17/08/2009 - 13:53h Tucanos sob suspeita: MP apura desvio de verba de operações sigilosas em SP

Desvio de dinheiro teria acontecido durante a gestão Alckmin e a gestão Serra.


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Marzagão com Serra e Saulo com Alckmin: ambas gestões acusadas pelo MP de desviar dinheiro para pagar contas pessoais dos chefes de gabinete das suas Secretarias

AE - Agencia Estado

 

SÃO PAULO - Dinheiro da verba de operações sigilosas da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo foi desviado e usado para pagar contas pessoais dos chefes de gabinete. A acusação é a de que o rombo atingiu R$ 2,26 milhões na gestão Saulo Abreu Filho (2002-2006) e R$ 700 mil, no período em que Ronaldo Bretas Marzagão dirigiu a pasta (2007 a 2009). Despesas da secretaria teriam sido cobertas com notas frias e até uma reforma fictícia no prédio justificou o desvio do dinheiro. O caso está sob apuração dos promotores de Defesa do Patrimônio Público, do Ministério Público Estadual (MPE).

A nova investigação sobre o suposto desvio da verba começou quando o oficial administrativo Carlos Jorge Santana, o Jorginho, procurou a Assessoria Militar da secretaria. Dizia ter graves denúncias a fazer sobre desvio de recursos. Funcionário da pasta desde 1979, Jorginho afirmava ter provas de tudo e pedia para ser ouvido pelo secretário Antônio Ferreira Pinto, que assumiu o cargo em março. Trazia cópias de 333 cheques, com os quais sacara o dinheiro supostamente desviado, e das despesas particulares dos chefes de gabinete que ele dizia ter pago – cumprindo ordens – com o dinheiro da secretaria.

Em sigilo, Jorginho foi ouvido em 14 de maio pelo secretário e pelo capitão da Polícia Militar (PM) João Carlos Chaves. ?Contei o que sabia?, disse Jorginho. Seu depoimento começa com a suposta descoberta, em fevereiro de 2008, feita por Marzagão, de que o chefe de gabinete, Tadeu Sérgio Pinto de Carvalho, guardaria irregularmente dinheiro num cofre na secretaria. Marzagão, disse Jorginho, mandou que Tadeu abrisse o cofre na frente de testemunhas e achou R$ 127 mil, que ele determinou que fossem recolhidos aos cofres públicos.

Carvalho, que deixou o cargo em março de 2008, alegou que o dinheiro era sobra da verba de operações policiais. O que ele não explicou foi a razão de ter informado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) que havia gasto todo a verba do segundo semestre de 2007. Na verdade, R$ 98 mil daquele período estavam, segundo o chefe, entre os R$ 127 mil do cofre. Uma apuração foi aberta pela Corregedoria Geral da Administração. Jorginho foi ouvido.

O depoimento dele na Corregedoria foi lacônico. Pouco depois, a investigação ali foi arquivada. Só agora ele contou que ?foi chamado pelo coronel Valério (João Cláudio Valério, que se tornou chefe de gabinete, substituindo Carvalho), que disse: ?Vou lhe pedir uma gentileza: não fale nada que respingue no doutor Ronaldo Marzagão, porque se você falar poderá sobrar para ele?.? O funcionário deu outros detalhes. ?Por diversas vezes, ao entregar os valores sacados mensalmente ao doutor Tadeu (Carvalho), este separava determinadas quantias e determinava ao declarante que com elas pagasse contas particulares, entre elas despesas de energia elétrica, carnês de faculdade e outras contas?. Na gestão de Carvalho, ele sacou R$ 700 mil.

Segundo Jorginho, ele dava o dinheiro ao chefe de gabinete. Ele apresentou cópias de 75 cheques e de 24 recibos de quantias supostamente entregues ao chefe. Segundo o funcionário, em uma conversa, Carvalho admitiu que o que fazia era ‘irregular’ e lhe revelou que cumpria ?ordens? de Lauro Malheiros Neto, então secretário adjunto. Malheiros nega. Ele deixou a secretaria em maio de 2008 em meio a acusações de beneficiar o investigador Augusto Pena, que em delação premiada o acusou de montar um esquema de venda de cargos na polícia e de sentenças de absolvição em processos de policiais corruptos.

Logo em seguida, Jorginho passou a contar que também ‘essa sistemática de saques indevidos era posta em prática em larga escala’ na época em que Luiz Hélio da Silva Franco foi chefe de gabinete da secretaria (2002-2006, gestão de Saulo). Tudo sem que o dinheiro sacado (R$ 2,2 milhões) fosse usado ?para despesas de operações policiais ou despesas de serviços de manutenção do prédio?.

Defesa

Tadeu Sérgio Pinto de Carvalho e Luiz Hélio da Silva França, ex-chefes de gabinete da Secretaria da Segurança, negaram as acusações feitas por Jorginho, de desvio de cerca de R$ 3 milhões da verba de operações policiais do gabinete. ?São mentiras e calúnias?, afirmou Luiz Hélio. Ele contou que tinha conhecimento do depoimento de Jorginho. Disse que contratou advogado e ia tomar providências e apresentar defesa. Luiz Hélio anunciou que vai processar por danos morais o oficial administrativo. Ele chegou a ser nomeado em 13 de julho para um cargo na Corregedoria Geral da Administração do Estado, um ato do governador José Serra. Luiz Hélio nem chegou a assumir. Em 22 de julho, o próprio governador tornou sem efeito a nomeação.

Carvalho disse que não tinha conhecimento das acusações de Jorginho e do depoimento de Marlene. Negou que tivesse usado dinheiro público para pagar contas pessoais. ?Imagina!?, exclamou. Funcionário público de carreira, ele disse que todo o episódio do dinheiro no cofre já foi investigado pela Corregedoria Geral da Administração, que chegou à conclusão de que não houve irregularidade. Disse ainda que prestou todas as informações ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), que aprovou tudo.

Sobre para quem ele entregava o dinheiro da verba, Carvalho afirmou que só prestará esse esclarecimento caso seja chamado para depor. ?Como é verba do gabinete, é preciso que se ouça o secretário (Marzagão)?, afirmou. As demais pessoas, segundo ele, ?eram meros instrumentos?. ?O secretário é que é responsável, pois essa verba era para operações policiais do gabinete?, afirmou. Carvalho não quis falar sobre a suposta conversa relatada por Jorginho em que ele teria dito obedecer ordens do então secretário adjunto Lauro Malheiros Neto para sacar a verba. Mas negou qualquer tipo de irregularidade. ?Imagina!?, exclamou novamente.

O computador onde estariam supostas provas do uso indevido da verba, segundo ele, foi entregue a uma coronel da PM, para que fosse examinado e nada foi achado. Por fim, ele disse que pediu exoneração do cargo. O criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende o ex-secretário adjunto Lauro Malheiros Neto, disse que seu cliente nega peremptoriamente qualquer participação no uso de verba secreta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Tesoureira diz que chefe retirou ”às pressas” computador com provas

 

Marcelo Godoy – O Estado SP

 


Um segundo depoimento sobre o suposto desvio da verba secreta da Secretaria da Segurança consta dos documentos recebidos pelo procurador-geral Fernando Grella Vieira. Trata-se das declarações de Marlene da Silva Santos Rocha, outra oficial administrativa da pasta. Ela trabalhava na tesouraria da secretaria e confirmou o encontro de R$ 127 mil no cofre do então chefe de gabinete Tadeu Sérgio Pinto de Carvalho. Foi Marlene, a mando do então secretário Ronaldo Marzagão, que contou o dinheiro, antes que tudo fosse recolhido à conta corrente da secretaria por meio de dois depósitos – um de R$ 98 mil e outro de R$ 29 mil.

Marlene disse ainda que foi orientada pelo coronel João Cláudio Valério – o substituto de Carvalho na chefia de gabinete – a responder o que lhe fosse perguntado na Corregedoria da Administração, que apurava o caso, mas que “era para não falar nada sobre o depósito caso não fosse perguntado”.

Ela disse que, antes de deixar a pasta, Carvalho “retirou às pressas” um computador de sua sala. “Ele agiu assim porque no computador tinha detalhes de despesas que eram de operações especiais (a verba secreta) e que eram pagas indevidamente com essa verba de adiantamento.” A verba de operações policiais é usada na forma de adiantamento, ou seja, o dinheiro é gasto e depois se faz a prestação de contas.

Marlene também disse que a verba foi gasta com despesas pessoais de integrantes da escolta do secretário referentes a refeições, pois não existia verba específica para esse fim. Ainda de acordo com ela, nunca se comprou armas com a verba de operações policiais. Em entrevista ao Estado, a ex-assessora do gabinete da secretaria Elaine Manzano afirmou que havia usado do dinheiro da verba para comprar equipamento para o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, e armas para a Polícia Civil. Citou o caso da suposta compra de fuzil para o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Segundo ela, em vez de fazer uma licitação internacional, decidiu-se sacar o dinheiro e comprar a arma.

Grella encaminhou tudo à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, onde já havia uma investigação aberta para apurar possíveis irregularidades no uso da verba secreta da secretaria reveladas pelo Estado.

05/07/2009 - 13:32h Adendo

“contrariamente ao udenismo rasteiro que ocupa o noticiário, a democracia brasileira e seus partidos -assim como as instituições republicanas- estão compostas em sua imensa maioria por homens e mulheres honestos e que agem nos partidos por paixão pela política e os destinos da nação.”

Foi assim que concluí minha nota Base petista segue discurso de Lula pela manutenção de Sarney.

Quero acrescentar uma frase que me parece necessária para clarificar minha posição.

“contrariamente ao udenismo rasteiro que ocupa o noticiário, a democracia brasileira e seus partidos e a imprensa -assim como as instituições republicanas- estão compostas em sua imensa maioria por homens e mulheres honestos e que agem nos partidos e nos jornais por paixão pela politica ou o jornalismo, e pelos destinos da nação.”

Não faço parte dos que consideram os jornais e seus jornalistas “instrumentos da direita”. Nem acredito na existência de um “complô da mídia” contra o governo Lula.

Tampouco acredito em duendes, mas…

LF

16/04/2009 - 16:43h Uma longa caminhada à procura da ética

Davilym Dourado / Valor

Costa convida para uma jornada em que o leitor, já exausto com o peso do arcabouço teórico, pode ficar perplexo com o que lhe é dito na reta de chegada

“Ética, Jornalismo e Nova Mídia” – Caio Túlio Costa.

Por Matías M. Molina, para o Valor, de S. Paulo

Jorge Zahar 287 páginas. R$ 39,90

O autor parte do princípio de que a mudança nas comunicações que levou ao surgimento de uma nova mídia, a mídia digital, exige a rediscussão da ética no jornalismo. Como detecta um vácuo na formação do jornalista, “no que toca à ética e à moral na perspectiva da história do conhecimento”, ele se oferece a fornecer um “instrumental teórico” e explorar “um itinerário normativo”, para “se entender funcionalmente a profissão de jornalista”. E convida o leitor “a percorrer o caminho que funda o jornalismo e a comunicação”.

Em sua trajetória profissional Caio Túlio Costa esteve nos dois lados do balcão do setor de comunicação. Foi o primeiro “ombudsman” da “Folha de S. Paulo”, diretor-geral do Universo Online e presidente do Internet Group. Como professor de Ética na Faculdade Cásper Líbero, tem também um pé na Academia. É uma experiência que o credencia, como a poucos, para discutir as questões éticas apresentadas neste livro, cuja origem é a tese de doutorado defendida no ano passado.

O leitor que aceitar o convite de Costa para acompanhá-lo nessa caminhada deve preparar-se para uma jornada longa e árida. Vai enfrentar uma peregrinação ao longo de citações e conceitos abstratos de filosofia, a epistemologia, a lógica e a ética, durante a qual o autor exibe enorme erudição. Ele avisa que sua intenção não é dizer como o jornalismo deve ser praticado, mas analisar como é praticado.

Foram convocados, para discutir a ética no jornalismo, filósofos como Descartes, Spinoza, Sócrates, Epícuro, Montaigne, Kant, Wittgenstein, Adorno. Além de Velázquez, Sófocles, Maquiavel, Balzac, Shakespeare, Janet Malcolm, Karl Kraus, Max Weber. E também Marilena Chauí, Sérgio Paulo Rouanet e Mario Sergio Cortella. E dezenas de outros nomes.

Costa examina temas como a representação do quadro “Las Meninas”, de Velázquez, a mitificação do julgamento de Sócrates e a ambiguidade moral de muitas situações. Mostra como a realidade pode ser enganadora sob o véu das aparências. Ao tratar da objetividade, um assunto continuamente debatido pela imprensa, ele exibe argumentos de vários lados para concluir que não é possível ser objetivo, imparcial ou neutro. O que talvez seja correto. Mas para um jornalista, na vida real, deixando de lado os conceitos abstratos, ainda valem os princípios que o jornal “Le Monde” adotou ao ser fundado: “A objetividade não existe. Mas a honestidade, sim” e “A verdade, custe o custar. Sobretudo se custar”. Talvez não seja possível ao jornalista ser objetivo, mas vale a pena tentar ser isento.

O peregrino, que desde o início da viagem carrega um arcabouço teórico cada vez mais pesado e que nem sempre consegue relacionar com a teoria ou a prática do jornalismo, pode sentir a tentação de desistir no meio da jornada. No final deste recorrido em busca da ética, o andarilho, além de exausto, pode ficar perplexo na reta de chegada. Costa afirma que em nenhum momento a ética se distancia do fazer jornalístico. Mas um exemplo que coloca é controvertido. Escreve que foi questionado num programa televisivo a respeito do comentarista de economia que fazia propaganda de um banco e continuava emitindo análises sobre o sistema financeiro. Não respondeu diretamente, mas indiretamente justificou essa prática. Disse que nos “laptops” dos entrevistadores estava o logotipo do fabricante, que a emissora de TV acolhia publicidade no intervalo dos programas e que não há como fugir da realidade de que todo ou parte do salário dos jornalistas provém dos anúncios. Ele deixou de avaliar, porém, até que ponto esse jornalista estava em condições de, se fosse necessário, contrariar, em suas matérias, os interesses do banco que lhe pagava para falar bem dele nos anúncios. Ou se, ao aceitar fazer diretamente a publicidade, o jornalista não estava, de maneira implícita, passando um atestado de confiança a esse banco. Há, no mínimo, nessa atitude, uma ambiguidade ética difícil de explicar.

O livro contém algumas imprecisões. Afirma, por exemplo, que por ocasião do atentado em várias estações de trem de Madri, o telefone celular foi usado para avisar que a velha mídia veiculava a informação falsa, dada pelo primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, de que o grupo separatista basco ETA era o autor das explosões. Pelo celular, diz Costa, os espanhóis derrubaram uma mentira, o que ajudou a derrotar o candidato favorito de Aznar nas eleições e forçou o governo a retirar as tropas espanholas do Iraque. Na verdade, o atentado se deu numa única estação de trem de Madri, a de Atocha. Os principais veículos a corrigir e difundir a falsidade da informação de Aznar, e aos quais se atribuiu na ocasião a vitória do partido socialista, faziam parte da “mídia velha”: a cadeia de rádio SER, a maior da Espanha, e “El País”, o jornal de maior circulação, que pertencem ao mesmo grupo empresarial. O papel do telefone celular foi importante, mas não decisivo. As tropas não foram retiradas do Iraque por Aznar, mas pelo governo socialista, cumprindo uma promessa da campanha eleitoral.

Enganos como esses são talvez inevitáveis, dada a quantidade de informação que o autor colocou no livro. A caminhada a que ele convida é longa e, com frequência, exaustiva. Mas pode ajudar a olhar por trás das aparências e a rever conceitos.

28/03/2009 - 10:48h Os cupins

“O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse ontem, em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, que as influências políticas em nomeações de cargos eram menores em seu governo do que no de Luiz Inácio Lula da Silva.
“Tinha muito menos. Em certas áreas zero”, afirmou FHC. “Eu era contra e tentava limitar.”
Questionado se havia nomeações políticas em Furnas, disse que sim. Mas afirmou que houve regressão. Segundo FHC, uma nova espécie de privatização do Estado é a ocupação de cargos por sindicalistas. ” (Folha SP 24 de março 2009)

“FHC afirmou que a renovação do Legislativo não é suficiente para renovar a confiança na instituição. Para ele, o país continuará elegendo o mesmo tipo de congressista até que reforme a lei eleitoral. “Não dá mais tempo de fazer reforma, mas dá para cobrar dos próximos eleitos que a façam nos primeiros anos de governo.”
O tucano atacou o que chama de “cupinização” do Estado brasileiro, referindo-se à ocupação de cargos públicos por militantes do governo. “A partidarização da máquina e a substituição por militantes minam a capacidade do governo de fazer [a máquina] funcionar.”
Para ele, o atual governo está ressuscitando os esqueletos que a política brasileira custou a eliminar.” (Folha SP 24 de março 2009)

O Globo hoje
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21/03/2009 - 11:07h Folha SP: Salário do novo regente da OSESP é mais do que o dobro do de Neschling

Vocês lembram que os tucanos justificavam a demissão de Neschling, entre outros motivos, pelo “inadmissível” salário que recebia o maestro.

Pois bem, a Folha de São Paulo informa que o salário do novo maestro contratado é mais do que o dobro do que Neschling recebia.

O atual regente, diferentemente do anterior, não acumulará a sua função com à da direção artística da orquestra.

Os salários dos regentes das grandes orquestras seguem padrões do mercado internacional e por enquanto a crise não parece ter afetado essas remunerações.

Não é o salário do novo maestro e menos ainda seu profissionalismo, criatividade e capacidade para dar continuidade ao projeto da OSESP, que aqui se questiona.

O que fica a nu é a hipocrisia e falta de ética dos tucanos, assim como das suas pretensas cruzadas moralistas. LF

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/neschling.jpghttp://albertoartes.googlepages.com/FHC.jpghttp://www.artslist.org.uk/Images/events/BWH/2009/YanPascalTortelier_main.jpg

Neschling, FHC e Tortelier

Mercado Aberto

GUILHERME BARROS – guilherme.barros@grupofolha.com.br

Neschling entra na Justiça contra Osesp

John Neschling, regente afastado da Osesp (Sinfônica do Estado), protocolou na última quinta-feira pedido na Delegacia Regional do Trabalho em São Paulo para verificar se o novo regente titular da orquestra, o francês Yan Pascal Tortelier, tem ou não autorização para trabalhar no Brasil. Se não tiver, Neschling pede que “sejam tomadas as medidas cabíveis contra a Fundação Osesp”, que mantém a Sinfônica.
A DRT-SP confirmou o pedido de Neschling. Informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o ex-regente da Osesp receberá resposta a sua solicitação na semana que vem. Provavelmente também na próxima semana Tortelier já terá voltado à França.
A Folha apurou que Neschling vai ainda recorrer à Justiça contra a Fundação Osesp para obter as verbas rescisórias não pagas até agora, a que ele entende ter direito. Para ele, o processo de sua saída foi mal conduzido, já que teria negociado a sua permanência na Sinfônica do Estado até 2010.
O episódio da saída do maestro, que estava à frente da Osesp desde 1997, foi bastante tumultuado. Apesar de o salário mensal de R$ 120 mil de Neschling sempre ter causado polêmica, não foi essa a principal razão de sua saída.
O regente afastado entrou em conflito direto com o governador José Serra, logo no início do governo. Chamou-o de “menino mimado” e “autoritário” e deu entrevistas criticando o governador e o secretário estadual da Cultura, João Sayad.
A gota d’água foram críticas de Neschling à decisão do conselho da fundação de formar um comitê para a escolha de seu sucessor. Neschling afirmou publicamente que a sucessão estava sendo feita de maneira “intempestiva e irresponsável”.
Pouco depois, o maestro, que estava na Suíça, recebeu um telefonema do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, atual presidente do conselho da Fundação Osesp, dizendo que a situação tinha ficado insustentável.
Em uma carta, foi informado de que o conselho da instituição tinha decidido, em votação “unânime”, pela “ruptura imediata” de seu contrato.
A Fundação Osesp informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que obteve junto ao Ministério do Trabalho toda a documentação necessária para que Tortelier trabalhasse regularmente no Brasil. Sobre o pedido apresentado à Justiça do Trabalho com relação a verbas rescisórias, a fundação informou não ter sido notificada.
A Folha apurou que o salário de Tortelier é mais do que o dobro do de Neschling.

28/02/2009 - 18:14h Bem-vindo Tortelier

A OSESP tem novo maestro. Espero que consiga preservar a excelência da orquestra. Bagagem para isto Yan Tortelier tem de sobra.

Quando da demissão de Neschling os tucanos lançaram uma campanha sobre o salário do regente. Na época, Neschling acumulava duas funções que foram desdobradas, a de diretor artístico e a do regente-titular.

A transparência não deveria incluir a publicidade sobre o valor do salário do novo maestro e dos que assumam a direção artística?

Onde estão agora os tucanos que questionavam o valor “absurdo” do salário de Neschling?

Porque não enviam cartas aos jornais exigindo saber o salário que será pago para ambas as funções?

Evidentemente Yan Tortelier nada tem a ver com a demissão de Neschling, nem com a implicação do governador Serra com o maestro da OSESP. É seguramente o salário dele, como o dos que assumirão a direção artística da orquestra, seguira os padrões internacionais sobre o assunto.

Mas o que fica é a hipocrisia dos que justificaram a mudança invocando o dinheiro público e que agora nada dizem.

A “ética” dos sicofantas ficou muda. LF

17/02/2009 - 10:25h Todo organismo vivo produz seus excrementos

Josias de Souza, da Folha de São Paulo

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A infâmia de Josias de Souza no seu blog, na Folha Online, provocou uma legitima onda de indignação na blogosfera. Vários leitores deste blog manifestaram sua reprovação.

Luiz Nassif o definiu assim:

A escola do esgoto

Do Blog do Josias

Ou, as prévias do que será o jornalismo em 2010.”

No seu Blog, Cidadania.com, Eduardo Guimarães exclamou sua indignação (ver embaixo a nota “Um filho de chocadeira”).

A Folha por enquanto não se manifestou, mas duvido que na sua redação a reprovação da abjeção não seja unanime. É que uma coisa é a divergência política, muitas vezes impregnada de má fé, e outra é a manifestação do esgoto machista e revulsivo.

Muitas vezes se pondera que internet permite esse tipo de imundícia, pois não existe mecanismos de controle ou de preservação da ética. Mas é da natureza que todo organismo vivo, -e internet é um instrumento de intensa vida e de conhecimento- produza seus excrementos.

Com a particularidade que não basta apertar a descarga para sumir com os dejetos.

Na internet não tem privada, mas alguns “jornalistas” transformam seus blogs em um sucedâneo.

Eles expõem assim sua alma.

Luis Favre

Cidadania.com

Denúncia

Um filho de chocadeira

 

 

 

 

Sou casado e tenho quatro filhos, sendo três mulheres. Tenho também uma neta. Além disso, tenho mãe, o que não parece ser o caso desse infeliz desse blog abjeto que aparece na imagem acima, desse empregadinho da mídia golpista, desse sujeitinho à-toa que acha que a escolha dessa manchete para uma matéria relativa a foto mostrando a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a ex-prefeita Marta Suplicy, é coisa de homem. Eu não acho. Como filho, esposo, pai e avô, tenho, ao todo, seis bons motivos para não descer a esse ponto na guerra política, ao ponto a que desceu esse degenerado sem mãe.

Eduardo Guimarães

02/02/2009 - 11:10h A conferir

A moratória do lero-lero

Talvez os jornalistas e os consumidores de informação devêssemos fazer um pacto. Todos nos recusaríamos a gastar tempo, intelecto e energia com o que tucanos e petistas dizem uns dos outros

Por Alon Feuerwerker

alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br

O Senado e a Câmara dos Deputados escolhem hoje os seus presidentes, e a esta altura o mais prudente é esperar o resultado aparecer em cada um dos dois painéis eletrônicos. Já existe porém um vitorioso no terreno moral — o que em política não é pouco. Isto de “campeão moral” ficou meio estigmatizado desde a derrota do Brasil na Copa do Mundo de 1978, na Argentina. Na política, de todo modo, pessoas ou partidos capazes de ostentar o trunfo moral obtêm uma vantagem competitiva e tanto.

O campeão moral desta eleição é o Partido dos Trabalhadores. O PT arrebatou o troféu com a participação decisiva do seu suposto arquiadversário, o PSDB. E graças ao competente trabalho de articulação política do senador Tião Viana (PT-AC). Partamos da premissa de que é sincera a versão tucana sobre o apoio ao petista no Senado. A adesão se explicaria não por apetites fisiológicos desatendidos, mas pela necessidade imperiosa e inadiável de “limpar” a Casa. Assim, em resumo, o PSDB acha que a questão central da hora é “varrer a sujeira” do Salão Azul e que o mais apto para a tarefa é um candidato indicado pelo Partido dos Trabalhadores.

É uma mudança e tanto para quem até outro dia catalogava o PT no índex dos “quadrilheiros”, “mensaleiros”, entre outras qualificações pouco amigas. O que mudou? É possível que nem o PSDB acreditasse no que dizia do PT nos tempos duros, em que os tucanos afirmavam ver nos petistas a personificação do mal. Ou pode ser que, para os tucanos, o PT de hoje seja essencialmente diferente da sigla abalada anos atrás no escândalo desencadeado pelas acusações de Roberto Jefferson. Teria havido, portanto, uma “refundação”. Se aconteceu a tal “refundação”, o jornalismo comeu mosca, pois ninguém noticiou o fato relevante.

Há também a explicação mais confortável. De que Tião Viana é do PT, mas não é “do PT”. Um estranho no ninho. Um ponto fora da curva. É uma explicação fraquinha. A análise política é como o futebol. O sucesso na maior parte das vezes está em não fazer firula, em buscar o mais simples. O PSDB, na sua autonomeada e recém-proclamada missão de realizar uma “faxina ética” no Senado, escolheu um senador do PT para comandar os exércitos na guerra. E não se trata de um dissidente. É alguém indicado pelo PT, um quadro orgânico do partido. Ainda que o PSDB tenha desejado homenagear o indivíduo, não há como a homenagem não se estender à agremiação. Parabéns ao PT.

Os acadêmicos deveriam estudar a sério o fascínio que o PT exerce sobre o PSDB. Já há massa crítica para a análise de cientistas políticos. Ou de psicólogos políticos. O apoio a Tião não é inédito. Dois anos atrás, vieram da bancada tucana os votos que deram a Presidência da Câmara dos Deputados ao PT. Talvez o tucanato veja o petismo como o que ele próprio desejaria ser, mas não consegue: uma social-democracia com base popular. Talvez o PSDB tenha se proposto como meta “catequizar” o PT, expurgá-lo de seus supostos excessos jacobinos. Ou bolcheviques. Sei lá. Gente estranha.

Enquanto os especialistas tentam decifrar a alma tucana, eu vou aproveitar melhor o meu tempo, seguir o meu próprio conselho e fazer o simples. O arroz com feijão. Não vou fugir da raia, vou dizer ao leitor o que acho mais adequado. Pronto. Talvez os jornalistas e os consumidores de informação devêssemos fazer um pacto. Todos nos recusaríamos a gastar tempo, intelecto e energia com o que tucanos e petistas dizem uns dos outros. Desconsiderar esse aspecto da realidade. Olhar apenas os fatos. Desprezar as declarações.

É isto: está na hora de uma moratória jornalística do lero-lero tucano-petista. Para não ser radical, e não sonegar notícias ao consumidor, talvez fosse o caso de criar uma seção específica nos diários. Algo como “o que eles falaram ontem uns dos outros mas que não tem nenhuma importância”. Seriam notinhas curtas, sem encheção de linguiça. Aí, petistas e tucanos trocariam recados, mas poupando o preciosíssimo tempo do cidadão. A imprensa não está permanentemente em busca de novas maneiras de ser útil ao público? Eis uma.

14/12/2008 - 17:19h A nova onda feminista

Ele já foi chamado de movimento das “mal-amadas” e associado a mulheres homossexuais. Recebeu mais ataques do que elogios, mas foi o motor de conquistas inegáveis para as mulheres. Gostem ou não, o feminismo, termo usado pela primeira vez nos anos 30 do século 19, continua a todo vapor

Edma Cristina de Góis Revista do Correio Braziliense

Monique Renne/CB/D.A Press

Mãe solteira e independente, Eliane acredita que sua maior conquista foi a autonomia

Eliane Maria de Carvalho, 38 anos, é solteira, tem um filho de 12 anos, trabalha dois expedientes e faz faculdade de administração à noite. Diariamente, caminha três quadras até sua casa para almoçar com o filho Leonardo. Ele já não precisa da mãe para ir à escola e desde os 8 anos fica sozinho em casa quando ela sai para trabalhar. Mesmo sem se declarar feminista, Eliane acumula em sua trajetória conquistas e desafios desse movimento: o direito à educação, a inserção no mercado de trabalho, a opção pela maternidade solteira e a autonomia, uma vez que é a chefe de um lar. “Eu fugi da linhagem da minha família, na qual as mulheres ficavam casadas ou, quando separadas, voltavam para a casa dos pais. Sou feliz porque sou dona da minha vida e tomo minhas próprias decisões”, explica.

Como Eliane, a maioria das mulheres, pelo menos as ocidentais, vive uma realidade que hoje só é possível graças a feministas que, na contramão do preconceito de suas épocas, arregaçaram as mangas por um ideal coletivo. Estigmatizado e, na maior parte das vezes, mal interpretado, o movimento se reconfigurou mais uma vez na primeira década do século 21. Hoje, ele é marcado como um movimento mais plural, bem diferente daquele da época em que Betty Friedan lançou A mística feminina (1963), que retratou a realidade das mulheres americanas, brancas e de classe média — período conhecido como a segunda onda do feminismo e que permaneceu no imaginário mundial graças ao ato em praça pública da queima de sutiãs.

A complexidade do feminismo hoje deve-se à conciliação de bandeiras de lutas de muitas mulheres: brancas, negras, de classe média e baixa, indígenas, homossexuais, heterossexuais etc. Nesse contexto, estão temas como o direito à educação de qualidade, ainda um entrave sobretudo para as mulheres negras, e a violência doméstica. Além disso, é preciso levar as conquistas adquiridas no mercado de trabalho para dentro de casa. Nesse ponto, houve pouco avanço e algumas correntes acusam o próprio movimento de sobrecarregar as mulheres e de ser preconceituoso com aquelas que optam por serem donas-de-casa ou priorizam a maternidade.

Feministas e pesquisadoras de gênero de diversas áreas — história, sociologia e literatura — afirmam que nunca houve nem há um movimento feminista homogêneo. O movimento de mulheres, no Brasil e no mundo, é marcado pelas diferentes vozes. Na prática, elas desejam transformar a realidade do espaço público e privado marcado por um modelo sexista. “Toda mulher é um pouco feminista, mesmo quem não assume”, afirma a pedagoga Marta de Paula, 48, uma das nove mulheres com quem a Revista do Correio conversou sobre o assunto.

Por que se luta hoje

*Pelo combate a todas as formas de discriminação no mercado de trabalho, no sistema educacional, na saúde, na representação política etc.)
*Pela aceitação da pluralidade de mulheres (negras, indígenas, jovens, idosas, lésbicas, mulheres do campo, da floresta etc.)
*Pela discussão sobre os direitos sexuais e reprodutivos, incluindo a descriminalização do aborto, a ética nas pesquisas científicas e o acesso ao atendimento para garantir a saúde da mulher.
*Pelo combate à violência contra as mulheres.
*Pela reorganização dos papéis dentro de casa, de modo a evitar a sobrecarga de trabalho.
*Para que a mídia não reproduza padrões sexistas, como a exploração do corpo feminino.

O que já foi conquistado

Voto
Em 1932, as mulheres passam a ter direito ao voto no Brasil.Trabalho fora de casa
Nos anos 1950, as mulheres vivem a dicotomia do trabalho em casa e fora. Ainda assim são poucas as que conseguem se lançar no mercado de trabalho e conciliar as duas jornadas. A partir dos anos 1970, percebe-se maior participação delas no mercado de trabalho.
As diferenças salariais, no entanto, perduram até hoje.

Representação política
30% das candidaturas a cargos eletivos devem ser de mulheres desde 1990.

Costumes e sexualidade
O Brasil também participou da revolução sexual e de comportamento dos anos 1960. Um dos símbolos nacionais dessa fase foi a atriz Leila Diniz, cuja imagem dela, grávida na praia, marcou época.

Serviços de saúde
No Brasil, os primeiros programas de atendimento à saúde da mulher são dos anos 1980.

Combate à violência
As primeiras manifestações são dos anos 1970. Na década seguinte são criados serviços de atendimento à mulher vítima de violência. Também é fundada a primeira delegacia da mulher. No primeiro governo Lula, é criada uma secretaria especial para as mulheres e, em 2006, é promulgada a Lei Maria da Penha.

Sem conceitos

O movimento feminista é dividido por etapas de acordo com a inclusão de novas bandeiras ou pelo reforço de alguns desafios. Sobre esse assunto, não há consenso entre especialistas. Alguns acreditam que haja apenas duas fases: a primeira onda, no início do século passado, com a luta pelo acesso à educação como principal slogan, e a segunda onda, marcada pelo lançamento da obra A mística feminina, da norte-americana Betty Friedan, uma das mais importantes feministas do século 20.
No entanto, há quem defina a terceira onda feminista no Brasil como sendo a fase de luta das mulheres contra a ditadura e pela redemocratização. A quarta seria a fase atual, em que se discutem temas como violência contra a mulher, democratização da vivência da sexualidade, a laicidade do Estado e a igualdade racial.

War Production/Reprodução
 

 

NA GUERRA

O cartaz Rose the Riveter acima, com a inscrição “We can do it”, virou um dos símbolos do movimento feminista nos Estados Unidos. Durante a 2ª Guerra Mundial, a publicidade foi usada para convocar as mulheres a trabalharem em fábricas, porque muitos homens estavam no front de combate. Elas acataram o pedido e muitas foram trabalhar nas fábricas dos aviões B-29. Foram esses aviões que soltaram as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. É por essa razão que parte do movimento feminista vê o cartaz de modo negativo e não o reconhece como referência à luta das mulheres.

AUTONOMIA, A GRANDE CONQUISTA

Quando a assessora administrativa Eliane Maria de Carvalho, 38 anos, terminou o segundo grau, começou logo a trabalhar. Tentou vestibular na época, mas como não foi aprovada acabou adiando o sonho de se formar. Depois veio a gravidez inesperada e a mudança radical da vida. A família não recebeu bem a notícia, mas apoiou a decisão de Eliane de ter o filho mesmo sem o apoio do pai. Leonardo nasceu quando ela tinha 26 anos. Há cinco anos em Brasília e há dois estudando administração, Eliane faz um balanço positivo de suas conquistas. A maior delas, sua autonomia.

A independência de Eliane tornou-se real graças à soma de educação e trabalho. As primeiras defensoras dos direitos da mulher no Brasil apostavam na educação como corredor de acesso para a emancipação feminina e a melhoria de status. A justificativa era óbvia: com formação superior, as mulheres poderiam ter uma profissão e conquistar sua independência. A educação superior virou realidade para as mulheres brasileiras com a lei da reforma educacional de 1879, embora a primeira legislação em relação à educação feminina date de 1827. Com isso, elas reivindicavam o direito ao voto, o que foi debatido e negado pelo Congresso Constituinte de 1891.

Mais de um século depois, a presença das mulheres no mercado de trabalho, nos mais diversos cargos, nas universidades e nas esferas de poderes, dão a impressão de que tudo foi ganho, logo o feminismo perderia sua razão de existir. A historiadora Céli Pinto, autora de Uma história do feminismo no Brasil, rebate essa tese. “O movimento mudou com o tempo. No Brasil, a onda do feminismo dos anos 1960 chega com atraso devido à ditadura militar, no entanto as lutas feministas florescem junto com a campanha pela redemocratização”, explica. Por essa razão, os movimentos de mulheres brasileiras surgem próximos às Comunidades Eclesiais de Base (CEB) e aos movimentos populares.

O feminismo no Brasil e no mundo

1832
Nísia Floresta publica Direitos das mulheres e Injustiça dos homens

1873
O jornal O sexo feminino é lançado. No mesmo ano, surge o Jornal das Senhoras, primeira publicação editada exclusivamente por mulheres no Brasil, por Joana Paula M. Noronha

1915 a 1932
A luta pelo sufrágio universal mobiliza as mulheres no país e no mundo

1921
É fundada a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino

1929
Criada a Aliança Nacional de Mulheres

1948
Surge a Federação de Mulheres do Brasil

1949
Simone de Beauvoir publica O Segundo Sexo, influência para gerações de feministas.

1963
Betty Friedan publica
A mística feminina, marco do feminismo de segunda onda

1969
Helieth Saffioti publica
A mulher na sociedade de classes

1972
Aparecem no Brasil os primeiros grupos da segunda onda feminista

1975
É declarado pela ONU o Ano Internacional da Mulher e a Década da Mulher. É realizada a I Conferência Mundial sobre a Mulher (México)

1975
Terezinha Zerbini cria o Movimento Feminino pela Anistia

1976
O assassinato de Ângela Diniz por Doca Street coloca a questão da violência contra as mulheres na agenda política brasileira

1979
Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres

1980
Criação dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência no Brasil

1983
Instituído o PAISM, Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher

1984
Criação do Conselho Nacional de Direitos da Mulher (CNDM)

1985
É realizada a III Conferência Mundial sobre a Mulher (Nairóbi)

1995
IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Beijin)

1985
É fundada a I Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), em São Paulo

1990
É realizado o I Encontro Nacional de Mulheres Negras, no Rio de Janeiro

1994
Aprovada a primeira lei de cotas. Ela estabelece que 20% de candidaturas nas listas partidárias para as eleições de 1996 devem ser ocupadas por mulheres. Esse número é ampliado para 30%
em 1997

1994
É realizada em Belém a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. No mesmo ano, foi criado o movimento Ciranda da Articulação da Mulher Brasileira

2006
Criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, primeiro órgão institucional com a missão de articular políticas públicas para as mulheres, vinculada à Presidência da República. No mesmo ano, é promulgada a Lei Maria da Penha para coibir a violência doméstica contra as mulheres no país

Monique Renne/CB/D.A Press
Marcela Addario não largou o emprego, mas não quer cargos de chefia para se dedicar à maternidade: decisão difícil


TODA MULHER É MEIO FEMINISTA

A feminista Camile Paglia costuma causar polêmica e suscitar reações inflamadas quando sugere, como fez recentemente no Brasil, que o feminismo pode ter pavimentado o caminho que tornou o sexo feminino sujeito a um regime estressante de tripla jornada e negação da maternidade. Alguns a classificam como pós-feminista, outros como uma dissidente cujo pensamento pode comprometer a imagem de um movimento que trouxe conquistas importantes. “Não há equívoco no feminismo. A opção pela maternidade é que é uma novidade, porque ser mãe era função. Nesse momento, as mulheres optam por serem ou não mães, essa é a diferença”, esclarece a historiadora Céli Pinto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A diferença, na prática, vai um pouco mais além. Mesmo longe dos movimentos organizados, algumas mulheres exercem um papel transgressor, embora não pareça. Tão naturalmente como Leila Diniz exibiu seu barrigão de grávida na praia em 1971, a economista Marcela Addario, 37 anos, contrariou sua vocação de executiva, abrindo mão de cargos de chefia no emprego para exercer a maternidade de forma mais plena — o que nos dias de hoje não deixa de ter um viés revolucionário, ainda que ele esteja circunscrito às quatro paredes de um lar.

Depois de morar quase uma década na Alemanha, ocupando cargos executivos na área financeira da empresa em que trabalhava, voltou ao Brasil, casou-se pela segunda vez e teve um filho, Matheus, hoje com 1 ano. Ela acredita que fez suas escolhas na hora certa, vivendo intensamente a profissão e agora priorizando a maternidade. “Fiz tudo o que quis na minha carreira e ainda desejo voltar a ter cargo de chefia, mas hoje o mais importante é meu papel de mãe. Foi uma decisão muito difícil e demorada”, afirma.

Embora consciente de suas escolhas, Marcela admite que, mesmo abrindo mão das responsabilidades de executiva, há uma sobrecarga ao se dividir entre o trabalho atual e as obrigações de casa. “A mulher só consegue conciliar o público e o privado se tiver uma estrutura de apoio, porque em casa continua tudo igual, por mais que os maridos de hoje ajudem mais do que os de antigamente.”

É exatamente por isso que as feministas recusam-se a aceitar a idéia de um novo feminismo, pois acreditam que o acúmulo de funções das mulheres que decidem ser mães e continuam trabalhando é uma bandeira renovada quando se trata de inserção no mercado de trabalho e das idéias de igualdade. “O termo pós-feminismo é um equívoco porque muitos temas não foram superados no Brasil. Além disso, não há igualdade de posições”, comenta a socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres.

Monique Renne/CB/D.A Press
Marta fez curso superior e pós-graduação, realidade distante para negras, mas ainda luta contra o racismo e a tripla jornada


A COR DO PLURALISMO

Marta de Paula, 48 anos, acorda às 6h, passa o dia inteiro no trabalho e, à noite, cuida da casa, faz o almoço do dia seguinte e ainda dá atenção às filhas e ao marido. A rotina de dedicação ao lar de certa forma a aproxima das donas-de-casa retratadas no livro A mística feminina, escrito por Betty Friedan há 45 anos e que se tornou uma espécie de bíblia do movimento feminista. Naquela época, a publicação causou comoção, pois refletiu as insatisfações das mulheres com aquela vidinha aparentemente feliz. Mas a semelhança de Marta e de outras mulheres desse tempo com as do livro pára por aí. “Era um problema no singular, da mulher branca e de classe média. Nesses mais de 40 anos, o feminismo vê o plural”, define a socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres.

Nesse sentido, Marta encarna os novos rumos do movimento, que procura incluir os diferentes tipos de mulheres e suas reivindicações. O combate ao racismo é um exemplo. Desde os anos 1980, as negras se associaram para reivindicar suas lutas, pois não se sentiam representadas nem no movimento feminista nem no movimento negro. Hoje, elas combatem a violência doméstica e batalham pelo acesso ao serviço de saúde, uma vez que há doenças específicas dos negros que precisam ser tratadas com garantias do Estado. Apesar de haver um programa nacional para atender a população negra, muitos gestores de municípios e cidades não o incorporaram. “Há um racismo institucional, por isso em muitas cidades o programa só existe no papel”, alerta Eliana Maria Custódio, coordenadora-executiva do Geledés — Instituto da Mulher Negra, criado há 20 anos no Brasil.

Marta de Paula lembra: “Já fui discriminada na faculdade por conta da minha cor”. Da família de seis irmãos, apenas Marta e uma irmã conseguiram entrar na universidade. Ela se formou pedagoga e cursou pós-graduação em secretariado executivo. Mas ainda é exceção. Por isso, a educação permanece como um dos principais temas para os movimentos de mulheres negras no país.

De acordo com Eliana Custódio, a educação é um fator fundamental para a mobilidade social e a inserção no mercado de trabalho. “A maior parte dos alunos do ensino médio e fundamental públicos é de negros e sabemos sobre a qualidade desse ensino”, diz. A feminista acrescenta que, mesmo com acesso à educação, a mulher negra sofre preconceito de raça no mercado de trabalho, o que faz com que as demandas dessas mulheres sejam um pouco diferentes das mulheres brancas.

 
Maura descende de uma linhagem de mulheres autônomas e conseguiu conciliar emprego e maternidade

 

NOVAS MULHERES, NOVOS TEMAS

A avó, viúva aos 21 anos, foi tentar a vida no Rio de Janeiro com os dois filhos a tiracolo. Casou-se de novo quando e com quem quis. A mãe entrou na faculdade de direito depois dos 40 anos. A empresária Maura Alvim, 46, casou-se aos 22, foi mãe aos 24, hoje tem duas filhas, de 19 e 22, que moram em São Paulo. A relação aberta com as filhas é resultado das experiências das mulheres que a antecederam. “Me beneficiei porque minha mãe era antenada. Vim de uma família de mulheres especiais”, avalia.

A empresária conta que sempre trabalhou, mas optou por fazer intervalos para ser mãe. Na vida pública, ela acredita que a mulher ainda é colocada à prova. Para Maura, a violência contra a mulher é o tema mais importante dessa geração. “O homem jovem já percebeu os direitos das mulheres e quanto mais escolarizado, mais respeita a parceira”, compara.

“Ser alheio a essa discussão é dito como politicamente incorreto hoje”, afirma uma das coordenadoras do Católicas pelo Direito de Decidir, Regina Jurkewicz. Depois da promulgação da Lei Maria da Penha, ela acredita que o desafio das mulheres é pelo cumprimento da legislação. Além da questão da violência, Regina aponta outras bandeiras de luta, como a discussão em torno da laicidade do Estado, do avanço das tecnologias reprodutivas e da democracia na prática da sexualidade.

“O espartilho mental”
A socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres, aponta o racismo e a diversidade sexual como alguns dos temas mais debatidos. Mas, além deles, são importantes a violência contra a mulher, não só física, e os direitos reprodutivos. “Em outros países, a discussão sobre o aborto foi garantida. O Brasil não superou isso.”

A pesquisadora de gênero na literatura Lélia Almeida lembra que as reivindicações das mulheres são crescentes porque elas inserem novas bandeiras de luta com o passar dos anos. Enquanto a ética nas pesquisas científicas é um tema relativamente novo, a sexualidade é um assunto que não saiu do cardápio feminista. “Muito pouco mudou em relação aos direitos reprodutivos. Continuamos vivendo um ‘espartilho mental’, um manual de como ser legitimado pelos diversos saberes”, afirma.

Regina Jurkewicz acredita que houve avanços, inclusive a institucionalização das lutas feministas. Um exemplo disso é a criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, no primeiro governo Lula. “É um reconhecimento de que não se trata de questões sobre as mulheres, mas de políticas públicas para todo o país”, explica Regina. Outra vitória foi a Lei Maria da Penha (11.340/06), que alterou o Código Penal, coibindo a violência doméstica e familiar contra a mulher. Os agressores podem ser presos em flagrante ou ter a prisão preventiva decretada (detenção por três anos).

Apesar do reconhecimento unânime sobre a ação do governo na defesa de direitos das mulheres, Lélia Almeida, que coordena o projeto Mulheres da Paz, lançado semana passada pelo Ministério da Justiça, alerta que o movimento feminista pode perder com essa aproximação com o Estado caso deixe tudo por conta do governo. “Ganhou-se por um lado e se perdeu por outro. O movimento feminista sempre brigou por sua autonomia.”

Produção: Bianca Assunção \\ Cabelo e Maquiagem: Rose Paz, do Espaço Rose Paz, com produtos Mary Key

04/12/2008 - 15:17h “He tenido miedo toda mi vida”

Tommie Smith

ENTREVISTA: TOMMIE SMITH Ex atleta y símbolo del ‘black power’

 

JUAN MORENILLA – Madrid – El País

Pocos gestos han dicho tanto en el deporte. El de los estadounidenses Tommie Smith y John Carlos en los Juegos de México 68 se convirtió en emblema de la lucha contra la segregación racial. Aunque, como recuerda 40 años después el oro olímpico, destruyera algo más que su carrera.

Tommie Smith mira fijamente al hablar. En sus ojos no hay odio. Sí una mezcla de tristeza y orgullo por lo que ha sido su vida. Su gesto en lo alto del podio tras ganar el oro en los 200 metros (19,83s) en los Juegos Olímpicos de México 1968, su puño enfundado en un guante negro en defensa de la igualdad de las razas, es uno de los símbolos universales del deporte. Aquella mano derecha cerrada (como la izquierda de John Carlos) representaba la lucha contra la segregación racial que siempre sufrió en Estados Unidos. Era el black power. Pero también fue una condena para el resto de su vida. Este tejano de 64 años, que ayer recogió en Madrid el premio del diario As a los valores universales del deporte, todavía se emociona al ver aquella imagen.

Pregunta. ¿Qué recuerda de su infancia?

Respuesta. Soy el séptimo de 12 hermanos. Crecimos en el campo. Mis padres eran granjeros. Cultivábamos la tierra de unos blancos en su granja y parte de la cosecha era para nosotros. Cuando tenía seis años, nos mudamos a California y seguimos trabajando en el campo, pero ya cobrando. Recuerdo una buena ética de trabajo. Era una vida muy religiosa. Íbamos mucho a misa. Los niños blancos, por supuesto, se burlaban de mí en el colegio porque llevaba ropa de pobre.

P. ¿Qué marginación sufrían?

R. No podíamos hacer casi nada porque nos veían como personas de segunda categoría. No podíamos andar por la misma acera que los blancos. Si veías un blanco, inmediatamente tenías que saltar de la acera. Tampoco podíamos compartir los servicios públicos. Había baños para los blancos, muy limpios, y para los negros, muy sucios. No había igualdad en ningún sentido.

P. ¿Era el deporte una evasión?

R. Era la única forma de divertirse en el colegio: correr, jugar al béisbol… Y se convirtió en parte de mi vida. Yo no crecí, ni mucho menos, aspirando a ser un atleta olímpico. Más adelante lo utilicé, a partir de los 15 años, para hacernos oír. Mis padres me dijeron: ‘Mientras ganes carreras, no tienes que trabajar los sábados’. Era fantástico para mí. Empecé a ganar y me saltaba el trabajo. Claro que no teníamos dinero ni para zapatos. Nos los daban. Había una organización benéfica que nos daba ropa y zapatillas. No tenía ni chándal, sólo un pantalón corto y una camiseta.

P. Así llegó a ser en México el primero en bajar de los 20s en los 200 metros y su récord de 19,83s se mantuvo durante 11 años. ¿Cómo se convirtió en uno de los mejores del mundo?

R. Con mucho trabajo. Tenía la bendición de Dios para dedicarme al atletismo: la estatura, el cuerpo, la velocidad. Así me hice fuerte, peleándome con mis hermanos, trabajando a todas horas en el campo. Fue así como pude convertirme en alguien. No teníamos nada, así que en mi vida no he tenido otra posibilidad que luchar. Ni siquiera tenía tiempo para entrenarme. Yo no me he entrenado como un atleta. Mi preparación ha sido únicamente el trabajo en el campo. Cuando en otoño volvía al colegio, los chicos me preguntaban: ‘¿Cómo eres tan rápido? ¿Has hecho pesas?’. Yo no entendía lo que decían. Sólo había estado trabajando en el campo. Llevaba unas botas muy pesadas y cargaba con todas las herramientas, como las palas, que pesaban mucho. Hasta que fui al instituto no empecé a trabajar en serio como un atleta.

P. Allí unió el deporte y la lucha contra la segregación racial.

R. Vi tantas injusticias que no podía quedarme sin hacer nada. Aquel gesto del 68 no lo hice por moda, sino por cambiar algo. Los atletas afroamericanos organizamos el OPHR [Proyecto Olímpico para los Derechos Humanos]. Nuestra idea era boicotear los Juegos, pero no fue así y decidimos que cada uno organizara su protesta como quisiera. A mí me llegó el turno en los 200 metros. La carrera fue increíble. Me reservé para la última recta, pero no tenía ni idea de lo que podía pasar en la ceremonia, cómo me iba a sentir en el podio, qué haría… No lo supe hasta el último momento, hasta que John Carlos [bronce] me lo contó en el túnel de salida.

P. Su mujer había comprado ya unos guantes negros.

R. Sí, algo estaba previsto, aunque no sabíamos muy bien qué. Fue un gesto de un impacto mundial. No era sólo el grito de dos negros por el color de su piel, sino que lo hicimos por los derechos de la humanidad.

P. Convencieron al australiano Peter Norman [plata] para llevar la pegatina del OPHR.

R. Sí, pero yo no quería que un hombre blanco la llevara. El Proyecto era para todas las personas del mundo, negras o blancas, y yo no quería que nadie tuviera problemas por eso. La idea de que Norman la llevara fue de John Carlos y él también quiso llevarla sobre el escudo del comité australiano. Yo conocía la historia de Australia sobre cómo habían tratado a los aborígenes. Sabía que eso podía ser un problema para él porque se interpretaba que estaba de parte de los negros de Estados Unidos. Y eso fue lo que sucedió. Como a nosotros, le echaron de la Villa Olímpica, abusaron de él en su país, le apartaron socialmente.

P. ¿Tuvo miedo cuando cerró su puño y lo alzó?

R. He tenido miedo toda mi vida. No es una cosa que se preparase en dos o tres años. Los jóvenes afroamericanos, incluso hoy, son dianas en Estados Unidos, así de sencillo.

P. ¿No ha cambiado nada?

R. Claro que sí, muchas cosas. Nuestro presidente electo, Barack Obama, es afroamericano. Y eso no ha sido una cosa que nos haya ocurrido en un día. Hemos luchado por una mejora y, como consecuencia de esa lucha, ahora hay un presidente negro. Ha sido un proceso muy lento. Eso no quiere decir que todo vaya bien. Pero, gracias a la forma en que piensa Obama respecto al cambio social, la lucha no ha terminado. Sólo acaba de empezar.

P. ¿Cómo le cambió la vida después del gesto?

R. Todo cambió para siempre. Recibimos amenazas de muerte, cartas, llamadas… Después de los Juegos Olímpicos, todos mis amigos desaparecieron. Tenían miedo de perder sus amistades blancas y sus puestos de trabajo. Yo tenía 11 récords del mundo, más que cualquier persona en el mundo, y el único trabajo que encontré fue lavando coches en un aparcamiento. Y me echaron porque mi jefe dijo que no quería que nadie trabajara conmigo. No quería que alguien que defendía la igualdad de derechos estuviera en su plantilla.

P. ¿Nadie le ayudó?

R. Todo el mundo tenía mucho miedo. A mis hermanos les echaron del colegio. A otros, en el equipo de fútbol de la universidad, les prohibieron competir por lo que yo hice.

P. Ha llamado estúpidos a los miembros del COI. ¿Nadie le ha pedido perdón?

R. No, nunca. En privado me dicen: ‘Estuvo muy mal lo que te hicieron, fue una pena…’. Mentiras. Destruyeron mi vida, la de John, la de Norman… La esposa de John se suicidó, yo me divorcié… Todo, por pedir que las personas seamos iguales. Todo eso lo consintió el COI y el comité estadounidense no hizo nada por pararlo.

P. ¿Todavía ve racismo en el deporte?

R. Siempre que exista al hombre existirá el racismo. Tenemos un presidente negro y hemos caminado mucho, pero eso no quiere decir que todo lo negativo se haya eliminado.

P. Cuando mira atrás, ¿se siente orgulloso de su vida?

R. Muy orgulloso. Mis padres lucharon mucho para sacarnos adelante trabajando. Mi fortaleza viene de mi origen. Mi fuerza nace de mi trasfondo personal y familiar. Nadie puede destruir cómo me siento.

P. ¿Todavía corre?

R. Sí, tengo un gimnasio en mi casa. Salgo a correr en el parque de Georgia. Hay muchos senderos que eran el lugar donde se reunía el Ku Klux Klan. Los negros no podíamos pisar esos parques en el sur de Estados Unidos y yo hoy vivo ahí. Ahora vivimos donde queremos y no donde nos plantan. Y viajo por todo el mundo para contar mi vida.

P. ¿Qué supone Obama?

R. Necesitábamos un cambio así. No porque sea negro, sino por lo que representa, la lucha de toda mi vida.

18/10/2008 - 22:44h A participação da Folha na luta dos demo-tucanos contra Marta

Os jornais de amanha estão disponiveis em São Paulo hoje. Na edição de domingo da Folha o ombudsman publica uma coluna com o título “Faça o que digo, não o que faço”. Na sua coluna o ombudsman da Folha considera “um grave erro editorial” o exagero despropositado na exposição da vida pessoal do prefeito.

Pessoalmente, e contrariamente ao ombudsman, eu não penso que teve exagero da Folha e sim ação premeditada para sustentar a campanha eleitoral de Kassab após o primeiro debate na Band. A Folha decidiu agir para desviar o foco do debate eleitoral para o terreno da vida pessoal, utilizando como pretexto a leitura que a Folha fez do comercial de João Santana.

Segundo o ombudsman: “Todos os temas de políticas públicas, cerne da discussão para os eleitores decidirem seu voto, desapareceram do jornal de segunda a sexta.” A pesquisa Datafolha viria “coroar” esse esforço da Folha.

Eu já tinha alertado sobre a movimentação da Folha nessa direção, bem antes do início da campanha do segundo turno. Em nota postada aqui no blog, em 4 de outubro, concluí: “Mas a Folha abre a porta ao desencadeamento das piores manifestações de intolerância e de preconceito.” Ela já tinha descambado para falar da vida privada da Marta. (ver Trajetórias).

Para o jornal falar sobre os casamentos de Marta, insinuar traição conjugal, configurava uma questão “natural”, ao ponto de terem sido estes os destaques que o jornal deu no domingo 5 de outubro a trajetória da Marta publicada pela Folha.

Nesse dia, a Folha de São Paulo apresentou a trajetória de Marta começando com uma foto do seu casamento com Eduardo Suplicy e concluiu sua trajetória com uma foto do casamento comigo. O fato de Marta ter sido casada, posteriormente ter divorciado e casado novamente, para a Folha merecia destaque e era uma questão pertinente. A legenda da foto de nosso casamento dizia que em 2001 Marta tinha dito a sua mãe que estava apaixonada e que em 2002 tinha se separado de Eduardo. As datas da Folha eram propositalmente erradas, Marta se separou publicamente em 2001, poucos dias após ter dito a sua mãe que estava apaixonada. Para a Folha a vida privada de Marta merecia destaque, sua paixão também, sua separação idem.

Nem Clovis Rossi, nem Eliane Cantânhede, nem Janio de Freitas, nem Gilberto Dimenstein, nem Fernando de Barros, nem Kennedy Alencar, nenhum deles viu nada que merecesse comentário.

No que, poderíamos perguntar, a vida privada da Marta importava para os eleitores? Qual é a insinuação que a Folha fazia sobre a vida privada de minha esposa?

Faz  anos que a mídia trata intensamente da vida privada de Marta, de suas roupas, de seu divórcio, do que come no restaurante, do cabeleireiro, de onde passa suas férias e assim vai. Invadiram sua casa para fotografar os quartos, incitaram em permanência a xenofobia contra minha origem argentina e estrangeira.

A Folha se justificava considerando que as pessoas públicas devem aceitar uma certa “intrusão” na sua vida privada. A Folha até procurou entrevistar a mãe de meus filhos, na França,  para tentar obter detalhes sobre minha vida pessoal. Tudo em nome da informação e do direito do leitor a saber quem são as pessoas próximas das figuras públicas.

Sob pretexto de ecoar as motivações dos eleitores, quantas reportagens não traziam afirmações sobre a “família desregrada da Marta”, ou a “questão moral”. Recentemente a Folha convocou dois “cientistas políticos” para comentarem sobre o peso da “rejeição ao marido franco-argentino” e de novo “a moral”. O Estadão fez igual em artigo de Vera Rosa.

Não recebi, nem ouvi manifestação de solidariedade com a Marta, de nenhum dos que se apressaram a posar de “santos” para condenar o comercial do PT. Eu protestei com o ombudsman da Folha pela insinuação e a utilização da vida privada de Marta.  O ombudsman até concordou comigo, mas na sua coluna do domingo seguinte nada diz.

Eu escrevi um artigo aqui denunciando a campanha eleitoral da Folha. Nenhum dos que agora posam de defensores do respeito à privacidade, manifestou-se. Nenhuma carta no Painel do Leitor manifestou qualquer indignação. Nenhum dos que agora querem posar de “éticos”, incluso alguns apoiadores da Marta, manifestou-se para questionar o direito da Folha de destacar os casamentos e a vida privada da candidata Marta.

O ombudsman escreve agora na sua coluna:
“Se o jornal acha que a vida íntima do prefeito não é relevante, por que le dá tanto relevo?
Além de incentivar a degradação do ambiente político, a decisão incoerente de tornar tal caso o prioritário da campanha do segundo turno provocou desequilíbrio total no tratamento até então relativamente justo que o jornal vinha dando aos dois candidatos.
Marta Suplicy recebeu nestes cinco dias uma carga de matérias negativas absolutamente desproporcional em relação ao seu adversário.
Por exemplo, ela foi alvo de oito textos opinativos críticos; Kassab, de nenhum. Das 19 cartas publicadas, 15 foram contra Marta.”

Na sua entrevista para a mesma Folha, João Santana o responsável do marketing eleitoral da Marta, diz que seu erro “foi não ter previsto a reação que o comercial provocaria em determinados setores. Uma reação causada, na maioria dos casos, por interpretações equivocadas.” Ele acrescenta também “Já disse que errei por não ter previsto a onda que se formou. Lamento profundamente. No entanto, não posso deixar de reconhecer que houve exagero e até manipulação.
Ninguém, por exemplo, publicou o texto completo do comercial. Ele não transgride, em nenhum momento, os limites da ética e da elegância. Em pesquisa que fizemos depois -e isso foi confirmado por reportagem da Folha-, a maioria das pessoas disse não ter sentido nenhuma malícia de natureza sexual no comercial. Somente começaram a interpretar isso depois da polêmica instaurada.” 

O ombudsman diz que a Folha “nunca deveria se prestar ao trabalho sujo que outros veículos fazem com muito prazer e competência”.

Eu mostrei que a Folha foi a primeira a fazer o “trabalho sujo” contra Marta publicando “informe publicitário” atentando violentamente contra nossa privacidade, em abril de 2001 (ver A Folha e a nossa vida privada) e prosseguiu permanentemente durante estes sete anos.

O que agora fica claro é que existe um elo que une aquela primeira campanha da Folha em 2001 e a campanha de agora. Esse elo é o vínculo político estreito entre a Folha e José Serra.

O “trabalho sujo” ao qual a Folha se prestou é, em verdade, decorrente de seu engajamento político.

A democracia ganharia se esse engajamento, como nos Estados-Unidos por exemplo, fosse assumido publicamente e de forma transparente pelo jornal. Mas a Folha também prefere travestir seu engajamento partidário, em “jornalismo”.

Luis Favre

17/10/2008 - 12:56h Marqueteiro admite erro de avaliação, mas defende peça

ELEIÇÕES 2008 / SÃO PAULO

João Santana diz que não calculou reações e que Marta desconhecia publicidade

Publicitário diz que intenção era “tocar no desconforto de eleitores kassabistas por não conhecerem bem a biografia do candidato”

RENATA LO PRETE – FOLHA SP

EDITORA DO PAINEL

Na berlinda desde domingo, quando foi ao ar o já célebre comercial com perguntas de natureza pessoal sobre Gilberto Kassab (”É casado? Tem filhos?”), João Santana, responsável pela propaganda de Marta Suplicy, “lamenta profundamente” “não ter previsto a onda que se formou”. Esse é, porém, o único erro que reconhece. A peça, em seu entender, “não transgride os limites da ética e da elegância”.

Na entrevista abaixo, a primeira em que trata do caso, Santana negou, como Marta já fizera, que as questões contivessem insinuação de homossexualidade. E repetiu a candidata do PT ao dizer que ela não viu a peça antes da exibição.

Marqueteiro da reeleição de Lula, Santana, 55, administra a ampla desvantagem de Marta a nove dias da votação final.

FOLHA – Até mesmo petistas e eleitores de Marta consideraram a peça “jogo sujo”, “insinuação maldosa”, “invasão de privacidade” etc. A campanha admite que errou?

JOÃO SANTANA
– O único erro foi não ter previsto a reação que o comercial provocaria em determinados setores. Uma reação causada, na maioria dos casos, por interpretações equivocadas. Tão logo verificamos isso, retiramos o comercial do ar.

FOLHA – A campanha alega que as duas perguntas não guardam relação com o assunto homossexualidade. Não lhe parece difícil fazer com que pessoas com algum discernimento acreditem nisso?

SANTANA
– São duas perguntas que todo mundo é obrigado a responder em várias situações na vida. Havia outras perguntas de natureza familiar (”É de família rica? Pobre?”) que tiveram de ser cortadas por ajuste de tempo. Sei que é difícil acreditar, mas o fato de as duas perguntas terem ficado no final não foi intencional.

FOLHA – Havia, então, uma definição estratégica de expor a vida privada do adversário?

SANTANA – Não havia e não há.
A definição estratégica era tocar no desconforto de eleitores kassabistas por não conhecerem a biografia do candidato. Toda vez que isso era estimulado nos grupos, esse desconforto se traduzia numa dúvida forte. Foi então que criamos uma série de comerciais para provocar reflexão. Não havia intenção de entrar no terreno que acabou gerando toda a polêmica. Tampouco surgiu essa reação nas pesquisas qualitativas.

FOLHA – Não lhe parece que foi subestimado o potencial de rejeição ao comercial por um tipo de público que não é entrevistado nas quális?

SANTANA – Infelizmente sim. Em especial pessoas que já tinham determinados preconceitos, informações mal resolvidas ou envolvimento emocional com a disputa eleitoral.

FOLHA – Marta teve conhecimento prévio do conteúdo do comercial?

JOÃO SANTANA – Não, ela realmente não viu o comercial antes de ir ao ar. Estava acertado, desde o primeiro turno, que eu tinha liberdade para tomar esse tipo de decisão, a depender de problemas de prazo.

FOLHA – O sr. acha que, se Marta tivesse visto, teria se oposto?

SANTANA – É difícil responder a esta pergunta agora. Mas talvez sim, por causa de seu “feeling” de psicóloga e da sensibilidade de pessoa que vive, constantemente, sob questionamento.

FOLHA – Culpar a mídia pela má repercussão não é uma forma de fugir à responsabilidade por uma decisão errada que a campanha tomou?

SANTANA
– Já disse que errei por não ter previsto a onda que se formou. Lamento profundamente. No entanto, não posso deixar de reconhecer que houve exagero e até manipulação.
Ninguém, por exemplo, publicou o texto completo do comercial. Ele não transgride, em nenhum momento, os limites da ética e da elegância. Em pesquisa que fizemos depois -e isso foi confirmado por reportagem da Folha-, a maioria das pessoas disse não ter sentido nenhuma malícia de natureza sexual no comercial. Somente começaram a interpretar isso depois da polêmica instaurada.

FOLHA – Acha relevante saber se o candidato é casado e se tem filhos?

SANTANA – Acho. O eleitor gosta e tem o direito de saber tudo sobre o candidato. Quer saber até para que time ele torce.
Além disso, o que nos interessava ali não era uma ou outra pergunta específica, e sim despertar no eleitor, por meio de uma série de questões, a dúvida sobre tudo o que ele desconhece a respeito de Kassab.

15/10/2008 - 18:24h Vestais II

Um jornalista me perguntou onde saíram os ataques e ofensas contra nós, de Alberto Goldman, que mencionei no post Como reagiu a mídia e Clovis Rossi em 2004?

No post mostrei como os atuais defensores da ética não tinham escrito nada sobre esses ataques, calado obsequiosamente perante a baixaria. E agora posso dizer, porque eram cúmplices. Procurem, por exemplo, se após o artigo que reproduzo a seguir, da Folha de São Paulo, os atuais indignados manifestaram o mesmo barulho de indignação na época.

Vejam se o atual linchamento da Marta por parte deles, teve seu equivalente quando em 2004 os tucanos-kassabistas agiam? E não venham com aquela de “por eles terem sido vitimas, não podiam permitir…”.

Eu quero saber o que os vestais escreveram então, para evitar que fôssemos vítimas?

Luis Favre

ELEIÇÕES 2004/CAMPANHA

Críticas foram feitas por deputados; candidato defendeu a revisão da dívida municipal
Tucanos fazem ataque pessoal a Marta no 1º comício de Serra

Matuiti Mayezo/Folha Imagem
José Serra durante comício em conjunto habitacional em Jaraguá, na zona norte de São Paulo

CHICO DE GOIS
DA REPORTAGEM LOCAL

No primeiro comício da campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo, deputados tucanos atacaram a prefeita Marta Suplicy (PT), candidata à reeleição, e o seu marido, Luis Favre. De quebra, sobrou ainda para o ex-prefeito Paulo Maluf (PP), que também está na disputa eleitoral.
Ao falar sobre a dívida da prefeitura, de cerca de R$ 27 bilhões, o deputado federal Alberto Goldman (SP) perguntou: “Quero saber cadê o dinheiro. De um deles, a gente sabe onde está: na Suíça. E o da Marta? Vamos perguntar para ela ou para o marido dela onde está o dinheiro de São Paulo”.
O público, estimado pela Polícia Militar em 1.200 pessoas, aplaudiu. Antes, o deputado estadual Celino Cardoso (SP) também já havia atacado a prefeita. “Vamos falar da importância de tirar a prefeitura das mãos desta mulher, que parece uma menininha que só quer saber de viajar e namorar e esquece da cidade”, afirmou.
Já Serra priorizou temas referentes ao Jaraguá, bairro da zona norte onde ocorreu o comício.
Em resposta aos ataques, o secretário municipal do Abastecimento, Valdemir Garreta, um dos coordenadores da campanha de Marta, disse que “todos sabem que as dívidas do município e do Estado de São Paulo chegaram a este ponto por causa dos juros do PSDB [durante o governo FHC].”
Garreta não quis comentar as ofensas pessoais e disse apenas que “os dois deputados responderão na Justiça pelas calúnias”. (…) Folha de São Paulo, 12 de julho de 2004.

15/10/2008 - 09:08h Como reagiu a mídia e Clovis Rossi em 2004?

Como a mídia reagiu a esta acusação caluniosa, ofensiva, escrota?

O que Clovis Rossi comentou? e Eliane Cantânhede?

O documento oficial dos tucanos (ver artigo da Folha a seguir) não fazia nenhuma pergunta, não insinuava nada. Afirmava em alto e bom som calúnia, grosseria, invasão de vida privada. Qual foi a reação da Folha, fora registrar o fato? Algum tucano tinha jogado sua biografia na sarjeta, por isto?

O Goldman diz em algum lugar que “errou”? O candidato Serra mentiu quando diz que não sabia?

Fariseus e hipócritas de plantão pensam que contra o PT todo pode e fica por isso mesmo?

Acabou essa história dos militantes do PT ajoelhar no milho, enquanto somos insultados, caluniados, atacados na nossa vida privada e procuram atingir nossa honra.

Chega desses tartufos da direita que quando a esquerda é caluniada, olham para outro lado e permanentemente invocam a ética para encobrir as falcatruas dos seus protegidos.

Luis Favre

A seguir artigo da Folha de São Paulo 31 de julho de 2004

ELEIÇÕES 2004/CAMPANHA

Na internet, partido diz que prefeita tem “dois maridos’; PT reage e distribui cópias do documento a jornalistas em evento oficial

PSDB volta a atacar vida pessoal de Marta

CHICO DE GOIS
ANDRÉ NICOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL

O PSDB voltou a atacar a vida pessoal da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), vinte dias depois que deputados do partido fizeram insinuações contra ela e seu marido, Luis Favre.
Anteontem, o site do Diretório Nacional do PSDB divulgou uma nota intitulada “Dona Marta e seus “dois maridos’”, na qual fazia referência à participação do senador e ex-marido de Marta, Eduardo Suplicy, na campanha da prefeita à reeleição.
Ontem, os tucanos tiraram o texto do ar. O PT informou que irá entrar na Justiça com uma ação contra o PSDB. A prefeita afirmou que ainda não sabia se ela, pessoalmente, faria o mesmo. E o senador Eduardo Suplicy classificou de “bobagem” as afirmações feitas pelo PSDB. “Sou senador por São Paulo e a prefeita me convidou para visitar uma obra.”
Ontem à noite, o senador acompanhou a prefeita no lançamento de um comitê de campanha de Marta na Penha, zona leste.
Como divulgado anteontem pela Folha na coluna “Toda Mídia”, do jornalista Nelson de Sá, a nota dizia que “a participação do senador na campanha da ex-mulher é uma das estratégias da direção petista para enfrentar o desgaste sofrido por ela por conta da separação dos dois”.
O texto concluía que “dona Marta tem “dois maridos”. Cá entre nós: que papelzinho ridículo o senador Suplicy se prestou ao sair em “campanha” para mitigar a imagem que a sra. Marta construiu para si mesma”.
Cópias da página do PSDB foram distribuídas para os jornalistas na manhã de ontem por assessores da campanha de Marta durante evento para sancionar lei de criação dos conselhos de representantes de subprefeituras.
A assessoria de imprensa do Diretório Nacional do PSDB informou que “a orientação do partido é para não entrar nesse tipo de debate”. A assessoria admitiu que “foi um erro” a edição da nota e informou que, ao perceber o erro, retirou o texto do ar.
Ontem o candidato a prefeito do PSDB, José Serra, afirmou desconhecer a nota, mas disse não apoiar esse tipo de ataque.
De acordo com o coordenador-geral da campanha petista, deputado estadual Ítalo Cardoso, o departamento jurídico do PT entraria com uma ação na Justiça, mas ainda não estava definido se seria apenas civil ou também criminal.
O candidato a vice de Marta, Rui Falcão, disse, no lançamento de um comitê em Aricanduva, zona leste, que “pela segunda vez, adversários que se dizem detentores da ética e do trabalho agridem o PT e a prefeita”. Falcão disse que “não vamos aceitar provocações, mas também não vamos aceitar nenhum tipo de intimidação”.
Ele se referia às afirmações do deputado federal Alberto Goldman e do deputado estadual Celino Cardoso em um comício no dia 11 de julho. Na ocasião, Goldman disse: “Quero saber cadê o dinheiro. De um deles, a gente sabe onde está: na Suíça. E o da Marta? Vamos perguntar para ela ou para o marido dela onde está o dinheiro de São Paulo”.

05/10/2008 - 13:40h “Experimentemos que somos eternos”, “ponto por ponto”

Alain Badiou

Badiou. Piensa que se debe construir una nueva política a partir de la idea de que hay un solo mundo, donde todos debemos convivir
 Foto: Soledad Aznarez

 

 

La filosofía y una vida más fuerte que la vida

A propósito de su nuevo libro, Lógicas de los mundos (Manantial), segunda parte de su obra mayor, El ser y el acontecimiento, el filósofo francés habla del platonismo, el nuevo período de la “hipótesis comunista” que abrió Mayo del 68 y la política de Sarkozy que busca instaurar muros de miedo, como los que existen entre México y estados Unidos, y entre Israel y los palestinos. Además se refiere a lo que el hombre trasciende al hombre y comenta su frase “La Historia no existe”

Por María del Carmen Rodríguez de la Redacción de LA NACION

El arte -escribe Alain Badiou en su “Esbozo para un primer manifiesto del afirmacionismo”- “debe estar tan sólidamente ligado como una demostración, ser tan sorprendente como un ataque nocturno y tan elevado como una estrella”. El tono contundente de esta afirmación es uno de los tantos con que el máximo exponente de la filosofía francesa contemporánea, orador sin par, suele sumir en el más atento de los mutismos a todos sus oyentes. Lo recuerdan, sin duda, quienes asistieron en 2003 -para atenernos sólo a los eventos locales más recientes- a sus charlas y a su seminario “El cine como experimentación filosófica” (publicado en G. Yoel, comp., Pensar el cine 1 , Manantial, 2004) o a sus conferencias de 2004, entre ellas, las dictadas en Rosario (publicadas en Justicia, filosofía y literatura , Homo Sapiens, 2007). Lo disfrutarán quienes se acerquen a escucharlo en la primera semana de diciembre, cuando Badiou nos visite para hablarnos -entre otros temas- de “Filosofía y matemática” y de “Filosofía y política”, y para presentar el segundo tomo de su obra mayor, El ser y el acontecimiento (1988; Manantial, 1999), publicado en Francia en 2006 y cuya traducción, Lógicas de los mundos (Manantial), está disponible en librerías desde hace una semana.

Más allá del tono, la afirmación de Badiou con respecto al arte podría trasponerse a su propia obra filosófica, cuya novedad y cuya complejidad exigirán una lectura atenta, lápiz en mano, a los lectores deseosos de un pensamiento fuerte. En cuanto a la variedad de sus tonos y a la versatilidad de su lengua, cabe recordar que este gran filósofo cuya obra, por su sistematicidad y su consistencia, podría compararse con la de Hegel, es a la vez matemático, novelista, dramaturgo, militante de terreno y (¿por qué no decirlo?) hombre de armas tomar.

Alain Badiou nació en Rabat (Marruecos) en 1937 y pasó gran parte de su infancia y de su adolescencia en Toulouse. Se instaló en 1956 en París, donde hizo sus estudios de filosofía en la École normale supérieure (allí preside hoy el Centre international d étude de la philosophie française contemporaine) y entró de lleno en las primeras manifestaciones universitarias contra la guerra de Argelia, preludio de otras tantas en las que participaría en su tenaz militancia política, entre ellas -por supuesto- las de Mayo del 68, acontecimiento en cuyas consecuencias sigue trabajando. En la etapa decisiva de su formación filosófica tuvo tres maestros: Sartre, Lacan y Althusser. Publicó dos novelas antes de 1969, año en que apareció su primer libro de filosofía, El concepto de modelo, y otra a fines de los años noventa, década en la que desplegó su obra de dramaturgo. Desde 1969 y hasta 1999 fue profesor en la Universidad de París VIII, donde se cruzó más de una vez en los pasillos con Gilles Deleuze, con quien mantuvo una relación alternativamente hostil, amistosa o evasiva sobre la cual se extiende en el primer capítulo de Deleuze, “El clamor del Ser” (1997; Manantial, 2002).

El punto de contacto y de cortocircuito entre ambos filósofos supone puntos en común nada desdeñables: ambos permanecen indiferentes al anuncio del “fin de la filosofía” y no rehúyen los desafíos de la metafísica; ambos construyen -cada uno a su modo- una filosofía potente y afirmativa, lo cual los confrontó abiertamente con un enemigo común: los denominados “nuevos filósofos” (entre ellos, Bernard-Henri Lévy y André Glucksmann), mediáticos y consensuales, cuyo pensamiento Deleuze supo calificar de “nulo”. Lo que los separa lleva más lejos y remite -como señala Badiou- a dos grandes tradiciones de la filosofía francesa: Deleuze es el portavoz de la tradición “vitalista”, que parte de Bergson y en la que se incluyen, digamos, Foucault y Simondon; Badiou, por su parte, se enlista de buen grado en la tradición del idealismo matematizante de Brunschvicg, en la que se eslabonan también, de maneras disímiles, Althusser y Lacan. Si remontamos más lejos, basta con recordar que el proyecto de Deleuze -en la estela de Nietzsche- es “invertir el platonismo”, y que Platón es, para Badiou, un referente mayor.

Que los medios galos se refieran a Badiou como “nuestro pensador faro de la izquierda radical” marca otro tono: su radicalismo afirmativo, tanto en la acción como en el pensamiento. En esas arenas lidió con otros grandes filósofos (Derrida y Lyotard, por ejemplo) que poblaron, desde los años setenta, el fecundo campo de las ideas en Francia, y que en Petit panthéon portatif (”Pequeño panteón portátil”, 2008) se ven hoy cálidamente homenajeados -junto a quienes fueron sus maestros o amigos-, “elevados como estrellas” en esa constelación mallarmeana que reaparece, intermitentemente, en esta obra en que el suelo y el cielo forman más de una conjunción.

Alain Badiou concedió generosamente a adn CULTURA esta entrevista, robándole tiempo a su tiempo para responder a algunas preguntas por correo electrónico, y en el punto de llegada de cada respuesta parecía entreverse su inmensa figura cuando el campo de batalla, o la amistad, llama.

(mais…)

18/07/2008 - 16:04h Aviso aos navegantes

Um personagem denominado Hugo Studart esta difundindo na internet calunias e mentiras ao meu respeito, repercutidas, com a mesma finalidade ofensiva a minha honra, por outro individuo chamado Cláudio Humberto. Este último já foi objeto de um processo por propositos infamantes a meu respeito e a justiça o condenou a pagar indenização financeira pelas ofensas e mentiras.
Condenado, ele pagou e agora reincide.
Vou novamente entrar na justiça para exigir reparação perante essa atitude difamadora, inverídica e caluniosa que procura atingir minha honra. Luis Favre

16/07/2008 - 19:42h Turma de Alckmin pede expulsão dos serristas do PSDB

Deputado do PSDB entra com representação contra tucanos kassabistas

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THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) afirmou que encaminhou representações no partido contra os filiados que apóiam a reeleição do atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Segundo ele, as representações foram encaminhadas para as esferas municipal, estadual e nacional do partido e pede que os tucanos com cargos na administração municipal sejam expulsos caso não peçam demissão.

“Ou larga o partido para continuar no cargo dele ou será expulso”, afirma o deputado, que prega o apoio irrestrito aos candidatos do partido, seja ele quem for.

Segundo Tobias, as representações não são nominais, mas referem-se à cerca de 30 pessoas, entre vereadores e membros da administração municipal, que apóiam a candidatura Kassab, participando, inclusive, da formulação do plano de governo para um possível segundo mandato do atual prefeito.

Na terça-feira (15), o diretório estadual do PSDB encaminhou uma carta aos filiados ameaçando levar para o conselho de ética da legenda todos os correligionários que fizerem campanha para outros candidatos.

No texto, assinado pelo presidente do diretório estadual da legenda, Antonio Carlos Mendes Thame, os filiados “que apoiarem publicamente nossos concorrentes, deverão ser encaminhados ao conselho de ética e fidelidade partidária”.

Alckmin evita se posicionar a respeito do assunto, afirmando ser um “assunto partidário”. Em outras ocasiões, já afirmou ser indiferente ao apoio de tucanos à Kassab. Questionado se apóia a cobrança por fidelidade no partido, o ex-governador disse apenas ser um “homem fiel”.

Pessoas próximas de sua campanha afirmam que o ex-governador chegou a se opor às representações encaminhadas por Tobias, tratando-se de uma iniciativa pessoal do deputado. Tobias confirma: “Estou fazendo como militante”, afirma.

12/07/2008 - 09:28h Exemplar sr. Dantas

A imagem “http://www.cartacapital.com.br/uploads/destaques/1215808413524.jpg” contém erros e não pode ser exibida.11/07/2008

Luiz Gonzaga Belluzzo

“Preferi a tranqüilidade do silêncio ao ruído das propagandas falazes; não suportei afetações; as cortesias rasteiras, sinuosas e insinuantes, jamais encontraram agasalho em mim; em lugar algum pretendi subjugar, mas ninguém me viu acorrentado a submissões; – dentro de uma humildade que ganhei no berço, abominei a egomania e a idolatria; não me convenceram as aparências, e para as minhas convicções busquei sempre os escaninhos. No exercício das minhas funções de magistrado, diuturnamente, dei o máximo dos meus esforços para bem desempenhá-las,(…) em nenhum momento transigi com a nobreza do cargo; escapei de juízos temerários, tomando cautelas para desembaraçar-me das influências e preferências determinantes de uma decisão; – e, se alguma vez, inadvertidamente, pequei contra a lei, vai-me a certeza de que o fiz para distribuir bondade e benevolência.” 

Discurso pronunciado pelo juiz Luiz Gonzaga Belluzzo (1916-2000), por ocasião de sua aposentadoria

Heidegger disse em seu livro sobre Nietzsche: a idéia do eterno retorno do mesmo é o desdobramento íntimo da idéia da vontade de potência. Nietzsche, atento às trágicas idiossincrasias do homem produzido pela sociedade moderna, seria incapaz de antecipar a completa realização de seus conceitos num país tropical. Aqui a vontade de potência reescreve, em vários capítulos, o eterno retorno do mesmo.

Em obediência à sabedoria nietzschiana, cuido de reescrever o texto que tantas vezes escrevi diante de episódios semelhantes ao da prisão de Daniel Dantas. Este senhor, cuja prisão é anunciada com pompa, mas nenhuma circunspeção, foi um servidor fiel das forças que agora promovem a sua liquidação moral e política.

Os cínicos ou néscios ignoram que o peso dos interesses e os interesses de peso transformaram os Estados Nacionais, uns mais que outros, em instrumentos de acumulação dos grandes grupos privados. Assim é o capitalismo realmente existente e, por isso, assim é (e sempre foi) nos Estados Unidos da América, desde os barões ladrões até o escritório de corretagem organizado por George Bush & cia. Essa engrenagem controla o Estado por dentro e, para reproduzir a si mesma, esmera-se em produzir os funcionários corruptos e os escândalos empresariais, num movimento simultâneo e paradoxal. Mas a autoconsciência do Estado Plutocrático americano não permite que a situação escape ao controle: institucionalizou o lobby e limitou o ilícito. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, advogou publicamente a “suavização” da Lei Sarbanes-Oxley, promulgada depois da sucessão de escândalos promovidos pelas “inovações” financeiras da Enron e inventividades assemelhadas.

Na caricatura à brasileira, a falsidade da consciência sai pelas bocas, num jorro de hipocrisias. O Tratado de Trapalhadas Morais, da lavra do establishment nativo, contém a lógica essencial que inspira o combate aos maus costumes na administração pública: ocultar as raízes do mal. Não é surpreendente que os escândalos se multipliquem. Os liberais querem resolver isso fazendo com que o Estado deixe de se intrometer nos assuntos econômicos. Essa sugestão esbarra na lei de ferro da economia contemporânea: a luta para sobreviver às asperezas da concorrência nos mercados exige mediação financeira do Estado e a cooperação, lícita ou ilícita, dos que se envolvem na concorrência política.

Os mercadores de favorecimentos estão por toda parte, surgem dos cantos, brotam das paredes dos edifícios públicos. Tentar caçá-los como quem organiza um safári da ética é candidatar-se a um monumental fracasso e iludir o distinto público. A despeito de quantos rostos possa simular, o fenômeno é fácil de decifrar: na economia da concorrência imperfeita vale tudo para eliminar o adversário e saciar a sanha pela grana do Erário.

Nos locais de música ambiente e comida requintada, nos intervalos em que a taça do melhor vinho se afasta dos lábios, os sussurros lamentam os abusos dos agentes da lei. É tal a obsessão com hierarquia das coisas ou das pessoas que nem mesmo os corruptos e a corrupção conseguem escapar à fúria classificatória. Veja o caro leitor que as aventuras financeiras do senhor Dantas e as peripécias fiscais e cambiais de outros graúdos foram e continuam sendo apreciadas pela turma da anedota e champanhota sob o prisma da categoria social dos que perpetraram as malfeitorias.

Mas classe é classe, diria o conhecido locutor esportivo. Não foi outro o crivo ideológico, digamos assim, que levou ao arquivo morto da memória nacional as denúncias de evasão de divisas e fraudes fiscais promovidas no escândalo do Banestado. Os bem-nascidos nem sequer dissimulam sua convicção profunda a respeito do tratamento que deve ser dispensado aos criminosos de primeira, segunda e terceira classes. Devemos, porém, nos precatar contra dois argumentos antitéticos, mas que têm a mesma origem. O primeiro é dos espertalhões: já que todos são corruptos, diante da geléia geral, é melhor deixar tudo como está; o segundo é dos Torquemadas: todos são culpados, até prova em contrário.

As “espetacularizações’ e fanfarronadas dos agentes da lei são o espelho da hipocrisia dos senhores. “Aos ricos daremos o mesmo tratamento que concedem aos pobres”: o desrespeito, a violação dos direitos elementares, a humilhação pública. Danosos para a reputação da República e desastrosos para os direitos dos cidadãos, os arreganhos e vazamentos midiáticos estimulam os piores instintos do rebanho. A massa de remediados que se expressam na internet clama por justiça, mesmo à custa de insuflar a soldadesca que atira a esmo e mata inocentes. Uns e outros revelam impulso incontrolável para difundir uma visão do mundo elaborada a quatro mãos por Gêngis Khan e Al Capone.

Então caberia pesar as conveniências da execração de um personagem tão emblemático, uma encarnação dos vícios e das virtudes do sistema dominante. Os vícios são muitos. Deixo à imaginação do leitor o trabalho de enunciar o elenco. Quanto às virtudes, dentre as poucas, sobressai a capacidade de reprodução das alianças de poder mesmo à custa do sacrifício de alguns poderosos.

Esta, aliás, é a aposta dos que praticam profissionalmente o conhecido esporte de chute ao cadáver. Alguns senhores e seus jagunços já preparam – quando ainda não desferiram – requintados pontapés na carcaça de quem, afinal, serviu tão bem a seus interesses e apetites. Talvez por isso tenham escapado do naufrágio do regime militar, entronizados na democracia como um corifeu das liberdades.

Nada pode ser mais trágico para uma sociedade do que a particularização da prestação da Justiça. No episódio Dantas, o vício da particularização deu o ar da graça no deplorável debate travado no Senado da República. O bate-boca revelou uma supina incompreensão dos parlamentares, dos que defenderam e dos que atacaram a decisão do presidente do STF. Adstrita ao cumprimento da lei, a decisão caminhou na contramão dos arreganhos autoritários da opinião massificada. A contaminação das decisões judiciais pelos movimentos mercuriais da opinião das massas é o descalabro. Há quem perceba o fenômeno e o abomine, mas prefere se recolher diante da contundência e da ousadia dos que buscam – enquanto escapam pela tangente – saciar os clamores de justiça nascidos no baixo-ventre.

A concentração e confusão de poderes reproduzem dois fenômenos gêmeos, funestos para a ordem democrática: a apatia popular e a busca de heróis vingadores, capazes de limpar a cidade (ou o País), ainda que isto custe a devastação das garantias individuais. Nesta cruzada antidemocrática, militam os agentes da lei que fazem gravações clandestinas ou inventam provas, e os jornalistas que, em nome de uma “boa causa”, tentam manipular e ludibriar a opinião pública.

24/06/2008 - 15:58h Os medos do Estadão

A imagem “http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080624/img/capadodia.jpg” contém erros e não pode ser exibida.O Editorial do Estadão de hoje é uma peça de ficção. Um exercício de wishful thinking, de “criação ilusória de fatos que se desejaria fossem realidade”, na tradução precisa do dicionário Michaelis.

O editorial do jornal O Estado de São Paulo lança hoje um sonoro ufa, de alívio prematuro, pela escolha de Alckmin como candidato do PSDB e pelo suposto apoio de Serra a esta escolha.

“o PSDB de São Paulo chegou à melhor solução possível. E isso, especialmente, porque o governador Serra soube enfatizar a possibilidade real de restabelecer a aliança PSDB-DEM no muito provável segundo turno entre um deles e a candidata do PT. “Se a aliança não se traduziu agora numa candidatura única, tem que se traduzir, sim, numa unidade no segundo turno” – disse o governador em seu pronunciamento na Convenção.”

O editorial finge ignorar que os serristas opostos a candidatura Alckmin eram uma minoria e não tinham nenhuma possibilidade de impedir o PSDB de lançar Alckmin candidato, mesmo que quisessem.

O editorial desestima também que essa candidatura nasce marcada pela divisão tucana e sem o consenso dos caciques, consenso que sempre pautou as decisões tucanas. Pior, ela concorre diretamente com Kassab, o candidato de José Serra, da maioria dos vereadores do PSDB e dos quadros que exercem funções no aparelho municipal e estadual. Todos eles continuarão fazendo campanha por Kassab, mesmo se a formalidade da propaganda eleitoral obrigatória falará outra coisa. Mais ainda, é Kassab que ficou com os apoios do PMDB, do PR e demais aliados de Serra e dos serristas.

Vale lembrar, o que o editorial não faz, que quando Ulysses Guimarães foi candidato contra o desejo do então poderoso Quercia, o PMDB mostrou-se unido de fachada, crucificando o candidato.

Os movimentos de Serra não deixam nenhuma dúvida sobre o objetivo dele. Liquidar o perigo que Alckmin representa para suas ambições, tentando salvar na medida do possivel a face. O editorial participa desta tentativa de “limpar” a cara de Serra e faz de conta que a mão de gato não é a dele.

Segundo o Editorial : “Da forma como conduziu as facções divergentes do PSDB paulistano no complicado impasse, o “presidenciável” paulista de 2010 sem dúvida tem tudo para consolidar o apoio geral de seu partido, a começar pelo de um agradecido Geraldo Alckmin, que fez questão de repetir em seu discurso: “Sempre estive com ele (Serra) em todas as campanhas e estarei nas futuras.” Os próprios líderes da dissidência tucana kassabista poderão não se transformar em batalhadores entusiasmados da campanha de Alckmin, mas mostraram-se convencidos da necessidade de ceder posição em favor de um “objetivo maior”, qual seja, o da candidatura de Serra à Presidência, daqui a dois anos. “

É o que se denomina confundir os desejos do Estadão, com a realidade. Nem os autores acreditam no que escrevem.

Como constata o editorial da Folha, também de hoje: (O PSDB) “Sempre preferiu ostentar um consenso que já não possui e no qual não crêem nem sequer os tucanos mais ingênuos, hoje atarantados em meio a tantas rivalidades.”

A bem da verdade, é o Alckmin que precisa vender a idéia que não está sendo crucificado e que o racha acabou. O bom senso fez todos se reconciliarem e ele já se vê aspergindo de água bendita o rebanho rejuntado, incluso das ovelhas negras. Para isso serve o editorial do Estadão.

Vã ilusão!

O próximo passo será tentar transformar a candidata do PT na encarnação do mal absoluto. Para preservar a continuidade que “os paulistanos podem esperar(…) (e que) em muitos aspectos tem sido eficiente e inovador.” (dixit editorial do Estadão)

Estranha acusação para incentivar o maniqueismo. Quem asseguraria melhor a continuidade dos CEU’s por exemplo: Marta, Alckmin ou Kassab? Os três hoje são a favor do que Marta soube criar, implantar e que o PSDB com apoio de uma parte da mídia, o Estadão especialmente, atacou e prometeu parar. Hoje existe consenso em favor deles. Como também ninguém questiona agora os uniformes, o material escolar, a merenda de qualidade, a criação de vagas em creches e escolas, a revalorização dos professores e o Vai e Volta.

Mas como atribuir ao PT os resultados péssimos na educação, se a própria Secretária de Educação de Serra, do PSDB, diz que jogaram fora R$ 2 bilhões de reais (segundo o Estadão é o equivalente de todo o dinheiro da educação básica do Brasil, um ano do orçamento do FUNDEB) e que os resultados após 14 anos de tucanato no Estado são esse desastre monumental?

Como acusar a candidata do PT se o caos no trânsito, outro problema crucial, está diretamente ligado ao pouco investimento do Estado no metrô, que avançou a passos de tartaruga, segundo o próprio Estadão em concordância com idêntica avaliação de Serra. Ou o quase nulo investimento de Kassab nos corredores para os ônibus é culpa do PT que criou o Bilhete-Único, construiu terminais e mais de 110 Km de corredores?

Seria “solução de continuidade” (ainda o editorial do Estadão) o plano apresentado por Marta e o governo federal para dar um salto na implantação do metrô en vistas da copa de 2014? Neste caso até que seria bem vinda essa “solução de continuidade” perante o pouco que o governo do PSDB avançou no transporte público. O Estadão ousaria estar contra um choque de investimento no metrô como propõe Marta com apoio do governo federal? o governador Serra recusaria? Agora, se a preocupação do Estadão é com a continuidade do Bilhete-Único criado e implantado por Marta, pode ficar sossegado, o Bilhete-Único continuará e ampliará sua duração com ela na prefeitura. Ou alguém dúvida disto?

O Estadão estaria preocupado com a continuidade do que? da ética?

Como evitará que Geraldo Alckmin seja carimbado de “Geraldo Alstom”, vista a grossa propina recebida durante seu mandato e de Covas, para manipular as licitações no metrô em favor da empresa francesa? Como não constatar que, como os jornais tem mostrado nas últimas semanas, o tratamento de Alstom como empresa-camarada dos tucanos teve uma perfeita continuidade no Estado de São Paulo desde 1990 até agora? Ou impedir CPI para este caso público e claro de suborno é prova de ética?

Ou o Estadão está com medo de Marta parar obras, não pagar fornecedores como fiz José Serra, ela que deu continuidade a programas que o PT não apoiou, como o Fura-Fila de Pitta-Kassab, ou que criado por outros o PT defendeu e melhorou, como o Leva-leite de Paulo Maluf?

Lamentavelmente para a identificação ideológica do Estadão com o PSDB, nem na questão da carga tributária poderá atribuir a Marta uma fúria arrecadatoria da qual estariam desprovidos os tucanos. Os números são claros no que concerne o aumento da carga tributária no pais, no Estado e na cidade de São Paulo durante os governos do PSDB, de par com o endividamento gigantesco promovido por eles em todas as esferas, para pretender que o problema é uma invenção ideológica da esquerda. Sem falar que Marta reconheceu publicamente ter cometido alguns erros neste item.

Pela primeira vez existe a possibilidade que estas eleições em São Paulo, ao contrário do que gostaria o Estadão, possam escapar a um certo maniqueismo. De sorte que a polarização poderá explicitar as reais divergências sobre às questões de fundo. E não estou convencido que dependendo do tema, não apareçam convergências que uma visão maniqueista ignora. Para isso é necessário que a mídia contribua não só com isenção, mas participando do debate democrático, sem simplismo redutor e sem tomar partido.

Se isto acontecer, a divisão do PSDB terá contribuído, sem que seus dirigentes percebessem, para o progresso do debate político durante anos escamoteado no pais.

Mas alguns persistem na tentativa de exorcizar o real, para adequá-lo a sua visão ideológica. O editorial do Estadão é a prova.

Luis Favre

15/06/2008 - 22:47h Revista Z abre as portas do Museu Piolin

MUPI – MUSEU PIOLIN
120 ARTISTAS REUNIDOS PELA EFICÁCIA DE UMA ESTÉTICA E UMA POLÍTICA DA AFETIVIDADE
Camila do Valle*

maio de 2007, Centro Cultural Recoleta – Buenos Aires

A confrontação política ainda é possível no campo das artes visuais. Mas não da maneira óbvia que se pode imaginar. Não é necessário ter uma temática palpitante explícita. O modo de produção da obra, o modo de sua articulação social para ser posta em circulação e a já mesmo muito velha produção social dos preconceitos e lugares comuns, inerentes à acomodação propiciada pela preguiça humana, são elementos que podem favorecer que se apareça o tal “confronto” novidadeiro que anuncia a obra de arte. A pergunta não é tanto se a arte proporciona questões ou responde às que já existem na realidade circundante. A arte sempre faz as duas coisas: responde com outras perguntas, pergunta quando dá respostas. O movimento é dinâmico entre perguntas e respostas. Essas duas “categorias” mudam constantemente de lugar.

O problema da ineficácia da arte política foi substituído pela eficácia da arte que transita entre cultura e política, sem se deixar aprisionar pelo slogan e pelo panfleto. Ou fazendo uso do slogan e do panfleto de maneira indireta. E aqui não falo de alegoria, que é algo sempre do terreno do difícil, algo que está mais além (ale vem de além) e que precisa ser interpretado por uma comissão de filósofos e outros espécimes da vida intelectual para decifrar a mensagem. A política circula hoje pela produção cultural muito mais de maneira indicial, deixando suas pegadas. As pegadas são certamente pés, mas também não são, embora apontem para isso. O que chamo de índices nas artes visuais são imagens ou procedimentos ou maneiras de apresentação que deslocam, suspendem o difícil para apresentar relações novas entre objetos ou significados. Pode parecer que não há nada de novo nesse cenário apresentado como novo, pois já o clássico Mário Pedrosa contribuiu grandemente para a arte brasileira questionando a articulação entre arte e política por mais de 30 anos. Entretanto, imagens, procedimentos e materiais oferecidos numa nova moldura de contornos contemporâneos sempre acabam por revelar novos significados. Nada de novo sob o céu. Tudo de novo sob o céu.


maio de 2007, Centro Cultural Recoleta – Buenos Aires

Em abril do ano passado me foi dado a conhecer um projeto de vizinhos argentinos e fui convidada a escrever algo para o catálogo da mostra. No momento em que fui convidada, eram 70 artistas envolvidos no evento. duas semanas depois, quando a mostra se inaugurou, já eram 120 artistas e o texto ficou, inclusive, datado no que diz respeito à quantificação. Em seguida, as críticas de arte Viviana Usubiaga e Maria Zacco escreviam sobre a amostra utilizando como fio condutor o mesmo elemento destacado, sublinhado neste texto de apresentação: a estética da afetividade. Isso ajuda a configurar um discurso. E como nenhuma estética prescinde de uma ética, isso confirmou a minha primeira aproximação com o universo do MUPI e confirmou, também, a extensão política dessa estética. Artistas e críticos de arte eram tocados pelo mesmo elemento.

Reproduzo, abaixo, o texto de abertura dessa mostra que teve lugar em maio de 2007 no Centro Cultural Recoleta em Buenos Aires, tentando, com isso, ultrapassar fronteiras e ganhar mais adeptos para o Mercosul através do Museu Piolin, que re-atualiza um slogan de 40 anos atrás mais ou menos: “o pessoal é político”. É, também, uma tentativa de colocar para circular neste espaço que está sendo criado, o Mercosul, saberes, práticas e discursos menos machistas dos que os que pré-existem à criação desse mercado comum. É, enfim, convocar mais atores para imaginarmos, juntos, esse novo espaço de convivência. Há muitas obras que fazem parte do MUPI que merecem ser comentadas muito especialmente à luz dessa afetividade contagiante. Por ora, comento o projeto coletivo.

“Apresentar este projeto é como apresentar um novo espaço para a humanidade habitar com alegria. Um espaço onde é possível reapresentar a humanidade a si mesma no que ela pode ter de melhor: sua capacidade de reinventar-se a partir de suas aparentes impossibilidades, sua tendência ainda não extinta de criar vínculos a partir da afetividade, sua infinita competência para criar múltiplas linguagens e, neste caso, sua re-capacidade de dar à palavra ‘progresso’ um significado todo afetivo. Mais que representação de um humano ‘desborde de alegria’ carnavalesco, trata-se de uma reapresentação do humano ao humano. Passando por Piolin.

Quando nos referimos ao movimento que cria o MUPI, referimo-nos, sobretudo, a um movimento fundamentalmente político que tem como objetivo criar espaços de humanidade, espaços habitáveis para a diversa humanidade. E espaços de humanidade são, como não poderiam deixar de ser, espaços de resistência à avassaladora cotidianidade consumidora e prática. Nomeamos, doravante, a política envolvida com a criação do MUPI de política da afetividade. E essa também é sua estética possível: propiciada a partir da execução dessa política, a política da afetividade posta em movimento cria uma estética.

Um pouco de história: Leo e Daniel vivem entre Buenos Aires e o Tigre. Bordam juntos e adotam, como filho, um pequeno cachorro cheio de talentos e inteligências chamado Piolin. Criam, para Piolin, referentes domésticos carregados de símbolos e significados estéticos/políticos à medida que produzem suas obras em casa, com os materiais que produzem e a partir da forma como produzem. Leo e Daniel são artistas plásticos em fase de hiper-produção, que se interessam, sobremaneira, pelo patrimônio imaterial dos mais diferentes povos da humanidade (seja este patrimônio advindo do Japão, da Índia ou das margens que habitam o Tigre). Transformam este patrimônio imaterial – lendas, representações de representações – em matéria palpável: a obra, constituída de bordados, desenhos, colagens; tudo multicolorido, com os mais variados suportes e desafiando a lei do abstrato, do difícil, do conceitual Eles têm uma obra, não simplesmente um conceito. Seus trabalhos têm algo de onírico, de penetração no sonho já sonhado coletivamente por tantos outros: os palhaços, as bruxas, os santos, as histórias folclóricas. Por isso mesmo, há algo de atemporal que atravessa as imagens com as quais nos deparamos. Piolin é apresentado a este mundo de cores e fios ressignificando os símbolos da humanidade e se adapta bem. Participa da fantasia, passa a habitar este mundo criado ativamente. Interage alegremente com o ambiente. Leo e Daniel se encontram em algum lugar onde há guardado o menino escondido de cada um. Reconhecem-no e projetam-no em Piolin. A corrente se espalha: Piolin dispara a abertura das grades que guardam o menino escondido de cada um. As antigas crianças guardadas e afoitas se encontram e se comunicam com tanta estridência que acabam por fazer com que outras se juntem. As antigas crianças guardadas a tanto custo ultrapassam a fronteira doméstica e ganham voz no espaço público. É a alquimia politicamente tão importante da esfera doméstica, onde se processa a vida cotidiana, tornada em questão pública. O modo de produção artístico – questão pública por excelência -, ou, em outras palavras já muito mais ditas: o alfaiate aparecendo na roupa que faz – esta questão pública por excelência -, a temática selecionada pelos artistas, tudo isso, esses elementos, imbricam-se com excelência com a porção niño de cada um. Piolin deflagra esta ameaça salutar: a de que as crianças de cada um não poderão estar guardadas para sempre.

Tem início, assim, este jogo do qual até agora tenho notícia de mais de 70 participantes: 70 artistas plásticos argentinos interessados em jogá-lo ao mesmo tempo. E o jogo continua em aberto. Mobiliza-se essa força artística de cerca de 70 pessoas em prol de uma necessidade premente de uma correia de transmissão eficaz que ajude a realizar o desejo escondido de cada um. São mais de 70 artistas envolvidos num projeto afetivo. A este fenômeno chamo aqui de política: a força desses habitantes artistas da polis se movendo numa única direção: a da conexão afetiva. Isso muda um mundo. Mais que uma polis. Piolin se torna, dessa forma, elemento de ligação e ícone, correia de transmissão, propiciador de comunicabilidade. Esses são os elementos constituintes da criação de um espaço de humanidade, espaço este tão escassamente encontrado nos tempos que ora correm.

O MUPI diz um pouco disso: diz que no fazer artístico contemporâneo há espaço para o sonho e a brincadeira, para que o amor de cada um seja respeitado e coletivizado como algo vital, e diz que há espaço para obras e conceitos artísticos conviverem sem prescindir do traço muito humano, presente não só na marca da produção e representação, como, também, no muito concreto afeto que se deposita na criação artística, o traço, enfim, muito humano da vontade de comunicação e ligação com o outro.

O Museu Piolin instaura uma estética e uma política da afetividade, linhas de força que parecem apontar – oxalá! – para o resgate dessa tendência do imaginário humano. No MUPI, coração, conceito e obra se fundem nos objetos mais variados, todos eles, objetos de desejo criado para um outro, tentando expressar essa cálida ferida aberta da vontade constante de agradar a esse outro sempre enigmático e sempre presente. Essa tentativa de expressão passa, via de regra, pela insaciável necessidade de brincar, demanda reprimida no corre-corre da multidão anônima e numerada. A necessidade de brincar com o outro, artista com artista, um fazer em rede anti-isolamento.

Pode-se dizer, pela expressiva quantidade de nomes que se agregaram ao projeto MUPI, que Piolin já representa, através da mostra de que é destinatário, um marco na afetividade portenha e um marco na produção artística contemporânea dessa polis. Levar adiante este projeto, latino-américa afora, é – parafraseando o escritor Ítalo Calvino – ampliar o que não é inferno nesse mundo. Eis um projeto de mais céu, menos inferno.”


maio de 2007, Centro Cultural Recoleta – Buenos Aires

Imagens em: MUPI – Museu Piolin – http://mupi-museopiolin.blogspot.com

Revista Z

*Camila do Valle é escritora, pós-doutoranda do PACC-UFRJ e diretora da FUNCEB (Buenos Aires).

15/06/2008 - 18:40h Discriminação contra homossexual pode deixar de ser punida por lei no Estado de São Paulo

Blog De olhos nos deputados estaduais de São Paulo

L'image “http://deolhonosdeputados.com/meusarquivos/bandeira%20arcoiris.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.A punição por lei (Lei 10.948/2001), no Estado de São Paulo, à manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra cidadão homossexual, bissexual ou transgênero pode deixar de existir, caso seja aprovado o projeto de lei 1.068/2007 de autoria do deputado Waldir Agnello (PTB).

Para ir a votação no plenário pelos deputados, o projeto de lei têm que receber pareceres favoráveis da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Assembléia Legislativa. Pela CCJ, o projeto já recebeu aprovação e agora tramita na Comissão de Direitos Humanos, onde precisa ser votado.

Na reunião de 13 de junho, a tentativa de colocar em votação o parecer contrário do relator na Comissão de Direitos Humanos foi adiado. Foi então marcada uma reunião extraordinária da Comissão para o dia 17 de junho, às 11 horas, para nova tentativa de votação.

O que diz o projeto

O PL determina a revogação da Lei, com a justificativa de que ela “é manifestamente inconstitucional, por expressamente contrariar o artigo 5° da Constituição Federal ao qual estabelece os direitos e garantias fundamentais individuais e coletivos, haja vista que nossa constituição não distingue homens ou mulheres de heterossexuais ou homossexuais, estabelecendo que todos, ‘todos’ são iguais perante a lei”.

Para o deputado Waldir Agnello, a lei 10.948 contraria a Constituição Federal, desigualando-se os iguais, com o que nomeia “manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra homossexual, bissexual ou transgênero”, não havendo uma balança que iguale a todos os brasileiros.

Segundo o deputado, para a lei n° 10.948 iguais são os homossexuais, os bissexuais ou os transgêneros e segundo a norma a simples manifestação atentatória a quaisquer dessas pessoas já é passível de punição.”A Constituição Federal preserva e quer garantir a inviolabilidade do direito dentro da igualdade, não cabendo a essa Assembléia Legislativa desigualar quem a Carta Magna igualou”, argumenta a justificativa de Agnello.

O que determina a lei

A lei considera atos atentatórios e discriminatórios, a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica; a proibição do ingresso ou permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público; o atendimento selecionado que não esteja devidamente determinado em lei; preterir, sobretaxar ou impedir a hospedagem em hotéis, motéis, pensões ou similares; preterir, sobretaxar ou impedir a locação, compra, aquisição, arrendamento ou empréstimo de bens móveis ou imóveis de qualquer finalidade; praticar o empregador, ou seu preposto, atos de demissão direta ou indireta, em função da orientação sexual do empregado; inibir ou proibir a admissão ou o acesso profissional em qualquer estabelecimento público ou privado em função da orientação sexual do profissional; e proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas ao demais cidadãos.

15/06/2008 - 10:35h Ombudsman: discutindo o rabo presso

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A questão do apartidarismo

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA

ombudsman@uol.com.br


Para o jornal, ser visto como imparcial por todos é impossível; o pior é que não basta ser: tem de parecer ser

NESTA semana, o ombudsman recebeu 42 mensagens de leitores que se queixavam de falta de apartidarismo da Folha. Destas, 37 diziam que o jornal foi a favor do PSDB em diversos episódios e cinco achavam que ele favoreceu o PT.
É muito para quem tem de responder a todas pessoal e individualmente. Mas não chegam a 20% do total endereçado ao ombudsman e são menos de 10% da correspondência enviada ao jornal e nem 0,01% do total de leitores.
Claro que não é o critério estatístico que determina a representatividade de um grupo de leitores. Os que se dirigem ao jornal, mesmo poucos, são significativos e importantes.
Mesmo o contingente que se manifesta por motivação ideológica ou partidária é representativo e deve ser levado em conta pelo ombudsman, que tem de representar todos os leitores, inclusive aqueles que não se dirigem a ele.
O apartidarismo é um dos pilares do Projeto Folha desde 1984 e continua sendo, segundo manifestação da Secretaria de Redação a mim esta semana.
Ele foi elevado a essa condição dentro de uma lógica de mercado, não ética nem política: o público leitor é composto por pessoas que têm diversas visões de mundo e o jornal não pode abrir mão de nenhum desses grupos.
Eduardo Guimarães, um dos mais incisivos críticos da mídia, com quem tenho intensas diferenças de opinião mas por quem tenho respeito intelectual, diz que um jornal que resolvesse alienar uma parcela dos leitores que vota num partido com o desempenho eleitoral que tem tido o PT no Brasil estaria dando um tiro no pé.
É verdade. Por que a Folha o faria? Uma hipótese é que estaria apostando que num futuro governo federal tucano, ela teria tantas vantagens que compensaria o prejuízo da alienação de leitores atual.
Aí, entra-se no território das crenças porque é impossível comprovar essa teoria. Eu não acredito nessa possibilidade. Se acreditasse, não teria aceitado o convite para ocupar este cargo e, se um dia vier a crer nela, eu o deixarei.
Três episódios recentes concentraram os ataques contra a Folha por parte de quem a julga tucana: o caso Alstom, a crise gaúcha e a reportagem sobre doações partidárias.
No caso Alstom, o jornal “saiu atrasado”, como admite a Secretaria de Redação. Depois do atraso, continuou tímido por semanas. Despertou depois que o concorrente tomou a iniciativa, mas permaneceu mal. Levou um mês para se manifestar em editorial.
Na sexta, afinal, produziu uma reportagem convincente com informações exclusivas e apontou com clareza a ligação dos envolvidos com os governos do PSDB em São Paulo.
Na crise gaúcha, o jornal também fez cobertura modesta até esta semana, quando afinal -na terça e na sexta- o assunto foi para a capa.
O pior caso, para mim, é o das doações partidárias, reportagem publicada com destaque no dia 26 de maio. Dediquei um terço da coluna de 1º de junho ao tema: a reportagem tratava de forma claramente desigual doações legais feitas a PSDB e PT por empresas que depois ganharam contratos dos governos federal e dos Estados de São Paulo e Minas Gerais.
Embora o valor dos contratos em relação às doações fosse muito maior no caso do PSDB, toda a ênfase foi dada aos do PT.
Pedi que a Secretaria de Redação explicasse o critério e sua resposta não me convenceu: no caso do PT, os pagamentos pelo governo já foram feitos e no do PSDB, eles ainda não foram realizados.Teria sido melhor, a meu ver, reconhecer um erro de avaliação.
Ser apartidário num ambiente de divisão política acirrada é muito difícil. Ser visto como imparcial por todos é impossível. O pior é que não basta ser: é preciso parecer ser. Nestes três casos, a Folha muitas vezes não pareceu ser.

12/06/2008 - 16:31h As fotos, ora as fotos

UM CASO (MENOR) DE PUNGUISMO JORNALÍSTICO

Atualizado em 11 de junho de 2008 às 20:05 | Publicado em 11 de junho de 2008 às 19:52 Blog de Azenha

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Quebrei meu jejum de jornais brasileiros lendo a Folha de S. Paulo desta quarta-feira. Não tenho como opinar sobre o conjunto da obra. O Eduardo Guimarães faz isso melhor do que eu. E o Carlos Eduardo Lins da Silva, presumo, melhor ainda.

Eu encafifei com a foto que o jornal escolheu para anunciar o apoio de Dilma Rousseff à candidatura de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo.

Na cena, Dilma aparece tapando o nariz com a mão direita. E Marta faz careta.

Fiquei pensando na relevância jornalística da imagem.

Não acrescenta absolutamente nada à notícia. Nem é plasticamente atraente. Na verdade, é uma imagem ruim, feia, “congestionada” por um microfone.

A legenda é neutra como um pedaço de isopor: “Marta Suplicy e Dilma Rousseff (à dir.), durante evento em SP”.

Presumo que precisavam tapar um buraco e escolheram a pior imagem possível para dar uma “sacaneada”.

É uma pequena ilustração de pé de página, que não terá qualquer efeito na vida política de Dilma ou de Marta. Mas serve de exemplo da desonestidade jornalística que diz muito mais sobre o próprio jornal do que sobre os fotografados.

06/06/2008 - 12:04h A Guerra das Rosas

“A Guerra das Duas Rosas foi uma série de longas e intermitentes lutas dinásticas pelo trono da Inglaterra, ocorridas ao longo de trinta anos de batalhas esporádicas (1455 e 1485). (…) Esta série de guerras civis iniciou-se com a disputa da aristocracia pelo controle do Conselho Real, por causa da menoridade de Henrique VI. Havia uma rivalidade entre dois aspirantes ao trono: Edmundo Beaufort (1406-1455), duque de Somerset, da casa de Lancaster, e Ricardo Plantageneta, terceiro duque de York. O primeiro apoiava Henrique IV e a rainha Margarida de Anjou. O segundo pôs em causa o direito ao trono de Henrique VI de Lencastre, um homem pio mas fraco, sujeito a fases de insanidade. Henrique VI, ao assumir o poder em 1442, teve o apoio dos Beaufort e do duque de Suffolk, aliados da casa de York.” (wikipedia).

“Apos quatro anos de casamento, Oliver e Barbara Rose explodem. Frustrados por anos de casamento, se declaram a guerre pelo divorcio, o espolio dos bens e da casa. Nesta guerra todos os golpes são permitidos, como chantagem e violência de todo tipo… no final os dois sucumbem juntos. Filme realizado por Danny DeVito com: Michael Douglas (Oliver Rose), Kathleen Turner (Barbara Rose), Danny DeVito (Gavin D’Amato).”

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Tudo indica que a decisão do governador José Serra é ir até o fim na guerra para destruir a candidatura de Geraldo Alckmin.

A determinação de solicitar a desencompatibilização de Ricardo Montoro para poder bater chapa contra Alckmin na convenção é prova disto. Montoro foi o candidato de Serra a presidente da Câmara Municipal quando foi eleito prefeito, derrotado na época pelo vereador Tripoli.

A idéia parece ser a de levar o abaixo assinado contra a candidatura própria do PSDB a convenção tucana, tentar reverter a decisão da executiva municipal em favor da candidatura própria e, se não vingar, propor Montoro como candidato contra Alckmin, para marcar a candidatura Alckmin como representativa de só um pedaço do PSDB.

A réplica dos partidários de Alckmin é a lei da mordaça, no típico estilo stalinista de proibir e punir. Longe de qualquer consulta democrática aos filiados, com voto em urna, debate contraditório e escolha, o aparelho de Alckmin que controla a executiva municipal pratica o rolo compressor. Inquietante concepção da democracia e mal augúrio sobre o futuro convívio no mesmo partido. Quanta modernidade!

Esta postura autoritária vai acompanhada de ataques cada vez mais abertos ao governo Kassab, controlado por uma maioria de tucanos serristas. O próprio Alckmin já se manifestou ácido em relação ao trânsito e a iluminação da cidade e ontem seu braço-direito, o deputado federal Edson Aparecido concordou com Marta Suplicy em taxar a administração Kassab de “medíocre”. (estranho, nenhum jornal reproduziu esta declaração publicada ontem na Folha Online e reproduzida aqui no blog). Os limites desta postura é que dificilmente poderá evitar que a responsabilidade do próprio governo Alckmin seja posta na comparação da campanha eleitoral. Foi ele o governador que menos metrô construiu em São Paulo e que deixo a CPTM e o próprio metrô no abandono. Foi ele que retirou a PM do trânsito na cidade, restabelecido só agora pelo governo Serra.

A violência autoritária dos alckministas se explica também por uma constatação: perceberam que o caso Alstom está sendo instrumentalizado por seus adversários tucanos para associar Alckmin e Alstom. Não por acaso o editorial do Agora começa lembrando que “as investigações começaram na França e na Suíça e abrangem o período de 1995 a 2003″ (mesmo se a própria Folha já mostrou contratos irregulares feitos agora pelo governador Serra). Sabendo que esta associação poderá ser mortal para as pretensões do candidato que posou de udenista roxo contra Lula, os alckministas estão a mil para escapar da carapuça.

A esta altura da leitura você leitor deve estar se perguntando: e eu que tenho a ver com tudo isso?

Se você tiver alguma simpatia pelos tucanos deve estar se perguntando, qual é a divergência política, administrativa, de governo ou ética que justifica esta violenta divisão tucana? É só boquinha como argumentam os alckministas? ou e só ambição pessoal e egoísta como retrucam os serristas?

Pois é, o debate sobre os rumos da cidade, sobre as propostas para resolver os inúmeros problemas do trânsito caótico, da falta de médicos e o abandono das UBS, das filas para atendimento na saúde, do quase nulo investimento em corredores necessários quando se pretende privilegiar o transporte público; da qualidade da merenda escolar e do baixo nível da educação no estado mais rico do pais e dos problemas de moradia ou da violência; tudo é passado para um plano menor e substituído por ataques, bate-boca, ironias e desprezo pela inteligência do eleitor.

Talvez esta verdadeira cortina de fumaça sobre os reais problemas do cidadão tenha por objetivo evitar uma escolha clara, para melhor preservar as ambições pessoais e a boquinha, comum denominador do objetivo da guerra das rosas no tucanato. É que a guerra atual entre eles é decisiva para que ambição pessoal e boquinha possam se alçar ao patamar federal em 2010.

Luis Favre

06/06/2008 - 09:27h Até que em fim. Grupo Folha põe Alstom e PSDB no seu lugar

 

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FOLHA DE SÃO PAULO

 

EDITORIAL JORNAL AGORA SP (grupo Folha)

Suspeitas no Metrô

Uma investigação internacional sobre corrupção grossa no Metrô está deixando os tucanos paulistas de orelha em pé. Na ponta supostamente pagadora da propina está a Alstom, gigante multinacional que fabrica material de transporte. Na outra estariam autoridades brasileiras.

As investigações começaram na França e na Suíça e abrangem o período de 1995 a 2003. Correspondem aos governos de Mário Covas, que morreu em 2001, e de Geraldo Alckmin.

Uma das informações que vazaram da investigação, publicada pelo jornal americano “The Wall Street Journal”, é a de que a Alstom teria molhado a mão de autoridades estaduais com US$ 6,8 milhões para obter contratos de US$ 45 milhões com o Metrô.

A papelada produzida por promotores estrangeiros chegou ao Brasil, no Ministério da Justiça. Já se sabe que um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo teve relações bastante amigáveis com as causas da Alstom.

Mas a largura do propinoduto, bem como o número e a filiação dos beneficiários, parece ser maior. Fala-se em US$ 13,5 milhões enviados a empresas de fachada para corromper autoridades brasileiras nas áreas de atuação da multinacional.

Não faz sentido, diante de tamanho cheiro de falcatrua, que o governador José Serra e o ex-governador Alckmin atribuam tudo a uma jogada política da oposição. Age mal a bancada dos deputados governistas na Assembléia Legislativa, ao enterrar qualquer tipo de apuração sobre o escândalo. É preciso que a verdade venha à tona, doa a quem doer, com direito a CPI e tudo o mais.

FOLHA DE SÃO PAULO

Editoriais

Fatos e suspeitas

Revelações em torno do caso Alstom exigem investigação rigorosa, que o PSDB bloqueia com arrogância e impavidez

É O KIT dos petistas em atuação. Assim reagiu o governador de São Paulo, José Serra, diante das reações que o caso Alstom começa a provocar no ambiente político. Não que seu partido, o PSDB, seja contrário a investigar as suspeitas de irregularidade nos contratos da multinacional francesa com o Metrô e a Eletropaulo.

Não, de jeito nenhum. Serra prontificou-se a cooperar com as investigações, “se mais informações aparecerem, porque até hoje não apareceram”.

Num raro exemplo de convergência na cúpula peessedebista, o ex-governador Geraldo Alckmin acompanhou os trilhos da argumentação de seu notório rival. “Você tem suspeitas. Qual é o fato? Eu acho que nós vivemos um período em que se quer confundir a opinião pública.”

Confunde-se a opinião pública, é certo. A confusão começa quando Alckmin dissocia “fatos” de “suspeitas”. Há vários fatos. E são esses fatos que despertam suspeitas a respeito das tão propaladas qualidades gerenciais e éticas do tucanato paulista.

Em maio deste ano, um órgão de imprensa insuspeito de petismo, “The Wall Street Journal”, publicou a notícia de que a Alstom gastou US$ 6,8 milhões em propinas para ganhar licitação com o Metrô de São Paulo.

Cerca de R$ 13 milhões foram repassados pela Alstom, segundo dados do Ministério Público da Suíça (tampouco um órgão conhecido por ter petistas infiltrados em seus gabinetes), a empresas de fachada, de modo a azeitar as engrenagens do sistema.

Uma das empresas, segundo as autoridades suíças, pertence a um colaborador próximo de Robson Marinho. Este foi coordenador da campanha eleitoral de Mário Covas e chefe da Casa Civil de 1995 a 1997, em seu primeiro mandato. Marinho é hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

O conselheiro admite ter tido suas despesas pagas pela Alstom quando viajou à França para assistir aos jogos da Copa do Mundo de 1998. Foi também, no âmbito do TCE, o único defensor da prorrogação, por dez anos, de um contrato do Metrô com a empresa, previsto para durar três anos apenas.

Eis alguns fatos suficientes para justificar a mais rigorosa investigação. O governador José Serra declarou seu interesse em empreendê-la. Terá provavelmente esquecido de avisar seu líder na Assembléia Legislativa, o deputado Barros Munhoz. A sólida base tucana rejeita a criação de uma CPI para o caso.

Sem dúvida, é o “kit PSDB” que está operando, com especial eficiência, numa Assembléia Legislativa desfibrada por longos anos de governismo. É também o “kit PSDB” que, com impavidez a toda prova, se vende para a opinião pública como exemplo de modernidade gerencial.