25/11/2008 - 18:23h Fantasias de um visionário

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Um revolucionário do teatro americano nos anos 1960, o diretor Robert Wilson volta ao Brasil para mostrar fotos de estrelas e explicar sua obra numa palestra

Antonio Gonçalves Filho – O Estado SP


Diretores de teatro, de maneira geral, carregam dentro de si uma grande frustração, justamente por ser a direção uma forma evanescente de arte. Assim, é lícito que um deles, de vez em quando, arrisque outra empreitada, mesmo correndo o risco de não ser tão bem sucedido. O diretor norte-americano Robert Wilson, que desde os anos 1960 é considerado um inovador tão importante como foram Brecht ou Artaud em sua época, decidiu aceitar a proposta de realizar uma série de fotografias e vídeos de alta definição, Voom Portraits, agora exposta no Sesc Pinheiros, onde faz amanhã, às 20h30, uma palestra.

Não é a primeira vez que Robert Wilson vem ao Brasil. Parceiro das primeiras óperas do compositor minimalista Philip Glass (Einstein on the Beach) e de músicos populares como Tom Waits e David Byrne, Wilson fez sua estréia em São Paulo há 35 anos, trazido pela atriz e empresária Ruth Escobar. Nesta entrevista ao Estado, ele lembra o choque de desembarcar num país que imaginava atrasado – o título da peça, Time and Life of Joseph Stalin, foi alterado para despistar a censura militar – e constatar que São Paulo era até uma metrópole menos conservadora, multiétnica e “excitante”que Nova York.

De Wilson, o público brasileiro viu posteriormente uma montagem de Ibsen (Quando nós, os Mortos, Despertarmos), mais alinhada com a imagem de seu teatro formalista, que dramatiza a “crise da linguagem” recorrendo a elementos mínimos e gestos econômicos, coreografados, dos atores. São trabalhos mais representativos que sua exposição de fotografias e vídeos em cartaz no Sesc Pinheiros. Nela, o diretor deixa de lado a linguagem como “artefato social” e recorre à imagem pura, retornando a um estágio pré-verbal que não lhe cai bem. Prova maior é a foto em que a atriz Winona Ryder aparece enterrada até o pescoço como a Winnie de Dias Felizes, de Beckett, ilustração paródica que esvazia o conteúdo da peça original sem acrescentar muito à vida da melancólica e madura Winnie, a mulher que passa o tempo escovando os dentes e lembrando histórias do passado ao tocar objetos pessoais.

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Você tem discutido a obra de Beckett com freqüência nos últimos anos, mas nunca montou uma peça dele, a despeito da identidade formal existente entre Beckett e sua maneira de esculpir imagens no palco. A escolha de Winona Ryder como modelo de uma possível Winnie de Dias Felizes pode indicar um desejo oculto de encenar a peça? Que semelhanças você vê entre o seu trabalho e o de Beckett?

Eu e Beckett temos muitas coisas em comum. Seus atores favoritos são os profissionais de vaudeville e do cinema mudo, como Buster Keaton e Charlie Chaplin. Os meus também. Em suas peças, ele não apenas escreve os textos como cria imagens. Faço o mesmo. Como complemento do retrato de Winona Ryder em Dias Felizes, acabo de dirigir, no Grand Théâtre de Luxembourg, em Spoleto, uma montagem com Adriana Asti. No próximo verão europeu, no Festival de Spoleto, vou atuar no monólogo A Última Gravação de Krapp.

Em Dias Felizes, Winnie é enterrada até o pescoço, envolvida em atividades banais como escovar os dentes ou relembrar o passado por meio de objetos pessoais. Você parece vê-la como uma erupção no asfalto, um ser imóvel rodeado de objetos organizados com precisão doentia, como se fosse uma bizarra composição de Joel-Peter Witkin, o fotógrafo que faz naturezas-mortas com flores e cadáveres. Como vê seu trabalho?

Não o conheço.

Em sua eclética série Voom Portraits, celebridades viram ícones culturais. Há alguma razão especial para ter escolhido Brad Pitt e colocá-lo de cuecas e meias sob uma chuva torrencial? O que essa imagem representa para você?

Brad é um deus da nossa época. É reconhecido em qualquer cultura, em qualquer país. Dramaturgos sempre escreveram sobre deuses de seu tempo. Os gregos falaram de Hércules, Racine ressuscitou Fedra. Eu fiz peças sobre Einstein, Freud e Stalin.

A série sugere fotografias publicitárias ou “stills”, mas, num olhar demorado, revelam sua linguagem teatral, feita de movimentos mínimos e gestos coreografados. Uma vez que cada uma dessas fotografias tem sua própria trilha sonora, composta por seus colaboradores, como é que trabalha essa correspondência entre imagem e som?

É algo que não sei explicar. É intuitivo. Faço o que acho certo. Não colocaria um tema musical escrito para Robert Downey Jr. para acompanhar a imagem de Brad Pitt, nem trocaria o tema de Brad pelo de Johnny Depp. Esses retratos são minha resposta pessoal para diferentes personalidades.

Você fez um retrato, que não está na mostra, em que Isabelle Huppert imita Greta Garbo, forçando-nos a repensar a idéia tradicional de portrait, especialmente por você ter adotado a foto de Garbo por Edward Steichen como modelo. Essa foto foi concebida como paródia ou tributo a Steichen?

Como tributo a Steichen. Na primeira vez que vi Isabelle Huppert, por volta de 1970, disse a ela que se parecia com Greta Garbo. Isabelle ficou surpresa com a comparação. Dez anos mais tarde, ao falar mais uma vez com ela, mostrei novamente meu espanto com as semelhanças entre Isabelle e Garbo. Ela disse que eu era a única pessoa a notar essa semelhança. Trabalhei com Isabelle várias vezes depois disso, e ela, de certo modo, foi sempre Greta Garbo, o que explica o retrato da série.

Sean Penn recusou ser Rembrandt em sua série e você aceitou que ele fosse Sean Penn. Por que atores, de modo geral, sempre querem ser eles mesmos e parecerem outras pessoas quando são fotografados? A série trouxe uma possível resposta a essa questão?

Esses retratos foram feitos em colaboração com os atores. Não tive nenhum problema por Sean Penn se recusar a ser Rembrandt. O mais importante foi que ele se sentiu confortável no contexto de meu trabalho.

Suas montagens são invariavelmente identificadas pela pureza formal, pelo uso das cores e luzes certas, a tal ponto que tanto as óperas como as peças teatrais freqüentemente transmitem a impressão de que estamos diante de ?tableaux vivants?, especialmente em Quando Nós, os Mortos, Despertamos, de Ibsen. Por que seu trabalho tem tanta ênfase no movimento, mas os atores de suas peças parecem mortos? Você concorda com a descrição que Holmberg faz de seu trabalho, que o define como uma obra destinada a “superar Beckett”, no sentido de que o seu é um “silêncio que fala”?

O meu é um trabalho de teatro formal, em que as emoções são contidas e não precisam ser exteriorizadas. Isso é praticamente desconhecido no teatro ocidental, onde os atores tentam agir naturalmente e se projetam para fora. No teatro formal, há uma certa distância, destinada a preservar a reflexão. Talvez para algumas pessoas isso possa significar falta de expressão ou até mesmo sugerir uma aparência cadavérica, mas, olhando mais de perto, é possível sentir algo diferente.

http://adage.com/images/bin/image/medium/robertwilson.jpgA primeira vez que seu nome foi mencionado no Brasil vivíamos ainda nos tempos da ditadura, isto é, nos anos 1970, quando Ruth Escobar convidou-o para encenar aqui Time and Life of Joseph Stalin, que teve seu título trocado para enganar a censura da época. Qual foi, então, sua primeira impressão do país?

Minha impressão era de que não havia aí nada velho, que Nova York parecia a Europa em comparação ao Brasil. Era excitante ver uma cidade como São Paulo repleta de representantes de várias etnias e estar instalado no 27º andar de uma torre construída num ambiente moderníssimo. São Paulo parecia ter uma bateria inesgotável, capaz de funcionar 24 horas sem recarga.

No próximo ano você vai adaptar os sonetos de Shakespeare numa montagem do Berliner Ensemble com música de Rufus Wainwright (cantor norte-americano assumidamente gay). Como é sua interpretação pessoal dos sonetos shakesperianos? São eles declarações de amor de natureza homossexual?

Em primeiro lugar, não interpreto obras. Interpretação não é responsabilidade do diretor, do ator, do compositor ou do escritor. Interpretação é para o público. Vejo os sonetos como obras cheias de significados, de histórias, a não necessariamente dependentes de uma idéia específica, mas abertas e livres para contemplação.

Entre os compositores de óperas que você escolheu, Wagner ocupa o principal posto. O que o conceito wagneriano de Gesamtkunstwerk (obra de arte total) representa para você? Apenas um termo genérico que define a combinação de teatro, música, dança e artes visuais ou uma declaração de princípio?

Digo apenas que a idéia que Wagner tinha da Gesamtkunstwerk remete ao significado original da palavra ópera, que significa apenas obra, trabalho, em latim.

16/06/2008 - 16:18h Europeus encontram três “superterras” no espaço

da Reuters, em Washington

Pesquisadores europeus anunciaram nesta segunda-feira (16) a descoberta de um grupo de três planetas que podem ser considerados “superterras” orbitando uma estrela, assim como dois outros sistemas de planetas. Para os cientistas, as descobertas sugerem que planetas similares à Terra são bastante comuns.

A equipe, do Observatório de Genebra, liderada por Michel Mayor, utilizou um novo equipamento, chamado Harps, presente em um telescópio do ESO (Observatório Europeu do Sul), localizado no Chile, para fazer a descoberta.

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Concepção artística do grupo de planetas descobertos por uma equipe européia utilizando telescópio localizado no Chile

Até o momento, 270 dos chamados exoplanetas (de fora do nosso Sistema Solar) foram encontrados. A maioria é gigante, semelhantes a Júpiter ou Saturno. Planetas menores, mais próximos do tamanho da Terra, são muito mais difíceis de encontrar.

Os três planetas descobertos são maiores que a Terra –um tem 4,2 vezes o tamanho do nosso planeta, o segundo tem 6,7 vezes e o terceiro, 9,4 vezes. Eles orbitam a estrela, chamada HD 40307, um pouco menos maciça que o Sol.

Nenhum desses planetas pode ser fotografado a essas distâncias, mas podem ser vistos indiretamente por meio de ondas de rádio ou, no caso do Harps, medições espectrográficas. A medida que o planeta percorre sua órbita, faz com que sua estrela vibre levemente e isso pode ser medido.

“Com o advento de instrumentos muito mais precisos como o Harps nós podemos agora descobrir planetas menores, com massas entre 2 e dez vezes a massa da Terra”, afirma Stephane Udry, que também participou do estudo.

Os três planetas descobertos pelos pesquisadores de Genebra orbitam sua estrela a velocidades extremamente rápidas: um deles faz uma volta em torno da estrela em apenas quatro dias, o segundo demora 10 dias e o mais lento leva 20 dias –em comparação com a Terra, que demora cerca de 365 dias para fazer o trajeto em volta do Sol.

A equipe também descobriu um planeta com massa de 7,5 vezes a da Terra orbitando a estrela HD 181433, que também tem um outro planeta semelhante a Júpiter. Um outro sistema, descoberto pelos pesquisadores, tem um planeta com 22 vezes a massa da Terra e um planeta semelhante a Saturno.

“Claramente, esses planetas são apenas a ponta de um iceberg”, afirmou Mayor. “As análises de todas as estrelas estudadas com o Harps mostram que cerva de um terço de todas as estrelas semelhantes ao Sol têm ’super Terras’ ou planetas semelhantes a Netuno com períodos orbitais menores que 50 dias”.

29/05/2008 - 09:29h ‘Religião e ciência devem ficar separadas’

A principal referência do evolucionismo fala sobre o debate com criacionistas e propõe uma demarcação de campos de intervenção

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Carlos Orsi – O Estado de São Paulo

Ciência e religião podem conviver, mas não devem se misturar. Essa é a receita que o biólogo americano Douglas Futuyma oferece para evitar conflitos como os que ocorrem nos EUA, em torno do ensino da teoria da evolução em escolas públicas. Futuyma é um veterano dessas batalhas, tendo sido presidente da Sociedade Americana para o Estudo da Evolução e editor da revista científica especializada Evolution. É autor, entre outros livros, de Science on Trial: The Case for Evolution (Ciência em Julgamento: O Caso em Favor da Evolução), sobre o embate entre o ensino da evolução e do criacionismo, e de Biologia Evolutiva, uma das principais obras usadas no ensino da evolução nos cursos universitários brasileiros de Biologia. Futuyma está no Brasil nesta semana, para uma série de três palestras da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A primeira delas, anteontem, foi “A Biologia Evolutiva, 150 anos após a publicação de A Origem das Espécies”. A de ontem teve como tema “Evolução e o Ataque à Ciência”, sobre o duelo com os criacionistas, e hoje o tema é “A Evolução de Associações entre Insetos e Plantas Hospedeiras”. A palestra de anteontem superlotou a sala de defesa de teses do Instituto de Biologia da universidade, com estudantes e professores em pé, junto às paredes e sentados nos corredores para ouvir o cientista fazer um balanço dos avanços no estudo da evolução biológica ao longo do último século, principalmente a partir da descoberta do código genético. “Os genomas não fazem sentido sem a vinculação com a evolução, e hoje também podemos estudar a influência dos genes na evolução das espécies”, disse ele à platéia. Antes de iniciar a palestra, Futuyma falou à reportagem do Estado.

link Entenda o uso das células-tronco

Como está a teoria da evolução hoje, 150 anos depois de sua formulação inicial?

Mais forte que nunca. Gostaria de começar dizendo algo sobre a palavra “teoria”. Essa palavra é mal compreendida, nos EUA e, talvez, no Brasil também. Para muita gente, teoria é algo como uma idéia, um palpite. Em ciência, no entanto, usamos “teoria” de um modo diferente. Físicos falam em teoria quântica, teoria atômica, e não estão fazendo especulações vazias. Eles têm muita certeza daquilo que dizem. Em ciência, “teoria” significa um corpo de explicações que dá conta de uma ampla gama de observações, e forma um corpo de conhecimento muito forte. Nos últimos 150 anos, a teoria da evolução cresceu e acumulou evidências em seu favor. Por exemplo, no tempo de Darwin (Charles Darwin, autor de A Origem das Espécies, primeira obra a expor a teoria da evolução, publicada em 1859) não sabíamos sobre DNA, sobre genes, não sabíamos como as características passavam dos pais para filhos. Agora, usamos DNA para entender melhor a evolução, e a evolução para entender melhor o funcionamento dos genes. Outro exemplo: Darwin sugeriu, em 1866, que humanos e chimpanzés vinham de um ancestral comum, e agora sabemos, graças ao DNA, que ele estava certo, porque o DNA humano e dos chimpanzés coincide em mais de 90%.

O debate entre evolução e criacionismo causa polarização. A evolução parece ser o único tema, no currículo de ciências, a provocar reações tão extremas. Por quê?

É precisamente porque as pessoas resistem muito à idéia de que surgimos por meio de um processo puramente material, a partir de outras formas de vida. É uma idéia que preocupa. É vista como uma ameaça à dignidade humana, talvez. E também uma ameaça às crenças religiosas, porque dizem que os seres humanos são muito especiais, foram deliberadamente criados por um Criador bondoso que se importa com elas. Creio que é por isso que a evolução causa uma reação tão emocional.

Mas essa ameaça é real? O sentimento humano de ser protegido por um Criador onipotente está mesmo sob ameaça, ou se trata de um mal-entendido?

Creio que é possível aceitar a evolução totalmente e, ao mesmo tempo, preservar crenças religiosas e teológicas. E digo isso porque há milhões de pessoas que fazem isso. Incluindo inúmeros cientistas, que aceitam a religião e aceitam as evidências a favor da evolução, incluindo a evolução da espécie humana. O papa anterior (João Paulo II) escreveu um documento dizendo que a evidência a favor da evolução é tão forte que a teoria deveria ser aceita como mais que pura especulação. No entanto, o papa disse que isso não significa que existe uma explicação biológica para a alma. Há muitas pessoas que têm crenças religiosas e acreditam na evolução. Mas elas são cuidadosas em separar uma coisa da outra. Elas defendem que há lugares onde a ciência não deve entrar, por exemplo, na questão dos valores, da ética, da moralidade, coisas sobre as quais a ciência não tem nada de útil a dizer, e onde não deveria se meter. Mas, em compensação, quando se tenta explicar o mundo natural, quando se tenta explicar as coisas que acontecem na natureza, com animais, plantas, rochas, estrelas ou átomos, a abordagem científica não pode admitir a religião. É preciso separar e manter separado.

Quem é: Douglas Futuyma

É professor de Ecologia e Evolução, na State University of New York

Autor de “Biologia Evolutiva”, um dos livros mais usados para o ensino da evolução nas faculdades brasileiras

Participou ativamente dos embates entre evolucionistas e criacionistas nos Estados Unidos, durante os anos 80

08/04/2008 - 04:25h Descoberta uma versão reduzida do Sistema Solar

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foto de Saturno realizada pela espaço-nave Cassini

Planetas encontrados são semelhantes a Júpiter e Saturno

O Globo

BELFAST. Astrônomos já identificaram mais de 300 planetas fora do nosso Sistema Solar. São dezenas os sistemas planetários revelados. Mas agora, pela primeira vez, os cientistas encontraram um sistema planetário similar ao nosso. Ele fica a 5 mil anos-luz (um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros) da Terra. Martin Dominik, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, autor da descoberta, disse que o novo sistema tem dois planetas parecidos com Júpiter e Saturno.

Dominik acredita que existam mais sistemas semelhantes ao nosso. É só uma questão de tempo antes que sejam identificados.
Esses sistemas seriam lugares adequados para a busca de vida extraterrestre.

— Encontramos um sistema com dois planetas com as mesmas funções de Júpiter e Saturno.

Eles têm massa, raio de órbita e período de órbita similares — disse o cientista, que apresentou a descoberta no encontro da Sociedade Real de Astronomia do Reino Unido, em Belfast, na Irlanda do Norte.

Cientistas procuram astro similar à Terra Segundo o cientista, parece que eles se formaram da mesma forma que os planetas do Sistema Solar. Isso pode significar que o Sistema Solar não é o único no Universo e poderia haver outros com planetas como a Terra. O novo sistema planetário orbita ao redor da estrela OGLE-2006-BLG-109L.

— É uma espécie de versão reduzida do Sistema Solar. A estrela na qual os planetas orbitam têm metade da massa do Sol. Eles ficam a uma distância de sua estrela que é a metade da existente entre Júpiter e Saturno e o Sol — acrescentou Dominik.

Ele explicou que os planetas foram descobertos com o uso de uma técnica chamada microlente gravitacional. O objetivo dos astrônomos é descobrir planetas como Marte ou habitáveis como a Terra. Eles acham que isso poderá ser alcançado a curto prazo porque houve grandes avanços tecnológicos.

— Nos próximos anos vamos ter eventos muito emocionantes — afirmou.

Por enquanto, Dominik não sabe se há alguma chance de descobrir um planeta com as mesmas características da Terra no OGLE-2006-BLG-109L.

O sistema é muito distante para ser estudado com as atuais técnicas de investigação.

20/03/2008 - 08:24h Um novo mundo

Transiting exoplanet HD 189733b

O GLOBO 

Um composto orgânico foi detectado pela primeira vez na atmosfera de um planeta fora do Sistema Solar — um passo significativo para a descoberta de sinais de vida num mundo distante, segundo cientistas. Usando dados gerados pelo Telescópio Espacial Hubble, astrônomos conseguiram detectar a presença de metano na atmosfera do planeta HD 189733b, que tem aproximadamente o tamanho de Júpiter e está a 63 anos-luz (um ano-luz tem 9,5 trilhões de quilômetros) da Terra, na constelação de Vulpecula.

O estudo, publicado na última edição da “Nature”, confirma ainda a existência de moléculas de água na atmosfera do planeta. Sob determinadas condições, a junção de água e compostos orgânicos produz vida.

Moléculas orgânicas contêm carbono e hidrogênio e são encontradas em criaturas vivas.

O metano, por exemplo, está presente no gás natural e também nos gases expelidos pelo gado. Mas os cientistas rapidamente explicaram que esse distante planeta — com temperaturas médias de mil graus Celsius, capaz de derreter prata — não poderia abrigar nenhuma forma de vida.

— No caso específico desse planeta que observamos, o metano não poderia ter sido produzido biologicamente — afirmou Giovanna Tinetti, da University College, de Londres, uma das pesquisadoras que participaram do estudo.

— É bastante improvável que vacas sobrevivam por lá — brincou a cientista.

Em entrevista ao GLOBO publicada esta semana, um dos maiores especialistas em astrobiologia do mundo, o alemão Wolfgang Kundt, chamava atenção para o fato de que o surgimento de vida dependia da presença de 40 elementos químicos na superfície, além de um ambiente de temperatura e pressão estáveis.

O planeta extra-solar é um “Júpiter quente”, similar ao gigante gasoso do nosso Sistema Solar, mas que alcança temperaturas extremamente elevadas devido a sua órbita, muito próxima de sua estrela.

O importante, no entanto, apontam os cientistas, é a perspectiva de usar o mesmo tipo de tecnologia de observação em outros planetas com características menos hostis ao surgimento e evolução de formas de vida, acrescentou a especialista.

O HD 189733b é um dos mais de 270 planetas já descobertos fora do Sistema Solar. A maioria deles, entretanto, são muito gasosos e quentes para abrigar vida. Mas pelo menos um deles, chamado Gliese 581c, é suficientemente rochoso, mais parecido com a Terra e potencialmente capaz, ao menos, de abrigar a possibilidade de vida.

A idéia agora é justamente poder explorar mais a fundo tais possibilidades.

Nova forma de achar vida ET

O metano já foi detectado em vários planetas do Sistema Solar, como observaram os cientistas.

— Sob determinadas condições, o metano pode contribuir para a formação de aminoácidos, blocos de compostos orgânicos essenciais para a vida — afirmou outro integrante do grupo de pesquisa, Mark Swain, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.

Por isso, segundo Swain, a detecção da molécula é um primeiro passo necessário para confirmar a existência de organismos vivos em outros mundos.

— Trata-se de um passo crucial para conseguirmos caracterizar moléculas orgânicas em planetas onde a vida poderia existir — afirmou. — Essas medições são importantes para o nosso objetivo máximo de determinar as condições, como temperatura, pressão, ventos, nuvens e composição química, nas quais a vida poderia surgir. A técnica usada agora é realmente a chave para esses estudos por ser a melhor forma de detectar moléculas.

12/03/2008 - 18:50h A terra será engolida pelo sol em 7.590 milhões de anos

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Corôa solar – Ejeção da corôa solar observada pelo satélite Soho em 2002.

La Tierra será tragada por el Sol en 7.590 millones de años

DENNIS OVERBYE (NYT) – Nueva York – El País

Al final, no quedarán ni los trozos. Si la naturaleza sigue su curso, dentro de unos 7.590 millones de años la Tierra será sacada de su órbita por el Sol, rojo e hinchado, y caerá hacia una rápida y vaporosa destrucción en una trayectoria espiral. Ésta es la previsión que indican los nuevos cálculos hechos por los astrónomos Klaus-Peter Schröder, de la Universidad de Guanajuato (México), y Robert Connon Smith, de la Universidad de Sussex (Reino Unido).

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05/11/2007 - 13:52h Extraterrestres, l’impossible contact

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Représentation artistique de planète

AP

Représentation artistique de planète “de type terrestre habitable”,
capable d’abriter une vie extraterrestre, détectée par une équipe d’astronomes.

L‘Univers porte en lui l’espérance de la vie. En douze ans, plus de 200 planètes ont été découvertes en dehors de notre système solaire. Parmi elles : Gliese 581c, décelée il y a quelques mois et potentiellement habitable (Le Monde du 26 avril). “Notre seule galaxie – et il en existe des milliards – contient 200 à 300 milliards d’étoiles, et tout laisse penser que nombre d’entre elles sont, comme notre Soleil, environnées de planètes”, ajoute Yves Sillard. Ancien directeur général du CNES et ancien directeur général de l’armement, il souligne que “l’objectif du satellite français Corot lancé fin 2006, qui sera suivi, dans deux ans, du satellite américain Kepler, est de mettre en évidence l’existence de telles planètes autour des étoiles les plus proches de notre galaxie”. Autant de nouveaux espoirs pour ce scientifique, qui n’a pas craint de diriger récemment un ouvrage collectif sur les phénomènes aérospatiaux non identifiés. En effet, ce serait bien le diable si l’une de ces planètes ne portait pas, au moins, quelques traces de vie passée…

Pour les exobiologistes comme André Brack, une telle découverte marquerait une étape décisive. “L’existence d’un deuxième exemple d’apparition de la vie dans l’Univers suffirait pour démontrer que ce processus n’est pas unique”, souligne-t-il. Mais de quelle vie s’agira-t-il ? Sera-t-elle plus ou moins évoluée que sur Terre ? Saurons-nous la reconnaître, pourrons-nous communiquer avec elle ?

La création de l’Univers remonte à 13,7 milliards d’années. Notre système solaire, lui, est né il y a 4,4 milliards d’années. “Entre ces deux dates, de nombreuses planètes équivalentes à la nôtre ont pu être le siège de l’apparition de bactéries capables d’évoluer vers des systèmes intelligents”, poursuit le chercheur. De plus, la vie sur Terre n’est pas apparue tout de suite, mais environ un milliard d’années après sa formation. L’existence de civilisations très avancées car très antérieures à la nôtre est donc plausible. “Il n’est pas impossible d’imaginer que la vie soit apparue sur quelques-unes des planètes extrasolaires avec dix siècles, cent siècles, voire mille siècles d’avance sur ce qui s’est passé sur Terre”, renchérit Yves Sillard. Pour favoriser une rencontre du troisième type, deux pistes s’offrent alors à nous. Chacune présentant toutefois quelques obstacles.

La première concerne la recherche active d’une intelligence extraterrestre aussi supérieure que lointaine. L’étoile extra-solaire la plus proche de nous étant située à 4,4 années-lumière de la Terre, et celle dont dépend Gliese 581c à 20,5 années-lumière, un message émis par radio (se propageant donc à une vitesse proche de celle de la lumière) mettrait respectivement 4,4 et 20,5 années pour atteindre la civilisation qui s’y trouverait. Au mieux, la réponse arriverait donc neuf ans après la question.

Ces difficultés n’ont pas découragé les promoteurs de plusieurs projets, tel le programme américain SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence) qui guette les manifestations extraterrestres depuis le radiotélescope portoricain d’Arecibo. Mais sans résultat pour le moment. On rêve aux premières phrases de cette nouvelle d’Italo Calvino, tirée de Cosmicomics (1965) et intitulée Les Années-lumière : “Une nuit, j’observais comme d’habitude le ciel avec mon télescope. Je remarquai que d’une galaxie distante de cent millions d’années-lumière se détachait un carton. Dessus, il était écrit : JE T’AI VU…”

Faut-il alors se rendre sur place ? “Pour un être humain, il est envisageable dans un avenir à moyen terme, en touchant les limites imposées par la physique, d’atteindre une vitesse dix fois inférieure à celle de la lumière, soit 30 000 km par seconde”, précise Yves Sillard. D’où un voyage de 44 ans pour rejoindre la planète extrasolaire la plus proche, et deux siècles pour rallier Gliese 581c. “Bien sûr, la durée des missions dépassera celle de la vie humaine”, ajoute ce polytechnicien, que le défi ne semble pas du tout rebuter. “Ce seront les descendants des membres des équipages qui parviendront à destination. Mais ce n’est pas du tout impossible.” A condition, bien sûr, de vraiment le vouloir.

La seconde option inverse la contrainte du voyage. Des extraterrestres, dont la civilisation serait très largement en avance sur la nôtre, pourraient avoir réussi à aller plus vite que la lumière, ou bien à courber l’espace-temps – les deux seuls moyens que nous puissions imaginer, dans l’état actuel de nos connaissances théoriques, pour réduire la durée des vols spatiaux. Dès les années 1950, le physicien Enrico Fermi avait énoncé le paradoxe découlant de cette hypothèse : si des extraterrestres sont en mesure de venir jusqu’à nous, nous devrions les voir. Or nous ne les voyons pas… Et l’existence même des vaisseaux spatiaux qui les auraient menés sur Terre reste très hypothétique.

Non pas que les témoignages fassent défaut. Au contraire. Depuis que le CNRS a créé en 1977, malgré le scepticisme de la communauté scientifique, le Groupe d’études et d’informations sur les phénomènes aérospatiaux non identifiés (Geipan), ils ne cessent d’affluer. Jacques Patenet, directeur actuel du Geipan, note que 2 600 cas d’observations ont été enregistrés en France dans les trente dernières années, dont 460 sont considérés comme des phénomènes aérospatiaux non identifiés. Parmi eux, dans 10 à 20 cas, il y a selon ces experts une “très forte présomption” de l’intervention d’un objet matériel tel qu’un vaisseau. Cela se traduit par des traces sur le sol et la végétation qui pourraient avoir été laissées par un atterrissage, la détection de l’objet sur les écrans des radars, ou encore l’observation, par des pilotes, de comportements “intelligents” de l’ovni.

Pourquoi, alors, aucune trace physique de ces visiteurs n’a-t-elle jamais été retrouvée ? “Avec nos moyens actuels d’analyse, nous serions pourtant en mesure de certifier – ou non – l’origine extraterrestre de ces phénomènes”, regrette André Brack. Le sociologue Pierre Lagrange, spécialiste des parasciences, stigmatise l’anthropomorphisme qui marque souvent les investigations en matière d’ovnis. Alors qu’on les imagine petits, verts, ou plus ou moins monstrueux, les extraterrestres, s’ils existent, sont peut-être infiniment différents de nous…

“Plus ils seront capables de maîtriser leur environnement, plus ils seront éloignés de nous à la fois par la culture, la science, la biologie et sans doute le physique”, estime-t-il. Cela ne les empêcherait pas forcément de prendre l’initiative et, forts de leur avance, de trouver le moyen de communiquer avec nous. Mais encore faudrait-il qu’ils trouvent un intérêt quelconque à ce dialogue… “Nous pouvons très bien être le babouin de quelque anthropologue extraterrestre, dont nous ne sommes pas près de comprendre le programme de recherche !”, suggère le sociologue. Nos scientifiques eux-mêmes ont-ils véritablement envie de communiquer avec les abeilles ou les fourmis, ou seulement de les étudier ?

Si nous voulons espérer, à l’avenir, nous sentir moins seuls dans l’Univers, sans doute faut-il donc compter avant tout sur nos propres facultés d’observation. Et les développer. “Sur Terre, chaque fois que nous avons été confrontés à d’autres civilisations, nous ne les avons pas comprises”, rappelle Pierre Lagrange. Il existe pourtant bien peu de différences entre nous et les Aborigènes d’Australie ou les Indiens d’Amazonie. Dans ce contexte, se demande-t-il, “serait-on capable de voir et de reconnaître des civilisations issues de formes de vie pouvant avoir pris des directions totalement différentes de la nôtre ?” C’est là toute la question.

Michel Alberganti – Le Monde