30/06/2009 - 09:28h Substituição tributária de Serra dificulta combate a crise

“A substituição tributária não é uma medida contracíclica contra a crise.”

Amir Khair, especialista em contas públicas

 

Mantega culpa Estados por repasse limitado aos preços

Segundo ministro, mudança tributária imposta por governadores reduziu o caixa das empresas

Edna Simão, Renato Andrade e Raquel Landim - O Estado SP

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, jogou sobre o governo de São Paulo e de outros Estados a responsabilidade pelos problemas no repasse aos consumidores da isenção do imposto incidente na produção de geladeiras, fogões e máquinas de lavar, a chamada linha branca.

Durante o anúncio do novo pacote de medidas para estimular a economia, o ministro afirmou que o efeito da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos últimos três meses sobre esses produtos foi limitado, porque alguns governadores promoveram, ao mesmo tempo, uma substituição tributária, transferindo para a indústria a responsabilidade pelo recolhimento do ICMS , antes mesmo da venda do produto no varejo.

A decisão dos governadores, na avaliação do ministro, reduziu o capital de giro das empresas, impedindo uma queda mais brusca dos preços. Segundo levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), apresentado por Mantega, nos meses de abril e maio, o preço médio do fogão recuou 0,7%, o do refrigerador caiu 5% e o da máquina de lavar 6,4%. “Há espaço para uma redução maior dos preços”, afirmou o ministro.

O governo federal reduziu o IPI em 5 pontos porcentuais para fogões e em 10 pontos porcentuais para refrigeradores e máquinas de lavar.

As vendas de produtos de linha branca cresceram consideravelmente após o estímulo. Somente de geladeiras, a expansão das vendas foi de 26% em maio na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Com a renovação da isenção do IPI até o fim de outubro, Mantega vai convocar os governadores para discutir a questão. “Foi feito em São Paulo e em outros Estados. Vou conversar com os governadores que de certa forma se aproveitaram”, disse. Ele frisou que “não tem nada contra a substituição tributária” e acrescentou que o momento é que foi “errado”.

Fabíola Xavier, diretora do IDV, que representa varejistas como Casas Bahia, Magazine Luiza e Carrefour, confirmou que a substituição tributária impediu o repasse integral da redução do IPI para os preços pagos pelo consumidor nas lojas. “Temos a mesma opinião do ministro. Deixamos de pagar imposto para o governo federal para pagar para o estadual”, disse. Ela afirmou que o varejo é a favor da substituição tributária, porque combate a sonegação, mas o problema é que as medidas foram “simultâneas”. O setor pediu ao governo paulista a revisão das margens de lucro utilizadas para o cálculo.

Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Eletroeletrônicos (Eletros), afirmou que o repasse do IPI foi feito integralmente pela indústria e que o problema ocorreu depois.

Por meio de uma nota, a secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo informou que o prazo para o pagamento do imposto pode chegar a 90 dias e que o objetivo foi neutralizar eventual impacto no fluxo de caixa das empresas. O governo estadual argumenta ainda que a medida foi discutida com as entidades de classe.

A Receita Estadual de Minas Gerais também informou que o efeito da substituição tributária é “neutro” para o repasse do IPI ao consumidor. O órgão disse que o IPI faz parte da base de cálculo do ICMS, logo se o primeiro é reduzido, o segundo é “automaticamente” alterado.

Para Amir Khair, especialista em contas públicas, o problema é exclusivamente de “capital de giro”. Ele disse que, ao antecipar a arrecadação do imposto, o Estado se apodera de um capital que estaria disponível para o varejo. Khair ressalta que as pequenas varejistas operam com margens apertadas. “A substituição tributária não é uma medida contracíclica contra a crise.”

27/06/2009 - 10:24h Substitução tributária de Serra neutraliza as desonerações do governo federal

Mantega faz críticas a mudanças no ICMS

Para ministro, substituição tributária neutraliza medidas do governo federal

Guido Mantega diz que antecipar cobrança é correto porque evita sonegação, mas que medida não deve ser adotada em meio à crise

Joedson Alves - 16.jun.09/Folha imagem
 

Guido Mantega, da Fazenda; IPI menor pode ser prorrogado

VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que conversará com governadores de Estados que adotam a substituição tributária -antecipação da cobrança do ICMS para o início da cadeia produtiva-, como São Paulo e Rio, e pedirá que revejam esse mecanismo.
O ministro se reuniu com representantes do varejo, entre eles executivos das redes Casas Bahia, Livraria Cultura, Fnac, Wal-Mart e C&C (Casa & Construção), e afirmou que uma das conclusões do encontro foi que a substituição tributária neutraliza as ações do governo federal para desonerar o setor.
“Tecnicamente, a substituição tributária é correta porque diminui a sonegação, mas fazer isso neste momento, durante a crise, e nos produtos que estamos desonerando, é uma contramedida”, disse o ministro.
Embora não gere aumento de imposto, afirmou Mantega, a antecipação da cobrança eleva os custos para os empresários. Mas os varejistas não reduzem suficientemente os preços na mesma proporção, disse o ministro.
“As medidas anunciadas pelo governo são colocadas em prática mas não dão resultado por causa das características da cadeia produtiva”, acrescentou Maria Luiza Trajano, da rede varejista Magazine Luiza.
A executiva contestou, porém, a afirmação de que as redes não repassam os descontos nos impostos aos seus clientes.
Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é melhor empregar recursos públicos em programas de transferência direta de dinheiro aos pobres do que adotar mecanismo de desoneração tributária. Para o presidente, a renúncia fiscal não se traduz em queda de preço ao consumidor.
Trajano afirmou que mostrou números ao ministro que comprovam que os preços caíram para o consumidor com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para itens da linha branca -geladeira, máquina de lavar e fogão.
Segundo a empresária, os varejistas pediram ao ministro a prorrogação da redução do imposto, válida até o dia 17 de julho para itens da linha branca e até terça-feira para veículos.
Mantega destacou que “manterá a colaboração” ao varejo e que, se depender do governo, o setor continuará ampliando as vendas e o número de trabalhadores empregados. Não revelou, entretanto, se a desoneração será renovada.

Aumento das vendas
A executiva do Magazine Luiza disse que as vendas das linhas beneficiadas pela redução do imposto cresceram de 20% a 25%. De acordo com ela, as vendas devem cair em percentuais similares caso a desoneração não seja prorrogada.
Trajano disse também que a redução do IPI para o varejo não foi zerada e que ainda é alta para alguns produtos. “A lavadora de roupas é um bem social, que poupa quatro horas de trabalho para a dona de casa, mas o IPI para o produto passou de 20% para 10%, alíquota que não é tão baixa assim.”

14/06/2009 - 12:15h ENTREVISTA - Abilio Diniz: presidente do Conselho do Pão de Açúcar

”Ganhamos a escala que buscávamos”

 

http://ceospensando.files.wordpress.com/2008/11/vpatr_abilio_diniz3.jpg

Alexandre Calais e Ricardo Grinbaum - O Estado SP

 


O empresário Abilio Diniz tem um plano claro para o Ponto Frio, a segunda maior rede de eletrodomésticos do País, que passou anos à deriva, com trocas de executivos, diferentes visões de negócios e perda de espaço para a líder Casas Bahia. Além de dar nova musculatura à rede, o grupo vai usar o Ponto Frio para reforçar sua bandeira Extra, de hipermercados, categoria vista como decadente em outros países.

A empresa recém-comprada vai se transformar numa gigantesca central de compras não só para o próprio Ponto Frio, mas também para os hipermercados Extra e para a rede de eletrodomésticos do grupo, a Extra Eletro. Do alto dos seus mais de R$ 7 bilhões em receita por ano - somando-se as vendas do Ponto Frio e do Extra Eletro -, o grupo poderá negociar preços melhores com fornecedores aqui ou em outros países.

Mesmo que consiga comprar todas as ações dos acionistas minoritários, Abilio quer manter o Ponto Frio na Bolsa de Valores de São Paulo, para que sua gestão, que será separada, seja fiscalizada pelo mercado financeiro. E, embora a líder Casas Bahia esteja se expandindo para o Nordeste, Abilio quer concentrar o Ponto Frio nas praças onde já atua, a começar por São Paulo.

Entusiasmado com a compra, Abilio, de 72 anos, recebeu a reportagem do Estado na terça-feira de manhã, na imensa sala onde os principais diretores do grupo trabalham, em um ambiente aberto, sem divisórias. Entre um telefonema e outro para governadores e ministros, para comunicá-los pessoalmente da compra, falou sobre seu papel nas negociações, sua relação com o sócio francês Casino e sobre como retomou o prazer pelo trabalho depois que voltou a interferir nas principais decisões do grupo. “Eu já estava cuidando de outras coisas, mas estou mais alegre, focado no negócio de novo”, disse Abilio, que descarta vender sua participação para o Casino, que a partir de 2012 terá mais poder no grupo.

Como será o novo Ponto Frio? Vai ser uma empresa aberta na bolsa?

O Ponto Frio será uma subsidiária integral do Pão de Açúcar, e a nossa intenção é deixá-la como companhia aberta. Estamos fazendo uma oferta de ações, mas mesmo que todos os acionistas vendam, nós vamos mantê-la no mercado. Até para caracterizar um negócio com gestão diferente. Ainda não detalhamos tudo, mas o Ponto Frio vai funcionar como uma central de compras para o grupo. Os hipermercados e o Extra Eletro serão abastecidos pelas compras feitas pelo Ponto Frio, e isso já é busca de sinergias.

Os hipermercados vão continuar vendendo eletroeletrônicos?

Sim, mas vamos ser muito mais fortes buscando todo tipo de sinergia, seja com fornecedores, seja na área de logística e em tudo mais. Nós já temos um “global sourcing” (rede de compras global) importante, do Pão de Açúcar acoplado com Casino, com escritórios em vários países da Ásia.

Por que manter a empresa na bolsa?

É uma garantia para a própria empresa. Fica mais transparente, tem um compromisso com o mercado. Os executivos são vigiados o tempo inteiro. Veja, por exemplo, esse negócio de Petrobrás sendo vigiada por CPI, por política. Ela tem mais é de ser vigiada pelo mercado. É uma companhia que tem dono? Sim, é uma companhia do Estado. Mas também não é uma companhia pública? Então, vamos vigiar por esse lado. Não há vigilância melhor que a do mercado.

A ideia é manter as marcas Ponto Frio e Extra Eletro?

Em princípio, sim. O nosso pessoal de pesquisa de mercado está trabalhando firme nisso, já que não podíamos fazer nada disso antes de efetivar a aquisição. Mas, em princípio, a marca Ponto Frio é muito forte e vai continuar.

Qual é a prioridade: praças que estão pouco ocupadas pelas grandes redes ou investir em São Paulo, por exemplo, onde as Casas Bahia quase não têm concorrentes?

Quando estamos num mercado, gostamos de fortalecer cada vez mais esse mercado antes de buscar novos. É preferível ser forte nos lugares onde você já está, e quando decidir ir para um lugar novo, ir com força. Estamos abrindo em mais um Estado novo, o Tocantins. E o Ponto Frio está nos trazendo mais quatro Estados novos (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso e Espírito Santo). Não vamos, a princípio, abrir em mais nenhum Estado, e sim fortalecer aqueles aonde já estamos. É claro que em São Paulo, a nossa base, nós vamos fazer isso.

Por que a compra do Ponto Frio era tão importante?

Na parte de eletroeletrônicos, nós não tínhamos escala. Com mais ou menos R$ 2,5 bilhões em vendas por ano dentro do grupo, éramos menores que o Magazine Luiza, menores que o Ponto Frio e muito menores que as Casas Bahia. Agora, com a aquisição, passamos direto para mais de R$ 7 bilhões. Não sei quanto vende a (Casas) Bahia, porque é uma empresa fechada, mas passa a ser 60% do que é a Bahia, algo desse tipo. Começa a ter uma escala mais respeitável. Daí para frente, ser 60% da Bahia, ser 80% ou ser 110%, não vai mudar nada. Nós já adquirimos a escala necessária.

Como foi a sua atuação na negociação do Ponto Frio?

Como presidente do conselho do grupo, claro que participo das decisões estratégicas, e eu participei dessa aquisição diretamente. Não na linha de frente, não fui a Nova York negociar - embora tenha estado lá para conversar com a Lily (Safra, dona do Ponto Frio). Posso acrescentar para o grupo a minha experiência como empresário. Mas o trabalho é feito pela equipe.

Sua conversa com a Lily Safra foi decisiva na negociação?

Eu acho que foi um detalhe, mas um detalhe importante. Eu conhecia a Lily superficialmente. Nesse dia, a gente se olhou um nos olhos do outro, e acho que isso gera uma certa confiança. Tanto que ela se tornou acionista do Pão de Açúcar. Com direito a um cargo no conselho. Ela tem um cargo e o Carlos Monteverde (filho de Lily) tem um de observador. E estamos muito contentes de eles participarem. É mais uma vigilância, e mais uma garantia para o acionista.

O Ponto Frio vinha tentando se reestruturar há muito tempo, trocou de executivos, tentou ser vendido, nada dava certo. Imagina-se que o grupo vai tentar dar nova escala à rede…

Acho que a diferença que vamos levar para o Ponto Frio é o “management” (gestão). É o conhecimento profundo do negócio. Eu mal conheço os executivos de lá, mas sei que são capazes, Manoel Amorim (presidente do Ponto Frio) é um executivo capaz, mas eu não sei quanto ele teve de autonomia por parte dos acionistas. O que eu acho que vai fazer a diferença? O nosso domínio de TI (tecnologia da informação) e logística.

Como é que o sr. tem atuado no Grupo Pão de Açúcar?

O que aconteceu no Pão de Açúcar nesses últimos anos? Eu precisava profissionalizar o grupo. Não podia ficar mais naquela de: “Ih, mas e o dia em que o Abilio não estiver mais lá?”. Eu tinha de profissionalizar. Por isso, os meus dois filhos, o João Paulo e a Ana Maria, saíram, eu saí da diretoria executiva, e iniciei a profissionalização com o Augusto Cruz, que depois saiu. Fui buscar uma pessoa de fora, o Cassio Casseb. Esses foram cinco anos duríssimos aqui dentro. Eu acho que, depois de a gente penar tanto tempo, acertamos. E não é que acertamos porque fomos buscar o Claudio Galeazzi (que assumiu a presidência executiva do grupo em 2007), mas acertamos porque voltamos às nossas origens. Voltamos a trabalhar de forma integrada, sem disputas internas. Hoje, eu sinto que essa empresa está vivendo, se não o melhor momento dela, um dos melhores momentos da sua vida no que diz respeito à equipe. Hoje, é um time.

Há cinco anos, o grupo francês Casino assumiu metade do grupo, e se especulava que o senhor ia se aposentar. Mas agora o senhor parece estar entusiasmado com o negócio…

Esse início de profissionalização, esses cinco anos foram duríssimos para mim. Não porque eu perdi poder ou espaço, nada disso. É porque eu me obriguei a ficar numa retaguarda, deixando que as coisas acontecessem. Tive de fazer uma grande força para ver coisas erradas acontecendo e dar espaço. Durante um bom tempo, isso me tirou um pouco o prazer de trabalhar. Agora, isso mudou. Quando nomeei o Claudio, disse o seguinte: o que vai mudar de agora em diante? Tudo que acontecer nessa companhia, eu vou estar atento. Se eu concordar, vamos fazer. Se não concordar, eu dou a oportunidade de que as pessoas me convençam que estou errado. Se não me convencerem, eu levo para o conselho. Se a gente não aprovar, não vamos fazer. Isso mudou a minha vida. Saí daquela fase de deixar o cara fazer para aprender com os próprios erros. Passei a participar mais. Eu estou focado nos negócios de novo com essa gente.

Em 2012 vence seu atual contrato com o Casino. É mais fácil imaginar o sr. recomprando ações do Casino ou vendendo mais?

Não sei.

É uma questão em aberto?

Sair, não. Veja, eu me dou muito bem com o Casino - sou membro do board deles, tem épocas até em que eu me dedico muito mais à França que ao Brasil. Não preciso falar em recomprar ou coisa parecida. Mas eu estou mais para ficar, mais para olhar isso aqui, buscar crescer cada vez mais, estou mais para participar mais da direção do negócio, das decisões na França. Se eu continuar como estou hoje, saudável, eu estou mais para trabalhar, para fazer esse negócio crescer, do que para vender.

A ideia de recomprar já circulou no mercado. O sr. já parou para pensar nisso?

Claro que a gente pensa, a gente sempre pensa. Mas, veja, recomprar nem é tão importante, porque, no fundo, o que muda após 2012? O Casino vai ter uma ação a mais que eu na holding. E o que isso quer dizer? Ele vai ter um pouco mais de vetos do que tem hoje. E um pouquinho mais de direitos do que já tem. Hoje, nós temos igualdade, eu e o Casino, e eu tenho o management. Isso é muito importante. Eu sou o presidente do Conselho, os acionistas controladores - eu e o Casino - são obrigados a me eleger. E é o presidente do Conselho quem elege o presidente executivo. Eu sou o elemento de ligação entre o Conselho e o presidente. E, a partir de 2012, eu continuo exatamente assim. A partir de 2012, o Casino vai ter mais vetos e mais direitos do que tem hoje. Mas eu vou continuar tendo o principal, que é o management.

O Pão de Açúcar tinha em caixa R$ 1,7 bilhão, vai desembolsar cerca de R$ 500 milhões com o Ponto Frio, ou seja, continua capitalizado. Quais são os planos para esse capital? Podem vir novas aquisições?

Entendam minha posição: eu tenho 22% (do capital total) desse grupo, e tenho uma responsabilidade com os outros 78% - o Casino e o mercado. Então, temos obrigação aqui dentro de olhar tudo aquilo que aparece do nosso setor, do nosso ramo. Não posso dizer que vamos fazer aquisições, mas também não posso dizer que não vamos. Porque isso depende muito de oportunidade.

Qual foi a sua sensação ao acordar hoje novamente como o maior varejista do Brasil?

Ah, olha, esse tipo de coisa não me pega. Acordei hoje como eu acordo todos os dias, às 5h30 da manhã, fui fazer meu esporte, fui dar um beijo na minha filha, fui tomar café com a minha mulher. Cara, olha para mim: na minha idade, tenho um filho que vai nascer em novembro, uma filha de três anos… Você acha que eu vou querer, daqui a uns dez, 15 anos, buscar os meus filhos na escola e todo mundo dizer: “Ah, quem é aquele velhinho ali com a Rafaela e o Miguel?” Então, tenho de ficar esperto… É isso, a vida não muda nada, continua assim.

Quem é:
Abilio Diniz

É presidente do Conselho do Pão de Açúcar desde 2003. Divide o controle do grupo com o francês Casino, com 50% do capital votante para cada

Foi um dos fundadores da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e membro do Conselho Monetário Nacional (CMN)

É bacharel em Administração de Empresas pela FGV

SAÍDA: “Se eu continuar saudável, estou mais para fazer esse negócio crescer que para vender (as ações)”{TEXT}

CAPITAL ABERTO: “Manter o Ponto Frio na Bolsa de Valores será uma garantia para a própria empresa”

GESTÃO: “Saí da fase de deixar o cara errar para aprender com os próprios erros. Passei a participar mais”

08/06/2009 - 11:12h ”Butiques de planejamento” buscam mudança de conceitos

Pequenos escritórios focados em inovação ganham espaço na área de marketing das empresas

 

Marili Ribeiro - O Estado SP

 


Para entender um tipo de prestação de serviço que ganha espaço na área de marketing das empresas - oferecido por espécies de “butiques de planejamento”, contratadas por projeto -, é preciso aceitar que cresce a necessidade de novas ideias sob medida para fazer as mensagens publicitárias chegarem ao consumidor. É uma situação provocada principalmente pelo excesso de informações e conteúdos da era digital.

Se, por um lado, as estruturas conhecidas das agências de propaganda tendem a oferecer pacotes que envolvam os anunciantes em várias atividades de suas redes de serviços, por outro, os pequenos escritórios focados em inovação, com operação enxuta, abrem espaço propondo ações exclusivas.

“Há bem pouco tempo, tudo era diferente no mundo das marcas. O ritmo era mais lento na vida do consumidor e ele era apenas um receptor de mensagens. Trabalhar com marcas era mais simples: a gente estudava o ?target?, entendia quais necessidades poderia preencher e criava uma estratégia de posicionamento, benefícios e valores que iria durar por um período e dar origem a uma campanha publicitária nos meios tradicionais”, diz a publicitária Mariane Maciel, da equipe da agência CO.R, criada nesses novos padrões pela profissional da área de planejamento Rita Almeida.

A CO.R não faz anúncios, eventos ou qualquer outra peça de comunicação tradicional. Desenvolve propostas a partir do cruzamento de informações levantadas em pesquisas e estudos do universo do cliente, sugerindo um caminho inovador.

A trilha escolhida por Rita para vender seu trabalho não difere da opção apresentada ao mercado por outras duas planejadoras com mais de 20 anos de estrada, Denise Bayeux e Cecília Novaes. Ao começarem a empresa Arte da Marca, resolveram oferecer projetos personalizados de pesquisa e arquitetura de marca. “Percebemos que havia demanda para interpretar o negócio do cliente e achar necessidades que pudessem inspirar suas campanhas de comunicação com o mercado”, diz Cecília.

Um exemplo que ela gosta de contar sobre a atividade de planejamento, que ganhou relevância dentro das agências há pouco mais de dez anos, é o trabalho do qual participou para tornar a marca de amaciante de roupas Mon Bijoux uma concorrente efetiva da líder Comfort.

“As pesquisas indicavam que os atributos de produto eram iguais entre ambos, mas o Comfort oferecia uma promessa de maciez que impregnou o inconsciente do consumidor”, lembra Cecília. “Durante o processo de avaliação, levantamos que o perfume era um canal inexplorado na categoria. Partimos então para uma campanha cujo jingle pegou: me aperta, me cheira, me chama de Mon Bijoux. A disputa das marcas se equilibrou, o que parecia impossível.”

Com o consumidor sendo bombardeado por propostas em diferentes meios e que se renovam em um ritmo acelerado, surgiu uma nova demanda para os profissionais que se dedicam à gestão de marcas. “É preciso construir uma estratégia, mas logo em seguida atualizá-la, reformá-la e, às vezes, desconstruí-la para inovar em seguida. Para falar a verdade, todo mundo ainda está aprendendo a operar assim”, diz Mariane, da CO.R.

A dona da empresa Rita, que passou por agências renomadas como AlmapBBDO, Loducca e Talent, enxergou a oportunidade de negócio e, em dois anos de existência, a CO.R já realizou 60 projetos. “A proposta é partir do zero para poder renovar os conceitos existentes e a forma com que a empresa se relacionar com os seus consumidores”, diz Rita.

Foi assim que surgiram projetos como, por exemplo, achar a melhor forma de processar a transição da marca de telefonia BrT para a Oi, nas regiões Sul e Centro-Oeste. Depois de dois meses viajando pelas áreas onde a mudança de marca se daria, a CO.R levantou os valores que precisariam ser mantidos, assim como detectou as cinco cidades que, pela forte influência que exercem, poderiam abrir as portas de toda a região para a marca Oi, que comprou a BrT.

FRASES

Rita Almeida
Dona da CO.R

“A proposta é partir do zero para poder renovar os conceitos existentes e a forma com que a empresa se relaciona com seus consumidores”

Cecília Almeida
Sócia da Arte da Marca

“Percebemos que havia demanda para interpretar o negócio do cliente e achar necessidades que pudessem inspirar suas campanhas de comunicação”

08/06/2009 - 10:15h ”Vamos sair mais fortes da crise”

CENÁRIO: “Os fundamentos (econômicos) do Brasil são muito
positivos, o que ajuda muito”

AÇÃO: “Quem investe consegue capturar mais benefícios em um
momento de crise”

http://www.thokomala.org.za/Images/about/Board/Kees.jpg

Kees Kruythoff: Presidente da Unilever Brasil; Executivo afirma que a turbulência global não vai atrapalhar a meta de tornar o Brasil a segunda maior operação da Unilever

 

Marianna Aragão e Alexandre Calais - O Estado SP

 


Há pouco mais de um ano e meio no Brasil, o holandês Kees Kruythoff, de 40 anos, presidente da Unilever Brasil, tem plena convicção de que terá sucesso no enorme desafio que criou para a filial brasileira. Pego de surpresa pela crise global, que estourou apenas alguns meses depois de iniciar sua gestão, o jovem executivo garante que os percalços não vão sequer atrasar sua meta de transformar a operação brasileira na segunda maior do grupo Unilever no mundo até 2012. Com faturamento de R$ 10,2 bilhões em 2008 - 5% mais que no ano anterior -, a operação da Unilever no Brasil é hoje a terceira maior da multinacional, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido. “A crise não mudou em nada nossos planos”, afirma Kruythoff.

Os planos têm nome e sobrenome. O projeto “Unilever Brasil 2012″, planejamento estratégico traçado pela companhia, é a obsessão de Kruythoff e dos diretores da empresa. O objetivo da empresa é ganhar participação de mercado, ampliar o portfólio e ganhar escala de produção. “O ganho de posição no xadrez global da companhia é a consequência”, explica o executivo, que pôs o plano em prática a partir do início deste ano.

As primeiras mudanças, porém, já vêm desde o ano passado. De estilo agressivo e inquieto, Kruythoff provocou uma transformação na cultura da empresa, um mastodonte com 12 fábricas no País e 12 mil empregados. Fez questão de envolver todos os funcionários de nível gerencial na definição das estratégias da empresa. Mas não foi um processo sem turbulência. Nem todos se adaptaram às novas exigências, e cerca de 40% dos 50 diretores deixaram a empresa desde o ano passado. “As pessoas que foram acostumadas à outra cultura foram embora espontaneamente”, diz.

Muitos percalços, no entanto, ainda se apresentam no caminho da Unilever Brasil. Um dos principais é elevar a lucratividade da companhia, ainda baixa, apesar do peso da operação no negócio global. Criar mais produtos de maior valor agregado será uma das saídas para resolver esse quebra-cabeça. Para ganhar escala, o executivo pretende continuar investindo - mesmo com a crise. Em novembro, auge da turbulência financeira mundial, a companhia anunciou investimentos de R$ 85 milhões em uma nova fábrica em Pernambuco. E, em português com forte sotaque, entremeado por frases em inglês, o executivo faz questão de dizer ter plena confiança de que tanto a Unilever quanto o Brasil vão sair mais fortes dessa crise do que estavam quando tudo começou. A seguir, os principais trechos da entrevista:

O sr. assumiu a Unilever Brasil apenas um pouco antes do início da crise global. Como isso impactou sua gestão?

Quando se está atravessando um momento fantástico, é preciso ter um plano, uma estratégia. Mas, quando se está em um momento difícil, ter uma estratégia clara é ainda mais importante. Ter uma estratégia de longo prazo em um momento difícil te dá segurança para tomar decisões mais rapidamente. E essa tem sido a nossa tônica. Além disso, os fundamentos do Brasil são muito positivos, o que ajuda muito. No terceiro trimestre o País já deve voltar a crescer. O câmbio melhorou, o investimento está voltando. O desemprego foi de 7,8% para até 9%, e agora já voltou para 8,8%. O Brasil está relativamente muito forte.

Mas qual foi o impacto da crise no desempenho da empresa nesse período?

A nossa indústria, de bens de consumo, está melhor do que outros setores, como o de construção, automobilístico e de eletrodomésticos da linha branca. Não é uma crise linear. Está muito mais relacionada a operações lastreadas por crédito. Nosso negócio não depende de crédito. E o Brasil tem um mercado doméstico muito forte. Nós anunciamos em novembro, dois meses depois do início da crise, uma nova fábrica em Pernambuco, num investimento de R$ 85 milhões. Já fizemos no primeiro trimestre uma série de lançamentos no mercado e estamos investindo em mídia da mesma maneira. Então, quem está investindo consegue capturar mais benefícios em um momento de crise.

Houve uma mudança de comportamento dos consumidores com a crise? A Unilever percebeu alguma migração para produtos mais baratos, marcas menos conhecidas?

O primeiro pensamento de todos é que, com a crise, todo mundo vai migrar para a marca mais barata. Mas pegue como exemplo as nossas marcas de maionese Hellman?s e Arisco. Desde a crise, o market share da Hellman?s cresceu e o da Arisco, de menor valor, caiu um pouco. Isso é completamente diferente do que ocorre na Europa, onde as marcas próprias do varejo são muito fortes. Aqui, ainda temos a fortaleza das marcas. E os consumidores no Brasil têm uma outra atitude em relação à crise. “Crise? A gente tem crise todos os anos”, é o que se pensa. Essa mentalidade ajuda muito também. E nós da Unilever também fomos ao mercado dizer que o Brasil continua caminhando, porque havia um pouco de medo no mercado. Agora, a gente sente os benefícios dessa atitude. Tenho certeza de que a Unilever e o Brasil vão sair mais fortalecidos dessa crise.

O que mudou na Unilever Brasil após a sua chegada?

Não houve uma reestruturação na empresa. Houve, sim, mudanças. A cultura está mudando incrivelmente. Temos perspectiva de longo prazo, preocupação com satisfação do cliente, cultura de se assumir riscos e tudo isso faz parte da mudança do espírito da organização. Nunca tivemos uma estratégia tão clara, que é fazer acontecer o projeto Unilever 2012. Mesmo se você tiver uma nova ideia fantástica, só vamos executá-la depois de 2013. Agora, estamos inteiramente focados no nosso plano. Ter uma estratégia assim tão clara é algo novo na empresa.

Mas foi necessária uma mudança na diretoria, na equipe de gestão, para se chegar a isso?

Dos nossos oito vice-presidentes, dois se aposentaram recentemente e um terceiro foi promovido. Então, três saíram e quatro entraram, já que um dos cargos foi dividido em dois, e estamos hoje com nove pessoas no board. Num nível abaixo, quase 40% de uma equipe de 50 diretores foi mudada. Mas isso ocorreu naturalmente. Nós somos muito agressivos, e algumas pessoas que estavam acostumadas à outra cultura disseram: “Essa cultura não é minha.” Então, foram embora espontaneamente. Não podemos chamar isso de reestruturação. O que houve foi mudança de cultura.

Apesar de a Unilever Brasil ser a terceira maior operação dentro do grupo Unilever, vocês mesmo admitem que a lucratividade da subsidiária não é proporcional a essa importância. O que está sendo feito para mudar isso?

A primeira medida é investir no crescimento do portfólio. A segunda é valorizar os produtos premium, que trazem mais valor. Nosso programa de inovação está focado nisso. Além disso, temos de montar estratégias específicas para as diferentes regiões, para os diferentes canais de distribuição.

Nesse setor de bens de consumo, o novo eldorado para as empresas é o Nordeste. Todos estão investindo ou planejam investir na região. Como está a Unilever no Nordeste?

O Nordeste cresceu muito rápido no ano passado, e claramente tem uma importância muito grande dentro da nossa estratégia. Temos, por exemplo, uma marca, a Ala (detergente em pó), que só existe no Nordeste. Mas também o Sul tem crescido muito rápido. A realidade das commodities fez com que isso acontecesse. Então também é uma região que tem grande importância dentro da nossa estratégia.

Essa segmentação da estratégia por regiões é uma novidade na Unilever Brasil?

Não é exatamente uma novidade, mas nunca fizemos isso com tanta profundidade, no detalhe do detalhe. Isso facilita a execução.

Como o sr. encara a concorrência?

O Brasil tem um mercado muito atrativo. O nível de concorrência é forte porque as outras multinacionais também têm foco no Brasil. O nível de sofisticação das empresas locais também vai crescer, é normal. A Brasil Foods (união da Sadia com a Perdigão) é um grande exemplo disso. Essas mudanças são boas para o mercado, porque criam mais inovação e mais crescimento do mercado.

Mas, quando se é líder, com é a Unilever em várias categorias de produtos, a empresa acaba virando caça…

Acredito que isso não seja um problema. Temos a escala como uma vantagem competitiva. Podemos criar novos produtos, novos canais e ainda ter muita escala. Somos líderes, mas não temos postura arrogante, de empurrar preços, não inovar. Pelo contrário, a gente adora isso, essa adrenalina de criar, ser mais rápido, mais agressivo. Isso é parte da cultura.

O sr. está no Brasil há um ano e meio. Como vê hoje o País?

Adoro o Brasil. O povo é muito agradável. Essa energia que o País tem vem claramente do povo. Depois, há muitas oportunidades aqui. Muitas pessoas falam que esse é o País do futuro e que sempre vai ser. Eu também acho que é o País do futuro, mas que é agora que vai acontecer. Tenho uma filha brasileira e minha mulher está grávida de novo. A gente vai ter duas meninas brasileiras. A vida aqui é fantástica.

Quem é:
Kees Kruythoff

É formado em Economia pela Erasmus University, de Roterdã

Está na Unilever há 16 anos. Nesse período, passou por países como a China e África do Sul, onde ocupou o cargo de diretor da divisão de alimentos

Assumiu a presidência da subsidiária da Unilever no Brasil em abril do ano passado

CENÁRIO: “Os fundamentos (econômicos) do Brasil são muito
positivos, o que ajuda muito”

AÇÃO: “Quem investe consegue capturar mais benefícios em um
momento de crise”

MUDANÇA: “Quase 40% dos 50 diretores da empresa saíram, mas
isso ocorreu naturalmente”

25/05/2009 - 14:26h Hypermarcas avança entre os anunciantes

A empresa sobe 25 posições no ranking dos maiores

Marili Ribeiro - O Estado SP

daniela1.jpg

Daniela Escobar em publicidade de Hypermarcas

 

Dois anunciantes e três agências de publicidade subiram de posição no ranking da publicação anual Agências & Anunciantes, levantamento feito pelo Grupo M&M, que se dedica à prestação de serviços para o meio publicitário. A Hypermarcas, companhia com um portfólio concentrado em produtos populares, pulou da 32ª posição no total de investimentos em 2007 para a 7ª no ano passado, com mais de R$ 200 milhões aplicados em propaganda.

A ascensão do anunciante Hypermarcas ao grupo dos dez maiores é a alteração mais vistosa do balanço do ano de 2008. Os dados apresentados consideram o levantamento do total de publicidade veiculada por televisão, rádio, jornais e revistas, feito pelo Ibope Monitor, que depois sofrem um expurgo, já que o Agências & Anunciam aplica sobre os números apurados os descontos correntes no mercado de anúncios.

Com isso, a publicação se aproxima mais da real situação vivida pelo setor e chega a registrar até uma diferença da ordem de 60% em relação aos números apurados pelo Ibope, que são aferidos com base nas tabelas oficiais de preços do espaço publicitário dos veículos de comunicação.

Pelas projeções da publicação do Grupo M&M, as agências movimentaram no ano passado R$ 20,5 bilhões em verbas de propaganda, ante R$ 17,5 bilhões no ano anterior. O levantamento lista também as 50 maiores agências de publicidade no ano por faturamento e também os 300 maiores anunciantes por total de investimentos.

Além da Hypermarcas, que segue expandindo a sua verba em marketing, pois fechou este ano contrato com o Corinthians para ter a marca Bozzano (de produtos para barbear) na camisa do timão, a montadora Volkswagen também subiu seis posições no ranking deste ano. Ficou na 9ª colocação, com R$ 198,4 milhões investidos em publicidade em 2008. Dois lançamentos de veículos impulsionaram as campanhas de marketing da Volks, que teve até a cara top model Gisele Bündchen como garota-propaganda, ao lado do ator americano Sylvester Stallone, o eterno personagem Rambo, anunciando o novo Gol.

Na liderança, não houve alterações muito expressivas em relação aos rankings dos últimos anos. A rede de varejo Casas Bahia, da família Klein, manteve a primeira posição, com uma verba estimada de R$ 1,212 bilhão no ano passado.

Entre as agências de propaganda, três entram no time das dez mais: Giovanni + DarftFCB, que ganhou cinco posições e agora está em 7ª lugar; a Borghierh/Lowe, que sai da 13ª para a 9º posição; e a NeogamaBBH, que subiu um degrau, para a 10ª colocação. A liderança segue com a Young & Rubicam, que detém a conta da Casas Bahia, seguida da JWT e da AlmapBBDO.

25/05/2009 - 13:42h Não faltam investidores para a Copa de 2014

copa_brasil_2014.jpg


O valor da cota de patrocínio chega a US$ 80 milhões e há disputa

Marili Ribeiro - O Estado SP

Os patrocinadores da Copa do Mundo de Futebol de 2014 só poderão dar início às suas ações de marketing após o término da Copa de 2010, na África do Sul. Mesmo assim, não faltam candidatos a desembolsar os altos custos da cotas para garantir presença. “Fomos rápidos, pois não queríamos dar chances a nenhum concorrente do nosso segmento se mexer”, afirma Fernando Chacon, diretor executivo de marketing do Itaú-Unibanco, primeira empresa a assinar contrato de patrocinador oficial da Copa de 2014. Ele conta que as negociações começaram em novembro do ano passado. “Conseguimos blindar o acesso do concorrente e garantir nossa presença nessa vitrine inigualável.”

O banco é, até o momento, o único patrocinador oficial do mundial no Brasil - o primeiro em quase 60 anos. Há seis cotas de patrocínio a serem comercializadas, como informa a assessoria do evento, que é organizado pela Federação Internacional de Futebol, a Fifa. Três delas já estão bem encaminhadas.

No mercado do marketing esportivo, comenta-se que pelo menos duas operadoras de telefonia estão no páreo: a Vivo e a Oi. Procuradas, as duas fogem do assunto. Mas o executivo de uma delas admite, extraoficialmente, que os entendimentos estão avançados e só falta os acionistas liberarem as assinaturas dos contratos.

Os valores dos contratos para o Brasil são salgados. As cotas oscilam entre US$ 40 milhões e US$ 80 milhões, dependendo da extensão da participação. Há patrocinadores master, locais e ainda os “global partners”, que são os parceiros de todos os eventos esportivos da Fifa, inclusive a Copa do Brasil. Entre eles estão , por exemplo, grandes marcas, como Adidas, Coca-Cola e Visa.

A presença da global partner Visa, por exemplo, vai restringir a abrangência das ações do Itaú como o banco oficial da Copa de 2014, como reconhece o próprio Chacon. ” Vamos cuidar das operações necessárias à realização do evento no Brasil, como câmbio”, explica ele. “O único impedimento que teremos diz respeito ao uso de cartões de crédito e débito, por causa do patrocinador Visa”. Mesmo com a restrição na extensão do patrocínio, o investimento, cujo valor ele não revela, é, na opinião dele, compensador.

Para o diretor do Itaú, o retorno de imagem que um mundial no Brasil pode trazer é imensurável, dadas às proporções que o evento assume no “país de chuteiras”.

Não é uma visão isolada. O diretor de Marketing da AmBev, Carlos Lisboa, não esconde a euforia pelo fato de a recém-comprada cervejaria americana Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser, ser uma das patrocinadoras da Copa de 2010, o que, por extensão, deverá estender o direito de permanecer também como patrocinadora da Copa de 2014 no Brasil.

“As negociações já estão bem engatilhadas. Tanto que já mandamos uma equipe para a África do Sul para ver quais as ações de ativação de marca que eles estão fazendo lá e avaliar como poderemos replicá-las por aqui”, conta Lisboa.

O fato de os jogos ocorrerem em diferentes cidades ao mesmo tempo - as 12 escolhidas serão anunciadas no fim do mês -, é outro elemento que pode impulsionar as vendas. “Com a mobilização que o futebol promove, a Copa do Mundo no Brasil será como um segundo verão para nós.”

Os números do evento são grandiosos e, por si só, impulsionam os grandes conglomerados a entrar na disputa por uma cota de patrocínio. Na Copa da Alemanha, os jogos foram vistos por 2,6 bilhões de pessoas em 214 países. Só com direitos de transmissão de imagem, a Fifa faturou 2,1 bilhões.

24/05/2009 - 10:20h Dezenas de empresas saem de São Paulo

serra_fusil.jpg

Mudança no ICMS faz atacadista deixar SP

Desde que novo regime foi adotado, receita do setor paulista caiu 50%, em média; empresas saem do Estado para não perder vendas

Atacadistas dizem que pagamento antecipado do imposto encarece produto ao varejista, que prefere comprar de outro Estado

FÁTIMA FERNANDES E CLAUDIA ROLLI - FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A adoção do regime de substituição tributária (pagamento antecipado do ICMS no início da cadeia produtiva) no Estado de São Paulo, há cerca de um ano e meio, resultou na queda de 50%, em média, na receita de atacadistas paulistas e na transferência de dezenas de empresas, principalmente para Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais e Distrito Federal.

O pagamento antecipado do ICMS, dizem os atacadistas, encareceu para os varejistas os produtos dentro do Estado e levou comerciantes paulistas a buscar alimentos, produtos de higiene, beleza e limpeza, medicamentos e autopeças fora do território paulista, onde não há esse sistema de tributação.

O que está acontecendo, segundo os atacadistas, é que, ao comprar produtos em outros Estados, os comerciantes não estão recolhendo, para o Estado de São Paulo (onde estão sediados), a diferença entre as alíquotas do ICMS (em São Paulo é de 18% e, entre Estados, de 12%) e o ICMS correspondente à substituição tributária.

“Se os fiscais da Fazenda paulista estivessem nas estradas que ligam São Paulo a outros Estados, essa situação não estaria ocorrendo, pois os lojistas daqui teriam de recolher a diferença das alíquotas mais a substituição tributária, o que equalizaria a carga fiscal dessa operação interestadual com a que está submetido o fornecedor paulista. Sou defensor da substituição tributária, desde que haja fiscalização”, diz Sandoval de Araujo, presidente da Adasp (Associação de Distribuidores e Atacadistas de Produtos Industrializados do Estado de São Paulo). Pelos cálculos da Adasp, o Estado de São Paulo está perdendo entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão em ICMS por mês por conta da falta de fiscalização nas estradas.
Antes da adoção do regime de substituição tributária, segundo Araujo, o faturamento dos atacadistas paulistas beirava R$ 45 bilhões por ano (preços de varejo). Esse número deve ficar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões neste ano, “se houver fiscalização nas estradas”, segundo cálculos de Araujo.

Como o fornecedor de fora do Estado paga alíquota de 12% ao vender para São Paulo, já havia, segundo os atacadistas, a tendência de os lojistas paulistas procurarem mercadorias fora do Estado. “Só que, com o sistema de substituição tributária, essa vantagem dos fornecedores de fora do Estado ficou ainda maior”, afirma Araújo.

“Essa prática não nasceu com a substituição tributária, mas se intensificou com o novo regime de tributação. Quem quer sonegar corre atrás de alternativas”, afirma Romeu Bueno de Camargo, assessor jurídico da Fecomercio SP.

Emir Arsego, diretor do Destro Macroatacado, diz que só a adoção do regime de substituição tributária em todo o país resolveria o problema do setor. “Micro e pequenos varejistas deixam de comprar dos atacadistas paulistas porque conseguem “economizar” de 6% a 12% no preço final cobrado pelos estabelecimentos de outros Estados que não têm de recolher o ICMS antecipadamente.”

Lá fora

Leandro Martinho Leite, advogado que assessora três entidades de distribuição e atacado de autopeças e rolamentos, diz que, no último ano, cerca de dez empresas do setor estão montando filiais fora do Estado, principalmente em Goiás e no Distrito Federal, para não perderem vendas para São Paulo.

“[Essas empresas] Estão indo para fora [do Estado] para vender mais barato para o varejista daqui, que vai ter a responsabilidade de fazer o recolhimento do imposto”, diz Leite.

O regime de substituição tributária elevou entre 2% e 3% os preços dos produtos, segundo Martinho Paiva Moreira, vice-presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados).

“O fornecedor acabou colocando no preço um “índice de incerteza” porque tem medo de fazer cálculo errado”, diz.

Na avaliação de Melvyn Fox, presidente da Abramat (reúne a indústria de material de construção), o sistema de pagar o ICMS antes funciona bem para setores que têm poucas indústrias e distribuição pulverizada.

Consultores tributários ouvidos pela Folha dizem que há uma contradição na lógica do modelo paulista de substituição tributária. É que o regime foi adotado para evitar a sonegação e a fiscalização no varejo, que é pulverizado. Só que, se o lojista passa a comprar produtos em outros Estados com sistema de substituição tributária, é ele que tem de recolher a diferença de imposto.

19/05/2009 - 15:08h Turismo: receita dos hotéis sobe. “Antes de o ano começar, tínhamos expectativas piores. Foi um primeiro trimestre bom e deve melhorar daqui para frente”

Hotelaria: Diárias cobradas pelas redes aumentaram 10,1%, de R$ 152,6 para R$ 168,1

Ocupação cai, mas hotéis elevam tarifas e receita sobe no trimestre

Roberta Campassi, de São Paulo - VALOR

Os hotéis perderam hóspedes por conta da desaceleração econômica e mesmo assim aumentaram preços e receitas. Soa como um contrassenso, mas foi a estratégia usada pelo setor de hospedagem no primeiro trimestre e dá mostras de ter funcionado.

O movimento de retração da demanda e de elevação dos preços se aplica tanto aos empreendimentos de gestão independente quanto àqueles filiados a redes hoteleiras. Nesse segundo grupo, os hotéis perderam 5,6% dos seus clientes de janeiro a março e a ocupação média dos apartamentos caiu de quase 61% para 57%, em relação a igual período de 2008. Em compensação, as diárias subiram 10,1%, de R$ 152,6 para R$ 168,1. Assim, a receita gerada por cada quarto - vazio ou ocupado - cresceu 3,9%, para R$ 96,5. Os dados são do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) e englobam 309 hotéis filiados a redes e 43 mil apartamentos no total.

No caso dos hotéis independentes - 18 mil no país com um total de 1,1 milhão de quartos, segundo a Abih, associação que representa o segmento -, não há indicadores de desempenho. Mas é possível ter uma ideia da oscilação dos preços com base na inflação medida pelo IPCA. O aumento de preços na categoria hotel foi de 4,35% no primeiro trimestre, bem acima da inflação geral do período de 1,23%.

“Antes de o ano começar, tínhamos expectativas piores. Foi um primeiro trimestre bom e deve melhorar daqui para frente”, afirma Rafael Guaspari, presidente do Fohb. Ele lembra que há diferenças relevantes conforme a categoria ou localização do hotel. Os empreendimentos econômicos, por exemplo, registraram aumentos percentuais de receita maiores do que os hotéis de categoria intermediária ou superior nos três primeiros meses de 2009. Já hotéis localizados em cidades como Rio e Recife tiveram crescimento ao longo de todo o trimestre, enquanto aqueles em praças como Vitória e Belo Horizonte amargaram retração em janeiro e fevereiro, recuperando-se em março.

Ronaldo Albertino, diretor geral da Hotelaria Brasil, administra sete empreendimentos em São Paulo e no Rio de Janeiro e diz ter obtido resultados bastante diferentes nos primeiros meses do ano, conforme a localidade dos hotéis. “Não tem muita coerência ou explicação: em cidades como Macaé e Campinas houve um forte crescimento e em Guarulhos e Osasco, queda acentuada”, diz. “Por enquanto, nenhum dos hotéis superou as metas estabelecidas, mas não é nenhuma desgraça.” Albertino pontua que a comparação entre 2009 e 2008 fica prejudicada porque o ano passado foi “espetacular” e seria de qualquer maneira difícil superá-lo.

Do lado das redes multinacionais presentes no Brasil, a avaliação é que as operações brasileiras estão reagindo melhor do que em outros países. Sebastián Escarrer, vice-chairman do grupo espanhol Sol Meliá, afirma que os hotéis administrados pela empresa no país estão sendo menos afetados. Já Ed Fuller, presidente da americana Marriott, diz que os hotéis brasileiros estão sendo beneficiados porque têm boa localização e “porque o turismo de negócios está ainda indo bem mesmo na crise”.

Se as redes, responsáveis pela administração dos hotéis, não reclamam, o que dizem os investidores que têm cotas nesses empreendimentos? “A crise retardou um pouco o processo de aumento das diárias e da ocupação dos hotéis, mas o setor continua se recuperando”, diz Guilherme Cesari, que gerencia o fundo Hotel Max Invest, com uma carteira de 585 “flats” em 50 hotéis na capital paulista.

Cesari afirma que, no primeiro trimestre como um todo, a renda obtida por apartamento foi apenas 2% superior à registrada no mesmo período de 2008. “Mas, se isolarmos o mês de março, o aumento foi de 10,3%”, diz. A projeção de Cesari é que a renda por apartamento mantenha-se em crescimento e, em 2009, acumule uma alta total de 10%.

É uma elevação bem menor do que a obtida em 2008, de 36%, ou em 2007, de 33%. Mas isso não quer dizer que o investimento nos “flats” deixou de ser atraente. “As diárias numa cidade como São Paulo ainda estão muito defasadas em relação a outras cidades brasileiras e internacionais. Elas devem continuar em crescimento e as taxas de ocupação permanecem altas, em torno de 70%”, afirma.

Guaspari, do Fohb, afirma que o principal impacto da crise se deu até agora sobre o volume de eventos realizados nos hotéis. “A queda foi de 20% a 30%”, diz o executivo.

No entanto, para a empresa Banco de Eventos, uma das maiores do setor, o primeiro trimestre não trouxe queda e sim um aumento pequeno nas vendas - 1,2%, para R$ 25,1 milhões. Segundo Andrea Galasso, diretora geral da companhia, 2009 já apresenta o segundo melhor desempenho dos últimos quatro anos. Mas no topo do ranking está 2008. “O ano passado foi totalmente fora da curva em termos de crescimento e acho que o que estamos vivendo hoje é, na verdade, o normal”, diz. (Colaborou Vanessa Jurgenfeld, de Florianópolis)

Accor prevê repetir desempenho de 2008 e mantém investimentos

Vanessa Jurgenfeld, de Florianópolis - VALOR

Marisa Cauduro/Valor

Bonadona, da Accor: foco está na bandeira Ibis, do segmento econômico

O presidente da Accor Hospitality na América Latina, Roland de Bonadona, tem feito revisões mensais das suas projeções para o ano. Com o cenário instável em função da crise econômica mundial, a cada mês traça as metas para os próximos três meses. Por enquanto, a previsão mais recente para o Brasil, principal mercado do grupo na América Latina, com 144 hotéis, é praticamente empatar o desempenho deste ano em relação ao do ano passado. “É o que podemos dizer, considerando o resultado dos quatro primeiros meses”, afirmou o executivo. No quadrimestre, o faturamento da rede cresceu 1% sobre igual período de 2008.

Há poucos meses, a rede esperava crescer entre 3% e 4% no país em 2009 e antes do estou da crise, em setembro, a previsão batia nos 10%. “(Antes) Os economistas previam 2% de crescimento do Brasil. Hoje, os mesmos economistas falam em taxas negativas de 1% ou 2%, e a nossa atividade é completamente atrelada à atividade econômica do país”, justificou Bonadona. “Empatar o resultado com 2008 já vai ser muito bom, considerando a situação de mercado”, afirmou.

Segundo Bonadona, o principal reflexo da retração econômica foi a redução de demanda nas bandeiras quatro estrelas grupo, como Novotel e Mercure. Por outro lado, as bandeiras mais econômicas, como Ibis e Formule 1, tiveram aumento de ocupação. “As empresas estão cortando despesas de viagens, reuniões e estadia. Isso afeta todo o mercado de turismo de negócios, mas afeta muito mais a hotelaria de cinco ou quatro estrelas do que a econômica. Muitas empresas reduziram as categorias utilizadas, migrando do quatro estrelas para hotéis três estrelas.”

Mesmo com a revisão para baixo das projeções, a Accor não alterou seus projetos para 2009. Serão abertos oito novos hotéis, totalizando R$ 110 milhões em investimentos. No ano passado, a rede abriu nove hotéis no Brasil. O executivo diz que um hotel a menos não significa menos apetite, mas é consequência de atrasos no cronograma de obras e em parte algum efeito da crise. Mas ressalta que logo no primeiro trimestre de 2010, contudo, já haverá abertura de 3 a 4 novos hotéis No total, segundo ele, serão pelo menos 20 novos hotéis no Brasil em 2010.

O principal foco do grupo é a marca Ibis. Dentre os novos hotéis previstos para 2009, metade será Ibis. O motivo, segundo ele, é a demanda maior nessa faixa de preço e a consolidação de uma aposta feita pelo grupo no fim dos anos 90, quando criou a bandeira, que hoje tem 47 unidades no país. “Temos liderança, expertise e marca. Hoje está todo mundo interessado em seguir nosso exemplo, então o que estamos fazendo é acelerar para não perder a liderança.”

Segundo ele, apesar do aperto do crédito em geral e das dificuldades de obtenção de capital, a maior parte dos projetos está ancorada em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e segue em andamento.

Dentre os mercados prioritários para as aberturas de novos empreendimentos no Brasil, ele citou a cidade de São Paulo, as cidades do Rio de Janeiro e Macaé (pela pujança do petróleo) e Belo Horizonte. “Salvador e o Nordeste (como um todo) são mercados que estão perdendo um pouco de espaço. Não estamos sentindo tanta força nesses Estados como já sentimos”, afirmou.

Segundo Bonadona, 2008 foi um ótimo ano para a rede, com crescimento de 25% em relação a 2007, que já tinha sido bom em faturamento. O Brasil é o mais importante mercado do grupo na América Latina e representou 85% do faturamento na região, que foi de R$ 958 milhões em 2008.

19/05/2009 - 12:07h Conjuntura: Empresas que atendem ao mercado interno avaliam que o pior momento da crise econômica passou


Retomada já começou, mas exige atenção


Davilym Dourado/valor

Empresários reunidos na cerimônia de premiação do Executivo de Valor 2009: planos são de crescimento, apesar dos efeitos da crise sobre a economia local

De São Paulo - VALOR

O mercado interno e as políticas anticíclicas adotadas pelo governo ajudaram um conjunto de empresas a navegar com menos turbulência nos primeiros meses de 2009. Quanto mais ligada à demanda doméstica, menos a empresa sentiu a crise, segundo relato de empresários que ontem receberam o prêmio Executivo de Valor 2009, em solenidade no bufê Rosa Rosarum. O amargo final de 2008, informam estes executivos, ficou para trás, mas o momento ainda exige controle de custos, monitoramento de oportunidades, reavaliação de investimentos, e percepção da real demanda do consumidor. E por enquanto, reforçam, só a China ajuda as exportações.

A Positivo Informática, maior fabricante nacional de computadores, é um exemplo da recuperação dos setores ligados ao consumo. A empresa vai retomar hoje o terceiro turno em sua fábrica de Curitiba, interrompido desde o agravamento da crise econômica, que derrubou as vendas de PCs. Para o presidente da empresa, Hélio Rotenberg, já existem alguns sinais de recuperação na demanda por computadores. “Estamos mais otimistas que no fim de 2008″, disse ele. Segundo Rotenberg, licitações do governo ajudaram a compensar a queda nas vendas de PCs para pessoas físicas.

Outras empresas que creditam os bons resultados ao mercado interno e às políticas públicas são WEG, Fiat e Gafisa. Na área de motores para uso doméstico da WEG, a produção está acima do volume do ano passado por conta da redução de Imposto sobre Produtos Importados (IPI), conta Harry Schmelzer Junior, presidente da empresa, que separa os desempenhos neste ano pelos setores em que atua. Na área de equipamentos industriais, o volume de produção, tanto no Brasil quanto no exterior, teve uma queda importante em relação ao ano passado. Em energia, a empresa tem uma boa carteira, mas o ritmo dos novos pedidos está menor que o de 2008.

Os pontos de venda do Magazine Luiza também responderam bem à diminuição, na linha branca, do IPI. As vendas aumentaram cerca de 25% depois da medida do governo, conta a presidente da empresa, Luiza Helena Trajano

A WEG, diz Schmelzer Junior, sempre investiu muito em capacidade fabril e com muita velocidade para sustentar seu crescimento acelerado. Agora, com a retração da economia mundial, a companhia pode “tirar o pé do acelerador e reduzir a velocidade de implantação das novas fábricas”. Na Índia e no México os projetos foram retardados em alguns meses.

Cledorvino Belini, da Fiat, informa que a empresa está hoje “próxima do patamar médio de produção do ano passado” - média de 2.900 veículos/dia, hoje. “Felizmente, a recuperação do mercado interno tem mantido bons índices de ocupação da indústria, embora insuficiente para compensar a queda dos volumes de produção para as exportações”, acrescenta.

Na Alpargatas , o crescimento do primeiro trimestre foi de 5% sobre igual período de 2008, conta o presidente Márcio Utsch. “A empresa está crescendo, o elástico esticou”, diz. E os investimentos não pararam. “Mas, prevendo a crise, no final do ano passado, fizemos uma readequação da estratégia. Decidimos focar o direcionamento dos recursos em redução de custos, tecnologia e internacionalização da empresa”, resume Utsch.

A crise também não impedirá que a Gafisa cresça em 2009. Segundo cálculos da empresa, as vendas consolidadas devem ficar entre R$ 2,7 bilhões e R$ 3,2 bilhões este ano, contra R$ 2,6 bilhões em 2008. No primeiro trimestre do ano as vendas cresceram 11% - foram R$ 558 milhões, 46% no segmento de baixa renda, muito acima do peso de 10% alcançado nos três primeiros meses de 2008. “Se não tivéssemos diversificado nossa atuação, teríamos queda neste primeiro trimestre”, diz Wilson Amaral, presidente da Gafisa.

A Mapfre, companhia de seguros, é outra companhia que está operando em um patamar melhor do que o do final do ano passado. “Estamos crescendo mais do que o mercado, inclusive conquistando market-share. Nosso faturamento cresceu 22,6% nos primeiros quatro meses do ano em relação ao ano passado e 4,2% em relação ao fim do ano passado”, conta o presidente da empresa, Antonio Carlos dos Santos. Por conta dos bons resultados, os investimento foram mantidos, porém com uma política de controle a curto prazo para liberação de verbas bimestrais.

O presidente da Cargill, Marcelo Martins, diz que os negócios em 2009, “seguem bem” quando comparados a 2008, mas admite que suas diversas linhas de produtos são afetadas de forma distinta pelo cenário econômico. Na Natura, diz Alessadro Carlucci, não ocorreu nenhuma queda de vendas neste início de ano. Para o presidente da Nestlé no Brasil, Ivan Zurita, o mercado está mais “sincerizado”. O neologismo indica, na visão do executivo, um mercado “muito mais real, mais pé no chão”, e pronto para identificar o real potencial de crescimento em cada setor.

Mesmo indiretamente, as medidas de redução de IPI ajudaram o setor de aço, diz Benjamin Steinbruch, da CSN. Com a crise mundial, muitos projetos foram suspensos e a produção cortada. Agora, ele prevê que as vendas da CSN cresçam 50% de abril a junho sobre o primeiro trimestre. As medidas de desoneração tiveram efeito em setores, como o automotivo e a habitação. “Tivemos um baque forte no fim do ano e no primeiro trimestre, mas agora vemos pequenas melhoras mês a mês”. Mas o setor segue fraco, diz ele.

A principal resposta da rede de hotéis quatro estrelas Blue Tree para a crise será dada no final de junho: a inauguração do primeiro hotel da bandeira Spotlight, que marca a entrada da rede no segmento econômico. Serão cinco unidades em 18 meses, um total de R$ 120 milhões de investimento. “Estamos testemunhando a velha e conhecida frase ‘a crise também é oportunidade’”, diz Chieko Aoki, presidente do conselho de administração da rede Blue Tree Hotels, dona de 23 unidades no Brasil, duas na Argentina e duas no Chile.

O setor de saúde ainda não foi fortemente afetado pela crise, segundo Mauro Figueiredo, presidente do grupo Fleury. Segundo ele, porém, caso a crise se prolongue, será difícil não sentir impactos. O grupo adequou seu planejamento orçamentário para um ambiente de menor crescimento. Em 2008, o faturamento do Fleury cresceu 21,5%. “Estamos atentos aos movimentos de mercado para eventuais ajustes, sejam esses para retomada do crescimento, sejam para eventual retração”, diz.

A crise afetou o consumo de energia das indústrias e consequentemente as vendas da Eletropaulo no primeiro trimestre deste ano, que ficaram estáveis em relação ao ano passado. A redução de 13,5% do consumo industrial foi compensada pelo crescimento dos segmentos residencial (2,4%) e comercial (4,2%). “É um reflexo da crise. Para o ano, porém, temos a expectativa de crescimento de consumo total entre 1,7% e 2,0%”, diz o presidente do grupo AES Brasil, Britaldo Soares. Com essa previsão, o grupo manteve o plano de investir 15% mais do que em 2008.

Bernardo Hees, diretor-presidente da ALL, conta que, no primeiro trimestre, o volume movimentado subiu mais de 10% no Brasil . “Pretendemos crescer de 10 a 12% em volume no Brasil e estamos contratando 300 colaboradores, entre maquinistas, operadores e técnicos”, informou.

A Votorantim Celulose e Papel (VCP), segundo seu diretor-presidente, José Luciano Penido, vendeu um volume recorde de celulose no primeiro trimestre. Foram 349 mil toneladas - 14% acima do primeiro trimestre de 2008 e 17% acima do último trimestre do ano passado. Parte deste incremento decorreu do início de operação do projeto Horizonte, em Três Lagoas (MS), no fim de março, cujo investimento foi mantido.

De acordo com Bernardo Gradin, da Braskem, as condições já estão melhores do que estavam no início do ano. “Em março atingimos plena carga”, disse. Segundo ele, a empresa se mantém competitiva na exportação e ainda aproveita o bom momento dos setores dependentes do varejo, como embalagens, higiene e alimentos.

A demanda, aos poucos, começa a se normalizar, mas ainda será de forma bem devagar até o fim do ano”, avalia o presidente da Vale, Roger Agnelli. No primeiro trimestre, a queda de produção da empresa foi de 37%. “Mas enquanto a Europa está a 10 graus negativos, a China está com temperatura elevada, na casa de 40 graus positivos”, afirmou. Sobre os investimentos, Agnelli disse que está revendo o valor, de US$ 14 bilhões em setembro, para menos de US$ 10 bilhões por conta da desvalorização real e também por conta de possível não liberação das licenças ambientais em alguns projetos no Brasil.

A diversidade de setores atendidos pela Totvs ajudou a companhia, que desenvolve softwares de gestão, a driblar a crise econômica. “Como temos clientes em vários setores, conseguimos mirar esforços em segmentos diferentes. A crise não atinge todos ao mesmo tempo”, disse o presidente da companhia, Laércio Consentino.

18/05/2009 - 08:41h Corte de IPI reanima mercado de trabalho

Acordo de redução de jornada e salário é suspenso antes do prazo

 

http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/12/174_86-montadora.jpg

Márcia De Chiara - O Estado SP

 


Cerca de 20% dos acordos de redução de jornada e salário fechados no início do ano entre empresas e sindicatos para evitar demissões foram suspensos antes do fim do prazo de vigência previsto, apontam dados dos sindicatos dos metalúrgicos de São Paulo e do ABC paulista. A área de atuação dos dois sindicatos concentra o maior número de montadoras e fabricantes de autopeças do País, setor que foi beneficiado pela isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para estimular o consumo.

Dos 27 acordos fechados entre o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e empresas desde janeiro, seis foram revogados antes do prazo estipulado. No caso do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dos 44 acordos fechados, nove foram suspensos antecipadamente, informa a entidade.

A Valeo Sistemas Automotivos, por exemplo, fabricante de faróis e lanternas para a indústria automobilística, suspendeu em abril o acordo que deveria expirar só em maio. “Sentimos uma recuperação do mercado, que está voltando à condição normal”, diz o diretor de Recursos Humanos da Valeo Iluminação, Francisco Cuesta. Ele lembra que a empresa foi a primeira a fechar um acerto nesses termos na capital paulista.

Pelo acordo fechado em janeiro, os 800 trabalhadores da empresa teriam a jornada e o salário reduzidos em 15% até maio. Sem o acordo, a empresa teria demitido 200 funcionários. Mas, já em abril, a companhia voltou a trabalhar em ritmo normal.

Segundo Cuesta, o corte no IPI para os carros foi o fator fundamental para reanimar as vendas. “Queremos acreditar que a redução de IPI vá até o final do ano.”

Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, não acredita que o benefício fiscal seja prorrogado. “O mercado está se movimentando e a fase do pânico foi superada”, diz o sindicalista.

Na opinião de Torres, muitas empresas do setor metalúrgico se assustaram com a queda nas vendas no fim de 2008 e fizeram acordos preventivos em janeiro. Agora a situação está voltando ao ritmo normal no setor automobilístico. O problema hoje, diz ele, está no setor de bens de capital, que tem 40% de ociosidade nas fábricas e registra queda de 50% nas vendas. “A questão agora é acertar esse setor.”

Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, acrescenta mais dois setores problemáticos: o de caminhões e de ônibus, que são produtos ligados à exportação. Assim como Torres, Nobre não acredita na prorrogação do prazo para o benefício do IPI. “O IPI cumpriu um papel importante na recuperação do mercado interno.”

Para ele, a retirada do benefício para os carros, que expira em junho, deveria ser gradual para não provocar uma brusca elevação nos preços e o travamento no mercado de automóveis.

17/05/2009 - 11:56h Empresas voltam a captar no exterior

Companhias brasileiras já levantaram este ano mais de US$ 3 bi; movimento deve ampliar oferta de crédito no País

http://www.adn.es/clipping/ADNIMA20081030_0117/4.jpg

Leandro Modé - O Estado SP

O otimismo que contagiou os investidores estrangeiros nas últimas semanas, responsável por grande parte da recente valorização do real e do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), começa a se espalhar para outros mercados. Um deles é o de dívida corporativa.

Depois de enfrentarem enormes dificuldades para obter crédito entre setembro e dezembro do ano passado, empresas brasileiras voltam, aos poucos, a vender bônus no exterior.

Há ao menos dois pontos importantes nesse movimento. O primeiro deles é a confirmação da percepção externa positiva sobre o Brasil, uma vez que companhias brasileiras têm conseguido condições de financiamento melhores do que suas pares de países como Rússia e México. O segundo ponto é o efeito que essas captações podem ter sobre o crédito doméstico.

No auge da crise internacional, o mercado global de capitais ficou paralisado. Com isso, empresas brasileiras que costumavam tomar dinheiro emprestado lá fora tiveram de recorrer a bancos nacionais, prejudicando outros tomadores, como as pessoas físicas. Um caso exemplar foi o da Petrobrás, que em novembro precisou de um empréstimo de emergência de R$ 2 bilhões e acabou no guichê da Caixa Econômica Federal - tipo de operação incomum no País.

“A crise levou os bancos no mercado internacional a retraírem suas operações de crédito. Com isso, houve um congestionamento, uma redução da capacidade de o sistema financeiro atender a todos”, disse ao Estado, em outubro, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fabio Barbosa.

A entidade estima que o capital externo responda por cerca de 20% do total de crédito no País. “Uma melhora no exterior vai se refletir positivamente na oferta de financiamentos”, diz o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg.

Entre janeiro e meados de maio, as empresas captaram lá fora pouco mais de US$ 3 bilhões. Para se ter uma ideia, em todo o segundo semestre de 2008, essas operações totalizaram pouco mais de US$ 500 milhões. O governo também aproveitou a oportunidade e já levantou US$ 1,75 bilhão neste ano.

Segundo profissionais do mercado financeiro, há várias outras captações no radar. O Estado apurou que a Eletrobrás já contratou até banco para comandar uma emissão. Petrobrás, Vale e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também estão analisando opções.

“Os bancos percebem as melhores condições e vão atrás das empresas, que, por sua vez, estão desengavetando projetos de emissão”, diz o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Alberto Kiraly.

Quem reabriu o mercado para as emissões brasileiras no exterior foi o Tesouro, que em janeiro captou US$ 1,25 bilhão. Em fevereiro, a Petrobrás obteve US$ 1,5 bilhão. Em março, os investidores se retraíram e não houve emissão brasileira.

Abril foi o mês mais forte da retomada até agora: a Odebrecht fez uma operação de US$ 200 milhões, a Telemar, de US$ 750 milhões, e a JBS-Friboi, de US$ 700 milhões. Em maio, o Tesouro voltou ao mercado e levantou US$ 750 milhões. Segundo o governo, a demanda foi muito superior à oferta.

A Odebrecht também percebeu uma procura bastante superior ao que foi oferecido. “Poderíamos ter captado mais do que os US$ 200 milhões”, conta o diretor financeiro da companhia, Paulo Cesena.

Líderes da emissão da Odebrecht, Santander e o Itaú BBA dizem que vem mais por aí. “As empresas estão olhando o mercado com atenção. Vai ter muita coisa”, afirma o diretor de Operações Estruturadas do Santander, Jean Pierre Dupui. “Estamos assistindo ao renascimento desse mercado”, diz Douglas Chen, vice-presidente sênior da Itaú Securities.

FRASES

Rubens Sardenberg
Economista da Febraban

“Uma melhora no exterior vai se refletir positivamente na oferta de financiamentos (no Brasil)”

Jean Pierre Dupui
Diretor do Santander

“As empresas estão olhando o mercado com atenção. Vai ter muita coisa”

Douglas Chen
Vice-presidente da Itaú Securities

“Estamos assistindo ao renascimento desse mercado”

06/05/2009 - 09:45h Brasileira é a quarta mais admirada

petrobras
Petrobrás passou do vigéssimo para o quarto lugar no ranking mundial das empresas mais admiradas. Lula e Sérgio Gabrielli, presidente da estatal brasileira, podem festejar à vontade
http://www.portaldoservidor.pr.gov.br/arquivos/Image/LulaPreSal.jpg

Do Rio - VALOR

A Petrobras galgou de vigésimo para quarto lugar entre as empresas mais admiradas do mundo entre 200 listadas no ranking do Reputation Institute. A pesquisa, realizada em 32 países, foi divulgada à meia-noite de ontem no site da revista “Forbes”. A primeira colocada foi a italiana Ferrero, da área de alimentação, seguida pela sueca Ikea e a americana Johnson & Johnson.

Este é o quarto ano consecutivo que o levantamento é realizado. Todas as empresas são avaliadas dentro de seu próprio país entre pessoas de todas as classes. Com base nas respostas é calculada uma média de pontos relativos a produtos e serviços, inovação, ambiente de trabalho, governança, cidadania, liderança, desempenho financeiro, entre outros itens.

A brasileira Sadia ficou em quarto lugar, logo após a Petrobras, no ranking mundial apesar dos problemas que vem enfrentando e as dificuldades financeiras criadas por arriscados contratos de derivativos. Segundo uma das responsáveis pela pesquisa, a professora Ana Luisa Almeida, diretora do Reputation Institute do Brasil, mesmo o público tendo conhecimento dos problemas da Sadia a confiabilidade de seus produtos permanece, o que pesou na avaliação.

Outras brasileiras também estão entre as 200 mais bem avaliadas: a Votorantim (20ª), a Vale (28ª), Gerdau (63ª), Usiminas (84ª), Pão de Açúcar (113ª), Banco do Brasil (124ª), CSN (180ª) e Embraer (197ª).

Mas, segundo Ana Luisa, a pesquisa mostra que marcas fortes podem não ser tão bem avaliadas. Entre os exemplos estão a Coca Cola e a Microsoft que receberam a 79ª e 32ª posição respectivamente. “Grandes multinacionais já não tem identidade nacional muito forte, em especial nos Estados Unidos, diferentemente de países emergentes como o Brasil, onde há um uma relação de grande afetividade como, por exemplo, com a estatal Petrobras. (HM)

07/04/2009 - 10:40h Fundo Soberano cresce e causa disputa

http://oglobo.globo.com/fotos/2008/01/03/03_MHG_ministrobernardo.jpg
“São mil e uma utilidades”, brinca o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo falando do Fundo Soberano

Lu Aiko Otta - O Estado SP

O Fundo Soberano do Brasil (FSB) encerrou o mês de março com um saldo em carteira de R$ 15,1 bilhões, segundo dados publicados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esse valor deverá constar de um relatório a ser enviado ao Congresso Nacional nos próximos dias, na primeira prestação de contas trimestral desde que o Fundo foi criado, em 24 de dezembro passado. A cifra vai acirrar as pressões políticas para usar o dinheiro. Originalmente, o valor do FSB era de R$ 14,2 bilhões.

Pressionados pela queda da arrecadação em decorrência da crise, governadores, prefeitos e o governo federal encaram o Fundo Soberano como uma espécie de panaceia. Já se cogitou usar o dinheiro para financiar empresas brasileiras no exterior, para compensar um desempenho mais fraco das contas federais e engordar o chamado superávit primário (economia de recursos para pagamento da dívida), para bancar parte do programa Minha Casa, Minha Vida e até para socorrer as prefeituras que sofrem com a queda do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). “São mil e uma utilidades”, brinca o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Há, porém, limites para a criatividade. Segundo Bernardo, a ideia de financiar empresas brasileiras, permitida pela lei que criou o FSB, está praticamente descartada, pelo menos neste ano. A avaliação vai ao encontro da de outros membros da equipe econômica, para quem as empresas estão razoavelmente bem atendidas com as linhas de crédito existentes. Por ironia, a oposição, que tentou derrubar o FSB no Supremo e depois criou amarras para seu uso, defende agora sua utilização.

O uso do dinheiro para pagar parte dos R$ 16 bilhões em subsídios previstos no programa habitacional federal tampouco está decidido. Há dúvida se a despesa seria classificada ou não como um gasto de caráter permanente e continuado. A lei que criou o fundo proíbe que ele financie gastos desse tipo.

Em contrapartida, o governo tem carência de recursos para investir, diante do fraco desempenho da arrecadação este ano. A previsão é que o recolhimento de tributos fique R$ 48 bilhões abaixo do previsto no Orçamento. O quadro adverso levou o governo a bloquear R$ 21,2 bilhões em despesas e separar outros R$ 3,7 bilhões para formar uma reserva técnica. “O mais provável é que o dinheiro seja destinado para investimentos”, disse Bernardo.

A lei que criou o FSB é específica quanto ao uso do dinheiro. Ela diz que ele tem como finalidades “promover investimentos em ativos no Brasil e no exterior, formar poupança pública, mitigar os efeitos dos ciclos econômicos e fomentar projetos de interesse estratégico do País”. A aplicação do dinheiro em investimentos, como os do PAC, enquadra-se nas ações anticíclicas.


Bernardo ironiza tática da oposição

Ministro lembra que oposicionistas não queriam FSB e depois criaram amarras que agora impedem repasses

Lu Aiko Otta - O estado SP

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, recorreu à fábula A Cigarra e a Formiga, de La Fontaine, para ironizar uma proposta apresentada pela oposição com o objetivo de socorrer prefeituras. A ideia defendida por tucanos e democratas é usar o dinheiro do Fundo Soberano do Brasil (FSB) para compensar a queda nos repasses de verbas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Ocorre que a oposição foi contrária à criação do Fundo Soberano, tendo recorrido até ao Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubá-lo. A ação de inconstitucionalidade foi apresentada pelo PSDB, DEM e PPS no final de dezembro passado, logo após a aprovação do Fundo Soberano pelo Congresso.

Além do mais, quando a proposta do FSB tramitava no Congresso, a oposição quis proibir que o dinheiro pudesse ser usado para pagar despesas correntes - como salários, por exemplo. O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) confirmou que essa foi, de fato, uma preocupação apresentada à época. A tese da oposição foi acolhida pelo relator da matéria na Câmara, deputado Pedro Eugênio (PT-PE). Ela consta da redação final aprovada pelo Congresso, já convertida na Lei 11.887. Diz o artigo 5º que os recursos do FSB não podem pagar “despesas obrigatórias de caráter continuado.” Essa restrição ao uso do dinheiro do FSB é agora o maior empecilho a que a proposta da oposição para ajudar as prefeituras seja aceita. “FPM é despesa corrente, então não podemos usar o dinheiro do Fundo Soberano para isso”, disse Bernardo. Ele acrescentou que, não fosse a “preciosa” vedação, a ajuda seria possível.

“Estamos como na fábula da formiga e da cigarra. Quando o governo quis guardar dinheiro, a oposição fez barulho, disse que não podia. Agora, ela está com frio”, comentou.

Os oposicionistas não veem contradição entre o que defenderam no passado e o que querem agora. “É uma situação de emergência em que o governo, irresponsavelmente, está fazendo doações à custa da sangria dos municípios”, afirmou o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). Ele se refere a medidas como a redução a zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis. O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), por sua vez, defende que o Fundo seja extinto para dar lugar a outro fundo, cuja finalidade seria proteger as unidades da federação das oscilações do quadro econômico.

28/03/2009 - 12:48h Dilma diz que novas medidas anticrise são preparadas

Elder Ogliari - O Estado SP

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o governo federal prepara um novo conjunto de medidas econômicas para lançar nos próximos dias. O anúncio foi feito durante palestra para cerca de 150 deputados, prefeitos, sindicalistas e dirigentes empresariais que participaram de audiência pública “Diagnósticos e Alternativas para Enfrentar a Crise” realizada na Assembléia Legislativa gaúcha.

Questionada pelos repórteres ao final do evento, Dilma não deu detalhes dos planos. “São medidas anticíclicas”, resumiu. “Geralmente elas abrangem a área financeira e pode ser que tenha alguma na área tributária, mas não posso dar garantias antecipadas”, despistou.

Dilma lembrou que já houve redução de alíquotas do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados e admitiu que o governo “considera outras hipóteses”, com a ressalva de que “é muito cuidadoso ao fazer isso”. Para explicar a cautela, destacou que cortes na carga tributária podem afetar a viabilidade dos pequenos municípios porque implicam em redução dos repasses às prefeituras.

Repetindo o que havia dito às centrais de trabalhadores na audiência, a ministra confirmou para os repórteres que a manutenção de empregos é condição à qual setores e empresas que buscam benefícios devem se submeter. “Não é possível fazer financiamento e nem tampouco redução de carga tributária para quem vai desempregar”, ressaltou.

Dilma também identificou o atual momento como o primeiro em que o Brasil está em condições de reduzir a taxa de juros de forma significativa sem que isso resulte em pressão inflacionária. “Você tem um quadro de queda de demanda e um quadro de queda de preços que quase se pode chamar um quadro deflacionário e, portanto, hoje tem o espaço (para baixar juros)”, avaliou.

“Esse é o momento em que nós podemos conseguir taxas de juros compatíveis com o nível de robustez institucional que o País tem”, comentou a ministra. “O governo está empenhado nisso”. Dilma lembrou ainda que a taxa básica de juros já baixou 2,5 pontos porcentuais e que a tendência, conforme ata do Comitê de Política Monetária (Copom), é de cair ainda mais. “Eu acredito que será feito isso”, afirmou. “Agora, eu não sou do Banco Central, não posso dizer quanto vai reduzir, que hora vai reduzir”.

Dilma reconheceu que a crise financeira internacional é “grave” e que ainda não sabe qual é a profundidade e a duração que ela terá. Apesar de afirmar que o Brasil foi dos últimos a ser atingidos, admitiu que o País também ficou bastante ferido.

25/03/2009 - 15:32h Agências Fischer e Fala! se unem

Fusão faz parte da reestruturação do grupo Totalcom

Marili Ribeiro, O Estado SP

As agências de propaganda Fischer América e Fala!, ambas do grupo Totalcom, comandado por Eduardo Fischer, vão unir suas operações. A fusão faz parte de um processo de reestruturação da Totalcom, que busca integrar cada vez mais suas atividades. “O mercado publicitário global está buscando modelos de integração há tempos”, diz Fischer. “A atual crise mundial só agravou a necessidade de se encontrar um novo modelo de negócios para o segmento.”

Segundo Fischer, três fatores impulsionaram sua empresa a romper com o modelo vigente de holding de comunicação que abriga várias agências prestadoras de serviço: a queda da rentabilidade das agências nos últimos tempos; o crescimento da mídia online, que revolucionou a forma de as empresas enviarem mensagens publicitárias; e a crise econômica, que reduz verbas e obriga os profissionais do meio a se posicionarem como consultores estratégicos, capazes de oferecer mais do que uma boa ideia para uma campanha.

Com a fusão, a nova agência FischerAmérica + Fala! já se posiciona, pela soma de seus faturamentos brutos em 2008, entre as dez maiores agências do País. Assume a 8ª posição, com faturamento anual de R$ 1, 138 bilhão, segundo dados do Ibope Monitor. Ao se tornarem uma única agência, porém, Fischer e Fala! deixam de competir por verbas conflitantes de anunciantes concorrentes. Não poderá atender, por exemplo, dois fabricantes de automóveis ao mesmo tempo. Para não perder receita, o grupo pretende ampliar e aprofundar os serviços oferecidos a cada um dos clientes.

A Fala!, dedicada principalmente ao varejo, por conta da experiência de seu fundador, Allan Barros -que trabalhou vários anos nas Casas Bahia-, vem mantendo crescimento constante desde sua criação, há três anos. Seu sucesso tornou-a cobiçada no mercado e, há pouco mais de um ano, a Totalcom comprou 60% das ações. Agora, Barros assume a posição de copresidente comercial da nova agência e segue na condição de sócio. A presidência da nova agência fica com Antônio Fadiga, que já comandava a Fischer e é também sócio da Totalcom.

O varejo, aliás, é a saída para o atual cenário de crise, acredita Fischer. Os anúncios institucionais vão ceder espaço para as ações. “Na hora da crise, todo mundo quer essa inteligência comercial capaz de ativar vendas, e estamos nos preparando para oferecer isso com um diferencial que o mercado não tem.”

MUDANÇA

A reestruturação da Totalcom dividiu a empresa em quatro plataformas de atuação, com, por exemplo, uma área voltada para prestação de serviços de marketing promocional, incentivo e eventos, entre outros, assim como também prevê a criação de uma área voltada para o desenvolvimento de projetos de conteúdo.

Para Fischer, no entanto, essas plataformas de atuação devem se transformar, com o tempo, em uma só, com a total integração das atividades.

25/03/2009 - 14:32h Apostando no Brasil

Betting on Brazil

http://www.siferraz.blogger.com.br/Olho%20Brasil.jpg

By Jonathan Wheatley - Financial Times

As concern spreads around the world about the global recession, Brazil continues to be held up as one of the few countries to offer the prospect of economic growth over the next few years.

To be sure, as the first quarter of 2008 came to an end, it was clear that Brazil had been hit harder by the financial crisis than many had expected. But even as forecasts for growth this year have sunk towards 1 per cent, the country’s government continues to insist the crisis will be short and shallow compared with the rest of the world.

Whatever the depth and duration of the recession, anyone thinking of setting up a business in Brazil will be more concerned about these macro-economic issues than the micro-economic difficulties that have acted as deterrents in the past. One factor working in Brazil’s favour is the devaluation of the currency since the middle of last year. “With the real at R$2.30 to R$2.40 to the dollar, things are totally different from when it was R$1.60 to the dollar,” says James Sinclair of CFS Partners, a São Paulo firm that advises companies on how to enter the Latin American market. “Everything is much cheaper, independent of the fact that asset prices have come down. So there’s been a double whammy.”

Even before the financial crisis broke last year, Latin America was clearly divided into two camps. One, consisting of Brazil, Chile, Peru and Colombia, has tended to pursue market-friendly policies in an environment of economic and regulatory stability. The other, led by Venezuela but also including Argentina, Bolivia and Ecuador, has taken a more populist and heterodox line. Such differences have been exacerbated over the past few months.

While Brazil’s response to the global recession has been to insist on the need for better regulation and for measures to fight protectionism, Venezuela’s anti-western rhetoric has risen to a frenzy as falling oil prices have undermined President Hugo Chávez’s 21st-century socialism. Venezuela’s recent round of nationalisations and expropriations has made the country even less friendly than before to foreign investment.

Yet even in market-friendly Brazil, the global recession has hit with unexpected force. Industrial production in January, for example, slumped by an extraordinary 17 per cent year-on-year, leading many economists to forecast zero growth or worse this year.

Nevertheless, Mr Sinclair remains upbeat about the prospects for Brazilian industry, easily the most diverse and mature in the region. He expects even the automotive sector, which saw production fall almost by half at the end of 2008, to rebound over the medium term. “People are not going to stop buying cars or eating food,” he says.

So, while there is likely to be little deal activity for at least the first half of this year, investors will be looking for buying opportunities in key sectors such as pulp and paper, services and agriculture, especially those sectors in the soya complex, including poultry, where Brazil has developed a powerful competitive edge in recent years.

Anybody thinking of setting up in Brazil before international financial markets return to something like normal is likely to need their own capital to do so. But Brazilian companies are traditionally cash rich, so merger and acquisition activity is unlikely to come to a full stop.

And foreign companies are still arriving in Brazil. Those that do so must, as in the past, be ready to deal with the cultural differences that have caused trouble for many investors, including corruption.

But the biggest difficulty for many new arrivals is the mass of local bureaucracy. Brazil fares badly in the World Bank’s annual Doing Business surveys. This year it ranked 125th out of 181 countries surveyed, scoring particularly poorly for the complexity of its tax system and the difficulty of opening and closing a company.

………………………………………

Case study: M&C Saatchi

M&C Saatchi, the advertising agency formed by brothers Maurice and Charles Saatchi, made the decision to invest in Brazil last May, before the global financial crisis had really taken hold, writes Jonathan Wheatley.

“By December, we really knew it was upon us,” says Geoffrey Hamilton-Jones, the agency’s first head for Latin America, whose first job is to get the business running in Brazil. “That affected our investment plans – not so much the capital but our monthly expenditure. I and the local partners agreed to cut back on salaries in order to make it happen.”

In spite of such initial paring back, Mr Hamilton-Jones is confident that the decision to invest in Brazil was the right one. “The huge pros are the size of Brazil’s population and its growing middle class, and the purchasing power of that middle class,” he says. “Tens of millions of people have become consumers over the past few years.”

The cons, he says, are mostly to do with Brazil’s different way of doing business. “There is more bureaucracy [than in the UK], things take longer, there are more documents and forms to fill in. It takes about 45 days just to register a company – in the UK, you can do that in a day with a call to a lawyer.”

Mr Hamilton-Jones was brought up in Brazil and has spent part of his career in the country, where he was a regional director for Ogilvy, another advertising agency. Is having somebody like him important for new entrants? “It is really fundamental,” he says. “The days when you could fly in expatriates who didn’t even speak the language are gone.”

He says this is particularly true in advertising. Brazil, he points out, is the 10th biggest advertising market in the world and its advertising industry is among the most creative and effective in the world. “This is a highly mature market,” he says. “What we had to do was seize the possibility and de-risk our investment. The way to do that is to have somebody in charge who can straddle both sides of the Atlantic.”

And how does he feel about setting up business in the middle of a crisis? “It’s daunting,” he admits. “But we have a view that the time to steal market share is at moments of crisis.”

Jonathan Wheatley is Sao Paolo correspondent

22/03/2009 - 11:30h Europeus têm rede de proteção contra crise

Mesmo com desemprego, exemplos mostram que sistema atenua tombo

 

http://patrickalexanian.typepad.fr/.a/6a00e552188d1188330105367a2dda970b-800wi

Andrei Netto e Jamil Chade, PARIS e GENEBRA - O Estado SP

 


A recusa da Europa em redobrar esforços em programas de resgate da economia, como defende a administração de Barack Obama nos Estados Unidos, se deve à confiança dos governos da União Europeia no capitalismo de bem-estar social, que age de forma automática em tempos de crise. Exemplos concretos demonstram que, embora a turbulência global tenha efeitos duros na atividade econômica, a qualidade de vida da maioria dos desempregados pela crise foi preservada.

O francês Patrick Barbe sintetiza bem o momento econômico da Europa. Em 2006, um ano antes da eclosão da crise do subprime - os créditos imobiliários de alto risco negociados nos Estados Unidos -, o pequeno empresário, hoje com 51 anos, aventurou-se na criação de uma empreiteira. A intenção era explorar o potencial imobiliário de pequenos apartamentos para famílias sem filhos, vendidos por cerca de 60 mil. De acordo com suas estimativas, o negócio deveria movimentar 5 milhões.

Depois de investir 600 mil no negócio e empregar sete funcionários, Barbe viu a bolha imobiliária estourar. O crédito secou e seus planos começaram a afundar. “No Natal passado, eu não tinha mais clientes”, lamenta. Em 25 de fevereiro, menos de três anos depois de criá-la, sua empresa foi liquidada pela Justiça. Os sete funcionários foram demitidos. Ele próprio se enquadrará nos programas de auxílio social da França, se desejar.

“De um dia para o outro, o Estado passou a arcar com os custos do desemprego. Eu preferia ver meus funcionários recebendo salários da minha empresa”, diz Barbe. “Esta crise está destruindo tudo. Ela nos castiga duplamente, porque a iniciativa privada perde força, e o Estado assume a conta.”

Segundo cálculos da Comissão Europeia, os pacotes de estímulo após a falência do banco Lehman Brothers, em setembro, somam 200 milhões. Mas a este valor, argumentam líderes políticos como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, precisam ser adicionados os gastos dos Estados com programas sociais.

Na prática, entre seguros-desemprego, auxílios-moradia - para pagamento de aluguel -, custeio integral dos transportes, programas de renda mínima, bolsas para estímulo à natalidade, saúde e educação gratuitas, o valor investido em meio à atual crise salta para algo entre 3,3% e 4% do Produto Interno Bruto (PIB) da região, de 400 milhões a 485 milhões. É essa injeção de recursos na sociedade que garante qualidade de vida em tempos difíceis.

Raphael Espinoza, PhD em Economia pela Universidade de Oxford e economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), vê impacto positivo nos chamados “estabilizadores automáticos” - a designação técnica dos programas sociais. Segundo ele, os planos de auxílio amortizam entre 35% e 40% do impacto da crise na renda das famílias - renda, diga-se, já elevada. Para o todo da economia de um país como a França, segundo a Comissão Europeia, os estabilizadores atenuam 10% da queda do consumo no primeiro ano e 20% no segundo.

O efeito sobre o mercado de trabalho também é significativo, segundo Espinoza. “A cada 1% de PIB perdido pela economia do país, os estabilizadores salvam o equivalente a 20 mil empregos”, explica, ressalvando: “Mas as ferramentas que atenuam a crise também reduzem a capacidade de crescimento em épocas de ciclos econômicos positivos.”

EFEITO COLATERAL

Outro efeito colateral dessas políticas é o desequilíbrio nas contas públicas. Na França, por exemplo, a perspectiva para 2009 aponta déficit de 5,6% do PIB. Mesmo na Alemanha, onde a austeridade é palavra de ordem, o buraco aberto deve chegar a 4%. Isso ocorre porque na Europa o orçamento age como regulador da vida econômica. Quando a atividade se desacelera, o volume de recursos arrecadados com impostos - indexados ao lucro e à renda - cai.

Na prática, a iniciativa privada é poupada, passa a pagar menos taxas e preserva parte da saúde financeira para a retomada econômica. Em contrapartida, o Estado paga a fatura. Os governos abrem mão do equilíbrio fiscal, deixando o déficit público crescer para injetar mais recursos diretamente nas contas bancárias das famílias.

Poucos desempregados do mundo têm o privilégio de contar com um sistema tão generoso quanto o da Suíça. É o que Antonio de Souza, 34 anos, filho de portugueses, acabou de descobrir. Há duas semanas, ele perdeu o emprego numa pequena fábrica de peças para a indústria de relógios. Mas já foi avisado de que receberá 80% do seu salário pelos próximos 11 meses. “A renda não cairá tanto. O problema é mais emocional, por ter sido rejeitado.”

Caso nenhuma oportunidade de trabalho surja nos próximos meses, Souza cairá no sistema de ajuda social. Terá o aluguel coberto pelo governo, além de atendimento em saúde. Para completar, receberá US$ 1 mil por mês em dinheiro e uma bolsa para alimentação.

Segundo o vice-secretário-geral do Departamento de Empregos de Genebra, Bernard Favre, a ideia do sistema suíço é evitar que uma demissão contamine a economia. “Se alguém perde sua renda, vai comprar menos, o que pode gerar mais desemprego.” Para Clemente de Lucia, economista do banco BNP Paribas, o desempregado europeu está em melhor condição do que nos Estados Unidos porque as políticas de bem-estar social amortecem o impacto em tempos de turbulência.

21/03/2009 - 15:54h Brasil y Argentina mantienen su pulso comercial


Brasil y Argentina mantienen su pulso comercial
Cristina Fernández y Luiz Inácio Lula da Silva, en el foro empresarial celebrado ayer São Paulo.- AP

FRANCHO BARÓN - Río de Janeiro - El País

“La devaluación del real también es proteccionismo”, afirma Fernández

Los presidentes de Argentina y Brasil, Cristina Fernández y Luiz Inácio Lula da Silva, intentaron eludir ayer el espinoso asunto de las relaciones comerciales entre sus países, pero no lo consiguieron. Se encontraron en São Paulo, en el marco de un foro empresarial bilateral, y el malestar entre sus respectivos sectores industriales pudo más que los buenos propósitos de hablar sobre asuntos más agradecidos, como la posición común que los Gobiernos de Brasilia y Buenos Aires pretenden llevar a la cumbre del G-20, que se celebrará el próximo 2 de abril en Londres.

Lula, que profesa públicamente su oposición frontal al proteccionismo de los mercados nacionales y que, para predicar con el ejemplo, recientemente fulminó un plan de restricciones a la entrada de 3.000 productos en Brasil, mira con malos ojos la decisión argentina de imponer barreras comerciales a una lista de 200 productos, muchos de ellos brasileños.

Fernández, sin embargo, justifica la permanencia de estas licencias no automáticas de importación con el argumento de que la balanza comercial entre Brasil y Argentina se inclina desproporcionadamente hacia el primero, algo que, según ella, en tiempos de crisis rampante es mucho menos soportable. La presidenta argentina también esgrime la mala racha que atraviesa el sector industrial de su país y la necesidad apremiante de reestructurarlo. “Con economías de diferente desarrollo y una desventaja en la balanza comercial, es natural que se adopten medidas para no agravar una situación que es estructural”, dijo ayer Fernández, que compareció ante la prensa junto a Lula.

La actitud del Gobierno argentino molesta al sector industrial brasileño, básicamente porque la crisis mundial ya ha impactado de lleno en Brasil y sus indicadores de crecimiento económico y producción industrial no paran de caer en picado. El último boletín semanal difundido por el Banco Central de Brasil sitúa la previsión de crecimiento para este año en el 0,59%, cuando el producto interior bruto (PIB) brasileño cerró 2008 en un alentador 5,1%. Para los industriales brasileños resulta especialmente sangrante el hecho de que su Gobierno anunció en enero nuevas restricciones a la entrada de 3.000 productos (aproximadamente, el 60% de sus importaciones) en su mercado. En aquel momento Argentina protestó enérgicamente y Lula, en un gesto paternalista y de buena vecindad, decidió dar marcha atrás con las barreras comerciales.

Según fuentes gubernamentales brasileñas, Lula no está de acuerdo con las medidas proteccionistas que se están aplicando en Argentina, aunque no le queda más remedio que respetarlas. “El proteccionismo es casi una religión. Cuando pasa algo [como la crisis mundial] todo el mundo quiere defender a sus empresas y a sus economías. Esto es normal”, afirmó ayer Lula en tono conciliador. Sin embargo, hizo énfasis en la necesidad de que los países se protejan contra las prácticas de dumping y abogó por reforzar los intercambios comerciales con sus países vecinos. “Cuanto más nos vendamos mutuamente, más independientes seremos del bloque de los países desarrollados”, concluyó.

Fernández, por su parte, se mostró menos diplomática que su homólogo brasileño y aludió sin rodeos a las que su Gobierno considera medidas proteccionistas brasileñas. “También es, por ejemplo, devaluar una moneda. La reciente devaluación del real frente al dólar también se podría calificar de medida proteccionista. Y los beneficios fiscales que algunos Estados brasileños otorgan a las empresas que se radican en sus territorios también pueden ser medidas proteccionistas”, enumeró la presidenta argentina.

La tensión por la gresca comercial con el vecino austral, que tiene en pie de guerra a buena parte de la industria brasileña, vino a sumarse ayer a la difusión de dos encuestas que registran una preocupante caída de la popularidad del Gobierno capitaneado por Lula. El Instituto Brasileño de Opinión Pública y Estadística (IBOPE), cifró ayer en nueve puntos porcentuales la disminución de la aprobación popular al actual Gobierno. Según la institución, la buena imagen del Ejecutivo brasileño ha caído por primera vez desde el inicio de su segundo mandato, desde el histórico 73% registrado el pasado diciembre hasta el 64% actual.

Por su parte, la empresa de sondeos Datafolha apunta a una caída de cinco puntos en la aprobación de la gestión del Gobierno brasileño, desde el 70% registrado el pasado noviembre hasta el 65% de hoy. La mala noticia se debe, según los encuestadores, a los preocupantes indicadores económicos del país, que empeoran cada día que pasa.

17/03/2009 - 11:38h Expectativa de pacote habitacional anima o setor

http://www.mch-algarve.pt/images/img_big_historial.jpg

Daniela D’Ambrosio, de São Paulo - VALOR

O setor de construção civil está sob os holofotes. Primeiro pela crise - que inverteu a rota de expansão e a euforia que dominaram o mercado nos últimos dois anos - e, mais recentemente, pela expectativa em relação ao pacote habitacional. O problema de moradia no país é antigo, mas a discussão ganhou prioridade diante de um cenário que já evidencia reflexos importantes na demanda e nos resultados de um segmento-chave para o crescimento da economia e criação de empregos.

O plano, que já foi adiado várias vezes e deve ser divulgado entre os dias 23 e 27 de março, tem como cerne um forte aumento do subsídio à habitação popular e levanta a bandeira da construção de 1 milhão de casas populares até 2010. Um plano ambicioso para um país que constrói cerca de 150 mil casas populares por ano.

O “número mágico”, que já foi mais evidente em discursos anteriores do Planalto, é praticamente o único alvo de críticas do setor. Mas, independentemente de o número ser ou não factível no prazo proposto, o fato é que toda a cadeia - dos fabricantes de materiais às construtoras- está otimista. “O cenário atual pode mudar consideravelmente com medidas de incentivo ao fomento do setor imobiliário de baixa renda”, diz Wilson Amaral, presidente da Gafisa. “O governo entendeu que a habitação tem que ser subsidiada e esse incentivo será muito positivo para todo o setor”, afirma Amayry Olsen, presidente da Tigre, empresa de tubos e conexões.

Várias companhias e empresários importantes do setor estão participando ativamente de discussões com o governo. A União deve bancar até 36 parcelas do fundo garantidor de crédito para quem ganha até cinco salários mínimos. Também estuda reduzir o imposto sobre o faturamento das obras para quem adota o patrimônio de afetação - mecanismo que protege o comprador em caso de quebra da empresa. O teto de ajuda a famílias de até dez salários mínimos (R$ 4,65 mil) ainda é alvo de discussões, pois há quem defenda que precisariam menos de ajuda.

O programa habitacional deve movimentar R$ 70 bilhões, de acordo com os técnicos envolvidos com a sua preparação. Estudo elaborado pela FGV Projetos e a Associação Brasileira de Materiais de Construção (Abramat) mostra que um programa habitacional popular de construção de 1 milhão de casas em dois anos implicaria um crescimento adicional de 0,7 ponto percentual ao ano no PIB e geração de 532 mil postos de trabalho, dos quais 300 mil diretos somente na construção civil.

A expectativa dos empresários em relação ao pacote do governo já começou a mudar o perfil do setor. A maioria das empresas, independentemente da tradição, está focando o segmento de baixa renda e pretende reforçar suas marcas econômicas. “Já tínhamos planos de fortalecer a marca Living (para o segmento econômico) e o pacote do governo só reforça a ideia”, diz Ubirajara Freitas, diretor-geral da Cyrela. Ter produtos com valor baixo ou que se encaixem nos modelos propostos pode fazer toda a diferença agora e garantir um resultado extra em tempos de crise.

Quem atua na área há mais tempo com a baixa renda - como a mineira MRV, a Gafisa, que comprou a Tenda, e a PDG Realty, dona da Goldfarb - está especialmente otimista. Acreditam que quem tem mais experiência nesse tipo de construção pode sair na frente. “O governo está preocupado em entender as necessidades do setor”, afirma Leonardo Correa, diretor de RI da MRV. “Mas o importante é que privilegie medidas de longo prazo”, completa. “Com essas medidas, o governo irá viabilizar a demanda”, diz Zeca Grabowsky, presidente da PDG Realty.

A classe média e as construtoras que trabalham para esse público também devem ser beneficiadas com o aumento do valor máximo de unidades residenciais elegíveis para financiamento via SFH de R$ 350 mil para R$ 500 mil.

As necessidades do setor, porém, são muito anteriores à crise atual. Em 2005, a carência brasileira de moradias atingiu 7,8 milhões de domicílios, o equivalente a 14,7% da demanda. Desse total, 4,3 milhões correspondem à coabitação. Vários países, como Coreia do Sul, Espanha e Chile, têm adotado políticas habitacionais com reflexos importantes no crescimento econômico. O México, porém, é uma referência especialmente importante para o Brasil.

A partir de 2001, o governo mexicano implantou um programa habitacional estratégico. O programa é baseado em dois grandes pilares: o subsídio direto para compra da moradia pela população de baixa renda (o alvo são famílias de até três salários mínimos) e o incentivo ao crédito. Entre 1995 e 2005, os investimentos em habitação cresceram 33% e responderam por 0,5 ponto percentual da taxa de crescimento econômico de 3,62%. A taxa de crescimento do Brasil entre 1995 e 2005 foi de 2,38%, com uma contribuição de 0,27 ponto percentual dos investimentos em habitação.