16/10/2009 - 08:41h Expansão do Bolsa-Família elevou PIB em R$ 43,1 bilhões, indica estudo

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Economista e aluno do Insper pesquisaram efeitos do projeto na economia dos municípios entre 2004 e 2006

Fernando Dantas, RIO – O Estado SP

A expansão do valor total dos benefícios pagos pelo Bolsa-Família entre 2005 e 2006, de R$ 1,8 bilhão, provocou um crescimento adicional do PIB de R$ 43,1 bilhões, e receitas adicionais de impostos de R$ 12,6 bilhões. Esse ganho tributário é 70% maior do que o total de benefícios pagos pelo Bolsa-Família em 2006, que foi de R$ 7,5 bilhões.

Essas estimativas estão num estudo recém concluído dos economistas Naercio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), antigo Ibmec-São Paulo, e de Paulo Henrique Landim Junior, aluno da graduação do Insper.

O objetivo do trabalho era investigar os efeitos do Bolsa-Família – que hoje atinge 12,9 milhões de famílias – na economia dos municípios. Os pesquisadores investigaram 5,5 mil municípios nos anos de 2004, 2005 e 2006. Os dados utilizados foram o PIB, a população e a arrecadação de tributos nos municípios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e os desembolsos do Bolsa-Família, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

A partir dessa base, Menezes e Landim empregaram métodos estatísticos para calcular o impacto na economia municipal de aumentos dos repasses do programa per capita – os repasses divididos pela população do município (e não pelo número de beneficiários). A conclusão foi de que um aumento de 10% no repasse médio per capita do Bolsa-Família leva a uma ampliação de 0,6% no PIB municipal no ano em que ocorre a expansão e no seguinte.

“O impacto pode parecer pequeno, mas quando analisamos os efeitos levando em conta os números absolutos do PIB, ele é bem grande”, diz Menezes.

A magnitude do efeito do Bolsa-Família no PIB ficou a clara quando os pesquisadores fizeram o que chamaram de “análise de custo-benefício”, tomando os anos de 2005 e 2006. Entre os dois períodos, os repasses do programa subiram de R$ 5,7 bilhões para R$ 7,5 bilhões, num salto de R$ 1,8 bilhão, ou de 30,34%. O valor médio do repasse em 2006 foi de R$ 61,97 por família, e o porcentual da população beneficiada foi de 36,4%.

Considerando-se a relação de 0,6% a mais de PIB para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o aumento de 30,34% em 2006 significa um ganho no conjunto dos municípios – isto é, do País – de 1,82%. Aplicado ao PIB de 2006 de R$ 2,37 trilhões, chega-se ao PIB adicional de R$ 43,1 bilhões. Dessa forma, para cada R$ 0,04 de Bolsa-Família a mais, o ganho de PIB foi de R$ 1.

Menezes fez cálculos adicionais, levando em conta que a distribuição do aumento do Bolsa-Família de 2005 para 2006 não foi homogênea entre todos os municípios brasileiros, e obteve resultados muito parecidos.

Ele diz que aquele efeito explica-se pelo chamado “multiplicador keynesiano”, que faz com que um gasto adicional circule pela economia – de quem paga para quem recebe – várias vezes, aumentando a demanda bem mais do que o seu valor inicial.

A análise dos dois economistas permitiu avaliar também o impacto dos aumentos de repasses do Bolsa-Família nos diferentes setores da economia municipal. O maior efeito foi encontrado na indústria – para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o PIB industrial aumenta 0,81%. Nos serviços, o impacto foi de 0,19%, enquanto na agricultura não foi registrado efeito significativo.

“É possível que a indústria tenha sido mais afetada por causa do aumento de consumo de energia elétrica, água, esgoto e gás das famílias pobres e extremamente pobres que recebem Bolsa-Família”, diz Menezes.

No caso da arrecadação municipal, o estudo indica que um aumento de 10% nos repasses leva a um aumento médio de 1,36%. Levando-se em conta o total de impostos gerados nos municípios em 2006, de R$ 304,7 bilhões, concluiu-se que o aumento de 30,34% do Bolsa-Família provocou uma alta de 4,1% na arrecadação, ou R$ 12,6 bilhões.

NÚMEROS

R$ 7,5 bilhões
foi o total gasto com o Bolsa-Família em 2006

R$ 1,8 bilhão
refere-se à parcela que superou o gasto de 2005

R$ 43 bilhões
foi o PIB gerado pelo gasto adicional com o Bolsa-Família em 2006

R$12,6 bilhões
foi a receita adicional de impostos com o programa em 2006

14/10/2009 - 12:48h É o melhor resultado do ano e o segundo melhor para o mês de setembro da série histórica, desde 1992.

Brasil cria 252 mil vagas em setembro

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LORENNA RODRIGUES da Folha Online, em Brasília

O mercado formal brasileiro registrou a criação de 252.617 empregos no mês de setembro, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho. É o melhor resultado do ano e o segundo melhor para o mês de setembro da série histórica, desde 1992.

É oitavo mês consecutivo em que há crescimento de vagas, puxado principalmente pela indústria de transformação.

O saldo de empregos de setembro deste ano é resultado da contratação de 1,458 milhão e demissão de 1,23 milhão de pessoas e ficou 0,77% acima do estoque de assalariados de agosto.

Nos nove primeiro meses de 2009, foram gerados 932.651 postos, superando as mais de 800 mil vagas fechadas entre novembro e janeiro, por conta da crise econômica. Considerando os últimos 12 meses, foram 298.285 postos.

Setores

O setor da indústria da transformação (vestuário, automóveis, alimentos e outros) foi o que mais gerou empregos, com saldo positivo de 123.318 postos crescimento de 1,68% em relação ao mês anterior. Em seguida, está o setor de serviços, com 62.768 novos postos (crescimento de 0,48%).

No comércio, o saldo foi positivo em 50.301 vagas (+0,71%) e, na construção civil, em 32.667 empregos. Já a agropecuária registrou o fechamento de 17.064 postos de trabalhos, principalmente por conta da entressafra em algumas regiões.

Regiões

A Região Nordeste liderou a criação de empregos, pela primeira vez no ano. Em setembro, o saldo para a região foi positivo em 100.442 postos de trabalho, principalmente por conta das usinas de indústria.

No Sudeste, foram criados 85.864 postos de trabalho, sendo 59.547 em São Paulo. No Sul, foram criadas 40.842 vagas, no Norte, 13.550 e, no Centro-Oeste, 11.919.

23/12/2008 - 09:14h A menor taxa de desemprego desde 1998

Quadro do jornal O Globo

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Nas seis regiões metropolitanas do País pesquisadas, o desemprego ficou em 13% em novembro, o menor desde janeiro de 1998.

E desemprego cai em SP

Com 12,3%, taxa Seade/Dieese é a menor desde fevereiro de 1995, mas coordenador já vê ’sinais leves’ da crise

Carolina Ruhman – O Estado SP

Com critérios diferentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-Econômicos (Dieese) apontou queda do desemprego na região metropolitana de São Paulo para 12,3% em novembro. O resultado é o menor para um mês de novembro desde 1992, quando o desemprego estava em 14,6%. E também é o menor da série desde fevereiro de 1995, quando foi de 12,9%.

A diferença entre os índices ocorre porque, enquanto a pesquisa Seade/Dieese mede todos os tipos de trabalho (em apenas seis regiões metropolitanas), o Caged computa dados de todas as regiões do País, mas apenas nos casos de trabalho com carteira assinada.

Na comparação com outubro, o desemprego na região metropolitana de São Paulo recuou 0,2 ponto porcentual. O contingente de desempregados foi estimado em 1,297 milhão de pessoas, 20 mil a menos do que em outubro.

Em relação ao rendimento médio real, a pesquisa Seade/Dieese apontou aumento de 0,5% em outubro ante setembro. Porém, na comparação com outubro de 2007, houve recuo de 0,9%, passando a R$ 1.216. A massa de rendimentos dos ocupados – índice que combina ocupação e rendimento – cresceu 1,5%. Em relação a outubro de 2007, houve alta de 3,6%.

Nas seis regiões metropolitanas do País pesquisadas, o desemprego ficou em 13% em novembro, o menor desde janeiro de 1998. Em outubro, era de 13,4% e em novembro de 2007, de 14,6%. O levantamento foi feito em Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal. O número de desempregados foi estimado em 2,627 milhões, 71 mil a menos do que em outubro.

O rendimento médio real dos ocupados subiu 0,6% em outubro ante setembro. Em relação a outubro de 2007, cresceu 3,1%, passando a R$ 1.178. A massa de rendimentos dos ocupados subiu 1,5%. Em relação a outubro de 2007, cresceu 8,3%.

Na avaliação dos coordenadores da pesquisa, o mercado de trabalho já começou a sentir os primeiros sinais de que a crise internacional está afetando as contratações. “São sinais leves”, ressaltou o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, ao comparar com países desenvolvidos, mais afetados pela crise, que experimentam altas expressivas no desemprego.

O coordenador chamou a atenção para a queda do desemprego na região metropolitana de São Paulo em novembro. Mas o recuo foi explicado mais pela estabilidade da População Economicamente Ativa (PEA) do que por um aumento nas contratações. Na região, a PEA totalizou 10,546 milhões de pessoas em novembro, apenas 0,1% mais que no mês anterior.

De acordo com a pesquisa Seade/Dieese, a criação de 33 mil vagas em novembro foi compensada com a entrada de 13 mil pessoas no mercado, o que reduziu em 20 mil pessoas o número de desempregados, estimado em 1,297 milhão no período. “A taxa caiu porque menos pessoas se apresentaram ao mercado de trabalho”, disse o coordenador da Fundação Seade, Alexandre Loloian.

Os coordenadores da pesquisa Seade/Dieese também evitaram fazer previsões para dezembro e para o início do ano que vem, destacando a incerteza do cenário econômico.

09/12/2008 - 11:35h PIB cresce 6,8% no terceiro trimestre; no ano, expansão é de 6,4%

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

Atualizado às 9h17

A economia brasileira teve expansão de 6,8% no terceiro trimestre de 2008, na comparação com igual período no ano passado. No acumulado do ano, o incremento do PIB (Produto Interno Bruto) chega a 6,4% em relação ao período de janeiro a setembro de 2007, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira.

Em relação ao segundo trimestre de 2008, o PIB cresceu 1,8%. Ao todo, a economia movimentou R$ 747,3 bilhões de julho a setembro.

A taxa acumulada dos últimos 12 meses (encerrados em setembro) indica alta de 6,3% do PIB em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

As taxas de crescimento no ano (6,4%) e em 12 meses (6,3%) são recordes desde o início da série, em 1996.

O IBGE revisou o PIB de 2007, que subiu de 5,4% para 5,7%. O PIB do primeiro trimestre de 2008 subiu de 5,9% para 6,1%, e o do segundo trimestre passou de 6,1% para 6,2%.

O investimento, medido pela chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), cresceu 19,7% no terceiro trimestre, se comparado a igual período no ano anterior. Na comparação com o segundo trimestre, houve incremento de 6,7%. De janeiro a setembro, a taxa de investimento aumentou 17,3% em relação ao período de janeiro a setembro de 2007.

O setor industrial cresceu 7,1% em relação ao terceiro trimestre de 2007, e acumula 6,5% no ano. Na comparação com o segundo trimestre, a indústria teve expansão de 2,6%, e nos últimos 12 meses, tem alta de 5,8%.

O setor de serviços registrou incremento de 5,9% frente ao terceiro trimestre de 2007 e de 5,5% de janeiro a setembro. Em relação ao segundo trimestre, o segmento aumentou 1,4%, e nos últimos 12 meses, tem alta de 5,7%.

O setor agropecuário cresceu 6,4%, na comparação com o período de julho a setembro do ano passado. No ano, essa expansão chega a 6,7%. Em relação ao segundo trimestre de 2008, a agropecuária teve alta de 1,5%, e nos últimos 12 meses, acumula incremento de 7,2%.

A taxa de investimento no terceiro trimestre representou 20,4% do PIB. Foi o maior nível para um terceiro trimestre desde o início da série, em 2000.

Consumo

O consumo das famílias aumentou 7,3% no terceiro trimestre, e acumula alta de 6,5% de janeiro a setembro, sempre na comparação com iguais períodos em 2007. Em relação ao segundo trimestre, constatou-se crescimento de 2,8%, e nos últimos 12 meses, acumula incremento de 6,7%.

O consumo do governo registrou alta de 6,4% no terceiro trimestre deste ano, se comparado a igual período em 2007. No ano, essa elevação ficou em 5,7%. Em relação ao segundo trimestre deste ano, o consumo do governo aumentou 1,5%, e nos últimos 12 meses, acumula expansão de 5,1%.

O PIB, que mostra o comportamento de uma economia, é a soma das riquezas produzidas por um país –é formado pela indústria, agropecuária e serviços. O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

27/11/2008 - 08:07h Déficit público tem menor nível em 17 anos

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Sob influência do aumento da arrecadação, saldo negativo de conta que inclui gasto com juros recua 94% até outubro

Economia para pagar juros supera meta do ano e atinge R$ 133 bi; relação dívida/PIB recua a 36,6%, sob efeito da alta do dólar

NEY HAYASHI DA CRUZ – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Sob influência do forte aperto fiscal promovido pelo governo, o déficit público alcançou no mês passado o nível mais baixo já registrado no Brasil desde 1991, quando o Banco Central começou a calcular essa estatística com a atual metodologia.

Entre janeiro e outubro, as despesas do setor público -que inclui governo federal, Estados, municípios e estatais- superaram as receitas em R$ 1,835 bilhão.

Esse saldo negativo, também chamado tecnicamente de déficit nominal, inclui ainda os gastos com os juros da dívida pública e é 94% menor do que o apurado no mesmo período de 2007.

Nos últimos 12 meses, o déficit nominal acumulado corresponde a 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto), também o mais baixo em 17 anos.

No ano fechado de 2007, essa proporção ficou em 2,3%. Quanto menor esse déficit, maior é o equilíbrio entre as receitas e as despesas do setor público.

Entre os fatores que ajudam a explicar esse resultado, está o crescimento da economia, que colabora para o aumento na arrecadação de tributos, tanto por parte da União quanto de Estados e municípios.

A receita apurada por Minas Gerais e São Paulo com a cobrança de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), por exemplo, cresceu, respectivamente, 10,5% e 8,6% entre janeiro e setembro deste ano, quando comparada com o mesmo período de 2007.

O governo federal também segue na mesma linha, com um crescimento de 10,3% na arrecadação de tributos entre janeiro e outubro deste ano. Além disso, a União também conta com uma queda no déficit da Previdência, reflexo do aumento na oferta de empregos com carteira assinada. Entre 2007 e 2008, segundo dados fechados no mês passado, esse déficit caiu de R$ 44,9 bilhões para R$ 33,7 bilhões.

Economia

Graças a tudo isso, o setor público economizou R$ 132,9 bilhões nos primeiros dez meses do ano para pagar os juros de sua dívida, 24,7% a mais do que em 2007.

Essa economia feita até agora, chamada de superávit primário, já supera a meta estabelecida para todo o ano de 2008, que é de aproximadamente R$ 124 bilhões.

Os pagamentos de juros da dívida, por sua vez, estão praticamente estáveis. Entre janeiro e outubro deste ano, os gastos com esses encargos somaram R$ 134,7 bilhões, 0,4% a menos do que em 2007.

O resultado se explica pela redução ocorrida, até o primeiro semestre, na taxa Selic, um dos principais indexadores da dívida pública.

Além disso, a recente alta do dólar também aumenta a lucratividade das operações feitas pelo BC no mercado de câmbio, e essa receita ajuda a compensar parte dos gastos públicos com juros.

A valorização da moeda dos EUA também ajuda a reduzir o próprio saldo do endividamento público, pois leva a uma alta, em reais, do valor das reservas em moeda estrangeira mantidas pelo BC.

No mês passado, a dívida somava R$ 1,088 trilhão, valor R$ 61,8 bilhões menor do que o saldo apurado no fim de 2007.

Quando comparada com o PIB, a dívida pública atingiu, em outubro, o nível mais baixo desde setembro de 1998. O endividamento registrado no mês passado corresponde a 36,6% de todas as riquezas produzidas no país nos últimos 12 meses.

15/11/2008 - 16:42h IBGE: PIB ainda mostra concentração

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Distrito Federal tem a maior renda per capita do país e Piauí, a menor

Liana Melo – O Globo

O Brasil começou a ensaiar os primeiros passos no sentido de reduzir sua concentração econômica, mas ainda assim 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) continuaram a ser gerados, em 2006, por sete estados mais o Distrito Federal. Este grupo é composto por São Paulo, Rio, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Santa Catarina.

A capital do país manteve ainda a maior renda per capita nacional. No Distrito Federal, este valor foi de R$ 37.600 em 2006, o que significou três vezes o PIB per capita geral (de R$ 12.688).

São Paulo, a principal economia do país, perdeu representação no PIB nacional entre 2002 e 2006. A economia paulista, que tinha um peso de 34,6% em 2002, caiu para 33,9% quatro anos depois. Segundo Frederico Cunha, gerente de Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por ser a locomotiva econômica do país, São Paulo tende a sofrer mais com os baixos resultados do nível de atividade industrial.

— Do mesmo modo que São Paulo sofre em anos de baixa atividade econômica, também se recupera rapidamente quando o país volta a crescer — explicou Cunha.

O Rio, por sua vez, aumentou sua participação no PIB, de 11,60%, em 2002, para 11,62%, em 2006. A ligeira queda de São Paulo foi compensada pelo pequeno aumento de participação do Rio, o que acabou conferindo à região Sudeste do país um aumento de 56,7% do PIB, em 2002, para 56,8% em 2006. Pelos dados do IBGE, o valor nominal do PIB de São Paulo e Rio de Janeiro eram, respectivamente, de R$ 802,5 bilhões e R$ 275,3 bilhões.

Apesar de não constar do clube das oito maiores economias do país, o Ceará foi o estado que mais cresceu em 2006: 8%, bem acima da média nacional, 4%. O desempenho da economia cearense foi seguida praticamente por toda a região Nordeste. A explicação, segundo Cunha, é que o comércio, setor da economia que tem peso importante na região, apresentou um bom desempenho em 2006. O impulso para estimular as vendas veio do aumento da massa salarial e dos recursos liberados pelos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.

De 2002 a 2006, segundo o IBGE, o peso da região Nordeste no PIB nacional cresceu de 13% para 13,1%.

Enquanto o Distrito Federal manteve a liderança no ranking do PIB per capita anual, os estados do Maranhão e Piauí continuaram a ocupar as últimas posições no ranking do IBGE: R$ 4,6 mil e R$ 4,2 mil, respectivamente.

Já em São Paulo, dono do maior PIB nacional, a renda per capita foi de R$ 19.548 e no Rio, de R$ 17.695.

— Como para alguns estados, como o Distrito Federal, a a administração pública tem muita importância, movimentos de contenção de despesas podem ter força para afetar o resultado do PIB — afirmou Cunha, referindo-se a eventuais reduções de gastos devido à crise econômica.

12/11/2008 - 15:32h Índice aponta forte desigualdade salarial entre os sexos no Brasil

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Assis Moreira – Valor Econômico para o Valor Online

GENEBRA – O Brasil fica na 100ª posição entre 130 economias num índice de desigualdade salarial entre homens e mulheres, publicado hoje pelo Fórum Mundial de Economia, em Genebra.

Segundo o estudo, que mistura estatísticas de outras entidades, as mulheres receberiam até 42% a menos que os homens por trabalho similar no país.

Em termos de influência política das mulheres, o Brasil cai para a 110ª posição, refletindo pouca presença feminina em cargos públicos comparado a outros países.

No Índice Geral de Desigualdade entre os Sexos, considerando diferenças na economia, política, educação e saúde, o Brasil é colocado em 73ª posição, atrás de países como Lesoto, Namíbia, Uganda, Honduras e Botswana.

Os países nórdicos, com a Noruega na liderança, têm a menor desigualdade entre os sexos, a Alemanha fica em 11ª e os EUA na 27ª posição.

O relatório é assinado pelos economistas Laura Tyson, que é professora da Universidade da Califórnia e assessorou o ex-presidente americano Bill Clinton; Richard Haussmann, da Universidade de Harvard, e por uma assessora do fórum, Saadia Zahidi. Segundo o estudo, houve progressos no mundo inteiro para reduzir a diferença existente entre os sexos, menos no acesso à saúde.

10/11/2008 - 10:55h Salário da indústria sobe 7,9% em 12 meses e emprego industrial cresce

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Emprego industrial cresce 0,1% em setembro, aponta IBGE

Folha de pagamento real da indústria registra resultados positivos em todas as bases de comparação no mês

Jacqueline Farid, da Agência Estado

RIO – O emprego industrial registrou alta de 0,1% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal, segundo divulgou nesta segunda-feira, 10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com setembro do ano passado, houve aumento de 2,2%. O índice de média móvel trimestral da ocupação na indústria, considerado o principal indicador de tendência, registrou alta de 1,1% no trimestre encerrado em setembro ante o terminado em agosto. No ano, o emprego industrial acumula alta de 2,7% e em 12 meses, de 2,9%.

A folha de pagamento real da indústria registrou resultados positivos em todas as bases de comparação em setembro. Houve alta de 2,7% ante agosto; de 7,9% ante setembro do ano passado e aumento acumulado de 6,8% no ano e de 6,7% em 12 meses. O índice de média móvel trimestral da folha de pagamento real registrou aumento de 1,3% no trimestre encerrado em agosto ante o terminado em setembro.

Entre os 18 setores pesquisados, o valor da folha de pagamento real aumentou em 13, com os impactos positivos mais importantes vindos de meios de transporte (16,0%), máquinas e equipamentos (12,4%), metalurgia básica (19,3%), produtos de minerais não-metálicos (20,7%) e produtos de metal (13,3%). Em sentido oposto, os principais recuos vieram de papel e gráfica (-2,3%) e têxtil (-2,7%).

O emprego industrial aumentou em 12 dos 14 locais investigados pelo IBGE em setembro, na comparação com igual mês do ano passado. Os Estados de São Paulo (2,6%), Minas Gerais (5,2%) e Rio Grande do Sul (3,3%) exerceram as pressões mais significativas no resultado geral. Por outro lado, Santa Catarina (-1,9%) e Paraná (-0,3%) foram as influências negativas na ocupação do setor.

Em nível nacional, as atividades que foram destaque no crescimento do emprego em setembro foram máquinas e equipamentos (10,2%), meios de transporte (8,2%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (10,2%), produtos de minerais não-metálicos (8,1%) e alimentos e bebidas (1,9%). As principais quedas foram apuradas em vestuário (-7,1%), madeira (-11,3%) e têxtil (-6,5%).

12/10/2008 - 13:04h A Folha em campanha

Na Folha de hoje uma manchete diz, “estatísticamente”,  que “nunca” em São Paulo alguém ganhou a eleição tendo começado o segundo turno em segundo lugar nas pesquisas.

Vejam quanto pensamento sofisticado: A) a pesquisa define quem é o primeiro, B) o primeiro nas pesquisas no segundo turno sempre ganhou a eleição em São Paulo.

A mensagem é: fiquem em casa, a questão foi resolvida. A missa foi dita.

A afirmação se baseia em apenas 4 eleições, desde 1992, nas quais o segundo turno foi adotado. 4 eleições não constituem base estatística para nada. A Folha poderia de igual maneira proclamar: Nunca o prefeito em exercício foi reeleito em São Paulo, desde que a reeleição foi aprovada.

Como se vê, a escolha do artigo do jornal faz parte da campanha eleitoral da Folha em favor de Kassab e não de uma constatação ou de qualquer curiosidade estatísticamente significativa. Até porque, a Marta ganhando a eleição, a Folha poderá sempre proclamar: pela primeira vez em São Paulo, o segundo na pesquisa, vence a eleição. Confirmando as estatísticas, nunca um prefeito conseguiu se reeleger na cidade. LF