15/08/2009 - 11:59h A Europa volta a rugir

http://img.rtp.pt/noticias/images/articles/367611/merkel+sarkozy_epa.jpg

Carter Dougherty* – O Estado SP

A economia europeia apresentou no segundo trimestre uma recuperação mais forte do que a esperada, sustentando esperanças de que a recessão mundial esteja próxima do fim.

A grande melhoria em relação ao primeiro trimestre sublinhou o quanto a Europa e a própria economia mundial se recuperaram desde a queda livre do fim de 2008. O bom resultado foi puxado por França e Alemanha, economias que apresentaram pequeno crescimento no segundo trimestre.

Apesar de muito dependente dos gastos governamentais, a Ásia apresentou recentemente grandes melhorias. Alguns dos principais analistas esperam para este ano um crescimento de até 9% na China, e de mais de 10% no ano que vem. Enquanto isso, a brutal contração no início do ano nos Estados Unidos amainou, e há sinais indicando pequeno crescimento para o segundo semestre.

A economia da União Europeia, formada por 27 países, encolheu 0,3% no trimestre encerrado em 30 de junho, chegando a uma taxa anual de aproximadamente 1,2%. Os 16 países que usam o euro como moeda tiveram declínio de 0,1% no segundo trimestre, equivalente a uma taxa anual de 0,4%.

Apesar de negativos, os dados europeus transmitiram uma impressão muito melhor do que os do primeiro trimestre deste ano, quando se registrou, tanto na União Europeia quanto na zona do euro, uma contração de 2,5% em relação aos três últimos meses de 2008.

O significativo abrandamento da recessão colocou a Europa em um nível semelhante ao dos Estados Unidos, onde a economia se contraiu num ritmo anual de 1% no segundo trimestre. Economistas disseram que a Europa recebeu alguma ajuda dos programas governamentais, como as bonificações pagas na troca de carros antigos por veículos novos, além da maior demanda por exportações observada na China.

Mas, acima de tudo, o desempenho representou uma virada para o choque financeiro que foi sentido nas economias do mundo todo após o colapso do Lehman Brothers, em setembro, e o subsequente caos nos mercados financeiros.

A Europa ainda enfrenta a possibilidade de ver sua recuperação desacelerar ou mesmo estagnar no início de 2010 por causa das iniciativas insuficientes para a restauração do sistema bancário e do rápido aumento do desemprego. Ainda assim, as perspectivas mais animadoras, em especial na Alemanha e na França, parecem ter dado à região um impulso rumo a uma recuperação mais precoce do que a esperada.

Por causa da sua receita bastante diversa para combater a recessão, a Europa deve apresentar em 2010 um crescimento menos veloz do que o americano, segundo economistas.

No ano que vem, a maior parte de um programa de gastos no valor de US$ 800 bilhões nos EUA começará a surtir efeito, o que fará as medidas europeias parecerem quase insignificantes, apesar de suas dimensões corresponderem ao medo dos governos europeus de se verem atolados em dívidas. Uma isenção fiscal total de aproximadamente US$ 100 bilhões deu aos EUA, nos últimos meses, um impulso rumo à recuperação.

“A verdadeira diferença nas recuperações será sentida no ano que vem”, disse Thomas Mayer, economista-chefe do Deutsche Bank para a Europa. “Isso acontecerá quando os EUA se restabelecerem mais rápido do que a Europa.” Os números animadores são sustentados pelo desempenho sólido de França e Alemanha. Mesmo assim, a economia alemã, a maior da região, ainda deve registrar contração anual de 6%, dizem os economistas.

Dentro da zona do euro, França e Alemanha estão ajudando a equilibrar os desempenhos sofríveis da Itália, eterna retardatária, e da Espanha, onde o colapso do mercado imobiliário causou aguda recessão.

Os países do Leste Europeu, em especial a Hungria e os países bálticos, continuam sofrendo grandes dificuldades. A antes poderosa economia britânica ainda enfrenta rápida alta no desemprego, apesar da possibilidade de o país também apresentar um modesto crescimento no terceiro trimestre.

Os novos números da economia alemã surpreendem após quatro trimestres consecutivos de contração na produção, sugerindo que a recessão do país – a pior desde a Segunda Guerra – tenha chegado ao fim.

A surpresa do crescimento alemão – a maioria dos economistas esperava número igual a zero ou até negativo – reflete o ganho dos exportadores com o crescimento na Ásia e com o que parece ser o fim do declínio nos EUA. A produção industrial também recebeu o incentivo de programas que conferem um bônus de 2.500 aos compradores que decidirem trocar seus carros velhos por modelos novos e menos poluentes.

“O estímulo está funcionando um pouco, mas existe também uma recuperação associada ao comércio global”, disse Erik Nielsen, economista-chefe do Goldman Sachs de Londres para a Europa.

Mas outros fatores estão influenciando as perspectivas para a Europa, criando incertezas em relação à situação econômica em 2010. Na semana passada, a notícia de que as exportações alemãs tinham dado em junho um salto de 7% em relação ao mês anterior antecipou que deve haver um crescimento no Produto Interno Bruto.

Mas isso mascarou um colapso generalizado nas encomendas do exterior; as exportações alemãs apresentaram em junho queda de 22% em relação a igual período de 2008.

E ainda é esperada para este ano uma grande alta no desemprego, conforme programas governamentais que mantinham as pessoas em folhas de pagamento particulares começarem a expirar.

O desemprego na zona do euro já está em 9,4%, o nível mais alto em 10 anos, e o crescimento anêmico dos próximos trimestres não será suficiente para frear ou compensar este aumento. Isso, por sua vez, poderia derrubar a confiança do consumidor e até provocar turbulências políticas na Europa, segundo os economistas.

O sistema financeiro é outro problema no horizonte, apesar de a sua recuperação ser mais rápida do que a esperada. O Fundo Monetário Internacional (FMI) criticou a Europa por não ter agido com suficiente agilidade para recapitalizar os bancos e limpar de ativos podres dos balanços. Mas a previsão do Banco Central Europeu (BCE) para as perdas é menor do que a do FMI e, além disso, publicou dados sugerindo que há maior fluidez nos fluxos de crédito.

“Não precisamos nos preocupar com o aperto no crédito tanto quanto pensamos que seria necessário no início do ano”, disse Julian Callow, economista-chefe do Barclays Capital.

*Carter Dougherty é jornalista

22/03/2009 - 16:05h ”O cinema é toda a minha vida”

Pedro Almodóvar, cineasta espanhol; diretor fala sobre o novo Los Abrazos Rotos e da homenagem que faz à arte

http://www.pastemagazine.com/articles/2008/04/17/almodovar_and_penelope_cruz_team_up_for_broken_emb_458x300.jpg
Pedro Almodóvar e Penélope Cruz

 

Carlo del Amo, EFE – O Estado SP

 


Às vésperas da estreia de Los Abrazos Rotos (Abraços Partidos), apresentado na semana passada na Espanha, o cineasta Pedro Almodóvar se mostrava nervoso e cheio de incertezas quanto à reação do público a esse “drama romântico com histórias de amor que se cruzam”. Interpretado por Penélope Cruz, Blanca Portillo, Lluis Homar e José Luis Gómez, o filme é uma homenagem do diretor ao cinema. “O cinema não é minha segunda vida, é a minha vida. Eu vivo não só para experimentar e pelo simples fato de estar vivo, mas tudo o que vivo tem a ver de algum modo com o cinema que vou fazer ou com as narrativas que vou escrever”, diz o diretor espanhol durante entrevista reproduzida abaixo.

Los abrazos rotos – trailerComo nasceu o filme?

De umas notas que fiz numa época em que tinha muitas enxaquecas, mas não tinha a pretensão de que elas se transformassem num roteiro; simplesmente, era eu mesmo com minha própria Sheherazade, me contando histórias para me distrair. Já faz algum tempo que comecei a me interessar pela ideia de escrever um roteiro cujo protagonista seria um diretor incapacitado, pois me chamou muito a atenção como Antonioni, que se viu condenado a uma vida incomunicável depois de uma paralisia, assim mesmo fez dois filmes.

O que esse diretor cego tem de Almodóvar?

Todos os meus personagens têm algo de mim e, no caso deste, é a necessidade de concluir o filme de qualquer maneira. Com Pepi, Luci, Bom (1979) cheguei a pedir 15 mil pesetas para terminar o filme. Meu pior pesadelo é não conseguir concluir um filme. Não sei como Orson Welles não morreu de ansiedade quando estava com sete filmes para terminar.

E o título?

Eu tinha outros, como Doble Identidad, que soa muito bem em inglês (Double Identity), e parece o Double Indemnity (Pacto de Sangue) de Billy Wilder, de 1944, mas esse título iria criar muita confusão.

É um drama, um filme noir…?

Basicamente é um drama duro e romântico com grandes histórias de amor que se cruzam.

Como é Lluis Homar?

Um ator disciplinadíssimo, como um desportista. Passou sete meses trabalhando com um treinador, porque eu queria que fosse um homem que, apesar da sua deficiência, fosse muito vivo e com desejo de flertar. Ele também fez ensaios com a cegueira, e chegou até a vir, andando ou de metrô, com um bastão, da sua casa até os estúdios. Ele expressa muito bem a ternura e essa espécie de ironia que se observa em qualquer pessoa inválida.

E José Luis Gómez?

José Luis vem do teatro, portanto, está muito acostumado a construir seus personagens, além do que faço muito trabalho de mesa com os atores. Ele intervém em cenas muito contundentes, que não admitem outra maneira de fazê-las a não ser como está no roteiro. Tive plena confiança nele.

Você volta a trabalhar com Blanca Portillo, depois de Volver…

É um mecanismo perfeito para um diretor. Ela tem uma técnica perfeita. Arrisca-se muito, não tem nenhuma sensação de vergonha ou ridículo. Eu precisava dela para o papel de Judit, porque essa personagem é uma mulher que, em silêncio, constrói uma família sem que ninguém tome conhecimento. Nela se unem um sentido de culpa total e uma generosidade absoluta. Há um monólogo que só Blanca poderia fazer. Gosto muito quando os atores se despojam de tudo e chega o momento em que têm de falar e revelar tudo o que ocultaram ao longo da película, e nisso ela é perfeita.

E Penélope, incontrolável?

A personagem dela está muito distante do que ela é. Não tinha referências para interpretar essa mulher. Tem sua beleza, mas não teve de sucumbir, nem lhe colocaram as armadilhas nas quais Lena cai. Eu a converti numa mulher adulta, muito maltratada pela vida, que no fim encontra uma grande oportunidade. É muito generosa e me deixou chegar ao mais profundo do seu ser para tirar toda a dor. Creio que foi muito difícil para ela, que o fez exclusivamente por causa da fé cega que tem em mim, e por isso me senti responsável para não lhe causar nenhum dano.

Até onde ela vai chegar?

Tudo vai depender dos roteiros que escolher e dos diretores que encontrar. É uma atriz extraordinária, mas, ao contrário de Blanca, trabalha com o coração, as vísceras e isso é muito duro, mas é também muito gratificante quando encontra o personagem e o diretor adequados. É uma mulher com muito olfato, muito inteligente. Espero que faça boas escolhas.

Qual é a sua relação com o cinema?

O cinema não é minha segunda vida, é a minha vida. Vivo não só para experimentar e pelo fato de estar vivo, mas tudo o que vivo tem a ver de algum modo com o cinema que vou fazer ou com as narrativas que vou escrever; em Los Abrazos Rotos faço uma homenagem ao cinema de um modo natural. É uma declaração de amor à minha profissão.

Como lida com a popularidade?

Quando saio na rua, as pessoas têm uma relação muito direta comigo, tratam-me de um modo muito familiar e isso é bom. O que é muito difícil é ter de posar para fotos com todo o mundo. Odeio celular com câmera, porque as pessoas acham que, quando o encontram, têm todo o direito de tirar uma foto. A popularidade o converte num bicho raro, numa espécie de macaco de circo que as pessoas ficam olhando, mas é preciso conviver com isso.

Como você vive uma estreia?

Nervoso e cheio de dúvidas, algo que nunca vai desaparecer. Não tenho nem ideia dos resultados, o público é um mistério.

E as dores de cabeça?

Passaram. Tinham aumentado nos últimos três anos e se tornaram um problema sério. Há dois anos venho me tratando com neurologistas e agora estou numa fase de bonança, e espero que continue.

POPULAR: “Odeio celular com câmera; as pessoas acham que, quando o encontram, têm direito de tirar foto.”

FILMAR: “Tudo que vivo tem a ver de algum modo com o cinema que faço ou as narrativas que vou escrever.”

MEDO: “Meu pesadelo é não concluir um filme. Não sei como Welles não morreu de ansiedade com sete para terminar.”

A Estrela

Para a atriz Penélope Cruz, que interpreta em Abrazos Rotos a jovem Lena, que sonha com o sucesso no cinema, as temporadas de trabalho com o cineasta Pedro Almodóvar são “muito intensas, repletas de aprendizados emocionais e profissionais”. Sobre Lena, a atriz afirma ser uma mulher de muito talento, mas que não conseguiu uma oportunidade. “Lena é uma sobrevivente que ajuda seus familiares, seus pais, e não se atreve a confessar a eles seus sonhos”, disse Penélope, em entrevista à agência EFE.

17/03/2009 - 13:41h Europa: um continente à deriva

http://www.agal-gz.org/blogues/media/users/maria/Europa.jpg

Paul Krugman, The New York Times*

Estou preocupado com a Europa. Na verdade, estou preocupado com o mundo todo – não existem refúgios a salvo dessa tormenta econômica global. Mas a situação da Europa preocupa-me mais do que a dos Estados Unidos.

Não vou repetir a velha queixa americana de que, na Europa, os impostos são muito altos e os benefícios muito generosos. Os enormes programas de bem-estar social não são a causa da atual crise. São um fator atenuante.

O perigo claro e presente vem de uma direção diferente: é o fracasso do continente em responder eficazmente à crise financeira. A Europa carece de uma política fiscal e monetária. Enfrenta uma crise no mínimo tão severa quanto os EUA, porém está fazendo muito menos.

No aspecto fiscal, a comparação com os EUA é assombrosa.

Para muitos economistas, eu inclusive, o plano de estímulo do governo Obama era muito tímido diante da gravidade da crise. Mas as medidas adotadas pelos EUA fazem parecer insignificante qualquer coisa que os europeus estejam fazendo.

A diferença em termos de política monetária é igualmente assombrosa. O Banco Central Europeu (BCE) tem se mostrado muito menos dinâmico do que o Federal Reserve; tem demorado para cortar as taxas de juros (elevou em julho do ano passado) e evitou adotar medidas vigorosas para desbloquear os mercados de crédito.

A única coisa que pesa em favor da Europa é exatamente aquilo pelo qual é mais criticada: o porte e a generosidade dos seus programas de bem-estar social, que atuam como amortecedor do impacto dessa retração econômica.

E isso não é pouco. O auxílio-desemprego e a assistência à saúde garantida asseguram que, pelo menos até agora, não se veja na Europa o sofrimento humano tão nítido como nos EUA. Esses programas também vão ajudar a sustentar os gastos nessa crise. Contudo, esses “estabilizadores automáticos” não são substituto de uma ação positiva.

Por que a Europa não está conseguindo enfrentar a crise? Em parte por causa de uma liderança medíocre. As autoridades dos bancos europeus, que se omitiram quanto à profundidade da crise, ainda parecem estranhamente complacentes. E para ouvir alguma coisa nos EUA que seja comparável aos ataques ignorantes do ministro das Finanças da Alemanha, você deve ouvir os republicanos.

Mas há um problema mais profundo: a integração monetária e econômica da Europa avançou muito mais do que as suas instituições políticas. As economias de muitas nações estão tão estreitamente ligadas quanto as economias de muitos Estados, nos EUA, – e a maior parte da Europa compartilha uma moeda comum. Mas, ao contrário dos EUA, a Europa não tem instituições que cubram todo o continente, necessárias para lidar com uma crise com essa envergadura.

Essa é uma importante razão da ausência de uma uma ação fiscal. Não existe nenhum governo em posição de assumir a responsabilidade pela economia europeia como um todo. Em vez disso, o que há são governos nacionais, cada um relutando em acumular enormes dívidas para financiar um plano de estímulo que poderia levar muitos, senão a maior parte, dos seus benefícios para os eleitores em outros países.

Você poderia pensar então que a política monetária é mais convincente. Afinal, apesar de não existir um governo europeu, há um BCE. Mas ele não é como o Fed, que pode se permitir correr riscos porque tem o suporte de um governo nacional unitário.

Em outras palavras, a Europa vem se revelando estruturalmente fraca num período de crise. A maior dúvida é o que vai ocorrer com aquelas economias europeias que prosperaram tanto na fase do dinheiro fácil dos últimos anos, particularmente a Espanha.

Durante grande parte da década passada, a Espanha foi a Flórida da Europa, com uma economia animada por um enorme boom especulativo imobiliário. Como na Flórida, esse boom transformou-se em um fiasco. A Espanha agora precisa encontrar novas fontes de renda e emprego.

No passado, o país teria procurado ser competitivo desvalorizando sua moeda. Mas agora a sua moeda é o Euro – e o único meio de avançar parece ser pelo doloroso processo de corte de salários. O que seria difícil nos melhores tempos, mas será incrivelmente doloroso se, como parece provável, a economia europeia como um todo entrar numa depressão e se encaminhar para uma deflação nos próximos anos.

Isso significa que a Europa errou ao se tornar tão estreitamente integrada? E, especialmente, que a criação do Euro foi um equívoco? Talvez.

Mas a Europa ainda pode mostrar para os céticos que eles estão errados, se os seus políticos começarem a mostrar mais liderança.

Mostrarão?

*Paul Krugman é articulista

26/02/2009 - 11:34h Crise afunda economia espanhola

http://www.reflejosocial.com/wp-content/uploads/2009/01/esp_laboral-desempleo.jpg

Após anos de crescimento alto, puxado por abundância de crédito, desemprego explode no país

Adoção do euro limita ação do governo; empresários querem reforma trabalhista e economistas preveem retomada lenta e dolorosa

VICTOR MALLET DO “FINANCIAL TIMES” – FOLHA SP

Quando um dos maiores clubes de futebol de um país tão fanático pelo esporte quanto é a Espanha deixa de pagar seus jogadores, é um aviso de que algo pode estar drasticamente errado em uma das economias mais bem sucedidas na Europa.
David Villa é um dos jogadores do Valencia cujo último salário está atrasado por tempo indeterminado pelo clube, fortemente endividado. Villa é apenas mais um entre o número crescente de vítimas, ricas e pobres, de um mergulho na recessão que se encaminha para ser uma das piores da Europa.
As tensões estão começando a se manifestar na sociedade espanhola, normalmente tranquila e tolerante. Vendedores de rua e africanos residentes no país fizeram duas manifestações neste mês em Lavapiés, em Madri, protestando contra o alegado racismo e as investidas policiais; subsequentemente, veio à tona que a polícia da capital recebeu cotas semanais de imigrantes ilegais que deve prender. Em Andaluzia, no sul, milhares de imigrantes sem comida ou abrigo invadiram cidades procurando em vão trabalhos na colheita de azeitonas já tomados por espanhóis.
Guindastes estão parados em obras na costa espanhola e nas periferias. Muitas lojas pequenas no centro de Madri fecharam. Um dono de construtora arruinado é acusado de cinco assaltos a bancos.
“Não vamos ter uma recessão. Vamos ter uma depressão, como nos anos 1930″, diz o economista Lorenzo Bernaldo de Quirós, presidente da Freemarket International Consulting. Quirós é um dos analistas mais pessimistas, mas se justifica apontando previsões quase consensuais: o desemprego atingindo 19% até o final do ano (contra mais de 14%, ou 3,3 milhões de pessoas, hoje); um déficit orçamentário de ao menos 6,5% do PIB; contração econômica de 3% ou mais em 2009, e, possivelmente, uma deflação. “Somado à crise financeira, este é o quadro perfeito para definir uma depressão”, conclui.
Essa depressão pode atingir a economia espanhola -uma das dez maiores do planeta e a quarta da zona do euro- com tanta gravidade que pode fazê-la perder muitos dos ganhos conquistados na década passada desde a adoção do euro.
Até a chegada da crise global, a Espanha tinha desempenho elogiável. Seu retorno à democracia e à prosperidade após uma guerra civil e a ditadura Franco é, afinal, uma das grandes histórias de sucesso da Europa do pós-guerra. Nos dez anos terminados em 2006, o crescimento real chegou à média anual de 3,7%, contra 2,1% na zona do euro. O PIB per capital subiu para mais de 90% da média dos 15 principais países ocidentais da União Europeia.
Essa expansão ajudou a gerar mais de 5 milhões de empregos e a atrair mais imigrantes, como proporção relativa à população, que qualquer outro país da Europa. A construção civil, financiada pelo crédito fácil, foi o motor principal da economia durante uma década -e aí está a origem das dificuldades. Como nos EUA e no Reino Unido, a bolha imobiliária se rompeu, com grande força.
Estimados 1 milhão de casas e apartamentos recém-construídos estão desocupados. A construção residencial -que respondeu diretamente por 7,5% do PIB em 2006- está quase parando. O lobby que representa 14 grandes construtoras anunciou que não iniciou a construção de uma única casa nova em dezembro e só 135 em todo o quarto trimestre de 2008. “Durante 15 anos, o padrão de crescimento da economia espanhola foi baseada em mercados financeiros com alto grau de liquidez – e liquidez barata”, diz Rafael Doménech, economista-chefe para a Europa do banco espanhol BBVA. “Foi ótimo para a economia espanhola que as famílias e as empresas usassem essa liquidez para aumentar sua dívida.”
E foi o que elas fizeram. A dívida do setor privado dobrou em uma década, chegando a 120% do PIB. Com boa parte do crédito vindo de aposentados alemães e outros poupadores, através de títulos de crédito espanhóis avalizados por hipotecas, o déficit de conta corrente chegou a mais de 10% do PIB. Com o novo ambiente dos mercados financeiros, diz Doménech, “não podemos esperar usar o mesmo modelo de crescimento dos últimos dez anos”.
Teoricamente, a Espanha poderia substituir a atividade da construção com o aumento da produção em outros setores. O país é uma das economias mais abertas do mundo, e suas empresas nos setores de moda, energia renovável, infraestrutura e bancos têm sido investidores externos e exportadores ativos. Mas outras economias não estão em condições de assumir o lugar da construção. A indústria automotiva espanhola, responsável por um quinto das exportações do país e 6% de seu PIB, está lutando para fazer frente à queda na demanda doméstica e externa. O turismo, que movimenta 50 bilhões, caiu 3% no ano passado -a primeira queda anual desde 97.
O premiê socialista José Luis Rodríguez Zapatero seguiu o mesmo caminho que outros líderes na crise, anunciando uma enxurrada de planos de gastos governamentais, numa tentativa de combater o aumento do desemprego e evitar uma depressão prolongada. Miguel Sebastián, seu ministro da Indústria, vem flertando com o protecionismo -embora negue a acusação-, lançando uma campanha de “compre produtos espanhóis”.
Mas não há certeza alguma de que as medidas de gastos -algumas anunciadas apesar das objeções do ministro das Finanças e ex-responsável pela restrição fiscal, Pedro Solbes- terão os efeitos desejados. O que é certo é que a margem fiscal de manobra do governo, com o déficit orçamentário projetado já sendo mais que o dobro do teto de 3% do PIB permitido pela UE, é fortemente limitada. Embora a dívida pública acumulada ainda seja relativamente modesta, a deterioração das finanças públicas levou a agência de classificação Standard & Poor’s, no mês passado, a tirar da Espanha sua classificação AAA.
Em crises anteriores, a Espanha simplesmente desvalorizou a peseta para aumentar a competitividade das exportações e atrair investimentos -o caminho seguido agora pelo Reino Unido-, mas uma desvalorização unilateral deixou de ser uma opção possível para um membro da zona do euro.
Quase todos os executivos, economistas ortodoxos e políticos da oposição de direita concluem que a única maneira de a Espanha emergir da crise mais forte -ou sobreviver a ela dentro dos limites da zona do euro- é aumentar sua produtividade e competitividade, adotando reformas estruturais. O que querem dizer é que empregados possam ser contratados e demitidos mais facilmente, a um custo menor, e que os salários sejam definidos por empresas, não por setores.
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Miguel Angel Fernández Ordóñez, irritou o governo ao descrever a reforma trabalhista como a medida “mais importante” contra o desemprego.
Enquanto isso, o fim da alta performance econômica deixa a dúvida: será que o país poderá retomá-la ao final da crise global? Para os economistas, a construção foi uma parte tão importante que a recuperação inevitavelmente será lenta. “A economia espanhola levará cerca de sete anos para crescer a 3% ao ano novamente”, diz Bernardo Quirós. “Os espanhóis perderão metade de sua riqueza. É horrível.”

Tradução de CLARA ALLAIN

25/02/2009 - 10:38h Geleiras dos Pirineus podem desaparecer

Estudo do governo espanhol mostra que derretimento já chegou a quase 90% e está em ritmo acelerado

http://blogs.elcorreodigital.com/blogfiles/basabide/monte_perdido2.jpg

DA ASSOCIATED PRESS – FOLHA SP

Os Pirineus tiveram quase 90% de degelo em suas montanhas no século passado e o aquecimento global pode fazer o que restou das geleiras desaparecer nas próximas décadas, de acordo com um estudo do governo espanhol.
A pesquisa, feita pelo Ministério do Meio Ambiente, verificou que dos cerca de 3.300 hectares de gelo que cobriam a cadeia de montanhas entre a Espanha e a França no começo do século 20, restam somente 390 hectares hoje.
Segundo o estudo, o derretimento de geleiras no sul da Europa tem agilizado nos últimos anos. Entre 2002 e 2008, por exemplo, os Pirineus espanhóis perderam cerca de um quarto do gelo das geleiras.
Os cientistas espanhóis começaram a perceber a gravidade da situação depois que um programa foi lançado, em 1978, para estudar a quantidade de neve nas montanhas e avaliar anualmente o derretimento. Ao longo dos anos, eles começaram a ver as geleiras diminuírem a um ritmo alarmante.
Miguel Frances, coordenador do estudo divulgado na semana passada, disse que mesmo invernos com fortes quedas de neve não parecem ser capazes de parar o processo.
“No ano passado caiu um monte de neve. Isso estabilizou as geleiras, mas elas não cresceram”, afirmou ele ao jornal espanhol “El País”.
O estudo do ministério afirma que o derretimento das geleiras nos Pirineus e em outras cadeias de montanhas ao redor do mundo é uma consequência direta do aquecimento global e das mudanças nos padrões de precipitação.

Abastecimento

De acordo com a Unep (programa das Nações Unidas para o ambiente), as geleiras em todo o mundo estão ameaçadas, o que compromete o abastecimento de água para centenas de milhões -ou até bilhões- de pessoas.
A Unep diz que sua página na internet que é importante os governos chegarem a acordo sobre metas de redução das emissões de gases de efeito estufa na Convenção do Clima da ONU em Copenhague (Dinamarca), no final deste ano. Caso contrário, “é possível que as geleiras desapareçam completamente de muitas cadeias de montanhas no século 21″.

13/01/2009 - 18:40h 14 telas do Museu do Prado em alta resolução na internet

Sur La Descente de croix de Roger van der Weyden, on peut voir le réalisme d'une larme perlant à l'œil de Saint-Jean.

Google Earth em parceria com o Museu do Prado disponibilizam na internet, a partir de hoje, a reprodução digital, em alta resolução, de quadros famosos.

A tecnologia utilizada permite distinguir detalhes apenas visíveis aos olhos, afirmam os organizadores.

Quadros com As meninas, de Velasquez; O jardim das delicias, de Jerôme Bosch; Os fuzilados do 3 de maio, de Goya e As três graças, de Rubens; entre outras telas famosas, estão já a disposição para qualquer internauta.

Pour visualiser les œuvres, il faut positionner le navigateur Google Earth sur le musée du Prado, à Madrid, et ensuite cliquer sur l'icône Basta posicionar o Google Earth acima do Museu do Prado (em Madrí, Espanha) e depois clicar em “Obras maestras”.

Na foto acima podemos ver o detalhe realista de uma lágrima no olho de São João (pintura de Roger van der Weyden).

17/12/2008 - 20:09h Espanha: Zapatero advierte a los que piden recortes salariales de que “no llamen” a su puerta

http://www.lefigaro.fr/medias/2007/12/05/77098052-a303-11dc-a012-ec080d6bddc4.jpg


El presidente inaugura el Congreso Confederal de CC OO y reitera que no habrá ayudas al sector del motor si prosiguen con los despidos

EFE – Madrid – El País

El presidente del Gobierno, José Luis Rodríguez Zapatero, ha advertido hoy a los que proponen recortes de salarios y de derechos que no “llamen a la puerta del Gobierno”, porque su compromiso es ampliarlos, especialmente la cobertura por desempleo.

Zapatero ha hecho esta declaración durante la inauguración del 9º Congreso Confederal de CC OO, que se ha iniciado con un minuto de silencio en memoria de todos los trabajadores muertos en accidente de trabajo y en el que José María Fidalgo, actual secretario general, se enfrenta a Ignacio Fernández Toxo por la dirección del sindicato.

Según el presidente del Gobierno, el Ejecutivo será “sensible y estará abierto” a las propuestas que los sindicatos hagan en el diálogo social en materia de cobertura por desempleo. “Os puedo asegurar que el gran reto, porque es la gran demanda de la sociedad, es volver a crear cuanto antes empleo en la sociedad española”, ha dicho antes apuntó que para ello hay que crear actividad económica aunque ha advertido de que ahora “menos que nunca se puede fiar todo al mercado”.

En su opinión, en esta crisis económica “profunda” no sería “ni justo ni eficaz” recortar derechos a los trabajadores y a los ciudadanos, ya que se pondría en “peligro” la cohesión social. Por ello, ha destacado que “los que pretendan esa respuesta” no deben “llamar a la puerta del Gobierno” porque el “compromiso” y el “horizonte” del Ejecutivo es ampliar los derechos de los trabajadores y los ciudadanos, especialmente de los sectores más desfavorecidos. En este punto, ha anunciado subidas de las pensiones y del salario mínimo interprofesional, al tiempo que ha adelantado que se aumentará el fondo de reserva de la Seguridad Social.

Sobre las medidas puestas en marcha hasta la fecha, el presidente ha insistido en que el plan integral de ayudas al sector del automóvil, dotado con 800 millones de euros, tendrá como contrapartida el compromiso de las empresas de no aplicar expedientes de regulación de empleo extintivos.

A continuación, ha querido destacar que el objetivo de este plan integral del automóvil, que ocupa 300.000 empleos directos e indirectos y concentra el 20% de las exportaciones, es doble: a corto plazo, minimizar el impacto de la crisis del sector en el empleo y, a largo plazo, garantizar la competitividad en un sector “que ha ido ganando productividad año a año”.

Superávit de la Seguridad Social

En la misma línea, el ministro de Trabajo e Inmigración, Celestino Corbacho, ha augurado hoy que la Seguridad Social terminará el año con un superávit en torno al uno por ciento, lo que supondrá 9.400 millones de euros. El titular del departamento ha destacado que este hecho tiene “gran valor” en la actual coyuntura económica, y ha asegurado que la cuenta de la Seguridad Social trasmite “tranquilidad” porque es un reflejo de la “solidez” del sistema público de protección social.

Coincidiendo con el presidente, Corbacho también ha reseñado que esta coyuntura “tan favorable” ha sido compatible con una mejora “sustancial” de las prestaciones, tales como la subida de las pensiones mínimas que, según ha apuntado, aumentarán un 6% durante el próximo ejercicio.

De cara a la elección del nuevo dirigente del sindicato, Toxo ha afirmado hoy que “no da por perdida la batalla” de convencer al actual secretario general y candidato a la reelección, José María Fidalgo, de cerrar una candidatura única que integre las distintas sensibiliades que conviven en Comisiones.

El IESE propone un contrato fijo de entre 5 y 10 años para reducir la temporalidad

Un informe elaborado por el Instituto de Estudios Superiores de la Empresa (IESE) de la Universidad de Navarra propone que los agentes sociales, en la próxima reforma laboral, negocien un nuevo tipo de contrato que sea “estable” y que dure entre 5 y 10 años para reducir la temporalidad.

Esta es una de las propuestas que se incluyen en el informe Las reformas laborales en España y su impacto en el mercado de trabajo (periodo 1985-2008), en el que se analiza el contenido y eficacia de las distintas reformas que se han producido en el Estatuto de los Trabajadores desde su aprobación en el año 1980 hasta la actualidad. El informe también ofrece una serie de recomendaciones para afrontar “con éxito” futuras reformas.

Así, aconseja que la nueva renovación del mercado laboral, “ahora tan demandada”, debería esperar a que el clima económico sea más favorable, y añade que es necesario una reflexión sobre la situación real del mercado de trabajo.

05/12/2008 - 15:05h Espanha: La industria sufre la mayor caída de la historia en octubre con un 12%

http://www.kalipedia.com/kalipediamedia/geografia/media/200704/10/geodescriptiva/20070410klpgeodes_170.Ies.SCO.jpg

La crisis de los fabricantes de automóviles y su desplome cercano al 30% hunde a todo el sector

EFE – Madrid – El País

No hay día que las estadísticas económicas no den una cifra histórica. Hoy le ha tocado el turno a la producción industrial en España, que ha registrado en octubre la mayor caída que se registra en los archivos del INE, corregidos los efectos de calendario, tras bajar un 12,8% por sexto mes consecutivo. Ni siquiera en la anterior recesión de 1993, este índice había caído tanto (un 10,9% en febrero de 1993).

Según el destino económico de los bienes, el índice de producción industrial ha caído principalmente en el caso de los bienes intermedios, el 19,4%, seguido de los de equipo, el 13,8%. Para los bienes de consumo ha bajado un 8,3% (20,7% los de consumo duradero y un 6% los de no duradero), mientras que la producción industrial de energía ha descendido un 1,9%.

Las actividades con mayores descensos en octubre con respecto al mismo mes de 2007 han sido la fabricación de vehículos de motor, remolques y semirremolques (un 29,2%); la fabricación de otros productos minerales no metálicos (24,9%), la industria de papel (22,5%) y la extracción de otros minerales excepto productos energéticos (un 22,2%).

Las únicas actividades en las que ha crecido la producción industrial en octubre han sido coquerías y refino de petróleo (un 9,3%); fabricación de otro material de transporte (un 6,9%); la industria del tabaco (un 1,4%) y la fabricación de equipo e instrumentos medico-quirúrgicos, de precisión, óptica y relojería (un 0,8%).

Sin efecto calendario

Sin descontar los efectos de calendario, el Indice de Producción Industrial (IPI) ha disminuido un 11,2% en octubre, con respecto al mismo mes de un año antes, debido principalmente a la caída del 17,7$ en el caso de los bienes intermedios y del 12,2% para los bienes de equipo.

En el caso de los bienes de consumo, la tasa ha descendido un 6,2% (una caída del 17,9% para los duraderos y un aumento del 4,1% para los no duraderos), en tanto que para la energía descendió el 1,4%. En los diez primeros meses de 2008, la tasa media del IPI corregida de los efectos del calendario ha disminuido un 4,8% con respecto al mismo periodo de 2007.

Esta tasa media registrada hasta octubre se ha debido al descenso del 8,7% para los bienes intermedios; del 4,4% para los bienes de consumo (un 12,1% para los duraderos y un 3,1% para los no duraderos) y del 3% para los bienes de equipo. En el caso de la energía ha aumentado un 2,4%.

En octubre, la producción industrial ha caído en casi todas las comunidades, excepto en Navarra (donde ha crecido un 2%) y Extremadura (donde ha subido un 1,9%). Las principales caídas se han producido en Aragón (un 25,9%), Comunidad Valenciana (un 16,4%), Cataluña (un 15,5%) e Islas Baleares (un 14,1%).

20/11/2008 - 15:05h Desigualdade de renda cai 7% em 15 anos no Brasil

Em China, Índia e Rússia, houve alta de até 40%, diz Ipea

http://img153.imageshack.us/img153/644/desigualdadesocialte5.jpg
Ainda um longo caminho a percorrer

Gustavo Paul – O Globo

BRASÍLIA. Para consolidar o crescimento econômico, o Brasil precisa superar desafios sociais, como melhorar a qualidade do ensino e aumentar sua competitividade. A boa notícia é que o país está no meio do caminho e avança em alguns indicadores sociais e econômicos.

Essas são as conclusões de pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), comparando o Brasil com outros dez países, divulgada ontem.

Os dados mostram, por exemplo, que nesse grupo de países — que inclui China, Índia, Rússia, Finlândia, Espanha, Alemanha, Estados Unidos, África do Sul, México e Argentina —, só Brasil e outros três reduziram desigualdades de renda entre os trabalhadores de 1990 a 2005. No caso brasileiro, houve uma queda de 7%, enquanto na África do Sul a redução foi de 11%, no México, 3%, e na Alemanha, 14%. Nos demais houve aumento.

Segundo o coordenador da pesquisa, Milko Matijascic, diretor do Ipea para o Centro Internacional de Pobreza da Organização das Nações Unidas (ONU), esse fenômeno será importante para suportar as conseqüências da crise internacional.

Entre os principais competidores do Brasil, houve forte aumento. China registrou alta de 36%, Índia, 20%, e Rússia, 40%.

— No caso desses países, o aumento da desigualdade representa um grave risco para o equilíbrio social em momentos de turbulência econômica.

O crescimento por si só não se traduz em desenvolvimento, se não for distribuído para toda a população — disse.

Brasil é o último em interpretação de textos O levantamento, que será entregue aos principais ministérios para contribuir para a formulação de políticas públicas, mostra que o Brasil só supera África do Sul e Argentina em crescimento econômico de 1975 a 2005. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita cresceu 35,6% em 30 anos, perdendo para a China (896%), Índia (174,3%), Finlândia (88,5%) e EUA (88,2%) e México (49%).

O estudo aponta ainda problemas na infra-estrutura social brasileira. Ao mesmo tempo em que apresenta doenças típicas de países ricos, como males cardíacos, o Brasil tem doenças também de nações africanas, como as parasitárias. Em dez dos 11 países, as doenças cardiovasculares e os diversos tipos de câncer são as principais causas de morte, incluindo o Brasil. Por outro lado, o país destaca-se como primeiro colocado em mortes violentas. A Alemanha é a última.

O Brasil também aparece em pior colocação, quando a análise é feita em torno da capacidade dos estudantes interpretarem textos e fazerem cálculos matemáticos

14/11/2008 - 09:50h Alemanha não resiste à crise e entra em recessão

http://cache.daylife.com/imageserve/048G8iZ3Jsd4N/610x.jpg

Maior economia européia vive seu pior momento desde o pós-Guerra; OCDE prevê contração nos EUA, Japão e UE

Jamil Chade, Genebra; Andrei Netto – O Estado SP

A maior economia da Europa não resiste e entra em recessão. A Alemanha, conhecida como a locomotiva do Velho Continente, anunciou ontem que sua economia se contraiu pelo segundo trimestre consecutivo. A queda no crescimento coloca o país em sua pior situação nos últimos 12 anos, o que deve ter repercussões em toda a Europa e mesmo para as exportações brasileiras. Para o Deutsche Bank, 2009 pode ainda registrar o pior desempenho econômico da Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Segundo os dados oficiais, o PIB foi reduzido em 0,5% entre agosto e outubro. No segundo trimestre, a queda já havia sido de 0,4%. Tecnicamente a recessão é declarada quando uma economia registra contração por dois trimestres consecutivos. França, Reino Unido e Irlanda já estão na mesma situação da Alemanha, mas a esperança era de que a maior economia do bloco resistisse.

O cenário é bem diferente do que os políticos alemães previam. No início da crise, a chanceler Angela Merkel deixou claro que a Alemanha “não entraria em recessão”. Agora, a queda é superior até mesmo às previsões mais negativas dos analistas. A última recessão foi registrada em 1996.

Desta vez, o temor é de que a crise seja prolongada. A Bolsa de Frankfurt já perdeu mais de 40% neste ano e a falta de confiança dos empresários bate recorde. O consumo também caiu e o país deve perder o posto de maior exportador do mundo, posição que ocupava havia quatro anos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já havia alertado que 2009 verá uma contração da economia alemã de 0,8%.

Todo o bloco europeu também deve sofrer com a recessão. Em meados da semana passada, foi a Inglaterra que admitiu estar em recessão.

OCDE PESSIMISTA

Estados Unidos, Japão e os 15 países da zona euro, cujas economias já enfrentam a estagnação, também devem sofrer recessão severa em 2009. A estimativa é do relatório de previsões econômicas da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE), divulgado ontem, em Paris.

Segundo os especialistas, os 30 países-membros da entidade crescerão 1,4% em 2008, mas enfrentarão queda de 0,3% no PIB em 2009. Em 2010, vem a retomada. O maior decréscimo no próximo ano se dará nos Estados Unidos: -0,9%.

Os Estados Unidos devem enfrentar quatro trimestres de contração. A crise se agrava de forma progressiva no país: no terceiro trimestre, a retração será de 0,3%, chegando no fim do ano ao fundo do poço, com 2,8% negativos. Em 2009, a previsão é de decréscimo de 2% no primeiro trimestre e de 0,8% no segundo. A queda brusca na primeira metade do ano levará à retração do PIBdo país a valores próximos de 1%.

Só no segundo semestre de 2009, conforme os experts da OCDE, começa o reaquecimento nos EUA. Em 2010 a previsão é de 1,6% de crescimento.

O relatório da OCDE confirma o recuo também na União Européia. No grupo de 15 países que adotam a moeda única – entre os quais Alemanha, França, Itália e Espanha -, também deve viver quatro trimestres consecutivos de contração: -0,5% no terceiro trimestre de 2008, -1% no quarto, -0,8% no início de 2009 e -0,4% no segundo trimestre do próximo ano.

Jorgen Elmeskov, diretor de Estudos Econômicos da entidade, disse que os 30 países que integram a OCDE – Brasil não incluso – entram em recessão, com perspectivas de desaceleração prolongada da atividade.

O relatório também reitera a convicção de que os grandes países emergentes, como China, Índia e Brasil, embora em desaceleração, sustentarão o crescimento internacional durante a recessão no G-7. “O crescimento em países não-membros da OCDE também se desacelera”, diz Elmeskov, “mas é claro que o nível de elevação do PIB destes emergentes ajuda os países desenvolvidos a enfrentar a crise”. Questionado pelo Estado sobre quando China, Índia e Brasil voltarão a acelerar, o economista não respondeu. “Vamos divulgar um relatório exclusivo sobre o tema em 25 de novembro.”

13/11/2008 - 17:15h ”Fiz o meu primeiro filme europeu”

Vicky Cristina Barcelona, que estréia amanhã, é um recomeço na carreira do diretor e fala sobre a necessidade de arriscar

http://dusk.org/adam/images/vicky-cristina-barcelona2.jpg

Luiz Carlos Merten – O Estado de São Paulo

Embora tenha feito seus últimos filmes anteriores na Inglaterra, o próprio Woody Allen considera Vicky Cristina Barcelona, que estréia amanhã, o seu primeiro filme europeu. Em Cannes, em maio, ele disse que a Inglaterra está próxima demais dos EUA para que se possa sentir a diferença – o que não é exatamente verdadeiro, como sabe qualquer espectador que tenha visto Match Point -, e que a Espanha é outro mundo, mais sensual e vulcânico. A Barcelona de Woody Allen é 100% turística. Vai decepcionar-se quem esperar dele algo além das paisagens de cartão-postal mais conhecidas da cidade. O clima, com tudo o que espírito espanhol acrescenta ao diretor, é mais de filme francês. O próprio Allen reconhece – também no Festival de Cannes ele disse que impregnou Vicky Cristina Barcelona do frescor que descobriu no cinema francês dos anos 60, em François Truffaut, por exemplo.

Talvez ele pudesse ter citado Eric Rohmer, mas preferiu ficar em Truffaut. Ao longo de sua carreira, Allen já homenageou outros mestres europeus – Ingmar Bergman, Federico Fellini, Michelangelo Antonioni. Suas fontes literárias, também européias, incluem Tolstoi, Kafka e Dostoievski. A entrada em cena de Truffaut – também se poderia dizer o mesmo de Rohmer – indica que Allen, aos 70 e poucos anos, está mais decidido do que nunca a falar sobre o amor. O filme conta a história de duas garotas norte-americanas que vão para Barcelona. São interpretadas por Scarlett Johansson e Rebecca Hall. Lá elas se envolvem com Javier Bardem, que Fernanda Montenegro comparou a um touro de Picasso. Mais picassiano do que nunca, Bardem faz um pintor hedonista que, de cara, convida as duas americanas românticas para uma viagem a Oviedo, para desfrutar boas comidas, bom vinho e bom sexo.

Mesmo nos filmes em que não aparece como ator, Woody Allen sempre dá um jeito de se espelhar nos personagens em cena. Você deve se lembrar do Kenneth Branagh – mais alleniano, impossível – de Celebridade. Aqui é até difícil saber em quem ele se projeta mais, mas muito provavelmente é em Scarlett, cuja personagem parece a versão feminina dos neuróticos anônimos celebrizados pelo ator e diretor. De volta à trama, quando faz a proposta – de sexo e vinho, que Hollywood, via Michael Crichton, normalmente consideraria indecente -, Javier Bardem ainda nem conhece as moças. Inicia-se uma relação complicada. Scarlett, ou ‘Cristina’, quer ficar com ele, mas sente-se mal e é trocada na cama do touro espanhol por ‘Vicky’, isto é, Rebecca, que está de casamento marcado, mas não resiste ao sexo selvagem. Entra em cena Maria Elena, a ex de Bardem, tão explosiva que é interpretada por Penelope Cruz, como quem acaba de sair de um filme de Pedro Almodóvar. Mulheres à beira de um ataque de nervos. O Truffaut de Woody Allen é filtrado por Almodóvar (o das antigas).

Vicky Cristina Barcelona é divertido, inteligente. Allen exaspera e subverte velhos clichês – como o da sensualidade européia ser ?liberadora? em relação aos repressores EUA. Formam-se sucessivos triângulos, como num filme de Truffaut, e há, embutida, uma discussão sobre a arte. Bardem e Penelope são pintores que se reinventam sem medo de ir ao limite, mesmo correndo o risco da (auto)destruição. Talvez seja a essência do filme. Tudo o que ele tem de clichê – sobre a paisagem de Barcelona e essa visão um tanto idealizada da sensualidade européia -, na verdade, pode ser uma estratégia do diretor. Woody Allen, que viveu aquele complicado processo de ruptura de Mia Farrow, vinha fazendo um tipo de cinema pacificado, ou pacificador, como se a vida lhe tivesse ficado demasiado mansa. Seus filmes volta e meia tratam da ascendência das mulheres sobre os homens e quem viu o documentário Wild Man Blues, de Barbara Kopple, sobre sua turnê européia, deve se lembrar da maneira como Soon-Yi o tratava feito criança, completamente mandona (e mesmo sendo muito mais jovem do que ele). Vicky Cristina Barcelona é agora sobre a necessidade de arriscar e mudar. Não é um grande Woody Allen – como seus melhores filmes com Mia -, mas talvez seja a melhor prova de que ele compreendeu que corria o risco de se acomodar (Match Point foi só um intervalo) e está disposto a recomeçar, sem medo de arriscar (e até errar).

01/11/2008 - 11:52h La economía española encara la recesión

http://www.cotizalia.com/fotos/economia/2008061726recesion2.jpg

El Banco de España calcula que el PIB cayó un 0,2% en el tercer trimestre – El retroceso pone fin al periodo de crecimiento más largo de la democracia

ALEJANDRO BOLAÑOS – Madrid – El País

El Banco de España confirmó ayer que la economía se desliza hacia la recesión, empujada por la crisis financiera internacional. El organismo supervisor estima que el producto interior bruto (PIB) cayó un 0,2% en el tercer trimestre. Y que las probabilidades de que esta contracción vuelva a repetirse son muy elevadas.

Porque, como recalca el boletín de octubre del Banco de España, la evolución económica en el tercer trimestre es negativa pero aún no recoge la oleada más destructora de la crisis internacional. “El deterioro de la situación financiera a partir de la segunda mitad de septiembre, tras más de un año de persistente inestabilidad, desembocó en una grave crisis de confianza”, subrayan los técnicos del banco central.

La crisis se extiende ahora a los países emergentes y lleva a “un nuevo y sustancial empeoramiento de las perspectivas de crecimiento de los países industrializados”. En síntesis, estos recientes acontecimientos hacen que “los próximos trimestres se afronten en un entorno de máxima incertidumbre y que se agudicen los riesgos de que la fase bajista del ciclo sea pronunciada y duradera”. En el enrevesado lenguaje de los bancos centrales, es una nítida advertencia de que lo peor está por llegar.

Lo que parecía imposible hace apenas año, ahora es casi una certeza. El PIB avanzaba entonces a una tasa anual del 3,6% y el debate se centraba en la intensidad de la desaceleración. Pero la crisis financiera pisó el freno de la economía española hasta dejarla parada. Y, lastrada por un drástico ajuste en el mercado de la vivienda y niveles de endeudamiento históricos, empieza a retroceder.

Respecto al tercer trimestre de 2007 (es decir, en tasa anual), el PIB aún avanzó un 0,9%, según el Banco de España. Pero respecto al segundo trimestre de este año (en tasa intertrimestral), el valor generado por la economía española desciende y pone fin al periodo de crecimiento más largo de la democracia. No se vivía una caída desde la primavera de 1993, en el final de la última recesión de la economía española.

Esta estimación tiene que ser confirmada aún por el Instituto Nacional de Estadística (INE) dentro de dos semanas. Pero como subrayó el secretario de Estado de Economía, David Vegara, los cálculos del Banco de España “suelen ser bastante acertados” y apenas difieren de lo que luego publica el INE.

Para confirmar que la economía española ha entrado en recesión (según la definición más habitual, hay que enlazar dos trimestres con caída en el valor del PIB) habrá que esperar algo más, hasta los datos del cuarto trimestre. El Gobierno sostiene que sólo es una posibilidad, pero las cifras avalan que es más que probable.

Como refleja el Banco de España, “las condiciones de financiación a familias y empresas volvieron a endurecerse”, aún antes de que la peor réplica del terremoto financiero ahogara el mercado de crédito interbancario y disparara la diferencia entre el Euríbor (referencia para los préstamos) y los tipos de interés oficiales.

El deterioro de la evolución económica se concentró en la demanda interna. Sobre todo, en el consumo privado (la mayor partida de gasto, con un peso cercano al 55% del PIB) y en la inversión residencial (el componente más dinámico hasta 2007).

Según la estimación del Banco de España, el gasto de las familias acusó un nuevo frenazo, con la tasa de variación anual del consumo “por debajo del 1%”. Una circunstancia que relaciona con la debilidad de los indicadores de confianza, “en mínimos históricos” y las consecuencias del repunte de la inflación y del paro (se destruyó empleo por primera vez desde la recesión de 1993) en su renta disponible. Estos factores negativos apenas se vieron amortiguados, en opinión del banco central, por la deducción de 400 euros en el impuesto de la renta impulsada por el Gobierno. Y, el incremento de los salarios, que el Banco de España sitúa en el 4,5% y vuelve a considerar excesivo, apenas opuso resistencia.

En el caso de la inversión en viviendas, el Banco de España refleja que la disminución de la actividad “se va haciendo más pronunciada a medida que avanza el año”, con caídas cercanas al 40% en las casas iniciadas. Pero el retroceso ya no sólo afecta a la construcción, sino que se extendería también a la industria. Sólo el sector servicios seguiría generando empleo y crecimiento aunque a ritmos cada vez más atenuados.

Por el contrario, el sector exterior dobla su aportación al crecimiento (de 0,3 a 0,6 puntos porcentuales), aunque se deba sobre todo al desplome de las importaciones, que reflejan así el parón en el consumo.

El Banco de España pone sordina a las previsiones del Gobierno (1,6% en 2008, 1% en 2009). Y centra su preocupación en el objetivo de déficit público (1,5% del PIB este año). “Estas estimaciones oficiales presentan importantes riesgos derivados de la incertidumbre que rodea al escenario macroeconómico”.

25/10/2008 - 17:59h O racismo e a crise na Europa

La prima manifestazione nazionale del Pd a Roma (Ansa)
manifestantes italianos contra o racismo e contra Berlusconi

“Segundo uma nova pesquisa do instituto americano Pew Research Centre, a rejeição a judeus e muçulmanos cresceu em quase todos os países da Europa, exceto Reino Unido. Na Espanha, campeão de anti-semitismo, 46% das pessoas admitem ter opinião negativa dos judeus e 52% dos muçulmanos, o dobro de 2005.
Outros países também apresentaram altas, inclusive na Alemanha, onde a rejeição aos muçulmanos chegou a 50%, e aos judeus a 25%.
Na Áustria opiniões como esses fortaleceram a extrema direita, que ganhou 29% dos votos nas eleições gerais de setembro. O significado político do resultado foi ofuscado pela morte de seu líder mais conhecido, Jörg Haider. Mas a mensagem das urnas foi de que um terço dos austríacos quer dar um aperto nos imigrantes.
Em muitos sentidos, tais sentimentos já moldam o discurso e a ação dos políticos europeus. Sob a Presidência da França, a União Européia aprovou na semana passada um pacto que endurece a política migratória do bloco.” (Fonte Folha de São Paulo)

25/10/2008 - 12:00h Recessão no Reino Unido derruba bolsas européias

Economia britânica recuou 0,5% no 3º trimestre, o pior índice desde 1992, o que deixa o país à beira da recessão; resultado teve impacto no mercado

Jamil Chade, GENEBRA – O Estado SP

http://clabedan.typepad.com/photos/uncategorized/euronextmeta_b20041220124939_1.jpgA constatação de que a recessão não é mais uma ameaça para alguns países europeus, mas sim uma realidade, derrubou as bolsas da Europa. Ontem, o Reino Unido revelou que sua economia encolheu 0,5% no 3º trimestre e o país está à beira da recessão. Outro temor é de que os emergentes não servirão de colchão para evitar uma recessão mundial e também vão sofrer uma desaceleração. Como conseqüência, as empresas européias com investimentos nesses mercados também recuaram ontem nas bolsas.

Na Europa, o índice Dow Jones Stoxx 600 caiu 4,7%. Depois de baterem quedas de mais de 8%, as bolsas conseguiram uma leve recuperação. Mesmo assim, fecharam com fortes quedas. Em Londres, o índice FTSE perdeu 5%; o índice francês Cac cedeu 3,53%, enquanto o Dax, da bolsa alemã, caiu 4,95%. Em Moscou, a queda foi de 14% e o pregão foi suspenso até a semana que vem. Já a FTSEurofirst 300 caiu 5,4%, a pior taxa desde maio de 2003.

Enquanto isso, o desemprego não pára de subir na Espanha e a atividade industrial despenca na Alemanha. Na França, as principais empresas do setor automotivo revelaram que estão cortando produção.

No total, US$ 10 trilhões desapareceram do mercado desde o início do ano. As perdas no mês foram equivalentes a um terço de todo o prejuízo do ano nas bolsas. Com a queda na Ásia, o índice MSCI atingiu o ponto mais baixo desde 2003. No ano, já soma perdas de 48%.

O dia de ontem foi ainda marcada pelo resgate de US$ 2 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Islândia, além de um pacote de US$ 40 bilhões criado pelos noruegueses para salvar seus bancos.

Mais uma vez, foram os bancos que tiveram as maiores quedas nas ações. O HSBC teve redução de 17,7% diante da possibilidade da desaceleração nos mercados emergentes. O Standard Chartered, também com ampla exposição nos emergentes, somou perdas de 15,8%.

Outro temor do mercado europeu ontem era de que os países emergentes não fiquem mesmo imunes à recessão, principalmente depois da crise na Argentina e do fato de a Coréia ter anunciado ontem sua pior taxa do PIB em quatro anos.

Nesse caso, quem mais sofreu foi a bolsa espanhola, onde estão cotadas muitas das empresas com investimentos na América Latina. A queda ontem foi de 5,2%, com média abaixo de 2004. O Santander perdeu 10,43% e o BBV, 8%. No total, a bolsa de Madri teve sua segundo pior semana da história. No ano, já perdeu 44,9%.

Mas o que mais assustou investidores e analistas foi a constatação de que a economia britânica sofreu uma contração de 0,5% no terceiro trimestre, o pior índice desde 1992. Isso coloca o país à beira da primeira recessão desde 1991. Irlanda e França já estão tecnicamente em recessão. O chanceler britânico, Alistair Darling, admitiu: “Esse é o dia em que a recessão se tranformou em realidade”.

O mercado já esperava dados negativos dos ingleses, mas a taxa de 0,5% foi considerada surpresa. O resultado provocou a primeira queda na libra esterlina em 37 anos, assim como uma redução do valor das ações de todas as empresas britânicas.

Se a economia do Reino Unido cair no quarto trimestre, o país tecnicamente entra em recessão. Segundo a Ernst & Young, já está desde julho. ParaEm 2009, a previsão de queda é de 1%.

Para o vice-governador do Banco da Inglaterra, Charles Bean, a crise financeira “é a maior na história da humanidade”. Ele ainda alerta que o impacto na economia real está apenas começando.

Já sabendo que os dados seriam negativos, o primeiro-ministro Gordon Brown já ousou pronunciar a palavra “recessão” nesta semana, alertando que praticamente seria inevitável. Politicamente, a recessão pode ser um fardo para o atual governo, que prometia estabilidade.

O maior sindicato de trabalhadores do Reino Unido – o Trade Union Congress – apelou para que o governo comece a pensar em um plano para salvar empregos e empresas, e não apenas os bancos. “O governo precisa mostrar o mesmo compromisso que teve em salvar os bancos agora, na luta contra a recessão”, diz a entidade.

Na Espanha, mais dados preocupantes. O desemprego, que já era o maior da Europa, continua em alta. O Instituto Nacional de Estatísticas apontou que o desemprego já chega a 11,3%, ante 10,4% no segundo trimestre. Em apenas três meses, 217 mil perderam o emprego. No total, já são 2,5 milhões de desempregados no país.

22/10/2008 - 08:57h Governos europeus mudam foco de ajuda para estimular a economia

http://www.debom.blogger.com.br/europa_mundo.JPG

VALOR – David Gauthier-Villars, Leila Abboud, Sara Schaefer Muñoz e Mike Esterl, The Wall Street Journal, de Paris, Londres e Frankfurt

Cada vez mais receosos de que uma queda brusca no crédito bancário possa prejudicar ainda mais suas economias, governos europeus estão apresentando novas propostas para diminuir as conseqüências de uma provável recessão.

Ontem, o governo italiano informou que está elaborando um pacote de medidas para estimular a economia. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, propôs a criação de fundos soberanos para evitar que grandes empresas do continente sejam adquiridas por não-europeus a preço de pechincha e chegou a esboçar proposta de um “governo econômico” para a zona do euro.

As sugestões de Sarkozy foram feitas depois que o governo da França anunciou que vai injetar 10,5 bilhões de euros (US$ 14 bilhões) nos seis maiores bancos do país. A medida, tomada com a intenção de promover a retomada dos empréstimos bancários, demonstra a clara mudança do foco do governo, passando das instituições financeiras doentes para a economia real. O temor é que, se os bancos emprestarem menos, empresas e pessoas não vão gastar dinheiro, reduzindo a atividade econômica num período em que a maior parte das grandes economias européias parece estar rumando para a recessão.

Em outra medida para facilitar o crédito, bancos centrais europeus inundaram os mercados, ontem, com dinheiro por meio de leilões de fundos ilimitados, ajudando a baixar as taxas de juros. Leilões feitos pelo Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça ajudaram a baixar a Libor, a taxa de Londres que serve de parâmetro para empréstimos entre bancos.

Há sinais de que está cada vez mais difícil para as empresas obter financiamento. A empresa francesa de serviços públicos Veolia Environnement SA, por exemplo, havia garantido o financiamento de investidores externos para um projeto de infra-estrutura de abastecimento de água em Abu Dhabi de 400 milhões de euros. Ela foi depois informada que teria de pagar juros mais altos sobre o empréstimo. A empresa desistiu e, em vez daquele grupo, pegou financiamento do seu cliente, o emir de Abu Dhabi.

Na França, onde os bancos ficaram relativamente incólumes à crise, o financiamento para mutuários da casa própria caiu 26% no terceiro trimestre, segundo pesquisa do instituto de pesquisa Observatoire Crédit Logement e da agência CSA. A inadimplência está cada vez maior. Na Espanha, a venda de carros está em queda porque há mais requisitos para se conseguir financiamento.

Ao mesmo tempo, os bancos estão procurando ajuda direta. Ontem, no fim do dia, o Bayerische Landesbank informou que vai pedir uma injeção de capital de 5,4 bilhões de euros do fundo de resgate de 500 bilhões de euros do governo alemão, tornando-se o primeiro banco do país a levantar a mão para pedir socorro desde que o pacote de resgate foi aprovado pelo Legislativo federal, na sexta-feira.

Na Islândia, representantes do governo estão “atando pontas soltas” num pacote de resgate liderado pelo Fundo Monetário Internacional, segundo uma porta-voz informou ontem, na esperança de salvar uma economia estilhaçada pelo colapso do seu sistema bancário.

O plano francês para bancos foi uma surpresa. Na semana passada, quando governos da União Européia concordaram com um cardápio de medidas para restaurar confiança no setor financeiro, a maioria dos bancos franceses afirmou ter fundos suficientes. Mas o governo argumentou que quer que os bancos concedam mais empréstimos, a fim de que mais dinheiro flua para as empresas e famílias. A França está fazendo sua injeção de capital na condição de que os bancos se comprometam a aumentar, em 2009, o volume de crédito em 3% a 4% do total atual, de 1,85 trilhão de euros.

Autoridades francesas disseram que as injeções de capital não são um pacote de resgate. O presidente do Banco da França, Christian Noyer, disse que, em vez disso, o governo “está fornecendo o capital de que os bancos precisam para expandir sua atividade de crédito”.

Diferentemente do Reino Unido, onde o governo nacionalizou vários bancos agonizantes, o governo francês não vai receber ações das instituições financeiras que aceitarem sua ajuda. “De forma nenhuma este é um plano de resgate”, disse Baudouin Prot, diretor-presidente do BNP Paribas SA, que pretende aceitar a oferta do governo. “Assim que os mercados melhorem, devemos pagar a dívida.”

No Reino Unido já surgem diferenças entre bancos que concordaram em ceder uma fatia ao governo e outros que não. O Royal Bank of Scotland Group PLC, o Lloyds TSB Group PLC e o HBOS PLC devem receber 37 bilhões de libras esterlinas (US$ 63,5 bilhões) como parte do pacote de resgate anunciado na semana passada, enquanto o HSBC Holdings PLC e o Barclays PLC informaram que vão levantar capital por conta própria.

O plano britânico colocará membros aprovados pelo governo no conselho dos bancos e os proibirá de distribuir dividendos aos acionistas até que o governo resgate suas ações, o que analistas dizem que pode levar até cinco anos. Isso deixou alguns investidores receosos: as ações do RBS, Lloyds e HBOS caíram logo depois da notícia do plano de capitalização britânico, enquanto ações do Barclays e do HSBC subiram.

Ao longo do mês, a França anunciou uma série de medidas para apoiar sua economia. Ela também fez uma série de apelos por um plano pan-europeu de recuperação – sem muito sucesso. Ontem, Sarkozy disse a legisladores europeus, em Estrasburgo, que os 15 países que usam o euro deveriam criar um “governo econômico” para coordenar melhor suas políticas.

22/10/2008 - 08:43h FMI prevê que mais bancos vão falir na Europa

http://www-public.tu-bs.de:8080/~y0028855/old/pag/frank1706/O_banco_central_europeu.JPG

Fundo mantém previsão de crescimento de 0,2% para a zona do euro no próximo ano, ante 1,3% em 2008

Bloomberg News* – O Globo

PARIS, BRUXELAS e TÓQUIO. O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que mais bancos europeus deverão falir. Em sua análise anual da economia européia, divulgada ontem, a instituição diz que os mercados financeiros estão, agora, “dando mais atenção” à alavancagem pura e simples, em vez de avaliar seu grau de risco. Nesse aspecto, os bancos europeus estariam em posição menos favorável que a dos americanos, de acordo com o Fundo. O FMI manteve ainda sua previsão de desaceleração de 1,3% em 2008 para 0,2% no próximo ano para a zona do euro.

O FMI ressalta que, num momento de volatilidade dos mercados e em que os fundos soberanos e investidores exibem reduzido apetite para injetar recursos nos bancos, as instituições financeiras européias verão cair sua capacidade de levantar recursos e aumentar a necessidade de ajuda estatal. “Embora a recapitalização tenha ido bem inicialmente, ela tende agora a desacelerar. Um maior número de bancos deverá falir”, diz o relatório.

Os bancos europeus levantaram US$ 266,7 bilhões em capital novo desde o início de 2007, em meio aos US$ 228 bilhões em prejuízos e baixas contábeis registrados desde então, segundo dados da agência de notícias Bloomberg.

De acordo com o FMI, o desgaste do setor bancário está se infiltrando na economia real, num momento em que empresas e consumidores vêem barrado seu acesso ao crédito. Os países que vivenciaram surtos de crescimento do setor imobiliário, como Espanha e Reino Unido, são os que sofrerão o desaquecimento mais agudo.

— Estamos enfrentando uma desaceleração de grandes proporções em todos os países — disse à imprensa Alessandro Leipold, diretor interino do Departamento de Europa do FMI, salientando que a maioria das economias passará por uma recessão até o início de 2009, seguida por uma recuperação gradual.

Japão planeja ampliar ajuda para bancos grandes O fundo reiterou sua projeção de 8 de outubro para a zona do euro, que registrará crescimento de 0,2% em 2009.

Para todos os países europeus, a previsão foi mantida em 1,4%. Ao mesmo tempo, o FMI espera que a inflação na zona do euro caia para 1,9 % em 2009, ante 3,5% este ano.

Ainda segundo a instituição, os mercados emergentes deverão crescer no ano que vem menos que os 4,3% previstos para o período. As economias dos mercados emergentes “também estão sentindo a pressão”, e os riscos de um “pouso turbulento continuam elevados em partes da região” depois que a disparada dos déficits em conta corrente aumentou sua dependência de capital externo, segundo o relatório.

O governo do Japão sinalizou ontem que poderá ampliar o acesso a seu programa de ajuda para os maiores bancos do país, na tentativa de evitar efeitos da crise global de crédito.

— Como estamos considerando a necessidade de facilitar o empréstimo para pequenas firmas, não vejo razão para discriminar grandes bancos — afirmou o ministro de Finanças, Kaoru Yo

07/10/2008 - 09:12h Contágio pode quebrar a zona do euro

Angela Merkel, primeiro-ministro da Alemanha
merkel_europe.jpg

Larry Elliott * – O Estado de São Paulo

De certo modo, quando o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, disse no mês passado que o aperto do crédito era um problema americano, houve a sensação de que ele estava desafiando o destino. Quanto tempo levaria para que o contágio que limpou Wall Street e a City de Londres também fizesse uma ou duas vítimas no setor bancário da zona do euro? Bom, as palavras presunçosas de Steinbrueck mal saíram da sua boca, e recebemos a resposta. Belgas e holandeses tiveram de resgatar o banco Fortis; os irlandeses trataram de estender uma garantia geral para os seus depósitos, com medo de que pelo menos um, e provavelmente dois de seus grandes bancos estivessem perto de capotar.

A reflexão de Steinbrueck sobre a possibilidade de os Estados Unidos estarem perdendo seu status de potência hegemônica da economia mundial foi interrompida pela necessidade de buscar a aprovação de Bruxelas para a malfadada operação de resgate do grupo HRE alemão, de 35 bilhões de euros. E no final de semana os líderes dos quatro grandes países da Europa – Alemanha, França, Itália e Grã-Bretanha – convocaram uma reunião de cúpula global de emergência para o próximo mês. Uma lição para os ministros das Finanças: procurem não irritar os deuses.

O crescimento da França no terceiro trimestre baixou de 0,7%, no terceiro trimestre do ano passado, para 0,4% em cada um dos dois trimestres seguintes, depois tornou-se negativo em 0,3% no segundo trimestre deste ano. Christine Lagarde, a ministra das Finanças, prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) sofrerá nova contração no terceiro trimestre. O que equivale tecnicamente a uma recessão: dois trimestres consecutivos de resultados em queda.

A Itália teve um desempenho ainda pior. O PIB caiu tanto no quarto trimestre de 2007 quanto no segundo deste ano, empurrando a taxa de crescimento anual já anêmica para zero. Na França, é 1,1% e na Grã-Bretanha, 1,4%. A Alemanha obteve o melhor desempenho das quatro principais economias da Europa, mas também está reduzindo o crescimento, porque a demanda de suas exportações foi afetada pela crise global. A produção alemã caiu 0,5% no segundo trimestre, empurrando sua taxa anual de crescimento para 1,7%.

Em comparação, a expansão anual dos Estados Unidos é de 2,2%, embora seu forte desempenho no segundo trimestre se devesse a um corte único dos impostos de US$ 150 bilhões, e agora a economia pareça estar baixando seu ritmo ainda mais rapidamente. Há evidências de que em todo o mundo desenvolvido está havendo uma redução do ritmo, e isto ocorre nos países que seguem tanto o modelo da Europa continental quanto o anglo-saxônico: nos países em que surgiram bolhas no mercado da habitação, e nos que não houve bolha; nos países que adotaram o euro assim como nos que não o adotaram. A Espanha, por exemplo, está na união monetária, mas na sexta-feira anunciou uma ampla queda de 7% da produção industrial e apresenta um aumento acentuado do desemprego.

Três pesquisas realizadas na semana passada entre gerentes de compras na Grã-Bretanha – nos setores da manufatura, serviços e construção – advertiram que há uma recessão. A primeira reunião do gabinete da guerra econômica de Gordon Brown, realizada ontem, havia muito o que discutir.

O quadro é variado no que se refere a Islândia, Noruega e Suíça, que não fazem parte da União Européia. A Islândia está numa situação calamitosa, a confiança em seu sistema bancário em frangalhos e a economia já em marcha a ré acelerada. A Noruega, graças à alta do preço do petróleo, cresce a 3,3%, 1 ponto porcentual acima da Suíça.

Não é fácil enxergar através dessa névoa estatística, mas é possível tirar algumas conclusões. A primeira delas é que nenhum país do mundo desenvolvido ficará imune à crise. A segunda é que os seus efeitos para a “economia real” demoraram para se fazer sentir, mas agora estão se intensificando.

A este respeito, as medidas – ou a falta de medidas – do Banco Central Europeu são curiosas. Ao contrário do Federal Reserve (Fed, banco central americano) ou do Banco da Inglaterra, o BCE decidiu que o aumento da inflação, este ano, causado pelo aumento dos preços do petróleo e dos alimentos , merece a elevação das taxas de juros.

Agora, a inflação está caindo e, a julgar pelos comentários de Jean-Claude Trichet, seu presidente, o BCE pretende abrandar sua estratégia até o início de 2009, quando haverá abundantes evidências de que Europa, Japão e Estados Unidos estão em recessão, e isto terá um efeito enorme para a Grã-Bretanha, onde 50% das exportações vão para o restante da Europa. Entre os presidentes dos bancos centrais. talvez Mervyn King seja o que mais se aproxima dele.

Queimar lentamente Uma terceira conclusão é que o efeito do enfraquecimento lento do sistema bancário europeu provavelmente tem mais a ver com as diferenças nos sistemas contábeis do que com a maneira como é administrado. Como Steinbrueck sabe muito bem, os bancos alemães imitaram seus equivalentes britânicos e americanos no cassino subprime e fizeram as mesmas apostas questionáveis em derivativos arriscados. O que aconteceu foi que demorou mais tempo para os prejuízos aparecerem.

Uma quarta observação – novamente bastante óbvia – é que a zona do euro continua um híbrido. É uma união monetária, mas não uma união política, e portanto, países como a Irlanda tiveram de se arranjar sozinhos na operação de resgate dos bancos em dificuldades. Há uma nítida distinção entre os Estados Unidos, onde o governo tem peso financeiro em todos os 50 Estados, e a União Européia.

Convocar uma cúpula global não é a mesma coisa que fazer algo concreto, e Angela Merkel deixou claro que a Alemanha não ajudará bancos malandros de outros países da União Européia. O Banco Europeu de Investimentos decidiu liberar uma ajuda de emergência de 12 bilhões de libras esterlinas (US$ 2 bilhões) para as pequenas empresas, mas dada a dimensão e a escala da crise da União Européia, a quantia é insignificante.

No longo prazo, as uniões monetárias não sobrevivem sem uma união política, e portanto a quinta conclusão é que há pressões tanto para uma integração maior quanto para a desintegração. A crise poderá fortalecer os que argumentam que as medidas corretivas são intrinsecamente instáveis e continuarão assim até que haja uma união fiscal e monetária. Por outro lado, a crescente ameaça de recessão poderá levar alguns países a questionarem se valerá realmente a pena continuar numa união monetária.

Charles Goodheart, da School of Economics de Londres, observou na semana passada que nos últimos anos houve variações extremas na competitividade, nos custos da mão-de-obra e nas balanças comerciais em toda a zona do euro. As preocupações do BCE com a inflação só poderão ser corrigidas pelos países que registram grandes déficits da conta corrente, como a Espanha, ou que sofrem de uma profunda falta de competitividade, como a Itália, crescendo mais lentamente e reduzindo o padrão de vida. Evidentemente, estas não serão medidas populares.

Goodheart conclui que, se tivessem de decidir agora, alguns membros da união monetária votariam contra seu ingresso.

Optar não aderir é muito diferente de decidir sair, e haveria consideráveis conseqüências para um país que voltasse a adotar sua moeda nacional em lugar do euro. Goodheart aponta para o risco de que a união monetária possa quebrar-se em 10% a 20%, o que é pouco, mas certamente não deixa de ser significativo.

*Larry Elliott é editor de Economia do jornal britânico ‘The Guardian’

08/09/2008 - 11:42h Se continuar do jeito que vai…

Se persistir o ritmo da “tartaruga” demo-tucana na construção do metrô e a quantidade enorme de contratos irregulares e super-faturados (a afirmação é dos jornais e do Tribunal de Contas do Estado – TCE); a malha do metrô de São Paulo continuará sendo a menor, a mais lotada, a mais cara e onde as licitações tem preços superiores aos de Madri, por exemplo. Mas essa fatalidade pode ser mudada. São Paulo não está fadada a mediocridade. LF

trem_45.gifmetro_lotado2.jpeg

Entre as metrópoles, SP ainda terá a menor rede em 2010

Daqui a dois anos, cidade deverá ter 80,5 km de trilhos, mas expansão ainda não é suficiente

Agencia Estado

SÃO PAULO – Os planos da administração José Serra (PSDB) para expansão do metrô paulistano até 2010 serão insuficientes para tirar São Paulo da última colocação no ranking de extensão da rede da CoMET (Comunidade de Metrôs, na sigla em inglês). Informações extraídas do banco de dados inglês mostram que, mesmo em caso de estagnação dos outros dez maiores metrôs do mundo, o que é improvável, a capital continuará atrasada em relação aos “concorrentes”.

Atualmente, a penúltima colocação é ocupada pelo metrô de Santiago, no Chile, com 83,7 km de linhas. Daqui a dois anos, conforme o plano de expansão da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos, São Paulo deverá ter 80,5 km de trilhos de metrô. Fazem parte desse cálculo a inauguração da Linha 4-Amarela, que ligará a Vila Sônia, na zona sul, à Luz, no centro, e a extensão da Linha 2-Verde até Vila Prudente, na zona leste.

O principal entrave para o aumento no ritmo de construção do metrô é o elevado custo da obra. Cada quilômetro da Linha 4 custou em torno de R$ 179,6 milhões aos cofres públicos, isso sem incluir a compra dos trens. Estudos feitos pela Direção de Gerência do Metrô de Madri, na Espanha, mostraram que investimentos na ampliação da malha metroviária pelo mundo custam, em média, US$ 120 (R$ 204 milhões) por quilômetro. Com a prática de projetos, gerência e administração feitos por um consórcio que envolve vários níveis de governo – a iniciativa privada e até mesmo sindicatos -, os espanhóis conseguiram reduzir os valores de construção em cerca de 30%.

Para ampliar as linhas locais, esse metrô espanhol desembolsou, em média, US$ 42 milhões (R$ 71,4 milhões) por quilômetro, incluindo a compra dos trens – custo duas vezes e meia menor do que em São Paulo. “Os fatores que contribuem para o êxito de Madri são políticos, econômicos, de gestão e técnicos”, explicou o diretor da companhia madrilenha Aurelio Garrido. Na semana passada, ele esteve em São Paulo para participar de um seminário promovido pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (Aeamesp).

Com investimentos maciços, a demanda de passageiros cresceu em Madri. Em 1995, os trens transportavam cerca de 1,5 milhão de passageiros por dia. Atualmente, 2,6 milhões de pessoas utilizam diariamente o moderno sistema metroviário da região metropolitana da capital espanhola.

O desafio da expansão, segundo o técnico, era fazer tudo num curtíssimo prazo. Após a criação do Consórcio de Transporte de Madri, a decisão foi ampliar a rede, incluindo o chamado metrô de superfície. Na expansão, entre 1995 e 2003, foram feitos 40 quilômetros – 20 deles entre 1995 e 1999. Foram gastos US$ 1,59 bilhão, incluindo o valor dos trens.

O projeto de expansão 2003-2007 ainda está em andamento. Estão previstos 81,3 km de novas linhas, ao custo de R$ 11,3 bilhões – R$ 139,1 milhões por quilômetro. O valor se refere à construção de 80 estações e à compra de dez equipamentos para escavar os túneis, os “tatuzões”. “Com planejamento, o custo da mobilidade por passageiro por quilômetro é mais baixo”, destacou Garrido.

(Com informações de Bruno Tavares, Eduardo Reina e Renato Machado, de O Estado de S. Paulo.)

03/08/2008 - 17:29h Anarquista, libertário, surrealista… e genial

Retrato de Luis Buñuel feito por Salvador Dali

bunuel_dali.jpg

Há 25 anos morria um dos artistas mais provocativos do século: Luis Buñuel

Luiz Zanin Oricchio – O Estado de São Paulo

Dia 29 completaram-se 25 anos da morte de Luis Buñuel (1900-1983). Espanhol de Calanda, cidade de Aragão, Buñuel escolheu o México para viver sua aposentadoria. Realizou boa parte de sua obra nessa país e nele morreu. Em seu livro de memórias, Meu Último Suspiro (Nova Fronteira, 1982), ditado ao seu roteirista Jean-Claude Carrière, Buñuel muito fala do México. Agradava-lhe o tom de suave absurdo que encontrava no país, o culto da violência e dos mortos, a alegria, os contrastes. Lá, dom Luis estava em casa.

Foi, no entanto, na França, que teve início sua carreira de cineasta. E ela começou em parceria com outro exilado ilustre, espanhol como ele, o pintor Salvador Dalí. Juntos, fizeram o filme-manifesto do surrealismo, Un Chien Andalou – Um Cão Andaluz, em 1928. Já nos primeiros planos, uma imagem forte, e tão contundente que quase intolerável: uma nuvem esconde a lua por alguns momentos; a câmera registra um rosto de mulher. Por trás dela, surge um homem com uma navalha na mão. Com a outra mão, ele abre o olho da mulher e o decepa. Um crítico como Ado Kyrou via nessa seqüência a proposta de um método radical, que iria acompanhar Buñuel por toda a vida – a dissecação.

Não deixa de ter razão. A obra de Buñuel é diversificada, inclusive pelas condições materiais de produção de que dispôs ao longo da carreira. Mas centra-se em torno de alguns motivos centrais – a crítica da religião e da hipocrisia burguesa, os paradoxos da sexualidade, a força do desejo, os automatismos mentais, que obedecem, ao mesmo tempo em que escapam, as determinações sociais e históricas. O “como” tratar esses temas era um caso à parte e Buñuel sempre pareceu incisivo como um cirurgião munido do seu bisturi. Ia na contracorrente da relação de fascínio acrítico do espectador em relação ao filme.

20070206dalifilmchienandalou.jpg

O uso freqüente do absurdo era uma dessas maneiras de tirar o público do seu centro de passividade acomodada. Esta é uma lição que levou do surrealismo mais estrito de André Breton, aliás já prefigurado na obra poética de Isidore Ducasse, o Conde de Lautréamont (1846-1870). O autor de Cantos de Maldoror, leitura de cabeceira do grupo surrealista, morto aos 23 anos, falava sobre o efeito poético da justaposição de itens heterogêneos – o impacto do inesperado como o guarda-chuva e da máquina de costura sobre a mesa de cirurgia, era o exemplo. Buñuel usou com freqüência esse artifício de surpresa e distanciamento.

Assim, já nos dois primeiros filmes, ao escrever o roteiro, os (então) amigos Buñuel e Dalí descartavam tudo aquilo que pudesse fazer sentido imediato. Nessa recusa do significado linear e fixo, pululam imagens inéditas e inesquecíveis – o olho cortado pela navalha, as formigas que saem das mãos, os burro morto sobre um piano de cauda, os esqueletos vestidos com trajes papais.E, claro, como era da própria intenção dos criadores, desse aparente nonsense brotavam significados aos borbotões – dependentes da imaginação de quem assistia aos filmes.

Buñuel não ignorava o quanto de provocativo havia nessas imagens insólitas. Tanto assim que, na estréia de Un Chien Andalou, em Paris, forrou os bolsos de pedras para defender-se, se fosse necessário. Dois anos depois, nova dose de remédio da mesma natureza: A Idade de Ouro. O grupo de direita Action Française veio à porta do cinema protestar e o filme, um média-metragem, acabou proibido pela censura.

As tesouras do censor perseguiram Buñuel durante muito tempo e ele não parecia se importar muito com o fato. Há uma passagem interessante sobre esse “relacionamento”entre artista e censor, esse diálogo entre a corda e o pescoço. Buñuel, havia muitos anos fora da Espanha, obtém autorização para filmar em seu país e lá rodou o que muitos consideram sua obra-prima, Viridiana (1961). Como conseguiu produzir obra tão anticlerical na carola Espanha de Franco, só Deus é capaz de saber. Viridiana é uma jovem piedosa, que decide abrigar em sua casa um grupo de mendigos. Eles se embebedam, um deles tenta violentá-la e, em cena famosa, parodiam a Santa Ceia. Mas não foi com essa imagem que a censura franquista implicou e sim com o desfecho. Buñuel havia filmado a heroína, interpretada por Silvia Pinal, entrando no quarto com um homem, numa clara indicação de que iriam fazer sexo. A cena foi vetada. Buñuel inventou outra: a moça joga cartas com o rapaz, os dois sentados em volta de uma mesa. “Ficou muito mais alusivo e portanto melhor; agradeço de coração à censura franquista”, ria-se Buñuel. Mesmo assim, o filme foi interditado na Espanha quando os censores se deram conta do que Luis havia feito, e sob as suas barbas conservadoras.

Esse exercício de filmar segundo as circunstâncias havia sido desde cedo assimilado por Buñuel. Se em Un Chien Andalou e L?Âge d?Or (1930) fizera exatamente o que lhe viera à cabeça, com a mudança primeiro para os Estados Unidos e depois para o México teve de se conformar a certas regras do cinema comercial. Nos EUA, escreveu roteiros. Mudando-se para o México, teve de se haver com as normas do melodrama. Mesmo assim, Buñuel se comportava como se, no fundo, filmasse exatamente o que tinha em mente. “Jamais me envergonhei de um único plano de minha obra”, dizia.

E com razão. Porque, mesmo fazendo melodramas, neles infiltrava, de contrabando, suas idéias, sua estética, sua visão de mundo. Instilava nos dramalhões o veneno surrealista e fazia insólitos filmes que na origem poderiam ser banais, como Subida ao Céu (1951)e Escravos do Rancor (1953). A Ilusão Viaja de Trem (1954) é uma pequena jóia surrealista.

Mas é com o drama social Los Olvidados (Os Esquecidos, 1950) que Buñuel alcança notoriedade mundial. Depois desse estranho filme social, que lhe deu o prêmio de direção em Cannes, Buñuel ainda realiza no México obras do porte de O Alucinado (1953), Nazarin (1958) e O Anjo Exterminador (1962).

Na fase final de Buñuel, destaca-se a sua longa colaboração com o roteirista francês Jean-Claude Carrière, a quem caberia, como vimos, ajudá-lo a escrever suas memórias. Esse trabalho a dois vai de Diário de uma Camareira (1964) até o último, Esse Obscuro Objeto do Desejo (1977). Filmes como A Bela da Tarde (1967), A Via Láctea (1969), O Discreto Charme da Burguesia (1972) e O Fantasma da Liberdade (1974) passaram a fazer parte do imaginário cinematográfico mundial.

É um grande cinema, anarquista e libertário, que continua atual e pulsante, mesmo em tempo tão conformista como o nosso. Talvez , por isso mesmo esteja vivo como nunca – porque nos obriga a reler um presente medíocre a contrapelo, a partir do seu contrário.

http://www.lovefilm.com/lovefilm/images/products/6/79696-large.jpg

ALGUNS TÍTULOS DISPONÍVEIS EM DVD

UM CÃO ANDALUZ E A IDADE DE OURO: os dois primeiros filmes, manifestos do surrealismo no cinema. Trazem algumas das imagens mais marcantes da obra do cineasta, como a do olho sendo decepado pela navalha.

O ANJO EXTERMINADOR: filmado no México, traz uma situação clássica da poética de Buñuel: um grupo de ricaços não consegue sair de uma sala, sem que haja motivo aparente para isso.

OS ESQUECIDOS: Talvez o maior exemplo do drama social tratado à maneira do autor. Não existem santos nem vilões; todos podem se aviltar, ou se santificar, na luta pela sobrevivência.

VIRIDIANA: Para muitos, a obra-prima de Buñuel, filmada na Espanha. Seu tema seria a inutilidade da caridade, na história da personagem que acolhe em sua casa um grupo de mendigos.

A BELA DA TARDE: Um dos principais papéis de Catherine Deneuve. Ela vive Séverine, a mulher rica que se prostitui em um bordel no período da tarde.

O DISCRETO CHARME DA BURGUESIA: Buñuel aposta no cômico para ridicularizar um grupo de burgueses condenado a nunca conseguir terminar uma refeição.

ESSE OBSCURO OBJETO DO DESEJO: Última obra do diretor, história do homem que não pode consumar o sexo com a mulher que deseja, interpretada por duas atrizes, Angela Molina e Carole Bouquet.

30/04/2008 - 18:25h Já a “maja” de Goya continua anônima

Ninguem sabe quem foi a modelo e nem porque Francisco Goya fez dois quadros, a maja vestida e a maja nua. A obra foi feita entre 1800 e 1803 e ambos quadros podem ser vistos no Museu do Prado, em Madri.

goya_maja_vestida.jpg

goya_maja_desnuda.jpg

30/04/2008 - 18:13h Os fuzilados de Goya saíram do anonimato

goya_2_maio.jpg

Los héroes de Goya, ya no son anónimos

En un clima festivo por el bicentenario del levantamiento del pueblo de Madrid , un historiador descubre los nombres de los fusilados que protagonizan el cuadro de Goya

MADRID, (EFE).- Doscientos años después, los españoles rememoran el levantamiento popular del pueblo de Madrid, el dos de mayo de 1808, contra las tropas invasoras francesas. Ahora, los protagonistas de esta sublevación que determinó el futuro de España como nación ya no son héroes anónimos. Según publicó el diario español “El mundo”, un historiador identificó, a partir del cuadro de Goya, “El 3 de mayo en Madrid: los fusilamientos en la montaña del Príncipe Pío”, a los 29 hombres que forman parte del lienzo por sus nombres.

Aquellos sucesos de enorme trascendencia fueron sin embargo protagonizados apenas por unos cientos de madrileños de las clases más humildes que se enfrentaron a los franceses armados con palos, navajas, hachas, tijeras y aperos de labranza. La revuelta se desencadenó tras trascender a las calles de Madrid que los franceses pretendían sacar de España a los últimos miembros de la familia real española.

Las bien armadas y numerosas tropas de Napoleón sofocaron la rebelión en apenas unas horas, pero en los enfrentamientos y en los fusilamientos posteriores murieron 410 madrileños, entre ellos medio centenar de mujeres y una docena de niños.

Entonces no había fotógrafos de guerra, pero los fusilamientos del 3 de mayo en Madrid quedaron inmortalizados en todo su horror por una mano maestra, la del pintor Francisco de Goya, y pueden verse en el Museo del Prado en la colección permanente y ahora como parte de la muestra temporal “Goya en tiempos de guerra”. El pintor muestra, con enorme dramatismo y tensión, el momento en el que un pelotón de soldados franceses, de espaldas, apunta a un grupo de madrileños que van a morir en represalia por su sublevación del día anterior.

Luis Miguel Aparisi, es el historiador que acaba de publicar un libro, -El cementerio de la Florida, editado por el Instituto de Estudios Madrileños-, donde se recoge por primera vez los perfiles de todos los masacrados. Durante seis meses, Aparisi, miembro de la Sociedad Filantrópica de Milicianos Nacionales Veteranos -encargada del camposanto donde están enterrados los fusilados-, revisó 8.000 folios del Archivo de la Villa hasta determinar las nuevas identificaciones.

Una de las siluetas del cuadro de Goya fue identificada por la tonsura de su cabeza y el hábito que indica su condición de sacerdote. Se trata de Francisco Gallego Dávila, presbítero y sacristán del Real Convento de la Encarnación de Madrid.

También ha identificado otros 28 insurgentes madrileños. Se trata de albañiles, comerciantes, empleados de Hacienda y del Palacio que fueron fusilados en la madrugada del tres de mayo de 1808 en la montaña madrileña del Príncipe Pío. Gracias a este trabajo, doscientos años después se conocen sus identidades.

Este descubrimiento se da en un contexto de festejos que se extienden por toda España. La exposición “Madrid, 2 de mayo 1808-2008. Un pueblo, una nación” hace una recreación histórica de lo sucedido aquel día por las calles de la capital, en un recorrido cronológico que puede verse en el centro Arte Canal hasta el 28 de septiembre.

Además de la importancia de esa guerra por la afirmación constitucional de la nación en las Cortes de Cádiz en 1812, que marca también el comienzo de un itinerario en la asunción de derechos y libertades individuales, están las “enormes consecuencias” que tuvo en Hispanoamérica. Hasta 1810 toda Hispanoamérica vibró con un sentido patriótico español de rechazo al invasor y que distintos territorios americanos enviaron dinero y productos para ayudar a la guerra, además de los patriotas americanos que se enrolaron para combatir en España.

27/04/2008 - 10:48h ‘Ainda falta muito a ser feito’

http://www.inadi.gov.ar/uploads/imagenEnTexto_217.jpg   CORPO A CORPO FLAVIO RAPISARDI

O Globo

BUENOS AIRES. O escritor e filósofo argentino Flavio Rapisardi é um dos principais ativistas do país em matéria de direitos dos homossexuais. Atualmente, Rapisardi é secretário de investigação da Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans e coordenador do Fórum da Sociedade Civil do Instituto Nacional contra a Discriminação do governo argentino, organismo que integra o Grupo Técnico de Diversidade Sexual do Mercosul.

“Os governos progressistas da região estão investindo e avançando e políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa”, disse Rapisardi ao GLOBO. O ativista é um dos autores da lei de união civil aprovada em 2003 na cidade de Buenos Aires, a primeira da América Latina a adotar uma legislação a favor da diversidade sexual.

O GLOBO: A América Latina avançou na defesa dos direitos homossexuais?

FLAVIO RAPISARDI: O eixo integrado por Brasil, Argentina e Uruguai é muito progressista e está adotando mudanças muito favoráveis.

Nos três países existem planos nacionais contra a discriminação.

No caso argentino, o plano inclui um capítulo dedicado à diversidade social e o governo do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) pediu ao Congresso que o transformasse em lei. Esse plano inclui iniciativas como uma lei de casamento homossexual e adoção de crianças.

Qual é a estratégia a seguir nos próximos anos?

RAPISARDI: Queremos seguir o mesmo caminho da Espanha, que é nosso principal modelo. Primeiro aprovar legislações regionais e depois partir para uma lei nacional.

Já temos a união civil em três cidades argentinas e em breve teremos a aprovação na província de Buenos Aires. Nossa idéia é, até o fim deste ano, contar com uma lei nacional.

Qual é o principal ponto de debate no país?

RAPISARDI: Um dos mais discutidos é o projeto de adoção.

Ainda falta muito a ser feito, mas não podemos deixar de reconhecer que o Mercosul e a União Européia são os únicos blocos que criaram grupos técnicos para tratar a questão da diversidade sexual. Já não é tão fácil gerar violência a partir da discriminação sexual na maioria dos países latino-americanos.

Em muitos países temos uma boa base de jurisprudência, já que existem muitos casos em que juízes latino-americanos respeitaram a diversidade sexual.

Trata-se de uma massa crítica que dentro de alguns anos nos ajudará a alcançar nossa principal meta, que é a igualdade jurídica.

Em que países do mundo existe a igualdade jurídica para os homossexuais?

RAPISARDI:
O único país em que há igualdade jurídica real é a Espanha. É importante dizer que, além de igualdade jurídica real, precisamos de mais políticas públicas, instituições dedicadas ao assunto e, sobretudo, avanços legislativos. Os governos progressistas da região estão investindo e avançando em políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa.

Em outros países, como Peru, Chile, Costa Rica e Paraguai, o peso dos setores conservadores ainda impede a implementação de mudanças em matéria de diversidade sexual. ( J. F.)

20/03/2008 - 20:59h “Briga” entre Brasil e Espanha não é bom para nenhum dos lados, diz Marta Suplicy

Marina Wentzel – BBC – Agencia Estado

marta_curitiba.jpgDe Hong Kong para a BBC Brasil – A ministra do turismo Marta Suplicy disse nesta quinta-feira em Hong Kong que o “Brasil só perde com a guerra das deportações”.

Em viagem à China, a ministra ressaltou que o atrito entre Espanha e Brasil está prejudicando as relações e não é produtivo para nenhum dos lados.

“O Brasil não ganha nada com essa guerra de deportação, só perde. Mas é fato que brasileiros foram deportados da Espanha, e agora o Brasil está agindo por reciprocidade”, disse à BBC Brasil.

Ela lembrou que as autoridades brasileiras e espanholas devem se reunir em breve para tentar solucionar o impasse diplomático.

Há três semanas Brasil e Espanha tem rejeitado mutuamente a entrada de turistas que não cumpram os procedimentos de admissão nos mínimos detalhes.

Os incidentes vêm criando um clima de confronto e os veículos de comunicação da Espanha já batizaram a situação de “a guerra das deportações”.

Segundo estatísticas do aeroporto Barajas, na capital espanhola, em 2007 dois em cada cinco viajantes que tiveram a entrada negada eram brasileiros.

Olimpíadas

Durante a viagem à China a ministra Marta Suplicy espera conseguir com os chineses idéias sobre como organizar um evento de proporções olímpicas.

“Estamos vindo à China para observar e aprender como os chineses organizaram os jogos olímpicos na parte de serviços, planejamento hoteleiro, construções e organização do espaço.”

“Esperamos tirar lições que nos sirvam na organização da Copa de 2014 e quem sabe na Olimpíada de 2016″, disse.

O Brasil é aceito como destino turístico pela China desde 2004.

De acordo com os dados mais recentes disponíveis, o número de turistas chineses indo ao Brasil aumentou de 18.017, em 2005, para 37.656 em 2006, um crescimento de 109%.

Segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT) a China enviou 34,5 milhões de turistas ao exterior em 2006 e a expectativa é de que o país se torne o quarto emissor em 2020, atrás apenas de Alemanha, Japão e EUA. BBC Brasil

09/03/2008 - 23:04h Socialistas anunciam vitória na Espanha

Zapatero comemora vitória/REUTERSPartido de Zapatero (foto) consegue mais cadeiras no parlamento e governo espanhol é reeleito. Maioria absoluta, no entanto, não é atingida

09/03/2008 - 16:51h Espanha: PSOE derrota a direita, dizem todas as pesquisas após o voto

176 deputados confere a maioria absoluta no parlamento espanhol. Segundo diferentes pesquisas feitas após a votação o PSOE teria obtido entre 163 e 178 deputados. A direita do PP estaria entre 145 e 152.

A vitória do PSOE é nítida e pode atingir a maioria absoluta.