10/11/2009 - 11:19h País cresce a 9% ao ano no 3º trimestre


Consultorias atribuem taxa chinesa à recomposição de estoques e dizem que ritmo de crescimento vai cair


http://www.acemprol.com/download/file.php?id=9524

Márcia de Chiara – O Estado SP

A economia brasileira cresceu no terceiro trimestre deste ano em ritmo chinês, com taxa anualizada do Produto Interno Bruto (PIB) beirando 9%, apontam as projeções de várias consultorias independentes. O número oficial do desempenho do PIB do terceiro trimestre, medido pelo IBGE, será conhecido em 10 de dezembro. Para este trimestre, no entanto, a perspectiva é de arrefecimento do crescimento para uma taxa anualizada em torno de 6%.

“A taxa marginal de crescimento de 2,1% do PIB do terceiro trimestre que, anualizada, corresponde a 8,7%, não deve se repetir no quarto trimestre”, prevê o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. Segundo ele, o PIB do terceiro trimestre foi “inflado” pelo ajuste dos estoques.

Após a brusca freada na produção industrial no fim de 2008, os empresários da indústria não acreditavam numa recuperação tão rápida e cortaram a oferta. Passaram dois trimestres enxugando estoques. Mas, a partir do segundo trimestre, a economia começou a reagir.

No terceiro trimestre, diz Borges, a produção foi fortemente acelerada para recompor os estoques que eram, em alguns setores, insuficientes para atender à demanda. “Houve problemas de abastecimento nos eletrodomésticos da linha branca e nos carros, ambos setores que tiveram corte de impostos para incentivar as vendas”, lembra.

Fábio Silveira, sócio da RC Consultores, também projeta desaceleração de crescimento do PIB de 9% anualizado no terceiro trimestre para algo em torno de 6% neste trimestre. Ele atribui esse movimento à recomposição dos estoques queimados no primeiro semestre. Maurício Molon, economista-chefe do Banco Santander, acrescenta outro fator que está contribuindo para diminuir o ritmo de crescimento do PIB neste trimestre: o aumento das importações, favorecidas pelo dólar baixo. “O setor externo vai roubar o crescimento da economia.”

Além do aumento das importações, Bernardo Wjuniski, economista da Tendências Consultoria Integrada, acrescenta que a exportação ainda levará algum tempo para se recuperar plenamente. Esse é mais um fator que tira o ímpeto do crescimento nos próximos meses, já que a arrancada no terceiro trimestre resultou de um ajuste de estoques para cima, puxado pelo mercado interno.

Para 2010, as projeções das consultorias para o crescimento do PIB vão de 3,7% a 5,6%, sem pressões inflacionárias. “A inflação corrente é baixa e há ociosidade na indústria”, diz Silveira. Wjuniski acredita que o cenário é benigno para a inflação em 2010 e as pressões de preços podem ocorrer em 2011. Nas suas previsões, a produção industrial deve fechar 2009 com queda de 8% e crescer 8,7% em 2010.

04/11/2009 - 13:06h Produção de máquinas cresce 5,8%

http://blog.empregosdeprimeira.com.br/wp-content/uploads/2009/09/empregos0509cursopro1.jpg

Em setembro, setor de bens de capital puxou a melhoria do desempenho geral da indústria, que avançou 0,8%

Jacqueline Farid e Alexandre Rodrigues, RIO – O Estado SP

A produção industrial do País aumentou 0,8% em setembro ante agosto e fechou o terceiro trimestre com alta de 4,1% ante período anterior, no melhor desempenho trimestral apurado desde o fim de 2003. A reação da produção de bens de capital em setembro, um termômetro do desempenho dos investimentos, teve forte impacto nos resultados industriais do mês, como mostra pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a gerente de análise da coordenação de indústria do IBGE, Isabella Nunes, os resultados de setembro confirmam a continuidade da recuperação do setor industrial, com destaque para os bens de capital. Segundo ela, os estímulos governamentais e o aumento da confiança dos empresários garantiram a aceleração no crescimento desse segmento industrial.

A produção de bens de capital aumentou 5,8% em setembro ante agosto, bem acima da média da indústria e a sexta taxa positiva seguida ante mês anterior. Isabella observou que esse ritmo de crescimento foi bem superior em setembro, já que os resultados ante o mês anterior não ultrapassaram 0,7% em agosto e 1,6% em julho.

Os dados trimestrais confirmam a forte reação na produção de bens de capital. No terceiro trimestre, ante trimestre anterior, a produção aumentou 6,1%, o primeiro saldo positivo após três trimestres seguidos de queda. “Os resultados de bens de capital confirmam a recuperação crescente dos investimentos, estimulados pela reação, embora lenta, no uso da capacidade instalada e estímulos de governo, via crédito especial e desoneração de impostos.”

Analistas econômicos concordam que essa reação foi o principal destaque no desempenho da indústria em setembro. “O aumento da produção desses bens indica uma retomada dos investimentos”, avalia o analista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski.

O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, destaca a importância da expansão de bens de capital. “Achei um bom resultado (da indústria), pois foi amparado no setor de bens de capital, que é importante para abrir espaço para o crescimento.”

Mesmo com o impulso dos investimentos, a recuperação na margem da indústria em geral não foi suficiente para evitar a continuidade das quedas na produção ante iguais períodos do ano passado. Em setembro, na comparação com igual mês de 2008, houve queda de 7,8% e no terceiro trimestre, ante o mesmo trimestre do ano passado, o recuo foi de 8,3%. No ano, a indústria acumula queda de 11,6% e em 12 meses, de 10,3%.

NA CONTRAMÃO

Na contramão dos resultados dos bens de capital, a produção de bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos), que vinha aumentando há oito meses consecutivos ante o mês anterior, caiu 1,1% em setembro. Para Isabella, a queda é pontual e reflete um recuo também pontual na produção de automóveis, por causa de paralisações de trabalhadores em empresas do setor.

A produção de bens de consumo semi e não duráveis (alimentos, remédios, vestuário) também registrou recuo, de 0,7%, em setembro ante agosto. De acordo com Isabella, essa queda teve forte impacto da produção de carburantes e da indústria farmacêutica, e também não altera uma tendência de crescimento dessa categoria. COLABOROU FLÁVIO LEONEL

27/10/2009 - 08:53h Financiamento para compra de máquinas cresce 40% em outubro

Indústria retoma projetos de expansão

Alexandre Rodrigues e Marianna Aragão – O Estado SP


A indústria começa a retomar projetos de investimento suspensos durante a crise. O mês de outubro deve registrar liberações entre R$ 2,5 bilhões e R$ 2,6 bilhões na linha específica para aquisição de máquinas e equipamentos (Finame) disponível no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). É quase 40% mais que o emprestado em setembro (R$ 1,85 bilhão) e o dobro dos financiamentos de julho (R$ 1,28 bilhão), consolidando a tendência de retomada de investimentos na indústria.

“Estamos trabalhando com essa projeção para outubro. Acreditamos que é resultado de dois fatores: juros mais baixos do Plano de Sustentação do Investimento (PSI) e o aumento da confiança dos empresário”, afirmou ao Estado o diretor de Administração e Operações Indiretas do banco, Maurício Borges Lemos.

Na semana passada, o balanço trimestral de desempenho do banco já havia registrado R$ 2,4 bilhões em pedidos de liberação da Finame no acumulado de 22 dias úteis anteriores a 15 de outubro, depois de oscilar em torno de R$ 1,5 bilhão entre março e agosto. A média diária de desembolsos atingiu R$ 109,5 milhões este mês, superando em 80% os R$ 60,5 milhões de julho, nível mais baixo desde o início da crise global.

A indústria de base – que inclui principalmente siderurgia, papel e celulose, química e petroquímica e cimento -, primeira a sofrer o baque da crise, começa a tomar a liderança de investimentos. “A recuperação da economia e o fim dos ajustes de estoques aumentaram a utilização da capacidade instalada. Em alguns setores, ela já chegou ao limite”, afirma o economista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski.

Na semana passada, a Siderúrgica Gerdau voltou atrás no adiamento de um investimento de R$ 1,75 bilhão em uma nova usina em Ouro Branco (MG). As expectativas mudaram, justificou o presidente do grupo, André Gerdau Johannpeter.

A companhia quer começar as obras de instalação de um laminador de chapas grossas já no início de 2010. Com o equipamento, entrará na produção de aços planos, matéria-prima que atende às indústrias petrolífera, naval, da construção civil e de equipamentos pesados.

Para o BNDES, a curva ascendente nos financiamentos reflete a atratividade do PSI, programa especial de empréstimos com juros de 4,5% ao ano, que vigora até 31 de dezembro. Mas também indica o retorno de projetos paralisados pela crise. Antes de setembro de 2008, a média diária de desembolsos da Finame vinha crescendo, e chegou a quase R$ 150 milhões.

INDÚSTRIA DE BASE

Segundo o chefe de Pesquisas Econômicas do banco, Fernando Puga, a retomada está sendo comandada pela indústria de base. “São setores exportadores, como siderurgia e celulose, que estavam liderando os investimentos antes da crise. Essas empresas adiaram seus investimentos e decidiram ficar líquidas, ter dinheiro em caixa. Agora, estão retomando os planos”, diz Puga, informando que setores como o de siderurgia já estão nos mesmos níveis de uso da capacidade instalada de entre 2006 e 2007.

“As obras de infraestrutura, com a perspectiva de realização da Copa e da Olimpíada, vão demandar muito aço”, diz o analista de siderurgia e mineração da Link Investimentos, Leonardo Alves. Isso explica a motivação das companhias para reativar investimentos. A CSN vai retomar um projeto em Congonhas (MG), previsto desde 2007. Uma reunião amanhã entre o governador mineiro, Aécio Neves, e o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, deve selar a decisão. O projeto envolve a construção de uma siderúrgica de R$ 6,2 bilhões.

O setor de máquinas e equipamentos ainda está com nível mais baixo de uso da capacidade. O aumento da demanda por crédito no BNDES reflete mais o crescimento dos desembolsos do banco nos setores da indústria de base. Com os empréstimos para a Petrobrás, chama a atenção no balanço total de liberações no acumulado dos últimos 12 meses o crescimento de 371% do setor de química e petroquímica em relação ao mesmo período anterior.

Houve crescimento também nos desembolsos para os setores de material de transporte (93%), celulose (172%), metalurgia e siderurgia (76%) e mecânica (76%).

A Usiminas, que adiou o plano de ter uma nova unidade em Santana do Paraíso (MG), parece menos animada com o reaquecimento. O principal argumento, segundo o presidente da companhia, Marco Antônio Castello Branco, é a expectativa de que a demanda só voltará aos níveis pré-crise em 2011. Para o analista da Spinelli, Jayme Alves, a razão pode ser outra. “Com projetos grandes como o da Vale e Gerdau, pode haver um excesso de capacidade.”

08/10/2009 - 09:54h Petrobrás lança na próxima semana licitação de 28 sondas que beira US$ 20 bi

http://epocanegocios.globo.com/Revista/Epocanegocios2/foto/0,,21283735,00.jpg

Cada unidade pode custar até US$ 1 bi; concorrência será aberta a estrangeiras, mas construção deverá ser feita no Brasil

Vale, que aguarda fim de licitação com estaleiros do Brasil, confirma contratação de estaleiro coreano para frete de navios por US$ 1 bi


PEDRO SOARES DA SUCURSAL DO RIO – FOLHA SP

Para atender a demanda de equipamentos para a exploração do pré-sal, a Petrobras lançará na próxima semana uma licitação para a construção de 28 sondas de perfuração -todas no Brasil. Cada unidade pode custar até US$ 1 bilhão, dependendo das especificações.
A concorrência será aberta a empresas estrangeiras, mas toda a construção terá de ser feita no Brasil, a partir de projetos de engenharia também elaborados no país, segundo Renato Duque, diretor da área de Serviços da Petrobras.
Segundo ele, a licitação foi “desenhada” com sete navios-sonda para permitir a criação de um novo estaleiro no país para receber essa encomenda. Não há, diz Duque, a obrigatoriedade de que um novo empreendimento do setor naval seja feito para montar as embarcações.
A contratação das sondas será dividida em três fases, e a exigência de conteúdo local mínimo (encomendas à indústria brasileira) é crescente.
Na primeira etapa, sete navios-sonda serão contratados e ficarão sob propriedade da Petrobras. Nesse caso, o conteúdo local será de 55% para a obra como um todo e de 20% apenas para os equipamentos de perfuração -hoje, importados integralmente. A expectativa é que as primeiras unidades comecem a ser entregues em três anos e meio.
Na fase seguinte, a Petrobras vai contratar mais duas sondas -que podem ser semissubmersíveis, navios-sonda ou fixas-, que também serão de propriedade da empresa. Para estas, a exigência global ficará em 60%, e a dos equipamentos de perfuração sobe para 40%.
Por fim, serão licitadas as 19 sondas restantes. Não há restrição quanto ao tipo. A diferença é que, nesse caso, todas serão afretadas (alugadas) pela estatal de terceiros, responsáveis pela operações dos equipamentos. Nessa última fase, o conteúdo local exigido será de 65% para o conjunto da obra e de 50% para a perfuração.
A licitação será feita pela modalidade de carta-convite, pela qual a Petrobras chama as empresas a participar da disputa. É a forma usada pela companhia em grandes contratações.
Duque disse que, para essa concorrência, o estaleiro Mauá não será convidado. Tal decisão tem por base a investigação da Polícia Federal em curso no âmbito da operação Águas Profundas, que apurou, em 2007, supostas fraudes em licitações da Petrobras. O caso está na Justiça. A Petrobras vetou o Mauá apesar da pressão do governador do Rio, Sérgio Cabral, que pediu a inclusão do estaleiro na licitação e assegurou a “idoneidade” da empresa, controlada pelo empresário German Efromovich.
Procurado, o estaleiro Mauá informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não se pronunciará sobre o caso enquanto ele estiver na Justiça.

Vale
A Vale anunciou ontem a contratação do estaleiro coreano STX Pan Ocean para o afretamento de navios, dentro do seu programa de criar uma linha exclusiva para o transporte de seus minérios. Na Coreia, a empresa informou que o contrato envolve 11 embarcações e um valor de US$ 1 bilhão, informação não confirmada
A Vale ressaltou que o contrato com a STX Pan Ocean é um afretamento de navios, não compra de embarcações. A empresa disse ainda que está aguardando a finalização do processo de licitação aberto em estaleiros nacionais para a construção de navios no Brasil.
A ressalva da Vale visa evitar nova polêmica com o presidente Lula, que, no mês passado, cobrou publicamente da Vale que compre navios brasileiros e exporte produtos com maior valor agregado.
Em nota, a empresa afirmou que o contrato com os coreanos “está alinhado com a política da Vale de estabelecer um portfólio de fretes que garanta nossa competitividade no mercado transoceânico, em especial a China, no médio e longo prazos, ajudando no desempenho da balança comercial”, diz o texto, lembrando que Vale respondeu por 44,2% do superavit comercial brasileiro no primeiro semestre de 2009.

09/09/2009 - 14:30h Petrobrás vai dosar a atuação nos campos para dar tempo à indústria nacional se adequar à demanda, diz executivo

Fornecedor dita ritmo de exploração do pré-sal

 

 

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/foto/0,,15402944-EX,00.jpg

Irany Tereza, Nicola Pamplona e Kelly Lima – O Estado SP

 

 

Operadora única de todas as áreas da região do pré-sal – caso seja aprovado sem restrições o projeto de lei enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso – a Petrobrás espera dosar a atuação nesses campos para dar tempo à indústria brasileira se adequar à nova demanda. “Não adianta mapear o pré-sal, ter dez oportunidades e querer desenvolver isso tudo ao mesmo tempo. Não. O País já é autossuficiente”, afirmou ontem o diretor de Exploração e Produção da estatal, Guilherme Estrella, em entrevista exclusiva ao Estado.

Em dez anos, prevê o executivo, a Bacia de Santos, que ele define como “a joia da coroa” do novo momento do setor no Brasil, terá suplantado a Bacia de Campos, onde hoje estão concentrados mais de 80% da produção nacional. “Há sete anos, nem se falava na Bacia de Santos”, comenta. Ele deixa claro que a formação de um conteúdo industrial nacional no setor foi um dos motivos que sustentaram a condição de operadora única da Petrobrás e admite que isso será também um peso para a companhia. “Claro que há um ônus. Mas nós, da Petrobrás, consideramos uma missão da companhia”, afirma.

Não ficou claro se é uma vantagem para a Petrobrás ser operadora única.

Antes de ser vantagem ou desvantagem, é uma responsabilidade para a companhia. Efetivamente a Petrobrás tem grande experiência operacional, de exploração, perfuração e produção de óleo em águas profundas e ultraprofundas. Se tivesse de ser escolhida a empresa mais experiente nesse tipo de operação, certamente seria a Petrobrás. Ao mesmo tempo, todos sabemos que a Petrobrás tem um compromisso com o desenvolvimento nacional. Há também um componente de interesse nacional de aproveitar isso do ponto de vista tecnológico. Para nós é uma responsabilidade gigantesca.

Mas a Petrobrás terá também o ônus, por exemplo, de acompanhar propostas em leilões que pode não ser tão atraentes.

Claro que há um ônus. Mas nós, da Petrobrás, não consideramos um ônus. Consideramos uma missão da companhia, como empresa controlada pelo governo, na participação do aproveitamento dessa grande riqueza. Além disso, a escala em qualquer indústria é muito importante. Se uma empresa tiver que colocar duas, três plataformas, é uma coisa. Se tiver de pôr 20, é outra. A escala para uma indústria petrolífera é muito importante até pelos custos gigantescos envolvidos. Sermos operadores de toda a área nos dá uma grande tranquilidade de aproveitarmos essa escala e, através disso, sermos um fator e uma ferramenta de desenvolvimento da indústria brasileira. São dezenas, às vezes centenas, de equipamentos que são hoje importados. Com essa dimensão e escala, pode-se tomar decisões de construir estratégias voltadas ao desenvolvimento da indústria nacional.

Quer dizer, manter a exploração em um ritmo que a indústria nacional possa acompanhar?

Isso é fundamental e está na lei. Não adianta mapear o pré-sal, ter dez oportunidades e querer desenvolver isso tudo ao mesmo tempo. Não, o País já é autossuficiente. Então, o CNPE e o governo podem fazer um planejamento de longo prazo para gerenciar efetivamente a matriz energética nacional. Essa proposta dá ao governo brasileiro, e não só a esse, a todos os governos, a possibilidade de fazer o planejamento estratégico energético nacional e trazer, através da companhia, empresas para fabricação no Brasil. Nós perdemos 30 anos de desenvolvimento e temos novamente uma oportunidade.

Então, as áreas vão ser colocadas por parte, uma, duas do pré-sal nos leilões?

O governo tem oportunidade de programar. É natural que, como tem sua empresa como operadora de petróleo, concilie as necessidades nacionais e este planejamento estratégico com a capacidade da Petrobrás de atacar os projetos paulatinamente. O que vai dar ao governo condições de fazer uma coisa casada. A partir do momento que somos autossuficientes em petróleo, isso dá ao governo condições de planejar no médio e longo prazo.

Os críticos afirmam que a indústria fornecedora não viria para o País por causa da dependência de um único comprador.

O meu dia a dia aqui desmente isso. Tenho recebido indústrias estrangeiras dizendo: “Estrella, nós queremos participar do pré-sal. Vamos instalar nossas fábricas no Brasil”. Empresas de todos os segmentos: sondas, equipamentos sofisticados. Todo mundo quer fabricar no Brasil. Outra coisa: temos hoje toda a Costa Oeste africana com grandes investimentos em petróleo. Estamos aqui quase à vista, se botar um binóculo dá para ver a África (risos). Esses caras vão vir para cá também de olho no Oeste Africano. Temos mão de obra mais barata que a europeia e norte-americana. Isso é uma grande oportunidade. Agora, interesses que eventualmente venham a ser contrariados por causa da operação da Petrobrás… O petróleo no Brasil não é só a operação no pré-sal. Na minha visão como geólogo, a grande joia da coroa que veio à tona não foi o pré-sal, mas a Bacia de Santos. Há sete, oito anos, não se falava na Bacia de Santos. Hoje tem pré-sal, pós-sal, Mexilhão, Tambaú, é uma bacia gigantesca. Temos toda a costa leste, a costa equatorial. O pré-sal não é o petróleo brasileiro. O Brasil é muito mais do que isso. É uma grande oportunidade e as empresas estrangeiras continuarão a vir, não tenho dúvida nenhuma.

O governo espera ficar com entre 40% e 80% do petróleo dos novos contratos. Para a Petrobrás é factível?

Como operadora, todos os dispêndios da Petrobrás serão ressarcidos. A empresa não terá prejuízo. Mas os acionistas querem também o lucro. Com certeza, a empresa que fizer a oferta (nos leilões) levará isso em consideração. Existe um equilíbrio. Vamos atuar dentro dessa premissa fundamental. As empresas querem ser operadoras porque isso dá experiência. Isso é um benefício muito grande. Mas hoje, no sistema de concessão, em que somos operadores na maioria dos nossos blocos, a sinergia, a troca de experiência entre as empresas é absolutamente completa, independente de ser operadora ou não.

Empresas grandes topariam entrar nessa disputa sem serem operadoras?

O que está em jogo são reservas mundiais. Em 2030 mais da metade do óleo a ser consumido não foi descoberto ainda. As grandes petrolíferas mundiais, inclusive a Petrobrás, lidam com esse desafio de manter suas reservas. Quanto maior a produção, maior o desafio: se a empresa produz 2 milhões de barris por dia, no fim do ano precisa de mais de 700 milhões de barris para repor a produção. O simples fato da grande empresa ter acesso a uma reserva já é uma garantia. É um bem, um patrimônio estratégico importantíssimo. Francamente, não acredito que vejam a legislação como uma redução das oportunidades no Brasil. Essa oportunidade é única. Um país grande, num mercado excepcional, economicamente estável, numa democracia… E no Atlântico, onde se tem os grandes consumidores da Europa e dos EUA com acesso por navio.

O tom do governo para justificar o novo marco é proteger o País de uma eventual ameaça estrangeira.

Nenhuma informação que chegou até a mim foi levada em consideração, mas eu me reservo o direito como brasileiro de especular sobre isso. O petróleo é uma riqueza não como qualquer outra. Ninguém invade um país por causa de laranja ou tâmara. Eu trabalhei em Bagdá por alguns anos e ninguém chegou com um tanque americano para tomar uma tamareira. Isso é uma coisa. A outra é o gráfico da Agência Internacional de Energia, que mostra que mais da metade do petróleo a ser consumido ainda não foi descoberto. Então, o Ocidente, que é o grande consumidor de petróleo tem uma fome estratégica de reservas enorme. Combustíveis alternativos vão ocupar 20% ou 25% do consumo. Até que uma virada tecnológica ofereça à sociedade uma fonte energética que esteja à mão e facilmente reproduzível. Então, reserva (de petróleo) continua a ser a sustentação econômica e de segurança de todo o lado ocidental.

A sua opinião é que isso tem que ser visto como estratégico?

Como brasileiro, como cidadão, acho que isso tem que ficar sempre evidente. Tem que fazer parte da reflexão da sociedade brasileira. Da exploração e a propriedade desta riqueza dependerá o futuro dos nossos filhos e netos. Certamente as nações hegemônicas devem estar pensando: “Tem um cara grande aí no sul que tem água, tem sol, mal ou bem tem uma democracia, tem uma economia crescente, agora descobre a expectativa de uma baita reserva de petróleo. Este cara vai nos incomodar”. É evidente que eles estão pensando isso. Agora, como é que vamos lidar com isso? O cara lá pensa daqui 50, 100 anos. Com um país que tem a potencialidade que tem o Brasil, fontes energéticas… Então, recria a quarta frota… primeira coisa. O que é isso camarada? O Brasil está sendo mapeado. Ninguém vai querer largar esta boca de ser o país com nível avançado. É briga de cachorro grande, mesmo.

No anúncio de Tupi, foi dito que com o pré-sal o Brasil poderia chegar a mais de 100 bilhões de barris. A expectativa se mantém?

A Bacia de Santos é muito prolífica e não tem óleo e gás só no pré-sal. A Bacia Equatorial é uma área enorme, com um potencial enorme. Enfim, não é difícil. Francamente não é difícil. Contando toda área sedimentar brasileira. Se você me perguntar em volumes recuperáveis, acho que é possível sim passar de 14 bilhões de barris hoje de reservas para chegar a isso. Acho que teremos surpresas por aí.

E Santos vai suplantar o que é hoje a Bacia de Campos?

Certamente. Em dez anos isso acontece.

03/09/2009 - 10:50h Petrobras convoca indústria de máquinas

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Guilherme Manechini, de São Paulo – VALOR

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, reuniu-se ontem com representantes da indústria de bens de capital para apresentar a potencial demanda da empresa por equipamentos para a exploração dos campos do pré-sal. Segundo dirigentes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), durante o encontro ficou claro que a Petrobras não vai abrir mão de preço em benefício dos fabricantes brasileiros, mas que julga de grande importância o desenvolvimento da indústria local para atender suas necessidades.

“No que depender da Petrobras, o setor pode contar com ela. Mas não existe nenhuma obrigação de comprar os equipamentos aqui no país”, afirmou José Velloso, vice-presidente da Abimaq, ao destacar que quem tiver preço e tecnologia poderá fornecer para a estatal no Brasil e no exterior. O dirigente citou a descoberta de petróleo no México pela inglesa BP, em um campo que a Petrobras tem participação de 20%, como exemplo de mercado que a indústria poderá participar nos próximos anos.

Durante a reunião, segundo ele, tanto os representantes dos fabricantes de bens de capital, como a Petrobras concordaram que serão necessários investimentos estrangeiros para a formação de uma indústria competitiva no país. A estimativa da Petrobras dada aos fabricantes para o início das encomendas de equipamentos para a exploração do pré-sal é de dois a três anos, com previsão de entrega a partir de 2014. Ou seja, este seria o prazo ideal para os fabricantes brasileiros se prepararem para a demanda da estatal.

Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq, informou ainda que a entidade vai buscar uma linha especial de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fomentar este segmento da indústria de bens de capital. “Esses campos (pré-sal) vão durar mais de 30 anos. Por isso é preciso capacitar e capitalizar a indústria nacional para o curto, médio e longo prazo”, disse.