07/03/2012 - 09:22h Kassab pede estudos antienchente de R$ 30 milhões


Valor vale apenas para pacote de análises de seis sub-bacias, mas não vai incluir execução de nenhuma obra

07 de março de 2012

FELIPE FRAZÃO, TIAGO DANTAS – O Estado de S.Paulo

A Prefeitura de São Paulo lançou ontem para consulta pública a minuta de contratação, por R$ 30 milhões, de um pacotão de estudos sobre drenagem urbana, que deve nortear obras até 2040. Já a realização das obras indicadas, ainda sem custo estimado, vai depender da vontade dos próximos prefeitos.

Seis sub-bacias de córregos e afluentes que deságuam nos Rios Tietê, Tamanduateí e Pinheiros serão analisadas. Os relatórios devem ficar prontos um ano após serem contratados.

Serão analisadas as sub-bacias dos Córregos Ipiranga, Cordeiro e Morro do S, na zona sul, Cabuçu de Baixo, na zona norte, Aricanduva, na zona leste, e Verde, na zona oeste. Os estudos devem dar conta de desvendar como as águas pluviais escoam nas regiões das sub-bacias, de acordo com a pancada de chuva que as atingir. Segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, essas informações poderão subsidiar novas leis de zoneamento.

As empresas que vencerem a licitação poderão assumir os estudos para identificar as intervenções necessárias em no máximo duas sub-bacias cada. Elas deverão entregar anteprojetos de obras que fiquem prontas em prazo curto (até 5 anos), médio (15 anos) e longo (30 anos). A ideia é que as mais complexas e maiores ofereçam à cidade proteção até mesmo contra chuvas fortes que, segundo especialistas, acontecem a cada 100 anos.

A partir da experiência nas seis primeiras sub-bacias, a Prefeitura deve aplicar o modelo de estudos às outras 72 sub-bacias da cidade.

Mais projetos. A contratação de projetos de combate a enchentes, programas de urbanismo e para as áreas de Saúde e Transportes é alvo de um inquérito civil aberto no fim de janeiro pelo Ministério Público. A Promotoria do Patrimônio Público e Social pediu à Prefeitura justificativas para a contração, nos últimos seis anos, de cerca de R$ 350 milhões em trabalhos prestados por empresas de consultoria.

O Ministério Público questionou a necessidade da realização das contratações “diante da existência de funcionários qualificados” dentro da administração.

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) costuma defender a contratação de projetos para ajudar na tomada de decisões. Em um compromisso oficial no primeiro semestre do ano passado, disse que a Prefeitura precisa de uma “prateleira de projetos” para escolher o mais adequado.

14/12/2011 - 08:18h Com 11 meses de atraso, governo de SP limpará piscinões

14 de dezembro de 2011

O Estado de S.Paulo

Às vésperas da temporada de chuvas e com 11 meses de atraso, o governo do Estado vai iniciar o trabalho de limpeza, desassoreamento e manutenção de 25 piscinões da Grande São Paulo. Assinado ontem, o contrato prevê R$ 29 milhões em investimentos nos municípios de Osasco, Embu das Artes, Taboão da Serra, Mauá, Santo André, Diadema, São Bernardo e São Caetano.

O serviço, que deve durar um ano, foi prometido pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em 11 de janeiro deste ano, um dia após a capital parar em função de uma série de alagamentos. Serão retirados 245 mil metros cúbicos de sedimentos e lixo que se acumularam no fundo dos piscinões. Para o governo, a burocracia do processo de licitação e contestações judiciais explicam o atraso. / ADRIANA FERRAZ

28/10/2011 - 09:29h Erradicar áreas de risco levará 14 anos; a cada 2, Prefeitura terá de fazer novo mapa

28 de outubro de 2011

O Estado de S.Paulo

A erradicação dos riscos para 25 mil famílias que ainda moram em áreas sujeitas a deslizamentos e alagamentos em São Paulo vai demorar até 14 anos. A previsão é da gestão Gilberto Kassab (PSD) e permanece a mesma de quando o prefeito assumiu, em 2008.

Parte dessas famílias foi identificada em mapeamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), conhecido desde 2003. No ano passado, o IPT ampliou o mapa para toda a cidade. Desde então, a Prefeitura diz ter retirado 4.159 famílias – 1.132 em emergência. Elas recebem auxílio aluguel de R$ 300.

O investimento no plano para eliminar riscos é de R$ 10,2 bilhões – R$ 1 bilhão já aplicados e R$ 4 bilhões destinados a projetos em fase de licitação e execução. Outros R$ 5 bilhões serão investidos até 2016.

A Prefeitura também monitorar novas invasões e assentamentos em áreas desocupadas refazendo o mapa das ocupações a cada dois anos e usando fiscais e Defesa Civil.

22/03/2011 - 07:58h Em 7 anos, Prefeitura de SP não acaba com 3 de cada 4 áreas de grande risco

Só 38 de 158 regiões mapeadas tiveram diminuição de risco; estudo do IPT mostra que hoje ainda há 29 mil famílias em locais precários

Paulo Saldaña e Márcio Pinho – O Estado de S.Paulo

Em sete anos, a Prefeitura não conseguiu melhorar a situação de três em cada quatro áreas de grande risco de deslizamento na cidade de São Paulo. Mais de 75% das áreas de risco alto e muito alto mapeadas em 2003 permanecem hoje na mesma situação e seguem protagonizando acidentes – apesar das tentativas de retirada e das promessas das gestões Marta Suplicy (PT), José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab.

É o que mostra análise feita pelo Estado a partir do mapa das áreas de risco de 2010 produzido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e divulgado neste ano, em comparação com os dados do estudo de 2003.

No total, 29 mil famílias paulistanas vivem atualmente em regiões com probabilidades alta e muito alta de escorregamento ou inundação (próximas de córregos). Das 158 áreas com essa característica mapeadas em 2003, durante a gestão Marta Suplicy (PT), 119 aparecem com as mesmas classificações no levantamento divulgado em janeiro pela gestão Kassab.

Cada área é dividida em setores, que podem variar em quatro níveis de risco: baixo, médio, alto e muito alto. As duas últimas classificações são as que precisam de maior atenção – por apresentarem grande potencial para ocorrência de escorregamentos e solapamentos. No estudo do ano passado, a Prefeitura identificou 607 setores de risco alto e muito alto. Em 2003, eram 288 – e desses 251 permanecem.

Mortes. Em vários desses endereços, a chuva caiu e a tragédia anunciada se concretizou. Em 2009, por exemplo, um homem de 45 anos morreu na Favela Santa Madalena, em Sapopemba, área da Subprefeitura de Vila Prudente, zona leste, onde moram 1.900 famílias. Desde 2003, a Prefeitura já sabia que a área apresentava três setores de risco muito alto.

A favela se desenha em torno de um vale, em cujas encostas e no fundo estão encravadas as moradias sujeitas a maior risco. A dona de casa Gilvanice Batista dos Santos, de 25 anos, mora há quatro com o marido e os dois filhos, de 3 e 7 anos, exatamente no centro desse vale. “Quando chove, a água vem como um rio até a parede da sala. Fica tudo molhado”, reclama ela, que pagou R$ 14 mil pela residência de três cômodos. “Nesses dias caiu parte do barranco. Tenho medo, mas não tenho para onde ir.”

Acordo. A Prefeitura teve de contratar o mapeamento das áreas de risco de 2003 em razão de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público, que questionava o perigo a que estavam expostos moradores em diversos bairros da cidade. O Plano Municipal de Gerenciamento de Riscos foi publicado logo depois, com os resultados e as diretrizes para combater o problema. O documento foi usado pela reportagem para o levantamento, pois a Prefeitura não permitiu ao Estado ter acesso ao estudo de 2003, apesar dos seguidos pedidos feitos no último mês.

A ex-prefeita Marta Suplicy informava no plano que 80 setores de risco estavam em obras. A Assessoria de Imprensa da Secretaria das Subprefeituras contesta os dados levantados pela reportagem e afirma que havia, na verdade, 323 setores com risco alto e muito alto em 2003. Segundo o órgão, em 80% de todas as áreas, o risco foi reduzido, “seja por conta das obras de contenção, urbanizações, remoções ou mesmo pela consolidação do local”.

A Prefeitura afirma que as soluções adotadas beneficiaram 34 mil famílias desde 2005, ano do início da gestão José Serra/Gilberto Kassab. Atualmente, estão sob intervenção 268 setores, dos 1.179 contidos nas 407 áreas de risco identificadas no estudo de 2010 – que mapeou maior porção da cidade que o anterior. A Prefeitura divulgou que pretende retirar as famílias das áreas de risco alto e muito alto no prazo de seis anos. Algumas já recebem auxílio-aluguel.

Pelo levantamento do Estado, só 38 áreas perderam setores de risco alto ou muito alto para médio e baixo. Quatro tiveram o risco eliminado – ou não foi possível identificar.

O promotor de Habitação e Urbanismo, José Carlos de Freitas, calcula em 25 as ações do Ministério Público contra as subprefeituras em diferentes gestões por não apresentarem cronogramas de obra para áreas de risco. Freitas quer apresentar os novos números ao tribunal, mostrando que o risco não foi afastado. Ele ressalta que a Prefeitura pode ser responsabilizada civil e criminalmente por mortes causadas por deslizamentos. “O objetivo era afastar o risco e, quando fosse alto ou muito alto, até remover famílias. Ela (a Prefeitura) não tinha de aguardar um novo laudo do IPT para saber que há milhares de pessoas nessas áreas.”

Marta. O Estado procurou a ex-prefeita e atual senadora Marta Suplicy, que não quis falar.

QUATRO PERGUNTAS PARA…

Álvaro dos Santos, GEÓLOGO

1. Como o senhor avalia a questão das áreas de risco alto e muito alto em São Paulo?

Eu sei que a questão piorou. Mas o quanto exatamente é difícil de mensurar, porque não sabemos quantas famílias continuam nessas áreas que já haviam sido identificadas.

2. Que erro vem sendo cometido para que áreas de risco geológico sigam crescendo?

A medida fundamental que teria de ser tomada é interromper o desenvolvimento de novas áreas de risco. E não foi tomada. O erro de total falta de controle técnico da expansão urbana continua sendo cometido. O parar de errar daria tranquilidade para atuar sobre as áreas já existentes.

3. Adianta fazer novos estudos e não atuar nas áreas de imediato?

Diariamente esse tipo de estudo fica defasado, pois ocorrem novas invasões. A decisão teria de ser tomada logo, prevendo ações daquele ponto em diante.

4. Como é possível conter novas invasões de forma mais eficiente?

Há duas medidas fundamentais que devem ser adotadas: uma fiscalização atuante e um programa habitacional abrangente. Ou então a população de baixa renda continuará procurando habitações baratas e realizando loteamentos irregulares.

09/03/2011 - 10:00h Principais promessas de Kassab seguem no papel

Eliminar a fila por vaga em creche e construir hospitais são algumas delas

Revitalização do centro e novo Plano Diretor também não avançam; plano de gestão aponta 21 metas cumpridas

JOSÉ BENEDITO DA SILVA

DE SÃO PAULO

Transcorrida a metade do seu segundo mandato (2009-2012), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) enfrenta dificuldades com algumas das principais promessas eleitorais.
Entre elas estão construir hospitais, expandir e requalificar corredores e terminais de ônibus, investir no Rodoanel e eliminar o “turno da fome” nas escolas e a fila de espera por vaga em creches.
No total, ele incluiu 223 promessas na Agenda 2012, o plano de metas do mandato. Destas, 21 estão cumpridas, sete nem iniciadas e 195 em andamento -que têm ao menos projeto, estudo ou local.
É nas promessas centrais da campanha, no entanto -aquelas levadas à TV, aos comícios e aos debates eleitorais-, que o prefeito patina.
A construção de três hospitais, por exemplo -uma das promessas mais importantes- segue no papel. Kassab tenta viabilizar uma parceria público-privada de R$ 6 bilhões para erguê-los em Parelheiros (sul), Brasilândia (norte) e Vila Matilde (leste).
Também no papel estão 50 ambulatórios odontológicos- 46 nem têm local.
O prefeito, porém, cumpriu metas importantes na área, como ampliar o Programa Saúde da Família e o número de ambulatórios de especialidades e psiquiátricos.
Nos transportes, Kassab vem atingindo a meta de renovar a frota de ônibus, mas, dos 66 km de novos corredores, nada foi feito. Também não saiu do papel a requalificação de outros 38 km. Dos oito terminais prometidos, apenas um foi construído.
O prefeito investiu R$ 700 milhões do R$ 1 bilhão prometido ao metrô, mas, dos 300 milhões para o Rodoanel, nada foi aplicado ainda.
Na área de urbanismo, metas importantes estão sendo cumpridas em remoção de moradores de áreas de risco e na urbanização de favelas. A revisão do Plano Diretor, porém, está travada na Câmara.

EDUCAÇÃO
Apesar da criação de 20,7 mil vagas, a demanda por creche, que era de 57,6 mil crianças em 2008, chegou a 100,4 mil no ano passado.
A prefeitura diz ser difícil achar terrenos, mesmo empecilho para o fim do “turno da fome” (11h às 15h), que afeta 39 escolas (7% da rede) -eram 66 ao iniciar a gestão.
“Há insuficiência de investimentos diretos em novas escolas e novos profissionais”, diz Salomão Ximenes, da ONG Ação Educativa. Com isso, afirma, a oferta não segue a demanda -de 2008 a 2010, o total de matrículas cresceu 19% e a fila, 74%.

CENTRO

Kassab pretendia fazer da recuperação do centro a principal marca da segunda gestão, como a Lei Cidade Limpa havia sido na primeira.
O maior projeto, porém, o da Nova Luz, enfrenta resistência de lojistas e teve duas audiências sob protesto. Os problemas que marcam a região, como falta de segurança e uso de crack, persistem.
Há, no entanto, várias intervenções em andamento, como a construção do complexo cultural Praça das Artes (Anhangabaú), a requalificação da praça Roosevelt (República) e a reforma de prédios históricos na Sé.
O balanço é “”positivo” para Marco Antônio Ramos de Almeida, superintendente da ONG Associação Viva o Centro. “A recuperação do centro é um processo. O importante é ter continuidade.”

CHUVAS
As enchentes, hoje um dos principais problemas da cidade, não foram um tema central na eleição. Kassab falou em criar parques, plantar árvores e limpar córregos e bocas de lobo -essas metas vêm sendo cumpridas.

05/03/2011 - 08:47h Em 12 anos, plano de drenagem só cumpre 1/3 da meta inicial

Projeto era ter piscinões suficientes para reter 22 milhões de metros cúbicos – os atuais armazenam 8 milhões

Tiago Dantas – O Estado de S.Paulo

Elaborado em 1998, o Plano de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê previa a construção de um número de piscinões capaz de reter 22 milhões de m³ de água. Em 12 anos, o Estado cumpriu apenas um terço dessa meta. Atualmente, armazena 8 milhões de m³. Ao anunciar a entrega de um reservatório para novembro e de outros seis em “até dois anos”, Alckmin eleva essa capacidade para cerca de 11 milhões de m³ – metade do previsto no plano de 1998.

“Ainda temos de aumentar a capacidade de reserva. Estamos contratando a revisão do Plano de Macrodrenagem, porque a situação das cidades mudou desde quando ele foi feito”, afirmou o secretário de Estado do Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni.

O professor da USP José Rodolfo Scarati Martins lembra, porém, que os piscinões só podem ser considerados uma saída eficiente no combate às enchentes se a limpeza for constante. Alckmin prometeu investir R$ 40 milhões por ano na manutenção dos piscinões que ficam na Grande São Paulo – antes eles estavam sob responsabilidade das prefeituras. Mas a capital continuará fazendo a limpeza dos seus reservatórios.

Pirajuçara. O primeiro piscinão a ser entregue será o do Córrego Olaria, da Bacia do Pirajuçara, em Campo Limpo, zona sul da capital, no limite com Taboão da Serra. A licitação para construção do reservatório foi lançada em setembro de 2009. Também prometido desde a gestão passada, o piscinão do Jaboticabal, no Ribeirão dos Couros, limite de São Paulo com São Bernardo e São Caetano, aguarda recursos do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2) do governo federal para ser construído.

Outros dois reservatórios devem atender a Bacia do Tamanduateí: o Guamiranga, na Vila Prudente, zona leste, e o Miranda d”Aviz, em Mauá. Até outubro, o governo espera ter em mãos o projeto de canalização de 19 quilômetros do Rio Baquirivu, em Guarulhos, e de reassentamento das famílias que vivem ali.

01/03/2011 - 09:34h Faltam 5 piscinões no Aricanduva e no Anhangabaú

Bruno Paes Manso, Eduardo Reina e Vitor Hugo Brandalise – O Estado de S.Paulo

Na zona leste, que ontem ficou debaixo d”água, ainda faltam ser feitos três piscinões, com capacidade para armazenar 650 mil m³. Sem eles, a região já não consegue suportar chuvas acima de 60 mm – com as obras, a capacidade chegaria a 80 mm. “Os reservatórios seriam fundamentais para segurar as águas nos afluentes e evitar que cheguem com força ao Rio Aricanduva”, diz o engenheiro Aluísio Canholi, autor do Plano de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê.

Faltam no Aricanduva os piscinões do Córrego dos Machados, Taboão e Aricanduva 4. Mas não só lá. No centro, o túnel do Anhangabaú encheu anteontem. Planejada pela Prefeitura em 1997, a construção dos piscinões das Praças 14 Bis, na Bela Vista, e das Bandeiras, na República, por exemplo, não saiu do papel. Há projeto executivo desde 2003 e verba do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Ainda assim, a licitação da obra foi paralisada em 2010 por contestações na Justiça.

Além disso, o caos é agravado pelo assoreamento do Rio Tietê, para onde é despejada a água de todos os rios da metrópole. Logo depois da obra de aprofundamento da calha, em 2005, o rio ficou quatro anos sem transbordar. A vazão voltou a diminuir, porque o Estado investiu pouco na manutenção.

01/03/2011 - 09:15h Tietê transborda pela 3ª vez no ano, SP tem dia de caos e solução só em 40 anos

Rio invade a Marginal em 6 pontos e tumultua a vida de milhares de pessoas; só um terço dos piscinões previstos em 1998 saiu do papel

Bruno Paes Manso, Diego Zanchetta, Eduardo reina, Paulo Saldana, Renato Machado, Rodrigo Brancatelli, Valéria França e Flávia Tavares – O Estado de S.Paulo

Ruas travadas, Marginal interditada, carros boiando, pessoas ilhadas. O drama paulistano das enchentes, que já atingiu a zona oeste da cidade no domingo, ganhou mais força ontem em outras regiões, principalmente norte e leste. O Rio Tietê, que ficou quatro anos sem alagamentos (entre 2005 e 2009), transbordou pela terceira vez em 50 dias. E, caso o prazo de investimentos governamentais seja mantido, São Paulo só vai livrar-se das enchentes em 40 anos.

Além do Tietê – que saiu do leito perto das Pontes das Bandeiras, Vila Maria, Aricanduva, Tatuapé e Limão – transbordaram o Córrego Aricanduva e o Rio Tamanduateí. A cidade registrou 49 pontos de alagamentos e os bombeiros receberam 136 chamados relacionados à chuva – dezenas na região do Aricanduva. Na zona norte, uma pessoa ficou ferida após a queda de um muro de supermercado. O rodízio de veículos foi suspenso à noite. Houve queda de energia no centro e 88 semáforos apagaram,

Também choveu forte em Guarulhos, Osasco, ABC, Jundiaí, Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista e Santos – onde a Defesa Civil municipal registrou 15 deslizamentos em morros, mas sem vítimas.

Em Santo André, a Avenida dos Estados ficou interditada próximo do centro da cidade, por causa do transbordamento do Tamanduateí. Em Guarulhos, uma cratera com 5 metros de comprimento foi aberta na Avenida Paulo Freire, ao lado do Córrego Boituva. Na capital, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou o segundo pior congestionamento do ano: 150 km, às 19h42. Alagamentos interromperam a circulação de duas linhas da CPTM – a 7-Rubi e a 10-Turquesa.

Futuro. A solução para São Paulo ficar livre das enchentes só deve vir em 2050. Atualmente, 45 piscinões – ou um terço do previsto em 1998 pelo Plano de Macrodrenagem do Alto Tietê – foi finalizado, o suficiente para armazenar 9 milhões de m³. Pelo projeto, para resolver o drama paulistano seria preciso fazer mais 91 reservatórios, com capacidade para 26,6 milhões de m³ (ou 9.500 piscinas olímpicas). Eles comportam temporais de até 80 mm – ontem na foz do Aricanduva caíram 82,5 mm, segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee).

O superintendente do Daee, Amauri Pastorello, diz que há problemas para construir reservatórios na Região Metropolitana, que segue em ritmo lento. “Faltam terrenos para ampliar piscinões.”

Para Pastorello, a chuva de ontem, que começou na zona leste, foi de grande intensidade, o que diminuiu a velocidade no escoamento do Tietê.

A vazão ficou reduzida a partir do entroncamento com o Tamanduateí e o Aricanduva. O contrato com a empresa que faz desassoreamento do Tietê acaba em abril. O Daee quer concluir nova licitação até essa data. O objetivo é retirar neste ano 2,1 milhões de m³ de sujeira do rio.

01/03/2011 - 08:56h Zona oeste é a campeã de pontos de alagamento

Região teve 2.512 enchentes entre 1º de janeiro de 2004 e a noite de ontem, o equivalente a quase uma ocorrência por dia

Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli – O Estado de S.Paulo

A zona oeste de São Paulo é a região que mais sofre com enchentes em toda a cidade. De acordo com dados compilados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), os distritos de Butantã, Pinheiros, Lapa, Barra Funda, Perdizes, Vila Leopoldina e Jaguaré tiveram 2.512 pontos de alagamentos entre 1.º de janeiro de 2004 e a noite de ontem. Isso equivale a quase uma ocorrência por dia em uma área de 128 km², menor do que o município de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

No total, o CGE registrou 8.027 pontos de alagamento em São Paulo desde 2004. Nesse ranking das inundações, a zona leste aparece em segundo lugar, com 2.214, seguida pela zona norte (987), zona sul (903), centro (863) e região sudeste (665). Essa tendência das regiões se mantém idêntica em todos os anos pesquisados no banco de dados do CGE – em 2011, por exemplo, a zona oeste já teve 275 enchentes, contra 205 da zona leste.

“Não é que chova mais ali, mas é que a drenagem das águas é insuficiente”, diz o engenheiro civil Julio Cerqueira Cesar Neto, do Instituto de Engenharia (IE). “A galeria que deveria absorver o fluxo dos córregos e das chuvas não consegue dar conta do problema, e isso não é de hoje, ocorre há mais de 20 anos.”

As duas principais intervenções planejadas pela Prefeitura para acabar com as enchentes na zona oeste seguem sem prazo para sair do papel. Um piscinão licitado por R$ 25 milhões e que poderia resolver as inundações na área entre a Rua Henrique Schaumann e a Marginal do Rio Pinheiros, segundo defende o governo, está barrado na Justiça pelos vizinhos contrários à obra.

Já as galerias de R$ 90 milhões projetadas para escoar até o Rio Tietê a água que sobe a cada chuva no balão da Praça Marrey Júnior, ao lado do Palmeiras, na Pompeia, só devem ficar prontas depois do verão de 2012.

Entraves. Nesse último caso, dinheiro em caixa não falta. A Operação Urbana Água Branca levou 19 empreendimentos e 14 mil moradores para a região desde 1995. Esses empreendimentos pagaram um total de R$ 87 milhões em contrapartidas aos cofres municipais. Mas três projetos anteriores, todos com previsão de construção de piscinões, foram abandonados por causa do alto custo das desapropriações. Um novo estudo de macrodrenagem para o bairro, que deve ficar pronto em abril, já apontou a troca das galerias soterradas ao longo das Avenidas Sumaré e Pompeia como a solução mais eficaz (leia ao lado).

O problema na Vila Madalena é parecido com o da Pompeia. Localizado ao lado da várzea do Rio Pinheiros, o bairro hoje famoso pelos bares era praticamente um brejo até os anos 1940. Com a urbanização, dezenas de córregos foram soterrados a partir de 1960. A impermeabilização desordenada tem seu efeito mais visível nas crateras que se abrem a cada chuva, resultado da erosão do solo causado pelos córregos que transbordam das galerias velhas.

O piscinão planejado pela Prefeitura em Pinheiros também teria reflexos positivos contra as inundações na Vila Madalena, de acordo com os técnicos do governo. Mas moradores da Jardim das Bandeiras moveram uma ação contra a obra e conseguiram barrá-la na Justiça. Segundo os moradores, o piscinão é uma solução simplista e de forte impacto urbanístico. Eles defendem a reforma das galerias pluviais do bairro, da mesma forma como a Prefeitura planeja agora para a Pompeia.

01/03/2011 - 08:33h Pompeia já encheu 17 vezes neste verão

Nataly Costa – O Estado de S.Paulo

Tem até marchinha recém-composta pelo carnavalesco Manoel Ferreira: “Pompeia, que beleza/ Quando chove parece Veneza”. Na noite de domingo não foi diferente. O bairro alagou pela 17.ª vez desde 1.º de dezembro, início da Operação Verão da Prefeitura. Não que falte planejamento para a Pompeia. A Prefeitura de São Paulo já gastou R$ 5,2 milhões em projetos que apresentavam soluções para a área.

O piscinão da Avenida Francisco Matarazzo, anunciado pela Prefeitura em 2009 e que viria acompanhado de mais dois reservatórios menores, foi considerado insuficiente. Mas isso só depois um ano, muitas expectativas e R$ 551 mil. Um novo estudo, ao custo de R$ 4,7 milhões, foi encomendado, e é o que está valendo: agora, são duas galerias subterrâneas para conter os Córregos Água Preta e Sumaré.

“Pagar consultor é bom. Agora falta o executor”, afirma o diretor do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas do Instituto de Geociências da USP, Uriel Duarte. “Na Pompeia, um piscinão resolveria, mas o ideal é que reformassem todas as galerias até o Tietê.” O edital de licitação da obra deve ser publicado nos próximos 30 dias. Estima-se que as galerias vão custar cerca de R$ 90 milhões.

24/01/2011 - 09:03h Chuva deixa motoristas ilhados e São Paulo em alerta

Faltou energia elétrica em 53 bairros e 23 vias ficaram intransitáveis por causa de enchentes;Marginal do Tietê alagou

Paulo Saldaña, Diego Zanchetta e Bruno Ribeiro – O Estado de S.Paulo

Carros arrastados e pessoas ilhadas, com a água batendo na altura do peito, tiveram de ser resgatados pelo Corpo de Bombeiros durante a forte chuva que deixou a cidade de São Paulo em estado de atenção, no início da noite de ontem. O Rio Tietê transbordou na altura das Pontes do Tatuapé e das Bandeiras e o muro do Cemitério Chora Menino, na zona norte, desabou.

Por volta das 21h30, era impossível circular pelas regiões da Pompeia, na zona oeste, e na Mooca, na zona leste. O temporal veio após mais um dia de calor, com os termômetros acima dos 30ºC desde o início da manhã. Durante o temporal faltou energia elétrica em 53 bairros e 23 vias se tornaram intransitáveis por causa dos alagamentos.

Os cruzamentos da Avenida Rebouças com a Rua Henrique Schaumann e da Rua Turiaçu com o Viaduto Antártica, ambos na zona oeste, ficaram submersos por mais de duas horas. Segundo o Corpo de Bombeiros, a região do Tatuapé, na zona leste, e de Perdizes, na zona oeste, foram as que mais tiveram chamados para o resgate de pessoas ilhadas. Na Avenida Sumaré o resgate de uma pessoa teve de ser feito de barco.

Avenidas estruturais da cidade, como a Radial Leste, e as Avenidas Salim Farah Maluf e Celso Garcia, na zona leste, e Rebouças e a Eusébio Matoso, na zona oeste, e Zaki Narchi, na zona norte, ficaram alagadas. Para piorar, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou a queda de 14 árvores durante a chuva. Uma delas, na Avenida Imirim, paralisou o trânsito.

Destruição. A temporada de chuvas vem deixando um rastro de destruição na capital. Ontem, antes do temporal, 16 vias permaneciam interditadas desde a sexta-feira por causa de quedas de árvores provocadas pelos temporais. Em dez ruas, a interdição era total, segundo a CE T. Todos os casos foram avisados à Prefeitura mas, até a noite de ontem, a remoção não fora feita. Entre sexta-feira e ontem, 67 árvores caíram pela força do vento e da chuva e ainda estavam no mesmo local.

Moradores da Rua Miguel Almeida Prado, no Butantã, zona oeste de São Paulo, têm a rua interditada por uma grande árvore da Praça Euclides Parente Ramos que tombou sobre um carro na noite de sexta. O portão de uma casa ficou bloqueado. O dono do veículo trabalha na região e havia estacionado na via.

Na Rua Bela Cintra, na região dos Jardins, zona sul, uma árvore desabou por volta das 14h30 e atingiu dois carros. Ninguém ficou ferido, mas a via estava interditada ainda à noite. A CET montou um desvio pelas Ruas Oscar Freire e Augusta.

24/01/2011 - 07:56h Chuva faz Rio Tietê transbordar e provoca vários pontos de alagamento

São Paulo ficou em estado de atenção por quase toda a noite; Distritos da Casa Verde e Penha foram postos em alerta

Estado.com.br

SÃO PAULO – Por volta da meia-noite, todos os estados de alerta e atenção de São Paulo foram retirados pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). O temporal na noite de domingo fez o Rio Tietê transbordar em dois pontos – próximo à Ponte do Limão e ao Posto Dutra – e provocou mais de 30 pontos de alagamento na cidade, colocando os distritos da Penha e Casa Verde em estado de alerta, assim como a marginal, por cerca de duas horas.

Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE
Carro ilhado na Avenida Marquês de São Vicente

A forte chuva foi provocada pelo tempo instável associado ao calor que fez durante todo o dia. No fim da noite, a precipitação já perdia intensidade e, por isso as zonas sul, sudeste, oeste e centro, além da Marginal do Pinheiros foram retiradas do estado de atenção, segundo o CGE.
A região do Belenzinho, na zona leste, foi a que recebeu mais chuva. Até as 23h20, o índice de água naquela região havia sido de 146mm, a maior parte acumulada nos cerca de quatro horas de chuva. Em seguida apareciam os medidores do Rio Tietê, na Penha, com 103mm; Córrego Ipiranga, com 87mm; Rio Tamanduateí, na altura da Pacheco Chaves, com 86mm; e Bela Cintra, com 82mm.

Caos e destruição. Com os vários pontos de alagamento intransitáveis, as principais ruas de São Paulo ficaram fechadas, deixando carros presos, pessoas ilhadas e congestionamentos. Durante o temporal faltou energia elétrica em 53 bairros.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a região do Tatuapé, na zona leste, e de Perdizes, na zona oeste, foram as que mais tiveram chamados para o resgate de pessoas ilhadas. Na Avenida Sumaré o resgate de uma pessoa teve de ser feito de barco.
Para piorar, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou a queda de 14 árvores durante a chuva. Uma delas, na Avenida Imirim, paralisou o trânsito. Nesta mesma região, parte de um dos muros do Cemitério Chora Menino, na zona norte, desabou e ocupou a avenida.
Alagamentos. Algumas das principais vias que foram tomadas pela água foram as seguintes:

- Av. Dom Pedro I, com a R. Ouvidor Portugal
- R. Brigadeiro Jordão, com a Av. do Estado
- Av. Ordem e Progresso, com a Praça Del Amoroso Neto
- Praça Luiz Carlos Mesquita, com a Av. Antártica
- Praça Pascoal Martins, com a Av. Marquês de São Vicente
- Praça Marrey Júnior, com a Av. Antártica
- Marginal do Tietê, com a Ponte do Tatuapé, nos dois sentidos
- Av. Salim Farah Maluf, com a R. Restinga
- Av. Rangel Pestana, com a R. Hipódromo
- Av. Celso Garcia, com a R. São Felippe
- Radial Leste, com a R. Antonio de Barros
- Av. Salim Farah Maluf, com a Av. Vereador Abel Ferreira
- Av. Eusébio Matoso, com a Praça Jorge de Lima
- Av. Rebouças, com a R Henrique Schaumann
- Av. Luiz Dumont Villares, com a Praça Orlando Silva
- Marginal do Pinheiros, com a Ponte Eusébio Matoso
- Av. Zaki Narchi, com a R. Urupiara
- Av. Cruzeiro do Sul, com a Av. Zaki Narchi
- Av. General Ataliba, com a R Jovita
- Av. do Estado, com a R. São Caetano
- Marginal do Tietê, com a Ponte das Bandeiras
- Av. Airton Pretini, com a R Vereador Cid Galvão
- Marginal do Pinheiros, com a Ponte Cidade Jardim
- Av. Pompeia, com a R Turiaçu
- Av Francisco Matarazzo, com a Av. Pompeia
- R. Santa Rosa (Brás), com a R Benjamim de Oliveira

(COM DIEGO ZANCHETTA, PAULO SALDAÑA e BRUNO RIBEIRO)

Atualizado à 0h20 de 24/01

15/01/2011 - 10:44h ”A maioria não era área de risco”

Bruno Paes Manso – O Estado de S.Paulo

O vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, está desde quarta-feira, às 8 horas da manhã, percorrendo as regiões afetadas pela tragédia. Responsável em coordenar e articular os esforços de governos estadual e federal e prefeituras, ele embarcou para a região serrana em um helicóptero, só com a roupa do corpo, ao lado de seu ajudante de ordens.

Quantas pessoas estão trabalhando no resgate?

Não tenho muita ideia. Calculo que devam ser mais de 3 mil pessoas. Isso do governo do Estado, do federal, de empreiteiras. Sem contar as prefeituras.

A extensão territorial da tragédia dificulta os trabalhos?

Dificulta porque é uma área serrana e os helicópteros, que são o principal meio de acessar essas áreas, têm dificuldade em voar. A neblina está sempre muito forte. Está chovendo. Hoje (ontem), por exemplo, nós saímos às 7 horas da manhã para ir a Bom Jardim, que é aqui do lado, e não conseguimos descer. Não consegue pousar porque tem muita água. Os helicópteros da Petrobrás que estão aqui não conseguiram pousar.

Como o governo federal ajudou?

Foi fundamental. A Dilma foi campeã. No primeiro dia, mandou dois ministros, Fernando Bezerra (Integração Nacional) e Luiz Sérgio (Relações Institucionais). E ontem ela veio com cinco ministros, botou um grande aparato e pediu para que a gente coordenasse. Botou Marinha, Aeronáutica, Departamento de Engenharia do Exército, helicópteros e homens da Marinha, colocou o (Sérgio) Gabrielli (presidente da Petrobrás) em contato comigo, o presidente da Eletrobrás, Furnas, Correio, tudo o que imaginar ela colocou. Toda hora pede para os funcionários me ligarem, perguntam o que estou precisando. Ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo), Nelson Jobim (Defesa), (Antonio) Palocci, que ontem ligava para as operadoras de celular. Todos os presidentes de telefonia celular estão em contato permanente com a gente para reestabelecer os serviços. A quantidade de gente e as coisas que estão chegando… Ela provocou todo mundo.

Você chegou a ir para o front e ver a tragédia de perto?

Tudo. Em diversas áreas.

Alguma cena o marcou?

Eu estou arrasado. No ginásio onde a gente instalou o IML, você vê os corpos de crianças. Esperando notificação. É um negócio horrível, trágico.

Boa parte das áreas afetadas são áreas de risco?

Em Friburgo, a maioria não ficava em área de risco. Tem áreas nobres. Estava conversando com o coronel Pedro, da Defesa Civil, ele é de Friburgo, nascido e criado. Ele fala: “Pezão, se viesse um alerta pra que eu tirasse as pessoas de áreas de risco, eu não tiraria ninguém de algumas áreas que ficaram arrasadas.” Casas boas, condomínios bons, onde desceram pedras de 80 anos. Casas que tinham 50, 70 anos. Aqui no centro da cidade. A força das águas aqui você não acredita. Tem áreas de risco, mas a maioria é área nobre e rural. Tem fotos de helicópteros, áreas rurais que não têm nada, desceu o morro todo. É a força da natureza. Pedras de 300 toneladas nas estradas, coisa de maluco.

Você perdeu algum conhecido na tragédia?

Hoje fiquei sabendo de um colega que trabalhou na Secretaria de Meio Ambiente do Estado. O pessoal está muito chocado, porque ele estava com os três bombeiros que morreram.

É possível tomar alguma de decisão de impacto?

Eu acho difícil. Se você conhecer a cidade, ver do alto, vê que ela fica entre montanhas e rios. Ou o cara constrói na encosta ou vai construir na beira do rio. Petrópolis, Teresópolis, Friburgo, é difícil ter uma área livre. Estou provocando os prefeitos. Hoje o prefeito desapropriou uma fazenda. Nós vamos construir casas lá. Estava sobrevoando de helicóptero, vi uma área plana. O prefeito disse que já tinha feito decreto de desapropriação. Vamos fazer um programa de moradia com 2,5 mil casas. Vamos tirar gente da área de risco.

O que fazer a partir de uma desgraça desse tamanho?

Infelizmente as coisas são difíceis de acessar. Na tragédia do Morro do Bumba, em abril do ano passado, o governador botou no nosso espaço fiscal R$ 1 bilhão para fazermos o programa Morar Seguro. De abril até agora, nós estamos tentando liberar o dinheiro no Banco Mundial, mas esbarra na burocracia. São missões que vêm, projetos que você apresenta, é natural. Existe uma MP (medida provisória) do governo Lula que ainda não foi usada, do ministro Carlos Luppi (Trabalho), que destinou dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para as enchentes. Precisamos ter um mecanismo mais ágil para acelerar o financiamento.

Você tem estimativa de número de vítimas?

Não dá. Eu não vou falar isso. A gente contabiliza o que o bombeiro acha. Mas o pessoal daqui está falando que ainda há muito mais gente.

15/01/2011 - 10:20h A mesma cena. E cada vez mais dor sob os destroços

A chuva era prevista. Mas não houve prevenção, fiscalização nas ocupações das encostas nem planos de contingência. O resultado de tanto descaso foi a maior catástrofe da história do Brasil

Francisco Alves Filho, de Nova Friburgo; Wilson Aquino, de Teresópolis; e Rafael Teixeira do RJ – ISTOÉ

Vídeo traz as fotografias dos momentos mais marcantes da tragédia que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro. Confira imagens de dor, luta e esperança:

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TRAGÉDIA
Barro e detritos cobrem vítimas em Teresópolis

Foi tudo muito rápido, como sempre é. Não se passou uma dúzia de horas entre o início do que parecia ser mais uma simples tempestade de verão e as avalanches de lama, pedras e paus que colocaram fim à vida de mais de 500 pessoas e devastaram cidades inteiras da região serrana do Rio de Janeiro. Foi assim, de repente, que a cadeia de montanhas que encantam os cariocas há mais de um século abandonou a aparência sólida e se liquefez. No caminho entre as escarpas íngremes e verdes da Serra do Mar até os vales que a formam, a terra em estado líquido não fez distinção e levou com ela tudo o que estava à sua frente: árvores, pedras, casas, carros e uma quantidade aterradora de vidas. Quando amanheceu, o mundo ali era outro. Em Teresópolis, onde antes havia casas, ruas, escolas, um macabro cemitério ao livre surgiu. O charmoso centro de Nova Friburgo deu lugar a uma camada espessa de lama, detritos e entulhos, escondendo sob ela dezenas de corpos. Em São José do Vale do Rio Preto, o riacho que corta a cidade e serviu de inspiração para Tom Jobim escrever os célebres versos de “Águas de Março” transformou-se em uma corredeira de águas caudalosas, que com sua força destruiu casas, pontes e vidas. Foi assim, com uma rapidez e uma fúria impressionantes, que a maior tragédia natural da história brasileira encontrou seu desfecho numa típica noite quente e úmida de verão.

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Sua gênese, no entanto, foi lenta e gradual, e o resultado, previsível. Marcada por características geológicas e climáticas instáveis, a região serrana do Rio de Janeiro está acostumada a recolher corpos sob a terra úmida. Tem sido assim desde as primeiras ocupações, mostram relatos de dom Pedro II, que, como faz hoje a elite carioca, subia à serra para fugir do calor inclemente que castiga a cidade do Rio de Janeiro no verão. Nem mesmo a carnificina de 1967, quando 300 pessoas morreram nas mesmas situações de agora, foi o bastante para se aceitar que, ali, a natureza não se intimida para determinar o curso da vida. Até agora, o resultado dessas tragédias se resume a uma ladainha cíclica de promessas que raramente se traduzem em ações concretas e que sempre terminam nos cemitérios. Foi assim em 1967, como foi em 2008, em Santa Catarina, ou no ano passado, em Angra dos Reis e em Niterói. “Não há desculpa para colocar a culpa nas chuvas, o Brasil não é Bangladesh”, diz a diretora do Centro para a Pesquisa de Epidemiologias da ONU, Debarati Guha-Sapir, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” no mesmo dia em que a Organização das Nações Unidas colocava o acidente fluminense como o décimo mais letal entre os deslizamentos de terra da história.

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Debarati tem razão. Ao contrário do país espremido entre a Índia e Mianmar, há dinheiro, tecnologia e mão de obra farta no Brasil para evitar que tantas pessoas percam a vida em uma região tão propensa a acidentes. Dois casos recentes mostram como investimento, controle da ocupação do solo e preparação podem poupar vidas. Na Austrália, neste início de ano, choveu mais do que na região serrana do Rio. No entanto, apenas 19 pessoas perderam a vida por lá. Na Ilha da Madeira, uma região também montanhosa, choveu no ano passado tanto quanto choveu em Nova Friburgo, a cidade mais atingida nesta última tragédia. O número de mortes em Portugal não chegou a 10% das vítimas fluminenses.

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NO CENTRO DA CIDADE
Morro desabou em Nova Friburgo, destruiu partes de um edifício
e soterrou casas, deixando os moradores entocados

Nesses tempos de pânico ambiental, as mudanças climáticas têm sido os algozes perfeitos dos governantes para justificar o injustificável. “Estamos falando de décadas e décadas de administrações omissas”, diz o cientista político Luiz Werneck Viana. “Faltou às prefeituras fiscalizar as zonas em que as ocupações irregulares acontecem, faltou aos Estados desenvolver planos para essas regiões, faltou ao governo federal priorizar a questão do planejamento urbano e da habitação.” A fatura pela falta de investimentos chegou, enfim, mais alta do que nunca.“Os governantes têm uma visão míope que só vale para os quatro anos de mandato”, critica David Zee, coordenador de mestrado em meio ambiente da universidade carioca Veiga de Almeida. “Estado, município e federação têm obrigação de trabalhar de forma integrada, mas todas essas esferas têm sido historicamente omissas.”

Como foram, mais uma vez, neste início de ano. Não há quem conteste que o volume de chuvas que castigou as cidades fluminenses foi de uma intensidade rara. Em menos de 12 horas choveu praticamente o mesmo que era esperado para todo o mês em Nova Friburgo. Mas o inadmissível em um caso como esse é a absoluta falta de preparação e coordenação do poder público para mitigar os efeitos de um desastre iminente e, pior, a completa ausência de planejamento prévio para lidar com suas consequências. Tudo parece ser feito de última hora, como se as soluções só pudessem ser encontradas diante dos acontecimentos. Não há dúvida de que as chuvas da madrugada da quarta-feira causariam deslizamentos e inundações, mesmo que não houvesse ocupação irregular do solo. Os danos materiais também são justificáveis por conta da dimensão das chuvas. Mas, se um simples sistema de alerta funcionasse, o número de vítimas poderia ser reduzido de forma drástica. A tragédia fluminense é repleta de exemplos de como nada disso foi feito, nas duas pontas da incompetência administrativa.

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Na tarde de terça-feira, horas antes do início do temporal, o radar instalado pela Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro no ano passado já emitia dados mostrando que uma chuva de grande intensidade se aproximava da região serrana. O equipamento, conhecido como Doppler, foi adquirido após as chuvas que mataram mais de uma centena de pessoas na região metropolitana da capital fluminense e tem capacidade de cobrir um raio de 250 quilômetros, quase duas vezes a distância que separa o Rio de Nova Friburgo. Mas, por razões que ainda não estão claras, não havia técnicos disponíveis ou capacitados para analisar esses dados e disparar o alerta. Já o Instituto de Pesquisas Aeroespaciais, o Inpe, informou à Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro que um grande temporal estava se formando na região serrana. O órgão recebeu o aviso por volta das 15 horas de terça-feira e diz que emitiu o alerta às cidades por meio de e-mail. Mas a comunicação parece não ter sido benfeita. Os agentes da Defesa Civil de Teresópolis, onde mais de 200 pessoas perderam a vida, garantem que não receberam nada.

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A tragédia desta semana só é atípica no número de mortes. No mais, é uma simples repetição do que ocorre ali há mais de um século, e que vem se agravando com o aumento da população. No entanto, horas após mais de cinco centenas de corpos estarem espalhados por toda a região, o poder público parecia não ter nenhum plano para lidar com uma situação como essa. Não havia, por exemplo, tarefas predefinidas para os atores públicos, como é de se esperar em uma região que anualmente sofre com desastres exatamente iguais a esse. Tudo parece ter sido resolvido de última hora. E as autoridades pareciam se orgulhar ao informar que a Marinha havia emprestado dois helicópteros, que o Bope, especializado no combate armado contra traficantes, havia liberado ônibus ou que o Exército enviara caminhões frigoríficos para dar conta do número extraordinário de corpos que eram recolhidos.

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“É preciso criar os agentes comunitários, as brigadas locais em cada distrito, em cada município. São essas pessoas que dão as diretrizes em situações como essa e mostram o que fazer até a chegada do socorro oficial”, diz a vereadora Andréa Gouveia Vieira (PSDB/RJ). A família do marido de Andréa é proprietária do sítio que fora alugado para a estilista e designer Daniela Conolly e parentes. Invadida por água, lama e entulho, a casa foi soterrada junto com Daniela e mais sete membros de sua família (leia quadro). “A casa existia há mais de 70 anos. Nunca aconteceu algo dessa magnitude lá. O rio subiu em uma velocidade enorme, foi um volume de água impossível de ser contido. Havia 18 pessoas na casa, 14 morreram”, disse a vereadora. Embora seja política, seu discurso é o mesmo de qualquer cidadão comum: cansaço com as promessas nunca cumpridas de reflorestamento, limpeza dos rios, remoção de pessoas de áreas de risco.

Como em qualquer acidente, a causa não é uma só. É uma soma de erros de várias origens, entre as quais o inaceitável descaso com o meio ambiente. “Gerações foram criadas sem que houvesse uma preocupação ambiental. Houve uma ocupação desordenada com construção de residências em encostas”, aponta Luís Eduardo Peixoto, presidente do comitê de ações emergenciais de Petrópolis.

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PERIGO
Trabalho de resgate num desabamento em Nova Friburgo

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SOB PRESSÃO
Bombeiros também viram vítimas.
Corpo de soldado é removido

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DESTRUIÇÃO
Carro arrastado em Petrópolis

Aquecimento global e desmatamentos são algumas das causas de tragédias que têm acontecido no mundo. O aumento da população urbana é outra ponta do desequilíbrio. A pesquisadora mineira Waleska Marcy Rosa, 41 anos, do Centro Universitário Serra dos Órgãos, fez, em 2007, um estudo comparativo entre os municípios de Teresópolis e Petrópolis e concluiu que a ocupação das áreas de encosta dos dois municípios cresceu demasiadamente a partir da década de 1960, à sombra da fraca atuação do poder público, que, além de não conseguir impedir as ocupações irregulares, muitas vezes até as regulamentou. “É a desgraça do populismo, a permissividade de deixar a ocupação de áreas de uma maneira irresponsável como se eles (políticos) fossem aliados dos mais pobres”, comenta o governador Sérgio Cabral, obviamente excluindo-se da culpa que aponta nos outros governantes.

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Não há como, no entanto, negar que a responsabilidade maior é do poder municipal. “São as prefeituras que regulam o uso do solo, autorizam construções e fiscalizam regiões de risco”, diz o cientista político Ignácio Cano, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para ele, a situação chegou a um ponto em que “é preciso uma política com um componente repressivo que impeça a construção irregular e remova quem está em área de risco”. A própria presidente Dilma Rousseff, que esteve na cidade na quinta-feira 13, reforça essa visão. “Ocupação irregular no Brasil não é exceção, é regra.” Segundo o secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, no ano passado foram gastos 13 vezes mais com a resposta do que com a prevenção. Ele afirma que houve um investimento de R$ 2,3 bilhões para remediar e apenas R$ 167,5 milhões para prevenir. Castello Branco critica também a má distribuição de recursos federais. “Do montante do ano passado, 50,5%, mais de R$ 80 milhões, foram destinados à Bahia, enquanto o Rio ficou só com 0,6%, ou seja, R$ 1 milhão. São Paulo teve 5,6% e Minas Gerais, 6,2%”. Ao contrário do Rio, a Bahia não é um Estado com histórico de desastres ambientais tão frequentes como o Rio. Mas a diferença entre os dois Estados é que o ministro responsável pela distribuição dos recursos, Geddel Vieira Lima, é baiano e tinha como objetivo principal no ano passado ser eleito governador do Estado que tanto privilegiou com a distribuição dos recursos.

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APOIO
A presidente Dilma
Rousseff e o governador Sérgio
Cabral visitam Nova Friburgo

O resultado disso se vê em todas as esferas do poder público, que não consegue responder a uma crise das proporções da região serrana fluminense. Nos ineficientes e sucateados Institutos Médicos Legais das cidades atingidas, o cheiro da morte se espalhava pelos corredores e pelo entorno dos prédios. “Tenho que passar pomada com cheiro de menta no nariz para poder trabalhar. O mau cheiro está insuportável”, disse um dos funcionários responsáveis pelo transporte dos corpos em Nova Friburgo, que prefere não se identificar. Até a manhã da sexta-feira 14, a cidade chorava inacreditáveis 216 mortos na tragédia. A todo momento, caminhões e caminhonetes chegavam com corpos ao Instituto de Educação de Nova Friburgo, improvisado para funcionar como Instituto Médico Legal. Dia e noite, a porta da instituição ficava tomada por pessoas que buscavam saber se entre os mortos há algum parente ou amigo. “Não saio daqui enquanto não souber notícia de minha avó”, disse, ainda em estado de choque, a comerciária Regina Soares, 28 anos. Com tantos cadáveres e condições precárias, o trabalho no local tem sido sacrificante em Nova Friburgo e mostra que não há nenhuma preparação para enfrentar problemas como esse. Nem mesmo um plano de contingência para lidar com um número de mortos tão grande, algo que não é inédito por ali, parece haver.

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Sem a resposta rápida e eficaz do poder público, a população se divide entre um estado de absoluta catatonia e de desespero. No centro de Nova Friburgo, famílias de várias classes sociais perambulavam nos dias que sucederam ao desastre com bolsas e sacolas em punho, buscando refúgio. Uma delas era o pedreiro Andrei Silva, 26 anos, cuja casa, localizada no bairro do Jardim Califórnia, foi inundada pela chuva e ficou prestes a desabar. Ele deixou o imóvel com sua mãe e duas irmãs. “Não sei para onde vou, mas para lá não volto mais”, prometeu. Não longe dele, a advogada Lia Vieira caminhava com os pés envoltos em sacolas de supermercado. “Perdi minha casa e meu carro no desabamento”, contou. “Agora, o que eu quero é sair daqui.”

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Ao menos nesse momento, o desejo de Lia é compartilhado por milhares de famílias que perderam todos os seus bens e, principalmente, familiares. Assim, como nesse momento, os governantes prometem resolver os problemas emergenciais e criar condições para que tantas mortes não se repitam. Cabe agora esperar, e cobrar, que elas não sejam carregadas pelas águas de março que todos os anos fecham o verão.

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Colaboraram: Adriana Prado e Luciani Gomes

15/01/2011 - 09:34h O caos paulista

A cada ano, São Paulo é inundada pelas chuvas de verão e por um festival de promessas inúteis dos governos

Fabiana Guedes – ISTOÉ

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ENTULHOS
No Jardim Vista Alegre, na
zona norte. E inundação em Franco da Rocha (abaixo)

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O trovão virou toque de recolher. Na falta de qualquer ação preventiva do poder público, os paulistas, resignados, prestam atenção aos sinais da natureza para enfrentar mais um verão de enchentes. A situação é recorrente. Como num roteiro cumprido a cada ano, o mês de janeiro em São Paulo foi marcado pela forte chuva. Na segunda-feira 10, foram contabilizados 127 pontos de alagamento na capital, um recorde desde 2005. Durante a semana, os rios Tietê e Pinheiros transbordaram, famílias perderam tudo com suas casas inundadas, carros submergiram, ruas importantes foram interditadas por árvores caídas e a cidade parou. Seis pessoas morreram e centenas já estão desalojadas. A Defesa Civil começa a contabilizar os estragos que só devem cessar no final de março, com o início do outono.

Há décadas, a população ouve os mesmos argumentos, duvidosos e gastos, das autoridades para justificar os estragos. “Chuva histórica”, “tempestade atípica”, “temporada excepcional”. O prefeito Gilberto Kassab tentou explicar, na terça-feira 11, o motivo da versão atual do drama reincidente. “Cada vez mais, chove mais”, declarou ele, quatro meses depois de ter afirmado que a cidade “está mais bem preparada para as enchentes.” Confuso e evasivo também se mostrou o governador Geraldo Alckmin. Singelamente, ele disse não ser possível “fazer obra em 24 horas” contra enchentes, sem justificar por que nenhum projeto consistente foi feito pelo seu partido, o PSDB, há 16 anos no comando do Estado de São Paulo. A complexidade da cidade e a ocupação de áreas irregulares estimulada pelo crescimento populacional, somada a outros problemas estruturais e à ausência de um projeto de longo prazo, produzem uma bomba-relógio que explode ano após ano na capital.

Desde 1998, quando o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) concebeu o plano de Macrodrenagem, apenas 45 dos 134 piscinões previstos foram entregues. A impermeabilização do solo, agravada pelo crescimento da mancha urbana da Grande São Paulo, que quase triplicou em 50 anos, e o assoreamento dos rios exigem uma medida urgente. “Existe uma descoordenação entre a prefeitura e o governo estadual que reflete nos serviços e projetos feitos na cidade”, diz Cândido Campos Filho, arquiteto e urbanista, professor da Universidade de São Paulo e ex-secretário de obras da capital. “A solução para São Paulo só será possível com um estudo minucioso, que leve em conta o aumento das chuvas a cada ano e a adoção de políticas transversais”, diz. Enquanto não aparece um planejamento destes, de longo prazo, baseado em estudos cuidadosos e que conte com o apoio da sociedade civil, apenas pipocam novas promessas. Alckmin, por exemplo, prometeu a construção de quatro piscinões para Franco da Rocha, na Região Metropolitana de São Paulo, uma das mais afetadas pelas chuvas no início da semana passada. Mas alguém acredita que a população de Franco da Rocha estará livre das enchentes no próximo verão?

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14/01/2011 - 13:40h Memórias recorrentes

Heloisa Magalhães – VALOR

Era 11 de janeiro de 1966, exatamente 45 anos antes da noite de início da tragédia na serra fluminense. Morava com minha família em uma casa no Cosme Velho construída por meu pai, engenheiro calculista. Para quem não conhece, é o bairro onde está a estação do bondinho de acesso ao Cristo Redentor, um vale entre belas encostas do Rio.

Acordamos, de madrugada, com uma chuva apavorante. Na véspera, já fôramos surpreendidos pela descida de parte da encosta atingindo os fundos da casa. Nada sério, mas na noite seguinte foi diferente, foi o dia em que o Rio enfrentou uma das grandes tragédias causadas por chuvas de verão. Morreram 140 pessoas. Um edifício inteiro caiu no bairro de Santa Tereza, matando grande parte dos moradores.

Naquela noite, terra e lama invadiram até o teto do primeiro andar da nossa casa, cobrindo e destruindo móveis e objetos na sala de estar, cozinha e varanda. No momento do desmoronamento, por sorte, os quatro filhos, estavam todos no quarto dos pais e ninguém foi atingido.

Passado o pânico com o barulho estonteante de montanhas de terra caindo e quebra dos vidros das janelas, vizinhos, solidários, vieram nos socorrer levando a família para suas casas, rua acima. Tudo debaixo de chuva torrencial.

O remanejamento da população é caro, mas deve ser feito

Passado o susto, meu pai tratou de estudar geotécnica. Projetou um sistema de proteção na encosta no morro atrás da casa, cujo topo vinha silenciosamente sendo ocupado por moradias irregulares.

A terra jamais voltou a invadir a casa. Mas, por muitos anos, a cada verão, mesmo depois dos filhos terem seguido rumo próprio, bastava uma chuva forte para todos, tentando mostrar calma, telefonarem para saber se estava tudo bem por lá.

O Rio de Janeiro vive históricas e seculares enchentes. O jornal “Extra” mostrou, ontem, que apenas entre 2001 e 2010, todos os anos morreram pessoas vítimas de enchentes, totalizando 554 óbitos. Este ano, já houve 444 mortos identificados na região serrana fluminense.

Certamente muitas análises e mapeamentos já foram feitos, e a cidade reduziu as consequências protegendo encostas, deslocando moradores em áreas de risco.

Mas o que se sabe é que há planos que ficam nas prateleiras. Em Teresópolis, por exemplo, a defesa civil, na gestão passada, produziu um relatório detalhado e um chamado Plano Municipal de Redução de Riscos. Na atual, o plano foi refeito. A proposta era localizar todas as áreas de risco invadidas e tirar a população. Mas segundo uma fonte que acompanhou o processo, praticamente nada foi realizado.

A doutora em geografia do meio-ambiente Ana Luiza Coelho Netto, do Instituto de Geociências, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), defende uma ação ampla. Diz que o momento é um alerta para ser repensado o modelo de planejamento da ocupação de toda a região Sudeste, principalmente as áreas mais montanhosas. Ela lembra que nelas há deslizamentos, independentemente da presença humana. O problema é que hoje as terras são ocupadas desordenadamente, seja pela agricultura ou por habitações dos de baixa renda ou não, causando importantes perdas, e com isso acabam se configurando grandes catástrofes.

“Atrás das cicatrizes dos deslizamentos ficam clareiras nas encostas, perdendo-se elementos que dariam resistência ao solo. Com planejamento adequado, as chuvas de grande magnitude não impediriam o deslizamento, mas não atingiriam a dimensão das perdas que estamos assistindo”, afirma.

O também professor e economista da mesma UFRJ, Mauro Osório, estudioso do Estado, lembra que há décadas se sabe que a cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, conta com áreas abaixo do nível do mar. Uma delas é a Praça da Bandeira, perto do estádio do Maracanã, onde há um rio com o mesmo nome, parte dele canalizado, e as enchentes se repetem ano a ano.

Ele reconhece que foram realizadas muitas obras de contenção de encostas na cidade e que, ainda na década de 60, foi criado um instituto equivalente a atual GeoRio. Como muitos municípios não têm condições de arcar com os custos dos estudos de ocupação e processos de recuperação de encostas, sugere na linha da professora Ana Luiza a realização de um planejamento amplo, a adoção de um modelo de consórcios unindo prefeituras e o governo do Estado para a região serrana, em especial, contar com um trabalho permanente de proteção das encostas.

Osório lembra que o Estado do Rio de Janeiro sofreu com uma “lógica de políticos clientelistas” que não trabalharam com planejamento, facilitando invasão moradia em lugar precário causada, em boa parte, pela ausência de alternativa.

Sergio Besserman, ambientalista, membro do conselho diretor da WWF-Brasil que trabalha no tema mudanças climáticas desde 1992, avalia que não há solução de curto prazo e destaca que o diagnóstico é de três agendas.

Uma delas é a “do passado”, a da ocupação irregular, sem planejamento. “Ninguém fez nada na área de habitação e as pessoas tem que morar. Saíram procurando lugares mais baratos e vulneráveis. Mas, obviamente, não é possível realocar todas as pessoas da noite para o dia, é preciso tempo. No Rio, há 18 mil casas em locais de risco. Custa caro o remanejamento, mas os governos vão ter que lidar com isso”. Essa é a agenda do presente.

Ele destaca, contudo, que há “a agenda do futuro e as notícias não são boas”. Ele avalia que neste verão choveu como há 40 anos atrás e “não pode se afirmar que foi o aquecimento global, mas o certo é prever que vai voltar a chover assim e não vai mais demorar 40 anos para acontecer. As chuvas serão com mais frequência e intensidade”, alerta.

Heloisa Magalhães é chefe de Redação no Rio de Janeiro. Excepcionalmente deixamos de publicar a coluna de Cláudia Safatle.

E-mail heloisa.magalhães@valor.com.br

14/01/2011 - 09:47h Deslizamento é um dos dez maiores do mundo, diz ONU

Para Nações Unidas, tragédia na região serrana do Rio também já é o 2º maior desastre climático do Brasil

Carlos Ivan/Ag. O Globo
Carlos Ivan/Ag. O Globo
Cova rasa. Enterros em Teresópolis


Jamil Chade – O Estado de S.Paulo

O drama que assola a região serrana do Rio já está entre os dez piores deslizamentos do mundo nos últimos 111 anos. O número de vítimas do desastre ultrapassou o de uma tragédia na China que até então ocupava a décima posição no ranking da ONU – ainda não atualizado. Além disso, o deslizamento desta semana já é o segundo maior do mundo no último ano e o terceiro maior da década.

Os dados fazem parte do banco de estatísticas do Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres. A entidade com sede na Bélgica fornece os números oficiais da ONU para avaliar respostas a desastres naturais pelo mundo. A organização coleta dados desde 1900. Para especialistas, problemas semelhantes ao do Rio já vêm sendo registrado no Brasil há anos e as explicações estão na falta de vontade política e de investimentos.

Até ontem, o ranking dos dez piores deslizamentos no mundo tinha como nono e décimo lugares, respectivamente, desastres no Peru (600 mortos) e China (500). Até o fechamento desta edição, às 23h45, 510 pessoas haviam morrido no Rio.

O maior desastre relacionado a um deslizamento de terra, porém, aconteceu em 1949, na União Soviética, com 12 mil mortos. O segundo maior foi no Peru, em dezembro de 1941, e deixou 5 mil vítimas.

Apesar da grande quantidade de água que desceu morro abaixo, especialistas brasileiros e a própria ONU classificam o fenômeno natural como deslizamento, e não enchente – que tecnicamente ocorre quando o nível de água de um rio sobe além do normal e destrói casas construídas nas margens. Isso também ocorreu, mas grande parte da destruição e das mortes foi causada pelos deslizamentos.

O evento também é o pior deslizamento de toda a história do Brasil. Ele superou em número de vítimas o registrado em 1967, em Caraguatatuba, quando 436 pessoas morreram. A tragédia desta semana é a segunda pior catástrofe climática do País – também em 1967, uma enchente no Rio matou 785 pessoas. No topo da lista está uma epidemia de meningite de 1974 em São Paulo, ainda contabilizada pela ONU como o maior desastre natural do País.

Últimos 12 meses. Em um ano, o desastre fluminense também já entra para os registros da ONU, superado apenas por um incidente em agosto de 2010 na China, com 1,7 mil mortos. Na década, apenas dois deslizamentos de terra foram mais mortais que o do Estado do Rio desta semana. Além do que ocorreu no ano passado na China, as Filipinas registraram um desastre desse tipo em 2006, que deixou 1.126 mortos.

Não é a primeira vez que o País aparece com destaque na lista de desastres naturais. Em 2008, o Brasil foi o 13.º país mais afetado por desastres naturais. Pelo menos 2 milhões de pessoas foram atingidas, principalmente por chuvas. Só as de Santa Catarina, em novembro daquele ano, atingiram 1,5 milhão de pessoas.

Segundo especialistas, as vítimas poderiam ter sido poupadas. Em 2009, o Brasil subiu na escala e foi o 6.º país no mundo a enfrentar o maior número de desastres naturais. O alerta na época havia sido do Departamento para a Redução de Desastres da ONU.

Segundo a estimativa, dez desastres naturais atingiram o Brasil entre janeiro e dezembro de 2009. Grande parte relacionada a chuvas torrenciais, deslizamento de terra e enchentes.

Desastres. Na década, o Brasil sofreu mais fenômenos devastadores que países tradicionalmente afetados por problemas naturais, como México e Bangladesh. A liderança é das Filipinas, com 26 casos em 2009. A China vinha em segundo, com 23, seguida pelos Estados Unidos, com 16 desastres naturais em 2009.

No total, 181 pessoas morreram no Brasil em 2009 por causa de chuvas, deslizamentos e enchentes. Em abril, 56 pessoas morreram com alagamentos e deslizamentos no Nordeste. Em dezembro, São Paulo teve 23 mortes e prejuízo de US$ 8,4 milhões. No mesmo mês, houve ainda mais 72 mortes por deslizamentos no Rio.

No mundo, os desastres naturais mataram 10,4 mil pessoas em 2009. Foram, no total, 327 incidentes, com prejuízos de US$ 34,9 bilhões.

14/01/2011 - 09:27h Após dois dias, Jardim Pantanal continua inundado; só bomba tira água de casas

- O Estado de S.Paulo

Cerca de 80 quarteirões entre o Itaim Paulista, no extremo leste da capital, e a cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, continuavam submersos ontem. As ruas ficaram alagadas com a chuva da madrugada de terça-feira. A área inclui as 14 ruas do Jardim Pantanal, ocupação na várzea do Rio Tietê que passou quase três meses alagada no ano passado.

Os moradores seguem vivendo o mesmo drama de 2010. Ontem, dezenas de famílias que perderam suas casas no ano passado e ainda recebem bolsa-aluguel mensal de R$ 300 da Prefeitura contabilizavam os novos prejuízos. Na Rua Tietê, a água só sai dos imóveis por bombeamento de caminhões-pipa. A Prefeitura promete construir nos próximos anos 6 mil moradias para as famílias da área.

14/01/2011 - 09:11h Sabesp reduz vazão de represa, mas Franco da Rocha continua alagada

VALOR

De São Paulo

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) reduziu mais uma vez ontem a vazão da represa Paiva Castro, na Grande São Paulo. Apesar disso, o município de Franco da Rocha continuava alagado. De acordo com Defesa Civil, o nível da água baixou um pouco e algumas áreas no centro da cidade não estavam mais alagadas. Porém, o prédio da prefeitura e a cadeia pública permaneciam debaixo d’água.

A prefeitura decretou situação de emergência. Um gabinete adaptado foi montado em uma escola, na rua Azevedo Soares. Até ontem, o órgão ainda não tinha um balanço de pessoas afetadas ou que tenham deixado suas casas. Também não há informações de feridos ou mortos. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), avaliou que a situação em Franco da Rocha é a mais preocupante do Estado. “O rio corta a cidade, então não tem como mudar as pessoas.”

A represa Jaguari/Jacareí – que faz parte do Sistema Cantareira – também teve as comportas abertas e a liberação da água provocou o transbordamento do rio Jaguari, causando enchente em bairros de Jaguariúna (123 km da capital) e Pedreira (137 km da capital).

Em Atibaia (69 km da capital), o número de famílias atingidas pela forte chuva da segunda-feira, em 16 bairros, chegou a l.018 na manhã de ontem. Do total, 176 ficaram desabrigadas e tiveram de ser levadas a alojamentos públicos. Na área rural, o acesso está prejudicado porque oito pontes caíram ou estão comprometidas. O enxurrada também causou prejuízos nas áreas de plantio de flores e de frutas, como uva e morangos. Segundo a prefeitura, só para as obras de emergência serão necessários R$ 18 milhões.

Segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo, 73 municípios foram atingidos por tempestades desde o início de dezembro. As chuvas causaram 23 mortes e deixaram 22 pessoas feridas em cidades paulistas. De acordo com a Defesa Civil, 9.090 pessoas estão desalojadas em todo o Estado. Elas estão impedidas, temporariamente, de voltar para casa. O número de desabrigados, aqueles que perderam a casa por causa dos temporais, é de 1.930.

Em Minas Gerais, subiu para 70 o número de cidades que decretaram situação de emergência. De acordo com o último boletim da Defesa Civil do Estado, divulgado ontem, mais quatro cidades decretaram situação de emergência: Guaraciaba, Inhapim, Maria da Fé e Itamonte. Em todo o Estado, 15.630 pessoas tiveram que deixar suas casas e 2.295 estão em abrigos. Já foram registradas 16 mortes. Na quarta-feira, a Defesa Civil Estadual enviou duas equipes para Carvalhos, Alagoa, Itamonte e Itahandú, todas no sul de Minas.

O prefeito da Cidade de Goiás, mais conhecida como Goiás Velho, Joaquim Berquó, decretou ontem situação de emergência em decorrência das chuvas. Segundo ele, pelo menos dez pontes foram danificadas na área rural da cidade. Uma delas, na rodovia estadual GO-222, ficou completamente destruída.

Na GO-164, a queda de uma ponte também interrompeu o trânsito. O prefeito Joaquim Berquó disse que a verba de R$ 500 mil repassada pelo Ministério da Cultura, é bem-vinda, mas ainda não é o suficiente para cobrir todos os estragos. (Agências noticiosas)

14/01/2011 - 08:53h Dilma quer evitar novas ocupações

Presidente garante que governo participará da reconstrução das cidades, mas áreas de risco deverão ser preservadas

O GLOBO

BRASÍLIA e RIO Apesar de o governo federal ter anunciado o repasse de R$ 700 milhões para que o Ministério da Integração Nacional atenda às vítimas das enchentes no Rio e em São Paulo, apenas R$ 40 milhões serão liberados imediatamente. De acordo com a assessoria de imprensa do ministério, esse valor será usado na compra de cestas básicas, colchões, cobertores e produtos de higiene pessoal. Para que os outros R$ 660 milhões cheguem aos cofres das prefeituras é necessário cumprir uma burocracia: decretação de estado de emergência ou calamidade pública, reconhecimento por parte do ministério da situação, publicação de portaria com a classificação e apresentação de projetos. Só depois é que os recursos começarão a ser liberados. O tempo para o cumprimento dessa burocracia varia e pode demorar meses.

“É de fato um momento muito dramático.
As cenas são muito fortes.
É visível o sofrimento das pessoas,
e o risco é muito grande
Dilma Rouseff

Ontem, a presidente Dilma Rousseff sobrevoou as áreas atingidas pelas chuvas por cerca de uma hora e desceu em Nova Friburgo, onde vistoriou com o governador Sérgio Cabral e ministros os trabalhos de resgate das vítimas. — É de fato um momento muito dramático. As cenas são muito fortes. É visível o sofrimento das pessoas, e o risco é muito grande — disse a presidente.

Depois do sobrevoo, a presidente e os ministros se reuniram com o prefeito em exercício de Friburgo, Dermeval Barbosa Moreira. Dilma afirmou que o governo federal tem conseguido acelerar os repasses de recursos em caso de calamidades: — É uma dupla exigência. De um lado você tem que prestar conta do recurso
público que você gere, de outro lado, diante de calamidades, você tem que ser extremamente ágil.

Primeiro nós liberamos vários recursos fundo a fundo. Ou seja, sai do Tesouro Nacional e vai diretamente para as prefeituras. O segundo movimento é que, para calamidades, até 50% dos recursos podem ser antecipados. Agora a prestação de contas é absolutamente um requisito legal. O governo federal consegue acelerar o repasse mas permanece a obrigação de prestação de contas.


Governo ajudará na reconstrução

● Dilma afirmou que, após o resgate das vítimas, o governo federal vai participar da reconstrução das áreas atingidas. Ela disse que a ocupação de áreas de risco
é uma regra, e não a exceção no Brasil, e ressaltou que os governos federal, estadual e as prefeituras têm responsabilidades: — A prevenção não é uma questão de Defesa Civil apenas, a prevenção é uma questão de saneamento, drenagem e política habitacional de governos que se comprometem com a qualidade da vida da população. Quando você não tem política habitacional, o pessoal que ganha até dois, três salários mínimos mora onde? Mora onde não pode. Essa é uma questão que jamais achamos, e no meu governo não acharei, e continuarei não achando que é um problema do estado ou do município — disse Dilma que, ressaltou: — É um problema do governo federal de fazer uma política de saneamento e habitação, é um problema do governo estadual de fazer a mesma política e de somar esforços conosco, e é um problema do município de ordenar devidamente a ocupação do solo urbano. Vai deslizar morro porque a camada (terra) aqui é muito pequena? Perfeito, só não vai morrer gente. É a nossa missão.

Enquanto isso, os ministérios se mobilizam para atender as cidades. Ontem, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Luís Antônio Pagot, esteve na região para analisar que medidas tomar. O governo liberou R$ 80 milhões para o Ministério dos Transportes para reparação de vias danificadas. Ontem, o Dnit enviou maquinário aos municípios.

O Ministério das Cidades informou que a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2) prevê investimentos para contenção de encostas no Rio. A previsão é que Teresópolis seja contemplada com R$ 13,2 milhões, Nova Friburgo, R$ 8,8 milhões, e Petrópolis, R$ 1,1 milhão.

O Ministério do Desenvolvimento Social estuda antecipar o pagamento dos benefícios do Bolsa Família nos municípios atingidos pelas enxurradas. Hoje, técnicos do ministério irão ao Rio para analisar medidas de emergência. O ministério poderá instalar nos alojamentos cozinhas comunitárias emergenciais, a exemplo do que foi feito no ano passado em Alagoas e Pernambuco. No caso do Rio de Janeiro, será analisado se é possível preparar as refeições nos alojamentos.

O Ministério da Saúde enviou para o Rio mais de sete toneladas de medicamentos e insumos para atendimento aos atingidos pelas chuvas. São 30 kits suficientes
para atender 45 mil pessoas por um período de um mês. Além disso, os hospitais federais do Rio terão um esquema especial de atendimento à população. Os hospitais federais de Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Lagoa, Ipanema e Servidores reservaram parte das salas cirúrgicas e dos leitos para atendimento das vítimas.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou que os trabalhadores do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo que moram em municípios em estado de calamidade pública poderão sacar, a partir de hoje, até R$ 4.650 do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS). O pagamento do seguro desemprego será ampliado em até duas prestações. Ele explicou que o teto de R$ 4.650 corresponde a dez salários mínimos em 2009, mas a presidente Dilma Rousseff assinará
um decreto ampliando o limite para R$ 5.400.

Por causa da enchente que atingiu a Região Serrana, o Banco do Brasil (BB) anunciou ontem que está flexibilizando parte de suas linhas de crédito voltadas para micro e pequenas empresas em áreas afetadas. As facilidades valem para as linhas já contratadas, mas o banco não informou quantas empresas poderão ser beneficiadas.

Um contingente de 225 homens da Força Nacional chegou ontem ao Rio para se empenhar no salvamento de vítimas. Por determinação do Ministério da Justiça, seguiram para as áreas atingidas pelos temporais 130 PMs, sendo dez deles acompanhados de cães farejadores para procurar sobreviventes, além de 80 bombeiros e 15 peritos. A Força Nacional trouxe também macas e outros equipamentos necessários ao trabalho de salvamento das vítimas. ■

As enchentes e o poder
Governantes visitam áreas de desastres
● A presidente Dilma Rousseff respondeu com rapidez diante da tragédia, indo pessoalmente à Região Serrana 48 horas depois da devastação. Em junho de 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por visitar municípios de Pernambuco e de Alagoas, no Nordeste, uma semana após as chuvas. Mais de 50 pessoas morreram na ocasião. No desastre causado pelas águas em novembro de 2008 em Santa Catarina, Lula sobrevoou os locais atingidos pela chuva, que deixou mais de 100 mortos na região.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também enfrentou uma crise em decorrência de enchentes na Região Sudeste em janeiro de 2000. De helicóptero, FH observou as áreas atingidas nos municípios de Engenheiro Passos, no Rio, e Itajubá, em Minas Gerais.
Em 1988, Ulysses Guimarães, então presidente da Câmara dos Deputados, esteve em Petrópolis para vistoriar os estragos causados por uma enchente. O parlamentar veio na condição de presidente em exercício, porque José Sarney estava fora do país.
Eduardo Azeredo, governador de Minas Gerais no ano de 1997, também viajava quando uma chuva resultou em mais de 70 mortos no estado. Ele optou, no entanto, por
permanecer mais alguns dias na Europa em vez de voltar imediatamente. Azeredo foi criticado e, no ano seguinte, não se reelegeu.

14/01/2011 - 08:35h Cinco mil casas em áreas de risco

Secretaria de Meio Ambiente vai ajudar a realocar famílias

O GLOBO

● Pelo menos cinco mil casas estão em áreas de risco nas cidades de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, de acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc. A pasta vai oferecer aos três municípios equipe especializada em retirar a população desses terrenos. Minc afirmou que o governo do estado mapeou esses lugares e já houve tentativas de retirar famílias e pequenos estabelecimentos, mas eles foram à Justiça e conseguiram liminares para permanecer nos locais.

— Em 2008, famílias, uma floricultura e um aviário em Petrópolis seriam retirados, mas a Justiça acolheu as liminares deles. Relatei isso ontem a presidente Dilma Rousseff, e ela afirmou que precisamos cada vez mais conscientizar as pessoas de que elas não podem morar em áreas de risco — disse o secretário, informando ainda que o governo do estado se reuniu também com o Ministério Público, para ajudar na realocação das famílias.

De acordo com Minc, os municípios de Petrópolis e Teresópolis não têm equipe suficiente para o processo de retirada das famílias desses lugares: — É preciso conversar com as famílias, encaminhar para um aluguel social, e identificar terrenos seguros.

As cinco cidades da região serrana mais atingidas pelas chuvas ganharam, nos últimos 20 anos, uma população extra de 105 mil pessoas, ou um crescimento de 18%. No total, Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto têm hoje cerca de 677 mil habitantes, contra 571 mil no começo da década de 1990. As cinco cidades, juntas, já contam com mais de 220 mil domicílios ocupados regularmente, ou seja, sem contar casas de veraneio. Mesmo com toda essa expansão, o crescimento da região foi inferior à média do estado do Rio nas últimas duas décadas (alta de 24,87%) e ao registrado em todo país (crescimento de 29,90%). Apenas a cidade de Teresópolis conta com um crescimento acima da média: passou de 120.709 habitantes em 1991 para 163.805 moradores neste ano, uma alta de 35,70%. Entre 2000 e 2010, Teresópolis ganhou mais de 25 mil moradores, um avanço de 18,62%. Esse percentual é
quase é o dobro do registrado no estado no período, que foi de 11,13%. Apenas nos últimos três anos, o crescimento da população de Teresópolis avançou 9%, praticamente o triplo da média do Estado e do Brasil, que foi de 3,7%.

Neste período, contudo, Petrópolis perdeu cerca de 10 mil habitantes, uma redução de 3,46%. Para Ranulfo Vidigal, doutorando em Política Pública e Desenvolvimento na UFRJ, problemas como estes são agravados pela falta de instrumentos das cidades médias: — As cidades médias de todo o Brasil cresceram mais que as capitais. Mas elas não contam com mecanismos como um planejamento efetivo para fazer frente a este crescimento.

13/01/2011 - 08:36h Capital paulista ainda tem área alagada


Uma das mais afetadas fica em bairro na zona leste onde Prefeitura fez obras antienchente e Kassab comemorou

Diego Zanchetta e Marcela Spinosa – O Estado de S.Paulo

Um dia após o prefeito Gilberto Kassab (DEM) elogiar a “eficiência” das obras antienchentes em 16 bairros do Jardim Helena, no extremo leste de São Paulo, parte da região amanheceu ontem submersa. A única parte que ficou seca foi o Jardim Romano, onde o governo construiu um dique na várzea do Rio Tietê. Mas os alagamentos não ficaram restritos à periferia: no Bom Retiro, região central, seis vias permaneciam inundadas.

As águas do Tietê e de outros três córregos invadiram mais de 80 quarteirões entre o Itaim Paulista e Guarulhos. Nas ruas, a profundidade chegou a 1,5 m e continuava a subir no início da tarde na Vila Seabra, perto do Jardim Romano. Nas ruas de terra do Jardim Helena, a locomoção era feita só de barco, como nas chuvas de janeiro de 2010.

Muita gente que perdeu tudo no ano passado resolveu continuar na região com o bolsa-aluguel de R$ 300 mensais pagos pela Prefeitura. Com a assistência financeira, dezenas de famílias desapropriadas da área da construção do dique resolveram ficar perto de parentes, em locais também próximos da várzea do rio. E agora estão sem teto de novo.

“Demoliram minha casa no ano passado, falaram que estava condenada. Com essa bolsa de R$ 300 só consegui alugar um cômodo aqui perto”, reclamava Firmino Nascimento, que teve a casa em área de risco derrubada pela Defesa Civil em fevereiro. Ontem, a casa onde ele mora de aluguel alagou de novo. Segundo o governo, não é possível fiscalizar o uso dos benefícios do bolsa-aluguel – são 15 mil famílias que recebem o dinheiro na capital.

Bom Retiro. A chuva que caiu na madrugada de ontem fez parte do bairro do Bom Retiro, na região central, amanhecer, pelo segundo dia seguido, debaixo d”água. Ontem ainda foi dia de limpeza e de se preparar para as chuvas que estão por vir.

Sócio de uma empresa de tecelagem, Maurílio Martins Ferreira, de 37 anos, mandou construir comportas de concreto em duas das três portas de entrada do galpão da fábrica de tecidos na Rua Prates. “A água quase entrou aqui ontem (anteontem).”

Os prejuízos com o alagamento ainda estão sendo contados por moradores e comerciantes. Quinze lojistas devem entrar com ação contra a Prefeitura.

Ontem, Kassab afirmou que a região deve sofrer menos com os alagamentos com o trabalho de desassoreamento do Tietê, conforme anunciou anteontem o governador Geraldo Alckmin (PSDB). “O motivo do alagamento lá foi ocupação indevida da várzea do Tietê, que não deveria ter sido ocupada”, disse o prefeito. “Portanto, agora investimentos precisam acontecer, como alargamento das galerias, para atenuar o efeito das chuvas.”

Sem trégua. Voltou a chover ontem à noite na capital, mas houve poucos pontos de alagamento. Trecho da Avenida Sumaré, na zona oeste, próximo à Praça Marrey Júnior, chegou a ficar intransitável, mas o nível da água diminuiu por volta das 23h. A Marginal do Pinheiros tinha pontos intransitáveis, como na região da Ponte Cidade Universitária, também na zona oeste.

Havia a possibilidade de mais uma madrugada chuvosa, que poderia ter reflexos pela manhã para os paulistanos.

”Famílias devem deixar área de risco”

- O Estado de S.Paulo
O prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ontem que famílias que vivem em áreas alagadas devem deixar seus imóveis. “Quem mora nas áreas alagadas, de risco, deve deixar suas casas.” Kassab prometeu divulgar na próxima semana o mapeamento das áreas de risco concluído pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) no final do ano.

13/01/2011 - 08:33h Franco da Rocha: De 41 piscinões previstos, só um foi construído


Bruno Paes Manso – O Estado de S.Paulo

Dos 41 piscinões previstos para diminuir as cheias nas cidades de Franco da Rocha, Francisco Morato e no bairro de Perus, na zona de São Paulo, apenas um foi construído. Os reservatórios foram planejados na revisão do Plano de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê para armazenar 4,6 milhões de m³ de água na Bacia do Médio Juqueri. O único piscinão pronto, contudo, em Francisco Morato, tem capacidade para 200 mil m³.

Na revisão, ainda estão previstos a canalização e a construção de parques lineares em 34 quilômetros de sete córregos e rios. Outra medida apontada como prioritária é a criação de um pôlder com capacidade para 4 mil m³ e sistema de bombas.

O diretor da Região Metropolitana da Sabesp, Paulo Masato, disse ontem que a falta de investimentos em canalizações é fator fundamental para que Franco da Rocha mantenha-se vulnerável às fortes chuvas. “Existem projetos e obras no Departamento de Águas e Energia Elétrica para a região. A canalização do Juqueri é decisiva para reduzir os danos à cidade”, disse. Segundo a Sabesp, o Rio Juqueri já havia alagado Franco da Rocha durante a primeira chuva, na segunda-feira, quando a vazão da Represa Paiva Castro ainda era de 1 m³/s.

O diretor da Hisdrostudio Engenharia, Aluísio Canholi, empresa responsável pela revisão do plano diretor, afirma que, hoje, sem os reservatórios artificiais, Franco da Rocha é vulnerável a chuvas de porte médio, de 40 a 60 mm. O investimento em todos os piscinões custaria cerca de R$ 600 milhões ao governo do Estado. “Franco da Rocha sempre esteve embaixo d”água e por isso os piscinões são necessários”, diz.

13/01/2011 - 08:16h Catástrofe deixa mais de 250 mortos na serra do Rio

Cidades: Falta de luz e deslizamentos levaram caos à região atingida

Hudson Pontes/Agência O Globo
Temporal causa destruição na região serrana do Rio de Janeiro, como no distrito de Itaipava, em Teresópolis – na cidade pelo menos 114 pessoas morreram


Rafael Rosas e Juliana Ennes | VALOR

As chuvas que atingiram a região serrana do Rio de Janeiro na madrugada de quarta-feira deixaram pelo menos 257 mortos até às 20h de ontem, em uma das maiores catástrofes recentes do país. As cidades mais atingidas foram Teresópolis, com 114 mortes, e Nova Friburgo, com 107, incluindo três bombeiros. Petrópolis registrou outros 18 óbitos, principalmente no distrito de Itaipava.

O cenário nas cidades da região, famosas como destino turístico, era de guerra. Em Nova Friburgo, todo o centro da cidade ficou debaixo d’água e todos os 94 mil clientes da distribuidora Energisa ficaram sem luz durante pelo menos 13 horas.

Em Teresópolis não foi diferente. Queda de barreiras nas estradas, inundações e deslizamentos de encostas provocaram a morte de pelo menos 114 pessoas, deixaram 2 mil desabrigados e até 75 mil consumidores ficaram sem luz depois que a enxurrada derrubou a linha de transmissão da distribuidora Ampla que abastece a cidade. No início da noite, 23 mil clientes ainda estavam sem energia.

Bombeiros, concessionárias de serviços públicos e cidadãos que tentavam ajudar no resgate de feridos encontravam dificuldades para chegar aos locais de desabamentos. O número de mortos na tragédia podia aumentar justamente por essa dificuldade de acesso a vários locais atingidos por deslizamentos e inundações. Para ajudar no deslocamento de equipamentos e pessoal, o Ministério da Defesa autorizou a Marinha a atender o pedido de auxílio feito pelo governo estadual. A Marinha aceitou ceder dos helicópteros para auxiliar o transporte de equipamentos e pessoal da Defesa Civil para as áreas atingidas.

A região mais afetada de Petrópolis foi o Vale do Cuiabá, área que recebe enxurradas sempre que chove forte na serra de Teresópolis, por meio da estrada que liga as duas cidades. É nesse vale onde estão as casas de veraneio da família Gouvêa Vieira, entre elas a do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira.

A família alugava uma casa que foi completamente destruída pelas águas das encostas. Morreu o ex-executivo do mercado segurador Armando Erick de Carvalho, sua mulher Kitty, e a filha, a estilista Daniela Conolly, com o marido e o filho e a babá da criança. Também morreram os três sobrinhos de Daniela, filhos do irmão da estilista, o economista Erick Conolly, diretor da Icatu holding. Sobreviveram apenas três pessoas, a mulher, o sogro e a filha mais velha de Erick.

Em Nova Friburgo, foi registrado, das 9 horas de terça-feira até as 9 horas de ontem, um índice pluviométrico de 182,8 mm – o índice esperado para janeiro inteiro era de 199 mm. Desde o começo do ano, as chuvas acumuladas na cidade são de 366,8 mm, 84% a mais do que a média do mês. Em Teresópolis, o volume de chuva registrado nas mesmas 24 horas chegou a 124,6 mm. Com isso, as chuvas acumuladas no mês chegaram a 219 mm – o esperado para todo o período era entre 140 e 200 mm.

Entre as concessionárias de serviços públicos nas três cidades, o maior problema foi mesmo o corte do fornecimento de energia. Ampla e Energisa não deram prazo para o restabelecimento da energia em Teresópolis e Nova Friburgo, respectivamente. A Ampla desligou no fim da tarde 14 mil clientes em Areal, depois que a subestação foi inundada. A companhia ressaltou, além da queda da linha de transmissão e da inundação da subestação, que 26 postes foram soterrados por um deslizamento de terra ocorrido em um trecho de dois quilômetros na estrada que liga Teresópolis a Nova Friburgo.

Já a Energisa foi obrigada a cortar toda a energia de Nova Friburgo e Sumidouro depois que três subestações foram inundadas. No início da noite, a previsão do diretor presidente da companhia, Gabriel Alves Pereira Junior, era de que apenas 10% dos consumidores do Nova Friburgo tivessem a energia religada ainda ontem, enquanto Sumidouro, com 5 mil clientes, estaria com o fornecimento restabelecido hoje. Ele não deu previsão para a volta do fornecimento a todos os clientes de Nova Friburgo.

As empresas de telefonia também tiveram problemas com a chuva. Nova Friburgo ficou praticamente sem contato com o exterior durante todo o dia, dependendo apenas de alguns telefones fixos que eventualmente funcionavam e de rádios amadores.

A presidente Dilma Rousseff vai sobrevoar hoje a área atingida pelas chuvas. Desde ontem o governador Sergio Cabral mantém contato com o governo federal e o Ministério do Planejamento anunciou que serão liberados R$ 700 milhões para ajudar os Estados atingidos por chuvas, principalmente o Rio de Janeiro. Ontem, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, sobrevoou a região, acompanhado do secretário de Estado da Casa Civil, Regis Fichtner, e do subsecretário executivo de Obras, Hudson Braga.

Os moradores e os governantes têm motivos para se preocupar, já que as chuvas devem continuar atingindo a região até sábado. “Existe naturalmente um corredor de baixa pressão atmosférica vindo de Minas Gerais e que favorece a intensificação das chuvas na região serrana do Rio, na divisa com Minas. Uma frente fria vinda do sudeste, que já atua em Minas, Goiás e São Paulo é a que agora está no Rio”, explicou Marlene Leal, meteorologista do Inmet. (Com agências noticiosas; colaborou Heloisa Magalhães, do Rio)

12/01/2011 - 10:30h “SP está cada vez mais preparada para as chuvas”

Ronaldo Camargo, Secretário das Subprefeituras de Kassab
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