda; 5% acham que é de centro; e 12%, de direita. O PSDB, por exemplo, tem um maior grau de dispersão nas avaliações: 10% o consideram de esquerda; 8%, de centro; e 18%, de direita. Essa informação pode ser completada pelo cruzamento de preferência partidária e da posição ideológica declarada pelo entrevistado. Dos que se declararam favoráveis ao PT, 42% se disseram de esquerda.

Não é claro se Lula pode desprezar seu partido

A pesquisa mostra que Lula e PT possuem pesos específicos, mas igualmente se confundem. Os resultados do cruzamento das variáveis avaliação do desempenho de Lula e favoritismo do PT levantam a dúvida: quem deve mais a quem, o PT a Lula ou Lula ao PT? Segundo a pesquisa, 79% dos que declararam preferir o PT fizeram uma avaliação positiva do governo Lula; Lula era o favorito de 48% dos indiferentes ao PT e de 23% daqueles que eram desfavoráveis ao partido. Se, nessa hipótese, se considera que o PT transferiu automaticamente seus votos para Lula, o inverso também é verdadeiro: dos eleitores tradicionais do presidente (assim considerados aqueles que votaram duas vezes ou mais nele), 62% são favoráveis ao PT; dos eleitores eventuais (que votaram em Lula uma vez), 37% são favoráveis ao seu partido. Quanto mais fiel ao PT, mais fiel o eleitor será a Lula, e vice-versa.

É certo que, numericamente, Lula atrai de forma mais declarada eleitores que o seu partido. Mas parece claro que existe uma convergência natural do eleitor de ambos - o PT avança nas regiões onde o “lulismo” é maior e Lula capta naturalmente os votos petistas. A identificação Lula/PT é um dado - por mais que se considere que o líder seja maior que a sua casa, o dado colocado é que o PT, apesar de todos os tremores, ainda é o partido mais orgânico do país, e a identificação entre a legenda e o presidente é parte dessa expressão orgânica. Todo o desgaste sofrido com o mensalão; as defecções de grupos mais à esquerda, que teoricamente eram a mão contrária à burocracia partidária que se dilatou; a adesão e a incorporação de candidatos com maior poder econômico inclusive com domínio sobre a máquina - todos esses movimentos que vêm questionando o partido há anos, mesmo antes da primeira eleição de Lula, não conseguiram destitui-lo como representante de determinados setores sociais. O eleitor ainda vê o partido assim - e é a visão do eleitor que lhe dá organicidade. O PT continua desempenhando esse papel com alguma densidade. É com essa realidade que tanto a máquina partidária, que desideologiza o partido, como Lula, têm que lidar para articular 2010. Daí se deduz que os candidatos a presidente que correm por fora da preferência de Lula dificilmente terão sucesso - mas isso só será verdade para aqueles que, sem a simpatia do presidente da República, não sensibilizarem também a maioria do partido. Essas duas coisas não são necessariamente iguais - até o momento, a candidata preferida de Lula, a ministra Dilma Rousseff, não tem a preferência do partido; o ministro Tarso Genro não é o preferido de Lula, mas é minoritário no partido não por causa disso, mas porque simplesmente não tem força política para se contrapor ao Campo Majoritário; e Marta Suplicy pode ter a maioria do partido, embora não seja a preferida de Lula. No PT, nunca nada foi simples que se possa resumir, como nos partidos tradicionais, que o candidato do presidente é o candidato do partido. Apesar dos pesares, continua não sendo assim.


E-mail maria.inesnassif@valor.com.br

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

maria.inesnassif@valor.com.br

31/07/2008 - 19:19h Eleições democráticas: candidatos limpos e juízes imparciais

Magistrados repudiam divulgação de lista da AMB

http://hsm.updateordie.com/files/2008/03/juiz2.jpg

“A Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES) torna pública sua discordância e repúdio à linha procedimental adotada pela AMB, a qual, em se persistindo, afora eventual responsabilização civil da entidade, poderá conduzir ao descrédito da magistratura e à ilegitimidade da atuação da Justiça Eleitoral.”

Eleições democráticas: candidatos limpos e juízes imparciais

A Diretoria da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages), entidade que congrega juízes e desembargadores de todos os estados da federação, inclusive os que atuam na Justiça Eleitoral, vem a público manifestar sua discordância com relação à indevida ingerência da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) em temas estranhos à sua finalidade estatutária, atuação que, no mínimo, se revela incompatível com a função jurisdicional exercida pelos seus associados.

A imoralidade administrativa e a ausência de pronta repressão aos saques contra o erário público, afora outras chagas do estado brasileiro, conduziram à descrença popular nas instituições democráticas. Essa absoluta incredulidade, por sua vez, constitui o terreno fértil onde vicejam as inoportunas e indevidas declarações das mais altas autoridades do país, do jogo de cena, do “estado policialesco”, enfim, do desrespeito às mais elementares garantias constitucionais, entre as quais sobressaem-se a presunção de inocência e o devido processo legal.

Nada justifica que respeitáveis corporações adiram à sanha da turba que clama por linchamento em praça pública, em vez de combater o bom combate, de pugnar pela imediata, porém responsável, apuração de delitos e punição dos culpados. A abominável prática, no máximo, pode ser explicada quando adotada por autoridade que no exercício de suas funções não goza do mínimo de garantia e, por isso, um simples descontentamento do Rei com esta ou aquela atuação pode significar seu degredo.

No que respeita ao juiz, utilizando a expressão do Ministro Gilmar Mendes, afirmamos: nada justifica a espetacularização do processo eleitoral. Aliás, o juiz, cônscio das garantias constitucional que lhe foram outorgadas na Constituição da República, não admite que o fórum e seus gabinetes se transformem em estúdios das grandes emissoras de televisão. Afinal, exatamente para mantê-lo completamente afastado de ingerências que possam comprometer a imparcialidade das decisões, ao juiz se confere as garantias da vitaliciedade e da inamovibilidade. Não é por outra razão que ao juiz se proíbe o exercício da advocacia, a candidatura a cargos públicos, o exercício da mercancia e até a sindicância de prédios. Contraditório, pois, que a ele, ainda que por meio de suas entidades de classe, se permitisse ir às ruas, atrair os holofotes da mídia, para fins de mobilização popular.

O juiz não convoca a rede de televisão quando autoriza a polícia a escutar os telefonemas do suspeito, quando decreta a prisão do condenado ou quando, com base no ordenamento jurídico, decide indeferir o registro da candidatura deste ou daquele candidato. Não se trata, a toda evidência, de silêncio covarde de quem se compraz com condutas imorais, com os crimes de lesa-pátria. Ocorre que a convocação da mídia não se insere entre as formas escolhidas pelo legislador para dar publicidade aos atos judiciais. A lei processual, que norteia o agir do juiz, estabelece tão-somente a publicação no diário oficial. O ato judicial é público, assim qualquer um do povo pode ter acesso à decisão do judicial. Para ampla divulgação do que restou decidido, não esqueçamos nós, a imprensa ainda é livre neste país.

Proferida a decisão, o juiz determina a publicação no órgão para tanto destinado. Não leva o caso à televisão e não autoriza que alguém, em seu nome, assim proceda.

A AMB, por força de seu próprio estatuto, pode postular em nome de todos os magistrados. Tal postulação, entretanto, tem seus limites determinados pela preservação das garantias inerentes à função jurisdicional, as quais, em última análise, só se justificam em nome da imparcialidade das decisões.

O juiz não é insensível à absoluta falta de controle no que tange ao registro de candidatos. Qualquer cidadão, por uma simples anotação em seu prontuário, é impedido de exercer a função de gari, de varrer as ruas da cidade; o postulante de um emprego em instituição financeira não pode assumir o cargo se o seu nome figurar nos cadastros restritivos de crédito; notório é o caso do bacharel que aprovado no concurso para juiz, foi impedido de assumir o cargo, porquanto acusado de ter discutido e desacatado o guarda da esquina; entretanto, nada impede que o candidato a presidente da República registre a sua candidatura, ainda que contra ele tenham sido instauradas dezenas de ações penais por “roubar” o dinheiro do povo. São muitos pesos e muitas medidas.

O juiz, no controle difuso das leis, pode até afastar a aplicação deste ou daquele dispositivo e, com base nesse juízo, indeferir a candidatura de determinado candidato. Além da valoração dos fatos, a escolha da norma aplicável integra o seu ofício de julgar.

A ANAMAGES, juntamente com outras entidades de classes, não tem medido esforço no sentido de mudar a lei. Enquanto não muda a lei, é de se esperar que o juiz, entre as várias interpretações possíveis, escolha aquela que mais se coaduna com as garantias constitucionais, sobretudo as que se referem à moralidade, ao devido processo legal, à intimidade e à honra.

O comprometimento da isenção e o desrespeito às garantias constitucionais não se insere no ideário da serena e honrada magistratura brasileira, daí a indignação dos magistrados, sobretudo juízes estaduais que compõem a justiça eleitoral, os quais, em momento algum, autorizou a AMB a dar início à citada campanha midiática.

A atuação da AMB torna-se ainda mais comprometedora para a isenção que se espera dos órgãos jurisdicionais, quando em seu site, sob o título “Eleições Limpas”, anuncia uma suposta parceria com o TSE, com a finalidade de divulgar os nomes dos candidatos a cargos eletivos nas próximas eleições que respondem a processos na justiça, e, portanto, munir o eleitor de dados sobre os candidatos e facilitar o acesso da imprensa a tais dados (conf. consulta feita em 25/07/2008).

A prevalecer a veracidade da informação contida no referido site, por via reflexa, estaria o TSE declarando a absoluta descrença no publicação no diário oficial (forma prevista no Código Eleitoral) como meio de dar publicidade às decisões da justiça eleitoral. Mais grave ainda: estaria esse órgão de cúpula da justiça eleitoral publicamente assumindo a condição de assessor da imprensa, o que, a um só tempo é inadmissível e desnecessário, uma vez que entre essa nefasta assessoria não figura no rol de competência do TSE e a imprensa, até pela sua magnitude, dela não necessita.

Ressalte-se que a uma associação de magistrados, ainda que se trate de entidade civil, não assiste o direito de fazer mobilização popular ou lançar nomes em lista negra e divulgá-la publicamente. O magistrado, ao assumir o cargo, impõe a si uma série de limitações, entre elas o de abster-se da vida política, ainda que pela via oblíqua de sua entidade de classe. Ao juiz, evidentemente, não se nega o exercício dos direitos inerentes à cidadania. Entretanto, a ele não se permite a emissão de juízos extra autos, pela via política da mobilização popular, sobretudo quando evidente o desiderato de interferir na composição dos demais poderes. Ao magistrado – estamos ciosos disso – não compete proceder à seleção dos puros, principalmente quando alicerçada em manifesto juízo discriminatório e arbitrário.

Por tais razões, a Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES) torna pública sua discordância e repúdio à linha procedimental adotada pela AMB, a qual, em se persistindo, afora eventual responsabilização civil da entidade, poderá conduzir ao descrédito da magistratura e à ilegitimidade da atuação da Justiça Eleitoral.

Desembargador Elpidio Donizetti

Presidente da ANAMAGES

26/07/2008 - 11:58h Curiosidades de pesquisas antigas

Por pura curiosidade fui olhar as pesquisas eleitorais das eleições municipais em São Paulo do ano 2000, quando Marta Suplicy foi eleita prefeita de São Paulo. Elas evidentemente não tem nenhum valor, fora histórico, e menos ainda no que concerne o atual pleito municipal. Servem como curiosidade e talvez sirvam também para evitar simplificações nas analises das pesquisas em geral.

Uma curiosidade, na pesquisa Datafolha do 26 de julho de 2000 o voto “espontâneo” em favor de Marta, ou seja antes que o entrevistado veja a lista dos candidatos fornecida pelo entrevistador, era de 16%. Outra curiosidade a famosa “rejeição” de Marta na pesquisa Datafolha de 29 de junho de 2000 era de 37%. Foram as eleições que Marta venceu para prefeita de São Paulo.

Reproduzo a seguir as intenções de voto em favor de Marta Suplicy a partir da pesquisa Datafolha de 12 de julho até as vésperas do primeiro turno, pesquisa Datafolha de 29 de setembro 2000. No quadro só figuram os resultados de Marta nas pesquisas Datafolha e IBOPE, os maiores institutos.

Datafolha 12/jul 31%
Ibope 17/jul 26%
Datafolha 26/jul 33%
Ibope 06/ago 29%
Datafolha 10/ago 36%
Datafolha 17/ago 32%
Ibope 22/ago 30%
Datafolha 25/ago 31%
Datafolha 29/ago 30%
Datafoha 01/set 29%
Ibope 04/set 31%
Datafolha 05/set 29%
Ibope 08/set 33%
Datafolha 13/set 34%
Datafolha 15/set 32%
Datafolha 22/set 35%
Datafolha 26/set 33%
Datafolha 29/set 34%

Marta obteve no primeiro turno de outubro 2000, 33% (equivalente a 38% dos votos válidos).

Outra curiosidade, agora sobre as eleições de 2004, que Marta perdeu para José Serra. As vésperas do começo do horário eleitoral na TV, Marta na época prefeita da cidade, tinha 30% de intenção de voto (Datafolha 09/ago).

Luis Favre

23/07/2008 - 11:45h Advogados dizem ver indústria de ações para “sujar” nome de políticos

Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela Folha condenaram a divulgação da lista de candidatos que respondem a algum tipo de processo criminal ou de improbidade administrativa. A iniciativa da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), afirmam os advogados, poderá até criar uma indústria de ações populares contra governantes apenas para que eles fiquem com o nome “sujo” em eleições futuras.

Alguns promotores eleitorais já demonstraram disposição em tentar barrar candidatos em tal situação. A Constituição, no entanto, diz que só cidadãos com condenações definitivas, quando não há mais possibilidades de recurso, estão proibidos de se candidatar. “Conhecendo a classe política, não me surpreenderia se houvesse ações apenas para “sujar” o nome do adversário”, afirma o advogado Renato Ventura, segundo quem o eleitor poderá fazer pré-julgamento de candidatos que podem vir a ser absolvidos nos processos. “Claro que é importante que o eleitor conheça o passado do candidato, mas existe um receio de que iniciativas assim [a divulgação da lista] possam trazer injustiças”, diz Ventura. O advogado Fernando Molino concorda. “Muitas vezes o eleitor nem sabe qual é o tipo de ação a que um candidato está respondendo e, ao ver o nome na lista, pode deixar de votar nele”, afirma. “Poderemos ter ações contra políticos apenas de caráter eleitoreiro.” Para o advogado Bension Caslovsky, a lista poderá ser contestada por partidos. “A AMB não tem legitimidade para divulgar lista assim”, diz ele, para quem seria mais proveitoso se fosse divulgada relação com os candidatos “dignos”. Fonte UOL

03/07/2008 - 11:36h Serra não nadará num mar de rosas

VALOR

Há algo mais do que um simples racha entre PSDB e DEM no ar poluído da capital paulista. A candidatura à reeleição do prefeito Geraldo Kassab (DEM) é um ingrediente novo num cenário onde há 15 anos três partidos - o PSDB, o PT e o PP (ou seja qual for o nome do partido do ex-prefeito Paulo Maluf) - monopolizam as atenções do eleitor. Kassab interrompe o que tem sido uma gradativa e natural transferência para o PSDB dos votos mais à direita, historicamente destinados a Maluf, ao entrar diretamente na disputa por esse eleitorado; e o candidato tucano, Geraldo Alckmin, além de deixar de ser o caminho natural para o eleitor malufista, tem dificuldades de acesso ao eleitorado mais à esquerda e ao voto de periferia, que teria de disputar com Marta Suplicy (PT).

Em 2004, PSDB e DEM estavam juntos, com o hoje governador José Serra (PSDB) na cabeça de chapa e Kassab na vice. Serra, com um perfil mais à esquerda do que o DEM e com um eleitorado forte ao centro, conseguiu com a aliança também agregar votos à direita e vencer as eleições. Em outubro próximo, DEM e PSDB não apenas serão concorrentes, mas terão candidatos com um perfil ideológico muito semelhante.

Em 2000, quando era vice-governador e candidatou-se a prefeito, Alckmin conseguiu ser o maior beneficiário do esvaziamento do eleitorado malufista. Maluf foi seriamente atingido pelo catastrófico mandato de seu apadrinhado, Celso Pitta (1996-2000). Segundo estudo de Fernando Limongi e Lara Mesquita, 27% dos eleitores que votaram em Maluf em 1996 transferiram seu votos para o PSDB na eleição seguinte (”Disputa por votos malufistas deve marcar eleições à prefeitura de São Paulo”, Cristiane Agostine, Valor, 29/10/2007). A partir de então, a polarização entre PT e Maluf na capital paulista cedeu espaço ao PSDB. Em 2000, Marta Suplicy obteve 38,01% dos votos no primeiro turno, e o então PPB de Paulo Maluf, com 17,35%, foi para o segundo turno com uma distância de apenas 0,14 pontos percentuais sobre o PSDB. Nas eleições de 2004, vencidas, enfim, pelo tucano José Serra, o PSDB teve 43,56% no primeiro turno, contra 35,82% de Marta Suplicy. Maluf veio em distante terceiro lugar, com 11,92% dos votos.

A soma dos votos da classe alta e a manutenção de parcela do eleitorado ex-malufista, de classe média conservadora (que deu acesso dos tucanos à periferia de São Paulo), pode ter sido determinante para a vitória de Serra. Foi determinante, contudo, não ter ninguém concorrendo em sua faixa de eleitorado e conseguir avançar sobre os votos conservadores. O hoje governador conseguiu votos à direita sem ter uma firme rejeição do eleitorado de centro-esquerda, onde disputava votos com o PT.
Alckmin e Kassab disputam mesmo voto

Essas eleições concentram candidatos à direita na capital paulista - Kassab, Alckmin e o próprio Maluf, que nas pesquisas ainda exibe 8% das intenções de voto. Os votos conservadores estão rachados e qualquer dos dois candidatos depende de polarizar com a petista Marta Suplicy para ter chances de ir ao segundo turno. Ser uma alternativa viável à petista arregimenta votos à direita, que tende a exercer o voto útil contra o candidato de esquerda.

Se Alckmin conseguir isso, ainda terá de superar suas dificuldades de acesso aos votos de periferia. Aí o PT tem superioridade porque foi o alvo preferencial da administração petista, ainda na memória recente; e porque tem beneficiários dos programas sociais do governo Lula. No segundo turno das eleições de 2002, quando disputaram a Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra, a diferença de votos dados aos dois na cidade foi mínima - 48,94% para o tucano e 51% para o petista, o que representou escassos 167 mil votos. Na Zona Leste, Serra levou uma surra de Lula: em Sapopemba, Itaim Paulista e Guaianazes, o presidente obteve 60% dos votos. Kassab, candidato à reeleição, retomou programas do governo de Marta e governou para a classe média - isso lhe dá possibilidade maior de acesso ao eleitor pobre e pode atrair os eleitores ricos, onde os tucanos exercem a hegemonia.

Marta ainda pode crescer na periferia. Lá, é mais forte a atuação de movimentos sociais, que tendem a exercer o seu voto útil no PT; os programas sociais do governo federal são em maior número; e parcela do petismo local compete ativamente com a política de clientela liberada do malufismo.

Com o PT com preferência consolidada na população pobre e o PSDB na população rica, os votos da classe média conservadora, malufista ou ex-malufista, são fundamentais para qualquer candidato que dispute com Marta. É difícil, nessa circunstância, imaginar que durante toda a campanha as relações entre Kassab e Alckmin serão cordiais - na verdade, eles estarão competindo fundamentalmente um com o outro, junto ao mesmo eleitorado, para disputar o segundo turno. Alckmin, que fez da sua candidatura a maior pedra no sapato do governador José Serra - cuja aliança em torno da reeleição de Kassab consolidaria, por si, o apoio à sua candidatura em 2010 - pode ser um complicador maior ainda, quando a disputa eleitoral exigir um ataque frontal ao candidato do DEM. A vida de Serra não vai ser um mar de rosas.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

maria.inesnassif@valor.com.br

02/07/2008 - 08:35h Inflação: para Delfim, oposição exagera para atingir Lula

delfim_netto2.jpg

Ricardo Leopoldo - O Estado de São Paulo

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto disse ontem ao Estado que a oposição quer atingir a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a desestabilização das expectativas de inflação, para se beneficiar nas eleições municipais. “Eles avaliam que a única forma de afetar a forte imagem do presidente junto à população num ano eleitoral é dizer que se a inflação fechar 2008 em 6% já estaremos em hiperinflação.”

Na sua avaliação, há um temor exagerado de analistas com a alta dos índices de preços, que embora mereça atenção está bastante vinculada à escalada internacional das cotações do petróleo, alimentos e commodities metálicas.

“A inflação no Brasil está sob controle. Não faz sentido assistir na TV, como vi outro dia, uma reportagem que tratava do tema e mostrava um funcionário de supermercado com a maquininha na mão remarcando preços. Provavelmente, esqueceram de dizer que a imagem é de 1998″, ironizou.

Para Delfim Netto, a oposição avalia que como a economia apresenta bom desempenho na gestão de Lula, a melhor oportunidade de afetá-lo politicamente é vincular seu nome ao aumento da inflação. Nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu à média anual de 2,48% e 2,12%. Sob a gestão de Lula, atingiu a média de 3,82% ao ano entre 2003 e 2007. “A oposição sabe desses números, pois vê o aumento da renda real da população mais pobre, aumentou o PIB e caiu o desemprego.”

“Como a oposição sabe que o Banco Central, o Ministério da Fazenda e todo o governo não vão permitir o aumento da inflação, a única saída é provocar uma elevação exagerada das expectativas de inflação.”

Na avaliação do ex-ministro, os índices de preços não vão subir com exagero porque o presidente “tem certeza absoluta” que sua prioridade no momento é combater o avanço do custo de vida. “O presidente Lula sabe de uma coisa muito simples: o desemprego pode atingir 1 milhão, mas a inflação prejudica 80 milhões de brasileiros.”

27/06/2008 - 13:35h A rua tucana bifurca

A rua que pulsa desnorteada

A imagem “http://www.valoronline.com.br/images/Columnist/maria_cristina_fernandes.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

VALOR

Gilberto Natalini, médico de 56 anos, no terceiro mandato de vereador, lidera a bancada tucana na Câmara de Vereadores de São Paulo. Reivindica com orgulho a autoria do termo Martaxa, que popularizou a fama de fiscalista da ex-prefeita e contribui para sua derrota em 2004.

No dia seguinte à convenção que decidiu pela candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin à prefeitura da capital, Natalini foi a um hospital na periferia Norte da cidade cuja ampliação de serviços foi negociada com o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Logo foi cercado por eleitores seus, médicos e enfermeiras que atendem no hospital. Queriam saber como é que seu grupo político trabalharia contra o prefeito candidato que atendera às suas demandas.

O vereador sentiu-se encurralado. Todo seu material de campanha foi confeccionado a partir de realizações em parceria com Kassab. “Eu ia falar o que? A ética me manda dizer que meu partido tem um candidato, mas eu ia dizer a eles que aquilo que a gente tinha batalhado tanto pra conseguir não valia mais nada e que agora eu ia embarcar noutra candidatura? É uma situação esquizofrênica”.

O vereador Adolfo Quintas (PSDB) foi eleito por Ermelino Matarazzo, na onda do avanço de José Serra sobre o velho reduto petista da populosa zona leste de São Paulo em 2004. “O prefeito já instalou oito AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) a meu pedido. Tenho que prestar contas ao eleitor do que consegui para a região. Não vou trabalhar contra Kassab de jeito nenhum”.

Da bancada de 12 vereadores de São Paulo, apenas dois votaram pela candidatura Alckmin. E, dos dez que fizeram uma última tentativa de resistência na manhã do domingo, dois avaliam que o constrangimento é tal que devem desistir da disputa.

Num partido sem presença nos movimentos sociais os vereadores são aquilo que o PSDB tem mais próximo do que o programa do partido chama de “pulsar das ruas”. Com a eleição de Serra em 2004, na primeira vez que o partido chegava ao governo da capital paulista pelo voto, a bancada municipal praticamente dobrou. Agora corre o risco de minguar de novo. Juntos, têm quase 500 mil votos.

Eleição de vereador é a mais corpo-a-corpo de todas. O voto de opinião é residual. O candidato fala para pequenos grupos, reunidos ao final da pelada de domingo, em associação de bairro ou mesmo em grupos de amigos reunidos em casa. O eleitor procura seu candidato imbuído de um espírito de governabilidade por mais que os profetas da alienação ignorem a racionalidade do voto. Quer escolher o vereador que ajude seu candidato a prefeito. Mas que candidato?

Muito desse trabalho de criar e multiplicar rede de contatos é feita por militantes como aqueles mais de 500 delegados reunidos pelos vereadores rebeldes no domingo. Pela inconformidade explicitada com a decisão do grupo de recuar da disputa contra Alckmin, é de se duvidar que demonstrem qualquer entusiasmo com a candidatura oficial do partido.

Convenção desorientou bases tucanas

Além disso, o prefeito passará a depender mais dessa base tucana do que o fez até agora. A partir do dia 5 sua intensa agenda de inaugurações terá que ser substituída por eventos menos explícitos de campanha. Os três principais candidatos devem ficar em condições mais ou menos equânimes de exposição.

Até meados de agosto, quando tem início a propaganda eleitoral gratuita na televisão, Kassab terá que contar mais com o corpo-a-corpo para converter os paulistanos que aprovam sua administração em eleitores seus, única condição que o levará a disputar o segundo turno. O drama colocado pela convenção tucana é que o prefeito não terá como fazê-lo sem tirar votos de Alckmin.

O voto em São Paulo tem-se mantido relativamente coerente ao longo das últimas eleições. Nas disputas de 2004 e 2006, Marta e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançaram exatamente o mesmo percentual no segundo turno da cidade de São Paulo: 45% dos votos válidos.

Ambos foram derrotados pelo PSDB, que cresceu no município em cima do eleitorado que consagrou o malufismo em 1992 e 1996. Na distribuição geográfica dos votos, o PSDB domina a região central e o PT, as franjas da cidade. O que está em disputa é o eleitorado de classe média baixa, em áreas de transição da cidade em que Maluf reinou nos anos 90.

O eleitor típico dessas regiões é o micro-comerciante que anda satisfeito com Lula porque está vendendo bem e conseguiu comprar seu carro financiado em 60 prestações, mas não entende por que o CEU da região, construído com o imposto que ele paga, é melhor do que a escola particular de seu filho.

É em cima desse eleitor me-taxou-e-deu-o-dinheiro-pros-pobres que Marta investe para diminuir sua rejeição. Na expectativa de que esteja no segundo turno e alcance os 45% que seu partido tem alcançado no município nas últimas eleições, precisaria virar 5% dos votos, algo em torno de 500 mil votos.

Do outro lado, Kassab e Alckmin disputarão o mesmo eleitor numa guerra que ainda terá o recalcitrante Paulo Maluf. O melhor dos mundos para os petistas seria enfrentar um Alckmin que passe para o segundo turno em queda depois de uma campanha tensa contra Kassab capaz de desmobilizar as máquinas estadual e municipal a seu favor. Para derrotar Marta, na reta final, um ou outro terá que conquistar um colégio eleitoral extra com um punhado de votos igual ao dos atônitos vereadores do PSDB.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

mcristina.fernandes@valor.com.br

24/06/2008 - 15:58h Os medos do Estadão

A imagem “http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080624/img/capadodia.jpg” contém erros e não pode ser exibida.O Editorial do Estadão de hoje é uma peça de ficção. Um exercício de wishful thinking, de “criação ilusória de fatos que se desejaria fossem realidade”, na tradução precisa do dicionário Michaelis.

O editorial do jornal O Estado de São Paulo lança hoje um sonoro ufa, de alívio prematuro, pela escolha de Alckmin como candidato do PSDB e pelo suposto apoio de Serra a esta escolha.

“o PSDB de São Paulo chegou à melhor solução possível. E isso, especialmente, porque o governador Serra soube enfatizar a possibilidade real de restabelecer a aliança PSDB-DEM no muito provável segundo turno entre um deles e a candidata do PT. “Se a aliança não se traduziu agora numa candidatura única, tem que se traduzir, sim, numa unidade no segundo turno” - disse o governador em seu pronunciamento na Convenção.”

O editorial finge ignorar que os serristas opostos a candidatura Alckmin eram uma minoria e não tinham nenhuma possibilidade de impedir o PSDB de lançar Alckmin candidato, mesmo que quisessem.

O editorial desestima também que essa candidatura nasce marcada pela divisão tucana e sem o consenso dos caciques, consenso que sempre pautou as decisões tucanas. Pior, ela concorre diretamente com Kassab, o candidato de José Serra, da maioria dos vereadores do PSDB e dos quadros que exercem funções no aparelho municipal e estadual. Todos eles continuarão fazendo campanha por Kassab, mesmo se a formalidade da propaganda eleitoral obrigatória falará outra coisa. Mais ainda, é Kassab que ficou com os apoios do PMDB, do PR e demais aliados de Serra e dos serristas.

Vale lembrar, o que o editorial não faz, que quando Ulysses Guimarães foi candidato contra o desejo do então poderoso Quercia, o PMDB mostrou-se unido de fachada, crucificando o candidato.

Os movimentos de Serra não deixam nenhuma dúvida sobre o objetivo dele. Liquidar o perigo que Alckmin representa para suas ambições, tentando salvar na medida do possivel a face. O editorial participa desta tentativa de “limpar” a cara de Serra e faz de conta que a mão de gato não é a dele.

Segundo o Editorial : “Da forma como conduziu as facções divergentes do PSDB paulistano no complicado impasse, o “presidenciável” paulista de 2010 sem dúvida tem tudo para consolidar o apoio geral de seu partido, a começar pelo de um agradecido Geraldo Alckmin, que fez questão de repetir em seu discurso: “Sempre estive com ele (Serra) em todas as campanhas e estarei nas futuras.” Os próprios líderes da dissidência tucana kassabista poderão não se transformar em batalhadores entusiasmados da campanha de Alckmin, mas mostraram-se convencidos da necessidade de ceder posição em favor de um “objetivo maior”, qual seja, o da candidatura de Serra à Presidência, daqui a dois anos. “

É o que se denomina confundir os desejos do Estadão, com a realidade. Nem os autores acreditam no que escrevem.

Como constata o editorial da Folha, também de hoje: (O PSDB) “Sempre preferiu ostentar um consenso que já não possui e no qual não crêem nem sequer os tucanos mais ingênuos, hoje atarantados em meio a tantas rivalidades.”

A bem da verdade, é o Alckmin que precisa vender a idéia que não está sendo crucificado e que o racha acabou. O bom senso fez todos se reconciliarem e ele já se vê aspergindo de água bendita o rebanho rejuntado, incluso das ovelhas negras. Para isso serve o editorial do Estadão.

Vã ilusão!

O próximo passo será tentar transformar a candidata do PT na encarnação do mal absoluto. Para preservar a continuidade que “os paulistanos podem esperar(…) (e que) em muitos aspectos tem sido eficiente e inovador.” (dixit editorial do Estadão)

Estranha acusação para incentivar o maniqueismo. Quem asseguraria melhor a continuidade dos CEU’s por exemplo: Marta, Alckmin ou Kassab? Os três hoje são a favor do que Marta soube criar, implantar e que o PSDB com apoio de uma parte da mídia, o Estadão especialmente, atacou e prometeu parar. Hoje existe consenso em favor deles. Como também ninguém questiona agora os uniformes, o material escolar, a merenda de qualidade, a criação de vagas em creches e escolas, a revalorização dos professores e o Vai e Volta.

Mas como atribuir ao PT os resultados péssimos na educação, se a própria Secretária de Educação de Serra, do PSDB, diz que jogaram fora R$ 2 bilhões de reais (segundo o Estadão é o equivalente de todo o dinheiro da educação básica do Brasil, um ano do orçamento do FUNDEB) e que os resultados após 14 anos de tucanato no Estado são esse desastre monumental?

Como acusar a candidata do PT se o caos no trânsito, outro problema crucial, está diretamente ligado ao pouco investimento do Estado no metrô, que avançou a passos de tartaruga, segundo o próprio Estadão em concordância com idêntica avaliação de Serra. Ou o quase nulo investimento de Kassab nos corredores para os ônibus é culpa do PT que criou o Bilhete-Único, construiu terminais e mais de 110 Km de corredores?

Seria “solução de continuidade” (ainda o editorial do Estadão) o plano apresentado por Marta e o governo federal para dar um salto na implantação do metrô en vistas da copa de 2014? Neste caso até que seria bem vinda essa “solução de continuidade” perante o pouco que o governo do PSDB avançou no transporte público. O Estadão ousaria estar contra um choque de investimento no metrô como propõe Marta com apoio do governo federal? o governador Serra recusaria? Agora, se a preocupação do Estadão é com a continuidade do Bilhete-Único criado e implantado por Marta, pode ficar sossegado, o Bilhete-Único continuará e ampliará sua duração com ela na prefeitura. Ou alguém dúvida disto?

O Estadão estaria preocupado com a continuidade do que? da ética?

Como evitará que Geraldo Alckmin seja carimbado de “Geraldo Alstom”, vista a grossa propina recebida durante seu mandato e de Covas, para manipular as licitações no metrô em favor da empresa francesa? Como não constatar que, como os jornais tem mostrado nas últimas semanas, o tratamento de Alstom como empresa-camarada dos tucanos teve uma perfeita continuidade no Estado de São Paulo desde 1990 até agora? Ou impedir CPI para este caso público e claro de suborno é prova de ética?

Ou o Estadão está com medo de Marta parar obras, não pagar fornecedores como fiz José Serra, ela que deu continuidade a programas que o PT não apoiou, como o Fura-Fila de Pitta-Kassab, ou que criado por outros o PT defendeu e melhorou, como o Leva-leite de Paulo Maluf?

Lamentavelmente para a identificação ideológica do Estadão com o PSDB, nem na questão da carga tributária poderá atribuir a Marta uma fúria arrecadatoria da qual estariam desprovidos os tucanos. Os números são claros no que concerne o aumento da carga tributária no pais, no Estado e na cidade de São Paulo durante os governos do PSDB, de par com o endividamento gigantesco promovido por eles em todas as esferas, para pretender que o problema é uma invenção ideológica da esquerda. Sem falar que Marta reconheceu publicamente ter cometido alguns erros neste item.

Pela primeira vez existe a possibilidade que estas eleições em São Paulo, ao contrário do que gostaria o Estadão, possam escapar a um certo maniqueismo. De sorte que a polarização poderá explicitar as reais divergências sobre às questões de fundo. E não estou convencido que dependendo do tema, não apareçam convergências que uma visão maniqueista ignora. Para isso é necessário que a mídia contribua não só com isenção, mas participando do debate democrático, sem simplismo redutor e sem tomar partido.

Se isto acontecer, a divisão do PSDB terá contribuído, sem que seus dirigentes percebessem, para o progresso do debate político durante anos escamoteado no pais.

Mas alguns persistem na tentativa de exorcizar o real, para adequá-lo a sua visão ideológica. O editorial do Estadão é a prova.

Luis Favre

17/06/2008 - 20:27h Divórcio tucano

alckmin_serra.jpgalckmin_serra_partido.jpg

Quando Menem era presidente de Argentina e decidiu separar-se da esposa, Zulema, esta última recusou-se a sair do domicilio conjugal que no caso era a residência oficial da Presidência da República Argentina. Aguardando que seus agentes resolvam o imbroglio, Menem se mandou para um longo périplo internacional. Só voltou quando a esposa aceitou sair de “casa”.

A imagem voltou a minha memória lendo a nota que postei aqui embaixo sobre o racha do PSDB. José Serra se mandou para uma viagem proverbial enquanto seus acólitos fazem o trabalho de limpar a casa. Amontoados junto com Kassab na convenção do DEM, os serristas pro-Kassab decidiram ir para o pau na convenção e agir contra uma candidatura Alckmin abertamente. No melhor dos casos para Alckmin ele sera lançado candidato por uma fração do PSDB e na pior, seus adversários serristas impedem sua candidatura. Entre os dois extremos esta a opção de uma intervenção da Executiva Nacional do PSDB. Em todos os cenários não haverá final feliz.

Independentemente do desfecho, uma coisa parece evidente: dificilmente Serra e Alckmin compartilharão a mesma “casa” após as eleições municipais e o patamar já atingido pela guerra tucana mostra como é prematuro qualquer debate ou pesquisa sobre 2010. O estado em que sairão os principais tenores tucanos das eleições municipais, vai determinar uma boa parte do percurso para as eleições presidenciais no campo oposicionista. Muita água passará ainda baixo a ponte.

José Serra transformou seu adversário em inimigo e o PSDB num poço de mágoas e ódios. LF

17/06/2008 - 19:54h Tucanos pró-Kassab racham partido em chapa contra Alckmin

Grupo do PSDB que apóia prefeito de SP registrou chapa nesta terça-feira no diretório municipal

jose-serra.jpgalckminkassab.JPG

Carmen Munari, da Reuters - Portal Estado.com.br

SÃO PAULO - Está formalizado o racha no PSDB de São Paulo. O grupo do partido que apóia a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição registrou chapa no diretório municipal nesta terça-feira, que vai disputar a indicação com o ex-governador Geraldo Alckmin. A proposta, assinada por 424 delegados do total de 1.344, é encabeçada pelo secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, e pelo líder da bancada tucana na Câmara Municipal, Gilberto Natalini. Dos 12 vereadores do partido, apenas um apóia Alckmin.

O diretório municipal tem até 48 horas para enviar o registro da chapa à direção nacional do partido, em Brasília, que tem direito à última palavra.

“A prefeitura de São Paulo é um governo nosso, em aliança com o DEM. A bancada do PSDB é a favor da gestão Kassab”, disse Natalini, ao registrar a chapa, acompanhado de 10 vereadores.

O prazo para o registro terminava nesta terça-feira, cinco dias antes da convenção marcada para domingo, 22.

A disputa entre as duas correntes se estende há meses. Em maio, no entanto, Geraldo Alckmin conseguiu a indicação do partido em reunião marcada por fortes protestos dos kassabistas.

No sábado passado, a candidatura de Kassab foi formalizada em convenção do DEM, que contou com a presença dos políticos tucanos que o apóiam. O governador em exercício Alberto Goldman compareceu representando José Serra. Em viagem ao exterior desde o dia 11 de junho, Serra vem trabalhando nos bastidores pela candidatura Kassab.

PSDB e DEM elegeram Serra prefeito e Kassab como seu vice em 2004. Em 2006, Kassab assumiu a prefeitura quando Serra disputou e venceu a disputa pelo governo do Estado. Os tucanos mantiveram forte presença na máquina da prefeitura, em secretarias e demais órgãos.

Além do DEM, Kassab tem o apoio do PMDB, PR e PV. Enquanto a candidatura Alckmin fechou com o PTB, que ocupará a vice.

Na esperança de obter o apoio do PSDB, o vice na chapa de Kassab ficou em aberto até a convenção tucana. Se esta hipótese não se concretizar, o PMDB ocupará a vice.

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, interferiu na disputa paulistana e chamou os dissidentes a Brasília na semana passada, sem sucesso.

O que está em jogo nesta disputa é o apoio do DEM à possível candidatura de Serra à Presidência da República em 2010. O tucano quer garantir a adesão do parceiro político e preferiria ver Alckmin como candidato ao governo do Estado. Para o DEM, a conquista da capital paulista daria um forte impulso ao partido, que tem apenas um governador (Distrito Federal) e perdeu participação parlamentar nas últimas eleições.

Pesquisas de intenção de voto para a prefeitura de São Paulo mostram Kassab em terceiro lugar na disputa. Marta Suplicy (PT) e Alckmin lideram em empate técnico.

17/06/2008 - 15:41h Ameaça à democracia

justica.jpg

L'image “http://vejasaopaulo.abril.com.br/arquivos/capas/2064m.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

‘A imprensa só é boa porque tem liberdade’

Historiador diz que representação por entrevista com Marta Suplicy significa grave ameaça à democracia

O GLOBO ENTREVISTA

Marco Antonio Villa

Para o historiador Marco Antonio Villa, se a Justiça acolher a representação do Ministério Público Eleitoral que classifica como propaganda eleitoral uma entrevista da ex-ministra Marta Suplicy concedida à “Folha de S.Paulo” no início deste mês, será um sinal de que “acabou a liberdade de imprensa” no país. Leitor dos principais jornais brasileiros, além dos regionais do Nordeste, Villa avalia que a imprensa “não precisa de tutela” e que tampouco os leitores brasileiros dariam uma chancela à imprensa sem leitura crítica.
Professor de história da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), autor do livro “Jango, um perfil (1945-1964)” e das coleções de história do Instituto Teotônio Vilela (1999-2001), Marco Antonio Villa disse ao GLOBO acreditar que a representação movida contra a “Folha” não deverá ser julgada procedente pela Justiça. Marta é pré-candidata a prefeita, e o Ministério Público Eleitoral quer punir o jornal por entrevistála antes da abertura oficial da campanha.

Tatiana Farah
SÃO PAULO

O GLOBO: Qual a sua opinião sobre a representação movida contra a “Folha”?

MARCO ANTONIO VILLA: É um verdadeiro absurdo. É bater de frente com a liberdade de imprensa e com o direito do cidadão de ser devidamente informado em relação a sua opção para uma possível candidatura à prefeitura, ao governo do estado, à Presidência da República.Se começar a fazer limitações em relação a isso, o perigo é, se isso virar jurisprudência, em 2010 a imprensa passar a ter um papel extremamente limitado, o que é danoso para a democracia.

A imprensa brasileira tem sido vítima de tentativa de censura de vários setores.
De um setor religioso, e agora essa representação eleitoral.Isso acontece por ser um momento especial ou acontece o tempo todo?

VILLA: Isso foi uma coincidência.Especialmente porque é um ano eleitoral. As representações acabam tendo uma vinculação direta ou indireta com o processo eleitoral. Isso vai virar uma prática em anos pares. Por isso é importantíssimo um posicionamento radicalmente contrário em relação à punição.Porque pode abrir um precedente perigosíssimo. Daqui a pouco, a imprensa vai pautar suas matérias pedindo autorização ao Ministério Público, né? O direito à liberdade de imprensa está garantido na Constituição, que completa agora 20 anos.Ela (a Constituição) tem muitos defeitos, mas muitas qualidades.E uma das qualidades é justamente a garantia das amplas liberdades.

O senhor é um leitor assíduo de jornais…

VILLA: Eu leio todos. Desde pequenino. Sou tão fanático que, logo depois de aprender a ler, já estava lendo jornal.E devo minha formação, em grande parte, às leituras de jornais e revistas. Eu me lembro de reportagens de 40 anos atrás. Uso como fonte histórica, no meu trabalho.Leio os principais jornais e alguns do Nordeste, além do “El País”.

Em sua opinião, os jornais que o senhor lê, de uma maneira geral, precisam desse tipo de tutela do Ministério Público?

VILLA: Acho que o Ministério Público tem muita coisa com o que se preocupar, coisas extremamente relevantes,que ocorrem no país.
Com o que ele não deve se preocupar é justamente a imprensa. Uma das boas coisas que o país tem é a imprensa. E só é boa porque tem liberdade. Com censura, com repressão, não tem como fazer uma boa imprensa.
Causa profunda estranheza essa preocupação do Ministério Público, quando há coisas profundamente lesivas, como lesões ao erário público, aos direitos humanos.

Nesse caso foi o Ministério Público Eleitoral…

VILLA: No caso do eleitoral, tem coisas graves que envolvem as eleições. Uma coisa que chama a atenção é a apresentação das contas dos candidatos. Acho que foi o presidente do TRE em São Paulo que recentemente deu uma entrevista dizendo que não acredita naquelas prestações de contas. E uma das razões da corrupção no Brasil é a existência dos caixas dois, que financiam as campanhas eleitorais.Então, acho que, se o Ministério Público estivesse mais preocupado com isso, seria extremamente mais relevante para o país do que estar preocupado com censurar a imprensa.

O senhor avalia que o leitor brasileiro não tem senso crítico?

VILLA: Ainda não é o ideal, mas há um senso crítico por parte dos leitores, mesmo daqueles que lêem rapidamente a notícia na banca de jornal. Hoje você tem uma visão crítica em relação a isso.Achar que o leitor está simplesmente passando uma chancela em qualquer coisa que lê, sem ter a mínima criticidade, não me parece verdadeiro.

Estamos nesta fase pré-eleitoral em que ninguém é candidato de fato, mas qualquer político, dentro das especificações do TSE, pode ser. Se seguirmos com rigor a representação do Ministério Público, quem poderá ser entrevistado, afinal?

VILLA: Criou-se uma situação esdrúxula. Essa representação não tem pé nem cabeça. E parece que foi feita sem pensar no reflexo que isso vai ter não só no cotidiano da vida do repórter como, principalmente, sobre a liberdade do cidadão. Há coisas que só acontecem no Brasil. Certamente essa medida deve ser rejeitada pela Justiça.

E se passar na Justiça, se for acolhida pela Justiça Eleitoral?

VILLA: Daí acabou a liberdade de imprensa. As sedes dos jornais deveriam ser transferidas para o Tribunal Regional Eleitoral ou para o Ministério Público que cuida disso. E eles passariam a fazer os jornais.

13/06/2008 - 10:40h Kassab: bode expiatório, factóides, eleitoralismo e improvisação no trânsito

bodeexpiatorio.jpgcongestionamento21.jpg

Eleição pesou para a saída de Scaringella da prefeitura

Avaliação de auxiliares do prefeito é que piora no trânsito será sua principal “vidraça”

Integrante do governo diz que secretário quer priorizar a operação do tráfego, reduzindo, em ano eleitoral, a fiscalização com multas

FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

O fator eleição teve peso determinante para a saída de Roberto Scaringella da presidência da CET, segundo integrantes da cúpula do transporte da gestão Gilberto Kassab (DEM).

A avaliação de auxiliares do prefeito é que a piora do trânsito de São Paulo será a principal “vidraça” de Kassab a ser explorada pelos adversários para barrar a sua reeleição.

E, para eles, embora tardia, a medida pode trazer dois resultados favoráveis ao prefeito.

Primeiro, a repercussão de que houve alguma mudança, ainda que um “gesto” simbólico. Quando algum candidato criticar as falhas no trânsito de Kassab, ficará mais fácil atribuí-las ao comando trocado.
Segundo, a menor resistência interna contra ações pontuais rápidas defendidas por Kassab.

Um integrante da cúpula do transporte disse à Folha que um dos pontos de insatisfação do prefeito -e que deve passar por mudança breve de direcionamento- se refere ao trabalho dos marronzinhos da CET.

O secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes, segundo esse membro da gestão Kassab, avalia ser necessário deslocar mais agentes para a rua e orientar todos a priorizar a operação do tráfego, em detrimento da fiscalização. Ou seja, nas vésperas das eleições, a tendência é que os marronzinhos passem a multar menos.

O desgaste de Scaringella se arrasta desde os primeiros meses do ano, tendo como principal ponto de partida a experiência feita pela CET em janeiro com a criação de uma faixa para motos na 23 de Maio.
O teste, previsto para uma semana, foi interrompido no meio por ordem de Kassab, após ser considerado internamente como um desastre devido à piora dos congestionamentos. A partir daí, todas as idéias de Scaringella passaram a ser vistas com mais ressalvas.

O ex-presidente da CET, por sua vez, também ficou cada vez mais insatisfeito com a função -tanto pela sobrecarga de responsabilidade como pela menor autonomia de recursos e de decisões- e se retraiu.
Num dos picos de agravamento dos congestionamentos, Scaringella disse considerar inevitável a piora do trânsito e que havia poucas alternativas no curto prazo. O secretário dos Transportes, então, anunciou um “pacote” de melhorias quase desconhecido na CET.

Diante de novo fracasso na repercussão das medidas (divulgação de rotas alternativas, restrição de estacionamento em algumas vias), consideradas tímidas, Kassab passou a anunciar novas propostas mais drásticas -em oposição a outras ações da CET meses antes.

A Folha apurou que boa parte das novas idéias -como reestudo de ampliação do rodízio de veículos e restrição maior aos caminhões- partiu de um membro do governo José Serra (PSDB), e não da CET.
A prefeitura decidiu, a partir daí, por exemplo, vetar a circulação da maioria dos caminhões no período diurno. A medida, que ainda depende de ajustes para valer no final deste mês, foi na contramão de medidas adotadas por Scaringella em 2007, que inclusive flexibilizaram os trabalhos de carga e descarga.

(ALENCAR IZIDORO, EVANDRO SPINELLI e CÁTIA SEABRA)

10/06/2008 - 08:49h Para Janio de Freitas frações “políticas” da PF manipulam ações em período eleitoral

JANIO DE FREITAS

O partido da PF


Deduz-se haver um serviço secreto e que não figura no mapa de atribuições da PF: é o serviço de influências eleitorais

ATÉ A EXISTÊNCIA de um serviço secreto da Polícia Federal voltado para si mesma consta do seu organograma conhecido, mas deduz-se haver por lá um serviço secreto mesmo, ativo há anos sem, no entanto, figurar no mapa de atribuições da PF: é o serviço de influências eleitorais.
Eleições à vista? O SIE, que os desconfiados também podem chamar de Sine, até para homenagear a nossa multidão de cineastas passivos e alguns ativos, não espera o início da campanha para oferecer os primeiros sinais de outra participação sua.
A primeira das participações foi aquela operação em São Luís, quando a então governadora Roseana Sarney despontava como favorita em uma eleição presidencial que tinha José Serra, ministro da Saúde, como pretendente. A concorrente mais forte, à época, foi alijada pelo irrompimento da PF, em um fim de semana, no cofre com recheio cuja origem o seu marido, Jorge Murad, não pôde ou não quis explicar.
Logo depois a PM maranhense estourava, a pretexto de fins suspeitos, um “aparelho” em que fez várias prisões: os suspeitos identificaram-se como policiais federais, vindos de outras regiões para uma operação secreta dada como de caça a grandes exportadores de drogas. A tal quadrilha, pelo visto, continuou exportando por outros lugares. A PF não prendeu Murad nem comprovou a procedência corrupta que atribuía ao dinheiro do cofre. O diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho, ganhou do PSDB uma vaga para candidatar-se a deputado em Minas, naquelas mesmas eleições de 2002. Mas apenas para ver, com seus companheiros de partido, que o eleito presidente foi Lula.
Ainda no nível das operações mais gritantes, seguiu-se a de São Paulo em 2006, quando Aloizio Mercadante era considerado, na disputa para governador, o adversário perigoso de José Serra, que deixava a prefeitura. Então apareceram outro invólucro e outro recheio, desta vez sob a forma de mala e dólares, ambos também descobertos e apreendidos pela sagacidade da PF. Agora, em hotel paulistano.
Para assegurar o escândalo tão eficiente quanto possível, houve até a participação de delegado que nem estava em serviço, mas proporcionou aos repórteres, em operação pretensamente sigilosa, fotos que fez dos dólares em maior volume do que a mala que os contivera. Esse delegado esteve afastado e voltou agora à atividade.
As investigações foram espetaculares, com promessas freqüentes de descobertas fantásticas e muito originais, porque conduzidas lá de Mato Grosso pelo delegado da PF Diógenes Curado e pelo procurador Mário Lúcio Avelar. Os citados na tal investigação foram muitos e, entre os da primeira linha, um certo Hamilton Lacerda. Quem era? Assessor de Aloizio Mercadante. De quebra, lá estavam dois ou três próximos de Lula. Da procedência dos dólares, da razão da mala, do uso previsto para o dinheiro, do possível beneficiário -bem, isso foi motivo de muito palavrório da PF e sobretudo do procurador de Mato Grosso para o Brasil e o mundo, e pronto.
Sábios foram os amigos de Paulinho, o deputado Paulo Pereira da Silva, que armaram por conta própria o seu escândalo, e à PF das eleições deixaram, até agora, o frustrante papel de ser só polícia. Ao Sine, porém, não faltam oportunidades, como prova o noticiário produzido agora no Rio.
As acusações ao deputado estadual Álvaro Lins de liderar, quando chefe de Polícia Civil do Estado do Rio, um bando de policiais corruptos são velhas por um motivo: as investigações e suas conclusões são antigas. Não têm a autoria da PF, como agora noticiado. Foram feitas por um serviço de informações voltado para o alto tráfico, mas também para as polícias fluminenses. Funcionou, em paralelo com a Secretaria de Segurança, ao longo dos dois últimos governos. Muitos dos acusados de agora já estiveram até presos sob as mesmas acusações do escândalo atual (Álvaro Lins não foi preso, mas já ocupava o centro do escândalo anterior).
O intervalo, daquela primeira etapa até esta altura, só tem uma explicação à vista: eleições. Explicação também aplicável ao fato de que a PF, não sendo a origem das investigações e conclusões sobre a ação criminosa, deu-lhes agora uma face política e eleitoral. Sem comprovações, sem ao menos indícios convincentes e, pior, sem que estejam claros, por ora, os objetivos em um quadro eleitoral que leva a confrontos religiosos, a disputas duras de predomínio político-partidário e a interesses que não podem abrir o seu jogo.

09/06/2008 - 09:39h Marta e cinco ministros de Lula participam de seminário

Marta escala ministros para ajudar campanha

Cinco membros do primeiro escalão do governo Lula participarão de debates com petista

marta_lula_pacbaixa.jpg

Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

Em mais um esforço para aproximar sua imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-ministra Marta Suplicy (PT) vai trazer o governo para dentro do debate sobre os principais problemas da cidade de São Paulo. A convite da petista, cinco ministros de Lula virão a São Paulo nas próximas semanas para discutir alguns dos principais temas que estarão no programa de governo que está sendo desenvolvido pelo PT para as eleições deste ano.

Todas as terças-feiras por um período de cinco semanas, um representante do governo virá à Capital. De acordo com articuladores da campanha de Marta, os debates fazem parte de uma ampla estratégia para aproximar a imagem da pré-candidata petista à do presidente Lula e usufruir ao máximo dos altos índices de popularidade do governo. Um dos principais pontos do plano para a corrida municipal é colocar Marta como a candidata ideal para aprofundar na cidade as mesmas mudanças realizadas pelo governo Lula na esfera federal.

Oficialmente, o convite aos ministros foi feito pelo Diretório Municipal do PT. Mas petistas reconhecem que Marta conversou pessoalmente com cada um para pedir a presença. Além disso, consultou Lula, que deu carta branca para a realização dos eventos.

Adicionalmente, dirigentes do PT avaliam que será possível formar uma “massa crítica” sobre os principais problemas da cidade. Além disso, parte das idéias surgidas nos debates poderá ser aproveitada no programa de governo de Marta, que está em fase de finalização.

O primeiro debate será realizado amanhã, com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, além de Marta e especialistas. Elas discutirão o tema central da campanha: mobilidade urbana, transportes e trânsito.

A base do debate será o projeto de mobilidade para a Copa de 2014, elaborado por Marta quando estava no Ministério do Turismo. A proposta prevê medidas como a construção de 65 km de metrô e 279 km de corredores de ônibus em São Paulo.

No dia 17, Marta receberá o ministro Fernando Haddad para falar sobre educação. No dia 24, será a vez do ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Em 1 de julho, o ministro da Justiça, Tarso Genro, tratará de violência urbana. O ciclo será encerrado com um debate sobre habitação, com o ministro das Cidades, Márcio Fortes.

Zarattini deve ser coordenador

Clarissa Oliveira

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), membro do time de aliados da ex-ministra Marta Suplicy na capital paulista, deverá ser o coordenador da campanha petista pela Prefeitura de São Paulo. A escolha, segundo articuladores da candidatura de Marta, será sacramentada em reunião marcada para hoje à noite, pela Executiva Municipal.

Até agora encarregado de coordenar as negociações da campanha de Marta, o vereador e presidente municipal do PT, José Américo Dias, chegou a ser visto como a escolha ideal para a vaga. Américo, entretanto, é candidato a mais um mandato na Câmara Municipal e não poderia se dedicar com o mesmo empenho aos preparativos da disputa pela prefeitura paulistana. Com Zarattini, afirmam petistas, Marta contará com alguém “em tempo integral” na posição.

18/05/2008 - 08:41h Curiosidade

urna.jpg

No link você pode ler os principais números da pesquisa Datafolha de hoje e minha analise, clique a seguir: DataFolha: Marta e Alckmin lideram em São Paulo.

Aqui nesta nota, só uma curiosidade.

Em 2000, ano em que Marta Suplicy disputou e ganhou as eleições a prefeitura de São Paulo, no final de abril, Marta tinha 27% na pesquisa Datafolha, atingindo 34% no final de setembro, nas vésperas do primeiro turno, equivalente a 38% dos votos válidos. Seu resultado acabou sendo 40% dos votos válidos.

Em 2004, sendo prefeita e disputando a reeleição, Marta tinha 20% na pesquisa do final de maio, chegando a 34% na pesquisa do final de setembro, poucos dias antes do primeiro turno.

Em 2000 Marta ganhou a eleição e em 2004 perdeu. No primeiro caso Marta liderava e o segundo colocado estava bem distante, já em 2004 Marta e Serra estavam empatados nas últimas pesquisas.
Como as situações eram outras, os candidatos distintos, as alianças e conjunturas bem diferentes, assim como a posição da mídia; não existe possibilidade de concluir nada sobre o próximo pleito municipal a partir destes números apresentados acima. São uma simples curiosidade. LF

12/05/2008 - 11:39h ELEIÇÕES 2010: O jogo duplo eleitoral do PMDB

quercia_temer.JPG


Nas capitais, o partido se divide entre acordos com legendas da base de apoio a Lula e da oposição. Com isso, mantém as portas abertas para qualquer composição nas eleições presidenciais de 2010

Gustavo Krieger - Correio Braziliense

Da equipe do Correio

Na semana passada, o presidente do PMDB, Michel Temer, encomendou à sua assessoria um estudo sobre as alianças do partido em todas as capitais brasileiras. Buscava mostrar que os peemedebistas continuam a ser parceiros do PT e do governo Lula, apesar do impacto provocado pela adesão da seção paulistana do partido à campanha de reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Na verdade, o mapa das coalizões deixa claro que o PMDB continua a seguir sua política de sempre. Distribui suas forças entre vários palanques e garante a condição de aliado privilegiado de qualquer um que deseja conquistar o poder.

O governo Lula é o “plano A” do partido, ao menos por enquanto. A escolha faz sentido. Os peemedebistas ocupam cinco ministérios e conquistaram cargos estratégicos de segundo escalão e na direção das maiores empresas estatais. Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua a ter altos índices de popularidade, que fazem dele um importante eleitor nas campanhas municipais deste ano. Ao PMDB interessa disputar as eleições com o rótulo de partido governista.

Esse quadro fez com que o PMDB entrasse com boa vontade nas negociações com o PT em diversas capitais. A legenda deve apoiar candidatos petistas às prefeituras de Vitória, Teresina, Fortaleza, Natal, Porto Velho, Maceió e Belém. Pode ainda fechar com os petistas em Curitiba e no Rio de Janeiro. Na contramão, a única capital na qual os petistas apóiam um nome do PMDB é Goiânia. E lá, a adesão à reeleição do prefeito Iris Rezende rendeu confusão. Foi aprovada por uma estreita margem no diretório regional e os derrotados apresentaram recurso à direção nacional do PT.

“Nas eleições de 2004, PT e PMDB foram aliados em 1.260 cidades”, recita Temer, depois de um cuidadoso estudo. “Este ano, o número vai aumentar”, prevê. Tudo bem, mas os números escondem uma relação complicada entre as duas legendas. Os conflitos são mais comuns que os acordos. São Paulo é o caso mais sintomático. O ex-governador Orestes Quércia negociou o apoio a Kassab diretamente com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), principal adversário do PT e do governo Lula. Quércia já anunciou o apoio à candidatura presidencial de Serra em 2010.

Os dois partidos vão se enfrentar nas urnas em outras capitais importantes. Há antigas desavenças, como em Recife, onde o PMDB é controlado pelo senador Jarbas Vasconcelos, um dos poucos parlamentares da legenda que não aderiu ao governo Lula. E há problemas novos, como Salvador. Em 2006, o PMDB baiano apoiou a candidatura do petista Jaques Wagner ao governo. O acordo rendeu ao deputado Geddel Vieira Lima o convite para o ministério da Integração Nacional, mas não resistiu à campanha municipal. O PT deveria ter apoiado a reeleição do prefeito João Henrique (PMDB). Como ele enfrenta dificuldades e está com a popularidade em baixa, os petistas desembarcaram e vão lançar candidato próprio.

Temer minimiza as diferenças. “Conversei com o presidente Lula sobre o caso de São Paulo e de outras capitais. Ele entendeu que são questões locais. Embora nossos partidos sejam nacionais, sua vocação é regional.”

Planalto
A situação é mais complicada e Lula está preocupado em perder o PMDB. As relações entre o partido e o PT são tradicionalmente tensas porque eles disputam o poder em boa parte dos estados. Desde que foi reeleito, Lula atua como uma espécie de árbitro. Para assegurar a fidelidade do PMDB no Congresso cedeu mais ministérios ao partido. O PT perdeu espaços, reclamou mas acabou aceitando.

Um sinal de preocupação foi que nos últimos dias Lula fez dois movimentos para ampliar seu diálogo com o PMDB. Pediu a Temer que ele formasse uma espécie de conselho informal no partido. Além do próprio Temer, esse conselho é integrado pelo líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), Geddel Vieira Lima e o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O nome-chave nessa operação é Jobim. Lula quer que ele presida a legenda a partir do ano que vem, quando Temer é cotado para disputar a presidência da Câmara. Para isso, precisa reaproximar seu ministro da atual direção partidária. O segundo movimento foi uma reaproximação com o senador Renan Calheiros (AL), importante aliado do governo.

Lula tem dito que quer um candidato único da base governista. O PMDB tenta se cacifar para indicar esse nome. A única alternativa concreta é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Ele tem sido cortejado a deixar o PSDB, mas é uma operação difícil.

Entre os principais líderes do PMDB, a única certeza é que a fidelidade ao governo Lula tem prazo de validade. Vai até o início de 2010. Se então o governo não apresentar um candidato viável à sucessão de Lula, o partido pode ficar neutro ou mesmo aderir aà Serra. “Já estivemos no palanque com o PSDB e não temos nenhum veto”, diz um ministro de Lula, sob condição de ficar no anonimato.

O PMDB sairá das eleições municipais com todas as portas abertas.

Relações entre pmdb e pt nas capitais

Acordo

Vitória (ES) - O PMDB vai apoiar a reeleição do prefeito João Coser, do PT.

Goiânia (GO) - O PT decidiu apoiar a reeleição do prefeito Iris Rezende (PMDB), mas a decisão rachou o partido e há um recurso ao Diretório Nacional.

Teresina (PI) - O PMDB vai apoiar o candidato do PT, deputado Nazareno Fonteles.

Fortaleza (CE) - O PMDB apoiará a reeleição da prefeita, a petista Luzianne Lins.

Natal (RN) - O PMDB deve apoiar o candidato do PT, que ainda não definiu nome.

João Pessoa (PB) - Os dois partidos integram a coligação para a reeleição do prefeito Ricardo Coutinho (PSB).

Porto Velho (RO) - O PMDB deve apoiar a reeleição do prefeito Roberto Sobrinho, do PT.

Boa Vista (RR) - Os dois partidos devem apoiar a reeleição do prefeito Iradilson Sampaio (PSB)
Lados Opostos

Porto Alegre (RS) - O clima é de confronto. O prefeito José Fogaça