20/10/2009 - 10:55h Petistas defendem candidatura própria em SP

Partidos: Deputados querem que prefeito de Osasco lance manifesto para oficializar sua intenção de candidatar-se

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Luciano Máximo, de São Paulo – VALOR

Menos de uma semana depois de a Executiva Estadual do PT decidir que os pré-candidatos do partido ao governo de São Paulo em 2010 terão que ser formalmente indicados por pelo menos 1% dos 297 mil petistas paulistas, um grupo de prefeitos, vereadores e deputados estaduais e federais da legenda resolveram defender o atual prefeito de Osasco, Emídio de Souza, como o concorrente do PT ao Palácio dos Bandeirantes no ano que vem.

Essa diretriz, defendida por caciques petistas de São Paulo, como os deputados federais João Paulo Cunha, José Genoino, José Mentor, Cândido Vaccarezza (líder do PT na Câmara dos Deputados) e Devanir Ribeiro, visa a fortalecer a ala do partido que insiste em ter um nome para a disputa no ano que vem em caso de eventual “desidratação” de Ciro Gomes (PSB-CE) na corrida presidencial e, sobretudo, “tirar o PT da letargia no Estado”, governado pelo PSDB desde 1995.

“A candidatura do Emídio é muito bem-vinda pela sua história eleitoral, sua proximidade ao presidente Lula e sua posição (política) similar à da Dilma [Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência da República]“, disse João Paulo Cunha, durante reunião fechada, realizada ontem à noite em um hotel de São Paulo.

Os presentes ao encontro decidiram que, nos próximos dias, o prefeito de Osasco apresentará uma carta-manifesto oficializando sua intenção de ser o candidato do partido ao governo do Estado. “Essa história de pegar uma lista com assinatura de 1% dos filiados para escolher os pré-candidatos é uma bobagem”, criticou Cunha, reforçando que é preciso agir rápido e envolver o presidente Lula na decisão. “É preciso fazer chegar essa carta ao Palácio do Planalto. Se o Lula demora, se o Ciro demora [para tomar decisão sobre o candidato para São Paulo em harmonia com o projeto nacional de sucessão presidencial] a situação pode ficar vencida.” José Genoino também cobrou participação do presidente. “Fomos tão generosos com o projeto [sucessório] dirigido por Lula e pela Dilma, que um pacto em São Paulo vai mostrar que o PT vai para a briga, vai para a guerra”, afirmou Genoino.

Durante a reunião, outros nomes, como o do deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) e o do ministro da Educação, Fernando Haddad, foram cogitados para a disputa ao governo paulista, mas ficou acertado o apoio a Emídio, que tem preferência de 1/3 dos prefeitos da base aliada petista no Estado e 15 deputados estaduais.

A linha do discurso do prefeito de Osasco foi a de formação de uma frente forte do PT e que também privilegie a sucessão presidencial. “Vamos buscar alianças com PSB, PR, PDT, PCdoB e meu nome vai ser colocado priorizando o projeto nacional”. Apesar de se declarar candidato a governador em 2010, Emídio disse que aceitaria ser vice de Ciro, caso o cearense desista da corrida presidencial. “Achamos que PSB e PT têm que estar juntos. Pode ser que a candidatura do Ciro tenha alguma desidratação nacional, já que ele não está conseguindo alianças. Se ele cair muito nas pesquisas fortalece a ideia de ele vir para São Paulo. Não vamos opor resistência”, revelou Emídio.

Formado em Direito, Emídio Pereira de Souza elegeu-se vereador em Osasco em 1988, e foi reeleito nas eleições em 1992 e 1996. Em 2000, lançou candidatura à prefeitura da cidade, mas perdeu a disputa para Celso Giglio. Em 2002, foi eleito deputado estadual e, em 2004, venceu Giglio em nova disputa à prefeitura. Foi reeleito no primeiro turno há quatro anos.

05/10/2009 - 18:44h PT começa a definir pré-candidato para SP em novembro

Nomes serão apresentados por grupos do partido, sem a necessidade de o pré-candidato se apresentar

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Edinho, presidente do PT estadual


Anne Warth, da Agência Estado

SÃO PAULO – O Partido dos Trabalhadores (PT) vai iniciar no dia 1º de novembro o processo para a escolha dos pré-candidatos ao governo de São Paulo nas eleições de 2010. A informação foi confirmada pelo presidente estadual da sigla, Edinho Silva, que se reuniu com líderes da legenda nesta segunda-feira, 5, na capital paulista.

O PT decidiu também que não será necessário que o próprio pré-candidato se apresente como alternativa. Bastará que grupos apresentem nomes que consideram bons candidatos, resolução que facilita o caminho do ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antônio Palocci (PT-SP) que, publicamente, não admite o desejo de concorrer ao governo de São Paulo, pretendendo ser aclamado como uma escolha da maioria da legenda.

Segundo Edinho, há consenso dentro do partido de que o PT deve escolher um nome para apresentar às siglas aliadas como uma das alternativas para o cargo de governador do Estado. A decisão ocorre logo após o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) transferir o seu domicílio eleitoral para São Paulo, o que abre a possibilidade para que ele concorra ao governo do Estado em 2010. A transferência de Ciro, segundo Edinho, ocorreu a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defensor do nome para o cargo.

O ato foi encarado como uma forma de pressão do PSB sobre o PT, o que levou os petistas a voltarem a defender a candidatura própria de forma enfática. A ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo Marta Suplicy foi quem fez a manifestação mais contundente. Depois de deixar a sede do diretório estadual do PT, ela afirmou que a eventual candidatura de Ciro “não tem a ver com São Paulo”.

Edinho ressalta ainda que mesmo as lideranças do partido que se colocam a favor da eventual candidatura de Ciro admitem que o PT precisa apresentar um nome da legenda no âmbito estadual. “Mesmo aqueles que são pró-Ciro entendem que o PT não pode deixar de ter um nome, mesmo que seja para negociar com o PSB”, disse ele. “O PT precisa de uma liderança, não é possível que o partido entre de forma fragilizada na negociação”, reafirmou. Edinho insistiu que o PT não vete o nome de Ciro para o governo de São Paulo, mas reconheceu que há grande resistência ao presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que acaba de se filiar ao PSB e tem pretensões de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes.

“Todos defenderam que temos de consultar o PSB. Mas não dá também para que lideranças do PSB falem o tempo todo na imprensa que o partido terá candidatura própria em São Paulo, independente do PT. Isso é uma postura inábil do PSB”, afirmou. “Não podemos chegar a uma negociação vetando nenhuma liderança de nenhum partido. O Ciro Gomes tem mais sensibilidade de alguns petistas, mas o nome de Skaf, neste momento, ninguém falou favoravelmente”, ressaltou.

Segundo Edinho, grande parte da base do PT e de lideranças do partido não aprova o nome de Skaf, que liderou movimento que culminou no fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), derrubada no Senado, e promoveu o ato “Cansei”, em que entidades empresariais e representativas da sociedade civil se colocaram contra o governo Lula. “Mesmo o governo tendo tentado dialogar na questão da CPMF, naquele momento o movimento puxado por Skaf foi arredio ao diálogo”, afirmou o petista. “E o movimento ‘Cansei’ foi de partidarização da sociedade civil, que não deveria ter posições partidárias. Era claramente contra o partido, contra o PT”, frisou.


Consultas

O PT vai iniciar um processo de consultas formais ao nomes que se colocam como pré-candidatos ao governo de São Paulo ainda neste mês. Entre os cotados, há Antônio Palocci, Marta Suplicy, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, o ministro da Educação, Fernando Haddad, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que, segundo Edinho, manifestou o desejo de concorrer ao governo em reunião desta segunda.

Embora as inscrições para pré-candidatos já tenham data marcada, a partir do dia 1º de novembro, o prazo para a escolha final ainda não está decidido e poderá ocorrer até dezembro, como defendem alguns grupos petistas, ou somente em março, como desejam outras lideranças. Segundo Edinho, o pré-candidato será escolhido por consenso. “Não há ambiente para a realização de prévias no PT”, garantiu.

Apesar da quantidade de pré-candidatos ao governo de São Paulo, o nome mais forte dentro do PT é o de Palocci. Ele deixou a reunião sem falar com os jornalistas. Mas, de acordo com Edinho, o deputado defendeu o diálogo com o PSB e demais partidos aliados (PDT, PR, PCdoB, PTB, PP) e afirmou que a candidatura de Ciro Gomes deve ser considerada pelo PT. “Ninguém foi contra dialogar com os aliados.” Mas segundo outros membros do partido, Palocci acredita que o PT precisa defender um nome para não se tornar refém de Ciro ou de Skaf.

Outro pré-candidato, o prefeito de Osasco, Emídio Sousa, confirmou que lançará o seu nome na disputa. “Pode ser que eu apresente (a candidatura) ou um grupo o faça, mas meu nome vai ser colocado.” Ele também admitiu que há uma preocupação dentro do PT de não se tornar refém do PSB e de Ciro. “Há uma preocupação porque todas as declarações que Ciro fez até hoje negavam a intenção de ser candidato ao governo de São Paulo. Ele dizia querer ser candidato a presidente. Então, porque vamos ficar aguardando que esse cenário mude? O PT tem força suficiente para se movimentar, independente do que o Ciro acha”, declarou. “Além disso, o PSB tem outros pré-candidatos, como o Skaf e o vereador Gabriel Chalita. Não há motivo para ficarmos parados”, acrescentou.

Para o presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), a legenda precisa se preparar para as eleições de 2010, independente da transferência do domicílio eleitoral de Ciro para São Paulo. “Vamos construir uma candidatura a partir dos vários nomes que estão sendo ventilados, levantados pela militância e lideranças”, disse. “Nós não estamos fixando uma posição de que o PT será obrigatoriamente candidato, mas não podemos ficar esperando as definições de o PSB e dos demais partidos sem preparar a nossa candidatura. Se o PT desejar ter candidato, terá de construir isso.”

24/09/2009 - 14:46h Prefeitos da região de Osasco se unem e “abrem fogo” contra a Sabesp

Apesar da Rede Globo pressionar prefeitos quanto ao tratamento de esgoto e a poluição do rio Tietê, responsabilidade é da companhia, que descumpre contratos na região

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Guilherme Lisboa – Diário da Região

(politica@webdiario.com.br)

A Sabesp não cumpre satisfatoriamente suas obrigações contratuais e quem está “pagando o pato” são os prefeitos da região. O jornal SPTV, da Rede Globo, tem produzido uma série de reportagens e de entrevistas com os prefeitos atribuindo a eles a responsabilidade pela poluição do rio Tietê e pela ausência quase absoluta de tratamento de esgoto nos municípios da região. Nas entrevistas, a solução dos problemas, de atribuição da Sabesp, está sendo cobrada dos prefeitos, o que os levou a “abrir fogo” contra a companhia do governo do Estado.

Os prefeitos Emidio de Souza (Osasco/PT), Sergio Ribeiro (Carapicuíba/PT), Silvinho Peccioli (Santana de Parnaíba/DEM) e José Carlos Alves “Bananinha” (Pirapora do Bom Jesus/PT) já foram entrevistados e responsabilizados pela situação.

Emidio criticou a atuação da Sabesp na cidade e disse que a empresa deveria investir mais, já que recebe R$ 15 milhões por mês em conta de água e de esgoto em Osasco. Ele disse que, apesar da prefeitura oferecer o suporte necessário, a empresa trabalha em ritmo lento e já adiou 4 vezes a projeção para que todo o município tenha cobertura dos serviços de distribuição de água e de coleta e tratamento de esgoto.

“O que a Sabesp está prometendo para 2018 [a universalização dos serviços], ela já prometeu para 2007 e não fez, para 2009 e não fez, depois adiou para 2012 e agora para 2018”, denunciou o prefeito, na entrevista ao jornal SPTV, nesta terça-feira.

O prefeito destacou que, passada uma década desde a assinatura do contrato entre o município e a Sabesp, a companhia “fez apenas 5% do esgoto”. O contrato tem vigência de 30 anos. “Em termos de esgoto, nós estamos fazendo em 2 anos o que a Sabesp fez em 10”, criticou, referindo-se às estações de tratamento que a prefeitura constrói no Socó, nos Portais e no morro do Sabão, além da ampliação de linhas de esgoto no Jardim Padroeira, no Jardim Aliança e na Vila Vicentina.

“A primeira coisa que temos que esclarecer é que todo tratamento de água, coleta e tratamento de esgoto é responsabilidade da Sabesp. Não é da prefeitura de Osasco”, explicou Emidio, que disse que a administração municipal desenvolve ações como recomposição da mata ciliar, coleta de óleo de cozinha e recuperação de nascentes.

Despejo de material

A entrevista da Globo mais recente foi com Sergio Ribeiro, na edição de ontem. O petista lembrou que todo o material retirado do fundo do rio Tietê, ao longo de toda a sua extensão na Grande São Paulo, foi despejado em Carapicuíba. Esse episódio aconteceu durante a gestão do ex-prefeito Fuad Chucre (PSDB), que autorizou o despejo, provocando inúmeros protestos feitos por moradores da cidade, que criticavam o uso de Carapicuíba como um “lixão” pela Sabesp e pelo governo do Estado.
Na entrevista, Sergio também foi cobrado pela solução da poluição do Tietê. Ele disse que a Sabesp deveria, por contrato, construir redes coletoras para levar o esgoto da cidade até a Estação de Tratamento de Barueri, mas afirmou que, para resolver a questão e não depender mais da Sabesp, a prefeitura solicitou o apoio do governo federal. O prefeito explicou que os projetos da companhia foram adaptados e enviados ao Ministério das Cidades, com orçamento total de R$ 53 milhões. “O projeto é da Sabesp, mas a prefeitura é que vai executar a obra. Só depende de aprovação do governo federal agora”, contou.

Só em 2018

A Sabesp possui um plano que prevê a universalização dos serviços de saneamento apenas em 2018. Enquanto isso, famílias inteiras de diversos bairros da região vão continuar, por mais uma década, sem serviços básicos como coleta de esgoto.

Na reportagem de ontem do SPTV, entretanto, o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, afirmou que Osasco terá 70% de esgoto tratado em 2012 e 84% em 2015. “Não há porque dizer que as metas para Osasco não serão cumpridas”, alegou, em reposta às críticas de Emidio.

A Sabesp e a poluição do Tietê

A passagem do flutuador pelo Tietê, medindo o nível de oxigênio das águas do rio em diferentes pontos, tem revelado a alta poluição no Tietê. Veja abaixo os índices de presença de oxigênio registrados nas cidades da região. A poluição é maior quanto mais próximo de 0, o que significa que o rio praticamente não tem vida.

Osasco: 0,01 (péssimo)
Carapicuíba: 0,03 (péssimo)
Pirapora do Bom Jesus: oscilou entre 6,15 e 5,48
Santana de Parnaíba: oscilou entre 5,8 e 0,01
Ponte do Piqueri (Capital): 0,00 (não há oxigênio no rio)

Frases do Emidio

“O que a Sabesp está prometendo para 2018 [a universalização dos serviços], ela já prometeu para 2007 e não fez, para 2009 e não fez, depois adiou para 2012 e agora deixou para 2018”, prefeito Emidio de Souza sobre as promessas da Sabesp para tratamento do esgoto em Osasco

“A primeira coisa que temos que esclarecer é que todo tratamento de água, coleta e tratamento de esgoto é responsabilidade da Sabesp. Não é da prefeitura de Osasco”, prefeito Emidio de Souza sobre as promessas da Sabesp para tratamento do esgoto em Osasco.

18/08/2009 - 08:37h Sem Ciro, PT paulista reabre disputa interna

Decisão do deputado de priorizar candidatura presidencial acende movimentação de outros cotados

Clarissa Oliveira – O Estado SP

O freio colocado pelo deputado Ciro Gomes (PSB) na articulação para que ele dispute o governo paulista em 2010 reacendeu a disputa pela vaga dentro do PT. Apesar de a possibilidade de Ciro concorrer ao Palácio dos Bandeirantes não ter sido totalmente descartada, outros cotados já retomaram a mobilização para levar a cabeça chapa.

Embalado pela provável entrada da senadora Marina Silva (PT-AC) na corrida presidencial pelo PV, Ciro comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que planeja concorrer ao Planalto e não ao governo paulista. O acordo, no entanto, foi deixar a porta aberta para uma mudança de ideia. Ciro se comprometeu a transferir seu título de eleitor para São Paulo, o que lhe permite disputar tanto a corrida presidencial como a eleição estadual.

Ainda assim, a notícia de que ele insistirá na candidatura ao Planalto animou, por exemplo, o grupo da ex-prefeita Marta Suplicy. Aliados da petista retomaram, nas conversas de corredor, o discurso de que ela não está fora do páreo. A ordem é garantir que ela esteja em evidência no noticiário, de preferência ao lado da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata à sucessão de Lula.

Apesar de bem colocada nas pesquisas petistas e no último levantamento do Datafolha – em que teve 16% -, Marta amarga o desgaste da derrota na última eleição municipal e a alta rejeição no eleitorado paulista. Até seus aliados reconhecem que será mais fácil emplacar uma candidatura ao Senado.

A ideia depende da disposição do senador Aloizio Mercadante (SP) em dividir uma chapa para o Senado com outro nome forte. Para resolver o problema, uma ala do PT já investe na tese de que o senador é a melhor opção para encabeçar a chapa ao governo. A avaliação é a de que ele pode desistir de disputar o Senado, se avaliar que sua reeleição corre perigo.

Mercadante – que em pesquisas petistas tem 15% dos votos e pouca rejeição – nega que tenha planos de desistir da reeleição. Mas petistas afirmam que ele não esconde a preocupação com o impacto da crise envolvendo o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em seus planos de se reeleger.

Antes favorito do presidente Lula, o deputado Antonio Palocci (SP) também deixa claro internamente que não está fora da disputa. Ainda assim, ele espera uma posição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Pesquisas do PT mostram que o eleitorado o associa diretamente ao caso, que lhe custou a cadeira de ministro da Fazenda.

Único pré-candidato assumido no PT, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, sinaliza que não vai desistir facilmente e não descarta uma prévia. “Vamos trabalhar por uma candidatura escolhida sem disputa. Mas, se precisar fazer disputa, nós faremos.” O líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), ainda não descarta Ciro. “A disposição dele em transferir seu título de eleitor é um avanço.”

24/07/2009 - 11:26h ”Eu não vou enfrentar o presidente”, diz Emídio

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Emídio de Souza: prefeito de Osasco; Sem descartar plano de disputar governo de SP, prefeito afirma que PT deve aceitar Ciro se ele ajudar a eleger Dilma

 

Vera Rosa, BRASÍLIA – O Estado SP

 


Sem abandonar o sonho de ser candidato ao governo de São Paulo, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, não vai bater o pé pela indicação do PT se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disser a ele que o melhor é apoiar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), em 2010. Embora afirme que é preciso julgar “a conveniência e a oportunidade” do aval a Ciro para a sucessão do governador José Serra (PSDB), Emídio destaca que a continuidade do projeto petista no Planalto está em primeiro lugar.

“Eu não vou enfrentar Lula”, diz ele. “Se a candidatura Ciro for fundamental para a eleição de Dilma, temos de aceitar”, emenda, numa referência à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência.

No segundo mandato como prefeito de Osasco, Emídio constata que “Lula é pragmático” e sabe onde o calo aperta. “Seria irresponsabilidade nossa escolher o candidato em São Paulo de costas para o cenário nacional”. Discreto, o prefeito esteve na quarta-feira à noite em Brasília e conversou com auxiliares do presidente sobre o jogo do PT em São Paulo, onde o partido perdeu o apoio do PMDB.

O sr. gostaria de ser candidato do PT ao governo de São Paulo?

Meu nome está à disposição do PT para disputar a eleição com os tucanos, defender o governo do presidente Lula e renovar a política de São Paulo.

Mas o presidente não parece muito entusiasmado com a candidatura própria. O sr. sente que seu nome é vetado por Lula?

De forma alguma. Temos de considerar que o mais importante é a estratégia para a candidatura da ministra Dilma (Rousseff) à Presidência, em 2010. Eu não vou contrariar nem enfrentar o presidente Lula. Quero ajudá-lo.

O que o sr. acha da tentativa do presidente de fazer o PT desistir da candidatura em São Paulo para apoiar o deputado Ciro Gomes?

Lula está tentando montar os palanques estaduais com os partidos que dão sustentação ao governo. Ciro é peça importante nesse tabuleiro e eu o respeito pelos serviços prestados ao País. Ele tem estatura política e faz campanha contra Serra (governador de São Paulo, José Serra). O que precisamos avaliar é a conveniência dessa candidatura agora. É oportuna nesse momento? Se a candidatura Ciro for fundamental para a eleição de Dilma, temos de aceitar.

E o que o sr. acha? É oportuna?

É preciso uma sondagem aos outros partidos. Não sei como a opinião pública receberia.

Mas a alternativa Ciro sofre forte resistência no PT.

É natural que um partido com a força do PT tenha o desejo de lançar candidato próprio. Mas Lula é pragmático: sabe dos problemas que tem pela frente e onde o calo aperta. Ele é o condutor desse processo.

O PT precisa apoiar candidato de outro partido para ultrapassar a barreira dos 30% das intenções de voto em São Paulo?

Não. O PT tem preparo não só para manter esse patamar como para conquistar votos da classe média. Mas seria irresponsabilidade nossa escolher o candidato em São Paulo de costas para o cenário nacional.

O PMDB virou as costas para o PT em São Paulo. O sr. acredita ser possível reverter esse quadro?

Acredito e vou insistir nessa aliança. O PT apoiou Michel Temer na eleição para a presidência da Câmara e o vice de Dilma pode sair do PMDB de São Paulo ou de Minas Gerais.

Dizem que o sr. não é conhecido para ser candidato ao governo. Esse comentário é aceitável para um partido que pretende lançar à Presidência a ministra Dilma, que nunca disputou uma eleição?

É verdadeiro, mas não impeditivo. O maior adversário de um candidato são os problemas que ele carrega. Se tudo do que me acusam é o desconhecimento, podem ter certeza de que podemos superar isso.