03/10/2009 - 12:23h Em dia de Ciro, Palocci admite disputar SP

Na mesma data em que o deputado do PSB transferiu domicílio para o Estado, petista diz que aceita debater candidatura ao governo

Conforme acordo entre os partidos aliados, decisão sobre candidaturas ocorrerá apenas após definição de nomes para a Presidência

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

Ciro Gomes e seu título eleitoral, que foi transferido para SP


JOSÉ ALBERTO BOMBIG E FERNANDO BARROS DE MELLO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

No dia em que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo e manteve aberta a alternativa legal para disputar o governo do Estado, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT) admitiu pela primeira vez a possibilidade de também concorrer à sucessão do tucano José Serra no Palácio dos Bandeirantes em 2010.
A decisão, no entanto, conforme acordo entre os dois partidos, só deverá acontecer no início do ano que vem. Até lá, as duas siglas têm como objetivo comum a “desconstrução” da atual gestão tucana no Estado.
O anúncio de Palocci é uma forma de os defensores da candidatura própria petista ao Palácio dos Bandeirantes se contraporem aos setores do partido que apoiam Ciro e que até comemoraram a transferência de seu domicílio eleitoral.
“A agenda dada pelo Diretório Nacional de discutir esse assunto [candidato da eleição estadual] em fevereiro ou março é a mais adequada. Eu tenho toda a disposição de fazer essa discussão na hora certa”, afirmou Palocci, que também é deputado federal e um dos principais nomes do PT no Estado.
Desde que foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, no mês passado, da acusação de ter violado o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, Palocci passou a ser o principal nome do PT na corrida pelo Bandeirantes. Ele conta inclusive com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso Ciro não aceite retirar sua candidatura a presidente da República para ajudar a petista Dilma Rousseff [ministra da Casa Civil].
Mas, até ontem, Palocci se recusava a comentar publicamente o assunto. O ex-ministro da Fazenda justificou a iniciativa de aguardar o início de 2010 afirmando que é preciso esperar a definição das candidaturas ao Planalto.
Palocci foi o centro das atenção da festa feita pelo PT, em São Paulo, no início da tarde, para filiar o empresário Ivo Rosset, presidente da empresa têxtil Valisère, e sua mulher, a psicanalista Eleonora Mendes Caldeira, ao partido.
Assim que a festa petista acabou na Câmara Municipal, Ciro reuniu correligionários e jornalistas para assinar a mudança de seu domicílio eleitoral.
Ciro admitiu a possibilidade de concorrer na sucessão estadual, apesar de reafirmar sua intenção de disputar a Presidência e dizer que seu partido tem um forte nome, o recém-filiado presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf.
Ele disse ter atendido a considerações de seu partido e “de parceiros de grande relevância”, citando “muitos militantes queridos do PT”.
“Eu venho para ajudar.Confesso minha vontade de reafirmar uma candidatura à Presidência. Porém, agora com a legitimidade formal de ajudar a construir também aqui a agenda de São Paulo”, disse Ciro.
Conforme a lei, o candidato precisa ter o título eleitoral registrado na cidade e, consequentemente, no Estado pelo qual irá concorrer, pelo menos um ano antes da eleição.
Na segunda-feira, a direção estadual do PT-SP tem programado um extenso debate sobre a sucessão de Serra. A ala mais próxima da ex-ministra Marta Suplicy defende, internamente, a candidatura própria com Palocci à frente da chapa. Outra, afinada com o Planalto, sonha em ter Ciro Gomes na chapa.
“O mais importante é nós juntarmos os partidos da base aliada ao presidente Lula para definirmos um único nome. Se for o do Ciro, ótimo”, disse Cândido Vaccarezza, líder do PT na Câmara dos Deputados.
O próprio Palocci, por sua vez, comemorou a decisão do deputado do PSB: “O Ciro é muito bem-vindo ao debate em São Paulo. Vai ser muito considerado por nós”.
Ciro voltou a fazer críticas ao governador Serra e ao PSDB. “O governo do [ex-presidente] Fernando Henrique, com Serra ministro durante oito anos, foi um desastre”, disse. Apesar de afirmar que tem um diálogo permanente com o PT, Ciro também fez críticas ao partido, especialmente ao desejo petista de encabeçar as chapas.

03/10/2009 - 11:57h PT fica refém de Ciro em São Paulo


Lançamento de candidato petista ao governo depende agora do deputado

Vera Rosa e Clarissa Oliveira – O Estado SP

A iniciativa do deputado Ciro Gomes (PSB) de transferir o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo agradou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas jogou o PT na encruzilhada e dividiu o partido. Embora a tática tenha sido combinada com o Planalto e Ciro diga que será candidato à Presidência – e não ao governo paulista, em 2010 -, o movimento já provocou efeito colateral. Na prática, o PT ficará refém de Ciro no maior colégio eleitoral do País enquanto o destino político do ex-ministro da Integração não for definido.

“A eleição está muito longe e não precisamos ter pressa para acertar nada antes de março”, amenizou o deputado Antonio Palocci (PT-SP). “Compreendo a ansiedade de muitos no PT, mas até agora não sabemos nem mesmo quem será nosso adversário no PSDB.” Ex-ministro da Fazenda, Palocci é hoje o nome mais cotado, nas fileiras do PT, para concorrer à sucessão do governador José Serra (PSDB), pré-candidato à Presidência. Tudo depende, porém, do jogo com Ciro.

Lula não quer a base aliada dividida na campanha e tenta atrair o apoio de Ciro à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Planalto. Sob a alegação de que uma eleição plebiscitária entre o PT e o PSDB é melhor para o governo, Lula insistirá com Ciro para que desista de disputar a Presidência e entre na briga pela cadeira de Serra. Nesse cenário, garante o aval do PT a ele.

Em conversas reservadas, porém, petistas se queixam da interferência de Lula, que obriga o PT a ficar em compasso de espera. Numa cerimônia realizada ontem na Câmara Municipal para filiação do empresário Ivo Rosset, dono da Valisère, e da psicanalista Eleonora Rosset ao PT, a variável Ciro dominou as conversas.

O argumento dos insatisfeitos é que o partido não pode abrir mão da candidatura própria em São Paulo. Alegam que o PT precisa começar a construir alianças e a fazer campanha, já que seus principais nomes, como Palocci e a ex-prefeita Marta Suplicy, têm alto índice de rejeição.

Na tentativa de manter as aparências e mostrar que o PT não está engessado, o presidente do partido em São Paulo, Edinho Silva, convocou reunião da Executiva Estadual e dos pré-candidatos petistas ao governo para a próxima segunda-feira.

Além de Palocci e Marta, foram convidados para o encontro o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, o deputado Arlindo Chinaglia (SP), o senador Aloízio Mercadante (SP) e o ministro da Educação, Fernando Haddad. “Existe um gesto concreto de Ciro ao mudar o título para São Paulo, mas nosso desafio é intensificar o diálogo com ele e com o PSB, PDT, PC do B e PMDB”, comentou o presidente do PT paulista. “Não podemos fazer desse momento um problema e mantemos a tática pela candidatura própria.”

Edinho e Marta são aliados de Palocci, mas procuram não criticar Ciro. Farão o que Lula mandar. “Estou na campanha para que Palocci seja nosso candidato, mas o cenário é muito nublado ainda”, afirmou Marta. Embora o grupo político da ex-prefeita queira lançá-la ao Senado, ela deve entrar na corrida por uma vaga na Câmara dos Deputados, em 2010.

No jantar com Ciro, em agosto, Lula combinou com o deputado que ele transferiria o domicílio eleitoral para São Paulo, mesmo sem ter decisão tomada sobre candidatura. Foi uma forma de ganhar tempo e convencê-lo a desistir do páreo presidencial. Se não conseguir, tem Palocci como curinga.

Apesar de atender ao apelo de Lula, Ciro não dá sinais de recuo em relação a seus planos. Para ele, o governo comete “grave erro” ao avaliar que uma campanha polarizada entre Dilma e Serra dará vitória ao PT.

Nos bastidores, petistas que torcem o nariz para Ciro juram que ele quer mesmo ser vice de Dilma e pôs a candidatura ao Planalto na roda para negociar. Lembram, porém, que o vice da chapa precisa ser do PMDB, por causa do tempo de TV e da estrutura do partido nos Estados. Até agora, o mais citado para vice é o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).

É em nome da eleição de Dilma que o tabuleiro do PT se ajeita, mesmo a contragosto de algumas alas. “Não estamos preocupados com essa história de amarrar o PT em São Paulo a Ciro”, disse o deputado José Genoíno (SP). “Vamos mexer todas as peças com o objetivo de eleger Dilma.”

Embora o caminho do PT em São Paulo esteja nas mãos de Ciro e Lula, o presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), adotou a cautela e jogou água no caldeirão petista. “No PT, os caciques não impõem à base nenhuma decisão”, insistiu. “Não temos nada contra Ciro, mas o PT tem vários nomes”, emendou o vereador Antonio Donato, secretário de Comunicação do partido em São Paulo. “Só o que não tem é candidato.”

Dono da Valisère vira petista de carteirinha

Em 2002, foi pioneiro no apoio a Lula

Na mesma semana em que o PSB anunciou a entrada do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, em suas fileiras, o PT demonstrou que não ficará atrás na hora de exibir empresários ricos e famosos no seu quadro de filiados. Pelas mãos da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, ingressaram ontem no partido o empresário Ivo Rosset e a psicanalista e socialite Eleonora Rosset (ex-Mendes Caldeira).

Dono da marca Valisère – que produz 1,5 milhão de peças de lingerie por mês -, Ivo garantiu que não tem pretensões eleitorais. Disse querer apenas “oficializar” sua posição. Mas, no ato organizado para a filiação, ficou claro que, se mudar de ideia, o slogan da campanha não será problema. “O primeiro apoio a gente nunca esquece”, disse Ivo, ao encerrar seu primeiro discurso como petista, no qual lembrou o aval dado ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e, já como presidente, na reeleição de 2006.

A frase remete a uma campanha publicitária idealizada pela W/Brasil para a Valisère, que embalou a adolescência das meninas na década de 80. “O primeiro Valisère, a gente nunca esquece”, dizia o filme. Antes mesmo do início do ato, o ex-ministro e deputado Antonio Palocci (PT-SP) inaugurou a série de declarações nostálgicas. “Vou dizer a eles que o primeiro partido a gente nunca esquece”, brincou. Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou que Ivo se tornou conhecido graças ao slogan: “Havia naquele anúncio uma criatividade e beleza muito especiais.”

Ivo Rosset foi um dos primeiros empresários a apoiarem publicamente Lula. Marta recebeu os dois num jantar organizado em sua casa, em 2002, para aproximar o então candidato do empresariado. “Fiquei encantado”, lembrou Ivo.

Eleonora, por sua vez, é descrita por petistas como uma “militante informal”. A psicanalista disse ter ouvido dos avós que política não é “coisa de gente séria”. Ainda assim, optou pela filiação. “Não é só o Celso Amorim que queria ser petista de carteirinha”, emendou, citando o ministro de Relações Exteriores, outro recém-filiado ao PT.

De carona no discurso da amiga, Marta afirmou que a filiação quebra o preconceito dos ricos contra a classe política. “Não existia muito essa aceitação, em parte da sociedade mais burguesa, de participar de política”, afirmou a ex-ministra, presença certa nas rodas da alta sociedade.

02/10/2009 - 20:39h Ciro em SP?: Berzoini diz que há espaço para socialista; Marta Suplicy, no entanto, defende candidatura de Antonio Palocci

Com transferência de título, PT já admite apoiar Ciro em SP

Carolina Freitas, da Agência Estado


Em sentido horário: Palocci, Ivo e Eleonora Rosset e Berzoini, durante ato na Câmara Municipal

HÉLVIO ROMERO/AE – Em sentido horário: Palocci, Ivo e Eleonora Rosset e Berzoini, durante ato na Câmara Municipal


SÃO PAULO - Em evento na Câmara Municipal de São Paulo, o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, admitiu nesta sexta-feira, 2, a possibilidade de o partido apoiar uma eventual candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB) ao governo de São Paulo em 2010. Sentada a poucos metros de Berzoini, a ex-prefeita Marta Suplicy, por sua vez, afirmou defender a candidatura do deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci ao governo.

A declaração de Berzoini, feita durante o evento de filiação dos empresários Ivo e Eleonora Rosset, da Valisère, ao PT, vem no mesmo dia em que Ciro transfere seu domicílio eleitoral para o Estado, abrindo a hipótese de lançar-se a governador. Apesar da transferência, Ciro tem deixado clara sua pretensão de concorrer à Presidência nas próximas eleições.

“Há espaço para Ciro ser candidato em São Paulo com o apoio do PT”, afirmou Berzoini, após participar, na Câmara Municipal, da cerimônia de filiação ao PT do empresário Ivo Rosset e da psicanalista Eleonora Rosset. “O PT é um partido democrático, onde os caciques não impõem à base nenhuma decisão. Pelo debate sobre o futuro do Brasil, há espaço para construir isso no PT.”

Apesar da disposição de Berzoini, o PT estadual trabalha prioritariamente com uma candidatura própria ao governo paulista. Para o presidente do PT-SP, Edinho Silva, a decisão de Ciro de transferir o título mostra a necessidade de “diálogo”. “A possibilidade de Ciro concorrer ao governo era uma especulação. Hoje é real, concreta”, disse o líder. “A decisão dele formaliza que o PT tem de dialogar com o PSB de uma forma efetiva.”

Edinho sugeriu que Ciro saia como vice da ministra Dilma Rousseff, possível candidata do PT à Presidência. “A prioridade é construir a vice-presidência com o PMDB, mas não se pode descartar uma liderança como Ciro Gomes.”

Antonio Palocci

Nome forte para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes pelo PT, o deputado federal Antonio Palocci esforçou-se em mostrar cordialidade diante da decisão de Ciro. “Como liderança política e como companheiro nosso, Ciro é muito bem-vindo ao debate em São Paulo”, disse. “Ele vai ser muito considerado por nós.”

Sobre sua própria candidatura, no entanto, Palocci esquivou-se de falar. “Não tenho nada a esconder, mas a discussão não se coloca agora”, afirmou. “Primeiro decidiremos o cenário nacional, depois os Estados.”

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy – também sondada para concorrer ao governo estadual – evitou fazer prognósticos sobre o destino de Ciro. “O cenário é muito nublado, não temos de fazer análises precipitadas.” A respeito da hipótese de concorrer ao Executivo paulista, Marta disse não estar entre suas preferências. “Governo não é a minha prioridade. Vou ser candidata em 2010, mas estou na campanha por Palocci em São Paulo.”

Palocci e Marta foram, cada um a seu tempo, saudados com gritos de “governador” e “governadora” por pessoas da plateia, formada por mais de 300 pessoas.

Ivo e Eleonora Rosset, donos da Valisère, assinam filiação ao PT

Empresário foi o primeiro importante membro do mundo dos negócios a expressar apoio público a Lula

estadao.com.br


O Partido dos Trabalhadores realizou nesta sexta-feira, 2, cerimônia para oficializar a filiação do casal  Ivo e Eleonora Rosset, donos da Valisère à sigla. Ivo foi o primeiro grande empresário a expressar apoio a candidatura de Lula nas eleições presidenciais de 2002.

Marta Suplicy, presente na cerimônia de filiação do casal Rosset, ressaltou a atitude do empresário. “Enquanto alguns empresários ficaram ciscando em diferentes partidos, o Ivo não foi bater em qualquer porta, foi no partido no qual ele acreditava há bastante tempo”, disse a ex-ministra. “Isso mostra, diferentemente dos outros, que não existe oportunismo nessa filiação.”

O líder do PT na Assembleia Legislativa, deputado Rui Falcão, aproveitou a oportunidade para alfinetar o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. O empresário filiou-se nesta semana ao PSB, após sondagens a vários partidos. “Hoje há na nossa cidade e no nosso Estado empresários à procura de partidos, já o Ivo fez essa decisão há muitos anos e agora a formaliza.”

Partido Verde

O PV também se movimentou no sentido de angariar empresários para o seus quadros. Na última quarta-feira, 30, Marina Silva conduziu uma cerimônia de filiações ao Partido Verde: das 17 pessoas que se juntaram à sigla, 11 eram empresários e entre eles Guilherme Leal, copresidente do Conselho da Administração da Natura, cotado para assumir o posto de vice na chapa de Marina.

Entre os novos membros do Partido Verde que compareceram à cerimônia estavam Fernando Tedesco Simões, do Moinho Brasil, Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, Ricardo Guimarães, sócio e diretor-presidente da Thymus Branding, e Fernando Garnero, do Grupo Brasilinvest.

Com informações de Carolina Freitas, da Agência Estado

01/10/2009 - 16:50h Ivo e Eleonora Rosset filiam-se ao PT amanhã

Arquivo Pessoal
Lula, Marisa, Eleonora e Ivo, dono da Valisère, no jantar para 450 convidados na campanha eleitoral de 2002


Último Segundo

Logo Agência Estado

O presidente da Valisère, Ivo Rosset, e sua mulher, a psicanalista Eleonora Rosset (ex-Mendes Caldeira), vão se filiar amanhã ao Partido dos Trabalhadores. O evento está marcado para as 11 horas na Câmara Municipal de São Paulo e está sendo organizado pelo Diretório Municipal da legenda.

As principais lideranças do PT, inclusive o presidente nacional, Ricardo Berzoini, devem marcar presença na cerimônia que marca a entrada oficial do casal no partido.

Ivo Rosset foi um dos primeiros empresários de peso a apoiar publicamente o então candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva na campanha presidencial de 2002. Já sua mulher Eleonora é reconhecida no partido como uma antiga militante ’sem ficha’, em razão de ter capitaneado ao longo de anos eventos em prol de candidaturas petistas, como a da ex-prefeita Marta Suplicy.

O casal organizou em setembro de 2002, em pleno auge da campanha presidencial, um dos mais badalados jantares em apoio a Lula, reunindo em sua residência centenas de convidados da alta sociedade paulistana e boa parte do PIB do País, como Benjamin Steinbruch, Horácio Lafer Piva, José Mindlin, Cláudio Bardella e Eugênio Staub.

O casal também apoiou Lula na campanha pela reeleição em 2006. De acordo com lideranças petistas, o dono da Valisère sempre externou seu apoio à condução da política econômica nos dois mandatos do presidente Lula, principalmente em razão das medidas de estímulo ao crescimento econômico promovidas pela equipe do governo petista.

O próximo dia 03 de outubro é a data limite imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a filiação partidária e transferência de domicílio eleitoral para quem deseja concorrer a algum cargo nas eleições gerais de 2010.

01/10/2009 - 16:18h Matéria de 2002: Eleonora Mendes Caldeira, mulher do empresário Ivo Rosset, ela conta como ajudou a quebrar o preconceito da elite xiita contra Lula com dois jantares para o petista

Sociedade/Eleonora Mendes Caldeira – 11/11/2002


Mulher do empresário Ivo Rosset, ela conta como ajudou a quebrar o preconceito da elite xiita contra Lula com dois jantares para o petista

Juliana Lopes – ISTOÉ Gente

Arquivo Pessoal
Lula, Marisa, Eleonora e Ivo, dono da
Valisère, no jantar para 450 convidados

Um adesivo da campanha de Paulo Maluf à prefeitura colado na janela do carro causava arrepios a Eleonora Mendes Caldeira. Seu único filho, André, hoje com 25 anos, era então um pré-adolescente simpatizante do político símbolo da direita paulista. “Eu tinha que respeitar”, diz a psicóloga Eleonora, 56 anos. Doze anos depois, no dia 17 de outubro, André agradecia à mãe pelo inusitado presente de aniversário: um bolo do PT e um abraço de Luiz Inácio Lula da Silva. Embora o aniversário fosse de André, naquela data o homenageado era Lula. Eleonora e o marido, o empresário Ivo Rosset, dono da Valisère, haviam reunido no prédio onde moram 450 convidados da alta sociedade paulistana num jantar para o então candidato do PT à Presidência.

André é apenas um dos convertidos por Eleonora ao petismo. A locomotiva do PT que sacudiu a elite paulistana com dois jantares em prol de Lula na campanha conta, em seu consultório, em São Paulo, que teve agradáveis surpresas nessa eleição. O famoso bolo de três andares de pão-de-ló, doce-de-leite e morangos do jantar do dia 17 foi oferecido por Lali Mansur (mulher do empresário Carlos Alberto Mansur, dono da Vigor). “Pedi a Lali para fazer o bolo uma semana antes do jantar. Na véspera ele estava pronto, lindo, com estrelas do PT!”, conta ela, animada.

Empolgação mesmo aconteceu na residência dos Mansur. “As empregadas estão emocionadíssimas! Todas vão votar no Lula! Foram até o comitê do PT comprar as estrelinhas para fazerem a cobertura no mesmo formato!”, disse Lali a Eleonora. O bolo foi o primeiro assunto de Lula ao chegar para a festa em que estavam pesos pesados da indústria como Eugênio Staub, dono da Gradiente, Daniel Feffer, do Grupo Suzano, e Fernando Xavier, da Telefônica – evento muito mais grandioso do que o jantar para 126 pessoas do dia 4 de setembro. “Levamos o Lula até o bolo para contar a história. Ele achou o máximo”, lembra a anfitriã.

Antes da onda vermelha virar chiique, Eleonora sentia-se de escanteio em festas do high society quando o assunto era política. “A Regina Duarte acha que foi patrulhada. Patrulhada fui eu! Muito mais que ela!”, diz. “Muita gente da alta sociedade tinha preconceito. Agora melhorou muito.” Acostumada a lidar com quem não gosta do PT, Eleonora ficava cheia de dedos para convidar amigos para os eventos com Lula. Para a socialite Fátima Scarpa, ligou avisando logo que “ela não era obrigada a ir”. E também preveniu que ninguém ia pedir dinheiro. Ouviu de Fátima uma sonora risada: “Imagina! Vou votar no Lula!”.

Feliz com o que chama de “lulismo” – fenômeno que, segundo Eleonora, atingiu em cheio a elite paulistana agora bastante empolgada com o presidente eleito, ela conta que também converteu o marido, Ivo Rosset, um dos grandes empresários que apoiaram Lula. “Minha mulher é o maior cabo eleitoral do PT”, diz ele. “Acabei me tornando também”, afirma o dono da Valisère. “No meu caso ela não tem participação”, garante Rosset. A adesão do casal influenciou pessoas próximas. Além de amigos da comunidade judaica, os filhos de Ivo – três empresários entre 30 e 36 anos – também entraram na onda vermelha. “Esses votaram no Serra no primeiro turno”, segreda Eleonora. “Fiz tanta boca-de-urna que disseram que eu ia ser presa. Botei estrelinha em todo mundo.”

O bolo de pão-de-ló preparado para Lula

O envolvimento de Eleonora com a política começou cedo. Ela cursava Direito no começo dos anos 70 na Faculdade Mackenzie, região central de São Paulo, onde havia conflitos freqüentes entre polícia e estudantes. Amiga de Chico Buarque, com quem teve um namorico, ela não militou, mas
sempre esteve no meio do burburinho. Chegou ao PT por intermédio da prefeita de São Paulo Marta Suplicy, de
quem se tornou amiga na adolescência e até hoje é bem próxima. “Eu e meu marido, Luís Favre, temos convivido
muito com Ivo e Eleonora e nossas conversas certamente ajudaram Eleonora a levar Ivo para um partido pelo qual
ela tinha simpatia”, diz a prefeita. Favre fez a ponte entre Rosset e a cúpula do PT. “Os jantares foram importantes porque Ivo e Eleonora manifestaram de público apoio ao
Lula, o que muitos empresários fizeram depois”, diz Favre. “Foi uma atitude pioneira.”

O primeiro voto de Eleonora no PT foi na eleição de Luiza Erundina para a prefeitura de São Paulo em 1988. Para presidente, optou por Lula e não Collor um ano depois.
Depois escolheu duas vezes seguidas o tucano Fernando Henrique Cardoso porque o admirava como intelectual.
“Mas não votei em José Serra porque Lula é mais preparado como político e como pessoa”, diz.

Não era fácil ser petista em casa. Seu pai, Octávio Camillo Pereira de Almeida, de família quatrocentona do Vale do Paraíba, foi secretário de Obras e de Vias Públicas da prefeitura de São Paulo durante 12 anos. Entre os prefeitos, conviveu com Paulo Maluf, que era odiado pelos amigos da filha mais velha. “A briga maior que tivemos foi quando ele votou no Collor para presidente”, conta Eleonora, que não perdeu a piada quando o político alagoano sofreu impeachment. “Cheguei em casa dizendo: ‘Estão vendo como eu estava certa? Eu avisei, eu avisei!’”, disse. Octávio morreu em 1999. Depois de viver uma fase em que seus amigos eram de esquerda, Eleonora passou a estar cercada de socialites por todos os lados. Casou-se em 1972 com o banqueiro Victor Simonsen. Dois anos depois, uniu-se ao incorporador Wilson Mendes Caldeira, de quem herdou o sobrenome. O casamento durou 19 anos.

Por enquanto, Eleonora não pensa em outras festas para Lula. “Agora é hora de trabalhar, mas tenho certeza de que teremos muita coisa para comemorar nesses próximos quatro anos”, diz ela. “Espero que Lula faça um governo que dê dignidade para milhões de brasileiros, com emprego e educação. Que ele não pense em números, mas em gente.”

01/10/2009 - 14:29h O empresário Ivo Rosset e sua esposa, Eleonora Rosset, ingressam ao Partido dos Trabalhadores amanhã

Eleonora_ivo

Com a presença da Ex-Ministra do Turismo e Ex-Prefeita de São Paulo Marta Suplicy, dos presidentes do PT nacional, estadual e municipal e deputados e senadores petistas, o empresário Ivo Rosset e sua esposa, a psicanalista Eleonora Rosset, assinam sua filiação ao Partido dos Trabalhadores.

Amigos e apoiadores de Marta, Ivo Rosset é membro do Conselho Económico e Social, empresário têxtil, e um dos primeiros grandes empresários a apoiar a eleição de Lula em 2002, participando naquele ano do programa eleitoral do PT. Tendo apoiado as campanhas de Marta Suplicy em São Paulo desde sua eleição como prefeita da cidade.

Sua aproximação ao partido desde 2002 e seu apoio ao governo Lula permaneceram constantes durante todos estes anos, mesmo sem formalizar sua filiação até agora. Su esposa, a psicanalista Eleonora Rosset, foi presença constante nas atividades de apoio a Lula e também de Marta Suplicy, sua amiga de longa data. LF

13/06/2009 - 11:00h Encontro de Dilma com mulheres continua repercutindo

Revista Época
(clique na imagem para ampliar)

dilma_epoca1.jpg
dilma_epoca2.jpg

07/06/2009 - 12:14h Dilma diz que 3º mandato é só para o “projeto”

Marlene Bergamo/Folha Imagem
dilma_marta_almoco.jpg
ENTRE MULHERES
A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (em pé) recebe em sua casa a ministra Dilma Rousseff para um almoço com mulheres interessadas em conhecer a candidata de Lula à Presidência

Para a ministra, não é possível seguir com o mesmo governante por mais uma gestão, mas sim com o mesmo governo

Dilma disse, no entanto, que o governo não pode impedir que outras pessoas sugiram uma proposta que permita uma segunda reeleição

ANA FLOR – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou ontem em São Paulo que o que está em discussão não é a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputar um terceiro mandato, mas sim de o atual projeto de governo continuar por mais quatro anos.

“O que estão dizendo é o seguinte: “Olha, não tem terceiro mandato para a mesma pessoa, tem terceiro mandato para o mesmo projeto”. É diferente”, disse, ao chegar a um almoço com mulheres organizado pela ex-prefeita Marta Suplicy.

Dilma afirmou, ao ser recebida por volta das 13h por Marta na porta da casa da ex-prefeita, no Jardim Europa, que “a democracia brasileira é algo ainda frágil. Insipiente não, porque, afinal de contas, já temos 20 anos [de regime democrático]“.

Segundo ela, a modificação do cenário institucional neste momento não é recomendável. “Isso não é o projeto do governo. O governo pode continuar sem ser terceiro mandato.”

A ministra disse, porém, que o governo não tem como impedir que pessoas tomem a iniciativa como a de propor uma mudança na Constituição que permita um terceiro mandato.

Dilma afirmou ainda, quando questionada sobre a possibilidade de concorrer a um cargo eletivo -o que nunca fez-, que “passar pelo crivo do eleitor é algo muito importante”.

A ministra disse que não se nega a isso, mas escapou de se comprometer com uma candidatura à Presidência. “Acho que é algo [candidatar-se] a que qualquer pessoa que atua na política e que tem compromisso com a cidadania aqui no Brasil tem de se submeter.”

A ministra comentou a importância que São Paulo tem em seus projetos. O Estado -reduto eleitoral do tucano José Serra- foi descrito por ela como local onde surgem “atividades bastante modernas que são e que trazem consigo as perspectivas do futuro”.

Nesse momento, Dilma cometeu uma gafe. Chamou Marta, que é psicanalista, de Marcia. Ela se corrigiu em seguida.

Participaram do almoço, cujo menu foi cuscuz de camarão, picadinho de carne e saladas, as apresentadoras Ana Maria Braga, Adriane Galisteu e Luciana Gimenez, a atriz Maria Paula, as editoras Luciana Villas Boas e Maria Laura Neves, a escritora Walnice Galvão, a filósofa Marilena Chauí, as dramaturgas Marta Góes e Leilah Assumpção, a cineasta Monique Gardenberg, a psicanalista Eleonora Rosset, a empresária Viviane Senna, a ex-jogadora de basquete Hortência, as jornalistas Patricia Zaidan e Mônica Waldvogel e a advogada Helena Maria Diniz.

Segundo a Folha apurou, a doença da ministra, que faz tratamento contra um câncer linfático, só foi abordada em conversas paralelas. O grupo discutiu pré-sal, Lei de Imprensa e Bolsa Família. O assunto eleição foi colocado em pauta pela anfitriã, mas a ministra não se prolongou no tema.

Ao comentar sobre o grupo feminino eclético que participou do almoço, Dilma disse que “são todas mulheres especiais, que simbolizam mulheres profissionais, mulheres que, nas diferentes áreas de atividade, são mulheres bem-sucedidas”.

07/06/2009 - 11:51h Terceiro mandato não é meta do governo, diz Dilma

Ministra participou de almoço com mulheres na casa de Marta Suplicy

Fausto Macedo e Roberto Almeida – O Estado SP

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, participou ontem de um almoço na casa da ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy. Na entrada do evento – somente para mulheres -, Dilma mandou um recado para os deputados que apoiaram a nova proposta de emenda constitucional (PEC) do terceiro mandato. “O que é que a gente pode fazer? Esperamos que num determinado momento entendam que não é isso que é o projeto do governo. O governo pode continuar sem ter terceiro mandato”, disse a ministra.

Segundo Dilma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera a democracia brasileira “ainda frágil” e, por isso, nega a possibilidade de se manter no poder. Ele afirma que a tese de terceiro mandato está fora de cogitação. “Afinal de contas, temos 20 anos (de Constituição)”, completou a ministra. “Daí porque ele defende que o mandato termine dia 31 de dezembro. Agora, nós não temos como impedir que as pessoas tomem iniciativas.”

Embora Dilma tenha reiterado ontem que não fala “nem amarrada” de sua candidatura à Presidência, ela disse estar disposta a enfrentar as urnas pela primeira vez. “De fato, nunca concorri a nenhum cargo eletivo. Eu acho que passar pelo crivo do eleitor é algo muito importante, nunca me neguei, não tive oportunidade. Não me nego a isso não, algo que qualquer pessoa que tem compromisso com a cidadania e com o Brasil tem de se submeter.”

Dilma disse achar “normal” que muitas das convidadas do almoço – apresentadoras de TV, jornalistas, filósofas e empresárias – digam que ela é candidata à sucessão de Lula. “É uma conversa com mulheres que têm projeto, perspectiva, capacidade de sonhar e pensar o Brasil”, destacou.

De acordo com a ministra, são “todas mulheres especiais” porque simbolizam “mulheres bem-sucedidas”. “É um momento muito importante, muito significativo para mim. São pessoas que têm algo a dizer, é um encontro de diálogo.”

No entanto, ela apressou-se em dizer que o nome do PT para a Presidência ainda está em aberto. “Acho que ainda não tem um processo oficial de escolha de candidatos dentro do PT”, avisou. Indagada se Marta teria lugar em um ministério, Dilma elogiou a anfitriã. “Acho que ela tem todas as qualidades”, anotou.

Ela chegou à casa de Marta Suplicy, no Jardim Europa, em São Paulo, às 12h30 – bem disposta, mesmo após ter enfrentado a terceira sessão de quimioterapia quinta-feira para tratamento de um câncer linfático. Entre as convidadas estavam as apresentadoras Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, Luciana Gimenez e Maria Paula. Da academia, a psicanalista Eleonora Rosset, a filósofa Marilena Chauí e a dramaturga Marta Góes.

À saída, às 17 horas, Dilma contou que as convidadas a questionaram sobre a candidatura. “Elas perguntaram, mas todas tiveram a mesma reação que vocês (jornalistas): riram bastante do “nem amarrada”. Uma hora dessas vocês vão me vaiar. Mas não vale vaia, ainda, viu!”

Este é o segundo evento oferecido pela ex-ministra a Dilma. Em fevereiro, ela organizou um jantar para a titular da Casa Civil com objetivo de dissipar especulações de que o PT paulista resistiria à pré-candidatura.

Cuscuz e Bolsa-Família à mesa

Cuscuz de camarão, picadinho com batata palha e saladas à mesa, mas o prato preferido foi mesmo política e sucessão presidencial. Dilma Rousseff negou até o fim que seja candidata, mas teve ares de campanha o almoço na casa de Marta Suplicy, por ela definido como reunião “alegre, informal”. Dilma ouviu sugestões e respondeu a questionamentos sobre educação, pré-sal, emprego e também discorreu sobre violência doméstica. Alguém cobrou até quando fica o Bolsa-Família. “O governo pretendia acelerar a redução do Bolsa se não tivesse a crise internacional.”

Ouviu incentivos por sua candidatura. Falou do pré-sal como meta a ser alcançada no governo Lula. “É preciso um marco regulatório. O pré-sal é riqueza para antecipar o combate à pobreza.”

“Ela é muito franca, objetiva”, resumiu Viviane Senna, do Instituto Airton Senna. “É muito preparada”, anotou a advogada Helena Maria Diniz. “Eu disse que é a primeira vez que a gente tem uma candidata com condição de vitória, mas Dilma não mordeu”, contou Patrícia Zaidan, jornalista. “O cuscuz estava muito gostoso”, avaliou Luciana Gimenez, apresentadora de TV.

07/06/2009 - 11:26h Pré-sal tempera almoço de Marta Suplicy para a ministra Dilma Rousseff e convidadas

 

almoco-marta-e-dilma7.jpg
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é recebida pela ex-prefeita Marta Suplicy para um almoço em sua casa, na capital paulista. Na foto, além da ministra e da ex-prefeita, as apresentadoras Luciana Gimenez (primeira à direita), Maria Paula (segunda à direita); e Adriane Galisteu (terceira à direita). (Foto: José Luís da Conceição/Agência Estado

Assessoria de imprensa de Marta Suplicy

 

 



Mulheres de destaque na sociedade, jornalistas, artistas, empresárias e estudiosas conhecem a ministra da Casa Civil e ficam bem impressionadas

 

A ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy, ofereceu neste sábado, dia 6 de junho, um almoço para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e 17 convidadas. Apresentadoras de TV, como Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, Luciana Gimenez, a jornalista Mônica Waldvogel, artistas, como Maria Paula, empresárias, promotoras de arte, filósofas, enfim, mulheres com projeção profissional e que têm opiniões bem diferentes sobre vários assuntos foram conhecer Dilma.

 

Ao final do encontro, a impressão que Dilma causou, na melhor definição da tarde, partiu de uma assumida simpatizante de uma eventual candidatura do governador José Serra a Presidente, em 2010, a dramaturga Leilah Assunção: “Ela é uma grande mulher. Uma pessoa séria mesmo; não é pesada. Talvez, a gente precise disso, né?”

 

O que Dilma falou para agradar tanto? Um pouco de tudo, saúde, educação, Bolsa Família, cultura, mas, principalmente, de pré-sal – assunto que poucos entendem, mas que a ministra Dilma sabe muito e considera chave para que o Brasil dê adeus à pobreza. 

 

Todas ouviram, perguntaram, trocaram idéias, atentas a tudo. Participaram muito da reunião. E o que parecia um encontro entre pessoas tão diferentes acabou convergindo na opinião a respeito de muitos pontos, sobretudo na defesa de um Brasil com mais qualidade de ensino, saúde e direitos na proteção de crianças e promoção da mulher na sociedade.

 

Virou, mexeu: pré-sal. Também saiu uma conversa  sobre uma eventual candidatura da ministra da Casa Civil a Presidente, no ano que vem. A isto Dilma foi enfática. Dentro –para as convidadas– e fora da casa de Marta –para os jornalistas– descartou hipóteses: “não falo sobre isto nem amarrada”, brincou.

 

Do pré-sal? Falou. E muito. Mas, o que é isto? A chamada camada pré-sal é uma faixa que se estende ao longo de 800 quilômetros entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, abaixo do leito do mar, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos). O petróleo encontrado nesta área está a profundidades que superam os 7 mil metros, abaixo de uma extensa camada de sal que, segundo geólogos, conservam a qualidade do petróleo.

 

No Brasil, vários campos e poços de petróleo já foram descobertos no pré-sal, entre eles o de Tupi, na bacia de Santos, o principal.

 

O que a ministra disse de tão importante sobre o pré-sal? Dilma explicou que o governo do Presidente Lula trabalha para deixar estabelecido o marco regulatório, ou seja, as regras para que o dinheiro que o Brasil tem a ganhar com o petróleo seja em parte aplicado em um fundo para que ele reverta em favor de políticas que a sociedade brasileira entenda serem fundamentais para o crescimento econômico, combate à desigualdade e melhores condições de vida para todos.

 

“Este é o grande debate que temos de ter na sociedade brasileira. Vamos usar esse dinheiro para antecipar o combate a pobreza? Para melhorar a educação neste país? É uma riqueza volumosa. Temos de discutir isso hoje, pois é o que vai garantir amanhã que o conjunto da população seja beneficiado. Faremos isso o mais rápido possível”, explicou aos jornalistas, a ministra Dilma, no final do encontro.

 

A anfitriã, Marta Suplicy,  comentou que o encontro com Dilma  rendeu muito porque “o grupo era muito heterogêneo e conseguiu trazer assuntos diferenciados”. Não havia pauta nem assunto proibido. A proposta do almoço era possibilitar que mulheres de representatividade pudessem “trocar idéias sobre o Brasil”. O resultado do bate-papo, cada uma comentou a seu modo, na saída da casa de Marta. Segue abaixo a lista das participantes, ‘aspas’ da ministra Dilma, ao chegar na casa de Marta e ao sair do almoço. Também ‘aspas’ das participantes que comentaram o encontro aos jornalistas que cobriram a pauta.

Convidadas
Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff
Adriane Galisteu Apresentadora (BAND)
Ana Maria Braga Apresentadora (Globo)
Eleonora Rosset Psicanalista
Helena Maria Diniz – OAB Presid. OAB Mulher /SP
Hortência Atleta
Leilah Assumpção Dramaturga
Luciana Gimenez Apresentadora (RedeTV)
Luciana Villas Boas Editora Record
Maria Laura Revista Marie Claire
Maria Paula Casseta e Planeta
Marilena Chauí Filósofa USP
Marta Góes Dramaturga
Mônica Waldvogel Jornalista e apresentadora
Monique Gardenberg Produtora de eventos
Patrícia Zaidan Revista Cláudia (Abril)
Viviane Senna Instituto Airton Senna
Walnice Galvão Escritora e professora de Literatura


Aspas de Marta, pouco antes de receber a ministra Dilma Rousseff

Sobre o almoço

“A idéia foi reunir mulheres com representatividade em diversos setores, para que  pudessem conhecer pessoalmente a Dilma, trocar idéias, idéias do Brasil, sobre tudo e qualquer coisa. Propiciar que mulheres formadoras de opinião pudessem ter uma conversa informal de algumas horas com a ministra. Não sei o que vão querer saber ou conversar. Não sei.”

 

Aspas da ministra Dilma Rousseff na chegada para o almoço na casa de Marta Suplicy

Sobre as convidadadas
“São todas mulheres especiais. Simbolizam mulheres profissionais. Mulheres que nas mais diferentes áreas são bem-sucedidas. Então, é um momento muito importante. Eu acho muito significativo para mim e acho que essa iniciativa da Marta (Suplicy) foi uma iniciativa que permite contato mais próximo com pessoas que têm algo a dizer. É, sobretudo, um encontro de diálogo, de conversas. Conversa que nós temos essa imensa capacidade de fazer, ao mesmo tempo íntima e ao mesmo tempo que aborda os diversos aspectos da vida, da sociedade, os problemas do país. Eu acho que hoje nós teremos, a partir da 1 hora, um encontro muito importante.

Sobre ser candidata a Presidente em 2010
“Eu acho que é normal que muitas delas pensem isso. Agora, não é só isso. Acho que é uma conversa entre pessoas, que são mulheres, que têm projetos, perspectivas,  capacidade de sonhar e pensar o Brasil.”

PEC do terceiro mandato
“Eu acho que o presidente tem razão. O presidente considera que a democracia brasileira é algo ainda incipiente, frágil. Daí, então, o Presidente defende que o mandato dele acaba em 31 do 12. Mas, não temos como impedir que as pessoas tomem iniciativas. Afinal de contas, vivemos em uma democracia. Apesar das reiteradas negativas, o que a gente pode fazer. Olhamos e esperamos para que em um determinado momento entendam que não é esse o projeto do governo. O governo pode continuar sem ser terceiro mandato.”

Terceiro mandato é Dilma
“Eu entendo que digam isto. É uma colocação política. Estão dizendo que não tem terceiro mandato para uma mesma pessoa, tem terceiro mandato para um mesmo projeto. É diferente. Eu pretendo voltar muitas vezes aqui para São Paulo não só para essa conversa que a Marta está me propiciando, mas também para dialogar com a militância do PT, com os movimentos sociais. O Estado de São Paulo tem no cenário nacional uma importância muito grande, não só do ponto de vista econômico, que é o que todo mundo diz. Eu acho que são Paulo tem um outro papel. Tem um grande papel cultural e tem um grande papel nos rumos do futuro. Quando você pensa nos rumos do país, você tem de olhar para São Paulo. Aqui surgem atividades bastante modernas que são e que trazem consigo as perspectivas do futuro. É lógico que o Brasil é São Paulo e todos os outros 26 estados da federação, mas sem dúvida São Paulo integra nessa constelação tem um papel importante”

Marta num eventual ministério
“Eu acho que ela tem todas as qualidades para fazer parte de qualquer ministério de governos petistas e governos progressistas no Brasil. Agora, como eu disse, nós não estamos discutindo a questão nem de candidatura, muito menos de ministério”

Primeiro cargo eletivo
“De fato, eu nunca concorri a nenhum cargo eletivo. A minha atividade se circunscreveu mais ao Executivo e a minha experiência maior foi em atividades ligadas diretamente ao Poder Executivo. Fui secretária de Fazenda municipal, depois secretária de Energia e Comunicação no Rio Grande do Sul, depois ministra de Minas e Energia e agora ministra-chefe da Casa Civil. Eu acho que passar pelo crivo do eleitor é algo muito importante. Nunca tive a oportunidade, mas eu não me nego a isso. É algo que qualquer pessoa que atua na política e tem compromisso com o Brasil tem de se submeter”

 

Depois do almoço, a repercussão do encontro com Dilma:


Marta Suplicy:

“Era um grupo muito heterogêneo que conseguiu trazer muitos assuntos diferenciados e todos prestaram atenção. Fizeram muitas perguntas.”

 

Viviane Senna, diretora do Instituto Ayrton Senna:

Ela (Viviane) questionou Dilma sobre assuntos ligados à educação. “Foi uma conversa franca e objetiva e informal. Conversamos sobre assuntos ligados à educação e ela falou do esforço do governo para enfrentar o problema. Ela falou como membro do governo e não como candidata”, disse.

 

 

Luciana Villas Boas, editora da Record:

“Falamos muito, de política, educação, saúde, PAC,  Petrobras. Teve também muito papo que é conversa de mulher. Filho, marido, tudo. Essas coisas. Eu perguntei sobre educação. Comentei que houve um salto muito grande na indústria editorial.”

 

 

Hortência, atleta, ex-jogadora de basquete:

“É sempre bom você ouvir, saber. Eu gosto de falar com gente inteligente. A gente aprende muito. É muito boa candidata porque é mulher forte. E nós precisamos ter mulheres fortes na política.”

 

 

Helena Maria Diniz, Presidente da Comissão da Mulher da OAB/SP:
“Achei inédita a possibilidade de dividir espaço com mulheres dos mais diferentes nichos. Cada uma falando a sua linguagem. A todas, Dilma respondeu com muita clareza. É uma mulher muito bem preparada. Tem projetos interessantes na nossa área. Acho que ela convenceu a maioria ali. Houve incentivos de algumas, pedindo para ela se candidatar. Ela encara bem a conversa. Mas não abriu. Respondeu as questões levantadas e demonstrou muito conhecimento em cada área. Eu fiz um pedido para ela. Eu cuido, na OAB, da violência doméstica. Então, como temos poucas delegacias da mulher, pedi que ela colocasse um projeto que preparasse mais o delegado, aquele pessoal de porta de entrada no atendimento à mulher vítima de violência, em vez de construir novas delegacias da mulher. Ter nas delegacias um espaço próprio para o atendimento à mulher vítima de violência, sempre acompanhada de advogada, psicólogo para que saiam da delegacia com maior amparo. Ela adorou a idéia e eu espero que ela não esqueça.”

 

Leilah Assunção, dramaturga:

“Eu sou simpatizante do Serra. Agora, eu acho que a gente nunca pode se fechar a coisas novas e a mudar de opinião. Ainda não mudei porque é muito cedo, né? Mas ela é uma grande mulher.” Sobre o encontro: “achei interessante –os temas conversados– e bem representativas as mulheres que vieram –elas têm colunas em jornais, televisão–    e o resultado foi muito bom. Ela é uma pessoa séria mesmo. Não é pesada, não. Mas é séria. Talvez a gente precise disso, né? Não sei.” Perguntada se contaria ao governador Serra como foi o encontro, disse: “se eu tiver a oportunidade, mas não sou íntima dele”.

 

 

Mônica Waldvogel, apresentadora de TV:

“No começo ela falou sobre vários temas de interesse das pessoas que estavam lá. Umas quiseram falar sobre educação, outras sobre questões culturais. Ela falou muito sobre pré-sal e esse marco (regulatório) e o que isto significa para o desenvolvimento brasileiro. A Luciana Villas Boas e a Viviane Senna queriam muito falar sobre educação e sistemas de avaliação, formação de professores, a idéia de estimular a leitura. A Marilena Chauí queria detalhes do pré-sal. A conversa foi sobre os temas gerais de governo.”

 

Ana Maria Braga, apresentadora de TV:

“Nossa! Tinha um cuzcuz que vocês não fazem idéia: uma delícia – referindo-se ao cardápio do almoço, montado por Marta: cuscuz de camarão, picadinho com batata palha, saladas. “Falamos de tudo. Ela é uma mulher muito inteligente, muito interessante. Falamos de saúde, de educação, da vida. Ela é ótima!” Perguntada se teria dado algum conselho à ministra Dilma, respondeu: “quem sou eu?”

 

Adriane Galisteu, apresentadora de TV:

Comentou que também gostou do cuzcuz e chegou a pedir a receita na cozinha. Sobre o encontro com ministra Dilma, falou:  “A iniciativa da Marta, acima de qualquer coisa, foi para que a gente conhecesse melhor a Dilma. Tudo o que a gente tem de contato com a Dilma é através do que vocês trazem para a gente –dirigindo-se aos jornalistas. Nada como falar, olhar nos olhos e perguntar. Ela foi questionada sobre Petrobras. Eu questionei coisas de teatro, meia-entrada. Enfim, não vivo de teatro, mas faço teatro. Sou muito amiga de quem vive de teatro, caso de Bibi Ferreira, Juca de Oliveira. Falamos de televisão, de educação, de livros. Acho que foi muito importante esse almoço para que a gente se aproximasse dela. Eu trouxe para ela um recado especial da minha mãe. Minha mãe falou: – Adriane, fala uma coisa para a Dilma: ‘- Eu passei a prestar muita atenção nela, depois que ela assumiu a doença dela e a maneira como ela encarou a doença dela publicamente.’ Acho que esse é um recado da minha mãe, mas que representa muita gente que não tem muito ouvidos para política e que não acredita muito em ninguém e pensa que todo mundo mente muito. O fato de ela ter assumido, da forma como ela assumiu foi muito importante, como mulher. Ela amou ouvir. Ficou super emocionada. A Ana (Ana Maria Braga) estava do lado. Acho que a Ana é uma mulher que também conseguiu mostrar e destruir esse monstro que é essa doença que aterroriza qualquer pessoa, mulher, homem, criança. As duas estavam juntas nesse momento. Elas se emocionaram muito. Mas eu falei um recado que dona Ilma pediu. Pedi para ela ir ao programa. Gostaria muito que ela fosse. Conversei com a Marta sobre isso e acho que ela vai. Nas próximas semanas, teremos, então, Dilma ao vivo no programa.”

 

Patrícia Zaidan, jornalista – Revista Claudia (Abril):

“Perguntei a ela (ministra Dilma) quanto tempo mais o Brasil precisaria recorrer ao Bolsa Família e sobre o pré-sal. Ela havia explicado o quanto iria representar para a economia e eu perguntei de que forma se endereçaria para a saúde, a educação porque a gente não tem uma legislação permitindo isto. Então, ela (Dilma) disse que ainda no segundo semestre o governo vai mandar para o Congresso um projeto de lei para alterar a legislação para que seja possível. Dos benefícios do pré-sal, ela destacou o quanto isto vai significar em termos de independência não só do produto, especificamente falando, mas quanto dinheiro poderá trazer. Ela disse que o projeto de lei –que informou a todas– tem de ser muito bem olhado porque não é só para este momento, mas para o histórico do pré-sal. Não é uma lei para fazer de vapt-vupt, mas um projeto pra chegar no segundo semestre no Congresso. Do Bolsa Família, ela disse que, no ritmo que o crescimento do país vinha ocorrendo, se esperava que o Brasil independesse do Bolsa Família muito rapidamente, mas que a surpresa da crise econômica no final do ano atrasou os projetos. O Brasil precisa voltar a crescer aquilo que estava crescendo até setembro, para poder ver essa questão.”

 

Sobre candidatura a Presidente, Patrícia Zaidan disse que “muitas mulheres falaram que era hora de ter uma mulher na Presidência porque a gente é quase 52% do eleitorado. A primeira pergunta que fiz foi essa: – Se ela estava inaugurando uma nova era no país porque era a primeira vez que a tinha uma candidata com condição de vitória. E disse que, em geral, o empresário não põe dinheiro em campanha de mulher porque acha que mulher não se elege. Isso a gente vê no interior. Ela parou, pensou, pensou, pensou e disse: – ‘Eu não sou candidata. O partido vai ter que decidir isso na convenção’”. Patrícia foi perguntada sobre o que Marta teria dito a respeito da dificuldade no financiamento de campanha de mulheres.“Ela disse que é uma realidade no Brasil. Mas, Dilma não mordeu (a isca – para comentar o assunto)”.

 

Maria Luiza, jornalista, Revista Marie Claire (Globo):

“Gostei (do encontro). Achei que era um balaio de gato. Poderia dar errado, mas houve interação e funcionou bem.”

 

Luciana Gimenez, apresentadora de TV:

“Foi muito, muito bom! Cuzcuz, salada… Muito gostosa (a comida). Eu achei a Dilma fantástica, incrível. A gente é suspeita porque, sendo mulher, achamos que há uma sensibilidade maior. Conversa super sensível. Gostei bastante dela. Consegui expor algumas coisas que achava importante. Falamos algumas coisas sobre animais, lei de imprensa, criança, aquelas coisa que eu estou sempre falando. Então, achei interessante a conversa. A Adriane (Galisteu) convidou – para o programa dela – e eu nem fiz discurso, disse ‘estou como ela, na cola”. Falei de um problema sério que é a integração de banco de dados da Polícia. Se você quer levantar informações sobre ficha policial, só vai saber o que tem aqui em São Paulo, não saberá de outros estados. É preciso integrar. Rápido. Ela comentou que é um problema sério, mas que tem projeto para isso. Falei que o direito à privacidade de crianças deveria ser igual. Se meu filho sair do carro, agora, todo mundo vai tirar foto dele. Se  fosse o Champinha –citando um caso de menor infrator–, não poderia aparecer. Acho que a regra deveria ser para todos. É desleal –ter diferenças no tratamento.”

 

Eleonora Rosset, psicanalista:

“O almoço foi uma oportunidade de ouro para os dois lados se conhecerem. Quem não conhecia a Dilma e esteve neste almoço ficou conhecendo intimamente. Ela falou de assuntos importantes, nacionais, de cultura, de educação. Acho que todas que estiveram aqui fizeram as perguntas que quiseram e saíram entusiasmadas com a Dilma. Ela não é uma candidata oficial, mas, se for, todas –tanto pessoal da educação, como da cultura, da universidade– gostamos muito do que ouvimos hoje. Ela falou que somos um país rico. E nos disse o que podemos esperar para as próximas gerações. No final, conversamos amenidades. Ela é uma pessoa que tem uma característica muito doce. Escuta muito e a gente não achou ela diferente, achou que ela é uma mulher como nós. Muito gostoso o papo. Falamos de igual para igual.”

 

Maria Paula
”Achei excelente. Uma ótima oportunidade de ver a mulher de fibra que é a Dilma é. Fiquei muito bem impressionada, uma mulher muito corajosa, neste momento que está passando. É uma mulher muito inteligente, que sabe muito do que está falando e do que está fazendo. Foi bem impactante, para a gente, ter contato tão direto com essa pessoa tão preparada, como é a Dilma. Estou feliz. Havia mulheres de segmentos diferentes, pessoas que formam opinião, cada uma muito diferente da outra, mas eu senti, pela harmonia lá dentro, que todo mundo entrou muito na sintonia dela. Ela conseguiu harmonizar idéias diferentes. Ela é uma mulher muito, segura, direta e competente. Ela falou bastante de educação e do que o pré-sal pode representar no nosso país, em curto e médio prazos. Foi muito esperançosa. Achei que a gente tem um futuro favorável pela frente. Como mãe de um bebê pequeno me deu um conforto ver a possibilidade de um Brasil melhor.

 

Dilma Roussef, comentando suas impressões do almoço:

 

“Foi muito agradável. Uma conversa com muita diversidade. As mulheres que compareceram aqui, todas elas, são lutadoras. Mulheres vitoriosas e que têm uma experiência de vida para compartilhar muito grande. Cada uma, do seu ponto de vista, deu sua contribuição. Foi uma conversa leve, agradável, que fluiu. A Marta fez, de fato, um almoço muito gostoso. O ambiente era muito agradável. Foi muito bom, hoje à tarde.”

 

Sobre ser candidata, a ministra Dilma Rousseff comentou que foi questionada: “Elas perguntaram e tiveram a mesma reação de vocês –jornalistas–, quando respondi: – Nem amarrada…(riram)”.

 

Sobre pré-sal e o futuro do Brasil

“Falamos de pré-sal, marco regulatório do tema. E expliquei que não é uma riqueza para a gente transformar só em petróleo, mas em educação, antecipar o combate à pobreza. Vamos acabar com a pobreza no Brasil. O pré-sal pode antecipar esse fim da dívida que temos com uma parte da população brasileira. Conversamos sobre saúde. A questão de a nova classe média não ter comprado apenas carro, computador, celular ou casa, mas também mais livros –um ponto abordado por Luciana Villas Boas (da Editora Record). Quando você melhora as condições de vida das pessoas, você melhora a demanda. Passa a ter demanda por entretenimento, por cultura. Literatura, cultura brasileira é muito rica. Foi uma conversa diversificada. A questão da criança, da violência. As mulheres estão antenadas e se preocupam com todos os aspectos da vida e da sociedade. Falamos muito sobre mulher. Da violência doméstica. Como tornar mais efetiva a Lei Maria da Penha, que penaliza o agressor. Outro ponto, interessante, como a cultura pode incluir. Houve diálogo e sugestões… “

 

Sobre Bolsa Família

Disse que Bolsa Família implica revolução nas questões familiares. A mulher passa a ter importância central. É a mulher que recebe –o benefício– porque é ela que cuida da família. Vínhamos num processo em que aceleraríamos a redução do Bolsa Família, se nós não tivéssemos tido esse interregno agora que estamos da crise internacional, que afetou o Brasil. Acho que o Brasil retoma a tendência de diminuir recurso para o Bolsa Família quando o crescimento retornar, de forma sustentável, e as pessoas  forem sendo incorporadas a trabalhos. Mas, até lá, tem de ser mantido porque não é só uma rede de proteção social. É uma forma, também, pela qual se reconhece que não se pode adiar para daqui a um ano, dois, ou cinco, as pessoas terem direitos fundamentais garantidos. A família precisa ter uma renda mínima, decente, para poder se alimentar. O Bolsa Família, no governo Lula, é um eixo dos programas sociais e articula outras políticas, como o Mais Alimentos, toda a questão da agricultura familiar, os Territórios da Cidadania.

 

Luz para Todos – comentário aos jornalistas, na entrevista após o almoço.

Estamos chegando ao fim de uma exclusão, a da luz elétrica. Três estados do Brasil atingiram a meta de 2004 – do Luz para Todos. Tenho uma consideração especial pelo Luz para Todos porque era ministra das Minas e Energia, quando o programa foi lançado. Os ministros Silas e Lobão levaram adiante. Isto é importante para a questão de as pessoas saírem do Bolsa Família. Como é que o pescador vai resfriar o peixe, poder congelar? Como resfriar o leite? Fazer a farinha de mandioca, sem eletricidade, ou qualquer atividade, sem eletricidade? 

 

Pré-sal

O pré-sal é promessa no governo Lula porque é preciso deixar marcos para que ocorra. Para que parte do que nos cabe da renda petrolífera fique conosco, com a nação brasileira, com  o povo brasileiro. O que nós vamos deixar é um marco, dizendo o seguinte: os recursos do pré-sal não vêm só de royalties, nós vamos dividir quando o petróleo sai. Quando sai da boca do poço passa a valer US$ 88. Abaixo da boca do poço só paga de US$ 5 a US$ 15. Então, o que queremos é o acesso a esse diferencial. É daí que poderemos ter um fundo. E vamos usar para o quê? Este é o grande debate que temos de ter na sociedade brasileira. Vamos usar esse dinheiro para antecipar o combate a pobreza? Para melhorar a educação neste país? É uma riqueza volumosa. Temos de discutir isso hoje, pois é o que vai garantir amanhã que o conjunto da população seja beneficiado. Faremos isso o mais rápido possível”, explicou aos jornalistas, a ministra Dilma, no final do encontro.

 

Sobre o terceiro mandato

O presidente tem a convicção de que a democracia brasileira precisa de renovação sistemática. As declarações do presidente são autodefinidoras: da posição dele e da posição do governo.

 

Assessoria de imprensa de Marta Suplicy

06/06/2009 - 21:33h O almoço das mulheres com Dilma

almoco-marta-e-dilma6.jpg

almoco-marta-e-dilma-5.jpg

almoco-marta-e-dilma-4.jpg

almoco-marta-e-dilma-3.jpg

almoco-marta-e-dilma-2.jpg

almoco-marta-e-dilma1.jpg

Fotos Cesar Ogata

23/11/2008 - 20:19h Mais Vicky Cristina Barcelona

http://www.mediafilm.ca/Archivage/8/VickyCristinaBarcelonaG.jpg

A música ‘’salerosa” e brejeira, sussurrada em nossos ouvidos por uma voz de mulher, já anuncia, desde os letreiros inaugurais, o recado do novo filme de Woody Allen: o amor envolve,seduz,machuca…Mas quem sabe o que é o amor?

Verão em Barcelona:Gaudi e Miró colorem a cidade.Eis que chegam duas turistas americanas. Uma, Vicky, estuda a identidade catalã para sua tese de mestrado e está noiva de um americano sem muita imaginação mas que lhe oferece uma vida sem sustos. Outra, Cristina, rabisca poemas. A primeira pensa que sabe o que quer.A segunda acha que sabe o que não quer.

Mas o que as mulheres querem? pergunta Woody Allen.Depois de tantos anos de divã,para mim ele ecoa a resposta feminina, que Freud insinua em seus escritos:as mulheres querem ser desejadas.E Barcelona,”mariposa” maliciosa da música do filme, vai oferecer às suas personagens o cenário sonhado.

Um único macho.Toureiro? Não. Pintor que roubou o estilo de sua ex-mulher,Maria Elena,e teve um divórcio ”caliente” e escandaloso.
Vicky, a romântica, Cristina, a curiosa e Maria Elena, a espanhola sofrida e sensual, vão dançar um ”passo doble” com um Javier Báden de fala mansa e olhar sedutor. Todas vão se decepcionar.

E como saldo,o espectador aprende com elas. Vicky reconhece o medo:amor e morte andam juntos mas ela vacila e só se fere superficialmente. Adapta-se ao mundo que ela conhece. Cristina se envolve mas recua:mais uma coisa que ela não quer.Sofre de insatisfação crônica,mal de muitos.As americanas conseguem escapar mais ou menos ilesas e decepcionadas desse paraíso onde o amor lhes escapa.

Já Maria Elena,uma Penélope Cruz mais sedutora e envolvente que nunca, parte sofrida, exasperada.Eu vi nela a mulher mais generosa do filme. E a dona da frase mais impactante:só os amores não realizados podem ser românticos.
É…Quem sabe é o pai do sedutor quem tem razão. Ele é um velho poeta que escreve sobre o amor mas se recusa a publicar os seus versos porque os homens ainda não aprenderam a amar. Para mim, este é o alter-ego de Woody Allen, um diretor sempre brilhante.


Eleonora Rosset, psicanalista