28/05/2009 - 21:04h Mulheres sem fronteiras

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Xulia Arandas, Burkas

© Xulia Arandas
Mulheres sem fronteiras
Sérgio C. Andrade
(P2, Público, 24.05.2009)
Não terá sido ao acaso que a direcção dos Encontros da Imagem de Braga escolheu um mosteiro para cenário da principal exposição da edição deste ano da iniciativa, que decorre até final de Maio. O tema e as motivações da exposição colectiva Fronteiras do Género vão bem com a atmosfera de um antigo lugar de clausura. Esta dimensão e o seu oposto, de protesto (às vezes, pelo lado da ironia) e mesmo de combate social e político, compõem as imagens mais impressivas do conjunto de trabalhos das 22 mulheres fotógrafas, portuguesas e estrangeiras, que formam este núcleo dos Encontros.
Entramos na sala do milenar Mosteiro de Tibães, nos arredores de Braga, e somos recebidos por cinco produções das Guerrilla Girls, um colectivo feminista americano radical, que questiona desde o olhar de Hollywood sobre a mulher – um dos cartazes é um simulacro de poster de um filme intitulado The Birth of Feminism, protagonizado por Pamela Anderson, Halle Berry e Catherina Zeta-Jones e realizado por… Oliver Stone – até à sua representação no mundo das artes plásticas – outro cartaz pergunta por que é que a mulher tem de se despir para entrar na iconografia dos museus; outro ainda regista a evolução da percentagem de mulheres artistas na Bienal de Veneza, desde a primeira edição em 1895 (2,4 por cento) até cem anos depois (9 por cento)…
A mulher aprisionada surge logo a seguir, na série Burkas, de Xulia Aranda, que a figura enredada na sua própria condição feminina. O tema das burkas e da submissão da mulher ao estereótipo e à condição social de subalternidade nas sociedades dominadas pelo islão surge mais à frente, nos trabalhos de Susana Mendes da Silva e de Shirin Neshat.
Há, depois, a mulher-mãe nas diferentes poses que ela pode assumir perante a maternidade: desde a revolta e a violência sobre si própria no vídeo e na série de fotografias de Júlia Galán (que nestas retoma uma cena forte do filme de Tsai Ming-Liang O Sabor da Melancia) às poses das mães pós-parto nos trabalhos de Juliana Stein, que ora se apresentam como “documento”, ora como “monumento”, como escreve o crítico de arte brasileiro Artur Freitas, no texto do catálogo.
Solidão e fragilidade
Da figuração (e também desconstrução) do glamour, da moda, da publicidade e da mulher objecto sexual – “Odeio ser gorda, come-me por favor”, grita Ana-Perez Quiroga, no serviço de porcelana em que “serve” o seu corpo nu à mesa da refeição – falam as imagens de Ana Laura Aláez (o vídeo Make-up sequences), Mariana Nuñez, Cláudia Huidobro e Sophie Carlier. Até que em três instalações inesperadas – Point de vue, de Anna Malagrida, Terre annoncée, de Aurore de Sousa; e La mémoire: un voyageur du temps, de Marie-Elsa Niels – o feminino ganha também a dimensão da poesia, do sonho, da solidão, da fragilidade, da delicadeza. Respectivamente: um tríptico de janelas embaciadas pela humidade faz transparecer um exterior insondável; as mãos de uma mulher tornam-se véus para uma visão religiosa; pequenos cubos de gelo encerram flores e frutos entre o nascimento e a morte…
E há, ainda, EU, de Celeste Cerqueira, uma instalação de placas caneladas que representam os contornos dos países da União Europeia e sobre as quais é projectado um vídeo, numa montagem em que “a dinâmica social do sujeito/cidadão se encontra enredada por vezes nas ilusões vendáveis do poder político”, descreve a autora.
Para além de Fronteiras do Género, os Encontros da Imagem apresentam outros Olhares femininos em diferentes museus e galerias de Braga.
(a programação completa dos Encontros está aqui)

13/12/2008 - 18:58h Professora sexagenária conta em livro como achou amor e sexo com um anúncio de jornal

Maria Vianna – O Globo

A professora Jane Juska. Foto: Reprodução

RIO – A vida da professora de inglês Jane Juska, 71 anos, mudou radicalmente após um anúncio no jornal. Cansada com o ritmo pacato da aposentadoria e de quase três décadas de abstinência sexual, ela decidiu voltar à ativa de forma criativa. Colocou um aviso em um jornal com a seguinte mensagem: “Antes de completar 67 anos – no próximo mês de março – gostaria de fazer muito sexo com um homem de que eu goste”. A quantidade de respostas surpreendeu Jane, que acabou colocando suas aventuras sexuais no livro “Uma mulher de vida airada – Memórias de amor e sexo depois dos 60″, recém-lançado no Brasil pela editora Rocco.

- O que mais me surpreendeu foi a alegria que estes encontros me deram. Conheci homens interessantes, que gostaram de mim, com os quais troquei muitas idéias, que me acharam linda, inteligente, e colocaram minha auto-estima lá em cima. O melhor de tudo é que três desses homens viraram grandes amigos, e ainda conheci meu parceiro atual, com quem estou há cinco anos – disse Jane.

Em entrevista ao site do Globo, ela conta como foi trilhar este caminho, no mínimo, inusitado.

Como era seu dia-a-dia antes da publicação do anúncio?

Minha vida era boa. Tinha acabado de me aposentar após trabalhar durante 35 anos como professora de inglês no ensino médio e em universidades. Com mais tempo livre, percebi que apenas uma cosia faltava em minha vida: sexo.

As críticas vão sempre existir, e muitas vezes virão de mulheres invejosas ou reprimidas com vidas miseráveis que adorariam estar no seu lugar


De onde partiu a decisão do anúncio?

A idéia veio depois do conselho da minha analista, que sugeriu que eu voltasse ao mercado afetivo de forma criativa. Tive muito medo de críticas, então fiz isto no mais absoluto sigilo, não contei para ninguém o que estava prestes a fazer. Sabia que ia ser criticada, principalmente se o anúncio tivesse uma resposta boa. Mas, ao mesmo tempo, já tinha tomado a decisão e nada ia me impedir de seguir meu plano.

Teve medo das respostas?

Sim, principalmente de não receber nenhuma resposta ou, pior, marcar um encontro e ser rejeitada por causa de minha aparência. Também tive muito medo de me machucar, tanto fisicamente como emocionalmente. Imagina se eu encontrasse um louco que resolvesse me bater… Acabou que sofri sim, mas por causa de um homem por quem me apaixonei e que não queria nada comigo. Chorei muito, e por toda a cidade de Nova York. Mas superei a tristeza ao conhecer outros homens.

Sua idéia de prazer mudou depois desta aventura?

Claro. Percebi que os homens também misturam sexo e amor. Aprendi que uma vida sexual boa ajuda a deixar a vida mais feliz. Acho que depois de tudo isso, minha vida ficou praticamente perfeita. Encontrei um novo amor e fiquei muito amiga de quatro homens que conheci graças ao anúncio. Entendi que mulheres têm o direito de expressar a sexualidade do jeito que quiserem. Meu conselho, depois disso tudo, é: “corra atrás do que você quer”. As críticas vão sempre existir, e muitas vezes virão de mulheres invejosas ou reprimidas com vidas miseráveis que adorariam estar no seu lugar.

14/06/2008 - 18:53h Dia Internacional do Comentarista de Blogs

O texto a seguir é do Blog Tangos e Trágedias, mas faço minhas as palavras da autora. 

Queria me adiantar, até para dar tempo de vocês comentarem, e deixar aqui os meus parabéns para os meus comentaristas já cativos e também para os eventuais pelo Dia Internacional do Comentarista de Blogs, no próximo domingo dia 15.

O dia “internacional” surgiu na Argentina, claro, para marcar uma data não muito comemorativa. Nessa data, em 2004, um internauta matou outro, na Província de Chaco, depois de uma discussão virtual no blog La Culpa del Tomate (que não localizei, deve ter se extinguido).

Vários encontros acontecem em Buenos Aires e em outras Províncias argentinas nos próximos dias para comemorar a data. O jornal “Clarín” também promove o encontro de quem quiser armar sua própria celebração.

Feliz dia!

Escrito por Adriana Küchler

PERFIL

Adriana Küchler, 27, é jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e repórter da Folha há três anos. Morou no Rio, em Florianópolis e em São Paulo, antes de aterrissar em Buenos Aires..

Blog Tangos e Tragédias

26/04/2008 - 16:53h A pesar de tudo, a Bienal de São Paulo vai…

“Bienal do Vazio” terá até 40 artistas

http://www.oficinadeestilo.com.br/blog/wp-content/bienal-sao-paulo-fashion-week.jpg

Mostra organizada por Ivo Mesquita já confirmou 29 nomes, entre eles a francesa Sophie Calle e a sérvia Marina Abramovic

Mesmo deixando vago um andar inteiro do pavilhão, próxima Bienal vai reunir 13 artistas brasileiros, quase metade da lista anunciada

FABIO CYPRIANO – FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

“Oi, Ivo, como anda o vazio?”, diz um colecionador ao curador da 28ª Bienal de São Paulo, Ivo Mesquita, durante a abertura da feira SP Arte, no parque Ibirapuera, anteontem. “Estou tratando de preenchê-lo”, retruca. Apesar do título “Em Vivo Contato”, dificilmente a próxima edição da Bienal, programada para ser inaugurada em 26 de outubro, irá escapar do apelido de “Bienal do Vazio”. Afinal, 12 mil m2, o segundo andar inteiro do pavilhão da Bienal, estarão desocupados, em razão da crise pela qual a instituição passa.
Já o plano de ocupação, ao qual se referia o curador na resposta ao colecionador, envolve, até o momento, 29 artistas (veja lista completa ao lado), sendo que o total deve chegar a 40. O primeiro destaque é o grande número de artistas brasileiros, 13, quase metade dos anunciados. “Ainda estamos acertando a participação de mais três ou quatro”, diz o curador.
Outro destaque é a presença de artistas como a francesa Sophie Calle e a sérvia Marina Abramovic, que realizam trabalhos com questões relacionadas a corpo e identidade. As duas estarão entre os artistas que irão ocupar a praça, no térreo, dedicada a ações transitórias como performances, e a área com um videolounge, no primeiro andar. Abramovic irá realizar uma palestra, dentro de ciclo de conferência, e apresentar a videoinstalação “The Artist Must Be Beautiful” (a artista deve ser bela).
O térreo é visto pelo curador como o local onde os debates acerca da instituição, que podem interessar apenas a especialistas, alcancem também um público maior: “A idéia da praça é justamente a de abrir um espaço de encontro das diversidades existentes na malha urbana, a partir de projetos específicos de artistas que ativarão o espaço do pavilhão durante os 42 dias da mostra.”
No terceiro andar, estarão artistas que irão trabalhar com os arquivos da Fundação Bienal de São Paulo, caso de Carla Zaccagnini e Nicolás Robio, argentinos radicados no Brasil, ou Mabe Bethônico, que já fizera isso na última Bienal.

Conferências
Mesquita também já definiu os temas do ciclo de conferências. Ele será composto por quatro plataformas: o meio artístico brasileiro e as Bienais de São Paulo; a economia das Bienais; como trabalhar com arquivos; tipologia das Bienais. Na primeira plataforma, por exemplo, foram definidas algumas edições das Bienais para serem examinadas a fundo: as de 1967 e 1969, quando houve um boicote à mostra; as de 1981 e 1983, organizadas por Walter Zanini; a de 1985, conhecida como a “Bienal da Grande Tela”, de Sheila Leirner; a da antropofagia, em 1998, com curadoria de Paulo Herkenhoff; e “Como Viver Junto”, de 2006, de Lisette Lagnado.
Passaram a fazer da equipe de Mesquita o jornalista Marcelo Rezende, que cuidará de um jornal semanal e o site; a crítica e curadora Luisa Duarte, que organizará as conferências; e os arquitetos Felipe Crescenti e Pedro Mendes da Rocha, que assinarão a montagem. Já o sul-africano Thomas Mulcaire deixou de fazer parte da curadoria.

“Crise ética”
Em texto recente publicado na revista trópico (www.uol. com.br/ tropico), o curador Paulo Herkenhoff afirma que a Bienal vive uma “crise ética” em relação a seus conselheiros. Mesquita diz que pretende abordar essa questão durante os seminários e que “espera fornecer à instituição um conjunto de recomendações para uma organização cultural mais ativa e permanente na vida cultural da cidade, oferecendo outros serviços para além da realização da Bienal de São Paulo”.

26/02/2008 - 19:36h Poetas do mundo, uni-vos

MONTEVIDÉU, (ANSA)- Escritores de América Latina, Estados Unidos e Espanha se reunirão do 13 a 16 de março em Montevidéu para celebrar o Quinto Encontro internacional “Poetas de las dos Orillas”.

Mais de 70 poetas de Argentina, Uruguai, Chile, Brasil, México, Estados Unidos, República Dominicana e Espanha confirmaram até agora sua participação, informaram os organizadores da cita cultural.

Os assistentes terão a possibilidade de fazer conhecer suas obras nas “Mesas de Leitura”, uma das atividades programadas para el evento junto a 15 apresentações de livros e três conferências.

O Encontro foi declarado este ano de Interesse Cultural pelo Ministério de Cultura de Uruguai, e conta com o apoio da Embaixada de Argentina no Uruguai e da Associação Uruguaia de Escritores (Aude).