15/10/2009 - 08:39h Kassab expulsa crianças das creches para fingir que reduz déficit. Dano às crianças faz Ministério Público intervir

Promotoria quer aluno com até 4 anos na creche

Aline Mazzo e Adriana Ferraz do Agora

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O Ministério Público Estadual quer impedir que alunos menores de quatro anos sejam matriculados na pré-escola em vez de creches. Para isso, entrou com uma ação civil pública pedindo à Justiça que a prefeitura, a partir de 2010, matricule obrigatoriamente crianças dessa faixa etária em creches.

Desde o início do ano, a gestão Gilberto Kassab (DEM) tem enviado alunos de três anos de idade para Emeis (Escolas Municipais de Ensino Infantil), na tentativa de reduzir a demanda de creche, que é de 84.807 vagas.

Segundo a Promotoria de Defesa dos Interesses da Criança e da Juventude da Capital, as Emeis não possuem espaço adequado, além de reunirem um número excessivo de alunos em sala de aula, o que é incompatível levando em conta os cuidados que eles necessitam nesta faixa etária.

A mudança foi feita por uma portaria, que diminuiu a idade mínima de entrada nas Emeis para três anos. A prática, considerada irregular pela Promotoria, foi denunciada pelo Agora em junho deste ano. Nas Emeis, as salas podem ter até 35 alunos, cuidados por professor. Na creche, esse número cai para 18. Pelo menos 48 mil alunos de três anos foram colocados em escolas pela prefeitura.

O documento, assinado pelas promotoras Dora Martin Strilicherk, Laila Said Abdel Qader Shukair e Carmen Lucia de Mello Cornacchioni, pede que seja respeitada nas creches a proporção de um professor para cada 15 alunos. As vagas para crianças menores de quatro anos “criadas de forma ilegal na Emeis”, diz a Promotoria, ainda devem ser incluídas no cadastro de demanda não atendida nas creches.

Multa
Em caso de descumprimento, a prefeitura pagará multa diária de R$ 1.000 por cada sala de Emei com criança menor de quatro anos. De acordo com o documento, por mais que a demanda seja grande, isso “não autoriza o sucateamento de serviço de educação infantil” na rede municipal.

O Ministério Público também levou em conta um parecer dos professores da Faculdade de Educação da USP, que aponta a falta de infraestrutura das Emeis para atender crianças menores de três anos, já que sua estrutura é inadequada até para alunos de quatro e de cinco anos.

Os docentes ainda chamam atenção para o fato de as Emeis terem turnos de quatro horas, contra as dez horas das creches, e a falta de condições para descanso das crianças e um atendimento individualizado. A Promotoria também realizou visitas em Emeis para verificar os problemas. A ação civil pública tem pedido de tutela antecipada, para que comece a valer assim que a liminar for concedida, independente de a prefeitura entrar com recurso.

Ministério Público flagra alunos dormindo sentados

Aline Mazzo e Fernanda Barbosa do Agora

Salas superlotadas, pouco espaço e condições inadequadas para atender às crianças foram os problemas encontrados pelas promotoras e assistentes sociais do Ministério Público em visita a duas Emeis da cidade.

Na Emei Regente Feijó, no Cambuci (zona sul de SP), a sala de alunos de três anos (primeiro estágio) tinha 40 crianças, que se apertavam para ouvir a professora contar história. Algumas até dormiam sentadas, debruçadas sobre as mesas, pois não havia espaço para que elas descansassem.

A professora ainda disse que os pais não podem enviar os medicamentos dos filhos, pois ela não tem possibilidade de controlar as doses devido ao número excessivo de crianças.

Na Emei Ângelo Martino, na Bela Vista (centro de SP), a sala, segundo o documento, não comportava seus 30 alunos mais a professora, a diretora e os integrantes da Promotoria. E criança de três anos vão ao banheiro sozinhas, pois a professora não pode deixar o local. Mesmo assim, alguns pais se contentam por ter a vaga. “Meu filho tem muitos amiguinhos e sempre fala deles”, diz Volmir Adriano dos Santos, 35 anos.

14/10/2009 - 09:30h “Gestão” Kassab: Nas creches, de mal à pior

Tribunal de contas vai investigar acusações contra creches de SP

Aline Mazzo do Agora

O Tribunal de Contas do Município vai fiscalizar as creches mencionadas no relatório feito pelo Movimento de Mães Sem Creche para verificar as irregularidades apontadas no documento.

Em matéria publicada pelo Agora no dia 10, a entidade relatou ter encontrado creches municipais diretas e conveniadas com superlotação em salas de aula, problemas trabalhistas, cobrança indevida de materiais e dificuldade de acesso para deficientes.

O conselheiro corregedor do tribunal, Edson Simões, determinou uma inspeção nas unidades mencionadas na reportagem e a verificação junto à Secretaria Municipal de Educação sobre as denúncias. O tribunal também deverá checar se a pasta está fiscalizando o cumprimento do contrato firmado por parte das creches conveniadas.

Segundo a entidade, 84% dos professores de creches acompanhados são registrados como auxiliares de desenvolvimento infantil e ganham R$ 810 por 40 horas semanais, enquanto os registrados como professores na rede direta ganham R$ 1.237 por jornada de 30 horas. No Cei (Centro de Educação Infantil) Raio de Luz, na Vila Nova Cachoeirinha (zona norte de SP), a direção cobra uma lista mensal de materiais a serem levados, que inclui papel higiênico. A entidade entregará o relatório ao Ministério Público e ao Ministério do Trabalho hoje.

EDITORIAL DO JORNAL AGORA

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Descaso com as creches

Na campanha pela Prefeitura de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) prometeu que acabaria com o deficit de vagas nas creches. Foi reeleito, o primeiro ano de mandato está na reta final e ainda falta muito chão para cumprir a promessa. Há cerca de 80 mil crianças na cidade à espera de uma creche municipal.

A situação é, na verdade, ainda pior. Não só faltam unidades, como as existentes enfrentam uma série de deficiências. Levantamento realizado pelo Movimento de Mães sem Creche apontou irregularidades trabalhistas, cobrança indevida de material e superlotação das salas.

Em uma amostragem de 16 creches, 84% de 131 funcionárias atuam como professoras, mas têm registro de “auxiliar de desenvolvimento infantil”. E, assim, recebem um salário menor.

Outra falha: em uma creche sem rampas de acesso, um aluno cadeirante precisa ser carregado o tempo todo. Cuidar bem das crianças que necessitam das creches municipais não é um gesto de generosidade da prefeitura. É sua obrigação. Enquanto isso, os gastos em publicidade da gestão Kassab não param de crescer.

Se a administração municipal não quer ficar à mercê de críticas e pesquisas feitas pelas associações de mães, então precisa criar seus próprios indicadores de qualidade para as creches. E, a partir deles, cobrar resultados e melhoria de suas unidades.

03/08/2009 - 10:54h No sertão, Serra diz que SP e Nordeste se entrelaçam. Em São Paulo dizia que os migrantes eram responsáveis do mau desempenho da Prefeitura na educação

2010: Homenagem a Luiz Gonzaga inclui carne de bode e crianças no colo

No sertão, Serra diz que SP e Nordeste se entrelaçam

Helder Tavares/DP/D.A.Press Foto Destaque
Foto Destaque
Garantindo não estar em campanha, José Serra só permitiu que o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e o deputado federal Raul Henry o acompanhassem a Exu

 

Carolina Mandl, de Exu (PE) – VALOR

“Quem aqui tem um parente que mora em São Paulo?” Embaixo do palco, a maior parte da plateia de cerca de 150 pessoas levantou a mão. “Isso mostra que São Paulo e o Nordeste se entrelaçam.”, disse o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), depois de observar as respostas. “São Paulo é a cidade que mais tem nordestinos fora do Nordeste”.

Em visita a Exu, cidade do sertão pernambucano onde nasceu o compositor Luiz Gonzaga, o governador paulista e pré-candidato à Presidência da República, vestiu chapéu de vaqueiro, comeu bode e cantou baião. A visita foi uma homenagem aos 20 anos da morte do compositor pernambucano.

Serra sempre gostou de Luiz Gonzaga, e Gonzagão sempre gostou de política. Apesar de nunca ter sido eleito a nenhum cargo, o músico que traduziu o sofrimento nordestino com Asa Branca sempre esteve ligado aos políticos. Apoiou candidatos da Arena durante muitas eleições e os seguiu no PDS e depois e no PFL, partido que originaria o DEM, atualmente o principal partido aliado do governador. Chegou, inclusive, a avaliar ser prefeito de Exu quando voltou a morar na cidade em 1982.

Exu é uma cidade marcada há décadas pela violência causada pelas brigas das famílias Alencar e Saraiva. Hoje é o tráfico de drogas que a motiva. Em junho, Léo Saraiva (PR), prefeito de Exu, foi preso em uma operação de combate ao tráfico de drogas e ao porte ilegal de armas. No mês passado, foi solto.

No centro dessa cidade que fica na região Polígono da Maconha pernambucano, lá pelas 21h de sábado, cerca de 150 pessoas ouviam o governador de São Paulo. Pouco antes Serra tinha acabado de receber de presente uma réplica do chapéu de couro usado por Gonzaga em dias especiais. Além de ouvir Serra, o pequeno grupo aguardava o início dos festejos de comemoração dos 20 anos da morte do compositor, marcado para as 22h.

O contingente reduzido pode ser explicado em parte pelo receio do próprio PSDB em caracterizar a visita de Serra ao Parque Asa Branca, local onde o compositor viveu e construiu um museu, como comício eleitoral. Depois de ser convidado para conhecer a terra de Gonzaga por um radialista pernambucano em um programa ao vivo, o governador vetou da comitiva nomes políticos de expressão no Estado, além das tradicionais faixas de boas-vindas. Apenas o deputado federal Raul Henry (PMDB-PE), defensor do parque, e o senador e presidente do PSDB, Sérgio Guerra, foram ao sertão. Serra também se negou a cantar no microfone. “Podem descobrir que eu sou tão bom cantor quanto governador”, esquivou-se. O resultado foi um evento que pareceu mais programado para ser divulgado por jornais, rádios e televisão.

Mas nem por isso os beijos em crianças, autógrafos e fotos – tão comuns em época de eleição – ficaram fora do script. Tampouco impediu que alguns exuenses fossem ao parque para vê-lo. “Estou aqui porque ele é o meu candidato a presidente. Já votei nele na eleição de 2002 e vou dar meu voto de novo. Gosto dele porque ele já foi prefeito e governador de São Paulo e ainda foi um bom ministro da Saúde”, disse Itamar Aluísio, representante de uma operadora de telefonia celular.

Dona Mundica – Raimunda de Sales, cozinheira de Gonzaga por quase 20 anos – participou do evento com Serra como convidada. Aos 59 anos, ela não conhecia muito bem o currículo do governador, mas se sentiu prestigiada com a visita. “Ele não tem nada a ver com o Nordeste, mas saiu lá do Sul para vir aqui. Isso mostra consideração”. Na plateia, muitos conheciam Serra de vê-lo “na televisão” e de lembrar dele na eleição de 2002, como a vendedora de doces Iolanda Batista. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em junho, apesar de liderar a disputa pela presidência em todas as regiões do país, Serra tem sua menor votação no Nordeste, enquanto a ministra Dilma Rousseff tem o maior percentual de votos entre os nordestinos. É esse cenário que o PSDB quer reverter até o dia da votação.

Problema na educação em São Paulo se deve à migração, diz Serra


Da Redação FOLHA SP
Em São Paulo – 16/08/2006

O candidato tucano ao governo de São Paulo, o ex-prefeito da capital José Serra, participou de entrevista ao vivo nesta quarta-feira ao programa SPTV, da TV Globo de São Paulo. Na entrevista, Serra creditou os maus resultados da educação no Estado aos “migrantes” e se esquivou da pergunta sobre sua permanência no governo de São Paulo até o fim do mandato caso seja eleito em outubro.Questionado sobre o mau desempenho do Estado de São Paulo em avaliações nacionais de educação, o tucano creditou os maus resultados aos migrantes que vêm para o Estado. “Diferentemente dos Estados do Sul [que foram os primeiros colocados na avaliação], São Paulo tem muita migração. Muita gente que continua chegando… Este é um problema”, afirmou. São Paulo tem uma grande população de migrantes nordestinos, especialmente na capital.Segundo a avaliação Prova Brasil, realizada pelo Ministério da Educação no fim do ano passado, a 4ª série da rede de ensino da Prefeitura de São Paulo está entre as sete piores do país, quando comparada com a das demais capitais. Com média 160,42 em português e 166,86 em matemática, os alunos das escolas municipais da capital não alcançaram a metade do total de pontos possíveis nas provas (350).

Sobre sua permanência no Palácio dos Bandeirantes caso seja eleito, o tucano tergiversou. “2010 está muito longe, nem você sabe onde você vai estar. Eu vou trabalhar bastante para corresponder à expectativa das pessoas”, disse, em resposta ao apresentador Chico Pinheiro. O tucano tem sido acusado de usar as eleições para governador como um possível trampolim para a candidatura à Presidência em 2010. (…)

06/07/2009 - 11:52h O demo Kassab não está nem aí para o CEU

CEUs têm rachaduras e falta de livros

Robson Ventura/Folha Imagem
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CEU Formosa, ainda inacabado e já com infiltrações

Lívia Sampaio do Agora

Os CEUs (Centros Educacionais Unificados) são escolões incrustados na periferia que oferecem atividades aos alunos e à comunidade. As unidades, porém, sofrem com dois grandes problemas: a pressa das inaugurações do ano passado resultou em complexos incompletos, e, com verba baixa para manutenção, fica difícil manter a conservação dos primeiros CEUs. Algumas unidades apresentam rachaduras, infiltrações e precisam de pintura.

Foi o que constatou o Vigilante Agora, que, ao longo das duas últimas semanas, visitou 20 dos 45 CEUs – um deles, o Jaguaré (zona oeste de SP), que já deveria estar pronto, está em obras e sem aulas.

Dez complexos visitados foram inaugurados durante a gestão de Marta Suplicy (PT), que implantou o projeto, e outros dez foram feitos pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).

O texto de apresentação dos escolões no site da prefeitura diz que “todos os CEUs são equipados com quadra poliesportiva, teatro, playground, piscinas, biblioteca, telecentro e espaços para oficinas, ateliês e reuniões”. Não é verdade. A maratona de obras em 2008, ano eleitoral, teve como resultado unidades incompletas. Além disso, dois CEUs novos, Formosa (2009) e Três Pontes (2008), já têm infiltrações.

Nos escolões mais recentes, falta inclusive o básico: em cinco unidades, não há livros didáticos para os alunos. Também foram encontrados telecentros sem internet, teatros e quadras que ainda não ficaram prontos ou sequer começaram a ser construídos e bibliotecas quase sem livros ou vazias. No CEU Uirapuru (zona oeste), com um trecho ainda em obras, a construção da piscina não começou porque parte do terreno está embargada.

Sem livros didáticos nem máquina de cópias, os alunos têm sempre de copiar a matéria da lousa. No CEU Três Pontes (zona sul), a professora chegou a diminuir o tamanho da letra de uma prova que seria aplicada para não estourar a cota de impressão.

Manutenção
O desgaste das unidades foi outro problema constatado pela reportagem. Apesar das reformas feitas nas piscinas e ginásios de quase todas as unidades antigas, é comum encontrar paredes descascadas, rachaduras, infiltrações e vidros quebrados.

O caso mais grave é o do CEU Pêra Marmelo (zona norte), que tem grandes rachaduras em todo o prédio principal e na creche, onde as professoras manifestaram preocupação com os bebês, que dormem nessas salas. Com infiltrações, o piso de madeira do ginásio entortou e está há mais de um ano interditado.

A grana para a manutenção é baixa: cada CEU recebe, em média, R$ 6.000 por trimestre. Os gestores podem gastar como quiserem. Para obras maiores, no entanto, é preciso pedir verba extra. Mesmo com pouco dinheiro, alguns CEUs antigos conseguem manter um bom nível de conservação, como é o caso de Aricanduva, Campo Limpo, Cidade Dutra e Perus. O

03/07/2009 - 10:40h Fila de vaga na creche ganha 152 nomes por dia

Andre Vicente/Folha Imagem
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Vanessa Santos tenta há um ano a vaga para a filha

 

Gilberto Yoshinaga e Aline Mazzo do Agora

A fila de espera por vagas nas creches públicas de São Paulo ganhou, neste ano, uma média de 152 novos nomes por dia. A demanda, que era de 57.607 crianças em 31 de dezembro do ano passado, chegou a 84.807 crianças sem vaga no relatório fechado em 28 de junho, divulgado anteontem pela Secretaria Municipal da Educação. A alta corresponde a 47,21%.

Se o número de crianças na fila de espera não crescer mais, a gestão Gilberto Kassab (DEM) ainda precisará abrir 66,41 vagas por dia, a partir de hoje, para conseguir cumprir sua promessa de campanha de zerar o déficit nas creches até o final de seu mandato –em dezembro de 2012. Ou seja: só para atender à demanda atual, seria necessário oferecer cerca de 2.000 vagas por mês, sem incluir a média diária de 152 novos nomes que aumentam a fila.

Sete distritos da zona sul lideram o ranking da demanda por vagas. Juntas, essas regiões concentram quase 25 mil crianças sem creche, ou 29,4% da fila de espera dos 96 distritos do município.

Em dezembro do ano passado, o déficit nesses sete distritos era de 17 mil vagas.

À espera
Há um ano à procura de uma vaga para a filha de um ano e nove meses, Vanessa Santos, 21 anos, mora no Capão Redondo (zona sul de SP) e conta que, quando vai à creche municipal, ocorre sempre a mesma coisa. “Eles me mostram uma lista imensa de nomes que estão na minha frente e dizem que no ano que vem vão me chamar”, afirma. Enquanto isso, ela não tem como procurar emprego.

Já a promotora de vendas Juliana dos Santos, 21, do Campo Limpo (zona sul de SP), conta com a ajuda da mãe, que cuida da filha enquanto ela trabalha. Ela está há um ano e meio na fila de espera da creche, que fica a cinco minutos de sua casa. “A promessa era que neste ano teria vaga, mas não ocorreu.”

Há 34 novas unidades

A Secretaria Municipal da Educação afirmou ontem que, neste ano, foram abertas quatro creches, que geraram 634 vagas.

A pasta disse também que, no primeiro semestre, foram firmados mais 30 parcerias com ONGs para o gerenciamento de creches conveniadas, mas o número de vagas geradas não foi divulgado. A prefeitura diz haver sete creches próprias em construção, mas também não passou o número de vagas que serão criadas.

Sobre o excesso de crianças sem vaga na zona sul, a secretaria disse se tratar de uma “região prioritária”, mas alegou que é difícil encontrar terrenos disponíveis nessa região.

03/07/2009 - 10:20h Enquanto Kassab “inaugura” factoides, a fila… cresce!

Capa do AGORA

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02/07/2009 - 11:33h O método é o homem

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Kassab é um bom inaugurador de ideias, as quais ocupam generoso espaço na mídia. Algumas das ideias, Kassab as inaugura várias vezes, ao ponto que alguns já chegaram a noticiar realidades inexistentes, basados exclusivamente na força das ideias inauguradas por Kassab.

O exemplo da Cracolândia ilustra bem o método, pois mesmo que cinco anos após a inauguração da ideia da Nova Luz a escuridão continuar a mesma, Kassab passa a ideia de estar executando um projeto urbanístico renovador, e a coisa não andou quase nada.

Enquanto isto, no mundo real da moradia, transporte, saúde, educação e trânsito, a prefeitura de Kassab é de uma mediocridade surpreendente.

Voltemos ao exemplo da questão das vagas em creches, já abordado ontem, e que voltou ao noticiário do jornal AGORA (o único a tratar hoje do assunto).

O ponto de partida é o conflito entre as necessidades das mães de deixar as crianças na creches e a falta de vagas na cidade. A resposta de Kassab foi o da promessa demagógica de acabar com a falta de vagas. Sendo completamente fantasiosa e perante a incredulidade da mídia, Kassab insistiu na sua promessa.

Poderia se esperar que todo o esforço do prefeito estaria voltado para construir mais e mais creches, ampliar a rede das conveniadas e mesmo sem poder atingir a sua promessa irrealista, dar grandes passos na via de melhorar a situação.

Mas é o contrário o que acontece. Enquanto as obras e os investimentos estão parados, os esforços de Kassab são os de encontrar o jeito de manipular os dados para vender a ideia de resultados.

Fez uma nova lista recadastrando as solicitudes de vagas e eliminando uma boa parte da demanda. Depois retirou mais de 40 mil crianças de 3 anos das creches e as passou para as Emeis (leia o editorial do jornal AGORA, reproduzido embaixo).

Mesmo assim, a demanda aumentou (ver artigo após o editorial do AGORA). A situação piora e o Ministério Público intervém para que Kassab não provoque, com suas manipulações grosseiras, danos irreparáveis na formação das crianças e para que amplie realmente as vagas ofertas em creches.

O método de Kassab não é novidade, a direita populista usou e abusou desse estilo, aproveitando o conservadorismo do eleitorado de São Paulo.

Dos mesmos que engoliram Maluf e Pitta, os que elegeram o caçador de marajás em 89, que votaram a contra-mão do Brasil em 2006 e que estão entre os que recebem o maior volume de informações da mídia.

“Me engana, que eu gosto” parece ser o lema e pouco importa a realidade dos que mais precisam do poder público. Enquanto esse conservadorismo continuar a influenciar a ampla maioria dos eleitores de São Paulo, o “método” de Kassab continuará a reinar entre nós.

Sem as creches. LF

02/07/2009 - 10:54h Apesar da manipulação de Kassab, cresce a demanda por creche na cidade

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EDITORIAL DO JORNAL AGORA

Todo mundo na pré-escola

A matrícula de crianças de três anos na pré-escola fez a Promotoria da capital mandar a prefeitura preparar um estudo sobre a situação. Dentro de um mês, o material tem que estar pronto. Outro estudo, da USP, foi levado em maio à Promotoria e defende a matrícula das crianças de três anos em creches. Há 48 mil dessas crianças na pré-escola –elas farão quatro anos, segundo a prefeitura, ainda neste ano. Normalmente, está no pré quem tem entre quatro e cinco anos de idade.

A principal diferença entre as duas etapas é o limite de crianças por sala. Enquanto no pré pode haver até 35 alunos, nas creches, o máximo são 18. Quem é contra o ingresso das crianças de três diz que essa é uma manobra para reduzir a demanda por educação infantil. A fila para vaga em creche hoje tem 84 mil crianças.

Até 2007, o município determinava que crianças de três anos tinham de ser matriculadas em creches. No ano passado, reduziu para dois, e hoje não há definição.

A barbeiragem, que pega uma brecha da principal lei da educação, prejudica também as mães, já que nas creches as crianças podem ficar por até dez horas, enquanto a carga horária da pré-escola é de quatro a seis horas/dia.

Ainda que a prefeitura mude as regras para tentar se manter dentro delas, deve saber que está mexendo no problema errado. Seria melhor se concentrar em melhorar e ampliar as creches municipais. É um dos problemas mais graves da gestão de Gilberto Kassab (DEM) e não pode ser resolvido só na base da canetada.

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Cresce em 17 mil a demanda por creche

Gilberto Yoshinaga do Agora

A fila de espera por uma vaga nas creches de São Paulo ganhou 17.188 novos nomes em apenas três meses, segundo balanço divulgado ontem pela Secretaria Municipal da Educação. No último levantamento, em março, havia 67.619 pessoas na fila de espera. Hoje, segundo a prefeitura, são 84.807 crianças fora das creches. O aumento, de mais de 25%, segue em direção contrária à promessa de campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que pretende zerar esse número até 2012.

Dos 96 distritos da cidade, conforme divisão feita pelo relatório da prefeitura, a fila de espera só diminuiu em cinco: Água Rasa, Limão, Pinheiros, República e Vila Leopoldina. Em todas as outras localidades da cidade, a procura por vagas em creches municipais aumentou.

A maior demanda está no Grajaú (zona sul de SP), onde 4.945 crianças estão na fila. No ranking das regiões mais preocupantes, também estão outros dois bairros na zona sul. No Jardim Ângela, há 3.678 bebês na fila de espera e, no Jardim São Luís, 3.622.

Mas o verdadeiro número de mães que aguardam uma vaga para colocarem seus filhos em creches é ainda maior. Segundo a prefeitura, outras 3.883 crianças que estão na lista de demanda preferencial –pessoas que conseguiram a vaga em uma creche, mas solicitaram a transferência para outra unidade e estão sem atendimento.

A prefeitura não explicou por que a fila de espera aumentou. Em nota, a Educação compara o número atual ao registrado em junho do ano passado, quando a demanda era de 110 mil. A pasta fala apenas em “permanente redução da demanda”, sem citar os dados atuais.

01/07/2009 - 19:13h MP dá um mês para Kassab rever matrícula crianças de três anos em Emeis

A notícia reproduzida embaixo é a manifestação de mais um “incomodo”, como diria o jornal VALOR, provocado pelo Ministério Público contra Kassab.

O assunto merece destaque quando se cumprem 6 meses do segundo mandato demo-tucano na cidade. Ele é o mais fiel retrato do jeito Kassab de enfrentar os desafios provocados pelas necessidades da população, na metrópole mais rica do país e também uma das mais desiguais.

A falta de investimento em vagas para creche provocou uma explosão de demandas não atendidas durante o primeiro mandato demo-tucano. Mesmo com recursos financeiros muito superiores, o número de vagas em creches criadas por Serra-Kassab foi menor que durante os 4 anos de Marta Suplicy.

Tendo prometido durante a campanha pela releição que acabaria com o deficit de vagas em creche, muitos eleitores confiaram que a promessa seria seguida de pelo menos um começo de execução dando prioridade a resolução deste problema.

Mas qual foi a atuação de Kassab neste assunto?

Primeiro, proceder a exigir o recadastramento das mães solicitantes procurando assim diminuir a lista, sem satisfazer a demanda.

Após ter conseguido reduzir a lista, Kassab reivindicou assim a redução do deficit para 60 mil.

Agora transferiu perto de 40 mil crianças de três anos, das creches para as emeis. “Reduzindo” novamente o deficit, pelo menos no papel e sem medir as consequências destas transferências para a educação e o equilibro emocional das crianças.

Daqui a pouco pretende lançar campanha publicitária pretendendo ter cumprido sua promessa. Os que não tem crianças em creche, os que não precisam de vagas em creches, os que não utilizam os serviços municipais de ensino, os que acreditam nos balanços fajutos que alguns jornais apresentam como isentos, aplaudiram com duas mãos. Para uma parte do eleitorado da cidade, e para alguns jornais, o que conta é o que parece e não o que é.

Restam os “neobobos” ou os que “incomodam”, como o Ministério Público. A nota a seguir mostra que este último não parece disposto a aceitar tamanha manipulação e descaso com as crianças. Cabe aos “neobobos” não deixar cair a peteca e cobrar o cumprimento real das promessas de campanha alertando a população sobre o engodo. LF

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MP dá um mês para Kassab rever matrícula crianças de três anos em Emeis

A Prefeitura de São Paulo tem um mês para preparar um estudo sobre a política de matricular crianças de três anos em Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil) –a pré-escola. O prazo foi dado pela Promotoria de Justiça de Defesa dos Interesses da Infância e Juventude da capital ao secretário da Educação, Alexandre Schneider, em audiência na última sexta-feira.

O Ministério Público investiga qual modelo é adequado para atender a essa faixa etária. “Pedi um parecer à USP para conhecer os aspectos pedagógicos da questão”, disse a promotora de Justiça Dora Martin Strilicherk. O documento foi entregue em maio.

Professoras da Faculdade de Educação da universidade são contra o ingresso de crianças de três anos em salas com até 35 alunos –limite aceito na pré-escola. Nas creches, o máximo permitido são 18. Elas também afirmam que a mudança se trata de uma manobra para reduzir a demanda por educação infantil. A fila para conseguir vaga em creche hoje é de 67 mil.

Reportagem publicada pelo Agora no domingo mostrou que há 48 mil crianças com três anos matriculadas em pré-escolas –elas farão quatro, segundo a secretaria, ainda neste ano. A prefeitura tem alterado as portarias de matrícula anualmente. Até 2007, o município estipulava que crianças de três anos tinham de ser matriculadas em creches. No ano passado, reduziu para dois anos e, hoje, não há definição sobre a “preferência”.

Segundo a presidente do Conselho Nacional de Educação, Clélia Brandão, os parâmetros seguidos pela capital antecipam a escolaridade. “O município precisa estudar a questão não apenas do ponto de vista das vagas, mas da maturidade da criança. O correto é colocar crianças de quatro anos na pré-escola”, afirma.

A promotora Dora Martin Strilicherk disse que vai aguardar a chegada do estudo para decidir que medida tomar. “Uma possibilidade é a assinatura de um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] com a prefeitura para que novas normas passem a valer em 2010. Vamos esgotar todas as vias administrativas”, disse. O ingresso de uma ação civil pública não está descartado.

O secretário Schneider disse que vai elaborar o estudo solicitado e verificar de que forma pode elevar gradativamente a carga horária oferecida às crianças nas Emeis (quando há transferência, o período de atendimento pode cair de dez para quatro horas). “Foi isso que ficou combinado”, disse.
A promotora Dora Strilicherk, porém, deixou claro que o inquérito foi instaurado para investigar o por quê de crianças de três anos estarem na pré-escola, não em creches.

Fonte Boletim Bancada de vereadores do PT

01/07/2009 - 18:47h NaMaria neles!

Um novo blog que seguramente contribuirá para o aprimoramento da informação acaba de nascer. Dedicado a educação e ao Estado de São Paulo, ele se apresenta assim :

NaMaria News
Fatos, relações, e negócios entre os personagens históricos
da Educação Estadual de São Paulo
A verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade

Na matéria de hoje podemos ler:

Livros pornodidáticos de José Serra e grupo

Originalmente publicado por NaMaria, em Luis Nassif – 29/maio/2009.

Postado e AMPLIADO aqui para relembrar/comemorar os dias em que esperamos a saudável e suspensa sindicância prometida pelo Governador Serra e seu Secretário de Educação Paulo Renato sobre os responsáveis da escolha dos livros inadequados aos alunos das escolas públicas de SP – vide o contador de dias neste blog. Repare bem nos nomes dos personagens e suas relações no texto abaixo. Também seria interessante ver o que diz o vice-líder do Governo, Sr. Milton Flávio sobre o tema, em texto neste blog.

O endereço é  http://namarianews.blogspot.com/

26/05/2009 - 09:33h Entrega de CEU é adiada pela 3ª vez

A primeira promessa da Prefeitura era inaugurar o CEU Jaguaré em dezembro do ano passado

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Foto Galeria de FADB

Daniel Gonzales, Jornal da Tarde (JT)

daniel.gonzales@grupoestado.com.br

Depois de três promessas não cumpridas pela atual gestão municipal e obras que já duram um ano e meio, a Prefeitura da capital adiou novamente a entrega do Centro Educacional Unificado (CEU) Jaguaré, no bairro de mesmo nome, na zona oeste.

Em dezembro de 2007, mês em que as obras começaram, a unidade foi prometida para dezembro de 2008. Ao longo da campanha eleitoral, no ano passado, o então candidato à reeleição Gilberto Kassab alterou a entrega para 11 de fevereiro deste ano (início do ano letivo). Em fevereiro, as obras ainda estavam nas fundações e a Prefeitura mudou a previsão de conclusão para este mês de maio.

Ontem, Kassab, que visitou o local, fez a quarta promessa. O prefeito disse que o bloco didático do CEU, edifício que abrigará as 41 salas de aula, com capacidade para 2.800 alunos, será entregue “ainda neste ano”. O bloco terá uma escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF), uma de Educação Infantil (EMEI) e uma creche, o Centro de Educação Infantil (CEI), além de biblioteca, laboratório e salas administrativas.

“Enquanto isso, minhas crianças matriculadas no CEU estão estudando em duas escolas diferentes, improvisadas, e morrendo de vontade de vir para cá”, diz a dona de casa Helena Santos, de 32 anos, que mora nas proximidades da unidade, que fica quase em frente da Favela Nova Jaguaré. A favela também passa por obras de reurbanização por parte do governo municipal.

Em fevereiro, a Prefeitura havia informado que os alunos da rede municipal, na região, ficariam estudando “provisoriamente” em outras unidades, até a conclusão do CEU, que custará R$ 20,1 milhões. A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), responsável pela construção, informou à tarde um prazo mais preciso do que o dado pelo prefeito Gilberto Kassab.

Segundo a Siurb, o fim das obras civis do bloco didático do CEU Jaguaré deverá ocorrer “no fim de agosto”. A pasta informou que as obras atrasaram por conta de problemas e adiamentos das licenças ambientais, já que árvores tiveram que ser cortadas no terreno de 30 mil m² que abriga a unidade.

A Siurb ainda mantém em seu site, publicadas, todas as notas com as datas previstas mas não cumpridas para a entrega da unidade. A parte cultural e esportiva da escola – três piscinas, quadra, anfiteatro para 180 pessoas – será terminada apenas em novembro, de acordo com a secretaria. Parte da área desses equipamentos ainda está em fase de terraplenagem.

Depois das obras, segundo a Siurb, caberá à Secretaria Municipal de Educação mobiliar e contratar pessoal para que os alunos possam, finalmente, começar a estudar no CEU Jaguaré.

Procurada, a Secretaria Municipal de Educação não atendeu ao pedido do JT para informar quando, de fato, as aulas terão início na unidade.


AS PROMESSAS

Dezembro de 2007: Prefeitura promete entregar CEU em
dezembro de 2008

Outubro de 2008: Kassab adia entrega para 11 de fevereiro

Fevereiro de 2009: Prefeitura adia entrega para maio de 2009

25 de maio de 2009: Prefeitura adia entrega para até o fim do ano

25/05/2009 - 09:15h Didático

Charge do JT (clique na imagem para ampliar)
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17/04/2009 - 12:19h “Havia alimentos em descomposição e salsicha cortada em três para render mais”, Folha SP

A Merenda Escolar de Kassab na mira do MP e da Polícia

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(…)

“Os indícios de que as empresas pagavam propina para obter os contratos aumentaram ainda mais depois que uma delas, que também teve o nome preservado, apresentou movimentações bancárias de R$ 22 milhões colocadas sob suspeita pelo Coaf, órgão federal especializado no combate à lavagem de dinheiro.

Ou seja, o dinheiro pode ter sido usado para corromper funcionários públicos e, eventualmente, bancar campanhas políticas, possibilidade que também está sob investigação.

O promotor declarou que uma das empresas sob suspeita está negociando uma forma de “entregar todo o esquema”. Com isso, as penas contra ela seriam reduzidas.

Os funcionários que controlavam a merenda, de acordo com o Ministério Público, podem ser responsáveis pela paralisação de 400 processos de fiscalização da qualidade da merenda. Esses processos poderiam ter levado à aplicação de multas contra as empresas.

A Polícia Civil, por sua vez, ainda apura o sumiço de documentos de dentro de um prédio da prefeitura que tratam da alimentação escolar.

O conteúdo dos relatórios, preparados pelo CAE (Conselho de Alimentação Escolar, órgão independente que fiscaliza a merenda), aponta irregularidades em vistorias (realizadas em 2006 e 2007, num total de 135 unidades visitadas). Havia alimentos em decomposição e salsicha que era cortada em três para render mais.”

(JOSÉ ERNESTO CREDENDIO – FOLHA SP 17/04/2009)

17/04/2009 - 11:46h O “cheiro ruim” na merenda de Kassab, na mira dos promotores

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MP ameaça processar gestão Kassab por terceirização da merenda

Após fim de prazo, promotor exige rescisão imediata dos contratos e promete acionar quem voltar a assiná-los

 

Bruno Tavares e Marcelo Godoy – O Estado SP

 


O Ministério Público Estadual (MPE) ameaça processar por improbidade administrativa o gestor público municipal que assinar novos contratos para o fornecimento de merenda para a rede escolar da capital. O promotor Silvio Antonio Marques, da Promotoria de Justiça da Cidadania, disse ontem estar convencido de que a terceirização do serviço é prejudicial aos cofres municipais e à saúde dos alunos. Marques também quer saber do prefeito Gilberto Kassab se os contratos com as empresas investigadas sob suspeita de fraude em licitações, formação de cartel e corrupção serão ou não rescindidos. O prazo de 45 dias estipulado pelo MPE venceu na semana passada.

O pedido para que a Prefeitura reassumisse a preparação da merenda foi feito em fevereiro, após denúncias de que as prestadoras de serviços teriam montado um esquema fraudulento para vencer as licitações. Também foram constatadas diversas irregularidades – desde comida estragada e armazenada de maneira inadequada até a distribuição de alimentos inferior à prevista no contrato. Num dos casos levados ao conhecimento dos promotores, uma única salsicha era dividida entre três alunos. “Esse modelo de terceirização é equivocado e causou superfaturamento de preço e pagamento de propina para funcionários públicos”, afirmou Marques. “Além disso, as merendeiras da Prefeitura estão ociosas. Algumas delas foram deslocadas para a limpeza, sendo que o Município já tem pessoas contratadas para esse serviço. Isso cria duplicidade de função, o que é ilegal.”

Das cerca de 2 mil unidades de educação administradas pelo Município, 80% tiveram as merendas terceirizadas nos últimos anos. Os dois principais argumentos usados pela administração Kassab para defender o modelo são a redução de custos – pois os produtos deixam de ser comprados de forma fracionada – e a melhor qualidade nutricional das refeições servidas aos alunos, uma vez que a merenda é supervisionada por especialistas. Apesar da ameaça feita ontem pelo MPE, a Secretaria da Educação reiterou, em nota, que “a merenda terceirizada é uma opção administrativa e será mantida pela Prefeitura”. A pasta diz ser ser “absolutamente inviável” para o Município servir as refeições diretamente às escolas. “Para que se tenha uma idéia, são servidas diariamente 1,6 milhão de refeições nas unidades educacionais”, diz o texto.

SAQUES

A investigação sobre a chamada máfia das merendas segue em três frentes – cível, criminal e administrativa. “Estamos convictos de que as empresas praticaram crimes”, afirma o promotor Arthur Pinto de Lemos Júnior, do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Gedec) do MPE. Análises preliminares revelaram que, em três anos, uma das empresas investigadas movimentou de maneira atípica R$ 22 milhões. Os saques, segundo informações repassadas pelos bancos ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e transmitidas ao Gedec, eram feitos sempre na boca do caixa. Um mecânico, por exemplo, sem vínculo empregatício com a empresa, sacou R$ 100 mil em dinheiro. O MPE suspeita que os valores possam ter sido usados no pagamento de propina a servidores. As fornecedoras de merenda que estão na mira do MPE atuam em 17 Estados e 36 cidades do Estado.

O Gedec apura ainda o uso de empresas de fachada no esquema. “Aparentemente as fornecedoras que mantêm contratos com a Prefeitura não apresentam irregularidades contábeis ou fiscais, mas temos vários indícios de que elas usavam outras empresas para esconder as movimentações suspeitas”, diz Lemos Júnior.

Na esfera administrativa, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) – braço do Ministério da Justiça especializado na defesa da concorrência – espera celebrar em breve um acordo de leniência (espécie de delação premiada destinada a pessoas jurídicas) com alguma das seis empresas investigadas. Por lei, apenas uma delas pode aderir. “Já fomos procurados e imagino que os envolvidos estejam concorrendo entre si para ver quem consegue fechar o acordo de leniência primeiro”, comentou Ana Paula Martinez, diretora da SDE. A empresa que colaborar com a investigação pode receber imunidade administrativa e criminal ou a redução das penalidades.

Irregularidades já constatadas

Armazenamento

Freezer estava cheio de legumes com validade vencida
Portas da geladeira não fechavam e iogurte era armazenada com carnes, peixes e salsichas

Salsichas e almôndegas eram guardadas fora do congelador

Quantidade

Um prato de comida pesava 540 gramas, dos quais 450 eram do próprio prato e apenas 90 eram efetivamente alimento

Empresa fornecia apenas 56 kg de frango para uma mesma quantidade de alunos, em vez dos 80 kg enviados pela antiga fornecedora

Uma salsicha era dividida entre três crianças

Carne

Excesso de gordura e textura heterogênea nos pedaços

O alimento não era oferecido em pedaços, mas desfiado e misturado com legumes

No tipo patinho, foi constatado mau cheiro, mesmo na peça congelada

Frutas

Em pouca quantidade e de baixa qualidade

Quantidade de mamão por criança era inferior ao estipulado em contrato

17/04/2009 - 11:11h Cheiro de podre na merenda escolar de Kassab

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Mesmo sem legalizar contrato, Prefeitura pagava pelo serviço

111 escolas passaram a ser atendidas por acusados de cartel sem que fosse feita uma nova licitação

 

Bruno Tavares e Marcelo Godoy – O Estado SP

 


Durante as investigações sobre as irregularidades na merenda escolar em São Paulo, os promotores se depararam com uma surpresa: 111 escolas passaram a ser atendidas pelas empresas suspeitas de corrupção e formação de cartel sem nova licitação ou aditivo contratual. Mesmo assim, a Prefeitura pagava pelo serviço prestado.

“Isso é um absurdo e nós vamos tomar medidas drásticas”, advertiu o promotor Silvio Antônio Marques. De acordo com outro promotor, Arthur Lemos Pinto Junior, do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Gedec), a Lei de Licitações (Lei 8.666/93) foi desrespeitada. Sobre o fato, os promotores ouviram três ex-funcionárias da Secretaria da Educação – Joana D?arc Pereira Mura, Rosmari da Silva e Mônica Horta. Elas são suspeitas de terem incluído as escolas indevidamente entre aquelas que seriam atendidas pelas empresas suspeitas de fraude.

“As três disseram que incluíram as empresas por ordem do secretário de Educação”, contou o promotor Marques. O titular da pasta, Alexandre Schneider, já foi ouvido no caso, mas deve ser chamado novamente para depor a fim de esclarecer os pagamentos. O Estado solicitou ontem à Assessoria de Imprensa da pasta o posicionamento de Schneider sobre as declarações das três ex-funcionárias, mas a nota oficial não abordou o assunto.

Além das 111 escolas, os promotores querem explicações sobre 400 processos administrativos abertos contra as seis prestadoras de serviço durante a vigência do contrato da merenda. Os processos, que tratavam sobre falhas na prestação do serviço, teriam ficado parados por mais de um ano, sem nenhuma solução. Segundo o promotor Marques, as funcionárias dizem ter encaminhado as demandas para o departamento jurídico, mas não souberam explicar porque deixaram de concluí-los.

Em 6 de fevereiro, após as primeiras denúncias de irregularidades no contrato da merenda, a Prefeitura determinou o afastamento temporário de Rosmari e Joana D?arc, sob a alegação de que ambas eram investigadas por ligações com a Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (Aberc). A entidade disse à época que só mantém vínculo com servidores por meio de cooperação técnica, sem remuneração.

ENTENDA O CASO

Em 4 de fevereiro, o Ministério Público Estadual (MPE) revela apuração de suposto esquema de cartel (conluio entre empresas para prejudicar concorrentes) envolvendo ao menos dez fornecedores de merenda escolar em 14 cidades para fraudar licitações

No dia 9, o MPE dá 45 dias para a Prefeitura suspender, cancelar ou rescindir todos os contratos com as empresas sob investigação, no valor total de R$ 258 milhões ao ano

No dia 10, o prefeito Gilberto Kassab dá 45 dias para a Secretaria da Educação preparar nova licitação para o serviço

Ontem, o MPE voltou a cobrar o prefeito e ameaçou processar por improbidade administrativa o gestor público que assinar novo contrato

03/04/2009 - 09:20h “Gestão” Kassab: Fila por vagas na educação infantil é de 101.719

Os “gestores” da fila dizem que o aumento era esperado. Normal eles tinham limpado a lista para “diminuir” o deficit, mas a realidade das crianças sem vagas voltou a desnudar os demo-tucanos: em 3 meses o aumento foi de 40%. É o que eles chamam “Cuidar de gente”. LF

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Fila por vaga ganha 30 mil crianças em 3 meses

Adriana Ferraz e Lívia Sampaio do Agora

A fila de espera por vagas nas creches e nas pré-escolas da rede municipal de São Paulo cresceu 40% em três meses. No período, o déficit na educação infantil (zero a seis anos) passou de 72.192 para 101.719 nomes.

A maior fila continua sendo por uma vaga em creches municipais ou conveniadas. São 67.619 crianças (de zero a três anos) cujos pais não conseguem lugar, diferença de 10 mil no período _em dezembro, eram 57.607. Na pré-escola, há 34.100 na lista, contra os 14.585 anteriores.

No último cálculo, divulgado há menos de um mês (com dados de dezembro), o secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, afirmou que os números estavam próximos da realidade. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) seguiu a mesma linha. Em 14 de março, durante evento, ele disse que os dados estavam corretos e elogiou o sistema de recadastramento adotado pela secretaria, com o envio de cartas às mães interessadas.

O modelo escolhido, porém, foi criticado por especialistas e questionado pelo próprio secretário. Schneider comentou, em seu blog na internet, que solicitou uma revisão dos dados, já que 76 mil cartas não haviam retornado.

“A primeira parcial mostra que 4.881 desistiram da vaga e 24.143 já constavam como matriculados. Os 46 mil restantes não devolveram a carta confirmando o cadastro por uma série de motivos [desistência da vaga ou mudança], mas continuam com seu direito garantido caso retornem a procurar a rede”, escreveu o secretário em seu blog.

A promessa de zerar a demanda em creches é uma das principais promessas feitas por Kassab durante a campanha eleitoral do ano passado. Nesta semana, o prefeito reafirmou o compromisso na apresentação do plano de metas de sua gestão.

Para alcançar o objetivo, a prefeitura planeja firmar parcerias com a iniciativa privada para a construção e coordenação de novas unidades. O acordo apressaria o processo e reduziria os custos da gestão.

O TCM (Tribunal de Contas do Município) estuda o projeto para decidir se o aprova ou não na próxima semana.

Bairros nobres
Na comparação por distrito, três áreas nobres da capital registram as maiores diferenças percentuais, dos últimos três meses, na fila por uma vaga em creche. São eles: Campo Belo (aumento de 140%), Itaim Bibi (129%) e Pinheiros (84%).

Quando a análise é por números absolutos, áreas mais carentes da zona sul lideram o ranking. Em Cidade Dutra, o crescimento real foi de 628 vagas. Em Cidade Ademar, outras 583 entraram na fila e, no Campo Limpo, 559. A região é tradicionalmente a mais carente da educação infantil. No Grajaú, o distrito campeão, 3.858 crianças estão à espera de um lugar. A conta por distritos mostra que só 16 dos 96 reduziram a procura. A principal queda, 79%, foi registrada na República (região central). Em seguida, no lado positivo da lista, estão Perdizes (com -54%), Marsilac (-44%) e Lapa (-15%).

12/09/2008 - 14:43h Silêncio na mídia

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No debate de ontem na Band, Marta afirmou também: “os CEU’s foram atacados pelos demo-tucanos, que depois de assumirem a prefeitura deixaram os terrenos abandonados e os novos  CEU’s previstos e licitados, parados. Retomaram, após luta da população, com atraso e entregaram só 13. Com menos equipamentos, teatros menores, menos piscinas e a preço superior aos que (Marta) construí e superiores aos preços pelos quais tinham sido licitados, contrariamente as afirmações mentirosas veiculada na propaganda gratuita de Kassab”.

Nenhum dos 5 principais jornais de São Paulo comentou qualquer coisa. nenhum foi atrás para verificar, desmentir ou confirmar as veracidades das afirmações de Marta. Ninguém comparou os preços, que este blog já forneceu aos seus leitores várias vezes, com dados da própria prefeitura (Com os demo-tucanos na prefeitura o CEU fica lá acima, mesmo!).

Nada. Silêncio. Olham para outro lado.

Provavelmente porque não querem cartas como as de Consuelo de Castro (ver post anterior).

A resposta para essa omertá da mídia paulista e os CEU’s deveriam ser milhões de cartas na forma de dedos na urna eletrônica.

Aperta o 13 e confirma.

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