09/05/2009 - 15:46h “Vírus da gripe suína não é mais grave que o de gripe comum”, diz especialista

http://radiopico.pt/site/imagens/Image/Gripe.jpg

FERNANDA BASSETTE da Folha de S.Paulo

Dois dias depois de o Brasil ter confirmado casos de gripe suína, Caio Rosenthal, infectologista do hospital Emílio Ribas diz que não há razão para pânico. “O quadro clínico provocado por esse vírus é um quadro nem mais nem menos severo do que qualquer outra gripe.”

FOLHA – Por que a gripe suína causou tanto pânico no mundo?

CAIO ROSENTHAL – É um vírus novo que “pegou” e como todo agente novo ele causa um certo pânico por causa do desconhecimento do que ocorrer. Como é um vírus que ninguém tem imunidade, então pode atingir uma boa parte da população mundial. O quadro clínico provocado por esse vírus é um quadro nem mais nem menos severo do que qualquer outra gripe que acomete a população nos meses mais frios.

FOLHA – O total de casos confirmados até hoje no mundo é o esperado? Poderia ser muito maior?

ROSENTHAL – A gente não pode fazer uma dedução. Mas tudo indica que uma grande porcentagem da população ainda será atingida. E isso está ocorrendo com uma certa velocidade porque o vírus surgiu faz menos de 20 dias e já temos vários continentes com casos. Então, tudo indica que o poder de transmissão do A (H1N1) é muito alto.

FOLHA – É possível saber o grau de morbidade do vírus?

ROSENTHAL – Não. O que sabemos é que o vírus tem características que nos possibilitam prever que ele não terá uma severidade tão grande quanto o da gripe aviária.

FOLHA – A pessoa que contraiu o vírus e se curou fica imunizada?

ROSENTHAL – Teoricamente, sim. O problema é que o vírus é muito mutante.

FOLHA – A Anvisa autorizou a fabricação da vacina contra o vírus no Brasil. Ela será instrumento fundamental para evitar a gripe?

ROSENTHAL – Sim, mas não a curto prazo. A vacina requer um tempo muito grande de produção, pois é feita através de ovos embrionários de galinha. Para cada dose, é necessário um ovo. Para o país produzir milhares de doses é preciso ter uma tecnologia muito grande.

FOLHA – É preciso usar máscaras na rua?

ROSENTHAL – Não, isso é fanfarronice. Totalmente desnecessário, o vírus não está circulando. Tanto os casos suspeitos como os casos que estão com a doença estão sendo isolados. Além disso, depois de duas horas a máscara não protege mais.

FOLHA – O que as pessoas devem fazer para se proteger?

ROSENTHAL – Ela precisa procurar um posto médico quando tiver sintomas e sinais compatíveis com uma gripe e, principalmente, se tiver os dados epidemiológicos que fecham a definição de casos suspeitos (pessoas que tiveram em países com foco da doença e que apresentam os sintomas). E lavar as mãos com frequência, pois 25% dos pacientes diagnosticados até agora apresentaram quadros de vômito, diarreia e náusea –o que difere um pouco da gripe sazonal e nos faz pensar que pode haver transmissão oral-fecal.

29/04/2009 - 11:14h Porcos no espaço, gente lunática

 

VINICIUS TORRES FREIRE – FOLHA SP

“Gripes” novas no mundo têm matado menos gente que a dengue no Brasil, mas pessoas correm às farmácias

HÁ GENTE à procura de pacotes de remédios para gripe em São Paulo. Ainda não começou a temporada de gripe paulista, coisa muito comum nos invernos desta cidade de ar sujo, de gente estressada, estafada e espremida em ônibus e metrôs hiperlotados.
Mas basta um passeio por 14 farmácias da zona oeste e do centro da cidade para ouvir relatos de atendentes e farmacêuticos sobre o aumento maluco do número de pessoas a pedir antivirais, gel para limpar mãos, sabonetes antissépticos, remédios para sintomas de gripe e máscaras para proteger o rosto. Isso em lugares como a avenida Paulista, no Pacaembu e em Higienópolis (onde mora gente rica e, supunha-se, mais informada), em Santa Cecília, Campos Elíseos e no Centro Velho. Numa farmácia da avenida Angélica, no centro de Higienópolis, um homem de máscara comprou três caixas de antiviral, gastando o equivalente a um salário mínimo. Tomar antiviral sem estrita recomendação médica é um estrita idiotice. As pessoas estão doidas.
O México, epicentro da doença, rebaixou ontem de 22 para 7 o número de pessoas que, segundo exames, foram mortas pelo vírus dito “suíno”, que por ora parece ser “agressivo” apenas no México, se tanto. Nos EUA, mais da metade dos casos ocorreu entre colegiais que viajaram pelo México.
Em 2008, 585.769 pessoas tiveram dengue no Brasil. Nesse ano, apenas a dengue hemorrágica matou 223 pessoas no país. Quase tantas quanto as mortas por outra sensação gripal que não decolou, a aviária (desde 2003, no mundo inteiro).
A cidade de São Paulo não é das mais afetadas pela dengue. Nuns anos têm 500 casos, noutros 800. Noutros anos, uma dúzia. Mas já houve microssurtos até no rico Pacaembu e na região da rua Oscar Freire, onde uma bolsa pode custar o preço de um carro e as pessoas andam em carros que custam um apartamento. Porém não houve comandos de erradicação de potinhos de água parada nem um surto de vendas de raquetes elétricas para matar mosquitos. Lembram-se das raquetes elétricas? Viraram moda no verão de 2008, quando o Rio teve uma epidemia violenta, os hospitais desceram a um nível ainda pior de colapso e as Forças Armadas armaram barracas na rua para atender doentes.
Parece, pois, que estamos dispostos a morrer de doenças conhecidas e razoavelmente evitáveis, desde que enraizadas nas nossas miséria e ignorância. Dengue, malária, disenterias que matam milhares devido a condições sanitárias indecentes, atropelamento, facada, tiro -morrer disso, tudo bem. É coisa nossa. Mas um vírus por ora apenas midiático leva multidões às farmácias.
Será mais um caso de doença como metáfora? O mundo quer se distrair dos perigos mais evidentes e imediatos que produziu, como crises financeiras e fome?
Cientistas dizem que, a cada 30 ou 40 anos, há um surto global de gripe. Os últimos ocorreram nos anos 50 e 60. Segundo essa teoria, digamos, do ciclo gripal, estaríamos perto de ter uma irrupção da doença. Mas, segundo os cientistas da área, ainda não sabemos nada sobre a letalidade do vírus, sua origem, velocidade de espraiamento do mal etc. O vírus é por ora apenas “informacional”.

vinit@uol.com.br

28/04/2009 - 09:59h Governo e Ministério da Saúde já estão de prontidão para enfrentar eventual surto de gripe no Brasil

Plano prevê 50 hospitais de referência

Além de mobilizar as unidades em todo o País, governo implantou telefone tira-dúvidas

Fernanda Aranda e Felipe Oda – Jornal da Tarde (JT)

O Brasil colocou em prática ontem um pacote de ação para evitar que o vírus da gripe suína se espalhe em território nacional. Em São Paulo também foi criado um plano de emergência para conter os casos, já que o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, é apontado como um dos locais de risco de entrada da infecção no País.

Todas as secretarias de Estado da Saúde foram acionadas e 50 hospitais públicos do País estão escalados para serem referência de atendimento em caso de suspeita de contágio. O governo federal vai comprar 100 mil máscaras para seus agentes, além de distribuir 1 milhão de folhetos explicativos sobre o vírus. O Ministério da Saúde também colocou em funcionamento um serviço telefônico para tirar dúvidas da população (0800-61 1997).

Em São Paulo, a Secretaria de Saúde acionou 8 unidades, que ficarão de prontidão, três delas na capital: Hospital das Clínicas, Instituto Emílio Ribas e Hospital São Paulo. No total, são150 leitos de isolamento, dos quais 60 possuem pressão negativa para evitar risco de disseminação. O Centro de Vigilância Epidemiológica de SP encaminhou instrução aos 645 municípios sobre como identificar e tratar casos suspeitos.

“Estamos mobilizando os cerca de 100 mil médicos do Estado, das redes pública e particular, para que notifiquem imediatamente qualquer caso de pacientes com problemas respiratórios agudos, que cheguem principalmente do México e dos EUA”, afirmou o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Luiz Roberto Barradas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Infraero anunciaram o reinício do Plano de Contingência à Influenza em 10 aeroportos brasileiros, o mesmo utilizado em 2006 durante a epidemia da gripe aviária. Segundo o governo, 7 mil pessoas desembarcam diariamente nos aeroportos do País vindos de voos procedentes dos Estados Unidos e do México. Ontem, em Cumbica e no Galeão, no Rio de Janeiro, avisos sonoros davam informações aos passageiros.

Entre as orientações está a de que as tripulações dos voos vindos das áreas de contágio deverão avisar a torre de controle dos aeroportos sobre a eventual existência de passageiros com sintomas da doença. Em caso de suspeita, ambulâncias encaminham o paciente para um dos hospitais referência. Além da pessoa com sinais da gripe, todos os demais tripulantes e passageiros deverão ser monitorados, por telefone, por dez dias. A Anvisa se reúne hoje com o sindicato e as companhias aéreas para acertar detalhes da ação.

No domingo, a principal reclamação de quem chegava aos aeroportos do País era a falta de informação e mobilização dos agentes brasileiros. A falha foi reconhecida pela Anvisa, que justificou o atraso devido aos problemas na impressão de folhetos informativos.

AS AÇÕES

O governo distribuirá 1 milhão de panfletos informativos

Compra de 100 mil máscaras cirúrgicas descartáveis para agentes de saúde e população

50 hospitais de referência no País receberão os casos de suspeita de contaminação do vírus

Na capital, esses hospitais são: Hospital das Clínicas, Emílio Ribas e Hospital São Paulo

Envio de mensagens sonoras às companhias aéreas e aeroportos para que elas sejam reproduzidas nos voos e nos saguões

Monitoramento por telefone, por até 10 dias, de passageiros que estiveram em um voo com algum suspeito de contágio

Utilizar as informações da Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA) para eventual busca de contatos em caso de suspeita

Estabelecer um acordo de colaboração com as companhias aéreas, que deverão informar sobre passageiros com sintomas

As tripulações deverão orientar os passageiros sobre a doença e solicitar que as pessoas com sintomas se identifiquem

Dúvidas sobre a gripe suína poderão ser esclarecidas pelo telefone 0800-61 1997

Informações também estão disponíveis no site: www.anvisa.gov.br/hotsite/influenza/index.htm


HISTÓRIA

SEM ALARDE

Autor de uma série de estudos sobre saúde pública e as epidemias do século 20, o sociólogo e historiador Claudio Bertolli Filho, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), combate o estado de pânico e lembra dos avanços da medicina nos últimos cem anos. “Sempre que se fala em gripe fica a ideia de que uma tragédia vai acontecer, milhões serão contaminados e milhares morrerão. Esse é um discurso muito comum e que de tempos em tempos reaparece. O que se desconsidera nesse discurso é a evolução da saúde”, diz
o especialista

GRIPE ESPANHOLA

Segundo ele, existe a hipótese de que a gripe espanhola (que arruinou o mundo em 1918) tenha surgido em um quartel no Texas, antes da 1º Guerra Mundial, que ficava ao lado de uma criação de porcos

MUTAÇÃO

Bertolli Filho diz ainda que o vírus gripal é um dos que mais muda com o decorrer do tempo. Especula-se que, em média, a cada 80 ou 90 anos, uma mutação cause a elevação do grau de letalidade dos vírus. Quando isso ocorre, corresponde a cerca de 1% a 1,5% de mortes do universo de contaminados

28/04/2009 - 09:39h Espirito de porco

Panico sobre gripe serve à especulação na bolsa, venda de remédios, xenofobia contra imigrantes e queda no consumo de carne de porco. Aqui no Brasil seguramente para atacar o presidente Lula, como já aparece em algumas cartas de leitores nos jornais. É o que se chama espirito de porco.
Leia a seguir a interessante entrevista publicada hoje no jornal O Estado de São Paulo com um historiador que reposiciona no seu contexto histórico o alarmismo midiático atual. LF

Clique na imagem da entrevista do jornal O Estado SP para ampliar e ler

gripe-suina.jpg

28/04/2009 - 08:39h Entenda a gripe suína

Gripe surgiu em criações de porcos e reúne genes de vírus que podem atingir suínos, aves e humanos. Saiba o que ela é e como se prevenir

Fonte O Estado SP


13/02/2009 - 19:01h “Bom de cama é quem usa camisinha”

Casos de Aids entre mulheres com mais de 50 anos triplicam.

Governo faz campanha no carnaval com o lema “bom de cama é quem usa camisinha”

Portal O Globo

aids.jpgRIO – Às vésperas do carnaval, o Ministério da Saúde lançou nesta sexta-feira uma nova campanha de combate à Aids que terá como foco as mulheres acima de 50 anos, que não costumam usar preservativos nem nas relações eventuais. A decisão de priorizar as mulheres nessa faixa etária se deve ao aumento da contaminação nesse grupo. Nos últimos dez anos, o número de mulheres com mais de 50 anos que contraiu a doença triplicou, de acordo com dados do governo. Além disso, segundo uma pesquisa do ministério, 72% das mulheres nesta faixa etária não usam camisinha nas relações com parceiros casuais.

Os jovens já cresceram com essa preocupação de prevenção contra a Aids, enquanto as mulheres mais velhas não estão acostumadas


- É quase uma questão cultural. Os jovens já cresceram com essa preocupação de prevenção contra a Aids, enquanto as mulheres mais velhas não estão acostumadas – disse a jornalistas o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ao destacar que a maioria das mulheres infectadas tem relações matrimoniais estáveis.

Em 1996, havia 3,7 casos de Aids em cada grupo de 100 mil mulheres com mais de 50 anos, enquanto em 2006 a incidência subiu para 11,6 casos da doença.

Temporão afirmou ainda que a campanha também terá como foco secundário os homens brasileiros.

O machismo ainda é forte no Brasil, e é o homem quem dita as normas e impõe o padrão de comportamento


- O machismo ainda é forte no Brasil, e é o homem quem dita as normas e impõe o padrão de comportamento – afirmou.

- A ideia é colocar a mulher como um ator fundamental da relação sexual e não em um papel secundário. Queremos uma democratização da questão sexual – acrescentou.

A campanha será veiculada nas principais cadeias de rádio e TV do Brasil a partir desta sexta-feira, uma semana antes do início do carnaval, e a peça publicitária batizada de “Bloco da Mulher Madura” é protagonizada por mulheres com mais de 50 anos que alertam para a necessidade do uso da camisinha.

- É um erro achar que as mulheres com mais de 50 anos jogam peteca ou baralho. Elas continuam fazendo sexo – declarou o ministro.

O ministério também vai reforçar durante o Carnaval a distribuição de preservativos em todo país. Além dos 45 milhões de camisinhas distribuídos mensalmente, mais 10 milhões de preservativos serão disponibilizados durante a folia.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 630 mil pessoas no Brasil teriam HIV, mas 255 mil delas desconhecem que são portadores do vírus da Aids.

Eles rezam e oram, e nós trabalhamos contra a doença


- A doença no Brasil está estabilizada e, nos últimos anos, o ganho na sobrevida e na qualidade de vida foi excepcional – avaliou Temporão, que não espera mais atritos com a Igreja Católica com a nova campanha anti-Aids.

- Eles rezam e oram, e nós trabalhamos contra a doença – ironizou o ministro, que no início de seu mandato já teve atritos com a Igreja.

Temporão rebate críticas sobre compra de gel lubrificante

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, rebateu as críticas sobre a compra de gel lubrificantepelo governo. Segundo ele, não houve aumento dos gastos destinados a essa iniciativa, implementada pelo governo federal desde 2001 e que faz parte da política de prevenção à aids.

É lamentável que setores retrógrados critiquem


- É lamentável que setores retrógrados critiquem isso. Ao contrário do que muita gente, disse o ministério não gastou R$ 40 milhões na compra de gel lubrificante e sim R$ 1 milhão em 2008. Este número mantém o padrão dos outros anos. Vamos continuar comprando – afirmou Temporão, durante lançamento de campanha de prevenção à aids no carnaval de 2009.

12/01/2009 - 09:17h Programa de aids começa a estagnar

Na opinião de especialistas, epidemia tem novas características que exigem mudança, principalmente na prevenção

Lígia Formenti, BRASÍLIA – O Estado SP

Após sucessivos elogios recebidos no cenário internacional, o Programa Nacional de DST-Aids começa a dar sinais de estagnação. Indicadores importantes, como número de casos novos e taxa de mortalidade, praticamente não mudaram nos últimos cinco anos. Os índices de transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez caíram, mas não como era esperado pelo próprio governo.

Além disso, com o aumento de casos no Norte e Nordeste entre homossexuais jovens e pessoas com mais de 50 anos, a epidemia adquiriu novas características, o que exige mudança na forma de atuação, principalmente na área de prevenção.

“O quadro é bastante preocupante, mas o que vemos é apenas comemoração”, afirma Mário Scheffer, da organização não-governamental Pela Vidda. Todos os dias , 97 pessoas se contaminam com o HIV, vírus da aids, e outras 30 morrem por causa da doença. “É como se um ônibus caísse do despenhadeiro diariamente e ninguém se importasse.”

Para Scheffer, os números estampam a necessidade de o programa fazer uma autocrítica, perceber o que não está dando certo e, nessas áreas, mudar a estratégia. “Mas o que vemos é o oposto. Há uma percepção coletiva de que tudo está maravilhoso, que temos o maior programa do mundo. Estamos vivendo de sofismas, não da realidade.”

O pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro diz que os dados divulgados no último boletim, em novembro, estampam uma lista de desafios que precisam ser enfrentados. Grangeiro, que já foi coordenador do programa nacional, observa que o País hoje apresenta não uma, mas várias epidemias de aids. Nas Regiões Sudeste, Sul e na faixa litorânea, há uma epidemia mais antiga e estabilizada, com queda do número de soropositivos usuários de drogas e um aumento dos casos entre gays jovens. No Norte e Nordeste, existe uma epidemia bem mais recente, formada principalmente por transmissão heterossexual. “Isso exige a adoção de estratégias diferenciadas na prevenção e na melhoria da qualidade do atendimento.”

O que preocupa nos Estados do Norte é a combinação de alguns fatores – menor tendência ao uso de preservativos, iniciação sexual precoce, menos interesse pelo teste para detectar o HIV. Todas características que dificultam a prevenção e o acesso mais rápido ao tratamento. Talvez por isso a Região Norte apresente uma tendência de aumento nos índices de mortalidade. “Com a interiorização da aids, o País enfrenta outro problema, que é a desigualdade na qualidade dos serviços, a dificuldade no acesso ao tratamento. Isso precisa ser solucionado”, avalia a coordenadora da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Cristina Pimenta.

Grangeiro aponta ainda outros dois pontos que precisam ser melhorados: quantidade de pessoas testadas para o HIV e o acesso a tratamento para gestantes contaminadas. “Muito se fala que a aids somente será controlada com a vacina. No caso das gestantes, o tratamento existente é uma forma de vacina, algo que previne a infecção do feto em quase 98% dos casos. Mesmo assim, o País continua registrando, todos os anos, uma triste marca de contaminações em bebês.”

O pesquisador da USP acredita que os maiores desafios estão em áreas que dependem de ações governamentais gerais. “Sem infraestrutura adequada nos serviços, não há como garantir diagnóstico precoce. Sem pré-natal de qualidade, não há como se certificar de que a gestante não é portadora do vírus, não há como ofertar tratamento adequado antiaids para o bebê. A qualidade das ações acaba esbarrando nos problemas gerais.”

PREVENÇÃO

A estimativa é de que 46% dos pacientes cheguem aos serviços em estágio adiantado da doença. Com isso, o efeito dos remédios antiaids será limitado. “Há muito o que melhorar nesta área”, diz Grangeiro. O infectologista Caio Rosenthal tem avaliação semelhante. “O programa melhorou muito, há avanços inegáveis. Mas em alguns pontos é possível avançar mais, como no diagnóstico precoce.” O infectologista Celso Ramos concorda: “É preciso mudar a cultura, tornar o teste mais disponível em toda a rede. “

25/08/2008 - 19:37h Gordos famintos

gordos hambrientos

Civilización & Barbarie de Cristina Civale

Cuando investigaba uno de los capítulos de mi libro sobre el abuso infantil, me topé con una contradicción flagrante que sucedía en el East Harlem, en plena New York, el barrio habitado por latinos y negros.

Allí el 60 por ciento de la población infantil sufría de obesidad pero esa misma población también padecía hambre. El mismo fenómeno se reproduce en otras megalópolis, desde San Pablo a Nápoles, desde Nueva Delhi a Tijuana. Las franjas más pobres de la población sólo pueden consumir, mayoritariamente, comida chatarra y aún así hasta cierto día del mes. Luego del 20, cuando se acaba el efectivo, empieza el hambre. Así se van formando las nuevas generaciones en el reparto de la comida: generaciones pobladas de gordos hambrientos.

montage%20of%20covers_0.jpg

Acaba de publicarse en España a través de Ediciones del Lince, Obesos y famélicos: El impacto de la globalización en el sistema alimentario mundial (Stuffed and Starved: the Hidden Battle for the World Food System), una obra que ya araña los primeros puestos en el ranking del New York Times.

Su autor es el inglés Raj Patel, tiene 36 años y vive en San Francisco.

Con una pluma desaforada y una tenacidad de militante, este graduado en Matemáticas, Filosofía, Política y Economía por Oxford y doctor en Sociología del Desarrollo por la prestigiosa Universidad de Cornell, narra con ímpetu y datos bien concretos (más de 100 páginas están dedicadas a las fuentes en las que basa sus afirmaciones) por qué sucede esta aberración en nuestra aldea global. No se queda en la descripción del fenómeno, también aporta las soluciones para que la comida alcance para todos, la buena comida, la que evita tanto la obesidad como el hambre, muchas veces habitantes de un mismo cuerpo.

Aquí la introducción de Stuffed and starved.

Una contradicción muy gorda

La humanidad produce actualmente más alimentos que en toda su historia, y sin embargo una cifra superior al diez por ciento de la población padece hambre. El hambre de esos 800 millones de personas ocurre al mismo tiempo que otro récord histórico: mil millones de seres humanos sufren hoy en día sobrepeso.

El hambre y el sobrepeso globales son síntomas de un mismo problema. Es más, el camino que podría conducirnos a erradicar el hambre del mundo serviría de paso para prevenir las epidemias globales de diabetes y afecciones cardíacas, y para hacer frente a un montón de males medioambientales y sociales. Los obesos y los famélicos están vinculados entre sí por las cadenas de producción que llevan los alimentos desde el campo hasta nuestra mesa. Guiadas por su obsesión por los beneficios, las grandes corporaciones que nos venden comida delimitan y constriñen nuestra forma de comer y nuestra manera de pensar sobre la comida. En los puntos de venta de la comida rápida es donde con mayor claridad se ven las actuales limitaciones, pues allí apenas podemos elegir entre el McNugget y el McMuffin. Pero aun cuando creemos encontrarnos lejos del ámbito de Ronald McDonald también hay limitaciones ocultas y sistémicas.

Incluso cuando queremos comprar algo sano, algo que nos mantenga alejados del médico, estamos atrapados por el propio sistema que ha creado las “Fast Food Nations” [Países de Comida Rápida, en alusión al libro homónimo de Eric Schlosser].

Intente, por ejemplo, comprar manzanas. En los supermercados de Norteamérica y de Europa, las elecciones están restringidas a media docena de variedades: Fuji, Braeburn, Granny Smith, Golden Delicious y quizá un par más. ¿Por qué éstas? Porque son atractivas: nos gusta su piel lustrada e inmaculada, y tienen un sabor que, para la mayoría del público, es inobjetable; pero también porque soportan ser transportadas a través de largas distancias y su piel no se daña si son sacudidas en el trayecto desde el huerto hasta la góndola; además, toleran las técnicas de lustrado y los compuestos que permiten el transporte y que las mantienen atractivas en los estantes, son fáciles de cosechar y responden bien a los pesticidas y a la producción industrial. Éstas son las razones por las cuales nunca encontraremos manzanas Calville Blanc, Black Oxford, Zabergau Reinette, Kandil Sinap o las antiguas y venerables Rambo en los estantes. No somos nosotros los que elegimos por nuestra cuenta porque, ni siquiera en el súper, no elaboramos nuestro menú a partir de lo que nosotros elegimos, o de la estación o el país en que nos encontramos, ni por la amplísima variedad de manzanas existente, ni por la amplísima gama de alimentos y sabores existentes, sino sometiéndonos al poder de las empresas de la alimentación.

Los intereses de las empresas que producen alimentos tienen ramificaciones que van mucho más allá de lo que nos ofrecen los estantes del súper. Son esos intereses lo que huele a podrido en el corazón mismo del sistema alimentario actual. Demostrar que la habilidad sistémica de unos pocos afecta a la salud de la mayoría requiere una investigación global que implica viajar desde los “desiertos verdes” de Brasil hasta la arquitectura de la ciudad contemporánea, y moverse a través de la historia desde la época de los primeros cultivos hasta la batalla de Seattle. Es una pesquisa que descubre las verdaderas causas de las hambrunas en Asia y en África, por qué hay una epidemia mundial de suicidios entre los agricultores, por qué ya no sabemos qué contiene nuestra comida, por qué en Estados Unidos los afroamericanos presentan mayor tendencia al sobrepeso que los norteamericanos blancos, por qué hay vaqueros en el sur de Los Ángeles y cómo el movimiento social más grande del mundo está descubriendo maneras, a mayor o menor escala, de que pensemos y vivamos de un modo distinto respecto a la comida.

La forma de comer alternativa a como lo hacemos actualmente promete solucionar el tema del hambre y las enfermedades relacionadas con la dieta mediante una manera de nutrirnos y de cultivar alimentos ecológicamente sostenible y socialmente justa.

Entender qué problemas plantea el modo en que se cultivan los alimentos y cómo se ingieren también ofrece la clave para una mayor libertad y un camino para recuperar el placer de comer. Tan urgente es la tarea como enorme el premio.

En todos los países, las contradicciones entre la obesidad, el hambre, la pobreza y la riqueza se están agudizando cada vez más. Por ejemplo, la India ha destruido millones de toneladas de cereales permitiendo que se pudran en silos mientras que la calidad de los alimentos que comen los indios pobres es la peor desde la independencia, en 1947. En el año 1992, en los mismos pueblos y aldeas donde la malnutrición había comenzado a atacar a las familias más pobres, el gobierno indio permitió que se colaran en su sistema económico, hasta entonces muy protegido, los fabricantes de refrescos extranjeros y multinacionales de la alimentación. En el plazo de una década, la India ha logrado la mayor concentración de diabéticos del mundo: personas -muy a menudo niños- cuyos cuerpos se han quebrado bajo el peso del consumo excesivo de alimentos inadecuados.

La India no es el único país que padece estos contrastes. Son globales, y están presentes incluso en el país más rico del mundo. En 2005, en Estados Unidos 35,1 millones de personas no sabían si iban a poder pagarse la siguiente comida. Y esto coincide con el momento en que hay en Estados Unidos más comida que nunca en su historia, y también mayor número de personas aquejadas por dolencias relacionadas con la alimentación.

Resulta fácil acostumbrarse a esta contradicción; su versión cotidiana sólo provoca una desazón pasajera cuando, de camino a los supermercados llenos de comida a reventar, nos cruzamos con carteles que nos hablan de gente “hambrienta” y “sin techo”. Hay excusas morales que sirven para calmar a una conciencia atormentada: los pobres tienen hambre porque son perezosos, o los ricos son gordos porque comen alimentos que engordan. Esta clase de sabiduría popular es muy antigua. De alguna forma, todas las culturas han comprendido que nuestros cuerpos son libros contables donde queda registrado el catálogo de nuestros vicios privados. Sin embargo, las frases inculpatorias no nos sirven para comprender las razones por las cuales hemos llegado a una situación inédita en la que hambre, abundancia y obesidad son más compatibles que en toda nuestra historia.

La condena moral sólo funcionaría si los afectados hubiesen podido hacer las cosas de forma diferente, si hubiesen tenido opciones. La prevalencia del hambre y de la obesidad afecta a la gente con demasiada regularidad y en demasiados lugares distintos como para que sean consecuencia de algún defecto personal. En parte, nuestro juicio yerra de forma tan notable debido a que todavía interpretamos los cuerpos a la manera antiintroducción gua, sin darnos cuenta de que los tiempos han cambiado. Aunque en algún momento fuese cierta, la suposición de que tener sobrepeso es ser rico ya no es válida: la obesidad no puede explicarse exclusivamente como la maldición de la opulencia individual. Hay rasgos sistémicos que marcan la diferencia. Por ejemplo en México, un país en desarrollo con unos ingresos medios de 6.000 dólares anuales, hay más adolescentes gordos que nunca, aunque el número de mexicanos pobres aumenta. La riqueza individual no explica por qué los hijos de algunas familias son más obesos que otros: el factor crucial no son los ingresos, sino la proximidad con la frontera de Estados Unidos. Cuanto más cerca viva una familia mexicana de sus vecinos del norte y de sus hábitos de comida procesada rica en grasas y en azúcar, más sobrepeso sufrirán los niños de esa familia. Que la geografía tenga tanta importancia desmiente la idea de que la elección personal es la clave para prevenir la obesidad o, del mismo modo, prevenir el hambre. Y sirve para retomar el lamento de Porfirio Díaz, el dictador de México a finales del siglo XIX: “¡Pobre México! Tan lejos de Dios y tan cerca de Estados Unidos”.

Uno de los efectos perversos del modo en que nos llega la comida a la mesa consiste en que ahora existe la posibilidad de que padezcan obesidad personas que carecen de los medios necesarios para comprarse alimentos. Los niños que se crían mal nutridos en las favelas de São Paulo, por ejemplo, sufren mayor riesgo de obesidad cuando llegan a adultos. Sus cuerpos, afectados por la pobreza de la niñez, metabolizan y almacenan mal los alimentos, por lo que presentan mayor riesgo de retener como grasa la comida de mala calidad a la que tienen acceso. A lo largo y ancho del planeta, los pobres no pueden permitirse comer bien, y esto es cierto incluso en el país más rico del mundo: en Estados Unidos son los niños quienes sufren las consecuencias. Un equipo de investigación indicó recientemente que, si persisten los actuales modelos de consumo, los niños norteamericanos de hoy vivirán cinco años menos, debido a las enfermedades relacionadas con la dieta a las que estarán expuestas en el transcurso de sus vidas.

En cuanto consumidores, se nos incita a pensar que un sistema económico basado en la elección individual nos salvará de los males comunes del hambre y la obesidad. Sin embargo, es precisamente la “libertad de elección” la que ha incubado estos males. Aquellos que pueden dirigirse al súper se quedan pasmados ante la posibilidad de escoger entre cincuenta marcas de cereales azucarados, media docena de tipos de leche que sabe a tiza, estantes de panes tan saturados de productos químicos que nunca se pudrirán y estantes repletos de productos cuyo ingrediente principal es el azúcar. Por ejemplo, los niños británicos tienen la posibilidad de escoger entre veintiocho marcas de cereales para el desayuno cuyo marketing está dirigido directamente a ellos. El contenido de azúcar de veintisiete de éstos excede las recomendaciones del gobierno. Nueve cereales para niños tienen un contenido de azúcar del 40 por ciento. Así pues, no es para nada sorprendente que en Reino Unido el 8,5 por ciento de los niños de seis años y más de uno de cada diez chicos de quince años sean obesos. Y los niveles están aumentando. El ejemplo de los cereales para el desayuno es un signo de un rasgo sistémico más amplio: las corporaciones que producen alimentos tienen todos los incentivos para vender comida sometida a un procesamiento que la hace más rentable, aunque menos nutritiva. Por cierto, esto también explica por qué hay a la venta muchas más variedades de cereales para el desayuno que de manzanas.

Nuestras opciones tienen límites naturales. Por ejemplo, la gente está dispuesta a comer un número limitado de frutas, hortalizas y animales disponibles en la naturaleza. Pero incluso en este caso, un poco de publicidad nos puede persuadir a expandir el alcance de nuestras opciones. Pensemos en el kiwi, que hace mucho era conocido como la grosella china: para adecuarse a los prejuicios de la guerra fría la empresa de Nueva Zelanda que lo lanzó al mercado a finales de los años cincuenta le cambió el nombre. Era un sabor con el que nadie se había criado, aunque ahora parece que siempre haya existido. Y mientras agregan lentamente nuevos alimentos naturales a nuestros menús, la industria alimentaria suma todos los años decenas de miles de nuevos productos a los expositores, algunos de los cuales se convierten en elementos indispensables hasta tal punto que, después de una generación, no se puede pensar en vivir sin ellos. Esto es un signo de cuán limitada puede ser nuestra imaginación gastronómica, y también de que no estamos totalmente seguros de cómo, de dónde o por qué ciertos alimentos llegan a nuestra mesa.

©Raj Patel y Libros del Lince
Publicado por Cristina Civale

20/08/2008 - 19:49h Sangue de laboratório

A imagem “http://www.hemoclinicadf.com.br/uploads/media/foto%20sangue.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Americanos produzem hemácias a partir de células-tronco embrionárias humanas

O Globo

Pela primeira vez, células vermelhas do sangue foram produzidas em laboratório. Cientistas americanos conseguiram desenvolver hemácias de proveta a partir de células-tronco embrionárias humanas. A experiência abre caminho para produzir sangue com facilidade e eliminar a necessidade de doações.
Publicado na revista científica “Blood”, o estudo é o primeiro em que hemácias funcionais são obtidas: as células de laboratório são plenamente capazes de transportar oxigênio.
O trabalho foi realizado por um grupo integrado por cientistas da empresa americana de biotecnologia Advanced Cell Technology (ACT) em parceria com a Clínica Mayo e a Universidade de Illinois.

— Você não teria mais que se preocupar com a falta de sangue para transfusões porque poderia criar quantas precisasse — disse o líder do trabalho, Robert Lanza, diretor científico da ACT.
Lanza tem trabalhos pioneiros em clonagem e células-tronco. Em 2001, o grupo dele produziu os primeiros embriões humanos clonados para a extração de célulastronco embrionárias.
A experiência abre caminho para a produção em massa de hemácias do tipo sangüíneo O negativo, doador universal porque pode ser usado em transfusões para pacientes com qualquer tipo.
Normalmente, esse tipo sangüíneo está em falta — estimase que apenas 8% dos brancos e só 0,3% dos asiáticos o tenham. No entanto, bastariam poucas linhagens de células-tronco embrionárias para desenvolver uma quantidade praticamente ilimitada de hemácias O negativo.
Na experiência, os pesquisadores chegaram a criar 100 bilhões de hemácias.
Outra vantagem é que o sangue de laboratório poderia ajudar a deter a propagação de epidemias. É muito mais fácil garantir que o sangue artificial, obtido de forma controlada, está livre de parasitas, vírus e bactérias.
O grande salto da experiência foi identificar que substâncias fazem as células-tronco embrionárias originarem hemácias. Células-tronco extraídas de embriões de poucos dias podem dar origem a qualquer tipo de tecido humano.
No entanto, o grande mistério é saber como obrigá-las a fazer o tipo de célula almejado.
No estudo da “Blood”, Lanza e seus colegas dizem ter cultivado as células-tronco extraídas de embriões com menos de dez dias num meio de nutriente e fatores de crescimento.
Esses últimos são compostos produzidos pelo próprio organismo humano para estimular as células-tronco a se diferenciar.
Numa primeira fase, os cientistas obtiveram hemangioblastos. Estes são células precursoras das células vermelhas. Os hemangioblastos então foram amadurecidos em laboratório. Um passo crítico foi conseguir que as precursoras das células vermelhas expelissem seu núcleo, pois as hemácias não têm núcleo.

— Muitos especialistas diziam ser impossível.
Por isso, ficamos muito surpresos quando conseguimos — afirmou Lanza à revista britânica científica “New Scientist”.
Testes mostraram que as hemácias artificiais podem transportar oxigênio com eficiência. Porém, mais experiências serão necessárias.

09/08/2008 - 08:09h Anvisa dá alerta sobre bactéria hospitalar

Para a agência, país vive epidemia de infecção por micobactéria; médicos sugerem adiar intervenção que não seja urgente

Desde 2003, foram registrados 2.102 casos em 14 Estados; doença afeta cicatrização de feridas e causa perda de tecidos

uti.jpg

CLÁUDIA COLLUCCI – Folha de São Paulo

DA REPORTAGEM LOCAL

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse ontem que o país vive uma “emergência epidemiológica” causada por uma bactéria presente em equipamentos de cirurgia -chamada micobactéria. Há ao menos duas hipóteses para explicar os surtos dessas infecções: sujeira dos aparelhos e resistência da bactéria aos produtos de esterilização.

Nos últimos cinco anos, a micobactéria, uma “prima” da tuberculose, fez 2.102 vítimas em 14 Estados brasileiros, a maioria em hospitais privados. Em São Paulo, foram notificados 43 casos -os últimos em 2004. Neste ano, houve 76 novas ocorrências no Distrito Federal, em Goiás e no Rio Grande do Sul. Duas mortes estão sob investigação no Paraná.

Em razão dessas infecções, que causam perdas de tecidos, nódulos e feridas que não cicatrizam, o governo do Espírito Santo decidiu na última terça suspender as lipoaspirações.

Os infectologistas classificam a situação como “grave” e orientam que as pessoas adiem cirurgias eletivas (que podem esperar), como lipoaspiração e implantes de silicone, até que a situação esteja sob controle.

“A nota da Anvisa é positiva porque alerta as pessoas que vão fazer uma cirurgia que não tenha emergência e que possa ser postergada para que aguardem um tempo até a normalização da situação”, diz a infectologista do hospital Sírio Libanês Beatriz Souza Dias.

O infectologista David Uip também avalia que as pessoas devam adiar cirurgias que não tenham urgência. Ele reforça que os órgãos de vigilância precisam explicar as razões que levaram o país a registrar esse alto número de infecções que, na sua avaliação, seriam evitáveis se houvesse um mecanismo de controle eficaz. “Esse é um processo complicado, que envolve perdas e é prolongado.”

Segundo a Anvisa, as infecções estão “fortemente relacionadas às falhas nos processos de limpeza, desinfecção e esterilização de produtos médicos”.

Na maioria dos serviços de saúde investigados pela agência, os instrumentos cirúrgicos foram submetidos somente ao processo de desinfecção, e não à esterilização, como é preconizado na legislação para a eliminação da bactéria.

Ontem, a Anvisa sugeriu, como medida cautelar, que os hospitais deixem de usar um dos produtos mais empregados na esterilização de equipamentos, o Glutaraldeído a 2%.

Resultados preliminares de um estudo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) mostraram que uma das cepas da bactéria -M. massiliense- envolvida nos surtos apresentou resistência ao produto mesmo após dez horas de exposição. O produto foi eficaz para combater outras duas cepas.

A orientação da Anvisa é que a esterilização seja feita com outros produtos. Para a agência, as infecções pela micobactéria são uma “doença emergente”, que “não tem registro aqui e nem em outros países”.

Outra medida estudada pela Anvisa é limitar o número de videocirurgias (que usam cânulas e câmeras que adentram o corpo do paciente por meio de buracos na pele) feitas por dia em hospitais e clínicas. A medida seria para garantir que haja tempo suficiente para que os equipamentos cirúrgicos sejam adequadamente esterilizados.

EFEITOS

VÍTIMAS TÊM DE FAZER NOVAS CIRURGIAS PARA CORRIGIR CICATRIZES

Muitas vítimas da micobactéria estão tendo de fazer novas cirurgias para retirar tecidos atingidos ou para corrigir cicatrizes, segundo associações de pacientes. Elas também sofrem com os efeitos colaterais do coquetel de antibióticos. Há casos em que a terapia fracassou e outros em que as vítimas correm risco de amputação de membros, especialmente as que tiveram infecções ósseas. Os sintomas da infecção podem surgir até dois anos após a cirurgia. O Ministério da Saúde fornece os remédios usados contra a infecção.

26/06/2008 - 19:52h Que culpa tem o tomate?

Fruta pode ‘sugar’ a salmonela

Mudança de temperatura em lavagem com água fria gera contaminação

tomate-assassino.png

JB Online

Se antes de ser entregue ao supermercado um tomate que passou certo tempo sob o sol escaldante for mergulhado logo em seguida em água fria, ele poderá ser contaminado. A mudança brusca de temperatura pode fazer o tomate literalmente sugar a água através de sua casca. Se, por acaso, esta estiver contaminada com a bactéria salmonela, ela se alojará dentro da fruta e poderá ainda ter tempo para se reproduzir até que a fruta seja consumida. Isto não significa que as pessoas não devam mais lavar os tomates, mas não deveriam fazê-lo usando água gelada.

Enquanto o FDA, agência americana que controla drogas e alimentos, investiga o porque do novo “boom” de casos de contaminação por salmonela presente nos tomates, o exemplo da água gelada mostra que os riscos de contaminação não estão apenas nas fazendas que produzem a fruta.

Vilões

Frutas e vegetais crus são cruciais para uma dieta saudável. Mas também são vistos como réus em uma lista crescente de alimentos que podem ser fontes de contaminação. A nova “epidemia” de salmonela é a 14ª dos EUA, desde 1990.

A prevenção de novos casos depende do conhecimento a respeito de como a salmonela penetra nos tomates, que pareciam ser frutas muito bem protegidas por suas cascas. Há muitos temas em comum a respeito da produção de frutas contaminadas com salmonela – bactérias que vivem nos tratos intestinais de humanos e diversos animais. Fontes de água, trabalhadores sem higiene ou a presença de animais domésticos perto dos campos de produção podem explicar alguns casos de contaminação.

Lavar as frutas em água corrente é um hábito consagrado entre os consumidores.

– Sabemos que, desta forma, podemos eliminar também boa parte da própria salmonela, mas não toda – diz o microbiologista Robert Williams – que acompanhou cientistas da FDA por fazendas da Virgínia, nos EUA.

Suspeita

A água, normalmente, é uma das primeiras suspeitas de contaminação pela bactéria, pois as porções usadas para irrigar a plantação, diluir os pesticidas e lavar os equipamentos que participam da produção e lavar as mãos dos agricultores podem não estar completamente livres de contaminação.

Para se protegerem da salmonela e fazer com que ela seja realmente eliminada – ao invés de sugada pela própria fruta – produtores devem manter a água cerca de 10 graus mais quente que a temperatura ambiente, de acordo com a cientista Keith Schneider, da FDA.

Estudos anteriores nunca haviam mostrado que a salmonela pode ser sugada pelas frutas. A presença da bactéria é difícil de ser evitada em diversas plantações por causa da presença de pássaros, répteis e anfíbios que carregam a salmonela.

O departamento de agricultura da Flórida começará a adotar, a partir de 1º de julho, medidas que visam melhorar os hábitos de produção e transporte de tomates, o que deve padronizar os procedimentos entre os produtores na região. O FDA pretende encaminhar ao Congresso americano sugestões de medidas que tornem as novas recomendações sobre a produção das frutas uma regra a ser seguida a nível nacional.

28/04/2008 - 09:26h Para médico, ricos têm visão equivocada de que não precisam do sistema público

Folha de São Paulo

DA REPORTAGEM LOCAL

L'image “http://www.steril-aire.com.br/images/health.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Para o médico Gilson Carvalho, especialista em saúde pública, falta dinheiro ao SUS (Sistema Único de Saúde) porque as classes mais ricas pensam que não precisam dele.
São tarefas do SUS o controle de doenças e a vigilância sanitária (fiscalização de medicamentos, alimentos, hospitais e restaurantes). Os procedimentos de hemodiálise, os transplantes de órgãos e a distribuição das drogas de Aids também são pagos pelo sistema público.
“O SUS, ainda que não seja, fica quase classificado como um sistema de saúde de pobres. Falta pressão da classe média e da classe rica em defesa do sistema”, diz Carvalho.
Antonio Ivo de Carvalho, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública, concorda: “O Brasil tem êxitos sanitários laureados internacionalmente”.
As falhas, porém, são grandes. O Rio enfrenta hoje a pior epidemia de dengue dos últimos anos. Os salários dos profissionais de saúde são baixos. O governo paga mal pelos serviços. Faltam remédios e leitos nos hospitais. A espera por uma cirurgia pode durar meses.
O médico Gastão Wagner, que foi secretário-executivo do Ministério da Saúde no início do governo Lula, aponta problemas na organização do sistema. Ele diz que a população nem sempre encontra todos os procedimentos médicos porque os hospitais não conversam entre si para dividir o trabalho. Todos, mesmo os vizinhos, acabam oferecendo apenas aqueles procedimentos que são mais bem remunerados pelo SUS. “Trabalham com a lógica do mercado.”
Para Renilson Rehem, secretário de Assistência à Saúde no governo Fernando Henrique, apesar dos problemas, a saúde pública tem melhorado. “Você tem problema de saúde em qualquer lugar.” (RW)

10/04/2008 - 05:39h Governo declara droga antiaids de interesse público para evitar patente

Tenofovir é um dos mais caros do coquetel; há 1 ano, decreto inédito permitiu compra de genérico do Efavirenz

Lígia Formenti e Fabiane Leite – O Estado de São Paulo

aids.jpgO Ministério da Saúde declarou de interesse público o anti-retroviral Tenofovir, um dos mais caros e importantes medicamentos usados pelo Programa Nacional de DST-Aids. Com a medida, o governo quer apressar a análise de processo de patente do remédio, que há anos se arrasta no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

A expectativa é que o registro de patente seja negado por causa da decisão dos Estados Unidos – o que, na prática, abre espaço para o governo atuar em duas frentes: comprar genéricos de outros fabricantes e iniciar a produção nacional do medicamento. Produzido pela empresa Gilead, o Tenofovir hoje é usado por 30 mil pacientes no Brasil. O tratamento de cada um custa US$ 1.387 por ano. O remédio, sozinho, é responsável por 10% dos gastos com remédios do programa de aids.

No ano passado, também no mês de abril, o Brasil declarou de interesse público o Efavirenz, anti-retroviral fabricado pela Merck. Naquele caso, no entanto, a medida representava o passo inicial para a quebra de patente. Agora, o direito de propriedade não foi reconhecido formalmente e o processo é um pouco diferente. ‘Mas, na prática, a intenção é a mesma’, disse o diretor da Farmanguinhos, Eduardo Costa.

Embora a patente não tenha sido concedida, o Brasil age como tal. ‘É praxe. Quando é feito o depósito de patente, o País passa a respeitar essa expectativa de direito. É assim até o processo ser analisado’, afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães.

INOVAÇÃO EM DÚVIDA

Ao longo destes anos, no entanto, alguns problemas foram se acumulando. No meio científico, houve contestações sobre as inovações da molécula usada na fabricação do Tenofovir.

A Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, argumentou que o medicamento não reunia os requisitos necessários para concessão da patente. ‘A molécula já era conhecida, não houve inventividade. Portanto, não há condições necessárias para que a patente seja concedida’, garantiu Eduardo Costa. Além disso, ao longo destes anos a Gilead concedeu a licença voluntária para produção do remédio na África e na Índia. ‘Mas a empresa impôs uma cláusula, que impede esses fabricantes de vender o Tenofovir ao Brasil’, disse Guimarães.

PRECEDENTE NOS EUA

Há cerca de um mês, uma decisão nos Estados Unidos derrubando a patente do medicamento – por ele não apresentar inovações – acabou reforçando os argumentos para apressar, no Brasil, a análise da patente. ‘O INPI afirmou que somente poderia analisar o processo em caráter de urgência se o interesse público fosse decretado. Passada esta etapa, estou convicto de que em breve teremos uma decisão sobre o assunto’, disse Guimarães. O secretário descartou a possibilidade de o INPI reconhecer os direitos da Gilead sobre o Tenofovir. ‘Se o escritório tão rigoroso como o dos Estados Unidos reconheceu a falta de inventividade do produto, não vai ficar bem o INPI decidir o contrário.’

Guimarães disse que, com a recusa da patente para o Tenofovir, o Brasil ficará desobrigado de cumprir até o fim o contrato firmado com a empresa, que prevê entrega do remédio até maio de 2009. De acordo com ele, versões genéricas custam bem menos do que o produzido pela Gilead. O tratamento indiano custa US$ 170 por paciente ao ano.

O laboratório Gillead, que no Brasil tem como representante a United Medical, informou que só deverá se manifestar hoje sobre a decisão. No entanto, destacou em comunicado da matriz norte-americana que a decisão sobre as patentes nos EUA não foi definitiva e que a empresa está recorrendo. O laboratório destacou ainda já ter encaminhado provas de que o Tenofovir representou uma inovação. A Interfarma, entidade que representa a indústria farmacêutica de pesquisa no País, declarou que a medida do governo ‘é um movimento legal’ para acelerar análise de patente pelo INPI. A entidade, apesar de não ter a Gillead entre as associadas no Brasil, já tinha conseguido acesso ao decreto ministerial ontem por ser de interesse de todo o setor. ‘Não tem nada a ver com licença compulsória’, enfatizou Gabriel Tannus, presidente da Interfarma. Ele prevê que, como a patente não foi reconhecida nos EUA, também não deverá ser aqui. ‘Fatalmente o medicamento deixará de ter patente.’

ONGs que lutam pelos direitos das pessoas que vivem com o HIV e o laboratório público Farmanguinhos, ligado à Fundação Oswaldo Cruz, lutam desde 2006 para que o País não conceda patente ao Tenofovir. Até ontem, no entanto, elas não tinham sido informadas sobre a decisão. ‘Se for isto, é algo muito animador’, disse Gabriela Chaves, do Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual da Rede Brasileira pela Integração dos Povos. Chaves diz que a legislação dá prioridade na avaliação, pelo INPI, de pedidos de patentes de produtos que, por ato do Executivo, sejam declarados de interesse público. Anteontem o INPI deu 90 dias à Gillead para apresentar explicação sobre o pedido de patente.

03/04/2008 - 06:05h ‘Cesar é irresponsável em tudo o que faz‘

cesar_maia_caruso.jpg

Assessor de Lula manda prefeito cuidar dos mosquitos

Karla Correia – JB

Brasília

cap_jb.jpgO prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, atiçou a ira do assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia ao afirmar, em seu ex-blog, a existência de fotos do assessor no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o segundo homem na hierarquia das Farc, morto no mês passado em ação do exército colombiano em território da Bolívia. Marco Aurélio reagiu com irritação. Negou ter visitado qualquer acampamento ou escritório das Farc e criticou as declarações do prefeito, chamando-o de “irresponsável”. Citando matéria do Jornal do Brasil sobre a ausência de Cesar Maia em meio à crise gerada pela epidemia de dengue, o assessor falou para o prefeito “voltar a governar o Rio”.

O avanço da dengue na capital carioca foi o ponto escolhido pelo assessor para atacar o prefeito.

– César Maia que cuide dos mosquitos dele e não me obrigue a falar dele como meu aluno na Faculdade de Economia no Chile – disparou Marco Aurélio Garcia, logo depois de participar de almoço oferecido ao presidente da Eslovênia, Danilo Türk. Questionado se o prefeito carioca teria sido irresponsável em sua declaração, Marco Aurélio aproveitou para subir o tom.

‘Olhem a manchete do JB’

– Ele é irresponsável em tudo o que faz. Olhem a manchete do JB hoje: o prefeito sumiu. O que ele tem de fazer é governar o Rio.

Em seu ex-blog, boletim que envia por correio eletrônico, o prefeito Cesar Maia faz referência a suposta declaração feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante sua visita ao Brasil, no mês passado. Na cidade de Recife, Chávez teria chamado atenção para a existência de fotos de Marco Aurélio no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o que, de acordo com o assessor da Presidência, não teria passado de uma “piada” do presidente venezuelano.

– Não estive em nenhum acampamento das Farc e, se estivesse, não haveria nenhum problema em dizer porque estaria em missão oficial. Eu não tenho missões extra-oficiais, nem vida clandestina – retrucou.

O assessor especial da Presidência disse, ontem, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer à abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim, mas que isso não significa a adesão do governo brasileiro a um movimento de boicote por conta do conflito entre China e Tibet, país considerado pelo governo chinês como parte do território da China. A violência crescente nos confrontos entre tibetanos e o exército chinês em Lhasa, capital do Tibet, já levou o Parlamento Europeu a admitir medidas de boicote contra a China.

Marco Aurélio disse desconhecer a posição do presidente Lula sobre o assunto e se esquivou de falar sobre um possível boicote do Brasil às Olimpíadas de Pequim. O assessor responsabilizou o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por qualquer decisão sobre a ida de atletas brasileiros aos Jogos Olímpicos e criticou movimentos de boicote.

– Acho sempre complicada essa mistura de política com esportes – disse Marco Aurélio.

03/04/2008 - 03:37h De Boston a Bahía Blanca, em breve

VALOR

O alerta já foi feito pelo Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID). Na página da entidade na Internet, apresenta-se ao país a doença e ensina-se até a pronunciar seu nome em inglês (”Deng-ee”). Antes restrita ao Havaí, a doença está entrando no Texas por meio da fronteira mexicana. Em 2006, foram 104 casos. No ano passado, 488 ocorrências.

Estatisticamente é uma insignificância, mas confirma o vaticínio de epidemiologistas: o aquecimento global do planeta está fazendo o mosquito da dengue expandir-se para as regiões temperadas das Américas. “O que se comenta é que até 2025 teremos casos de dengue de uma faixa de Boston à Bahía Blanca”, afirma Paulo Lotufo, médico que, como diretor do Hospital Universitário de São Paulo, enfrentou o surto epidêmico na cidade no ano passado.

No sentido meridional, foram apenas 49 casos na Argentina no ano passado, mas a doença cresce de maneira exponencial no Paraguai -sem ocorrências até 1998 e com 108,8 episódios por 100 mil habitantes no ano passado. Em todos os países continentais das Américas, a dengue hoje só está completamente ausente do Uruguai e do Canadá.

É a elevação da temperatura, mais que razões de natureza gerencial, o principal vetor para que o mosquito da dengue se alastre pelo mundo. O que se altera, de governo para governo, não é a curva de incidência – crescente na maioria dos países – mas a maneira como se lida com o problema. Para uma doença exótica, da qual os americanos não sabem nem pronunciar o nome e cujo nível de ocorrência é um traço estatístico, já foram reservados no orçamento do ano passado uma verba de US$ 33 milhões para pesquisas. No Brasil, há uma guerra de transferência de responsabilidades.

Dos cinco maiores registros anuais de dengue no Brasil no período entre 1997 e 2006, três foram em anos eleitorais: 1998, 2002 – ocasião em que o país teve 454,8 casos por 100 mil habitantes, um recorde histórico – e 2006. Do ponto de vista médico, não há razão para crer que a dengue siga um ciclo epidêmico quadrienal e partiu do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a afirmação de que não estamos diante de uma coincidência. “Todos os anos quando há disputa eleitoral nos municípios, a guerra contra a dengue perde. Desmobilizam-se programas, demitem-se servidores e faz-se politicagem com uma coisa tão grave”, afirmou Temporão a jornalistas ontem, em uma declaração perigosa.

Impacto eleitoral da dengue é pequeno

O Brasil já registrara mais de mil casos por dia no verão de 2007, ano em que o ministério destinou R$ 68 milhões do orçamento para o programa “Vigilância e Controle da Malária e da Dengue”, sendo que deste total apenas 39% foram pagos, segundo a ONG Contas Abertas.

A execução do Ministério da Saúde também ficou abaixo da média do governo federal em outros programas que poderiam atuar sobre o problema, como o de atenção à Saúde em situações de urgência e emergência, para o qual foram consignados R$ 314 milhões e pagos R$ 91 milhões, uma execução de 29%. No combate à infecção, Brasília passou o bastão para os Estados e municípios, que receberam R$ 821,5 milhões em transferências para ações de vigilância. Agora os responsabiliza pelo desastroso resultado.

A descentralização faz com que Temporão não pague a conta política da epidemia, como José Serra não a pagou quando concorreu a presidente nas eleições de 2002, com 150 mil casos de dengue apenas no Rio. A fatura é enviada para os prefeitos e governadores. Há seis anos, o Rio não é mais o Estado campeão de dengue no Brasil em termos proporcionais, mas o desgaste da prefeitura da capital é grande porque o município não resolve as distorções de seu sistema de Saúde desde a reunificação do Estado em 1975: a cidade conta com uma grande estrutura hospitalar e uma frágil rede de atenção básica.

O sucateamento desta rede e a disputa política entre o Planalto e o prefeito Cesar Maia provocou uma polêmica intervenção federal nos hospitais cariocas em 2005. O ato foi suspenso, por ser inconstitucional, pelo Supremo Tribunal Federal. Mas a crise na Saúde carioca permaneceu e é um dos fatores que marcam uma administração que há muito tempo já perdeu o brilho. Segundo a pesquisa do Datafolha, o percentual de eleitores que considera a gestão de Cesar Maia ruim ou péssima chegou a 43% na semana passada. Mas já havia pulado de 25% para 31% no ano passado.

Para a sorte do prefeito Cesar Maia, os hospitais superlotados, as camas de campanha do Exército e as mortes que se sucedem afundam sua popularidade muito longe do momento eleitoral. O ciclo da doença faz com que a maior parte dos casos ocorram de janeiro a abril, instante em que nem o quadro de candidatos está completamente definido. A candidatura que apóia, da deputada Solange Amaral (DEM), distante dos favoritos nas pesquisas de intenção de voto, já carecia de competitividade antes da eclosão da dengue deste ano. A crise do momento só cristaliza sua inviabilidade.

“A Saúde é motivo crônico de desgaste para a Prefeitura do Rio, mas a epidemia de dengue jamais teve qualquer impacto eleitoral e novamente não deverá ter este ano”, aposta o cientista político Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Figueiredo lembra que nos últimos anos o nível de competição tanto na eleição para o governo estadual quanto no da capital é baixo: para o Palácio das Laranjeiras, Leonel Brizola (1990), Marcello Alencar (1994), Anthony Garotinho (1998), Rosinha (2002) e Sérgio Cabral (2006) confirmaram o favoritismo. Na capital, a exceção foi a eleição de 2000, em que Cesar Maia conseguiu uma vitória apertada e até certo ponto surpreendente sobre o então prefeito Luiz Paulo Conde. É um sinal de que as maiorias políticas se sedimentam no eleitorado de modo relativamente autônomo a episódios conjunturais.

César Felício é repórter de Política

26/03/2008 - 22:51h Prefeito Cesar Maia continua negando epidemia de dengue no Rio

cesar_maia_dengue.jpg

O Globo Online e RJ TV

RIO – O prefeito Cesar Maia, que só vinha dando declarações sobre a dengue por email, falou pela primeira vez à imprensa nesta quarta-feira, no Planetário da Gávea, durante a cerimônia de entrega do Velódromo do Rio ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Apesar de especialistas afirmarem que o Rio vive uma epidemia de dengue, o prefeito nega. Até o início desta quarta-feira, o Estado do Rio de Janeiro já registrava 32.615 casos, sendo 23.555 apenas na capital. Pelo menos 49 pessoas morreram no estado e 31 pessoas na cidade, sendo que 25 eram crianças.

cesar_maia2.jpg

- O que nós tivemos na cidade do Rio de Janeiro foi principalmente numa região, Jacarepaguá, no final de janeiro, início de fevereiro, indicadores de epidemia. Não tivemos na cidade no Rio nunca esses indicadores – afirma Cesar.

O prefeito também nega demora nas ações de combate ao Aedes aegypti e falou sobre as medidas tomadas pela secretaria de saúde. ( você é a favor da participação das Forças Armadas no combate à dengue no Rio? ).

- Fizemos reuniões sistemáticas diárias, com a equipe de saúde. Isso comecou quando do decreto que criou um gabinete de crise na prefeitura. Essas reuniões são feitas na secretaria de saúde e no gabinete do prefeito. Quando nós identificamos que havia esse vetor de óbito infantil, tivemos que fazer uma treinamento especial para isso. Hoje eu diria que todos os casos que chegam ainda a nível primário, a prefeitura do Rio, nas suas unidades, tem todas as condições de evitar o óbito – garante o prefeito.

Cesar justificou sua ausência da grande mídia quando o surto de dengue na cidade passou a ocupar todos os noticiários.

- Há cinco anos a minha agenda pública é fechada por mim. É uma decisão de caráter político. Eu sou um político muito conhecido e a visibilidade que se consegue com o contato físico coberto pelos meios de comunicação eu não preciso – explica.

Sobre a demora na inauguração do hospital de Acari, o prefeito prometeu solução:

- Nos próximos dias o hospital será aberto. E três, quatro dias depois terá leitos direcionados para o atendimentdo à dengue.

Cesar falou ainda como faz para se proteger do mosquito.

- Eu uso sempre manga comprida, calça comprida. Dentro e fora de casa. Esse é o meu repelente.

O Ministério da Saúde anunciou novas medidas para o combate à dengue na última segunda-feira, entre elas, a contratação temporária de 661 profissionais da área de Sáude. Na terça, o Ministério da Saúde contratou os primeiros 100 profissionais, que já estão distribuídos pelos hospitais do Andaraí, Bonsucesso, Ipanema, Lagoa e Cardoso Fontes, em Jacarepaguá. Nesta quarta, as equipes de emergência recrutadas para atuar nos leitos destinados à dengue nos hospitais federais do Rio de Janeiro serão reforçadas com mais 70 profissionais.

Nesta terça-feira, o secretário municipal de Saúde, Jacob Klingerman, disse que a dengue no Rio vai continuar nos próximos anos por causa das condições climáticas da cidade. Além do Rio, pelo menos outros dois municípios enfrentam surto de dengue ( dengue ameaça turismo no Rio ).

25/03/2008 - 05:36h Prefeitura de Rio picada pela insensatez

cesar-maia1.jpgaedes_aegypti.jpg

Sem consenso para atacar o ‘Aedes’

Gabinete de crise anuncia medidas emergenciais. Município ainda se nega a admitir epidemia

Duilo Victor – Jornal do Brasil

O gabinete de crise formado pelo Ministério da Saúde para debelar a epidemia de dengue no Estado anunciou ontem o primeiro pacote de emergência, mas depois de que 32.615 foram vitimadas oficialmente pelo Aedes aegypti. De acordo com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, as 31 mortes pela doença confirmadas na capital representam um índice de óbitos mais de cinco vezes acima do tolerado pela Organização Mundial de Saúde. Temporão põe a culpa no sistema de atendimento básico da cidade – de responsabilidade do governo municipal. Pela primeira vez, representantes do ministério, o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, e o municipal, Jacob Kligerman, sentaram à mesma mesa para debater a epidemia. As divergências entre as esferas de poder, no entanto, continuam explícitas.

– A fragilidade de nossa rede básica, cumpre, com certeza, seu papel no aumento da letalidade da dengue – sentenciou Temporão.

Enquanto o ministro e Sérgio Côrtes, secretário estadual de Saúde, insistiam em falar de epidemia, Jacob Klingerman, secretário municipal, reclamava da chuva, que segundo ele causou a explosão dos casos. Porém, continuava relutante quanto a classificar a situação como epidêmica.

Temporão continuou atacando a prefeitura, o que fez durante todo o dia.

– O número de óbitos no Rio é completamente fora do razoável. A única capital onde o número de casos aumentou foi aqui.

Com o governo do Estado, o ministério planeja aumentar até o fim da semana a rede de atendimento à doença para suportar a carga de 2 mil novos casos por dia. O carro-chefe do pacote será os centros de hidratação – três já foram inaugurados – que não servirão como postos de saúde, mas centros de referência para os hospitais. A ordem é que pacientes com dengue sejam levados para os centro, que terão 660 poltronas de atendimento. As autoridades esperam diminuir a espera na fila, que passa de seis horas em alguns hospitais.

– Apesar da demora, pedimos ao pacientes que não voltem para casa sem atendimento – alertou Côrtes, que vai contratar médicos em regime temporário – Faço um apelo para que pediatras e clínicos-gerais atendam à nossa convocação para a contratação temporária.

Pior momento

O ministro da Saúde informou que o Estado vive o auge da epidemia e que a tendência é de diminuição de casos nas próximas semanas. Outra providência será a distribuição de cartões para todos os pacientes com dengue, para que o serviço de saúde tenha o histórico do paciente. Como a maioria percorre mais de uma unidade de saúde, há mais chance de erros no tratamento.

20/03/2008 - 08:07h Dengue em Rio: Prefeito lava as mãos e culpa hospitais do estado

aedes_aegypti.jpgcesar-maia.jpg

Célia Costa e Luiz Ernesto Magalhães – O Globo

O prefeito Cesar Maia (DEM) responsabilizou ontem os hospitais da rede estadual pelo alto índice de mortes provocadas por dengue (29 na capital). Ele afirmou que a maior parte dos óbitos (12, segundo ele) ocorreu em hospitais da rede do estado. No ranking de Cesar, aparecem a seguir a rede privada (6); unidades da prefeitura (6) e federais (4). Um dia depois de o epidemiologista Roberto Medronho, do Núcleo de Saúde Coletiva da UFRJ, analisar a incidência da dengue no Rio nos últimos dez anos e afirmar que a cidade enfrenta uma epidemia desde janeiro, o prefeito voltou a negar a gravidade da situação e alegou que o número de caso está numa curva declinante: — Quando fazemos as correções por amostras e pelos exames laboratoriais, confirmamos que o pico se deu entre fins de janeiro e início de fevereiro.

Nesse momento estamos com curva declinante, que só podemos confirmar em mais uns dias. Mas podemos confirmar desde já que os novos casos de letalidade estão caindo com as medidas adotadas e esta é nossa prioridade máxima.

A Secretaria municipal de Saúde também se recusa a admitir que haja epidemia. Nenhum técnico da secretaria quis comentar a avaliação feita pelo epidemiologista. A Secretaria estadual de Saúde preferiu não comentar as afirmações do prefeito. Para o vereador Carlos Eduardo (PSB), presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, Cesar tenta desviar o foco: — A responsabilidade é da prefeitura, que, se não tivesse falhado na prevenção, não estaria assistindo a tantas mortes. Além disso, a maioria dos casos e das mortes ocorre na Zona Oeste. Com exceção do Hospital Lourenço Jorge (Barra), o atendimento de emergência é feito em unidades do estado.

Infectologista aponta falhas na prevenção O presidente da Sociedade de Infectologia do estado, Jacob Kierszenbaum, disse não ter entendido a classificação por responsabilidades feita pelo prefeito: — O problema é que este é um ano eleitoral, o que interfere na discussão do problema.

Para o infectologista Edmilson Migowsky, da UFRJ, a lotação dos hospitais prova que houve falha na prevenção: — O controle de vetores é uma responsabilidade dos municípios.

Como ele falhou, as emergências lotaram — disse.

O parâmetro usado por Medronho para definir uma epidemia, que é a média histórica de casos nos últimos dez anos, excluindo os anos epidêmicos, é considerado correto por outros especialistas. O infectologista Gustavo Johanson, da Universidade Federal de São Paulo, disse que o cálculo está correto, mas a classificação de epidemia é um critério: — O termo não diz respeito a um número absoluto. É o que ultrapassa o esperado. Eles (a Secretaria de Saúde do Rio) estão sendo tecnocratas e devem considerar que a palavra epidemia dá impressão de que a situação esteja fora de controle.

Para a presidente do Cremerj, Márcia Rosa Araújo, já há uma epidemia: — As portas dos hospitais traduzem isso.

Ontem à tarde, o sindicato dos trabalhadores em saúde do estado (Sindsprev-RJ) acusou a prefeitura de estar planejando centenas de demissões de agentes comunitários de saúde que atuam em comunidades da Zona Oeste, área mais afetada pela doença.

13/03/2008 - 19:06h Alerta HIV

A revista The Economist desta semana chama a atenção para a evolução da epidemia de HIV no Brasil. Mesmo constatando que no combate a este flagelo o país se sai relativamente bem e que as percentagens de doentes é baixo em relação ao número de habitantes (0,6%) a reportagem constata que novas dificuldades surgem com a expansão em todo o território da doença e a fraqueza do controle da administração aos pacientes das regiões mais recuadas, da terapia anti-HIV. A revista destaca que Brasil tem o mais êxitoso programa de combate a AIDS, com a distribuição gratuita dos medicamentos, mas constatá que isto pode ser insuficiente perante os novos problemas.

AIDS in Brazil
A portrait in red

Mar 13th 2008 | SÃO PAULO From The Economist print edition


One of the world’s most successful AIDS programmes faces new problems

L'image “http://media.economist.com/images/20080315/CAM920.gif” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.BRAZIL’S government is accustomed to being lampooned for being wasteful, ineffectual and corrupt. Occasionally, though, it does something really well. Keeping HIV/AIDS under control in a country where sex rivals football as the national sport is an impressive achievement, and over the past 20 years the government has done just that. Now, however, the disease has spread across Brazil (see maps). Although the total number of cases remains low at 620,000, representing 0.6% of those aged 15-49, the change in the profile of sufferers is taking the fight to places where it will be much harder to win.

“The epidemic has now taken the contours of the general population,” says Mariângela Simão, who runs the federal government’s AIDS programme in Brasília, the capital. “It has become a portrait of Brazil.”

Brazil’s epidemic began life among gay men in the south-east of the country, probably after travelling south from the United States rather than west from Africa. Had the virus not affected some white men living in the country’s most prosperous region, the response might have been less energetic, some suggest under their breath. Thankfully, it was energetic, and it has taken three forms.

First, there has always been an insistence on the need to wear condoms, particularly at carnival time (when the usual supply of free prophylactics increases by 40%). The World Bank recently helped the government to buy a billion condoms (for 190m inhabitants)—around a tenth of the world’s total supply. It took a year to find factories with sufficient capacity and the right quality controls to fill the order.

(mais…)

07/03/2008 - 09:39h Dengue está mais letal no Estado de Rio que na epidemia de 2002

aedes_peq.jpg

Índice de morte por número de casos no estado de Rio de Janeiro já é 4 vezes maior; somados os não confirmados, é 11 vezes

Célia Costa – O GLOBO

Enquanto autoridades de saúde não definem se o Rio enfrenta uma epidemia de dengue ou apenas surtos isolados, a doença apresenta um dos mais altos índices de letalidade. No estado, em apenas dois meses, ocorreram quatro vezes mais óbitos em relação aos número de casos do que durante todo o ano de 2002, quando foi registrada a maior epidemia da doença, com 288.245 casos e 91 mortes. Em janeiro e fevereiro foram registrados 23 óbitos no estado, e ainda há outros 38 que estão sendo investigados.

Se a comparação for feita com 2002 somando-se todos os casos (na hipótese de eles serem confirmados), este ano está registrando 11 vezes mais mortes do que naquele ano.
No município, em dois meses foram registrados 11.689 casos da doença e 15 mortes — índice de letalidade quase três vezes maior do que a epidemia de 2002, quando ocorreram 140.408 casos e 65 mortes.

O epidemiologista Roberto Medronho, do Núcleo de Saúde Coletiva da UFRJ, considera alto o número de casos de mortes e considera esta epidemia ou surto uma das mais graves.

Em relação às 38 mortes que estão sendo investigadas, Medronho acha que quase a totalidade é de casos de dengue.

— Mesmo as mortes que forem descartadas porque a secretaria não conseguiu detectar o vírus podem ter sido causadas por dengue. Há algumas falhas, previsíveis, na realização de exames que podem confundir — explicou.

Uma das causas da alta letalidade pode ser o aumento da circulação do vírus 2, que vem provocando a forma mais grave da doença, a hemorrágica.

O vírus 2 chegou ao Rio em 1991, quando provocou a mais grave epidemia da doença até então, com vários casos de dengue hemorrágica Das 15 mortes ocorridas na capital, dez foram por dengue do tipo hemorrágico e 11 das vítimas eram menores de 2 a 13 anos. Segundo especialistas, as crianças são mais suscetíveis porque não tiveram contato com o vírus.

Outra peculiaridade deste ano é o grande número de internações.

Segundo a Secretaria municipal de Saúde, antes eram poucos os que ficavam internados, mas houve um aumento em 2007, principalmente entre as crianças.

O agravamento do quadro de dengue no Rio fez com que o prefeito Cesar Maia criasse ontem uma força-tarefa para combater a doença. Conforme o decreto publicado ontem no Diário Oficial do município, foi formado um grupo de trabalho permanente responsável pela prevenção e controle da dengue na cidade, envolvendo todos os órgãos da prefeitura.

Conforme o decreto, a medida foi tomada justamente devido à reintrodução do vírus do tipo 2 e pela incidência em crianças.

O decreto determina que todos os órgãos apresentem, em até 72 horas, os nomes dos representantes.

Ontem os responsáveis pelo grupo passaram a tarde reunidos e somente hoje falarão sobre as estratégias da nova etapa de trabalho. No último sábado, 500 bombeiros também entraram na batalha contra o Aedes.

09/02/2008 - 13:46h CONCEIÇÃO LEMES: “UM VERDADEIRO CRIME CONTRA A SAÚDE PÚBLICA”

do Blog de Azenha, Vi o mundo

O texto abaixo nasceu de uma troca de mensagens que tive com a jornalista Conceição Lemes. Tanto quanto eu, ela ficou alarmada com o tratamento irresponsável que a mídia brasileira deu à epidemia de febre amarela, tão real quanto as armas de destruição em massa que até hoje são procuradas no Iraque. Dessa troca de mensagens nasceu a idéia de produzir um texto com o objetivo de fazer o que muitos não fizeram: bem informar o público. Por isso, convoco todos os leitores a disseminá-lo. E todos os blogueiros a reproduzí-lo. Quem quiser, imprima o texto.

Vou contar um causo verdadeiro para explicar que, mesmo que você não acredite, essa internet funciona. Fiz uma entrevista para o site com o dr. Granato, da UNIFESP. Na entrevista, pedi ao médico um conselho: minha mãe, de 83 anos de idade, moradora de Bauru, deveria ou não se vacinar? Minha mãe não lê o meu site. Porém, uma rádio de Bauru capturou o áudio da entrevista e colocou no ar. E minha mãe, ao ouvir a entrevista que fiz com o dr. Granato, finalmente se tranqüilizou e NÃO tomou a vacina, o que ela havia considerado fazer. Portanto, peço a vocês que tratem o artigo abaixo como uma peça de contra-desinformação.

mosquito.jpg

(mais…)

23/01/2008 - 12:15h País vive ‘revolta da vacina’ às avessas


Fila para vacinação contra a febre amarela no Centro de Atendimento Integrado de Saúde (Cais) do setor Garavelo, em Goiânia (GO), nesta quarta-feira (15).


Há cem anos, pessoas fugiam da vacinação no Rio; agora, febre amarela leva até quem já foi vacinado a postos
Lígia Formenti – O Estado de São Paulo

A recente corrida da população pela vacina contra febre amarela já é comparada por alguns sanitaristas com um movimento que ocorreu em 1904 no Rio, conhecido como ‘revolta da vacina’. Porém, ao contrário. No século passado, a movimentação era para evitar a vacinação. Embora o governo garantisse, na época, que a imunização era segura, ninguém a aceitava. Agora, ocorre o inverso. Embora desde o início das mortes de macacos o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assegure que não há risco de surto, pessoas de todos os locais do País – mesmo em áreas consideradas livres do problema – insistem em ser imunizadas. E, em casos extremos, mais de uma vez.
(mais…)

22/01/2008 - 16:59h Ombudsman da Folha: Alarmismo do jornalismo sobre a febre amarela


L'image “http://www1.folha.uol.com.br/folha/ombudsman/images/ombudsman-290x40.gif” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
O ombudsman Mário Magalhães

MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br

Quem sabe sabe

O artigo de Adib Jatene na seção Tendências/Debates reforça a impressão de que houve exagero e alarmismo no jornalismo brasileiro na cobertura sobre febre amarela.

20/01/2008 - 10:53h Jornais febris: surto de pânico na mídia cria “epidemia” inexistente

Valter Campanato/Agência Brasil

Pânico gerado pela mídia leva população a filas para vacinação. Foto cidade de Rio de Janeiro

“Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem… Vacine-se logo! ”

Eliane Cantanhêde, na sua coluna da Folha de São Paulo do 8 de janeiro 2008

6) As pessoas devem ou não se vacinar contra a febre amarela, que já fez pelo menos 11 vítimas, com sete mortes, em menos de um mês?
7) Ou é melhor se trancarem em casa nas férias de janeiro e fevereiro, no Carnaval e na Semana Santa, para fugir do risco? E por que a turma do Planalto se vacinou?


Eliane Cantanhêde, na sua coluna da Folha de São Paulo hoje

“Não se pode fazer vacinação preventiva de população de uma área só porque apareceram casos em pessoas que invadiram área de floresta ou passaram dias em ecoturismo. Isso não coloca em perigo a população das áreas que não estão com esse mesmo tipo de comportamento e, na minha maneira de ver, foi um erro estratégico do Ministério da Saúde”, afirmou
Luiz Hildebrando Pereira da Silva, diretor do Instituto de Pesquisas em Patologias Tropicais de Rondônia. “Não haveria a necessidade disso”.

Em férias na França, onde trabalhou por mais de 30 anos no Instituto Pasteur, Silva tem conversado com representantes do ministério. “Eu me informei e técnicos dão explicações de que às vezes são obrigados a atender a certas necessidades extremamente improváveis por questões de ordem psicológica, para mostrar que o ministério é capaz, para garantir tranqüilidade às pessoas.”

Até ontem, 31 pessoas já tinham apresentado reações adversas à vacina, principalmente em razão do recebimento de mais de uma dose em curto espaço de tempo, admitiu o ministério. “É exatamente esta uma das razões de não se poder usar a vacina sistemática”, afirma o especialista. Foi identificada até mesmo uma pessoa que recebe a vacina há quatro anos sistematicamente.

20/01/2008 - 10:29h Tendência é que casos de febre amarela se reduzam



ENTREVISTA – JOSÉ GOMES TEMPORÃO

Para ministro da Saúde, aumento da vacinação deve conter evolução da doença

ANGELA PINHO
JOHANNA NUBLAT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

FOLHA DE SÃO PAULO

Confrontado com uma escalada do número de casos de febre amarela no país e, ao mesmo tempo, com a corrida da população pela vacina, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirma que há “um clima de irresponsabilidade no país” e culpa a mídia por parte dele. Para Temporão, 56, setores dos meios de comunicação induziram a população a uma “interpretação equivocada” da doença. “O governo fala uma coisa e parte da imprensa estimula outra”, disse em entrevista à Folha, por telefone, na tarde de sexta-feira.
Apesar de afirmar que essa mesma mídia, para ele, precisa “esquecer a política com “p” pequeno”, o ministro nega sofrer pressão política e diz que o ministério não vai divulgar a lista de municípios em áreas de risco porque essa tarefa é dos governos estaduais e prefeituras.
Temporão voltou a negar a possibilidade de uma epidemia de febre amarela no país, disse que é nula a chance de casos urbanos e, diante da falta de vacina em alguns postos, prometeu que o problema será resolvido nesta semana.


FOLHA – O número de casos de febre amarela confirmados neste ano já é maior do que o do ano passado e o maior desde 2004. Por quê?

JOSÉ GOMES TEMPORÃO - Eu poderia fazer uma análise distinta. O número de casos vem diminuindo de maneira consistente desde 2000 e é bem menor do que em 2003. Isso tem a ver com a dinâmica de circulação do vírus em regiões de mata e com a entrada de pessoas não vacinadas nessas regiões. Todos os anos o Brasil apresenta casos de febre amarela silvestre porque nós temos matas, macacos, mosquitos e o vírus, circulando permanentemente nessas regiões. O que aconteceu, de uma certa forma, é que houve uma interpretação por algum motivo equivocada da população que desnecessariamente começou a procurar vacina mesmo não necessitando. (mais…)