19/11/2009 - 15:52h CUT abre conta para seus filiados depositarem ajuda a Erundina

http://blig.ig.com.br/limpacomjornal/files/2009/03/erundina1.jpg

da Folha Online

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) abriu conta bancária para seus filiados depositarem ajuda a Luiza Erundina (PSB), condenada a pagar R$ 353 mil à Prefeitura de São Paulo, informa o “Painel” da Folha, editado por Renata Lo Prete (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).

A dívida foi contraída em 1989, quando comandou o município.

Segundo a coluna, a entidade também fará depósito de R$ 20 mil com o argumento de que a punição à ex-prefeita se refere a uma greve encampada pela central em 1989.

Erundina já penhorou um apartamento e dois carros, mas ainda não conseguiu chegar ao valor total da multa. Um jantar beneficente foi realizada esse mês para ajudar a deputada.

A deputada foi condenada por ferir a Constituição, ao usar recursos públicos para a divulgação de um comunicado que tratava da paralisação de ônibus entre os dias 14 e 15 de março de 1989.

A 1ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo aceitou a ação popular e condenou Erundina. Não cabe mais recurso. Essa foi a única condenação da deputada durante sua vida política.

Leia a coluna completa na Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.

11/11/2009 - 09:11h Em jantar com adesão do PT, Erundina arrecada 7% de dívida de R$ 353 mil

Para contribuir: Banco do Brasil, em nome de “Luiza apoio você” – ag. 4884-4, conta corrente 2009-5

http://blig.ig.com.br/limpacomjornal/files/2009/03/erundina1.jpg

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

Condenada a pagar R$ 353 mil para a Prefeitura de São Paulo, a ex-prefeita Luiza Erundina, hoje no PSB após ter abandonado de maneira turbulenta o PT, contou com a ajuda de seu ex-partido para arrecadar cerca de R$ 25 mil (pouco mais de 7% do total) em jantar realizado anteontem à noite, na capital.
Cerca de 300 pessoas, entre elas vários petistas, participaram, em um hotel no centro, do evento organizado por amigos da deputada federal. Segundo cálculos preliminares dos organizadores, cerca de 250 convites foram vendidos, a R$ 100 cada.
A dívida decorre de uma condenação referente ao período em que a deputada administrou a cidade (1989-1992). Sua gestão publicou um anúncio na Folha que tratava do apoio à greve geral dos transportes, nos dias 14 e 15 de março de 1989.
O texto dizia que os veículos do transporte coletivo de São Paulo, naquela época controlado pela prefeitura, não sairiam da garagem como medida preventiva contra ataques dos grevistas.
A 1ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo aceitou uma ação popular contra a ex-prefeita e condenou Erundina por ferir a Constituição. Não cabe mais nenhum recurso da decisão.
O deputado federal José Eduardo Martins Cardozo (SP), secretário-geral do PT e ex-secretário da gestão Erundina, foi um dos mais enfáticos na defesa da colega:
“Fosse você, Luiza, uma pessoa convencional da política, não teria essa dificuldade para levantar o dinheiro.”
O PT-SP, por meio de seu presidente estadual, o ex-prefeito de Araraquara Edinho Silva, assinou uma nota em apoio a Erundina.
“Estou muito emocionada com o movimento”, afirmou a deputada ao discursar.
Segundo o advogado Flávio Crocce Caetano, que defendeu a ex-prefeita, eventos similares serão realizados. Por conta da condenação, ela teve seu único imóvel, um apartamento em São Paulo, penhorado pela Justiça.

09/11/2009 - 13:36h Amigos de Luíza Erundina promovem jantar de solidariedade à deputada


O jantar de solidariedade acontecerá hoje, às 20h, no Grand Hotel Ca’d’Ouro ( Rua Augusta, 129 – Consolação, São Paulo).

O convite custa R$ 100.

Você pode ligar no hotel, reservar e pagar na hora. Pode também entrar em contato com o escritório de Luiza Erundina – (11) 5078-6642

Alem disso, há uma conta bancária, no Banco do Brasil, em nome de “Luiza apoio você” – ag. 4884-4, conta corrente 2009-5

09/11/2009 - 11:28h Bens de Erundina estão penhorados

Rafael Branquinho/Agência Câmara – 12/8/2009
Foto Destaque
Luiza Erundina: “Ficamos com receio de os ônibus serem depredados”



Cristiane Agostine, de Brasília – VALOR

Primeira prefeita do PT em São Paulo, Luiza Erundina corre o risco de perder seus bens patrimoniais. O apartamento onde mora há mais de 20 anos, seus dois carros e 10% de seu salário como deputada federal estão penhorados por decisão judicial para garantir o pagamento de R$ 352 mil ao erário paulistano. Aliados da ex-prefeita mobilizam-se para ajudá-la e farão hoje um jantar, em São Paulo, com convite ao custo de R$ 100, e criaram a conta “Luiza, apoio você”, no Banco do Brasil, para arrecadar recursos para deputada.

Erundina foi condenada a ressarcir a Prefeitura de São Paulo por ter usado recursos do governo para pagar um anúncio em jornais em apoio à greve nacional de 1989. Na propaganda, a prefeita explicava por que havia tirado os ônibus de circulação durante a paralisação que mobilizou o país em 14 e 15 de março daquele ano.

A prefeitura usou o anúncio de quase meia página para defender o direito de greve dos trabalhadores e criticar a política econômica do governo de José Sarney (PMDB). “O governo municipal de São Paulo, de acordo com as diretrizes do PT e em cumprimento do mandato recebido nas urnas, apoiou politicamente a greve geral, mas sem colocar a máquina pública a serviço do movimento”, dizia o texto, publicado dois dias depois do início da greve, na capa de jornais como a “Folha de S.Paulo”.

“Ao contrário de administrações anteriores, a prefeitura não usou seu poder para frustrar o exercício dos legítimos direitos dos trabalhadores e da população. Essa diferença de atitudes surpreende alguns, choca outros e irrita tantos quanto, no setor público ou privado, sempre procuraram utilizar o Poder Público na defesa de privilégios de minorias e não dos interesses da maioria.”

Onze dias depois da publicação do anúncio, o advogado Angelo Gamez Nunes ajuizou uma ação popular contra a prefeitura, por entender que houve uso indevido de recursos do erário. “Erundina estava gastando dinheiro público para promoção pessoal”, comentou Nunes, na sexta-feira. Formado em Direito e em Contabilidade e empresário do setor de construção civil, ele mesmo defendeu a ação que apresentou. Nunes disse não ser filiado a nenhum partido político.

Erundina recorreu, mas os recursos já foram julgados, inclusive pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e a sentença é definitiva. Ela terá de pagar R$ 352 mil e alega que não tem recursos suficientes para saldar a dívida. Desde 2008 seus bens foram penhorados, a pedido da prefeitura da capital. De acordo com a declaração de bens apresentada por Erundina em 2006, quando concorreu a uma vaga na Câmara Federal pelo PSB de São Paulo, ela possui um apartamento na capital, no valor de R$ 123 mil, um automóvel Palio, de 1996, declarado com o valor de R$ 10 mil e pouco mais de R$ 85 mil em aplicações financeiras e poupança. Erundina informou ter comprado recentemente um automóvel Fox, que foi penhorado, e que recebe uma “pequena aposentadoria” da prefeitura, onde trabalhou como assistente social.

Segundo o advogado de Erundina, Flavio Crocce Caetano, há cerca de R$ 250 mil em depósito judicial: ele contabilizou o valor dos bens penhorados com os 10% descontados todo mês do salário dela como deputada (R$ 1,3 mil). A ex-prefeita poderá ter seus bens leiloados, inclusive o apartamento, seu único imóvel, se não conseguir recursos suficientes. “Erundina recusou a impenhorabilidade de seu único imóvel. Ela achou que seria o mais correto para continuar a se defender”, disse Caetano. Erundina mora no mesmo apartamento, de 80 metros quadrados, no bairro de Mirandópolis, na capital, há mais de 20 anos. De acordo com o advogado, ainda há negociação com a Justiça sobre o prazo de pagamento do montante.

Quando a Justiça confiscou os bens de Erundina, inclusive suas contas no banco, ela disse ter ficado “um mês tendo que pedir dinheiro emprestado”. Para ajudar a ex-prefeita, um grupo de aliados e simpatizantes de Erundina, formado por militantes de esquerda e ex-secretários e ex-funcionários da prefeitura tentará arrecadar recursos com a venda de convites para um jantar hoje, em um hotel de São Paulo. Será a primeira iniciativa para diminuir a dívida.

Erundina, com 74 anos, contesta a decisão judicial e alega que não se beneficiou pessoalmente do artigo. Segundo a ex-prefeita, a publicação foi para rebater acusações de que a prefeitura havia aderido à greve e tinha impedido a circulação de ônibus durante a manifestação. “A frota da cidade estava envelhecida e ficamos com receio de colocar os veículos na rua e eles serem depredados”, explicou. “O país todo estava mobilizado na greve. O artigo foi para esclarecer a população. Foi uma decisão do governo, não pessoal”, disse. “Se eu tivesse me manifestado para favorecer os patrões, garanto que isso não teria acontecido. Não é justo.”

22/03/2009 - 12:18h Datafolha: aguardando segunda-feira

Domingo é o dia em que os jornais vendem mais. A Folha de hoje traz pesquisa Datafolha sobre intenção de voto em alguns Estados, a 19 meses das eleições. Não tem qualquer sorte de importância, como prova entre outros exemplos, o fato de Geraldo Alckmin liderar com mais de 50% das intenções de voto a 8 meses das eleições municipais em São Paulo e acabou fora do segundo turno.

A escolha dos nomes para configurar os cenários eventuais deixou de lado o nome de Gilberto Kassab, que os demos gostariam de ver como candidato a governador em 2010, assim como o nome de Aloizio Mercadante que foi candidato a governador pelo PT nas últimas eleições. No caso de Kassab, a sua ausência da pesquisa permite a Alckmin atingir um patamar de intenção de voto superior, pois é o único candidato do campo demo-tucano. Já no campo da oposição de centro-esquerda o Datafolha incluiu em todas as simulações o nome de Luiza Erundina e a dos eventuais nomes do PT, com a consequente divisão das intenções de voto do eleitorado. Na última eleição na capital paulista, Luiza Erundina não foi candidata e apoiou Marta Suplicy. Para dar um exemplo do significado da eliminação do nome de Kassab e a de manter Erundina, basta olhar as intenções de voto na capital, onde Alckmin aparece com 34%, Marta com 20% e Erundina com 10%.

Em fim, como já escrevi pesquisa eleitoral com 19 meses de antecipação serve só para alimentar a projeção de nomes e as disputas internas nos partidos. Carece de qualquer outro valor ou interesse. Bem diferente de avaliar a situação dos governantes, particularmente em momentos delicados como os de hoje com o impacto da crise econômica. Teria sido interessante sim, a Folha publicar hoje os resultados da avaliação do governo estadual e do prefeito de São Paulo, que seguramente o Datafolha fez. A questão é de atualidade e permitiria comparar com a avaliação feita sobre o governo Lula.

Provavelmente ficará para segunda-feira, dia em que os jornais vendem menos. LF

http://jovemnerd.ig.com.br/wordpress/wp-content/2006/09/urna_eletronica_66.jpg

DATAFOLHA

Alckmin lidera com folga e opositor está indefinido

Tucano obtém de 41% a 46% das intenções de voto para o governo de SP em 2010

Ex-governador obtém pior resultado em confronto com Marta; Datafolha diz que favoritismo de Alckmin está ligado a “recall” de eleições

JOSÉ ALBERTO BOMBIG- Folha SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O tucano Geraldo Alckmin, derrotado ainda no primeiro turno da eleição do ano passado para prefeito de São Paulo, é o preferido dos paulistas na corrida para governador, segundo o Datafolha. Trata-se da primeira pesquisa de intenção de voto nas eleições de 2010 para governos estaduais.
Atual secretário de Desenvolvimento do governador José Serra (PSDB), ele obtém entre 41% e 46% das intenções de voto -sempre na liderança- em todos os cenários em que ele foi citado.
Serra, nome mais cotado entre os tucanos para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também em 2010 e líder nas pesquisas, não aparece em nenhum deles.
A 19 meses da eleição, nenhum dos adversários de Alckmin atinge sequer a metade de suas intenções de voto nos cenários em que ele é apresentado. Os mais bem posicionados são os ex-prefeitos Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).
O melhor desempenho do tucano (46%), que governou São Paulo de 2001 a 2006, ocorre quando o candidato do PT é o ministro da Educação de Lula, Fernando Haddad. Contra Marta, o tucano obtém seu pior resultado (41%).
Na hipótese de o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci concorrer pelo PT, Alckmin chega a 45%.
O outro nome tucano apresentado pelo Datafolha, o do secretário da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, oscila de 2% a 3% das intenções. Ele e Alckmin já travam uma batalha dentro do partido e do Palácio dos Bandeirantes pelo direito de concorrer em 2010.
A pesquisa foi realizada entre 16 e 19 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

“Recall”
O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, diz que o levantamento mostra “amplo favoritismo de Alckmin”. Mas ele ressalva que Aloysio, Haddad e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf -também testado em todos os cenários-, ainda são pouco conhecidos.
“Os demais já concorreram nas urnas muitas vezes e recentemente. A campanha para o governo costuma ficar escondida por conta da disputa pela Presidência, e o eleitor, por causa disso, só se lembra dela mais adiante”, afirma Paulino.
Como exemplo, ele cita o desempenho de Paulo Maluf (PP), que chega a liderar com 20% quando Alckmin sai da disputa. Também sem o ex-governador tucano, a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) atinge 14%, seu melhor índice.
O resultado da pesquisa deve servir de combustível para Marta na disputa interna do PT. Derrotada por Gilberto Kassab (DEM) no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, ela chegou a ser apontada como nome descartado do processo.
No entanto, Palocci e Haddad, que seriam os preferidos de Lula, ainda mostram pouca viabilidade. O ex-ministro da Fazenda oscila de 3% a 5%.
O ministro da Educação não passa de 2%. Já Marta chega a liderar com 19% no cenário sem Alckmin e com Aloysio.
Além de Skaf (sem partido), também foram apresentados em todos os cenários Campos Machado (PTB), Ivan Valente (PSOL), Paulinho (PDT) e Soninha (PPS).

27/10/2008 - 14:52h Ir além da aritmética eleitoral (II)

Quando os dirigentes do PT, os senadores Mercadante e Suplicy, os deputados federais e estaduais de São Paulo e os vereadores do partido, foram a Brasília pedir para Marta ser novamente candidata à prefeitura, as pesquisas e as analises eleitorais indicavam uma vitória quase certa para o ex-governador Geraldo Alckmin. Mesmo assim era impossível para Marta recusar esta convocatória unânime do seu partido, na medida em que só ela podia assegurar um resultado eleitoral expressivo em São Paulo.

O curso dos acontecimentos mudaram em parte esta analise, tirando Alckmin do segundo turno, mas não o favoritismo do centro-direita que acabou vitorioso na cidade.

A vitória de Serra se reveste de uma força maior, pois conseguiu ao mesmo tempo eliminar seu adversário tucano e derrotar a candidata petista com uma avalanche de votos.

Esta vitória de Kassab e Serra na cidade de São Paulo foi contundente. Ela só tem equivalente na vitória de Pitta e Maluf em 1996. O paralelo não é só numérico, mas político e social.

A estrutura econômica, social, política e midiática que tem como eixo e expressão partidária o tucanato, conseguiu uma importante vitória, preservando assim seu projeto de recuperar o poder, perdido para Lula e o PT em 2002.

A decadência do malufismo foi substituída pela emergência e consolidação do PSDB na cidade. A evolução do PSDB para o centro-direita permitiu que ele incorporasse as bases de sustentação social e política do malufismo, o conservadorismo e o anti-petismo.

Esta substituição foi facilitada pela ação militante da mídia, que no passado foi reticente ao malufismo e que hoje faz corpo e alma com o tucanato contra o PT.

Mas este processo que hoje manifesta com força sua consolidação, só foi possivel pela incapacidade do PT em conquistar a hegemonia na cidade a partir da vitória de Marta em 2000. Evidentemente que intervém nesta dificuldade a sadia recusa do PT a virar um partido do conservadorismo e do status quo, mas também sua dificuldade a superar suas limitações programáticas e administrativas, em favor de uma visão mais moderna da esquerda e da luta contra a desigualdade social.

A hegemonia da direita em São Paulo tem uma longa tradição e história. As vitórias eleitorais da esquerda foram exceção, só duas, e diretamente ligadas à conjunturas eleitorais (divisão da direita e modo de escrutínio que permitiu a eleição de Erundina em 1988; experiência Pitta e declínio do malufismo, combinado com apoio eleitoral do centro-esquerda tucano em favor da Marta em 2000). A divisão também se fez presente nesta eleição, mas com carateristicas diferentes, é suas conseqüencias podiam ter pesado no resultado do pleito se tivessem servido para ampliar a base social de apoio da candidata petista o que não foi conseguido pela campanha e pela candidata.

Romper esta hegemonia exige muito mais que uma vitória eleitoral como foi a de 2000, requer a consolidação de um governo com ampla base de sustentação social e política, além de uma disputa de valores com muito peso numa cidade conservadora como São Paulo.

Ter governado São Paulo na difícil situação econômica e financeira deixada por Pitta na cidade, e de FHC no país, permitiu que o PT consolidasse seu cacife eleitoral no patamar de 40%, mas não permitiu ir além. Ele fincou firme sua força e sua inserção na periferia e entre os mais pobres, porém não conseguiu mudar suas relações com setores médios arrastados pelos conservadorismo para um anti-petismo reacionário.

A incapacidade do PT aqui mencionada, combinou-se com as conseqüências dos erros cometidos por quadros e dirigentes do PT com relação as questões de financiamento irregular dos partidos, amplamente explorados pela mídia e a direita nos últimos anos contra o PT.

Um fator importante em São Paulo é o peso do poder da mídia aqui, diferente do resto do Brasil. Esse peso está a serviço do PSDB contra o PT e quando os demo-tucanos ficam inaudíveis a mídia os substitui como partido de oposição, visando a desestabilizar o governo federal. Mas este peso é maior em São Paulo porque o discurso de direita encontra respaldo no conservadorismo das classes médias que são diretamente influenciadas pela mídia em um processo no qual um alimenta o outro dialeticamente.

Penso que é a partir de esta reflexão que deverá ser elaborado um balanço específico do processo eleitoral, de seus erros e acertos. Evidentemente isto inclui o papel da política eleitoral, do marketing, dos dirigentes e da candidata.

Neste aspecto reproduzo como conclusão desta nota um parágrafo de um e-mail que recebi hoje de um jornalista conhecido que prefere ficar no anonimato: “Oi Luis, poucas certezas foram tão repetidas ontem à noite na TV quanto o encolhimento político da Marta. Blá-blá-Blá, não vou perder tempo. Bem, essa mesma turma disse que Marta estava morta ao perder a reeleição em 2004. E depois quando não foi escolhida candidata ao governo em 2006. E ainda quando disse o famoso ‘relaxa e goza’ no ano passado. É estranho que tantos analistas tão inteligentes, tão isentos, tão preocupados com a correção de suas previsões errem tanto. Talvez seja o fato de que 40% dos paulistanos não estão nem aí para o que eles dizem. Quem consegue a confiança de 2,5 milhões de paulistanos apenas com a sua militância…”

Luis Favre

17/10/2008 - 13:32h Uma carta exemplar

Luis, por motivos profissionais eu não posso fazer declarações de voto, mas estou muito enojado com essa história toda.

Sei que virou unanimidade que o momento crucial desta campanha para prefeitura de São Paulo foi o comercial do PT perguntando se o candidato do DEM era casado e se tinha filhos. A reação ao comercial gerou no inconsciente paulistano a percepção de que a campanha da Marta era homofóbica e preconceituosa. Na avaliação de dez entre dez çabios com espaço nos jornais, Marta “mostrou desespero”, “apelou para baixaria” e “jogou fora a sua biografia” para tentar “ganhar de qualquer jeito”.

Não vou entrar nessa discussão agora, mas quero chamar atenção para outro momento da campanha muito menos comentado. No dia 15 de setembro, Marta participou de encontro com pastores da Igreja Batista, representantes de 540 templos e uma comunidade de 70 mil paulistanos. Segundo o relato de O Globo, a reunião foi um constrangimento só. No auditório do colégio Batista, o grupo pediu o apoio da candidata contra o projeto de lei 122 que criminaliza a homofobia. Segundo os religiosos, a proposta, em tramitação no Congresso Nacional, os impediria de pregar contra a homossexualidade.

Marta foi categórica: “Se for para xingar homossexual, dizer que é doente, desacatar, sou contra. Com toda a minha formação de psicanalista e na área de sexualidade, não posso ser a favor. Se eu respondi, está respondido, se querem mais detalhes, tenho de ler o projeto” disse.
Perguntada sobre o mesmo assunto pela terceira vez, Marta lembrou que não é mais parlamentar: “Não sou eu que vou votar (a lei), mas minha opinião pessoal vocês têm de ter: não sou a favor disso, gente. Não sou! Tenho de deixar isso claro”.

“Nós temos de ter coerência com o que a gente é, com o que a gente vive e com a vida da gente. De mim, vocês nunca vão encontrar evasivas”, disse Marta.

Para piorar o clima, informou o jornal carioca, um dos pastores perguntou sobre “investimento em espiritualidade” nas escolas. Marta defendeu a escola laica: “O mesmo respeito que temos em relação à religião, temos de ter em relação à raça, à sexualidade, em relação às diferenças. As pessoas não são iguais. Não nascemos iguais”.

Questionada pelos repórteres se havia perdido votos ao ser tão incisiva, Marta respondeu: “As pessoas podem ver, pelo menos, que lidam com uma candidata que tem princípios, que fala o que pensa”.

Respondendo a mesma pergunta, o diretor-executivo da Convenção Batista do Estado de São Paulo, Valdo Romão, fez uma análise perfeita: “Quem já tem suas reservas quanto a ela, reafirmou essas reservas. E quem tem suas simpatias, reforçou-as”.

Pois bem: não vou aqui cobrar artigos dos çabios da imprensa sobre o episódio do Colégio Batista, mas relendo o ocorrido alguém intelectualmente honesto é capaz de acusar Marta de ser “homofóbica”, de ser “preconceituosa”, de “jogar a sua biografia em troca de votos”?

Marta Suplicy é uma defensora histórica dos direitos dos homossexuais. Ao que me recorde, foi a primeira prefeita do país a apoiar e participar da Passeata do Orgulho Gay. Provavelmente perdeu muitos votos com isso. Nunca se importou.

Mas a questão é: sinceramente, que outro político brasileiro teria a coragem de enfrentar uma platéia de eleitores em potencial e dizer exatamente o que eles NÃO querem ouvir? Que outros políticos pautam a sua carreira por princípios (certos ou não) e se mantêm neles sob custa de votos? Que outros políticos não fazem o eterno jogo de montar um discurso para cada platéia, caminhando no gelo fino da hipocrisia e do populismo? Que outro político não submete o seu discurso à vontade dos marqueteiros e dos çabios da imprensa? Quantos? Ciro Gomes e José Serra, por certo. Talvez outros três, no máximo.

É por isso que os últimos dias da campanha paulistana me dão tanto nojo. Ok, se a imprensa acha que Gilberto Kassab será um prefeito melhor, ótimo. Está jogo: façam a sua declaração de voto e todos ficamos sabendo quem é quem. Mas gastar uma semana de cobertura da principal campanha eleitoral do país discutindo os preconceitos de Marta é uma das coisas mais absurdas que já vi. Quantos políticos brasileiros sofreram tanto preconceito quanto Marta? Vou facilitar a lista e colocar três nomes: em campanhas passadas Lula era “comunista e aborteiro”; Erundina, uma “nordestina incapaz”; Gabeira, um “maconheiro veado”. Marta, bem, para não repetir tudo que já foi escrito vamos ficar com uma única declaração de Paulo Maluf no segundo turno de 2000: “A vida particular de Dona Marta não cabe numa lista telefônica”. Então, é a Dona Marta a preconceituosa?

A questão básica é nesta semana toda de discussão do PT o leitor paulista no foi privado do seu direito mais essencial: o de ser informado. Peço perdão aos marqueteiros do PT e aos çabios da imprensa, mas a questão para os próximos quatros anos de São Paulo não é a vida privada de Gilberto Kassab. Isso é bobagem. O importante é saber o futuro do Bilhete Único, a expansão dos CEUS, os investimentos para atenuar o caos na saúde, as idéias para diminuir o inferno diário dos congestionamentos. É para isso que estamos elegendo um prefeito. Um prefeito que tenha coragem de dizer que vai fazer, que tenha caráter de defender as suas idéias mesmo desagradando uma parcela de eleitorado.

São Paulo merece mais.

10/10/2008 - 09:55h O voto paulistano de Piraporinha a Santana

Cristiane Agostine e Caio Junqueira, VALOR

Entre as senhoras de Santana e os jovens de Piraporinha localizam-se os extremos do eleitorado paulistano que surpreendeu neste domingo ao conferir ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), já no primeiro turno, uma votação superior ao da ex-prefeita Marta Suplicy.

Reduto paulistano do moralismo que, na ditadura, clamou por censura, Santana foi uma das zonas eleitorais em que Marta mais perdeu votos. Em sua eleição como prefeita, em 2000, teve 34,6% dos votos lá. Na tentativa de reeleição, em 2004, 25,9%. Este ano, sua votação reduziu-se para 12,1%.

Piraporinha deu à petista o maior ganho de votos, proporcionalmente, em relação às últimas eleições: teve 43,1% em 2000, 52% em 2004 e 59,5% neste ano. Configurou-se, assim, como um dos poucos bastiões do município que resistiram ao avanço kassabista.

O Valor passou um dia em cada uma dessas regiões para tentar desvendar as razões desses comportamentos opostos. Em Piraporinha, a população predominantemente carente acha que Kassab apenas deu continuidade às iniciativas administrativas tomadas por Marta, que o precedeu no cargo. Até uma espécie de tribunal popular foi montado no local para julgar o atual prefeito, condenando-o por negligência e falta de investimentos no bairro nas áreas de educação, cultura e esporte.

Em Santana a situação é inversa e o anti-petismo é um sentimento alastrado entre as pessoas, em sua maioria integrante da classe média paulistana. A defesa da tradição, da família e da propriedade fundamentam os argumentos contrários a Marta Suplicy em um bairro com forte apelo de católicos conservadores, onde o vereador Gabriel Chalita (PSDB) colheu uma de suas mais expressivas votações

Em Piraporinha, corredores de ônibus, bilhete único e CEUs movem eleitor

Em uma travessa da estrada do M’Boi Mirim, uma das principais ruas de Piraporinha, na zona sul de São Paulo, Romualdo José da Silva, de 48 anos, protege-se em um pequeno salão de cabeleireiros da garoa que caía na manhã de quarta-feira. É só perguntar para ele para quem foi o seu voto e ele logo fala que é PT de coração. As ações do governo da ex-prefeita Marta Suplicy são enumeradas por ele como em uma propaganda política: Centros Educacionais Unificados (CEUs), corredores de ônibus, bilhete único, material escolar e uniforme. “Marta ajudou muito a população mais pobre e ninguém pensava em fazer isso”, resume.

Marisa Cauduro/Valor
piraporinha.jpg
Antonio Jefferson: “Kassab é o prefeito dos ricos. Só veio para terminar as coisas da prefeita”

Perto de lá estão dois CEUs, entregues pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), semelhantes aos da gestão da ex-prefeita. Está também o Hospital do M’ Boi Mirim, projeto de Marta, que foi entregue pelo prefeito e as Amas, unidades de saúde, bandeiras da atual gestão. O investimento de Kassab no bairro não parece ter tido efeito sobre Romualdo. “Kassab fez muito, mas ele só deu continuidade às obras de Marta. Os projeto são dela e ninguém nunca vai tirar.”

Pedro Viano do Santo, de 52, pai de 11 filhos, interrompe a conversa: “Acho Kassab mais corajoso. Ele está há pouco tempo e já limpou a cidade”, disse, referindo-se ao Cidade Limpa . Pedro votou em Kassab no primeiro turno, por recomendação de sua igreja evangélica. Apesar dos elogios, diz que agora vai de Marta: “O pessoal da igreja fechou com ele e eu votei também. Mas agora o voto é meu, não adianta e vou de Marta.”

Piraporinha, onde mora Romualdo, é a zona eleitoral onde Marta mais ganhou votos, proporcionalmente, em relação à eleição de 2004. Neste ano, ela teve 59,5% dos votos e Kassab, 20,97%. Quatro anos atrás, teve 52% e José Serra (PSDB), 32,17% . Na zona eleitoral, que corresponde ao Jardim Ângela e Jardim São Luis, o PT sempre foi forte.

No CEU Guarapiranga, entregue por Kassab, Romildo Merces de Jesus, de 28 anos, deixa a filha de quatro anos enquanto comenta: “Isso aqui é coisa da Marta. ” Ele diz não gostar de Kassab porque a prefeitura o fez sair da favela onde vivia. “Me falaram: vai para o albergue ou para a rua. Não é assim que se trata.”

“Kassab é o prefeito dos ricos, está muito longe de se preocupar com os pobres”, opina Antonio Jefferson, de 21 anos, sobre o crescimento do PT no bairro. “Ele se preocupou mais com a imagem da cidade, em diminuir a poluição visual, do que com o povo. Do que adianta ter a cidade limpa se o povo está triste, sem saúde?”. Funcionário de supermercado, lembra que participou de manifestações para que a prefeitura construísse o hospital M’ Boi Mirim, ainda na gestão Marta. “O povo viu quem lutou por isso. Foi a mesma coisa com os CEUS. Foi a Marta que lutou pelo terreno. O Kassab só veio para terminar as coisas da prefeita.”

Os moradores de Piraporinha também se organizaram para pedir investimentos na região. A igreja e movimentos sociais fizeram dois tribunais populares para “julgar” a prefeitura e no último prepararam uma ação civil pública contra o governo por falta de investimentos em educação, cultura e esporte. O tribunal foi organizado pelo Fórum de Defesa da Vida, que reúne 250 entidades e representantes do Ministério Público. “A ausência do poder público é marcante aqui”, diz Lea Maria Chaves, integrante do fórum.

O Jardim Angela, que compõe Piraporinha, já foi considerada a área mais violenta do mundo pela ONU. Ainda hoje é classificada como uma das regiões onde os direitos humanos são menos respeitados. Cerca de 30% da população vivem em mais de 270 favelas. “Acredito que o partido PT é mais sensível ao social”, diz Lea Maria, apesar de reclamar de dificuldades para trabalhar com o governo de Marta. “Voto no PT, mas acho que lidar com Kassab é mais fácil.”

Nas ruas da região, a campanha petista predomina, mas as ações de Kassab no reduto petista reverteram-se em alguns votos. No CEU Vila do Sol, Maria Rosangela, 27 anos, dona de casa, diz ter mudado o voto depois do CEU, onde estuda sua filha. “Em 2004 votei na Marta, mas agora foi Kassab. Vamos ver se ele continua fazendo benfeitorias para cá.” No hospital M’Boi Mirim, Moacir Edson Costa, de 37 anos, trabalhador autônomo, comenta que “Marta foi boa” e que em 2004 votou nela. “Voto no Kassab para ele continuar o que está fazendo.”

A comerciante Ivone França, de 63 anos, afirma que votou em Kassab “por opção na hora.” Ela reclama que a ex-prefeita preocupou-se muito com os mais carentes. “Marta fez muita escola na periferia. Isso ajuda e atrapalha. Para quem tem lojinha de material escolar, como eu, foi ruim. Não vendo quase nada depois que a prefeitura passou a dar material escolar.” Sua irmã, Lucia Aparecida, de 53 anos, também escolheu o prefeito. Ela também reclama dos projetos de transferência de renda. “Tem muita gente carente que recebe essas bolsas, mas não precisa. Aqui falam que Marta vai dobrar asbolsas só pra votarem nela.”

Dona de um bar, reclama das taxas do lixo e da iluminação criadas na gestão Marta e não se conforma com um comentário sobre o caos aéreo de Marta, feito quando a petista era ministra do Turismo. “Eu até gravei da televisão ela falando o ‘relaxa e goza’. Queria mostrar para a minha filha, para não votar na Marta”. Do Jardim Angela, onde a comerciante mora com a família, o trajeto de ônibus até o centro a viagem dura mais de duas horas. Sua filha tem de fazê-lo de segunda a sexta. “Todo mundo tem carro, não podemos culpar o Kassab pelo trânsito. Acho que tem de fazer rodízio de dois dias. Pode por mais ônibus que for, se não tiver rodízio de dois dias, vai continuar do jeito que está.” (CA)

Em Santana, tradição religiosa, culto à família e aversão a taxas definem escolha

Nem a presença da Paróquia de São José Operário, Patrono dos Trabalhadores, é capaz de levar os eleitores do bairro de Santana a votar na candidata à prefeita de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores, Marta Suplicy. É neste bairro da classe média e alta paulistana, o primeiro ao norte do rio Tietê, que ela assiste , eleição após eleição, sua votação despencar. De 2000 a 2004, caiu 25%. Neste ano, 53%.

Leonardo Rodrigues/Valor
santana.jpg
Ariane Leonardi: “A família dela é muito desregrada. Político tem que ter regra. O que ela proporciona à minha família?”

Encontrar um eleitor petista nas tortuosas ruas deste bairro é tarefa árdua. Na melhor das hipóteses, o que se vê são ex-petistas (arrependidos) que, quando optaram pelo 13 nas urnas, o destinatário foi o presidente Lula. Bem antes de ele tentar ser presidente. “Só votei no Lula em 1986 porque eu trabalhava com metalúrgica. Depois nunca mais. Trabalhei com a Erundina. Para consertar um banheiro eles faziam reunião. Se Moisés fosse petista ainda estava no Egito consultando as bases pra ver se fugiam do Egito”, diz Ruth Guiness, 63, dona-de-casa, caminhando por uma das feiras livres do bairro na fria manhã de anteontem.

As opiniões expressadas, em geral, trazem consigo uma anedota, um termo pejorativo – como a referência à gestão Lula a um “governo de bebum” e a ojeriza a ele por uma “questão de pele”- e muitas referências a condutas pessoais tidas por inaceitáveis aos políticos. Mais do que ao presidente e ao partido, são esses julgamentos que embasam a maior parte das críticas a Marta, ainda que o bairro concentre o maior índice de divorciados da cidade.

“A família dela é muito desregrada. Político tem que ser como um juiz, tem que ter regra. O que ela proporciona para a minha família? Ligo a tevê e ela está na Parada Gay. O que tá indicando para meu filho? Para relaxar e gozar? E o filho dela? Cantor louco de rock, ‘zueiro’, o que proporciona de bom? Sem falar que para ser prefeita tem que ter marido”, afirma a advogada Ariane Leonardi, 32 anos. Atuante na área de direito de família para pessoas carentes, embora a bordo de um Dodge Journey da montadora Chrysler avaliado em cerca de R$ 100 mil, ela pede, no fim da conversa: “Frise a família e a sociedade. O que falta nela é o conceito de família”.

O discurso expõe um componente constante no bairro, a religiosidade. Desde sua fundação, a Igreja tem presença forte no local, a começar pela origem do seu nome: Santa Ana. Formado a partir da doação de uma sesmaria a Companhia de Jesus no século XVII, o crescimento veio no fim do século XIX, com a instalação de um colégio pela Irmãs de São José de Chambéry. Já no início da abertura política ainda durante o regime militar, ficaram famosas as “senhoras de Santana” que atuaram contra o despudor televisivo.

Hoje, a aversão ao PT e a Marta é questionada pelo padre Humberto, da Paróquia São José Operário. “A resposta para isso é uma constante busca minha. Mas acho que há um receio da classe média a aspectos religiosos, políticos e comportamentais que venham de setores progressistas da sociedade”, afirma. Ele conta também que verificou isso quando se instalou no bairro, há cinco anos, e muitas pessoas tinham aversão ao Concílio Vaticano II, documento papal que nos anos 60 modernizou e abriu a instituição para, segundo ele, “tantas realidades”.

Além da tradição e da família, a propriedade também permeia os argumentos contrários à petista. Bairro onde o pequeno e médio comércios compõem o visual das ruas, as taxas do lixo e da luz criadas na gestão Marta, entre 2001 e 2004, são pontos que elevam a rejeição à ex-prefeita. “Eu gostava tanto dela, votava nela, mas depois, com essas taxas não dá mais. Pesou bastante para a gente. Quando mexe no bolso fica ruim, né”, diz Ingrid, proprietária do Empório da Beleza, na avenida Alfredo Pujol, a principal do bairro.

Há, porém, quem estenda as críticas às questões administrativas e ao setor considerado ponto forte da candidata: educação. Presente na rede pública municipal de ensino desde os anos 80, a diretora de escola Jane Garcia, 52 anos, kassabista, teve como chefes em última instância uma seqüência de prefeitos com colorações partidárias diversas: Mário Covas, Jânio Quadros, Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy, José Serra e Gilberto Kassab. E garante: o chefe atual é o maioral. “Ela fez os CEUs mas e o restante como é que fica? Estou em uma escola hoje que precisava de reformas elétricas, hidráulicas, pintura, ampliação. Só agora conseguimos. Só agora os professores são valorizados com aumentos”, diz, enquanto seu poodle Tara, protegido do frio com um vestidinho azul, descansa em seu colo. Depois da exposição técnica, cita, tal qual os outros entrevistados, os aspectos pessoais da candidata petista. “Ela é arrogante e tem toda a questão social-familiar”.

O anti-petismo de Santana acaba por contaminar a candidatura dos vereadores da legenda. O primeiro integrante da sigla a aparecer na lista dos mais votados é José Américo, na 33ª colocação, com 256 votos. Antes dele, predominam políticos do PSDB, DEM, PP e PTB. Quem lidera o ranking, com 3.095 votos, é o tucano Gabriel Chalita, o mais votado da capital paulista. Tendo por lema de campanha “São Paulo mais educada, sua família mais feliz”, descreve em seu site que “foi catequista, ministro da eucaristia e seminarista” e que “considera a família o alicerce da sociedade”. (CJ)

04/10/2008 - 18:57h Às urnas cidadãos!

Vários colunistas da Folha de São Paulo têm considerado que a grande revelação desta eleição municipal tem sido Gilberto Kassab. Baseiam-se na idéia que ter conseguido o patamar de intenção de votos que as pesquisas indicam (28%), sendo alguém quase desconhecido pouco tempo atrás, constitui uma inegável revelação.

Mas o que me parece ter sido a grande revelação desta fase da eleição é o patamar de intenção de votos dados nas pesquisas para Geraldo Alckmin, o provável derrotado.

Alckmin foi “secado” financeiramente pelo governador Serra, traido pela bancada de vereadores do seu próprio partido, abandonado por seus correligionários do tucanato nacional e atacado cotidianamente pela mesma mídia que o erigiu no passado como um ótimo administrador.

Sistematicamente atacado pelas costas, sem dinheiro, sem apóio na mídia, sem coligações que ampliassem seu horário na TV (Serra levou os partidos a apoiar o adversário do tucano), deixado na solidão, e eis que as pesquisas dão ao Alckmin (19%) apenas 9 pontos a menos que Kassab.

A outra revelação, que a mídia prefere ignorar, é que Marta lidera no primeiro turno e isso após meses a fio de campanha contra ela. Campanha de seus adversários, que somados contavam com o triplo de tempo na TV. Campanha da mídia fazendo eco permanentemente ao “relaxa e goza” ou a “martaxa”, ou a “rejeição” ou a dúvidas e mentiras sobre suas propostas. Marta emerge deste primeiro turno da eleição, não só como a primeira em todas as pesquisas (34%); mas é em relação ao governo dela e as suas principais marcas que o debate acontece e concentrará a disputa no segundo turno.

Os que acompanham este blog sabem que Marta sempre teve lucidez para saber que a disputa seria difícil. Na cidade de São Paulo se consolidaram dois campos fortes eleitoralmente e opostos politicamente: o campo conservador, hoje liderado pelos demo-tucanos e o campo popular, liderado por Marta, Lula e o PT com seus aliados. Esses campos estão hoje relativamente equilibrados, após anos de dominação do campo conservador.

Esta dominação do campo conservador permitiu a vitória de Maluf em 1992, a de Pitta em 1996, a de Serra em 2004, a de Alckmin e Serra em 2006. Em três oportunidades o campo popular conseguiu vencer, sempre graças ao apoio ou a divisão do campo conservador. Foi assim com Erundina, foi assim em 1998 com Mário Covas contra Maluf, com apoio de Marta e do PT e em 2000, com a vitória de Marta com apóio do mesmo Covas, Alckmin e o PSDB, contra Maluf. Evidentemente as fronteiras entre ambos os campos não é tão esquemática como estou simplificando aqui para ilustrar minha opinião.

Estamos às vésperas de um novo confronto e disputa entre ambos campos. As divisões manifestadas no campo conservador neste primeiro turno terão seu efeito, mesmo reduzido pela aparência de unidade que ostentarão no segundo turno. Ao mesmo tempo a eleição será decidida pelos eleitores que oscilam entre os campos, sem clareza para medir a distância entre os mesmos. Caberá a Marta, aos partidos, sindicatos e entidades que a apoiam; aos militantes e simpatizantes da Marta, aos seus eleitores do primeiro turno, convencer e mostrar claramente a esses eleitores hesitantes, o que representa a alternativa popular com Marta prefeita. Não vai ser no grito e sim no argumento que a vitória será obtida.

Essa vitória é possivel e dependerá exclusivamente do engajamento de todos.

Luis Favre

A seguir as tabelas da pesquisa Datafolha incluídos os resultados que estarão nos jornais de amanhã.

Pesquisas Datafolha de começo de julho até hoje

Marta 38% 36% 41% 39%
40%
37%
37%
37%
 35% 34%
Alckmin 31% 32% 24% 24% 22%
20%
22%
20%
 19% 19%
Kassab 13% 11% 14% 16% 18%
21%
22%
24%
27%
28%
Maluf 8% 8% 9% 7% 8%
8%
 7% 6%
 7% 6%
2° turno
Marta 45% 43% 49%  46% 47%
47%
47%
45%
 44% 42%
Alckmin 50% 51% 44% 46%
47%
47%
47%
48%
49%
50%
2° turno
 Marta 55% 52% 55% 49%
50%
 48% 46%
46%
44%
41%
 Kassab 36% 37% 35% 41%
43%
 44% 45%
47%
49%
50%
campo 3 e 4 de julho 23-24 julho 21-22 agosto 29 agosto 4-5 setembro 11-12 setembro 17-18 setembro 25-26 setembro 29-30 setembro 2-3 outubro

 

Os resultados da última pesquisa Datafolha transpostos em voto útil (sem os brancos e nulos) dão 36% Marta; 30% Kassab; 21% Alckmin; 7% Maluf e ainda 5% Soninha.

11/09/2008 - 12:11h Vantagem comparativa

marta_livro_jornalistas.jpg

Em 2008, índices dão vantagem a Marta

Paulo Totti, VALOR

Somados, Geraldo Alckmin (PSDB, 22%) e Gilberto Kassab (DEM, ex-PFL, 18%), empatam com as intenções de voto em Marta Suplicy (PT), para o primeiro turno das eleições em São Paulo – 40% a 40%, segundo pesquisa do Datafolha, realizada nos dias 4 e 5 últimos. Para o segundo turno o empate persiste, 47% a 47%, se o adversário de Marta for Alckmin. Se for Kassab, as previsões por enquanto indicam vitória de Marta, 49% a 41%. Mas as perspectivas de Marta hoje são bem melhores do que as de 2004, quando era prefeita e contava com as vantagens do exercício do cargo.

Há exatos quatro anos (a pesquisa de campo ocorreu a 10 de setembro de 2004), o Datafolha era bem menos indulgente com a então prefeita. Marta recebia 36% das intenções de voto (votos válidos) e seu principal adversário, José Serra, já assumia a dianteira com 41% (Paulo Maluf, PP, ex-PPB, estava com 13%). Para o segundo turno, Serra disparava com 56% e Marta mal chegava a 37%.

Marta ainda não tinha aparecido na TV com o factóide do CEU-Saúde, mas o eleitorado, já decidido a não reelegê-la, demonstrava isso quatro semanas antes do primeiro turno. Quando o dia 3 de outubro chegou, as pesquisas se confirmaram dentro da margem de erro: Serra fez 2,686 milhões de votos (43%) e Marta 2,209 milhões (35%). No segundo turno, a retumbante confirmação do TRE: Serra, 3,3 milhões (55%) e Marta, 2,7 milhões.

À mesma altura do campeonato, a situação de Marta hoje é diferente e mais confortável. Sozinha, e já incorporando os votos que há quatro anos pertenciam a Luiza Erundina (4%), Marta lidera entre os eleitores com renda familiar de até 2 salários mínimos (Marta, 46%, Alckmin, 16%, Kassab, 15%), e entre os mais de 2 até 5 salários mínimos (Marta, 44%; Alckmin, 22%; Kassab, 16%). Nesse universo, estão 5,714 milhões de eleitores (71% do eleitorado total que é de 8,196 milhões). Alckmin e Kassab, cujos votos são um derivativo dos votos que Serra alcançou sozinho em 2004, somam mais votos que Marta, segundo o Datafolha, nas duas categorias seguintes, entre os que têm renda familiar de 5 a 10 salários mínimos e os de mais de 10. Entre os primeiros, um eleitorado de 16%, Marta tem 32% Alckmin, 26% e Kassab, 24%. No topo da renda, Marta tem 18%, Alckmin 35% e Kassab, 28%. Dez porcento dos eleitores têm mais de 10 salários mínimos de renda.

Há quatro anos, apesar da reconhecida penetração do PT e da prefeita na periferia e no eleitorado pobre, Serra se igualava a Marta (35% a 35%) entre os eleitores de até 5 salários mínimos. Com isso, empatava o jogo disputado, diria o palmeirense Serra, no campo do adversário, para passar a ganhá-lo a partir das faixas seguintes de distribuição de renda: entre os que ganhavam mais de 5 até 10 salários mínimos Serra alcançava 41% contra 30% e chegava a 45%, contra 27%, entre os que ganhavam mais de dez.

A performance de Serra era também muito boa, segundo a pesquisa, em todas as faixas de escolaridade. Entre eleitores com ensino fundamental, Serra tinha, a 10 de setembro de 2004, 36% (Marta, 31%), ensino médio, 36% (Marta, 37%) e superior, 46% (Marta, 26%). Hoje, as intenções de voto de acordo com a escolaridade dos eleitores dá o seguinte quadro: ensino fundamental, Marta, 47%; Alckmin, 18%; Kassab, 15%. Ensino Médio, Marta, 39%, Alckmin, 21%, Kassab, 20%. Superior, Marta, 26%, Alckmin, 33% e Kassab, 23%.

Em 2004, Serra tinha 272 mil votos acima de Marta a 10 de setembro, segundo o Datafolha. Em 2008, pelos mesmos critérios, Alckmin e Kassab têm, somados, 65 mil votos mais que Marta, num eleitorado total que cresceu 426 mil. Esta pequena diferença impede que Marta comemore desde já uma vitória no primeiro turno, mas os números de hoje são muito mais confortáveis que os de 2004. Sem contar outras influências favoráveis deste pleito e que vão desde a melhora da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo às confusões na cúpula adversária.

08/09/2008 - 23:47h Marta debate propostas para a Educação

Fotos Cesar Ogata
marta_plenaria_educacao.jpg

Marta debate propostas para a Educação em São Paulo, enquanto Kassab fecha cursos de qualificação profissional

Em plenária com cerca de dois mil educadores na região central e que contou com a participação da deputada federal Luiza Erundina (PSB), Marta recebeu o apoio de professores e estudantes que lotaram o Clube Trasmontano. Ela disse que vai promover uma revolução na qualidade da educação.

“A revolução, que não foi possível apenas com os CEUs, será com a qualidade da educação”, afirmou a candidata durante o evento, realizado no final de semana.

Marta foi enfática contra o fechamento de escolas de qualificação e cursos de alfabetização, que a atual administração vem promovendo. “Não podemos concordar com o fechamento desses cursos de forma alguma. Ao contrário, vamos aumentar ao número maior possível de salas nas escolas”, afirmou.

Marta se espantou com a informação de que a Prefeitura de São Paulo devolveu R$ 17 milhões em recursos da União para cursos de qualificação. “Eles não conseguem planejar cursos de qualificação e devolvem o recurso por pura incapacidade”, disse Marta.

A candidata também citou propostas específicas para valorização do profissional de educação, para a gestão democrática das escolas, para os jovens em liberdade assistida e para a educação especial. Os centros de formação e qualificação para o professorado foi explicado como espaços que terão suas atividades definidas pelos próprios interessados. “Quem vai dizer o que fazer são vocês, olhem a responsabilidade de vocês! Qualquer mudança será discutida”, afirmou, dirigindo-se aos professores.

Marta explicou também as medidas de avaliação do processo pedagógico que serão elaboradas em sua gestão. “Queremos que o professor trabalhe apenas em uma escola, para que possa ter tempo para se dedicar ao ensino e à comunidade”, disse Marta sob aplausos dos educadores.

marta_plenaria_educacao_mes.jpg

Paulo Freire eternamente – A deputada federal Luiza Erundina (PSB) homenageou o educador Paulo Freire, que faria 87 anos este mês e que foi secretário de Educação em seu governo. “Tenho certeza que ele está no melhor lugar que o espírito humano pode estar, pois foi um semeador de sonhos. Da mesma forma que tenho certeza de que Marta vai retomar em suas mãos a esperança que Paulo Freire plantou nessa cidade”, disse Erundina.

De acordo com a ex-prefeita, Marta vai ter possibilidades reais e concretas de retomar a condução da cidade de São Paulo. “Pela força e mobilização dessa campanha, eu digo que é capaz de ganharmos no primeiro turno”, entusiasmou-se Erundina, acrescentando, entretanto, que não teme um eventual segundo turno. “Para o processo de mobilização social, é até bom que tenhamos tempo para consolidar este saldo de políticas de organização do povo para dar sustentação ao governo de Marta”, ponderou.

Fonte Boletim bancada de vereadores do PT

05/09/2008 - 10:41h O mapa das eleições municipais em São Paulo

Clique na imagem para ampliar e ler

mapa_eleicao.jpg

PSDB e PT brigam por 10% de indecisos

Paulo Totti – VALOR

Não é esta a primeira vez que Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) são adversários na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Isso já aconteceu em 2000, quando Marta teve 34,4% dos votos e passou para o segundo turno. O desempenho de Alckmin foi tão discreto que nem seus próprios eleitores (17,26%) recordarão que o então vice-governador de Mário Covas chegou em terceiro. Quem logrou classificar-se para uma derrota no turno final foi outro reincidente na eleição de agora, Paulo Maluf (PP, ex-PPB), com 17,4% – 7,5 mil votos a mais que Alckmin.

Marta Teresa Suplicy – os sobrenomes Matarazzo e Smith Vasconcelos não constam do registro no TRE – teve sua maior votação no primeiro turno, 41,94%, na 375ª Zona Eleitoral – São Mateus, no extremo leste da cidade, região que o instituto de pesquisas Datafolha considera Leste 2. Marta foi a mais votada em 2000 também nos bairros de Sapopemba (41,21%) na Leste 1, Itaim Paulista (40,02%) Leste 2 e Grajaú (39,66%), Sul 2. Paulo Salim Maluf – herdeiro dos votos de Jânio Quadros e também de Adhemar de Barros, curiosa aliança da vassoura com a gazua ainda não explicada pela ciência política – conseguiu sua maior votação, 23,04%, na 260ª Zona Eleitoral – Ipiranga e Sacomã, Sul 1. Apesar de não ter sido o primeiro, Maluf foi igualmente bem votado na Vila Maria (20,47%, Norte 1) e Tatuapé (20,23%, Leste 1).

Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho, na mesma eleição, teve sua maior votação, 36,08% na 5ª Zona Eleitoral – Jardim Paulista, Cerqueira César, Vila Olímpia (Oeste). Outras boas votações de Alckmin: 33,32% em Pinheiros, Alto de Pinheiros, Jardim América, Vila Ida, Vila Madalena (Oeste); 27,37% em Perdizes (Oeste) e 27,15% na Vila Mariana (Sul 1).

Oito anos depois, pouco mudou. Marta e o PT continuam imbatíveis a Leste e ao Sul. Alckmin e o PSDB são os campeões de votos na região Oeste. Maluf perdeu poder, prestígio e votos. Seus eleitores migraram visivelmente para o PSDB e o PFL, hoje DEM, mas, nesta undécima participação sua em eleições diretas, ainda tem influência – não mais que 10% dos votos – numa faixa que corta verticalmente o centro do mapa de São Paulo, juntando bairros da região Norte, Vila Maria, Santana, Tucuruvi, com a do Sul próximo – Ipiranga – e da Leste 1 – Penha, Tatuapé -, região que, por ser um reduto de Jânio Quadros em suas disputas com o então MDB na década de 80, levou o politicólogo Antônio Flávio Pierucci a publicar respeitada análise do quadro eleitoral com o título “A direita mora do outro lado da cidade”.

O outro lado, obviamente, era o que ficava logo ali, depois da Sé, a caminho das zonas Norte e Leste. A esquerda era o MDB, de Orestes Quércia e ainda de Fernando Henrique Cardoso, e, na época, freqüentava um triângulo com vértices nas Universidades (USP, PUC, Mackenzie). O MDB, depois PMDB, ainda sustentou por anos a disputa pelo voto na periferia, mas, nessas regiões, perdeu algum terreno para o PSDB e maciçamente para o PT. Hoje, o PSDB consolidou o domínio em bairros como Pinheiros, Perdizes, Jardins. Não é que a direita se tenha mudado para este lado da cidade, dirão petistas que ainda se consideram esquerdistas. Este lado da cidade é que marchou, pelo menos, para a centro-direita. Dados oficiais mostram que José Serra, em 2004 para prefeito, alcançou nessa espécie de Vilaboim ampliada mais de 55% dos votos no primeiro turno. E se espalhou, com 45% a 55% dos votos, por Norte 1, Leste 1 e Sul 1. Números semelhantes, mesmo derrotado, o PT registrou em 2004 numa espessa franja de eleitores que ocupa toda região Sul 2, a densamente povoada região Leste 2 e a porção Perus/Anhanguera da região Norte 2 (em 1996, eleição de Celso Pitta, o PT salpicava de vermelho apenas dois subdistritos da Leste 2).

A disputa passou a ser, figurativamente, entre a Vilaboim e a Capela do Socorro. Vilaboim é a agradável pracinha de Higienópolis, em cuja vizinhança moram tucanos históricos como Fernando Henrique Cardoso e Paulo Renato Souza, ex-ministro da Educação e hoje deputado federal. O eleitor típico do PSDB mora numa “Vilaboim ampliada”, que pode ser Higienópolis e também Moema ou Alto Pinheiros. Ganha mais de 10 salários mínimos por mês e tem educação superior completa. Já o eleitor típico, que há três eleições vota no PT e parte agora para sua quarta manifestação de fidelidade, tem menos de seis anos de educação formal, ganha dois salários mínimos mensais e mora numa “Capela do Socorro ampliada”, que pode ser um conjunto habitacional da Cidade Dutra, ou uma casa-geminada-de-banheiro-único-e-laje-aguardando-ampliação-para-segundo-piso no Jardim Irene, região Sul 2. Aqui Fernando Henrique e Paulo Renato são pouco conhecidos e nada influentes. A Zona Sul se orgulha de Cafu, o lateral direito da seleção pentacampeã de futebol, nascido no Jardim Irene, mas a influência política é da família Tatto. A família, com experiência de atuação entre os sem-terra no interior do Rio Grande do Sul, instalou-se na região da Capela do Socorro e ligou-se à igreja e ao PT de São Paulo. Hoje nada acontece na política da Zona Sul ou na vida interna do PT da capital sem a concordância do deputado federal Jilmar Tatto, do deputado estadual Ênio Tatto e do vereador Arselino Tatto.

Nesta campanha, Marta Suplicy chegou à Cidade Dutra e à Vila São José, na 280ª Zona Eleitoral, para uma protocolar caminhada pelas ruas de comércio, abraços e apertos de mão de moradores que, somados os dois eventos, não durariam mais de 45 minutos. Os Tatto haviam mobilizado uma multidão para recebê-la, no meio da tarde de uma quarta-feira, dia de trabalho. Na Vila São José, Marta teve de transformar a visita em comício, subiu no carro de som e discursou ao lado dos Tatto e – cortesia da família – outros candidatos a vereador do PT e até do PCdoB e do PSB. Nas eleições municipais perdidas de 2004 e nas presidenciais vencidas de 2006 (Em São Paulo as presidencias não foram vencidas pelo PT – NDLF), o PT teve mais de 60% na Vila São José. “Vamos ter mais de 80 agora, e levar Marta à vitória já no primeiro turno”, conclamou do alto do carro de som – o seu carro de som -o vereador Tatto. Na pracinha triangular José Boerner Roschel da Vila São José, mais de mil pessoas aplaudiam. Duzentas delas traziam bandeiras com o nome e o 13.696 de Arselino Tatto, candidato à reeleição.

A campanha de Geraldo Alckmin tem algumas deficiências marcantes. A principal delas é a falta de doadores e, até agora, a ausência do governador Serra nos palanques e na TV – a primeira deficiência, comenta-se, seria uma provável conseqüência da segunda. Mas falta também uma família Tatto para arrebanhar “militantes” – pagos evidentemente, pois desde a eleição da prefeita Luiza Erundina, em 1988, mesmo no PT, não há mais quem tabalhe de graça em eleição -, embandeirar as esquinas e criar um clima de “já ganhou”, verdadeiro ou artificial.

De eleição em eleição, o PT cresce a partir da periferia. Em 1996, só tinha mais de 45% dos votos em São Mateus

Em Tremembé, esquina das avenidas Coronel Sezefredo Fagundes e Professora Maria Amália, numa tarde em que o bairro receberia a visita de Alckmin, apareceu um velho e grande ônibus com o letreiro “Família Cerciari” e faixas de “Paulo Cerciari, Vereador, 45.111″, estacionou perto do Sobradinho dos Drinks e ficou ali, parado, sem fazer qualquer barulho. A família Cerciari foi embora quando veio a notícia de que Alckmin desistira da visita porque adeptos de Maluf, com quatro kombis, uma bateria de oito (bons) ritmistas e dezenas de bandeiras “São Paulo tem pressa, Maluf, 11″ já ocupavam as calçadas na confluência das duas avenidas. Permaneceu no local, por mais alguns minutos a torcida organizada “Aníbal, 45.601″, do ex-subprefeito de Jaçanã, Aníbal de Freitas Filho. São as 60 moças de Aníbal com suas bandeiras amarelas, transportadas em seis camionetas, a presença mais constante nas aparições de Alckmin no Centro e na região Norte da cidade (no acompanhamento de Alckmin, mais fiéis e interessados que os tucanos parecem ser os candidatos a vereador do PTB, como Robson Tuma, “homem de respeito, 14.040″, com suas nove reluzentes kombis). As moças de Aníbal recebem ajuda de custo para alimentação, transporte e um salário mínimo para acompanhar a agenda do candidato a vereador o mês inteiro (esta é a remuneração padrão da mão-de-obra menos qualificada da campanha de rua). Como Alckmin não apareceu para os ambicionados eleitores – apenas passou de carro pela esquina – as garotas do Aníbal também foram embora, rebolando na cadência do samba da bandinha que esperava a chegada de Maluf. Uma das coordenadoras de Aníbal se aproximou de outro coordenador e gritou-lhe no ouvido: “Ânimo, ânimo”. E ria. Dava a impressão de que o fazia literalmente entre aspas, repetindo recomendação de algum coordenador de coordenadores.

Dois dias depois, Alckmin acordou cedo e às 6h30 já estava na esquina da rua Monsenhor Andrade e Henrique Dias, no bairro do Brás, à entrada do maior camelódromo do Brasil, o Shopping Popular da Madrugada. É um terreno da antiga Rede Ferroviária Federal alugada a uma empresa, a GSA, que administra o funcionamento entre duas da manhã e seis da tarde de um aglomerado de 4,7 mil bancas dedicadas à venda de produtos populares – praticamente tudo, à exceção visível de bebidas alcoólicas e eletroeletrônicos. Cada banca mede dois metros por um e é atendida, no mínimo, por duas pessoas: 9,4 mil eleitores diretos, fora as famílias. Atrás do shopping há um estacionamento que recebe em média 300 ônibus por noite – 400 na época de Natal. Existem até alojamentos no shopping para hospedar os motoristas de ônibus que antes iam para o Paraguai, mas desde 2005 preferem viajar até São Paulo transportando milhares de sacoleiros de todo o país.

Alckmin chegou sem paletó, protegido do frio da madrugada por uma camiseta por baixo da camisa social, e foi colhendo informações dos administradores do shopping. Seus acompanhantes eram poucos e também poucos os candidatos a vereador e cabos eleitorais. Somados, chegavam a 12. No labirinto de bancas, uma colada a outra, com um corredor exíguo, mais estreito que os caminhos do Mercado Modelo de Salvador, luzes todas acesas pois não se vê o sol nascer sobre o teto de plástico das tendas, Alckmin vai cumprimentando vendedores e fregueses – estes, em sua quase totalidade eleitores de outras cidades e Estados – e fazendo perguntas. Com seu característico apertar do lábio inferior com a arcada dentária superior, o candidato quer saber tudo, o valor do aluguel (R$ 220 o metro quadrado), o horário de funcionamento, onde moram. E despede-se: “Parabéns, você é uma guerreira”. “Até mais, bons negócios”. Mas o clima não é exatamente o de campanha eleitoral, está tudo muito certinho, comportado, até que um dos acompanhantes de Alckmin, de óculos, bigodes grisalhos, paletó sem gravata, grita: “Olha o governador que vai ser prefeito. Geraldo Alckmin!”. Quem sacode a monotonia é o deputado federal Antônio Carlos Pannunzio, vindo de Brasília e Sorocaba para ajudar na campanha. Quatro mocinhas da comitiva começam a entoar “Geraldo, Geraldo”. E um outro acompanhante grita: “45″. A visita acaba com um funcionário da GSA informando o ex-governador de que o único político que até agora se interessou pela sorte dos vendedores do shopping é Agnaldo Timóteo, vereador pelo PR. O cantor apóia Gilberto Kassab.

Mapas organizados pelos cientistas políticos Fernando Limongi e Lara Mesquita, da Universidade de São Paulo (USP) e do Cebrap, mostram a geografia do voto e a evolução do PT no município de São Paulo. Se Maluf está presente em quase todas as disputas travadas em São Paulo nos últimos 20 anos – até daquela, em 1996, de que não participou mas mandou votar em Celso Pitta como se este fosse seu bastante procurador – o Partido dos Trabalhadores é o que sempre concorreu à prefeitura nesse período e, desde que há segundo turno, é o único jamais ausente no “play off” eleitoral.

O início da atual campanha de rua e da propaganda pela TV surpreendeu 80% dos eleitores já definidos em sua simpatia. A campanha se faz com o objetivo de não permitir o êxodo dos eleitores já conquistados, fiéis como se pertencessem a uma torcida de clube de futebol, e de conquistar os cerca de 11% indefinidos que, ao afinal se definirem, ditarão o vencedor. Se os indecisos forem 10%, 5,1% deles farão a diferença. E 10% são exatos 819 mil eleitores.

“Não é exagero dizer que em eleição polarizada a disputa durante a campanha é em torno de 10% dos votos. O problema é que a linha que divide o PT do PSDB concentra muita gente e, portanto, um leve deslocamento pode trazer mais do que 10% dos eleitores”, diz o cientista político Fernando Limongi.

Estas eleições têm uma característica singular: os partidos concorrem com seus principais nomes. Marta, Alckmin, Gilberto Kassab, Maluf, os candidatos mais competitivos, são os que realmente reúnem a maioria de votos em suas correntes. Não foi assim, por exemplo, na eleição presidencial de 2006, quando Alckmin foi o escolhido do PSDB naquele famoso jantar do restaurante Massimo, apesar de Serra ser o favorito nas pesquisas. Agora, não. Alckmin e Marta são os melhores nomes que PSDB e PT têm no momento em São Paulo. E o prefeito Kassab, desconhecido até suceder Serra há dois anos, é o que mais bem representa a sua corrente política, o DEM, embora ele não enfatize, e o eleitor não perceba, que sua origem é o PFL.

Mas Kassab é a novidade deste pleito. Sua presença confunde os analistas e permite que a realidade resista à teoria. E esta, traduzida, indica que a dicotomia PT/PSDB é um fatalismo. Marta, apontam as pesquisas, avança da periferia – Aldo Rebelo, o vice de Marta e deputado do PCdoB, diria que isso lembra a tática de Mao Tsé-Tung – e derrota o Centro (e o Oeste) em primeiro turno. Mas, no segundo, haveria outro determinismo histórico, PSDB e DEM se uniriam como estiveram unidos nos últimos pleitos e comemorariam a vitória.

No momento, Marta e Alckmin estão empatados nas pesquisas de segundo turno. Se Alckmin, porém, superar seu “déficit de entusiasmo” ou Kassab ultrapassá-lo (hipótese mais remota), impulsionado pelo maior tempo na TV e pelo exercício do próprio cargo de prefeito, a derrota do PT pode se configurar.

As pesquisas, aliás, já sugerem essa convergência: eleitores de Alckmin e Kassab se inclinam para o candidato antipetista que as urnas indicarem para o segundo turno, independentemente da briga na cúpula entre Alckmin e Kassab, Aécio Neves e José Serra.

Segundo o Datafolha, na região Sul, 37% dos eleitores votariam em Alckmin contra Marta no segundo turno, e 35% em Kassab (Marta, 54% e 56% respectivamente).

Na Norte, 51% em Alckmin e 47% em Kassab (Marta, 40% e 44%). Na Leste, Alckmin, 46% e Kassab, 39% (Marta, 47% e 51%).

Na Oeste, Alckmin, 64% e Kassab, 54% (Marta, 32% e 35%). Centro, Alckmin 48%, Kassab, 65% e Marta, 42% e 32%, se enfrentar Alckmin ou Kassab.

30/08/2008 - 17:28h Lula: “Eu tenho lado, e meu lado é Marta”

Lula critica uso de sua imagem por candidatos da oposição

Em comício de Marta Suplicy, presidente afirma que candidata petista à Prefeitura é ’seu lado em São Paulo’

Alexandre Inácio, da Agência Estado e Andréia Sadi, do estadao.com.br

 


Marta e Lula durante comício em São Miguel
José Luís Conceição/AE

Marta e Lula durante comício em São Miguel

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste sábado, 30, durante comício que marcou sua primeira participação na campanha da candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, em São Miguel Paulista, na zona leste da capital, a utilização de sua imagem por candidatos de partidos de oposição. “Como presidente, eu não tenho que apoiar ninguém, mas numa campanha política só tenho um lado, que é o lado da Marta aqui em São Paulo”, declarou. Antes do comício, Lula participou de carreata em carro aberto por cerca de dois quilômetros das ruas do bairro, acompanhado da candidata petista, dos senadores Eduardo Suplicy e Aloísio Mercadante, ambos do PT-SP, dos deputados federais Luíza Erundina (PSB-SP), Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT).Veja também:

linkLula participa de campanha ao lado de Marta Suplicy em SP

linkLula e Marta são ovacionados em carreata na zona leste de SP

linkAlckmin cai, Kassab sobe e reduz diferença para tucano

linkConfira o perfil dos candidatos à Prefeitura de São Paulo especial

Ao discursar para cerca de quatro mil pessoas, segundo a Polícia Militar, Lula ressaltou a força da mulher e disse que Marta foi vítima de preconceito quando prefeita de São Paulo, assim como Erundina quando esteve à frente da Prefeitura da capital. Segundo o Presidente, os quatro anos em que Marta ficou fora da Prefeitura foram importantes para a candidata ganhar sobriedade para o próximo mandato.

Lula confirmou a “parceria” com o governo federal que a candidata petista vem destacando em sua campanha, dizendo que vai haver maior afinidade entre a Presidência da República e a cidade de São Paulo se Marta Suplicy for eleita. Lula disse ainda que espera que o programa Farmácia Popular – que vende remédios mais baratos para a população de baixa renda – seja levado para todos os bairros da cidade. No comício, o presidente anunciou que irá assinar decreto na próxima semana estabelecendo a realização de exames oftalmológicos, dentários e de clínica geral em crianças nas escolas públicas de todo o País.

No comício, Marta ressaltou a importância dos CÉUs e lembrou que o primeiro inaugurado em seu mandato como prefeita foi na zona leste e teve presença de Lula. Além disso, Marta destacou que foi o governo de Lula que incluiu 51% da população na classe média. A candidata também fez críticas ao sistema de transportes da capital e disse que terá a parceria do presidente Lula para ampliar o metrô e estender a malha da zona leste.

25/08/2008 - 17:48h Ondas e fundamentos

ondas.jpg

Desde a re-democratização e as suas primeiras eleições em 1982, foi se configurando na cidade de São Paulo três grandes eleitorados. A cada pleito eleitoral esses três setores disputam a hegemonia entre si, com uma constância que surpreende o analista superficial.

Esses três segmentos eleitorais começaram a sofrer uma mudança com a introdução do sistema eleitoral majoritário a dois turnos, o que reforça a tendência já presente nas democracias à bi-polarização da vida política. Mesmo assim, na cidade de São Paulo esses três segmentos eleitorais permeam a vida eleitoral desde 1982 até agora.

Inicialmente os setores hegemônicos foram constituídos pelo centro-esquerda peemdebista e a direita populista (janista e malufista). O terceiro segmento, muito pequeno, foi ocupado pela esquerda na criação do PT.

Como o sistema eleitoral proporcional não exigia maiorias absolutas para vencer, a divisão nestes três segmentos do eleitorado permitiu a vitória de Jânio e depois, uma primeira vitória do PT com Erundina.

Desde aquele momento, foi a evolução interna entre os diversos segmentos do eleitorado e a relação de forças entre eles a que levou a um ou outro desfecho nas eleições na cidade (municipais, estaduais ou federais).

Globalmente o campo da direita populista majoritário em 1982 com Jânio, e ainda majoritário com Maluf até levar a vitória de Pitta em 1996, começou a desfiar depois. A evolução do centro-esquerda peemdebista-tucano para um pragmatismo de centro-direita o transformou no principal receptáculo do debilitamento da direita populista, ao mesmo tempo que permitiu ao PT ocupar plenamente sua vocação social-democrata, de força de centro-esquerda. Como isto não foi produto de um processo linear, as relações de força eleitorais expressavam isto de maneira muito fluida, porém persistente.

Mesmo vencendo as eleições em 2000, por exemplo, a maioria em favor de Marta e do PT só foi possível no segundo turno pelo apoio de Mário Covas à Marta. O grosso do eleitorado de Alckmin no primeiro turno, na época candidato do PSDB, foi para Maluf no segundo turno, mas uma importante fração votou na Marta, que ganhou com 58% dos votos válidos contra 42% de Maluf (que no primeiro turno tinha obtido pouco mais de 15%).

Depois o processo só reforçou o campo do centro-direita tucano e parcialmente também o campo petista, em detrimento do malufismo. Isto permitiu em 2002 a vitória de Lula, mesmo que por pequena margem na cidade, na medida em que se fechava o ciclo do PSDB no governo federal e se consolidava a implantação do PT em São Paulo. Mas o PSDB emergia, com a vitória ao governo de Estado e com um bom resultado na cidade, como a força hegemônica no centro e na direita do espectro político.

As eleições de 2004 e de 2006 confirmaram está situação reforçando eleitoralmente o PSDB em São Paulo, sem porém eliminar completamente a direita populista que preserva um pequeno e importante eleitorado.

A está altura da analise é bom insistir que não existem categorias estancas entre os três segmentos eleitorais, nem sociológicas, mesmo que os setores mais pobres sejam o destaque do eleitorado do PT e que a burguesia e as altas camadas médias se identifique claramente com o PSDB. Uma parte do eleitorado de classe média oscila entre o PSDB e o PT, outra parte oscila entre os tucanos e a direita populista, é têm eleitores pobres em todas as candidaturas, evidentemente.

Os contornos mudam a cada eleição determinados pela conjuntura concreta e a intervenção das forças políticas e sociais nessa conjuntura.

Na situação atual persiste o fenômeno aqui analisado. A novidade é por conta de dois fatores novos, coincidentes no tempo: um, a ampla base de apoio no eleitorado nacional à política e à figura do presidente Lula, do PT; e o segundo é a novidade da disputa interna no campo do centro e centro-direita (hegemonizado pelo PSDB) com repercussões diretas na cidade de São Paulo com duas candidaturas, Kassab e Alckmin. A conjunção de ambos processos, aliados ao carisma e popularidade de Marta é a que constitui o tripé que sustenta a possibilidade de uma vitória da candidatura de centro-esquerda. Utilizo essas etiquetas de propósito, porque contrariamente ao mito de que o voto no Brasil não é ideológico, o eleitorado acaba agrupado sim, nos espectros ideológicos, seja de esquerda ou de direita com suas variantes.

Mas, apesar da crise no campo do centro-direita, não existe nenhum automatismo nesse desfecho. A vitória de Marta é possível, ela não é automática.

Primeiro, porque esses setores, mesmo divididos, contam com uma ampla base de sustentação eleitoral. Segundo, porque contam com uma amplíssima base de sustentação social e política nos diferentes mecanismos de poder: Estado, prefeitura, associações, mídia, instituições, ideológicas e culturais etc. Terceiro, porque souberam preservar esse apoio em São Paulo, com sustentação eleitoral incluso em setores médios e populares, disputando o eleitorado com o PT. Por último, porque serão pressionados a se unirem para enfrentar Marta, mesmo se essa união será limitada no tempo e apenas formal.

Por isso me parece essencial insistir na campanha, no nosso perfil de oposição aos demo-tucanos em seu conjunto e utilizar o momento para ampliar a receptividade às propostas do PT para a cidade, conjugadas com a ação do governo federal. Isto permitiu captar uma pequena parcela de eleitores que no primeiro turno não votaram no PT, nem em 2004, nem em 2006 e que aparecem nas duas últimas pesquisas inclinados a votar na Marta.

Esses eleitores vão ainda flutuar bastante, como ondas, e provocarão oscilações nas intenções de voto de todos os principais candidatos, até o desfecho do segundo turno. Mas é com eles que pacientemente o diálogo deverá ser preservado e aprofundado para conquistar no final seu voto, decisivo para a vitória. LF

09/07/2008 - 11:02h Erundina anuncia apoio a Marta

marta_erundina_rindo.jpg

Cristiane Agostine – VALOR

Ex-prefeita e uma das fundadoras do PT, a deputada federal Luiza Erundina (PSB) declarou ontem apoio à candidata petista à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, e defendeu a extensão da aliança entre o PT e os partidos do bloco de esquerda para 2010. “Marta, conte comigo”, discursou a ex-petista, que se desligou da sigla em 1997.

Depois de receber homenagens de petistas em um seminário sobre habitação organizado pelo partido, Erundina demonstrou que estava satisfeita com o apoio do PSB, juntamente com o PDT e PCdoB à Marta. “A composição das forças democráticas e populares em torno da tua candidatura (de Marta Suplicy), de um projeto para São Paulo, sem dúvida nenhuma tem uma dimensão política, tem um componente político que vai para além de 2008. Transborda para 2010 e politicamente marca o processo político nacional”, disse.

“Eu discutia, eu defendia que aqueles partidos que compõe o chamado bloquinho (PSB, PDT e PCdoB) estivessem em uma aliança com o PT, com Marta, para que se pudesse configurar um outro campo político ideológico”, discursou a deputada. Na eleição passada, Erundina não apoiou Marta no primeiro turno e saiu candidata.

Ontem, Erundina foi muito aplaudida por uma platéia de cerca de 400 pessoas, composta por militantes petistas, lideranças de movimentos sociais, políticos e estudantes. Marta Suplicy elogiou as ações da hoje socialista e lembrou das dificuldades enfrentadas quando Erundina foi prefeita. “Quero lembrar que há 20 anos São Paulo elegeu uma mulher nordestina e do PT”, comentou Marta.

A deputada, visivelmente emocionada, começou seu discurso falando as negociações de seu partido com o PT e depois disse que não “precisava ser vice-prefeita”. “Mas eu queria um governo de esquerda”, explicou. Ela foi convidada para compor a chapa de Marta, mas seu partido não aceitou o cargo de vice. “Estou absolutamente tranqüila e feliz de a decisão ter sido não aquela que eu defendia, mas a mais correta e justa para São Paulo”, ponderou. O vice de Marta é o deputado Aldo Rebelo, do PCdoB.

Ontem, Marta teve outra boa notícia: por unanimidade, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) acolheu recurso e revogou a decisão de primeiro grau que a multou e à empresa Folha da Manhã, por entender que houve propaganda antecipada em uma entrevista concedida pela petista à “Folha de S.Paulo”. O TRE também cancelou por unanimidade multa contra a Editora Abril, por entrevista à revista “Veja São Paulo”.

Segundo o relator do recurso movido pela “Folha”, desembargador Walter de Almeida Guilherme, as questões citadas na sentença de primeiro grau ficaram “prejudicadas” depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicar uma nova resolução, modificando a disposição sobre propaganda eleitoral que deu margem para as ações contra veículos de comunicação.

Os ministros do TSE revogaram o artigo 24, que proibia os pré-candidatos de “expor propostas de campanha” antes do início da campanha, e criaram um novo artigo que diz: “Os pré-candidatos e candidatos poderão participar de entrevistas, debates e encontros antes de 6 de julho de 2008″.

Depois do voto do relator, o juiz Paulo Octávio Baptista Pereira fez questão de dizer que também votaria pela retirada da multa mesmo sem a nova resolução do TSE. A entrevista de Marta à “Folha” foi publicada no dia 4 de junho e à “Veja São Paulo” ? , na edição de 4 a 11 de junho. (Com agências noticiosas)

08/07/2008 - 23:53h Contribuição de Marta Suplicy ao Seminário sobre Habitação

marta_erundina_mesa.jpg

marta_habitacao.jpg

marta_erundina.jpg

Minhas amigas, meus amigos…

Agradeço, inicialmente, a presença de nossos convidados: Jorge Wilheim e Luíza Erundina. E a presença de todos vocês, deputados, vereadores, lideranças comunitárias, moradores da cidade de São Paulo.
Estamos aqui, hoje, para debater mais um tema do seminário “São Paulo: Novos Caminhos”: habitação. Mais que um tema, trata-se de um problema – e um problema cruel e desafiador.
Para que se tenha uma idéia, a Secretaria Municipal de Habitação estima que temos um déficit de 850 mil moradias. E que São Paulo lidera o ranking nacional de municípios com o maior número de famílias vivendo em favelas e cortiços.
Aliás, muitas vezes costumamos nos referir, ao conjunto da população da cidade, dizendo “os moradores de São Paulo” – sem atentar para o fato de que uma parte desses “moradores” simplesmente não tem onde morar. Ou vivem em espaços carentes de condições mínimas de habitabilidade.
Não tem uma casa. E, quando falo casa, penso em nosso conceito de moradia. Não se trata de um abrigo improvisado qualquer. De gente amontoada no cômodo estreito e escuro de um cortiço. Nem de um casebre precário, que mal se sustenta de pé, no meio de um loteamento clandestino ou irregular.
Quando falamos de “moradia digna”, o que temos em mente é a casa capaz de acolher a pessoa. Onde ela esteja segura de sua posse – nada é mais aflitivo para uma chefe de família do que a possibilidade do despejo. Ter moradia digna é ter acesso aos serviços públicos básicos e essenciais. É ter água, esgoto, luz, coleta de lixo, transporte. É ter equipamentos de educação próximos, saúde, segurança, cultura e lazer.
Nosso pensamento é este. Nosso conceito de política habitacional coloca em primeiro lugar os que mais precisam… de uma casa. E esta casa tem de ser digna.

(mais…)

28/06/2008 - 10:44h Jornalismo: Marta consolida apoio eleitoral

Cesar Ogata
marta_aldo.jpg

Paulo Liebert/AE
Marta com Aldo: “De um lado, as forças de esquerda, com projeto de inclusão. De outro, demos e tucanos, com o projeto da enrolação”

Durante lançamento da coligação do bloco de “esquerda” em São Paulo, petista cita empenho de Lula na formação da aliança e critica PSDB e DEM. Paulinho da Força diz que sindicatos irão trabalhar na campanha

Alessandra Pereira – Correio Braziliense

São Paulo — Afinados no discurso de que a chapa representa a união das forças de esquerda em torno da retomada da principal capital do país, a pré-candidata do PT à prefeitura paulistana, Marta Suplicy, e seu candidato a vice, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), apresentaram ontem a coligação batizada de Uma Nova Atitude por São Paulo. Na prática, Marta consolidou o apoio dos maiores partidos do bloquinho (PSB, PDT e PCdoB) aos petistas, depois de uma longa negociação que precisou de intervenções diretas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chegar a bom termo.

Em ato de lançamento com as presenças do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, foi esse o enfoque de consenso. A de que a formação da chapa une as “forças populares” em uma campanha que, na avaliação de Marta Suplicy, será, mais uma vez, polarizada entre dois grupos políticos e projetos distintos.

“São Paulo vai ser palco de uma disputa entre dois projetos. De um lado, as forças de esquerda, com um projeto de inclusão social. De outro, demos e tucanos, com o projeto da enrolação social”, disse a ex-prefeita e ex-ministra do Turismo, em referência às candidaturas do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab (DEM), que tenta a reeleição. Com a coligação, a chapa terá cerca de 7,5 minutos de tempo no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.

Marta se disse alegre em poder ter como vice alguém “do porte de Aldo Rebelo”. “Sinto que temos uma dupla afinada, com uma competência bastante complementar”, disse. Questionada sobre a participação de Lula nas negociações, a ex-prefeita, que governou São Paulo entre 2001 e 2004 e perdeu a reeleição para o atual governador do estado, José Serra (PSDB), comentou: “O presidente fazia muito gosto no apoio das esquerdas aqui em São Paulo para o seu partido (PT). Isso eu sei porque foi comentado a mim. O Aldo pode dizer qual foi o peso desse pleito presidencial”.

Segundo o deputado, “houve um empenho grande do presidente Lula” e das lideranças de todos os partidos para que o bloco se unisse ao PT na formação de uma grande chapa de esquerda em São Paulo. Tanto Marta quanto Rebelo foram reticentes quanto à possibilidade de a aliança paulistana se prolongar até as eleições de 2010. “Há expectativa de que seja estratégica”, afirmou o deputado, lembrando que PT e PCdoB estão juntos desde 1988.

Esquema
Marta Suplicy e Aldo Rebelo também negaram constrangimento em relação à presença no ato e ao apoio de Paulo Pereira da Silva, acusado de envolvimento em um esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Paulinho abdicou de seus sigilos telefônico, bancário e fiscal e está sendo investigado pelo Conselho de Ética da Câmara e pelo Supremo Tribunal Federal (STF)”, defendeu Rebelo. Marta afirmou não ver problema algum: “Ninguém pode ser julgado antes da hora”.

No ato de ontem, Paulinho foi cumprimentado com abraços por Marta e Rebelo. O deputado, que deixou a presidência do PDT em razão das acusações, mas ainda comanda a Força Sindical, disse que os 52 sindicatos ligados à central irão trabalhar firme por Marta. “Os trabalhadores vão buscar voto por voto nas ruas”, disse.

Segundo Marta, é a primeira vez, em muitos anos, que as centrais
sindicais estão juntas em uma candidatura para a prefeitura de São Paulo. “Isso é motivo de entusiasmo, porque temos todos os sindicatos, temos uma militância com garra, querendo ir para as ruas, temos uma coligação forte e o apoio do presidente Lula”, computou. Lula já confirmou que irá prestigiar a campanha de Marta sempre que possível.

Mais do que a da cúpula do PSB, representado pelo presidente do diretório municipal, o vereador paulistano, Eliseu Gabriel, a maior ausência sentida foi a da deputada federal Luiza Erundina, que chegou a ser cogitada para a vaga de vice de Marta. Representantes dos partidos do bloquinho acreditam que a candidatura teria ainda mais força com Erundina como vice, porque ela já foi prefeita e aparecia com 8% das intenções de voto para prefeita, contra apenas 1% de Rebelo.

Segundo representantes do PSB, Erundina terá participação ativa na campanha e é nome importante também para ocupar posição de destaque em um eventual novo governo de Marta Suplicy na capital paulista. Hoje e amanhã, os partidos do bloquinho e o PT fazem as convenções partidárias para homologar as candidaturas.


Alckmin nas ruas

No mesmo dia em que os adversários desfilaram a tiracolo com cabos eleitorais de peso, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin, enfrentou, solitário, o eleitorado. Desacompanhado até de fiéis deputados tucanos, Alckmin fez uma visita breve a uma feira de lojistas de shoppings na Zona Norte da cidade.

O tucano minimizou a maratona de inaugurações às vésperas do início da eleição — promovida pelo prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM) — e seu impacto nas urnas dizendo que ela não é uma ameaça. “Para mim, está bastante claro que a disputa mais difícil é com o PT”, afirmou.

Mas, mesmo em relação à adversária petista, a ex-ministra Marta Suplicy, o ex-governador adotou um discurso otimista. “Está bom. Estamos num empate técnico com a candidata do PT e, na simulação de segundo turno, temos 9, 10 pontos, uma boa margem de frente”, disse ao citar pesquisas recentes.

Alckmin, rodeado por assessores tucanos e organizadores da feira, percorreu por cerca de uma hora estandes de expositores, distribuiu beijos e apertos de mão e tirou fotos. Já Kassab, pela segunda vez nesta semana, esteve ao lado do governador José Serra (PSDB). Ambos entregaram um viaduto na Zona Leste da cidade. “É natural que todos os candidatos procurem se expor, buscar votos. Isso faz parte do processo democrático”, disse Alckmin.

26/06/2008 - 10:30h Ibope: Marta lidera em São Paulo, com 34%

ibope_junho.jpg

diario_ibope.jpgO Diario de São Paulo (e O Globo) foram os únicos jornais a destacar os resultados da pesquisa IBOPE. Estranhamente os dois principais jornais da cidade quase que sonegaram a informação. Os diversos cenários, a rejeição, a reação dos candidatos, quase tudo foi deixado de lado. Reconheço que o interesse jornalístico pela pesquisa era reduzido, na medida em que a queda de Alckmin esta no limite da margem de erro, o empate técnico entre Kassab e Maluf na disputa pelo terceiro lugar não mudou em relação a um mês atrás e a rejeição continua mostrando os mesmos números. Mesmo assim uma pesquisa poucos dias antes do início da campanha eleitoral normalmente ganha mais destaque. Nem o artigo da Folha Online no qual Kassab diz estar contente com os resultados ou aquele que registra que 58% não confia nele, nada ganhou espaço na versão impressa do jornal. É verdade que o universo dos entrevistados pelo IBOPE é pequeno, a margem de erro grande (4 % para + ou para -) e a empresa de transporte que encomenda a pesquisa na qual participa um político ligado a Alckmin, tinha ganho destaque no mês anterior nos jornais que insinuavam alguma relação entre uma coisa e a outra.

Mesmo assim…
LF

Ibope: Marta lidera em São Paulo, com 34%

Alckmin, em segundo, ganharia da petista num eventual segundo turno; Kassab está em terceiro

Sergio Roxo – Diario de São Paulo

SÃO PAULO. A ex-ministra Marta Suplicy (PT) lidera a corrida pela prefeitura de São Paulo com 34% das intenções de voto contra 27% do segundo colocado, Geraldo Alckmin (PSDB), segundo pesquisa do Ibope feita a pedido do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp). A vantagem de sete pontos percentuais da petista fica no limite da margem de erro, que é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.

O cenário considerado é o mais provável para a eleição de outubro, com a candidatura de Paulo Maluf (PP) e sem Luiza Erundina (PSB), já que o PSB aderiu ontem à candidatura do PT. Com essas opções, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) é o terceiro colocado, com 14%.
Paulo Maluf (PP) aparece em quarto, com 8%. A pesquisa ouviu 602 eleitores e foi realizada entre 21 e 23 de junho.

— Temos que aguardar o próximo levantamento para saber se há mesmo uma tendência de liderança da Marta — disse o diretor do Ibope Hélio Gastaldi, responsável pela pesquisa.

O instituto simulou outros três cenários. Em todos, aparece o nome de Paulinho (PDT), que não deve se candidatar e poderá apoiar Marta. Com Erundina na disputa, Marta tem 31%, Alckmin soma 25% e Kassab fica com 13%. Maluf tem 8%, um ponto à frente de Erundina, que não deve disputar. Sem Maluf e com Erundina, a petista lidera com 32% e Alckmin fica em segundo, com 27%. Kassab somaria 14% e Erundina, 9%. Se Maluf e Erundina saem, Marta fica na frente, com 36%. Alckmin tem 30%, e Kassab, 15%.

Sem Erundina e com Maluf, Marta sobe quatro pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, de maio. Alckmin cai dois pontos e Kassab, um.A intenção de voto em Maluf não se alterou.

Num eventual segundo turno, Alckmin bateria Marta com 49% contra 41% das intenções de voto. Na disputa Marta e Kassab, a petista levaria vantagem de 50% a 36%. Se Alckmin e Kassab se enfrentassem, a vitória seria do tucano por 54% a 25% dos votos. A pesquisa mostra ainda que o candidato com maior índice de rejeição é Maluf, que tem 51%. Já Marta tem a rejeição de 32%. Kassab aparece em quarto na lista, com 27%. Alckmin tem só 14% de rejeição.

25/06/2008 - 20:27h Esquentando os motores

O Ibope aponta Marta com 34%, Alckmin, 27%; Kassab, 14%; e Maluf, 8%. Em seguida, vêm Soninha, 2%; Paulinho, 2%; Zulaiê Cobra, 1%; brancos e nulos, 10%; e não sabe/não opinou, 2%.

A pesquisa foi contratada pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de São Paulo e Região (Setcesp). O Ibope entrevistou 602 eleitores na capital paulista no período entre 21 a 23 de junho. A margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

No cenário com Erundina, que não é candidata, Marta lidera com 31%, Alckmin fica com 25%, Kassab 13%, Maluf 8% e Erundina 7%. Este cenário é que terá destaque nos jornais amanhã.

A avaliação da administração municipal mostra uma piora na avaliação de Kassab, dentro da margem de erro equivalente a pesquisa do mês de maio.

Segundo a Folha online Kassab está contente com os resultados. A Folha Online, deve estar menos contente que Kassab, ao ponto de registrar que 58% não confiam no atual prefeito. Registra também que aumentou o número dos que desaprovam sua administração e os que a consideram ruim ou péssima. Tudo dentro da margem de erro em relação aos números de maio. A Folha Online destaca que Kassab perde em qualquer cenário em um eventual segundo turno.

A campanha não começou, as coisas podem mudar e pesquisa é uma foto do momento, ou seja amanhã não corresponde necessariamente com hoje, nas intenções dos eleitores.

O que pode se dizer é que dois candidatos estão na primeira fileira, Marta e Alckmin. Na segunda fileira, outros dois, Kassab e Maluf. essa é a pole position hoje. LF

martakassabalckminmaluf.jpg

Pesquisa indica que 58% não confiam no atual prefeito de SP

FOLHA ONLINE

A pesquisa Setcesp/Ibope divulgada nesta quarta-feira mostra que 58% não confiam no atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), contra 37% que confiam.

Em maio, 56% dos entrevistados não confiavam em Kassab, contra 40% que confiavam.

Quando se trata da aprovação da administração do democrata, o cenário muda. Em junho, 46% desaprovam a gestão, contra 50% que aprovam. Em maio, 42% desaprovavam, contra 53% que aprovavam.

A atual administração é ótima/boa para 36% dos entrevistados, regular para 33% e ruim/péssima para 29%. Em maio, 37% achavam ótima/boa a gestão, contra 36% que achavam regular e 26% ruim/péssima.

O Ibope ouviu 602 pessoas entre os dias 21 e 23 de junho. A margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

04/06/2008 - 09:43h “Daremos um choque de gestão no trânsito”, diz Marta candidata do PT a Prefeitura de São Paulo

FOLHA DE SÃO PAULO ENTREVISTA

MARTA SUPLICY

Quero reconquistar a classe média que eu perdi em 2004

Candidata à prefeitura pelo PT, Marta prega “choque de gestão” no trânsito e afirma que gestão Kassab só faz “enrolação social”

Fernando Donasci/Folha Imagem
marta_coluna.jpg
RENATA LO PRETE
EDITORA DO PAINEL

FERNANDO DE BARROS E SILVA
EDITOR DE BRASIL

Lançando mão de uma expressão que marcou o adversário Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006, Marta Suplicy declara que um “choque de gestão” no trânsito paulistano é sua prioridade e diz ter a intenção de “reconquistar a classe média” que ajudou a elegê-la em 2000 e foi decisiva para sua derrota em 2004.
A petista deixa hoje o Ministério do Turismo e assume oficialmente a candidatura à Prefeitura de São Paulo. A saída do governo federal será formalizada após uma conversa a sós com o presidente Lula. Na entrevista exclusiva que concedeu à Folha, anteontem à noite, na sede do PT paulista, Marta, 63, diz que a gestão Gilberto Kassab (DEM), “tímida e medíocre”, não faz inclusão, mas apenas “enrolação social”.

FOLHA – A sra. se declarou repetidas vezes muito satisfeita no Ministério do Turismo. Por que decidiu deixar o cargo e disputar novamente a prefeitura?

MARTA SUPLICY - Porque tive uma conversa política com o meu partido e com o presidente Lula. E também por uma percepção de paulistana de que a cidade precisa de uma nova atitude. Por fim, nos últimos meses, com o caos no transporte, não só achei que não tinha condição de titubear como me deu vontade. Eu sei que posso fazer. Já peguei a cidade em condição muito pior. Eu fiz muito com muito pouco. E eles fizeram muito pouco com muito.

FOLHA – Como foi a conversa com o presidente Lula?
MARTA
- Privada.

FOLHA – Ele a estimulou?
MARTA
- O presidente é sempre muito respeitoso com o sentir do outro. Mas é a cidade politicamente mais importante do Brasil, e a conversa seguiu para a conclusão de que eu seria a candidata ideal para o partido.

FOLHA – Se eleita, que garantia está disposta a dar de que não deixará o cargo em 2010 para disputar o governo de São Paulo ou a Presidência?
MARTA
- Assinar papel eu acho que ficou completamente desmoralizado depois da última eleição… O que posso dizer é que pretendo, tendo o privilégio de ser eleita, fazer um bom governo e ficar oito anos.

FOLHA – Serra errou ao sair em 2006 para disputar o governo?
MARTA
- É a consciência dele que tem de responder. Mas fiquei triste. No dia da transmissão do cargo, eu olhava e dizia: “Ele não vai ficar. Vai ficar essa pessoa que ninguém conhece”.

FOLHA – Em 2004, muitos apontaram falta de apoio do PT federal e de Lula em sua campanha à reeleição. Acha que ele vai se engajar agora?
MARTA
- Acho que a partir de nossa conversa ele já se engajou. Sinto bastante apoio dele.

FOLHA – Como explica o fato de o PT, aliado a tantos partidos no plano federal, estar em São Paulo diante da hipótese de marchar sozinho?
MARTA
- Fiquei decepcionada de o PMDB não ter vindo, porque o PT fez um esforço grande para trazê-lo, mas o esforço feito pelo governador José Serra foi mais convincente.

FOLHA – Como assim?
MARTA
- Houve empenho do prefeito Kassab e do governador Serra para atrair o PMDB. O PT tem conversado com o PC do B, o PDT, o PSB… Acredito que nós vamos ter parceiros.

FOLHA – Uma aliança com o PDT do deputado Paulinho, alvo de investigação da PF, seria constrangedora?
MARTA
- Que eu saiba, o Paulinho era da base do FHC. Na eleição que eu disputei contra o Serra, ele apoiou o Serra. Até recentemente, estava na administração Kassab. Hoje existe uma acusação. Mas noto que, enquanto ele era da base do governador, do atual prefeito, não se falava tanto do Paulinho.

FOLHA – Alguns petistas se movimentaram para dar o posto de vice em sua chapa à ex-prefeita Luiza Erundina (PSB). Como vê essa possibilidade?
MARTA
- É uma pessoa pela qual tenho apreço e que honraria qualquer chapa.

FOLHA – E a sugestão do presidente de que seu vice seja um empresário?
MARTA
- Acho uma idéia interessante, e cabe ao partido buscar um vice adequado.

FOLHA – A maioria dos analistas aposta que a sra. estará no segundo turno. Nesse caso, aceitaria o apoio do DEM, se Kassab ficar de fora da etapa final, ou do PSDB, se o eliminado for Geraldo Alckmin?
MARTA
- Será que eles vão brigar a ponto de isso acontecer?

FOLHA – A sra. aceitaria?
MARTA
- Não sei se poderia acontecer. Me deixaria em situação difícil. Eu falaria coisas tão horríveis deles, e já está tão feio o que está acontecendo…

FOLHA – A sra. se refere à divisão entre tucanos pró-Alckmin e pró-Kassab?
MARTA
- Essa briga é deles. Eu não vou entrar.

FOLHA – Na campanha de 2004, a sra. disse em entrevista à Folha que Alckmin era, “de longe, o melhor quadro do PSDB”. E agora?
MARTA
- Em 2006 eu disse que ele era de plástico. Mas não me compete dar opiniões sobre adversários. É uma situação muito feia. E acho que o eleitor, na medida em que acompanhar, vai formar sua opinião.

FOLHA – Que avaliação faz da gestão Serra/Kassab?
MARTA
- Tímida e medíocre. O que continuaram, antes tentaram interromper, como os CEUs, a ponte estaiada [Octavio Frias de Oliveira]. Disseram que era faustosa. No fim, custou o dobro do que consideravam faustoso. No trânsito, não construíram corredores. Não é um governo de inclusão social, mas de enrolação social.

FOLHA – Por que enrolação social?
MARTA
- O Bilhete Único perdeu a possibilidade de fazer o que se fazia em duas horas por causa da piora no trânsito. Isso eu achei muito perverso, por tirar a possibilidade de renovar o Bilhete Único na catraca, e obrigar a pessoa a encher o bilhete lá fora. Se você me contar um gesto social, eu agradeceria. É só enrolação social.

FOLHA – A atual gestão afirma ter poupado R$ 350 milhões barateando contratos de sua época. Argumenta que fez mais CEUs a custo mais baixo.
MARTA
- As medidas dos CEUs não são as mesmas, a infra-estrutura não é a mesma. A Folha tem que ir lá ver o que é um CEU feito na nossa gestão e o que é um CEU feito por eles. Provavelmente eles estão fazendo uniforme mais barato. Só que as mães vão à Câmara levar uniformes que depois de três meses estão rasgados.

FOLHA – Seus aliados dizem que o recém-inaugurado hospital de M’Boi Mirim, na zona sul, foi iniciado pela sra., mas a atual gestão sustenta que lá havia uma fábrica.
MARTA
- Se nós não tivéssemos enfrentado a disputa judicial para desapropriar o terreno, e depois não tivéssemos arrumado o dinheiro, eu queria saber em quanto tempo eles conseguiriam fazer o hospital. As escolas de lata. Foram feitas na gestão Pitta. O secretário do Planejamento se chamava Kassab. Herdamos 66. Substituímos 13. Deixamos 33 em construção e 11 licitadas, que ele acabou recentemente. Desconheço qualquer iniciativa importante deste governo.

FOLHA – E a Lei Cidade Limpa?
MARTA
- Acho um desenrolar interessante do Belezura, do projeto de cidade limpa que começamos com outro nome. Ele teve o mérito de levar adiante.

FOLHA – Mudaria a Cidade Limpa?
MARTA
- Não, foi positivo. Mas deixe eu voltar à ponte estaiada. Nós licitamos, fizemos a fundação e as pilastras. Eles disseram que a ponte era faustosa, e agora dizem que é a maior obra do governo deles. Fiz um modelo novo no transporte, com o Bilhete Único. Na educação, com o CEU. Na inclusão, com o Renda Mínima. O que eles fizeram de novo?

FOLHA – A sra. não considera que o atendimento de saúde melhorou com o modelo das AMAs?
MARTA
- As filas continuam, e as especialidades não foram colocadas. Elas atendem uma parcela da população que busca, muita aflita, uma solução rápida. Atendem, mas não resolvem efetivamente o problema.

FOLHA – O PT tem defendido mais investimento municipal em metrô. A atual gestão alega, porém, que a sra. não fez isso quando prefeita.
MARTA
- Nos primeiros dois anos e meio, a condição financeira da cidade não permitia. No final de 2003, tínhamos juntado o dinheiro da operação urbana na Faria Lima. Ou eu usava para fazer os túneis, ou para o metrô. Fomos conversar com o governador Alckmin. A gente queria fazer a estação no largo da Batata, junto ao corredor Rebouças. Mas eles não tinham projeto executivo, então não havia como pôr o dinheiro. Aí era manter o dinheiro guardado ou fazer os túneis.
Eu sabia que a obra poderia incomodar muitas pessoas. O que eu não imaginava eram ONGs que teriam como razão de vida o combate ao corredor da Rebouças e aos túneis. E que depois essas pessoas iriam todas trabalhar no governo eleito.

FOLHA – Se eleita, qual será a prioridade de sua nova gestão?
MARTA
- Transporte. Neste momento, não dá para pensar em outra. O paulistano não tem mais condição de viver no caos.

FOLHA – Qual é a sua proposta?
MARTA
- Será um esforço de guerra. No longo prazo, vamos unir esforços para superar 20 anos de atraso no metrô. Apresentei ao presidente a proposta de unir município, Estado e União num investimento de R$ 12 bilhões em seis anos para mais do que dobrar a atual rede. No médio prazo, faremos 200 km de corredores -no nosso primeiro governo fizemos 100 km. Paralelamente, faremos obras viárias para melhorar a fluidez do trânsito. No curto prazo, revitalizaremos os corredores existentes para retomar a velocidade que possuíam quando implantados. Daremos um choque de gestão no trânsito. Precisamos investir pesado em tecnologia, informatizando todos os corredores e ampliando significativamente os semáforos inteligentes, colocando mais marronzinhos na rua para garantir fluidez e cumprimento da lei, restringindo o estacionamento nas principais vias. Diferentemente do que ocorreu no meu primeiro governo, a prefeitura hoje tem dinheiro, graças à situação econômica do país.

FOLHA – A sra. ampliaria o rodízio?
MARTA
- Rodízio é medida de quem não tem plano.

FOLHA – A taxa do lixo, que tanto desgaste lhe trouxe, foi extinta. Não consta que a prefeitura esteja com problema de arrecadação. Foi um erro criá-la?
MARTA
- Não faria novamente. Foi um erro. Na época não conseguimos dimensionar o impacto para a classe média. Nada como um dia depois do outro para poder reconhecer.

FOLHA – Em 2004, embora tenha perdido a eleição, a sra. foi a mais votada no cinturão periférico da cidade. Durante a campanha, disse que preferia vencer com o voto da periferia. Qual será sua estratégia desta vez?
MARTA
- Acho que posso ampliar a votação na periferia, mas tenho o firme propósito de reconquistar os eleitores da classe média que me elegeram em 2000 e que perdi em 2004. Acho que isso também tem a ver com minha identificação com o governo Lula. Agora a avaliação do governo Lula é outra, e isso pode me ajudar.

FOLHA – A sra. faz algum mea-culpa sobre o “relaxa e goza” dito na crise aérea de 2007? O que pretende fazer se seus adversários usarem a frase para atacá-la na campanha?
MARTA
- A frase foi uma tristeza, uma infelicidade. Tirada do contexto, ficou mais infeliz ainda. Eu pedi desculpas, acho que uma parcela da população entendeu e me perdoou. Se for utilizada na campanha, acredito que a maior parte da população vai sentir como algo fora do lugar. Não acho também que vão pegar uma pessoa com 20 anos de vida pública e destruir por causa de uma frase infeliz.

FOLHA – O PT deve ter candidato à sucessão do presidente Lula?
MARTA
- Deve.

FOLHA – A ministra Dilma Rousseff, que hoje é a mais lembrada, tem sido contestada por setores do partido. Mal comparando, a sra. também já foi vítima de rejeição no PT.
MARTA
- A ministra Dilma tem uma trajetória de vida totalmente comprometida com os ideais do PT. O trabalho conduzido por ela no governo a credencia para representar o PT em qualquer cargo. Digo com a autoridade de quem participou da fundação do PT desde o colégio Sion. Mas o preconceito com relação a mim era diferente, por ser de família rica.

FOLHA – A sra. se vê em condições de ter uma boa parceria de trabalho com o governador Serra?
MARTA
- Mais condições do que o Alckmin. Tenho relação muito boa com o Serra. E melhor ainda com o presidente Lula.

17/05/2008 - 19:52h DataFolha: Marta e Alckmin lideram em São Paulo

marta_kassab_alckmin.jpg

Nova pesquisa DataFolha no jornal de domingo.

Os resultados são sensívelmente os mesmos que na pesquisa anterior. Marta lidera com 30% e Alckmin está com 29% (ambos subiram 1 ponto, mas a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos, ou seja está tudo igual). Kassab está com 15% (subiu 2 pontos, ou seja está também igual) e por último Maluf está com os mesmos 8% da pesquisa anterior e Erundina passou de 7 a 5%, oscilação na margem de erro.

Ou seja, mesmo tendo reforçado suas alianças, feito quase uma inauguração-comício a cada dia, além da propaganda da prefeitura e do noticiário positivo, a situação de Kassab não melhorou nem em relação ao seu adversário Geraldo Alckmin, nem em relação a Marta Suplicy.

O fato de Alckmin se manter no mesmo patamar, mesmo sem muito espaço na mídia, na medida em que a campanha ainda não começou (pelo menos para os que não têm a máquina do Estado e da prefeitura do seu lado), é significativo da dificuldade que Kassab e Serra estão encontrando para derrubar sua candidatura. Alckmin mantém incluso sua baixa rejeição, sendo que a rejeição de Kassab é próxima da rejeição de Marta. (rejeição: Marta 31%; Kassab 27%, Erundina, 25% e Alckmin 16%. Neste quesito Maluf lidera com 53%).

Um fato chama a atenção: a medida que a candidatura da Marta tende a se confirmar na opinião pública, a intenção de voto espontânea (onde o entrevistado é convidado a responder em quem votaria, sem apresentar nenhum cenário para ele) cresce bem acima da dos outros concorrentes. No final de novembro ela tinha 7%, passou para 10% em meados de fevereiro, pulou para 15% no final de março e hoje esta com 18% de intenções espontâneas de voto. Em comparação, Alckmin arrancou em 4% e hoje está com 9% e Kassab saiu de 10% e hoje esta com 13 pontos. Aliás Kassab está com quase a mesma intenção de voto entre o espontâneo e o cenário com a tabela dos candidatos. Já Marta pula de 18% para 30% e Alckmin passa de 9% a 29%.

Outro elemento da pesquisa, já presente nos resultados anteriores, é a liderança de Marta Suplicy na Zona Sul (Marta 38%, Alckmin 28%, Kassab 10%) e na zona leste da cidade (Marta 32%, Alckmin 22% e Kassab 20%). Marta também lidera no centro, mas com margens menores (Marta 29%, Alckmin 26% e Kassab 17%) Já a zona norte tem Alckmin na liderança com 41% (Marta 17% e Kassab 13%) e a zona oeste também Alckmin lidera com 37% (Marta 20% e Kassab 17 pontos).

Marta Suplicy também lidera com folga nas camadas mais pobres da cidade (41% entre os que ganham até 2 salários) e 29% nos que tem renda familiar entre 2 e 5 salários mínimos. Alckmin está nesses dois estratos com 21% e 30% respectivamente e Kassab com 11 e 15 pontos.

Já a pirâmide muda com a liderança de Alckmin acima de 5 salários, com 40% e acima de dez com 41%. Também nesses segmentos Kassab obtém melhores resultados empatado com Marta em 19% nos primeiros e com 21% nos mais ricos.

Mesmo a pesquisa não tendo mostrado quase nenhuma alteração nas intenções de voto, ela tem um peso na movimentação política.

Apesar da mídia ter insistido no isolamento de Alckmin e de Marta Suplicy, ambos abacanham 60% das intenções de voto do eleitorado. Ou seja, isolamento muito relativo em relação ao que conta: apoio do eleitor.

A medida que se aproxima o começo da campanha a situação de Alckmin, na medida em que consiga resistir as investidas dos demo-serristas, tenderá a ser um pólo aglutinador no seu campo reduzindo o espaço hoje dominado por Kassab. Para este último começa a ser vital descontar essa distância com Alckmin para dar perspectiva de vitória a sua candidatura e não ser abandonado pelos tucanos que hoje estão com ele.

Para o PT e a candidatura Marta Suplicy, o atual patamar é um muito bom começo, mais ainda se comparado com o de Alckmin que foi candidato a presidente e venceu no primeiro e no segundo turno na cidade.

Sem ter ainda anunciado sua candidatura, figurar com o apoio de um terço do total dos eleitores, dentre uma lista de 10 possíveis candidatos, confirma a força das realizações da administração da Marta, da forte implantação popular do PT e da avaliação positiva do governo Lula.

Cabe agora alavancar a campanha em propostas e soluções para melhorar São Paulo, confrontando o continuismo demo-tucano.

Luis Favre

10/05/2008 - 16:11h Alckmin defende investigação no metrô

Ex-governador chama para si responsabilidade pela gestão de Covas e promete pacote para o trânsito

alckmin_pensativo.jpg

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

Questionado sobre supostas irregularidades no metrô durante a gestão de seu antecessor, morto em 2001, Alckmin disse que “toda a responsabilidade do governo Mario Covas é minha também”. Leia a seguir:

FOLHA – O que o sr. pensa de uma chapa Marta-Erundina? Negocia alianças?
ALCKMIN
- Política não é questão de gênero. Tenho muito respeito pela Erundina [PSB]. É lógico que nós gostaríamos de ter o chamado bloquinho do nosso lado, mas, enfim, vamos aguardar. Eu não tenho insistido muito nisso porque me parece que eles pretendem ter candidato próprio, e eu respeito. Caso contrário, nós gostaríamos de contar com eles.FOLHA – E o acordo DEM-PMDB?
ALCKMIN
- Não vejo nenhum problema. É importante destacar que política não é só marketing, tempo de TV. É projeto.FOLHA – O sr. teme ficar sem recursos para a campanha?
ALCKMIN
- O mínimo é necessário, claro. Pretendo fazer uma campanha despojada, absolutamente franciscana.FOLHA – Como resolver o problema do trânsito na capital?
ALCKMIN
- Quando você tem uma situação muito grave, não há apenas uma proposta. Estive em Curitiba, fiz uma palestra e fiquei só estudando transporte. E no começo de junho vou a Bogotá, que também tem iniciativas importantes. Estou chamando especialistas. Pretendemos apresentar 40 medidas.

FOLHA – PT o acusa de ser o governador que menos ampliou o metrô.
ALCKMIN
- O PT não vai nos elogiar. Eu entreguei a linha 5 do metrô, todas as estações de Capão Redondo até Santo Amaro. Na linha 2, entreguei as estações Chácara Klabin e Imigrantes e deixei a Ipiranga praticamente pronta. A linha 4 é a grande obra, a amarela, a mais importante, a da integração. Deixei a obra licitada, contratada, com financiamento e parceria público-privada.

FOLHA – O sr. acompanha as investigações de supostas irregularidades no metrô durante os anos 1995 e 2003, em que estava no governo?
ALCKMIN
- Toda a responsabilidade do governo Mario Covas é minha também. Isso é uma continuidade, é governo do PSDB. Se é do PSDB, não tem distinção. Eu nunca tinha ouvido falar nisso. Entendo que, se houver um fato concreto, ele deve ser apurado rigorosamente, rigorosamente, somos os mais interessados nisso.

FOLHA – Pode-se pôr a mão no fogo e dizer que não há irregularidade?
ALCKMIN
- Não, mas até agora você não tem nenhum fato. Nunca tive o menor conhecimento em relação a isso.

08/05/2008 - 16:29h Nos bastidores

Blog de Josias

estrelita.gif(…)Se os alinhavos das últimas horas se converterem em pontos de costura, a ministra Marta Suplicy fica em situação delicada. Ao menos no que diz respeito ao chuleio das alianças.

Por ora, o PT está só. Dispõe de algo como quatro minutos de espaço no rádio e na TV. Sonhava com a reedição, em São Paulo, de uma versão reduzida do consórcio partidário que dá suporte legislativo a Lula em Brasília. Apostara pesado em Quércia. Perdeu. Virara-se para o PR. Tudo indica que perderá de novo.

Os operadores de Marta chegaram a mirar também o PTB, partido do ministro José Múcio (PE), coordenador político de Lula. Mas Campos Machado, o mandachuva da legenda em São Paulo, é velho amigo de Alckmin. Sempre oscilou entre o tucanato e a candidatura própria. Marta não chegou a compor os seus planos.

Restou para o PT o assédio ao chamado bloquinho (PSB, PCdoB e PDT). São legendas que, em outros tempos, alinhavam-se automaticamente ao petismo. Porém, os ventos mudaram. Em público, os líderes dessa trinca partidária dizem que vão às urnas com um nome próprio.

O mais animado é o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB). Há duas alternativas a ele: a deputada Luíza Erundina (PSB), que não demonstra muita disposição para a disputa; e o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força Sindical, que acaba de ser abalroado pelo escândalo do BNDES.

Em privado, os comandantes do bloquinho não excluem a hipótese de uma composição com outra legenda. Mas Marta Suplicy não é a primeira da fila. Alinhado com o projeto presidencial de Ciro Gomes (PSB), o generalato do bloquinho enxerga a eleição de São Paulo com olhos federais. Não interessa ao grupo fortalecer o governador tucano José Serra, aliado de Kassab. Tampouco convém tonificar o PT paulista.

Na semana passada, Aldo Rebelo reuniu-se em segredo com Geraldo Alckmin. Apoiadores do candidato tucano dialogam também com o deputado federal Márcio França, presidente do diretório paulista do PSB.

As conversas não produziram nada que possa ser chamado de entendimento. Mas vai-se consolidando a impressão de que, num eventual segundo turno entre Alckmin e Marta, o bloquinho pode pender para o lado do tucanato. (…)

Escrito por Josias de Souza

08/04/2008 - 04:35h Marta lidera corrida eleitoral em São Paulo

Ibope aponta ministra com 8 pontos à frente de Alckmin nas intenções de voto

L'image “http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/04/martakassabalckminmaluf.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

Guilherme Scarance – O Estado de São Paulo

A ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), lidera a corrida eleitoral para a Prefeitura de São Paulo, com 31% das intenções de voto, revelou pesquisa Ibope/Associação Comercial de São Paulo (ACSP) divulgada ontem. Em segundo lugar, vem o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), com 23%, seguido pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), com 14% dos votos.

A consulta lista ainda o ex-prefeito Paulo Maluf (PP), com 11% da preferência dos paulistanos; Luiza Erundina (PSB), 5%; o deputado e sindicalista Paulinho da Força (PDT), 2%, e a vereadora Soninha (PPS), 2%. A ex-deputada Zulaiê Cobra (PHS) e o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PC do B) não pontuaram. Votariam em branco ou anulariam o voto 9% dos entrevistados e 3% não souberam ou não quiseram opinar.

Em outra simulação, com Alckmin fora, Marta sobe um pouco mais e garante 33% das intenções de voto. Kassab vai a 19%, superando Maluf (13%), Erundina (10%), Paulinho (5%), Soninha (2%), Zulaiê e Aldo (1%). Excluindo-se Alckmin e Erundina da briga, Marta iria para 35% e Kassab, para 16%. Os demais não ultrapassariam 4%.

Esse é o primeiro levantamento feito pelo Ibope neste ano sobre a sucessão paulistana. Foram ouvidas 805 pessoas, entre os dias 20 e 23 de março. A margem de erro é de 3 pontos.

“A pesquisa mostra apenas uma inclinação inicial do eleitor”, destaca a diretora do Ibope, Márcia Cavallari. “Ainda há um índice alto de desconhecimento de quem serão os candidatos. É um ponto de início, mas ainda não indica tendências.”

SEGUNDO TURNO

Há três simulações de segundo turno: Marta versus Kassab, Alckmin contra Kassab e Marta contra Alckmin. A briga mais acirrada é entre a petista e o tucano: ela está com 45% das intenções de voto, enquanto o ex-governador tem 44%. A diferença configura empate técnico.

Se enfrentasse o atual prefeito no segundo turno, a petista venceria por margem maior – 49% a 35% dos votos. No embate entre Alckmin e o prefeito, o tucano venceria por 57% a 22%.

O Ibope avaliou, ainda, a rejeição aos pré-candidatos. o resultado para a pergunta – “de todos estes candidatos, em qual ou quais o(a) sr(a) não votaria de jeito nenhum para prefeito de São Paulo?” -, foi: Maluf (55%), Marta (29%), Kassab (28%), Erundina (24%), Paulinho, Soninha, Zulaiê e Aldo (todos com 15%). Alckmin tem a menor: 13%.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, sob o protocolo 00500108-SPPE.

07/04/2008 - 03:51h Segundo Ibope, Marta abriu vantagem de oito pontos

Blog de Josias

martakassabalckminmaluf.jpg

Petista obtém entre 31% e 35%, dependendo do cenário

Intenção de voto atribuída a Alckmin vai de 23% a 27%

Kassab tem 14%; num cenário sem Alckmin, vai a 19%

Gestão municipal é avaliada como ótima ou boa por 32%

Tucano pede rapidez ao PSDB e busca apoio em Brasília

Sob encomenda da Associação Comercial do Estado de São Paulo, o Ibope realizou uma sondagem eleitoral na cidade de São Paulo. Captou a intenção de voto dos paulistanos entre os dias 20 e 23 de março. O resultado é, sob todos os ângulos, desfavorável a Geraldo Alckmin (PSDB).

Montaram-se três cenários. Nos dois em que Alckmin figura na lista de candidatos, Marta Suplicy (PT) o supera com uma vantagem de oito pontos: 31% a 23% ou 35% a 27%, quando são excluídos do rol de candidatos Paulo Maluf (PP) e Luiza Erundina (PSB). Gilberto Kassab (DEM), figura com 14% num cenário e com 16% noutro. Abaixo, os números colecionados pelo Ibope e obtidos pelo blog:

Cenário um, com nove candidatos:

- Marta (PT): 31%

- Alckmin (PSDB): 23%

- Kassab (DEM): 14%

- Maluf (PP): 11%

- Erundina (PSB): 5%

- Paulinho da Força Sindical (PDT): 2%

- Soninha (PPS): 2%

- Zulaiê Cobra (PHS): 0%

- Aldo Rebelo (PCdoB): 0%

- Nulos e brancos: 9%

Cenário dois, sem Maluf e Erundina:

- Marta: 35%

- Alckmin: 27%

- Kassab: 16%

- Paulinho: 4%

- Soninha: 2%

- Aldo: 2%

- Zulaiê: 1%

- Nulos e brancos: 11%

O Ibope montou também um cenário em que o nome de Alckmin foi excluído da lista de postulantes à prefeitura. O maior beneficiário da exclusão é Kassab, que vai à segunda colocação, com 19% das intenções de voto. Candidato à reeleição, o prefeito fica, neste caso, 14 pontos percentuais atrás de Marta, com 33%. Eis os números:

Cenário três, sem Alckmin:

- Marta: 33%

- Kassab: 19%

- Maluf: 13%

- Erundina: 10%

- Paulinho: 5%

- Soninha: 2%

- Zulaiê: 1%

- Aldo: 1%

- Nulos e brancos: 13%

Os dados do Ibope diferem dos que foram levantados por outro instituto. Em sua última pesquisa, o Datafolha também detectara uma subida de Marta e uma queda de Alckmin. Com 29%, a candidata petista aparecera à frente de Alckmin, com 28%. Mas o quadro configura, do ponto de vista estatístico, um empate técnico. Algo que não se verifica na sondagem do Ibope.

A oscilação das pesquisas deixou inquieto o candidato tucano. Alckmin cobra pressa na definição do PSDB. Nesta segunda-feira (7), ele desembarca em Brasília. No dia seguinte, reúne-se com deputados e almoça com senadores tucanos. Na definição de um grã-duque do PSDB, a visita se insere no esforço do candidato “de mostrar que está vivo”. Alckmin quer ver e, sobretudo, ser visto.

A pretexto de levar às últimas conseqüências a tentativa de composição com o DEM de Kassab, o PSDB paulistano retarda para o final de abril a formalização da candidatura de Alckmin. O que leva impaciência à alma do candidato e de seus adeptos. Em privado, o líder do PSDb na Câmara, José Aníbal (SP), diz algo assim: “Não tem mais o que esperar. A demora só desfavorece o Alckmin e beneficia o Kassab e, principalmente a Marta.”

A pesquisa do Ibope aferiu também a opinião do paulistano sobre a gestão de Kassab na prefeitura. Os números tonificaram na cúpula do DEM a convicção de que não há hipótese de o prefeito abrir mão de disputar a reeleição. Verificou-se que a administração municipal é considerada ótima por 5% dos entrevistados; boa por 27%; regular por 37%; ruim por 10%; e péssima por 19%. Não souberam ou não quiseram responder 2% dos entrevistados. Na avaliação do DEM, o volume de intenções de voto de Kassab tenderia a se mover rumo aos 32% de eleitores que consideram sua gestão ótima (5%) ou boa (27%).

Escrito por Josias de Souza