25/08/2008 - 10:19h País lidera Brics em tecnologia

Estudo da IDC mostra que Brasil investe mais do que outros emergentes, inclusive a China

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Renato Cruz - O Estado de São Paulo

No ano passado, a subsidiária brasileira da HP resolveu encomendar um estudo sobre o Brasil para a consultoria americana IDC. A idéia era mostrar para a matriz e para clientes internacionais as oportunidades que existiam no País, quando comparado a outros emergentes. “Naquela época, existia uma tremenda discussão se o Brasil fazia sentido, ou se o B dos Brics tinha morrido”, diz Denoel Eller, diretor de Marketing e Alianças da HP. “A HP vinha investindo no Brasil, mas menos do que nos outros Brics. Havia uma imagem de que o País não estava crescendo, que tinha violência e instabilidade.”

No meio do caminho, enquanto o estudo era feito, a situação mudou. Em 2007, foram vendidos 10,7 milhões de microcomputadores no País, o que tornou o Brasil o quinto maior mercado de PCs do mundo. A expectativa é que ele se torne o terceiro maior até 2010, atrás somente da China e dos Estados Unidos. Um exemplo da mudança foi o interesse da imprensa internacional em relação ao País.

Neste ano, o atual presidente da subsidiária brasileira, Mário Anseloni, visitou a matriz, nos EUA, e teve de dar uma entrevista coletiva para os americanos. “Eles acabaram surpresos ao saber, por exemplo, que o mercado brasileiro de software e serviços de tecnologia é maior que o de equipamentos”, conta Eller.

O estudo da IDC mostrou que, entre os Brics, o Brasil só perde para a China no volume de investimentos em tecnologia. Quando se analisa, porém, o total de investimentos como porcentual do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil está à frente, sendo o único entre os emergentes com gastos maiores que 2% do PIB. “Isso coloca o Brasil ao lado de países como Japão, França e Alemanha”, afirma Roberto Gutierrez, diretor de Consultoria da IDC Brasil.

O mercado de tecnologia no País deve crescer três vezes mais que o PIB nos próximos quatro anos, a maior taxa entre os Brics. O da China, por exemplo, deve aumentar 1,43 vez em relação à economia em geral. O estudo da IDC também mostrou que o Brasil está em uma situação melhor no que diz respeito à estabilidade e à liberdade econômica. Como resultado, a HP conseguiu da matriz a contratação de 800 pessoas para o setor de serviços.

A mudança na imagem do Brasil fez com que a fabricante de computadores Dell nomeasse o brasileiro Fernando Loureiro diretor global de Mercados Emergentes, há cerca de um ano e meio. A divisão não existia e foi criada como uma das cinco iniciativas mundiais da empresa para acelerar o crescimento. O executivo continua sediado no Brasil, de onde comanda a divisão. “Pouquíssimos países receberam destaques em todos os relatórios da Dell nos últimos trimestres, como foi o caso do Brasil”, afirma Loureiro.

A situação atual contrasta bastante com o que acontecia há cinco ou seis anos, quando o mercado de PCs era pequeno e dominado pelos chamados fabricantes cinzas, que sonegam impostos e usam peças contrabandeadas. O corte de impostos federais, o câmbio favorável, o avanço do financiamento e a melhora da situação econômica mudaram a situação. “Em 2002, chegamos a pensar em deixar o País”, diz o diretor da Dell.

A Dell, que prosperou com um modelo de venda direta de computadores, começou a ir para o varejo, e o mercado brasileiro foi um dos pioneiros no movimento. “Fizemos uma série de ações fortes com varejistas como o Wal-Mart e o Ponto Frio”, explica Loureiro.

Outra empresa que recebe reflexos positivos do aumento na venda de PCs é a Microsoft. Em julho, o Brasil ganhou um prêmio da corporação como a melhor subsidiária de países emergentes. A redução do chamado mercado cinza levou a uma queda na pirataria de software, que beneficiou a Microsoft.

Além do crescimento do mercado, a diretora de Marketing e Negócios da companhia, Paula Bellizia, afirma que a Microsoft Brasil tem obtido bons resultados por causa de suas estratégias de aumento dos escritórios regionais, do número de empresas-parceiras e de profissionais treinados em suas tecnologias.

“No último ano, abrimos oito escritórios regionais no Brasil, chegando a 13 escritórios”, diz a executiva. “Ainda existe um potencial de crescimento muito grande no Brasil, tanto em tecnologia quanto em educação.”

02/07/2008 - 09:26h Inflação ameaça reservas em 60 países. Para Brasil o impacto será relativamente pequeno, diz FMI

Para Strauss-Kahn, alta mundial dos preços de alimentos e do petróleo põe em risco os dez últimos anos de boas políticas macroeconômicas

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Patrícia Campos Mello, WASHINGTON - O Estado de São Paulo

A alta dos preços dos alimentos e do petróleo deixou alguns países numa “situação crítica”, disse ontem o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn. Segundo estudo do Fundo, há 60 países sob risco de acabar com as reservas internacionais se os preços desses itens se mantiverem no nível atual.

“Se os preços do petróleo se mantiverem no nível atual e os alimentos continuarem subindo, alguns governos não conseguirão alimentar a população e ao mesmo tempo manter a estabilidade da economia conquistada a altos custos”, disse Strauss-Kahn. Segundo ele, os dez últimos anos de boas políticas macroeconômicas estarão ameaçados pela inflação. O barril do petróleo subiu de US$ 30 em 2003 para mais de US$ 140 recentemente. A inflação dos alimentos dobrou desde 2006.

Para o Brasil, nos cálculos do Fundo, o impacto da alta dos preços do petróleo e dos alimentos será relativamente pequeno, o equivalente a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no déficit em conta corrente em 2009. Considerando apenas o choque do petróleo, o impacto seria equivalente a 0,4% do PIB, mas a alta dos alimentos será positiva para o País, que é predominantemente exportador (provocaria redução de 0,3% do PIB no déficit).

O FMI prevê que o déficit em conta corrente do Brasil será de 1% do PIB, em vez de 0,9% em 2009. A estimativa está desatualizada, já que a maioria dos bancos prevê que o déficit em conta corrente vai ultrapassar os 2,5% do PIB em 2009.

Na América Latina, os grandes perdedores serão Haiti, Nicarágua e Honduras, segundo o Fundo. Países como Chile (aumento de 0,6% do PIB no déficit) e Suriname (0,3%) também serão bastante afetados.

A Argentina terá grande impacto positivo, equivalente a 1,7% do PIB em redução no déficit em conta corrente (superávit de 1,2% do PIB em 2009, na previsão do FMI). No México, grande produtor de petróleo, o impacto também é positivo - 0,3% do PIB de redução no déficit em conta corrente. O Uruguai terá queda equivalente a 0,7% do PIB na conta corrente.

O estudo cita 18 países africanos em perigo por causa do choque do petróleo e da inflação dos alimentos: Eritréia, Etiópia, Guiné, Libéria, Madagáscar, Malawi, Congo, Zimbábue, Benin, Burkina Fasso, República Centro-Africana, Guiné-Bissau, Mali, Togo, Burundi, Comoros, Gâmbia e Serra Leoa.

Segundo Strauss-Kahn, os governos têm adotado medidas positivas e “nem tão positivas” contra o choque do petróleo e dos alimentos. “É positivo ampliar os programas de ajuda aos pobres, as redes de segurança para protegê-los da alta nos preços, e a redução de impostos sobre comida”, disse. “Mas há medidas muito ruins, como proibir exportações e aumentar subsídios a combustíveis.”

Ele informou que o Fundo está fazendo empréstimos a países com desequilíbrio no balanço de pagamentos por causa do aumento com importações de petróleo e alimentos. A situação é pior na África - na Libéria, por exemplo, a importação de petróleo chegou a 15% do PIB, equivalente à totalidade das reservas do país.

Strauss-Kahn, que participará da reunião do G-8 no Japão na semana que vem, espera que esse seja um dos principais temas debatidos no encontro.

02/07/2008 - 08:53h De 18 países, só Brasil e Canadá estão dentro da meta de inflação

O jornal O Globo teve o mérito de destacar que o Brasil é quem melhor resiste a pressão inflacionária internacional. Mesmo assim, percebam o “por enquanto” na manchete e o “ainda” no lide. O alerta de Delfim mostra que pouco importa para alguns se a inflação atinge o bolso dos mais pobres (fizeram um barulho pelo aumento do Bolsa-família em 8%). Esses até torcem para que a inflação derrube a estabilidade e os objetivos da meta determinada pelo Banco central e pelo governo federal. Mas os fatos são os fatos. A seguir o artigo do jornal O Globo. LF

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Dentro da meta. Por enquanto

De 18 países, só Brasil e Canadá ainda estão dentro da margem de erro para inflação

Fabiana Ribeiro e Aguinaldo Novo - O GLOBO

RIO e SÃO PAULO A inflação mundial coloca em xeque os sistemas de metas fixados pelos governos.
Num levantamento com 18 países, pela consultoria Tendências, apenas Brasil e Canadá não ultrapassaram as metas de inflação estabelecidas para o ano. Mas isso, alertam alguns economistas, por enquanto. O Brasil acumula nos últimos 12 meses terminados em maio variação de 5,6%, para uma meta de 4,5% com tolerância de dois pontos percentuais.
Ou seja: pode, já em junho, exceder esses limites.
Especialistas, contudo, não são unânimes na hora de apontar soluções para a questão.

— A cada mês, algum país sai da zona do conforto. Ao longo do ano, Brasil e Canadá também. Ainda assim, a política de metas funciona e vai depender das ações dos bancos centrais de elevar as taxas de juros — disse Marcela Prada, economista da Tendências.

Conter a inflação é o maior desafio dos bancos centrais do mundo hoje. O Banco Central Europeu (BCE) deve subir juros amanhã para combater a alta dos preços. Em 15 dos 27 países da União Européia, o índice subiu 4%, nos últimos 12 meses até junho — contra meta de 2%.

— Soluções individuais não ajudam. Juntos, os países devem subir juros para frear o crescimento, o que faria os preços das commodities ceder, acomodando a inflação — disse Roberto Padovani, estrategista de investimentos para a América Latina do WestLB do Brasil.

Na avaliação de Jason Vieira, economista da UpTrend, elevar a taxa de juros não resolveria o problema do mundo. Para ele, a medida adia a valorização do dólar e alimenta ainda mais a inflação. Somente é eficaz em países em que a inflação é provocada pela demanda (pressão de consumo) — caso da Alemanha, citou ele.

— O aperto monetário detém o crescimento econômico. É preciso atuar na causa e não na doença. Então, incentivo de políticas mais sustentáveis na agricultura, medidas de desoneração para o setor seriam um dos caminhos. A inflação atual coloca em xeque todos os paradigmas clássicos de macro e microeconomia do sistema monetário.

Inflação gera pobreza mundial

O economista da FGV Paulo Picchetti afirma que, mesmo sem ter deixado de sofrer os efeitos das altas dos preços, o Brasil vem sendo citado como grande exemplo de boa condução de política monetária, porque se antecipou aos demais países no processo de elevação dos juros. Para ele, no entanto, ainda é pouco.

— Estamos vivendo uma crise de oferta (de produtos), e não se combate isso apenas com política monetária. É preciso haver também uma redução da demanda agregada, principalmente dos gastos correntes do governo. Sem uma combinação correta de política monetária e fiscal não enfrentaremos essa questão — disse ele, acrescentando que, sem juros altos e corte de gastos, a indexação pode voltar.

A inflação traz mais do que aumento do custo de vida. Especialistas dizem que o novo patamar dos preços pode ampliar a pobreza.

— Parte da demanda por commodities traduz o aumento da demanda por comida. O desenho atual não comporta aumento no consumo de alimentos. Infelizmente, para o mundo continuar crescendo, muita gente precisa passar fome — arremata Vieira.

23/06/2008 - 17:43h Marca do PT: cai a desigualdade

” Os ganhos de renda dos mais pobres foram quase cinco vezes maior que a recuperação da dos mais ricos” (dados IPEA)

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Desigualdade entre salários de ricos e pobres caiu 7%, diz Ipea

BBC - Portal O Globo

A desigualdade entre os rendimentos dos trabalhadores brasileiros caiu quase 7% entre o quarto trimestre de 2002 e o primeiro de 2008, indica um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta segunda-feira.

Nesse período, o índice Gini na renda do trabalho, ou o intervalo entre a média dos 10% mais pobres da população e a média dos 10% mais ricos, caiu de 0,543 para 0,505. O indicador varia de 0 a 1 - quanto mais perto de 1, maior desigualdade; quando mais perto de zero, menor desigualdade.

“Para um país não ser primitivo, esse índice precisa estar abaixo de 0,45″, afirmou o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, em entrevista à BBC Brasil.

Os números divulgados pelo Ipea mostram que a diferença diminuiu porque os ganhos de renda dos mais pobres foram quase cinco vezes maior que a recuperação da dos mais ricos.

O estudo do Ipea divide a população em dez grupos pela renda e mostra as variações nas médias salariais de cada decil. No acumulado do período, os três primeiros decis (com médias salariais de R$ 206, R$ 378 e R$ 422) tiveram aumentos salariais de 21,96%, 29,91% e 15,79%.

Para efeito de comparação, os três decis mais ricos (com médias salariais de R$ 1.159, R$ 1.797 e R$ 4.853) acumularam ganhos de 2,3%, 2,1% e 2,6%.

Políticas sociais

Para Pochmann, a redução da desigualdade é conseqüência do crescimento econômico com estabilidade monetária e articulado com políticas sociais.

“Geralmente aqueles que têm melhor escolaridade tendem a ter melhores resultados, especialmente em um país onde há preconceitos como o racial e o de gênero. O crescimento cria um ambiente favorável, mas por si só não garante melhor distribuição intersalarial”, disse o presidente do Ipea.

O estudo, porém, diz que com a redução do desemprego e a expansão do PIB “seria razoável esperar um crescimento na demanda por mão-de-obra principalmente de menor valor e, por isso mesmo, uma elevação dos salários de base em relação aos extratos de mais elevada renda”.

O Ipea cita ainda o crescimento do pessoal empregado e o aumento da massa salarial e do número de carteiras assinadas como “efeitos benéficos” do crescimento econômico do país.

Padrão tributário

Para manter a tendência de diminuição das diferenças salariais, Pochmann diz que é necessário mudar o “padrão tributário” do país, que hoje, com a grande carga de impostos indiretos, faz com que a população mais pobre pague proporcionalmente mais tributos do que os ricos.

“No ganho acumulado, uma parte se perde por força da tributação.”

Do ponto de vista conjuntural, o presidente do Ipea considera a alta dos juros e a inflação as maiores ameaças à tendência de diminuição das diferenças salariais identificada no estudo.

Segundo o estudo, a participação dos salários no PIB tem se mantido estável desde 2004, revertendo uma tendência de queda verificada até então (de 40,3%, em 1995, para 35,8%, em 2002, segundo exemplo citado no estudo).

O levantamento foi feito a partir dos microdados da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE. O Ipea é vinculado ao NAE (Núcleo de Assuntos Estratégicos) da Presidência da República.

12/06/2008 - 11:50h Novo Consenso de Washington?

Por Dani Rodrik - VALOR

Há dois anos e meio, altos integrantes do Banco Mundial abordaram o prêmio Nobel Michael Spence para pedir-lhe que encabeçasse uma comissão de notáveis sobre a questão do crescimento econômico. A dúvida em questão não poderia ser mais importante. O Consenso de Washington - a infame lista que apontava a autoridades monetárias de países em desenvolvimento o que fazer e o que não fazer - havia se dilapidado em grande parte. Então, o que o substituiria?

Spence não tinha certeza se era a pessoa ideal para o trabalho. Afinal, sua pesquisa era focada em questões teóricas em economias avançadas, havia sido reitor de uma faculdade de administração e não tinha muita experiência em desenvolvimento econômico. No entanto, ficou fascinado com a tarefa. E foi encorajado pela resposta entusiasta e positiva que recebeu dos possíveis membros da comissão. Nascia, então, a Comissão Spence de Crescimento e Desenvolvimento, um grupo de estrategistas políticos recheado de estrelas - incluía outro Nobel - cujo relatório definitivo foi lançado no fim de maio.

O relatório Spence representa um divisor de águas para as políticas de desenvolvimento, tanto pelo que apresenta como pelo que exclui. Ficaram de fora as asseverações confiantes sobre as virtudes da liberalização, desregulamentação, privatização e livres mercados. Também desapareceram as recomendações homogêneas, independente das diferenças de contexto. Em vez disso, o informe de Spence adota uma abordagem que reconhece os limites de nossos conhecimentos, enfatiza o pragmatismo e gradualismo e encoraja os governos a serem experimentais.

Sim, economias bem-sucedidas possuem muitas coisas em comum: todas estão inseridas na economia global, mantêm estabilidade macroeconômica, estimulam a poupança e o investimento, oferecem incentivos voltados ao mercado e são razoavelmente bem governadas. É útil ficar de olho nesses pontos em comum, porque compõem a conduta de políticas econômicas apropriadas. Dizer que o contexto importa não significa que vale tudo. Não há, contudo, um livro de regras universal: países diferentes atingem esses fins de formas diferentes.

O relatório Spence reflete uma mudança intelectual mais ampla entre os que trabalham na questão do desenvolvimento, uma mudança que abrange não apenas as estratégias de crescimento, mas também a saúde, educação e outras políticas sociais. A estrutura política tradicional que o novo raciocínio substitui gradualmente é de suposição, em vez de diagnóstica.

Começa com fortes pressuposições sobre a natureza do problema: regulamentação excessiva (ou insuficiente), governança muito fraca, investimentos públicos baixos demais em saúde e educação e assim por diante. Além disso, suas recomendações assumem a forma de uma lista de lavanderia, enumerando instruções item a item, e enfatizam sua natureza complementar - a necessidade de serem adotadas simultaneamente, sem ordenar e atribuir prioridades. A estrutura também se inclina a receitas universais - o “modelo” de disposição institucional, “boas práticas”, princípios básicos e assim por diante.

Ficaram de fora as afirmações confiantes sobre as virtudes da desregulamentação,
da liberalização, privatização e livres mercados, sem contexto.

Em contraste, a mentalidade da nova política começa com certo agnosticismo sobre o que pode funcionar ou não. Sua hipótese é a de que há grandes doses de “descuido” nos países pobres, portanto mudanças simples podem trazer grande diferença. Como resultado, é explicitamente diagnóstica e foca-se nos gargalos e limitações econômicas mais significativas. Em vez de uma reforma abrangente, enfatiza a experimentação política e iniciativas de alcance relativamente estreito, de forma a descobrir soluções locais. Também prega a monitoração e avaliação para que se aprenda quais experimentos funcionam bem.

A nova abordagem desconfia de antídotos universais. Em vez disso, busca inovações políticas que tragam atalhos contornando a economia local ou complicações políticas. A tática é influenciada fortemente pelo gradualismo experimental da China, em prática desde 1978 - o episódio mais espetacular de crescimento econômico e redução da pobreza já visto pelo mundo.

O relatório Spence é um documento consensual e, portanto, alvo fácil para ataques gratuitos. Não traz “grandes idéias” próprias e, às vezes, tenta demasiadamente agradar a todos e cobrir todos os ângulos possíveis. Mas, como Spence coloca ao comentar a própria questão da reforma econômica, são necessários pequenos passos para fazer uma grande diferença no longo prazo. É um feito e tanto ter alcançado o grau de consenso que ele conseguiu em torno a um conjunto de idéias que se desvia tão marcadamente da abordagem tradicional.

É de creditar-se a Spence o fato de o informe conseguir evitar tanto o fundamentalismo de mercado como o fundamentalismo institucional. Em vez de oferecer respostas fáceis, como “apenas deixe os mercados funcionarem” ou “simplesmente corrija a governança”, destaca acertadamente que cada país precisa elaborar seu próprio conjunto de soluções. Economistas estrangeiros e agências de auxílio financeiro podem fornecer alguns dos ingredientes, mas apenas o próprio país pode dar a receita.

Se há um novo Consenso de Washington, é que o livro de regras precisa ser escrito em casa, não em Washington. E isso é um verdadeiro progresso.

Dani Rodrik é professor de Economia Política da Escola de Governo John F. Kennedy na Universidade Harvard, foi o primeiro agraciado com o Prêmio Albert O. Hirschman do Conselho de Pesquisa de Ciências Sociais. Seu mais recente livro é “One Economics, Many Recipes: Globalization, Institutions, and Economic Growth”. © Project Syndicate/Europe´s World, 2008. www.project-syndicate.org

29/05/2008 - 17:34h Mais uma agência de risco eleva Brasil a ‘grau de investimento’

Fitch eleva Brasil para grau de investimento

Anúncio se segue ao da Standard & Poor’s, que foi a 1ª entre as 3 maiores a conceder o grau de investimento

Da Redação - portal O Estado SP

lula_caricatura2.jpgSÃO PAULO - A Fitch Rating, uma das três maiores agências de classificação de risco, elevou o Brasil para grau de investimento nesta quinta-feira, 29. A mudança na classificação passou de BB+ para BBB-, que é a primeira escala na classificação de grau de investimento. Com a nova classificação, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou a subir. Às 15h30, a alta é de 0,65%. Antes da notícia, operava em queda de 0,14%.

A Fitch Ratings destaca que “a elevação do rating reflete a melhora dramática das contas externas e do setor público do Brasil, que reduziu bastante a vulnerabilidade do país a choques externos e de câmbio e fortaleceram a estabilidade macroeconômica e melhoraram as perspectivas de crescimento para o médio prazo”.

Segundo a agência, as autoridades estabeleceram um “histórico de compromisso com inflação baixa e um superávit orçamentário primário que dirimiu preocupações anteriores quanto à sustentabilidade fiscal no médio prazo”.

“A melhora impressionante nas finanças externas, resultante, em parte dos preços mais altos das commodities, mas também de boa gestão política, ao lado do status de credor soberano líquido, tornou o Brasil bastante mais resistente a choques financeiros globais e aumentou a credibilidade de seu quatro de referência macroeconômico”, disse Shelly Shetty, diretora sênior do grupo de ratings soberanos da Fitch.

Ela acrescentou que “um consenso cada vez maior em todo o espectro político quanto às políticas macroeconômicas também reduz o potencial para um afastamento marcante do quadro atual”.

Para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a nova classificação de risco dada ao Brasil, desta vez pela Fitch Rating, significa que o País está tendo cada vez mais reconhecida a sua melhora de fundamentos. Segundo Meirelles, a confirmação vai determinar a melhora da qualidade do investimento no Brasil. Investimento de longo prazo e recursos que têm, em geral, a maior contribuição para setor produtivo, acrescentou o presidente do BC.

Primeira nota

O anúncio da Fitch se segue ao da Standard & Poor’s, que se tornou a primeira entre as três maiores agências de rating do mundo a conceder o grau de investimento ao País, ao elevar, no último dia 30 de abril, a nota brasileira de BB+ para BBB-. A outra grande agência classificadora, a Moody’s, mantém o rating brasileiro um nível abaixo do grau de investimento, em Ba1, com perspectiva estável.

No último dia 18 de abril, a agência de classificação de risco de crédito japonesa R&I (Rating and Investment Information) também elevou o rating do Brasil para BBB-, grau de investimento. A R&I foi a segunda agência japonesa a conferir este status ao Brasil. Em junho de 2007, a Japan Credit Rating (JCR) havia elevado a nota da dívida de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil para BBB-.

O que significa o grau de investimento?

A nova nota significa que os títulos da dívida do Brasil agora são considerados com baixo risco de crédito. Na prática, o grau de investimento funciona como uma permissão para que instituições e investidores estrangeiros apliquem seus recursos em papéis da dívida brasileira. O resultado é que essa classificação deve atrair ainda mais recursos estrangeiros.

Ou seja, o real deve se apreciar ainda mais frente ao dólar; e as ações de empresas, principalmente de bancos, serão melhor avaliadas pelos investidores e devem subir muito nos próximos dias.

Do ponto de vista da economia real, esta classificação pode atrair mais investimentos para o País, melhorando mais as condições macroeconômicas. Além disso, as empresas conseguirão captar recursos com taxas mais baixas e terão lucros maiores.

26/05/2008 - 10:01h Nossa Caixa pode mudar relação de forças

http://contasabertas.uol.com.br/noticias/imagens/Nossa%20Caixa%20dentro%20credito.JPG

Maria Christina Carvalho e Silvia Fregoni, de São Paulo - VALOR

Não poder disputar a compra de um banco que pode realmente fazer diferença na briga de mercado é o principal motivo de frustração e crítica dos grandes bancos de varejo à investida do Banco do Brasil (BB) sobre a Nossa Caixa. “A Nossa Caixa tem um grande valor estratégico, ela pode ser um divisor importante na disputa de mercado”, disse um alto executivo de um dos maiores bancos de varejo do mercado. Com ativos totais de R$ 51,4 bilhões, carteira de crédito de R$ 9,7 bilhões, 5,7 milhões de clientes e uma rede de 950 agências e postos de atendimento quase que totalmente concentrada no Estado mais rico da União, São Paulo, a Nossa Caixa pode mesmo mudar a relação de forças do mercado brasileiro, que ficou meio “embolado” após a compra do Real pelo Santander.

Não é por outro motivo que, na sexta-feira, o presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, fez coro às críticas que o presidente do Banco Itaú, Roberto Setubal, já havia feito, quinta-feira, ao anúncio de que o BB estava em negociação direta para comprar o controle da Nossa Caixa. Os banqueiros defendem a venda do banco controlado pelo governo paulista em leilão, do qual todos possam participar.

“O leilão traz as coisas às claras, como o preço correto, que seria formado a partir da concorrência entre os interessados. As regras de mercado devem prevalecer, com a realização de uma licitação pública. Seria mais legítimo”, disse Brandão em nota divulgada pelo Bradesco sexta-feira. O Bradesco declarou-se interessado na Nossa Caixa, assim como o Itaú. “O Banco do Brasil é um candidato forte, mas não se pode eliminar o direito à concorrência. Sem dúvida, interessa ao Bradesco participar do processo. Isso é inegável”, disse Brandão na nota.

O vice-presidente de varejo do Unibanco, Márcio Schettini, disse que a instituição teria “muito interesse” em participar de um eventual leilão da Nossa Caixa. Segundo ele, há interesse mesmo diante do fato de que os depósitos judiciais não possam ser transferidos automaticamente para uma instituição privada. O executivo afirmou que o principal ativo da Nossa Caixa é a estrutura de distribuição. “Estimamos que a banco aumentaria em pelo menos 40% a nossa presença no Estado de São Paulo.” Segundo Schettini, a compra da Nossa Caixa casaria perfeitamente com os planos de expansão divulgados pelo Unibanco para este e os próximos anos.

A instituição comandada por Pedro Moreira Salles planeja abrir 120 agências em 2008, mais do que o dobro da média dos últimos anos, que é de 50 unidades. Para 2009, a meta é abrir mais 120. No final do ano passado, o banco tinha 1.270 pontos de atendimento, sendo 980 agências. “O plano de expansão comercial consumirá metade dos investimentos de R$ 600 milhões previstos pelo Unibanco para este ano”, afirmou.

Outro ativo de grande importância na Nossa Caixa, de acordo com ele, é o direito de explorar as contas dos funcionários públicos do Estado. São clientes que possuem poder aquisitivo superior ao da média da população e que têm estabilidade de emprego. Por isso, são potencialmente bons consumidores de produtos bancários. “Imaginávamos que o governo do Estado de São Paulo daria uma solução de mercado à Nossa Caixa, em continuidade ao processo de abertura de capital da companhia”, disse ele, referindo-se à expectativa de realização de um leilão para a venda do banco. A carteira de clientes da Nossa Caixa inclui 1,1 milhão de funcionários públicos da ativa e aposentados do Estado de São Paulo, que estão entre os de maior renda no país.

Os cerca de R$ 12 bilhões de depósitos judiciais na Nossa Caixa também interessam aos bancos: são recursos relativamente estáveis e que custam o mesmo que a poupança, TR mais 6% ao ano. E, ao contrário do que o presidente do BB, Lima Neto, disse, não seriam automaticamente transferidos para um banco público caso a Nossa Caixa fosse adquirida por uma instituição privada.

No processo de privatização, há vários casos de venda de banco públicos para o setor privado com transferência dos depósitos judiciais, ao menos por algum tempo. Foi o que aconteceu com o Banespa. Foram vendidos com os depósitos judiciais os bancos Banerj e Bemge, adquiridos pelo Itaú, e o Baneb e Banco do Estado do Amazonas, que passaram para as mãos do Bradesco. Como lembrou outro executivo de banco, os depósitos judiciais não são os únicos fatores considerados no preço, que leva em conta também a clientela, a sinergia, a rede de distribuição e até o corpo funcional do alvo da compra. Para ele, só um leilão aberto definiria o preço mais justo. O executivo estranhou o fato de ter partido do BB a afirmação de que os depósitos judiciais não ficariam com um comprador privado. “O vendedor está excluindo de antemão potenciais compradores de um ativo que não é dele, é do Poder Judiciário, que define onde quer deixar seus depósitos.”

Não é a primeira vez que os bancos privados e BB se chocam de frente. As folhas de pagamento de funcionários públicos têm sido um dos principais pontos de atrito. No ano passado, o Bradesco venceu licitação para administrar o pagamento dos funcionários públicos de Santa Catarina, mas o BB conseguiu com liminar suspender a licitação. O dinheiro não chegou a ser pago. Outro caso envolveu, novamente, o Bradesco, que venceu licitação para pagamento da conta de salário dos funcionários da prefeitura de Salvador. O BB questionou a licitação e ofereceu preço maior, mas a prefeitura não acatou a reclamação, até porque já havia recebido o pagamento. O BB entrou entrou na Justiça e o Bradesco reagiu na mesma esfera.

20/05/2008 - 08:50h União Européia já investe mais no Brasil do que na China

Os 27 países do bloco investiram 7,1 bi no País em 2007, ante 1,8 bi no mercado chinês

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Jamil Chade - O Estado de São Paulo

A União Européia (UE) investiu mais no Brasil do que na China em 2007. Segundo dados oficiais de Bruxelas, os 27 países do bloco investiram 7,1 bilhões no País em 2007, ante 1,8 bilhão no mercado chinês. Somente se somados os investimentos em Hong Kong é que a China praticamente empata com o Brasil em destino dos investimentos europeus.

O estoque de investimentos da Europa na China é ainda bem superior ao que existe no Brasil, diante do fluxo acumulado nos últimos anos no mercado asiático. Mas o mercado brasileiro volta a chamar a atenção dos europeus, principalmente com o retorno do crescimento e estabilidade da economia.

Em 2006, por exemplo, os chineses atraíram 6 bilhões, além de outros 3 bilhões em Hong Kong. Para o Brasil, o total de investimentos foi de 5,6 bilhões. Já no ano passado, o Brasil reverteu a tendência. Só da Espanha os investimentos somaram 2,5 bilhões.

Na Europa, o Brasil se tornou nas últimas semanas o foco das atenções da imprensa econômica. Para jornais ingleses, espanhóis e franceses, a economia brasileira é uma das mais atrativas, principalmente depois do grau de investimento. Apesar disso, o presidente da Associação de Bancos da Suíça, Pierre Mirabaud, alerta que o novo status não deve ser visto como “panacéia para resolver todos os problemas”.

O Brasil ainda perde para a Índia, que viu os investimentos serem multiplicados por dez entre 2006 e 2007, atingindo 10,9 bilhões. Já os russos receberam investimentos de 17 bilhões. Entre os Brics (bloco constituído por Brasil, Rússia, Índia e China), portanto, o País é o terceiro mercado preferido dos europeus. Entre os Brics (bloco constituído por Brasil, Rússia, Índia e China), portanto, o País é o terceiro mercado preferido dos europeus.

NOVA GEOGRAFIA

Os dados da UE também revelam uma nova geografia no fluxo de investimentos. Os Brics mais que dobraram os investimentos na Europa entre 2006 e 2007. Não por acaso, governos de vários países europeus acostumados a apenas comprar empresas estrangeiras reagiram surpresos com a nova tendência. Alguns dos setores chegaram a clamar pela “soberania” da produção européia.

Juntos, os países que formam o Bric investiram mais de 13 bilhões no mercado europeu. Só o Brasil investiu quase 2 bilhões, ante 9,5 bilhões da Índia. China e Rússia investiram outros 2 bilhões. Em 2006, o volume investido não chegava a 5 bilhões, dos quais 1,2 bilhão vinha do Brasil.

No geral, os investimentos para a Europa aumentaram 90% em 2007, em comparação com 2006, chegando a 319 bilhões. Os investimentos europeus no mundo aumentaram em 50%, passando de 275 bilhões em 2006 para 420 bilhões em 2007.

Apesar de o Brasil superar a China, o volume de recursos que chega no País é ainda menos de 10% do que vai para o mercado americano. No ano passado, os europeus investiram 113 bilhões nos EUA e outros 58 bilhões no Canadá.

Entre os europeus, os maiores investidores são os ingleses, com um terço do que a UE destina ao mundo. Já a Alemanha é o segundo lugar, com 12%, seguida pela França. Os americanos investiram 145 bilhões no bloco de 27 países em 2007, ante 74 bilhões em 2006.

06/05/2008 - 12:35h Expansão da indústria é a maior em 5 anos, diz CNI


Faturamento cresceu 7,6% no 1º trimestre em relação ao mesmo período de 2007

Uso da capacidade instalada tem pouca variação, o que indica, segundo a entidade, maturação do investimento realizado pelas empresas

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LUCIANA OTONI - Folha de São Paulo

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Favorecido pelo consumo aquecido e pela necessidade de repor estoques, o setor industrial registrou o maior ritmo de crescimento dos últimos cinco anos no primeiro trimestre de 2008 na comparação com o quarto trimestre do ano anterior, segundo pesquisa divulgada ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Na análise com o primeiro trimestre de 2007, os resultados de janeiro a março deste ano também são positivos, com os indicadores apresentando elevadas taxas de expansão.

Essa boa performance, porém, pode não se repetir no segundo trimestre. Segundo a CNI, a tendência é de leve acomodação da produção entre abril e junho. “A retomada de alta dos juros, o câmbio valorizado e a concorrência do produto nacional com o estrangeiro apontam para uma pequena redução do ritmo de expansão”, avaliou o gerente-executivo da CNI, Flávio Castelo Branco.

De acordo com a CNI, na comparação do primeiro trimestre com o quarto trimestre do ano passado, as indústrias registram aumento médio de 1,8% do faturamento, de 2,1% nas horas trabalhadas na produção e de 1,1% no pessoal empregado. Considerando essa base de comparação, foram as maiores variações desde 2003.

Em relação aos três primeiros meses de 2007, as variações dos indicadores no primeiro trimestre de 2008 são ainda mais expressivas. As altas foram de 7,6% para faturamento, de 6% para horas trabalhadas e de 4,9% para pessoal empregado na produção.

Os segmentos com os melhores desempenhos são montadoras de veículos, fábricas de máquinas e equipamentos, indústria de alimentos, de bebidas e metalúrgicas.

Num contexto de expansão, o setor registrou estabilidade no uso da capacidade instalada, com o indicador de 83,1% mantendo-se praticamente no mesmo nível nos últimos seis meses. Segundo a CNI, a ampliação da produção, combinada com estabilidade no uso do parque fabril, indica maturação de investimentos.

Para alguns analistas, a ampliação da capacidade de produção é um dado positivo que, porém, não deve demover o Banco Central do propósito de continuar a elevar os juros como forma de evitar a disparada de preços. “Não vai ser a estabilidade ou ligeira queda no nível de uso da capacidade instalada que fará o Banco Central ficar menos preocupado. Hoje, a maior preocupação da autoridade monetária são as surpresas inflacionárias”, comentou Zeina Latif, economista do Banco Real.


Comportamento

Na Tendências Consultoria, a avaliação é que outros indicadores, como o que o IBGE divulga nesta terça, irão auxiliar o BC na análise do comportamento da produção industrial. A economista Cláudia Oshiro disse que o resultado do primeiro trimestre indica que as indústrias poderão ampliar a atividade sem elevar a capacidade de produção.

No Ipea, o diretor de Estudos Macroeconômicos, Marcelo Nonnenberg, informou que o dinamismo levará o instituto a elevar a previsão de expansão do setor neste ano. Inicialmente, o Ipea estimou aumento de 4,8% para a indústria, percentual que deve passar para 5%. A despeito disso, ele avaliou que a atividade industrial deve desacelerar no segundo trimestre porque as comparações começarão a ser feitas com bases mais elevadas de 2007 e porque a subida dos juros deve exercer efeito sobre as expectativas de consumo e produção.

De forma isolada, as variações de março sinalizam amortecimento. Em relação a fevereiro, que foi um mês de resultado forte, o faturamento e as horas trabalhadas recuaram 0,5% e 0,3%, respectivamente.

23/03/2008 - 08:34h ‘Contágio é uma questão de grau’

jose_julio_senna.jpgENTREVISTA: JOSÉ JÚLIO SENNA; Ex-diretor do Banco Central, autor de Os Parceiros do Rei, sobre o desenvolvimento econômico brasileiro. A crise americana mostrou sua cara feia nos últimos dias. Ela ainda não aterroriza o Brasil, mas o bicho pode pegar num mundo de economias interligadas

Laura Greenhalgh - O Estado de São Paulo

Não faz muito tempo, falar em desmoronamento do mundo financeiro era conversa para apocalípticos. Mentes integradas preferiam reagir com reserva às oscilações do mercado de capitais, mantendo distância da idéia de que já estaria instalada uma recessão americana. Isso até os gráficos resolverem despencar ladeira abaixo, num movimento orquestrado e assustador, no início da semana passada. Viu-se o quinto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, o Bear Stearns, ser comprado “na bacia das almas”, como se diz no Brasil, pelo JP Morgan, numa operação de socorro que envolveu o Fed, banco central americano. Contabilizaram-se perdas acumuladas da ordem de US$ 2 trilhões no mercado americano de hipotecas imobiliárias - o que rende a incômoda sensação de como patrimônios podem ser torrados em poucas primaveras. Fora isso, as commodities perderam preço e as bolsas, indomáveis, não deram sossego aos investidores.

Quem não falou, pensou: o mundo está derretendo? Do ponto de vista ambiental, certamente. Do ponto de vista econômico, há um diagnóstico mais complexo a fazer. Não há dúvida de que a crise de crédito americana ficou mais explícita nos últimos dias e não deve ser passageira. E o Brasil com isso?, perguntamo-nos. José Júlio Senna, engenheiro de formação, PhD em economia pela Johns Hopkins University, ex-diretor do Banco Central em 1985, não oferece respostas prontas, mas distribui dados e evidências que fazem pensar: “Num mundo de economias interligadas, o contágio da crise vem. Torna-se apenas uma questão de grau”. Portanto, mesmo que a sensação de derretimento do mundo volte a nos perturbar na próxima semana, a entrevista de Senna ao caderno Aliás nos informa sobre crises anteriores nos EUA, as características da crise atual, os limites de atuação dos bancos centrais e a maneira como os países deverão atravessar um tempo que o próprio Ben Bernanke, presidente do Fed, chamou, anos atrás, de “a era da grande moderação”. OK, mas sujeita a fortes emoções, pelo que estamos presenciando.

Os eventos que sacudiram as bolsas dão voz a intelectuais como Emanuel Wallerstein, que imaginaram o fim da hegemonia americana, a partir do fracasso econômico.

É prematuro tirar conclusões nessa linha. Nem estou seguro de que a economia americana seja, de fato, tão hegemônica. Ela representa 20% do PIB mundial. Certamente é a economia de maior peso, mas daí concluir que é hegemônica, vai uma distância. Com o desenvolvimento humano alcançando outras esquinas do planeta, outras economias se desenvolveram, e está aí a expansão da China, da Índia, de outros países asiáticos. O que se pode afirmar é que as economias, movendo-se em ciclos, às vezes crescem rapidamente, às vezes de modo mais lento, há retrações, expansões, etc. Hoje vemos um movimento descendente da economia americana, abrindo uma crise que deve contagiar outras partes.

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16/03/2008 - 09:56h Descomplicando o ambiente econômico

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ANTÔNIO PALOCCI - O GLOBO

Os melhores e mais modernos estudos econômicos têm mostrado que a realização de reformas institucionais adequadas e bem desenhadas é um dos elementos-chave para o desenvolvimento sustentável das economias, ampliando o bem-estar social de maneira clara e consistente. Evidentemente, não há fórmulas acabadas ou desenhos preconcebidos para as reformas. Cada país ou sociedade deve encarar a construção institucional de acordo com sua dinâmica histórica, política e social.

O Brasil dos anos mais recentes tem trilhado esse caminho. Instituiu o Tesouro Nacional, acabando com a famigerada conta movimento, e criou a Lei de Responsabilidade Fiscal. Também reformou, parcialmente, a previdência privada e, depois, a pública; modificou a Lei de Recuperação das Empresas; melhorou a legislação do crédito; reformou toda a legislação da construção civil; fez a reforma do Judiciário; e implantou o Fundeb.

Ainda hoje o Congresso trabalha pela aprovação de outras reformas: do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, das normas contábeis, das agências reguladoras e do sistema de cadastro para o crédito, o chamado cadastro positivo.

São avanços significativos e de difícil construção.

Mas, ao lado da estabilidade macroeconômica, essas medidas têm grande influência no atual quadro de crescimento duradouro que o país atingiu e vem mantendo, a despeito da grave crise de crédito que chacoalhou a economia mundial nos últimos sete meses.

Recentemente, o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentaram ao Congresso uma nova proposta de reforma tributária. É a segunda vez que o presidente toma essa iniciativa. Na primeira proposta enviada, durante seu primeiro governo, houve algum avanço, como foi o caso da desoneração das exportações e a redução dos tributos sobre a cesta básica.

Mas não se conseguiu aprovar uma reforma ampla.

Nesta nova versão, o governo parece focar no essencial. A proposta é mais simples, porém bem mais objetiva, com metas claras para simplificar os impostos e as contribuições, reduzir o custo e o peso da estrutura tributária, desonerar de forma definitiva as exportações e o investimento para, enfim, melhorar a qualidade da política tributária naquilo que é fundamental.

A unificação da legislação do ICMS é, sem dúvida, a medida mais importante da proposta. Ela eliminará, se for adotada, a verdadeira biblioteca de leis e normas tributárias que existe hoje, dando lugar a uma legislação simples, com poucas alíquotas e uma enorme economia de procedimentos para as empresas, além da tão esperada simplificação dos procedimentos dos fiscos estaduais.

O momento para a aprovação da reforma tributária não poderia ser melhor: a arrecadação federal e de todos os estados da federação tem crescido de forma substancial, permitindo que as alterações propostas signifiquem alívio às atividades econômicas sem comprometer a estabilidade das contas públicas.

Isso se dá principalmente porque os ganhos atuais na arrecadação dos entes públicos é resultado de um ciclo de crescimento econômico longo, que tem impulsionado a produtividade e a lucratividade das empresas, além de seguidos recordes de empregos formais gerados. E uma reforma tributária, facilitada por este ciclo positivo de crescimento, pode significar um novo impulso e um novo fator de sustentabilidade desse mesmo crescimento.

Não importa que o conjunto dos efeitos positivos advindos dessa reforma demore alguns anos para se concretizar. Importa é que as mudanças ocorram na direção correta, sinalizando uma melhora progressiva no ambiente econômico. O Congresso não pode perder esta oportunidade de, dialogando com governadores, prefeitos, empresários, trabalhadores e demais representantes da sociedade, aperfeiçoar a proposta enviada pelo Executivo. Vai, assim, dotar o país de uma estrutura tributária mais leve, eficaz e que ajudará a descomplicar o ambiente econômico, encorajando o empreendedorismo da sociedade.

13/03/2008 - 13:12h Palocci: tempo de “crises ficou para trás”

José Cruz/Terra Magazine
O deputado Antonio Palocci (PT-SP), ministro da Fazenda no primeiro mandato do presidente<br>Lula:
O deputado Antonio Palocci (PT-SP), ministro da Fazenda no primeiro mandato do presidente
Lula: “O mais importante é que o Brasil cresça por um longo período a taxas elevadas”

Raphael Prado - Terra Magazine

Pai da política econômica do primeiro mandato de Lula, o ex-ministro da Fazenda e hoje deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) comemora o crescimento econômico de 5,4% em 2007. Ele define o índice com a mesma palavra do atual ocupante do cargo que já foi seu, Guido Mantega: “robusto”.

Ainda que os críticos, mesmo petistas, acusem a Era Palocci de continuidade da gestão Pedro Malan à frente da Fazenda e Fernando Henrique Cardoso no governo federal, Palocci refuta, nesta entrevista exclusiva a Terra Magazine. Para ele, aquela política, do antecessor, já foi superada:

- (Naquela época) o trabalhador não podia acessar crédito porque ele não tinha segurança no emprego e o empresário não podia investir porque ele não tinha segurança de que o País ia continuar crescendo. Isso é passado e ficou para trás - afirma o ex-ministro.

Antonio Palocci, sabe-se, é médico. Mas procurou inteirar-se das finanças do País quando convidado por Lula para dirigir a equipe econômica que cumpriria os compromissos da “Carta Aberta ao Povo Brasileiro”.

O documento, divulgado às vésperas do primeiro turno da eleição de 2002, pretendia acalmar os mercados, instáveis com a possibilidade de a esquerda chegar ao poder no Brasil. A defesa da inclusão social, na Carta, era um dos pontos - que Palocci acredita estar no rumo certo:

- (Esse) é um crescimento que gera ganhos sociais importantes (…) Eu penso que o Brasil consegue, nesse momento, unir os fundamentos de estabilidade, controle de inflação, uma boa solução do problema de contas externas e entra num ciclo de desenvolvimento bastante robusto.

O ex-ministro da Fazenda comenta ainda a opinião do presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet, que pediu aos países emergentes para aquecerem seus mercados internos. Dessa forma, pensa o dirigente do Velho Continente, os países pobres estariam ajudando os ricos a superar suas crises:

- Na verdade, o que houve nos últimos anos foi que os países em desenvolvimento fizeram a lição de casa - reage.

Palocci fala ainda a Terra Magazine que a crise externa terá “desdobramentos negativos”, mas que não vai comprometer o crescimento do Brasil em 2008. Comenta o desempenho do setor agropecuário (que cresceu 5,3%) e a necessidade de crescimento “por um longo período a taxas elevadas”.

Leia a entrevista do ex-ministro da Fazenda, clique no leia mais.

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13/03/2008 - 10:17h Crédito farto e renda maior fazem consumo das famílias crescer 6,5%

Taxa acelerou ao longo do ano e, no último trimestre, alcançou 8,6%

Luciana Rodrigues e Mariana Schreiber - O Globo

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Com crédito farto e renda em alta, o consumo das famílias brasileiras cresceu pelo quarto ano seguido em 2007. A expansão, de 6,5%, foi a maior desde o início da atual série do IBGE, em 1996. Em 1995, logo após o início do Plano Real e pelos dados com a metodologia antiga do PIB, o consumo das famílias avançou 8,6%.

Na casa de Pedro e Márcia Ribeiro, os gastos em 2007 superaram os de 2006 e, ainda assim, deu para economizar mais. O consumo familiar cresceu cerca de 40%, mas o dermatologista e a analista judiciária conseguiram poupar 20% mais. Além de duas viagens — uma à Argentina e outra ao Rio Grande do Norte —, eles reformaram o quarto de uma das filhas, Maria Eduarda, de 8 anos.

A obra custou R$ 8 mil e, nesse caso, por se tratar de construção civil, entrou nas estatísticas do PIB como investimento.

— No fim das contas, gastamos bem mais que em 2006 — contou Márcia, cuja renda mensal, somada com a do marido, chega a R$ 20 mil.

Segundo o IBGE, a expansão do consumo se deveu ao crescimento de 28,8% nas operações de crédito e ao ganho real de 3,6% no total de salários recebidos pelos trabalhadores.

Analista não vê risco de pressão inflacionária Além de recorde, o consumo das famílias acelerou ao longo de 2007. Começou o ano a um ritmo de 5,7%, frente a igual trimestre de 2006. Entre outubro e dezembro, a taxa subiu para 8,6%. O resultado surpreendeu analistas e levantou temores de que o Banco Central vá subir juros para frear a demanda. Mas, para Francisco Faria, da LCA Consultores, a forte expansão dos investimentos afasta os riscos de pressões inflacionárias.

— Ninguém questiona que o consumo está crescendo de forma acelerada. Mas alguns analistas duvidam se isso é sustentável.

Na nossa visão, não há motivos para preocupação.

Basta ver os investimentos.

Na família da professora Karine de Oliveira e do funcionário da Petrobras Frederico Santos, com renda mensal de cerca de R$ 5 mil, o ano passado foi de investimentos. O casal tomou um financiamento de R$ 20 mil e comprou um apartamento de dois quartos, por R$ 130 mil, em Vila Isabel.

— Tínhamos receio de fazer o empréstimo. Mas, agora, com a estabilidade da economia, dá para se endividar sem medo — disse Karine

05/11/2007 - 13:32h How Brazil Reversed the Curse

SPECIAL REPORT
NEWSWEEK
Latin America used to suffer the deepest gap between rich and poor.

Now it is the only region narrowing the divide.

Christopher Anderson / Magnum Photos for Newsweek

Upwardly Mobile: Middle-class Brazilians

By Mac Margolis | NEWSWEEK

Nov 12, 2007 Issue

Way back in the 1970s, when Brazil’s economy seemed unstoppable, South America’s biggest nation earned a disparaging moniker: Belindia. Society, by this metaphor, was divided into two lopsided parts—a petite and prosperous Belgium surrounded by a vast and destitute India. Pundits spent years parsing the reasons.

But the underlying meaning was hard to miss. While the overall economy boomed, only a tiny elite was blessed. So Brazil rose to become one of the top 10 economies—and one of the most unequal societies—in the world.

Now Brazil may need a new metaphor. One of the most reliably abysmal income gaps in the world has finally started to shrink, and it may herald a region-wide shift. Thanks to a complex cocktail of economic gains such as the end of chronic high (at times hyper-) inflation and plummeting interest rates, soaring enrollments in primary schools and, more recently, plenty of well-targeted cash handouts going directly to the poorest households (bypassing wasteful welfare bureaucracies), Brazil managed to slash the number of people living on $2 a day or less from about 36 percent in 1992 to just over 19 percent last year. Now the gaping divide between Brazil’s haves and have-nots, as measured by the Gini coefficient, is also starting to narrow. Brazil’s fell by 5 percent (.59 to .56) from 2001 to 2006. So have Mexico’s (.543 to .509) and, more modestly, Chile’s (.563 to .562) over the past decade—thanks largely to the same mix of anti-poverty strategies. So rapidly have fortunes turned that Brazil is being hailed by some analysts as an unlikely bellwether for fighting poverty policies worldwide. “The ’90s were the years of economic stabilization,” says economist Marcelo Neri of the Getúlio Vargas Foundation, a Brazilian business school. “This decade is going to be remembered as the era of falling inequality.”

Once again the sages are asking why. Boilerplate economics deserves part of the credit. While the Latin American Street may grumble over “neoliberals,” it was free-market reforms that helped break down a long-encrusted social order that grated especially against the poor.

Greater fiscal responsibility curbed compulsive government borrowing, bringing down interest rates and encouraging lenders to spread credit to even low-income consumers, long written off as unbankable. Chronic high inflation was practically eliminated by the mid-’90s, ending one of the more pernicious taxes on the poor; while governments could be refinanced through bonds that paid just a bit more than the inflation rate, workers watched helplessly while their cash wages melted in their pockets.

“There is clearly now much stronger political commitment to macroeconomic stability and keeping inflation low,” says Anoop Singh, head of the International Monetary Fund’s Western Hemisphere department. “This is good news for bringing down both poverty and inequalities.”

Policymakers also did their part through massive campaigns in the 1990s to get children out of the workplace and into the classroom. Brazil, for example, had 97 percent of school-age kids in the classroom as early as a decade ago; those students are now being rewarded with better jobs.

But one of the most celebrated government initiatives is a new brand of grant to the extremely poor known in policy argot as conditional cash transfers (CCTs). All turn on the same principle of paying a small stipend—say, $10 to $50 per month—to the poorest families on condition that they keep their children in school and take them for regular checkups at the local health clinic.

The most rigorous of the CCT schemes is the decade-old Chile Solidario, which awards small two-year grants to families who must not only keep their children in school but also report to social workers and look for jobs. Mexico’s Oportunidades, begun in 2002, tracks the progress of some 5 million families on a sophisticated computer database, which has caught the attention of officials from Ankara to New York. After a visit to Mexico, New York Mayor Michael Bloomberg launched his own version, Opportunity NYC, last March. The grandest scheme by far is Brazil’s Bolsa Família, or the Family Stipend, which gives some 11.1 million families—nearly a quarter of the 183 million population—up to $50 a month for an unspecified period. (Officials are still debating a cutoff point.) Several stipend programs had been launched in the mid-’90s but they were unified and spread across Brazil after 2003, under the government of Luiz Inácio Lula da Silva.

Economists generally applaud targeted cash transfers on the ground that paying the poor to improve their own lot is far more efficient than throwing money at top-heavy poverty-relief bureaucracies. It is also far cheaper. A textbook case is Brazil, where the government spends more than $500 billion, close to half its GDP, on social programs such as the loss-making pension system that mostly benefits the nonpoor. “With Bolsa Família you reach a quarter of the population by spending just 1 percent of GDP,” says Neri. “That’s a far better deal.” Because of its sharper focus on the poor, Bolsa Família was just as effective in lowering Brazilian inequality as the massive pension system, at only a fifth the cost, Neri says.

Not everyone agrees, of course. In the wrong hands, aid can easily turn into an old-fashioned populist handout. Nicaragua’s Zero Hunger project gives families a cow and three chickens, which is unlikely to change lives, while studies show Brazilian leaders crank up the stipend awards around election time. More worrisome, much less attention has been paid to getting people off the stipend. “There’s something wrong when 50 million people are getting income transfers,” says economist Eduardo Giannetti of Ibmec, a São Paulo business school. “I fear that Bolsa Família is being sold as a way of life and not as an emergency aid program.” Skeptics also point out that the rising poor may sink again if the Brazilian economy softens and the government supply of cash dries up.

Longer-term, transforming society will take much more. “We have to improve education in order to see a real reduction in inequality,” says Naércio Menezes, an education specialist at Ibmec. If not, critics warn, globalization can actually worsen the opportunity gap. “As countries grow faster and globalize, there’s going to be increasing demand for people with tech skills. Unless the education system is geared to meeting those needs, you’ll [find] that the benefits will go to a narrow group of people, and inequality will increase,” says the IMF’s Singh. And Belindia will re-emerge.

With Monica Campbell in Mexico City

© Newsweek, Inc.