23/08/2012 - 08:23h CEEE investe em eólicas

Por Sérgio Ruck Bueno | Valor

De Porto Alegre

Com a disponibilidade de novos aproveitamentos hidrelétricos praticamente esgotada no Rio Grande do Sul, a Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica (CEEE -GT), controlada pelo governo do Estado, decidiu mirar a energia eólica para crescer. O primeiro passo foi dado ontem, com a aquisição, por R$ 81 milhões, de 10% da sociedade de propósito específico (SPE), liderada pela espanhola Enerfin, que controla os parques de Osório e Palmares do Sul, no litoral gaúcho.

A estatal dispõe hoje de um parque gerador próprio de 909,9 megawatts (MW) de potência e de mais 343,3 MW em participações em usinas de terceiros. Praticamente a totalidade é formada por fonte hídrica, com exceção de 1 MW de geração térmica, e com a associação com a Enerfin serão agregados 50 MW em energia eólica até 2015, diz o presidente do grupo CEEE, que também opera com distribuição de energia em parte do Estado, Sérgio Dias.

Segundo o diretor-presidente da Enerfin, Guillermo Planas, os dois parques têm potência de 300 MW, mas o de Palmares do Sul, hoje com 50 MW, será ampliado em mais 122 MW até 2015. Toda essa energia já foi contratada e a empresa ainda pretende vender mais 78 MW no próximo leilão de comercialização em outubro.

A fatia dos parques eólicos vendida à CEEE-GT pertencia à empresa espanhola, que agora ficou com 81% dos empreendimentos, enquanto a Wobben , fabricante de aerogeradores controlada pela alemã Enercon, permaneceu com os 9% originais. Conforme Planas, o ingresso do novo sócio no negócio é “estratégico” por se tratar de um parceiro de “longo prazo”.

A estatal participará dos próximos investimentos da SPE na proporção da participação adquirida ontem, mas todos os empreendimentos já leiloados estão cobertos com o aporte de R$ 81 milhões, explicou Dias. Deste total, R$ 25 milhões serão integralizados até o fim deste ano. A maior parte será desembolsada em 2013 e para 2014 restarão apenas R$ 5 milhões a R$ 6 milhões.

O plano de investimentos em geração da CEEE-GT soma R$ 323 milhões de 2012 a 2014. O montante inclui a aquisição da participação na SPE e melhorias nas usinas hidrelétricas atuais, mas ainda não os novos projetos eólicos. Conforme Dias, a empresa está capitalizada depois que o governo federal decidiu pagar indenização de R$ 3 bilhões decorrente de uma ação judicial iniciada em 1993 que cobrava a inclusão dos gastos com servidores ex-autárquicos no cálculo dos reajustes tarifários.

06/08/2012 - 09:14h Queiroz Galvão investe em eólicas

Regis Filho/Valor / Regis Filho/Valor
Max Xavier Lins assumiu há três meses a Queiroz Galvão Energias Renováveis, que já nasce com carteira de 800 MW


Por Claudia Facchini | VALOR

De São Paulo

O grupo Queiroz Galvão, que atua nos setores de engenharia, petróleo e gás, concessões de rodovias e siderurgia, vai investir cerca de R$ 3 bilhões em complexos de energia eólica no Nordeste até 2016. O primeiro parque da recém-criada Queiroz Galvão Energia Renováveis (QQER) entra em operação no fim deste ano no Ceará, com capacidade de 122 MW.

Mas a empresa já possui em carteira contratos futuros de fornecimento de 800 MW de energia, o que a colocará entre as cinco maiores geradoras eólicas independentes do país, afirma Max Xavier Lins. Ex-diretor da Elektro e com passagens pela Eletropaulo e Neoenergia, o executivo assumiu há três meses a presidência da nova companhia do conglomerado, que tem sede no Rio de Janeiro.

Originária de Pernambuco, a família Queiroz Galvão segue os passos de outros empresários brasileiros, que também enxergam na geração de energia a partir do vento um negócio rentável, de baixo risco, à medida que os contratos de fornecimento são de longo prazo, e ao mesmo tempo sustentável. Somam-se a esses atrativos os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financia mais de 50% do total investido pelos empreendedores, a juros baixos.

A capacidade de geração de energia eólica do país, que era de 340 MW em 2008, deve superar 7 mil MW a partir de 2014, quando vários parques entram em produção, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). A participação do setor na matriz energética, hoje em torno de 1,3%, deve saltar para 5,3% dentro de quatro anos.

Muitos dos empreendimentos estão sendo construídos no país por empresários que fizeram fortuna em outros segmentos, como a família mineira Pentagna Guimarães, dona do banco BMG.

Entre os empresários que já investiram em parques eólicos estão a família Weege, dona da indústria têxtil Malwee, e o fundo Pragma Patrimônio, ligado aos fundadores da Natura. Ambos são sócios na Desa, que acabou de inaugurar o parque Morro dos Ventos, no Rio Grande do Norte. A família Seibel, acionista da Telhanorte e Duratex, associou-se à Servtec na Bons Ventos, que possui parques no Ceará e que foi vendida à CPFL por mais de R$ 1 bilhão neste ano.

Apesar de novata, a Queiroz Galvão Energia Renováveis já comercializou a energia que será gerada por parques eólicos que ainda serão construídos. A energia foi vendida tanto nos últimos leilões do governo quanto no mercado livre, em acordos bilaterais com empresas, cujos nomes não são revelados. Segundo Lins, a QGER também reforçou sua carteira com a aquisição de contratos vendidos por terceiros nos leilões de energia eólica realizados nos últimos anos.

Sobre a participação da companhia no próximo leilão de energia, marcado para outubro, Lins responde que essa é uma questão em aberto. “Vamos aguardar para ver quais serão as condições”, afirma. O governo não realizou nenhum leilão neste ano por falta de demanda, já que, após a desaceleração da economia, muitas distribuidoras possuem energia contratada em excesso. No último leilão, realizado no ano passado, a energia foi vendida por R$ 112 o MWh. “Mas, nesse meio tempo, o câmbio mudou e houve inflação”, afirma Lins.

06/08/2012 - 09:08h Varredura do BNDES acende sinal de alerta

Eólicas

Valor

A suspensão de cinco dos dez maiores principais fornecedores de geradores e equipamentos eólicos da lista de fabricantes credenciados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) causa apreensão no setor.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o BNDES vem conduzindo há dois meses uma devassa nas contas de empresas do setor, que levaram ao banco pilhas de notas fiscais de todos os equipamentos.

A medida é vista como um forte sinal, vindo de Brasília, de que o governo vai fechar o cerco àqueles que receberam recursos do banco estatal. O governo quer garantir que o dinheiro do BNDES esteja sendo utilizado para criação de empregos, essencial para recuperação econômica. A auditoria do BNDES foi feita para verificar se os fornecedores de aerogeradores estão cumprindo com o mínimo de 60% de conteúdo nacional.

Há dois meses, estão suspensas da Finame, linha de crédito do BNDES, a empresa dinamarquesa Vestas, as multinacionais alemãs Fuhrländer e Siemens, a indiana Suzlon e a espanhola Acciona.

Mas o Valor apurou a situação preocupa tanto o setor que até a multinacional americana GE, que permanece na lista de fabricantes aptos a receber recursos, enviou ao Brasil um executivo da matriz para monitorar a situação. Procurada, a GE não confirmou a informação e não se pronunciou sobre o assunto.

Os fabricantes descredenciados terão de cobrar mais pelos equipamentos, o que pode elevar os preços nos próximos leilões do governo. Os projetos eólicos inscritos para este ano totalizam 14.260 MW para entrega 2015 (A-3) e 12.547 em 207 (A-5), mas, como o leilão foi adiado para outubro, ainda não se sabe quantos, de fato, serão ofertados. O governo precisa também definir o preço máximo.

A situação é mais delicada para os parques que estão sendo construídos e cuja energia já foi vendida nos leilões anteriores, afirma Elbia Melo, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). A entidade negocia com BNDES para que os empreendedores não sejam prejudicados.

Os controladores dos parques eólicos esperam que os fornecedores descredenciados comprometam-se a atender às exigências. “Esperamos que se chegue a um entendimento”, afirma o presidente da Queiroz Galvão Energia Renováveis, Xavier Lins, que possui contrato com a indiana Suzlon. “Existem saídas, soluções, que estão sendo resolvidas”, afirmou Eduardo Sattamini, diretor financeiro da Tractebel, que possui contrato com a Siemens. A Vestas respondeu, por e-mail, que espera chegar a um acordo com o BNDES sobre as ações a serem tomada para voltar à Finame. (CF)

15/02/2012 - 08:03h Leilão de energia tem 598 projetos cadastrados

Por Rafael Bitencourt | VALOR

De Brasília

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou ontem o edital de licitação de novos empreendimentos de geração de energia elétrica que vão começar a operar no prazo de até três anos. O leilão, marcado para 22 de março, se destina à compra de energia proveniente de usinas hidrelétricas, eólicas e termelétricas movidas a gás natural ou a biomassa, que utiliza o bagaço de cana e outros resíduos.

O diretor da Aneel, Julião Coelho, prevê um novo sucesso dos parques eólicos no leilão, a exemplo do que ocorreu nas últimas licitações promovidas pela agência. Ele explica que há o fator de “conjuntura” e inovação técnica que tem tornado a fonte eólica bastante competitiva no país.

“O Brasil tem aproveitado o cenário que o favorece”, disse o diretor após a aprovação do edital. Ele ressaltou que muitos fornecedores de equipamentos, que investiam na Europa, estão vindo buscar mercado no Brasil. O resultado, segundo o diretor, é a queda brusca do custo dos equipamentos.

Até o final de 2011, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou 598 projetos para o leilão. Foram contabilizados 25,8 mil megawatts (MW) de capacidade para atender o mercado a partir de 2015. De todos os empreendimentos cadastrados, 524 projetos de geração são de fonte eólica (13,1 mil MW de potência). A fonte que registrou o segundo maior volume de capacidade de geração foi o gás natural, com 10,3 mil MW de potência e 26 projetos.

Os empreendimentos cadastrados pela EPE ainda terão que passar pelo processo de habilitação. Para as termelétricas a gás natural será exigido comprovação, por contrato, da garantia de fornecimento do combustível.

O edital definiu os limites de preço da energia negociada no leilão. O preço-teto da energia para as usinas hidrelétricas e pequenas centrais hidrelétricas (PCH) foi fixado em R$ 112 o megawatt/hora (MWh). O mesmo preço foi estabelecido para as usinas eólicas e as termelétricas pelo critério de disponibilidade. O custo máximo da energia elétrica dos projetos de ampliação de hidrelétricas existentes ficou em R$ 82 MWh.

03/02/2012 - 10:24h Eólicas de donos da Malwee são cobiçadas por AES, Energisa e EDF

Venda pode marcar entrada dos americanos da AES ou dos franceses da EDF na geração de energia eólica

Por Josette Goulart | VALOR

De São Paulo

O processo de venda dos parques eólicos da Dobrevê Energia (Desa), que pertence às famílias donas da Malwee e da Natura, pode marcar a entrada de um novo investidor estrangeiro na geração de energia eólica no país. Foi grande o número de empresas que avaliaram os ativos, mas apenas AES Brasil, Energisa e EDF continuam na disputa, segundo fontes do mercado financeiro a par das negociações. Se ficarem com os ativos, tanto a americana AES como a francesa EDF estreariam no Brasil nesse segmento.

A maior parte dos 205 MW em capacidade instalada das eólicas da Desa já está praticamente pronta para operar na cidade de João Câmara, no Rio Grande do Norte. Estima-se que os investimentos totais nos parques sejam de R$ 1 bilhão, já corrigidos pela inflação, e boa parte financiada pelo BNDES.

Fontes próximas às negociações dizem que a AES Brasil é quem tem uma das melhores propostas e em estágio de negociação mais avançado, mas sua proposta pode travar justamente no financiamento do BNDES. Como o banco é financiador dos projetos, precisa dar uma espécie de aval no caso de troca de controle. Se não autorizar a transferência dos empréstimos, eles precisam ser pagos antecipadamente. O grande problema da AES com o BNDES seria político. Até pouco tempo, a empresa americana estava inadimplente com o banco em uma pendência ainda remanescente da compra de parte dos ações da Cemig. As pendências eram remanescentes dos processos de privatização do setor elétrico no governo Fernando Henrique Cardoso.

Nenhuma das companhias quis fazer comentários sobre o assunto, alegando se tratarem de especulações de mercado. Há alguns anos, entretanto, a AES manifestou publicamente seu desejo de investir em geração eólica no país, mas não concretizou o projeto até agora. A compra dos parques da Desa seria uma porta de entrada no Brasil nesta área de geração, já que no mundo a americana tem mais de 6 mil MW em projetos eólicos.

A outra concorrente, o grupo francês EDF, também já declarou desejo de investir em geração eólica no país. Há seis anos a empresa que pertence ao governo francês vendeu sua participação na Light e reduziu drasticamente seu tamanho no país, permanecendo apenas com ativos de geração termelétrica. Mas no ano passado, o presidente da companhia esteve no país e falou publicamente do desejo da empresa de ampliar presença no Brasil.

Já o grupo nacional Energisa não é mais novato no setor de eólicas. No ano passado, a empresa, que pertence à família mineira Botelho, venceu o leilão de eólicas e vai construir parques com capacidade de gerar 150 MW de energia. A Energisa tem saído às compras nos últimos meses e compra uma série de pequenas centrais hidrelétricas. Segundo fonte do mercado financeiro, a proposta do grupo, entretanto, para a Desa não seria a de comprar a totalidade dos ativos, mas sim em fazer parceria.

O controle da Dobrevê Energia pertence à família dona do grupo Malwee e 25% está nas mãos de um fundo da família que controla a empresa de cosméticos Natura.

13/12/2011 - 18:53h BNDES aprova R$ 1,8 bi para 26 parques eólicos no RN


Recursos serão aplicados em quatro projetos distintos, que somarão 628,8 megawatts em potência instalada

13 de dezembro de 2011

Alexandre Rodrigues, da Agência Estado

RIO – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou hoje que a diretoria da instituição aprovou crédito de R$ 1,8 bilhão para a instalação de 26 parques eólicos no Rio Grande do Norte. Os recursos serão aplicados em quatro projetos distintos, que somarão 628,8 megawatts em potência instalada, informou o BNDES.

O crédito do banco corresponde a cerca de 70% do investimento total estimado para os projetos, que é de R$ 2,6 bilhões, mas o BNDES terá participações diferentes no custo total de cada um dos quatro empreendimentos.

Para os dez parques eólicos do empreendimento União dos Ventos nos municípios de Pedra Grande e São Miguel, com potência instalada de 169,6 megawatts e sistema de transmissão associado, o BNDES financiará 73,8% do investimento total de R$ 754,6 milhões divididos pelas dez sociedades de propósito específico criadas para cada um dos parques.

No projeto de São Bento do Norte, o Grupo Galvão receberá financiamento do BNDES equivalente a 70,27% do investimento total de R$ 401 milhões previstos para quatro parques eólicos, que integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com previsão de 94 megawatts de potência instalada.
O Complexo Eólico Asa Branca, da Contour Global do Brasil, terá 75% do investimento de R$ 600 milhões financiados pelo banco para a instalação de cinco parques que somam 160 megawatts em potência instalada.

Já o grupo Desa Eólicas vai receber financiamento de 67% do total de R$ 818 milhões que serão investidos em sete parques eólicos no projeto instalado nos municípios de João Câmara e Parazinho. Os parques somarão 205,2 megawatts em potência instalada.

Com a aprovação desse pacote de financiamentos para energia eólica, o BNDES fechará o ano com um salto de 275% nas aprovações de sua carteira para o setor, somando R$ 3,3 bilhões este ano. Em 2010, esse montante foi de R$ 1,2 bilhão.

04/12/2011 - 09:37h Grupo Brics aposta em novas energias

Países vão incentivar o desenvolvimento de fontes alternativas

04 de dezembro de 2011

Brasil tenta aumentar a capacidade de energia eólica - Divulgação

Brasil tenta aumentar a capacidade de energia eólica


Efe – O Estado SP

Os cinco países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) vão incentivar o desenvolvimento da energia eólica e solar, “ponto fundamental e inevitável pelo esgotamento das fósseis e dos problemas ambientais”, declarou neste domingo, 4, Bu Xiaolin, vice-presidente da província chinesa da Mongólia Interior, rica em carvão.

Bu destacou a importância da colaboração entre os cinco países diante dos delegados do Brics, reunidos no Fórum de Cooperação e Amizade dos Governos Locais na ilha meridional chinesa de Hainan.

Um dos integrantes da comitiva brasileira, o deputado estadual Jailson Lima da Silva (PT-SC) declarou que existe uma tendência no Brasil de substituir na vida cotidiana a energia fóssil pela limpa. O Brasil tenta aumentar a capacidade de energia eólica, com o objetivo de que as energias alternativas representem 65% do consumo energético nacional.

Como revelou o parlamentar, o país quer trabalhar com a China em energias renováveis, principalmente solar e biomassa, já que se o Brasil conta com grande potencial em energia solar, a China é líder na fabricação de equipamentos no setor.

Para Mlibo Qoboshiyane, representante do Conselho Executivo da Cidade do Cabo (África do Sul), o país investe cada vez mais em energia eólica e solar e recentemente iniciou um plano de US$ 12 bilhões para o desenvolvimento de energias renováveis.

O delegado sul-africano mostrou-se favorável a troca de informação e tecnologia do setor entre os países Brics a fim de que o consumo de energias renováveis seja sustentável.

Na reunião de Hainan foi acordado impulsionar o diálogo e a cooperação entre os cinco países, também na construção de infraestruturas, economia verde e transferência de tecnologia.

“Desejamos cooperar com os países do Brics em inovações sobre novas energias, promoção e desenvolvimento do mercado”, disse o representante chinês.

Conforme o vice-presidente da região da Mongólia Interior existe em sua província um grande potencial para desenvolver energia limpa com 380 milhões de quilowatts de recursos eólicos exploráveis, mais da metade da capacidade total chinesa no continente.

A região tem como meta uma capacidade instalada de 33 milhões de quilowatts para energia eólica e 1 milhão para solar até o fim de 2015, concluiu.

O Governo chinês confia em alcançar a capacidade nacional eólica instalada de 150 milhões de quilowatts na próxima meia década.

Em um fórum neste fim de semana na cidade de Nanning, Wang Yuqing, subdiretor do Comitê de População, Recursos e Meios da Comissão Consultiva Política do povo da China (CCPPC), principal órgão assessor, afirmou que a China é o primeiro investidor em fontes de energia renováveis com US$ 47,3 bilhões em 2010.

De acordo com Wang, mais de US$ 473,1 bilhões serão dirigidos de 2011 a 2015 às indústrias relacionadas com a proteção ambiental. O Governo é totalmente consciente de que a China deve desenvolver sua “economia verde”, concluiu.

01/12/2011 - 09:57h Os vendedores de vento do sertão

Por Josette Goulart | VALOR

De Bodó (RN), Cerro Corá (RN), Caetité (BA) e Igaporã (BA)
Ana Paula Paiva/Valor/Ana Paula Paiva/ValorA região do Seridó, no Rio Grande do Norte, tem um dos melhores ventos para produção de energia eólica do país e as empresas já inflacionaram os contratos de arrendamento de terrenos nos municípios que ficam na Serra de Santana

Pouco a pouco, uma vida nova se esboça para centenas de famílias do sertão nordestino. Castigados pelo clima e o árduo trabalho na roça que os fizeram brutos, mas também fortes, esses homens e mulheres vivem hoje da expectativa de que os ventos continuem soprando. Cabreiros pelo inusitado, mas decididos em realizar seus sonhos de que os filhos tenham uma vida diferente, esses sertanejos se tornaram, literalmente, vendedores de vento.

Mais de 150 mil hectares de terras, de pequenos e grandes proprietários, estão sendo ou já foram arrendadas no Nordeste afora por investidores do setor de energia que vão gerar eletricidade a partir dos ventos. Juntos, esses terrenos vão abrigar cerca de quatro mil torres eólicas com capacidade conjunta para gerar 5.400 megawatts (MW), toda essa energia já foi contratada pelo governo ou por grandes consumidores. Cada uma das torres renderá entre R$ 5 mil e R$ 8 mil por ano aos proprietários que estão arrendando pedaços de suas terras por 25 a 35 anos, prorrogáveis por igual período. Em alguns lugares, como na região do Seridó, no Rio Grande do Norte, o rendimento será ainda maior.

Muitos proprietários já planejam a reforma da casa, a compra de geladeira nova e até de imóveis na cidade para garantir o futuro dos filhos. Vender algo que se pode até sentir tocar a face, mas que não se planta ou colhe, é uma nova realidade.

Lauro Assunção, aos 62 anos, sonha com a “festinha” que finalmente fará para os amigos e família. Sim, vai ter festa em Bodó. Os planos estão traçados. O casarão antigo, avariado pelos anos, vai receber tinta nova. A carcaça do jipe abrigada na falsa garagem vai dar lugar à paixão pela sanfona e aos convivas, dezenas deles, quiçá mais de cem com tamanha família. A garagem será mais ao longe e um carro zero km completará a nova aquarela. Uma das catorze cabeças de gado vai ser engordada e sacrificada. Tudo isso virá com a renda do vento, que sopra tão forte na Serra da Santana, onde fica Bodó, que faz crescer tortos os cajueiros.

O contrato já foi assinado com a Iberdrola, mas ainda é referente ao período de estudos da regularidade dos ventos. Em breve, Lauro espera assinar o acordo pelas torres que ficarão em seus 64 hectares. É bastante terra por aquelas paragens, mas isso não tornou seu Laurinho, como é conhecido, rico. Ele espera mesmo é ganhar dinheiro com as eólicas. Seu pai, com 13 filhos, tinha quase seis mil hectares. Mas era só terra o que tinha. A riqueza não chegou junto e boa parte dos terrenos acabou vendida para grandes proprietários, por preços irrisórios se comparados com os de hoje. Esses novos proprietários terão agora dezenas de torres em suas terras e uma renda milionária com as eólicas da Iberdrola.

Mas isso pouco importa. Lauro faz as contas e acredita que poderá ganhar até R$ 6 mil por mês com o arrendamento de suas terras e isso está de bom tamanho. A nova renda será oito vezes maior do que ganhou no ano passado de aposentadoria. Hoje, ele já recebe R$ 750 por mês da Iberdrola, em uma fase preliminar do contrato, e pela primeira vez, pelo que se lembra, ele e dona Francisca Lúcia, sua esposa, irão às cidades vizinhas comprar roupas e presentes para a festa do Natal. O dinheiro que ganham com a mandioca é muito pouco, apesar dos 80 mil quilos que produz por safra de dois anos.

Não muito longe dali, na vizinha Cerro Corá, o cachorro Tufique parece perceber os bons ventos. Nunca precisou se preocupar em ir à caça dos preás para alimentar seus donos, como o famoso personagem Baleia das Vidas Secas. Mas assim como a cachorra de Fabiano criada na ficção por Graciliano Ramos, Tufique foi o fiel companheiro do dono nos seguidos anos de safra difíceis em que seu Bento Pinto de Albuquerque mal sabia se tinha tido lucro ou prejuízo.

Recentemente, Bento fez as contas sobre os gastos que teve para plantar em um hectare de sua terra e percebeu que gasta muito e lucra pouco, mesmo quando a safra está boa. Mas, na semana passada, recebeu “alguns mil reais”, uma quantia que não revela. O dinheiro chegou porque seu terreno foi escolhido pela empresa de projetos Rialma, de Goiás, para que estudos de vento sejam feitos na região. Dona Francisca já dá como certa a compra de fogão e geladeira novos. Bento, aos 55 anos, todos vividos na roça, ainda está incrédulo quanto ao futuro do projeto e se um contrato de longo prazo será mesmo fechado: “Num tenho leitura, mas não sô abestalhado. Temo que vê como vai sê isso”.

Muitos dos sertanejos que estão vendendo vento não sabem ler ou escrever e fecham os contratos com as empresas de energia confiando na leitura de outras pessoas. O fio de bigode ainda vale no sertão. Algumas prefeituras no Rio Grande do Norte dão auxílio a famílias e colocam advogados à disposição da população para analisar os contratos e buscar melhorar as condições. Mas na região seca do sul da Bahia que abriga municípios como Caetité, Guanambi e Igaporã, a confiança na palavra tem sido mais comum. É nessa parte do sul do Estado onde vão ficar parques eólicos da Renova e Iberdrola. Só na primeira etapa de construção dos parques da Renova serão colocadas 180 torres. Em todo o projeto da empresa serão instalados 1.100 MW e as primeiras torres já estão sendo colocadas.
Ana Paula  Paiva/Valor/Ana Paula  Paiva/ValorLauro Assunção, 62 anos, vai ter uma renda oito vezes maior e quer fazer festa na garagem, sem a carcaça do jipe

Os cataventos gigantes que estão mudando a paisagem do Nordeste ainda fazem os donos de terras, principalmente os pequenos, se sentirem confusos. Muitos temem que, com as torres, possam ser impedidos de cultivar a terra. Mas os empreendedores garantem que, passada a fase da construção, o espaço abaixo da torre pode ser usado normalmente. Os contratos, entretanto, fazem algumas restrições sobre a profundidade do plantio e a altura das plantações.

O que tem assustado os filhos de seu Guilhermino da Rocha, que têm terras espalhadas pelo município de Guanambi, é não poder desistir do negócio. O pai assinou o contrato com a Renova sem consultar a família, que ficou aperreada com os valores da multa se desistirem do contrato. Ninguém fala dessa cláusula do contrato. A muito custo, depois de se perder nos caminhos da comunidade de Curral das Vacas em Guanambi, o Valor encontrou alguém disposto a mostrar o documento. Está lá: R$ 5 milhões é o valor da multa, acrescido dos investimentos em equipamentos e correção. “Não tem como desistir”, resume um dos filhos de seu Guilhermino. É confuso também para os sertanejos da Bahia, a forma de correção. Será pela inflação, mas todos acreditam que na medida em que o salário mínimo subir, a renda vai crescer na mesma proporção.

Esse é o tipo de assunto que não causa preocupação em outros proprietários de terra que são autoridades nas cidades. O prefeito de Caetité, José Barreira, vai ter sete torres em suas terras e embolsar R$ 38.500 por ano e não tem nenhum questionamento a fazer. Pelo contrário, gaba-se do fato de que a arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) da cidade vai triplicar. Outra autoridade, o ex-deputado estadual, Márcio de Oliveira, deu ainda mais sorte. Quinze torres vão ficar em seu terreno, em Igaporã. Mas a sorte mesmo se deve à divisão da herança da família. Ele aceitou ficar com o pior terreno, que abrigava parte da serra local e portanto improdutiva, mas que é propícia para gerar energia.

Outros sertanejos que vão ter torres em regiões serranas de seus terrenos, não têm botado fé em que os contratos durem os 30 anos prometidos. Clarindo Pereira da Silva é um desses céticos. Ele é um dos maiores donos de terra de Caetité, junto com seus sete filhos. Vive uma vida simples, toda ela feita da lida da roça. Mas, aos 80 anos, já viu de tudo e questiona: “E se muda o governo? Já vi tanta firma grande quebrar?” Mas no curto prazo, Clarindo vê a vida dos filhos melhorar depois que assinou o contrato com a Renova, que tem entre seus acionistas a Cemig, por meio da Light. O filho João Willi diz que a venda da mandioca ou do leite trazia muita incerteza, já que os compradores acabavam inadimplentes. “Agora, temos um cheque todo mês, que sabemos que vai estar lá”.
Ana Paula  Paiva/Valor/Ana Paula Paiva/ValorBento, chefe da família Albuquerque, que vive em Cerro Corá, está contente pelo dinheiro inesperado que entrou em caixa mas prefere não cultivar ilusões

Na experiência de uma vida inteira na roça, Clarindo vaticina que os ventos estão soprando mais fortemente nos últimos cinco anos. Coisa que deixa Osvaldino Fernando de Souza esperançoso. Ele está na labuta desde os sete anos de idade na cidade de Igaporã, esperançoso de que seus filhos, hoje com dez, nove e sete anos, tenham uma vida mais promissora. Aos 67 anos, Osvaldino foi pai tarde. Perdeu a primeira esposa para o câncer depois de 30 anos de casado, sem nenhum filho.

O contrato de duas torres eólicas, que vão ficar no seu terreno, lhe rende R$ 900 por mês e veio em uma “hora abençoada”, pois vai garantir o futuro de seus filhos pequenos e a esposa 35 anos mais nova que ele. “Os filho vão se criá. Já dá pra pagá o pão e tô alegre por isso”, diz Osvaldino ao ver que sua terra, adquirida quando tinha apenas 14 anos de idade, agora vai criar seus filhos sem a dureza da vida que teve. “Oitenta conto. E a senhora num imagina a trabalhera que deu pá tê esse dinheiro. Ralando mandioca e tocando o jegue pá moê a ração e dá pru gado, que morria de fome (pela seca).”

O jegue não tem mais função. Foi substituído pela energia elétrica, que só há dez anos chegou à casa de seu Osvaldino por meio do programa Luz Para Todos. “Num dá prá ficá uma hora sem luz que a gente já acha ruim e já fica sem ração pru gado”. A reclamação é porque ficou oito horas do dia anterior, sem energia, por uma falha do sistema da Coelba, distribuidora da Bahia. Não tem televisão na sala de seu Osvaldino. A pequena casa de dois quartos, numa das sextas-feiras de novembro em que recebeu o Valor, estava mesmo era iluminada pelas flores vermelhas de um flamboyant no quintal. Oito dias antes, a chuva tinha chegado à cidade e feito florir toda a mata.

Centenas de quilômetros dali, quatro Estados acima no mapa, em Bodó, um flamboyant de igual envergadura também iluminava a casa de seu Laurinho e dona Francisca. “É o profeta do sertão”, contou dona Francisca. Se as flores chegam é sinal de que a seca está distante e as chuvas vão abençoar a terra. As águas têm demorado a chegar no sertão este ano, mas os ventos fortes continuam soprando. As profecias do flamboyant, Laurinho não consegue mais ver com nitidez. Está há 30 anos perdendo a visão em função de uma doença congênita que já cegou três de seus irmãos. Talvez ele não possa mais ver chegar a sua casa os convidados para a festinha, quando ela finalmente acontecer. Mas isso não abala esse homem do sertão, que só espera poder tocar a sanfona e dar um aperto de mão nos amigos que chegarem.

28/11/2011 - 10:13h Energia eólica vira ‘pré-sal do sertão’ e atrai fabricantes para polo baiano


Francesa Alstom inicia nesta semana produção de aerogeradores; GE, Vestas e Torrebras devem ser as próximas a chegar ao Estado

28 de novembro de 2011

TIAGO DÉCIMO , CORRESPONDENTE, SALVADOR – O Estado de S.Paulo

No próximo dia 30, a francesa Alstom inicia a produção de aerogeradores no Polo Industrial de Camaçari, região metropolitana de Salvador. Com a entrada em atividade, após investimentos de R$ 50 milhões, a empresa será a segunda no Estado a produzir maquinário para transformar vento em energia elétrica – a espanhola Gamesa está instalada desde julho no polo, após investimento semelhante.

Além delas, a americana GE Energy já assinou um protocolo de intenções com o governo da Bahia para se tornar a terceira a fabricar aerogeradores na Bahia, com investimento inicial projetado de R$ 45 milhões. A dinamarquesa Vestas, a maior do mundo no setor, também negocia com o governo. E a Torrebras, subsidiária brasileira da espanhola Windar Renovables, quer ser a primeira fábrica de torres eólicas no Estado.

Em comum, as empresas tentam aproveitar o grande potencial eólico brasileiro – em especial o baiano – e o momento propício. A energia eólica virou uma espécie de queridinha entre administradores públicos do País.

“Nosso objetivo é transformar a Bahia em um polo de construção de equipamentos aerogeradores para suprir toda a demanda não só da Bahia, mas do Brasil e até de toda a América Latina”, diz o governador Jaques Wagner.

Diversificação. O fenômeno foi iniciado na metade da década passada, quando o governo federal decidiu apostar na diversificação da matriz energética do País.

Considerada uma das formas ambientalmente menos agressivas de geração de energia elétrica e de mais rápida instalação, a eólica rapidamente passou a ter posição de destaque nas discussões.

Na Bahia, o grande potencial para extração de energia elétrica a partir dos ventos foi facilmente identificado. “Os ventos baianos são considerados um dos melhores do mundo, por serem unidirecionais e constantes”, afirma o diretor de Operações da Renova Energia, o principal investidor brasileiro do setor, Renato Amaral.

Outra característica que diferencia o Estado dos demais, em especial dos vizinhos nordestinos, é que os melhores ventos para a produção de energia não são registrados no litoral, mas exatamente na área mais pobre do território, o semiárido. A frequência dos ventos, que ficam mais fortes nas épocas de seca – registrada entre oito e dez meses por ano na região – também é tratada como benéfica entre os produtores.

Por causa dessas características, a produção de energia eólica na Bahia ganhou o apelido de “pré-sal do sertão” entre os mais entusiasmados (leia mais na reportagem abaixo). O fato de estar longe do litoral também facilita alguns trâmites burocráticos.

“Construções desse tipo perto do litoral são mais complexas do ponto de vista ambiental e logístico”, diz o diretor-presidente da Desenvix, José Antunes Sobrinho. A empresa será a responsável pela inauguração do primeiro parque eólico baiano, no início do ano que vem.

O principal entrave para a disseminação da tecnologia pela Bahia era o custo de produção desse tipo de energia. Não mais. O volume de contratos e a oferta, cada vez maior, de componentes para torres eólicas derrubaram os custos, tornando a alternativa eólica uma das mais baratas para o Estado.

Leilões. O governo federal realizou três leilões para exploração de áreas entre 2009 e 2011. Desse total de áreas leiloadas, 52 estão localizadas na Bahia, Estado que concentra 20% do total de potencial energético comercializado no País – 1,4 mil megawatts (MW) dos 7 mil MW envolvidos nos leilões. O montante corresponde a mais de 10% do total de energia produzida nas hidrelétricas e termelétricas no Estado hoje, cerca de 11 mil MW.

Os investimentos já confirmados pelas empresas no Estado chegam a R$ 6 bilhões, mas a projeção é que alcancem dez vezes esse montante nos próximos anos, fazendo com que a Bahia seja o principal produtor desse tipo de energia no País.

O potencial energético, considerando a tecnologia disponível – com o uso de torres de 100 metros de altura no lugar das de 60 metros, as mais comuns hoje -, por exemplo, chega a 29 mil MW. Algo como mais de duas usinas de Itaipu, operando na capacidade máxima, ou 20% do potencial total de produção de energia eólica do País.

Primeiro parque eólico da Bahia entra em operação em janeiro

Instalada pela Desenvix na Chapada Diamantina, usina dos ventos teve investimento de R$ 400 milhões
28 de novembro de 2011

SALVADOR – O Estado de S.Paulo

O primeiro parque eólico baiano, instalado pela Desenvix em Brotas de Macaúbas, 590 quilômetros a oeste de Salvador, na Chapada Diamantina, deve entrar em operação no início do ano que vem. São três áreas licitadas, cada uma com capacidade de 30 megawatts (MW), onde foram instaladas 57 torres eólicas.

O investimento é de R$ 400 milhões, incluindo a aquisição de 40% da área onde está instalado o parque. Os 60% restantes pertencem a pequenos produtores rurais, que vão receber royalties pela operação.

Até o fim de 2012, é esperada a inauguração de 18 parques no Estado, responsáveis pela produção de 413,6 MW, que vão fazer da Bahia o principal polo de energia eólica no País. Até 2014, espera-se que o montante produzido alcance pelo menos 1 mil MW.

O maior parque eólico brasileiro, da Renova Energia, será distribuído entre os municípios vizinhos de Caetité, Guanambi e Igaporã, no centro-sul baiano, tem previsão de inauguração para julho do próximo ano.

Inicialmente, o parque, fruto da compra de 14 áreas pela empresa no primeiro leilão do governo federal, em 2009, terá 184 aerogeradores, com capacidade de produção de 294,4 MW.

O investimento para o início da operação é de R$ 1,17 bilhão – e será acrescido de R$ 800 milhões para a ampliação do parque, com as aquisições das seis áreas adquiridas no leilão de 2010, que vão anexar mais 153 MW à produção a partir do fim de 2013.

No leilão deste ano, realizado em agosto, a empresa adquiriu mais nove áreas na região, para exploração de 212,8 MW.

Agricultores ganham com as fazendas de vento

28 de novembro de 2011

O Estado de S.Paulo

Além dos produtores de energia e dos fabricantes de aerogeradores, agricultores começam a se beneficiar com a iminente produção de energia eólica na Bahia.

Os proprietários dos terrenos onde estão sendo instalados os geradores, em geral pequenos produtores da agricultura familiar, vão receber entre R$ 5 mil e R$ 8 mil por ano por gerador e valor semelhante por hectare de terra utilizado. “É o pré-sal do sertão”, comemora o vice-governador baiano e secretário de Infraestrutura, Otto Alencar.

De acordo com ele, estão no semiárido baiano 258 dos 417 municípios do Estado – e a maior parte deles tem potencial de produção de energia eólica. “A chegada dessa tecnologia representa uma revolução na vida dessas pessoas. Estamos criando fazendas de vento”, diz Alencar. Em Brotas de Macaúbas, município da Chapada Diamantina onde será inaugurado, no início do próximo ano, o primeiro parque eólico da Bahia, por exemplo, a principal atividade nas áreas onde foram instaladas as torres é o cultivo de mandioca.

“Os agricultores ganham de várias formas: o governo fornece infraestrutura para a chegada dos investimentos, há a criação de postos de trabalho durante a implantação do parque e, com o início da operação, tem o pagamento dos royalties. Tudo muda com a chegada de um empreendimento como esse”, diz Alencar.

11/11/2011 - 13:18h Negócios e pesquisa em energia eólica no Brasil

Por Alexandre Street e Delberis Lima e Bruno Fânzeres – VALOR

No Brasil, as três principais fontes alternativas de energia elétrica são as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), a cogeração com biomassa derivada do bagaço da cana e a eólica, que há pouco ressurgiu com um forte papel. Elas são denominadas alternativas em relação às principais fontes convencionalmente utilizadas – as grandes usinas hidrelétricas e termelétricas.

Investir em fontes alternativas é positivo pois implica aumentar a diversidade da matriz energética brasileira. Ademais, tais fontes de energia também recebem o valioso sobrenome renovável, especialmente positivo por aproveitar os recursos naturais que podem ser renovados pela própria natureza no curto prazo.

Entre 2005 e 2010, foram realizados 14 leilões destinados à compra de contratos oriundos de novos empreendimentos de geração. Dos 18.500 megawatts médios (MWmed) negociados, 3.500 (19%) eram provenientes de fontes alternativas renováveis: 1% de PCHs, 9% de eólicas e 9% de biomassa da cana.

Criação de uma rede de pesquisa nacional é a principal arma para manter aberta atual janela de oportunidade

Contudo, esse montante contratado de energia eólica é proveniente sobretudo dos leilões realizados em 2009 e 2010, quando foram negociados 780 MWmed a um preço médio de R$ 148,39/MWh, e 1.160 MWmed, a R$ 130,86/MWh. Esse resultado positivo seguiu sendo observado nos leilões A-3 e de reserva deste ano, quando as eólicas surpreenderam o mercado movimentando quase 2.300 MWmed a um preço médio inferior a 100 R$/MWh.

Os dois principais fatores para o avanço significativo do interesse pela energia eólica são: 1) a crise mundial, que tornou o Brasil a válvula de escape dos fabricantes do mundo todo, aumentando o poder de negociação dos nossos investidores, o que faz o preço dos equipamentos caírem; e 2) recentes ajustes regulatórios, como incentivos fiscais e desenhos de contratos específicos para essa fonte, feitos para mitigar os riscos dos investidores.

Nos últimos três anos, contratos com cláusulas especiais foram utilizados a fim de mitigar o risco financeiro decorrente da grande incerteza e sazonalidade do insumo vento. Além disso, foi criada uma cláusula que trata da necessidade de comprar o montante contratado e não produzido ao preço de curto prazo, o temido preço de liquidação de diferenças (PLD).

Os geradores temem vender energia ao PLD, pois este é muito volátil, podendo chegar a valer até seis vezes o preço do contrato em tempos de crise, causando, nessas situações, uma grande perda financeira ao gerador que contratou de mais e produziu de menos. Por outro lado, na maior parte do tempo existe excesso de água nos reservatórios. Isso proporciona um PLD, que no Brasil é calculado como o custo de oportunidade do uso da água, muito baixo. Assim, vender energia sem um contrato, ao PLD, também não é boa ideia.

Dentre as mudanças realizadas no contrato padrão, o chamado contrato de quantidade, está a possibilidade de comprar a diferença entre o contratado e o produzido ao preço do próprio contrato. Todas esses ajustes acarretaram em um ambiente menos arriscado aos investidores e impulsionaram a viabilização dessa fonte no ambiente de contratação regulado (ACR), onde os geradores vendem contratos para as distribuidoras através de leilões.


Adriano Machado/Bloomberg/Adriano Machado/Bloomberg


Contudo, existe outro mercado em que a eólica ainda não conseguiu se firmar: o ambiente de contratação livre (ACL). O ACL é um mercado do tipo balcão, onde contratos bilaterais são livremente negociados entre geradores e grandes consumidores como shoppings, supermercados e indústrias. Aí são negociados contratos de quantidade, sem o alívio da cláusula que obriga o gerador a comprar, a PLD, o déficit de produção com relação ao montante contratado.

A dificuldade que as eólicas sofrem no ACL não é exclusiva a essa fonte. As PCHs, com a alternância entre períodos secos e úmidos, e as usinas a biomassa, que produzem energia em função da safra da cana, também sofrem com a sazonalidade dos seus recursos e enfrentam os mesmos desafios ao vender contratos de quantidade nesse ambiente.

Mas a história não termina aí. O regime sazonal dos recursos, tanto da biomassa quanto da eólica, é fortemente complementar ao regime das hidrelétricas. No período de seca dos rios do Sudeste é quando venta no Nordeste e quando as usinas a biomassa do Sudeste e Centro-Oeste estão a todo vapor devido à safra da cana; a situação se inverte na outra metade do ano, no período úmido das hidrelétricas. Assim, a complementaridade entre os recursos renováveis aponta para uma nova possibilidade de negócio em um ambiente com grande crescimento e muito rentável, o ACL.

Ainda como uma prática incipiente, comercializadoras e grandes holdings de geração começam a criar carteiras otimizadas dessas fontes renováveis para revendê-las conjuntamente, mitigando o elevado risco financeiro de cada fonte. Esse movimento é apenas uma vertente de um conjunto de pesquisas que estão sendo realizadas neste momento pelos investidores através de universidades e empresas de consultoria.

Muitos outros desafios ainda devem ser vencidos para consolidar e atrair de modo sustentável o investimento em geradores eólicos no Brasil. Por exemplo: desafios regulatórios, como o desenho de leilões e a criação de mecanismos de troca de energia entre as usinas para mitigar a incerteza na geração; desafios no âmbito elétrico, como o dimensionamento das redes para receber uma injeção de potência variável ao sabor dos ventos; climatológico/estatísticos, como a previsão, certificação e simulação das velocidades dos ventos; e tecnológicos, como a tropicalização dos equipamentos para que se adaptem à realidade nacional.

Esses temas fazem parte de uma ampla área de pesquisa em que grupos isolados começam a atuar. Contudo, a criação de uma rede de pesquisa nacional, que gerencie de maneira coordenada e sinérgica a pesquisa de temas estratégicos para o segmento, é a principal arma para aproveitar e manter aberta a janela única de oportunidade que o Brasil vive: alto poder de negociação com os fornecedores e interesse das entidades reguladoras em desenvolver o segmento.

Alexandre Street e Delberis Lima são professores do Departamento de Engenharia Elétrica do CTC/PUC-Rio.

Bruno Fânzeres é aluno de Iniciação Científica do CTC/PUC-Rio.

10/11/2011 - 11:24h Furnas e Eletrosul investem no potencial dos ventos

Por Carlos Vasconcellos | Para o Valor, do Rio

O momento é bom para investir no mercado de energia eólica no Brasil, que vem alcançando preços competitivos nos leilões promovidos pelo Ministério de Minas e Energia. O país tem a energia eólica mais barata do mundo, diferentemente de 2004, quando foi incluída em leilões, diz Luiz Pinguelli Rosa, diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). “No último leilão, o MW/h da eólica saiu por cerca de R$ 100; o da térmica, por R$ 140.”

06/10/2011 - 11:31h Empresas autoprodutoras de energia vão investir R$ 3,4 bi em usinas eólicas

Divulgação/DivulgaçãoMário Menel: autoprodutores estão dispostos a “avançar nos planos”


Por Daniel Rittner | VALOR

As indústrias eletrointensivas pretendem investir cerca de R$ 3,4 bilhões na construção de novos parques eólicos com capacidade para gerar até 1.000 megawatts (MW) de energia. O interesse é especialmente grande entre seis empresas: Alcoa, Camargo Corrêa Cimentos, CSN, MPX, Vale e Votorantim. Todas elas já iniciaram estudos sobre o tema.

Os investimentos devem ocorrer até 2020, segundo a Abiape, associação que representa os autoprodutores de energia elétrica, um grupo de 11 pesos-pesados da indústria. O planejamento das empresas que produzem energia para consumo próprio indica a intenção de ampliar a capacidade em 6 mil MW, por meio de diversas fontes. Um sexto disso seria por meio das eólicas, alternativa até então ignorada pelos grandes da indústria pesada.

Com pequenas mudanças regulatórias, os autoprodutores estão dispostos a “avançar nos planos”, diz Mário Menel, presidente da Abiape. O barateamento da energia eólica já permite à indústria pensar em grandes investimentos no setor, “inclusive como alternativa à dificuldade para implantar usinas hidrelétricas”, diz Menel.

A entrada das indústrias eletrointensivas na geração eólica pode marcar a quarta etapa de desenvolvimento da energia pelos ventos. Na primeira etapa, no fim do governo Fernando Henrique Cardoso, a criação do Proinfa deu um impulso às fontes alternativas, por meio de subsídios. Mas os preços se mantinham altos e havia pouca atratividade para novos projetos.

No fim de 2009, após insistentes pedidos do setor, o governo fez um leilão exclusivo para usinas eólicas. Isso foi o segundo paradigma de seu desenvolvimento, com queda superior a 20% nos preços. O terceiro salto veio neste ano, quando o leilão de energia realizado em agosto demonstrou o rompimento de uma barreira: o megawatt-hora da energia eólica (em torno de R$ 99) ficou mais barato que o das térmicas a gás.

Fornecedores estrangeiros de equipamentos passaram a deslocar parte de sua produção, com baixa demanda nos países ricos, para o Brasil. Isso ajudou a derrubar os preços. “Mas o ganho tecnológico foi brutal nos últimos anos”, diz Élbia Melo, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). O investimento necessário para 1 MW de nova capacidade instalada, segundo ela, caiu de R$ 7 milhões no início do Proinfa para os R$ 3,4 milhões atuais. Baseados nessa estimativa, os autoprodutores calculam seus investimentos em cerca de R$ 3,4 bilhões até 2020.

Esse grupo de indústrias, que fatura R$ 223 bilhões por ano, já possui um parque gerador de 7.045 MW em operação. Mas amargou oito anos sem novos projetos. As licitações de hidrelétricas privilegiaram a contratação de energia pelas distribuidoras – o chamado “mercado cativo”. A estagnação só foi superada recentemente, com a entrada da Vale na sociedade de Belo Monte, com 9% de participação – o equivalente a 1.011 MW.

Diante da queda de preços e das dificuldades em viabilizar novos projetos, embora tenha obtido permissão do Ministério de Minas e Energia para ficar com até 20% das hidrelétricas que serão leiloadas em dezembro, os autoprodutores resolveram entrar também nas eólicas.

Menel sublinha, no entanto, uma dificuldade que as indústrias poderão enfrentar: as usinas eólicas geram energia apenas quando há vento, o que pode não coincidir com os períodos de pico da produção industrial. Para se blindar contra essa sazonalidade, os autoprodutores sugerem uma espécie de compensação: colocam a energia no sistema interligado, sempre que houver ventos suficientes, e depois retiram do sistema – quando necessário – a mesma quantidade de energia, sem pagar a mais por isso, não importando a fonte.

A Abeeólica apresentará oficialmente essa proposta a autoridades do setor elétrico, na próxima semana. “Um dos desafios da geração eólica agora é entrar no mercado livre de energia”, diz Élbia Melo. Menel lembra a necessidade dos autoprodutores: hoje esse grupo de indústrias têm 5.657 MW médios de carga, que deve subir para 10.110 MW médios em 2020. “Temos que olhar todas as possibilidades.”

25/10/2010 - 07:57h Força dos ventos gera energia e negócios no País

Com queda no preço da energia eólica, projetos do setor vão multiplicar por sete a capacidade instalada no Brasil até 2013


Naiana Oscar e Renée Pereira – O Estado de S.Paulo

Era uma manhã de verão na praia de Taíba, a 55 quilômetros de Fortaleza (CE). Não é possível descrever com exatidão a paisagem naquele início dos anos 90, mas com certeza ventava. Vindo de Sorocaba, o engenheiro mecânico Pedro Vial atravessou as dunas de buggy, fincando hastes de metal na areia – dez ao todo. “De longe, parecia um campo de golfe”, lembra. Mas era a pedra fundamental da primeira usina comercial de energia eólica no País.

As hastes provisórias indicavam o lugar onde mais tarde seriam instalados dez cataventos mais altos que o Cristo Redentor, no Rio. Ali, de frente para o mar, eles teriam de gerar 5 megawatts (MW) por hora – o suficiente para abastecer 100 mil residências em um ano. Vial conhecia pouco, ou quase nada, de usinas eólicas. Mas tinha acabado de ser apresentado a um empresário alemão, perito no assunto, que vislumbrou, antes de muitos, o potencial brasileiro.

Aloys Wobben, dono da Enercon, uma das maiores fabricantes de aerogeradores do mundo, incumbiu o engenheiro de Sorocaba de iniciar a operação no Brasil. “Quando comecei a oferecer nossos projetos para governos e concessionárias, parecia que eu estava recitando poesia, era coisa de desocupado”, lembra Vial.

A usina de Taíba entrou em operação em janeiro de 1999. Desde então, a multinacional alemã, aqui chamada Wobben Windpower, ergueu 16 usinas no Brasil. Na porta da sala do engenheiro, uma mensagem impressa em papel sulfite dá noção do que foram esses últimos anos e do que vem pela frente: “Depois que o tigre é morto, todo mundo é caçador.” Após uma década, explorando praticamente sozinha o mercado nacional, a empresa terá de disputar o tigre com os primeiros concorrentes. Eles estão chegando de todas as partes do mundo para explorar os ventos que sopram no País.

Alguns já fincaram suas bandeiras em território nacional e estão com a produção a plena carga, como a argentina Impsa e a americana GE. A francesa Alstom vai inaugurar sua unidade na Bahia em 2011. A corrida para abocanhar uma fatia do mercado conta ainda com a espanhola Gamesa, a indiana Suzlon, a dinamarquesa Vestas e a alemã Siemens. Multinacionais coreanas e chinesas podem engrossar o time, ávido por novos projetos.

A efervescência no setor é recente. Tem pouco mais de um ano. Antes disso, o preço da energia eólica era inviável para a realidade brasileira. Mas os ventos mudaram e os projetos deixaram de fazer parte da ideologia dos ambientalistas para virar alternativa de abastecimento energético do País.

Virada. Com a crise internacional, o consumo de energia recuou no mundo todo e os projetos de novas usinas foram paralisados, deixando as fábricas de equipamentos com a capacidade ociosa elevada, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Como o Brasil saiu rapidamente da crise e o consumo de energia passou a crescer 12% ao ano, os fabricantes globais se voltaram para o País.

O interesse cada vez maior das multinacionais pelo mercado brasileiro se refletiu diretamente nos preços da energia, que surpreenderam até os mais otimistas do setor no primeiro leilão de eólicas, em dezembro de 2009. Em média, os valores ficaram em R$ 148 o megawatt/hora (MWh) – um ano antes, custavam mais de R$ 200. Oito meses depois, o improvável ocorreu: o preço recuou para R$ 130 – mais baixo que os das tradicionais pequenas centrais hidrelétricas e das usinas de biomassa.

Na prática, os leilões representam a construção de 161 unidades até 2013. Hoje, são 45. A capacidade instalada vai crescer até sete vezes no período, saindo dos atuais 700 MW para 5.250 MW – resultado de uma montanha de investimentos, da ordem de R$ 18 bilhões, segundo o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica), Ricardo Simões.

Perspectiva. A formação desse plano de investimentos e a expectativa de leilões regulares de energia eólica ajudaram a reforçar a aposta estrangeira no País. “O Brasil está se preparando para ter 20% de energia eólica até 2020″, diz Arthur Lavieri, que há dois meses assumiu o controle da Suzlon. A multinacional anunciará até novembro o nome da cidade, no Ceará, que vai receber sua fábrica de aerogeradores. Será a única nova unidade do grupo até 2011. “Brasil, Índia e China são os três maiores mercados eleitos pela Suzlon”, diz.

Bem antes de se decidir pelo investimento, porém, a Suzlon já experimentava os retornos do mercado brasileiro: 47% da energia eólica do País são produzidos com equipamentos da companhia. No passado, as máquinas eram importadas. Agora, tudo será feito com mão de obra nacional – a fábrica terá capacidade para produzir até 600 pás e 500 MW de turbinas por ano.

A Siemens, referência mundial na produção de turbinas para hidrelétricas, também corre para conquistar uma fatia do mercado. Para estrear na produção de geradores eólicos no Brasil, a alemã planeja uma nova fábrica no Nordeste. A alternativa da gigante GE foi fazer um “puxadinho” na sua unidade em Campinas para atender os contratos firmados no primeiro leilão de energia eólica, no fim de 2009.

Na ocasião, foram contratados 300 aerogeradores, com capacidade em torno de 450 MW. No segundo leilão, ela conquistou outra leva de pedidos, que somam quase 500 MW. A demanda elevada já mudou os planos da empresa, que estuda quatro locais para instalar uma nova fábrica, inclusive no Nordeste. Esta também foi a região escolhida pela Impsa, que construiu uma unidade em Pernambuco, com capacidade para produzir 600 MW por ano em turbinas.

Investidores. Todos esses fabricantes de equipamentos firmaram pré-contratos com os investidores que participaram dos leilões e que vão construir as usinas. Uma das empresas que mais fecharam negócios nos últimos dois leilões é a brasileira Renova. Com dez anos de mercado, ela fatura hoje R$ 37 milhões. Até 2013, esse valor vai quase multiplicar por dez com os novos contratos. A espanhola Iberdrola também teve forte participação nas disputas e já encomendou equipamentos da fabricante Gamesa, que tem planos de abrir fábrica na Bahia.

Para a pioneira Wobben, tantos concorrentes devem representar um recuo na participação no mercado, de 50% para 35%. Mas Pedro Vial parece tão hipnotizado com as perspectivas do setor que tem deixado a preocupação com os novos competidores em segundo plano. A multinacional fabrica em média 20 aerogeradores por mês. São peças gigantes: só as pás pesam 6,5 toneladas cada uma e, os geradores, outras 61 toneladas. Até 2009, 80% das máquinas eram vendidas para o exterior. Aos poucos, as usinas brasileiras têm ganhado mais espaço no portfólio da empresa. Em 2010, as exportações já caíram para 60%. No ano que vem, não devem passar de 15%.

Perto da Wobben, em Sorocaba, está instalada outra gigante do setor, a Tecsis, segunda maior fabricante de pás do mundo. A empresa fundada por engenheiros do Centro de Tecnologia Aeroespacial de São José dos Campos tem dez unidades de produção. Em 15 anos de existência, todas as 30 mil pás produzidas foram exportadas. Não havia nenhuma pá da Tecsis girando em usinas brasileiras até o início deste mês, quando os equipamentos foram inaugurados num parque eólico da Impsa.

“Já tive a oportunidade de ver nossas pás em operação no Japão, nos EUA, na Europa, e era uma frustração não vender para o Brasil”, diz o presidente da Tecsis Bento Koike. “Nossos clientes não olhavam para esse mercado, porque não interessava.” Agora, a situação mudou. Cerca de 85% dos projetos contratados nos dois leilões terão pás da Tecsis. Para atender à demanda brasileira, a empresa vai montar uma fábrica no complexo industrial de Suape, em Pernambuco.

24/08/2010 - 10:40h Imposto menor e retorno maior elevam interesse por eólicas

Infraestrutura: Mais de 300 projetos do setor disputam leilão de fontes alternativas marcado para esta semana


Silvia Costanti/Valor
Foto Destaque
Manoel Zaroni, presidente da Tractebel, diz que renovação de acordo Confaz vai permitir participação no leilão


Josette Goulart, de São Paulo – VALOR

Novatos e tradicionais geradores estão entrando pesado nos investimentos em energia eólica em busca dos retornos promissores, que chegam a ser quase o dobro do que alguns investimentos em hidrelétricas. Mais de 300 projetos de energia eólica, que somam cerca de 8,5 mil megawatts, estão inscritos para os leilões de fontes alternativas que acontecem nesta semana. A disputa deve ser acirrada não só entre os empreendedores, mas também entre fornecedores internacionais de equipamentos, como a Wobben, que já tem unidade no país, e Alstom, Siemens e GE, que começam a erguer fábricas no Brasil e disputam clientes com políticas agressivas de preços.

A competição deste ano contará com grandes geradores internacionais que ficaram de fora do leilão do ano passado. É o caso da Tractebel, empresa do grupo GDF Suez, e da Iberdrola, que fez associação com a Neoenergia para a disputa. Entre os novatos do setor, o apetite é por conta da Coomex e da Renova Energia, a primeira empresa de energias renováveis a ter ações cotadas na Bolsa de Valores e a maior vendedora de energia em 2009.

A Renova vendeu no ano passado 13 parques com capacidade de gerar 270 MW de energia eólica, onde vai investir mais de R$ 1 bilhão. O retorno sobre o investimento desses parques chega a 16%, segundo estudo feito pela consultoria PSR , que consta do prospecto definitivo da oferta inicial de ações que a companhia fez neste ano. É quase o dobro do que é esperado com Belo Monte. E neste ano, os fornecedores baixaram os preços, segundo o diretor financeiro da Renova, Roberto Honczar.

A CPFL Energia, que tem ficado de fora dos grandes projetos hidrelétricos, vendeu sete parques eólicos em 2009 e vai investir R$ 780 milhões nos projetos que começaram a ser construídos neste ano. O presidente da empresa, Wilson Ferreira Junior, está confiante em investir um montante parecido com os parques eólicos que estão na disputa neste ano.

A Tractebel é outra que ficou de fora de Belo Monte e está em busca desses retornos. O presidente, Manoel Zaroni, conta que não participou no ano passado, porque no dia do leilão ainda não tinha sido renovado o convênio do Conselho Nacional de Política Fazendária, que assegurava isenção de ICMS para operações com equipamentos destinados ao aproveitamento de energia eólica. O convênio foi renovado até 2012 e por isso a Tractebel quer participar.

Por outro lado, uma das maiores empresas de energias alternativas do mundo, a portuguesa EDP de novo está fora do leilão. Talvez pelo baixo fator de capacidade de seus projetos. Esse fator mede o percentual da capacidade instalada que de fato produz energia durante todo o ano. Quando esse fator está acima de 40%, os projetos eólicos são considerados excelentes. Belo Monte, por exemplo, tem esses mesmos 40%, mas para hidrelétrica é um percentual baixo. Dos projetos cadastrados no leilão deste ano, 263 tem fator maior que 40%. Cerca de 40 projetos têm capacidade superior a 50%.

Como toda indústria novata, os riscos em torno desses investimentos ainda são elevados. Uma fonte de uma assessoria financeira que estrutura projetos para leilões de energia conta que a medição dos ventos ainda é nova, tem apenas três anos no caso do Brasil. Isso pode significar que os cálculos da energia assegurada, aquela que é de fato remunerada, podem ser refeitos no futuro. Muitos estrangeiros questionavam justamente este ponto no leilão brasileiro, já que na Europa e nos Estados Unidos os fatores de capacidade dos melhores projetos de captação de ventos não chegavam a 30%.

Esse fator de risco pode também ser observado nas condições de financiamento do BNDES, que exige muito mais capital próprio dos investidores do que em projetos de hidrelétricas. O governo até colocou algumas vantagens, como por exemplo, um sistema de bandas que permite que em quatro anos a energia assegurada seja revista, sem multa para os empreendedores, se a produção for até 10% menor. Mas essa regra só valerá para o leilão de energia de reserva, que acontece amanhã, explica o diretor executivo da ABEeólica, Paulo Perrelli. Para a energia que será vendida no A-3, na quinta-feira – em que a energia é entregue em três anos – essa regra não é observada. A vantagem é que os empreendedores podem antecipar a geração e vender livremente o que produzirem a mais.

Para este leilão, a percepção do presidente da Wobben, Pedro Vial, é que os empreendedores estão arriscando mais e indo ao leilão sem contratos pré-fechados com os fornecedores. “Vão tentar baixar preço depois do leilão”, diz Vial. Isso hoje é possível, porque mesmo a Wobben, instalada no Brasil há 15 anos, ainda está longe de ter capacidade tomada com os dois leilões. E outras empresas que estão só agora se instalando, muito menos. “Mas precisamos que o governo continue realizando leilões nos próximos anos”, diz Vial.

18/04/2010 - 10:46h Belo Monte será modelo para novas hidrelétricas na Região Amazônica

Projeto é desafio econômico e ambiental. Para governo, opção a fonte térmica

Gustavo Paul e Mônica Tavares – O GLOBO

BRASÍLIA. Antes mesmo de ter suas obras iniciadas, a hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), já faz história por seu aspecto emblemático e seus números superlativos. Demandou 35 anos de estudos, trata-se da maior hidrelétrica unicamente brasileira, da terceira maior do mundo, vai responder por cerca de 6,5% da energia do país, removerá mais terra do que o canal do Panamá (200,1 milhões de metros cúbicos de terra) e é o mais caro empreendimento hidrelétrico dos últimos anos, cujo investimento deve ultrapassar R$ 20 bilhões.

Mais do que isso, Belo Monte é considerada o parâmetro para a construção de hidrelétricas de grande porte na Região Amazônica.

Última fronteira da hidreletricidade brasileira, existem ali 22 estudos para geração energética, cujo potencial estimado é de 49 mil megawatts (MW), metade da geração do país.

Ao mesmo tempo, a polêmica em torno da obra é proporcional a seu tamanho. Os grupos adversários acusam-na de não ter a eficiência energética que promete e de causar danos irreparáveis às populações ribeirinhas e indígenas, além de provocar efeitos deletérios ao meio ambiente. Para eles, Belo Monte representa um risco para o futuro da Região Amazônica.

É tudo isso que estará em jogo no leilão previsto para a próxima terça-feira, na sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Dois consórcios devem disputar a licitação, e ganhará quem oferecer a menor tarifa de energia, cujo valor teto é de R$ 83 o megawatt/hora.

Para os milhões de consumidores brasileiros, ter Belo Monte em pé garantirá o crescimento da oferta de energia nas próximas décadas, a preços mais baratos e com menor impacto ambiental. Diante de um cenário de crescimento constante do consumo, a usina garante uma oferta substantiva de energia.

— O Brasil tem um consumo per capita de 2.300 quilowatts/ hora ao ano (kW/h), enquanto um país desenvolvido da Europa está entre sete mil e nove mil kW/h por ano. Nos EUA, chega a 14 mil kW/h anuais. Então não é difícil imaginar que o consumo per capita no Brasil vai aumentar muito. Temos de trabalhar com a necessidade de duplicar nossa geração até 2030 — explica o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

‘Belo Monte tem de ser o paradigma’, diz Tolmasquim Sem Belo Monte, e equação energética brasileira fica mais cara ou mais suja, ou as duas coisas ao mesmo tempo, diz o governo.

A opção seriam usinas nucleares, térmicas a óleo ou alternativas de menor porte. Zimmermann lembra que a energia eólica, por exemplo, não pode representar mais de 20% do parque de geração, por depender do pouco confiável regime de ventos: — O carro-chefe da expansão brasileira é a hidreletricidade. Se não tiver Belo Monte, vamos ter de implantar outra fonte, e a prática mostra que são usinas cujo efeito ambiental é pior.

Dentro dessa estratégia, o governo não quer correr risco com Belo Monte. Quer respeitar o planejamento e os estudos socioambientais aprovados pelo Ibama. Caso contrário, não há dúvidas de que será mais difícil viabilizar as demais usinas. Na segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2), a bacia do Rio Tapajós, no sul do Pará, prevê sete empreendimentos.

— Belo Monte tem de ser o paradigma, uma obra exemplar, porque se não fizermos algo sustentável vamos condenar toda a expansão elétrica brasileira, que está na região amazônica — admite o presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Maurício Tolmasquim.

O coordenador do Programa de Planejamento Energético da COPPE/UFRJ, Nivalde Castro, ressalta que, ao construir a usina, o país estará reafirmando a sua posição de ser uma das grandes economias verdes do mundo: — A Amazônia é muito grande.

Ali onde vai ser feita a usina é um pedacinho muito pequenininho da Amazônia.

Do ponto de vista econômico, Belo Monte é um desafio. Para aumentar a margem de lucro, os empreendedores terão de destinar 20% da energia para o mercado livre (onde a tarifa pode ser bem mais elevada que o teto estabelecido pelo governo) e para os autoprodutores.

É nessa equação que os empresários esperam arrecadar mais e, com isso, bancar o custo real da obra. O valor de R$ 19,6 bilhões — estabelecido pelo governo — é considerado irreal e a obra deve sair na casa dos R$ 25 bilhões, diz um empresário.

— Normalmente, o valor do risco geológico de uma usina está em torno de 20%, o que significa R$ 4 bilhões neste caso — diz o consultor Afonso Henriques.

09/04/2010 - 11:32h Tavares de Melo estuda construir eólicas no Nordeste

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Estratégia: Grupo já atuou em vários setores, desde de sorvetes a calçados, passando por sucos e sacos plásticos


Leo Caldas/Valor
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Romildo, filho do fundador, amplia a atuação do grupo: “Estamos erguendo torres para medir o potencial dos ventos”


Murillo Camarotto, do Recife – VALOR

Aos 67 anos, o engenheiro pernambucano Romildo Tavares de Melo já ensaiou a aposentadoria algumas vezes, mas sempre acabou refugando, absorvido pelos negócios do grupo empresarial que leva o seu sobrenome. Hoje, garante que o momento de parar chegará em, no máximo, dois anos. Os planos de diversificação do grupo, entretanto, indicam que a sombra e a água fresca terão que esperar um tanto mais.

Fundado em 1928 por Arthur Tavares de Melo, pai de Romildo, o grupo Tavares de Melo é um dos mais conhecidos de Pernambuco. Em 82 anos, já produziu açúcar, álcool, sorvete, sucos, calçados e sacos industriais. Atualmente, se dedica à fabricação dos sucos Maguary e Dafruta, bem como ao negócio de distribuição de combustíveis – é sócio da rede Ello-Puma. Em breve, o grupo familiar deverá ingressar no segmento de energia eólica, bastante promissor no Nordeste.

Os projetos eólicos devem ser implementados no Rio Grande do Norte e na Paraíba, em terras de propriedade da família. “Estamos erguendo torres para medir o potencial dos ventos e poderemos pensar em um empreendimento, talvez já no próximo leilão”, afirmou o Romildo, que é presidente da Empresa Brasileira de Bebidas e Alimentos (Ebba), dona das marcas Maguary e Dafruta.

Em dezembro, o leilão de energia eólica promovido pelo governo foi considerado muito bem sucedido e resultou na contratação de 1.805 megawatts (MW), com entrega a partir de julho de 2012. A maioria absoluta dos empreendimentos, cerca de 90%, será construída no Nordeste, especialmente no Rio Grande do Norte e no Ceará, onde sopram os melhores ventos.

A expectativa dos especialistas é de que um novo leilão seja realizado em junho deste ano. “A energia eólica está na moda. Já pensamos em construir PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), mas acabamos optando mesmo pela eólica”, contou Tavares de Melo.

No negócio de sucos, os Tavares de Melo esperam dobrar, neste ano, o faturamento de R$ 255,6 milhões que obteve em 2009. A ideia é aumentar em 35% a capacidade de produção, lançar novos produtos e aumentar a eficiência da distribuição. Para isso, a Ebba deve investir pelo menos R$ 12 milhões. Outra fonte esperada de receitas deve ser a sinergia entre as marcas Maguary e Dafruta.

Criada pela família em 1953, a marca Maguary foi vendida para a Souza Cruz em 1984. Insatisfeito com a venda, um dos irmãos criou a Dafruta, abrindo, inclusive, fábricas nas mesmas cidades da Maguary: Araguari (MG) e Aracati (CE). Em um capricho do destino, no entanto, a Maguary voltou para as mãos dos Tavares de Melo em maio de 2009, comprada da Kraft Foods.

Atualmente, a Ebba lidera o mercado brasileiro de sucos processados, mas ainda busca espaço no segmento do produto “prontos para beber”, que cresce 10% ao ano, puxado pelo aumento do poder de compra da população. Para ganhar uma fatia maior deste mercado, entretanto, a companhia pensa em buscar fôlego financeiro atraindo sócios, e uma das alternativas em análise é a abertura de capital.

“Ainda é um pouco cedo. Uma abertura de capital exige uma empresa de porte razoável. Mas nada impede que possamos ir à bolsa no futuro”, afirmou Romildo, que também trabalha com a hipótese de atrair um sócio privado para a Ebba. “Temos uma história longa de sociedades muito bem sucedidas”, pontuou o executivo.

A falta de capital em momentos decisivos faz parte da história do grupo Tavares de Melo. Um dos momentos mais difíceis foi a venda, em 2007, do negócio de açúcar e álcool para o grupo francês Louis Dreyfus.

“O setor ia crescer muito no Brasil e precisávamos de um alto investimento para, pelo menos, manter a nossa participação no mercado, que na época era de 1,8%. Diante disso, e também de algumas diferenças familiares, fomos ao mercado vender”, contou o executivo.

No caso da Maguary, em 1984 a marca tinha 40% do mercado e precisava de capital. “Na busca de um sócio estratégico, acabamos vendendo tudo”, revelou Romildo, sem muitos detalhes. Já em 2007, os Tavares de Melo venderam a fabricante de calçados Dupé para a São Paulo Alpargatas.

Atualmente, o grupo detém 25% da distribuidora de combustíveis Ello-Puma, que atende 14 estados brasileiros. Os sócios são os empresários pernambucanos Carlos Beltrão e Eliezer Menezes, além da Puma Petróleo.

29/03/2010 - 09:12h Novos projetos navais em Suape somam R$ 2 bilhões

Estaleiro: Complexo portuário de PE pode se tornar grande polo no país


Leo Caldas/Valor
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Coelho, secretário de desenvolvimento: investimento português é garantido


Murillo Camarotto, do Recife – VALOR

Os planos do governo pernambucano de transformar o Complexo Portuário de Suape em um grande polo da ressuscitada indústria naval brasileira vem ganhando contornos de realidade. Até o momento, seis estaleiros já foram anunciados para o local. Um deles, o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) – liderado por Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez -, já está em vias de entregar sua primeira encomenda. Os demais projetos, entretanto, ainda estão no papel, mas, se concretizados, representarão um investimento de cerca de R$ 2 bilhões, além da criação de 11 mil empregos diretos.

A combinação entre uma localização geográfica estratégica e um bom pacote de incentivos fiscais é basicamente o que tem atraído os investidores para Suape. Gestores do porto alegam que Suape, que fica a 60 quilômetros do Recife, é a alternativa logística mais interessante no Brasil dentre as rotas internacionais de navegação, devido à proximidade da Europa, da Ásia e da América do Norte. Diante disso, tanto o governo quanto os investidores acreditam que mais empresas virão construir navios na costa pernambucana.

“Ainda somos poucos estaleiros. O cluster de Suape será uma verdade”, avalia Carlos Costa, diretor-geral do grupo português MPG Shipyards, que anunciou na última sexta-feira um investimento de US$ 140 milhões na construção de um estaleiro em Suape. A ideia inicial da empresa é fabricar navios de apoio a plataformas e módulos offshore, mas também há planos para o desenvolvimento de soluções para geração de energia eólica.

A previsão de geração de empregos no estaleiro gira em torno de 1,2 mil postos diretos.

Otimista com o potencial da nova indústria naval brasileira, o executivo mencionou, inclusive, a expectativa de que o país se torne, no longo prazo, exportador de navios. “Teremos níveis de produção suficiente para isso”, acredita. Ele chamou a atenção, contudo, para a necessidade de melhorias na infraestrutura de logística de Suape.

Também na última sexta-feira, o grupo sul-coreano STX Europe anunciou o desejo de construir em Suape um estaleiro de US$ 350 milhões. O grupo, que possui 15 estaleiros espalhados pelo mundo, pretende fabricar navios-sonda em uma área de 1 milhão de metros quadrados na costa pernambucana. Segundo o seu vice-presidente executivo, Jorge Ferraz, o projeto deve levar dois anos para ser concluído e irá gerar cerca de 4 mil empregos diretos.

A implementação do projeto coreano, entretanto, ainda depende do resultado das licitações da Petrobras para a contratação de navios-sonda, que deve ocorrer no segundo semestre deste ano. Caso não conquiste nenhum contrato, o investimento pode ser cancelado.

Na mesma situação estão outros dois estaleiros já anunciados: o da Queiroz Galvão-Alusa. avaliado em US$ 500 milhões em investimentos, com geração de três mil empregos) e o da Construcap (R$ 200 milhões de desembolso e 1,5 mil empregos).

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico do governo pernambucano, Fernando Bezerra Coelho, o investimento português já está garantido, independentemente de qualquer licitação. O mesmo ocorre, segundo ele, com o empreendimento anunciado no mês passado pelo consórcio Schahin-Tomé, que pretende investir R$ 300 milhões na construção de plataformas de petróleo. A expectativa é o projeto gere 1,7 mil empregos.

Também na sexta-feira, simultaneamente ao anúncio dos novos estaleiros, o governo pernambucano revelou que o grupo familiar local Cornélio Brennand irá construir uma fábrica de vidros no município de Goiana, a 63 quilômetros do Recife. O investimento, motivado pelo alto potencial da indústria da construção civil no Nordeste, será de R$ 330 milhões e irá gerar 370 postos de trabalho.

25/03/2010 - 14:22h EDP vai investir em eólicas no longo prazo

Energia: Mas companhia ainda não definiu se vai participar do leilão federal que acontece ainda esse ano

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Parque eólico de Tramandaí (RS)

Sérgio Bueno, de Tramandaí (RS) – VALOR

Apesar dos preços mais baixos praticados no Brasil em comparação com os padrões europeus, o grupo português EDP mantém os planos de fazer novos investimentos em geração de energia eólica no país. “Pretendemos participar dos próximos leilões”, afirmou ontem a presidente mundial da EDP Renováveis, Ana Maria Fernandes, durante o lançamento da pedra fundamental de um parque eólico em Tramandaí, no litoral do Rio Grande do Sul, com potência prevista de 70 megawatts (MW).

Na Europa, segundo a executiva, a EDP recebe entre € 75 e € 85 (o equivalente a algo entre R$ 180 e R$ 204) por megawatt hora, valores superiores ao preço médio de R$ 148 do leilão de energia eólica realizado em dezembro no Brasil. A empresa não inscreveu projetos no fim do ano passado, mas pode entrar em novas disputas mesmo com tetos tarifários inferiores aos patamares europeus, disse o presidente da EDP Renováveis Brasil e vice-presidente do grupo no país, Miguel Setas.

É uma mudança de postura porque recentemente, o próprio presidente da EDP Renováveis no Brasil, foi reticente ao falar da possibilidade de participar do próximo leilão e entre os motivos estava as melhores oportunidades fora do país e preço baixo do leilão. De qualquer forma, Setas disse que a EDP ainda não definiu se vai participar do leilão de energia renováveis previsto para junho. A decisão virá “nas próximas semanas” e se for afirmativa, a empresa vai inscrever o projeto de 81 MW em Santa Vitória do Palmar, também no Rio Grande do Sul.

De acordo com Setas, a viabilidade dos projetos não depende só do preço. A conta inclui também os custos dos equipamentos, da interconexão e do arrendamento das terras para instalação dos aerogeradores e ainda o fator de potência dos parques de geração (que determina o real aproveitamento em função da disponibilidade dos ventos), explicou. “Temos uma visão de longo prazo para o Brasil”, afirmou.

Na opinião da presidente mundial da EDP Renováveis, um dos problemas para a expansão da geração eólica no Brasil é que a tendência de queda dos preços dos equipamentos no mercado local ainda é “limitada” em relação a outras regiões. Mesmo assim, ela acredita que a empresa, por ser a terceira maior do mundo no segmento, com 6,3 gigawatts em funcionamento em outros 32 GW em implantação em vários países, poderá se valer de sua escala global de aquisições para reduzir custos.

Para o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica), Lauro Fiúza Jr, a tendência é que o preço máximo por MWh no próximo leilão seja igual ou menor do que os R$ 189 fixados na disputa anterior, pois o valor médio de fechamento ficou abaixo do teto naquela ocasião. Segundo ele, o ideal é que o Brasil leiloe pelo menos 1 GW de potência instalada por ano para atrair mais fabricantes de equipamentos.

“O Brasil já passou dos 800 MW de potência instalada e com os projetos em construção já chega a mais ou menos 1 GW”, disse o executivo. O grupo Servtec, do qual ele é presidente, tem dois parques em operação no Ceará que somam potência de 155 MW e pretende apresentar no próximo leilão 14 projetos com um total de 200 MW a 400 MW nos Estados do Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e também no Ceará.

O empreendimento da EDP em Tramandaí está enquadrado no Proinfa, o programa de estímulo à implantação de fontes alternativas de energia criado pelo governo federal em 2002. Por causa disso, a empresa vai receber mais de R$ 250 por MWh produzido no local, explicou Setas. O investimento será de € 100 milhões e as obras vão durar nove meses, porque o início da geração está previsto para dezembro deste ano.

O parque eólico no litoral gaúcho é um dos quatro projetos (num total de 532 MW) que haviam sido desenvolvidos pela Elebrás, subsidiária da alemã InnoVent adquirida pela EDP em março do ano passado por R$ 6 milhões. Os outros três não estão enquadrados no Proinfa e incluem os 81 MW de Santa Vitória do Palmar. Em Santa Catarina, a empresa já mantém dois empreendimentos em operação no município de Água Doce, com um total de 13,8 MW.

17/03/2010 - 12:06h As novas elétricas. Companhias de energia limpa chegam à Bolsa

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Renova, Multiner e Venti buscam recursos na bolsa para financiar os projetos.

Por Josette Goulart, de São Paulo – VALOR

Uma nova leva de empresas de energia está chegando à bolsa de valores. Três grupos que venceram os últimos leilões do governo federal – e se comprometeram a investir cerca de R$ 5 bilhões nos próximos três anos – buscam recursos para financiar seus projetos. Em comum, a companhia Venti, com sede em Luxemburgo e dona da empresa argentina Impsa, e as empresas brasileiras Renova Energia e Multiner, têm o fato de serem pré-operacionais na atividade de geração elétrica. Todas também têm em comum planos de crescer em geração de energia eólica, principalmente Renova e Venti, que devem marcar a estreia da energia renovável no mercado de capitais.

As ofertas públicas iniciais de papéis da Renova e da Multiner já estão em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Venti, por enquanto, pediu apenas o registro de companhia aberta. Em estágio mais avançado está a oferta dos certificados de ações da Renova, que encerrou ontem o período de reserva pelos investidores. Vencedora do leilão de energia eólica promovido em 2009, em que se comprometeu investir R$ 1 bilhão para erguer 14 parques eólicos capazes de gerar 270 megawatts, a empresa vai servir como um teste para mostrar o apetite dos investidores a esse tipo de oferta.

A tendência é que outras companhias de geração de energia busquem recursos por meio de oferta de ações, retomando assim o movimento que se iniciou antes de o mercado de capitais se fechar, em 2008. Diversas dessas empresas com projetos de pequenas centrais hidrelétricas ou usinas termelétricas já nasciam com registro de companhia aberta, embora sem ações em bolsa. Os grandes projetos hidrelétricos também nasceram nessa época já pensando na bolsa de valores, como foi o caso da concessionária Santo Antônio Energia e também de Jirau, que juntas são capazes de gerar mais de seis mil MW de energia e estão sendo construídas em Porto Velho.

Mas os planos de lançar ações na bolsa para as duas hidrelétricas ainda não é tão imediato, em função do andamento dos projetos. Já para as empresas de renováveis, o próximo leilão do governo federal, marcado para acontecer em meados deste ano e que vai negociar energia de eólicas, PCHs e biomassa, pode acelerar os planos. Ou até mesmo para empresas que já estão vendendo energia eólica no mercado livre. Um exemplo é a empresa Bioenergy. O presidente da empresa, Sérgio Marques, conta que vendeu 380 MW de energia eólica no mercado livre no ano passado. A venda é importante para garantir o financiamento do projeto com os bancos. Mas na parte de capital próprio a empresa já tem planos para também fazer sua oferta na bolsa.

Quem está voltando a pensar nos antigos planos é a Ersa, do Pátria Investimentos, que há dois anos desistiu de ir à bolsa. A Ersa constrói oito PCHs com capacidade de 100 MW e já tem em operação outras três, que somam 47 MW. Juntos, esses projetos precisavam de R$ 1,1 bilhão em capital e, com o mercado de ações fechado durante a crise global, a companhia teve de buscar alternativas. Primeiramente, um aporte dos próprios sócios e, no ano passado, foi em busca de um parceiro estratégico e fechou sociedade com o Fundo de Investimento em Participações Brasil Energia, que aportou R$ 300 milhões no negócio.

Mas para crescer a companhia pretende colocar em operação seus 570 MW em projetos. Desse total, metade é de energia eólica. De acordo com o diretor financeiro da Ersa, Marcelo Souza, à medida que esses projetos forem saindo do papel, a empresa vai precisar de mais capital. “A vantagem é que quando estrearmos na bolsa não seremos mais uma companhia pré-operacional”, diz Souza.

Essa vantagem a que se refere o diretor da Ersa é quanto às incertezas que empresas de projetos, ou seja, que não têm ainda faturamento, proporcionam aos investidores. É ponto de consenso entre os analistas que essas são ações de alto risco, apesar de prometerem bons retornos no longo prazo. A maior experiência desse tipo de empresa na bolsa foi o lançamento das ações da MPX Energia, do empresário Eike Batista, que constrói usinas termelétricas no Nordeste do país. O lançamento das ações foi feito em dezembro de 2007 e rendeu R$ 2 bilhões à empresa. Os investidores, entretanto, tiveram que amargar uma queda de quase 90% no valor dos papéis durante o ano de 2008. A ação já começou aquele ano perdendo. Depois, ensaiou uma recuperação, mas em maio iniciou uma trajetória de queda que só terminou em 2009.

De acordo com um analista, a queda da MPX se deu em parte pela busca de liquidez dos investidores estrangeiros que já se ressentiam da crise, mesmo antes do seu auge, em setembro de 2008. Além disso, os investidores buscavam papéis mais seguros, pagadores de dividendos, o que não acontece com empresas pré-operacionais. Mas no ano passado, as ações da companhia recuperaram boa parte da perda. Subiram mais de 231%. Neste ano, a alta até ontem era de 13,3%. Ainda assim, desde o seu lançamento, em 14 de dezembro de 2007, o valor da companhia caiu mais de 47%.

Entre os principais riscos assumidos pelos investidores que apostam em companhias pré-operacionais de geração de energia está o atraso no cronograma de obras e, consequentemente, no início de geração de receita e dividendos. Esse atraso pode ser ocasionado por vários motivos, seja em função de processos judiciais, de licenciamento ambiental contestado ou não concedido a tempo ou até mesmo de dificuldade para aprovar financiamentos do BNDES. Além disso, nem sempre os sócios dessas companhias de energia são empresários conhecidos como Eike Batista.

Uma empresa que tem projeto parecido com a MPX e que está preparando seu lançamento de certificados de ações é a Multiner. Seus sócios principais são pessoas físicas egressas do mercado financeiro e do próprio setor elétrico. A companhia venceu diversos leilões de energia nos últimos dois anos, além de ter comprado dois parques eólicos vendidos no âmbito do Proinfa (programa de incentivo a energias renováveis do governo federal do início da década). Até 2013 a empresa terá que investir R$ 2,9 bilhões para erguer as oito termelétricas vendidas e os dois parques eólicos.

Voltadas, por enquanto, a projetos de usinas termelétricas, a preocupação da MPX e da Multiner agora é a de diversificar negócios. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, que faz o planejamento dos leilões de energia e da oferta para os próximos dez anos, já disse que as térmicas estão fora do planejamento da expansão do parque gerador deste ano e do plano decenal. O foco será todo em energia renováveis. A Multiner tem uma plataforma de crescimento em outras fontes de energia, mas é na termoeletrecidade que concentra seu portfólio, com projetos nessa área de 4.000 MW.

Esse planejamento do governo federal, focado em renováveis, é bom para as companhias do setor, que podem se beneficiar a longo prazo dessa decisão. A Renova, empresa que tem entre os sócios o fundo InfraBrasil, por exemplo, é focada em energia eólica e foi a maior vendedora no leilão do ano passado. Foi o primeiro para esse tipo de energia, e os projetos vencedores somam cerca de 1.800 MW. Além da Renova, a Venti foi uma das grandes vencedoras. Dona da empresa de fornecimento de aerogeradores e equipamentos para hidrelétricas Impsa, a companhia se beneficia duas vezes. De um lado vende equipamentos, de outro gera energia. A Venti, na parte de geração, ainda é pré-operacional no país, mas tem planos ambiciosos. Investirá cerca de R$ 1 bilhão nos 211 MW que vendeu.

16/12/2009 - 10:35h Participação de eólica na matriz energética sobe 400%

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Com 1.º leilão, fatia salta de 0,6% para 3% em 2012

Renée Pereira – O Estado SP

O primeiro leilão de energia eólica do País, realizado segunda-feira, vai ampliar em 400% a participação dessa fonte na matriz energética brasileira. Até 2012, quando entram em operação as 71 usinas que venceram a disputa, a fatia da energia gerada a partir do vento subirá de 0,6% para 3% do sistema nacional. “O resultado do leilão foi maravilhoso para um setor que não existia há dois anos”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica), Lauro Fiuza.

Na avaliação dele, o sucesso obtido só confirma a viabilidade de novos leilões a partir de agora. Projetos não faltam, já que a fase de habilitação contou com 10 mil MW, de 339 empreendimentos diferentes, nas Regiões Sul e Nordeste. Além disso, a questão custo parece estar superada, já que o leilão conseguiu preços entre R$ 131 e R$ 153,05 o MWhora, muito abaixo de tudo que era esperado pelo mercado.

“O que precisamos é saber como será a expansão da energia eólica no Brasil. Isso incentiva a instalação de fábricas de equipamentos e, consequentemente, reduz o preço da energia”, diz Fiuza. A sócia do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, Ana Karina Esteves, especialista em energia, vai além. Para ela, o governo precisa criar um programa específico para usinas eólicas, já que essa é uma fonte de energia com tecnologia, custos e operação diferenciados. “Há uma demanda muito reprimida e vários empreendedores interessados em investir, seja de capital nacional ou estrangeiro.”

O apetite é confirmado pela maior vencedora do leilão de segunda-feira: a Renova, que vendeu 270 MW. A capacidade faz parte de um empreendimento muito maior, que beira 1.500 MW e que será explorada conforme a demanda do governo, explica o diretor-presidente da empresa, Vasco Barcellos.

Para ele, o resultado do leilão não foi nenhuma surpresa. “Sabíamos que haveria muito competição”, diz o executivo, destacando que o nível de preço foi adequado e remunera o investimento. Barcellos acredita que para o futuro é possível ter preços ainda mais competitivos, já que o fator escala vai contar bastante. Só para os 270 MW, a Renova terá de comprar 180 aerogeradores. A fornecedora será a GE.

FINANCIAMENTO

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 837,8 milhões para a empresa argentina Impsa construir dez parques eólicos em Santa Catarina, com potência instalada de 222 MW. “A previsão é de entrada em operação até dezembro de 2010″, informou o BNDES. O projeto foi aprovado no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa), que tem compra assegurada da Eletrobrás, e faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O investimento total é estimado em R$ 1,2 bilhão. COM REUTERS

16/12/2009 - 10:09h Riqueza do vento

http://www.teaser.fr/~yaccard/cosmos/4-elements/eolienne-animee.gifCelso Ming – O Estado SP

A energia elétrica produzida pelos ventos (energia eólica) não usa combustíveis (como carvão, gás e outros derivados de petróleo queimados nas termoelétricas). Dispensa despesas com bloqueio de áreas e construção de reservatórios, como nas hidrelétricas. E não precisa de enormes linhas de transmissão porque pode ser instalada em áreas próximas dos centros de consumo. Mas, se é assim, por que é tão cara?

Por praticamente todos os parâmetros pelos quais se analisa, o leilão de venda de energia eólica, o primeiro no Brasil, foi um sucesso. Assegurou o preço médio do megawatt/hora (MWh) de R$ 148, ou 21% mais baixo do que o preço-teto fixado pelo governo. Esse valor já é equivalente ao custo de produção de energia térmica a partir do carvão nacional ou da biomassa. Dá até para se desconfiar de que poderá acontecer com os fornecedores de energia eólica o que já houve com alguns produtores de biodiesel: não serão capazes de entregar o produto aos preços contratados.

Mas, afinal, por que a energia produzida pelo vento é tão cara?

Em primeiro lugar, porque não é possível gerar energia correspondente a 100% da capacidade instalada. Ventos fracos ou inexistentes derrubam a produção assegurada à média de 40%. E isso significa que o custo do capital tem de ser diluído por menos produção. É por isso que a energia eólica desempenha papel complementar na oferta total: é tratada como de reserva; fica disponível para ser acionada quando for preciso.

No Brasil, o setor esbarra com outros multiplicadores de custo. Um deles é a carga tributária mais alta do que no exterior, que incide sobre a produção e venda do equipamento que forma o conjunto de turbinas e pás específicas, os enormes cata-ventos que aparecem nas fotos das fazendas eólicas. No momento, o setor está contemplado por uma redução temporária de impostos.

O outro são as cláusulas de conteúdo nacional do equipamento (obrigatoriedade de produção no País), que bloqueiam a importação de um produto mais barato. O especialista Adriano Pires calcula que a derrubada dessa exigência contribuiria com a redução em cerca de 20% dos custos. Por outro lado, a baixa escala de produção desse equipamento no Brasil é, por si só, fator de elevação de custos, que poderiam cair com um programa de apoio do setor. Enfim, o círculo vicioso “é caro porque não tem demanda e não tem demanda porque é caro” poderia ser quebrado por um empurrão análogo ao que, nos anos 70, foi dado ao Proálcool.

E também não dá para ignorar o impacto ambiental. As fazendas eólicas vêm sendo apontadas como elemento poluidor de paisagem ou como geradoras de ruídos, especialmente para eventuais moradores das regiões próximas às turbinas. Outro problema é a mortandade de morcegos e também de pássaros quando as hélices das turbinas são instaladas nas rotas migratórias. Esta é a razão pela qual os especialistas vêm recomendando que essas fazendas sejam transferidas para áreas no alto-mar, o que não deixa de ser novo fator de aumento de custos.

Em todo o caso, a energia eólica está listada entre as que mais preservam as condições ambientais e, no momento, essa característica pode ajudar a aumentar o interesse pelo setor.

Confira

É novidade que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, esteja defendendo um certo déficit nas contas correntes do Brasil (contas externas fora o fluxo de capitais). Normalmente esse rombo é visto como risco de moratória e, portanto, de crise.

No entanto, se o déficit se aprofundar, a cobertura para esse rombo não pode ser feita com empréstimos em dólares (aumento da dívida externa), como no passado.

Se for compensado com aumento do investimento estrangeiro direto e com recursos destinados ao reforço de capital da empresa brasileira, não há o que temer.

15/12/2009 - 09:27h Leilão de eólicas movimenta R$ 19,5 bi

No primeiro evento do gênero no País, foram contratados 1.805 MW

Renée Pereira – O Estado SP

Depois de quase oito horas de disputa, o primeiro leilão de energia eólica contratou 1.805 megawatts (ou 783 MW médios) nas Regiões Sul e Nordeste do País. No total, foram comercializados R$ 19,5 bilhões durante 20 anos.

Embora a quantidade tenha ficado um pouco abaixo da expectativa do mercado, o leilão foi bastante disputado, com deságios entre 19% e 31% – maior até que os das últimas hidrelétricas leiloadas no Brasil (o de Jirau foi de 21,6%).

O preço médio, de R$ 148,39 o MWh, surpreendeu até os mais otimistas. “Foi um sucesso absoluto”, afirmou o secretário do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, frisando que o preço mínimo do leilão ficou em R$ 131 e o máximo, em R$ 153,07 o Mwh.

Segundo ele, 71 usinas venderam sua energia em contratos de 20 anos, a partir de 1º de julho de 2012. O maior vencedor do leilão foi o Estado do Rio Grande do Norte, que vai abrigar empreendimentos de 657 MW de potência instalada.

Em seguida, ficou o Ceará, com 542 MW; Bahia, 390 MW; Rio Grande do Sul, 186 MW; e Sergipe, 30 MW. Essa concentração deve ser primordial para definir onde as fábricas de aerogeradores serão instaladas.

Zimmerman destacou que a maioria dos empreendedores é privado. Umas das maiores vencedoras foi a empresa Renova, que tem participação do Fundo InfraBrasil, administrado pelo Banco Real. Só ela vendeu 127 MW médios no leilão. A CPFL vendeu cerca de 76 MW médios. As estatais do Grupo Eletrobrás e a Petrobrás também venderam alguns alguns lotes.

Para o leilão de ontem, foram habilitados 339 empreendimentos, com capacidade instalada de 10 mil MW. Mas a maioria dos especialistas do setor já esperava que a contratação fosse menor. Em entrevista ao Estado, o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica), Lauro Fiuza, afirmou que, se fossem contratados entre 2 mil e 2,5 mil MW de energia, seria um sucesso estrondoso. A venda no leilão ficou um pouco abaixo das suas estimativas, mas deve significar investimentos de R$ 9 bilhões.

A disputa começou às 10h30 e terminou por volta de 18 horas. O leilão ocorreu em três fases – com a primeira levando mais de sete horas, com 75 rodadas. As duas outras etapas terminaram em minutos. Segundo presidente do conselho de administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Antônio Carlos Machado, o leilão transcorreu sem transtornos. Oito usinas participaram por meio de liminar, mas nenhuma venceu.

Com o resultado de ontem, a energia eólica triplica sua participação na matriz energética nacional, de 602 MW para 2.407 MW. “Os preços do leilão demonstraram que o País tem excelentes oportunidades para explorar nessa área. Temos vocação para trabalhar com fontes renováveis”, afirmou Zimmerman. Ele, no entanto, preferiu não comentar se o País terá ou não uma política só para eólicas.

Para ele, o próprio resultado do leilão é a sinalização que tanto os fabricantes queriam para instalar suas unidades no País. “Recentemente estivemos nos Estados Unidos e verificamos preços de energia eólica entre US$ 50 e US$ 80. O leilão apresentou números muito semelhantes, com a vantagem de que no Brasil os parques são muito melhores do ponto de vista de eficiência.”

Para o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, o preço de ontem permitirá que os empreendimentos de eólica possam participar de leilões com outras fontes de energia, como a biomassa.

13/12/2009 - 10:52h Brasil faz 1º leilão de energia eólica

http://www.teaser.fr/~yaccard/cosmos/4-elements/eolienne-animee.gifLeilão pode gerar mais de R$ 10 bilhões em investimentos e atrair para o País grandes fabricantes de equipamentos

Renée Pereira – O Estado SP

Os 10 mil megawatts (MW) de projetos inscritos para o primeiro leilão de energia eólica do Brasil, marcado para amanhã, despertaram o interesse da indústria mundial de equipamentos elétricos. Empresas como a alemã Siemens, a argentina Impsa e a dinamarquesa Vestas planejam a abertura de fábricas no País para atender à demanda das novas usinas movidas a vento. Os projetos, no entanto, estão associados ao sucesso do leilão.

No total, 339 empreendimentos – com capacidade equivalente a mais de dois terços de Itaipu ou uma vez e meia o complexo hidrelétrico do Rio Madeira – foram habilitados para disputar contratos de fornecimento de energia durante 20 anos com as distribuidoras, a partir de 1º de julho de 2012.

No leilão, todos os investidores darão lances a partir do preço mínimo estipulado, de R$ 189 o MWh. Vence aquele que oferecer o maior deságio. Essa energia será contratada sob a modalidade de “reserva” (acima da demanda do mercado) para dar segurança ao sistema nacional. Nesse caso, a compradora da energia é a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), associação dos agentes do setor elétrico, que repassará o custo às distribuidoras.

É claro que nem todos os projetos sairão vencedores da disputa. “Se forem contratados entre 2 mil e 2,5 mil MW já será um sucesso estrondoso”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Lauro Fiuza. Isso significaria investimentos entre R$ 10 bilhões e R$ 12,5 bilhões apenas para levantar as usinas, considerando que o custo de 1 MW está em torno de R$ 5 milhões. Para Fiuza, o leilão dará uma boa sinalização sobre o futuro da energia eólica no Brasil.

Os fabricantes de equipamentos também estão de olho no resultado do leilão para definir estratégias. A Siemens espera ter bons números para convencer a matriz alemã a construir uma nova fábrica de aerogeradores no Nordeste. “Já levantamos possíveis locais para instalar a unidade”, afirma o diretor de Energias Renováveis da empresa, Alan Rodriguez.

Segundo ele, o objetivo é ficar próximo das centrais elétricas e, ao mesmo tempo, ser atendido por um grande porto para facilitar possíveis exportações. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), os dois Estados com maior número de projetos inscritos para o leilão são Ceará e Rio Grande do Norte, com 108 e 105 unidades, respectivamente, num total de 6.144 MW. “Agora vamos aguardar e ver o desempenho de nossos clientes na disputa.”

A Vestas também tem planos de instalar uma unidade no Rio Grande do Norte. O anúncio foi feito no primeiro semestre deste ano à governadora do Estado, Wilma Faria. Procurada, a companhia preferiu não detalhar seus planos antes da realização do leilão.

No caso da argentina Impsa, que tem 25 mil MW instalados no mundo, a alternativa que vem sendo estudada para atender a demanda no mercado brasileiro é a ampliação da fábrica de Pernambuco, embora o Estado não tenha nenhum projeto no leilão. O diretor-geral da empresa, Luiz Pescarmona, explica que já tem tudo desenhado para a expansão da fábrica de Pernambuco se seus clientes vencerem a disputa.

A expectativa da empresa é gastar R$ 200 milhões na ampliação, o que significaria 1.500 empregos diretos no Estado. “Para a energia eólica ser competitiva, os equipamentos precisam ser fornecidos localmente, já que a logística é muito complicada. As pás, de fibras de vidro, são muito delicadas e podem ser danificadas no transporte.”

SEGURANÇA

Pescarmona destaca que, além do leilão, o Brasil precisa desenvolver uma política para a energia eólica que dê segurança aos fabricantes para se instalar no País (cuja potência eólica é de 143 mil MW). Mesma opinião tem Fernando Scapol, gerente-geral da Wobben, fabricante de aerogerador. Na avaliação dele, a adoção de um programa “forte e contínuo” seria fator primordial para reduzir o custos dos equipamentos e, consequentemente, da energia.

Para o leilão de amanhã, o governo definiu o preço inicial em R$ 189 o MWh – considerado muito baixo por alguns investidores. O valor está bem acima do preço da energia hídrica (R$ 78,87 o MWh, da Hidrelétrica de Santo Antônio, e R$ 71,4, de Jirau, no Rio Madeira), mas abaixo do custo de geração das térmicas movidas a óleo combustível, contratadas nos últimos leilões de reserva, que pode chegar a R$ 800.

Além disso, está muito menor do que no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa), cujo preço estava em torno de R$ 250 o MWh, lembra o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim. “Apesar disso, ainda há um amplo caminho para reduzir os custos das turbinas eólicas não só no Brasil, mas no mundo”, diz o vice-presidente da Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA), Everaldo Feitosa.

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Usina eólica substitui térmica a óleo

Para a EPE, mudança pode reduzir a conta do consumidor

Wellington Bahnemann – O Estado SP

O alerta amarelo acendeu no governo quando, em 2008, a operação das térmicas a óleo provocou fortes reajustes tarifários em 2009. Para evitar que isso se repita, o Ministério de Minas e Energia decidiu apostar na “energia de reserva”, que é uma oferta adicional para atender a todo o sistema. Depois da biomassa, é a vez de o governo contratar a energia eólica “de reserva”, no primeiro leilão desse tipo, a ser realizado amanhã.

Por terem custo de geração menor, os projetos eólicos diminuem a probabilidade de as térmicas a óleo, mais caras e sujas, entrarem em operação. Para o primeiro leilão, o governo fixou o preço-teto em R$ 189 o MWh, bem inferior ao da geração das termoelétricas a óleo.

“A energia eólica pode ser um meio de reduzir a conta do consumidor, da mesma forma que a bioeletricidade”, diz o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Como os últimos leilões contrataram um volume de usinas a óleo acima do desejado, o ministério deve promover novas licitações para usinas eólicas e de biomassa. Apesar dos 10 mil MW habilitados para o leilão, a expectativa é que apenas 4 mil MW entrem na disputa, afirma o presidente da empresa de consultoria Andrade & Canellas, João Carlos Mello. Isso porque nem todos os investidores entregaram as garantias para participar do leilão – a portuguesa EDP, por exemplo, não apresentou as garantias por avaliar que o preço-teto de R$ 189 o MWh não é remunerador.

“O leilão deve contratar entre 1 mil MW e 1,5 mil MW médios”, afirma Mello. O Merrill Lynch-Bank of America e o Itaú Securities também estimam uma demanda de até 1,5 mil MW. Mas as estimativas podem ser conservadoras.

FRUSTRAÇÃO

Mello explica que o primeiro leilão de energia de reserva, em 2008, contratou 513 MW médios de usinas de biomassa, de um total de 1,5 mil MW médios que era demandado pelo governo.

“Como houve uma frustração na demanda nesse leilão, o governo pode transferir isso para essa licitação de energia eólica”, justifica.

Para reforçar a segurança do sistema, especialistas acreditam que o MME possa demandar um volume pouco maior de energia eólica.

COMPETIÇÃO

Diante da perspectiva de baixa competição, os analistas do Itaú Securities estimam que o preço final do leilão deva ficar na faixa de R$ 170/MWh a R$ 180/MWh, um deságio entre 4,76% e 10,05%. Na mesma linha, o executivo da Andrade & Canellas também prevê um valor final de R$ 180/MWh.

Nesse nível de preço, um dos principais fatores para determinar a rentabilidade dos empreendimentos é a eficiência de geração, medida pelo fator de capacidade.

Considerando um nível de eficiência de 40% e um valor entre R$ 170/MWh e R$ 180/MWh, a taxa interna de retorno real dos projetos ficaria entre 12% e 13%, nos cálculos dos analistas Marcos Severine, Eduardo Cancian e Mariana Coelho, do Itaú.

TURBINAS

Apesar de o fator de capacidade ser importante, o diretor geral da empresa australiana Pacific Hydro no Brasil, Mark Argar, diz que outros elementos devem ser considerados para determinar a competitividade de um projeto, como a quantidade de turbinas e torres que será comprada de fornecedores.

Ele explica que, para alcançar um fator de capacidade mais elevado, alguns projetos precisam de um número maior de aerogeradores, encarecendo o valor final da usina.

“Ter um número maior de aerogeradores implica maior gasto com equipamentos, compra de terra e despesas de conexão com a subestação”, justifica. A Pacific participará do leilão com seis projetos, que somam 147 MW, nos quais prevê investir até R$ 800 milhões.

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Custo no País é 60% maior que nos EUA e na Europa

O custo para construir uma central eólica no Brasil ainda é 60% maior que na Europa e nos Estados Unidos. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Lauro Fiuza, para a instalação de cada megawatt (MW) no País, precisa-se investir R$ 5 milhões.

“Boa parte desse valor deve-se à elevada carga tributária. Se houvesse uma desoneração de todos os impostos, o custo cairia 30%”, afirma Fiuza, que tem trabalhado na criação de um regime especial, batizado de Renovento, para incentivar a energia eólica. A medida anunciada semana passada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai nessa direção.

Ele anunciou o fim do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para esse tipo de equipamento, que resultará em queda de 5% no custo total do projeto. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, lembra ainda que as usinas eólicas serão enquadradas no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reide) e estarão isentas de PIS e Cofins na aquisição de bens e serviços para implementar os projetos.

“Todos esses benefícios são um sinal do nosso interesse pela energia eólica”, diz Tolmasquim, em resposta às incertezas da indústria em relação aos próximos passos do País nessa energia. Segundo o executivo, essa fonte de energia faz parte das metas levadas pelo Brasil a Copenhague. “Ainda não definimos qual a periodicidade dos leilões, mas vou definir no próximo plano decenal qual será a participação da eólica na matriz nacional.”

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), hoje o Brasil tem 36 parques eólicos, com potência de 605 megawatts (MW). No mundo, a capacidade instalada soma cerca de 120 mil MW, com crescimento médio de 27% ao ano, entre 1990 e 2008.

Mas, apesar de ser renovável e não ter quase nenhum impacto ambiental, há críticos a essa fonte de eletricidade. Para alguns, os moinhos provocam poluição visual e sonora, além de ameaçar as aves. Para o professor do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel/UFRJ), Nivalde Castro, isso não é relevante.

Um dos problemas é a instabilidade na geração. Isso porque os parques não produzem toda a sua capacidade 100% do tempo. No Brasil, ela vai complementar a hidreletricidade no Nordeste. “No período seco, quando há escassez de água, venta-se muito.”

10/12/2009 - 15:41h Ceará é líder em energia eólica

Potencial de aproveitamento dos ventos atrai fabricantes e geradoras

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Carmen Pompeu, ESPECIAL PARA O ESTADO, FORTALEZA

No Ceará, é forte o investimento em energia eólica. O Estado já é o maior produtor desse tipo de energia gerada pelos ventos no Brasil. Sozinho é capaz de produzir 577,93 MW, o que corresponde a 35,2% do total gerado em todo o País. O segundo maior produtor, o Rio Grande do Sul, gera 227,56 MW. E o terceiro, Santa Catarina, 226,73 MW. O Nordeste desponta como principal região para produção de energia eólica e vários fabricantes de equipamentos estudam instalar-se na região.

A meta é que até o final deste ano, os cata-ventos instalados ao longo do litoral cearense atinjam 800 MW. Dez parques eólicos já estão em funcionamento. Outros sete ainda se encontram em construção ou aguardam liberação da Justiça por queixas de moradores que temem o impacto ambiental. Parte desses parques está sendo instalada em áreas de dunas.

Dos 17 parques eólicos estarão em funcionamento no Ceará – 14 deles são do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa) e três de programas anteriores.

De acordo com o coordenador de Energia e Comunicação da Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra), Renato Walter Rolim Ribeiro, juntos, os parques eólicos representam uma economia anual de água em torno de 2,1 bilhões de metros cúbicos para o sistema energético do São Francisco, que abastece o Nordeste.

Os números comparativos constam de estudos feitos pela própria Seinfra sobre energias renováveis. Através dele, técnicos chegaram à seguinte conclusão: Além da economia, uma vez que a água poderá ser acumulada para outros fins que não o de apenas fazer funcionar as turbinas das hidrelétricas formadas a partir daquele rio, os parques eólicos cearenses evitarão, por ano, a emissão de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono. Emissão esta que seria provocada pela derrubada de árvores para a construção de hidrelétricas.

Renato Rolim argumenta que o Brasil, ao investir em parques eólicos, economiza cerca de R$ 163 milhões necessários para erguer as linhas de transmissão e outros R$ 336 milhões para investimentos em geração de energia elétrica convencional.

Entre as vantagens para a instalação de parques eólicos, Renato Rolim cita o aumento da quota das barragens, a redução no aquecimento global e suas consequências e, principalmente, a preservação do meio ambiente.

No entanto, existem dificuldades para a consolidação do setor eólico, tais como a compra de equipamentos; a inexistência de uma cadeia produtiva do segmento e de um programa de compra de energia gerada a partir de fonte eólica; o alto índice de nacionalização dos equipamentos exigidos pela legislação; bem como problemas de conexão com a rede básica e a de distribuição.

13/11/2009 - 09:51h Novas fontes de energia serão bem-vindas

O crescimento econômico deve estar atrelado à sustentabilidade ambiental

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*Eduardo Pocetti – VALOR

O crescimento econômico do século XXI deve estar atrelado à sustentabilidade ambiental

O apagão sofrido por 18 estados brasileiros na noite de 10 de novembro ressuscitou o medo de que falte energia para suprir as necessidades da nossa economia aquecida. Ainda que o problema não tenha a ver com incapacidade de atender à demanda, é inevitável questionar: será que o Brasil aguenta o tranco de crescer quase 5% ao ano, como projetado para 2010? E as licitações ambientais? Elas vão continuar atrasando as obras de hidrelétricas importantes?

O crescimento econômico do século XXI deve, necessariamente, estar atrelado à sustentabilidade ambiental. Por isso, qualquer alternativa de geração energética que se adapte a esses critérios deve ser recebida com entusiasmo. Esse é o caso da energia eólica: até 14 de dezembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) examinará os cadastros de 441 empreendimentos focados nessa modalidade.

Otimizar a exploração do potencial eólico brasileiro é ainda mais oportuno dada a proximidade da 15ª Conferência Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (CoP-15), que ocorrerá de 7 a 12 de dezembro, na capital da Dinamarca.

O principal objetivo da reunião, à qual o Brasil estará presente, é negociar um documento que substitua o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. A expectativa é enorme, e as pressões exercidas por diversos segmentos da sociedade, idem!

Desde que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (IPCC) reconheceu, em relatório oficial, que a temperatura da superfície terrestre está cada vez mais elevada e que esse aquecimento decorre das atividades humanas, teve início intensa mobilização em torno do tema. Hoje, governos, entidades de terceiro setor, organismos internacionais e iniciativa privada debatem alternativas para dirimir os problemas, levando em conta aspectos ambientais, humanos, científicos e econômicos.

Na contramão dessa aparente unanimidade – e, justiça seja feita, munidos de subsídios científicos consistentes -, outros grupos se opõem ferrenhamente ao que denominam “terrorismo ambientalista”. Embora minoritários, os partidários da ideia de que as mudanças climáticas são cíclicas, naturais e independentes da ação do homem arregimentam cada vez mais apoiadores.

É cedo para especular sobre os desdobramentos da cúpula de Copenhague. Mas, certamente, interesses e contextos múltiplos terão de ser avaliados e discutidos. Enquanto o Protocolo de Kyoto prevê metas diferenciadas conforme o estágio de desenvolvimento econômico de cada país, concedendo limites mais flexíveis para as nações emergentes, a disposição atual das nações ricas sinaliza uma postura muito menos condescendente, o que deverá se traduzir em regras mais duras para todos.

Essa inclinação ficou clara em Luxemburgo, onde os 27 países da União Europeia comprometeram-se com a fixação de metas de longo prazo para a redução de emissões de gases de efeito-estufa (GEEs): até 2050, suas emissões de dióxido de carbono devem ser de 80 a 95% menores do que em 2005.

Uma vez que a população tende a crescer, é imenso desafio conciliar as atividades imprescindíveis à manutenção de toda essa gente com o cumprimento das diretrizes ambientais pretendidas.

De antemão, já se sabe que as estratégias necessárias ao cumprimento dessas metas são abrangentes e preveem ações capazes de agradar até o mais xiita militante verde. Entre elas incluem-se a obrigatoriedade de submeter aviões e navios a regras de proteção ao clima e o estabelecimento de limites para as emissões do tráfego aéreo e marítimo.

Para os países que estão lutando para se posicionar como agentes econômicos fortes e competitivos no mercado mundial não é fácil assumir compromissos tão drásticos. Tanto que, durante a cúpula União Europeia-Brasil, realizada em outubro em Estocolmo, o presidente Lula deixou claro que o Brasil não teria como assumir a meta de “desmatamento zero”. Admitiu, porém, reduzir 80% do desmatamento até 2020, o que lhe valeu elogios por parte do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, que definiu o plano brasileiro como “exemplar”.

O desmatamento é a principal fonte brasileira de emissões de gases de efeito estufa, e se essa meta for alcançada, o país deixará de emitir 5 bilhões de toneladas de gás carbônico anualmente.

Comparado à Rússia, à Índia e à China, o Brasil é o país que menos deixa a desejar no tocante à sustentabilidade. Além de dispor de uma das legislações ambientais mais rígidas do planeta, boa parte de suas indústrias já atua em conformidade com o que há de mais moderno em metodologias e recursos técnicos de produção mais limpa. Pioneiro e vice-líder na área de biocombustíveis, o Brasil detém a maior frota de veículos dotados de motor flex do mundo. Sua matriz energética é majoritariamente limpa e renovável, graças ao predomínio das hidrelétricas. Incluir as eólicas neste rol só agregará valor competitivo ao país.

É necessário, porém, encontrar caminhos para superar os entraves à exploração dessa fonte abundante e gratuita – o vento. Em primeiro lugar, a infraestrutura necessária ao seu aproveitamento custa caro, o que dificulta o uso da energia eólica em grande escala. Impõe-se também a necessidade de estudar os potenciais impactos negativos das usinas eólicas nas paisagens e na rota migratória das aves. Nesse sentido, o ideal seria fortalecer um modelo de parceria entre as universidades e o capital privado, onde a expertise intelectual das primeiras seria potencializada pela disponibilidade de recursos do segundo. Desse modo, seria possível imprimir maior velocidade às pesquisas, obtendo respostas rápidas e consistentes.

As empresas que souberem aproveitar as oportunidades, desenvolvendo negócios com o foco ambiental correto, terão chances concretas de colher resultados excelentes e de fortalecer sua participação nos mercados interno e externo.

Eduardo Pocetti é CEO da BDO no Brasil