17/03/2009 - 15:48h Ute Lemper consagra todos os outsiders da canção e da literatura

Ute Lemper – Kurt Weill – “Die Moritat von Mackie Messer”, Kurt Weill; “Berlin, die Symphonie der Großstadt”, Walter Ruttmann (1927)

Cantora alemã faz show hoje com um repertório baseado na obra subversiva de Kurt Weill, entre outros

Ubiratan Brasil – O Estado SP


Quem traçar uma linha imaginária unindo as músicas provocantes de Kurt Weill, a sedutora interpretação de Marlene Dietrich e as clássicas canções de musicais da dupla Kander e Ebb, certamente vai fechar o círculo com o nome de Ute Lemper. A cantora alemã que há mais de dez anos vive em Nova York tornou-se a mais fiel representante do cabaré operístico, aquele que une dança e voz cristalina na apresentação de canções sensuais e políticas. Esse é o repertório que vai marcar a única apresentação de Ute em São Paulo, hoje à noite, na Sala São Paulo.

Trata-se do concerto que marca a abertura da temporada 2009 da Tucca, associação que trata de crianças carentes com câncer. Ute vai apresentar canções que se tornaram imortais na voz de Edith Piaf e Marlene Dietrich, mas, essencialmente será um concerto baseado na obra de Kurt Weill (1900-1950) – fiel parceiro de Bertolt Brecht, ele incendiou os palcos com uma escritura musical subversiva, confrontando especialmente o nazismo que abominava sua obra. Afinal, o que interessava para a dupla eram temas provocantes, como prostituição, jogatina, crise moral do capitalismo. “Como poucos, ele soube traduzir as paixões e as frustrações que assolavam a sociedade alemã que enfrentou a 2ª Guerra Mundial”, disse Ute ao Estado, em entrevista por telefone desde sua casa, em Nova York. Totalmente adaptada à sociedade americana, ela se prepara para musicar a obra de outro famoso contestador, o escritor Charles Bukowski.

Como vai ser o show em São Paulo?

Vou me apresentar com uma orquestra (a Sinfônica Municipal de São Paulo) e o repertório vai trazer Kurt Weill, Bertolt Brecht, Edith Piaf e um pouco dos musicais, ou seja, união de canções alemãs, francesas e americanas. Estou muito motivada pois nem conheço a orquestra tampouco o regente (Rodrigo Carvalho). Vai ser muito emocionante.

Mas, no momento, você vinha apresentando um show diferente em Nova York, não?

Sim, chamava-se Last Tango em Berlin, no qual cantava para um público pequeno, cerca de 85 pessoas, no Cafe Carlyle. Era um show que eu descrevia como uma viagem entre passado e futuro (título, aliás, de seu CD com músicas próprias), pois unia meu repertório habitual (Weill, Piaf) com o tango de Astor Piazzolla, além de tratar de questões atuais (Ute fazia um monólogo em que brincava com a política mundial). Ao mesmo tempo, eu terminava os últimos detalhes do álbum que devo lançar nos Estados Unidos e Canadá até o fim de março, que é o mesmo que saiu na Europa no ano passado, com canções minhas. Não sei quando vai ser lançado na América do Sul, tenho feito o possível para isso acontecer. E, para não perder o fôlego, já iniciei a preparação do meu próximo projeto, que será inspirado na literatura de Charles Bukowski.

Acredito, então, que você não tem mais tempo para pintar, outra de suas habilidades, não?

Realmente, não tenho mais tempo. Pintei muito até há três ou quatro anos, até o nascimento do meu filho caçula, Julian, que passou a tomar mais do meu tempo. E, como comecei a compor, as poucas horas que me sobravam eram dedicadas às aulas de piano e à criação. Mas continuo admirando os expressionistas e surrealistas.

Mas o que parece não ter mudado é sua intensa identificação com a obra de Kurt Weill.

É verdade, especialmente por sua importância para a cultura alemã. Mas o repertório de Weill marca minhas raízes musicais. Foi um capítulo particular da música popular da Alemanha – muito breve, mas que compreendeu o nazismo, o final da República de Weimar e todas as transformações sofridas pelo país, especialmente por ele, chamado de macaco e negro pelos nazistas. Uma época que ele traduziu, de forma única, as paixões e as frustrações que assolavam a sociedade alemã. Quando eu tinha 17 anos, fiz um curso na Áustria no qual aprendi muito sobre a obra de Weill. Continuei interessada mesmo depois de me tornar profissional. Assim, ao longo dos anos, assumi como missão reviver esse repertório, dar-lhe vida novamente. O que não é tão difícil, já que as canções continuam atuais, pois tratam das rachaduras da democracia moderna como a corrupção, falam da liberdade sexual e de expressão.

Mesmo assim você não pretende voltar a morar na Alemanha?

Não, pois vivo em Nova York há 11 anos, estou ambientada aqui, uma sociedade moderna e internacional. Antes ainda, morei em Londres e Paris. Atualmente, a Alemanha é alemã demais para mim (risos). Acho que não me habituaria mais a viver lá. Toda minha família continua morando na Alemanha e, quando os visito, eu me sinto uma imigrante (risos).

Você também deixou de dançar?

Sim, desde o momento em que me concentrei em trabalhar com a voz. Participei de diversos trabalhos envolvendo a dança, especialmente os musicais que apresentei na Broadway e em Londres. Hoje, o ato de dançar continua apenas em minha mente. Até me mantenho em forma, teria condições de executar alguns passos, mas não faz parte dos meus planos.

O mesmo se pode dizer de sua carreira no cinema?

Sim, a produção de um filme normalmente consome várias semanas do tempo de um ator, o que implica se afastar de outros projetos e, especialmente, da família. E, francamente, não tenho mais disposição para ficar longe dos meus três filhos. É preciso que seja algo que realmente me interesse, como um filme que devo rodar em maio, na França, chamado Deauville, com direção de Miguel Cruz. Mas será uma exceção e não mais a regra – quando eu era jovem, eu participava de tudo (filmava, interpretava musicais, fazia shows, gravava CDs). Agora, prefiro focar no que mais me interessa, que é minha carreira musical.

O que ela tem em comum com a obra de Charles Bukowski, que vai inspirar seu novo projeto?

Na verdade, sempre considerei fascinante o fato de o próprio Bukowski não considerar seus escritos como literatura. Para ele, o que escrevia não passava de um relato de sua vida miserável, que não interessaria a quase ninguém. Mas essa sensação de ser um outsider permitiu que ele observasse a sociedade com um olhar crítico e original. Não há máscaras em sua escrita. Sabe, em alguns momentos me faz lembrar Bertolt Brecht, que também jamais pretendeu ser considerado um poeta. Ambos buscavam apenas retratar as dificuldades de se viver em sociedade. Foi justamente essa linguagem crua, suja, realista que me fascinou a ponto de me inspirar a criar uma melodia para essas palavras. Ainda não está pronto, mas tenho certeza que resultará em algo muito interessante.

Serviço

Ute Lemper. Sala São Paulo (1.484 lug.). Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos. Ingressos só pelos tels.: 3057-0131, 3884-4921, 4003-1212. Hoje, às 21 horas. R$ 50 a R$ 120

As Influências Da Cantora

KURT WEILL: O compositor foi o fiel parceiro de Bertolt Brecht, com quem criou obras como A Ópera dos Três Vinténs, Réquiem Berlinense e Os Sete Pecados Capitais. Interessada em seu trabalho, Ute leu até os artigos desdenhosos dos nazistas sobre Weill.

CHARLES BUKOWSKI: Cínico, anti-herói e dono de um desprezo militante contra instituições, o autor (1920-1994) deixou obra irregular, notadamente ególatra e escrita à base de muito álcool. A linguagem crua, no entanto, incentiva Ute a compor o próximo trabalho.

MARLENE DIETRICH: Maior estrela do cinema alemão, crítica do nazismo, a atriz (1901-1992) foi transformada em mito da sensualidade pelo filme O Anjo Azul. Ute sempre a homenageia nos shows.

Set List

Padam Padam (Henri Contet/Norbert Glanzberg)
La Vie en Rose (Louisguy/Edith Piaf)
Gershwin Medley (George Gershwin)
Moondance (Van Morrison)
Die Moritat von Meckie Messer (Kurt Weill/Bertolt Brecht)
Song of Mandalay (Kurt Weill/Bertolt Brecht)
Sourabaya Johnny (Kurt Weill/Bertolt Brecht)
Pirate Jenny (Kurt Weill/Bertolt Brecht)
J”attends un Navire (Kurt Weill/Jacques Deval)
Youkali (Kurt Weill/Roger Fernay)
Saga of Jenny (Kurt Weill/Ira Gershwin)
I”m Stranger Here Myself (Kurt Weill/Ogden Nash)
Milord (Margerite Monnot/Georges Moustaki)
Cabaret (John Kander/Fred Webb)
All that Jazz (John Kander/Fred Webb)

Sujeito a alterações

Ute Lemper – Ghosts of Berlin

08/03/2009 - 16:40h Aprender arte

El campo artístico ha logrado la señal más clara de éxito al ser pensado como una actividad profesional con creciente salida laboral. Con la misma velocidad que en su momento detectó un futuro para las carreras de administración de empresas o las de comunicación, el mundo universitario local vio en el arte un “nicho”, según la jerga del marketing, con enormes posibilidades

 Talleres. Convocan tanto a artistas que quieren hacer carrera como a los que no Foto: Gza. Andrés Waissman

http://adncultura.lanacion.com.ar/anexos/imagen/09/966570.JPG
DESDE TEMPRANO. En el Malba funciona con éxito la programación de educación a través del arte, sistema del que fue pionero el MoMA de Nueva York

Por Raquel San Martín
De la Redacción de LA NACION

Durante años, la crítica de arte fue terreno de escritores y poetas; el diseño de una exposición, de museólogos; la dirección de una galería, de conocedores; la política cultural, de intuitivos. Ya no.

Del gueto y la elite a la tapa de los diarios y las exposiciones que atraen multitudes, el arte ensanchó sus fronteras, rodeó a los artistas con una variedad de nuevas funciones, pero también refinó sus demandas. “En el mundo del arte hoy ya no es suficiente estar conectado”, sintetiza una curadora.

Hoy hace falta haber estudiado. En la Argentina, la oferta posible se multiplica en especialidades: gestión cultural, curaduría, conservación y restauración de obras, montaje de exposiciones, crítica de arte, artes electrónicas e historia del arte se reparten en licenciaturas y posgrados en las universidades e institutos, que contratan a investigadores y curadores para pedirles que diseñen para ellos programas innovadores en un campo pleno de ofertas.

Como eco de una tendencia que ya tiene años en otros países, aquí se crean carreras, se publican libros y se abren posibilidades de investigación en todo aquello que acompaña y sostiene a los artistas, desde seleccionar y colgar sus obras hasta criticarlas y estudiarlas, pasando por promoverlas en el mercado. En ese sentido, el campo artístico -nunca como hoy una actividad colectiva- ha logrado la señal más clara de éxito: poder ser pensado como actividad profesional.

Paralelamente a este interés más formal, el auge de la oferta desborda y alcanza al público común: museos y centros culturales organizan cursos que se dictan a sala llena, ante un auditorio ávido de entender y formar parte de un universo artístico que abre sus puertas pero mantiene algunas barreras sólo traspuestas por los que saben.

“En la proliferación hay una gran diversidad. Por un lado, hay un conjunto de propuestas destinadas a un público interesado y otras de formación de posgrado, que aproxima el arte a profesionales de otras carreras. Y otro grupo, que son las carreras y posgrados de universidades, con fuerte predominio de las estatales, que llegan a un público más especializado y también extranjero. En muchas de ellas, entre el 25 y el 30% de los alumnos provienen de países latinoamericanos, lo que es un estímulo para el desarrollo pero también para el sostenimiento de los posgrados”, sintetiza a adn cultura Diana Wechsler, investigadora del Conicet, profesora en la carrera de Artes de la UBA y en las maestrías del área de la Universidad Nacional de San Martín (Unsam), además de curadora independiente.

Impulsado por un discurso político que atribuye a la cultura la capacidad de integrar socialmente y generar recursos, el arte se puso de moda. Y ya hay quienes alertan sobre una saturación de profesionales formados para un mercado local que, aún en expansión, tiene dimensiones modestas y una multiplicación de ofertas que no arriesgan demasiado desde el punto de vista intelectual.

Con la misma velocidad que en su momento detectó un futuro para las carreras de administración de empresas, o para las de comunicación, el mundo universitario local vio en el arte un “nicho” -en el lenguaje del marketing- con posibilidades en alza.

En 38 de las 93 instituciones universitarias del país, públicas y privadas, hoy se dictan carreras vinculadas al arte, que atraen, según datos del Ministerio de Educación, a unos 49.000 estudiantes, más que los que estudian Ciencias de la Comunicación. El crecimiento del interés es sostenido y constante: desde 2001 se incorporaron 10.000 alumnos y las carreras de arte ocupan hoy el quinto lugar en las preferencias de los nuevos ingresantes. Todo un logro para una actividad que, hasta hace poco, en muchos imaginarios seguía asociada a la pobreza.

A las carreras más tradicionales de arte, como las de las universidades de Buenos Aires, La Plata, Córdoba, Cuyo y Tucumán, con décadas de trayectoria, se suman ofertas de grado en otros temas, como las artes electrónicas en la Universidad Nacional de Tres de Febrero (Untref), la conservación y restauración en la Universidad del Museo Social Argentino (UMSA), el arte multimedial en la Universidad Maimónides o la crítica de artes en el Instituto Universitario Nacional del Arte (IUNA), y posgrados que cubren una variedad cada vez más amplia, desde la historia del arte hasta la gestión de la cultura.

“Este auge de carreras y de interés tiene que ver con un proceso de profesionalización que se da en todo el campo del arte. Si antes el curador de un museo tenía un perfil bajo, ahora es un autor que se prepara técnica y teóricamente. Y la gestión de instituciones culturales se volvió más compleja”, dice Inés Katzenstein, investigadora, curadora y directora del Programa de Arte que desde este año tendrá la Universidad Torcuato Di Tella. El área incluirá un programa de formación para artistas jóvenes con teoría, práctica y talleres, pero también seminarios y cursos abiertos sobre temas de historia y crítica de las artes. En proyecto, hay una licenciatura en artes.

El juego entre oferta de carreras y necesidades del mercado contiene otros elementos, por ejemplo, la competencia que esta proliferación de profesionales en el mundo del arte ya está provocando. “Al haber un mercado superpoblado, se genera una situación competitiva fuerte y hay que tener un rasgo diferencial para posicionarse y destacarse”, analiza Rubens Bayardo, antropólogo y director del posgrado en Gestión Cultural de la Unsam. Las deficiencias de formación en muchos de quienes tienen cargos en organismos culturales del Estado aporta más interesados.

Sin embargo, hay quienes señalan que este auge de carreras vinculadas al arte no es sino el resultado lógico de lo que se sembró hace 25 años, cuando, con la recuperación de la democracia, se revitalizaron carreras tradicionales de arte (como las de la UBA, fundada en 1963 por Julio E. Payró; o la de la Universidad Nacional de Cuyo, creada a fines de los años 30), en las que se educaron muchos de los que hoy diseñan posgrados, dan clases, investigan y, en palabras de José Emilio Burucúa, “han dado forma a un campo artístico muy robusto”.

“En los años 80 se hizo fuerte la formación de profesionales a partir de varias universidades nacionales, y ese núcleo ha hecho posible que tengamos grandes profesores y muchos investigadores”, sostiene Burucúa, historiador e intelectual del arte, ex docente de la UBA y profesor de grado de la Unsam, donde hasta hace poco dirigió la maestría en Historia del Arte.

No es causal que el estímulo, que hoy da resultados visibles, haya comenzado en esa década. “Desde 1983, el campo del arte argentino ha tenido un impulso por una necesidad de autoexpresión en una sociedad que recuperaba la libertad de hacerlo. Eso ha alimentado la fortaleza del campo artístico y cultural, que mantuvo durante la crisis de 2001. El arte ha sido una tabla de salvación y llenó una voluntad de autoconocimiento”, expresa Burucúa.

La época del arte

Quizá sea eso lo que atrae cada vez más personas a los cursos y seminarios vinculados al arte, que en Buenos Aires se vuelven incontables. La Asociación Amigos del Museo Nacional de Bellas Artes, por ejemplo, ofrece desde hace años su carrera no formal de Historia del Arte, que llena su auditorio, complementada por un calendario de cursos que van de la música y la estética al arte contemporáneo.

Otro tanto sucede en el Centro Cultural Ricardo Rojas, el Recoleta, el Museo Sívori, el Centro Cultural Borges, el Espacio Fundación Telefónica y la Universidad Torcuato Di Tella, por citar unos pocos. A ellos se suman los museos que acompañan sus muestras más importantes con seminarios afines, como sucedió con el Malba y la visita de Sophie Calle o con la Fundación Proa, a propósito de la megamuestra consagrada a Marcel Duchamp, y, como todos los años, con los programas de auditorio encarados por arteBA, Buenos Aires Photo, Gallery Nights y Expotrastiendas.

Si cada época tiene un modo de expresión que la define, ¿será ésta la época del arte? “Se ha producido efectivamente un cambio en el lugar de la cultura y las artes con relación a otras esferas sociales. Arte y cultura aparecían en el imaginario como algo propio de una elite, que representaban un plus por encima de las necesidades básicas de la gente. Hoy está incorporado a la vida social, a la producción económica y a la política”, dice Bayardo. “Lo cultural tiene una relevancia enorme -agrega- en la estetización de los productos de consumo.”

Podría arriesgarse todavía más: la identidad cultural define un lugar en el mundo (la religión, el género, los gustos musicales pesan más que las clases sociales, por ejemplo) y hasta puede convertirse en una “marca”: desde hace años se difunde la idea de Buenos Aires como “capital del arte”, gracias a la interacción de la política pública y el sector privado. El crecimiento de circuitos artísticos, ferias y festivales en la ciudad colabora para despertar en un público más masivo el interés por aprender.

Hay, además, una renovada preeminencia del arte en el campo teórico de las humanidades que, con menor visibilidad pero una influencia sostenida, aporta casi tanto a este interés como la presencia creciente de galerías de arte.

“Ha habido un giro en las ciencias sociales y las humanidades, en el que muchos planteos teóricos de larga data en la historia del arte han alcanzado un papel central en otras disciplinas, como la historia de la cultura o la historia intelectual. Estudiar las representaciones, lo simbólico, la decodificación de textos y los vínculos entre imagen y escritura es algo que la historia del arte viene trabajando, y que los estudios culturales, por ejemplo, hoy rescatan. Que otras disciplinas se encuadren en estas problemáticas hace que aparezca el interés por el arte de sociólogos, historiadores y gente de la comunicación”, analiza Wechsler.

Cambio de paradigma o salida laboral

En este panorama, existe un aspecto que cambia el lugar de la demanda académica: hay en el arte, en términos más concretos, nuevas posibilidades de trabajo.

La gestión de la cultura, por ejemplo, es un campo amplio y con posibilidades. “Hay una apertura de opciones profesionales en la gestión cultural que viene de la mano de entender que no es un sector de gastos inútiles, sino una inversión que da réditos y que hay que manejar profesionalmente”, dijo Bayardo.

“En cultura hubo durante mucho tiempo la idea de que uno hace lo que le gusta o lo que le parece. Hoy se entiende que hay que elaborar políticas a partir de conocimientos, datos, investigaciones e información sólida, conocer el terreno y elegir estratégicamente qué aspectos y expresiones culturales se van a promocionar”, sintetiza.

Las exposiciones artísticas también han inaugurado múltiples tareas. El curador, por ejemplo, adquirió un lugar central, como parte de un museo, de un espacio de arte o en su actividad independiente. “Los estudios curatoriales tienen un auge total en Europa y Estados Unidos. El curador es una figura particular, que tiene que encarar un trabajo de producción cada vez más enorme”, dice Katzenstein, y cuenta que uno de los objetivos de la UTDT es abrir una maestría en Curaduría, porque “alguien que sale de Historia del Arte necesita una formación en arte contemporáneo”.

Con eso coincide Graciela Taquini, una de las primeras egresadas de la carrera de Artes en la UBA, hoy investigadora y curadora especializada en artes electrónicas, que reconoce haber hecho su carrera “en la práctica”. “Hoy veo a las chicas más jóvenes, tan formadas y tan eficientes, y pienso que están ganando tiempo. Pero a la vez, que la experiencia es insustituible.”

Para Taquini, la curaduría debería ser un posgrado. “Muchos se dicen curadores y no lo son. No debería ser una carrera de grado, sino una especialización de una carrera de arte. Más allá de la formación, de todos modos, las curadurías tienen el sello de las obsesiones personales”, admite la especialista que ha hecho del videoarte su territorio expresivo y reconoce como “obsesiones” el simulacro, la verdad y la paradoja.

El auge de las artes electrónicas -que van desde la fotografía y el video hasta la instalación y el net art – abrió una serie de nuevas funciones que hay que aprender. “Las artes electrónicas requieren una formación específica, para rendir cuenta teóricamente de lo que se hace. Así, han surgido teóricos y artistas-teóricos en este campo, pero también la necesidad imperiosa de formar curadores en artes electrónicas”, dice Norberto Griffa, director del Departamento de Arte y Cultura de la Untref y coordinador de la carrera de Artes Electrónicas, pionera en el campo, iniciada en 2000. La Untref abrirá este año una maestría en Tecnología y Estética de las Artes Electrónicas.

“Hay en este campo un problema de mantenimiento, de hacer que los aparatos funcionen todo el tiempo y eso demanda criterios de exposición diferentes. Las obras tienen que convivir en un mismo espacio sin contradecirse”, describe Griffa.

En el otro extremo de la historia, el pasado también se mira hoy de otra manera. “Otra causa del auge por estudiar arte tiene que ver con la creciente conciencia sobre la preservación patrimonial, sobre la que, si se mira el largo plazo, ha habido progresos en los museos del país. Hay necesidad de gente idónea que haga fichajes eruditos del patrimonio y que pueda imaginar una política patrimonial”, opina Burucúa.

¿No puede una oferta creciente saturar un campo artístico de dimensiones modestas, como el nuestro? “Estamos en el punto del brote, en plena explosión. Pero creo que todo esto va a ir decantando”, analiza Griffa. Para Burucúa, hay que mirar a las provincias. “Hay siempre un riesgo de saturación laboral, sobre todo en Buenos Aires, pero no creo que suceda todavía. Hay centenares de instituciones, en todo el país, que necesitan estos profesionales”, sugiere.

Otros comparan cantidad y calidad, y alertan: “Espero que en la Argentina este auge de formación haga que se generen discusiones más interesantes, de mayor complejidad y riqueza; no sólo gente preparada para hacer un presupuesto u ocupar un puesto de trabajo. Que se puedan formar como intelectuales, porque lo que hace falta es gente que piense”, dice Katzenstein. Entre los cursos informales, agrega Taquini, “faltan cursos de historia del arte argentino con un punto de vista menos tradicional, más cuestionador y crítico”.

Debajo de la mediática espuma del arte convertido en moda, hay corrientes sociales que demandan atención. Cuidado, dicen muchos, que largas filas para entrar en un museo o visitantes récord en una feria no necesariamente indican una multitud diversa, sino probablemente la misma gente que ya tenía familiaridad con el arte, sólo que ahora con acceso a una oferta más variada. “La democratización del acceso al arte afecta todavía a un segmento escueto de la sociedad, que es la clase media alta. El gran desafío es incorporar a otros sectores”, dice Burucúa.

También, repensar el lugar del artista en este andamiaje profesional de intermediarios que se teje a su alrededor y que, según a quien se pregunte, oscila entre lo beneficioso y lo prescindible.

07/09/2008 - 14:24h In hoc signo vinces

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A tragédia de Romeu e Julieta recontada no português escorreito d’antanho e, na ilustração, no bárbaro internetês hodierno.

 


WALNICE NOGUEIRA GALVÃO – Revista Piauí

Em Verona, por obra de Cupido fulminífero, Julieta e Romeu se apaixonaram, conquanto de clãs em feudo. Como se viu, o solo do feudo, que se dizia sáfaro, era pingue.

Capuletos e Montecchios, senhores de baraço e cutelo de seus rebentos, ameaçaram potro e polé, com tonitruância. Debalde. Por isso, uma entente cordiale enterreirou o caso e extraiu o ucasse: ordálio para avaliar o casal de saberetes. O colendo cabido, de borla e capelo sobre bombazina e cheviote, começou pela dulcinéia, desferindo-lhe uma questão:

– Qual a diferença entre epistemologia e ontologia, tal como postulada pela escola fenomenológica?

A dulcamara respondeu, e bem. A nova questão, que tentou acapachar o suposto acapadoçado, coube ao pelintra:

– Serão acrofobia e oclofobia opostos, ou, ao contrário, podem tornar abilolado o mesmo degas com mania deambulatória?

Não contente de responder corretamente, Romeu ainda os profligou, em objurgatória bem temperada:

– Refuto a contumélia: cediça e epicena é tal questão, para não dizer es-drúxula e periclitante. Vossas munificências querem é procrastinar! Quanta androlatria feudal!

(Nisso, uma maçaroca cujo esturro em prolação desencarquilhava as aurifulgentes comas passou aos boléus no varote.)

O cabido tentou tergiversar, acusando Romeu de tosquenejar. Romeu obtemperou que por fás ou por nefas não se calaria. A protonotária, que executava uma varsoviana anapéstica, deu-lhe razão. O anspeçada batavo adrede auscultou a beletriz. O vavassalo protestou: “Bofé! Isso é vavavá, quando não vuvu!” Esclareça-se que ele não era tatibitate.

Observação vatídica: o fuzuê virou forrobodó. E foi a nota babélica: todos confundiam lumbago com quiasmo, zeugma com hemoptise, suarabácti com anaptixe. Que cizânia entre os doges de Verona! Que facúndia! Que salacidade! Quão pantafaçudos!

A essa altura, Romeu estava atacado de satiríase e Julieta tinha-se tornado vulgívaga. Convolando-se na calada da noite, decidiram fugir no vaticano com toda a palamenta, ucha onusta inclusive, soando o vatapu, em demanda de um tugúrio. E anatematizaram: “É tudo uma choldra!” Alvinitente, a lua dealbava. Ante o casal, prosternavam-se as passariúvas. Uma cáfila desfilava, enquanto algo invisível barria nas matas ciliares, sobre os rípios.

Bem o fizeram. Hodiernamente, pode-se dizer que nada tisnou o contubérnio de Romeu e Julieta, para sempre. Até coube-lhes uma conezia, devidamente subenfiteuticada, concedida como prebenda pelos Capuletos e Montecchios.

(Entretanto, lá atrás um parlapatão regougava: “Eu pertenço ao partido que tem por partido tirar partido de todos os partidos!”)