31/07/2008 - 16:30h Médico critica indicação abusiva de medicamentos para dores nas costas

A imagem “http://imirante.globo.com/oestadoma/semanal/familia0906102/jfamilia201.jpg” contém erros e não pode ser exibida. AMARÍLIS LAGE

JULLIANE SILVEIRAda Folha de S.PauloPara o reumatologista José Goldenberg, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), outro problema no atendimento dos pacientes com dores nas costas é que a avaliação médica tem sido cada vez mais restrita à realização e à interpretação de exames. No caso das lombalgias, afirma, isso é especialmente prejudicial, já que nem sempre há uma correlação entre a imagem e o sintoma.”É possível existir dor sem alterações no exame e ter uma hérnia de disco sem dor. Mas houve uma substituição do ato médico pela máquina, e a gente vê decisões médicas serem tomadas sem o amadurecimento necessário, com base nas imagens”, afirma Goldenberg, autor do livro “Coluna Ponto e Vírgula” (ed. Atheneu, 146 págs., R$ 42,30).No que se refere ao tratamento, ele critica o que avalia ser uma indicação abusiva de antiinflamatórios e analgésicos e de procedimentos invasivos como a cirurgia de hérnia.”A recomendação geral é que a operação só seja feita após trabalhar os fatores de risco por um período de 6 a 12 semanas e se houver uma correlação clara entre os exames clínico, neurológico e de imagem”, diz.O uso de antiinflamatórios e analgésicos também deve ser cauteloso. Segundo Osmar Avanzi, professor da Faculdade Santa Casa e membro da Sbot (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), quem tem problemas gástricos, renais ou hepáticos deve evitar esse tipo de medicação.Excesso de remédiosMesmo quem está livre desse tipo de problema não pode usar esses remédios de forma abusiva ou por um período de tempo muito prolongado –um estudo canadense baseado em dados do sistema público de saúde de Quebec mostrou que, para cada US$ 1 gasto em antiinflamatórios, mais US$ 0,66 eram desembolsados para combater seus efeitos colaterais.Ainda assim, segundo dados norte-americanos divulgados no “Spine Journal”, de cada 100 pessoas que procuram o sistema básico de saúde por dor nas costas, 80 são medicadas –destas, 69 com antiinflamatórios.Segundo a publicação, o uso dessa medicação, assim como o de analgésicos, é indicado para o alívio da dor lombar crônica, mas é preciso que os médicos informem os pacientes sobre os riscos e os benefícios.De acordo com Goldenberg, o indicado é que tanto a avaliação médica como o tratamento incluam os principais fatores de risco relacionados à dor nas costas, como o peso, a postura e até a situação emocional do paciente.Um exemplo é o efeito do sedentarismo: a musculatura das costas, responsável por manter o tronco ereto, conta com a ajuda dos músculos do abdômen para sustentar o corpo. Quando a barriga está flácida e fraca, a maior parte do trabalho fica com as costas. E o centro de equilíbrio do tronco fica desalinhado, forçando a coluna e os músculos dessa região, explica a fisioterapeuta Gerseli Angeli, do Cemafe (Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte), da Unifesp.A imagem “http://www.jovempanfm.com.br/tematicas/fitness/image/Clau25.jpg” contém erros e não pode ser exibida.Já a prática de exercícios de alongamento e de fortalecimento do abdômen três vezes por semana leva, num período de dois ou três meses, a uma melhora da condição muscular.De acordo com o levantamento publicado no “Spine Journal”, há evidências moderadas de que exercícios aeróbicos e de alongamento, assim como hidroginástica, são efetivos para reduzir a incapacidade gerada pela dor nas costas.Segundo a publicação, ainda não há pesquisas que comprovem a relação entre parar de fumar e emagrecer e a melhoria de lombalgias. A indicação, porém, permanece: para os pacientes fumantes, que parem de fumar. Aos com sobrepeso, que emagreçam. (E aos pesquisadores, um “forte encorajamento” para que estudos sobre o tema sejam realizados.)As mudanças no estilo de vida não garantem uma “imunidade” contra a dor nas costas, mas, associadas a outros fatores, podem ajudar a preveni-la. E, num cenário em que os tratamentos despertam tantas polêmicas e incertezas, parece ainda mais válido o ditado: prevenir é o melhor remédio.

08/05/2008 - 13:44h Popeye tinha razão

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Espinafre é bom para aumentar os músculos, diz estudo

Esteróides encontrados nas folhas da verdura aumentam a velocidade do crescimento dos tecidos em até 20%

BBC Brasil

SÃO PAULO – Um estudo americano diz ter comprovado que o espinafre pode ajudar a aumentar os músculos. A tese, defendida nos desenhos animados do marinheiro Popeye, foi testada em laboratórios por especialistas da Universidade de Rutgers, em Nova Jersey.

Os cientistas extraíram esteróides encontrados nas folhas da verdura e avaliaram sua ação quando em contato com amostras de tecido muscular humano. Eles perceberam que os esteróides aumentaram a velocidade do crescimento dos músculos em até 20%. Os especialistas acreditam que o esteróide age diretamente sobre proteínas, transformando-as em massa muscular.

O estudo, publicado pela New Scientist, repetiu os testes com ratos e observou que o efeito foi o mesmo. Os pesquisadores afirmaram, no entanto, que quem deseja contar com a ajuda do espinafre para ficar mais forte deve comer pelo menos 1 quilo da verdura diariamente.

Estudos anteriores sugerem que o espinafre pode ajudar pessoas com excesso de peso a emagrecer, ao diminuir a velocidade da digestão de gordura e prolongar a sensação de saciedade.

Outras pesquisas também já mostraram que a verdura pode aumentar a capacidade cerebral ao manter a mente aberta.

20/04/2008 - 13:20h Perder peso por uma questão de sobrevivência

Médicos e pacientes discutem os prós e contras do tratamento clínico e da cirurgia para curar obesidade grave

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Antônio Marinho – O Globo

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Aos 18 anos, Leila de Morais era magra. Dez anos depois, devido à compulsão alimentar, o seu peso havia triplicado, e ela chegou a 174kg. Hoje, aos 35 anos, e seis meses depois de se submeter a operação de redução de estômago, está com 120kg. Sua meta são 74kg. Sônia Fortunato Gonçalves também encarou o bisturi para não morrer.
Há duas semanas, entrou num hospital com 167kg e começa a emagrecer. Elas sofrem de obesidade mórbida, quando o índice de massa corpórea (IMC) está acima de 40kg/metro quadrado e há doenças associadas.
Leila e Sônia têm uma certeza: se antes de engordar tanto tivessem recebido atendimento multidisciplinar, com médico, nutricionista, psicólogo e profissional de educação física, não precisariam da operação.
No caso delas, a operação, chamada bariátrica, foi a última saída. Recurso que os 40 mil obesos mórbidos do Rio estão longe de conseguir. A situação é mais grave porque em todo o estado apenas o Hospital de Ipanema (média de uma cirurgia por semana) e o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ (média de uma por mês), oferecem o procedimento na rede pública. A fila é de quatro mil pacientes em cada unidade.
Tem gente que espera até seis anos pela chance, como Sônia.
Faltam recursos humanos e financeiros, além de infra-estrutura, para atender o crescente número de casos de obesos mórbidos, e muitos morrem na fila.
Na rede privada, só a cirurgia bariátrica custa de R$ 20 mil a R$ 30 mil, fora gastos com o pósoperatório, que requer visitas mensais a endocrinologista, nutricionista e psicólogo. Dois anos depois da operação, mais gastos com cirurgias plásticas.

Pacientes operados recuperam parte do peso

Quem chega ao hospital do Fundão não encontra vaga. O serviço atende apenas 50 pessoas.
Rosimeire Lima da Silva, diretora da ONG Grupo de Resgate à Auto-Estima e Cidadania do Obeso (Graco), encaminha pacientes ao HUCFF e recebe pelo menos 400 obesos por mês, na sede da Penha.

— No Fundão, eles fazem inscrição e aguardam, sofrendo com as doenças associadas à obesidade. Vivem na esperança de serem chamados. A previsão é de ser operado em quatro a cinco anos. E o HUCFF não opera ninguém acima de 160 quilos.
No Graco temos indivíduos com mais de 200kg. — diz Rosimeire, operada em 2001.
Ela, que tem 1,60m, chegou a pesar 145kg, reduziu para 65kg e agora pesa 74kg, afirma que o melhor é investir na prevenção da obesidade e tratar de forma eficaz as pessoas com IMC acima de 30 (doença moderada) para evitar que cheguem à morbidade.
A cirurgia é de alto risco e o pós-operatório exige muito comprometimento do paciente.
Existe muita desinformação a respeito da cirurgia bariátrica e de suas complicações. O obeso mórbido terá que se cuidar pelo resto da vida.

— Conheço pessoas que operam e acham que isso resolverá todos os seus problemas, e que elas não precisarão mais de dieta, médico e psicólogo. Resultado: engordam novamente. Já vi casos de pacientes que não tinham indicação para a cirurgia e que poderiam ter insistido em emagrecer apenas com o tratamento clínico, mas passaram a comer mais e abandonaram remédios só para preencher os critérios cirúrgicos — conta.

Tratamento multidisciplinar pode evitar o bisturi

Ela acredita que o bom tratamento clínico, com médicos, nutricionistas, psicólogos, professores de educação física e outros profissionais resolveria a maioria dos casos de obesidade, antes que a cirurgia seja inevitável.

Mas admite que isso é difícil porque a maioria dos gordinhos não recebe cuidado multidisciplinar.

Além disso, eles fazem dietas malucas, se entopem de fórmulas à base de anfetaminas e são sedentários. Sem falar nos casos de depressão e de compulsão alimentar.

Antônio Augusto Peixoto de Souza, coordenador do programa de cirurgia bariátrica (Prociba) do HUCFF, diz que a cirurgia deve indicada na falha do tratamento clínico.

— O tratamento é malfeito.

No Brasil, há abuso de anfetaminas.

Uma pessoa com IMC acima de 40 tem limitações para exercícios. Muitos obesos não conseguem fazer a própria higiene nem locomover-se. Entre os mais pobres, as dificuldades são maiores. A obesidade deve ser vista como problema de saúde pública — diz.

O cirurgião Marco Antônio Leite, coordenador do programa de cirurgia bariátrica do Hospital de Ipanema, concorda.

A taxa de obesidade mórbida chega a 5% no Rio. Enquanto o Rio tem dois centros capacitados, em São Paulo são 20. Ele acha que deveria haver maior atenção e investimentos dos governos federal, estadual e municipal na área: — Estudo na “The New England Journal of Medicine” com homens de 25 anos a 40 anos mostrou que os obesos mórbidos tinham 12 vezes mais chances de morrer do que indivíduos com peso normal. E a cirurgia elimina doenças associadas, como diabetes, hipertensão e apnéia do sono.

Para Márcio Mancini, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, antes de buscar a cirurgia é preciso fazer pelo menos um ano de acompanhamento clínico com consulta mensal a endocrinologista e nutricionista.

— Se não responde ao tratamento ou responde mas recupera peso e preenche os critérios para cirurgia, deve-se pensar na operação. Uma vez indicada, a triagem precisa ser rigorosa, inclusive com avaliação psicológica. A cirurgia é o último recurso e tem índice de mortalidade de 0,5% a 1%. A maioria recupera, a longo prazo, de 10% a 20% do peso perdido.

Só traz benefícios quando bem indicada e a pessoa segue à risca as recomendações no pós-operatório — diz.

Walmir Coutinho, professor do curso de pós-graduação em endocrinologia na PUC-Rio, diz que a cirurgia é um avanço.

O resultado ruim acontece em casos mal selecionados.

— Há pessoas que perdem bastante peso sem a operação.

Tive paciente que perdeu 20 quilos e atingiu, no seu caso, um resultado tão bom quanto o da cirurgia bariátrica.

Mas para a maioria dos obesos mórbidos isso é muito difícil — comenta.

A americana Carolyn Clancy, diretora da Agência de Saúde e Pesquisa de Qualidade dos EUA, afirma que 7% das pessoas que passaram pela cirurgia precisam ser internadas novamente por conta de complicações.

Quatro em cada dez pessoas podem ter problemas seis meses após a cirurgia.

Ilustração de Fernando Botero

01/11/2007 - 11:03h Estudo indica que ser magro ajuda a evitar o câncer

Reuters

LONDRES – Manter-se magro, evitando o consumo excessivo de carne vermelha e bebidas alcóolicas, é uma das melhores maneiras de prevenir o câncer, revelou um novo estudo. O Fundo Mundial de Pesquisas sobre o Câncer (WCRF) afirmou que a ligação entre o acúmulo de gordura no corpo e o câncer é mais direta do que se imaginava.

O estudo encontrou evidências convincentes de ligação da obesidade com seis tipos de câncer, cinco a mais que a última pesquisa do tipo, feita há dez anos. Os seis tipos são: câncer de esôfago, de pâncreas, do endométrio, de rim, de mama (pós-menopausa) e colorretal.

Recomendamos que as pessoas evitem o ganho de peso durante a vida adulta


- Estamos recomendando que as pessoas se mantenham o mais magras possível dentro da faixa saudável, e que evitem o ganho de peso durante toda a vida adulta – disse o professor Michael Marmot, presidente do grupo de 21 cientistas eminentes que compilou o relatório.

O documento, que selecionou 7.000 estudos de um universo mundial de 500 mil realizados desde o início dos registros, nos anos 1960, traz cinco conclusões fundamentais. Uma delas é que as carnes processadas, como presunto e bacon, elevam o risco de câncer colorretal e devem ser consumidas com parcimônia.

Outra é a ligação entre a carne vermelha e o mesmo câncer colorretal. As pessoas não devem comer mais que 500 g de carne vermelha cozida por semana – ou entre 700 g e 750 g de carne crua.

O levantamento também mostrou a conexão entre o álcool e o câncer. As pessoas devem limitar seu consumo a duas doses ao dia para homens e uma para mulheres. Uma dose é equivalente a um copo de cerveja ou uma taça pequena de vinho.

O documento incentiva a amamentação, já que evidências mostraram que o aleitamento protege a mãe do câncer de mama.

São as orientações mais definitivas já disponibilizadas para prevenir o câncer


- Este relatório é um verdadeiro marco na luta contra o câncer, porque suas recomendações representam as orientações mais definitivas já disponibilizadas no mundo para prevenir o câncer – disse o professor Martin Wiseman, diretor de projeto do estudo.

Os cientistas acreditam que um dos motivos para a ligação da gordura com o câncer seja o desequilíbrio hormonal. Pesquisas mostraram que as células adiposas secretam hormônios como o estrogênio, que aumenta o risco de câncer de mama, e que a gordura acumulada na cintura estimula o corpo a produzir hormônios de crescimento.

O relatório recomenda 30 minutos de atividade física moderada por dia, aumentando para até 60 minutos; tomar água, em vez de bebidas com açúcar; comer frutas e alimentos de origem vegetal; e limitar o consumo de sal.

01/11/2007 - 08:51h Emagreça correndo

[+] corrida Rodolfo Lucena

Se você veio faminto e sedento para este texto, atraído pela promessa do título, saiba desde já que foi enganado. Só correr não emagrece nem dá direito a se empapuçar de gostosuras.
Claro que ajuda, e há muitas histórias sensacionais de gente que saiu da obesidade para as maratonas. Mas também tem muita gente rodando quilômetros e mais quilômetros sem perder um maldito grama -é o caso deste que vos escreve.
A triste e dura realidade da vida é que nada (ou quase nada, vá lá) vem sem algum esforço. Emagrecer, então, é uma dificuldade no mundo sedentário de hoje, cercado de hambúrgueres e salgadinhos, chocolates cremosos, sorvetes, costelas gordas, picanhas cheirosas e pães esplendorosos.
Ouvimos promessas milagrosas de tudo quanto é tipo, e alguns de nós chegam a tentar experimentá-las. Mas, ao fim e ao cabo, o que é preciso mesmo é fechar a boca, acertar a alimentação e fazer algum exercício.
A caminhada e a corrida logo aparecem como opções para quem quer experimentar as delícias e os prazeres da vida saudável ou precisa mudar de hábitos para conseguir continuar levando a vida na esbórnia. Mas adivinhe o quê? Correr e caminhar também não é coisa fácil para quem passa a vida sentado em frente ao computador ou deitado no sofá vendo TV.
Há que dar o primeiro passo, mas não dá para fazer como o sujeito que diz que parar de fumar é fácil -só ele já parou 17 vezes. É preciso exigir sempre um pouquinho mais do corpo, do cérebro e da vontade, dando-lhes também a contrapartida de descanso e tempo de recuperação.
As recompensas chegam. Não com soar de clarins e rufar de tambores, mas devagar, simples e silenciosas. Um dia, você descobre a maravilha que é subir escadas sem bufar ou correr lado a lado com seu filho pequeno. Você pode até entrar numa corrida e levar uma medalha para casa, conquista que só você saberá quão difícil e suada foi.
Dá até para emagrecer, pelo menos nos primeiros meses. Sua carga de exercícios vai do quase nada para o mais um pouco, e a balança se retrai. Mas cuidado para não se fiar na capacidade milagrosa da corrida e cair na esbórnia confiando nos quilômetros no asfalto. Eu sou rei em fazer isso e estou sempre correndo atrás da balança. Afinal, emagrecer exige, como a corrida, constância, continuidade e compromisso.


RODOLFO LUCENA, 50, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista e autor de “Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes” (ed. Record)
rodolfolucena@folha.uol.com.br
www.folha.com.br/rodolfolucena
HISTÓRIA EXTRAORDINÁRIA
“Meu primeiro objetivo é chegar; o segundo é chegar vivo”, diz Todd Starnes, âncora da rádio Fox News, que vai correr a maratona de Nova York no domingo, dois anos e meio depois de, pesando cerca de 140 quilos, ter ficado entre a vida e morte numa mesa de cirurgia. Depois da operação, ele fez da maratona seu objetivo, agora prestes a ser alcançado, conforme relata na internet (leia mais no meu blog).