01/06/2008 - 22:51h Novas pesquisas ensinam a preparar verduras e legumes
Forma como vegetais são consumidos aumenta absorção de nutrientes. Molhos potencializam efeito antioxidante
Tara Parker-Pope – O Globo
Do New York Times
NOVA YORK. É senso comum que o consumo diário de vegetais é importante. Mas há alguma maneira de obter mais nutrientes sem aumentar o consumo de verduras, frutas e legumes? Um número cada vez maior de pesquisas mostra que a maneira como os vegetais são preparados influencia a quantidade de substâncias fitoquímicas, vitaminas e outros nutrientes absorvidos pelo organismo.
Numerosos estudos demonstram que as pessoas que consomem mais vegetais têm menores riscos de doenças cardíacas, hipertensão, diabetes, problemas oculares e até mesmo câncer. As últimas orientações dietéticas recomendam de cinco a 13 porções (o que corresponde a duas e meia a seis e meia xícaras) por dia.
Consumir só legumes crus pode ser ruim Para uma pessoa que mantém o peso com uma dieta de 2000kcal (quilocalorias) ao dia, isso se traduz em nove porções, ou quatro xícaras, de acordo com a especialistas da Escola de Saúde Pública da Universidade de Havard.
Mas como essas porções deveriam ser servidas? Surpreendentemente, comer vegetais crus e sem qualquer aditivo não parece ser a melhor maneira. Em artigo publicado este mês na “British Journal of Nutrition”, pesquisadores apresentam um estudo com 198 alemães que faziam dieta quase exclusiva de comida crua (pelo menos 95% do total consumido diariamente).
Eles apresentavam altos níveis de vitamina A e betacaroteno.
Mas ficaram aquém quando se tratava de licopeno, um carotenóide encontrado principalmente no tomate e outros vegetais com pigmento vermelho.
O licopeno é considerado um importante antioxidante.
— Há uma idéia errada de que os alimentos crus são sempre os melhores — diz Steven K. Clinton, especialista uma nutrição e professor de medicina interna da divisão de oncologia na Universidade do Estado de Ohio. — Para as frutos e outros vegetais, um pouco de cozimento, um pouco de processamento realmente podem ser útil.
Alimentos perdem vitaminas no preparo A quantidade e o tipo de nutrientes dos vegetais, eventualmente, são afetados por diferentes fatores antes de chegarem ao prato. Isso inclui como e onde eles cresceram, onde foram processados e armazenados. N ã o existe um único método para cozinhar melhor.
Nutrientes solúveis em água como vitaminas C e B e um grupo de nutrientes chamados polifenóis são freqüentemente perdidos no processamento. Estudos mostram que, após seis meses, cerejas congeladas perdem 50% de antocianinas, impor tante composto encontrado no pigmento vermelho de frutas e legumes.
Espinafres frescos perdem 64% de sua vitamina C após o cozimento. Er vilhas em conservas e cenouras perdem 85% a 95% de sua vitamina C, segundo dados da Universidade da Califórnia.
Um estudo publicada na revista “Journal of Agriculture and Food Chemistry” concluiu que o melhor é ferver cenoura, abobrinha e brócolis. Fritar seria a pior opção.
O que acompanha os legumes e verduras também é importante.
Estudos em Ohio analisaram os níveis sangüíneos de pessoas que comeram porções de molho e saladas.
Quando o molho ou a salada eram ser vidos com creme de abacate ou óleos gordurosos, os consumidores absorviam quatro vezes mais licopeno, sete vezes mais luteína e 18 vezes mais betacaroteno. Além disso, os molhos melhoram o sabor dos vegetais e ajudam a fazer com que sejam consumidos em maior quantidade.
— Comer uma variedade de vegetais é especialmente importante para que você goste deles o suficiente para comer mais — diz Susan B. Roberts, diretor do laboratório no metabolismo energético na Tufts University School of Nutrition.
