11/10/2008 - 09:39h ”Eu não falo em morte se visito alguém no hospital”

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Presidente Lula explica seu otimismo e diz que seu papel é passar serenidade à sociedade brasileira

João Domingos - O Estado de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo vai ajudar as empresas brasileiras a obterem os empréstimos necessários para enfrentar a crise econômica mundial. “Nunca fiz tantas reuniões com o presidente do Banco Central (Henrique Meirelles) e o ministro da Fazenda (Guido Mantega), porque nós temos que acompanhar (tudo) com lupa, para não sermos pegos de surpresa”, disse o presidente em entrevista aos portais na internet, entre eles o limão.com.br, do Grupo Estado.

Lula disse que seu papel é o de passar serenidade para que a sociedade continue acreditando no País. Ele admitiu que a crise é “profundamente forte”, mas o Brasil está preparado. “Essa é a diferença básica, e por isso nós vamos continuar incentivando (as empresas)”. Ele afirmou ainda que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os programas sociais estão mantidos.

Apesar do otimismo, Lula disse que, se a crise implicar diminuição dos investimentos, ou o governo for obrigado a diminuí-los, tomará as medidas necessárias. “Com a mesma serenidade que digo que o Brasil está em um momento bom, eu vou dizer: ?companheiros, a situação está se agravando e nós vamos ter que fazer isso, fazer aquilo?, e anunciar as medidas”, disse o presidente.

NATAL

“Eu continuo otimista que nós vamos ter um Natal extraordinário. Até porque, embora o Brasil participe da economia global, a crise não chega do mesmo tamanho em todos os países. No Brasil, nós ainda não temos nenhum grande projeto que tenha sofrido qualquer arranhão. A decisão do governo é manter todas as obras do PAC.

Portanto, eu acho que precisamos nos preparar para comprar tudo aquilo que a gente sonha comprar no Natal e torcer para que o Ano Novo seja infinitamente melhor.”

ATÉ ONDE A CRISE VAI

“Os dados do IBGE mostram que o emprego continua crescendo. Portanto, embora essa seja uma crise muito maior que todas as outras que aconteceram, seja a russa, a asiática ou a do México, o Brasil está mais preparado.

É como se tivéssemos tomado uma vacina contra uma doença. Então, ela está demorando para chegar ao Brasil. Talvez, se chegar, chegue em proporção muito menor do que nos Estados Unidos ou na Europa.”

O POVO E A CRISE

“O povo está vendo na televisão, e é preciso saber como essa crise é vendida todo santo dia. Eu me lembro de uma vez em que morreu uma galinha em Marília e colocaram na televisão que era gripe aviária. O que aconteceu? Diminuiu o consumo de frango no Brasil, e a gripe aviária não tinha nem chegado aqui. A questão da febre amarela, dos macacos aqui, foi vendida como uma coisa nacional, quando era uma coisa localizada. Então, é preciso que a gente dê às crises a dimensão que elas têm.”

LULA, O OTIMISTA

“Tem muita gente que fala ‘o presidente Lula está muito otimista, não está vendo a crise’. Ora, meu Deus do céu! Eu sou um tipo de ser humano que, quando vou visitar alguém no hospital, não fico contando para ele quantas pessoas já morreram daquela doença, eu fico contando das pessoas que se curaram. O meu papel é passar serenidade para a sociedade brasileira, a verdade absoluta para o povo brasileiro.”

BANCOS ESTÃO BEM

“Não há sinal de que os bancos estejam metidos no subprime. Se tiverem, vai aparecer em algum momento. Isso é como boletim de criança que tira nota baixa e quer esconder do pai. Não adianta, um dia aparece. Então, é melhor que as pessoas contem logo, para as pessoas tomarem posição.”

O PROER DE FHC E HOJE

“Alguns já estão agindo com mais sabedoria. Eu já vi pessoas mais conservadoras dizerem: ‘nós vamos disponibilizar recursos para os bancos, mas comprando ações dos bancos’. As pessoas já não querem mais dar, como nós demos o Proer.

As pessoas agora estão fazendo o seguinte: ‘Está precisando de dinheiro para garantir a conta corrente das pessoas’ Então, é o seguinte: vou pôr tanto, e isso significa que estou comprando ações desse banco?. Na hora em que a situação melhorar você pode vender, devolver as ações.”

MEDIDAS

“Tomamos medidas para garantir que o Banco Central pudesse fazer redesconto. Nós tomamos como primeira medida diminuir o compulsório para que os bancos grandes pudessem comprar as carteiras dos menores. O Banco do Brasil, por exemplo, comprou três carteiras.

Nós fomos informados depois de que havia uma pressão dos bancos grandes em cima dos pequenos, ou seja, é aquele negócio, não é? As pessoas querem levar vantagem em tudo. Não vamos permitir que os bancos pequenos fiquem reféns dos bancos grandes. Vai o próprio Banco Central fazer o redesconto.”

11/10/2008 - 09:30h O momento da verdade

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Paul Krugman* - O Estado de São Paulo

No mês passado, quando o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos deixou que o banco de investimento Lehman Brothers quebrasse, escrevi que Henry Paulson, o secretário do Tesouro, estava jogando roleta-russa. Havia de fato uma bala naquela câmara: a quebra do Lehman fez com que a crise financeira mundial, que já era grave, ficasse muito, mas muito pior.

As conseqüências da queda do Lehman ficaram evidentes em poucos dias, no entanto os estrategistas econômicos desperdiçaram em grande parte as últimas quatro semanas. Agora, chegou o momento da verdade. Eles precisam fazer alguma coisa logo - na realidade, precisam anunciar um plano de ajuda coordenado neste fim de semana - ou a economia mundial mergulhará na crise mais grave desde a Grande Depressão.

Vejamos qual é a nossa situação agora. A atual crise começou com o estouro da bolha imobiliária, que levou a uma ampla inadimplência das hipotecas, provocando imensos prejuízos em muitas instituições financeiras. A esse choque inicial se somaram efeitos secundários, enquanto a falta de capital obrigava os bancos a recuar, provocando declínio maior dos preços dos ativos e, em decorrência, mais prejuízos, e assim por diante - um círculo vicioso de “desalavancagem”.

A perda generalizada da confiança nos bancos, até mesmo por parte de outros bancos, reforçou o círculo vicioso. A espiral descendente acelerou-se depois da quebra do Lehman. Os mercados financeiros, já conturbados, fecharam efetivamente - dizem, atualmente, que as únicas coisas que todos querem comprar neste momento são letras do Tesouro e água engarrafada.

As duas grandes potências monetárias mundiais - Estados Unidos, de um lado, e as 15 nações do euro, do outro - responderam a essa espiral descendente de maneira lamentavelmente inadequada.

A Europa, não tendo um governo único comum, tem sido literalmente incapaz de uma ação conjunta; cada país elabora a sua própria política, com pouca coordenação, por isso, as propostas de uma resposta unificada não foram a parte nenhuma.

Os Estados Unidos deveriam estar em uma posição muito mais forte. E, quando Paulson anunciou o plano de uma ampla operação de resgate, houve uma onda temporária de otimismo. Entretanto, logo ficou evidente que o plano sofria de uma falta fatal de clareza intelectual. Paulson propôs comprar “ativos podres” de bancos no valor de US$ 700 bilhões - títulos garantidos por hipotecas podres - , mas nunca conseguiu explicar de que modo essa operação poderia solucionar a crise.

O que ele deveria ter proposto, concordam muitos economistas, era uma injeção direta de capital nas instituições financeiras: o governo americano forneceria a essas empresas o capital de que necessitavam para fazer seus negócios - detendo, desse modo, a espiral descendente - em troca de uma participação.

Quando o Congresso modificou o plano de Paulson, introduziu dispositivos que tornavam possível, mas não obrigatória, essa injeção de capital. E, até três dias atrás, ele se opunha resolutamente a fazer a coisa certa.

Mas, na quarta-feira, o governo britânico, mostrando o tipo de pensamento claro que tem sido extremamente escasso deste lado do Atlântico, anunciou um plano pelo qual cedia aos bancos 50 bilhões de libras esterlinas (cerca de US$ 85 bilhões) em capital novo - o equivalente, proporcionalmente, ao tamanho da economia, a um programa americano de US$ 500 bilhões - com amplas garantias para transações financeiras entre bancos. Agora, as autoridades do Tesouro americano dizem que planejam algo semelhante, usando a autoridade que não quiseram, mas o Congresso lhes conferiu de qualquer maneira.

A questão agora é: serão essas medidas insuficientes e demasiado tardias? Não acredito, mas será muito alarmante se este fim de semana acabar sem que haja um anúncio crível de um novo plano de ajuda financeira, envolvendo não apenas os Estados Unidos, mas também todos os principais países.

Por que precisamos da cooperação internacional? Porque temos um sistema financeiro globalizado, em que a crise que começou com uma bolha nos condomínios da Flórida e nas “McMansões” da Califórnia, causou uma catástrofe monetária na Islândia. Estamos todos no mesmo barco e precisamos de uma solução conjunta.

Por que neste fim de semana? Porque em Washington ocorrem duas grandes reuniões: uma reunião das principais autoridades financeiras das nações mais avançadas (ontem) e a reunião anual do Fundo Monetário Internacional/Banco Mundial, hoje e amanhã. Se essas reuniões se encerrarem sem pelo menos um acordo de princípio a respeito de um plano de ajuda global - se todos forem para casa sem nada de concreto, a não ser vagas afirmações de que pretendem controlar a situação - terá se perdido uma ocasião de ouro e a espiral descendente poderá piorar.

O que é preciso fazer? Os Estados Unidos e a Europa deveriam se limitar a dizer: sim, primeiro-ministro. O plano britânico não é perfeito, mas os economistas concordam amplamente que é o melhor esboço disponível de uma iniciativa de ajuda mais ampla. O momento de agir é agora. Podemos achar que as coisas não podem piorar, mas podem, se nada for feito nos próximos dias.

*Paul Krugman escreve para o ‘The New York Times’

08/10/2008 - 10:23h Fim de papo: começa a estatização

VINICIUS TORRES FREIRE - FOLHA SP


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Britânicos vão estatizar parte dos bancos, Espanha prepara pacote e BC dos EUA assume o papel de banco comercial

A ESTATIZAÇÃO de fatias grossas do sistema financeiro euroamericano vai começar, agora de modo sistemático. Hoje, o Reino Unido anuncia o plano de comprar até US$ 87 bilhões (R$ 202 bilhões) em ações dos seus cinco maiores bancos. Havia rumores de que pelo menos dois deles não resistiriam à virada da noite -o dinheiro vale um terço da economia argentina.
A idéia inicial é que os bancos continuem a ser companhias privadas.
Mas o governo terá representantes na direção e algumas normas serão baixadas para que os bancos não parem de emprestar para clientes de varejo e a pequenas e médias empresas. De quebra, jogando para a galera, o governo vai limitar o rendimento dos altos executivos.
Essas são, mais ou menos, as “diretrizes” que a União Européia aprovou para a intervenção em massa nos bancos.
Na sexta-feira, a Espanha deve anunciar um pacote de até US$ 68 bilhões (R$ 158 bilhões) para financiar a compra de ativos financeiros dos bancos, ora saudáveis, a fim de que eles descongelem o fluxo de empréstimos para a economia “real”.
Mais complicado, mas mais impressionante, é que o Fed, o banco central dos Estados Unidos, tornou-se na prática um banco múltiplo, para não dizer ênuplo, de “n” utilidades: além de autoridade monetária, é agora banco de bancos, banco comercial e de investimento. O Fed vai financiar a atividade cotidiana de empresas e de bancos, por meio de um veículo de propósito específico, uma “subsidiária”, digamos. Vai comprar notas promissórias das firmas. Isto é, vai emprestar dinheiro para o capital de giro, os recursos de que as empresas necessitam para tocar atividades comezinhas, como honrar a folha de pagamento.
Em geral, fundos de investimento compravam tais papéis de empresas. Com a crise, tais fundos congelaram de medo de calote.
Em suma: o dinheiro apenas flui no centro do mundo quando é intermediado pelos bancos centrais, o Fed em particular. Alguma coisa parecida, embora em muito menor escala, começa a acontecer no Brasil, também varrido pela seca duradoura de crédito. A coisa pode não parar por aí. Talvez o Fed tenha de garantir todas as transações entre instituições financeiras dos EUA, como uma espécie de seguradora gigante de calotes financeiros, uma das alternativas restantes ao medo paralisante de emprestar e ser caloteado.
Tais iniciativas, tão extraordinárias quanto vexaminosas, mas necessárias, resultam de três semanas de congelamento de crédito. São o efeito final da desconfiança dos mercados em seu próprio sistema de preços e de avaliação de riscos.
Calotes imobiliários relativamente pequenos destruíram o valor de títulos financeiros lastreados em simples prestações da casa própria, e assim o valor dos investimentos financeiros de bancos. Quebrados por conta e risco próprios, não emprestam dinheiro entre si. Sem capital, temem emprestar à produção.
Para evitar eventual confusão, e desculpas pela obviedade, a estatização da finança do mundo rico não é uma opção pelo dirigismo estatal, mas medida desesperada com o objetivo de evitar que a ineficiência catastrófica do mercado financeiro moderno resulte em desastre ainda maior para a dita “economia real”.

vinit@uol.com.br

02/10/2008 - 09:24h Ruim, sim, mas sem desastre

VINICIUS TORRES FREIRE - FOLHA SP


Primeiros dados mostram que crise afetou o crédito de exportação, mas problemas ainda são bem localizados

O DIABO de setembro não chegou a ser tão feio como se imaginava, dado o clima de histeria importada que transbordava das declarações sobre “seca total” de crédito externo para o país e o “estrangulamento” da exportação.

O Banco Central divulgou ontem o movimento de câmbio até o dia 26 de setembro (saldo da contratação de compra e venda de moeda estrangeira para comércio exterior e do fluxo de capitais) -não houve desastre. O Ministério do Desenvolvimento diz não ter recebido telefonema algum de indústrias à procura de ajuda ou a sugerir medidas de emergência para a exportação. O governo não prepara pacote nenhum, mas está bem preocupado com os bancos menores -pode sair mais dinheiro (do compulsório) para irrigar as operações. Na verdade, toda a área econômica, fora o BC, acha que já deveria ter ocorrido outra rodada de relaxamento do compulsório.

O saldo cambial preliminar de setembro foi positivo em US$ 2,749 bilhões, devido aos excedentes do comércio. No lado financeiro, o saldo foi negativo em US$ 3,5 bilhões; os piores resultados ainda são os de janeiro, junho e julho: entre US$ 5 bilhões e US$ 6,5 bilhões no vermelho.

O movimento de adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC) foi curiosamente o maior do ano (por meio de ACCs, o exportador obtém financiamentos usando como garantias a contratação de câmbio e a receita de suas vendas futuras para o exterior). Mas, na terceira e na quarta semanas do mês, de pânico mundial, o movimento caiu, respectivamente, 36% e 50% em relação ao do início de setembro. Ainda assim, se o movimento desses dias de crise fosse extrapolado para um mês, o movimento de ACCs seria semelhante ao do verificado no primeiro bimestre.
Não são números para deixar ninguém em paz, decerto. O desastre americano continua -o ISM, que indica o desempenho futuro da indústria dos EUA, chegou a um nível só visto em recessões, viu-se ontem.

Mas é preciso um pé atrás diante da nostalgia brasileira da catástrofe.

Primeiro, muita grande empresa não toma crédito para exportar. Segundo, muita empresa tomava crédito para aproveitar a diferença entre os juros no exterior e os do Brasil.

“É preciso ver quem precisava mesmo de ACCs para financiar a produção para exportar e quem tomava crédito com o objetivo de ganho financeiro”, observa o economista-chefe da Funcex (Fundação Centro de Estudos para o Comércio Exterior), Fernando Ribeiro. O economista acredita que, no curto prazo, os problemas de crédito por si só não devem afetar o volume de exportações. No Ministério do Desenvolvimento, a avaliação é parecida.

Quem procurou o governo em busca de auxílio depois do estouro mais recente da crise americana?

Alguns agricultores, empresas que perderam dinheiro com aventuras desastrosas no mercado de câmbio, bancos menores. Exportadores menores têm feito queixas para bancos públicos, que levam a avaliação para o governo. De resto, algumas poucas empresas vão à imprensa relatar suas agruras, algumas sérias, mas por ora localizadas.

Sim, a situação é feia e pode piorar.

Mas, na avaliação mais geral de mercado e governo, o problema principal está é nos bancos menores.

vinit@uol.com.br

01/10/2008 - 12:16h O telefonema das 3h da madrugada

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Paul Krugman* - O Estado de São Paulo

São três horas da madrugada, no começo de 2009, e toca o telefone na Casa Branca. Vários dos maiores fundos hedge (de risco) estão prestes a falir, diz a voz do outro lado da linha, e é provável que haja caos quando o mercado abrir.

Em quem você confiaria para atender a este chamado? Não estou sendo melodramático. O plano de resgate lançado no domingo é muito melhor do que a primeira proposta do secretário do Tesouro, Henry Paulson - melhor o bastante para merecer a aprovação. Mas não é o que poderíamos chamar de bom plano, e não vai pôr fim à crise. Tudo indica que o próximo presidente terá de lidar com algumas grandes emergências financeiras.

Então, o que sabemos sobre o preparo dos dois homens que acabarão atendendo a este telefonema? Bem, Barack Obama parece bem informado e sensato em relação aos problemas econômicos e financeiros. John McCain, por outro lado, me assusta.

Sobre Obama: é uma pena que ele não tenha demonstrado mais liderança no debate a respeito do pacote de resgate, optando ao invés disso por deixar o assunto nas mãos dos democratas no Congresso. Mas tanto Obama quanto os democratas estão cercados por assessores conhecedores da sua área, entre eles os experientes administradores de crises Paul Volcker e Robert Rubin.

Então temos o assustador McCain - mais assustador agora do que há algumas semanas. Já sabemos há bastante tempo que McCain não sabe muito de economia. Isto não importaria muito se ele tivesse bom gosto na hora de escolher seus assessores - coisa que ele não tem.

Lembre-se, o seu principal mentor na área da economia é Phil Gramm, um dos maiores inimigos da regulamentação, que tomou cuidados especiais nos seus dias de senador para impedir a supervisão dos derivativos financeiros - justamente os instrumentos levaram os mercados de crédito à beira do colapso. Gramm não teve mais função na campanha de McCain desde que declarou que os EUA são “uma nação de chorões”, mas ainda é cotado para o cargo de secretário do Tesouro.

E no ano passado, quando a campanha de McCain anunciou que o candidato havia reunido “uma impressionante equipe de economistas e professores para aconselhá-lo em relação à política econômica, quem era citado com destaque? Kevin Hassett, co-autor do livro Dow 36.000. Não é necessário dizer mais nada.

Agora, em boa medida a péssima qualidade dos assessores de McCain reflete o esfarrapado estado intelectual do seu partido. Será que já houve uma proposta econômica mais patética do que a sugestão feita pelos republicanos no Congresso, pedindo que tentemos resolver a crise financeira eliminando os impostos sobre ganhos de capitais? Instituições financeiras em apuros, por definição, não dispõem de ganhos de capitais para serem taxados. Mas até o presidente Bush tem procurado, no crepúsculo do seu mandato, o conselho de pessoas relativamente sensatas: não sou fã de Paulson, mas ele representa um enorme progresso em relação ao seu predecessor. A esta altura, temos a suspeita de que uma eventual presidência de McCain nos faria sentir saudades da competência da era Bush.

A verdadeira revelação nas últimas semanas, no entanto, foi o quanto a opinião de McCain sobre a economia é errática. A qualquer momento, ele parece ter opiniões muito fortes - mas poucos dias depois, ele parte numa direção completamente diferente.

Assim, no dia 15 de setembro ele declarou que “os fundamentos da nossa economia são sólidos”. Isto foi no dia seguinte à falência do Lehman, enquanto a crise financeira entrava num estágio novo e ainda mais perigoso.

Mas três dias mais tarde ele declarou que os mercados financeiros da América se tornaram um “cassino”, e disse que demitiria o chefe da Comissão de Valores Mobiliários - coisa que, aliás, não faz parte das atribuições do presidente.

E então ele encontrou um novo grupo de vilões - Fannie Mae e Freddie Mac, os credores patrocinados pelo governo. (Apesar de alguns verdadeiros escândalos dentro de Fannie e Freddie, eles desempenharam um papel pequeno na instalação da crise: a maioria dos empréstimos realmente podres veio de credores particulares.) E ele acusou moralmente outros políticos, incluindo Obama, de estarem sob a influência financeira de Fannie e Freddie; mas no final era uma empresa de propriedade do seu próprio chefe de campanha que recebia dinheiro do Freddie até o mês passado.

Então Paulson lançou seu plano, e McCain entrou com veemência no debate. Mas ele admitiu, vários dias depois, que não havia de fato lido o documento, o qual não consistia em mais de três páginas.

Ok, acho que você captou a imagem que quero transmitir.

Parece que a economia moderna é um lugar perigoso - e não é o tipo de perigo que você pode enfrentar falando duro e denunciando os malfeitores. Será que McCain dispõe da capacidade de julgamento e do temperamento necessários para lidar com esta parte do emprego que ele busca?

*Paul Krugman é colunista do ‘New York Times’

28/09/2008 - 12:59h Desvantagem do Brasil pode virar vantagem na crise


Por ter crescido menos que outros Brics e ser mais fechado, país deve ganhar com agravamento da situação externa

Sistema financeiro do país é mais sólido que o de China, Rússia e Índia; perigo maior está numa queda brusca no preço das commodities

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ÉRICA FRAGA ESPECIAL PARA A FOLHA

O agravamento da crise financeira global nas últimas semanas enterrou de vez a tese de que as chamadas economias emergentes, como a brasileira, poderiam ter se descolado (”decoupled”, em inglês) daquelas dos países desenvolvidos e, com isso, estariam quase imunes ao furacão que se aproximava. Mas é fato que a maioria dos emergentes está menos vulnerável hoje do que há uma década. E o Brasil, que nos últimos anos de bonança sempre foi considerado o patinho feio dos Brics (expressão cunhada pelo Goldman Sachs em 2003 em referência às grandes economias “do futuro”: Brasil, Rússia, Índia e China), pode ter uma história melhor para contar nestes tempos difíceis.

O fato de que a economia brasileira ainda é bastante fechada contribuiu para que o país crescesse de forma bem menos exuberante do que Rússia, Índia e China em anos recentes.

Mas agora o que era desvantagem virou seguro: o país pode acabar suportando melhor os efeitos negativos da crise do que os “Rics”, desde que não haja um colapso nos preços das commodities.

Embora os problemas que levaram à crise atual tenham sido gerados no mundo desenvolvido, vão continuar afetando os emergentes por dois canais: o da economia real e o dos mercados financeiros. O principal dado que já depunha contra a tese do descolamento se refere ao peso que os países desenvolvidos ainda têm na demanda global. Juntos, Estados Unidos e Europa Ocidental representam mais da metade (52%) do consumo privado mundial.

É verdade que as fatias representadas por China, Brasil, Índia, Rússia e outros vêm aumentando. Mas não o suficiente para evitar que uma brutal desaceleração da demanda por bens e serviços por parte dos países desenvolvidos fosse pouco sentida no mundo emergente. E esse impacto negativo tende a ser ainda maior porque o peso das exportações no PIB dos países emergentes aumentou sem parar nas últimas décadas: passando de 26% em 1990 para quase 44% em 2007.

Ou seja, o crescimento nos países emergentes se tornou muito dependente da performance de suas exportações. E, agora, os mercados que costumavam absorver boa parte dessas exportações caminham para a recessão: vão consumir menos, importar menos, quem vendia para eles vai crescer menos.

O Brasil obviamente não está imune, descolado, dessa tendência, mas é menos vulnerável que a maioria dos seus pares à forte desaceleração da demanda privada dos países ricos. Isso porque enquanto as exportações têm um peso de mais de 40% no PIB da média dos emergentes (41% na China, 31% na Rússia, 21% na Índia), no Brasil representam apenas 14%. Embora esse percentual seja bem maior que os cerca de 7% registrados em 1995-98, ainda caracteriza uma economia bastante fechada, menos vulnerável a choques como o que vem pela frente, principalmente se a desaceleração econômica no mundo desenvolvido for ainda pior do que se espera hoje. Um risco que, dada a forte turbulência nos mercados globais nas últimas semanas, não é nada desprezível.

Isso não quer dizer que o Brasil deva se orgulhar de ter uma economia ainda bastante fechada (na qual o peso de exportações e importações no PIB é relativamente baixo).

Graus maiores de abertura tendem a vir acompanhados de maior concorrência e ganhos de produtividade que beneficiam os consumidores e tornam a economia mais eficiente.

O fato de que o Brasil parece seguir rumo a uma maior abertura da economia é positivo, ainda que, neste momento, a menor importância relativa das exportações para o crescimento econômico ajude a amortecer os efeitos negativos da crise externa.

Mas há outros indicadores que podem fazer o Brasil menos vulnerável aos desdobramentos da crise atual, esses, sim, positivos “per se”. De forma geral, os indicadores que medem a solidez do sistema financeiro brasileiro-o outro canal pelo qual a turbulência externa continuará se propagando- são melhores que os dos outros três Brics. Os bancos brasileiros possuem altos níveis de solvência e liquidez e o regime de supervisão do setor é eficiente.

Diferentemente da China, o risco de grandes colapsos no sistema financeiro brasileiro é relativamente pequeno. Ao contrário do que ocorre em China e Índia, não existem bolhas significativas nos preços de ativos (como casas) no Brasil. O nível de inadimplência em empréstimos bancários na China (próximo de 6%) é pouco menos do que o dobro da média registrada no Brasil e quase certamente é subestimado.

Além disso, inflação no Brasil preocupa, mas bem menos que na Rússia e na Índia. Na verdade, talvez o risco maior para o Brasil nessa área seja que um excesso de cautela por parte do Banco Central leve a uma desaceleração excessiva da demanda doméstica. O perigo de desvalorização muito forte do real é bem menor que o da moeda russa (o rublo), que está bastante sobrevalorizada. As empresas russas contraíram crédito em moeda estrangeira de forma excessiva nos últimos anos. O estoque de dívida privada externa na Rússia pulou de US$ 64 bilhões em 2004 para quase US$ 300 bilhões neste ano, o que representa um risco grande de possível dificuldade de rolagem neste momento de forte retração do crédito.

Risco

Tudo isso quer dizer que o Brasil está blindado contra a crise? Certamente, não. Se os preços de commodities, por exemplo, desabarem, o país será um dos mais negativamente afetados, dado o alto peso das mesmas (por volta de 50%) na pauta de exportação brasileira.

Mas esse risco ainda parece ser relativamente pequeno. Fatores estruturais que sustentam os preços nos altos níveis atuais (como muito mais gente consumindo mais comida na Ásia) dificilmente desaparecerão.

Tampouco os dados que fazem com que o Brasil esteja menos sensível que outros emergentes a riscos associados à crise atual querem dizer que o potencial de crescimento de longo prazo do país seja melhor que os dos demais. Isso vai depender de muitos outros fatores, como progresso na área de educação e reformas estruturais. Mas os dados, sim, chamam atenção para o fato de que o Brasil não é mais (talvez nunca tenha sido) o pior dos Brics.

ÉRICA FRAGA é editora de América Latina da consultoria britânica Economist Intelligence Unit (ericafraga@economist.com)

19/09/2008 - 11:10h Pnad: Emprego formal cresce para 35,7%

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Índice de trabalhadores com registro em carteira é o maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 1992

Jacqueline Farid, O Estado SP

O recorde no índice de formalidade foi o destaque do mercado de trabalho no País em 2007 - ano em que se manteve a evolução positiva do emprego, com queda na taxa de desocupação e alta no rendimento dos trabalhadores. Segundo dados da Pnad, o porcentual de trabalhadores com carteira assinada no total de ocupados chegou a 35,7%, ante 34,3% em 2006. Esse é o maior nível da série histórica da pesquisa, iniciada em 1992. Apesar dos avanços, 8,1 milhões de pessoas ainda estavam desempregadas no País.

O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, destacou que o aumento das ocupações formais já vinha sendo revelado nas principais regiões metropolitanas - a coleta de dados do instituto é feita em seis delas - e a Pnad mostra que o fenômeno é nacional. O levantamento divulgado ontem indica que, entre 2006 e 2007, o número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 6,1% no País, com destaque para a Região Nordeste, onde a alta foi de 8,5%.

No que diz respeito aos empregados sem carteira, houve, no total do País, uma queda de 0,7% de 2006 para 2007. Os analistas da Pnad ressaltaram que o contingente de 20,6 milhões de trabalhadores sem registro “ainda é elevado”.

CAUSAS

O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale, avalia que os principais fatores que têm elevado a formalidade são a segurança de um crescimento mais sólido da economia, o aumento da fiscalização e, sobretudo, a iniciativa de empresas de registrar em carteira a mão-de-obra para ter acesso a linhas de crédito para investimentos.

A gerente da Pnad, Maria Lúcia Vieira, afirmou que o aumento da formalização foi puxado especialmente pelo ganho de vagas na indústria, o segmento do mercado de trabalho que mais contrata com carteira assinada. A exemplo de Vale, ela citou o aumento da fiscalização do Ministério do Trabalho como um motivo para o crescimento.

Mas para Fabio Romão, da LCA Consultores, a fiscalização teve pouca influência no fenômeno. Segundo ele, o número de trabalhadores com carteira está crescendo acima da média dos ocupados porque há evolução sustentável da economia no País, aumento da confiança dos empresários e expansão do mercado interno e dos investimentos.

Assim como Vale, Romão cita o aumento da formalização na construção civil como um dos motivos para o acréscimo nas contratações com carteira. Ele lembrou que muitas empresas de construção abriram o capital em 2007 e, para isso, tiveram de garantir a formalidade da mão-de-obra.

A Pnad mostrou também aumento de 1,6% no número de pessoas ocupadas no País, que totalizaram 90,8 milhões de trabalhadores em 2007. Houve pequeno recuo no nível de ocupação (parcela de pessoas ocupadas no total da população acima de 10 anos), para 57%, ante 57,2% no ano anterior. Mas, segundo a gerente da Pnad, a queda ocorreu “onde tinha que acontecer”, ou seja, nas faixas etárias entre 10 e 14 anos e acima dos 50 anos. De acordo com Maria Lúcia, o nível de ocupação mostra tendência de elevação desde 1996 e essa perspectiva não foi revertida no ano passado.

DESEMPREGO

Os dados do desemprego na Pnad também mostraram leve melhora em 2007. A taxa de desocupação recuou para 8,2%, ante 8,5% no ano anterior. O número total de 8,1 milhões de pessoas que estavam sem emprego e em busca de trabalho apurado pela Pnad representa uma queda de 1,8% ante o ano anterior.

O desemprego apresenta recuos sucessivos desde 2004, mas ainda está em patamar superior a 1997, quando a taxa era de 7,8%. No início da série da pesquisa, em 1992, a taxa de desemprego era ainda menor, de 6,5%.

Para Romão, da LCA, o desemprego não caiu mais porque pessoas que tinham desistido de procurar trabalho voltaram ao mercado, entusiasmadas com o aquecimento da economia. Ele afirmou que as maiores quedas na taxa estão ocorrendo em 2008 e serão captadas pela próxima Pnad.

15/09/2008 - 05:33h Wall Street teme próxima vítima


criseusa.jpgInvestidores acreditam que apostas de especuladores ajudaram no colapso do Lehman Brothers

Para analistas, instituições com problemas de caixa podem se tornar vítimas de especuladores que apostam na queda no preço de ações

LOUISE STORY DO “NEW YORK TIMES” - FOLHA SP

Em maio, David Einhorn, uma das mais importantes vozes entre os especuladores que lucram com a piora do mercado, não fez nenhum segredo de que estava apostando contra o Lehman Brothers. Agora, alguns investidores temem que gestores de fundos como ele se aproveitam do atual clima de pânico detonado pelos problemas com o Lehman para escolher outra instituição financeira em dificuldades, cujas ações com preços declinantes possam trazer a eles outros prêmios gordos.
Em encontros de emergência ao longo do final de semana, os chefes das maiores instituições financeiras deram um ultimato em Timothy Geithner, presidente do Federal Reserve de Nova York, e no secretário de Tesouro americano, Henry Paulson, para que considere a possibilidade de a SEC (equivalente à CVM dos Estados Unidos) trazer de volta uma regra temporária para limitar o risco -potencialmente lucrativo- de apostar no derretimento do preço de ações de uma empresa, de acordo com duas pessoas próximas às negociações.
Eles estão preocupados que esses especuladores possam fixar um novo alvo em outra grande instituição financeira. Mas os investidores de Wall Street talvez podem respirar melhor agora que o Merrill Lynch, outra instituição freqüentemente mencionada, parece ter fechado a sua venda para o Bank of America, e a gigante seguradora AIG deslanchou um plano de reestruturação para fortalecer seu caixa.
Em julho, a SEC interrompeu a prática conhecida como posição vendida (que aposta na baixa) de curto prazo após especuladores terem feito grandes apostas que as ações da Fannie Mae e da Freddie Mac, as gigantes problemáticas das hipotecas, poderiam desabar. Isso também tornou mais difícil, apesar de não impossível, apostar contra as ações de outras 19 instituições financeiras, incluindo bancos de investimento como Lehman Brothers e Morgan Stanley.
A tática de apostar que uma ação vai cair não é nova, mas se tornou particularmente controversa no último ano, quando as empresas de Wall Street começaram a ser escolhidas à medida que a crise virou o setor financeiro de cabeça para baixo.
Esses investidores e os apoiadores do seu mercado livre dizem que não fizeram nada de errado. Se alguma coisa eles fizeram foi meramente apontar problemas em instituições financeiras antes de todos, proporcionando um alerta para o resto do mercado. Os críticos acreditam que eles contribuíram com a velocidade de queda de inúmeras ações do setor financeiro.
Apostar contra instituições financeiras provou-se particularmente lucrativa para fundos de hedge. As acusações de Einhorn incluem a reclamação de que o Lehman falhou em contabilizar adequadamente os ativos prejudicados pela crise.
As ações do Lehman já estavam sob pressão quando Einhorn pegou o microfone em maio para falar sobre o caso. O banco, disse à época, se utilizou de uma “contabilidade ingênua” para evitar assumir perdas gigantescas e acabou mantendo em carteira papéis ruins do setor imobiliário.
Einhorn lucrou bastante convencendo pessoas sobre essa visão -as ações do Lehman estavam por volta de US$ 40 quando ele falou, em julho, e na semana passada, foram negociadas abaixo de US$ 4.
A pressão dos especuladores teve um papel importante em erodir o valor das ações do Lehman Brothers porque os investidores perderam a confiança na habilidade do banco em recuperar o seu balanço nos quatro meses seguintes às declarações de Einhorn.
Einhorn nunca sentiu vergonha de criticar publicamente o Lehman. Ele apontou erros em dois investimentos do banco em empresas do setor imobiliário -Archstone e Sun Cal- e disse que o Lehman não estimou corretamente as perdas dessas companhias.
Para muitos, Einhorn simplesmente viu o problema antes de todos, e os executivos do Lehman falharam ao reconhecer quanta credibilidade ele tinha na comunidade financeira. Eles afirmam que o banco de investimento teria se dado melhor se tivesse reconhecido mais cedo antes as perdas contábeis e feito um aumento de capital para melhorar o caixa.
Mas, para outras pessoas do mundo das finanças, Einhorn e investidores como ele são perigosos para o sistema financeiro como um todo.
“Uma penca desses homens com grandes bastões estão circulando por aí, rondando certas empresas e atirando contra elas até derrubá-las”, disse Jim Hardesty, presidente do Hardesty Capital Management.
Por suas visões, Einhorn sabe que uma falência pode ser criada. “Nós não iríamos ganhar se o Lehman desabasse e levar todo o sistema financeiro com ele. Um colapso do Lehman não seria uma boa coisa”, afirmou ele em junho.
Einhorn preferiu não comentar sobre esse texto e um porta-voz seu não soube dizer se ele continuava apostando na queda do preço das ações do Lehman Brothers.

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Preocupação é que crise continue a se espalhar e chegue até empresas saudáveis

DO “NEW YORK TIMES”

A reunião no final de semana entre as autoridades do governo americano e os principais dirigentes de Wall Street não ficou restrita ao destino do Lehman Brothers. O grupo discutiu a condição financeira de outras instituições e a situação geral dos mercados financeiros. O temor é que outras grandes instituições como a seguradora AIG e o banco de investimento Merrill Lynch passem por crise similar e também necessitem de bilhões de dólares para fortalecerem seus negócios.
A disseminação dos problemas é mais um sinal de que mesmo a intervenção do governo no setor privado nos últimos meses não foi suficiente para conter a crise em instituições famosas -e que até pouco tempo atrás eram consideradas inatacáveis.
Na verdade, o Lehman e outras firmas vinham dizendo há meses que estavam cuidando dos seus ativos problemáticos ligados ao setor imobiliário, mas as suas ações continuaram a despencar. O resultado disso é que vários investidores não têm mais certeza de quanto valem essas instituições financeiras e não querem mais aplicar nelas enquanto não souberem. Ao mesmo tempo, vários gerentes de fundos de hedge e outros corretores tiveram lucros expressivos com apostas de que essas ações iriam perder valor.
As empresas que assumiram riscos maiores e usaram o endividamento agressivamente para expandir seus negócios foram as primeiras a cair quando o mercado de crédito começou a afundar, e agora as companhias saudáveis é que estão sob pressão. Empréstimos que eram considerados muito melhores do que as hipotecas “subprime” (de alto risco, que deram origem à crise) se tornaram apenas marginalmente mais seguras.
“Você tem que imaginar isso como se estivesse ocorrendo uma epidemia -uma epidemia de destruição de capital”, afirmou James Melcher, do fundo de hedge Balestra Capital.
O governo americano assumiu uma pouco usual posição ativa na crise atual. O Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) organizou, em março, um rápido resgate do banco de investimento Bear Stearns. Há oitos dias, os reguladores federais assumiram o controle das duas maiores empresa de financiamento hipotecário do país, Fannie Mae e Freddie Mac.
Em cada um desses momentos, as autoridades esperavam que o que eles tinham feito era o necessário para retomar a confiança dos mercados, apenas para serem presenteadas com uma nova crise.

11/09/2008 - 09:28h Demanda interna no país já cresce em ritmo chinês

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Investimento e consumo dão ritmo chinês ao PIB

Ana Paula Grabois - VALOR

Apoiada nos investimentos recordes das empresas e do governo em máquinas, equipamentos e construção, a economia brasileira cresceu acima das estimativas no segundo trimestre e fechou o semestre em alta de 6%. Na comparação com o segundo trimestre de 2007, a taxa chegou a 6,1%. Em relação ao primeiro trimestre, o PIB apresentou expansão de 1,6%. “O PIB vem crescendo ao ritmo de 6% há um ano”, disse a gerente das Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis. Ela ressalta que o efeito do novo ciclo de alta dos juros iniciado em abril pelo Banco Central não foi sentido no segundo trimestre.

Sem considerar o efeito negativo do setor externo (importações e exportações de bens e serviços) sobre o PIB, de 2,5 pontos percentuais, o ritmo da expansão doméstica é comparável ao chinês. Segundo cálculos do economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, a demanda interna cresceu 8,5% no primeiro semestre. “É o investimento que está segurando o crescimento do PIB. Sem investimento, o PIB estaria em 4% ao ano”, disse Borges.

Os investimentos registraram alta de 16,2% no segundo trimestre, a 18ª alta consecutiva na comparação com igual período do ano anterior e recorde da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. A taxa de investimento sobre o PIB, de 18,7%, foi a maior já registrada para um segundo trimestre desde 2000, quando foi iniciada a série do indicador. No semestre, o nível da alta do investimento também foi recorde e chegou a 15,7%. Segundo cálculos da LCA, em termos dessazonalizados, a taxa de investimento ficou em 19%, a maior desde o primeiro trimestre de 1998 na comparação com todos os trimestres do período analisado.

Dentro dos investimentos, o destaque foram os gastos na construção civil, cuja alta de 9,9% foi favorecida pelas obras públicas e pela alta de 26,7% no crédito habitacional. Para a gerente do IBGE, o período eleitoral contribuiu para esse resultado. “Em anos eleitorais, historicamente, há mais obras públicas”, afirmou.

Os investimentos subiram também sob efeito da expansão de 41,3% do crédito para empresas e do fim da greve na Receita Federal no segundo trimestre. Muitos equipamentos e máquinas importadas que chegaram no início do ano só foram registrados no trimestre seguinte. A greve também foi responsável pela reversão da queda de 2,1% das exportações de bens e serviços apurada no primeiro trimestre. No segundo trimestre, as exportações cresceram 5,1%.

“As empresas estão investindo para atender à demanda interna, que cresce há vários trimestres. O câmbio também ajuda a importar bens de capital e ainda houve aumento das empresas no mercado de capitais, onde elas conseguiram mais recursos para investir”, destacou Giovanna Rocca, economista do Unibanco .

Ela ressalta que o bom resultado dos investimentos aponta para o aumento do PIB potencial, uma vez que o crescimento do consumo das famílias está em desaceleração, ainda que em patamar elevado, indicando que o país pode ter mais oferta disponível para atender à demanda de consumo da população.

Bráulio Borges, da LCA, lembra que, apesar do forte ritmo de investimento registrado desde o fim de 2006, o nível de utilização da capacidade instalada não cede porque a maior parte dos investimentos tem sido dirigida a ampliações de capacidade, o que exige maior prazo de maturação em comparação a investimentos de modernização. Além disso, as diversas obras em andamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal são da área de infra-estrutura, cujos prazos também são mais longos. “Temos um cenário apertado por demanda, mas olhando para frente, o horizonte é favorável. Nunca se investiu tanto em ampliação”, diz.

Outro destaque do PIB foi o gasto elevado da administração pública no período devido às eleições municipais. Como a lei eleitoral proíbe gastos e contratações três meses antes das eleições, o IBGE apurou a antecipação desses gastos, especialmente nas contratações feitas por Estados e municípios. O consumo do governo cresceu 5,3% no segundo trimestre, com alta de 5,6% no semestre. Segundo a LCA, os governos (municípios, Estados e União) responderam por 1,1 ponto percentual dos 6% de alta do PIB no primeiro semestre, o que reflete o próprio crescimento econômico do país. “O governo está arrecadando mais e está fazendo mais superávit primário”, diz Borges.

O consumo das famílias, com peso de cerca de 60% do PIB, continuou em patamar elevado, mas desacelerou ligeiramente e passou de 6,9% para 6,7% do primeiro para o segundo trimestre na comparação com igual período do ano anterior. “A evolução do consumo das famílias continuou em patamar alto, mas não assusta mais como a alta de 8,6% registrada no quarto trimestre de 2007″, disse Bráulio Borges.

Para o IBGE, a expansão do consumo foi motivada principalmente pelo aumento da massa salarial. No segundo trimestre, a massa salarial dos brasileiros teve alta de 8,1%. Além disso, o crédito farto e os prazos longos de pagamento dos empréstimos contribuíram para a expansão. Houve crescimento de 32,9% no saldo de operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas. Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, os dados mostram que o consumo “conserva uma evolução que, sem ser explosiva, é alimentadora das decisões de investimento dos empresários”.

Giovanna lembra que o ritmo de crescimento visto ao longo de 2007 já perdeu força em 2008. A taxa de crescimento do consumo das famílias em termos dessazonalizados ficou em 2,1% no segundo semestre de 2007 e desacelerou para 0,7% até junho de 2008.

Pela ótica da produção, o PIB teve como destaque a agropecuária, cuja expansão foi de 4,8% em relação ao segundo trimestre de 2007 em razão das boas safras de café e milho e ainda a ganhos de produtividade que passaram a ser contabilizados pelo IBGE a partir de 2008. A indústria também ficou em patamar elevado, de 5,7%, puxada pela construção civil. (Com Folhapress)

05/09/2008 - 10:11h Volvo reajusta salário em 10%. No ABC, impasse

Assembléia de metalúrgicos da Teksid do Brasil e da Nemak, em Betim (MG)http://portalctb.org.br/site/images/stories/Imagens/di_greve_mg_metal_teksid_nemak_betim.jpg

Continuam em greve no Paraná trabalhadores de Volks, Renault e Nissan.

Em SP, funcionários pararam por 2 horas

Lino Rodrigues - O Globo

SÃO PAULO e RIO. A onda de paralisações de trabalhadores das montadoras produziu ontem um primeiro resultado. A Volvo aceitou conceder 10% de reajuste linear a seus empregados, a ser pago a partir deste mês, mais abono de R$ 1.500. As duas partes cederam: os metalúrgicos, que pediam 5% só de reajuste real (acima da inflação), e a empresa, que reviu sua oferta de 1,25% para 2,5%. A fábrica da Volvo, na Região Metropolitana de Curitiba, estava parada há três dias. Continuam parados na região os 8 mil trabalhadores de Volkswagen, Renault e Nissan. Ao contrário da Volvo, as três querem que o reajuste seja apenas a partir de dezembro.

O impasse também perdura no ABC paulista, onde paralisações de uma a duas horas interromperam ontem a produção na Ford, na Volks e na Scania. Até as 21h de ontem, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Sinfavea (das empresas) continuavam reunidos em São Paulo para tentar um entendimento. De manhã, em assembléias, os trabalhadores decidiram suspender a produção extra para este fim de semana. Eles ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado na segundafeira, caso as montadoras não apresentem nova proposta.

A entidade não revela a proposta feita aos empresários. — Acreditamos que as empresas vão oferecer proposta razoável para evitar uma greve que não interessa a ninguém — disse o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, antes da reunião.

Os metalúrgicos da Força Sindical (mais de 700 mil no estado de São Paulo) devem engrossar o movimento na próxima semana. Ontem, eles fizeram passeata na Avenida Paulista para entregar a pauta de reivindicações à Fiesp. A campanha envolve 54 sindicatos com data-base em 1ode novembro, e reivindica 20% de aumento salarial e jornada de 40 horas semanais.

A pressão dos metalúrgicos pegou as montadoras com estoques em alta, diz a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume de veículos nas concessionárias e na indústria subiu 30% entre julho e agosto, de 23 para 30 dias. Para o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, a alta reflete a acomodação do mercado de carros no país, após sucessivos recordes. As vendas de veículos caíram 15,1% em agosto sobre julho, mas subiram 4% contra igual mês de 2007, atingindo 244,8 mil unidades. Já a produção recuou 1% na comparação mensal e avançou 12,6% na anual. — Você não pode crescer sempre 25% — disse Schneider. Sobre as negociações com os metalúrgicos, ele afirmou: — Acredito na maturidade dos atores (sindicalistas e empresários) e que chegaremos a um ponto de equilíbrio com a expectativas dos trabalhadores.

Protesto no Rio deu um nó no trânsito do Centro

No Rio, metalúrgicos da capital, de Niterói e Angra fizeram manifestação em frente à sede da Petrobras, no Centro, pela construção da plataforma P-62 no estaleiro Mauá, de Niterói. Cerca de 3 mil manifestantes iniciaram a caminhada na Praça XV, dando um nó no trânsito. Segundo sindicalistas, a construção da plataforma pode gerar 2.500 empregos no Rio, mas corre o risco de ser levada para outro estado.

05/09/2008 - 09:14h Sem acordo, metalúrgico ameaça greve geral na 2ª. Inflação pesa nas negociações salariais

http://byfiles.storage.live.com/y1pCSubwcsXGP45cYIfqT1EgtiUCDGugDMpTGSMbADhVzsJyP7DSALcsHZ8zfdLbFKyW-IucXcbhT8

CLAUDIA ROLLI - Folha de São Paulo


DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

Sem chegar a um acordo salarial com as montadoras, os metalúrgicos de Volkswagen, Ford, Scania e Mercedes-Benz decidiram suspender a realização de horas extras e a produção no final de semana para pressionar os fabricantes de veículos a negociarem um aumento real “razoável”. Se não houver acordo até amanhã, a categoria pode fazer greve geral a partir de segunda-feira.

A medida vale para os trabalhadores do ABC de outras empresas que também estão em campanha salarial, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (CUT). Ao menos 10 mil empregados da Volkswagen, Ford, Scania e autopeças de Diadema paralisaram em até duas horas as atividades ontem.

As paralisações, concentradas na entrada dos turnos da manhã, não afetaram a produção, segundo as montadoras.

No Paraná, base da Força Sindical, cerca de 8.000 metalúrgicos da Renault/Nissan e Volkswagen/Audi decidiram ontem manter a greve em São José dos Pinhais. A paralisação completa hoje cinco dias.

Até a noite de ontem, representantes das montadoras do ABC e dos trabalhadores estavam reunidos na sede do Sinfavea (sindicato dos fabricantes de veículos) para tentar chegar a um acordo.

“As montadoras têm até sábado [amanhã] para apresentar um proposta decente, caso contrário a greve será por tempo indeterminado a partir de segunda-feira. O que foi oferecido está longe do razoável”, afirma Sérgio Nobre, presidente do sindicato da categoria no ABC.
“Na negociação, pensamos a longo prazo e não apenas no atual momento da indústria, assim como as decisões sobre investimento. Temos de pesar também as condições competitivas da indústria no cenário internacional e nos impactos de qualquer aumento de custo”, diz Jackson Schneider, presidente da Anfavea (fabricantes). “Estamos abertos à negociação e acredito na maturidade dos atores nesse diálogo.”
Os sindicalistas não divulgam o índice de reajuste pretendido no ABC, mas já descartaram a proposta feita anteriormente de 1,25 ponto percentual de aumento acima da inflação.

No ano passado, o aumento real nos salários chegou a 2,5 pontos acima da inflação. A indústria automobilística encerrou o ano com 2,34 milhões de automóveis e comerciais leves emplacados -melhor resultado dos últimos dez anos. Nos oito primeiros meses deste ano, os licenciamentos já alcançaram 1,94 milhão de unidades -26,4% de aumento sobre mesmo período de 2007.

“Uma parcela do crescimento do setor tem de ir para o bolso do trabalhador. Não estamos pedindo 20% de aumento real.

Sem acordo, vamos cortar as horas extras”, diz Moisés Selerges, diretor do sindicato.

Na Mercedes-Benz, os metalúrgicos estimam que 400 caminhões e ônibus deixarão de ser produzidos no final de semana. Anteontem, outros cem já deixaram de ser fabricados com uma paralisação.

Os metalúrgicos ligados à Força Sindical fizeram passeata e manifestação ontem pela manhã em frente ao prédio da Fiesp (federação das indústrias), na avenida Paulista. Para a central, a adesão foi de 5.000 trabalhadores representados por 54 sindicatos paulistas. Para a PM, foram cerca de 1.500.

“Os 20% de reajuste que pedimos foi calculado com base na produtividade que o setor teve e na inflação que tem de ser reposta”, diz Eleno Bezerra, presidente do sindicato da categoria em São Paulo e da confederação nacional da Força.

No Paraná, os trabalhadores rejeitaram contraproposta das empresas de reajustar os salários em 10% -sendo 2,5 pontos percentuais de aumento real.

Os grevistas pedem o dobro.

Já os 2.700 funcionários da Volvo (Curitiba) aceitaram a proposta patronal e receberão 10% mais abono de R$ 1.500. O sindicato da região informa que cerca de 6.600 veículos deixaram de ser fabricados desde o início da paralisação. Colaborou KAREN CAMACHO, da Folha Online

 

 

Cai o número de acordos salariais que não têm perdas

Marcelo Rehder - O Estado de São Paulo

A escalada da inflação atrapalhou a campanha salarial das categorias com data-base no primeiro semestre. O resultado das negociações foi o pior dos últimos três anos, segundo levantamento divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

De um total de 309 acordos analisados pela entidade, 86% conseguiram zerar as perdas com a inflação ou garantir aumento real de salário na primeira metade do ano. O número é menor que os apurados nos acordos fechados em igual período de 2006 e de 2007 , que ficaram próximos de 97%.

“O repique na inflação dificultou as negociações, principalmente em setores que sofrem a concorrência das importações, que ficaram mais baratas por causa da valorização do real em relação ao dólar”, disse Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese.

Segundo ele, as empresas continuam a obter ganhos expressivos de produtividade, mas o aumento da inflação reduz a margem de manobra para alguns setores concederem aumentos reais sem repasse para os preços. “Os trabalhadores são os que mais perdem com a inflação, pois sofrem arrocho salarial e têm o poder aquisitivo corroído ainda mais pela inflação futura”.

Apesar de inferior ao dos últimos dois anos, o resultado das campanhas salariais de 2008 foi o terceiro melhor para um primeiro semestre desde 1996, quando a pesquisa passou a ser feita.

De acordo com o Dieese, 74% dos acordos firmados na primeira metade deste ano garantiram aumento real de salários. O porcentual é menor que o verificado nos últimos dois anos: 84% e 87%, pela ordem. A proporção de acordos que não conseguiram sequer repor as perdas com a inflação aumentou de 3%, em 2007, para 14%, agora.

As empresas do setor industrial foram as que concederam maior número de aumento de salários acima da inflação, com 81% das negociações. Em seguida ficou o comércio, com 80%, e os serviços, com 64%.

04/09/2008 - 19:00h Aquecimento do turismo impulsiona vagas no setor

 

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Luiz Eduardo Barreto, atual ministro de Turismo, Airton Nogueira do Mtur, Marta Suplicy , ex-ministra do Turismo e José Eduardo Barbosa, presidente da Braztoa parceira no programa “Viaja mais, melhor idade” (foto 2007)

 

 

 

ANDRÉ LOBATO colaboração para a Folha de S.Paulo

O aquecimento da economia e o aumento do valor médio gasto por turistas estrangeiros no Brasil contribuíram para a formalização do trabalho no setor de turismo, que tradicionalmente tem alta informalidade. Veja vídeo.

O emprego formal no segmento cresceu 14,7% entre 2002 e 2006 –mais do que o informal, que teve acréscimo de 10,9%, segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que deverão ser divulgados em dois meses.

“O crescimento do turismo no Brasil, de cerca de 9% em 2007, é o dobro da média mundial para o setor”, diz Ricardo Moesch, coordenador-geral de qualificação dos serviços turísticos do Ministério do Turismo.

Um levantamento da FGV (Fundação Getúlio Vargas) com executivos de 92 empresas do setor, divulgado em março, indicou que a elevação do faturamento estimulará as contratações ainda neste ano. Os destaques são as companhias aéreas e as locadoras de carro.

Onde há vagas

Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que hotelaria e alimentação são os setores que mais demandam mão-de-obra com qualificação técnica, como garçons e cozinheiros.

Alexandre Sampaio, vice-presidente da Federação Nacional de Hotéis, destaca que cargos de gerência seguem estáveis, mas que técnicos terão grande procura.

Segundo o Ipea, os maiores crescimentos do emprego formal ocorreram nos segmentos de auxiliar de transporte (49,4%), agências de viagem (39%) e alimentação (36,7%).

A região Norte teve o maior aumento na contratação formal (28,3%). O Sudeste ficou em último, com 10,7%.

O Rio de Janeiro foi a cidade que, entre 11 capitais turísticas, obteve o pior crescimento da ocupação em restaurantes e bares entre 1996 e 2006, segundo levantamento feito pelo Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes da cidade. Com 27% de aumento, ficou muito atrás da primeira colocada, Florianópolis, que teve 300%.

Eventos

O país melhorou sua posição mundial como sede de eventos: passou do 19º lugar, em 2003, para o oitavo, em 2006.

Cursando gestão em turismo e hotelaria na Universidade Estadual Vale do Acaraú, no Ceará, Luciano Santos, 22, pretende trabalhar com eventos ou em outra área que também tem forte demanda: o turismo de aventura.

04/09/2008 - 10:52h Greve por salário paralisa montadoras

Trabalhadores aprovando estado de greve no pátio da Ford

Cibelle Bouças - VALOR

Na segunda-feira, 8 mil metalúrgicos do Paraná que trabalham nas montadoras Volkswagen, Renault e Nissan fizeram uma paralisação de 24 horas em resposta à falta de uma nova contraproposta de reajuste salarial pelas empresas, prazo que foi estendido em 48 horas e, na ausência de uma nova oferta das montadoras, será convertida em greve por tempo indeterminado. Ontem, no Estado de São Paulo, 14,2 mil metalúrgicos fizeram paralisação de 24 horas em cinco fábricas, para forçar as indústrias a reverem suas propostas de reajuste salarial, cuja data-base é setembro - em um dos casos, com ameaça de greve por tempo indeterminado, dependendo da proposta feita pelas indústrias.

O risco de greve de cunho nacional - estratégia adotada pela última vez pela categoria em 2001 e substituída em anos recentes pelas chamadas greves-pipoca, localizadas e de curta duração - parece ter voltado a rondar as montadoras. Não existe um acordo entre Conlutas, Intersindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical para criar um movimento de paralisação unificado mas, individualmente, essas lideranças sindicais seguem a mesma estratégia. E um ponto que deve preocupar as montadoras: a paralisação feita ontem na Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo (SP) por 3 mil metalúrgicos com indicativo de greve por tempo indeterminado pode estimular a disseminação do movimento no ABC Paulista, que não passa por uma greve por reajuste salarial desde 2003.

“Com a paralisação, os trabalhadores estão mandando um recado. A intensidade dos protestos só vai aumentar se não houver avanço nas negociações”, disse Moisés Selerges, diretor-executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A paralisação na Mercedes foi feita em desagravo à proposta do Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) de aumento de 1,25 ponto percentual sobre a inflação - menos da metade do reajuste acordado em 2007 e aquém do pedido dos metalúrgicos neste ano, de 5% de ganho real.

Na manhã de hoje, sindicalistas realizam assembléias na porta das fábricas da Volkswagen, Ford e Scania para discutir a possibilidade de paralisações nessas montadoras. Ontem, a Mercedes deixou de produzir 150 veículos e, no fim de semana, outros 400 deixarão de ser fabricados, já que os trabalhadores decidiram paralisar os três turnos extras implantados no fim de semana, para a acelerar a produção das linhas 2009. No fim de semana, 9 mil metalúrgicos da montadora deixarão de trabalhar em São Bernardo do Campo.

As greves ocorrem no primeiro momento do ano em que a euforia crescente trouxe sinais de acomodação. De janeiro a julho, as montadoras produziram 2,01 milhões de veículos, volume 21,8% superior ao de igual período do ano passado. Em licenciamentos (vendas internas), o aumento chegou a 30%, também na comparação com os primeiros oito meses de 2007. Depois desse forte avanço, contudo, as vendas de agosto mostraram um crescimento mais tímido em comparação com o mesmo mês de 2007, de 4,05%. A indústria já esperava índices menores (por causa da base de comparação mais forte), mas o resultado veio abaixo do esperado e, junto com o aumento de estoques (com a média de veículos disponíveis para venda passando de 216 mil para 250 mil unidades), acendeu sinais de alerta no setor.

Enquanto os metalúrgicos miram os resultados até julho para ancorar seu pedido de aumento real de 5%, as montadoras usam agosto e as recorrentes notícias de que o governo pode adotar medidas para conter o financiamento de automóveis para justificar a cautela e oferecer 0,5% de aumento real. Neste ano, ao contrário de outros momentos, os metalúrgicos têm a seu favor a recuperação do emprego. Dados da Anfavea mostram que, em julho, as montadoras estavam empregando 129,4 mil metalúrgicos, número 13% superior ao de igual mês de 2007.

No Paraná, por conta da paralisação iniciada segunda-feira, a Volkswagen-Audi deixou de produzir cerca de 1,7 mil automóveis. Na Renault, a perda foi de 1,6 mil veículos, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. Uma unidade da Volvo ficou parada por 24 horas e voltou a operar terça-feira, à espera de uma nova proposta até hoje. “Se não houver proposta, o movimento vai se encaminhar para a greve por tempo indeterminado a partir de quinta-feira [hoje]”, afirmou Sérgio Butka, presidente do sindicato.

No interior paulista, a estratégia dos sindicatos está concentrada nas greves-pipoca. Ontem, na região de Campinas, metalúrgicos das montadoras Honda (3.500), Toyota (1.900) e Mercedes Benz (800) realizaram paralisação de 24 horas. “Nos últimos anos, adotamos a greve-pipoca como estratégia. Estoura aqui e ali e logo todos voltam a trabalhar. Mas passou a ser importante ampliar esse movimento porque os empresários estão muito resistentes a aceitar as propostas dos metalúrgicos”, afirmou Eliezer Mariano da Cunha, diretor do sindicato de Campinas.

Na segunda-feira, a metalúrgica Wirex Cable, do setor de eletroeletrônicos, ficou parada. Ontem, foi a vez dos 5 mil metalúrgicos da General Motors. A paralisação afetou a produção de 950 a 1 mil veículos. Hoje, disse Vivaldo Moreira Araújo, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, outras empresas terão sua atividade parada sem aviso prévio. “Cada dia será uma fábrica. E se o patronato não melhorar a proposta, não vamos ter outra opção que não seja a greve por tempo indeterminado”, afirmou Moreira. Os metalúrgicos do interior de São Paulo pedem aumento real de 9,17% e garantia de gatilho salarial quando a inflação atingir 3% em 12 meses. A última proposta feita pelo Sinfavea foi de 1,25% de aumento real. Procurada, a assessoria de imprensa da entidade informou que não comenta detalhes das discussões com os trabalhadores.

01/09/2008 - 09:07h Empresas do Brasil e dos EUA pedem mais proteção contra têxteis da China

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Raquel Landim - VALOR

O aumento de um crédito tributário para produtos têxteis e vestuário na China, que é considerado subsídio à exportação pelos empresários de Brasil e Estados Unidos, gerou uma reação protecionista nos dois países. Os setores privados estão pressionando seus respectivos governos a reagir, com a adoção de uma sobretaxa de importação e/ou a renegociação dos acordos de restrição das exportações.

A decisão de Pequim inflamou os ânimos dos empresários brasileiros e americanos, que já estavam temerosos de uma invasão de confecções “made in China” no fim do ano, quando expira os acordos bilaterais que possuem com o país e o prazo permitido pela Organização Mundial de Comércio (OMC) para aplicar salvaguardas contra têxteis chineses. O limite foi estabelecido em 2001, quando a China ingressou na entidade.

No início do mês passado, o gigante asiático elevou de 11% para 13% do valor do produto o crédito tributário que concede para as empresas locais na hora de exportar produtos têxteis e de vestuário. O país também anunciou recentemente que prepara medidas adicionais como redução das taxas de juros para empréstimos ao setor e mais recursos para novos equipamentos e modernização.

Com essas iniciativas, o governo chinês atende às reivindicações dos fabricantes locais, que reclamam da desaceleração da economia mundial, do aumento dos custos da mão-de-obra e outros insumos, como energia. A medida, no entanto, é uma guinada na posição do país, que vinha reduzindo os créditos tributários, que chegaram a ser de 17%, em uma tentativa de desacelerar as exportações e acalmar a pressão internacional.

“Solicitamos ao governo uma medida compensatória desse subsídio”, disse Fernando Pimentel, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). O Ministério do Desenvolvimento informou que ainda não recebeu um pedido oficial. Para obter uma medida compensatória, é preciso comprovar a existência de subsídio e pedir a abertura de uma investigação. O setor têxtil também pediu recentemente a troca da tarifa “ad valorem”, em percentagem, para uma tarifa “ad rem”, em reais por peso, em alguns produtos. Essa discussão está mais avançada, já virou lei no Congresso e o governo agora avalia apenas a maneira de implementá-la.

As importações brasileiras de produtos têxteis chineses saíram de apenas US$ 61 milhões em 2000 para US$ 992 milhões no ano passado. Apesar do acordo de restrição de exportações em vigor há três anos, os chineses incrementaram suas vendas para o Brasil em 43% em 2005, 69% em 2006 e 63% em 2007. Pimentel argumenta que, com a desaceleração nos mercados dos países ricos, a China está desviando produtos para o Brasil.

Os diretores da Abit estão conversando por telefone e trocando e-mails com sua contraparte americana, o Conselho Nacional das Organizações Têxteis (NCTO). No combate às importações de produtos chineses, a NCTO conta com o apoio da Coalizão de Ações do Comércio da Indústria Americana (Amtac). Esses lobbies conseguiram que os deputados apresentassem um projeto de lei no Congresso dos EUA, que, entre outros temas, ajudaria a resolver o problema do setor têxtil, mas até agora não obtiveram sucesso. De acordo com Augustin Tantillo, diretor-executivo da Amtac, o presidente George W. Bush não está empenhado em resolver o assunto, que deixou para a próxima administração.

O crédito concedido pela China para as exportações de têxteis não pode ser questionado na OMC. Pequim dá o benefício como compensação para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), uma exceção permitida pelo extinto Gatt desde a década de 40. Com exceção dos americanos, quase todos os membros da OMC possuem algum tipo de sistema de ressarcimento de tributos na exportação, inclusive o Brasil, que concede crédito ao exportador pelo ICMS pago. “O problema é que a China, ao contrário de outros países, manipula o sistema para estimular as exportações”, disse Tantillo.

O subsídio à exportação é a ponta do iceberg de problemas que a China promete para os fabricantes de têxteis ao redor do mundo a partir de 2009, quando termina o prazo para que os países estabeleçam cotas para a importação de têxteis chineses. Esse setor é um dos mais protegidos do mundo, por conta do potencial de geração de emprego. O Acordo de Têxteis e Vestuários (ATV) regulou o comércio internacional durante 50 anos e só deixou de existir no fim de 2004.

Em 2005, as exportações chinesas do setor têxtil para Estados Unidos e União Européia avançaram 84% e 57%, respectivamente. A movimentação assustou os dois gigantes mundiais, que aplicaram salvaguardas contra as importações chinesas e pressionaram o país a fechar acordos de restrição de exportações. O Brasil foi o único país que também conseguiu esse tipo de benefício. A renovação desses acordos é polêmica. Enquanto os fabricantes argumentam que é legítimo se os países chegarem a um acordo voluntário com a China, os varejistas argumentam que as regras da OMC dizem que não.

O setor privado brasileiro está tentando renovar o seu acordo com a China sem sucesso até agora. A idéia é estender o prazo até 2013 e trocar os produtos sujeitos a cota. Segundo a Abit, os produtos incluídos no acordo representam hoje 20% do comércio. Quando o acerto foi fixado, esse percentual chegava a 70%. Os negociadores brasileiros estiveram em Pequim duas vezes, em setembro de 2007 e em julho deste ano. As negociações, no entanto, não avançaram. Os chineses também marcaram reuniões no Brasil, mas não vieram. “O aumento dos subsídios à exportação demonstra que os chineses não querem discutir essa questão seriamente”, reclamou Pimentel.

29/08/2008 - 09:33h Apesar da alta dos juros, confiança da indústria é a 2ª maior desde 1995

Indicador medido pela FGV cresce 1,1% este mês, como resultado da elevação do emprego e da produção

Márcia De Chiara - O Estado de São Paulo

A alta de 1,75 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic), iniciada pelo Banco Central (BC) em abril, até agora não abalou a confiança dos empresários da indústria. Isso se traduz em boas perspectivas de produção e vendas para o fim de ano e num risco adicional para o BC, que está preocupado com o ritmo da demanda.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) atingiu neste mês 122,8 pontos. O resultado de agosto foi o segundo maior nível da série histórica iniciada em abril de 1995. Ficou atrás apenas do indicador de outubro do ano passado (123,4 pontos). Na comparação com agosto de 2007, o ICI aumentou 0,7% este mês. Em relação a julho, a alta foi 1,1%.

“Na média da indústria, a confiança está se mantendo em níveis elevados, depois de ter passado por um período de desaceleração em abril e maio”, afirma o coordenador da Sondagem da Indústria de Transformação e responsável pelo ICI, Aloisio Campelo.

A FGV consultou cerca de mil indústrias - que, juntas, faturam R$ 567,1 bilhões por ano - entre os dias 1º e 26 deste mês. O economista destaca que a confiança da indústria cresceu neste mês, impulsionada principalmente pelo índice de expectativas para três meses. “O resultado do índice de expectativas surpreendeu”, diz Campelo.

Em julho, o índice de expectativas, que estava em 118,5 pontos, atingiu 121,2 pontos neste mês, marca recorde do indicador na série histórica iniciada em 1995. Os três componentes do índice de expectativas, que são a produção e o emprego previsto para três meses e a situação dos negócios para seis meses, tiveram resultados favoráveis neste mês. Aumentou de 49% em agosto de 2007 para 53% em agosto deste ano o número de indústrias que esperam ampliar a produção no terceiro trimestre. “O resultado é favorável e aborta os indícios de desaceleração que apareceram em maio.”

A previsão de contratações para o período de agosto a outubro também é positiva para a indústria. De acordo com a enquete, 35% das empresas declararam que pretendem contratar mais no terceiro trimestre, ante 34% delas em agosto de 2007 e no mês passado. Quando se analisa os dados do emprego previsto com ajuste sazonal, o nível atingido neste mês se equipara ao de setembro do ano passado, quando o ritmo des crescimento estava acelerado, observa Campelo.

“O índice de situação dos negócios para os próximos seis meses não atingiu níveis recordes, mas a combinação dos três fatores (produção prevista, emprego previsto e negócios em seis meses) é favorável para o desempenho futuro da indústria”, comentou.

CAPACIDADE

A sondagem industrial revela também que houve aumento do uso da capacidade instalada das fábricas neste mês. Em julho, o uso da capacidade, sem ajuste sazonal, estava em 86,1% e subiu para 86,5% em agosto. Apesar do aumento, o resultado ainda é inferior ao de novembro de 2007 (87,2%).

Com ajuste sazonal, o uso da capacidade instalada neste mês atingiu 86,2%, ante 86,1% em julho e 86,8% em junho. “O indicador de uso da capacidade está alto, porém andando de lado”, observa Campelo. Na sua opinião, isso mostra que os investimentos na ampliação das fábricas estão em fase de maturação. Apesar desse relativo conforto, o uso da capacidade no setor de materiais de construção atingiu neste mês 91,4%, o mais alto desde janeiro de 1993.