15/10/2009 - 08:39h Kassab expulsa crianças das creches para fingir que reduz déficit. Dano às crianças faz Ministério Público intervir

Promotoria quer aluno com até 4 anos na creche

Aline Mazzo e Adriana Ferraz do Agora

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O Ministério Público Estadual quer impedir que alunos menores de quatro anos sejam matriculados na pré-escola em vez de creches. Para isso, entrou com uma ação civil pública pedindo à Justiça que a prefeitura, a partir de 2010, matricule obrigatoriamente crianças dessa faixa etária em creches.

Desde o início do ano, a gestão Gilberto Kassab (DEM) tem enviado alunos de três anos de idade para Emeis (Escolas Municipais de Ensino Infantil), na tentativa de reduzir a demanda de creche, que é de 84.807 vagas.

Segundo a Promotoria de Defesa dos Interesses da Criança e da Juventude da Capital, as Emeis não possuem espaço adequado, além de reunirem um número excessivo de alunos em sala de aula, o que é incompatível levando em conta os cuidados que eles necessitam nesta faixa etária.

A mudança foi feita por uma portaria, que diminuiu a idade mínima de entrada nas Emeis para três anos. A prática, considerada irregular pela Promotoria, foi denunciada pelo Agora em junho deste ano. Nas Emeis, as salas podem ter até 35 alunos, cuidados por professor. Na creche, esse número cai para 18. Pelo menos 48 mil alunos de três anos foram colocados em escolas pela prefeitura.

O documento, assinado pelas promotoras Dora Martin Strilicherk, Laila Said Abdel Qader Shukair e Carmen Lucia de Mello Cornacchioni, pede que seja respeitada nas creches a proporção de um professor para cada 15 alunos. As vagas para crianças menores de quatro anos “criadas de forma ilegal na Emeis”, diz a Promotoria, ainda devem ser incluídas no cadastro de demanda não atendida nas creches.

Multa
Em caso de descumprimento, a prefeitura pagará multa diária de R$ 1.000 por cada sala de Emei com criança menor de quatro anos. De acordo com o documento, por mais que a demanda seja grande, isso “não autoriza o sucateamento de serviço de educação infantil” na rede municipal.

O Ministério Público também levou em conta um parecer dos professores da Faculdade de Educação da USP, que aponta a falta de infraestrutura das Emeis para atender crianças menores de três anos, já que sua estrutura é inadequada até para alunos de quatro e de cinco anos.

Os docentes ainda chamam atenção para o fato de as Emeis terem turnos de quatro horas, contra as dez horas das creches, e a falta de condições para descanso das crianças e um atendimento individualizado. A Promotoria também realizou visitas em Emeis para verificar os problemas. A ação civil pública tem pedido de tutela antecipada, para que comece a valer assim que a liminar for concedida, independente de a prefeitura entrar com recurso.

Ministério Público flagra alunos dormindo sentados

Aline Mazzo e Fernanda Barbosa do Agora

Salas superlotadas, pouco espaço e condições inadequadas para atender às crianças foram os problemas encontrados pelas promotoras e assistentes sociais do Ministério Público em visita a duas Emeis da cidade.

Na Emei Regente Feijó, no Cambuci (zona sul de SP), a sala de alunos de três anos (primeiro estágio) tinha 40 crianças, que se apertavam para ouvir a professora contar história. Algumas até dormiam sentadas, debruçadas sobre as mesas, pois não havia espaço para que elas descansassem.

A professora ainda disse que os pais não podem enviar os medicamentos dos filhos, pois ela não tem possibilidade de controlar as doses devido ao número excessivo de crianças.

Na Emei Ângelo Martino, na Bela Vista (centro de SP), a sala, segundo o documento, não comportava seus 30 alunos mais a professora, a diretora e os integrantes da Promotoria. E criança de três anos vão ao banheiro sozinhas, pois a professora não pode deixar o local. Mesmo assim, alguns pais se contentam por ter a vaga. “Meu filho tem muitos amiguinhos e sempre fala deles”, diz Volmir Adriano dos Santos, 35 anos.

01/07/2009 - 19:13h MP dá um mês para Kassab rever matrícula crianças de três anos em Emeis

A notícia reproduzida embaixo é a manifestação de mais um “incomodo”, como diria o jornal VALOR, provocado pelo Ministério Público contra Kassab.

O assunto merece destaque quando se cumprem 6 meses do segundo mandato demo-tucano na cidade. Ele é o mais fiel retrato do jeito Kassab de enfrentar os desafios provocados pelas necessidades da população, na metrópole mais rica do país e também uma das mais desiguais.

A falta de investimento em vagas para creche provocou uma explosão de demandas não atendidas durante o primeiro mandato demo-tucano. Mesmo com recursos financeiros muito superiores, o número de vagas em creches criadas por Serra-Kassab foi menor que durante os 4 anos de Marta Suplicy.

Tendo prometido durante a campanha pela releição que acabaria com o deficit de vagas em creche, muitos eleitores confiaram que a promessa seria seguida de pelo menos um começo de execução dando prioridade a resolução deste problema.

Mas qual foi a atuação de Kassab neste assunto?

Primeiro, proceder a exigir o recadastramento das mães solicitantes procurando assim diminuir a lista, sem satisfazer a demanda.

Após ter conseguido reduzir a lista, Kassab reivindicou assim a redução do deficit para 60 mil.

Agora transferiu perto de 40 mil crianças de três anos, das creches para as emeis. “Reduzindo” novamente o deficit, pelo menos no papel e sem medir as consequências destas transferências para a educação e o equilibro emocional das crianças.

Daqui a pouco pretende lançar campanha publicitária pretendendo ter cumprido sua promessa. Os que não tem crianças em creche, os que não precisam de vagas em creches, os que não utilizam os serviços municipais de ensino, os que acreditam nos balanços fajutos que alguns jornais apresentam como isentos, aplaudiram com duas mãos. Para uma parte do eleitorado da cidade, e para alguns jornais, o que conta é o que parece e não o que é.

Restam os “neobobos” ou os que “incomodam”, como o Ministério Público. A nota a seguir mostra que este último não parece disposto a aceitar tamanha manipulação e descaso com as crianças. Cabe aos “neobobos” não deixar cair a peteca e cobrar o cumprimento real das promessas de campanha alertando a população sobre o engodo. LF

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MP dá um mês para Kassab rever matrícula crianças de três anos em Emeis

A Prefeitura de São Paulo tem um mês para preparar um estudo sobre a política de matricular crianças de três anos em Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil) –a pré-escola. O prazo foi dado pela Promotoria de Justiça de Defesa dos Interesses da Infância e Juventude da capital ao secretário da Educação, Alexandre Schneider, em audiência na última sexta-feira.

O Ministério Público investiga qual modelo é adequado para atender a essa faixa etária. “Pedi um parecer à USP para conhecer os aspectos pedagógicos da questão”, disse a promotora de Justiça Dora Martin Strilicherk. O documento foi entregue em maio.

Professoras da Faculdade de Educação da universidade são contra o ingresso de crianças de três anos em salas com até 35 alunos –limite aceito na pré-escola. Nas creches, o máximo permitido são 18. Elas também afirmam que a mudança se trata de uma manobra para reduzir a demanda por educação infantil. A fila para conseguir vaga em creche hoje é de 67 mil.

Reportagem publicada pelo Agora no domingo mostrou que há 48 mil crianças com três anos matriculadas em pré-escolas –elas farão quatro, segundo a secretaria, ainda neste ano. A prefeitura tem alterado as portarias de matrícula anualmente. Até 2007, o município estipulava que crianças de três anos tinham de ser matriculadas em creches. No ano passado, reduziu para dois anos e, hoje, não há definição sobre a “preferência”.

Segundo a presidente do Conselho Nacional de Educação, Clélia Brandão, os parâmetros seguidos pela capital antecipam a escolaridade. “O município precisa estudar a questão não apenas do ponto de vista das vagas, mas da maturidade da criança. O correto é colocar crianças de quatro anos na pré-escola”, afirma.

A promotora Dora Martin Strilicherk disse que vai aguardar a chegada do estudo para decidir que medida tomar. “Uma possibilidade é a assinatura de um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] com a prefeitura para que novas normas passem a valer em 2010. Vamos esgotar todas as vias administrativas”, disse. O ingresso de uma ação civil pública não está descartado.

O secretário Schneider disse que vai elaborar o estudo solicitado e verificar de que forma pode elevar gradativamente a carga horária oferecida às crianças nas Emeis (quando há transferência, o período de atendimento pode cair de dez para quatro horas). “Foi isso que ficou combinado”, disse.
A promotora Dora Strilicherk, porém, deixou claro que o inquérito foi instaurado para investigar o por quê de crianças de três anos estarem na pré-escola, não em creches.

Fonte Boletim Bancada de vereadores do PT

12/02/2009 - 13:31h Almoço, nas escolas, só no turno intermediário

Nos outros horários, só há lanche

Mônica Cardoso – O Estado SP

As aulas nas escolas municipais de São Paulo começaram ontem e, pelo segundo ano, o pequeno Igor Iuri de Moura, de 5 anos, frequenta a Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Guia Lopes, no bairro do Limão, na zona norte. Durante o horário da aula, das 15h20 às 19h05, ele come a merenda. O lanche de ontem era bolo de laranja, iogurte de morango e banana. “Ele nunca passou mal por causa da merenda”, diz a mãe, Ana Paula Cláudia da Silva, de 26 anos.

O filho mais velho estudou no mesmo turno e na mesma escola há três anos. A diferença é que, antes da terceirização, a escola oferecia jantar aos alunos, geralmente arroz, feijão, carne e verdura. Agora, o almoço é servido apenas no turno intermediário, das 11 às 15 horas. “As mães foram convidadas a conhecer a cozinha. Eu achei tudo limpo e os alimentos bem armazenados”, diz. Marilu da Silva Pedro, de 36 anos, mãe de Bárbara, de 4, diz que a filha também gosta da merenda. “Ela só não come fruta porque não gosta.”

Antes da terceirização, os agentes escolares preparavam as refeições. Agora, elas são feitas pelos funcionários das empresas que venceram a licitação. Na Emei Guia Lopes, a J. Coan é responsável pela merenda. A quantidade é medida em porções iguais por aluno. Segundo a diretora da escola, Cibele Racy, chega a sobrar alimentos, principalmente no almoço. “Quando temos sobras de frutas ou cascas de ovos, as crianças fazem uma pequena compostagem de adubo natural.”

Na Emei Maria Montessori, em Itaquera, na zona leste, as mães também aprovam a merenda escolar oferecida pela empresa Nutriplus Alimentação e Tecnologia. A dona de casa Karen Millage, de 32 anos, mãe de Leonardo, de 4, diz que o filho gosta do almoço. O cardápio de ontem foi arroz, feijão e salsicha. “Costumo frequentar as reuniões da Associação de Pais e Mestres e não sei de nenhum aluno que ficou doente por causa da merenda”, diz.

A pequena Ana Vitória, de 3 anos, também estuda na escola e ontem foi seu primeiro dia de aula. A mãe, Ana Paula Marques de Souza, de 34, conta que a filha teve diarreia e vômito em novembro, mas não sabe se foi por causa da merenda preparada na creche municipal onde a menina ficava. Os alimentos servidos na creche eram repassados pela própria Prefeitura.

28/11/2008 - 10:52h Escola volta a adotar o turno da fome

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Jornal da Tarde

Pagar uma babá será a única forma de a fiscal de caixa Eliana Resende, mãe de Guilherme, 5 anos, conseguir manter a criança matriculada na escola onde estuda atualmente, a Emei Montese, no Parque Bristol, zona sul. A unidade voltará a ter o “turno da fome” em 2009, o que diminuirá de seis para quatro horas o tempo de aula das crianças.

Apesar de a direção da escola ter comemorado em 2006 a redução de três para dois períodos de funcionamento, Eliana levou um susto ao receber no último dia 11 um bilhete na agenda da criança informando que a partir de 2009 a escola voltará a funcionar em três turnos.

Atualmente, Guilherme estuda das 7h às 12h45. Com o novo horário, sairia às 11h. “Meu filho chega de perua no mesmo horário que a irmã (de 17 anos) chega em casa. Saindo mais cedo, ele teria de ficar sozinho por duas horas. Vou ter de pagar alguém para ficar com ele.”

A direção da escola deu a opção aos pais dos alunos de escolher em qual dos três novos turnos teriam preferência de fazer a matrícula. A Diretoria Regional de Ensino do Ipiranga – órgão ligado à Secretaria Municipal de Educação – justificou a volta do turno da fome à necessidade de abrir 210 vagas para atender a demanda por vagas da região.

Segundo Eliana, a rematrícula de Guilherme para 2009 já tinha sido feita antes do aviso da volta dos três turnos de aula. “Ninguém tinha dito que as aulas diminuiriam de seis para quatro horas”, afirma.

A dona de casa Fernanda Dias, vizinha de Eliana e mãe de Lavínia, de 4 anos, também está inconformada. “Não trabalho fora, mas a educação da minha filha será prejudicada. Ela entrou esse ano na escola e já escreve até o nome”, diz.

Demanda elevada

Apesar de ter prometido acabar com o turno da fome na sua gestão, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) voltou atrás após reportagem publicada pelo JT, que mostrava que a promessa não seria cumprida em 2009, e reconheceu que no ano que vem 147 escolas terão esse turno.

A Diretoria do Ipiranga informou que a Emei Montese atendeu 101 dos 479 alunos em turnos de quatro horas em 2008 por causa da alta procura. Em nota, o órgão informou que a procura cadastrada na Emei é de 178 alunos e a medida adotada – de funcionar em três turnos – já garante o atendimento à demanda. “Além disso, destacamos a construção do CEU Parque Bristol, que permitirá melhorar o atendimento às crianças, aproximando-as do seu local de residência. O CEU vai atender 420 alunos de Emei.”

Maria Rehder

21/06/2008 - 16:11h “Educação é um problema crucial”

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Discurso de Marta Suplicy no seminário do PT sobre educação (versão completa)

Minhas amigas, meus amigos,

Inicialmente, gostaria de agradecer a presença do ministro Fernando Haddad e dos nossos dois debatedores: Daniel Cara e César Calegari.

Agradeço também a presença de todos vocês, parlamentares, professores, lideranças comunitárias, militantes petistas.

Vamos começar, hoje, o debate do Partido dos Trabalhadores em torno do segundo tema do seminário São Paulo, Novos Caminhos: Educação.

Um tema fundamental, no sentido pleno e preciso da palavra. “Fundamental”, no sentido do que está no início, na base, como alicerce do processo de construção do indivíduo – e do projeto de transformação da sociedade.

Educação, um problema crucial da nossa vida presente e da perspectiva de um futuro nacional mais justo e desenvolvido para o Brasil.

Problema que exige soluções urgentes. mas soluções que, por sua vez, exigem de nós consciência de sua alta complexidade. felizmente, o governo do presidente Lula colocou a educação no centro dos debates e das atenções nacionais. E isto não apenas em termos meramente retóricos ou quantitativos, como tantas vezes se fez.

O ensino começa a sentir o sabor da mudança. temos, hoje, à nossa disposição, o mais completo diagnóstico já feito sobre educação, na história recente do país. e a implantação, através do pde, de um conjunto de instrumentos para intervir, de forma simultaneamente eficaz e inovadora, no campo educacional brasileiro.

Isso sem falar no fundeb que tem um significado extraordinário na capacidade de investimento da cidade de são paulo em educação infantil.

Diagnóstico que também nos faz ver com clareza, tanto em âmbito geral quanto no detalhe, a dimensão do desafio que temos pela frente. e ele é imenso.

Em São Paulo – todos sabemos – a educação pública não vai bem.

Seguidas avaliações promovidas pelo Ministério da Educação colocam a qualidade do ensino paulista numa posição apenas mediana. o que significa que a riqueza e o desenvolvimento do estado não chegaram à escola. não entraram na sala de aula. E assim se desenha um quadro especialmente grave, quando nos lembramos de que não existe caminho mais poderoso para a inclusão social do que a educação.

o ministério da educação tem feito várias tentativas para melhorar este quadro. mas nem sempre as administrações locais se empenham na parceria. Não podemos, porém, esperar que as soluções venham todas da esfera federal. podem contar, que nós faremos a nossa parte.

Quando assumi a prefeitura de São Paulo, encontrei uma situação de calamidade pública, reflexo de administrações desastrosas para o municipio e da recessão economica que o pais enfrentava na era FHC. escolas abandonadas, sem professores, sem material didático.

E as famigeradas escolas de lata que herdamos do governo Pitta – do qual o senhor Kassab foi peça fundamental, como secretário de planejamento. escolas de lata que o então governador Geraldo Alckmin, inexplicável e injustificadamente, reproduziu em várias regiões do estado. ainda são 76 escolas de lata em todo o estado, sendo 39 aqui na capital.

Assumindo a prefeitura, iniciei, sem falsa modéstia, uma verdadeira revolução na rede municipal de ensino.

Nossa primeira atitude foi identificar os problemas que afastavam as crianças da escola.

O sujeito da educação é a criança. era preciso resolver os problemas de acesso e permanência. e suas causas eram dramáticas e ligadas à pobreza. Muitas crianças não iam à escola porque não tinham transporte, nem roupa. Não podiam estudar porque não tinham cadernos, lápis, réguas, livros. Não podiam raciocinar direito porque tinham fome. E não se sentiam atraídas pela escola, porque a maioria dos prédios era, muitas vezes, mais precária e insegura do que suas próprias casas.

Os professores estavam absolutamente desmotivados, sem apoio e sem estímulo. Era uma situação triste, desesperadora. só não estava pior por causa do esforço heróico de professores, pais e funcionários.

Com o tempo, encontramos soluções para cada um desses problemas. soluções que, depois,foram adotadas por centenas e centenas de municípios, Brasil afora. criamos o programa de distribuição de uniformes e material escolar para mais de um milhão de crianças.

O maior e melhor programa de merenda escolar da américa latina, com mais de 70 pratos diferentes e 1,4 milhão de refeições diárias. Começamos a substituir a herança Pitta – Kassab das escolas de lata por escolas novas, de alvenaria.

Reformamos e construímos dezenas de escolas. Foram ao todo 191 escolas em apenas quatro anos, mais do que fizeram juntas as duas gestões anteriores.

Criamos o programa Vai e Volta, que garantiu transporte escolar gratuito para mais de 120 mil crianças.

Na atual gestão, houve um enorme retrocesso e temos novamente crianças fora da escola por falta de transporte. Nesta última semana, estive nas zonas norte, sul e leste e em todas ouvi reclamações acaloradas sobre a diminuição da oferta de transporte escolar. ontem, na vila cosmopolita, na zona leste, ouvi o relato de mães que têm que andar mais de 6 quilômetros para levar seus filhos à escola.

Com os centros educacionais unificados estabelecemos um novo paradigma para a educação pública brasileira. os CEU’s mudaram não só o conceito de educação pública. na verdade, mudaram a vida de seus alunos, de seus pais e das comunidades situadas no seu entorno.

Numa cidade como São Paulo, cheia de regiões de pobreza, é obrigação do governo, na educação, ir muito além da matemática e do português – ele tem que dar oportunidade para que as crianças, que vivem na exclusão, tenham acesso pleno ao desenvolvimento. O CEU abre essa janela de acesso à cultura e à descoberta de novos mundos, mundos muito diferentes do que a criança convive.

É indispensável lembrar que os CEU’s foram construídos nas regiões com menor índice de desenvolvimento humano da cidade. Regiões historicamente ignoradas pelos poderes públicos. Regiões que, pela primeira vez na vida, receberam um equipamento de ponta, que poderia estar em qualquer bairro rico de qualquer cidade do mundo, mas que estava ali, como um gesto claro de justiça, na periferia esquecida de São Paulo.

O impacto do CEU, além de dar oportunidade para as crianças e famílias, agrega valor social ao bairro, pois as ruas que ficam próximas são asfaltadas, são mais iluminadas, ganham serviços como o correio, saneamento, coleta de lixo, segurança, etc. Este é um aporte e um impacto do CEU que hoje está sendo estudado por educadores da Espanha e da Itália.

O CEU está ali, oferecendo educação, inclusão digital, piscinas aquecidas, lazer, dança, música, teatro. aumentando a auto-estima de toda uma região. Um exemplo disso foi o depoimento que ouvimos de um senhor que contou o seguinte: “antes, quando me perguntavam onde eu morava, eu dizia que morava do lado daquele buraco cheio de mato. Hoje, quando me perguntam onde eu moro, eu digo que moro ao lado do CEU Rosa da China” (Vila Prudente).

É por isso que me orgulho tanto dos CEU’s.

Com eles, e os outros programas citados, conquistamos o sonho de Anísio Teixeira e Paulo Freire e levamos esperança para o povo excluido de São Paulo. Há um “antes” e um “depois”.

Agora, estamos diante de um grande desafio, que é ampliar o conceito CEU para todas as crianças que moram na cidade de São Paulo e ao mesmo tempo dar um gigantesco salto na qualidade. não é pouco o que nos propomos a fazer: vai exigir coragem, ousadia e determinação.

Temos que ter um ensino que, de fato, ensine; uma criança que saiba ler e interpretar um texto; uma educação que forme pessoas que vivam e façam a sua própria história. e onde o profissional da educação, mais que professora, seja uma agente da transformação.

A partir das conquistas em relação às condições para freqüentar a escola e aprender, o grande desafio, agora, é melhorar a qualidade do ensino. e isso só poderá ser conquistado com um grande investimento no processo de formação, acompanhamento e avaliação da escola.

Isso não é pouca coisa, estamos propondo algo tão ousado quanto foi a implantação dos CEU’s.

É para estimular esse debate que passamos a mostrar, agora, algumas sugestões. voltando a lembrar que, como no debate da semana passada, essas propostas não são um pacote pronto, fechado. queremos que sejam debatidas e aperfeiçoadas aqui, agora, e ao longo das próximas semanas.

(Esta parte foi acompanhada de exibição do powerpoint)

A primeira tarefa é retomar o modelo CEU, que foi aprovado pela população, para a cidade inteira. e temos que resgatar a idéia dele se tornar o centro irradiador de cultura e de métodos inovadores. Nossa sugestão é ter mais 20 CEU’s, cada um deles atendendo cerca de 20 mil cidadãos, entre alunos e membros da comunidade – para implantar o que chamamos de Rede-CEU.

Onde não for possível construir, como em bairros centrais como o Bexiga, o conceito CEU pode ser alcançado através de parcerias com entidades que desenvolvam seus trabalhos utilizando os equipamentos públicos do bairro, incluindo visitas a museus, parques, teatros, etc.

Com isso, daremos mais um passo para a transformação de São Paulo em cidade-educadora.

Os novos CEU’s, bem como os já existentes, devem recuperar características fundamentais do projeto original, que ultimamente foram deixadas de lado. É prioridade fazer com que os CEU’s voltem a ter uma forte interface com as áreas de cultura e esportes – seja na formação musical, grupos de teatro, ou assistindo peças, shows e filmes de qualidade. Seja na natação, no skate, basquete, futebol e em outras modalidades esportivas. Seja para as famílias, como as avós e mães que faziam hidroginástica, ioga e participavam de atividades sociais, como o baile da saudade.

Anteontem, em visita ao CEU da Vila Atlântica, quando perguntei que peça estava passando e que atividades estavam ocorrendo no CEU, uma mãe falou: “olha, a primeira vez que eu fui ao teatro foi quando inaugurou o CEU – e a última vez, foi quando você saiu da prefeitura. nunca mais teve nada lá. ele só abre em datas comemorativas”.

provavelmente o show que ela se refere foi “palavra cantada”, eu me lembro da primeira apresentação nesse CEU; mas o CEU pode oferecer mais: que eles também se tornem centros de qualificação profissional. Nós temos jovens no final do curso fundamental que gostariam de uma preparação para o mundo do trabalho.

Hoje, os CEU’ s oferecem um espaço, que está ocioso, para aprendizagem de fotografia, iluminação, cenografia, comunicação.

A proposta é a estruturação desses cursos e ampliação para outras áreas. a articulação da educação básica com a capacitação profissional, servirá de estímulo ao aprendizado e a permanência do jovem na escola.

Bem, gente, é com os professores que nós vamos. Os professores são o centro da nossa proposta para a qualidade.

Primeiro, o professor precisa ter tempo para se dedicar ao aluno. Não podemos exigir que alguém que cumpre uma jornada semanal de 40 horas, em inúmeras salas de aula, sacrifique seus momentos de descanso para formação ou atividades extras. Por isso, queremos distribuir a jornada do professor em 25 horas dentro da sala de aula e 15 horas em outras atividades. A meta é criar condições para que o professor permaneça em uma escola. a nossa preocupação é com o desgaste do professor que precisa se dividir entre várias escolas. Temos que criar uma relação de proximidade e compromisso com a escola, que se reflita no plano de carreira. sem isso, uma perna que sustenta a qualidade estará quebrada.

Segundo,propomos a criação de uma escola de aperfeiçoamento dos profissionais da educação, conjugados com núcleos locais, que são as escolas. a escola é o território onde os processos de inovação devem se concretizar. Ela tem que participar da solução dos problemas, tornando visíveis as boas práticas escolares, sem esconder os problemas e sim investir nas soluções. O investimento em formação inicial e continuada é indispensável para melhorar a nossa qualidade de ensino.

Além da formação continuada, temos de oferecer curso superior a todos os professores, como fazíamos. E tão importante quanto, é a criação de um núcleo de acompanhamento e avaliação. uma avaliação que sirva, de fato, para monitorar o processo de ensino-aprendizagem, identificando problemas e auxiliando nas soluções.

Vamos agora tratar de um assunto que pra mim é fundamental: autonomia para a escola.

A escola tem que escolher seu caminho. o ensino tem falhado na sua busca pela qualidade, em parte, porque não acredita na capacidade das escolas e dos professores para enfrentar esse desafio.

Os governos acham que podem dirigir os conteúdos e a atuação dos professores. Temos que ter núcleos comuns de exigência, mas cada escola deve buscar o percurso formativo dos professores, avaliar seus resultados e propor soluções em conjunto com os alunos e com as famílias. Não há como construir uma escola de qualidade sem integrar a comunidade. Foi a conclusão do Unicef, e é também a nossa.

A família tem que participar do processo de aprendizagem. temos que buscar, pelo menos, a alfabetização dos pais. Essa é uma tarefa para o MOVA dentro das escolas. queremos também laboratórios de informática e salas de leitura abertos nos finais de semana. Pois, não achamos que basta aprender a ler e escrever, oportunidades devem ser criadas para que toda a comunidade tenha acesso a cultura.

companheiros e compaheiras,
A escola tem que conhecer a realidade dos seus alunos. Esta semana estive em Taboão da Serra onde conheci uma experiência muito rica. Lá, pude ouvir vários relatos sobre o efeito positivo no aprendizado, quando o professor visita a realidade da criança. Escutei o depoimento de uma professora sobre uma aluna, que todos os dias chegava à escola muito bem cuidada e com o uniforme em ordem, e que a professora sequer fazia idéia das dificuldades que esta menina passava. ao visitar a casa desta aluna, a professora pôde constatar que a família dela vivia num barraco em uma área invadida e sem as mínimas condições de infra-estrutura; passando fome, inclusive. A partir dessa visita, a coordenação do projeto fez todo um trabalho de amparo à família, integrando-a a vários programas sociais.

E qual será a nossa proposta para o ensino fundamental e educação infantil?

‘E tornar realidade o ensino fundamental de nove anos. Com a sua implantação, obrigatoriamente, iremos rever a atual divisão dos ciclos de quatro anos. Haverá a oferta de um espaço multicultural de apoio à recuperação do aprendizado, também implicando na ampliação da jornada do aluno. Com esse mesmo fim serão criados centros regionais com profissionais de várias áreas para auxiliar na identificação e resolução dos problemas de aprendizagem de qualquer estudante.

Em relação à educação infantil, sabemos que aí está um dos mais graves problemas que temos. Há um tremendo déficit de vagas nas creches. A atual administração municipal está tentando viabilizar uma parceria pública privada para a construção de 250 creches. torçamos para que dê certo. prometem criar 40 mil vagas. mas, como o déficit é de quase 96 mil vagas, ainda haverá muito a fazer. Por isso, defendemos um conjunto de ações, incluindo: integração cei/emei numa única escola, para atender à primeira infância; oferta de período integral para as crianças que necessitem; e ampliação do funcionamento de emeis para seis horas.

Iniciativa nova será a criação do programa pró-criança, funcionando nos mesmos moldes do prouni, com creches particulares.

Criação de parques infantis destinados às crianças, cujas mães necessitam, eventualmente, de um local onde deixar seus filhos por um período curto.

E, finalmente, a criação do programa cuidar e educar, destinado às mães, contemplando temas como higiene do lar, alimentação e saúde.

Vamos agora para um tema abandonado na atual gestão: educação de jovens e adultos.

Tão importante quanto criar mais vagas de educação infantil será combater o analfabetismo na nossa cidade. O diagnóstico que estamos realizando indica a possibilidade de reduzir pela metade a atual taxa de analfabetismo, que afeta mais de 4% da nossa população. Para isso, propomos integrar as ações de alfabetização à educação de jovens e adultos e ampliar a oferta de vagas.

Defendemos também uma participação mais efetiva do município em outro programa federal, o pró-jovem, que representa uma grande oportunidade para que milhares de jovens acelerem a sua escolaridade e, ao mesmo tempo, tenham acesso a um curso de qualificação profissional.

Sei que tudo isso parece um sonho para os pais, alunos e professores, mas nós estamos decididos a realizar esse sonho.

E a partir desta determinação, será feito o plano municipal de educação, com a participação de todos os setores da sociedade civil. é algo que está previsto em lei. mas é justamente o plano municipal de educação que – tecido no diálogo e construído consensualmente – vai permitir firmar um compromisso coletivo em busca da qualidade do ensino. para que nossas escolas cumpram sua função social, que é educar, sim, mas educar fazendo, de cada criança, uma cidadã.

Porque São Paulo quer, São Paulo pode e São Paulo precisa ser a cidade do conhecimento.

muito obrigada a todos.

Marta Suplicy

18/06/2008 - 12:13h Descaso de Kassab com a educação: São Paulo corre atrás do prejuízo

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Ver também, Educação municipal: Prefeitura de SP “escondeu” déficit de vagas recorde

SP pedirá R$ 60 mi à União para construir escolas

Meta é construir 30 Emeis, o que não cobre déficit de 53.358 vagas

 

Maria Rehder – O Estado de São Paulo

 

A Prefeitura de São Paulo em dez dias vai pedir R$ 60 milhões ao Ministério da Educação (MEC) para a construção de 30 Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis). Atualmente, 53.358 crianças estão na fila de espera por vaga na pré-escola da rede municipal de ensino. O déficit de vagas em creche é ainda maior: 93.476.(grifo meu LF)

A partir de 2009, os municípios brasileiros serão obrigados a garantir vagas para crianças de 4 e 5 anos nas escolas públicas mais próximas de suas casas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na sexta-feira a Lei 11.700 que garante esse direito aos cidadãos que queiram matricular seus filhos na pré-escola. De acordo com o relatório de demanda por vagas publicado no site da Secretaria Municipal de Educação, 53.358 mil crianças estão na fila de espera por uma vaga nas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emei) de São Paulo.

O problema é ainda maior na faixa etária de até 3 anos. A fila de espera por creche na capital conta com 93.476 crianças. O senador Cristovam Buarque (PDT), autor do projeto de lei sancionado por Lula, explica que os municípios que não garantirem esse direito aos pais que queiram ter seus filhos matriculados na pré-escola poderão ser acionados pelo Ministério Público. “É preciso esclarecer que as cidades não terão de construir escolas próximas às casas das crianças, mas garantir que elas estudem nas escolas (que já existem) mais próximas as suas casas.”

Para a secretária de Educação Básica, Maria do Pilar Lacerda, a lei vai reforçar a necessidade de os municípios se articularem para dar mais foco à ampliação da educação infantil. “A Lei de Diretrizes e Bases já dizia que a educação infantil é uma obrigação do Estado.”

Questionada sobre os casos de cidades que têm elevado déficit de vagas na pré-escola, como a capital paulista, Pilar explicou que o MEC investiu entre 2007 e 2008 R$ 1 bilhão na construção e montagem de novas escolas de educação infantil, por meio do Programa Pró-Infância. “Pretendemos fazer mil creches na primeira fase do programa. No Sul e Sudeste, a distribuição será maior.”

Apesar do alto déficit de vagas nesta etapa de ensino, a cidade São Paulo não aderiu ao programa (grifo meu LF). “O MEC repassa a verba (cerca de R$ 1 milhão por escola) para os municípios, que entram com o terreno no tamanho que a legislação exige. Se a cidade comprovar a necessidade da construção de mais de uma escola e tiver baixo orçamento, claro que vamos financiar sem nenhum problema.”

As escolas de educação infantil construídas pelo MEC seguem um padrão. Pilar afirma que a previsão é de que se invista mais R$1 bilhão na segunda fase do projeto, em 2009. Araraquara, Campinas, Bauru e Bebedouro são alguns dos 914 municípios brasileiros que aderiram ao programa.

O vice-presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão consultivo do MEC, Mozart Ramos, ressalta que garantir a inclusão das crianças brasileiras na pré-escola é fundamental para melhor escolarização. Ela cita um estudo recente que mostra que a criança que faz a pré-escola tem 38% mais chance de concluir o ensino médio.