07/10/2008 - 09:12h Contágio pode quebrar a zona do euro

Angela Merkel, primeiro-ministro da Alemanha
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Larry Elliott * - O Estado de São Paulo

De certo modo, quando o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, disse no mês passado que o aperto do crédito era um problema americano, houve a sensação de que ele estava desafiando o destino. Quanto tempo levaria para que o contágio que limpou Wall Street e a City de Londres também fizesse uma ou duas vítimas no setor bancário da zona do euro? Bom, as palavras presunçosas de Steinbrueck mal saíram da sua boca, e recebemos a resposta. Belgas e holandeses tiveram de resgatar o banco Fortis; os irlandeses trataram de estender uma garantia geral para os seus depósitos, com medo de que pelo menos um, e provavelmente dois de seus grandes bancos estivessem perto de capotar.

A reflexão de Steinbrueck sobre a possibilidade de os Estados Unidos estarem perdendo seu status de potência hegemônica da economia mundial foi interrompida pela necessidade de buscar a aprovação de Bruxelas para a malfadada operação de resgate do grupo HRE alemão, de 35 bilhões de euros. E no final de semana os líderes dos quatro grandes países da Europa - Alemanha, França, Itália e Grã-Bretanha - convocaram uma reunião de cúpula global de emergência para o próximo mês. Uma lição para os ministros das Finanças: procurem não irritar os deuses.

O crescimento da França no terceiro trimestre baixou de 0,7%, no terceiro trimestre do ano passado, para 0,4% em cada um dos dois trimestres seguintes, depois tornou-se negativo em 0,3% no segundo trimestre deste ano. Christine Lagarde, a ministra das Finanças, prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) sofrerá nova contração no terceiro trimestre. O que equivale tecnicamente a uma recessão: dois trimestres consecutivos de resultados em queda.

A Itália teve um desempenho ainda pior. O PIB caiu tanto no quarto trimestre de 2007 quanto no segundo deste ano, empurrando a taxa de crescimento anual já anêmica para zero. Na França, é 1,1% e na Grã-Bretanha, 1,4%. A Alemanha obteve o melhor desempenho das quatro principais economias da Europa, mas também está reduzindo o crescimento, porque a demanda de suas exportações foi afetada pela crise global. A produção alemã caiu 0,5% no segundo trimestre, empurrando sua taxa anual de crescimento para 1,7%.

Em comparação, a expansão anual dos Estados Unidos é de 2,2%, embora seu forte desempenho no segundo trimestre se devesse a um corte único dos impostos de US$ 150 bilhões, e agora a economia pareça estar baixando seu ritmo ainda mais rapidamente. Há evidências de que em todo o mundo desenvolvido está havendo uma redução do ritmo, e isto ocorre nos países que seguem tanto o modelo da Europa continental quanto o anglo-saxônico: nos países em que surgiram bolhas no mercado da habitação, e nos que não houve bolha; nos países que adotaram o euro assim como nos que não o adotaram. A Espanha, por exemplo, está na união monetária, mas na sexta-feira anunciou uma ampla queda de 7% da produção industrial e apresenta um aumento acentuado do desemprego.

Três pesquisas realizadas na semana passada entre gerentes de compras na Grã-Bretanha - nos setores da manufatura, serviços e construção - advertiram que há uma recessão. A primeira reunião do gabinete da guerra econômica de Gordon Brown, realizada ontem, havia muito o que discutir.

O quadro é variado no que se refere a Islândia, Noruega e Suíça, que não fazem parte da União Européia. A Islândia está numa situação calamitosa, a confiança em seu sistema bancário em frangalhos e a economia já em marcha a ré acelerada. A Noruega, graças à alta do preço do petróleo, cresce a 3,3%, 1 ponto porcentual acima da Suíça.

Não é fácil enxergar através dessa névoa estatística, mas é possível tirar algumas conclusões. A primeira delas é que nenhum país do mundo desenvolvido ficará imune à crise. A segunda é que os seus efeitos para a “economia real” demoraram para se fazer sentir, mas agora estão se intensificando.

A este respeito, as medidas - ou a falta de medidas - do Banco Central Europeu são curiosas. Ao contrário do Federal Reserve (Fed, banco central americano) ou do Banco da Inglaterra, o BCE decidiu que o aumento da inflação, este ano, causado pelo aumento dos preços do petróleo e dos alimentos , merece a elevação das taxas de juros.

Agora, a inflação está caindo e, a julgar pelos comentários de Jean-Claude Trichet, seu presidente, o BCE pretende abrandar sua estratégia até o início de 2009, quando haverá abundantes evidências de que Europa, Japão e Estados Unidos estão em recessão, e isto terá um efeito enorme para a Grã-Bretanha, onde 50% das exportações vão para o restante da Europa. Entre os presidentes dos bancos centrais. talvez Mervyn King seja o que mais se aproxima dele.

Queimar lentamente Uma terceira conclusão é que o efeito do enfraquecimento lento do sistema bancário europeu provavelmente tem mais a ver com as diferenças nos sistemas contábeis do que com a maneira como é administrado. Como Steinbrueck sabe muito bem, os bancos alemães imitaram seus equivalentes britânicos e americanos no cassino subprime e fizeram as mesmas apostas questionáveis em derivativos arriscados. O que aconteceu foi que demorou mais tempo para os prejuízos aparecerem.

Uma quarta observação - novamente bastante óbvia - é que a zona do euro continua um híbrido. É uma união monetária, mas não uma união política, e portanto, países como a Irlanda tiveram de se arranjar sozinhos na operação de resgate dos bancos em dificuldades. Há uma nítida distinção entre os Estados Unidos, onde o governo tem peso financeiro em todos os 50 Estados, e a União Européia.

Convocar uma cúpula global não é a mesma coisa que fazer algo concreto, e Angela Merkel deixou claro que a Alemanha não ajudará bancos malandros de outros países da União Européia. O Banco Europeu de Investimentos decidiu liberar uma ajuda de emergência de 12 bilhões de libras esterlinas (US$ 2 bilhões) para as pequenas empresas, mas dada a dimensão e a escala da crise da União Européia, a quantia é insignificante.

No longo prazo, as uniões monetárias não sobrevivem sem uma união política, e portanto a quinta conclusão é que há pressões tanto para uma integração maior quanto para a desintegração. A crise poderá fortalecer os que argumentam que as medidas corretivas são intrinsecamente instáveis e continuarão assim até que haja uma união fiscal e monetária. Por outro lado, a crescente ameaça de recessão poderá levar alguns países a questionarem se valerá realmente a pena continuar numa união monetária.

Charles Goodheart, da School of Economics de Londres, observou na semana passada que nos últimos anos houve variações extremas na competitividade, nos custos da mão-de-obra e nas balanças comerciais em toda a zona do euro. As preocupações do BCE com a inflação só poderão ser corrigidas pelos países que registram grandes déficits da conta corrente, como a Espanha, ou que sofrem de uma profunda falta de competitividade, como a Itália, crescendo mais lentamente e reduzindo o padrão de vida. Evidentemente, estas não serão medidas populares.

Goodheart conclui que, se tivessem de decidir agora, alguns membros da união monetária votariam contra seu ingresso.

Optar não aderir é muito diferente de decidir sair, e haveria consideráveis conseqüências para um país que voltasse a adotar sua moeda nacional em lugar do euro. Goodheart aponta para o risco de que a união monetária possa quebrar-se em 10% a 20%, o que é pouco, mas certamente não deixa de ser significativo.

*Larry Elliott é editor de Economia do jornal britânico ‘The Guardian’

08/09/2008 - 11:42h Se continuar do jeito que vai…

Se persistir o ritmo da “tartaruga” demo-tucana na construção do metrô e a quantidade enorme de contratos irregulares e super-faturados (a afirmação é dos jornais e do Tribunal de Contas do Estado - TCE); a malha do metrô de São Paulo continuará sendo a menor, a mais lotada, a mais cara e onde as licitações tem preços superiores aos de Madri, por exemplo. Mas essa fatalidade pode ser mudada. São Paulo não está fadada a mediocridade. LF

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Entre as metrópoles, SP ainda terá a menor rede em 2010

Daqui a dois anos, cidade deverá ter 80,5 km de trilhos, mas expansão ainda não é suficiente

Agencia Estado

SÃO PAULO - Os planos da administração José Serra (PSDB) para expansão do metrô paulistano até 2010 serão insuficientes para tirar São Paulo da última colocação no ranking de extensão da rede da CoMET (Comunidade de Metrôs, na sigla em inglês). Informações extraídas do banco de dados inglês mostram que, mesmo em caso de estagnação dos outros dez maiores metrôs do mundo, o que é improvável, a capital continuará atrasada em relação aos “concorrentes”.

Atualmente, a penúltima colocação é ocupada pelo metrô de Santiago, no Chile, com 83,7 km de linhas. Daqui a dois anos, conforme o plano de expansão da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos, São Paulo deverá ter 80,5 km de trilhos de metrô. Fazem parte desse cálculo a inauguração da Linha 4-Amarela, que ligará a Vila Sônia, na zona sul, à Luz, no centro, e a extensão da Linha 2-Verde até Vila Prudente, na zona leste.

O principal entrave para o aumento no ritmo de construção do metrô é o elevado custo da obra. Cada quilômetro da Linha 4 custou em torno de R$ 179,6 milhões aos cofres públicos, isso sem incluir a compra dos trens. Estudos feitos pela Direção de Gerência do Metrô de Madri, na Espanha, mostraram que investimentos na ampliação da malha metroviária pelo mundo custam, em média, US$ 120 (R$ 204 milhões) por quilômetro. Com a prática de projetos, gerência e administração feitos por um consórcio que envolve vários níveis de governo - a iniciativa privada e até mesmo sindicatos -, os espanhóis conseguiram reduzir os valores de construção em cerca de 30%.

Para ampliar as linhas locais, esse metrô espanhol desembolsou, em média, US$ 42 milhões (R$ 71,4 milhões) por quilômetro, incluindo a compra dos trens - custo duas vezes e meia menor do que em São Paulo. “Os fatores que contribuem para o êxito de Madri são políticos, econômicos, de gestão e técnicos”, explicou o diretor da companhia madrilenha Aurelio Garrido. Na semana passada, ele esteve em São Paulo para participar de um seminário promovido pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (Aeamesp).

Com investimentos maciços, a demanda de passageiros cresceu em Madri. Em 1995, os trens transportavam cerca de 1,5 milhão de passageiros por dia. Atualmente, 2,6 milhões de pessoas utilizam diariamente o moderno sistema metroviário da região metropolitana da capital espanhola.

O desafio da expansão, segundo o técnico, era fazer tudo num curtíssimo prazo. Após a criação do Consórcio de Transporte de Madri, a decisão foi ampliar a rede, incluindo o chamado metrô de superfície. Na expansão, entre 1995 e 2003, foram feitos 40 quilômetros - 20 deles entre 1995 e 1999. Foram gastos US$ 1,59 bilhão, incluindo o valor dos trens.

O projeto de expansão 2003-2007 ainda está em andamento. Estão previstos 81,3 km de novas linhas, ao custo de R$ 11,3 bilhões - R$ 139,1 milhões por quilômetro. O valor se refere à construção de 80 estações e à compra de dez equipamentos para escavar os túneis, os “tatuzões”. “Com planejamento, o custo da mobilidade por passageiro por quilômetro é mais baixo”, destacou Garrido.

(Com informações de Bruno Tavares, Eduardo Reina e Renato Machado, de O Estado de S. Paulo.)

03/08/2008 - 17:29h Anarquista, libertário, surrealista… e genial

Retrato de Luis Buñuel feito por Salvador Dali

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Há 25 anos morria um dos artistas mais provocativos do século: Luis Buñuel

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de São Paulo

Dia 29 completaram-se 25 anos da morte de Luis Buñuel (1900-1983). Espanhol de Calanda, cidade de Aragão, Buñuel escolheu o México para viver sua aposentadoria. Realizou boa parte de sua obra nessa país e nele morreu. Em seu livro de memórias, Meu Último Suspiro (Nova Fronteira, 1982), ditado ao seu roteirista Jean-Claude Carrière, Buñuel muito fala do México. Agradava-lhe o tom de suave absurdo que encontrava no país, o culto da violência e dos mortos, a alegria, os contrastes. Lá, dom Luis estava em casa.

Foi, no entanto, na França, que teve início sua carreira de cineasta. E ela começou em parceria com outro exilado ilustre, espanhol como ele, o pintor Salvador Dalí. Juntos, fizeram o filme-manifesto do surrealismo, Un Chien Andalou - Um Cão Andaluz, em 1928. Já nos primeiros planos, uma imagem forte, e tão contundente que quase intolerável: uma nuvem esconde a lua por alguns momentos; a câmera registra um rosto de mulher. Por trás dela, surge um homem com uma navalha na mão. Com a outra mão, ele abre o olho da mulher e o decepa. Um crítico como Ado Kyrou via nessa seqüência a proposta de um método radical, que iria acompanhar Buñuel por toda a vida - a dissecação.

Não deixa de ter razão. A obra de Buñuel é diversificada, inclusive pelas condições materiais de produção de que dispôs ao longo da carreira. Mas centra-se em torno de alguns motivos centrais - a crítica da religião e da hipocrisia burguesa, os paradoxos da sexualidade, a força do desejo, os automatismos mentais, que obedecem, ao mesmo tempo em que escapam, as determinações sociais e históricas. O “como” tratar esses temas era um caso à parte e Buñuel sempre pareceu incisivo como um cirurgião munido do seu bisturi. Ia na contracorrente da relação de fascínio acrítico do espectador em relação ao filme.

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O uso freqüente do absurdo era uma dessas maneiras de tirar o público do seu centro de passividade acomodada. Esta é uma lição que levou do surrealismo mais estrito de André Breton, aliás já prefigurado na obra poética de Isidore Ducasse, o Conde de Lautréamont (1846-1870). O autor de Cantos de Maldoror, leitura de cabeceira do grupo surrealista, morto aos 23 anos, falava sobre o efeito poético da justaposição de itens heterogêneos - o impacto do inesperado como o guarda-chuva e da máquina de costura sobre a mesa de cirurgia, era o exemplo. Buñuel usou com freqüência esse artifício de surpresa e distanciamento.

Assim, já nos dois primeiros filmes, ao escrever o roteiro, os (então) amigos Buñuel e Dalí descartavam tudo aquilo que pudesse fazer sentido imediato. Nessa recusa do significado linear e fixo, pululam imagens inéditas e inesquecíveis - o olho cortado pela navalha, as formigas que saem das mãos, os burro morto sobre um piano de cauda, os esqueletos vestidos com trajes papais.E, claro, como era da própria intenção dos criadores, desse aparente nonsense brotavam significados aos borbotões - dependentes da imaginação de quem assistia aos filmes.

Buñuel não ignorava o quanto de provocativo havia nessas imagens insólitas. Tanto assim que, na estréia de Un Chien Andalou, em Paris, forrou os bolsos de pedras para defender-se, se fosse necessário. Dois anos depois, nova dose de remédio da mesma natureza: A Idade de Ouro. O grupo de direita Action Française veio à porta do cinema protestar e o filme, um média-metragem, acabou proibido pela censura.

As tesouras do censor perseguiram Buñuel durante muito tempo e ele não parecia se importar muito com o fato. Há uma passagem interessante sobre esse “relacionamento”entre artista e censor, esse diálogo entre a corda e o pescoço. Buñuel, havia muitos anos fora da Espanha, obtém autorização para filmar em seu país e lá rodou o que muitos consideram sua obra-prima, Viridiana (1961). Como conseguiu produzir obra tão anticlerical na carola Espanha de Franco, só Deus é capaz de saber. Viridiana é uma jovem piedosa, que decide abrigar em sua casa um grupo de mendigos. Eles se embebedam, um deles tenta violentá-la e, em cena famosa, parodiam a Santa Ceia. Mas não foi com essa imagem que a censura franquista implicou e sim com o desfecho. Buñuel havia filmado a heroína, interpretada por Silvia Pinal, entrando no quarto com um homem, numa clara indicação de que iriam fazer sexo. A cena foi vetada. Buñuel inventou outra: a moça joga cartas com o rapaz, os dois sentados em volta de uma mesa. “Ficou muito mais alusivo e portanto melhor; agradeço de coração à censura franquista”, ria-se Buñuel. Mesmo assim, o filme foi interditado na Espanha quando os censores se deram conta do que Luis havia feito, e sob as suas barbas conservadoras.

Esse exercício de filmar segundo as circunstâncias havia sido desde cedo assimilado por Buñuel. Se em Un Chien Andalou e L?Âge d?Or (1930) fizera exatamente o que lhe viera à cabeça, com a mudança primeiro para os Estados Unidos e depois para o México teve de se conformar a certas regras do cinema comercial. Nos EUA, escreveu roteiros. Mudando-se para o México, teve de se haver com as normas do melodrama. Mesmo assim, Buñuel se comportava como se, no fundo, filmasse exatamente o que tinha em mente. “Jamais me envergonhei de um único plano de minha obra”, dizia.

E com razão. Porque, mesmo fazendo melodramas, neles infiltrava, de contrabando, suas idéias, sua estética, sua visão de mundo. Instilava nos dramalhões o veneno surrealista e fazia insólitos filmes que na origem poderiam ser banais, como Subida ao Céu (1951)e Escravos do Rancor (1953). A Ilusão Viaja de Trem (1954) é uma pequena jóia surrealista.

Mas é com o drama social Los Olvidados (Os Esquecidos, 1950) que Buñuel alcança notoriedade mundial. Depois desse estranho filme social, que lhe deu o prêmio de direção em Cannes, Buñuel ainda realiza no México obras do porte de O Alucinado (1953), Nazarin (1958) e O Anjo Exterminador (1962).

Na fase final de Buñuel, destaca-se a sua longa colaboração com o roteirista francês Jean-Claude Carrière, a quem caberia, como vimos, ajudá-lo a escrever suas memórias. Esse trabalho a dois vai de Diário de uma Camareira (1964) até o último, Esse Obscuro Objeto do Desejo (1977). Filmes como A Bela da Tarde (1967), A Via Láctea (1969), O Discreto Charme da Burguesia (1972) e O Fantasma da Liberdade (1974) passaram a fazer parte do imaginário cinematográfico mundial.

É um grande cinema, anarquista e libertário, que continua atual e pulsante, mesmo em tempo tão conformista como o nosso. Talvez , por isso mesmo esteja vivo como nunca - porque nos obriga a reler um presente medíocre a contrapelo, a partir do seu contrário.

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ALGUNS TÍTULOS DISPONÍVEIS EM DVD

UM CÃO ANDALUZ E A IDADE DE OURO: os dois primeiros filmes, manifestos do surrealismo no cinema. Trazem algumas das imagens mais marcantes da obra do cineasta, como a do olho sendo decepado pela navalha.

O ANJO EXTERMINADOR: filmado no México, traz uma situação clássica da poética de Buñuel: um grupo de ricaços não consegue sair de uma sala, sem que haja motivo aparente para isso.

OS ESQUECIDOS: Talvez o maior exemplo do drama social tratado à maneira do autor. Não existem santos nem vilões; todos podem se aviltar, ou se santificar, na luta pela sobrevivência.

VIRIDIANA: Para muitos, a obra-prima de Buñuel, filmada na Espanha. Seu tema seria a inutilidade da caridade, na história da personagem que acolhe em sua casa um grupo de mendigos.

A BELA DA TARDE: Um dos principais papéis de Catherine Deneuve. Ela vive Séverine, a mulher rica que se prostitui em um bordel no período da tarde.

O DISCRETO CHARME DA BURGUESIA: Buñuel aposta no cômico para ridicularizar um grupo de burgueses condenado a nunca conseguir terminar uma refeição.

ESSE OBSCURO OBJETO DO DESEJO: Última obra do diretor, história do homem que não pode consumar o sexo com a mulher que deseja, interpretada por duas atrizes, Angela Molina e Carole Bouquet.

30/04/2008 - 18:25h Já a “maja” de Goya continua anônima

Ninguem sabe quem foi a modelo e nem porque Francisco Goya fez dois quadros, a maja vestida e a maja nua. A obra foi feita entre 1800 e 1803 e ambos quadros podem ser vistos no Museu do Prado, em Madri.

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30/04/2008 - 18:13h Os fuzilados de Goya saíram do anonimato

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Los héroes de Goya, ya no son anónimos

En un clima festivo por el bicentenario del levantamiento del pueblo de Madrid , un historiador descubre los nombres de los fusilados que protagonizan el cuadro de Goya

MADRID, (EFE).- Doscientos años después, los españoles rememoran el levantamiento popular del pueblo de Madrid, el dos de mayo de 1808, contra las tropas invasoras francesas. Ahora, los protagonistas de esta sublevación que determinó el futuro de España como nación ya no son héroes anónimos. Según publicó el diario español “El mundo”, un historiador identificó, a partir del cuadro de Goya, “El 3 de mayo en Madrid: los fusilamientos en la montaña del Príncipe Pío”, a los 29 hombres que forman parte del lienzo por sus nombres.

Aquellos sucesos de enorme trascendencia fueron sin embargo protagonizados apenas por unos cientos de madrileños de las clases más humildes que se enfrentaron a los franceses armados con palos, navajas, hachas, tijeras y aperos de labranza. La revuelta se desencadenó tras trascender a las calles de Madrid que los franceses pretendían sacar de España a los últimos miembros de la familia real española.

Las bien armadas y numerosas tropas de Napoleón sofocaron la rebelión en apenas unas horas, pero en los enfrentamientos y en los fusilamientos posteriores murieron 410 madrileños, entre ellos medio centenar de mujeres y una docena de niños.

Entonces no había fotógrafos de guerra, pero los fusilamientos del 3 de mayo en Madrid quedaron inmortalizados en todo su horror por una mano maestra, la del pintor Francisco de Goya, y pueden verse en el Museo del Prado en la colección permanente y ahora como parte de la muestra temporal “Goya en tiempos de guerra”. El pintor muestra, con enorme dramatismo y tensión, el momento en el que un pelotón de soldados franceses, de espaldas, apunta a un grupo de madrileños que van a morir en represalia por su sublevación del día anterior.

Luis Miguel Aparisi, es el historiador que acaba de publicar un libro, -El cementerio de la Florida, editado por el Instituto de Estudios Madrileños-, donde se recoge por primera vez los perfiles de todos los masacrados. Durante seis meses, Aparisi, miembro de la Sociedad Filantrópica de Milicianos Nacionales Veteranos -encargada del camposanto donde están enterrados los fusilados-, revisó 8.000 folios del Archivo de la Villa hasta determinar las nuevas identificaciones.

Una de las siluetas del cuadro de Goya fue identificada por la tonsura de su cabeza y el hábito que indica su condición de sacerdote. Se trata de Francisco Gallego Dávila, presbítero y sacristán del Real Convento de la Encarnación de Madrid.

También ha identificado otros 28 insurgentes madrileños. Se trata de albañiles, comerciantes, empleados de Hacienda y del Palacio que fueron fusilados en la madrugada del tres de mayo de 1808 en la montaña madrileña del Príncipe Pío. Gracias a este trabajo, doscientos años después se conocen sus identidades.

Este descubrimiento se da en un contexto de festejos que se extienden por toda España. La exposición “Madrid, 2 de mayo 1808-2008. Un pueblo, una nación” hace una recreación histórica de lo sucedido aquel día por las calles de la capital, en un recorrido cronológico que puede verse en el centro Arte Canal hasta el 28 de septiembre.

Además de la importancia de esa guerra por la afirmación constitucional de la nación en las Cortes de Cádiz en 1812, que marca también el comienzo de un itinerario en la asunción de derechos y libertades individuales, están las “enormes consecuencias” que tuvo en Hispanoamérica. Hasta 1810 toda Hispanoamérica vibró con un sentido patriótico español de rechazo al invasor y que distintos territorios americanos enviaron dinero y productos para ayudar a la guerra, además de los patriotas americanos que se enrolaron para combatir en España.

27/04/2008 - 10:48h ‘Ainda falta muito a ser feito’

http://www.inadi.gov.ar/uploads/imagenEnTexto_217.jpg   CORPO A CORPO FLAVIO RAPISARDI

O Globo

BUENOS AIRES. O escritor e filósofo argentino Flavio Rapisardi é um dos principais ativistas do país em matéria de direitos dos homossexuais. Atualmente, Rapisardi é secretário de investigação da Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans e coordenador do Fórum da Sociedade Civil do Instituto Nacional contra a Discriminação do governo argentino, organismo que integra o Grupo Técnico de Diversidade Sexual do Mercosul.

“Os governos progressistas da região estão investindo e avançando e políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa”, disse Rapisardi ao GLOBO. O ativista é um dos autores da lei de união civil aprovada em 2003 na cidade de Buenos Aires, a primeira da América Latina a adotar uma legislação a favor da diversidade sexual.

O GLOBO: A América Latina avançou na defesa dos direitos homossexuais?

FLAVIO RAPISARDI: O eixo integrado por Brasil, Argentina e Uruguai é muito progressista e está adotando mudanças muito favoráveis.

Nos três países existem planos nacionais contra a discriminação.

No caso argentino, o plano inclui um capítulo dedicado à diversidade social e o governo do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) pediu ao Congresso que o transformasse em lei. Esse plano inclui iniciativas como uma lei de casamento homossexual e adoção de crianças.

Qual é a estratégia a seguir nos próximos anos?

RAPISARDI: Queremos seguir o mesmo caminho da Espanha, que é nosso principal modelo. Primeiro aprovar legislações regionais e depois partir para uma lei nacional.

Já temos a união civil em três cidades argentinas e em breve teremos a aprovação na província de Buenos Aires. Nossa idéia é, até o fim deste ano, contar com uma lei nacional.

Qual é o principal ponto de debate no país?

RAPISARDI: Um dos mais discutidos é o projeto de adoção.

Ainda falta muito a ser feito, mas não podemos deixar de reconhecer que o Mercosul e a União Européia são os únicos blocos que criaram grupos técnicos para tratar a questão da diversidade sexual. Já não é tão fácil gerar violência a partir da discriminação sexual na maioria dos países latino-americanos.

Em muitos países temos uma boa base de jurisprudência, já que existem muitos casos em que juízes latino-americanos respeitaram a diversidade sexual.

Trata-se de uma massa crítica que dentro de alguns anos nos ajudará a alcançar nossa principal meta, que é a igualdade jurídica.

Em que países do mundo existe a igualdade jurídica para os homossexuais?

RAPISARDI:
O único país em que há igualdade jurídica real é a Espanha. É importante dizer que, além de igualdade jurídica real, precisamos de mais políticas públicas, instituições dedicadas ao assunto e, sobretudo, avanços legislativos. Os governos progressistas da região estão investindo e avançando em políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa.

Em outros países, como Peru, Chile, Costa Rica e Paraguai, o peso dos setores conservadores ainda impede a implementação de mudanças em matéria de diversidade sexual. ( J. F.)

20/03/2008 - 20:59h “Briga” entre Brasil e Espanha não é bom para nenhum dos lados, diz Marta Suplicy

Marina Wentzel - BBC - Agencia Estado

marta_curitiba.jpgDe Hong Kong para a BBC Brasil - A ministra do turismo Marta Suplicy disse nesta quinta-feira em Hong Kong que o “Brasil só perde com a guerra das deportações”.

Em viagem à China, a ministra ressaltou que o atrito entre Espanha e Brasil está prejudicando as relações e não é produtivo para nenhum dos lados.

“O Brasil não ganha nada com essa guerra de deportação, só perde. Mas é fato que brasileiros foram deportados da Espanha, e agora o Brasil está agindo por reciprocidade”, disse à BBC Brasil.

Ela lembrou que as autoridades brasileiras e espanholas devem se reunir em breve para tentar solucionar o impasse diplomático.

Há três semanas Brasil e Espanha tem rejeitado mutuamente a entrada de turistas que não cumpram os procedimentos de admissão nos mínimos detalhes.

Os incidentes vêm criando um clima de confronto e os veículos de comunicação da Espanha já batizaram a situação de “a guerra das deportações”.

Segundo estatísticas do aeroporto Barajas, na capital espanhola, em 2007 dois em cada cinco viajantes que tiveram a entrada negada eram brasileiros.

Olimpíadas

Durante a viagem à China a ministra Marta Suplicy espera conseguir com os chineses idéias sobre como organizar um evento de proporções olímpicas.

“Estamos vindo à China para observar e aprender como os chineses organizaram os jogos olímpicos na parte de serviços, planejamento hoteleiro, construções e organização do espaço.”

“Esperamos tirar lições que nos sirvam na organização da Copa de 2014 e quem sabe na Olimpíada de 2016″, disse.

O Brasil é aceito como destino turístico pela China desde 2004.

De acordo com os dados mais recentes disponíveis, o número de turistas chineses indo ao Brasil aumentou de 18.017, em 2005, para 37.656 em 2006, um crescimento de 109%.

Segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT) a China enviou 34,5 milhões de turistas ao exterior em 2006 e a expectativa é de que o país se torne o quarto emissor em 2020, atrás apenas de Alemanha, Japão e EUA. BBC Brasil

09/03/2008 - 23:04h Socialistas anunciam vitória na Espanha

Zapatero comemora vitória/REUTERSPartido de Zapatero (foto) consegue mais cadeiras no parlamento e governo espanhol é reeleito. Maioria absoluta, no entanto, não é atingida

09/03/2008 - 16:51h Espanha: PSOE derrota a direita, dizem todas as pesquisas após o voto

176 deputados confere a maioria absoluta no parlamento espanhol. Segundo diferentes pesquisas feitas após a votação o PSOE teria obtido entre 163 e 178 deputados. A direita do PP estaria entre 145 e 152.

A vitória do PSOE é nítida e pode atingir a maioria absoluta.

09/03/2008 - 16:44h Onda rosa na França e na Espanha?

O PSOE sob a direção de Zapatero estaria bem mais a frente que a direita do PP, segundo pesquisa após o voto. Isto daria uma maior representação parlamentar a esquerda, perto de conquistar uma maioria absoluta no parlamento.

Na França, pesquisa de boca-de-urna anuncia o Partido Socialista com 47% e a direita da UMP, o partido de Sarkozy, com 40%. (instituto CSA).

A cidade de Rouen passa a mãos da esquerda. Em várias outras cidades importantes o segundo turno se apresenta favoravelmente aos socialistas, é o caso de Caen e de Lille com Martin Aubry. Paris e Lyon continuaram governadas pela esquerda.

“Un vote sanction à amplifier”

Par La rédaction du Post , le 09/03/2008
C’est ce que dit Ségolène Royal sur TF1. L’UMP réplique.

Nicolas sarkozy (archives)

Nicolas sarkozy (archives)
Reuters/JACKY NAEGELEN

Ségolène Royal, du PS: C’est un “vote sanction” pour le pouvoir qui doit “s’amplifier au deuxième tour”, a-t-elle dit sur France 2.

“J’ai vu monter très fortement la désillusion et même la colère.”

“Il faut que ce vote sanction s’amplifie dimanche prochain sinon rien ne changera”, a-t-elle poursuivi.

Elle demande aussi au Premier ministre Fillon de “renoncer” au paquet fiscal.

Rama Yade, de l’UMP: “Le vote sanction n’a pas eu lieu”, rappelant qu’il y avait 80 % de participation en 1983, donc beaucoup plus.

Le premier secrétaire du PS pavane
Il salue la “volonté de participation” des électeurs, et la “volonté d’espoir dans une gauche capable d’être utile”.

Mais surtout, parle de “la volonté d’avertir le président Nicolas Sarkozy, sur la politique qui est menée depuis 9 mois, notamment sur le pouvoir d’achat.”

“Tout reste ouvert, rien n’est gagné, dit encore celui qui est réélu à Tulle et va présider le conseil général de Corrèze.

Les électeur ont voulu “faire bouger Sarkozy”, dit-il. “Au second tour, il va falloir faire bouger le président. Ce serait très grave qu’il ne se passe rien.”

Roselyne Bachelot, ministre de la Santé réplique
Elle appelle sur France 3, la gauche à “se garder de tout triomphalisme”, ne voyant “absolument pas” de sanction à l’égard du président de la République.

Rachida Dati: “pas de chèque en blanc au PS”
La garde des Sceaux Rachida Dati a appelé les électeurs à ne “pas donner de chèque en blanc au Parti socialiste” dimanche sur TF1.

La N°2 du MoDem, Marielle de Sarnez:
Elle y voit le signe d’un “désenchantement pour le gouvernement”, tout en estimant que la “sanction” du gouvernement exprimée par les électeurs n’est pas non plus “une adhésion” à la gauche.

09/03/2008 - 08:40h Direita e esquerda duelam na Espanha

Em outra eleição antecedida por um ataque terrorista, o socialista Zapatero enfrenta o direitista radical Rajoy

Lourival Sant’Anna - O Estado de São Paulo

A Espanha disputa hoje um clássico. Em vez de Real Madrid e Barcelona, esquerda e direita enfrentam-se num duelo cuja ferocidade se aproxima mais de uma tourada. Há uma semana, as últimas pesquisas davam cinco pontos de vantagem ao primeiro-ministro socialista, José Luis Rodríguez Zapatero, sobre o líder da oposição de direita, Mariano Rajoy, do Partido Popular. Pelo precedente, é preciso encará-las com um grão de sal. Assim como há quatro anos, um atentado terrorista mais uma vez se interpôs entre as sondagens e a votação.

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07/03/2008 - 17:30h Foi suspensa a campanha eleitoral na Espanha em repúdio a assassinato

ETA assassina um ex-conselheiro municipal socialista na Espanha e os partidos decidem suspender a campanha eleitoral.
Todos os partidos assinaram um comunicado conjunto de repúdio ao atentado.
A intervenção do grupo armado ETA é uma clara tentativa de brecar o favoritismo do atual Primeiro Ministro, o socialista Zapatero.
A direita espanhola tentará tirar proveito do fato, reforçando sua acusação contra o governo de moleza com o terrorismo Basco.

06/03/2008 - 09:01h Buenos Aires é tomada pela eleição espanhola

AP
Cartazes de propaganda eleitoral do primeiro-ministro espanhol, o socialista José Luis Zapatero, num prédio em Buenos Aires, capital da Argentina

Janes Rocha - VALOR

Fotos gigantes do premiê espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, estão por toda a cidade, nesta reta final da campanha eleitoral. Mas não é na Espanha, e sim em Buenos Aires. Outdoors, faixas e cartazes com as cores da bandeira espanhola, amarelo e vermelho, e a mensagem “A visão positiva”, estão nas ruas, edifícios e até em ônibus. A caça ao eleitor portenho revela a importância da comunidade espanhola residente na Argentina para as eleições gerais de domingo na Espanha.

As imagens de Zapatero incluem sempre um quadro vermelho com o logotipo do governista Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE). O premiê tenta a reeleição contra o candidato do Partido Popular (PP), Mariano Rajoy. Segundo pesquisas divulgadas pelos principais jornais do país no último fim de semana, Zapatero estaria até quatro pontos à frente de Rajoy, com 42,9% das intenções de voto contra 38,8%.

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06/03/2008 - 08:52h Disputa eleitoral na Espanha atrai intelectuais estrangeiros

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BBC - portal Globo

Um grupo de intelectuais estrangeiros decidiu se envolver nas eleições que serão realizadas no próximo domingo na Espanha.

De acordo com o Partido Socialista, a plataforma de apoio do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero conta com o apoio de mais de 13 mil assinaturas.

Zapatero ganhou nesta quarta-feira o apoio do escritor português José Saramago, do mexicano Carlos Fuentes, do cineasta italiano Bernardo Bertolucci e do maestro Daniel Barenboim.

O primeiro-ministro já contava com a simpatia do americano Joseph Stiglitz, vencedor do Nobel de Economia, e da australiana Helen Caldicott, vencedora do Nobel da Paz.

Na oposição a Zapatero está o escritor peruano Mario Vargas Llosa, que não pediu diretamente o voto para o candidato do Partido Popular, Mariano Rajoy, mas criticou o primeiro-ministro.

Vargas Llosa disse no último dia 26, em Madri, que “a política de Zapatero teve efeito perverso com ilusões mentirosas” e chamou o líder espanhol de “bobo social”.

O escritor, que já tinha feito campanha para o ex-primeiro-ministro conservador José Maria Aznar, disse desta vez que se sente identificado com a política do Partido Popular, mas não com todo o programa.

Por isso, pediu o apoio para o Partido União, Progresso e Democracia, também de centro-direita.

Vídeo

O grupo de intelectuais estrangeiros que apóia Zapatero aparece em um vídeo do partido do primeiro-ministro.

No vídeo, as personalidades dizem que, apesar de não terem direito a voto na Espanha, consideram Zapatero “um exemplo internacional”, como definiu Bertolucci.

Saramago afirma que “Zapatero é um homem decente e merece toda a confiança”.

Para a ativista Helen Caldicott, a reeleição do primeiro-ministro “é muito importante porque sua liderança na União Européia vai ajudar os países latino-americanos a entrar realmente no século 21″.

O maestro Barenboim chama o líder socialista no vídeo de “amigo José Luis” e diz que “deseja com toda a alma” que ele permaneça no poder “pelo menos mais quatro anos”.

A plataforma de apoio a Zapatero abriu a campanha eleitoral no mês passado com a participação de artistas como o ator Javier Bardem (vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante), o cineasta Pedro Almodóvar e atletas como o campeão olímpico de ginástica Gervasio Deffer.

O vídeo da campanha tem uma música especial. Os artistas espanhóis criaram uma melodia para o poema Defesa da Alegria, do escritor uruguaio Mario Benedetti.

02/03/2008 - 11:12h Ecos do terrorismo nas urnas espanholas

Eleitores votarão divididos entre métodos de esquerda e direita para lidar com problema que marca o país

Priscila Guilayn - Correspondente O Globo

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Esquerda, Zapatero (PSOE)-Direita Rajoi (PP)

MADRI. Foi a primeira vez na história da democracia espanhola que se rompeu a união em torno da luta contra o terrorismo. O conservador Partido Popular (PP), na oposição, se isolou, se recusando a unir forças com o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), no governo, e com todos os grupos políticos presentes no Parlamento — aprofundando ainda mais a divisão entre direita e esquerda na já polarizada Espanha.

No próximo dia 9 se escolherá o presidente do país nos próximos quatro anos, e os espanhóis, no meio do fogo cruzado, se posicionam também ao lado de PP ou PSOE. No entanto, não é a ideologia o que mais conta na hora da escolha, e sim a posição de cada partido em relação ao grupo separatista basco Pátria Basca e Liberdade (ETA).

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