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	<title>Blog do Favre &#187; entrevistas</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Ação de Lula afastou crise, apesar de erros do governo</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 12:52:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[ENTREVISTA DA 2ª &#8211; ANTONIO DELFIM NETTO
Para ex-ministro, papel pessoal do presidente ao estimular brasileiro a consumir foi decisivo e compensou políticas monetária e fiscal equivocadas
Leticia Moreira/Folha Imagem

Delfim Netto em seu escritório no Pacaembu (SP)
HÁ 50 anos o economista Antonio Delfim Netto publicou &#8220;O Problema do Café no Brasil&#8221;, sua tese de doutorado. Pelo uso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>ENTREVISTA DA 2ª &#8211; ANTONIO DELFIM NETTO</strong></p>
<p><strong>Para ex-ministro, papel pessoal do presidente ao estimular brasileiro a consumir foi decisivo e compensou políticas monetária e fiscal equivocadas</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Leticia Moreira/Folha Imagem<br />
<img class="alignnone size-full wp-image-16628" title="Delfim_Netto3" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Delfim_Netto3.jpg" alt="Delfim_Netto3" width="350" height="162" /><br />
Delfim Netto em seu escritório no Pacaembu (SP)</em></span></p>
<p>HÁ 50 anos o economista Antonio Delfim Netto publicou &#8220;O Problema do Café no Brasil&#8221;, sua tese de doutorado. Pelo uso da história na abordagem de um dilema de comércio agrícola, a obra virou um clássico do pensamento econômico brasileiro. Em entrevista à Folha, Delfim diz que, hoje, o texto nem seria publicado. &#8220;Não seria aceito em lugar nenhum. Estamos controlados por uma matemática bastarda. Há um domínio do brilhantismo, da técnica manipuladora sobre o realismo.&#8221; Aos 81 anos, o ex-ministro da Fazenda recupera-se de uma cirurgia para colocação de stents em duas artérias. &#8220;Aprendi a respeitar os médicos. São muito menos ortodoxos do que os economistas formados na visão única&#8221;, diz ele.</p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">MARCIO AITH &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>Delfim acha que o Brasil saiu da crise não exatamente por medidas técnicas originais, mas porque Lula, pessoalmente, dissipou o pessimismo. &#8220;Com incrível ousadia, ele pôs todo o seu patrimônio em risco pedindo aos brasileiros que consumissem. Deu certo.&#8221; O ex-ministro, no entanto, enxerga um problema sob a névoa da euforia reinante no país. Segundo ele, será difícil financiar o inchaço de gastos públicos irreversíveis, que se sedimentam &#8220;geologicamente&#8221; no Orçamento. &#8220;Está armado aí um enrosco da maior gravidade, pois temos a mais rápida redução da taxa de fertilidade no Ocidente.&#8221;</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Em um recente artigo, o  senhor tratou o aparelhamento do  Estado brasileiro como um defeito  comum a todos os governos, não  apenas àqueles com DNA sindical,  como o atual. O aparelhamento, então, não tem credo ou ideologia?<br />
ANTONIO DELFIM NETTO -</strong></em> Continuo com a convicção de que  sindicato mais política é igual à  corrupção. Essa fórmula, descoberta no século passado pelo  sociólogo alemão Robert Michels, continua válida. Eu só  quis dizer que cada governo  aparelha a seu modo, por motivos diferentes. Veja o caso de  Brasília. Na primeira leva, a cidade recebeu mineiros. Depois  vieram maranhenses, alagoanos e paulistas. Agora, sindicalistas. O grande drama desse  problema é que ninguém sai, só  entra. É isso. Se fizermos uma  análise geológica de Brasília, fatiagráfica, notaremos camadas  que se superpõem. E qual é a  regra do jogo? É a nova camada  respeitar cuidadosamente os  benefícios recebidos pela que  está sendo substituída.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Qual é o efeito desse acúmulo?<br />
DELFIM NETTO -</strong></em> Isso está levando  o Estado a uma situação de  quase insolvência fiscal. Está  armado aí um enrosco da maior  gravidade. O problema mais  grave é da sustentação do sistema da seguridade social e da  Previdência. Não é possível carregar um país onde o salário  médio do aposentado do Judiciário é mais de 30 vezes o salário do trabalhador aposentado  no INSS. No Legislativo, é 20  vezes; no Executivo, 12 a 14.  Uma casta se instalou em Brasília e, com as camadas de aparelhamento, aprofundou essa  divergência. Não há controle  sobre o serviço público.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Qual é a evidência de que  essa situação é insustentável?<br />
DELFIM NETTO -</strong></em> É simples. O Brasil vai ficar velho antes de ficar  rico. A população brasileira vai  começar a diminuir em 2035  ou 2040. Temos a mais rápida  redução da taxa de fertilidade  no Ocidente. A situação pode  parecer confortável hoje, mas,  olhando dez anos à frente, o  quadro muda. Há, também sob  o ponto de vista da análise demográfica, o risco do câmbio  real fora da posição. Se perdurar, essa disfunção vai alterar a  estrutura produtiva.<br />
O Brasil, daqui a dez anos, vai  ter 250 milhões de habitantes.  Vai ter que dar emprego razoável para 140 milhões de pessoas. Se essa gente não receber  oportunidades de emprego  com remuneração razoável,  não tem solução. Esses empregos não virão da agricultura. Só  a indústria e os serviços podem  dar conta disso. E o câmbio errado destrói esses setores.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como o governo lida com  essas questões?<br />
DELFIM NETTO -</strong></em> Só agora o governo está se mexendo para resolver o problema do câmbio. Mas  ainda há aqueles que acham,  sem evidência empírica, que  não se pode atuar para consertá-lo. Uma imbecilidade. Quanto aos gastos públicos, o comportamento tanto do Executivo  como do Congresso é apavorante. Estudo feito pelo competente economista José Roberto  Afonso, ligado ao PSDB, aponta  que os projetos malucos em  tramitação no Congresso, além  das maluquices do Executivo,  representam uma despesa pública adicional de mais de R$  100 bilhões por ano.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Mas não é natural aumentar gasto público na crise? Não é disso que se trata a política anticíclica?<br />
DELFIM NETTO -</strong></em> No mundo inteiro a política anticíclica termina  quando a demanda privada volta ao nível anterior. Aqui ela  continua carregando o custeio  depois de terminado o ciclo. No  Brasil, política anticíclica nunca é anticíclica.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Mas e o sucesso do país no  enfrentamento à crise?<br />
DELFIM NETTO &#8211; </strong></em>O país se recuperou mesmo tendo políticas fiscais e monetárias erradas. O diferencial foi o bate-caixa do Lula. O presidente liderou o país ao pedir aos brasileiros que continuassem a consumir. Nenhum economista ousaria fazer isso. Seria considerado um louco heterodoxo. Além disso, o Brasil havia melhorado muito. Na verdade, a Constituição de 1988, apesar de seus exageros, de ter inventado gastos que não cabiam no PIB, criou uma estrutura institucional que está sendo seguida. O Brasil é o país com melhor situação institucional entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China). Somos uma democracia constituída.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; E o risco de autoritarismo  popular apontado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?<br />
DELFIM -</strong></em> O Fernando é um sujeito extremamente inteligente, esperto, e não consegue viver sem um alto protagonismo  público. É um provocador  enorme. Ele se diverte com esse negócio. As pessoas imaginam que ele está empenhado  num estudo sociológico. Que  nada. Ele está empenhado numa diversão. E, quando o sujeito responde agressivamente ao  Fernando, ele está cumprindo  a missão que o Fernando impôs  a ele. Esse alerta que ele fez não  ajuda em nada.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Por que não ajuda?<br />
</strong></em>DELFIM &#8211; Se fosse ele o presidente, teria aceitado o terceiro  mandato e destruído a democracia. Essa foi a inteligência do  Lula. Resistir a um terceiro  mandato a despeito de tudo o  que fizeram para que ele aceitasse. Isso faz uma diferença.<br />
Outra injustiça do Fernando  é ignorar que o Lula teve um  papel decisivo na rápida superação da crise. Nenhum intelectual, nenhuma pessoa que  pretenda ter um conhecimento  maior de economia teria assumido o risco que o Lula assumiu. Todos pediram para encolher, para pisar no freio. Os  banqueiros privados foram os  primeiros. O Lula pôs todo o  seu patrimônio em risco dizendo: consuma, o desemprego só  virá se você não consumir.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Qual é o potencial de  transferência de votos do presidente Lula?<br />
DELFIM -</strong></em> A ministra Dilma é uma administradora competente. Quem duvidar disso vai se decepcionar. Mas a transferência de votos não é segura. Tivemos uma prova empírica disso com a última derrota eleitoral da Marta [Suplicy] em São Paulo (nas eleições municipais de 2008). O Lula passeou de mãos dadas com ela duas vezes na cidade, na zona leste. Na segunda vez, trouxe cinco governadores com ele. E qual foi o resultado? Muito pequeno. Talvez no Nordeste você tenha um efeito maior, mas, na verdade, onde conta, do rio Grande para baixo, o poder de transferência parece não valer tanto.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como o sr. avalia a cautela  do governador Serra em se atirar na  disputa?<br />
DELFIM -</strong></em> O Serra é sem dúvida  um grande administrador, tem  ideias próprias que são bastante razoáveis e está fazendo um  bom governo. É um competidor muito forte e está se cuidando. Seu problema é que o  PSDB não se decidiu. Tem o Aécio nesse processo, que não é só  um candidato &#8220;redoutable&#8221; [temível], mas um agente político  eficiente, um centrifugador.  Enquanto o PSDB não se decidir, os dois agirão com cuidado.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O que está em jogo nas  eleições do ano que vem?<br />
</strong></em>DELFIM &#8211; Acho que todos têm  que entender, inclusive a Dilma, que o próximo governo não  será uma continuação do Lula.  O próximo governo terá de enfrentar os problemas do século  21, que embute uma mudança  radical na estrutura produtiva.  Principalmente na maneira como vamos fornecer energia para o desenvolvimento.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Há 50 anos o sr. publicou  &#8220;O Problema do Café no Brasil&#8221;. Como seria recebido hoje um trabalho  econômico com a mesma abordagem histórica?<br />
DELFIM -</strong></em> Não seria aceito em  lugar nenhum. Hoje estamos  controlados por uma matemática bastarda. Há um domínio  do brilhantismo, da técnica  manipuladora sobre o realismo. Naquele tempo eu usava a  matemática de forma moderada. Não havia, como há hoje,  nenhum axioma que viola a  realidade. Não redigi o artigo  com lemas, pois a economia  trata de dilemas. A matemática  é que trata de lemas.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como essa visão matemática afeta a análise econômica?<br />
DELFIM </strong></em>- Em novembro de 2008, a rainha [Elizabeth 2ª, do Reino Unido] chegou à London School of Economics e disse: &#8220;A única coisa que eu quero saber é o seguinte: há um século os senhores estão aqui estudando. Como é que não previram essa crise?&#8221;. Vários grupos de professores, então, prepararam respostas a ela. Os neoclássicos detectaram problemas de cálculos, erros em fórmulas. Já aqueles de orientação mais keynesiana disseram simplesmente que os economistas haviam abandonado a economia. Substituíram-na por uma matemática exagerada. Esqueceram a história, esqueceram a filosofia, esqueceram a psicologia, a geografia. É isso mesmo.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. teve um problema de  saúde recente. Teve mais sorte com  médicos do que com economistas?<br />
DELFIM -</strong></em> Nunca tinha entrado  num hospital, nunca tinha feito  uma operação. Aos 81 anos,  costumo dizer, tive minha primeira experiência. Fiquei dois  meses baleado, mas estou bem,  estou voltando a trabalhar.  Aprendi a respeitar os médicos  muito mais do que respeitava.  O médico é muito menos ortodoxo do que um economista  formado na visão única.</p>
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		<title>Energia: Para Mário Veiga, da PSR Consultoria, modelo é eficiente</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 15:25:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sistema do Brasil não é frágil, diz especialista


Nelson Perez/Valor

 Engenheiro Mário Veiga, da PSR Consultoria: discurso de que faltou investimento pode representar, se vitorioso, custo adicional para o consumidor
Josette Goulart, de São Paulo &#8211; VALOR
O apagão que afetou 18 Estados, retirou a maior usina hidrelétrica do país do sistema e deixou São Paulo completamente às [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size: xx-large;">Sistema do Brasil não é frágil, diz especialista</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: xx-large;"><br />
</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Nelson Perez/Valor<br />
</em></span><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002386/imagens/foto17bra-madrio-a6.jpg" border="0" alt="Foto Destaque" /><br />
<span style="font-size: x-small;"><em> Engenheiro Mário Veiga, da PSR Consultoria: discurso de que faltou investimento pode representar, se vitorioso, custo adicional para o consumidor</em></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Josette Goulart, de São Paulo &#8211; VALOR</span></h2>
<p>O apagão que afetou 18 Estados, retirou a maior usina hidrelétrica do país do sistema e deixou São Paulo completamente às escuras foi forte o bastante para que as culpas pudessem ser atribuídas ao governo, no clima pré-eleitoral em que o país já vive. Especialistas independentes negam que o sistema elétrico brasileiro seja frágil. O engenheiro eletricista Mário Veiga é um deles. Ele preside uma das consultorias mais prestigiadas no setor elétrico, a PSR Consultoria.</p>
<p>Com mestrado e doutorado na área de pesquisa operacional, Veiga diz que o Brasil tem um sistema complexo como complexa é qualquer rede elétrica, de qualquer país, e com equipamentos sujeitos a falhas. Ele acredita que apesar da pressão política, a diretoria do Operador Nacional do Sistema (ONS) está blindada e deve divulgar ainda hoje exatamente os fatores do apagão da semana passada. Com isso será possível consertar os erros e seguir em frente na gestão do sistema. E alerta que o discurso de que o que faltou foi investimento esconde um passivo futuro para o consumidor. O Valor chegou ao nome de Veiga após consultar mais de 10 especialistas e executivos do setor pedindo a indicação de um profundo &#8211; e isento &#8211; conhecedor do sistema elétrico nacional.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O sistema elétrico no Brasil é frágil?</em></p>
<p align="justify"><strong>Mário Veiga:</strong> Não, o sistema elétrico brasileiro não é frágil. O que temos que fazer é separar o que é oferta de geração, que está associada ao risco de racionamento de energia, a oferta de transmissão, que é a infraestrutura que transporta essa geração até os centros de consumo, e a infraestrutura de gestão, quer dizer, a operação segundo a segundo nesse sistema. Na parte de geração estamos até com excesso de oferta, o que permite que Brasil absorva com facilidade taxas altas de crescimento do PIB. A parte de transmissão acompanha a parte de geração. Os leilões de construção de linhas são feitos para que as linhas necessárias e reforços estejam prontos quando entrarem novos geradores no sistema. Nos últimos nove anos, foram licitados &#8211; e a maior parte construídos -, cerca de 32 mil quilômetros de linha de alta tensão. Comparado ao comprimento total hoje, de 80 mil quilômetros, nota-se que os investimentos foram significativos em transmissão. Então, estamos bem na parte de geração e de infraestrutura de transmissão.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>E na parte de gestão de infraestrutura, que  tem recebido tantas críticas?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Na parte de gestão, as medidas que foram tomadas quando houve a reforma do setor foram de, primeiramente, centralizar a autoridade da operação no ONS. O ONS tem total autonomia e autoridade para operar o sistema minuto a minuto, da maneira mais eficiente possível. Esse é um desafio para qualquer operador do mundo, porque a cada segundo o total de energia produzida tem que ser exatamente igual ao de energia consumida. Essa operação é feita em três horizontes. Num olhar para os próximos três a cinco anos é que, estrategicamente, se decide como usar os reservatórios do país. Isso é feito por um processo de otimização bastante sofisticado, que leva em consideração literalmente bilhões de combinações de cenários futuros. Depois, essa decisão é detalhada na programação para as próximas 24 horas, em que o ONS, em coordenação com os centros regionais, determina o cronograma de produção de cada usina. Depois vai para o tempo real, em que, de segundo a segundo, a operação do sistema é ajustada para ficar sempre igual à demanda.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Parece um processo simples&#8230;</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> A rede elétrica foi considerada há alguns anos pela academia americana de engenharia como o sistema mais complexo jamais feito pelo ser humano. É a máquina mais complexa já feita. Isso porque existem centenas de milhares de componentes que têm que funcionar, segundo a segundo, como o programado. A vantagem desse sistema é permitir que geração barata chegue à casa dos consumidores. Quando a energia elétrica foi produzida e distribuída em escala comercial pela primeira vez, com a descoberta de Thomas Edison, cada quarteirão tinha seu próprio gerador, porque não havia capacidade de transmitir energia a distancias muito longas. Isso teria a vantagem de nunca haver um blecaute, porque é como se cada quarteirão fosse um sistema isolado. A desvantagem é que esses geradores funcionavam a óleo e eram caríssimos. Quando foi inventado o sistema de corrente alternada, isso permitiu que fossem construídas linhas de transmissão de longas distâncias. Se poderia, assim, construir mais longe um gerador maior e, portanto, mais barato, por causa da economia de escala. Então rapidamente, no mundo inteiro, os sistemas deixaram de ser isolados para se integrarem. Foi um processo que beneficiou os consumidores, porque contribuiu para reduzir o custo de energia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Não foi diferente no caso do Brasil, certo? </em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> No caso do Brasil, isso era fundamental por causa das usinas hidrelétricas. Se você pega o exemplo do Equador ou Peru, que são países de tamanho menor, um evento meteorológico pode causar uma seca simultânea em todo o país. O Brasil, por ter área muito grande, tem várias regiões climáticas. A vantagem de termos uma rede interligada é que pode funcionar como se fosse um portfólio. Igualzinho quando a pessoa tem varias ações na bolsa de valores para poder diversificar o risco. Quando chove na região Norte, não chove no Nordeste, quando chove no Sudeste, não chove no Sul. Então eu posso aproveitar muito melhor essa diversidade de produção hidrelétrica e ter um sistema com muita participação hidráulica, mas que seja seguro. O que o operador nacional faz permanentemente é, atraves do modelo de otimização, buscar energia de onde está chovendo, onde os reservatórios estão melhores, e transferir para regiões onde está chovendo menos e os reservatórios estão mais vazios. Isso permitiu ao longo do tempo que a produção de energia fosse muito eficiente e transferiu o benefício da energia mais barata possível para o consumidor.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Mas também traz o risco de apagões maiores?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> O fato de as hidrelétricas estarem localizadas a milhares de quilômetros dos centros de consumo torna a operação mais complexa do que naturalmente já é. Você tem cada vez mais a possibilidade do sistema entrar no que se chama de oscilação e que pode se traduzir em um apagão.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Como acontece essa oscilação?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> A cada segundo você tem fluxo de energia passando em todas as linhas de transmissão do sistema. Evidente que uma linha pode falhar. Pode cair um raio, pode haver uma falha nos componentes. Quando a linha falha é preciso tirá-la de operação e desligá-la. Isso é feito porque, se ela se danificar, vai levar meses para consertá-la e colocá-la de volta no sistema. Se essa linha é desligada, a energia que estava passando por ali, automaticamente, numa fração de segundo, vai por um outro caminho, porque a energia não pode desaparecer. Se der azar de que nesse outro caminho já estava passando quantidade grande de energia, ele vai ficar sobrecarregado. Nesse caso, equipamentos chamados relés identificam que aquele caminho está transferindo mais energia do que aguenta e a segunda linha também é desligada. A energia associada ao primeiro caminho, mais a energia do segundo, vai por um terceiro caminho, que por sua vez pode dar o azar de ser sobrecarregado e assim por diante. Aí se tem o efeito cascata e o apagão.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O senhor usou muito a expressão &#8220;se der o azar&#8221;. Então é azar mesmo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> É um pouco de azar sim, pelo seguinte: o operador do sistema não tem, em nenhum país, o controle de quanto fluxo está passando em cada linha, porque os fluxos se distribuem de acordo com as chamadas leis de Kirchhoff. Se eu tenho duas linhas em paralelo, eu não posso forçar que em uma linha passe uma quantidade de energia, e em outra linha, outra quantidade. A natureza automaticamente distribui a energia entre as duas linhas em função das características elétricas das linhas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Não há tecnologia para se medir esse fluxo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Poderia se fazer por meio de links de corrente contínua. Mas seria caríssimo.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Então ficamos à mercê das leis de Kirchhoff?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Quando se planeja a transmissão, é feita uma série de simulações com milhões de cenários, que permitem que seja possível levar em consideração que os fluxos se distribuem de determinada maneira. É simulada a retirada de cada linha, uma a uma, para verificar por onde passariam os fluxos e garantir que, tirando uma linha, esses fluxos ainda passariam por uma outra linha e não teriam problemas. O sistema é planejado para levar em consideração que os equipamentos falham. Porque eles falham mesmo. Então o sistema é desenhado levando em consideração que linhas podem falhar e é colocado um reforço no sistema, isto é, se criam caminhos alternativos de transporte de energia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Aparentemente não havia esse caminho alternativo na semana passada.</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Existe um problema particular quando se tem uma usina como Itaipu. Ela é muito grande, responde por 20% da geração do país, e está a 900 quilômetros do centro de carga. Então é como se todos os caminhos andassem juntos. Mas o sistema de Itaipu é protegido e não é qualquer raio que o derruba. Se pode perder uma linha, até duas linhas, que não dá problema. Mas ninguém desenhou ou projetou o sistema para a saída de três linhas de operação, como disse o ONS. E não é uma questão de colocar mais reforços, pois custariam centenas de milhões de reais, que onerariam a conta do consumidor.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Não há margem de manobra, então, quando caem as três linhas que ligam Itaipu ao Sudeste?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> O que torna a operação ainda mais complicada é que, como estes fenômenos ocorrem em frações de segundos, o ser humano não tem tempo de agir. É por isso que se faz uma pré-programação e o sistema está preparado para, quando determinada linha receber fluxo maior, que ela seja desligada. Mas algumas vezes pode acontecer de o equipamento falhar e não acionar a instrução dada para se desligar a linha. Aí aquilo que devia estar desligado continua ligado e se começa a ter problemas, porque toda a coreografia previamente ensaiada pode começar a falhar.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O sr. não acha que a explicação da causa do apagão está demorando? </em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Amanhã (hoje) vai sair a análise do ONS do que aconteceu. A demora é justificável, porque o sistema possui registros segundo a segundo do que aconteceu, como se fossem caixas pretas. O que os técnicos estão fazendo é olhando essas caixas pretas e verificando cada relé, cada chave, cada disjuntor para saber o que aconteceu.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por essa complexidade, parece que não é fora do normal ter demorado para voltar a luz&#8230; </em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Sim e não. Porque você também se prepara para a falha. Imagine que houve um blecaute num país e toda a demanda desapareceu. A linha pode ser religada em frações de segundo, mas isso não é feito, porque quando existe uma falha do país inteiro o operador sabe qual era o consumo um segundo antes de dar o problema, só que quando falta a luz, as pessoas desligam seus equipamentos. O operador tem um problema complicado, porque ele não sabe qual a demanda que vai ter no sistema quando ele religar. Vamos imaginar que o sistema estava consumindo 50 mil MW na hora que caiu a energia, mas pessoas desligaram seus aparelhos e a carga, se fosse religada, seria de 30 mil MW. Mas operador estimou 40 mil MW e se ele religar haverá novo desequilíbrio e o sistema cai de novo. Por isso é feita uma divisão no sistema, já pré-programada, que se chama de ilhamento. Se o ilhamento funcionar você continua tendo o sistema que caiu, mas sabe que ele foi isolado. Agora existem vários megaquarteirões e se começa a recuperar a geração para cada um separadamente. O ideal, que qualquer centro de controle busca, é que as falhas não ocorram, mas se ocorrerem que se consiga fazer o desligamento de maneira organizada. No relatório do ONS, um dos assuntos que vai ser discutido é se esse esquema de desligamento funcionou 100% como esperado ou, se pela magnitude da falha, não teria condições físicas de esse esquema funcionar. O que significa que caiu mais energia do que se esperava. Se pode usar o script mas também é preciso usar a experiência do operador.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Nunca se cogitou a possibilidade de Itaipu sair do sistema?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Não posso falar pelo ONS, mas em nenhum lugar do mundo se planeja o sistema para falharem três linhas de transmissão como aconteceu na semana passada. Certamente foi um evento absolutamente inesperado. O importante é saber se as três linhas falharam por um azar imenso, ou se houve uma causa comum, um megarraio nas três linhas, ou se na verdade quando uma falhou, houve algum problema na proteção que, de alguma maneira &#8211; isso certamente o ONS vai esclarecer -, teria levado à falha das outras duas. Então é o seguinte: se deu um azar cósmico e falharam as três ao mesmo tempo por razões independentes, aí realmente é um azar gigantesco e é muito pouco provável mesmo. O que é mais provável é terem falhado uma ou duas das linhas e ter havido mais um incidente que levou à falha da terceira. Em geral, as falhas que causam problemas nunca são espetaculares. São uma combinação inesperada de fatores que, cada um isoladamente, não traria problemas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Poderia ter sido evitado este apagão?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Prevenir-se do conjunto de pequenas causas é um grande desafio, porque estamos falando de milhares e milhares de componentes, e quando você pensa em todas as combinações de pequenos acidentes que podem no conjunto dar errado, você estaria analisando bilhões ou trilhões de possíveis causas. Tenta-se da melhor maneira possível se prevenir, com reforços, com caminhos duplicados, mas sempre é possível acontecer um problema.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O fato de Itaipu naquele momento estar gerando a plena capacidade pode ter contribuído? </em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Claro que se tivesse gerando pouco, e as três linhas falhassem, a energia poderia passar pelas outras. Mas se durante seis anos, que foi o tempo entre o último blecaute e agora, se tivesse criado um procedimento para Itaipu nunca gerar a plena capacidade, se estaria deixando de utilizar a energia hidrelétrica barata de Itaipu para utilizar algo mais caro. Quando se faz a conta, se vê que isso possivelmente não era uma solução razoável. O fundamental é que causas sejam explicadas, identificadas e erros corrigidos. Se foi algo imprevisto, paciência, tem que melhorar.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>De certa forma o sistema formou um ilhamento, mas que abrangeu todo o Sudeste..</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Quando se perde toda a energia de Itaipu, não tem jeito, lembre que a cada segundo o total de geração tem que ser o total de demanda, então se toda a energia de Itaipu sai do ar tenho que cortar essa demanda, e nas áreas que são mais afetadas pela energia que foi embora. Então não tem jeito, que o Sudeste ia ser cortado, ninguém tem dúvidas. A questão que o ONS vai esclarecer é se pelo fato de ter havido falha mais severa é que foi necessário cortar mais demanda do que a oferta de Itaipu.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Então o Sudeste sempre vai ser afetado pela saída de Itaipu?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> A gente fica traumatizado, mas é bom lembrar que é a primeira vez na história que houve a saída de Itaipu. Se Tucuruí falhar, vai afetar o Nordeste. Não tem almoço grátis. São os riscos que traz uma energia limpa, barata. Mesmo com todos os esforços para evitar que ocorram acidentes, nunca é impossível de se ter apagão. O importante sempre é que as recomendações e aperfeiçoamentos sejam implementados.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O sr. acredita que o ONS tem liberdade para divulgar exatamente tudo o que aconteceu, ou vai existir pressão política?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Não imagino que haja pressão política e uma das razões é que na lei do modelo do setor elétrico foi dada total blindagem política para a diretoria do ONS. Embora o ONS seja empresa privada, as empresas que contribuem não tem qualquer ingerência no ONS, nem o governo. Essa blindagem existe para dar todas as condições de o operador fazer um trabalho técnico, que sempre tem feito.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>A experiência vivida em outros apagões foi aproveitada?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Várias recomendações da análise dos apagões de 1999 e 2003 foram aproveitadas. Não sei se todas, mas várias delas com certeza foram. Mas este é um processo que tem que ser constante. E não se é obrigado a implementar todas as propostas, porque alguma delas têm que comparar custo e benefício para saber se vale à pena. O fato de não ser implementada não significa que houve descuido ou descaso.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Cesar Maia elogia Aécio e diz que Serra lembra os piores caudilhos</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 12:10:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[Aecio]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Maia]]></category>
		<category><![CDATA[DEM]]></category>
		<category><![CDATA[entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[José Serra]]></category>
		<category><![CDATA[PSDB]]></category>

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		<description><![CDATA[Rodrigo de Almeida e Luiz Antonio Ryff, iG Rio
16/11/2009 RIO DE JANEIRO &#8211; Uma das principais lideranças do DEM, o ex-prefeito carioca Cesar Maia critica a demora na escolha pelo PSDB do seu candidato à eleição presidencial de 2010. E diz que o governador paulista, José Serra, que está à frente das pesquisas eleitorais, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">Rodrigo de Almeida e Luiz Antonio Ryff, iG Rio</span></h2>
<p><strong id="brtpOlho">16/11/2009 RIO DE JANEIRO &#8211; Uma das principais lideranças do DEM, o ex-prefeito carioca Cesar Maia critica a demora na escolha pelo PSDB do seu candidato à eleição presidencial de 2010. E diz que o governador paulista, José Serra, que está à frente das pesquisas eleitorais, mas ainda não assumiu a candidatura, se comporta no processo pré-eleitoral como os “piores caudilhos”. </strong></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="0" align="right">
<tbody>
<tr>
<td align="right"><span style="font-size: xx-small;">André Durão</span></td>
</tr>
<tr>
<td><img style="width: 166px; height: 250px;" src="http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/88/88/88/7165390.cesar_maia_250_166.jpg" alt="Cesar Maia em entrevista ao iG" /></td>
</tr>
<tr>
<td>
<p align="center"><span style="font-size: xx-small;">Cesar Maia em entrevista ao iG</span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span id="brtpTexto">O DEM, antes PFL, tem se aliado aos tucanos nas campanhas à Presidência desde 1994, com exceção de 2002, quando o candidato tucano foi, não por acaso, Serra. Cesar Maia afirma, sim, que o seu partido, que hoje é presidido pelo seu filho, o deputado Rodrigo Maia, aceitará qualquer um dos dois pré-candidatos do PSDB. Mas diz que, do ponto de vista da empatia, o governador mineiro, Aécio Neves, seria melhor.Em entrevista ao iG, Cesar não perde uma oportunidade de espicaçar Serra. “A primeira obrigação de um político é conquistar a paixão de seu círculo mais próximo, para que esse círculo conquiste o segundo e daí por diante. E o Serra não tem tido essa preocupação”, avalia. Os poucos elogios ao governador paulista são irônicos. Diz que ele já “aprendeu a sorrir”. “E o que é o twitter dele? Uma tentativa de humanizá-lo”.</span></p>
<p>Cesar acha que a campanha já deveria estar na rua. “A gente está criando uma legislação restritiva à política. Não sei por que a Dilma ir a uma inauguração deve ser proibido. Tem de ficar na clandestinidade até começar a campanha? No Brasil introduzimos um sistema que se torna higiênico até o dia 5 de julho e se torna sangrento depois daí. É absurdo.”</p>
<p>O ex-prefeito também acredita que os sindicatos e movimentos sociais criaram tamanha dependência do governo federal que o <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/11/16/para+cesar+maia+futuro+presidente+tera+que+governar+com+sindicatos+e+movimentos+sociais+9104951.html" target="_top">próximo presidente terá que compor com essas forças para não correr o risco de ser desestabilizado </a></p>
<p><strong>iG &#8211; O governador de São Paulo, José Serra, quer levar para março a definição do candidato tucano à Presidência. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, disse que se o PSDB não se definir até dezembro, ele fica em Minas em campanha para o Senado. O que o senhor acha da indefinição tucana?</strong></p>
<p>Cesar Maia- É estranho o partido não escolher o candidato, mas o candidato escolher a candidatura. Estranho num partido democrático. É uma distorção. O PSDB se diz socialdemocrata, tem a democracia como valor, mas entra num processo de personalismo. O Serra diz que quer ser candidato, que será candidato, que pode ser candidato, e o partido parece não ter nada a ver com isso. É um populismo descarado. Lembra os piores caudilhos. Um caudilho do passado apontava o dedo para o candidato. Agora o próprio candidato aponta o dedo para si. O Serra fala em março e a sensação que dá é que está em dúvida. Se não tivesse dúvida escolheria dezembro. Março é o mês em que ele precisa definir se irá se desincompatibilizar do cargo.</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="0" align="left">
<tbody>
<tr>
<td align="right"><span style="font-size: xx-small;">André Durão</span></td>
</tr>
<tr>
<td><img style="width: 250px; height: 196px;" src="http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/89/89/89/7165391.cesar_maia_196_249.jpg" alt="César Maia faz elogios a Aécio" /></td>
</tr>
<tr>
<td>
<p align="center"><span style="font-size: xx-small;">César Maia faz elogios a Aécio</span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span id="brtpTexto"><strong>iG &#8211; Ele está em dúvida ou é jogo de cena para adiar colocar a cara a tapa na pré-campanha?</strong></span></p>
<p>Cesar Maia &#8211; Se estivéssemos falando de junho, julho deste ano, tudo bem. Mas dezembro? Cara a tapa no Natal? No Carnaval? Se o Serra não pode assumir a candidatura, podia colocar alguém para negociar por ele. Nada impede que credencie o Aloysio Nunes Ferreira, o Alberto Goldman (tucanos ligados ao governador paulista). Se chega um cara credenciado, você faz uma reunião e a coisa caminha. Serra não assume nem na frente nem por trás das cortinas.</p>
<p><strong>iG &#8211; Não é para prejudicar o Aécio? Afinal, quanto mais tempo passar, pior para o governador mineiro.</strong></p>
<p>Cesar Maia &#8211; O Aécio diz isso. Mas na hora em que ele puxou a data para dezembro, dizendo que era a data-limite dele, acabou forçando o Serra para dezembro. Quando o Aécio disser que não é mais candidato à Presidência e disputará o Senado, o candidato inevitavelmente será o Serra, aceitando ou não. O PSDB não tem outro nome.</p>
<p><strong>iG &#8211; O Aécio não se coloca em um papel secundário ao anunciar uma possível candidatura ao Senado?</strong></p>
<p>Cesar Maia &#8211; Acho que não. Ele acelerou o processo. Deu um xeque de rainha. Na quarta-feira (dia 11), ele reuniu a bancada mineira, incluindo gente do PT, e pelo que fui informado o clima é de alguém que continua testando a hipótese de candidatura presidencial. Ninguém pode imaginar que um candidato de oposição vai largar na frente com 40%. Só se fosse um líder carismático, coisa que o Serra faz questão de não ser. Acho que o Serra pode partir com 30%, e o Aécio pode estar com 18% a 20%. É uma diferença extremamente aceitável. O Serra tem gordura com 40%, 35%. O Aécio, não. Com a capacidade agregadora do Aécio, coloca-se uma dúvida na cabeça daqueles que querem o poder. Os tucanos não estão convencidos de que a hipótese de Aécio vencer é maior do que a de o Serra vencer. No dia em que internamente o PSDB chegar à conclusão, não há dúvida de que se mexerá no quadro.</p>
<p><strong>iG &#8211; O DEM aceita chapa pura tucana?</strong></p>
<p>Cesar Maia &#8211; Só com o Aécio na chapa. Como cabeça ou como vice. Mas podemos ficar de fora da chapa. O DEM quer poder, quer espaço, quer ministérios, como todo partido deseja. E Serra e Aécio são os dois nomes nacionalmente mais fortes. Eles juntos ficam fortíssimos.</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="0" align="left">
<tbody>
<tr>
<td align="right"><span style="font-size: xx-small;">André Durão</span></td>
</tr>
<tr>
<td><img style="width: 250px; height: 169px;" src="http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/92/92/92/7165394.cesar_maia_169_249.jpg" alt="Cesar Maia critica a demora do PSDB" /></td>
</tr>
<tr>
<td>
<p align="center"><span style="font-size: xx-small;">Cesar Maia critica a demora do PSDB</span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span id="brtpTexto"><strong>iG- Isso está sendo negociado com o DEM?</strong></span></p>
<p>Cesar Maia &#8211; O DEM já disse com todas as letras. Não sendo os dois juntos, preparem-se para escolher o vice. No DEM não dá para escolher o candidato no dedão. É claro que temos de saber do candidato escolhido qual, daqueles nomes apontados pelo DEM, provocaria incômodo. Mas não há espaço no DEM para escolher no dedo. No tempo dos três grandes cardeais, Marco Maciel, Antonio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen, havia o poder de veto, mas hoje não há cacique no DEM.</p>
<p><strong>iG &#8211; Com o cenário desenhado hoje, qual a chapa com maior viabilidade eleitoral?</strong></p>
<p>Cesar Maia &#8211; É difícil dizer. São muitos fatores envolvidos. O Aécio mobiliza realmente o PMDB? O partido vai rachar mais com o Serra ou com o Aécio? O PMDB se sente parte do governo Lula, como se sentiria em parceria com o governo Aécio, ou se sente “eduardocunhamente” falando (referência ao deputado Eduardo Cunha, do PMDB fluminense), com capacidade para, pela força de negociação, entrar a fórceps no governo Lula? É difícil fazer previsão no momento o que vai acontecer. Por isso, os tucanos têm de resolver o problema deles. Ainda hoje o PSDB acha que as pesquisas antecipam resultado da eleição. Estão nessa linha. Mas se não resolverem logo, vão para uma loteria.</p>
<p><strong>iG &#8211; Mas qual a preferência do DEM?</strong></p>
<p>Cesar Maia &#8211; Uma pesquisa publicada no O Globo, ouvindo os parlamentares do DEM, mostrou que a maioria prefere o Aécio como candidato, mas acha que o Serra será o candidato. Do ponto de vista da empatia, acho que seria melhor o Aécio candidato. Ele desarruma mais o lado do governo. Tem uma capacidade política maior. Mas essa decisão é um problema do PSDB. Outra coisa: é preciso lembrar que esse país é continental, e o Serra não tem mais 48 anos. O Serra tem uma característica muito distante. Meus contatos com ele são sempre técnicos, temáticos, embora ele tenha aprendido até a sorrir. O que é o twitter dele? Uma tentativa de humanizá-lo.</p>
<p><strong>iG- O senhor fala que os temas de campanha dependem dos candidatos envolvidos. A questão do velho x novo só entra com o Aécio?</strong></p>
<p>Cesar Maia - Quando a Dilma diz “o governo dá de 400 a zero no governo Fernando Henrique”, é porque algum politólogo diz: eles são o velho, o passado. Em 1989, Ulysses Guimarães e Aureliano Chávez tinham 80% do Congresso, 60% do televisão e terminaram deste tamanhinho. O imaginário da população trouxe o novo e o velho. Essa eleição trará mais uma vez? Talvez, sim. E se trouxer o novo e o velho, a Dilma será o novo?</p>
<p><strong>iG- Qual será a agenda da oposição?</strong></p>
<p>Cesar Maia &#8211; Não sei. A oposição não tem nem candidato. E a agenda está colada no candidato.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>&#8221;Quem conduz a política internacional não é o STF&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 13:14:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Cesare Battisti]]></category>
		<category><![CDATA[entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Aúrelio Mello]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo ministro, Lula não é obrigado a entregar Battisti à Itália mesmo que corte autorize sua extradição
 

Mariângela Gallucci &#8211; O Estado SP
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é obrigado a entregar para a Itália o ex-ativista Cesare Battisti, mesmo que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Segundo ministro, Lula não é obrigado a entregar Battisti à Itália mesmo que corte autorize sua extradição</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://noticiainutil.files.wordpress.com/2009/06/402px-marco_aurelio_de_mello.jpg" alt="http://noticiainutil.files.wordpress.com/2009/06/402px-marco_aurelio_de_mello.jpg" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Mariângela Gallucci &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é obrigado a entregar para a Itália o ex-ativista Cesare Battisti, mesmo que a corte autorize sua extradição. &#8220;Nossa decisão na extradição, se positiva quanto ao pedido do governo requerente, é simplesmente declaratória. Nós declaramos a legitimidade do pedido para o presidente da República aí decidir se entrega ou não&#8221;, disse o ministro. Na sessão de julgamentos de quinta-feira, Marco Aurélio votou contra a extradição de Battisti.</p>
<p>Para ele, está havendo uma precipitação no julgamento. &#8220;Para mim, está havendo um atropelo quanto ao exame em profundidade do ato de refúgio &#8211; isso nunca ocorreu no Supremo, é a primeira vez &#8211; e quanto ao voto do relator, que assenta que o presidente da República estará obrigado a entregar o extraditando&#8221;, afirmou, em entrevista concedida ontem por telefone. &#8220;Quem conduz a política internacional não é o Supremo, não é o Judiciário, é o Executivo.&#8221;</p>
<p><strong>No seu voto, o senhor chegou a mencionar a ditadura no Judiciário.</strong></p>
<p>É. E citei o Canotilho (professor português de direito constitucional José Joaquim Gomes Canotilho), que se mostrou perplexo com os avanços do Supremo. Pelo fato de nós não termos acima um órgão que possa corrigir as nossas decisões, nós precisamos ter uma responsabilidade maior. Não podemos avançar, não podemos atropelar.</p>
<p><strong>Qual é a opinião do senhor sobre o fato de o STF ter analisado o ato do ministro da Justiça, Tarso Genro, de ter concedido refúgio a Cesare Battisti?</strong></p>
<p>Para mim, está havendo atropelo quanto ao exame em profundidade do ato de refúgio &#8211; isso nunca ocorreu no Supremo, é a primeira vez &#8211; e quanto ao voto do relator, que assenta que o presidente da República estará obrigado a entregar o extraditando. Agora mesmo o presidente Sarkozy, da França, em relação a uma italiana que a corte declarou a legitimidade do pedido de extradição, ele concedeu o asilo. Por quê? Porque o asilo e o refúgio estão no grande todo que é a política internacional. Quem conduz a política internacional não é o Supremo, não é o Judiciário, é o Executivo. E a nossa Constituição, nossa República, está assentada na separação dos Poderes. Os Poderes são independentes e harmônicos. Reconheço que meu voto ontem foi um pouco duro. Mas precisamos perceber que não somos infalíveis, não somos os censores da República de uma forma geral. A nossa atuação é vinculada ao direito posto, à Constituição Federal.<br />
<strong><br />
O senhor tem notado um movimento do tribunal, de avanço nas atribuições dos outros Poderes?</strong></p>
<p>Tenho notado que prevalece um pragmatismo muito grande. Ontem (quinta-feira) mesmo eu comecei levantando uma questão de ordem. Pelo regimento, está em bom vernáculo que para julgar matéria constitucional temos de ter 8 (ministros no plenário). Iniciamos a sessão com 7. E depois do lanche, tínhamos 6. E aí, como eu sou um homem que quando assume compromisso eu honro, eu tinha um compromisso em São Paulo na FMU, eu tive de sair. Chego lá (no plenário do STF) no horário certo, às 14 horas. Mas estamos começando as sessões com 30, 40 minutos de atraso sempre. E os intervalos se projetando por 1 hora e 15 minutos, 1 hora e 20, enquanto o regimento prevê 30 minutos. Aí não conseguimos julgar realmente o que desejaríamos julgar.</p>
<p><strong>Na opinião do senhor, o STF está se transformando num superórgão, acima dos outros Poderes?<br />
</strong><br />
Eu penso, como sinalizado pelo professor Canotilho, que talvez diante de uma certa inércia, principalmente do Legislativo, o tribunal tende a avançar. Agora, é o que eu digo: um suspiro dentro do tribunal é observado por todos. E o exemplo vem de cima. Se nós queremos a observância das regras jurídicas, nós temos de dar o exemplo.</p>
<p><strong>No fim da sessão de ontem, o ministro Gilmar Mendes deu um recado, dizendo que o presidente tem de cumprir as decisões judiciais. </strong></p>
<p>Não é bem assim. A nossa decisão na extradição, se positiva quanto ao pedido do governo requerente, é simplesmente declaratória. Nós declaramos a legitimidade do pedido para o presidente da República aí decidir se entrega ou não. Agora, se a nossa decisão é negativa, dizendo que o pedido é ilegítimo, essa decisão negativa obriga o presidente da República. Ele não pode entregar o extraditando.</p>
<p>O que ele pode fazer, que é um outro ato, é expulsar o estrangeiro. Mas não entregar ao governo requerente. Pela primeira vez, no voto do relator, ele está consignando que o presidente da República é obrigado a cumprir e entregar. Não é bem assim.<br />
<strong><br />
Os três ministros que por enquanto acompanharam o relator já concordaram com essa parte do voto, que o presidente da República é obrigado a entregar Battisti no caso de a extradição ser autorizada, ou ainda não se pronunciaram sobre esse ponto?</strong></p>
<p>Eles não se pronunciaram ainda explicitamente sobre essa questão importantíssima. Não diz respeito a Battisti. É uma questão institucional, de funcionamento dos Poderes. Precisam se pronunciar.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Aparelhamento tucano: Para mais votado a reitor da USP, fatores não acadêmicos prevaleceram</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/11/aparelhamento-tucano-para-mais-votado-a-reitor-da-usp-fatores-nao-academicos-prevaleceram/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 12:31:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[EDUCAÇÃO]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Glaucius Oliva]]></category>
		<category><![CDATA[governo SP]]></category>
		<category><![CDATA[José Serra]]></category>
		<category><![CDATA[professores]]></category>
		<category><![CDATA[PSDB]]></category>
		<category><![CDATA[reitor]]></category>
		<category><![CDATA[Tucanos]]></category>
		<category><![CDATA[universidades]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>

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		<description><![CDATA[

Tucanos ligados a novo reitor influenciaram na decisão, afirma Glaucius Oliva
&#8220;Não tive a oportunidade de  apresentar meu projeto nem  para o governador nem para  pessoas próximas&#8221;, diz  diretor de física de São Carlos

DA REPORTAGEM LOCAL &#8211; FOLHA SP
Preterido pelo governador  José Serra (PSDB) apesar de  ter sido o mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p><span style="font-size: x-large;"><strong>Tucanos ligados a novo reitor influenciaram na decisão, afirma Glaucius Oliva</strong></span></p>
<p><strong>&#8220;Não tive a oportunidade de  apresentar meu projeto nem  para o governador nem para  pessoas próximas&#8221;, diz  diretor de física de São Carlos</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/foto/0,,26412531-EX,00.jpg" alt="http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/foto/0,,26412531-EX,00.jpg" /></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">DA REPORTAGEM LOCAL &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>Preterido pelo governador  José Serra (PSDB) apesar de  ter sido o mais votado na USP,  Glaucius Oliva diz lamentar  que &#8220;fatores não acadêmicos  prevaleceram&#8221; na decisão final  para escolha do reitor.<br />
Diretor do Instituto de Física  de São Carlos, Glaucius, 49, entende que perdeu o posto devido à pressão de tucanos aliados  ao novo reitor e por seu nome  ter sido ligado na campanha ao  da atual reitora, Suely Vilela. O  governador e Vilela têm relações estremecidas.  Glaucius diz não ter sido procurado pela equipe de Serra.<br />
&#8220;Não tive a oportunidade de  apresentar meu projeto nem  para o governador nem para  pessoas próximas a ele. Lamento que tenha sido assim.&#8221;<br />
Abaixo, a entrevista com  Glaucius, cientista renomado,  que dirige a unidade com a  maior produção científica da  universidade. <strong> (FT) </strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como o sr. se sente?<br />
GLAUCIUS OLIVA -</strong></em> Desapontado.  Entendo que são as regras do  jogo. Mas não tive a oportunidade de apresentar meu projeto nem para o governador nem  para pessoas próximas a ele.  Ter a voz do governador ao final do processo significa que se  deveria avaliar os projetos. Isso  ficou à margem. O processo me  leva a crer que foram fatores  não acadêmicos que prevaleceram na decisão.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Que fatores?<br />
GLAUCIUS -</strong></em> Pressão política. E  pelo fato de meu nome ter sido  ligado ao da reitora. É preocupante que coisas como essas sejam decisivas numa decisão que  deveria considerar os projetos  para o crescimento da USP.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. acha que haverá uma  cisão na universidade?<br />
GLAUCIUS -</strong></em> Vai ter muita gente  desapontada, como eu estou.  Meu projeto não era um projeto pessoal, mas de expectativas  da comunidade [acadêmica].  Espero que não haja riscos para  a USP. A universidade está acima disso. Agora, segue a vida.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. aceitaria participar da  nova gestão?<br />
GLAUCIUS -</strong></em> Não vejo possibilidade. O reitor precisa ter próximo a ele pessoas com grande  afinidade. No grupo dele, há  muitas pessoas capacitadas.  E a minha candidatura não  era um projeto pessoal, de luta  pelo poder. Era coletiva.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; De que forma o apoio da  reitora pesou negativamente na decisão do governador?<br />
GLAUCIUS -</strong></em> Se isso teve peso  grande, foi uma forma muito pequena de julgar a universidade,  que tem tantos desafios. Era o  julgamento da gestão que começa em 2009, não da que acaba.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. já pensa na próxima  eleição? Poderia se candidatar novamente para reitor?<br />
GLAUCIUS -</strong></em> Não pensei. Quatro  anos é muito tempo, muita coisa pode mudar até lá.</p>
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		<title>Lula no Financial Times</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 19:16:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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The real reward
By Lionel Barber and Jonathan Wheatley &#8211; Financial Times
Published: November 8 2009 18:14 &#124; Last updated: November 8 2009 18:14
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<h2>The real reward</h2>
<p>By Lionel Barber and Jonathan Wheatley &#8211; Financial Times</p>
<p>Published: November 8 2009 18:14 | Last updated: November 8 2009 18:14</p></div>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://media.ft.com/cms/d7b725aa-cc85-11de-8e30-00144feabdc0.jpg" alt="Luiz Ignacio Da Silva" width="470" height="300" /></p>
<p><span id="U260875613846A8G">L</span>uiz Inácio Lula da Silva is in full flow. Beaming broadly, favourite cheroot in hand, Brazil’s president recounts with gusto the day he said No to the International Monetary Fund. “I called [Rodrigo] de Rato [managing director] at the IMF and told him I didn’t want his money. He was really upset,” he laughs. “Rato said: ‘But lending to Brazil is really important to me.’”</p>
<p>For Mr Lula da Silva and his 190m countrymen, the memory of Brazil regularly going cap-in-hand to the IMF still rankles. Only a decade ago, in the wake of the Asian and Russian financial crises, Brazil was forced to devalue its own currency, the real, and seek emergency IMF loans. But now the tables have been turned.</p>
<p>“We were one of the last countries to go into the global crisis and we have been <a title="Financial Times - Brazil emerges from recession" href="http://www.ft.com/cms/s/0/3ca8e4a4-9f1c-11de-8013-00144feabdc0.html" target="_blank">one of the first to come out</a>,” says the 64-year-old former lathe operator who was first elected president in 2002.</p>
<p>For next year, his last in office, he is confident Brazil’s economy will grow by a more than healthy 5 per cent. “Not long ago I used to dream of accumulating $100bn in foreign reserves,” he says, still smiling broadly. “Soon we will have $300bn (€202bn, £180bn).”</p>
<p>During an hour-long <a title="Financial Times - Investing in Brazil: Video interviews" href="http://www.ft.com/cms/s/0/83afb484-c962-11de-a071-00144feabdc0.html" target="_blank">interview</a> in London, where he was accompanied by a dozen of the country’s senior ministers, bankers and business leaders, Mr Lula da Silva made his pitch for Brazil as a country transformed by an economic miracle. Inflation is under control, previously sky-high interest rates have fallen to real-world levels and revived capital markets are helping to fund investment. Income transfer programmes have brought millions of people into the consumer market. In the thick of the global crisis, the government kept sales moving with tax breaks on cars, household electrical goods and construction materials. Brazil was chosen a year ago to host the <a title="Financial Times - Brazil to host 2014 World Cup" href="http://www.ft.com/cms/s/0/9e52ffdc-871d-11dc-a3ff-0000779fd2ac.html" target="_blank">2014 World Cup</a> and, last month, the <a title="Financial Times - Rio wins the 2016 Olympics" href="http://www.ft.com/cms/s/0/96ea60ec-af38-11de-ba1c-00144feabdc0.html" target="_blank">2016 Olympic Games</a>, leaving many feeling that, at last, their country’s time has come.</p>
<p>The question is whether Brazil’s recovery, which owes much to the boom in commodity prices, is sustainable. Many analysts worry that the flood of liquidity that is buoying Brazilian assets – the currency has gained about 36 per cent against the dollar this year and stocks are up 135 per cent in dollar terms – could just as easily retreat if the global crisis enters a second stage. Rising government spending on welfare and the public sector payroll, both hard to reverse, could also amount to a fiscal time bomb.</p>
<blockquote>
<div>
<p>From poverty to presidency</p>
<p>Few presidents of big nations can have risen from such humble origins as Luiz Inácio Lula da Silva and certainly none in the history of Brazil. One of eight children born in poverty in Brazil’s north-east, he began work in a laundry aged 12 and was a shoeshine boy and office boy before becoming a metalworker, when his involvement with the trades union movement started.</p>
<p>His political career began as a leader of strikes against the industrial backers of Brazil’s 1970s military dictatorship. In 1980 he was founding president of the Workers’ party (PT). His experience as a union negotiator has made him a talented politician as well as the most popular president in Brazilian history.</p></div>
</blockquote>
<p>Mr Lula da Silva points to his own personal story as evidence that his country has undergone an irreversible change. A poor migrant from the north-east, he began his political career in São Paulo as a trade union leader. After founding the Workers’ party (PT) it took three failed attempts over 12 years before he won the presidency. “That is enough for a candidate to mature. And I was the only one who couldn’t fail. I couldn’t do what [Lech] Walesa did in Poland [in a term so unimpressive that he failed to win re-election] or no worker would ever have been elected president again.”</p>
<p>Between being elected and taking office, Mr Lula da Silva wrote a “letter to the Brazilian people” assuring them his government would honour all contracts and eschew adventurism. The message was aimed equally at foreign investors – and it worked. Foreign capital, which had fled the country on fears that the leftwinger would go on a spending spree that would end in a debt default, returned.</p>
<p>The Lula administration also refused to break contracts or to undo any of the orthodox, inflation-busting policies inherited from Fernando Henrique Cardoso, his centrist predecessor. Some of the president’s leftwing supporters have challenged Mr Cardoso’s privatisations but the courts – which used to have a reputation for subjective waywardness – have consistently upheld the law. Other institutions have proved to be similarly robust, helping Brazil to earn a reputation for reliability on an often fickle continent.</p>
<p>Mr Lula da Silva does not mention Mr Cardoso by name, even though many credit him as the man who brought stability to Brazil’s tempestuous economy. He says his predecessors governed for the better-off 40 per cent of Brazilians, not the whole nation. Moreover, those who worried that his election in 2002 would herald a shift to leftwing populism simply did not understand him. “I was working obsessively under the conviction that I couldn’t make any mistakes.”</p>
<p>Another achievement has been dramatically to expand income transfer programmes that pay poor people – usually mothers – to keep their children in school and make sure they have medical check-ups. The Bolsa Família payments are small – from R$22 a month to a ceiling of R$200 per family – and cost less than 1 per cent of GDP. But they reach as many as 11m families.</p>
<p>As so often, Mr Lula da Silva uses a homespun anecdote to illustrate the broader argument about his country’s transformation. He recently met a woman in Brazil’s arid north-east who a year ago borrowed R$50 from a friend to make <em>pasteis </em>(fried snacks) for construction workers on one of the government’s flagship infrastructure projects. Since then she has built up a catering business big enough to pay R$5,000 ($2,900, £1,750, €1,960) in annual income tax.</p>
<p>Grasping the interviewer’s arm, the president declares with passion and pride that this woman is typical of the 30m Brazilians who have emerged from poverty and the 20m who have joined Brazil’s middle class over the past five years.</p>
<p><span id="U260875613846WdD">M</span>r Lula da Silva will never forget his roots and, as his second term draws towards a close, some critics detect signs that he may be reverting to his leftwing instincts. Plans for potentially enormous oil fields discovered off Brazil’s coast in 2007 include a new 100 per cent government-owned company to oversee production contracts. This would signal a much greater role for the state. Recent <a title="Financial Times - $12.9bn Vale push to end dispute" href="http://www.ft.com/cms/s/0/020c1d3c-bdb4-11de-9f6a-00144feab49a.html" target="_blank">pressure</a> on <strong><a href="http://markets.ft.com/tearsheets/performance.asp?s=br:VALE3">Vale</a></strong>, the mining giant privatised in 1997, to adjust its investment plans to suit government policy has also raised alarm in some quarters.</p>
<p>The president responds to such criticism with uncharacteristic defensiveness. “I doubt that at any time in Brazilian history the private sector has had more respect from the state than it has today, or that it has ever made more money. What I ask of Vale is that they turn iron ore into steel in Brazil and that they buy ships from Brazilian shipyards.”</p>
<p>The self-styled economic patriot is more at ease when asked about the state’s role in the economy. “The usual discussion about the role of the state has ended as a result of the global crisis. For a long time people said the state had failed and the markets could rule everything.</p>
<p>“I am against the state being the manager of the economy. The state has to be strong – but as a catalyst of development. And we have run sound fiscal and monetary policies. That is why the banking sector did not break down during the crisis.”</p>
<p>Mr Lula da Silva declared last year that the global financial crisis was the fault of blond, blue-eyed bankers in Wall Street and the City of London. When the FT suggests his nation escaped the worst of the crisis because Brazil is running a deficit of blond, blue-eyed boys, there is laughter among the entourage. But the president himself remains serious.</p>
<p>“I was reacting to comments by people who put the blame for the crisis on migrants,” he says. “Poor people in Africa and around the world are going to have to pay for the crisis and it wasn’t them who caused it. The rich countries say they can’t afford to fund poverty relief in poor countries. But to save their banks, they found trillions. If they had paid some of that in aid to poor countries, the world would be a better place.”</p>
<p>Brazil’s relations with the rest of the world under the Lula administration have shifted away from traditional trading partners and allies such as the US and the European Union in favour of diversifying trade and forging links with other parts of the world such as Asia, the Middle East and Africa. China has become its single <a title="Financial Times - Brazil and China cement ties" href="http://cachef.ft.com/cms/s/0/3f513830-440b-11de-a9be-00144feabdc0.html" target="_blank">biggest trading partner</a>.</p>
<p>Mr Lula da Silva has pursued a “make friends with everybody” approach that includes reaching out to counterparts including Mahmoud Ahmadi-Nejad of Iran and Hugo Chávez of Venezuela, both <em>bêtes noires</em> in Washington. Critics say the Brazilian president’s foreign policy is naive, but he will have none of it.</p>
<p>“I think of when Nixon made China a preferential trading partner,” he says. “I believe in cohabitation with diversity. We don’t have the right to think other people should think like us. We have excellent relations with [centre-right] Colombia and Peru and with [leftwing] Venezuela and Bolivia. You can’t push people into corners.”</p>
<p>The president is also a fervent believer in the future of the Brics – Brazil, Russia, India and China – a concept thought up by <strong><a href="http://markets.ft.com/tearsheets/performance.asp?s=us:GS">Goldman Sachs</a></strong>, the investment bank. This has led to the countries’ four leaders holding regular summits, the next one billed for São Paulo next year. Yet many believe the interests of the Brics are too diverse, even conflicting, to form a meaningful group.</p>
<p>“It’s like when you meet a new girlfriend,” Mr Lula da Silva smiles. “If you only look at her defects you will get nowhere. But if you look on the bright side you might end up getting married.”</p>
<p>He also sees inspiration in the model of the EU, noting that only two generations ago France and Germany were at war. “That’s how we will build a strong alliance among the Brics. At our first meeting I suggested we should begin trading in our own currencies. We don’t need the dollar. It’s just cultural and it can change.”</p>
<p><span id="U260875613846dcD">W</span>ith elections to take place next October, Mr Lula da Silva has avoided the temptation of seeking a third consecutive term, a move that would involve changing the constitution. Other Latin American leaders, notably in Colombia and Venezuela, are either considering or actively pushing for such changes to prolong their hold on power. But the president says it never occurred to him to become another <em>caudillo</em>.</p>
<p>“I was even afraid to run for a second term, remembering what happened to Fernando Henrique Cardoso [whose second period in office was much less successful than his first],” he says.</p>
<p>In fact, the president is already preparing to consolidate his political legacy through his chosen successor, Dilma Rousseff, his chief minister. Ms Rousseff, a tough technocrat, will struggle to emulate Mr Lula da Silva, partly because she lacks his trademark charisma and partly because she must hold together a broad coalition of often conflicting parties that is already showing signs of fraying. One or two possible candidates from his PT have fallen by the wayside, ensnared in corruption scandals. Another strong woman, <a title="Financial Times - Silva eyes Brazil’s election with Greens" href="http://www.ft.com/cms/s/0/fc734a86-8d0b-11de-a540-00144feabdc0.html" target="_blank">Marina Silva</a>, his former environment minister, has defected to the Greens.</p>
<p>“The coalition will hold together and we are making it stronger,” he says. “And we have a very good candidate&#8230;If I elect Dilma, my big contribution will be to allow her to create her own style.”</p>
<p>During the interview and in speeches in London the following day, the president and his colleagues refer repeatedly to the old joke that claimed Brazil was the country of the future and always would be. Now, they exude a new confidence. Brazil is not just the country of the present, the president says. “It is really living a magical moment.”</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p><strong><span style="font-size: x-large;">How a well insulated Bric became a hot property</span></strong></p>
<p>After the dotcom bust, it was western housing markets that helped reflate the world economy. Some hope the Brics will do the rebuilding after the credit crunch, writes John Paul Rathbone.</p>
<p>For sceptics, this is a pipe dream. Yet in 2001, when the term was coined, Brazil, Russia, India and China made up barely one-sixth of the world economy. This year, according to the International Monetary Fund, they account for almost one-quarter, having together overtaken the US.</p>
<p>“Even I get excited about Brazil’s prospects,” says Sir Robert Wilson, the normally understated chairman of <strong><a href="http://markets.ft.com/tearsheets/performance.asp?s=uk:BG">BG</a></strong>, the UK energy group. Brazil does not suffer from the ethnic and border conflicts of India, Russia’s loose regard for contracts or China’s supercharged credit- and investment-led growth. The domestic market is relatively insulated: exports account for 13 per cent of gross domestic product. Net debt is a manageable 30 per cent of GDP – less than half the UK level. With foreign currency reserves of $230bn (€155bn, £139bn), it is a net global creditor. Export markets are diversified, with China overtaking the US last year as Brazil’s biggest trading partner. No big bank has failed.</p>
<p><img style="margin: 9px;" src="http://media.ft.com/cms/25ecad9e-cc86-11de-8e30-00144feabdc0.gif" alt="The Brics rising share" width="214" height="261" align="left" /></p>
<p>All this has fuelled investor enthusiasm. “Brazil is in fashion now, although it wasn’t always so,” says Emilio Botín, chairman of Spain’s Banco <strong><a href="http://markets.ft.com/tearsheets/performance.asp?s=es:SAN">Santander</a></strong> .</p>
<p>In the 1980s and 1990s the country mostly funded itself externally, in dollars. When global investors grew nervous they sold the currency, debt service costs soared and the fiscal deficit exploded, compounding the problem. A debt crisis and devaluation followed. Now most of the country’s debt is domestically funded, reducing its risk premium and allowing funds to be raised more cheaply. With less needed for debt payments, more can be spent on investment – and consumption. The vicious cycle turned virtuous.</p>
<p>There are risks, of course. Brazil’s commodity wealth is a boon when mineral and food prices are high. But an abrupt Chinese slowdown could reverse that trend – and half the companies on the stock market have commodity exposure. Domestic industry could be hollowed out by an uncompetitive real strengthened by hot money inflows. Government spending is also rising. Although the fiscal deficit is small, the constitution makes it hard to cut entitlements and the public wage bill is a growing concern.</p>
<p>Enthusiasts are unperturbed. “We have full confidence in Brazilian economic growth,” says Mr Botín. The Santander chairman, whose bank has a large operation in the country, is a dealmaker rarely on the wrong side of a bet.</p></div>
</div>
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		<title>&#8220;Há entusiasmo incontido no câmbio&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 11:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Regulador: Henrique Meirelles diz ver excesso de euforia também na bolsa, mas não necessariamente uma bolha




Peter MacDiarmid/Getty Images

 O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirma que o crescimento de 8% do PIB é insustentável e deve se estabilizar em patamar mais baixo




Sergio Lamucci e Cristiano Romero, de Londres &#8211; VALOR
O ritmo de crescimento da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Regulador: Henrique Meirelles diz ver excesso de euforia também na bolsa, mas não necessariamente uma bolha<br />
</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Peter MacDiarmid/Getty Images<br />
</em></span><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002380/imagens/foto09fin-meidrelles-c8.jpg" border="0" alt="Foto Destaque" /><br />
<span style="font-size: x-small;"><em> O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirma que o crescimento de 8% do PIB é insustentável e deve se estabilizar em patamar mais baixo</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em><br />
</em></span></p>
<p><em><br />
</em></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Sergio Lamucci e Cristiano Romero, de Londres &#8211; VALOR</span></h2>
<p>O ritmo de crescimento da economia brasileira exibido no segundo e no terceiro trimestres, na casa de 8% em termos anualizados, é &#8220;insustentável&#8221;, devendo arrefecer no próximo ano, avalia o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Segundo ele, as previsões do mercado apontam para uma expansão entre 4,5% e 5% em 2010, o que sugere estabilização da taxa anualizada num número menor que os 7,8% observados no segundo trimestre e os cerca de 8% esperados para o terceiro.</p>
<p>&#8220;É normal que esse processo se estabilize num ritmo menor e mais sustentável&#8221;, disse Meirelles em entrevista exclusiva ao Valor na sexta-feira. No fim de semana, ele participou da reunião do G-20 financeiro, em Edimburgo, na Escócia.</p>
<p>O presidente do BC ressaltou a importância da recuperação do investimento, que deve fechar 2009 com retração superior a dois dígitos. &#8220;Não há dúvida de que é muito importante a retomada dos investimentos, que os empresários se antecipem à demanda futura, não esperando que o uso da capacidade atinja o limite&#8221;, afirmou ele.</p>
<p>O presidente do BC acredita, no entanto, que os investimentos serão feitos. Ele observou, mencionando previsão do BNDES, que a formação bruta de capital fixo (medida do que se investe na construção civil e em máquinas e equipamentos) deve avançar com força em 2010, ajudando a impulsionar o PIB.</p>
<p>Meirelles foi cauteloso ao falar da formação de bolhas de ativos no Brasil e no exterior. Disse que existe, no mercado brasileiro, &#8220;excesso de euforia&#8221; na bolsa e no mercado de câmbio. Ele não crê, porém, que esteja se formando uma bolha especulativa no segmento de commodities e acha que uma perturbação dos mercados, lá fora, dependerá principalmente da ação do Federal Reserve (o BC dos Estados Unidos) nos próximos meses e da implementação, ou não, das medidas prudenciais que estão sendo recomendadas pelo G-20 após a recente crise mundial.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Robert Shiller (autor do livro &#8220;Exuberância Irracional&#8221;) diz que há uma nova bolha no mundo, o eco da bolha anterior. Como o sr. avalia esse fenômeno?</em></p>
<p align="justify"><strong>Henrique Meirelles: </strong> O Federal Reserve, numa escala maior, e alguns outros bancos centrais, em escala menor, estão em meio a uma política expansionista, visando combater a crise. Essa política tem um componente quantitativo &#8211; a compra de títulos, a compra de crédito etc &#8211; que aumenta o tamanho do balanço do Fed e dos outros BCs, e também uma taxa básica em algumas situações muito próxima de zero. Dentro de um processo de alta liquidez, é esperado que aconteça alguma distorção na formação de preços de ativos. Isso pode levar à supervalorização de alguns ativos. A questão é saber se o Fed e os outros BCs, mas principalmente o Fed, vão começar a fazer um processo de saída dessas medidas a tempo de não permitir o prosseguimento da sobrevalorização de ativos, o que, aí sim, poderia ter consequências para a economia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Que tipo de bolha temos neste momento?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Há três tipos de bolhas, com componentes concomitantes e similares, mas com algumas características diferentes. A primeira, e que é a mais perigosa e que causa mais prejuízos, é a bolha de crédito. Um exemplo clássico disso foi a bolha no mercado imobiliário e do mercado de crédito nos Estados Unidos. Toda a sociedade americana estava superalavancada. O segundo tipo são as bolhas que surgem e são corrigidas a tempo. Isto é, se o processo que conduziu à bolha, como uma expansão monetária, é corrigido a tempo, há um processo de correção. Os prejuízos ficam para os investidores.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>É uma bolha de ativos?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Ambas são bolhas de ativos, mas uma não é relacionada a uma bolha de crédito e não tem uma duração muito prolongada. O terceiro tipo de bolha é um intermediário. Não é uma bolha de crédito, mas é resultado de uma expansão monetária um pouco maior do que seria desejável. Esta causa um pouco mais de prejuízo, apesar de não ser tão grave como a bolha de crédito. No presente momento, há um risco, porque não se sabe até que ponto as novas regras prudenciais, em desenvolvimento pelo Conselho de Estabilidade Financeira por recomendação do G-20, para serem implementadas pelo Comitê da Basileia, serão aplicadas por todos os países relevantes a tempo, principalmente pelos EUA, e até que ponto isso poderia prevenir uma bolha de crédito, a mais grave. Existe esse risco, mas não quer dizer que vá acontecer.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Onde está o risco?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> A situação dos EUA é um pouco mais complicada porque eles têm mais de um regulador e mais de um supervisor. Não é apenas dizer que o Fed tem que fazer isso ou aquilo. As bolhas que não são as de crédito vão depender do quão cedo o Fed vai retirar seus mecanismos de estímulo. Acredito que os alertas dos BCs são úteis. Não apenas as autoridades monetárias e prudenciais dos diversos países devem saber dos riscos, mas também e principalmente os investidores. São eles que conduzem à formação de bolhas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Shiller diz que há uma bolha no mercado de commodities. Além disso, a bolsa brasileira teve valorização em dólar superior a 130% este ano. Que riscos o Brasil corre?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Bolhas de crédito no Brasil não existiram e não serão permitidas por este Banco Central; 95% da regulamentação que será proposta pela Basileia já está aplicada e implementada no Brasil. Essa primeira incerteza quanto à implementação de novas regras prudenciais não existe no Brasil. O que vier a faltar será implementado imediatamente. Em relação às commodities, uma das coisas mais difíceis da análise econômica é definir quando existe ou não uma bolha. Este foi o grande problema dos últimos anos. É por isso que a regra prudencial é importante no caso do crédito, porque você define claramente normas para prevenir a bolha, e no crédito você tem critérios mais quantitativos.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por que no caso das commodities é mais difícil enxergar uma bolha?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Definir o preço adequado para commodities, num mundo em transformação como este, com a incorporação da massa de consumidores asiáticos no mercado e com a alta demanda, é difícil. Não dá para saber se os preços já estão acima de um nível mais sustentável ou não. Antes da crise, o petróleo chegou a atingir quase o dobro do preço atual. É difícil afirmar o quanto disso é resultado de movimento especulativo e o quanto é simplesmente um aumento da demanda. O Fed está afirmando que não vai permitir um surto inflacionário nos EUA. Mas, como existe incerteza, alguns investidores estão procurando diversificar suas aplicações. Isso significa euro, commodities, outras formas de ativos, moedas de economias sólidas. Uma parte disso de fato está ocorrendo, mas é difícil e um pouco prematuro dizer que existe uma bolha de commodities. A bolha você só conhece se e quando ela estoura.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Uma alta das bolsas muito forte, e não apenas no Brasil, num intervalo tão pequeno, não caracteriza de algum modo uma bolha?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Pode caracterizar ou não. É normal que tenhamos em momentos de saída de crise movimentos de valorização muito acentuados. Nós tivemos isso na década de 30 e em outras saídas de crise. Muitas vezes, isso é prematuro. O mercado, tentando antecipar uma recuperação, move-se um pouco antes da hora e às vezes há movimentos de correção. O mercado internacional está tentando se situar a esse respeito e isso explica a volatilidade. O que temos alertado, e diversos bancos centrais estão fazendo isso, bem como outras autoridades econômicas brasileiras, é sobre sinais de possíveis componentes de euforia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por exemplo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Movimentos de investidores que caracterizam pouca análise, um certo comportamento de manada. O alerta contra a euforia é importante, contra aquilo que se chamou no passado de &#8220;exuberância irracional&#8221;, para que se evite que se chegue na bolha. Mas isso não quer dizer que já esteja num patamar de bolha.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O excesso de euforia no Brasil está restrito ao mercado acionário?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Está ocorrendo um pouco também no mercado de câmbio. Quando converso com investidores do mundo todo, começo a ver um clima de entusiasmo incontido.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O senhor viu isso no seminário Financial Times/Valor?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Não vi no seminário nenhum sinal de exuberância irracional. As manifestações me pareceram muito sólidas. Principalmente porque foram feitas por investidores de longo prazo no Brasil. São empresas que estão no país há décadas e estão dizendo que acreditam no seu futuro. Isto é extremamente saudável.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Mas o que preocupa, então?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Os movimentos que possam levar a distorções de preços, gerar correção. É um alerta que o BC fez há vários meses e que outros bancos centrais estão fazendo. Uma preocupação global.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Depois das crises, os BCs passaram a olhar não apenas os índices de preços, mas também a inflação de ativos. O BC brasileiro também está fazendo isso?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Estamos falando de diversos tipos de ativos. Uns são ativos cujo componente preço é diretamente relacionado a um crédito concedido para comprar esses ativos. Nesse caso, há muita confusão quando se fala, por exemplo, da crise japonesa dos anos 80 e 90.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por quê?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Um dos grandes impulsos do mercado acionário japonês foi a compra de ações pelos bancos, financiada por depósitos, como aconteceu nos EUA na década de 20. Apesar de ter ocorrido no mercado de ações, aquela bolha foi muito impulsionada pelo crédito, o que é diferente de simplesmente o investidor, com dinheiro real, apostar o seu capital. Isso é diferente de o banco comprar ação ou financiar diretamente o especulador.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Essa dinâmica se repetiu nos EUA na recente crise?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Sim. O sistema financeiro americano financiou a bolha imobiliária, como uma bolha de crédito. Adotaram-se critérios de concessão de crédito excessivamente liberais. Isto, o BC brasileiro monitora com rigor.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Como?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O componente preço se torna importante na medida em que ele passa a ser relevante como garantia do crédito. Ou seja, o BC olha prudencialmente o mercado de crédito. Não pode estar tentando controlar os preços da economia. O BC olha o crédito e o componente preço na garantia do crédito. Nos EUA, os bancos financiaram fortemente os ativos, os preços ficaram inflacionados, os valores dos empréstimos também inflaram, as garantias caíram de preço radicalmente e os bancos quebraram.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O senhor disse que a apreciação do câmbio tem um componente de euforia. Deve-se tentar conter esse movimento?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O sobrepreço ou o movimento especulativo, qualquer que seja ele, leva a uma correção. Cedo ou tarde. No caso do câmbio no Brasil, isso vai ficar claro ao longo do tempo através dos números de conta corrente, investimento estrangeiro direto. Quando a economia estiver em pleno processo de consolidação de uma recuperação já ocorrida, caso tenha havido sobrepreço, como muitos analistas dizem que há, então, teremos um processo de correção.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O que o BC pretende fazer?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O que o BC faz são intervenções, visando evitar distorções na formação de preços.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por exemplo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Excesso ou falta momentânea de liquidez pode gerar distorções de preços importantes. Um exemplo ocorreu no fim do ano passado. Por razões diversas, principalmente nos mercados futuros, por causa do problema dos derivativos, faltou liquidez e isso levou a uma sobredesvalorização do real. Claramente, houve uma distorção grande na formação de preço, então, o BC entrou vendendo reservas e dólares no mercado futuro. Neste ano, configurou-se em alguns momentos um problema de liquidez por excesso de entrada de recursos. Houve um dia em que o BC comprou bilhões de dólares, o que significa que o BC também interveio naquele momento para evitar uma distorção na formação de preço. Isto se conjuga com a política do BC de tirar partido dessa mudança de liquidez em dólares, que tem prevalecido na economia brasileira nos últimos anos, para acumular reservas e reforçar a capacidade de resistência do país a crises.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>É justificável continuar acumulando reservas?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Sim. A crise mostrou que mais reservas é melhor do que menos. Num quadro de excesso de liquidez em dólar, no momento em que o Fed fizer a saída do processo (de estímulo monetário), teremos talvez uma certa reversão, e aí será muito importante termos reservas para evitar crises de liquidez. Então, é altamente conveniente acumular reservas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O Brasil cresceu 7,8% no segundo trimestre e, agora, há analistas prevendo alta anualizada de mais de 8% no terceiro. Esse crescimento é sustentável?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Estamos falando de duas previsões. Da previsão de crescimento, a taxas anualizadas, do terceiro trimestre, e das previsões de crescimento para 2010. Se olharmos as duas, com o mercado prevendo algo entre 4,5% e 5% para o ano que vem e essa previsão de 8% para o terceiro trimestre, então, não é sustentável. As previsões estão dizendo que não. Essa taxa anualizada deve se estabilizar num número menor; 4,5% a 5% é diferente de 8%, o que é normal na medida em que o Brasil saiu da crise rapidamente e entrou em processo de recuperação. É normal que esse processo se estabilize num ritmo menor e mais sustentável.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Apesar desse crescimento, os investimentos não estão voltando aos níveis pré-crise. Não estão atrasados?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Não há dúvida de que é muito importante a retomada dos investimentos, que os empresários se antecipem à demanda futura, não esperando que o uso da capacidade atinja o limite. Os investimentos estão sendo retirados das gavetas. A previsão do BNDES é que a Formação Bruta de Capital Fixo do ano que vem deve crescer muito e ser, inclusive, um dos impulsos ao crescimento. É um alerta válido aos empresários: &#8220;corram e não fiquem atrasados&#8221;.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Os empresários não estariam ressabiados, preocupados com a possibilidade de uma nova recessão mundial?</em></p>
<p align="justify"><strong> Meirelles: </strong> Não acredito. Os índices de confiança empresarial da FGV mostram recordes históricos, inclusive, com algo muito importante que é o fato de o índice de confiança estar acima da média histórica em todos os setores. Isso é que determina investimento. Apesar de existir uma preocupação com o cenário externo, a dúvida está muito mais relacionada a quem é dependente de exportação. As indústrias que podem direcionar a produção para o mercado doméstico estão mais otimistas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O aquecimento do mercado de trabalho tem sido um impulso mais forte do que a ocupação de capacidade ociosa na indústria?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Vamos aguardar porque são vários fenômenos. Um deles é que a empregabilidade aumentou numa parte do setor industrial, mas não atingiu ainda o mesmo nível em que estava no ano passado. Uma boa parte dessa redução do desemprego se deu na construção civil, que tem nível salarial médio menor. E o crescimento desse setor tende a se estabilizar conforme o índice de construção entre no ritmo do estímulo. Estamos num momento de avaliação.</p>
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		<title>&#8221;Não deixem mercado ditar o câmbio&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 11:22:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ganhador do Nobel em 2001, Spence defende controle de capital e fala do novo documento da Comissão do Crescimento
 

Fernando Dantas &#8211; O Estado SP
Para Michael Spence, Prêmio Nobel de Economia, o Brasil não deveria deixar os mercados, &#8220;como o seu histórico recente de fazer tudo errado&#8221;, determinar livremente o valor do real. Ele defende [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ganhador do Nobel em 2001, Spence defende controle de capital e fala do novo documento da Comissão do Crescimento</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.pbase.com/forumweb/africa07&amp;page=18"> <img class="display aligncenter" src="http://k43.pbase.com/g6/73/577473/2/80550895.vDVyL4WL.jpg" border="0" alt="Michael Spence.JPG" width="554" height="370" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Fernando Dantas &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Para Michael Spence, Prêmio Nobel de Economia, o Brasil não deveria deixar os mercados, &#8220;como o seu histórico recente de fazer tudo errado&#8221;, determinar livremente o valor do real. Ele defende mecanismos de controle de entradas de capital para evitar a sobrevalorização cambial.</p>
<p>Spence, que ganhou seu Nobel em 2001, junto com Joseph Stiglitz e George Akerlof, está à frente da chamada Comissão do Crescimento (Growth Commission), um painel de economistas do mundo todo (incluindo o brasileiro Edmar Bacha) que elaborou um relatório de recomendações para países emergentes sobre como obter o crescimento rápido e sustentado por longos períodos. O relatório foi divulgado em junho de 2008, logo antes da crise, e foi visto como uma versão flexibilizada do Consenso de Washington, combinando crença nos mercados com maior destaque ao papel do Estado.</p>
<p>Agora, a Comissão acaba de divulgar um novo documento, que atualiza o relatório à luz das lições da crise global. O novo relatório recomenda que os países emergentes garantam parte do mercado financeiro para as instituições nacionais, e que sejam restritivos em relação aos produtos financeiros complexos que deflagraram a crise no mundo desenvolvido. A seguir, a entrevista:</p>
<p><strong>Como o sr. vê a questão da sobrevalorização cambial em alguns países, como o Brasil, na saída da crise?</strong></p>
<p>Todos os países em desenvolvimento que tiveram alto crescimento, sustentado por um longo período, administraram as suas moedas em alguma medida. Especialmente num ambiente volátil como o atual, faz todo o sentido fazer algum julgamento sobre quais são os níveis razoáveis. É claro que se pode exagerar, mas não acho que a coisa mais sensata a se fazer seja apenas ficar sentado e deixar os mercados de capitais, com o seu histórico recente de fazer tudo errado, valorizarem a sua moeda. Há várias formas de se intervir: pode-se tributar os fluxos de capital, com taxas que caiam se o dinheiro permanecer algum tempo, e pode-se aumentar as reservas e investir no exterior, invertendo o fluxo de capitais, como a China faz.</p>
<p><strong>E o que há de ruim na valorização?</strong></p>
<p>Basicamente, reduz-se o crescimento. No caso brasileiro, acho que um dos maiores desafios é manter os recentes avanços no mercado de trabalho para pessoas que são pobres. Uma boa parte do crescimento dos países em desenvolvimento deriva de empregar em melhores postos de trabalho pessoas que estão em atividades de produtividade muito baixa. Num país com a renda do Brasil, boa parte disso se dá em setores que atendem o mercado doméstico, mas o setor exportador ainda é suficientemente importante para que se deva tomar cuidado com oscilações muito fortes da moeda. Porque, se os investidores tiverem a sensação de que o câmbio é muito volátil, adiciona-se mais um risco e se desincentiva o investimento.</p>
<p><strong>Quais são as novas recomendações para o setor financeiro dos países emergentes?</strong></p>
<p>Em primeiro lugar, apesar de ser bom que um país tenha instituições estrangeiras no seu setor financeiro, o que se viu nessa crise é que essas instituições basicamente obedecem ao governo e ao banco central dos seus próprios países. Assim, se tiverem uma presença grande demais num determinado país, elas não atuarão como parceiras do governo local, da mesma forma que as instituições nacionais o farão, na hora em que o país implementa sua estratégia para lidar com a crise. A segunda recomendação é que nós realmente não conhecemos aqueles ativos complexos que levaram à crise nos países ricos, e que deve-se ir devagar com eles. Uma fator positivo dos países em desenvolvimento nessa crise é que a presença desses ativos complicados era quase nenhuma, desprezível. Foi uma coisa boa que eu manteria.</p>
<p><strong>O sr. teme que a crise leve à rejeição do modelo de crescimento baseado na abertura para os mercados globais, defendido nos relatórios da Comissão do Crescimento?</strong></p>
<p>Bem, a nossa visão foi de que houve uma enorme falha nos sistemas financeiros dos países avançados. De fato, ela poderia ser interpretada como uma falha mais ampla dos mercados e do capitalismo, e nos preocupamos com isso. Mas eu não acho que, entre os maiores e mais bem-sucedidos países em desenvolvimento, vá haver uma grande mudança na orientação da política econômica. Esses países hoje têm um entendimento bem profundo sobre a importância do dinamismo do setor privado para puxar o crescimento, e sobre o papel do governo de garantir um ambiente estável para que aquilo ocorra. Eu suspeito que, se houver erros desse tipo, é mais provável que eles aconteçam em países pobres, nos quais o modelo de crescimento não está muito bem estabelecido ainda e onde a política e a economia política são menos estáveis.</p>
<p><strong>Por que esses países são mais vulneráveis?</strong></p>
<p>Porque eles realmente não têm os mecanismos de defesa e as vantagens que países como o Brasil têm, como um governo que pode gastar mais dinheiro, esquemas de redistribuição de renda, um banco central altamente competente, um setor privado vibrante. Eu acho que Brasil, China e Índia terão uma recuperação muito boa, mas estou mais preocupado com alguns dos países menores e mais pobres.</p>
<p><strong>Qual o risco de um retorno do protecionismo no mundo pós-crise?</strong></p>
<p>É uma reação compreensível. Quando você diz aos cidadãos de um país que vai haver um grande déficit público, e que os filhos deles vão pagar no futuro por isso, as pessoas podem até concordar, mas desde que os benefícios do impulso fiscal retornem para o próprio país, e não se transformem em importações. Um dos grandes desafios pós-crise, portanto, é o de evitar que isso aconteça. O G-20, que se tornou uma grande voz de coordenação de políticas econômicas, posicionou-se contra o protecionismo, o que é muito bom. Outro problema é que os países vão disputar &#8220;market-share&#8221; (parcelas de mercado) nessa saída da crise. Há um déficit muito grande na demanda agregada global, porque o consumidor americano está poupando mais, por causa das finanças familiares deterioradas. Assim, as estratégias de crescimento de todo mundo não podem dar resultado ao mesmo tempo. Nesse jogo de ganhar market-share, Brasil, China e Índia devem se dar muito bem. Mas outros países, menos bem sucedidos, podem apelar para o protecionismo. Dessa forma, recuperar a demanda agregada global também evita o protecionismo.</p>
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		<title>Ministro chama imposto de carro 1.0 de aberração e propõe &#8221;IPI verde&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 15:57:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
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Ele defende fim do incentivo ao &#8216;popular&#8217; e repasse do benefício tributário aos carros econômicos de qualquer cilindrada

David Friedlander e Raquel Landim &#8211; O Estado SP


// 

Entrevista
Miguel Jorge: ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Quem é:
Miguel Jorge
Jornalista, foi chefe de redação do Estado e seguiu carreira de executivo na Autolatina, Volkswagen e Santander
É ministro do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="c">
<p><strong>Ele defende fim do incentivo ao &#8216;popular&#8217; e repasse do benefício tributário aos carros econômicos de qualquer cilindrada</strong></div>
<div>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">David Friedlander e Raquel Landim &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p id="ctrl_texto"><span id="tm04" style="color: #155e91;" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script type="text/javascript">// <![CDATA[
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<div style="text-align: center;"><img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091108/img/4.1.imagem_migueljorge.jpg" alt="" width="555" height="387" /></div>
<p><strong>Entrevista<br />
Miguel Jorge: ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior</strong></p>
<p><strong><br />
Quem é:<br />
Miguel Jorge</p>
<p>Jornalista, foi chefe de redação do Estado e seguiu carreira de executivo na Autolatina, Volkswagen e Santander</p>
<p>É ministro do Desenvolvimento desde março de 2007</strong></p>
<p>O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, trabalha numa proposta polêmica. Ele defende o fim do incentivo tributário para o carro com motor 1.0, o &#8220;popular&#8221; &#8211; que desde 1993 paga menos imposto que os carros com motores mais potentes. O ministro propõe a transferência desse benefício para automóveis de baixo consumo de combustível. Os carros mais econômicos, diz Jorge, pagariam um Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) menor. O &#8220;IPI verde&#8221;, como foi apelidado, já está sendo adotado para alguns eletrodomésticos, como geladeiras e máquinas de lavar.</p>
<p>Jorge defende o mesmo mecanismo para os carros. Diz que a potência do motor não é um critério correto para definir quem vai pagar mais ou menos imposto. Os automóveis 1.0 são tributados com IPI de 7%, enquanto as outras categorias recolhem até 25%, dependendo do modelo. &#8220;Tem de rever isso. Foi feito em cima de uma aberração&#8221;, diz. Ele afirma que a mudança não seria feita agora, mas seu ministério e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) estão trabalhando há pouco mais de dois anos nesse projeto.</p>
<p>Um dos auxiliares mais discretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas últimas semanas Jorge ganhou evidência por causa das retaliações do Planalto às medidas protecionistas adotadas pela Argentina contra produtos brasileiros. Para forçar os vizinhos a recuar, o Brasil acionou entraves burocráticos e bloqueou caminhões com carga argentina na fronteira. Sobre esse confronto, a discrição do ministro chega a ser mordaz: &#8220;Briga? Não tem briga.&#8221;</p>
<p>Nesta entrevista, ele também fala da criação de um banco federal totalmente voltado ao financiamento do comércio exterior e sobre os negócios que está tentando fechar com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A seguir, os principais trechos da entrevista:</p>
<p><strong>A redução do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para eletrodomésticos e para materiais de construção vai continuar em 2010?</strong></p>
<p>Eu defendo isso. Temos um programa de construção de casas em que o governo se dispõe a financiar R$ 36 bilhões para quem ganha três salários mínimos. Se você cobra IPI, esses R$ 36 bilhões vão financiar um número menor de casas.</p>
<p><strong>É possível manter o benefício com a arrecadação do governo em queda?</strong></p>
<p>A arrecadação vai reagir. Os empresários estão prevendo o melhor Natal dos últimos anos. Melhor que 2007, melhor do que 2008 seria sem a crise. Não falo em previsões de analistas, porque eles nunca acertam, não sabem o que está se passando, não sabem o que está por trás da análise. Falo das previsões de profissionais do setor. As indústrias de linha branca e automobilística, por exemplo, voltaram a contratar.</p>
<p><strong>E a redução do IPI para os carros? Acaba mesmo este ano ou o benefício pode ser prorrogado?</strong></p>
<p>Não vai ter redução de IPI. Em princípio, não vai ter.</p>
<p><strong>O &#8220;IPI verde&#8221;, já implantado nos eletrodomésticos, pode ser aplicado também nos carros?</strong></p>
<p>Estamos nesse processo há dois anos e pouco, com o pessoal do Inmetro. Naquela época não se falava em verde, mas em eficiência energética. Motores mais eficientes, que gastam menos, teriam um selo de eficiência, como tem na geladeira e na máquina de lavar. Mas, primeiro, o selo é voluntário. Ainda não estamos obrigando ninguém a colocar. Vamos avançar os estudos para que isso seja um programa nacional e, aí sim, discutir o processo de imposto baseado na eficiência energética.</p>
<p><strong>Carros mais econômicos pagariam imposto menor?</strong></p>
<p>Esse é o modelo. É uma questão de ser mais justo. Se você tem um equipamento mais eficiente e outro menos, por que não ter a vantagem do imposto para o equipamento mais eficiente?</p>
<p><strong>Seria uma política permanente ou uma medida de emergência contra a crise?</strong></p>
<p>Quando esses estudos estiverem mais avançados, gostaríamos que fosse uma política permanente. Sempre teve uma grande discussão na indústria sobre essa questão de diferenciar o IPI por cilindrada. O carro com a mesma cilindrada pode ser 30% mais eficiente do que outro, mas paga o mesmo imposto. Não é correto. Essa coisa do carro 1.0 é preciso ir às origens dos fatos. Isso começou com uma aberração dos anos 90. Tem de rever isso porque foi feito em cima de uma aberração. Não tem sentido dividir por cilindrada.</p>
<p><strong>Que aberração?</strong></p>
<p>Uma empresa, que era a única que tinha carro 1.0 na época, conseguiu no Ministério da Fazenda uma redução de 50% do IPI, que naquela época era 40% do valor do automóvel. O IPI passou a ser 20% para os carros 1.0 fabricados no Brasil. Esse era o pulo do gato: só uma empresa (o ministro se refere à Fiat) tinha 1.0 fabricado no Brasil, exportado para a Itália. Nem era vendido aqui. Essa empresa ficou dois anos e meio sozinha no mercado, com o IPI reduzido, uma vantagem competitiva brutal. As outras empresas também desenvolveram o motor 1.0, isso virou 70% do mercado, depois caiu, agora voltou com a política de incentivo contra a crise, já que eles são mais baratos e teve a ascensão das classes D e E.</p>
<p><strong>O caminho então não é favorecer os mais pobres, mas buscar a eficiência energética &#8230;</strong></p>
<p>Falando desse jeito fica meio esquisito&#8230; O que precisa é fazer a política que está sendo feita: dar à população D e E a capacidade de comprar o produto melhor. Não é facilitar a venda do produto que não tem qualidade.</p>
<p><strong>Falando em facilitar a vida, até que ponto o senhor está disposto a ir na briga com a Argentina?</strong></p>
<p>Que briga? Não tem briga.</p>
<p><strong>O governo brasileiro está segurando mercadoria argentina na fronteira com a justificativa de que precisa avaliar documentos. Quanto tempo isso vai durar?</strong></p>
<p>Vai durar o necessário. É um volume pequeno, não chega a 10% das importações.</p>
<p><strong>O sr. conversou com alguém do governo argentino?</strong></p>
<p>A Debora Giorgi (ministra da Produção da Argentina) ligou e o Ivan (Ramalho, secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento) falou com ela. Ele falou e me senti desobrigado de ligar. Mas parece que a conversa foi amena.</p>
<p><strong>Em nome da parceria comercial, durante muitos anos o Brasil aceitou provocações da Argentina? Agora houve uma mudança de atitude do governo?</strong></p>
<p>(Silêncio)</p>
<p>Pela primeira vez tem caminhão argentino parado na fronteira&#8230;</p>
<p>Sim, mas os perecíveis foram liberados. Frutas, uvas, pêssego. Quanto às outras cargas, vamos aguardar.</p>
<p><strong>Mas é só a mercadoria argentina que precisa de avaliação?</strong></p>
<p>Por enquanto, é.</p>
<p><strong>Os problemas internos do Mercosul têm solução?</strong></p>
<p>Têm solução. O que não pode é ter uma parceria que fica a critério de quem está no governo decidir como vai ser. As regras deviam ser claras e independentes das condições conjunturais da economia de cada país. Se não fosse assim, a União Europeia nunca existiria.</p>
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		<title>O discreto charme de Buñuel</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 17:26:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[biografias]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[entrevistas]]></category>
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		<category><![CDATA[Jean-Claude Carrière]]></category>
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		<category><![CDATA[Luis Buñuel]]></category>
		<category><![CDATA[Meu Último Suspiro]]></category>

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		<description><![CDATA[  Jean-Claude Carrière relembra &#8220;Meu Último Suspiro&#8221;, livro de memórias de Luis Buñuel que elaborou e é reeditado 
Divulgação

Catherine Deneuve e Luis Buñuel (1900-1983) nas filmagens de &#8220;Bela da Tarde&#8221; (67), longa coescrito por Jean-Claude Carrière


 MARCOS STRECKER &#8211; FOLHA SP
 
DA REPORTAGEM LOCAL
Octavio Paz dizia que o livro  &#8220;Meu Último Suspiro&#8221;, escrito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: large;"><strong> </strong></span> <strong>Jean-Claude Carrière relembra &#8220;Meu Último Suspiro&#8221;, livro de memórias de Luis Buñuel que elaborou e é reeditado </strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Divulgação<br />
<img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/i0711200901.jpg" border="0" alt="" /></em><em><br />
Catherine Deneuve e Luis Buñuel (1900-1983) nas filmagens de &#8220;Bela da Tarde&#8221; (67), longa coescrito por Jean-Claude Carrière</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em><br />
</em></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;"><strong> MARCOS STRECKER &#8211; FOLHA SP</strong></span></h2>
<p><strong> </strong><br />
DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>Octavio Paz dizia que o livro  &#8220;Meu Último Suspiro&#8221;, escrito  em 1980, era o melhor &#8220;filme&#8221;  de Luis Buñuel. E era mesmo.  Mas não é só. Esse livro de difícil definição sobre o grande  mestre do surrealismo, figura  iconoclasta e iluminada que se  confunde com a formação do  cinema desde os anos 20 (&#8221;Um  Cão Andaluz&#8221;, 1929) até a década de 70 (&#8221;Esse Obscuro Objeto  do Desejo&#8221;, 1977), é também  uma das melhores publicações  sobre a sétima arte.<br />
Só é comparável a &#8220;Hitchcock/ Truffaut &#8211; Entrevistas&#8221;  (Cia. das Letras), de 1967, em  que o &#8220;enfant terrible&#8221; da nouvelle vague faz uma minuciosa  revisão da obra do diretor de  &#8220;Psicose&#8221;. Os dois livros marcaram época e viraram clássicos.<br />
No caso de &#8220;Meu Último Suspiro&#8221;, que agora ganha reedição  (Cosac Naify/Mostra de Cinema de SP, 376 págs., R$ 55, trad.  André Telles), o coautor é também um mestre do cinema, o  roteirista francês Jean-Claude  Carrière, 78, que coassinou várias obras essenciais de Buñuel  (incluindo &#8220;Bela da Tarde&#8221; e &#8220;O  Discreto Charme da Burguesia&#8221;), já trabalhou com Jean-Luc Godard e é parceiro do diretor Peter Brook.<br />
Em entrevista, Carrière lembra que Buñuel não queria escrever um livro de memórias,  então na moda. Para convencê-lo, escreveu um capítulo supostamente narrado pelo cineasta  intitulado &#8220;Os Prazeres deste  Mundo&#8221;, sobre bebidas, tabaco  e bares. Buñuel gostou e o resultado é um livro de cinema  que não analisa nenhum filme e  mostra a personalidade fascinante de um dos grandes artistas do século 20.</p>
<p><img src="http://www.cursos.org/fotos/freematerials/bunu.jpg" alt="http://www.cursos.org/fotos/freematerials/bunu.jpg" width="263" height="219" /><img src="http://www.monthlyreview.org/mrzine/LuisBunuel260.jpg" alt="http://www.monthlyreview.org/mrzine/LuisBunuel260.jpg" width="254" height="221" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="font-size: xx-small;">Luis Buñuel e imagem de seu filme A idade do ouro</span></em></p>
<p style="text-align: center;">
<p><strong><span style="font-size: xx-large;">&#8220;Luis Buñuel é maior do que sua obra&#8221;</span></strong></p>
<p><strong> Jean-Claude Carrière afirma que &#8220;Meu Último Suspiro&#8221; é &#8220;livro-retrato&#8221; e diz que Buñuel é &#8220;mais importante que Picasso&#8221;</strong></p>
<p><strong>&#8220;Não fiz um livro sobre os filmes, mas sobre Buñuel. Truffaut queria saber por que eu tinha mais interesse no homem do que na obra&#8221; </strong></p>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>Leia entrevista com Jean-Claude Carrière, que comenta a  edição de &#8220;Meu Último Suspiro&#8221;, que narra episódios na vida  do cineasta Luis Buñuel, como  a estreia de &#8220;Um Cão Andaluz&#8221;,  a passagem por Hollywood e o  exílio no México.<br />
O francês está escrevendo  um roteiro com o escritor Atiq  Rahimi e acaba de lançar  &#8220;N&#8217;Espérez pas Vous Débarrasser des Livres&#8221; (não ache que os  livros serão descartados, ed.  Grasset), entrevistas conjuntas  com Umberto Eco.  <strong> (MARCOS STRECKER) </strong></p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; &#8220;Meu Último Suspiro&#8221; é  uma obra de Luis Buñuel ou de Jean-Claude Carrière?<br />
JEAN-CLAUDE CARRIÈRE</strong></em> &#8211; Nós escrevemos juntos, como se fosse  um roteiro. Na época, tínhamos  escrito um roteiro que não pôde ser filmado ["Agon"], pois  ele já estava com 80 anos, muito cansado. Como convivi 20  anos com ele, tinha tomado notas sobre sua vida. Ele me contava muitas coisas durante as  refeições e os aperitivos. Fiz os  cálculos, almoçamos juntos  mais de 2.000 vezes. Muitos casais não podem dizer isso&#8230;  Como conhecia sua vida, propus fazer o livro. Ele disse que  não queria, e que todos estavam escrevendo memórias&#8230;  Para convencê-lo, escrevi eu  mesmo o capítulo &#8220;Os Prazeres  desse Mundo&#8221;. Narrei em primeira pessoa dizendo &#8220;eu, Buñuel&#8230;.&#8221;. Ele disse: tenho a impressão que eu mesmo escrevi.  O livro foi escrito em 1980,  ele morreu em 1983. Teve a  oportunidade de ver a edição  espanhola e gostou.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O livro não é uma biografia no sentido comum. Como vocês  chegaram a esse formato?<br />
CARRIÈRE</strong></em> &#8211; Eu o convenci a fazer  não um livro de memórias, mas  um livro-retrato, que se pareceria com ele. Comecei com &#8220;Os  Prazeres desse Mundo&#8221; pois seria um capítulo curto, não teria  a cara de um livro de memórias.  Os que conheceram Buñuel  dizem que o livro se parece  muito com ele. Trabalhamos  no México. De manhã ficávamos juntos, à tarde eu escrevia.  Foi assim durante várias semanas, até chegarmos a uma versão que agradava aos dois.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Quem escolheu os temas?<br />
CARRIÈRE</strong></em> &#8211; Sugeri alguns capítulos e alguns temas. É o nosso  livro, mas é a vida dele. Ele não  teria feito o livro sem mim, porque não gostava de escrever,  mas sem ele não teria conseguido redigir, porque é a vida dele.  Ele não mudou quase nada.  Há coisas que eu conhecia muito bem, como a parte surrealista. Mas havia passagens que  não conhecia muito, como a  Guerra Civil Espanhola. Aí o interroguei de maneira precisa.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; É um livro sobre um cineasta que mal discute sua obra. Como foi recebido no seu lançamento?<br />
CARRIÈRE</strong></em> &#8211; Há um charme, que  não consigo explicar. Às vezes  pego o livro para reler. Ele foi  rapidamente traduzido na Espanha, onde fez um enorme sucesso e se tornou um clássico.  As pessoas falam muito desse  livro, é reeditado com frequência. François Truffaut uma vez  me convidou para jantar só para que conversássemos sobre o  livro. Ele fez uma edição sobre  Hitchcock ["Hitchcock/ Truffaut - Entrevistas"], eu sobre  Buñuel. Discutimos como fizemos nossos livros. Ele escreveu  sobre os filmes de Hitchcock.  Não fiz um livro sobre os filmes, mas sobre Buñuel. Truffaut leu duas vezes o livro. Queria saber porque eu tinha mais  interesse no homem do que na  obra. Disse que Buñuel é que tinha feito essa escolha.  Buñuel não gostava de falar  de cinema. Estávamos de acordo que não falássemos de mim.  É como se ele estivesse diante  de um espelho, e eu estivesse  segurando o espelho.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Havia assuntos que ele  não queria abordar? Buñuel tinha  zonas obscuras em sua vida?<br />
CARRIÈRE</strong></em> &#8211; Ele não gostava de  falar de tragédias na sua vida.  Não gostava de falar da morte  de [Federico García] Lorca, que  o marcou muito. Preferia falar  dos bons momentos.  Por exemplo: não gostava de  falar do momento em que precisou pedir demissão do Museu  de Arte Moderna de Nova York,  episódio em que Salvador Dalí  teve responsabilidade. Gostava  de guardar os bons momentos  com seus velhos amigos.  Posso testemunhar que era  um homem de grande bondade.  É raro encontrar alguém tão  generoso que ao mesmo tempo  tenha um olhar impiedoso sobre as coisas e as pessoas.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Qual é a importância de  Buñuel atualmente?<br />
CARRIÈRE</strong></em> &#8211; Hoje há duas visões.  Uma é dizer que era um cineasta surrealista. Outra é a visão  hispânica, de que Buñuel é o  maior artista espanhol desde  Goya. Para qualquer romancista, cineasta, pintor ou filósofo,  há um momento em que é inevitável se defrontar Buñuel.<br />
Ele é muito mais importante  do que Picasso. Picasso é pintor, mas apenas pintor. Buñuel  é um personagem maior do que  sua obra, não se reduz a ela. Isso era claro para mim na época,  como ainda é hoje.<br />
Por isso o livro se tornou um  clássico. Releio com frequência  o último parágrafo, em que ele  diz que &#8220;gostaria de poder se levantar dos mortos a cada dez  anos, ir até uma banca e comprar alguns jornais; voltaria ao  cemitério e leria sobre os desastres do mundo, antes de voltar a adormecer, sereno&#8221;.<br />
Se eu escrevesse um livro sobre Buñuel hoje, o mostraria  sobre a tumba. Diria como está  o mundo atualmente, para saber o que ele acharia disso. Eu  levaria os jornais para ele.</p>
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