05/10/2009 - 10:51h Setor de transportes deve receber US$ 5,5 bilhões

Antonio Lacerda / EFE
Foto Destaque
O estádio do Engenhão, no subúrbio do Rio, abrigou o Parapan-americano em 2007 e será usado na Olímpiada de 2016 – mas a malha de transportes deve ser reforçada para levar atletas e turistas até lá



Chico Santos, Francisco Góes e Ana Paula Grabois, do Rio – VALOR

Os investimentos totais previstos pela candidatura vitoriosa do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 somam US$ 14,4 bilhões, dos quais US$ 11,1 bilhões serão destinados a obras de infraestrutura com recursos públicos e privados, embora haja ceticismo entre analistas quanto ao tamanho da participação privada. Um dos maiores desafios será expandir e aperfeiçoar o sistema de transporte de massa, hoje baseado no uso de ônibus. Mas, em paralelo, há grande otimismo nos setores de construção e de hotelaria com as perspectivas de negócios.

Só em transportes estão previstos investimentos de US$ 5,5 bilhões, incluindo ferrovias, metrô, ônibus e aeroportos. O secretário de Transportes do Estado, Julio Lopes, disse que um dos eixos da proposta do Rio é implantar faixas exclusivas de ônibus articulados. O objetivo é desenvolver duas linhas: uma da zona sul até a zona oeste e outro dali até a zona norte. Segundo Lopes, a construção da linha 4 do metrô, que ligaria bairros da zona sul (Ipanema, Leblon e Gávea) até a Barra da Tijuca, na zona oeste, não foi incluída como compromisso oficial.

“Se quis mostrar algo que fosse possível de entregar, o que nos permitiu ganhar credibilidade para a candidatura”, disse Lopes. “Mas na verdade vamos entregar mais do que o contratado, uma vez que há o compromisso do governo do Estado de fazer a linha 4 do metrô para a Copa de 2014″. A linha 4 vai exigir investimentos de cerca de R$ 3 bilhões. A estimativa é de que essa linha permita transportar mais 240 mil passageiros por dia.

Joubert Flores, diretor de relações institucionais do Metrô Rio, concessionária do sistema metroviário carioca, defendeu o projeto da linha 4 do metrô, cujo modelo de construção e operação, em estudo pelo governo do Estado, ainda não está fechado. Ele disse que a implantação de duas linhas de ônibus com faixas exclusivas só se justifica se não houver capacidade de criar a nova linha do metrô. A ideia de levar o metrô da zona sul do Rio até a Barra da Tijuca existe há mais dez anos. Agora a ideia seria mudar o traçado da linha 4, ligando-a à estação do metrô em Ipanema, a ser inaugurada em dezembro, o que garantiria quase o dobro de passageiros.

Amin Murad, presidente da Supervia, a concessionária de trens metropolitanos do Rio, disse que na proposta do Rio para os jogos estão previstos, até 2015, a compra de 120 novos trens, a reforma de outras 94 unidades e a remodelação de 89 estações. Esses investimentos vão permitir atender 1,5 milhão de passageiros por dia. Hoje o sistema de trens urbanos do Rio transporta 500 mil passageiros por dia útil.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Rio de Janeiro (Sinduscon-RJ), Roberto Kauffmann, disse que os Jogos Olímpicos deverão gerar para o setor investimentos adicionais de R$ 2 bilhões por ano até a realização do evento. Segundo cálculos da entidade que Kauffmann preside, para cada R$ 2 bilhões, 84 mil novos empregos no setor serão gerados, mas eles não serão necessariamente cumulativos, dependendo do tempo de execução de cada projeto. Kauffmann disse que R$ 2 bilhões por ano representarão aproximadamente de 25% a 30% do que o Estado do Rio de Janeiro receberá este ano em investimentos na construção com recursos da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), calculados em cerca de R$ 7,5 bilhões (cerca de 15% dos R$ 50 bilhões que serão investidos, segundo ele, em todo o Brasil).

Para o presidente do Sindicato Nacional da Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando Reis, a herança do Pan-Americano de 2007 em termos de equipamentos esportivos, somada ao que será feito para a Copa do Mundo de 2014 vai fazer com que a maior parte dos investimentos em construção para 2016 seja em obras de infraestrutura. “Será a última oportunidade de se fazer uma grande reforma urbana no Rio de janeiro”, disse. Para ele, obras como uma linha do Metrô da zona sul à Barra da Tijuca (zona oeste), a despoluição da Baía de Guanabara e a revitalização do porto tornam-se “obrigatórias”.

A Olimpíada de 2016 no Rio vai fomentar investimentos da ordem de R$ 3 bilhões somente na criação de novas unidades hoteleiras, segundo o diretor da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (Abih), Alexandre Sampaio.

Segundo estimativa da organização da Olímpiada, há a necessidade de 12 mil novos hoteis para suprir a demanda de turistas na cidade durante os jogos. Atualmente, a cidade do Rio de janeiro possui 32 mil.

Até 2016, o setor pretende ofertar entre 8 mil e 10 mil novas unidades em hotéis e entre 3 mil e 5 mil quartos em navios de luxo. Sampaio cita que 11 empreendimentos parados atualmente por problemas de contrato, de crédito ou judiciais, poderiam ajudar a criar nova oferta. É o caso do Hotel Nacional, fechado desde os anos 1990 e cujo leilão deve ocorrer novamente em novembro.

“A prefeitura, que havia obstruído o leilão anterior, vai abrir mão do IPTU atrasado”, disse o diretor da Abih. Ele avalia que o planejamento da expansão hoteleira deve ser coordenada com a atração de grandes eventos culturais ou esportivos para que os hotéis não fiquem vazios após a realização dos jogos. “A hotelaria está preocupada em não haver demanda para depois. Precisamos de um calendário de eventos mensais”, disse Sampaio.

O setor já conversa com o BNDES para modificar algumas regras de financiamento, como o alongamento do prazo de financiamento e o pagamento do crédito de acordo com a sazonalidade da ocupação. O setor negocia com o banco um crédito de R$ 5 bilhões para a construção de hotéis em todo o país. O valor equivale a 80% do investimento previsto em termos nacionais, mas Sampaio projeta que 50% do crédito será usado em empreendimentos cariocas. A rede Windsor, com nove hoteis na cidade, planeja mais cinco.

02/10/2009 - 22:08h É isso aí!

Foi maravilhoso, assisti a tudo, foi lindo. Estamos na crista da onda, somos a bola da vez.

Viva o Brasil e o povo do Brasil!

Rafael J.

02/10/2009 - 19:15h Rio deve vitória a empenho de Lula e a economia forte


Charles Dharapak/AP
Lula, Pelé, Nuzman e comitiva comemoram a vitória brasileira com muitos abraços, choro e gritos

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Felipe Dana/AP


KAROLOS GROHMANN – REUTERS – Agencia Estado

COPENHAGUE – O Rio de Janeiro, que era o grande azarão da disputa há um ano, tornou-se na sexta-feira a primeira cidade sul-americana a receber o direito de realizar uma Olimpíada, a de 2016, graças à eloquência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do recém-adquirido poderio econômico do Brasil.

Há um ano, era improvável que o Rio fosse o vencedor. As candidaturas fracas para 2004 e 2012 haviam levado a uma eliminação rápida, e a cidade brasileira parecia fadada ao fracasso novamente –tanto que ficou apenas em quinto lugar no relatório técnico do Comitê Olímpico Internacional (COI) no ano passado.

Os favoritos Chicago, Madri e Tóquio todos se saíram melhor –e até Doha, no Catar, teve uma avaliação mais positiva.

Mas o COI acabou dando ao Rio um questionável quarto lugar entre as finalistas, com direito de levar a candidatura à votação de sexta-feira em Copenhague.

“Aprendemos com aquelas candidaturas frustradas. Eu disse ao presidente (do COI) Jacques Rogge um dia depois da derrota (para os Jogos de 2012) que voltaríamos”. disse o chefe da candidatura e do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, depois da vitória de sexta-feira.

Dúvidas a respeito da segurança pública e do financiamento para um evento como a Olimpíada –maior competição pluriesportiva do mundo– atingiram seu auge depois dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Para os organizadores, o evento regional foi um sucesso, mas críticos insistiram que foi um desastre.

Em junho deste ano, porém, a situação já havia mudado. A recessão global havia afetado mais duramente outros países –inclusive Estados Unidos, Japão e Espanha– do que o Brasil.

FATOR MEIRELLES

Naquele mês, numa apresentação na sede do COI em Lausane (Suíça), a candidatura carioca ganhou um reforço de peso –o apoio do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que assegurou aos membros do comitê que a economia brasileira havia resistido bem à crise do crédito global e estava crescendo.

Pela primeira vez, a possibilidade de que o Rio poderia arcar com o ônus financeiro de realizar os Jogos foi levada a sério. Ao mesmo tempo, o Banco Mundial previa que o Brasil se tornará a quinta maior economia do mundo até 2016.

Enquanto isso, o orçamento para a candidatura de Chicago, todo oriundo da iniciativa privada, virava fonte de preocupação para os dirigentes olímpicos, e as polêmicas entre o COI e o Comitê Olímpico dos EUA cobravam seu preço.

Tóquio parecia ter pouco fôlego, e a candidatura de Madri, que também havia sido derrotada em 2012, tampouco decolava.

O sólido apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo de toda a campanha e seu entusiasmado apoio à candidatura em todos os eventos internacionais ao qual ele comparecia reforçaram a percepção de que desta vez o Rio estava preparado.

Lula e Meirelles reforçaram a dose na sexta-feira diante do COI, quando o Rio realizou uma apresentação absolutamente convincente.

Nem a presença em Copenhague de Barack Obama, primeiro presidente em exercício dos EUA a participar de uma sessão do COI, bastou para impedir a vitória carioca.

“Tenho relações especiais com o presidente Obama. Mas eu disse a ele: ‘Se você não for, eu vou e nós vamos ganhar’. Eu disse a ele e aí ele veio”, afirmou Lula.

E foi assim que esse ex-metalúrgico, ainda altamente popular apesar de já estar na metade final do seu segundo mandato, pôde derramar lágrimas de alegria quando, na última rodada de votação do COI, o Rio derrotou Madri pela expressiva margem de 66 votos a 32.

29/09/2009 - 20:55h O logo oficial do centenário do Corinthians



por Milton Pazzi Jr. – Portal Estado

Esta é a logomarca eleita para simbolizar o centenário do Corinthians, anunciada no jantar de comemoração do aniversário. Estará estampada em todos os produtos – incluindo a camisa.

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02/09/2009 - 15:36h Lula ou Obama? Apoio presidencial pode definir sede olímpica

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Roger Thurow, The Wall Street Journal, de Chicago – VALOR

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Depois de gastar US$ 50 milhões para promover Chicago e percorrer o mundo para confraternizar com os potentados esportivos do planeta, os organizadores da campanha da cidade americana para sediar a Olimpíada de 2016 estão ansiosos em relação a um último detalhe: será que o primeiro cidadão de Chicago, o presidente Barack Obama, vai viajar à Europa no mês que vem para a tentativa final de convencer o Comitê Olímpico Internacional?

Embora os méritos técnicos de uma candidatura olímpica – o tráfego ao redor do estádio que abriga a cerimônia de abertura, a textura da areia para o vôlei de praia, as correntes de ar-condicionado no ginásio do tênis de mesa – possam ser mais importantes para uma organização bem-sucedida dos jogos, a campanha pessoal dos chefes de Estado se tornou crucial para se conseguir de fato o evento.

Depois que um escândalo de corrupção balançou o COI anos atrás, a prática antiga das cidades candidatas de cobrir a centena de membros do comitê com presentes foi proibida. Agora é a adulação que vale mais.

Na escolha da Olimpíada de 2012, o primeiro-ministro Tony Blair foi mais persuasivo que o presidente francês Jacques Chirac, e Londres bateu Paris. O lobby pessoal de Vladimir Putin ajudou a garantir os Jogos de Inverno de 2014 à obscura cidade russa de Sochi, em detrimento de Salzburgo, na Áustria, o conhecido berço de Mozart e da “Noviça Rebelde”.

“É importante para o COI (…) que você lhes dê o respeito”, diz John Bitove, um empresário canadense que comandou a fracassada campanha de Toronto para 2008, vencida por Pequim.

As rivais de Chicago já anunciaram que seus líderes estarão em Copenhague para a escolha, em 2 de outubro: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em favor do Rio, o rei Juan Carlos para Madri e o príncipe e a princesa do Japão para Tóquio. O prefeito Richard Daley tem sido o principal promotor da candidatura de Chicago, mas a cidade espera que Obama compareça. A Casa Branca informa que nenhuma decisão foi tomada.

A votação quatro anos atrás para a Olimpíada de 2012 estabeleceu o precedente para o confronto de estadistas. Nas semanas que antecederam a decisão, Paris era considerada a favorita, à frente de Londres e Nova York. Mas Blair chegou à sessão final do COI três dias antes e se encontrou com uma multidão de membros do comitê. Chirac chegou tarde. O presidente americano George W. Bush, preocupado com a guerra no Iraque, nem apareceu.

Londres ganhou de Paris por quatro votos. Nova York foi eliminada numa rodada anterior. O voto é secreto, mas uma série de membros do COI disse depois que o lobby de Blair foi provavelmente decisivo.

Chirac também pode ter perdido votos quando, na companhia de outros líderes, ironizou a culinária britânica: “Depois da Finlândia”, disse, “é o país com a pior comida.” A Finlândia tinha dois membros no COI durante aquela eleição – talvez os votos que tenham feito Londres ganhar.

A língua solta também pode ter derrubado Toronto. A cidade era considerada forte candidata para 2008, até que seu prefeito disse, antes de uma viagem à África, que temia acabar num caldeirão de água fervente, cercado por índios. Em vez disso, ele foi provavelmente queimado pelos membros africanos do COI, que muitas vezes dão votos decisivos na escolha das sedes já que o continente raramente apresenta uma candidatura.

O comitê de avaliação das candidaturas a 2016 deve divulgar seu relatório técnico sobre os méritos de cada uma das quatro finalistas hoje. Especialistas acreditam que a geografia reduziu a disputa a Chicago e Rio. O COI gosta de fazer uma rotação de continentes, de modo que os últimos jogos em Pequim são vistos como desvantagem para Tóquio. O fato de a Europa sediar em 2012, com Londres, é considerado um ponto contra Madri.

Os EUA não sediam os jogos desde 1996, em Atlanta. A América do Sul nunca foi sede.

Em discursos em vídeo para recentes reuniões de membros do COI, tanto Obama quanto Lula os exortaram a fazer história com seus votos.

A delegação do Rio estudou os poderes persuasivos de Obama durante sua campanha eleitoral e afirma que vai moldar sua candidatura olímpica com ecos do slogan favorito do presidente americano. Carlos Roberto Osório, o secretário-geral do comitê da candidatura Rio 2016, diz: “Representamos a esperança, a mudança, o ‘Sim, nós podemos’.”

18/07/2009 - 11:52h Kassab cobra do Corinthians devolução de rua

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Clube utiliza área cedida há 13 anos como estacionamento

Felipe Grandin e Marcel Rizzo – O Estado SP

Durante visita para cumprimentar dirigentes do Corinthians pela conquista da Copa do Brasil, vencida há 18 dias, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), aproveitou para cobrar ontem a devolução de parte de uma via pública cedida ao clube há 13 anos. Hoje, os sócios usam o terreno de 18,4 mil metros quadrados, ao longo da Avenida Elisabeth de Robiano, no Tatuapé, como estacionamento. A rua está isolada por grades, mas é possível ver a faixa de pedestres. O presidente do clube, Andres Sanches, disse que não vai devolver a área.

Kassab foi ao clube acompanhado de dois secretários – Cláudio Lembo (Negócios Jurídicos) e Orlando Almeida (Controle Urbano). Lembo cuida dos processos judiciais da Prefeitura e Almeida é responsável pela fiscalização de imóveis. “Foi uma visita de confraternização”, garantiu o prefeito. “Mas aproveitamos para falar de alguns outros problemas que estamos tentando resolver da melhor maneira.”

No mês passado, Lembo autorizou a Prefeitura a entrar com ação na Justiça para retomar o terreno e cobrar indenização. A decisão foi publicada no Diário Oficial, mas, segundo a Secretaria dos Negócios Jurídicos, a medida ainda é estudada. A área foi cedida ao clube em 1996 por lei de autoria do ex-prefeito Paulo Maluf. A legislação concede o terreno por 99 anos, mas há brecha no texto que permite a sua retomada. O Corinthians é obrigado a devolver a área se a Prefeitura decidir reintegrar o espaço à malha viária.

A principal hipótese, não confirmada pela Prefeitura, é a de que o espaço seja usado na ampliação da Marginal do Tietê. Questionado se haveria desapropriação de parte do São Jorge, o secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce, deu resposta dúbia. “O Estado só vai usar áreas públicas.” A Dersa, responsável pela obra, disse que “não há definição sobre o assunto”.

Em resposta, o presidente do clube afirmou que o terreno foi obtido corretamente e, portanto, não haveria motivo para entregá-lo. “Não vamos devolver a rua”, afirmou Sanches. De acordo com ele, a área foi uma compensação pela desapropriação de uma parte do Parque São Jorge para a construção da Marginal do Tietê. “A Prefeitura nos cedeu porque levou parte do terreno do clube que ia até o Rio Tietê”, disse Sanches. “O que precisamos é regularizar essa situação toda”, afirmou.

Sanches admite mesmo que há várias irregularidades na documentação dos imóveis construídos. “Todos os corintianos sabem que, em outras administrações, algumas coisas foram construídas de qualquer jeito, sem pedir (à Prefeitura).”

O dirigente disse que o prédio da administração, construído na gestão de Alberto Dualib no fim dos anos 1990, não tem Habite-se. Outro prédio, onde funciona o restaurante, também não teria autorização da Prefeitura. No prédio, sem Habite-se, Kassab se reuniu com Sanches por volta de meio-dia. Em seguida, juntaram-se para um almoço numa das mesas do restaurante, sem licença municipal.

09/07/2009 - 10:22h Serra mistura futebol e política no caderno esporte do Estadão

Alertado por um leitor, descobri no caderno esporte do jornal O Estado de São Paulo, uma entrevista político esportiva do governador.

O caderno escolhido para atacar o Lula mostra a verdadeira índole de José Serra. Para ele não está certo misturar as coisas, por isso… as mistura!

Em lugar de falar de esporte, o caderno serve para ele fazer política e da pior mistura. Arvorando a bandeira de que ambas as coisas não deveriam estar juntas.

Uma aula de hipocrisia. LF

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”Futebol e política não têm nada a ver”

Serra pede para não misturarem as coisas, mas nega crítica a Lula

Jamil Chade – O Estado de São Paulo

O governador de São Paulo, José Serra, disse, ontem, em Genebra, onde recebeu um prêmio, que “futebol e política não têm nada a ver” e pediu que as duas coisas não fossem misturadas. Sua declaração surge justamente no momento em que o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu ligado ao Corinthians de forma frequente nas últimas semanas. Serra garantiu, no entanto, que não teve nenhuma intenção de criticá-lo.

Na segunda-feira, Ronaldo revelou que o presidente estaria mobilizando empreiteiras para ajudar o Corinthians na construção de um centro de treinamento. “O presidente Lula é quem mais está ajudando o Corinthians nessa fase. Ele está dando alguns contatos de empreiteiras que podem nos ajudar. O presidente está muito interessado no projeto do Corinthians. Ele é fanático, um corintiano roxo”, declarou o atacante.

Serra, palmeirense, optou por não comentar diretamente as declarações do Fenômeno. “Não soube da intervenção e nem soube do comentário do Ronaldo”, disse o governador. Mas não resistiu em fazer o alerta de que política e futebol devem caminhar separadamente.

Na semana passada, Lula recebeu parte da delegação corintiana campeã da Copa do Brasil. Seu envolvimento com o Corinthians não se limita à atual gestão. Em 2007, Lula enviou a Londres um representante para negociar investimentos do magnata russo Boris Berezovski no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Berezovski era um dos investidores da Media Sports Investment (MSI), empresa que mantinha parceria com o Corinthians.

O contato entre o governo e Berezovski foi feito depois de uma conversa entre Lula e o ex-presidente do Corinthians Alberto Dualib. O russo ainda prometia construir um estádio para o time de Parque São Jorge.

CRÍTICAS À FIFA

Serra não se conteve ao falar da Copa de 2014. Ele criticou a Fifa e alertou que as exigências feitas pela entidade em relação ao Morumbi são “exageradas”. Serra é contra a construção de um novo estádio em São Paulo, alegando que a cidade não teria o que fazer com mais um palco após 2014. A Fifa vem se queixando da situação do Morumbi, um dos locais favoritos para a abertura do Mundial que ocorrerá no Brasil. A Fifa chegou a sugerir que a direção do São Paulo fechasse o estádio por algum tempo para realizar as mudanças.

Para Serra, não há motivos para tanto. “A Fifa tem feito exigências que, olhando para trás, podem ser consideradas como exageradas. Não digo em relação específica ao Morumbi. Mas em relação ao Brasil. Mesmo a Alemanha teve problemas.”

Serra acredita que a Fifa e os organizadores do Mundial terão de chegar a um entendimento sobre a situação do Morumbi. “Será preciso haver uma acomodação”, disse o governador. A Fifa afirmou ontem que não há uma elevação na exigência em relação aos estádios brasileiros em comparação ao nível de 2006 na Alemanha. “As orientações entre os dois torneios (2006 e 2014) são as mesmas, sem nenhuma grande diferença”, disse a assessoria de imprensa da Fifa.

Para Serra, a solução seria promover algumas das mudanças que a Fifa pede, e nem sequer pensar na construção de um novo estádio. “Não é nenhuma tragédia”, disse. Ele não acredita que há como deixar São Paulo fora da Copa ou do jogo de abertura do Mundial. Mas rejeita a tese da construção de um novo estádio. “Se for construir estádio, o que vai fazer depois. O Corinthians joga no Pacaembu, o Palmeiras no Palestra Itália, o São Paulo no Morumbi e a Portugesa no Canindé”, justificou Serra.

A reforma do Morumbi, de qualquer forma, não seria feita com dinheiro público. “Isso não cabe a nós.” Serra ainda garantiu que a cidade estará pronta para receber a Copa. “Na Fórmula 1, chegam a São Paulo 130 mil pessoas e ninguém percebe. Não temos problemas.”

10/06/2009 - 16:44h Uma paixão que vem da infância

Coletânea de 28 textos comprova: é de menino que se aprende a amar futebol
 

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Antero Greco – O Estado SP

 


Quer ver um marmanjo abrir a guarda e voltar a ser moleque? Faça-o falar de futebol. Provoque o debate em torno da bola e verá como a sisudez cai por terra com mais velocidade do que atacante habilidoso atropelado por zagueiro botinudo. Quer ler tentativas de resgatar a infância? Convide jornalistas, poetas, médicos, historiadores, psicanalistas, advogados, sociólogos a discorrerem sobre esporte tão fascinante e desdenhado, contraditório e único. A maioria vai despir a casaca para mergulhar no passado.

A prova de que a criança está sempre à espreita para ressurgir no adulto se espalha pelas 164 páginas de A Cabeça do Futebol (Editora Casa das Musas). Carlos Magno Araújo, Samarone Lima e Gustavo de Castro, organizadores (e coautores), convocaram colaboradores de formação variada para escreverem sobre futebol. Tema popular, que aos poucos rompe preconceitos e que nos últimos anos passou a frequentar com destaque estantes de livrarias.

Muitos dos 28 textos são intimistas, embora fujam à ficção, e dão tom nostálgico ao livro. Menos do que lugar-comum, a referência à infância confirma o óbvio: é de menino que se aprende a amar o futebol, uma das raras paixões duradouras na vida. Nada mais natural, portanto, que seja tema recorrente – e associado a um jogo especial, àquele momento determinante que fixa a opção clubística.

A partida inesquecível em geral não é final de Copa do Mundo, mas vale tanto quanto. Ou mais. Pode ser um Ceub X América-RN disputado em 1975, em Brasília (No Tempo de Jacaré e Pablito Calvo, de Carlos Magno Araújo), ou Santos X Ponte, na despedida de Pelé (O Dia em Que Virei Santista, de José Roberto Torero). Quem sabe um tradicionalíssimo Fla-Flu (O Jogo, de Moacy Cirne), ou um duelo com a carga dramática de Fla X Vasco (Ele Sempre Será, de Rubens Lemos Filho).

O cenário pouco importa, porque o encantamento aos olhos do menino sempre é intenso. Forte, também, é a figura paterna. Afinal, reza a lenda que a primeira experiência em um estádio de futebol costuma ser conduzida pelas mãos do pai. Pai que pode também ir ao campo só para proteger o filho da mira de esbirros do autoritarismo (”A ditadura não é mais forte do que o amor de um pai”, de Juca Kfouri).

A paixão que vem da época das calças curtas é ponto de partida de análises minuciosas de Luiz Zanin Oricchio e Daniel Piza, polivalentes que flutuam pelo Caderno 2, o Cultura e, de quebra, são Boleiros no caderno de Esportes do Estado. Em Bola de Meia, Piza mergulha, dentre outros aspectos, em mudanças táticas, de preparação física e financeiras pelas quais passou o futebol, que no fundo se exprime mesmo com força “naquela bolinha de meia que um menino gosta de ficar rolando e chutando sem parar, marcando golaços imaginários”. Zanin constata, em Futebol, que deve ao Santos dos anos 60 “uma certa noção de elegância e beleza” que norteia sua vida. Nesse jogo, ganha quem os lê.

Serviço
A Cabeça do Futebol. Vários autores. 166 págs. R$ 25. Livraria Cultura Shopping Villa-Lobos. Av. Nações Unidas, 4.777, 3024-3599. Lançamento hoje, às 19h30

História do Lance! joga luz inteligente sobre a prática do jornalismo esportivo

 

Antero Greco – O Estado SP

 

A imprensa esportiva leva bordoada a torto e a direito. Há ocasiões em que até faz por merecer, mas muitas vezes o olhar enviesado que recebe carrega preconceito e paixão clubística. O alvo preferido costuma ser a televisão, por sua influência, alcance e estilo. A mídia impressa fica em segundo plano, no que existe de bom e ruim nessa relação acalorada. Merece menos atenção, mesmo como objeto de estudos acadêmicos.

Maurício Stycer rompe esse círculo com História do Lance!, Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo (Editora Alameda, 2009, R$ 46,00). Ele se vale da prática profissional (participou do elenco fundador do diário na segunda metade dos anos 90) e do olhar do sociólogo para esmiuçar, entender e explicar o que representa a “crônica esportiva” no País. Consegue entender o papel de área considerada menos nobre no jornalismo, porém envolvente, nervosa, cativante.

A gestação do Lance!, o nascimento de edições “gêmeas” no Rio e em São Paulo, os primeiros passos do jornal que viria a desbancar A Gazeta Esportiva e o Jornal dos Sports são componentes importantes do livro. No entanto, funcionam como pano de fundo para um panorama amplo das transformações por que passaram esporte (entenda-se futebol) e imprensa no Brasil no fim do século 20.

Conhecer bastidores de uma publicação que se firmou, apesar de prognósticos céticos, é interessante – e não apenas para quem é do ramo. História do Lance! se mostra leitura agradável porque não enxerga o tabloide como reinventor da roda no esporte. Além disso, porque viaja pela história da imprensa nacional, resgata a memória de personagens fundamentais, como Cásper Líbero, Thomas Mazzoni, Mário Filho, e lança luz inteligente sobre a prática do jornalismo esportivo.

09/06/2009 - 08:54h Copa, turismo e emprego

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José Pastore* – O Estado SP

O IBGE acaba de publicar novos dados sobre as atividades características do turismo (ACT). Em 2006, cerca de 5,7 milhões de pessoas trabalhavam nessas atividades – 6,7% da população economicamente ativa.

Com quase 7% da nossa população trabalhando nas ACT o Brasil não estaria mal, porque a média mundial é de 10%. Ocorre que a classificação utilizada pelo IBGE é demasiadamente ampla. Por exemplo, cerca de 50% dos trabalhadores das ACT estão na alimentação, que inclui todos os bares, lanchonetes e restaurantes, não necessariamente turísticos.

Quando se consideram apenas as atividades propriamente turísticas (alojamento, agências de viagem, cultura, lazer e transporte), o número de trabalhadores cai para menos de 2 milhões. Destes, apenas 900 mil trabalham no mercado formal – apenas 1% da nossa força de trabalho. Mesmo quando se considera o pessoal ocupado em atividades indiretas que sustentam as do turismo – cerca de 800 mil pessoas -, o montante de emprego formal nesse setor não chega a 2% (Alfonso R. Arias e Maria Alice C. Barbosa, Caracterização da mão de obra do mercado formal do turismo, Brasília: Ipea, 2007).

Por aí se vê o quanto estamos longe da média mundial dos campeões do turismo, que têm muito mais de 10% da população economicamente ativa empregada nesse setor, como é o caso de França, Espanha e EUA. Em 2006, a França, que ocupa o primeiro lugar, atraiu 82 milhões de turistas estrangeiros; a Espanha (2º lugar), 60 milhões; os EUA (3º lugar), 56 milhões; enquanto o Brasil ficou com um tímido 41º lugar, com apenas 5 milhões de turistas do exterior.

Não há a menor razão para ser assim. É verdade que não dispomos dos belíssimos museus do Louvre (Paris) e do Prado (Madri) ou de uma Disneyworld (Orlando), mas o Brasil possui uma imensidão de belezas naturais e expressões culturais sedutoras para o turismo de lazer e de negócios (convenções e congressos). A própria rede hoteleira cresceu e melhorou muito nos últimos anos.

Será que a Copa do Mundo terá força para virar o quadro atual? Penso que sim, mas há condições.

O certame em si promoverá o Brasil no planeta, podendo atrair muitos estrangeiros. Ficando mais conhecido, mais turistas virão, mesmo depois da Copa. Para eles, o câmbio é um fator importante, embora para a Copa o seu peso diminua. Além do câmbio, o turista só voltará ao Brasil se encontrar limpeza, segurança, bons serviços e facilidade de locomoção.

Para os brasileiros, a Copa será um motivo a mais para viajar, lembrando que, até o momento o grosso da receita do turismo vem dos turistas nacionais (Wilson A. Rabay e colaboradores, Impacto Econômico do Turismo, Fipe, 2002). Com a Copa, é claro, a movimentação aumentará. Além dos fatores acima, o preço dos hotéis e dos ingressos terão um grande peso.

Tanto para estrangeiros como para brasileiros, as obras de infraestrutura serão cruciais para a alavancagem do turismo. Essas obras têm um efeito muito positivo para gerar empregos durante a construção e depois de concluídas.

Imaginem o que será necessário para transformar São Paulo numa cidade em que possam se mover, em poucas horas, mil jogadores, 20 mil jornalistas, 50 mil auxiliares e técnicos e 80 mil torcedores – sem contar as avalanches de profissionais da segurança, do transporte, do alojamento e da alimentação e ainda os milhares de espectadores que farão as comemorações. Há que se preparar o equipamento urbano e o quadro de serviços para tudo isso.

Os investimentos em infraestrutura têm um colossal impacto na geração de empregos. A construção de uma linha férrea, a duplicação de um aeroporto, a melhoria de rodovias, a expansão das telecomunicações e outros criam enormes quantidades de postos de trabalho diretos e indiretos. As estimativas do Banco Mundial indicam que, para cada 1% de crescimento nessas áreas, corresponde, em média, um crescimento de 1% do PIB e 0,5% do emprego. Para cada R$ 1 milhão investido em infraestrutura, geram-se, em média, 163 postos de trabalho! Trata-se de um resultado muito expressivo.

O Brasil tem em 2014 a oportunidade de se fixar como um polo turístico vigoroso no mapa mundial e de estimular ainda mais o turismo doméstico. Tudo dependerá de uma lição de casa feita com eficiência e baixo endividamento. Quem viver verá.

*José Pastore é professor de relações do trabalho da Universidade de São Paulo Site: www.josepastore.com.br

19/05/2009 - 15:34h Le baladeur

Un documentaire de 52’
de Marina Paugam & Jean Michel Rodrigo

http://www.tvmountain.com/hwdvideos/thumbs/8hg05e8at5x4f.jpgChampion national de natation et de water-polo, Guido Magnone est surtout le vainqueur, en 1952, de la face ouest des Drus, réputée pour être LA montagne impossible.

Il entre aussitôt dans la légende des “grands”, cette poignée d’explorateurs qui vont conquérir le toit du monde au cours des années cinquante.

http://mountainsoftravelphotos.com/ReferenceImagesF/Jannu%20First%20Ascent%20-%20On%20The%20Jannu%20Summit%20April%2027,%201962.jpg
Guido Magnone na ascenção do Jannu

 

 

 

http://www.patagoniamountain.com.ar/images/fotofitzroy21952.jpg
Guido Magnone recebe do General Perón a maior condecoração do esporte argentino por ter vencido o Fitz Roy

Fitzroy, Makalu, Tour de Mustagh, Chacraraju, Jannu, Guido ne se contente pas d’atteindre les sommets les plus insensés, il filme, avec force et talent, le corps à corps des alpinistes avec la paroi. Puis il écrit.

Guido est un conteur qui aime entraîner les autres dans l’aventure.

A l’heure de raccrocher les crampons, Maurice Herzog, son ami devenu ministre, lui demande de fonder et de diriger l’UCPA. Pendant dix ans, Guido consacrera toute son énergie à faire découvrir aux jeunes les plaisirs des sports de nature.

Aujourd’hui, à 92 ans, Guido est revenu à ses premières amours, les Beaux-Arts, la sculpture… et poursuit son ascension.

Inexorablement.

www.mecanosprod.com


Fitz Roy, na Patagonia Argentina

20/12/2008 - 16:59h Pilates aumenta o rendimento das corridas

http://www.fitsupermom.com/wp-content/uploads/2008/04/pilates.jpg

Melhora no equilíbrio e na respiração e ganho de força abdominal. Estes são alguns dos benefícios que o método pilates, muito difundido entre os bailarinos e atraindo cada vez mais atletas amadores, proporciona a seus praticantes. O equilíbrio obtido com o pilates é bem interessante para o corredor de rua, que em frações de segundos muda de terrenos, como calçadas, trilhas e asfalto.

‘O método permite que o corpo responda prontamente a qualquer alteração no terreno, mudanças bruscas de direção e até melhora a coordenação, aumentando o rendimento da corrida’, conta a professora de educação física formada pela USP Cristina Abrami, fundadora e diretora do Centro de Ginástica Postural Angélica, que forma professores em pilates há uma década. Ela acrescenta que há exercícios que utilizam bases reduzidas e instáveis para um maior desafio e controle do corpo como um todo.

O método foi desenvolvido por Joseph Pilates, em 1926. ‘Ele, que foi uma criança doente, procurou de forma autodidata o desenvolvimento de seu corpo através de múltiplas atividades físicas. Já na primeira sessão é possível observar os efeitos positivos com uma sensação de músculos trabalhados, porém naturalmente relaxados, sem tensões’, garante a professora.

A advogada Sonia Corbett pratica corrida três vezes por semana e pilates duas. ‘A técnica é utilíssima para quem quer correr. Na prática, quando a gente acerta a postura e segura o ‘cinturão de força’, diminui o impacto, as passadas aumentam e a gente corre mais rápido e mais fácil.’

Cristina explica que o pilates tem como principal objetivo o fortalecimento da musculatura abdominal, e com isso, permite que os movimentos de rotação da coluna durante a corrida aconteçam de maneira fluida. Ela alerta que corredores que sobrecarregam a musculatura dos membros inferiores e não dão a devida atenção à postura, alongamento e fortalecimento muscular da região lombar e de todo tronco ’são candidatos a encurtamentos, fraquezas e dores nessas regiões e, por vezes, lesões’.

São cerca de 500 diferentes exercícios, realizados de forma lenta e com poucas repetições, utilizando além da resistência do próprio corpo e elásticos, pesos de no máximo 2 kg. ‘A prática prioriza a qualidade de execução dos movimentos que se iniciam com o acionamentos do centro de força (os músculos abdominais profundos e superficiais, assoalho pélvico e musculatura expiratória), não sendo permitido impulsos ou trancos.’ Cada movimento é acompanhado de uma respiração completa e natural. ‘O abdome fica contraído durante a inspiração para estabilizar a coluna e a expiração ocorre com uma maior contração da musculatura abdominal durante a execução do movimento’.

A fisioterapeuta Tatiana Cunha Gongora corre há seis anos e descobriu o pilates há dois, procurando alternativas à musculação, que considera maçante e rotineira. ‘O pilates me ajudou a melhorar a postura e fortalecer a musculatura de uma maneira diferente da musculação, pois com o ganho da flexibilidade protejo mais as minhas articulações. Com isto, tive uma melhora no desempenho e principalmente diminuição de dores no joelho e coluna.’

Outro benefício é a prevenção de lesões. ‘A postura trabalhada e o fortalecimento e alongamento da musculatura, de forma natural, fazem com que o indivíduo elimine padrões posturais inadequados, o que não só diminui a incidência de lesões como previne sua ocorrência, já que o praticante torna-se mais consciente.’

PROGRAME-SE

HOJE

Corrida pela Cidadania (Projeto Arrastão) – 6km – 9h – Hípica Paulista – R$ 60 – Sétima edição da prova organizada pelo treinador Marcos Paulo Reis. O dinheiro das inscrições será doado a projetos sociais. Idade mínima de 3 anos (50m). O percurso é todo no interior da hípica, localizada no Brooklin, com trechos de areia e grama.

AMANHÃ

Circuito das Estações Adidas – 10km – 8h – Pacaembu – R$70 – Última etapa do ano. Largada e chegada em frente ao portão principal.

27 DE DEZEMBRO

São Silvestrinha – 50m a 600m – 9h – Ibirapuera – R$ 20 – Prova infantil para idades de 6 a 15 anos na pista de atletismo do Ginásio do Ibirapuera. As inscrições terminam hoje.

31 DE DEZEMBRO

São Silvestre – 15km – 16h45 (ambos os sexos) – Largada e chegada em frente à Fundação Casper Líbero (av. Paulista, 900). Inscrições encerradas.

DICA 4ANY1

É importante na corrida respeitar o padrão de movimento individual, observando a postura natural. O padrão ideal mantém o corpo ereto, cabeça olhando à frente, braços e antebraços flexionados em ângulo de 90 graus. Com o decorrer dos treinos, seu padrão é aprimorado, melhorando a eficiência e economia de movimentos. Mas o seu maior aliado são os anos de treino, tornando sua corrida cada vez mais leve e prazerosa.

Aulus Sellmer- Jornal da Tarde

23/11/2008 - 16:53h Caminhada + pilates, a combinação perfeita para secar gordura e chapar a barriga

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Pegamos emprestado do pilates um truque mágico que faz a sua caminhada queimar muito mais calorias (e, de quebra, ajuda a esculpir os músculos do abdômen!). Quer saber como? Simples, basta manter a postura. Confira o nosso plano exclusivo

por Débora Lublinski

Calçar o tênis e sair andando já está de bom tamanho (a gente concorda que é bem difícil encaixar a atividade física na rotina). Mas fique sabendo que os mesmos 30 minutos de caminhada podem render muito mais benefícios se você der atenção especial à sua postura. “Se a coluna estiver curvada, a barriga solta e os ombros tensos, há uma sobrecarga muscular – em pouco tempo, o cansaço e as dores aparecem”, adverte Ivo Moraes da Silva, professor de quality run, programa voltado para a corrida na esteira, da academia Competition, em São Paulo. “Mas ao caminhar alinhada, o peso do corpo fica bem distribuído, um número maior de músculos são recrutados, o que proporciona aumento do gasto calórico e excelente definição muscular”, acrescenta o professor. Só que não basta encolher a barriga e estufar o peito feito general para desfilar uma boa postura. A grande sacada é fortalecer o abdômen, o verdadeiro responsável por um porte elegante – durante a caminhada e fora dela. “Não é à toa que, no pilates, chamamos toda a região que compreende os músculos abdominais e a lombar de core ou de centro de força do nosso corpo. O trabalho com foco nesse cinturão ajuda a harmonizar automaticamente o movimento das pernas e dos braços, além de exercitar intensamente a barriga”, ressalta Alfonso Carrillo, professor do The Pilates Studio, da academia Ecofit, também em São Paulo. A solução para melhorar o seu desempenho ficou clara: combinar numa aula inédita e exclusiva a consciência corporal (e a barriga lisinha) que os exercícios de pilates garantem com um treino básico, mas superdinâmico, de caminhada. É o caminho certo para atingir o seu objetivo.

força na barriga com 15 minutos de pilates Fazendo estes exercícios quatro vezes na semana antes de caminhar, você será capaz de deixar o corpo alinhado naturalmente. São movimentos que vão ensinar a contrair o abdômen de forma eficiente — primeiro deitada, depois sentada e, por fim, em pé como na hora da caminhada. Sempre que ler ACIONE O CENTRO DE FORÇA, imagine que o seu corpo é uma ampulheta e que, a cada expiração, a cintura se afina tal qual o formato desse tipo de relógio. Isso ajuda o tronco crescer, ficar alongado. Para completar, pense no seu umbigo “colando” nas costas como se você estivesse fechando o zíper de uma calça justa. “Fique sempre atenta ao centro de força. Só assim dá para tirar proveito máximo da aula”, completa o professor Alfonso Carrillo.

- monotonia, + resultado na caminhada

Esta planilha é especial para acabar com o efeito platô — aquela dura realidade na qual o exercício estaciona. O treino muda todo dia e ora dá ênfase à parte aeróbica, ora exige força nas pernas. “Você vai variar o tempo, a intensidade e o tipo de terreno para turbinar o desempenho e acabar com a preguiça”, explica o professor Ivo Moraes da Silva. As inciantes devem diminuir a parte principal da tabela para 15 minutos. Se estiver escolada na malhação, aumente para 45 minutos. Tanto faz andar na rua ou na esteira. Mais importante: agora que já sabe como ACIONAR O CENTRO DE FORÇA, ative-o durante a caminhada e sinta, na barriga, a diferença.

seu treino nos mínimos detalhes segunda
aquecimento
– 10 min de caminhada leve
sensação de esforço – fácil
parte principal – 30 min de caminhada alternando 2 min intensos e 3 min moderados
sensação de esforço – confortável (forte sem ficar ofegante)
volta a calma – 5 min de caminhada leve
sensação de esforço – muito fácil

terça
aquecimento
– 10 min de caminhada progressiva
sensação de esforço – começa fácil e vai aumentando a intensidade
parte principal – 30 min de caminhada alternando terreno inclinado (percurso com ladeiras ou inclinação na esteira) e terreno plano
sensação de esforço – intensa
volta a calma – 5 min de caminhada leve
sensação de esforço – muito fácil

quarta
aquecimento – 5 min de caminhada leve
sensação de esforço – fácil
parte principal – 45 min de caminhada com intensidade moderada constante
sensação de esforço – confortável (forte sem ficar ofegante)
volta a calma – 5 min de caminhada leve
sensação de esforço – muito fácil

quinta
aquecimento
– 10 min de caminhada progressiva
sensação de esforço – começa fácil e vai aumentando a intensidade
parte principal – 30 min de caminhada alternando 4 min intensos e 2 min moderados
sensação de esforço – intensa
volta a calma – 5 min de caminhada leve
sensação de esforço – muito fácil

sexta
aquecimento – 5 min de caminhada leve
sensação de esforço – fácil
parte principal – 30 min de caminhada com intensidade moderada constante
sensação de esforço – confortável (forte sem ficar ofegante)
volta a calma – 5 min de caminhada leve
sensação de esforço – muito fácil

23/10/2008 - 10:15h O que está em jogo nas eleições municipais

Expansão do transporte público e CEU em toda a rede municipal: instrumentos de integração social

metrosp_lotado2.jpgceu_navegantes.jpg

O Grupo Abril organizou uma sabatina com Marta sobre educação. Um debate de extrema importância pois a educação é um elemento central para o progresso social e a redução das desigualdade.

Segundo o jornal O Globo um diálogo significativo aconteceu durante o evento entre Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, e Marta.

O empresário queria saber porque Marta fazia propostas apenas para as classes menos favorecidas, deixando de lado a maioria da população de São Paulo.

- Para você ficar vivo, respondeu Marta.

Marta não se estendeu e Civita não fez mais perguntas, diz O Globo que acrescenta, “mas a ex-ministra do Turismo sugeriu que, sem políticas sociais, os pobres poderiam fazer uma revolução:

- Você sabe do que eu estou falando. Não ficariam nem as paredes”, completou Marta.

Este diálogo é um resumo concentrado do que está em jogo nestas eleições municipais e também das eleições de 2010.

Basta ler os dois post precedentes aqui no blog para entender o abismo político que separa as alternativas presentes na disputa municipal de domingo.

São Paulo é uma das cidades mais desiguais do mundo, segundo relatório da ONU (Ver País tem as cidades mais desiguais do mundo). Violência e criminalidade são os resultados palpáveis dessa realidade. A redução da desigualdade tem efeito direto na redução da violência, mas tem efeito direto também na economia e na saúde da população.

Educação e formação profissional, integrando ensino com cultura e lazer, contribui conjuntamente para reduzir a criminalidade e para melhorar a produtividade e a expansão das empresas e do mercado. Transporte público de qualidade, economiza tempo, reduz poluição e reverte em melhor qualidade de vida e maior produtividade para a economia. Só para ficar em dois exemplos.

Significativamente, na sabatina do Grupo Abril, no dia anterior com a participação de Kassab, o candidato do PFL declarou que os CEU não serão sua prioridade. Como constatou o jornal AGORA SP (ver Kassab vai abandonar o CEU), Kassab vai acabar com os CEU e nenhum a mais será construído.

Para Marta a construção dos CEU’s e sua expansão, construindo mais 20, além de concluir os que não foram feitos por Kassab, visa a criar a Rede CEU municipal permitindo que todas as crianças da rede pública municipal tenham acesso, combinando assim ensino, cultura e esporte com integração à comunidade.

Os demo-tucanos sempre foram contra o projeto do CEU. Fizeram alguns pressionados pela população e como cálculo eleitoral, para manipular o eleitorado. Convictos que já conseguiram este resultado, assumem agora sem escrúpulos seu verdadeiro programa de regressão social.

Manipulação por parte da direita e ilusões na propaganda do liberais por parte das classes trabalhadoras não são novidade, nem aqui, nem no resto do mundo.

As eleições municipais no país mostram que São Paulo não é o Brasil, mas para a direita será a ponta de lança para tentar retomar o poder.

As classes menos favorecidas que se cuidem, estão avisadas.

Luis Favre

10/10/2008 - 09:55h O voto paulistano de Piraporinha a Santana

Cristiane Agostine e Caio Junqueira, VALOR

Entre as senhoras de Santana e os jovens de Piraporinha localizam-se os extremos do eleitorado paulistano que surpreendeu neste domingo ao conferir ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), já no primeiro turno, uma votação superior ao da ex-prefeita Marta Suplicy.

Reduto paulistano do moralismo que, na ditadura, clamou por censura, Santana foi uma das zonas eleitorais em que Marta mais perdeu votos. Em sua eleição como prefeita, em 2000, teve 34,6% dos votos lá. Na tentativa de reeleição, em 2004, 25,9%. Este ano, sua votação reduziu-se para 12,1%.

Piraporinha deu à petista o maior ganho de votos, proporcionalmente, em relação às últimas eleições: teve 43,1% em 2000, 52% em 2004 e 59,5% neste ano. Configurou-se, assim, como um dos poucos bastiões do município que resistiram ao avanço kassabista.

O Valor passou um dia em cada uma dessas regiões para tentar desvendar as razões desses comportamentos opostos. Em Piraporinha, a população predominantemente carente acha que Kassab apenas deu continuidade às iniciativas administrativas tomadas por Marta, que o precedeu no cargo. Até uma espécie de tribunal popular foi montado no local para julgar o atual prefeito, condenando-o por negligência e falta de investimentos no bairro nas áreas de educação, cultura e esporte.

Em Santana a situação é inversa e o anti-petismo é um sentimento alastrado entre as pessoas, em sua maioria integrante da classe média paulistana. A defesa da tradição, da família e da propriedade fundamentam os argumentos contrários a Marta Suplicy em um bairro com forte apelo de católicos conservadores, onde o vereador Gabriel Chalita (PSDB) colheu uma de suas mais expressivas votações

Em Piraporinha, corredores de ônibus, bilhete único e CEUs movem eleitor

Em uma travessa da estrada do M’Boi Mirim, uma das principais ruas de Piraporinha, na zona sul de São Paulo, Romualdo José da Silva, de 48 anos, protege-se em um pequeno salão de cabeleireiros da garoa que caía na manhã de quarta-feira. É só perguntar para ele para quem foi o seu voto e ele logo fala que é PT de coração. As ações do governo da ex-prefeita Marta Suplicy são enumeradas por ele como em uma propaganda política: Centros Educacionais Unificados (CEUs), corredores de ônibus, bilhete único, material escolar e uniforme. “Marta ajudou muito a população mais pobre e ninguém pensava em fazer isso”, resume.

Marisa Cauduro/Valor
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Antonio Jefferson: “Kassab é o prefeito dos ricos. Só veio para terminar as coisas da prefeita”

Perto de lá estão dois CEUs, entregues pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), semelhantes aos da gestão da ex-prefeita. Está também o Hospital do M’ Boi Mirim, projeto de Marta, que foi entregue pelo prefeito e as Amas, unidades de saúde, bandeiras da atual gestão. O investimento de Kassab no bairro não parece ter tido efeito sobre Romualdo. “Kassab fez muito, mas ele só deu continuidade às obras de Marta. Os projeto são dela e ninguém nunca vai tirar.”

Pedro Viano do Santo, de 52, pai de 11 filhos, interrompe a conversa: “Acho Kassab mais corajoso. Ele está há pouco tempo e já limpou a cidade”, disse, referindo-se ao Cidade Limpa . Pedro votou em Kassab no primeiro turno, por recomendação de sua igreja evangélica. Apesar dos elogios, diz que agora vai de Marta: “O pessoal da igreja fechou com ele e eu votei também. Mas agora o voto é meu, não adianta e vou de Marta.”

Piraporinha, onde mora Romualdo, é a zona eleitoral onde Marta mais ganhou votos, proporcionalmente, em relação à eleição de 2004. Neste ano, ela teve 59,5% dos votos e Kassab, 20,97%. Quatro anos atrás, teve 52% e José Serra (PSDB), 32,17% . Na zona eleitoral, que corresponde ao Jardim Ângela e Jardim São Luis, o PT sempre foi forte.

No CEU Guarapiranga, entregue por Kassab, Romildo Merces de Jesus, de 28 anos, deixa a filha de quatro anos enquanto comenta: “Isso aqui é coisa da Marta. ” Ele diz não gostar de Kassab porque a prefeitura o fez sair da favela onde vivia. “Me falaram: vai para o albergue ou para a rua. Não é assim que se trata.”

“Kassab é o prefeito dos ricos, está muito longe de se preocupar com os pobres”, opina Antonio Jefferson, de 21 anos, sobre o crescimento do PT no bairro. “Ele se preocupou mais com a imagem da cidade, em diminuir a poluição visual, do que com o povo. Do que adianta ter a cidade limpa se o povo está triste, sem saúde?”. Funcionário de supermercado, lembra que participou de manifestações para que a prefeitura construísse o hospital M’ Boi Mirim, ainda na gestão Marta. “O povo viu quem lutou por isso. Foi a mesma coisa com os CEUS. Foi a Marta que lutou pelo terreno. O Kassab só veio para terminar as coisas da prefeita.”

Os moradores de Piraporinha também se organizaram para pedir investimentos na região. A igreja e movimentos sociais fizeram dois tribunais populares para “julgar” a prefeitura e no último prepararam uma ação civil pública contra o governo por falta de investimentos em educação, cultura e esporte. O tribunal foi organizado pelo Fórum de Defesa da Vida, que reúne 250 entidades e representantes do Ministério Público. “A ausência do poder público é marcante aqui”, diz Lea Maria Chaves, integrante do fórum.

O Jardim Angela, que compõe Piraporinha, já foi considerada a área mais violenta do mundo pela ONU. Ainda hoje é classificada como uma das regiões onde os direitos humanos são menos respeitados. Cerca de 30% da população vivem em mais de 270 favelas. “Acredito que o partido PT é mais sensível ao social”, diz Lea Maria, apesar de reclamar de dificuldades para trabalhar com o governo de Marta. “Voto no PT, mas acho que lidar com Kassab é mais fácil.”

Nas ruas da região, a campanha petista predomina, mas as ações de Kassab no reduto petista reverteram-se em alguns votos. No CEU Vila do Sol, Maria Rosangela, 27 anos, dona de casa, diz ter mudado o voto depois do CEU, onde estuda sua filha. “Em 2004 votei na Marta, mas agora foi Kassab. Vamos ver se ele continua fazendo benfeitorias para cá.” No hospital M’Boi Mirim, Moacir Edson Costa, de 37 anos, trabalhador autônomo, comenta que “Marta foi boa” e que em 2004 votou nela. “Voto no Kassab para ele continuar o que está fazendo.”

A comerciante Ivone França, de 63 anos, afirma que votou em Kassab “por opção na hora.” Ela reclama que a ex-prefeita preocupou-se muito com os mais carentes. “Marta fez muita escola na periferia. Isso ajuda e atrapalha. Para quem tem lojinha de material escolar, como eu, foi ruim. Não vendo quase nada depois que a prefeitura passou a dar material escolar.” Sua irmã, Lucia Aparecida, de 53 anos, também escolheu o prefeito. Ela também reclama dos projetos de transferência de renda. “Tem muita gente carente que recebe essas bolsas, mas não precisa. Aqui falam que Marta vai dobrar asbolsas só pra votarem nela.”

Dona de um bar, reclama das taxas do lixo e da iluminação criadas na gestão Marta e não se conforma com um comentário sobre o caos aéreo de Marta, feito quando a petista era ministra do Turismo. “Eu até gravei da televisão ela falando o ‘relaxa e goza’. Queria mostrar para a minha filha, para não votar na Marta”. Do Jardim Angela, onde a comerciante mora com a família, o trajeto de ônibus até o centro a viagem dura mais de duas horas. Sua filha tem de fazê-lo de segunda a sexta. “Todo mundo tem carro, não podemos culpar o Kassab pelo trânsito. Acho que tem de fazer rodízio de dois dias. Pode por mais ônibus que for, se não tiver rodízio de dois dias, vai continuar do jeito que está.” (CA)

Em Santana, tradição religiosa, culto à família e aversão a taxas definem escolha

Nem a presença da Paróquia de São José Operário, Patrono dos Trabalhadores, é capaz de levar os eleitores do bairro de Santana a votar na candidata à prefeita de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores, Marta Suplicy. É neste bairro da classe média e alta paulistana, o primeiro ao norte do rio Tietê, que ela assiste , eleição após eleição, sua votação despencar. De 2000 a 2004, caiu 25%. Neste ano, 53%.

Leonardo Rodrigues/Valor
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Ariane Leonardi: “A família dela é muito desregrada. Político tem que ter regra. O que ela proporciona à minha família?”

Encontrar um eleitor petista nas tortuosas ruas deste bairro é tarefa árdua. Na melhor das hipóteses, o que se vê são ex-petistas (arrependidos) que, quando optaram pelo 13 nas urnas, o destinatário foi o presidente Lula. Bem antes de ele tentar ser presidente. “Só votei no Lula em 1986 porque eu trabalhava com metalúrgica. Depois nunca mais. Trabalhei com a Erundina. Para consertar um banheiro eles faziam reunião. Se Moisés fosse petista ainda estava no Egito consultando as bases pra ver se fugiam do Egito”, diz Ruth Guiness, 63, dona-de-casa, caminhando por uma das feiras livres do bairro na fria manhã de anteontem.

As opiniões expressadas, em geral, trazem consigo uma anedota, um termo pejorativo – como a referência à gestão Lula a um “governo de bebum” e a ojeriza a ele por uma “questão de pele”- e muitas referências a condutas pessoais tidas por inaceitáveis aos políticos. Mais do que ao presidente e ao partido, são esses julgamentos que embasam a maior parte das críticas a Marta, ainda que o bairro concentre o maior índice de divorciados da cidade.

“A família dela é muito desregrada. Político tem que ser como um juiz, tem que ter regra. O que ela proporciona para a minha família? Ligo a tevê e ela está na Parada Gay. O que tá indicando para meu filho? Para relaxar e gozar? E o filho dela? Cantor louco de rock, ‘zueiro’, o que proporciona de bom? Sem falar que para ser prefeita tem que ter marido”, afirma a advogada Ariane Leonardi, 32 anos. Atuante na área de direito de família para pessoas carentes, embora a bordo de um Dodge Journey da montadora Chrysler avaliado em cerca de R$ 100 mil, ela pede, no fim da conversa: “Frise a família e a sociedade. O que falta nela é o conceito de família”.

O discurso expõe um componente constante no bairro, a religiosidade. Desde sua fundação, a Igreja tem presença forte no local, a começar pela origem do seu nome: Santa Ana. Formado a partir da doação de uma sesmaria a Companhia de Jesus no século XVII, o crescimento veio no fim do século XIX, com a instalação de um colégio pela Irmãs de São José de Chambéry. Já no início da abertura política ainda durante o regime militar, ficaram famosas as “senhoras de Santana” que atuaram contra o despudor televisivo.

Hoje, a aversão ao PT e a Marta é questionada pelo padre Humberto, da Paróquia São José Operário. “A resposta para isso é uma constante busca minha. Mas acho que há um receio da classe média a aspectos religiosos, políticos e comportamentais que venham de setores progressistas da sociedade”, afirma. Ele conta também que verificou isso quando se instalou no bairro, há cinco anos, e muitas pessoas tinham aversão ao Concílio Vaticano II, documento papal que nos anos 60 modernizou e abriu a instituição para, segundo ele, “tantas realidades”.

Além da tradição e da família, a propriedade também permeia os argumentos contrários à petista. Bairro onde o pequeno e médio comércios compõem o visual das ruas, as taxas do lixo e da luz criadas na gestão Marta, entre 2001 e 2004, são pontos que elevam a rejeição à ex-prefeita. “Eu gostava tanto dela, votava nela, mas depois, com essas taxas não dá mais. Pesou bastante para a gente. Quando mexe no bolso fica ruim, né”, diz Ingrid, proprietária do Empório da Beleza, na avenida Alfredo Pujol, a principal do bairro.

Há, porém, quem estenda as críticas às questões administrativas e ao setor considerado ponto forte da candidata: educação. Presente na rede pública municipal de ensino desde os anos 80, a diretora de escola Jane Garcia, 52 anos, kassabista, teve como chefes em última instância uma seqüência de prefeitos com colorações partidárias diversas: Mário Covas, Jânio Quadros, Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy, José Serra e Gilberto Kassab. E garante: o chefe atual é o maioral. “Ela fez os CEUs mas e o restante como é que fica? Estou em uma escola hoje que precisava de reformas elétricas, hidráulicas, pintura, ampliação. Só agora conseguimos. Só agora os professores são valorizados com aumentos”, diz, enquanto seu poodle Tara, protegido do frio com um vestidinho azul, descansa em seu colo. Depois da exposição técnica, cita, tal qual os outros entrevistados, os aspectos pessoais da candidata petista. “Ela é arrogante e tem toda a questão social-familiar”.

O anti-petismo de Santana acaba por contaminar a candidatura dos vereadores da legenda. O primeiro integrante da sigla a aparecer na lista dos mais votados é José Américo, na 33ª colocação, com 256 votos. Antes dele, predominam políticos do PSDB, DEM, PP e PTB. Quem lidera o ranking, com 3.095 votos, é o tucano Gabriel Chalita, o mais votado da capital paulista. Tendo por lema de campanha “São Paulo mais educada, sua família mais feliz”, descreve em seu site que “foi catequista, ministro da eucaristia e seminarista” e que “considera a família o alicerce da sociedade”. (CJ)

23/09/2008 - 17:22h Pilates: associação defende método tradicional

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Tatiana Clébicar – O Globo

RIO – Preocupada com a oferta desordenada de cursos Brasil afora, a Associação Brasileira de Pilates promove um curso de pilates tradicional para profissionais formados em Educação Física ou Fisioterapia. O objetivo é ensinar os 34 movimentos desenvolvidos pelo alemão Joseph Hubertus Pilates nas décadas de 20 e 30.

- Alguns professores agregam novos conhecimentos à técnica e a formação original se perde. Alterações em relação à respiração e à contração do abdômen e a fragmentação do método não traduzem as propostas de Pilates – diz o professor Hamilton Scherer, secretário geral da associação.

Segundo ele, a idéia do é que o indivíduo pudesse exercitar o corpo como um todo em 34 exercícios que trabalham todos os grupos musculares. A ordem dos movimentos obedece a uma seqüência determinada pelo criador do método.

- A aula é uma coreografia que não pode ser interrompida. Há uma sincronia que não pode ser quebrada para que o aluno beba água, por exemplo – completa ele, dizendo que no Brasil, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, bailarinos não podem ser instrutores. – É necessária uma formação em saúde. Especialmente porque o pilates é um exercício pesado. Não é nada suave.

  ” Alterações em relação à respiração e à contração do abdômen e a fragmentação do método não traduzem as propostas de Pilates “

A força vem do músculo transverso do abdômen. Scherer explica que apesar de a atividade ser pesada pode e deve ser praticada por pessoas com desvios posturais e dores lombares.

- O pilates aumenta a flexibilidade e tonifica a musculatura – enfatiza, lembrando que o método está baseados nos princípios da respiração, centralização, concentração, alongamento axial, coordenação e fluidez. – Muitos alunos asmáticos têm menos crises porque aprendem a tirar proveito de toda sua capacidade respiratória. Isso significa mais qualidade de vida.

25/08/2008 - 16:11h Estica e puxa

Alongamento suscita polêmica e especialistas ensinam como aproveitar melhor os exercícios

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Carlos Albuquerque – O Globo

Quando o alongamento está em questão, as respostas não são rígidas — são flexíveis. A prática faz mesmo bem? Ela serve para prevenir lesões? Pode ser feita a qualquer hora, em qualquer lugar? Deve ser feita antes ou depois de uma atividade esportiva? Alongar previne lesões? Melhora a performance de atletas? É bom também para as atividades do dia-a-dia? Há casos em que alongar é contra-indicado? — O alongamento ajuda a prevenir lesões, diminui a tensão muscular, evita a fadiga, aumenta a amplitude dos movimentos, melhora a performance das atividades de impacto, desenvolve a consciência corporal e diminui os níveis de tensão na coluna cervical e lombar — diz a professora de educação física Márcia Sardinha, que dá aulas, entre outros lugares, na academia Velox. — Mas é importante a pessoa saber quais são as suas próprias limitações. Cada uma tem um tipo de necessidade de se alongar.

Prevenção de lesões gera controvérsia

Embora pareça ser uma atividade simples e, ao mesmo tempo, fundamental, o alongamento é uma prática que tem alguns pequenos nós que a ciência ainda não conseguiu desatar. Um relatório encomendado por autoridades de saúde dos Estados Unidos, publicado na revista “Medicine & Science in Sports & Exercise” concluiu que todos os estudos feitos até hoje sobre alongamento não foram suficientes para esclarecer, de forma definitiva, algumas das maiores dúvidas sobre essa prática — como as que estão no primeiro parágrafo dessa reportagem.

— Sem dúvida, o alongamento é muito importante não só para o desempenho esportivo, mas também para a manutenção das tarefas diárias. As pessoas se machucam muito por falta de flexibilidade. Alongar é bom para a prevenção de quedas e vários tipos de lesões. — conta Eduardo Neto, coordenador técnico da rede Body Tech. — Ao mesmo tempo, é um tema que engloba tantas teorias e correntes que muitas vezes é difícil afirmar algo com convicção.
Por exemplo, alongar previne mesmo o surgimento de lesões? A resposta parece ser elástica, capaz de se esticar entre os próprios especialistas.

— Sabemos que alongar pode ser importante para prevenir algumas lesões, mas não há estudos que comprovem isso — reconhece Eduardo Neto. — Não há como dizer que o alongamento pode, de fato, proteger o organismo de lesões.
Para José Kawazoe Lazzoli, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, quem tem o hábito de fazer alongamento, corre menos risco de sofrer uma lesão na prática esportiva, tanto em alto nível como de forma recreativa.

— Isso pode ser explicado por uma máxima: músculos alongados equivalem a uma menor chance de lesões.
O professor de Educação Física Marcelo Costa, vice-presidente do Conselho Regional de Educação Física (CREF1), reconhece que há controvérsia em relação ao tema.

— Isso acontece principalmente por causa dos protocolos diferentes das pesquisas já feitas. Alongar previne lesões em quais situações? Em qual intensidade de treino? Muitas vezes, as lesões ocorrem mais por causa do excesso do esforço do que pela falta de flexibilidade.
Já a professora Márcia Sardinha se baseia em sua experiência pessoal para responder à pergunta: — Dou aula de alongamento há dez anos e posso dizer, pela prática, que ele ajuda a prevenir lesões.
Em tempo: a responsável pelo relatório americano, Julie Gilchrist, acredita que o alongamento, sozinho, não previne lesões.
De volta às questões elásticas. Após duas semanas de atividades olímpicas acompanhadas pela televisão, alguém pode se perguntar: o alongamento melhora o desempenho? A nadadora americana Dara Torres — que ganhou três medalhas de prata em Pequim aos 41 anos, em sua quinta Olimpíada — acredita que sim. Torres utiliza uma técnica chamada de alongamento de resistência, na qual os músculos ganham mais flexibilidade quando são contraídos e alongados ao mesmo tempo.

— Isso consiste num conjunto de movimentos corporais, com amplitude e ritmo, podendo ser aprimorados ao longo da prática — explica Márcia.
Segundo José Kawazoe Lazzoli, um nadador que faz muito alongamento, ganha mais amplitude para realizar os movimentos.

— Se ele tem uma musculatura mais alongada, recupera mais rapidamente a braçada.

Se tiver os músculos muito encurtados, o nadador vai ter que descolar mais o tronco pra fora da água para recuperar a braçada.
OK. Então alongar pode ajudar a melhorar o desempenho. Mas a prática deve ser feita antes ou depois dos exercícios? — Se o atleta fizer exercícios intensos de de alongamento antes de uma atividade que necessite de explosão, ele vai perder tensão, algo entre três a cinco por cento.

— explica Eduardo Neto. — Em termos de desempenho de alto nível, é a diferença entre conquistar ou perder uma medalha.
Mas na rotina dos atletas de fim de semana, como a clássica turma da pelada, a recomendação é outra.

— Mais do que o alongamento, o ideal é sempre fazer um aquecimento antes de qualquer atividade física, principalmente as esporádicas — aconselha José Kawazoe Lazzoli. — O alongamento até pode fazer parte do aquecimento, mas não substituí-lo. No futebol, quem não se aquece e alonga, pode se lesionar quando for esticar a perna.
Depois da prática, é importante fazer um alongamento confortável, para prevenir dores musculares.
E, por fim, quais são os casos em que o alongamento é contra-indicado? — Não existe uma contra-indicação absoluta — diz Marcelo Costa. — O que pode haver é uma contra-indicação relativa, uma lesão aguda que impeça a pessoa de se movimentar.
Uma hérnia de disco é uma situação em que o alongamento talvez não seja indicado.

“Alongamento é um tema que engloba tantas teorias e correntes que, às vezes, é difícil afirmar algo com convicção
Eduardo Neto, professor de educação física

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21/08/2008 - 18:41h Coluna: estudo afirma que técnica de Alexander é eficaz para tratar dor nas costas

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EFE – O Globo

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LONDRES – A dor nas costas crônica, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, pode ser controlada pela técnica de Alexander. O método de reeducação postural, criado no século XIX, é precursor de outras práticas modernas como o RPG. A conclusão do estudo das universidades Southampton e Bristol, na Inglaterra, com mais de 500 pacientes foi publicada na última edição da revista “British Medical Journal”.

A técnica foi desenvolvida pelo ator australiano Frederick Alexander para tentar tratar seu próprio ronco, problema atribuído à tensão a que estavam submetidos seus órgãos vocais e o sistema neuromuscular. A técnica de Alexander ajuda a alinhar a cabeça, o pescoço e os músculos dorsais. Os praticantes afirmam que, além de melhorar a dor, o método alivia a tensão e o estresse.

Os pacientes que participaram do estudo disseram sentir menos dores que no começo do tratamento e asseguravam que sua qualidade de vida havia melhorado e que poderiam fazer coisas que antes a dor não lhes permitia.

Os voluntários foram divididos em grupos. Alguns receberam massagens corporais, outros foram submetidos a sessões de Alexander e um terceiro grupo participou de um programa de caminhadas diárias de meia hora. Algumas pessoas associaram os tratamentos.

As massagens apenas aliviaram as dores durante os três primeiros meses, mas seus efeitos não perduraram. Apenas aqueles que seguiram a reeducação postural apresentaram uma melhora geral. Os pacientes que conjugaram exercício físico a seis sessões da técnica tiveram experimentaram quase o mesmo benefício do qual se beneficiaram aqueles que fizeram 12 sessões. Os pacientes que combinaram a técnica de Alexander com exercício físico diário melhoraram entre 40% e 45%, segundo o professor Paul Little, da faculdade de Medicina da Universidade de Southampton.

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Certo e errado
Cuidados simples com a postura ajudam a manter a saúde da coluna e previnem dores

Maria Vianna, especial para O Globo Online

RIO – Aquela dor nas costas não vai embora mesmo com descanso e remédios? O problema pode estar em como você cumpre suas tarefas no dia-a-dia. De acordo com estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 80% dos adultos sentem dores na coluna, em especial na cervical e na lombar, pelo menos uma vez na vida. E está enganado quem pensa que os piores vilões são o computador e a cadeira do trabalho. Lavar pratos, passar a roupa, se vestir, usar salto alto, carregar sacolas pesadas e até ler deitado podem afetar a saúde das articulações. (Clique aqui para ver imagens de como preservar seu corpo nas tarefas do cotidiano).

- Nosso corpo é feito para lidar com o movimento. As dores costumam aparecer quando nos viciamos em certas posições ou gestos e alguns músculos deixam de ser usados. Quando a musculatura fica muito tempo sem ser solicitada ela acaba se atrofiando, e isso causa uma série de problemas – explica a terapeuta corporal Carla Folly.

Para o fisioterapeuta Francisco Miguel Pinto, coordenador da Escola de Postura Brasil, a modernidade e a vaidade são os principais inimigos da boa postura.

- Por causa da ansiedade e da falta de tempo, acabamos fazendo tudo rápido e sem dar a atenção adequada ao corpo. No caso das mulheres, a situação piora porque a elegância e a estética acabam falando mais alto que o conforto. Temos que lembrar que nosso corpo funciona como uma máquina, mas nossas ‘peças’ não são substituíveis – diz o especialista.
Pequenas mudanças fazem uma grande diferença

Se mudar a forma de fazer as coisas é praticamente impossível, alguns exercícios podem ajudar a deixar o corpo menos suscetível a dores.

- Recomendo a meus pacientes que façam um alongamento diário e que, no fim do dia, deitem por alguns minutos de costas para o chão. Isso ajuda a alongar a coluna e relaxa a musculatura do corpo. No caso das mulheres, que usam salto diariamente, indico uma massagem na sola do pé com bolinhas de frescobol. Cerca de 10 minutos pisando na bolinha já traz um alívio e ajuda a descomprimir as articulações dos dedos, do calcanhar e do tornozelo – ensina Carla.

Outra dica para sentir menos dor é observar como você costuma se movimentar e tentar agir de maneira diferente, mesmo que no começo a tarefa fique mais complicada.

- Se você passa o dia sentado, tente levantar de hora em hora. Se você é destro, use mais a mão esquerda para escovar os dentes, abrir torneiras e pentear o cabelo. E sempre tente manter os dois pés no chão. Apoiar o peso do corpo em apenas uma das pernas é um vício comum que acaba comprometendo as articulações do joelho, do quadril e da lombar – indica a terapeuta.
Evite se medicar por conta própria

Se a dor não melhorar após alguns dias, a solução é procurar um médico. Só o especialista pode indicar o melhor tratamento para o caso.

- Muitas vezes as pessoas passam a tomar analgésicos quase que diariamente sem a recomendação do médico. Isso acaba encobrindo um problema que pode se tornar mais sério se não for tratado no início. Não adianta ficar esperando a dor passar – alerta o fisioterapeuta.

18/08/2008 - 20:47h O ritmo certo na caminhada e na corrida

Especialistas em medicina desportiva ensinam a tirar o melhor proveito da prática dos dois exercícios

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Antônio Marinho – O Globo

A seleção natural favoreceu os seres humanos que aprenderam a correr, habilidade importante para fugir de predadores e caçar. O homem desenvolveu características que lhe permitiram alcançar longas distâncias em menor tempo, destaca um estudo na revista científica “Nature”. Segundo os autores, isso foi essencial para moldar o corpo. E corrida hoje é uma ciência, foco de pesquisas que melhoram a performance de corredores.

Algumas serão apresentadas na Running Show 2008, de 21 e 24 de agosto, em São Paulo.

Novos acessórios para corredores ou caminhantes também serão lançados no evento.
Assim como os maiôs que estão fazendo a diferença na natação nos Jogos Olímpicos, eles aceleram os passos e proporcionam menor desgaste nas pistas. A caminhada é a primeira etapa antes de pensar em correr, mesmo pequenas distâncias. Este exercício mantém o peso adequado e reduz a pressão arterial. Renato Lotufo, especializado em medicina do esporte e fisiologia do exercício, diz que a prática protege contra cânceres de cólon e mama, diminui a dose de remédios em diabéticos.

Adaptação ao exercício exige planejamento Porém, é preciso manter um bom ritmo. Lotufo sugere caminhar de três a quatro vezes por semana, de 45 minutos a 1 hora. O treino deve ser intercalado com musculação, pelo menos duas vezes por semana, ou exercícios com base no pilates e de baixo impacto para fortalecer a musculatura articular.

— Uma pessoa de 70kg a 80kg gasta de 350kcal a 380kcal andando a 6km/h. Acima de 7km/h alguns não conseguem caminhar, dependendo de condições clínicas e tempo de inatividade — explica Lotufo, lembrando que antes de qualquer exercício devese passar por avaliação médica, teste ergométrico, ecocardiograma, exame de sangue e análise da pisada, e seguir orientação de profissional de educação física.

O personal trainer Miguel Sarkis, com experiência de 30 anos na preparação de corredores e atletas, diz que se o indivíduo não caminha há seis meses precisa levar em consideração o quanto aumentou de volume e de peso corporal, seu nível de estresse e seus hábitos alimentares.

Caminhar em 60% a 80% da freqüência cardíaca máxima melhora os sistemas cardiorrespiratório, ósseo, muscular, hormonal e metabólico. Sarkis indica 15 minutos, três vezes por semana, por três semanas, até não haver dificuldade.

— Planeje-se para alcançar 40 minutos ou 50 minutos. Podese eliminar gordura mantendo um ritmo moderado e dieta adequada — explica o personal, autor de “Andar ou correr?” (editora Referência).

Correr só quando bem preparado.

Segundo Sarkis, 70% das pessoas correm sem orientação. Pelo menos 60% das queixas em ortopedia são desse público, com sintomas de microfraturas que não se solidificam e problemas de tendão e ligamento. Uma pessoa caminhando produz 1,2 vezes o peso corporal no impacto da pisada. Ao correr, o impacto é de 2,5 vezes: — Deve-se correr em 70% a 80% da freqüência cardíaca máxima, diagnosticada em exame. Há pessoas que correm a vida inteira e continuam acima do peso, por falta de orientação, problemas emocionais e má alimentação.

Corredores que percorrem 10km em cerca de 60 minutos (6 min/km) têm boa carga genética e estão bem treinados.

Quem parou e quer voltar precisa tomar cuidados. O organismo pode ter perdido até 1,5% de condicionamento muscular ao dia sem que a pessoa perceba.

16/08/2008 - 10:20h Marta promete cortar impostos

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Petista lança programa de governo de olho no voto da classe média

Clarissa Oliveira – O Estado de São Paulo

Empenhada em recuperar os votos da classe média perdidos em 2004, a candidata do PT à prefeitura paulistana, Marta Suplicy, apresentou ontem uma versão detalhada de seu programa de governo. A petista, que já havia lançado um texto preliminar há mais de um mês, detalhou propostas e trouxe novas idéias. Mas, mesmo após sua equipe se debruçar por 80 dias sobre o novo programa, o documento ainda ignora a previsão orçamentária para a grande maioria das propostas.

No evento de ontem, Marta introduziu duas principais novidades em relação às idéias que já vinha debatendo há algum tempo. Em mais um esforço para se desvencilhar do apelido ?Martaxa? que marcou sua tentativa frustrada de se reeleger em 2004, ela incluiu em sua promessa de reduzir a carga tributária uma desoneração específica para profissionais liberais. A medida prevê a redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) cobrado de engenheiros, arquitetos, advogados, psicólogos e outros profissionais autônomos. “Vamos diminuir de forma contundente, quase próximo a zerar”, afirmou Marta.

Outra novidade que chamou a atenção foi a idéia de começar a oferecer acesso à internet banda larga sem fio em vários pontos da cidade, sem cobrar nada pela utilização do serviço. Segundo o coordenador do programa de governo de Marta, Jorge Wilheim, a idéia é começar a oferta em locais como os pontos de cultura, os Centros Educacionais Unificados (CEUs) e outros prédios públicos. O plano é, no futuro, viabilizar o acesso gratuito em toda a cidade.

Nos dois casos, entretanto, Marta disse não saber quantificar os recursos necessários, sob o argumento de que sua equipe ainda está conduzindo os estudos necessários para tirar os projetos do papel. “Não vou adiantar, porque os estudos ainda não estão finalizados”, disse, ao ser questionada sobre a desoneração de autônomos. “Mas o que é importante registrar é que há uma vontade, uma determinação política.”

Sobre recursos para a oferta de acesso à internet banda larga, a petista completou: “É começar a fazer e aí vai aos poucos. Até porque nada disso você implanta em um ano ou dois, nem em quatro”.

EXCEÇÃO

A estimativa de custos só foi contemplada em uma única proposta do programa de governo de Marta, que trata da expansão da rede de metrô.

Nesse caso, a petista fez alguns ajustes em relação à proposta que já havia apresentado anteriormente. Ela prometia aplicar na cidade o plano de mobilidade urbana elaborado para a Copa de 2014 quando era ministra do Turismo, que previa até esta data a construção de 65 km de metrô na cidade.

A nova proposta especifica a construção de 47,4 km de metrô em São Paulo nos próximos quatro anos, número que será ampliado para 63,1 km até a Copa. Os investimentos previstos continuaram os mesmos: R$ 490 milhões da prefeitura ao ano, por um período de seis anos. A esse montante, se somariam outros R$ 490 milhões do governo federal e R$ 980 milhões do governo do Estado, segundo a proposta apresentada por Marta.

Questionada se o montante não impactaria no orçamento municipal, Marta garantiu que há dinheiro para a obra. “A prefeitura dispõe de R$ 10 bilhões a mais, já em valores atualizados, comparado ao que havia quando eu administrei a cidade.”

Ainda na área de transportes, que tem merecido atenção especial na campanha, Marta voltou a criticar o pedágio urbano e anunciou a intenção de modificar as regras do rodízio de caminhões criado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Ela adiantou que manterá a restrição, mas disse que vai estudar formas de minimizar impacto no preço de produtos. “Nós provavelmente vamos rever a forma como isso está sendo feito, que consideramos um pouco improvisada”, disse Marta.

Principais propostas

Ação Social: Retomar ações redistributivas, dar qualificação em CEUs e ampliar acesso à internet

Economia urbana: criar plano de desoneração tributária e incentivar o micro e pequeno negócio

Educação: Construir 20 CEUs e criar a Rede CEU, integrando escolas a esporte e cultura

Habitação: ampliar a regularização fundiária, retomar plantas online e subsidiar compra de imóvel

Segurança: Recriar a Secretaria de Segurança Urbana, valorizar a Guarda Metropolitana

Trânsito: Integrar CET e SPTrans, investir em metrô e corredores, melhorar o bilhete único

Saúde: Criar policlínicas, construir 3 hospitais, implantar o cartão SUS e integrar AMAs e UBSs

15/08/2008 - 17:53h Marta apresenta suas propostas para São Paulo

Integra do discurso de Marta na apresentação do Programa de Governo

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Minhas amigas, meus amigos…

Desde o primeiro dia desta campanha, temos anunciado com clareza o nosso propósito. E ele pode ser resumido nos seguintes termos:

Vamos reconquistar o poder municipal para – através de um governo de inovação, participação e inclusão – promover um grande avanço humano, social e urbano na cidade de São Paulo.

Em síntese, é isso. E devo sublinhar, aqui, que nenhuma dessas palavras é dita em vão. Nenhuma delas é pronunciada em termos meramente retóricos.

Para nós, cada uma dessas palavras não só possui um sentido preciso, como vem carregada de intensidade prática.

O que elas significam é que assumimos compromissos claros, temos diretrizes nítidas, apresentamos propostas concretas.

Isto está bastante claro no programa de governo que estamos divulgando, neste momento.

Não é por acaso que somos a primeira candidatura a divulgar um programa de governo com metas e propostas para todas as áreas.

Isso, queridas companheiras e queridos companheiros, é também uma nova atitude!

Pois nova atitude é saber que só pode governar bem quem tem coragem, criatividade, planejamento, competência e imaginação.

Quem antes de agir, saiba formular. E quem antes de formular tenha paciência de ouvir, debater e discutir novos caminhos para S. Paulo.

Minhas amigas e meus amigos,

Nesses anos de governo do presidente Lula, o Brasil superou a estagnação econômica e retomou, com uma vitalidade nunca antes vista, os caminhos do crescimento.

Com isso, São Paulo também cresceu. Mas o fato é que ficou aquém de onde poderia ter chegado. Porque a cidade não foi devidamente preparada para este crescimento.

Em conseqüência da falta de visão e da falta de planejamento municipais, São Paulo ficou anos sem intervenções urbanas estruturadoras. E o resultado é o que hoje se vê.

São Paulo não andou, como deveria, no campo social, na educação, na segurança, na saúde, na habitação. E menos ainda, é claro, no trânsito e no transporte.

Temos, agora, de recuperar o tempo perdido. Mas, sobretudo, temos de avançar.

Avançar fortalecendo individualmente cada morador desta cidade. Avançar fortalecendo coletivamente a comunidade geral dos moradores do município. Avançar fortalecendo nossa cidade.

Porque existem saídas para a situação em que nos encontramos. Saídas claras, concretas. Como está escrito na abertura de nosso programa de governo, São Paulo não é somente um conjunto de problemas. São Paulo é, acima de tudo, um conjunto de oportunidades.

Mas, para que as oportunidades cresçam mais do que os problemas, é necessário intensificar a ação social. Encarar a questão da segurança. Reduzir o déficit habitacional. Enfrentar, de forma sistêmica, a situação do trânsito e do transporte. Ter programas efetivos de economia urbana. Investir na saúde. Agir com critérios amplos e rigorosos de ecologia urbana. Promover um salto de qualidade na educação.

Mas não é preciso repetir, aqui, o que está exposto, de forma sintética e sistemática, em nosso programa. Quero, apenas, enfatizar algumas coisas, de uma perspectiva geral.

Estamos vendo agora que, de repente, muitos desandaram a falar da existência de uma nova classe média brasileira. De uma nova classe média paulistana. Mas não sabem o que fazer diante desse novo quadro social.

Não é o nosso caso. Não foi hoje de manhã que tomamos conhecimento do fenômeno. Há meses estamos acompanhando esse processo. E foi assim que chegamos à formulação de uma nova política de inclusão para São Paulo.

São Paulo vai voltar à vanguarda da ação social no Brasil, fazendo a passagem das políticas de transferência de renda para as políticas de emancipação e desenvolvimento.

Por um lado, vamos retomar e ampliar os programas redistributivos. De outro, vamos colocar em prática uma política pioneira de inclusão empresarial, estimulando a formação de negócios, incentivando o empreendedorismo emergente, potencializando as pequenas empresas.

Vamos encontrar formas de desoneração fiscal e de promover a transferência de tecnologia de ponta para os empreendimentos menores, para que eles possam produzir e empregar mais.

Do mesmo modo, vamos adotar uma medida fiscal para favorecer individualmente o cidadão, sem afetar em nada as finanças do município: a isenção de ISS para os profissionais liberais autônomos. Neste caso específico, diminuindo a forte carga tributária que incide sobre alguns profissionais, como advogados, arquitetos, engenheiros e outros profissionais liberais.

É toda uma nova ação no campo da economia urbana que pretendemos implantar e desenvolver.

Com planos específicos de desenvolvimento para as zonas norte, sul e leste da cidade, descentralizando incentivos e investimentos.

Buscando, inclusive, reverter a lógica da concentração de empregos nas áreas centrais de São Paulo.

Vamos caminhar, enfim, para um novo patamar. Para o momento da ampliação sustentada de oportunidades. Numa cidade mais justa, mais solidária, mais saudável e mais segura.

Uma cidade que tenha de volta a sua Secretaria Municipal de Segurança Urbana. Uma cidade com uma política habitacional fundada no conceito de moradia digna. Uma cidade livre das pragas do preconceito e da discriminação, que reconheça na diversidade sua maior riqueza cultural e humana.

Para que tudo funcione, vamos recuperar a fluidez no trânsito e investir pesado no transporte de qualidade. Ampliar a estrutura viária. Ordenar o transporte de cargas. Construir terminais. Integrar a bicicleta ao sistema.

Menos lentidão no trânsito significa menos prejuízos econômicos. Significa mais saúde e menos poluição, temas fundamentais para nossas futuras ações de governo.

São Paulo vai ter novos hospitais e policlínicas. Vai ter um atendimento melhor na saúde, já a partir do compromisso de que todo cidadão ou cidadã que chegar a uma unidade da rede, será atendido nesse mesmo dia.

Não separamos saúde e meio ambiente. E é nosso objetivo fazer um governo à altura do alto grau de consciência ambiental, de sensibilidade ecológica, que hoje caracteriza nossa população. Um governo que amplie, defenda e cultive o patrimônio natural da cidade.

Vamos prosseguir com determinação e ousadia a revolução educacional que iniciamos com os CEUs. Vamos reintegrar educação, cultura, esporte e lazer. Projetando todas essas práticas no horizonte maior da inclusão social.

Vamos fazer um governo centrado em nosso presente urbano, social e econômico. Mas que saiba incorporar o passado ao presente. E, a este mesmo presente, incorpore, também, fragmentos de futuro.

Incorporar o passado ao presente com a retomada do programa de revitalização do centro. Com a recuperação e atualização do espaço inaugural da existência histórica paulistana, reafirmando sua força na dimensão simbólica de nossas vidas.

A revitalização e melhoria da qualidade de vida no centro passam, necessariamente, pela questão do trânsito e do transporte.

Nesse processo, vamos melhorar o trânsito no centro não com uma medida meramente paliativa e mesmo prejudicial, como o pedágio urbano, que cerceia o direito de ir e vir, onerando, principalmente, a classe média.

O que pretendemos é fazer uma articulação do sistema viário e dos corredores, evitando baldeações que transformam o centro em estação de transbordo.

É preciso criar alternativas que evitem que pessoas que se desloquem, por exemplo, da Zona Sul para Zona Norte tenham que passar, obrigatoriamente, pelo centro.

Dentro desta perspectiva de evitar sobrecargas de trafego em áreas estratégicas, é importante também construir uma avenida paralela à Marginal, na região de Santana, que evite que as pessoas que se deslocam da Zona Norte para Noroeste, tenham que passar pela Marginal.

Incorporar fragmentos de futuro, por sua vez, significa fazer de São Paulo, literalmente, uma cidade antenada. A primeira capital brasileira a socializar, para o conjunto da população, o acesso à internet banda larga. A começar pela instalação do equipamento necessário nas centenas de prédios municipais aqui existentes, entre CEUs e telecentros.

E, ainda, promovendo pesquisas de ponta que produzam conseqüências práticas, constituindo São Paulo em centro de excelência mundial no campo das tecnologias urbanas.

Para o êxito de todo esse projeto, para forjar uma nova realidade paulistana, será necessário repensar e reconfigurar o próprio governo. Aprofundar a intersetorialidade como concepção e método de gestão.

Pelo simples motivo de que a cidade e as questões urbanas não se apresentam segmentadas em setores, ou em secretarias, como a máquina municipal. Ninguém é cidadão da educação, cidadão da saúde ou cidadão da habitação – isoladamente.

A cidade requer ações feitas com energia – e em sinergia.

Além disso, vamos descentralizar o poder, devolvendo autonomia às subprefeituras. E criar mecanismos tanto informais quanto institucionais de participação, incorporando formas da democracia direta em nossa democracia representativa.

E tudo isso sem nunca deixar de pensar São Paulo em seu horizonte e contexto metropolitanos.

São Paulo como núcleo poderoso e luminoso de uma constelação de cidades que partilham problemas comuns. E que, também de comum acordo, devem construir soluções, desenhar perspectivas e abrir caminhos de futuro.

Para finalizar, lembro que cada uma dessas questões é contemplada no programa de governo que hoje trazemos à luz e oferecemos à apreciação de todos.

Programa que se configura como uma espécie de carta de navegação, explicitando o roteiro para a transformação social e urbana que nos dispomos a realizar em São Paulo, nos próximos quatro anos.

Este é o objetivo maior. Vamos engajar São Paulo na maré de mudanças que o presidente Lula está promovendo em todo o país.

São Paulo precisa entrar em campo, com toda a garra e o pioneirismo de nosso povo. Porque sua transformação é decisiva, fundamental, não apenas em si, mas também para aprofundar o processo de transformação nacional em curso.

Para que assim tenhamos dias melhores para o nosso país. Para a nossa cidade. E para a nossa gente.

Para que S. Paulo, tenha, enfim, uma Nova Atitude.

12/08/2008 - 10:12h JUDÔ: Tiago Camilo conquista outra medalha

Judô ganha terceiro bronze do Brasil

Tiago Camilo vence o japonês Takashi Ono - Reuters

Com a medalha de Tiago Camilo, judô passa a ser o esporte brasileiro com maior número de medalhas na história das Olimpíadas

12/08/2008 - 10:06h JUDÔ: Ketleyn, uma heroína

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Judoca brasiliense foi matriculada na natação, mas espiava, com curiosidade, as aulas no tatame do Sesi de Ceilândia.

Família lembra os momentos difíceis e a determinação da menina para treinar

 


Marcelo Abreu – Correio braziliense

 

 

Fotos: Cadu Gomes/CB/D.A Press

A avó Marilda, 80 anos:
“Tinha dia que a gente não tinha dinheiro para pagar a passagem”

 

 

 

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Faixa na casa da judoca, em Ceilândia,
que se tornou visita obrigatória para amigos e vizinhos:
a gritaria na hora da medalha contagiou os moradores da rua

 

 

O humilde salão de beleza — com duas cadeiras e dois espelhos, montado na garagem da casa em reforma, em Ceilândia — está fechado há uma semana. A dona, Rosemary Oliveira Lima, de 42 anos, três filhas, separada, não está. Viajou para outro continente. Nunca, em toda a vida, pensou chegar tão longe. Na verdade, o lugar mais longe em que estivera havia sido no Piauí.

Na tarde de ontem, do outro lado do mundo, ela gritou como nunca. Quase não agüentou. Desesperou-se. Depois, chorou. Pensou que vivia um sonho. Na verdade, tudo era um sonho. Até estar ali. Muito longe do Ginásio da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pequim, onde a dona do salão gritava e chorava de alegria, a vizinhança invadiu a casa humilde. E a gritaria era uma só.

Era verdade. A filha da dona do salão havia ganhado a luta. A brasiliense Ketleyn Lima Quadros, judoca de 20 anos, acabara de conquistar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim. Derrotou a australiana Maria Pekli. Tornou-se, em todos os tempos, a primeira atleta brasileira a subir ao pódio em uma prova individual. Naquela casa do conjunto H da QNM 17 de Ceilândia Sul, uma faixa pendurada no alto avisava: “Minha filha Ketleyn Quadros está nas Olimpíadas de Pequim 2008”. Lá dentro, a gritaria ecoava. Tomou conta da rua. E ainda era madrugada.

Marilda José de Oliveira, de 80 anos, avó de Ketleyn, não pregou os olhos. “Meu Deus, minha Nossa Senhora, foi impressionante”, ela dizia, com forte sotaque mineirinho, ainda em estado de choque. Ex-doméstica, era Marilda quem levava a neta para os treinos, no Sesi de Ceilândia. Aos 7 anos, a menina danada começou a treinar judô. “As dificuldades foram muitas. Tinha dia que a gente não tinha dinheiro para pagar a passagem de ônibus. E hoje ver a minha neta chegar tão longe é a melhor recompensa da vida”, extasia-se a avó. E o coração? “Tem que agüentar, uai! Tem que ficar firme”. Com os olhos marejados, confessa: “Tô louca para dar um abraço nela”.

Em Pequim, Ketleyn subia ao pódio. Em Ceilândia, o povo — amigos, parentes e vizinhos — começou a invadir a casa da medalhista olímpica. As duas irmãs, Aline, de 14 anos, e Maria Eduarda, 1, vibraram como se elas fossem as vitoriosas. A menorzinha acordou com a confusão dentro de casa. Logo nas primeiras horas da manhã, o tititi estava formado. Havia quem, ao passar pela rua e ver a faixa pregada no alto, dizia: “É aí que ela mora!” Outros, incrédulos, duvidavam: “Será mesmo?”

E a romaria de curiosos só aumentava. Reginalda Soares, 33 anos, dona do mercadinho da quadra, levou o filho Wallace, 8, para conhecer as medalhas e os troféus de Ketleyn — expostos como santuário na varanda da casa. Ali, a família colocou todas as conquistas da menina que sonhou vencer. “Trouxe ele aqui para ver se toma isso como exemplo”, explicou.

A família mandou confeccionar, com o dinheirinho suado de cada um, 19 camisetas verdes com a foto de Ketleyn. E a mensagem: “Lutar sempre, cair talvez, desistir jamais”. Cada uma custou R$ 20. Sobrou para o tio da atleta, José Milton Oliveira Lima, 47, que deu o cheque com o valor total. “Espero que todos me paguem”, ele brinca. Depois, comovido, agradece a Deus pela conquista da sobrinha: “É o resultado de toda a luta, da força de vontade e da persistência de Catarina (é assim que o ele a chama, na intimidade)”.

Brigona na rua
E foi assim, com essa persistência, que tudo começou na vida de Ketleyn. Aos 7 anos, uma professora da Escola Classe de Ceilândia, onde a menina estudava, chamou a mãe. E a aconselhou que colocasse a filha numa atividade física. Ketleyn era hiperativa. Gostava de andar de patins, skate, jogava futebol, vôlei e handebol. “Ela nunca gostou de brincar de bonecas”, conta a tia, Roselene Lima, 40, que trabalha nos Correios como carteira.

Ketleyn tinha energia demais e precisava extravasá-la. Rosemery tremeu. Nunca antes ouvira falar em hiperatividade. Chegou até a pensar que a filha fosse diferente. Teria que tomar remédio? Era apenas uma criança normal que precisava ser orientada para usar tanto talento e disposição. A cabeleireira, que trabalhava fora, faltou ao trabalho. Foi atrás de uma vaga para a menina em algum lugar.

Parou no Sesi, de Ceilândia. E logo Ketleyn foi matriculada na natação. Mas quem a levaria para as aulas? A missão coube a Marilda, a avó. Cheia de energia, a danada Ketleyn saía da piscina e ficava olhando os treinos de judô. Espiava com o olho comprido. Queria muito estar ali, naquele tatame. Um dia, o professor Éder Marques da Silva, hoje com 45 anos, chamou a menina para treinar. Ela não pensou duas vezes.

Esqueceu a natação e, ainda aos 7 anos, começava com o esporte que mudaria sua vida para sempre e a consagraria. “Ela, por ser muito danada, gostava de brigar na rua. Com o judô, nunca mais brigou”, lembra Éder, o primeiro técnico. Logo, ganhou sua primeira medalha, em competição infantil. Era de prata. “Ela sempre teve raça”, ele diz, comovido. E continua: “Vê-la hoje (ontem) ganhando uma medalha nas Olimpíadas é sentir o que eu mesmo não consegui. É minha realização. Toda vez que ela volta a Brasília, ela vem aqui. A Ketleyn não se esqueceu da gente”.

O talento da menina logo começou a ser notado. Vieram as competições e as primeiras conquistas. Em 2000, aos 12 anos, ela saiu do Sesi e foi treinar no Espaço Marques Guiness, em Taguatinga. E mais uma vez a mãe cabeleireira se desdobrou para que ela nunca deixasse de ir aos treinos por não ter o dinheiro da passagem do ônibus. “A determinação da Katleyn sempre me impressionou”, admira-se o segundo treinador, Robert Marques, 31. Em 2006, por falta de patrocínio em Brasília, a atleta mudou-se para Minas Gerais. Passou a integrar a equipe do Minas, de Belo Horizonte. E nunca mais parou de competir. Vieram as conquistas nacionais e internacionais. E o sonho das Olimpíadas só aumentava. No próprio Minas, arrumou até um namorado. O rapaz é da equipe de futsal do clube.

Suor e lágrimas
Na madrugada de ontem, o sonho virou realidade. Estava lá, para o mundo ver. Rosemary também quis ver de perto. Chegou à China graças a um mutirão de solidariedade alheia. Patrocínio — de um supermercado, um comércio, de uma faculdade e até de uma farmácia — garantiu a ida da cabeleireira aos Jogos Olímpicos de Pequim. Na manhã insone de ontem, Aline, a irmã de 14 anos, definiu a medalhista: “Ela é uma batalhadora”. João Lima, 44, o tio, revela: “Ela é luz, irradia energia. Tinha certeza que conseguiria uma medalha. E fez isso com muito suor e muita lágrima, mesmo que digam (alguns setores da imprensa a chamam assim pela forma aparentemente fria com que enfrenta as adversárias ) que ela é mulher de gelo. É só aparência. Ketleyn é apenas uma menina e tem uma sensibilidade muito grande”.

A parentada toda, de todos os cantos do Distrito Federal — Taguatinga P Sul, M Norte, Luziânia, Brazlândia, Águas Lindas — lotou a casa humilde da atleta. Marilda, a avó, perdeu a fome. “Uai, como é que a gente come numa hora dessas?” Na madrugada de ontem, Maria Eduarda, a irmãzinha de 1 ano, tocou o rosto de Ketleyn quando ela apareceu na televisão. Bateu palma. Quis beijá-la. Os parentes e amigos também correram para perto da imagem. Queriam abraçá-la. E chamá-la de campeã, heroína, vitoriosa, inacreditável. Como é longe a Ceilândia de Pequim…

12/08/2008 - 09:37h JUDÔ: de Ceilândia para a história

ketleyn_quadros.jpg Brasiliense Ketleyn Quadros é a primeira mulher a ganhar uma medalha olímpica para o Brasil em esporte individual.

Mãe obteve ajuda para ir à china e pediu ingressos na porta do ginásio

Ivan Drummond -Enviado especial – Correio braziliense

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Pequim — O dia 11 de agosto entra para a história do esporte brasileiro como a data em que foi conquistada a primeira medalha olímpica feminina do país num esporte individual. A proeza foi realizada pela judoca peso leve Ketleyn Quadros, de 20 anos, nascida em Brasília e moradora de Ceilândia.

Foi um dia, aliás, de brilho extremo do judô, que teve ainda conquista de outra medalha de bronze, de Leandro Guilheiro, na mesma categoria. Ele tornou-se o único judoca a ter duas medalhas olímpicas consecutivas. O feito de ontem transformou o judô na modalidade esportiva, junto com o iatismo, com o maior número de medalhas conquistadas pelo Brasil na história dos Jogos Olímpicos. São 14 de cada esporte.

Até ontem, o judô era o terceiro colocado, com 12 medalhas, atrás ainda do atletismo, que soma 13. Foi também a primeira vez que o esporte chegou à decisão de duas medalhas na mesma categoria. E além disso, foram as duas primeiras medalhas do país em Pequim. Há a perspectiva de mais duas, já que ainda entrarão em disputa dois campeões mundiais, o meio-médio Thiago Camilo e o meio-pesado Luciano Corrêa.

Em transe
Ontem, depois de ganhar a medalha, “a ficha demorou a cair”, diz Ketleyn. “Eu não sei nem o que aconteceu. Lembro que olhei para os lados, para a nossa técnica, a Rosicléia Campos, para o meu técinco, o Florian, que estava nas arquibancadas, para minha mãe, que me fez uma tremenda surpresa ao aparecer aqui. Foi ao ver as pessoas vibrando que tive a certeza de que tinha vencido a luta e que era medalhista.”

Só aos poucos ela foi saindo da espécie de transe em que entrou. Ketleyn lembrou da primeira luta, quando foi derrotada pela holandesa Deborah Gravenstijn.

Daí em diante, não perdeu mais e derrotou até mesmo a campeã olímpica, a espanhola Isabel Fernandez. Depois, na seqüencia bateu a japonesa Aiko Saito e a australiana Maria Pekli, por ippon, no golden score, o que lhe valeu a medalha. “As coisas aconteceram muito rápido pra mim. Eu sonhava em estar nas Olimpíadas, mas não achava que seria agora”, admite a moça, que compete pelo Minas Belo Dente. Talvez por isso, Ketleyn deixou o ginásio tarde da noite, ainda sem entender bem o significado de sua conquista.

Ajuda providencial

Feliz da vida com a realização da filha, a cabeleireira Rosemary Oliveira Lima mostrou ter a mesma garra de Ketleyn, quando decidiu, com a cara e com a coragem, encarar dois dias de viagem para ver a jovem em Pequim. “Eu não tinha dinheiro para vir. Por isso, resolvi sair pedindo. Ver minha filha nas Olimpíadas não era só o meu desejo, mas o dela também. Nove pessoas ajudaram, entre elas, o diretor da Faculdade da Terra, que doou R$ 2.500”, explicou.

Rosemary tem a companhia da comadre Antônia Samia Ribeiro: “Nós fomos de porta em porta, para pedir a ajuda. Mas houve muita gente que ajudou, os amigos, parentes, enfim, conseguimos juntar R$ 6.300 para as passagens e mais US$ 1.500”.

O curioso era que, mesmo com o dinheiro em mãos para a viagem, e a passagem comprada, havia um empecilho: elas não tinham ingresso. Mas esse era um problema para resolver na chegada a Pequim, o que aconteceu na última sexta-feira, dia da cerimônia de abertura.

Rosemary não entende uma palavra de mandarim. Mas ainda assim conseguiu encontrar alguém que fala português e a língua local para escrever um cartaz. “Sou mãe de uma atleta brasileira de judô e estou sem ingresso. Preciso de ajuda.”

A amiga estava descrente. Não acreditava que fosse dar certo a tática maluca de Rosemary. “O mais engraçado é que as pessoas passavam, liam e pediam desculpa por não ter ingresso para ceder.” Mas depois de dois dias em frente ao portão do ginásio de judô, apareceram os ingressos. E, por isso, Ketleyn ficou surpresa com a presença da mãe. “Esse cartaz, vou guardar. Vou por num quadro, pois ele deu sorte”, diz a cabelereira.

11/08/2008 - 22:29h Judô faz história com Ketleyn Quadros


 

Foto Ivo Gonzalez / Agência Globo

A judoca brasileira Ketleyn Quadros (azul) ganha a austríaca M Pekli, e conquista a medalha de bronze nos Jogos Olimpícos de Pequim. Ela tornou-se a primeira mulher brasileira a conquistar medalha em esporte individual.

10/08/2008 - 12:27h Tal pai, tal filho? depende de você

Se precisar das dicas é que você já perdeu o pé, mas dá para consertar. Reproduzir estereótipos é repetir besteiras. Ninguém deveria calcar imagens e cargar, além da conta , o peso de sua própria infância. Quebrar a rigidez de papeis e manter a essência do lugar distinto do pai e da mãe, pode virar um instrumento de superação. Gostei das “dicas” publicadas no Correio Braziliense. LF

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PASSOS PARA SE TORNAR UM ENCANTADOR

Você se considera um bom pai? Acha que tem uma relação próxima e saudável com seu filho? Então responda rápido: qual a cor preferida dele? Qual é o super-herói com quem ele mais se identifica? Quem são seus melhores amigos? Qual é o seu maior sonho? E seu maior medo? E seu filme predileto? Se depois dessas perguntas você sentiu que é hora de se envolver mais com a família e, quem sabe, entrar para o ilustre hall de pais encantadores, veja abaixo um pequeno guia elaborado com a ajuda dos pais entrevistados e com o respaldo dos psicanalistas Wadson Damascena e Roberto Menezes, com idéias que podem mudar a história do relacionamento entre pai e filho:

1 Assuma tarefas diárias da babá ou da mãe, como preparar o café da manhã, dar o banho, levar para a escola, colocar para dormir ou ajudar na lição de casa. “O pai tem que criar junto. Falta de tempo é a pior desculpa que alguém pode arrumar para justificar a distância com o filho. Tempo a gente sempre arruma quando há um real interesse”, opina Wadson.

2 Muitos subestimam a capacidade e a inteligência das crianças e dos jovens. Crianças são boas de papo e têm pensamentos e histórias fascinantes para dividir. “Criar o hábito de conversar é uma excelente forma de aproximação”, afirma Wadson.

3 Na hora do almoço não há nada mais desagradável do que um pai que pede silêncio aos familiares que querem conversar para poder assistir ao telejornal ou ao programa de esportes. As refeições são boas oportunidades de socialização, aproximação e divertimento.

4 Crie um hobby em comum com seu filho. Descubra algo que ambos gostem e ponha em prática esse gosto, pelo menos uma vez por semana. Pode ser andar de bicicleta, praticar algum esporte, ir ao cinema, exposição ou aprender a desenhar, por exemplo.

5 Saia da rotina. Surpreenda a família com um passeio, uma viagem ou um programa diferente.

6 Conte histórias sobre sua infância. As crianças adoram imaginar os pais quando jovens. Deixe-o contar suas histórias também.

7 Preste atenção no que ele fala. Valorize-o. Se um dia ele contar que aprendeu sobre os animais mamíferos na escola, por exemplo, leve-o ao jardim zoológico.

8 Brinque com ele. Brincar é o que as crianças fazem melhor. Na companhia dos pais, acham esse prazer ainda mais divertido.