16/11/2009 - 11:42h “Brasil o que melhor conseguiu combater a fome” ajudará savana africana em projetos agrícolas

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De Roma – VALOR

A indústria brasileira de equipamentos agrícolas poderá se beneficiar de uma iniciativa de Brasília de ajudar países africanos a cultivarem as Savanas, que são parecidas com o Cerrado brasileiro, acredita a Embrapa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu ontem a iniciativa com líderes africanos, na FAO, em Roma. Lula quer reunir ministros de Agricultura do continente em Brasília, em abril, para examinar mecanismos de financiamento a serem levados à reunião de cúpula do G-20 em junho, no Canadá.

Atualmente, só 10% das Savanas estão cultivadas. A Embrapa já identificou 35 projetos de cooperação em 16 países e entraria com US$ 12,8 milhões.

Um projeto que começou a tomar corpo neste mês é para ajudar na exploração de 3 milhões de hectares em Moçambique, em cooperação com o Japão, que já ajudou por sua vez na exploração do Cerrado brasileiro.

Os japoneses entrarão com o dinheiro, cerca de US$ 300 milhões em dez anos; o Brasil, com a tecnologia; e os africanos, com a terra. A ideia é produzir soja, milho, arroz e outras commodities.

O presidente da Embrapa, Pedro Arraes, afastou a ideia de que se estaria estimulando a criação de concorrentes para o agronegócio brasileiro. “Tenho certeza de que a demanda vai aumentar globalmente muito. E, se não houver soja suficiente, os usuários partem para outro produto.”

A fome atinge 1,2 bilhão de pessoas. Nesse cenário, o Brasil é visto como um sucesso. A ONG ActionAid diz ter avaliado vários países e concluido que foi o Brasil o que melhor conseguiu combater a fome. (AM)

07/04/2009 - 15:43h Caroço é mais competitivo para produção de biodiesel

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De São Paulo – VALOR

Engana-se quem pensa que o algodão é matéria-prima apenas para as indústrias têxtil e de óleo comestível. Estudos desenvolvidos pela Embrapa Meio-Norte comprovaram não só isso, mas também que o algodão cultivado no Piauí e no Maranhão tem mais potencial para a produção de biocombustíveis que em outras partes do país.

“O caroço do algodão em geral tem um teor de óleo que varia entre 18% e 20% e a produtividade média no Piauí é de 4,3 toneladas de algodão em caroço por hectare. No Maranhão, a produtividade ficou ligeiramente inferior, ao alcançar 4,2 toneladas de algodão em caroço por hectare”, afirma o pesquisador e coordenador da pesquisa José Lopes Ribeiro.

Ele explica que foram feitos vários experimentos até se obter o melhor resultado em produtividade, divulgados no princípio deste ano. “Foram implantados 82 experimentos em sete municípios do Piauí e outros sete no Maranhão”, diz. Segundo ele, no Piauí, os municípios que apresentaram as melhores médias de produtividade foram Baixa Grande do Ribeiro e Uruçuí. Para se ter uma ideia, no primeiro, a variação oscilou entre 3,2 toneladas por hectare a 4,3 toneladas por hectare. Já no segundo, a produtividade média foi de 2,7 toneladas por hectare a 3,4 toneladas por hectare.

No Maranhão, as melhores produtividades foram registradas nos municípios de Tasso Fragoso, com uma variação de 2,7 toneladas por hectare a 4,2 toneladas por hectare, e em São Raimundo das Mangabeiras. Neste último, a produtividade variou de 3,3 toneladas por hectare a 3,9 toneladas por hectare. “As 12 cultivares que mais se destacaram nos ensaios foram recomendadas para o cultivo na região Meio-Norte”, diz.

De acordo com o levantamento sistemático da produção agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país teve, na última safra, uma área colhida de algodão superior a um milhão de hectares. O Nordeste alcançou 379 mil hectares e o Piauí, 17 mil hectares. A produção brasileira chegou a 3,9 milhões de toneladas. Mas foi a produtividade média no país que mais animou os produtores e pesquisadores, atingindo 3,7 toneladas por hectare.

Outros estudos recentes apontam na mesma direção. A coordenadora de projetos do Pólo Nacional de Biocombustíveis da Universidade de São Paulo (USP), Catarina Rodrigues Pezzo, após uma análise comparativa feita nas cinco regiões do país, concluiu que o biodiesel mais viável e de menor custo é o do caroço do algodão. Pelos seus cálculos, sai a R$ 0,81 o litro, na região Nordeste.

Essa afirmação já havia movimentado o setor em 2007, quando um estudo desenvolvido pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) também demonstrou que o caroço de algodão do Nordeste é a melhor matéria-prima, do ponto de vista econômico, para a produção do biodiesel.

Para a pesquisadora da USP, entre as oleaginosas de peso como a soja e a mamona, o caroço de algodão está na frente por fatores como facilidade de acesso e por resultar em subproduto com valor de mercado. Ela ressalta que o caroço é o subproduto da indústria têxtil e o seu farelo ainda serve para a ração animal, que tem igualmente valor de mercado, e mesmo possuindo um teor de óleo próximo ao da soja – de 14% a 18% – uma das vantagens é não competir com a alimentação, como é o caso da soja.

Na opinião de Catarina Pezzo, o biodiesel é uma alternativa econômica viável para os pequenos produtores, mas salienta que para competir no mercado o projeto só se tornaria viável em uma produção integrada e organizada, por meio de associações ou cooperativas.

De olho nessa possibilidade, a Associação dos Plantadores de Algodão do Mato Grosso (Ampa), que existe desde 1997, e congrega toda a classe produtora de algodão do estado, iniciou há um ano a construção da usina Cooperbio, em Cuiabá-MT, que utilizará entre outras oleaginosas, o caroço de algodão, matéria-prima que possuem de sobra.

Para o presidente da Cooperbio, João Luiz Ribas Pessa, “a possibilidade de se obter óleo do caroço atende à necessidade de melhor utilização deste subproduto, como também em contribuir para a diminuição do custo de produção ao gerar um combustível mais barato que o diesel”. Os associados Cooperbio plantam hoje 405 mil hectares de algodão, produzindo 1,4 milhão de toneladas de algodão em caroço, o correspondente a 530 mil toneladas de fibra e 730 mil de caroço. (R.C.)

01/04/2009 - 18:39h Álcool de cana é menos poluente. É o resultado de uma pesquisa da Embrapa

Pesquisa da Embrapa

Álcool de cana lança 73% menos CO2 que a gasolina

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Portal O Globo

RIO – Na corrida mundial pelos biocombustíveis, o etanol brasileiro ganha mais alguns pontos. Pesquisa da Embrapa revela que o álcool de cana-de-açúcar emite menos 73% de dióxido de carbono (CO2) do que a gasolina, como mostra matéria de Carlos Albuquerque publicada nesta quarta-feira no jornal O Globo. O trabalho, que analisou todas as etapas de produção dos dois combustíveis, com clara vantagem para o etanol, mostra também que, se a queima do solo fosse eliminada do processo de colheita de cana, a diminuição das emissões do principal gás causador do efeito estufa, seria ainda maior.

- Como não adianta termos uma fonte de energia renovável se emitirmos grandes quantidades de CO2 no processo, decidimos aprofundar o estudo do balanço energético em torno dessa produção e calcular o seu custo ambiental. E ele mostrou-se bastante favorável ao etanol brasileiro – explica Segundo Urquiaga, um dos quatro pesquisadores da Embrapa Agrobiologia que realizaram o estudo..

Os pesquisadores avaliaram a quantidade de gases de efeito estufa produzida desde a preparação do solo para o plantio da cana-de-açúcar até o transporte do etanol produzido para o posto e a queima do combustível.

- Para isso, contamos com dados obtidos junto às usinas e empresas que produzem o etanol, que nos informaram os custos de materiais como cimento e ferro cromado, por exemplo, além de quanto gastam com máquinas e para transportar o produto.

A mesma avaliação foi feita com a gasolina: os pesquisadores da Embrapa consideraram a emissão dos gases do efeito estufa, desde a extração do petróleo até a combustão do produto nos motores dos veículos.

Na parte final do estudo, já de posse desses dados, foram avaliados os desempenhos de dois carros, um movido à gasolina pura e outro movido a álcool, num percurso de 100 quilômetros.

O resultado da comparação – levando em conta os custos da produção – mostrou que houve redução de 73% das emissões de CO2 com o carro a álcool em comparação com o veículo que usava gasolina pura.

25/11/2008 - 11:04h Soberania tecnológica às avessas

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* por Rui Falcão

http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/04/129_2921-rui%20falcao.JPGA compra das empresas brasileiras Alellyx e CanaVialis pela norte-americana Monsanto, anunciada no início de novembro, arrancou críticas do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, e sugere uma reflexão sobre o sentido do financiamento público da pesquisa em ciência e tecnologia (C&T) no Brasil. Certamente, o ministro teria permanecido calado se se tratasse de um negócio comum. Em declaração ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Resende afirmou que “a venda (da Alellyx e CanaVialis) para qualquer grupo estrangeiro é decepcionante. Como é que eles foram vender duas jóias como essas, tão importantes para o País?”.

Ambas as empresas pertenciam à Votorantim Novos Negócios, fundo de capital de risco do grupo Votorantim, que as criou e financiava desde 2002, e têm a sua origem associada à pesquisa pública e a forte subvenção por parte do Estado na forma de investimento a fundo perdido, por se tratar de empresas brasileiras voltadas para pesquisa de interesse estratégico nacional. Segundo Rezende, nos últimos três anos a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Ministério da Ciência e Tecnologia, havia aprovado a destinação de R$ 49,4 milhões para pesquisas nas duas empresas, dos quais R$ 6,4 milhões já foram desembolsados. “São duas empresas que receberam investimento do governo e, justo quando esses investimentos amadureciam, foram vendidas por um preço bastante módico”, afirmou – cerca de US$ 290 milhões, segundo informa o jornal.

Como observou o físico Joelmo Oliveira, diretor de Políticas de C&T do Sindicato dos Pesquisadores de São Paulo (SinTPq) e colaborador do Grupo de Análise de Políticas de Inovação (GAPI – UNICAMP), Alellyx e CAnaVialis eram vistas até então como ícones de uma bem-sucedida política de Estado que visa a incentivar a pesquisa em C&T dentro das empresas brasileiras e fomentar o espírito empreendedor entre os cientistas da Academia. “É em momentos como esse que vem à tona a importância das unidades públicas de pesquisa; são elas que de fato garantem a apropriação nacional do conhecimento tecnológico desenvolvido a partir de investimentos públicos”, escreveu Oliveira.

Com sede em Campinas, ambas as empresas foram criadas por pesquisadores acadêmicos que participaram dos primeiros grandes projetos de genômica no País, financiados em sua totalidade por recursos públicos. Sua história, na verdade, é indissociável dos resultados de investimentos públicos em pesquisa, e tem origem na esteira do primeiro seqüenciamento genético de um organismo vivo no Brasil, em 1999, anunciado como o “maior feito científico brasileiro dos últimos tempos”. Tratava-se da finalização do mapeamento genético da Xylella fastidiosa, a bactéria causadora da praga conhecida como “amarelinho”, que ataca os laranjais paulistas. O projeto Genoma-Xylella custou aos cofres públicos US$ 13 milhões, parte financiados pelo governo Federal, parte pelo governo paulista, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp).

A partir do conhecimento gerado pelo seqüenciamento do “amarelinho”, foi fundada em 2002 a empresa Alellyx Applied Genomics. Os sócios da empresa, lembra Oliveira, eram professores e pesquisadores da Unicamp, da USP e da Unesp, três das principais instituições acadêmicas do País. Por indicação do professor do Instituto de Química da USP, Fernando Reinach, à época já diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, a Votorantim Novos Negócios tornou-se sócia da nova empresa. Havia sido o próprio Reinach quem propôs o projeto Genoma-Xylella ao então diretor-científico da FAPESP, José Fernando Perez, em 1997. Ou seja, os professores que fundaram a Alellyx eram os mesmos que exerciam funções de coordenação na FAPESP, uma das principais financiadoras das pesquisas que levaram à criação da empresa.

No ano seguinte, foi fundada a CanaVialis S.A., também com participação da Votorantim Novos Negócios. Diferentemente da Alellyx, a pesquisa da CanaVialis prende-se ao melhoramento clássico de variedades da cana-de-açúcar, o que não envolve ainda alterações genéticas a partir de técnicas oriundas do seqüenciamento genético da cana.

Não é novidade o interesse de países como os EUA na tecnologia brasileira de produção de álcool de cana-de-açúcar em grande escala e na obtenção de variedades transgênicas da cana adaptadas às suas condições climáticas. Assim se explica a compra da Alellyx e da CanaVialis pela Monsanto, negócio que se tornou público em 2007, quando a Votorantim anunciou uma “parceria tecnológica” com a multinacional. Então, o diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, Fernando Reinach, afirmou: “Esta parceria tecnológica permitirá à Alellyx e CanaVialis disponibilizarem para o setor sucroalcooleiro tecnologias desenvolvidas pela Monsanto. Além disso, possibilitará à Monsanto utilizar tecnologias desenvolvidas por nossas empresas”.

Porém, o desfecho da “parceria” foi outro. Como observa o diretor do sindicato dos pesquisadores de São Paulo: “o ‘maior feito científico brasileiro dos últimos tempos’, que provavelmente se tornaria também o mais lucrativo negócio do século XXI, já não é brasileiro”, em que pesem os recursos públicos, o engenho e o esforço nacionais nele empenhados.

A curta trajetória da Alellyx e da CanaVialis sob controle nacional assume caráter emblemático do que vem a ser o destino dos resultados da C&T em países que ainda não acordaram para a dimensão estratégica de C &T como elemento central do poder nacional. A capacidade científica e tecnológica é na atualidade o grande ordenador do poder mundial nos seus desdobramentos político, econômico e militar. Dos assim chamados fatores de produção – capital, mão-de-obra, matéria-prima e tecnologia – o último predomina sobre os demais em valor estratégico. Países dotados de capital, mão-de-obra, matérias-primas abundantes mas sem tecnologia encontram-se em desvantagem frente a países detentores de tecnologia, mesmo carente dos demais fatores. É a disponibilidade de tecnologias que abre as portas para o domínio sobre os demais fatores onde quer que estejam eles.

Por isso, C &T tornaram-se preocupação política primordial dos países desenvolvidos. Ali, não se dissocia C&T da disputa entre empresas pela hegemonia em mercados ou da disputa pelo poder entre nações ou blocos de nações. Estão aí para atestá-lo a atualidade e a candência das questões internacionais referentes a investimentos, propriedade intelectual e ao comércio de serviços técnicos. De um lado da trincheira, os países desenvolvidos, tecnologicamente avançados, em busca da abertura de mercados para suas empresas e fechamento das possibilidades de acesso por terceiros às tecnologias por eles geradas. Do outro, países em desenvolvimento, tentando proteger seus mercados, para a expansão de empreendimentos nacionais, em busca de assegurar o acesso às tecnologias de que necessitam para o seu desenvolvimento.

De acordo com os fundamentalistas do mercado, ora em debandada no mundo, o veículo principal de transferência de tecnologia das economias avançadas para as sociedades periféricas seria o investimento direto estrangeiro. O conhecimento científico e tecnológico estaria, como qualquer mercadoria, disponível no mercado, bastando pagar o seu preço para adquiri-lo, ou bastando atrair a empresa que o detêm para fazer com que tal conhecimento se incorpore ao sistema econômico nacional. A atração de capitais estrangeiros permitiria a um país periférico, como o Brasil, dispensar investimentos vultosos em C&T, “queimar etapas de desenvolvimento” e não “reinventar a roda”.

Essa foi a recomendação feita pelos EUA ao Brasil nas décadas 1960/70, quando da decisão brasileira de criar uma empresa estatal de pesquisa agropecuária tropical (a Embrapa), para atender às peculiaridades de um país com biomas localizados nessas latitudes. Sabe-se hoje que o Brasil somente é independente e líder mundial em tecnologia agropecuária tropical porque não deu atenção e não cedeu à pressão norte-americana. Obstáculos semelhantes se interpuseram na decisão brasileira de proceder com autonomia na pesquisa nuclear.

O fato é que cada país confere à sua política de C&T grau de importância correspondente ao que atribui à utilização do conhecimento científico para o desenvolvimento, autonomia e defesa nacionais. Em princípio, não existe diferença entre o Brasil e os EUA no que se refere ao interesse de um físico pela estrutura nuclear, ou de um geneticista pelo genoma de um vegetal. Mas, quando se trata de saber quais pesquisas físicas ou genéticas podem tornar-se economicamente úteis em cada um dos países, a experiência do outro país é relativamente de pouca relevância. Cabe à política de C&T, orientada pela estratégia e soberania nacionais, fazer a escolha adequada das áreas de pesquisa de interesse, com vistas a atingir os objetivos econômicos e sociais desejados pela nação.

Numa conjuntura histórica em que o velho mundo bipolar se desfez, assiste-se hoje ao surgimento de nova espécie de divisão internacional do trabalho, com a emergência da polarização tecnológica entre países dotados de alta tecnologia e países consumidores forçosamente dependentes. A posse de um monopólio tecnológico permite ao país dinâmico extrair renda tecnológica dos países dependentes, daí resultando perdas sociais, já que estes são (e, presumivelmente, permanecerão) importadores líquidos de tecnologia.

Os Estados Unidos, e com eles outros países avançados, aprenderam a se tornar ciosos do controle sobre tecnologias sensíveis. País que nada tem fixado em leis referente ao capital estrangeiro ou ao controle sobre tecnologias, os EUA arbitrariamente não autorizam, por período de anos ou décadas, a venda ao exterior de tecnologias consideradas sensíveis. A revisão em curso no sistema de propriedade intelectual na Organização Mundial do Comércio, sob a hegemonia dos países ricos, aponta para o estabelecimento de severas limitações à transferência de tecnologia, de forma a dificultar ou retardar ainda mais o surgimento de novos competidores.

A primeira conseqüência prática para países como o Brasil seria um incremento na conta de remessa de royalties para o exterior, que já é alentada. Mesmo quando a pesquisa se realiza aqui, no caso de empresa estrangeira a patente será registrada em nome da companhia, e sua utilização no Brasil, ou em qualquer país gerará pagamentos e remessas para a sede da empresa, detentora da patente. Ou seja, os direitos de propriedade intelectual pertencem à empresa matriz, independentemente da localização da pesquisa. Outro custo social associado à dependência externa em C&T é a perda efetiva para os consumidores acarretada pelos altos preços que resultam do processo de monopolização.

A desnacionalização, como ocorreu no caso da Alellyx e da CanaVialis, tende ainda a acarretar, num contexto mais amplo, a transferência para o exterior dos centros de decisão da atividade econômica, do investimento, da alocação de recursos em geral e da P&D em especial – e, na sua extensão, dos centros de decisão política. Essa transferência afeta a capacidade do Estado de cumprir com suas funções referentes ao desenvolvimento, à defesa e à soberania nacionais e amplia, portanto, o hiato entre o país periférico e os países avançados, numa espiral perversa e recorrente. Há quem acredite que, em princípio, as forças de mercado poderiam também cumprir com essas funções. Porém, nada indica em parte alguma do mundo que isso esteja ocorrendo ou que venha a ocorrer.

A desnacionalização da Alellyx e da CanaVialis serve, assim, de lição para lembrar que a produção do conhecimento cria ela própria novas vulnerabilidades e novas ameaças, para as quais um país grande, que tem muito a proteger, como o Brasil, não pode deixar de estar preparado. É dizer que a construção de uma base de C&T condizente com as nossas aspirações e possibilidades depende do que sejamos capazes não somente de desenvolver mas também de manter “em casa”, sem prejuízo de parcerias internacionais que venham a fortalecer a soberania nacional em suas dimensões política, econômica, social e democrática.

O Estado brasileiro carece de uma definição do que se pretende com o financiamento público de pesquisa em C&T.

Rui Falcão, 64 anos, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo na gestão Marta Suplicy.

17/08/2008 - 14:30h Café: de vilão da saúde a herói do bem-estar

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Análise internacional dos estudos já publicados absolve completamente a cafeína das acusações de fazer mal

Antônio Marinho – O Globo

O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo. Consumidores, entretanto, se mostram preocupados com os efeitos da bebida sobre a saúde, especialmente porque estudos contraditórios sobre benefícios e riscos da substância são publicados a cada mês. Agora, o Centro para Ciências de Interesse Público dos EUA fez uma extensa revisão dos mais importantes estudos divulgados. A cafeína foi absolvida, de acordo com uma reportagem publicada pelo jornal “New York Times”. Abaixo, os principais pontos da análise:

HIDRATAÇÃO: Bebidas com cafeína sempre foram apontadas como diuréticas. Mas estudos recentes sustentam que o consumo de até 550 miligramas de cafeína não produz mais urina do que o consumo equivalente de outra bebida.
Somente acima desse valor, a substância é diurética.

PROBLEMAS CARDÍACOS: Pacientes cardíacos, sobretudo os que apresentam pressão alta, são normalmente orientados a evitar o café, um conhecido estimulante.
Mas uma análise feita a partir de dez estudos, reunindo, ao todo, 400 mil pessoas, não constatou aumento de problemas cardíacos entre os que tomavam café diariamente — com ou sem cafeína.

HIPERTENSÃO: O café provoca um leve e temporário aumento da pressão sangüínea.
Mas estudos feitos com 155 mil pessoas que tomavam café diariamente ao longo de dez anos não revelaram uma maior propensão ao desenvolvimento de hipertensão.

CÂNCER: Uma revisão internacional, reunindo 66 estudos sobre a relação entre câncer e consumo de café, foi feita no ano passado. Os cientistas concluíram que o consumo de café tinha pouco ou nenhum efeito sobre o risco de desenvolver câncer de pâncreas ou rins. Outro estudo, com 59 mil mulheres, não encontrou relação alguma entre o consumo de cafeína e o câncer de mama.

PERDA ÓSSEA: Embora alguns estudos tenham relacionado o consumo de cafeína com perda óssea e fraturas, análises fisiológicas revelaram uma redução muito leve na absorção de cálcio. Os efeitos observados poderiam estar relacionados ao baixo consumo de leite e derivados. A análise revela que a redução na absorção do cálcio seria compensada com duas colheres de leite.

PERDA DE PESO: Apesar de a cafeína acelerar o metabolismo — 100 miligramas queimariam de 75 a 100 calorias extras por dia — nenhum outro efeito de controle de peso a longo prazo foi comprovado.
Estudo com 58 mil pessoas acompanhadas por 12 anos mostrou que elas, na verdade ganharam peso, embora os médicos não saibam explicar a aparente contradição.

BENEFÍCIOS À SAÚDE: Provavelmente, o mais importante efeito da cafeína é sua capacidade de melhorar o humor e a performance física e mental. O consumo de 200 miligramas (o volume contido em cerca de 30 mililitros de café comum) acentua a sensação de bem-estar e deixa a pessoa mais alerta e sociável, segundo relatos de consumidores. Volumes muito altos podem gerar ansiedade.
Estudos recentes mostraram ainda uma redução de 30% no risco de desenvolver Parkinson e de 28% para diabetes do tipo 2.

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Fruto é rico em minerais e antioxidantes
Crianças que tomam café têm melhor rendimento em sala

Antônio Marinho – O Globo
O café, puro ou misturado ao leite, é um dos melhores alimentos para se manter saudável, segundo o cientista brasileiro Darcy Roberto Lima, um dos maiores pesquisadores do assunto. Ele diz que além de cafeína, um estimulante natural, a infusão do fruto tem pelo menos cinco compostos altamente benéficos ao organismo humano.

Segundo o médico, o café é rico em vitamina B3 (a niacina, que participa na síntese de hormônios e é essencial para o crescimento) e ácido clorogênico, importante antioxidante ainda mais potente que o reverastrol, encontrado nas uvas. O fruto ou a bebida oferece também boa quantidade de potássio, ferro e zinco.

— Recomendo até quatro xícaras de café ao dia. A bebida contém mais minerais que produtos isotônicos artificiais e águas minerais. Além disso, o aroma do café — um dos mais fortes — tem importante função na melhora do humor e na sensação de bem-estar — diz o professor de neurologia na UFRJ, autor de seis livros sobre o fruto e coordenador científico do site “Café e Saúde”: http://www.cafeesaude.com.br.

Estudo quer recuperar aroma natural Seja qual for a forma de preparo do café, quente ou gelado, ele é benéfico para a saúde, segundo Darcy, que faz parte do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, coordenado pela Embrapa Café: — Estamos fazendo estudos com o acréscimo de café com leite na merenda escolar de alunos. Há evidências de que esta bebida ajuda a melhorar o rendimento e atenção em sala de aula.

Pesquisas epidemiológicas indicam que o consumo regular de três a quatro xícaras ao dia, teria efeito profilático na depressão (e até no suicídio) e no consumo de álcool, de acordo com cientistas.

— Há pesquisas em instituições como os Alcoólicos Anônimos mostrando que dependentes químicos que tomam café apresentam menos recaídas — conta Darcy, lembrando que o consumo em excesso é prejudicial, assim como o de qualquer outro produto, especialmente por pessoas com com arritmias, hipertensão arterial, úlcera, síndrome do pânico, entre outros distúrbios.

A Embrapa Agroindústria de Alimentos, em parceria com a Coppe (UFRJ) e o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, está desenvolvendo estudo para recuperar a essência natural do aroma de café, que se perde no processo produtivo. Ela é livre de solventes e aditivos, e poderá ser usada na indústria de alimentos, na melhora da qualidade do café solúvel, e na produção de cosméticos.

02/10/2007 - 15:08h Scientists Are Making Brazil’s Savannah Bloom

Lalo de Almeida for The New York Times

Pioneers In the labs and fields of Brazil, Embrapa has become a research leader in tropical agriculture.
In Belem, an instructor taught students how to collect seeds.

By LARRY ROHTER

Published: October 2, 2007 – The New York Times

PLANALTINA, Brazil — Anyone curious to know how Brazil has become what the former secretary of state, Colin L. Powell, calls an “agricultural superpower” — poised to overtake the United States as the world’s leading exporter of foodstuffs — would do well to start here in this busy network of government laboratories.

 


The New York Times

 

The sprawling labs and experimental fields are operated by Embrapa, Brazil’s agricultural and livestock research agency, and have become an obligatory stop for any third world leader visiting Brazil.

Although little known in North America, Embrapa has in three decades become a world research leader in tropical agriculture and is moving aggressively into areas like biotechnology and bio-energy.

“Embrapa is a model, not just for the so-called developing world, but for all countries,” said Mark Cackler, manager and acting director of the Agricultural and Rural Development Department of the World Bank. “A key reason that Brazil has done so well with its agricultural economy is that it has invested heavily and intelligently in front-end agricultural research, and Embrapa has been at the forefront of that effort.”

Embrapa owes much of its reputation to its pioneering work here in the cerrado, the vast savannah that stretches for more than 1,000 miles across central Brazil. Written off as useless for centuries, the region has been transformed in less than a generation into Brazil’s grain belt, thanks to the discovery that soils could be made fertile by dousing them with phosphorus and lime, whose optimum mixture was established by Embrapa scientists.

When the annual World Food Prize was awarded last year to two Brazilians affiliated with Embrapa, the citation called the emergence of the cerrado “one of the greatest achievements of agricultural science in the 20th century.”

Embrapa also championed the main crop for the region by developing more than 40 tropical varieties of soybeans, which had been thought of as only a temperate zone crop.

“When I was working in India and Pakistan and the Near East countries in the 1960s and 1970s, nobody thought these soils were ever going to be productive,” Norman Borlaug, an American agronomist who won the Nobel Peace Prize for work that earned him the title “father of the Green Revolution,” said in a telephone interview from Iowa. “But Embrapa was able to put all the pieces together.”

As a result, Brazil is today the world’s top exporter of soybeans and beef and a fast-rising exporter of cotton, three-quarters of which it produces here in the cerrado. Encouraged by that success, Embrapa scientists have turned their attention to wheat. Brazil now imports most of its wheat from nearby countries with temperate climates.

“We think the potential is enormous,” said Roberto Teixeira Alves, general director of the cerrado research center at Embrapa. “We launched two new varieties of wheat with good yields just last year, and believe there is also a strong possibility of adapting barley to the region.”

Embrapa’s laboratory in Manaus, in the heart of the Amazon, has also been studying ways to make carbon sequestration more efficient. Scientists have been examining what are known as “Amazonian dark earth soils,” small, fertile islands that were built up by pre-Columbian Indian tribes and that have especially high concentrations of phosphorous.

“We don’t know why that should be, but we are trying to understand and reproduce that phenomenon so that we can benefit from it now,” said Wenceslau Teixeira, a soil scientist who is in charge of the effort. “These islands have especially stable levels of carbon, which helps retain nutrients and is thus both quite useful and hard to find in tropical soils.”

And although Brazil’s sugar-based ethanol program is largely focused elsewhere, Embrapa has an agro-energy division that is concentrating on ways to grow diesel fuel. Embrapa scientists have identified some 30 plants that could be used in such programs and are focusing on palm oil.

“Palm oil’s composition is one of the best for production of bio-fuels,” said Maria do Rosario Lobato Rodrigues, the director of the Manaus laboratory, where the research is based. “It has a high capacity to fix carbon, doesn’t require the use of chemical products to produce, and no part of the plant is ever wasted.”

Under Embrapa’s newly broadened definition of agriculture, nothing seems off limits, from a tropical hog that is lower in fat and cholesterol than its American counterpart and has a higher yield of loin and ham, to the extraction of bio-polymers from spiders. At the Embrapa executive dining room in Brasilia, there are even place mats made with varieties of natural cotton fibers, which, because they grow in shades of green and tan, could cut costs of dye stocks for textile manufacturers.

Getting adequate financing is always a problem for any public research institution in Brazil. Two years ago, though, the Brazilian Congress passed a law that allows Embrapa to profit from its research and has widened the agency’s ability to form joint ventures.

 

Lalo de Almeida for The New York Times

A nursery worker tended Cupuacu fruit.

 

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Lalo de Almeida for The New York Times

In Manaus, a chemist analyzed vegetal tissues.

“Being entrepreneurs is new for us, but we need to transform our knowledge into riches,” Silvio Crestana, Embrapa’s director-general and a soil-physics specialist, said in an interview in Brasilia. Beyond royalties, he said, the agency wants to attract venture capital.

Initially, most such agreements were with Brazilian companies. But Embrapa and BASF, the German chemical maker, recently announced a partnership to develop and market a genetically modified, herbicide-resistant soybean that is expected to be on the market by 2012 and will compete with Monsanto’s Roundup Ready brand.

With the support of multilateral lending and development bodies like the World Bank, Embrapa is also trying to raise its profile abroad. Although it has long had exchange programs that have brought scientists from Latin America, Africa and Asia to work at its laboratories, Embrapa only recently opened its first overseas office, in Ghana, headquarters of the Forum for Agricultural Research in Africa.

“This is a good and potentially important move, because there are plenty of places in Africa, such as Zambia, that have savannahs with soil and rain conditions similar to Brazil’s cerrado,” Mr. Borlaug said. “I think that soybeans and corn, together with beef production and improved pasture grasses for grazing, are all things that will be fit to transfer from Brazil.”

Like the Brazilian aircraft manufacturer Embraer, which has found a profitable niche selling commuter jets, Embrapa seems keen to focus on marketing the know-how it has developed in crops and products that are often ignored by research institutions in the industrialized countries of the Northern Hemisphere.

“Brazil has a comparative advantage through its own experience that is very relevant in a tropical context,” Mr. Cackler said. “To take one example, how many American universities are going to put much effort into cassava? It’s just not a priority for them. But tens of millions of people depend every day of their lives on cassava, so we at the World Bank are delighted that Brazil is willing to develop and transfer that technology.”