11/10/2008 - 09:39h ”Eu não falo em morte se visito alguém no hospital”

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Presidente Lula explica seu otimismo e diz que seu papel é passar serenidade à sociedade brasileira

João Domingos - O Estado de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo vai ajudar as empresas brasileiras a obterem os empréstimos necessários para enfrentar a crise econômica mundial. “Nunca fiz tantas reuniões com o presidente do Banco Central (Henrique Meirelles) e o ministro da Fazenda (Guido Mantega), porque nós temos que acompanhar (tudo) com lupa, para não sermos pegos de surpresa”, disse o presidente em entrevista aos portais na internet, entre eles o limão.com.br, do Grupo Estado.

Lula disse que seu papel é o de passar serenidade para que a sociedade continue acreditando no País. Ele admitiu que a crise é “profundamente forte”, mas o Brasil está preparado. “Essa é a diferença básica, e por isso nós vamos continuar incentivando (as empresas)”. Ele afirmou ainda que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os programas sociais estão mantidos.

Apesar do otimismo, Lula disse que, se a crise implicar diminuição dos investimentos, ou o governo for obrigado a diminuí-los, tomará as medidas necessárias. “Com a mesma serenidade que digo que o Brasil está em um momento bom, eu vou dizer: ?companheiros, a situação está se agravando e nós vamos ter que fazer isso, fazer aquilo?, e anunciar as medidas”, disse o presidente.

NATAL

“Eu continuo otimista que nós vamos ter um Natal extraordinário. Até porque, embora o Brasil participe da economia global, a crise não chega do mesmo tamanho em todos os países. No Brasil, nós ainda não temos nenhum grande projeto que tenha sofrido qualquer arranhão. A decisão do governo é manter todas as obras do PAC.

Portanto, eu acho que precisamos nos preparar para comprar tudo aquilo que a gente sonha comprar no Natal e torcer para que o Ano Novo seja infinitamente melhor.”

ATÉ ONDE A CRISE VAI

“Os dados do IBGE mostram que o emprego continua crescendo. Portanto, embora essa seja uma crise muito maior que todas as outras que aconteceram, seja a russa, a asiática ou a do México, o Brasil está mais preparado.

É como se tivéssemos tomado uma vacina contra uma doença. Então, ela está demorando para chegar ao Brasil. Talvez, se chegar, chegue em proporção muito menor do que nos Estados Unidos ou na Europa.”

O POVO E A CRISE

“O povo está vendo na televisão, e é preciso saber como essa crise é vendida todo santo dia. Eu me lembro de uma vez em que morreu uma galinha em Marília e colocaram na televisão que era gripe aviária. O que aconteceu? Diminuiu o consumo de frango no Brasil, e a gripe aviária não tinha nem chegado aqui. A questão da febre amarela, dos macacos aqui, foi vendida como uma coisa nacional, quando era uma coisa localizada. Então, é preciso que a gente dê às crises a dimensão que elas têm.”

LULA, O OTIMISTA

“Tem muita gente que fala ‘o presidente Lula está muito otimista, não está vendo a crise’. Ora, meu Deus do céu! Eu sou um tipo de ser humano que, quando vou visitar alguém no hospital, não fico contando para ele quantas pessoas já morreram daquela doença, eu fico contando das pessoas que se curaram. O meu papel é passar serenidade para a sociedade brasileira, a verdade absoluta para o povo brasileiro.”

BANCOS ESTÃO BEM

“Não há sinal de que os bancos estejam metidos no subprime. Se tiverem, vai aparecer em algum momento. Isso é como boletim de criança que tira nota baixa e quer esconder do pai. Não adianta, um dia aparece. Então, é melhor que as pessoas contem logo, para as pessoas tomarem posição.”

O PROER DE FHC E HOJE

“Alguns já estão agindo com mais sabedoria. Eu já vi pessoas mais conservadoras dizerem: ‘nós vamos disponibilizar recursos para os bancos, mas comprando ações dos bancos’. As pessoas já não querem mais dar, como nós demos o Proer.

As pessoas agora estão fazendo o seguinte: ‘Está precisando de dinheiro para garantir a conta corrente das pessoas’ Então, é o seguinte: vou pôr tanto, e isso significa que estou comprando ações desse banco?. Na hora em que a situação melhorar você pode vender, devolver as ações.”

MEDIDAS

“Tomamos medidas para garantir que o Banco Central pudesse fazer redesconto. Nós tomamos como primeira medida diminuir o compulsório para que os bancos grandes pudessem comprar as carteiras dos menores. O Banco do Brasil, por exemplo, comprou três carteiras.

Nós fomos informados depois de que havia uma pressão dos bancos grandes em cima dos pequenos, ou seja, é aquele negócio, não é? As pessoas querem levar vantagem em tudo. Não vamos permitir que os bancos pequenos fiquem reféns dos bancos grandes. Vai o próprio Banco Central fazer o redesconto.”

02/10/2008 - 09:17h Esclarecendo o risco

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David Leonhardt * - O Estado de São Paulo

Em 1929, Meyer Mishkin era o proprietário de um estabelecimento em Nova York que vendia camisas de seda aos trabalhadores. Quando o mercado de ações faliu naquele mês de outubro, ele se voltou para o filho, na época um estudante da Universidade Municipal, e ofereceu uma versão dos seus sentimentos: “É isso que merecem aqueles ricaços”.

Um ano depois, com os problemas de Wall Street se espalhando para toda a economia, a loja de Mishkin faliu. Ele não tinha mais fregueses o bastante. O seu filho teve que trabalhar para ajudar a sustentar a família e Mishkin nunca mais conseguiu um emprego estável.

Frederic Mishkin - neto de Meyer e, até abrir mão do cargo no mês passado, um dos aliados de Ben Bernanke no Federal Reserve - me contou essa história outro dia, e a moral que ela contém é bastante óbvia.

Muitos em Washington temem que o país entre numa espiral rumo a um terrível declínio. E para horror dessas pessoas, elas vêem o público e muitos dos membros do Congresso se transformando em versões contemporâneas de Meyer Mishkin, mais interessados em castigar Wall Street do que em salvar a economia.

Tudo isso pode ser verdade. Mas há boas razões para o ceticismo da população. Os especialistas em política econômica tão desesperados para tomar alguma atitude não foram capazes de contar uma história convincente para explicar aquilo que tanto temem.

Não basta dizer que os mercados poderiam congelar, os empréstimos poderiam se tornar impossíveis e a economia poderia escorregar até entrar no pior declínio desde a Grande Depressão. Por enquanto, a crise teve pouco efeito sobre a maioria dos americanos, a não ser sobre o seu plano de aposentadoria. Assim, o espectro de uma depressão pode soar como alarmismo, e o pacote de US$ 700 bilhões que a Câmara rejeitou esta semana pode parecer um resgate para ricos.

Bernanke e os seus companheiros de preocupação precisam ligar os pontos. Eles precisam ensinar ao público uma pequena lição sobre a economia de uma crise de crédito - como A pode levar a B, B a C e C a Depressão.

Vamos tentar oferecer uma explicação. Por que estamos falando sobre a Grande Depressão, afinal? Praticamente nenhum economista acredita que mesmo um terrível declínio possa sequer se parecer com a Depressão. O governo já respondeu de maneira mais agressiva do que na época de Herbert Hoover. Assim, uma contração semelhante à Depressão - uma queda de 30% na atividade econômica - é muito improvável. O país também está hoje muito mais rico, o que significa que uma parcela muito menor da população vive no limiar do desespero. Não importa o que aconteça, não veremos surgir favelas.

Mas a Depressão ainda é relevante, porque a mecânica básica de como a economia entra numa recessão severa parece muito com aquela que provocou a Depressão. Em ambos os casos, no centro da história há uma crise de crédito.

No início da década de 1930, apesar de tudo que acontecera em Walk Street, a economia dos EUA ainda não entrara em colapso. O gasto dos consumidores e os investimentos em negócios estavam em baixa, mas não de maneira tão drástica.

No fim de 1930, no entanto, vários pânicos começaram entre os bancos. Os investimentos dos bancos iam mal - ou, em certos casos, havia o boato de que fossem mal - e os fregueses nervosos sitiaram as filiais dos bancos para exigir de volta o seu dinheiro. Centenas de bancos acabaram fechando as portas.

Depois de um banco de uma determinada cidade fechar as portas, todo o conhecimento acumulado pelos funcionários do banco desapareceu. Outros bancos não estavam nem de longe tão dispostos a emprestar dinheiro a negócios e residentes locais porque os funcionários credores nestes bancos não sabiam quais clientes era menos confiáveis do que aparentavam ser. A fonte do crédito secou.

“Se um sujeito enxerga uma boa oportunidade de investimento e não consegue acesso ao financiamento, ele não pode aproveitá-la”, destaca Mishkin, agora professor de economia na Universidade de Columbia. “É aí que a economia entra em colapso.” Ou, conforme Adam Posen, outro economista, “foi então que a Depressão de tornou a Grande Depressão”.

Jovem acadêmico de Economia na década de 1980, Bernanke desenvolveu a teoria de que o conhecimento perdido dos funcionários dos bancos foi uma das principais causas da Depressão. Ele se referiu (com o seu co-autor, Mark Gertler) a esse conhecimento perdido como “capital informacional”. Significa que a confiança desapareceu no setor bancário.

O mesmo está ocorrendo agora. Os mercados financeiros são hoje globais, de modo que o problema não é que a falência de um banco possa impedir os clientes de acessar os mercados de crédito. Em vez disso, as desagradáveis surpresas dos últimos 13 meses - o tipo de caos que já foi inimaginável - provocaram um colapso no capital informacional. Os banqueiros agora olham para os clientes antigos e pensam aquele velho refrão de um casamento fracassado: “sinto como se nem mesmo o conhecesse mais”.

O Bear Sterns, por exemplo, deveria ter garantias reais tangíveis e sólidas por trás de algumas das suas dívidas, de modo que certos credores fossem pagos não importando as circunstâncias. Mas não tinha essas garantias, e a dívida não foi paga.

O estágio atual e mais sério da crise começou há duas semanas, depois do colapso do Lehman Brothers e da aquisição da AIG pelo Fed. Esses eventos provocaram mais medo. Em vez de realizar muitos empréstimos, os bancos despejaram seu dinheiro em títulos do Tesouro, que pagam juro baixíssimo, mas também têm risco quase inexistente. Sobre os poucos empréstimos que fizeram, os bancos exigiram taxas de juro mais altas. Nas últimas duas semanas, as taxas de juros continuaram a aumentar, e são essas taxas que deveríamos observar, não o mercado de ações.

O ponto central é que uma economia moderna não pode funcionar quando as pessoas não têm fácil acesso ao crédito. Demora um pouco até isso se tornar óbvio, já que a maioria das empresas e das pessoas não solicita empréstimos vultosos todos os dias. Mas acabará se tornando óbvio, e de uma maneira dolorosa. Já estamos vendo uma escassez no financiamento de automóveis provocar uma queda ainda maior nas vendas do setor automobilístico.

Será que a crise atual poderia ser combatida - será que os bancos poderiam decidir que estão perdendo lucrativas oportunidades de investimento - sem um fundo governamental de US$ 700 bilhões para livrar Wall Street de alguns dos seus valores mobiliários mais assustadores? Claro que sim.

Estaria o Congresso certo em lutar por um programa factível que seja tão barato e rigoroso com Wall Street quanto possível? Absolutamente sim. Mas, afinal, não se trata de Wall Street. Trata-se de reduzir o risco de que algo ruim aconteça. Trata-se de limitar os danos provocados pelos excessos financeiros da década passada.

Infelizmente, não se pode realizar isso sem também oferecer ajuda a Wall Street. É lá que ficam os nossos mercados de crédito, e precisamos que eles voltem a funcionar. “Estamos enfrentando uma grande crise nacional”, como diz o neto de Meyer Mishkin. “Não fazer nada agora é repetir o que foi feito na Grande Depressão.”

*O autor escreve para o ‘The New York Times’

01/10/2008 - 12:16h O telefonema das 3h da madrugada

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Paul Krugman* - O Estado de São Paulo

São três horas da madrugada, no começo de 2009, e toca o telefone na Casa Branca. Vários dos maiores fundos hedge (de risco) estão prestes a falir, diz a voz do outro lado da linha, e é provável que haja caos quando o mercado abrir.

Em quem você confiaria para atender a este chamado? Não estou sendo melodramático. O plano de resgate lançado no domingo é muito melhor do que a primeira proposta do secretário do Tesouro, Henry Paulson - melhor o bastante para merecer a aprovação. Mas não é o que poderíamos chamar de bom plano, e não vai pôr fim à crise. Tudo indica que o próximo presidente terá de lidar com algumas grandes emergências financeiras.

Então, o que sabemos sobre o preparo dos dois homens que acabarão atendendo a este telefonema? Bem, Barack Obama parece bem informado e sensato em relação aos problemas econômicos e financeiros. John McCain, por outro lado, me assusta.

Sobre Obama: é uma pena que ele não tenha demonstrado mais liderança no debate a respeito do pacote de resgate, optando ao invés disso por deixar o assunto nas mãos dos democratas no Congresso. Mas tanto Obama quanto os democratas estão cercados por assessores conhecedores da sua área, entre eles os experientes administradores de crises Paul Volcker e Robert Rubin.

Então temos o assustador McCain - mais assustador agora do que há algumas semanas. Já sabemos há bastante tempo que McCain não sabe muito de economia. Isto não importaria muito se ele tivesse bom gosto na hora de escolher seus assessores - coisa que ele não tem.

Lembre-se, o seu principal mentor na área da economia é Phil Gramm, um dos maiores inimigos da regulamentação, que tomou cuidados especiais nos seus dias de senador para impedir a supervisão dos derivativos financeiros - justamente os instrumentos levaram os mercados de crédito à beira do colapso. Gramm não teve mais função na campanha de McCain desde que declarou que os EUA são “uma nação de chorões”, mas ainda é cotado para o cargo de secretário do Tesouro.

E no ano passado, quando a campanha de McCain anunciou que o candidato havia reunido “uma impressionante equipe de economistas e professores para aconselhá-lo em relação à política econômica, quem era citado com destaque? Kevin Hassett, co-autor do livro Dow 36.000. Não é necessário dizer mais nada.

Agora, em boa medida a péssima qualidade dos assessores de McCain reflete o esfarrapado estado intelectual do seu partido. Será que já houve uma proposta econômica mais patética do que a sugestão feita pelos republicanos no Congresso, pedindo que tentemos resolver a crise financeira eliminando os impostos sobre ganhos de capitais? Instituições financeiras em apuros, por definição, não dispõem de ganhos de capitais para serem taxados. Mas até o presidente Bush tem procurado, no crepúsculo do seu mandato, o conselho de pessoas relativamente sensatas: não sou fã de Paulson, mas ele representa um enorme progresso em relação ao seu predecessor. A esta altura, temos a suspeita de que uma eventual presidência de McCain nos faria sentir saudades da competência da era Bush.

A verdadeira revelação nas últimas semanas, no entanto, foi o quanto a opinião de McCain sobre a economia é errática. A qualquer momento, ele parece ter opiniões muito fortes - mas poucos dias depois, ele parte numa direção completamente diferente.

Assim, no dia 15 de setembro ele declarou que “os fundamentos da nossa economia são sólidos”. Isto foi no dia seguinte à falência do Lehman, enquanto a crise financeira entrava num estágio novo e ainda mais perigoso.

Mas três dias mais tarde ele declarou que os mercados financeiros da América se tornaram um “cassino”, e disse que demitiria o chefe da Comissão de Valores Mobiliários - coisa que, aliás, não faz parte das atribuições do presidente.

E então ele encontrou um novo grupo de vilões - Fannie Mae e Freddie Mac, os credores patrocinados pelo governo. (Apesar de alguns verdadeiros escândalos dentro de Fannie e Freddie, eles desempenharam um papel pequeno na instalação da crise: a maioria dos empréstimos realmente podres veio de credores particulares.) E ele acusou moralmente outros políticos, incluindo Obama, de estarem sob a influência financeira de Fannie e Freddie; mas no final era uma empresa de propriedade do seu próprio chefe de campanha que recebia dinheiro do Freddie até o mês passado.

Então Paulson lançou seu plano, e McCain entrou com veemência no debate. Mas ele admitiu, vários dias depois, que não havia de fato lido o documento, o qual não consistia em mais de três páginas.

Ok, acho que você captou a imagem que quero transmitir.

Parece que a economia moderna é um lugar perigoso - e não é o tipo de perigo que você pode enfrentar falando duro e denunciando os malfeitores. Será que McCain dispõe da capacidade de julgamento e do temperamento necessários para lidar com esta parte do emprego que ele busca?

*Paul Krugman é colunista do ‘New York Times’

29/09/2008 - 15:42h Maior alta na aprovação a Lula é no combate ao desemprego

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O combate ao desemprego pelo governo Lula foi o setor que registrou maior alta, subindo da aprovação de 52% dos entrevistados em junho para 60% em setembro.

No combate à fome e à pobreza, 67% dos entrevistados aprovam a gestão do governo.

52% dos entrevistados também aprovam a condução do governo no combate à inflação.

 

Pesquisa indica que economia, redução da inflação e pré-sal colaboraram para aprovação do governo

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

O desempenho recorde atingido pelo governo federal e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro deste ano, segundo mostra pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta segunda-feira, se justifica pelo resultado da economia brasileira associado à redução da inflação e à descoberta da camada de petróleo pré-sal.

O diretor de Relações Institucionais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Marco Antonio Guarita, disse que os três fatores unidos fizeram com que o governo federal e o presidente alcançassem recordes de popularidade e avaliação positiva este mês.

“Temos um desempenho do presidente e do governo que alcançam pontos máximos em relação ao seu mandato. São patamares expressivos desde o início da pesquisa”, afirmou.

Segundo a pesquisa, a avaliação positiva do governo Lula chegou a 69% em setembro. Já a aprovação pessoal ao presidente atingiu o índice positivo entre 72% dos entrevistados.

A pesquisa mostra que a descoberta da camada pré-sal de petróleo foi a notícia mais lembrada pelos entrevistados no mês de setembro –o que reforça a tese da CNI/Ibope de que o tema ajudou na popularidade de Lula.

“Há um otimismo associado à exploração do pré-sal. Ainda é um evento futuro, mas quando olhamos as notícias podemos ver que a população é capaz de apostar na exploração do pré-sal”, afirmou Guarita.

Depois do pré-sal, a notícia mais lembrada pelos entrevistados foi a descoberta de uma nova bacia de petróleo em Santos, seguida pelas viagens do presidente Lula.

As notícias sobre o aumento no valor do Bolsa Família e a redução da inflação aparecem em quarto e quinto lugar entre as mais lembradas pelos entrevistados.

Áreas de atuação

A pesquisa mostra que, por áreas de atuação, o governo federal obteve aprovação pela maioria dos entrevistados em vários setores. No combate à fome e à pobreza, 67% dos entrevistados aprovam a gestão do governo, enquanto 30% desaprovam. Outros 4% não quiseram responder ou não opinaram. A avaliação do setor já era positiva em junho, aprovada por 59% dos entrevistados, mas subiu oito pontos percentuais em setembro.

O combate ao desemprego pelo governo Lula foi o setor que registrou maior alta, subindo da aprovação de 52% dos entrevistados em junho para 60% em setembro. Somente 35% dos entrevistados este mês disseram desaprovar a gestão Lula ano que diz respeito ao desemprego.

No total, 52% dos entrevistados também aprovam a condução do governo no combate à inflação, enquanto 41% desaprovam. A aprovação às políticas inflacionárias subiu 11 pontos percentuais em relação a junho, quando o índice positivo era de 41%.

O governo Lula registrou maioria de desaprovação na ares de segurança pública, com 50% dos entrevistados que se mostraram pessimistas nesse setor. Outros 46% disseram aprovar a gestão petista na área de segurança pública.

Outro setor com maior índice negativo foi a taxa básica de juros da economia (Selic), desaprovada por 55% dos entrevistados, contra outros 36% que aprovam as recentes altas na taxa de juros.

A maioria dos brasileiros também desaprovou os impostos cobrados pelo governo (56%) contra 38% que aprovam a atuação do governo no que diz respeito aos impostos cobrados no país.

As áreas de saúde e educação foram aprovadas, respectivamente, por 54% e 63% dos entrevistados. Outros 44% desaprovam as políticas da área de saúde, enquanto 35% desaprovam as da área de educação.

A pesquisa foi realizada entre os dias 19 e 22 de setembro e ouviu 2.002 pessoas em 141 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

26/09/2008 - 10:57h De Keynes a Paulson

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John Maynard Keynes

David Ignatius* - O Globo

Henri Paulson com Bushhttp://blogs.denverpost.com/lewis/wp-content/photos/paulson.JPG

Em tempos como este, quando mesmo os mais sóbrios analistas especulam se estamos caminhando para outra Grande Depressão, é melhor respirar fundo, ir ao porão e tirar a poeira de um exemplar de um modesto estudo de John Maynard Keynes, de 1936, chamado “A teoria geral de emprego, juros e dinheiro”.

A maioria se lembra de Keynes da universidade, como aquele que defendia o déficit orçamentário para encorajar o crescimento em períodos de desaceleração. E isso era certamente parte de seu argumento. Mas, ao revisitar “A teoria geral”, chama a atenção o fato de ser um livro sobre pânicos econômicos e a psicologia do mercado que os produz — e a conseqüente necessidade de intervenção do governo.

Alguns trechos poderiam ter sido escritos esta semana para descrever as sucessivas quebras de Bear Stearns, Lehman Brothers e AIG.

O problema com os mercados financeiros, argumentou Keynes, era que os investidores eram periodicamente tomados por uma forma extrema do que chamou de “preferência de liquidez”, que os fazia aplicar dinheiro apenas nos investimentos mais seguros. “É da natureza dos mercados (…) que, quando a desilusão cai sobre um mercado superotimista e sobrecomprado, deveria cair com uma força súbita e até catastrófica”, escreveu ele.

“Depois de surgir, a dúvida se espalha rapidamente”.

É uma ótima descrição de Wall Street nos últimos meses.

Saímos de uma bolha de superentusiasmo, na qual os juros deram pouca atenção ao risco, para um estado de pânico no qual as instituições financeiras têm tanta aversão ao risco que não querem emprestar a ninguém.

A idéia revolucionária de Keynes era que os mercados financeiros não se autocorrigiam, como argumentavam economistas clássicos. Deixada a si própria, Wall Street poderia cair em uma armadilha de liquidez em que os mercados ficariam congelados e o investimento produtivo cessaria. Então restava ao governo tomar medidas para restaurar a confiança e estimular o investimento.

“Eu concluo que a tarefa de organizar o volume atual de investimento não pode ser deixada em mãos privadas”, escreveu ele.

O que nos traz ao secretário do Tesouro, Henry Paulson, e à crise atual. Desde o resgate do Bear Stearns, em março, Paulson vem tentando injetar dinheiro nos mercados. Mas cada medida de resgate somente prepara para o desastre seguinte — então Paulson passa de Bear Stearns para Fannie e Freddie para AIG, e agora para um pacote de US$ 700 bilhões.

Que conselho Keynes daria a Paulson e ao presidente do Fed, Ben Bernanke? Seu primeiro impulso, imagino, seria reiterar que os mercados, deixados a si próprios, não vão resolver esse tipo de crise.

Eles precisam de ajuda do governo — neste caso, em uma escala que teria assustado até Keynes. Mas se as medidas são tomadas sem amplo apoio político, elas só podem aumentar a ansiedade popular. Isso é uma preocupação hoje: que o pânico de Wall Street atinja Main Street.

O biógrafo de Keynes, Robert Skidelsky, ressalta que ele sempre tentou englobar as conseqüências sociais e políticas da política econômica.

Um verdadeiro resgate keynesiano deveria fazer mais que socorrer investidores tolos. Por exemplo, se os contribuintes vão comprar uma fatia da maior seguradora do país, talvez essa empresa possa ser a pedra fundamental de um novo sistema de seguro-saúde universal.

“Quando o desenvolvimento do capital de um país se torna o subproduto das atividades de um cassino, o trabalho acaba ficando malfeito”.

Keynes não iria querer nacionalizar esse cassino; ele mesmo era um investidor ativo. Mas ele nos lembra de que os objetivos públicos são mais bem servidos por instituições públicas.

*David Ignatius é colunista do “Washington Post”

23/09/2008 - 16:10h Lula defende “regulação” na economia mundial, no seu discurso na ONU

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Agencia Estado

 

SÃO PAULO - Na abertura da 63ª Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, 23, citando o economista Celso Furtado, que a privatização dos lucros e a socialização das perdas é uma atitude “inadmissível”. Lula centrou seu discurso na crise financeira global. “A crise financeira é dura realidade. A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos, após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial”, acrescentou.Em clara referência ao pacote de socorro implementado pelo governo norte-americano, o presidente observou que as “indispensáveis intervenções” realizadas pelo Estado mostram que “é chegada hora da política”. “Somente ação determinada dos governantes, em especial de países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas”.

Leia abaixo a íntegra do discurso:

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do debate geral da 63ª Assembléia Geral das Nações Unidas, Nova Iorque-EUA, 23 de setembro de 2008

Senhores e senhoras chefes de Estado e de Governo,

Senhor Miguel d’Escoto, presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas,

Senhor Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas,

Senhoras e senhores chefes de Delegação,

Saúdo, com alegria, o presidente da Assembléia Geral, meu ilustre amigo Miguel d’Escoto. Desejo-lhe pleno êxito em sua missão.

Esta Assembléia realiza-se em um momento particularmente grave. A crise financeira, cujos presságios vinham se avolumando, é hoje uma dura realidade. A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial.

As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas.

A ausência de regras favorece os aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores. É inadmissível, dizia o grande economista brasileiro Celso Furtado, que os lucros dos especuladores sejam sempre privatizados e suas perdas, invariavelmente socializadas.

O ônus da cobiça desenfreada de alguns não pode recair impunemente sobre os ombros de todos. A economia é séria demais para ficar nas mãos dos especuladores. A ética deve valer também na economia. Uma crise de tais proporções não será superada com medidas paliativas. São necessários mecanismos de prevenção e controle, e total transparência das atividades financeiras.

Os organismos econômicos supranacionais carecem de autoridade e de instrumentos práticos para coibir a anarquia especulativa. Devemos reconstruí-los em bases completamente novas. Dado o caráter global da crise, as soluções que venham a ser adotadas deverão ser também globais, tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições. Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve partir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós.

Há outras questões igualmente graves no mundo de hoje. É o caso da crise alimentar, que ameaça mais de um bilhão de seres humanos; da crise energética, que se aprofunda a cada dia; dos riscos para o comércio mundial, se não chegarmos a um acordo na Rodada de Doha; e da avassaladora degradação ambiental, que está na origem de tantas calamidades naturais, golpeando sobretudo os mais pobres.

Senhor Presidente,

Senhoras e senhores,

O Muro de Berlim caiu. Sua queda foi entendida como a possibilidade de construir um mundo de paz, livre dos estigmas da Guerra Fria. Mas é triste constatar que outros muros foram se construindo, e com enorme velocidade. Muitos dos que pregam a livre circulação de mercadorias e capitais são os mesmos que impedem a livre circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas, e até fascistas, que nos fazem evocar, temerosos, tempos que pensávamos superados.

Um suposto “nacionalismo populista”, que alguns pretendem identificar e criticar no Sul do mundo, é praticado sem constrangimento em países ricos. As crises financeira, alimentar, energética, ambiental e migratória, para não falar das ameaças à paz em tantas regiões, demonstram que o sistema multilateral deve se adequar aos desafios do século XXI. Aos poucos vai sendo descartado o velho alinhamento conformista dos países do Sul aos centros tradicionais.

Essa nova atitude não conduz, no entanto, a uma postura de confrontação. Simplesmente pelo diálogo direto, sem intermediação das grandes potências, os países em desenvolvimento têm-se credenciado a cumprir um novo papel no desenho de um mundo multipolar. Basta citar iniciativas como o IBAS, o G-20, as cúpulas América do Sul-África ou América do Sul-Países Árabes e a articulação dos BRICs.

Está em curso a construção de uma nova geografia política, econômica e comercial no mundo. No passado, os navegantes miravam a estrela polar para “encontrar o Norte”, como se dizia. Hoje estamos procurando as soluções de nossos problemas contemplando as múltiplas dimensões de nosso Planeta. Nosso “norte” às vezes está no Sul.

Em meu continente, a Unasul, criada em maio deste ano, é o primeiro tratado - em 200 anos de vida independente - que congrega todos os países sul-americanos. Com essa nova união política vamos articular os países da região em termos de infra-estrutura, energia, políticas sociais, complementaridade produtiva, finanças e defesa.

Reunidos em Santiago do Chile há pouco mais de uma semana os presidentes da América do Sul, comprovamos a capacidade de resposta rápida e eficaz da Unasul frente a situações complexas, como a que vive a nação-irmã boliviana. Respaldamos seu governo legitimamente eleito, suas instituições democráticas e sua integridade territorial e fizemos um apelo ao diálogo como caminho para a paz e a prosperidade do povo boliviano.

Em dezembro, o Brasil irá sediar, na Bahia, uma inédita cúpula de toda a América Latina e do Caribe sobre integração e desenvolvimento. Será uma reunião de alto nível, sem qualquer tutela, assentada em uma perspectiva própria latino-americana e caribenha.

Todos esses esforços no plano multilateral são complementados por meio de ações de solidariedade de meu país para com nações mais pobres, especialmente na África. Quero também enfatizar nosso compromisso com o Haiti, país em que exercemos o comando das tropas da Minustah e ajudamos a restabelecer a paz. Renovo meu chamamento à solidariedade dos países desenvolvidos com o Haiti, muito prometida e pouco cumprida.

Senhor Presidente,

A força dos valores deve prevalecer sobre o valor da força. É preciso que haja instrumentos legítimos e eficazes de garantia da segurança coletiva.

As Nações Unidas discutem há quinze anos a reforma do Conselho de Segurança. A estrutura vigente, congelada há seis décadas, responde cada vez menos aos desafios do mundo contemporâneo. Sua representação distorcida é um obstáculo ao mundo multilateral que todos nós almejamos. Considero, nesse sentido, muito auspiciosa a decisão da Assembléia Geral de iniciar prontamente negociações relativas à reforma do Conselho de Segurança.

O multilateralismo deve guiar-nos também na solução dos complexos problemas ligados ao aquecimento global, com base no princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas. O Brasil não tem fugido a suas responsabilidades. Nossa matriz energética é crescentemente limpa.

As crises alimentar e energética estão profundamente entrelaçadas. Na inflação dos alimentos estão presentes - ao lado de fatores climáticos e da especulação com as commodities agrícolas - os aumentos consideráveis do petróleo, que incidem pesadamente sobre o custo de fertilizantes e transporte.

A tentativa de associar a alta dos alimentos à difusão dos biocombustíveis não resiste à análise objetiva da realidade. A experiência brasileira comprova - o que poderá valer também para outros países com características semelhantes - que o etanol de cana-de-açúcar e a produção de biodiesel diminuem a dependência de combustíveis fósseis, criam empregos, regeneram terras deterioradas e são plenamente compatíveis com a expansão da produção de alimentos. Queremos aprofundar esse debate, em todos os seus aspectos, na Conferência Mundial sobre biocombustíveis que convocamos para novembro, na cidade de São Paulo.

Minha obsessão com o problema da fome explica o empenho que tenho tido, junto a outros líderes mundiais, para chegar a uma conclusão positiva da Rodada de Doha. Continuamos insistindo em um acordo que reduza os escandalosos subsídios agrícolas dos países ricos. O êxito da Rodada de Doha terá impacto muito positivo na produção de alimentos, sobretudo nos países pobres e em desenvolvimento.

Senhor Presidente,

Há quatro anos, junto com vários líderes mundiais, lancei aqui em Nova Iorque a Ação contra a Fome e a Pobreza. Nossa proposta era, e continua sendo, a de adotar mecanismos inovadores de financiamento. A Unitaid, Central de Compra de Medicamentos, é um primeiro resultado dessa iniciativa, ajudando a combater Aids, tuberculose e malária em vários países da África. Mas não basta. Precisamos avançar, e muito, se queremos que a Humanidade cumpra efetivamente as Metas do Milênio.

Em dezembro serão comemorados os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que não pode ser objeto de uma homenagem meramente protocolar. Ela traduz compromissos inalienáveis, que nos interpelam a todos. Como governantes, mais do que a defesa retórica da Declaração, somos chamados a lutar para que os valores proclamados há seis décadas se transformem em realidade em cada país e em todo o mundo.

Senhor Presidente,

O Brasil de hoje é muito distinto daquele de 2003, ano em que assumi a Presidência do meu país e em que, pela primeira vez, compareci a esta Assembléia Geral. Governo e sociedade deram passos decisivos para transformar a vida dos brasileiros. Criamos quase 10 milhões de empregos formais. Distribuímos renda e riqueza. Melhoramos os serviços públicos. Tiramos 9 milhões de pessoas da miséria e outras 20 milhões ascenderam à classe média. Tudo isso em um ambiente de forte crescimento, estabilidade econômica, redução da vulnerabilidade externa e, o que é mais importante, fortalecimento da democracia, com intensa participação popular.

No ano em que celebramos o centenário do grande brasileiro Josué de Castro, o primeiro diretor-geral da FAO e um dos pioneiros da reflexão sobre o problema da fome no mundo, vale a pena recordar sua advertência: “Não é mais possível deixar-se impunemente uma região sofrendo de fome, sem que o mundo inteiro venha a sofrer as suas conseqüências.” Tenho orgulho de dizer que o Brasil está vencendo a fome e a pobreza.

Senhor Presidente,

Reitero o otimismo que expressei aqui há cinco anos. Somos muito maiores do que as crises que nos ameaçam. Dispomos de sentimento, razão e vontade para vencer qualquer adversidade. Esse, mais do que nunca, é o espírito dos brasileiros.

Muito obrigado.

19/09/2008 - 11:16h Pnad: Desigualdade cai, mas avanço social do País ainda é tímido

O melhor perfil do brasileiro

Divulgada anualmente, a Pnad é considerada o mais amplo levantamento sobre a realidade do País. Apura as características domiciliares em relação ao acesso a bens e serviços, abrangência da educação, panorama do mercado de trabalho e evolução da renda do trabalhador. Mostra também aspectos demográficos, como fluxo migratório e taxa de natalidade. A pesquisa é feita desde 1967 e desde 2004 passou a ter cobertura completa do território nacional. Os dados servem para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e informações sobre cultura e projeções de população.

Diferença entre ricos e pobres tem queda recorde, mas indicadores sociais e econômicos evoluem lentamente, segundo o IBGE

Felipe Werneck e Jacqueline Farid,O Estado SP

 


Mesmo com a repetição de avanços na distribuição de renda e no emprego, a persistente desigualdade da sociedade brasileira prejudica a evolução dos indicadores sociais, como mostrou a nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento revela que ocorreu, no ano passado, a maior redução na diferença entre ricos e pobres no Brasil desde 1990, segundo o Índice de Gini, que caiu de 0,541 para 0,528.

A pesquisa também informa que havia 14,1 milhões de brasileiros analfabetos em 2007 - o que coloca o País em 15º lugar em proporção de alfabetizados na América Latina e no Caribe - e 4,8 milhões de crianças trabalhando. Em contraposição, a cobertura previdenciária e a rede de esgoto passaram de 50%, em melhorias concentradas no Sudeste e no Sul.

“Os indicadores sociais só não avançam mais porque a distribuição de renda não se dá numa velocidade maior do que a verificada nos últimos anos”, disse o presidente do IBGE, Eduardo Nunes. “De 2006 para 2007, já observamos uma redução acentuada (na concentração). Mantida essa velocidade, a partir de agora certamente os indicadores sociais poderão acompanhar mais de perto o crescimento da renda.”

A queda no Índice de Gini - que varia de zero a 1 e indica maior desigualdade quanto mais aumenta - foi a reafirmação de uma tendência já verificada em anos anteriores no Brasil. A PNAD mostrou que, em 2007, o Gini da distribuição de renda do trabalho (não incluindo outras rendas) passou de 0,540 em 2006 para 0,528 em 2007.

Apesar da redução forte, o Brasil ainda está muito atrás de outros países nesse indicador. O Gini da Rússia, por exemplo, é 0,399; o da China, 0,469; e o da Índia, 0,368. Todos têm distribuição de riqueza menos desigual que a brasileira.

“O Brasil não é um país pobre; é rico e se aproxima de países desenvolvidos em alguns indicadores, mas a distribuição de renda é como a de países que nem sabemos direito onde estão no mapa”, disse Nunes. A concentração de renda no País está mais próxima da de nações pobres da América Central, como El Salvador (0,524) e Panamá (0,561), ou africanas, como Zâmbia (0,505), África do Sul (0,578), Suazilândia (0,504) e Zimbábue (0,501).

Segundo a pesquisa, os aumentos no rendimento médio real dos trabalhadores nos últimos quatro anos não foram suficientes para recuperar as perdas ocorridas entre 1996 e 2003. Em 2007, a renda dos ocupados chegou a R$ 960, o maior valor dos últimos oito anos, mas ainda foi 6% inferior à de 1996 (R$ 1.023,00), ano de pico da renda na série da PNAD, iniciada em 1992. Depois, houve perdas até 2003, estabilidade em 2004 e recuperação em 2005, 2006 e 2007.

MELHORES NOTAS

No campo econômico, os indicadores de 2007 colhidos pela Pnad são repletos de boas notícias. O índice de formalização do emprego foi recorde no ano passado, com 35,7% de trabalhadores com carteira assinada. O índice é o maior na série histórica da pesquisa. Mas 8,1 milhões de pessoas ainda estavam desempregadas e a renda e a taxa de desemprego não retornaram ainda ao nível de 10 anos atrás.

O aquecimento da produção industrial fez o número de ocupados crescer 4,6% no período, em relação a 2006. Foi o primeiro aumento na ocupação na indústria apurado na Pnad desde 2004. A agricultura, contudo, continuou reduzindo o contingente de trabalhadores. A ocupação na atividade agrícola caiu 4% em 2007 ante 2006.

Em 2007, também houve redução no número de crianças de 5 a 17 anos que trabalhavam. Ainda assim, esse número chegou a 1,2 milhão na faixa de 5 a 13 anos, na qual o trabalho infantil é ilegal. O decréscimo foi de 171 mil em relação a 2006. Mais de 37% dos menores de 18 anos que trabalhavam no ano passado morava no Nordeste.

Na educação, o País registrou em 2007 um recuo de 0,5% no total de estudantes com mais de quatro anos de idade - indicativo da redução no número de jovens e da evasão de estudantes do ensino médio - e mais um recuo pequeno no índice de analfabetismo. Nesse indicador, com 10% de população de mais de 15 anos analfabeta, o Brasil ainda amarga índices piores do que os de países bem mais pobres da América Latina e do Caribe, como Peru, Paraguai, Suriname e Bolívia.

Pela primeira vez desde 2004, quando foi incluída na Pnad a área rural da Região Norte, a parcela da população que se declarou negra ou parda (49,7%) superou o porcentual de autodeclarados brancos (49,4%) no País em 2007.

A taxa de fecundidade caiu mais uma vez no País e, pela primeira vez, ficou abaixo do nível de reposição: 1,95 filho por mulher, em média. Segundo o presidente do IBGE, a mudança confirma a tendência de envelhecimento da população, que, na Europa, levou 100 anos para se completar, mas, no Brasil, durou só quatro décadas - começou no fim dos anos 60.

No ano passado também ocorreu aumento no número de domicílios com acesso a microcomputador e à internet. Segundo a Pnad, 20,4% dos domicílios do País, ou 11,4 milhões, tinham acesso à web, com crescimento de 23% ante o ano anterior. O País também passou de 48,5% para 51,3% de domicílios ligados à rede coletora de esgotos. A distribuição do benefício, contudo, é muito desigual: no rico Sudeste, era 79,4%; no Norte, 9,8%. WILSON TOSTA,

17/09/2008 - 12:29h Velhos problemas, novas oportunidades

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Tudo indica que, a despeito da piora percebida no cenário internacional, a meta de atingir uma taxa de investimento anual de 21% do PIB estabelecida pelo governo para 2010 vai ser atingida ou mesmo ultrapassada

David Kupfer - VALOR

Com esse título, a Cepal, Comissão Econômica para a América Latina, realizou em junho último a sua 32ª Conferência, visando definir as linhas mestras de ação para o fomento do desenvolvimento latino-americano a serem perseguidas nos próximos anos (documento disponível em www.cepal.org). Duas décadas após a eleição do lema “Transformação produtiva com equidade”, que em si mesmo revelava uma certa dose de pessimismo diante da capacidade de resposta insuficiente que se antevia para as economias da região, a revisão contida no novo documento buscou registrar diagnósticos e propostas voltadas para reconectar os diversos países às perspectivas de crescimento mais acelerado trazidas pelo novo padrão de expansão da economia global, no qual é maior o papel reservado aos países emergentes. Dentre os países do subcontinente latino-americano, o Brasil foi o que conseguiu ir mais longe no projeto original de industrialização, o que enfrentou o mais prolongado período de estagnação e é, agora, o que reúne as melhores condições para o salto em direção a um novo estágio de desenvolvimento. Há, de fato, um importante conjunto de oportunidades que estão se abrindo, mas que não deixam de embutir os velhos problemas dos quais o país não conseguiu ainda se desvencilhar em seu esforço para escapar das mazelas do baixo crescimento.

É exatamente quando o cenário internacional começa a atravessar uma zona de crescente turbulência que essas questões ganham relevância. Enquanto muitos analistas afirmam que a deterioração da situação financeira internacional já atingiu proporções que a tornam o pior episódio de crise desde a Grande Depressão de 1929, o Brasil vê-se diante do mais forte ciclo de investimentos desde os idos dos anos 1970. Como previsível, essa mesma dicotomia entre o velho e o novo dominou o 5º Fórum de Economia da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, realizado no início dessa semana. Na mesa que buscou discutir as relações entre investimento e mercado interno, ficou claro que, no que respeita as probabilidades de sustentação das atuais taxas de crescimento por um horizonte temporal mais duradouro, existe espaço tanto para otimistas quanto para pessimistas, e também para ressabiados. Os otimistas nutrem-se das oportunidades abertas pelas novas frentes de expansão da economia relacionados ao deslanche das obras de infra-estrutura, de energia, incluindo a grande estrela que é a exploração do petróleo no pré-sal, e ainda de setores de commodities, que finalmente entraram em rota de ampliação da capacidade produtiva. Os pessimistas alimentam-se do temor do ressurgimento dos velhos problemas, dentre os quais a sensação de que os grandes déficits da conta-corrente poderão voltar muito antes do que se esperava e, em um quadro de maior restrição de liquidez internacional que se anuncia, devolver o país aos tempos de vulnerabilidade externa, da qual parecia ter recém se libertado.

No debate macroeconômico, faz todo sentido tentar avançar na modelagem teórica das relações de causalidade que entrelaçam crescimento econômico ao investimento, e esse último à poupança. A conclusão provável deve ser, porém, pela ausência de qualquer relação fixa unindo esses pares de variáveis. O problema é que os efeitos de um dado nível de investimento não podem ser totalmente determinados sem o conhecimento da produtividade do capital, isto é, qual a quantidade de produto que uma unidade de capital permite obter esse valor, que tecnicamente é chamado de relação capital-produto, é um parâmetro estritamente empírico, de difícil estimativa, pois depende da tecnologia, das instituições e, ainda, dos mistérios da capacidade organizacional humana. Para o Brasil não são disponíveis dados sobre essas relações capital-produto setoriais que, sabe-se, são hoje muito diferentes das que vigoravam no passado devido à profunda reestruturação ocorrida nos métodos de produção praticados no país. A título de exemplo, uma fábrica projetada para realizar simplesmente a montagem de componentes importados terá um nível de investimento muito menor do que outra com a mesma capacidade produtiva, mas com maior densidade de operações industriais, isto é, mais integrada do ponto de vista dos insumos e processos produtivos realizados. Posteriormente, quando entrar em operação, também irá gerar menos emprego e renda. Quanto a investimento e poupança, é lógico que, olhados a posteriori, ambos evoluem em sincronia, como os dois lados de uma mesma moeda, simplesmente porque fazem parte de uma identidade contábil. Há porém fortes evidências a sugerir que a poupança cresce quando o investimento cresce, definindo uma relação de precedência para a decisão de investimento, o que não quer dizer, porém, que o problema do financiamento macroeconômico do investimento não exista e não deva atrair a devida atenção dos formuladores da política.

Tudo indica que, a despeito da piora percebida no cenário internacional, a meta de atingir uma taxa de investimento anual de 21% do PIB estabelecida pelo governo para 2010 vai ser atingida ou mesmo ultrapassada, a confirmar-se para o segundo semestre a expansão de 16% da formação bruta de capital já ocorrida nesse primeiro semestre de 2008 - uma velocidade quase o triplo da do crescimento do PIB. As causas desse fato estão associados aos efeitos aceleracionistas do ciclo de crédito no mercado de bens e habitações, à dinamização da demanda no mercado interno provocada pelo processo de redistribuição de renda em curso, aos efeitos do cenário benigno no mercado internacional de nossos principais produtos de exportação que vigorou no passado recente e, finalmente, à retomada dos investimentos em infra-estrutura energética e de transportes que, de tão atrasados, não podiam mais esperar.

Em conjunto, esses blocos de investimento conseguiram fazer funcionar o motor de arranque da economia brasileira, ultrapassando uma barreira que vinha se mostrando quase irredutível. Daí a serem indutores de um processo de crescimento sustentado, dependerá da capacidade do governo modificar o atual mix da política macroeconômica, que é direcionado para objetivos puros de estabilização para começar a construir uma macroeconomia do crescimento no país. Na prática, após décadas de políticas curto-prazistas, será necessário reaprender a fazer políticas eficazes de financiamento do desenvolvimento. São as dificuldades envolvidas nessa passagem que deixam alguns nem otimistas nem pessimistas, mas bastante ressabiados.

16/09/2008 - 10:05h Pela primeira vez desde 92, índice supera 2 milhões de novos empregos acumulados em 12 meses

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Mercado de emprego formal abre 1,8 mi de vagas e supera 2007

Pela primeira vez desde 92, índice acumulado dos últimos 12 meses supera a marca de 2 milhões de novos empregos

Entre as regiões, o Sudeste desponta como o maior gerador de vagas; Estado de SP criou no período 725.402 novos postos com carteira

JULIANNA SOFIA - FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O desempenho do mercado de trabalho formal nos oito primeiros meses de 2008 ano já superou o total de postos gerados em todo o ano passado -considerado o melhor da história do emprego formal. De janeiro a agosto, as vagas com carteira assinada alcançaram 1,803 milhão de pessoas. Ao longo de 2007, os novos empregos somaram 1,617 milhão.

Com a marca parcial, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) voltou a afirmar que a expansão do emprego formal neste ano será a maior desde 1992, atingindo 2,1 milhões de novas vagas. Em 1992, foi criado o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que reúne todos os trabalhadores admitidos e demitidos no mercado formal.

“Setembro, outubro e novembro serão meses de crescimento ainda muito forte do emprego formal. Entramos em um ciclo virtuoso, que espero que dure muito tempo”, afirmou o ministro. Embora estime um avanço acelerado do emprego nos próximos meses, o ministro destaca que dezembro, tradicionalmente, é um mês de retração do mercado por conta da demissão dos trabalhadores contratados para as festas de fim de ano.

Segundo Lupi, os dados do Caged de agosto mostram um outro fato inédito. Pela primeira vez, o Caged acumulado dos últimos 12 meses superou a marca de 2 milhões de novos empregos. Ou seja, de setembro do ano passado a agosto deste ano, houve a criação de 2,065 milhões de vagas formais. “Isso é importante para o Brasil, para a América e para o mundo. Somos diferentes de outros países, porque criamos emprego mantendo os direitos dos trabalhadores.”

O setor de serviços continua sendo o que mais contribuiu para a geração líquida de vagas. Foi responsável pela geração de 585 mil postos de trabalho. A indústria da transformação aparece em seguida, com 410 mil empregos.

Entre as regiões, mais uma vez o Sudeste despontou como o maior gerador de empregos. O Estado de São Paulo criou no período 725.402 novas vagas com carteira assinada.

Agosto

Somente no mês passado, o mercado de trabalho formal respondeu pela geração de 239.123 vagas. Trata-se do melhor saldo para o mês, situando-se 79% acima do resultado verificado em agosto de 2007. A agricultura foi o único setor que influenciou negativamente o mercado. O setor fechou 4.995 vagas por causa da entressafra no centro-sul do país.

A consultoria LCA informou que sua previsão para o crescimento do emprego formal em agosto era de 179.265 novos postos no país. Ou seja, 75% do resultado apresentado de fato pelo mercado. A consultoria vinha trabalhando com a projeção de 1,785 milhão de novos postos para 2008.
Em agosto, pela primeira vez no ano, o Ministério do Trabalho também detectou que o emprego nas regiões metropolitanas cresceu mais que nas cidades do interior.

Isso não chegou a surpreender porque, em geral, o segundo semestre é marcado pela redução de postos na agricultura e esse é o setor que mais afeta o mercado de trabalho fora dos aglomerados urbanos.

Na análise do ministro, a agricultura continuará fechando vagas até dezembro, recuperando-se a partir de janeiro.

16/09/2008 - 09:45h Emprego na construção cresce 103%

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Foram 271,4 mil admissões de janeiro a julho, mês em que o setor alcançou a marca de 2,1 milhões de empregados

Renata Gama - O Estado de São Paulo

O nível de emprego formal na construção civil segue em ritmo dobrado em relação ao ano passado. De janeiro a julho deste ano, o setor contratou 103% mais pessoas do que no mesmo período de 2007, conforme levantamento feito pela FGV Projetos, da Fundação Getúlio Vargas, divulgado ontem pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon). Ao todo, foram 271,4 mil novos trabalhadores com carteira assinada no País.

“É um número de impacto. Está havendo um crescimento bastante bom no nível de emprego pelo Brasil inteiro”, afirma Eduardo Zaidan, diretor de Economia do Sinduscon. Somente em julho, no País, foram empregados 42,3 mil novos funcionários, uma variação positiva de 2% ante o mês anterior. A variação elevou o estoque de mão-de-obra da construção civil para 2,106 milhões - o maior desde 1995, quando o estudo teve a metodologia atualizada. No ano de 2008, a alta é de 14,8%. Já nos últimos 12 meses encerrados em julho, a alta é de 19,54%: 344,3 mil postos.

“Mas, ao contrário do que ocorreu no passado, quando os Estados mais empregadores puxavam a média para cima, agora quem faz isso são as outras regiões”, observa. Os Estados que mais empregam, segundo Zaidan, são São Paulo, Minas Gerais, Rio e Bahia - responsáveis juntos por cerca de 60% do emprego formal no setor.

De acordo com o levantamento, a região Norte foi a que mais empregou no mês de julho. A alta foi de 2,7% em relação ao mês anterior: 2,8 mil trabalhadores. No Sudeste, o crescimento foi de 1,88%, ou 21.710 vagas a mais. No Sul, as 6,5 mil vagas geradas representaram avanço de 2,3% e, no Nordeste, foram contratados 7,5 mil trabalhadores, o equivalente ao aumento de 2%. No Centro-Oeste, houve alta de 2,34% no emprego e a contratação de 3.769 trabalhadores a mais.

SÃO PAULO

No Estado de São Paulo, foram criadas 71,2 mil vagas até julho, um aumento de 13,8% no total de trabalhadores no ano, um pouco abaixo da média nacional. Com isso, o estoque de mão-de-obra no Estado atingiu o patamar de 587,3 mil empregados com carteira registrada. Nos últimos 12 meses encerrados em julho, mês em que foram geradas 8,7 mil vagas, a alta do índice é de 21%.

Se olhados os números da capital paulista, o avanço do índice de janeiro a julho julho foi de 14%, com a criação de 34,5 mil postos de trabalho. Somente no mês de julho, foram contratados 4,2 mil funcionários, uma alta de 1,5% sobre junho. Já nos últimos 12 meses, o crescimento chega a 22,3%. Com isso, o estoque de mão-de-obra na cidade acumula 282 mil empregados.

O ritmo das contratações, segundo Zaidan, deve seguir forte pelo menos até o primeiro trimestre de 2009. “É um futuro bastante previsível, porque a construção civil é uma atividade de longo prazo”, diz. Segundo o economista do Sinduscon, as contratações atuais são resultado de decisões tomadas entre seis e 18 meses atrás.

NÚMEROS

19,54 % é a alta do nível de emprego acumulada nos últimos 12 meses encerrados em julho

2,106 milhões é o estoque de mão-de-obra que o setor da construção civil
emprega no País

09/09/2008 - 12:18h Emprego industrial tem a maior alta mensal desde 2004. Renda do trabalhador sobe e uso da capacidade industrial é recorde

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Em julho, o emprego teve crescimento de 0,7% ante o mês anterior. Renda tem 3º mês de alta

Agencia Estado


O emprego industrial teve o maior crescimento mensal desde maio de 2004. Com o ajuste sazonal - que leva em consideração os efeitos temporais -, o crescimento foi de 0,7% em julho ante junho, segundo os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em maio de 2004, a alta havia sido de 1,0%. Ante julho de 2007, a ocupação na indústria cresceu 2,8% e acumula no ano alta também de 2,8% e em 12 meses, de 2,9%.

O IBGE informou ainda que, ante julho de 2007, o número de trabalhadores aumentou em 11 das 14 áreas investigadas, com destaque para São Paulo (4,3%), Minas Gerais (6,6%) e regiões Norte e Centro-Oeste (2,8%). Por outro lado, foram observadas reduções em Pernambuco (-4,4%), Santa Catarina (-1,1%) e região Nordeste (-0,3%).Em nível nacional, o pessoal ocupado aumentou, ante julho do ano passado, em 13 dos 18 setores, com máquinas e equipamentos (12,3%), meios de transporte (9,6%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (11,6%) e produtos químicos (11,1%) respondendo pelos impactos positivos mais importantes. Na direção contrária, as contribuições negativas mais significativas vieram de calçados e artigos de couro (-9,8%), vestuário (-4,7%), têxtil (-6,2%) e madeira (-8,2%).

Renda

Já o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria aumentou 1,3% em julho ante junho, também na série com ajuste sazonal. Este é o terceiro mês consecutivo de aumento ante mês anterior. Nos confrontos com iguais períodos do ano anterior, os resultados continuaram positivos: 6,9% em julho; 6,6% no acumulado de janeiro a julho e 6,4% em 12 meses.

Com atividade aquecida, uso da capacidade industrial é recorde

Segundo dados da CNI, faturamento real do setor registra expansão de 13,2% no mês de julho e de 9% no ano

Fabio Graner, da Agência Estado


BRASÍLIA - O aquecimento da atividade industrial nos últimos meses tem se refletido na maior utilização da capacidade instalada do País. Em julho, esse índice atingiu 83,5%, o maior nível da série histórica, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em julho do ano passado, a utilização da capacidade instalada estava em 82,5%.

Já o faturamento real da indústria de transformação cresceu 13,2% em julho, ante o mesmo mês de 2007. Na comparação com junho, já com o ajuste sazonal, a alta foi de 0,2%. De janeiro a julho, o faturamento real teve expansão de 9%, em relação a igual período do ano passado.As horas trabalhadas na indústria tiveram alta de 0,5% em julho, ante junho, pelo critério dessazonalizado. Sem o ajuste sazonal, a alta foi de 2,7%. Na comparação com julho de 2007, as horas trabalhadas subiram 7,2%. No acumulado do ano, tiveram expansão de 6,1%.

O emprego na indústria, por sua vez, subiu 0,6% em julho, ante junho, com ajuste sazonal. Sem ajuste, a alta foi também de 0,6%. Na comparação com igual mês de 2007, o emprego subiu 4,4%, mesmo índice do acumulado do ano.

A massa salarial real subiu 3,5% em julho, ante junho. Esse indicador foi divulgado sem ajuste sazonal. Na comparação com julho de 2007, a alta da massa salarial foi de 5,7% e no acumulado do ano, 5,6%.

“A atividade industrial em julho segue em forte trajetória de expansão. O crescimento da atividade industrial em julho é especialmente relevante por ocorrer sobre uma base de comparação muito alta”, diz o relatório da CNI.

07/09/2008 - 22:51h Lula: Pré-sal é ponte entre riqueza natural e fim da pobreza

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REUTERS - Agencia Estado

RIO DE JANEIRO - O petróleo a ser produzido no pré-sal será “uma ponte direta entre riqueza natural e erradicação da pobreza”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pronunciamento de rádio e TV para comemorar o dia da Independência, neste domingo.

O presidente focou o pronunciamento nas perspectivas que a descoberta da camada pré-sal abre para o país, destacou o papel da Petrobras na exploração das jazidas e prometeu responsabilidade, assinalando que “não vamos nos deslumbrar e sair por aí gastando o que ainda não temos ou torrando dinheiro em bobagens”.

Lula enfatizou o principal destino que pretende dar às futuras riquezas do pré-sal para resgatar dívidas sociais do país.

“Os recursos das jazidas do pré-sal serão canalizados, prioritariamente, para a educação e a erradicação da pobreza. Vamos aproveitar esta grande quantidade de recursos para pagar a imensa dívida que o nosso país tem com a educação”, afirmou.

As potencialidades do pré-sal foram apresentadas por Lula como um “passaporte para o futuro”, que o presidente disse ter vislumbrado na costa do Espírito Santo, quando viu e tocou o petróleo que começou a ser produzido.

Na última terça-feira, Lula esteve no campo de Jubarte, próximo ao litoral do Espírito Santo, de onde foi extraído o primeiro óleo da camada pré-sal, em águas rasas.

Didático em sua fala, Lula lembrou que a comissão interministerial encarregada de estudar a melhor forma de exploração do pré-sal entregará suas sugestões “dentro de algumas semanas” e listou as diretrizes que encaminhou: agregar valor ao óleo cru para exportar derivados, fomentando ao mesmo tempo “uma poderosa e sofisticada” indústria petrolífera, consolidando a indústria naval e desenvolvendo a petroquímica.

“Vamos encomendar — e produzir aqui dentro — milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros. Só nos próximos anos serão construídos no Brasil cinco novas refinarias, dezenas de sondas e plataformas e centenas de navios”, anunciou.

A segunda diretriz é a que garante que a principal destinação dos recursos será para a educação e combate à pobreza. “Vamos investir esses recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos e nossos netos”.

A Petrobras, cujo papel na exploração do pré-sal chegou a ser posto em dúvida pelo novo modelo em debate, foi destacada pelo presidente, que a citou três vezes.

Na primeira referência, Lula a chamou de “nossa querida Petrobras”; depois a qualificou de “maior símbolo da criatividade e competência dos brasileiros” ao falar do desafio tecnológico que terá na exploração das jazidas, e por fim garantiu o crescimento da empresa no boom que espera vir com o pré-sal: “Vamos reforçar a nossa Petrobras”.

Lula encerrou o pronunciamento conclamando a sociedade a participar do debate sobre o pré-sal, que classificou de “decisivo para o futuro”, e disse que a descoberta da nova riqueza chegou quando “o país vive o melhor momento econômico e social de sua história…com distribuição de renda e inclusão social”. (Texto de Mair Pena Neto; Edição de Taís Fuoco)

05/09/2008 - 10:11h Volvo reajusta salário em 10%. No ABC, impasse

Assembléia de metalúrgicos da Teksid do Brasil e da Nemak, em Betim (MG)http://portalctb.org.br/site/images/stories/Imagens/di_greve_mg_metal_teksid_nemak_betim.jpg

Continuam em greve no Paraná trabalhadores de Volks, Renault e Nissan.

Em SP, funcionários pararam por 2 horas

Lino Rodrigues - O Globo

SÃO PAULO e RIO. A onda de paralisações de trabalhadores das montadoras produziu ontem um primeiro resultado. A Volvo aceitou conceder 10% de reajuste linear a seus empregados, a ser pago a partir deste mês, mais abono de R$ 1.500. As duas partes cederam: os metalúrgicos, que pediam 5% só de reajuste real (acima da inflação), e a empresa, que reviu sua oferta de 1,25% para 2,5%. A fábrica da Volvo, na Região Metropolitana de Curitiba, estava parada há três dias. Continuam parados na região os 8 mil trabalhadores de Volkswagen, Renault e Nissan. Ao contrário da Volvo, as três querem que o reajuste seja apenas a partir de dezembro.

O impasse também perdura no ABC paulista, onde paralisações de uma a duas horas interromperam ontem a produção na Ford, na Volks e na Scania. Até as 21h de ontem, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Sinfavea (das empresas) continuavam reunidos em São Paulo para tentar um entendimento. De manhã, em assembléias, os trabalhadores decidiram suspender a produção extra para este fim de semana. Eles ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado na segundafeira, caso as montadoras não apresentem nova proposta.

A entidade não revela a proposta feita aos empresários. — Acreditamos que as empresas vão oferecer proposta razoável para evitar uma greve que não interessa a ninguém — disse o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, antes da reunião.

Os metalúrgicos da Força Sindical (mais de 700 mil no estado de São Paulo) devem engrossar o movimento na próxima semana. Ontem, eles fizeram passeata na Avenida Paulista para entregar a pauta de reivindicações à Fiesp. A campanha envolve 54 sindicatos com data-base em 1ode novembro, e reivindica 20% de aumento salarial e jornada de 40 horas semanais.

A pressão dos metalúrgicos pegou as montadoras com estoques em alta, diz a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume de veículos nas concessionárias e na indústria subiu 30% entre julho e agosto, de 23 para 30 dias. Para o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, a alta reflete a acomodação do mercado de carros no país, após sucessivos recordes. As vendas de veículos caíram 15,1% em agosto sobre julho, mas subiram 4% contra igual mês de 2007, atingindo 244,8 mil unidades. Já a produção recuou 1% na comparação mensal e avançou 12,6% na anual. — Você não pode crescer sempre 25% — disse Schneider. Sobre as negociações com os metalúrgicos, ele afirmou: — Acredito na maturidade dos atores (sindicalistas e empresários) e que chegaremos a um ponto de equilíbrio com a expectativas dos trabalhadores.

Protesto no Rio deu um nó no trânsito do Centro

No Rio, metalúrgicos da capital, de Niterói e Angra fizeram manifestação em frente à sede da Petrobras, no Centro, pela construção da plataforma P-62 no estaleiro Mauá, de Niterói. Cerca de 3 mil manifestantes iniciaram a caminhada na Praça XV, dando um nó no trânsito. Segundo sindicalistas, a construção da plataforma pode gerar 2.500 empregos no Rio, mas corre o risco de ser levada para outro estado.

04/09/2008 - 19:00h Aquecimento do turismo impulsiona vagas no setor

 

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Luiz Eduardo Barreto, atual ministro de Turismo, Airton Nogueira do Mtur, Marta Suplicy , ex-ministra do Turismo e José Eduardo Barbosa, presidente da Braztoa parceira no programa “Viaja mais, melhor idade” (foto 2007)

 

 

 

ANDRÉ LOBATO colaboração para a Folha de S.Paulo

O aquecimento da economia e o aumento do valor médio gasto por turistas estrangeiros no Brasil contribuíram para a formalização do trabalho no setor de turismo, que tradicionalmente tem alta informalidade. Veja vídeo.

O emprego formal no segmento cresceu 14,7% entre 2002 e 2006 –mais do que o informal, que teve acréscimo de 10,9%, segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que deverão ser divulgados em dois meses.

“O crescimento do turismo no Brasil, de cerca de 9% em 2007, é o dobro da média mundial para o setor”, diz Ricardo Moesch, coordenador-geral de qualificação dos serviços turísticos do Ministério do Turismo.

Um levantamento da FGV (Fundação Getúlio Vargas) com executivos de 92 empresas do setor, divulgado em março, indicou que a elevação do faturamento estimulará as contratações ainda neste ano. Os destaques são as companhias aéreas e as locadoras de carro.

Onde há vagas

Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que hotelaria e alimentação são os setores que mais demandam mão-de-obra com qualificação técnica, como garçons e cozinheiros.

Alexandre Sampaio, vice-presidente da Federação Nacional de Hotéis, destaca que cargos de gerência seguem estáveis, mas que técnicos terão grande procura.

Segundo o Ipea, os maiores crescimentos do emprego formal ocorreram nos segmentos de auxiliar de transporte (49,4%), agências de viagem (39%) e alimentação (36,7%).

A região Norte teve o maior aumento na contratação formal (28,3%). O Sudeste ficou em último, com 10,7%.

O Rio de Janeiro foi a cidade que, entre 11 capitais turísticas, obteve o pior crescimento da ocupação em restaurantes e bares entre 1996 e 2006, segundo levantamento feito pelo Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes da cidade. Com 27% de aumento, ficou muito atrás da primeira colocada, Florianópolis, que teve 300%.

Eventos

O país melhorou sua posição mundial como sede de eventos: passou do 19º lugar, em 2003, para o oitavo, em 2006.

Cursando gestão em turismo e hotelaria na Universidade Estadual Vale do Acaraú, no Ceará, Luciano Santos, 22, pretende trabalhar com eventos ou em outra área que também tem forte demanda: o turismo de aventura.

04/09/2008 - 11:06h Emprego cresce 15% na construção e setor antecipa contratações

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(…) Em 2007, foram criadas 176 mil novas vagas - o dobro da média dos anos anteriores - e que representou 11% do total de empregos formais abertos no Brasil naquele ano. Em 2008, apenas até julho, já foram 232 mil novas vagas na construção civil, alta de 15% em relação ao estoque total de empregos formais existentes no setor em dezembro do ano passado. E o ritmo de 15% foi três vezes superior ao de geração de vagas em toda a economia brasileira, que ficou em 5,4% até julho.

Antes do aquecimento do setor, a disponibilidade de mão-de-obra possibilitava às empresas recrutarem seus funcionários um mês antes do início das construções. Hoje, já há companhias iniciando o processo de contratação de pessoal com seis meses de antecedência para assegurar a disponibilidade de mão-de-obra e para dar mais tempo para a capacitação. (…).

Quadro e fonte jornal Valor, artigo de Samantha Maia “Emprego cresce 15% na construção e setor antecipa contratações” (leia a integra no Valor)