15/05/2009 - 14:25h Euro, quo vadis?

O euro não nasceu para contestar a hegemonia americana

Giorgio Romano Schutte – VALOR

euroneda.gif (36509 bytes)A falta de uma autoridade supranacional esvazia o potencial do euro, atrasando a necessária repactuação do sistema

Para muitos a crise foi uma surpresa, em particular sua profundidade, apesar de não faltarem analistas que há muito tempo alertam para a insustentabilidade do sistema financeiro internacional organizado em torno da hegemonia incontestável do dólar americano. Paradoxalmente, por enquanto o dólar valorizou-se perante praticamente todas as demais moedas, inclusive sua alternativa potencial, o euro. Não só não houve ‘dolar crash’ como ocorreu, ao contrário, um fortalecimento do dólar. Aparentemente existe uma convicção generalizada de que os EUA continuam sendo a principal potência e, apesar de ter originado a crise, também será o país que vai liderar sua superação, portanto um ‘porto seguro’.

Essa posição do dólar como principal moeda de reserva possibilitou aos EUA atrair, ou melhor, apropriar-se da poupança dos outros países, sem precisar se preocupar com a restrição externa, durante praticamente todo o período que coincide com a liberalização financeira. E foi esse mecanismo que financiou altos padrões de consumo interno dos EUA e os gastos com a manutenção de seu aparato militar, em particular a guerra no Iraque. A confiança de que esse sistema funcionaria de forma sustentável vinha de um lado do dinamismo real da economia americana e de outro lado da sua posição político-militar, esfera na qual o mundo tornou-se unipolar no período pós-guerra fria. Países superavitários na Ásia Oriental, em particular a China e o Japão, sustentam esse mecanismo ao aplicar a maior parte da suas enormes reservas internacionais em títulos do governo dos EUA. Países exportadores de petróleo e os demais países emergentes superavitários, como o Brasil, aderiram a essa lógica. O nível de vida dos EUA depende da vontade do mundo de aceitar ativos em dólares em troca de bens e serviços reais.

O euro não nasceu para atrapalhar essa lógica ou contestar essa hegemonia. Concretizou-se, paradoxalmente, graças à onda de ataques especulativos ocorridos no início dos anos 90 e tirou de vez da especulação cambial todo o mercado interno dos países que aderiram à moeda, hoje 16 dos 27 países da União Europeia. Foi recebido com muito ceticismo pelos mercados financeiros, principalmente dos EUA, mas logo mostrou que veio para ficar do lado do dólar. Entre 2002, o ano de entrada em circulação, até pouco antes do início da atual crise financeira, em meados de 2008, o euro valorizou 77% em relação ao dólar. Como sinal dos novos tempos, no final de 2007 Gisele Bundchen manifestou seu desejo de ser paga em euro dentro do seu novo contrato com a Pantene. Na mesma época um dos mais famosos rappers dos EUA, Jay-Z, conquistou páginas de economia ao lançar um videoclipe no qual circulava em um carro luxuoso mostrando notas de euro.

Embora nunca tenha havido intenção por parte do Banco Central Europeu de ameaçar a posição do dólar, nem sob a liderança do holandês Wim Duisenberg ou na atual gestão do francês Jean-Claude Trichet, sem dúvida ele se tornaria alternativa e um potencial parceiro para a construção de um possível novo sistema monetário multilateral. Crucial neste processo seria a adesão da Inglaterra, principal praça financeira europeia, o que seria questão de tempo, apesar de parecer uma hipótese remota no curto prazo.

Analisando o caminho percorrido pelo euro desde 2002 até a crise, surpreende o fato de que a moeda não se fortaleceu perante a crise financeira. Ao contrário, passa por uma desvalorização expressiva, apesar de esta ainda ser inferior à valorização no período antecedente.

A questão não era imaginar que a crise provocaria fuga de dólares para o euro, mas uma continuação, até acelerada, da sua valorização perante o dólar como alternativa para diversificar as aplicações. Porém não foi isso que aconteceu até agora. Ocorre que o dólar mostrou-se mais convincente que o euro.

A explicação desse fato deve considerar que os países da UE também foram atingidos economicamente, apesar de a destruição da riqueza financeira ser menor, mas é principalmente uma questão política. De certa forma, a crise veio cedo demais para que o euro seja visto como uma alternativa. É como se a pancada de chuva tivesse chegado no momento em que a casa não estava ainda finalizada. E assim não apareceu como abrigo seguro o suficiente, em primeiro lugar para aumentar o interesse dos ingleses (e suecos) de se juntar. Tudo indica que o interesse na Inglaterra em considerar uma adesão ao euro não apenas não tenha aumentado, mas pode até ter diminuído.

A debilidade política do euro está no fato marcante de se tratar de uma moeda sem Estado. São vários governos, não há centralização. Em última instância, a credibilidade não vem dos bancos centrais, mas dos governos. A União Europeia trabalha com dois mecanismos de representação supranacional. A incondicional (por exemplo na política de competição) e a supervisionada (no caso da política comercial). Não há clareza sobre o caráter da autoridade comunitária para negociar a política monetária. O texto da chamada Constituição Europeia, posteriormente transformado em tratado, previa que o grupo do euro (composto pelos ministros de finanças dos países do euro), até agora um grupo informal, se transformasse em instância formal, elegendo um presidente, que seria a autoridade máxima. Uma espécie de ministro de Finanças da União Europeia, para quem Geithner poderia ligar, relembrando a máxima do euro-ceticismo de Kissinger (para quem devo ligar se eu quiser falar com a Europa?). Ao mesmo tempo, estava-se avançando rumo a uma representação unificada nas instituições financeiras internacionais. Mas o veto do povo Irlandês na véspera da crise financeira, expresso em referendo ao texto do tratado, atrasou esse avanço e, portanto, quando veio a crise, houve sim uma certa vontade política de coordenação, mas ficou evidente a falta de uma autoridade supranacional. Esse fato esvazia o potencial do euro para ocupar um papel de maior destaque do lado do dólar, atrasando desta forma a necessária repactuação do sistema monetário internacional.

Giorgio Romano Schutte é professor de Relações Internacionais do Centro Universitário Belas Artes e membro do Grupo de Análise de Conjuntura da USP (GACINT)

19/03/2009 - 16:29h França enfrenta greve geral hoje

Des responsables de la CFDT, de la CGT, de FO et de la FSU défilent à Paris le 19 mars.

Ben Hall, Financial Times, de Compiègne, França – VALOR

AP

Empregados da Continental em Grenoble, França, colocam fogo em pneus durante protesto:

trabalhadores franceses já dão sinais de radicalismo

Após serem atingidos por ovos jogados por trabalhadores que bloqueavam a entrada da fábrica de pneus da Continental às margens do rio Oise, diretores da fábrica foram vistos entrando sorrateiramente por uma entrada lateral cujo acesso se dá por barco.

“As pessoas estão perturbadas”, afirma Christian Lahargue, um funcionário da Continental que corre o risco de ser demitido. “Vamos fazer de tudo para manter esta fábrica aberta.”

Este impasse agressivo no norte da França às vésperas de uma greve nacional sugere que a tensão social está aumentando e contribuindo para a impressão de que o outrora confiante Nicolas Sarkozy, o presidente da França, está perdendo o passo.

A segunda maior economia da zona do Euro deverá enfrentar distúrbios hoje, por causa de uma greve nacional convocada por sindicatos, que deverá contar com centenas de manifestações em protesto contra a política econômica e o programa de reformas de Sarkozy.

Sindicalistas prometeram superar a última greve, feita em janeiro, quando entre 1 milhão e 2,5 milhões de pessoas foram às ruas.

A escala dos protestos de sete semanas atrás pegou o governo de surpresa, forçando-o a oferecer ? 2,6 bilhões (US$ 3,38 bilhões) em pagamentos extras de auxílio-desemprego e corte de impostos para famílias de baixa renda. Mas as concessões não satisfizeram os sindicatos, nem impressionaram a população.

Segundo uma pesquisa de opinião feita pelo instituto Ifop para a revista “Paris Match” , 78% dos franceses consideram a greve de hoje justificada. Os franceses “deram autorização ao movimento sindical para articular sua oposição a Nicolas Sarkozy”, afirma Stéphane Rozès, presidente-executiva do instituto de pesquisas CSA.

De acordo com outra pesquisa, os franceses acreditam que Olivier Besancenot, o líder trotskista da extrema esquerda, tem tanta “credibilidade” quanto o presidente.

Sarkozy está na defensiva desde o começo do ano, com o agravamento da situação da economia. O governo foi lento em reagir a uma greve geral de seis semanas e a tumultos em Guadalupe, um território francês no Caribe.

O presidente vem encontrando oposição dentro de seu partido de centro-direita em uma série de questões, do retorno da França ao comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à redução da carga tributária para os ricos.

Sarkozy foi forçado a recuar na reforma universitária, uma de suas principais medidas de modernização, em meio a temores de que um movimento de protesto estudantil liderado pela extrema esquerda pudesse se tornar violento. A concessão preocupou alguns empresários. “Os mais radicais estão conseguindo resultados”, diz Maurice Lévy, presidente-executivo do grupo de propaganda Publicis.

Sarkozy tem motivo para se sentir ressentido. A economia francesa deverá se sair bem melhor que as de seus vizinhos depois que Sarkozy implementou rapidamente um plano de socorro bancário, garantias de empréstimos para pequenas empresas, seguro de crédito comercial bancado pelo governo e outra medidas para manter o crédito fluindo para a economia.

Ele mobilizou o outrora intervencionista e desdenhoso Estado francês e entendeu a mensagem que estava sendo passada pela população com sua crítica ao capitalismo financeiro.

Mas, ao mesmo tempo em que celebra o retorno do Estado, Sarkozy está se agarrando às suas metas de cortar os impostos, diminuir a burocracia do governo e conter os gastos.

É por isso que os franceses acreditam que as políticas de Sarkozy “não são coerentes, eficientes ou justas”, diz Rozès. Os franceses sentem que os bancos estão sendo ajudados com poucos limites, enquanto o governo vem dando pouca ajuda às famílias comuns.

A oposição a Sarkozy deverá se concentrar na redução dos impostos para os ricos, o chamado escudo que limita o imposto de renda devido de um indivíduo a 50% da renda. Sindicatos e alguns membros do partido do presidente não querem isso. Sarkozy reage, reforçando sua imagem de amigo dos ricos.

Não está nem um pouco claro se a tensão social vai acabar resultando em um movimento político coerente capaz de paralisar o governo Sarkozy. “Ele não está numa espiral de queda”, afirma Zaki Laidi, da Sciences Po, que aponta para a confusão entre os socialistas da oposição e diz que as críticas da população e dos sindicatos ao presidente são bastante difusas. “Não estamos na iminência de uma greve geral.”

Mas outros observadores temem a possibilidade de tumultos. “O verdadeiro problema para qualquer um é saber como a opinião pública vai evoluir”, diz Lévy. “Será que as pessoas vão acreditar que com a economia mundial em tamanha dificuldade elas precisam ficar calmas e razoáveis, além de trabalhar juntas para superar tudo isso? Ou será que vai levar as pessoas a atos desesperados? Minha sensação é de que não chegamos lá ainda, mas poderemos nos encontrar em uma situação com as sementes de um descontentamento muito profundo e uma espiral negativa que poderão levar a repetidas greves. Isso iria forçar o governo a desistir.”

18/03/2009 - 12:23h Franceses fazem greve geral contra Sarkozy

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Agências internacionais – VALOR

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, enfrenta amanhã uma greve geral contra suas políticas econômicas. E os grevistas contam com o apoio da maioria da população francesa.

Oito federações sindicais prometem para amanhã uma greve geral de um dia para exigir do governo e das empresas medidas que protejam os empregos e os salários em meio à crise financeira.

A manifestação deverá envolver escolas, hospitais e o sistema de transporte pelo país. Até mesmo os trabalhadores da Eletricite de France, a empresa de energia francesa, disseram que vão diminuir a produção das usinas nucleares.

A greve conta com o apoio maciço dos franceses, segundo pesquisas divulgadas ontem. Numa delas, da Ifop, 78% dizem apoiar o movimento; noutra, da BVA, 74%.

Ontem, em visita a uma fábrica da Alstom, em Ornans, leste da França, Sarkozy rejeitou a ideia defendida por setores de seu partido de elevar impostos. “Eu não fui eleito para elevar impostos. Eu não vou fazer isso”, disse.

Muitos analistas preveem que a França terá uma retração de até 2% este ano. A Comissão Europeia diz que a taxa de desemprego saltará 25%, chegando a 9,8%.

Segundo o semanário “Le Canard Enchaine”, Sarkozy comparou a mobilização de amanhã com as manifestações de maio de 1968. “Questões sociais geralmente se aquecem em maio”, disse ele, segundo a publicação. O governo já aprovou um pacote de estímulo da economia de 26 bilhões de euros. Em 29 de janeiro, no entanto, sindicatos levaram 2,5 milhões para as ruas cobrando mais medidas. Sarkozy anunciou 2,65 bilhões de euros adicionais principalmente para famílias de baixa renda. As medidas foram classificadas como insuficientes pelas entidades de trabalhadores.

Desde o início do ano, protestos por medidas contra os efeitos da crise vêm se repetindo pela Europa, do Reino Unido a Grécia, da Alemanha a Portugal.

18/03/2009 - 11:40h Krugman vê um ‘colapso coordenado’

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Bloomberg – VALOR

O Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman disse que o mundo atravessa um “colapso mundial coordenado”, cuja aparência “é pior na Europa e no Japão” do que nos Estados Unidos.

“O que começou como uma recessão relativamente branda” nos EUA “se tornou uma queda vertical”, disse Krugman em evento realizado em Bruxelas. “Esta é uma crise que está afetando gravemente a indústria de transformação.”

Krugman, que defendeu o aumento dos incentivos fiscais, disse que os instrumentos convencionais dos BCs não são suficientes para revitalizar o crescimento da economia. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e o do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Ben S. Bernanke, “não conseguem empregar suas ferramentas convencionais para enfrentar o colapso” econômico, disse o economista, da Universidade de Princeton.

Para o BCE, “toda a base intelectual do euro repousa na hipótese de que a política monetária pode, por si só, dar conta do recado”, disse Krugman. “O BCE ainda não cortou tudo o que podia (em termos de juros), mas ficarei surpreso se não acabar fazendo isso.”

“Trichet ainda está dizendo que não há risco de deflação na Europa, afirmação que, na minha opinião, expressa um estranho excesso de autoconfiança”, disse Krugman.

“Os Estados Unidos não estão fazendo o suficiente para combater a crise e a Europa está fazendo um pouco menos da metade do realizado pelos Estados Unidos”, disse Krugman. “Corremos um grave perigo.”

18/03/2009 - 11:08h Recessão será mais profunda, diz FMI

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Krishna Guha e Bertrand Benoit, Financial Times – VALOR

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anulará, amanhã, as previsões que anunciou para a economia mundial no início deste ano, e preverá uma recessão mais profunda, com um desaquecimento econômico mais severo na zona do euro.

Economistas do FMI reagiram ao ritmo e à gravidade do desaquecimento “à luz da grave contração na economia mundial nos últimos três meses de 2008 “, para formular previsões ainda mais pessimistas do que as feitas em janeiro sobre o crescimento em 2009.

Teresa Ter-Minassian, uma assessora de Dominique Strauss-Kahn, o diretor-gerente do FMI, emitiu ontem forte sinalização sobre o que esperar.

Citando previsões preliminares internas elaboradas em fins de fevereiro, ela disse que o FMI acredita que a economia mundial encolha 0,6% neste ano, em vez de crescer 0,5%, como havia previsto.

“O cenário será pior, mas o diretor-gerente já disse isso”, disse ela em Lisboa. “Essa é uma verdadeira crise mundial, que impactará todas as regiões e países do mundo em diferentes níveis de desenvolvimento”.

As previsões são de que a economia da eurozona irá encolher 3,2% em 2009, disse ela, contra a previsão anterior de declínio de 2%. Os EUA encolherão 2,6% (contra o 1,6% antes previsto) e o Japão 5% (contra os 2,6% antes previstos), sendo portanto a economia mais duramente atingida. Em Washington, o FMI disse que os números citados por Ter-Minassian são “não-oficiais” e estão “desatualizados”.

As iminentes revisões são anunciadas em meio a diferenças entre a Europa e os EUA sobre como atacar a recessão. Christoph Schmidt, um assessor econômico da chanceler alemã Angela Merkel, disse que a crescente dívida pública e a liquidez excessiva poderão empurrar os EUA para uma espiral inflacionária.

É improvável que os comentários do professor Schmidt sejam bem recebidos pelo governo Obama, que defende políticas fiscal e monetária mais frouxas em todo o mundo.

“Vejo um risco inflacionário nos EUA, no médio prazo, devido ao crescimento de sua oferta monetária”, disse ele. “Existe um risco de que [os governos] possam começar a considerar a inflação como uma maneira de reduzir a carga de endividamento público”.

Mervyn King, presidente do Banco da Inglaterra, defendeu que as grandes economias tomem medidas coletivas para impulsionar substancialmente o crescimento e que os governos “estejam dispostos a assumir o controle de quaisquer proporções de capital acionário que se revelem necessárias” em bancos vulneráveis.

O Banco do Japão apresentou uma minuta de plano para disponibilizar até 1 trilhão de ienes (7,7 bilhões de euros) em empréstimos subordinados a grandes bancos varejistas, em seu mais recente esforço para frear a crise econômica mundial.

A iniciativa do Banco do Japão acontece na esteira da decisão do Banco da Inglaterra de comprar dívida do governo britânico e do anúncio do Banco Nacional Suíço de seu plano para intervir nos mercados suíço.

17/03/2009 - 13:41h Europa: um continente à deriva

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Paul Krugman, The New York Times*

Estou preocupado com a Europa. Na verdade, estou preocupado com o mundo todo – não existem refúgios a salvo dessa tormenta econômica global. Mas a situação da Europa preocupa-me mais do que a dos Estados Unidos.

Não vou repetir a velha queixa americana de que, na Europa, os impostos são muito altos e os benefícios muito generosos. Os enormes programas de bem-estar social não são a causa da atual crise. São um fator atenuante.

O perigo claro e presente vem de uma direção diferente: é o fracasso do continente em responder eficazmente à crise financeira. A Europa carece de uma política fiscal e monetária. Enfrenta uma crise no mínimo tão severa quanto os EUA, porém está fazendo muito menos.

No aspecto fiscal, a comparação com os EUA é assombrosa.

Para muitos economistas, eu inclusive, o plano de estímulo do governo Obama era muito tímido diante da gravidade da crise. Mas as medidas adotadas pelos EUA fazem parecer insignificante qualquer coisa que os europeus estejam fazendo.

A diferença em termos de política monetária é igualmente assombrosa. O Banco Central Europeu (BCE) tem se mostrado muito menos dinâmico do que o Federal Reserve; tem demorado para cortar as taxas de juros (elevou em julho do ano passado) e evitou adotar medidas vigorosas para desbloquear os mercados de crédito.

A única coisa que pesa em favor da Europa é exatamente aquilo pelo qual é mais criticada: o porte e a generosidade dos seus programas de bem-estar social, que atuam como amortecedor do impacto dessa retração econômica.

E isso não é pouco. O auxílio-desemprego e a assistência à saúde garantida asseguram que, pelo menos até agora, não se veja na Europa o sofrimento humano tão nítido como nos EUA. Esses programas também vão ajudar a sustentar os gastos nessa crise. Contudo, esses “estabilizadores automáticos” não são substituto de uma ação positiva.

Por que a Europa não está conseguindo enfrentar a crise? Em parte por causa de uma liderança medíocre. As autoridades dos bancos europeus, que se omitiram quanto à profundidade da crise, ainda parecem estranhamente complacentes. E para ouvir alguma coisa nos EUA que seja comparável aos ataques ignorantes do ministro das Finanças da Alemanha, você deve ouvir os republicanos.

Mas há um problema mais profundo: a integração monetária e econômica da Europa avançou muito mais do que as suas instituições políticas. As economias de muitas nações estão tão estreitamente ligadas quanto as economias de muitos Estados, nos EUA, – e a maior parte da Europa compartilha uma moeda comum. Mas, ao contrário dos EUA, a Europa não tem instituições que cubram todo o continente, necessárias para lidar com uma crise com essa envergadura.

Essa é uma importante razão da ausência de uma uma ação fiscal. Não existe nenhum governo em posição de assumir a responsabilidade pela economia europeia como um todo. Em vez disso, o que há são governos nacionais, cada um relutando em acumular enormes dívidas para financiar um plano de estímulo que poderia levar muitos, senão a maior parte, dos seus benefícios para os eleitores em outros países.

Você poderia pensar então que a política monetária é mais convincente. Afinal, apesar de não existir um governo europeu, há um BCE. Mas ele não é como o Fed, que pode se permitir correr riscos porque tem o suporte de um governo nacional unitário.

Em outras palavras, a Europa vem se revelando estruturalmente fraca num período de crise. A maior dúvida é o que vai ocorrer com aquelas economias europeias que prosperaram tanto na fase do dinheiro fácil dos últimos anos, particularmente a Espanha.

Durante grande parte da década passada, a Espanha foi a Flórida da Europa, com uma economia animada por um enorme boom especulativo imobiliário. Como na Flórida, esse boom transformou-se em um fiasco. A Espanha agora precisa encontrar novas fontes de renda e emprego.

No passado, o país teria procurado ser competitivo desvalorizando sua moeda. Mas agora a sua moeda é o Euro – e o único meio de avançar parece ser pelo doloroso processo de corte de salários. O que seria difícil nos melhores tempos, mas será incrivelmente doloroso se, como parece provável, a economia europeia como um todo entrar numa depressão e se encaminhar para uma deflação nos próximos anos.

Isso significa que a Europa errou ao se tornar tão estreitamente integrada? E, especialmente, que a criação do Euro foi um equívoco? Talvez.

Mas a Europa ainda pode mostrar para os céticos que eles estão errados, se os seus políticos começarem a mostrar mais liderança.

Mostrarão?

*Paul Krugman é articulista

15/03/2009 - 10:58h “Obama es demasiado prudente”

ENTREVISTA: Paul Krugman Premio Nobel de Economía 2008

Krugman

A. GONZÁLEZ / M. Á. NOCEDA – Sevilla – El País

Máximo exponente de los neokeynesianos, Krugman cree que el nuevo Gobierno de EE UU rema en la buena dirección pero está siendo más que cauto. El fin de la crisis no aparece en sus pronósticos como algo cercano.

Pese a la generosa dotación del premio Nobel, Paul Krugman (Nueva York, 1953) no abandona su aspecto de profesor universitario, enfundado en un traje con deportivas negras y una mochila al hombro. Ha venido a Sevilla invitado por la Confederación de Empresarios de Andalucía (CEA). Hace acto de presencia en el minuto exacto de la cita, tímido y abrumado por los elogios. Todo eso desaparece en cuanto se enreda en temas económicos.

Pregunta. ¿Cuándo se dio cuenta de que habíamos vuelto a la economía de la depresión, como usted la denomina?

Respuesta. A principios de 2008 estaba bastante claro que nos habíamos topado con los límites de la política convencional. Después de la caída de Lehman, en septiembre, ya resultó obvio.

P. ¿Cuándo terminará?

R. Los precedentes no son buenos. La depresión japonesa terminó con un boom de sus exportaciones a China pero esta vez la crisis afecta a todo el mundo a la vez así que ésa no es una opción. Y la Gran Depresión terminó con la II Guerra Mundial. Hay un final natural a largo plazo, pero llevará mucho, mucho tiempo.

P. ¿Son realmente eficaces las medidas adoptadas?

R. Hasta cierto punto estamos cambiando deuda privada por deuda pública y tratamos de compensar el conservadurismo de los consumidores con un aumento del gasto público. Así salimos de la Gran Depresión. Es cierto que China pretende salir de la crisis con un aumento de las exportaciones y que eso puede ser la base de otra crisis. Pero creo que es tremendamente importante sostener la demanda, aunque no sea la solución definitiva. De lo contrario, corremos un riesgo serio de quedar atrapados en una trampa muy profunda.

P. ¿Debería coordinarse esa respuesta en el G-20 o en otros foros?

R. Lo ideal es que el G-20 saliera de las reuniones de este fin de semana con un acuerdo para coordinar las políticas fiscales aunque desgraciadamente eso no va a pasar. Lo más crucial es que los europeos pacten entre ellos las bases de la expansión fiscal porque la dependencia es mucho mayor entre los socios de la UE que respecto a EE UU. En todo caso, necesitamos un acuerdo del G-20 para coordinar las políticas fiscales y también un plan de rescate para los países emergentes con problemas. Aquí probablemente tendría un papel decisivo el FMI, que debería proporcionar recursos suficientes a Hungría y al resto de los países bálticos.

P. ¿Habría que reforzar la cooperación entre EE UU y la UE?

R. Sin duda, hay mucha dependencia entre ambos. Todos estamos preocupados por el déficit pero un esfuerzo coordinado puede reducir la aportación extra que debe hacer cada uno y aumentar los beneficios. El plan de estímulo fiscal de EE UU ayuda a la economía europea, en buena medida. Por ejemplo, muchas de las ayudas destinadas a AIG acabaron en manos de bancos europeos que eran los que les habían comprado los seguros contra impagos de deuda (credit default swaps). Ahora muchos se preguntan por qué el contribuyente de EE UU tiene que rescatar bancos europeos.

P. ¿Y los bancos centrales?

R. Ahí los efectos no están tan claros. Hasta cierto punto, la resistencia del BCE a utilizar todo el margen en los tipos de interés está beneficiando a EE UU, con un dólar más barato que impulsa las exportaciones, así que a nosotros claramente nos interesa la política de Trichet.

P. ¿Conoce al presidente Zapatero o va a reunirse con él?

R. No le conozco. Sé que interviene en el acto en el que tengo que participar

en Madrid, pero no sé si habrá oportunidad de encontrarnos. Lo que sí he hecho ha sido repasar a fondo la situación de España.

P. ¿Y sus conclusiones?

R. Que España es como California o Florida. Las dos han vivido un boom de la construcción, han recibido grandes flujos de capital extranjero y, cuando ha estallado la burbuja inmobiliaria, la situación se ha vuelto muy difícil. Ahora tienen problemas de ajuste similares: el déficit es preocupante y la rebaja del rating ha sido inevitable, aunque peor para California.

P. ¿Y qué se debería hacer?

R. Va a ser duro. Lo que realmente asusta de la situación española es que no está nada claro cuál es la estrategia de ajuste por su pertenencia a la UE. Todo lo que puede hacer es mitigar los efectos de la crisis. Si España no fuera parte del euro, la devaluación ayudaría, pero esa opción ya no existe; la política fiscal es muy limitada para los países de la UE; también es limitada la capacidad de actuar sobre el sistema financiero aunque los bancos españoles han demostrado estar relativamente en buena forma; se pueden adoptar medidas para limitar el impacto de la crisis sobre los parados. Pero en buena medida a España sólo le queda esperar a que se produzca una recuperación europea.

P. ¿No debería jugar China un papel más destacado?

R. Sí, siempre que China también dé señales de cooperación. De momento sólo pretenden salir de la recesión con una moneda devaluada que impulse sus exportaciones y la política de la Reserva Federal no tiene como objetivo que los chinos estén contentos. Además, hay una cierta amenaza de que se puedan llevar el dinero que tienen en dólares, pero lo cierto es que si debes 100 dólares a alguien tienes un problema pero si lo que debes es un billón, como a los chinos, el problema lo tiene China, no tú.

P. ¿Puede el mismo sistema financiero que nos ha llevado al caos ser el que marque las directrices de futuro?

R. Nos enfrentamos a un gran test que debemos resolver y es la reconstrucción del sistema financiero. Solíamos tener un sistema más sencillo, con los bancos actuando como intermediarios y luego todo derivó en un sistema de enormes instituciones financieras, complejas y poco reguladas. Claramente eso ha fracasado. Probablemente debamos mirar hacia un modelo más simple y más al viejo estilo. Muchos cambios se producirán de forma natural. Dudo que la gente vuelva a confiar en estos planes financieros complejos y complicados, que en buena medida ya han quebrado: unos 400.000 millones de dólares del sistema financiero han desaparecido. Pero también se necesita más regulación de la que tenemos y eso va a ser duro.

P. La crisis se ha llevado por delante a muchos banqueros pero a ningún regulador.

R. En EE UU, muchos supervisores han sido forzados a dimitir de una forma u otra. Tampoco está claro que incluso haciendo su trabajo bien esto no hubiera pasado. Pero es cierto que ni siquiera intentaron hacerlo.

P. ¿Se refiere a Greenspan?

R. No, aunque es un poco triste ver cómo intenta defender su legado. Pero no hablaba de él.

P. ¿Podemos enfrentarnos, como en los años treinta, a una serie de devaluaciones competitivas?

R. Esas devaluaciones ayudaron, no fueron dañinas para la economía mundial, pero era un mundo distinto que se regía por el patrón oro. Lo que me preocupa es si ahora las devaluaciones sustituyen a otro tipo de medidas. Si China, por ejemplo, lo hace para salir de la crisis, eso sí es un problema.

P. ¿Cómo valora los primeros meses del gobierno de Obama?

R. El cambio a mejor es enorme, son políticas inteligentes y honestas y sólo eso ya dibuja un mundo completamente diferente al que había. El problema es que el gobierno Obama está siendo demasiado cauto, incluso siendo más audaz de lo habitual, está siendo demasiado prudente

dada la dimensión de la crisis. El plan de estímulo tenía que haber sido, al menos, un 30% mayor y no quieren adoptar ninguna medida dramática sobre los bancos. Las prioridades fijadas en el presupuesto son excelentes, pero aunque reman en la dirección correcta no están remando lo suficiente.

P. Pero sí hay ámbitos, como la sanidad y las políticas de gasto, en los que Obama está aplicando reformas profundas…

R. Hay una frase que se atribuye a su jefe de gabinete, Rahm Emmanuel, que dice: “Nunca se debe desaprovechar una crisis”. Eso define muy bien su espíritu -yo he hecho mía la frase [risas]-. Reagan aprovechó la crisis del 87 para cambiar todo, ¿por qué no vamos a poder dar la vuelta a algunas cosas?

P. ¿Incluyen esos cambios la nacionalización de la banca?

R. En eso, ni siquiera parece que tengan un plan , hablan de la cooperación pública y privada pero de forma difusa y a veces suena más como un regalo al sector. Lo que creo que va a pasar, aunque llevará tiempo, es una solución a la sueca . Eso llevará a garantizar los depósitos bancarios y a nacionalizar temporalmente Citigroup y posiblemente también Bank of America.

P. ¿A eso se refería el secretario del Tesoro cuando dijo que el capitalismo ya será diferente?

R. Éste es uno de esos momentos en los que toda una filosofía ha sido desacreditada. Los que defendían que la avaricia era buena y que los mercados debían autoregularse sufren ahora la catástrofe. Son los mismos que decían que si se subían los impuestos a los ricos pasarían cosas terribles. Pues Clinton subió los impuestos a las rentas más altas y la economía funcionó muy bien durante ocho años, mientras que Bush los bajó y mira lo que ha pasado. Creo que ese cambio se va a imponer.

P. ¿Amenaza la crisis la reelección de Obama?

R. Obama se parece a Roosevelt, que no resolvió la Depresión pero al que se veía que tomaba medidas para intentar salir de la crisis y eso le dio la victoria electoral. Muchos expertos en política de mi Universidad aseguran que los electores tienen una memoria muy frágil, que sólo se preocupan por lo que pasa en los últimos seis meses así que Obama tiene margen para mejorar cosas antes de la reelección.

11/03/2009 - 08:43h Para FMI, mundo entrou em ‘grande recessão’

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Associated Press – VALOR

A economia mundial entrou numa “grande recessão” e terá uma retração este ano. A afirmação foi feita pelo presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.

Em uma entrevista gravada que foi ao ar ontem pelo canal de TV francês France 24, Kahn disse que os dados econômicos têm piorado desde janeiro, quando o fundo apresentou sua previsão de crescimento mundial de 0,5% para este ano.

“Desde então as notícias não têm sido boas”, disse. “Eu penso que agora podemos dizer que entramos em uma grande recessão”. Kahn não fez uma previsão específica sobre qual seria, na avaliação do FMI, o ritmo de retração da economia este ano. “Essa recessão pode durar um longo tempo”, afirmou ele na entrevista. Segundo Kahn, se as medidas esperadas pelo fundo forem de fato implementadas, 2010 poderá ser o ano da retomada do crescimento.

No domingo o Banco Mundial disse que a economia global vai encolher pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial e que por conta da crise financeira os países pobres e em desenvolvimento terão mais dificuldade para obter crédito.

A previsão do banco é que o fluxo de comércio caia em 2009 para seu nível mais baixo em 80 anos. Nos países mais pobres, os efeitos da crise devem durar mais tempo. Como os países ricos estão buscando mais financiamentos, os países em desenvolvimento estão tendo dificuldades cada vez maiores para obter crédito.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) previu uma queda 2,2% a 3,2% no Produto Interno Bruto (PIB) este ano nos 16 países que têm o euro como moeda. A economia da zona do euro encolheu 1,5% no quarto trimestre de 2008 – a maior retração já registrada. A redução foi puxada pela diminuição da demanda mundial por produtos importados, atingindo em cheio as economias desenvolvidas da região que são fortemente exportadoras.

13/02/2009 - 15:47h A União Europeia entra em recessão e a “eurozona” aprofunda seu recuo

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La economía de los Veintisiete cae un 1,5% en el cuarto trimestre.- La Eurozona acumula ya tres trimestres en negativo.- El PIB alemán bate marcas y cae un 2,1%, el italiano un 1,8%

El País

El traslado con toda su intensidad de la crisis financiera internacional a la economía real en los últimos meses de 2008 ha llevado a la economía de los Veintisiete a empezar 2009 en recesión, mientras la eurozona ahonda su retroceso. Según ha hecho público hoy Eurostat, tanto el PIB de la UE como el de los países que comparten la divisa única se ha contraído un 1,5% en el cuarto trimestre del pasado año.

Este deterioro ha provocado el segundo trimestre consecutivo a la baja de la economía de la Unión Europea, que se redujo un 0,2% entre agosto y septiembre y se mantuvo estancada (un 0,0%) en el anterior, con lo que cumple con la definición técnica de recesión. Por su parte, peor evolución muestra la eurozona, que acumula nueve meses en negativo y sufre la primera recesión desde su creación en 1999. En cualquier caso, las dos mantienen un crecimiento positivo en el conjunto de 2008: un 0,7% en la zona euro y un 0,9% en la UE. En total, de los quince Estados miembros sobre los que Eurostat ofrece datos actualizados, seis han entrado en recesión.

Por países, Alemania sufrió en el último trimestre de 2008 su mayor caída desde la reunificación en 1990 con un retroceso del 2,1%. En los meses anteriores, su PIB se contrajo un 0,5% tanto en el segundo como en el tercer trimestre, respectivamente. Además, el frenazo de la primera potencia europea es mayor de lo esperado inicialmente, ya que el pasado enero el INE alemán contaba con un retroceso de entre el 1,5 y el 2,0%. Pese a todo, los responsables de la oficina estadística han destacado que en el conjunto de 2008 el PIB registró un aumento real del 1,3%.

Precisamente, el Parlamento alemán -Bundestag-, ha aprobado hoy el segundo plan de reactivación económica con el que el Gobierno pretende paliar la crisis, dotado con 50.000 millones de euros para este año y el próximo. El voto a favor a este paquete, que ha servido de estreno del nuevo ministro de Economía, el socialcristiano bávaro Kart Theodor zu Guttenberg, da vía libre a inversiones en educación e infraestructuras de carreteras y ferrocarril, además de incluir algunas reducciones fiscales para los ciudadanos.

Por su parte, Francia sufrió una contracción del 1,2% en el último trimestre de 2008 y es la única entre los grandes que se salva de momento de la recesión. Sin embargo, el Gobierno ya espera este extremo para 2009 con una caída de, al menos, el 1%, según ha indicado la ministra francesa de Economía, Christine Lagarde. “Como en todos los países desarrolados, la actividad en Francia ha bajado significativamente debido a la crisis financiera”, ha asegurado.

Lagarde ha explicado que, después de haber sido “uno de los escasos países europeos en los que la actividad aumentó en el tercer trimestre (0,1%) tras el retroceso del 0,3% en el segundo, Francia ha sufrido a finales de 2008, como sus vecinos europeos, los efectos desfavorables de la crisis”. Aunque esto “no significa”, según Lagarde, que la situación vaya a continuar agravándose en los próximos meses, en parte gracias a la resistencia del consumo de las familias, que ha aumentado un 0,5% en los primeros compases de este año.

Eurostat también ofrece datos de España y confirma que la economía española también se contrajo entre octubre y diciembre, un 1%, por segundo trimestre consecutivo, con lo que se une al grupo de países en recesión técnica. En términos interanuales, la caída se reduce al 0,7%.

Asimismo, Italia ha confirmado hoy otra caída histórica tras contraerse su PIB un 0,9% en todo 2008, el mayor descenso desde la anterior crisis de 1993. Al igual que Alemania, la economía italiana ha recrudecido en los últimos meses del año pasado su deterioro hasta caer un 1,8% en el cuarto trimestre, lo que se suma al retroceso del 0,5% en el tercero y a la caída del 0,3% registrada entre abril y junio. Una caída intertrimestral de estas características, añade la oficina estadística, no se registraba en 29 años, cuando se comenzó a contabilizar este dato. Asimismo, el PIB italiano no sufría un crecimiento negativo por segundo trimestre consecutivo desde el último trimestre de 2004 y el primero de 2005. En 2007, creció un 1,5%.

El descenso de finales de 2008, provocado sobre todo por la disminución del valor de la industrial y de los servicios, supera las peores estimaciones del Gobierno italiano, que apuntaban a un retroceso del 0,6% del PIB. Además, en comparación con el mismo periodo del año anterior, esta caída se amplía al 2,6%, la mayor contracción de toda la UE y sólo comparable a la de Portugal, con un 2,1%.

En la Eurozona, Grecia -con un aumento del 2,6%-, Chipre -2,1%- y Austria -0,5%- han logrado un registro positivo en este apartado. Además, la recién incorporada Eslovaquia ha conseguido que su PIB progresara un 2,7%. De los países de la UE que no tienen el euro como moneda, el que ha sufrido la mayor contracción ha sido Letonia, con un 10,5%.

01/02/2009 - 10:47h ”Brasil vai crescer mais que o mundo”

Segundo Meirelles, em Davos, estimativas apontam que o País vai crescer um ponto acima da média mundial

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Beatriz Abreu, BRASÍLIA – O Estado SP

A deterioração da economia mundial e o agravamento da crise financeira dominaram as discussões do Fórum Econômico Mundial, em Davos, mas ainda assim o Brasil é apontado como um dos países que se sairão melhor da crise que arrasta o mundo para a recessão. “Em todas as estimativas variam o número, mas tem um fato que não muda: o Brasil vai crescer um ponto porcentual acima da média mundial”, disse o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Meirelles, que participou das discussões sobre a crise com lideranças políticas de vários países, enfatiza que a “crise é séria” e concorda que a brusca mudança de cenário é uma preocupação não apenas do Brasil, mas de todas as economias mundiais. Ele insiste, no entanto, que as medidas tomadas ao longo dos últimos anos e a melhora dos fundamentos econômicos garantem “que o Brasil tenha um desempenho melhor que a média mundial”.

Esse cenário internacional de grande volatilidade e incertezas está abrindo espaço para uma discussão importante e, ao mesmo tempo, complexa. Meirelles citou, por exemplo, que começa a ganhar corpo a discussão sobre a necessidade de os países terem uma cesta de moedas como referência de reserva internacional. “A visão majoritária é de que o euro ou o iene não substituirão o dólar como moeda de reserva em futuro próximo. Estão ocupando espaço, mas não substituindo”, disse o presidente do BC.

Por outro lado, explicou, “ganha força a ideia de que o mundo não deve depender da moeda de um único país como moeda de reserva internacional”.

RÁPIDA E VIOLENTA

São discussões que afetam as economias mundiais e a dinâmica entre os países que, a cada momento, se deparam com novo efeito devastador da tsunami na qual se transformou a crise financeira. Na economia brasileira, essa mudança de cenário foi “rápida e violenta” e está expressa na ata da última reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) e nos indicadores conjunturais, como o da Confederação Nacional da Indústria (CNI): o setor industrial enfrentou no último trimestre do ano passado sua pior crise dos últimos dez anos. As incertezas que prevaleciam em dezembro foram eliminadas pelo documento que o BC divulgou semana passada. Hoje, o governo tem claro que o problema não é mais o de trazer a inflação para meta de 4,5% neste ano. A batalha que se impõe é garantir a atividade econômica.

Embora a projeção oficial seja mirar um crescimento de 4%, essa possibilidade é um sonho descolado da realidade. Meirelles não faz uma aposta sobre o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e tampouco estabelece comparações com a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que reviu o crescimento brasileiro em 2009 de 3% para 1,8% do PIB. Em um cenário pessimista, o Ministério da Fazenda aceita a hipótese de um crescimento de 1,5%. Mas acredita que o país se sairá bem melhor.

O cenário se deteriora com uma velocidade tão rápida que as medidas são reavaliadas a todo momento, num ritmo frenético de ações do governo. Neste momento, prevalece a avaliação de que as medidas adotadas para liberar o crédito ao comércio exterior não surtiram efeito ante um mercado internacional travado. Amanhã, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio divulga o resultado da balança comercial de janeiro e a possibilidade de déficit não está descartada. A tentativa de monitorar as importações para definir que novas ações podem fortalecer o setor foi um tiro que saiu pela culatra e só gerou mais confusão na equipe econômica.

O setor exportador foi um dos que primeiro receberam socorro, mas o fato é que as exportações estão desabando no mundo. O governo já se rendeu a essa realidade, estuda novas medidas de estímulo aos exportadores mas, por enquanto, decidiu ser preventivo e não reforçar os problemas do setor: as empresas terão um prazo maior – 31 de janeiro de 2010 – para comprovar o embarque de mercadorias. Assim, elas agora têm dinheiro disponível, mas não têm mercado.

O problema não é só brasileiro. Cingapura, por exemplo, enfrentou a queda de 2,5% do PIB em um único mês, por causa da forte dependência das exportações, segundo dados analisados pelo governo. Esse caso é citado para desmontar avaliações de um movimento errático na definição das medidas para fazer frente à crise. O mundo inteiro está tentando soluções, ponderam fontes do Planalto.

O desafio é manter o crescimento da economia e o governo sabe que, para isso, terá de vencer o sentimento de insegurança que contaminou o setor privado. Mais: está percebendo que a questão não será resolvida apenas jogando muito dinheiro na economia ou estimulando setores intensivos em mãos-de-obra. O sentimento é generalizado. O exportador não vende porque ninguém quer comprar. O banco não empresta porque não há tomador de crédito interessado em pagar taxas elevadas e o consumidor se retrai por temer o desemprego.

23/01/2009 - 09:10h Sem grandes ilusões

Anna Carolina Negri / Valor

Krugman: “No curto prazo, estou muito nervoso. Espero estar errado, mas acho que provavelmente vamos ter um plano de recuperação da economia nos próximos meses que será insuficiente”

Por Robinson Borges, de São Paulo – VALOR

A esperança não venceu o medo do economista americano Paul Krugman. Considerado um dos mais severos críticos do governo de George W. Bush, o vencedor do Prêmio Nobel de Economia do ano passado diz se sentir aliviado com a mudança na Casa Branca, mas confessa estar intranqüilo com o cenário que se desenha para a economia americana. “Na verdade, no curto prazo, estou muito nervoso. Não acho que, mesmo com o novo governo, que está quase pronto para fazer o que é necessário, isso vá ocorrer”, disse Krugman em entrevista concedida anteontem ao Valor. “Espero estar errado sobre isso, mas acho que provavelmente vamos ter um plano de recuperação da economia nos próximos meses que será insuficiente, mais uma vez”, prosseguiu o célebere colunista do “New York Times”.

Árduo defensor de mais regulação dos mercados e de gastos públicos intensos, Krugman considera que as propostas divulgadas pela equipe econômica do recém-empossado presidente Barack Obama são tímidos para enfrentar a dimensão da crise atual. “Todas as soluções apresentadas me parecem meias medidas”, criticou o professor de Princeton. “O pacote fiscal parece limitar o avanço do desemprego, mas não preveni-lo. O plano de socorro aos bancos parece que serve para evitar catástrofes, mas não é suficiente para recuperar o sistema.”

Em sua perspectiva, os efeitos colaterais da crise atual serão terríveis: “O PIB dos EUA vai começar a crescer um pouco no fim do ano, mas o desemprego deve continuar muito alto nos próximos dois ou três anos. Provavelmente, o desemprego vai começar a cair no ano que vem, mas permanecerá alto.”

AP

Barack Obama na terça-feira, a caminho da posse: “O problema é a dimensão da crise que ele tem de enfrentar. Isso significa que a celebração não deve durar muito, especialmente do lado econômico”, afirma Krugman

 

De linhagem progressista, há tempos Krugman dá sinais do seu temor sobre o perigo dos excessos cometidos pelo mercado. Há dez anos, ele acendeu o farol amarelo da academia quando lançou um livro com o provocativo título “O Retorno da Grande Depressão”. Em menos de 200 páginas, ele analisava as crises internacionais que assolaram a América Latina e Ásia na década de 90 e advertia: a dramática queda da atividade econômica dos países emergentes não era um fenômeno isolado. Ao contrário do que pregavam seus colegas ortodoxos, argumentava que havia uma exagerada confiança nas políticas macroenconômicas, e que elas não seriam capazes de banir o fantasma da grande depressão da economia global. Krugman enxergava nos episódios dos países emergentes o presságio “funesto de que os problemas da depressão não haviam desaparecido”.

Uma década depois, com um Prêmio Nobel nas mãos e a maior recessão econômica nos EUA desde a Grande Depressão na cabeça, Krugman encontrou uma boa oportunidade para relançar o livro com uma edição revista e atualizada. Rebatizado de “A Crise de 2008 e a Depressão Econômica” (Campus/Elsevier), o título com prefácio do economista André Lara Resende chega às livrarias na próxima semana com um inevitável tom profético. “Tive um pouco desse sentimento de ‘não avisei?’ No entanto, gastei os últimos dez anos me preocupando com a crise que enfrentamos hoje. É importante ver que isso tudo não é completamente sem precedentes, que é possível observar as lições do Japão, da Argentina e da Ásia”, disse Krugman.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: Depois de oito anos criticando severamente o ex-presidente George W. Bush, como o sr. se sente agora que a Casa Branca é ocupada por Barack Obama?

Paul Krugman: É um grande alívio. Do ponto de vista político, nossa democracia sobreviveu aos oito anos de Bush. Agora temos pessoas muito inteligentes no novo governo, o que é uma boa coisa. O problema é a dimensão da crise que Obama tem de enfrentar. Isso significa que a celebração não deve durar muito, especialmente do lado econômico, mas não apenas nesse aspecto. Há muitos outros a serem contornados. Não estou tão otimista quanto gostaria de estar.

Valor: A esperança não venceu seu medo?

Krugman: Na verdade, no curto prazo, estou muito nervoso. Não acho que, mesmo com o novo governo, que está quase pronto para fazer o que é necessário, isso vá ocorrer. Espero estar errado sobre isso, mas acho que provavelmente vamos ter um plano de recuperação da economia nos próximos meses que será insuficiente, mais uma vez. Mas, no final das contas, vamos fazer o que é necessário. Enquanto isso, seremos extremamente afortunados se escaparmos de uma taxa de desemprego de 9% ou mais nos Estados Unidos… Não sei como dizer isso… Todas as soluções apresentadas me parecem meias medidas. O pacote fiscal parece limitar o avanço do desemprego, mas não preveni-lo. O plano de socorro aos bancos parece que serve para evitar catástrofes, mas não é suficiente para recuperar o sistema.

Valor:
É uma questão de dose, isto é, seria preciso pôr mais dinheiro, ou está se fazendo a coisa errada?

Krugman: A escala dos planos é menor e muito distante das necessidades reais. A injeção de US$ 350 bilhões no setor financeiro, que para muita gente é muito dinheiro, não é. O valor necessário de injeção de capital no sistema bancário no curto prazo seria de US$ 1 trilhão. A perda do valor de ativos problemáticos ao longo dos últimos meses basicamente superou o dinheiro que estamos injetando. Também temos um problema: é muito difícil injetar capital em bancos fundamentalmente insolventes. E agora parece que este é o caso. Certamente, estou analisando grandes bancos como o Citigroup. Não está claro como os compradores de ações podem fazer seu trabalho nessas circunstâncias, porque me parece que um banco exige algo muito mais radical para ser salvo. O problema da crise é que ela é tão grande que o que se assemelha a uma grande resposta, na verdade, se transforma em uma resposta insuficiente.

Valor: O sr. já disse que o governo americano teme a palavra nacionalização. Seria essa uma solução para o problema dos bancos?

Krugman: Acho que, no final das contas, é a única alternativa disponível. Há muitos problemas com a nacionalização dos bancos, e temos de entender que ninguém quer ver o governo administrando o sistema bancário. Mas, se você observar a situação das maiores instituições financeiras, é muito difícil ver como podem continuar funcionando sem uma aquisição total. Elas não estão numa posição de cobrir todas as suas perdas para continuar. Se não houver uma nacionalização, isso significa que essas perdas ficarão para os acionistas. Não vejo uma saída e eu não estou feliz com a perspectiva.

Valor:
Uma das razões para que as propostas de socorro de Barack Obama sejam “tímidas”, segundo qualificação do sr., não é seu temor de aumentar o déficit? Ele não deve ter esse medo?

Krugman: Há uma preocupação real com isso, obviamente. Estamos falando dos Estados Unidos e de um grande déficit. Se alguém dissesse que vamos ter um pacote de US$ 3 trilhões, até eu diria: “Meu Deus, eu não sei se temos condições de gastar isso.” Mas acho que podemos gastar US$ 1 trilhão. No entanto, na verdade, não sei se esse é o problema real para a expansão do plano. Acho que isso ocorre por causa de uma combinação de fatores, como a dificuldade em lidar com projetos a serem pagos no futuro e a precaução dos políticos. Eles realmente não querem ter um plano de US$ 1 trilhão. Acho que o que limita o plano de Obama é a precaução política.

Valor: Quanto tempo o sr. avalia que durará esta recessão?

Krugman: Acho que o PIB dos Estados Unidos vai começar a crescer um pouco no fim do ano, mas o desemprego deve continuar muito alto nos próximos dois ou três anos. Provavelmente, o desemprego vai começar a cair no ano que vem, mas permanecerá alto.

Valor: O sr. parece não gostar da expressão “problemas estruturais” e parece não achar que eles tenham de entrar na receita para combater problemas graves e imediatos, como a crise atual. Mas há quem diga que os Estados Unidos gastam demais e a China, de menos, e que o esquema de países emergentes financiarem o déficit americano com enormes reservas está na raiz dos desequilíbrios atuais. Como consertar isso?

Krugman: Também é uma preocupação, mas não acho que deva ganhar centralidade na crise atual. Poderia argumentar que esses desequilíbrios têm muito a ver com as bolhas, mas, mesmo assim, não vejo como esses desequilíbrios façam diferenças fundamentais na estratégia de recuperação da economia. Precisamos salvar o sistema financeiro e expandir a demanda em todos os lugares. Isso não tem a ver com o desequilíbrio dos Estados Unidos com a China. Trata-se apenas de um pedaço da foto.

Valor: No livro, o sr. analisa diversas outras crises econômicas, passando pelas da Argentina, do México, da Rússia, da Ásia e chega até as bolhas da internet e da habitação nos Estados Unidos. Quais são os pontos de conexão entre todas elas?

Krugman: Há dois aspectos que unem todas essas crises. Um deles é que, de uma forma ou de outra, em todas houve um colapso financeiro, que envolve problemas com instituições, essencialmente problemas bancários. Não falo de bancos segundo o modelo tradicional, mas de bancos numa versão moderna, algo mais complexo. O segundo ponto é que, nesses episódios, os instrumentos simples de política fiscal e monetária não funcionaram. O que quero dizer quando trato de depressão econômica é justamente a incapacidade das ferramentas-padrão, que não servem para nos tirar da crise. Outra coisa é que há, por exemplo, uma similaridade reconhecível entre a forma como a crise na Rússia em 1998 levou a uma crise do real brasileiro e a forma como a crise da habitação americana atual levou a um problema na Islândia.

Valor: O sr. diz que a depressão econômica ocorre quando a política monetária perde seu poder de ação e as taxas básicas de juro são próximas de zero. Nesses casos, planos de socorro seriam fundamentais para estimular a economia. No Brasil, entretanto, nós temos as taxas de juros mais altas do mundo. O sr. acha que sua redução seria suficiente para mitigar o impacto da atual crise econômica? Isso significaria que a depressão econômica não chegou aqui?

Krugman: Vocês têm um diferente tipo de depressão, embora não seja tão severa quanto em outros lugares. Há duas razões para que você considere que a política monetária não está funcionando. Uma é aquela em que a taxa básica de juros é igual a zero, caso dos Estados Unidos hoje. Nessas condições, não há nada mais que você possa fazer. A outra é aquela em que você não corta a taxa de juros porque tem medo da desvalorização de sua moeda. Isso teria efeitos financeiros severos, por causa da dívida externa. O Brasil tem um pouco do segundo problema, mas não muito. O Brasil tem um dos casos menos ruins no cenário mundial. Não tenho lido muito sobre o Brasil ultimamente, mas me lembro que, quando o real se desvalorizou, em 1999, havia um temor generalizado de que seria uma catástrofe, como a da Indonésia, no ano anterior, e mesmo como a da Argentina, três anos depois. Na verdade, a desvalorização de 1999 não foi tão ruim porque o Brasil não tinha tanta dívida denominada em dólar nem estava tão frágil do ponto de vista financeiro como os outros. Hoje, o Brasil está numa situação melhor do que os países do Leste da Europa, que contam com empréstimos do exterior para abastecer suas economias emergentes. Eles têm muitas dívidas em euro e por isso não podem desvalorizar suas moedas. Estão numa armadilha por causa do estouro da bolha.

Valor: É isso o que sr. chama de mãe de todas as crises cambiais? E no Brasil, que desde que o Lehman Brothers quebrou, em setembro, o real se desvalorizou mais ou menos 25%?

Krugman: O Brasil não é o pior caso no momento. A queda da moeda brasileira não está criando o mesmo tipo de crise que outras desvalorizações. O Brasil é um país exportador de commodity [a queda das commodities é um dos fatores que explicam a expressiva desvalorização do real]. A crise de moeda realmente horrível é a da periferia européia, como já disse. Vemos países como Rússia, Estônia, Hungria, Ucrânia, Estônia, Polônia, Lituânia. Todos sofrem de crises cambiais. São crises como a da Argentina em 2002, mas de uma forma muito pior. O cenário pode se agravar, mas ainda há muitas peças de dominó para cair. Não vemos uma queda de impacto nas moedas dos Bálcãs. Só começamos a ver a severidade da crise no sudeste europeu. Claro que o problema do setor bancário está se tornando mais grave. Ainda estamos no meio da crise.

Valor: Voltando um pouco, o sr. acha que a redução das taxas de juros deve ser o principal mecanismo para o Brasil enfrentar a crise?

Krugman: Certamente haveria um efeito de expansão. Compreendo que o Brasil também tem inflação e que as coisas não são fáceis. Mas diria que o Brasil não é um caso clássico de país com depressão econômica. Vocês não são o Japão nem a Argentina, os dois tipos mais representativos de depressão econômica. Vocês devem se considerar felizardos por isso.

Valor: O sr. disse, numa entrevista recente, que saber o que ocorria na economia do G-7, grupo dos sete países mais ricos do mundo, na época da faculdade, era suficiente para entender a economia mundial. Mas hoje o cenário é diferente. As economias emergentes têm importância no mercado global. Como o sr. avalia que será a composição de forças no futuro, mesmo com a crise?

Krugman: Sim, hoje todos falamos dos Brics [Brasil, Rússia, Índia e China]. De alguma forma, o que ocorre agora são alguns ecos dos anos 30, quando um canal importante entrou em recessão, como ocorreu com os Estados Unidos na Grande Depressão, e essa recessão levou ao colapso das rendas dos países em desenvolvimento. O que vemos hoje é um colapso no comércio mundial, um dos pontos principais desta crise. E os países emergentes são centrais no comércio mundial. Realmente, estamos numa crise global. A China é uma preocupação especial, uma vez que se tornou um dos principais mercados. É uma das questões que me preocupam no momento. Estamos cautelosos ao observar essas economias emergentes. Como você disse antes, saber apenas o que ocorria nos países ricos era suficiente, mas agora os Brics são parte da história.

Valor: Em seu livro, fica bem claro que o sr. considera que os mecanismos de mercado têm limitações. O texto, de alguma maneira, procura provar isso com esta crise e outras tantas nas última décadas. Como o sr. acha que será o desenho do capitalismo a partir de agora?

Krugman: Estamos muito distantes de dizer que estamos nos despedindo do capitalismo. A forma como observo esta crise é que tivemos meio século, a partir da Grande Depressão, sem crises financeiras severas. Tivemos tempos ruins, mas nada comparado com o que vivemos nos anos 90 e, sobretudo, agora. Aquilo ocorreu por causa de um sistema bancário regulado e de um número razoável de controles. Eles não eram perfeitos, mas eram suficientes para manter o mundo como um lugar mais calmo. Podemos fazer isso novamente. O mundo está mais complicado, os controles terão de ser mais extensivos, a cooperação internacional terá de ser mais importante agora do que era no passado. Mas a história sugere que é possível moderar o capitalismo. Temos de voltar àquele modo tradicional, mas de forma atualizada para o século XXI.

Valor: Como escreveu o livro em 1999 e muito dos alertas registrados ali podem ser, de alguma forma, confirmados agora, o sr. teve uma sensação do tipo “não avisei?”, ao relançar o livro?

Krugman: Tive um pouco desse sentimento de “não avisei?”, sim. No entanto, gastei os últimos dez anos me preocupando com a crise que enfrentamos hoje. O importante é ver que isso tudo não é completamente sem precedentes, que é possível observar as lições do Japão, da Argentina e da Ásia.

13/01/2009 - 12:08h Terra sem lei

Celso Ming, O Estado SP

celso.ming@grupoestado.com.br

celso_ming1.jpgVai-se espalhando a percepção de que os bancos e outras instituições que também são chamadas de quase-bancos, estão soltas demais. Assim como deitaram e rolaram nas operações que precipitaram a crise, continuam deitando e rolando com os recursos que vêm recebendo dos bancos centrais e dos Tesouros nacionais.

Domingo, em entrevista à rede ABC News, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou que está desapontado com a qualidade de gerenciamento dos primeiros US$ 350 bilhões de recursos do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês). Este é o plano de US$ 700 bilhões do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, para salvar os bancos. Obama pediu prestação de contas sobre o uso dos recursos.

E ontem, na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS), na Basileia, dirigentes dos bancos centrais nacionais da região do euro criticaram a supervisão bancária do bloco. O problema é tanto de flacidez na fiscalização como de falta de transparência.

Enfim, a questão central é de regulação precária, de fiscalização omissa e de supervisão falha. É um tema que tem sido genericamente tratado como “inexistência de regulação” ou como “terra sem lei”.

Antes, é preciso delimitar os campos. Uma coisa é falta de regulação e outra, bem diferente, falta de supervisão. Não dá para negar que muita coisa está sob a lei da selva. Os bancos de investimento não são considerados bancos e, no entanto, operam no crédito. O Morgan e o Lehman mostraram que essas instituições vinham excessivamente alavancadas. Seus ativos chegavam a 30 ou 40 vezes seu patrimônio líquido (o máximo tolerado pelos Acordos de Basileia é 10 vezes). Não tinham condições de cobrir os rombos se os tomadores de crédito não honrassem seus compromissos, como ocorreu.

E, no entanto, há uma quantidade enorme de subsetores que direta ou indiretamente operam no crédito e, no entanto, não estão regulados: sociedades de crédito imobiliário, fundos de hedge, seguradoras de crédito, agências de avaliação de risco e empresas que trocam grandes volumes de títulos de dívida (commercial papers). Estão também de fora os mercados de derivativos e os paraísos fiscais, que o primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown, quer controlados.

A encrenca é mais profunda. Os mercados estão muito globalizados, funcionam à velocidade da luz, 24 horas por dia e, no entanto, as instituições que os deveriam controlar, além de serem excessivamente pulverizadas (há dezenas de organismos de supervisão nos Estados Unidos, por exemplo), têm alcance apenas local. Quem, afinal, deverá fiscalizar um fundo de hedge ou uma seguradora de crédito que opera em 20 mercados diferentes?

Problema igualmente intrincado é o de que nem mesmo a supervisão regular está sendo feita. O Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) deixou que os bancos americanos fizessem o que fizeram. A Securities and Exchange Commission (SEC) não conseguiu enxergar a lambança que o estelionatário Bernard Madoff armou sob suas pernas. As agências de classificação de risco distribuíram fartamente certificados AAA para títulos que, na verdade, não passavam de fumaça.

Confira

Dureza – Desta vez, o presidente Lula deixou de lado o diagnóstico da “marolinha” e não escondeu que a situação do emprego nos primeiros três meses do ano “é preocupante”.

Mas não dá para saber qual será a força do desemprego no Brasil e até que ponto o consumo interno está rateando.

Ele vem aí – O centro da crise ainda são os Estados Unidos e é de lá que vem a incerteza. Mas muito dessa incerteza pode ser dissipada em prazo relativamente curto se o novo presidente Barack Obama conseguir inspirar confiança. Por isso, seus primeiros cem dias de governo serão decisivos.

18/12/2008 - 11:17h Desalavancagem reduz impacto de medidas dos BCs contra crise

http://www.galizacig.com/imxact/2008/02/finances_590.jpg

Jon Hilsenrath, The Wall Street Journal

Autoridades monetárias ao redor do mundo lançaram ontem um saraivada de esforços para estimular a devastada economia global, que até agora tem desafiado todas a tentativas de contenção dos danos.

Os bancos centrais da Noruega, República Tcheca, Hong Kong, Arábia Saudita, Kuait e Omã cortaram a taxa de juros, um dia depois que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, cortou as taxas de juros mais baixas e prometeu mais crédito não convencional para enfrentar o aprofundamento do declínio da economia americana.

Cortes adicionais da taxas de juros são cada vez mais prováveis de acontecer nas próximas semanas no Japão, Reino Unido e países da região do euro.

As decisões sobre a taxa de juros se somam ao estímulo fiscal de aproximadamente US$ 1 trilhão que está sendo articulado ao redor do globo para 2009.

Enquanto aumentam os esforços de socorro financeiro, os economistas tentam explicar por que nada tem funcionado até agora.

Economistas do J.P. Morgan estimam que a economia mundial vai encolher a uma taxa anualizada de 3,7% neste trimestre e outros 2,3% no primeiro trimestre de 2009, provavelmente o pior período de seis meses da economia mundial desde a Segunda Guerra.

Uma variedade de respostas à situação econômica atual está emergindo. Embora o Fed tenha cortado os juros agressivamente por mais de um ano, muitos outros países só adotaram estímulos poucas semanas atrás. Vai levar tempo para que esses esforços criem raízes. No entanto, políticas desastradas e meias-medidas, em alguns casos, só pioraram a situação. E a força da crise de crédito está se provando muito maior do que se imaginava.

Enquanto os EUA estão à frente de muitos outros países nos esforços para estimular o crescimento, muitos economistas dizem que os bancos americanos ainda não têm capital suficiente para amortecer as perdas, o que os faz relutar em emprestar.

Entre agosto de 2007, quando a crise de crédito começou, e setembro de 2008 o Fed reduziu a taxa de juros de 5,25% para 2%. Fora dos EUA, no entanto, as taxas de juros aumentaram no mesmo período, de acordo com o J.P. Morgan.

Isso mudou drasticamente em outubro. As taxas de juros fora dos EUA foram cortadas em 1,3 ponto percentual desde então. O J.P. Morgan também prevê que o estímulo fiscal de corte de juros e gastos públicos deve chegar a 1,5% do PIB mundial em 2009, ou cerca de US$ 1 trilhão, apesar de ter sido praticamente inexistente fora dos EUA em 2008.

“Na verdade, até outubro não havia nenhum estímulo vindo de fora dos EUA”, diz Bruce Kasman, um economista do J.P. Morgan.

O Banco Central Europeu ainda tem espaço para reduzir a taxa oficial de juros dos atuais 2,5% diante do esfriamento aguçado da inflação, disse ontem Axel Weber, membro do conselho de governadores da instituição.

Ao mesmo tempo, a ata da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra no começo deste mês sugeriu que o banco central do Reino Unido tende a fazer mais cortes nos juros. A ata mostrou que as autoridades do banco enxergaram uma “probabilidade significativa” de a inflação ficar abaixo da meta de 2% e discutiram cortes agressivos nos juros. A lentidão da tomada de decisão é apenas parte do problema.

Os economistas também estão criticando cada vez mais as escolhas das autoridades monetárias nos últimos meses.

“Praticamente todas as iniciativas tomadas até agora para dar suporte à funcionalidade do mercado financeiro têm sido parciais, em vez de abrangentes”, disse ontem o diretor-gerente adjunto do Fundo Monetário Internacional, John Lipsky.

Na raiz do declínio, disse ele, está um poderoso processo conhecido com desalavancagem, no qual as empresas e as famílias reduzem sua dependência do crédito. Mesmo que centenas de bilhões de dólares dos cofres públicos já tenham sido gastos em todo o mundo para proteger os bancos de perdas e créditos de risco, Lipsky disse que as autoridades ao redor do mundo ainda não fizeram o suficiente para recapitalizar os bancos e eliminar os créditos podres do sistema financeiro.

“A desalavancagem do mercado financeiro ainda está em curso, sustentando nossa expectativa de uma desaceleração substancial e sustentada no crescimento do crédito até o próximo ano”, disse Lipsky.

Simon Johnson, que já foi economista-chefe do FMI, estima que as instituições financeiras de todo o mundo vão precisar dar baixa contábil de aproximadamente US$ 1,5 trilhão de dívidas de alto risco atreladas às hipotecas dos EUA, dívida de empresas e de pessoas físicas, mas não passaram nem por dois terços do processo. Elas também ainda não levantaram capital suficiente para amortecer as próprias perdas, disse ele.

John Taylor, economista da Universidade Stanford e ex-funcionário do Tesouro do governo George W. Bush, argumenta num documento publicado recentemente que autoridades dos EUA deram um tiro no pé em setembro ao semear confusão a respeito do uso que fariam dos recursos públicos de ajuda aos bancos.

O texto dele mostra que uma medida fundamental da aversão ao risco no sistema bancário – a taxa de juros Libor, ou taxa do interbancário de Londres – disparou no dia em que o presidente do Fed, Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro, Henry Paulson, procuravam explicar o plano de resgate. A incerteza a respeito do plano dos EUA, em outras palavras, puxou para cima o custo dos empréstimos.

Isso pode ter sido ainda mais perturbador para o mercado do que a quebra do Lehman Brothers, uma semana antes, disse Taylor. “As medidas do governos e intervenções feitas prolongaram e agravaram a crise financeira”, escreveu ele.

Apesar dos erros, começam a surgir sinais de que as medidas do governo estão tendo um impacto maior. Nos EUA, a taxa de juros das hipotecas caiu ontem, logo depois do corte de juros adotado pelo Fed no dia anterior.

18/12/2008 - 10:43h BC americano vai mal, o nosso vai bem

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Alberto Tamer * – O Estado SP

Juro praticamente zero nos Estados Unidos. O Federal Reserve (Fed, obanco central americano) está nu, segurando tangas esfarrapadas que não encobrem nada.Acabou a munição monetária para animar a economia entorpecida.

Ao contrário do nosso Banco Central, que tem muita bala, mas ainda hesita em se despir, só lhe resta agora criar e inundar o mercado com uma enxurrada de dólares e garantir dívidas de retorno duvidoso. Corre o risco de afogar-se lá na frente, quando a economia retomar o rumo e a inflação voltar. Mas esse é um problema que vai surgir no futuro. Não incomoda nem um pouco agora. Primeiro, é preciso não se afogar no mar turbulento.Depois, navegar.

DÓLARES E DÓLARES TAMBÉM

E é isso o que o Federal Reserve já vem fazendo: mais de US$ 1 trilhão, desde setembro. E sabe que terá de dobrar. É o gesto heróico do dinheiro fácil para situações dramáticas. O último tiro que, mesmo assim, corre o risco de errar, pois o alvo está nublado.

Vai inflacionar? Por enquanto, não. Agora, é evitar a depressão. A inflaçao está recuando, menos 1,7% agora, com a desacelaração da demanda e a queda das commodities agrícolas e o petróleo.Grandes lojas de departamentos tradicionais estão oferecendo 50% de desconto para compras acima de US$ 250. Ou seja, a metade do preço e nem assim as vendas reagiram na véspera das festas de fim de ano.

O consumidor está cauteloso, teme perder o emprego ou ver reduzido o seu salário. O que ele ganha com a queda dos preços não afasta a insegurança no trabalho. Afinal, milhares já estão sendo despedidos e tentando encontrar um novo emprego.

Pela primeira vez que se tem memória, o índice de poupança dos americanos, que era zero, está registrando alguns pontos acima de traço.

O JOGO DO ESPERA

Está todo mundo esperando Barack Obama – o presidente eleito dos Estados Unidos -, que espera Henry Paulson – o secretário americano do Tesouro-, que espera Obama… que sonha em tirar férias nas praias do Havaí.

O resultado é soma zero. E ninguém faz nada. Todo mundo espera o dia 20 de janeiro, tão próximo, mas ainda tão distante. E, enquanto isso, a economia americana afunda à espera de um Obama, aflito e desencantado com o fim do governo de George W. Bush.

O Congresso tem um novo pacote pronto de US$ 600 bilhões, mas Bush nem quer falar dele.Também deve estar sonhando com as maravilhosas praias havaianas.

BRASIL ATÉ ESNOBA

Aqui, mesmo num cenário mais ameno, o governo já está adotando as medidas que os Estados Unidos e a Europa adiam, mesmo estando em recessão.

O governo já aprovou medidas que reduzem os impostos dos bens de consumo, dos bens duráveis e não-duráveis, injetam vultosas quantias de recursos nos bancos para levá-los a financiar as empresas e a emprestar mais. Além disso, o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal entraram ativamente no mercado, municiados por recursos do Estado. Uma boa parte das exportações estão sendo financiadas pelas instituições do governo.

Nós nos antecipamos a eles, prevendo o que já está vindo.

Por que essa diferença de reação? Primeiro, deve-se à agilidade do BC de prever e preparar-se para absorver os efeitos da falta de crédito externo. Henrique Meirelles e seus técnicos mostraram grande competência e maturidade. Segundo, foi mais fácil para o BC e o governo brasileiro reagirem porque não tínhamos os terríveis desafios dos bancos europeus e americanos. Direta (EUA) e indiretamente (Europa), eles sofreram os efeitos da imprudência e ganância, do subprime imobiliário. Aqui, se houver, quando muito, pode ser subprime no financiamento de carros e motos. Não há como comparar.

Outro fator positivo, já conhecido do leitor desta coluna, crescíamos ainda, com os demais emergentes, enquanto eles afundavam. Demoraram para agir por incompetência (zona do euro) ou imprudência das autoridades monetárias. Isso foi agravado pelo vendaval destruidor da desvalorização dos ativos imobiliários, que ainda persiste.

MAS CUIDADO

A nossa situação mais favorável tem bases frágeis, um mercado interno suscetível e forte retração, principalmente, em caso de desemprego. Eles têm vários pilares de sustentação, nós apenas um. Eles têm economias maduras de US$ 28 trilhões somados, 50% do PIB, e um mercado interno e externo bem formado. Nós, com US$ 1,3 trilhão, representamos apenas 2,3%. Mais ainda, daquele valor, mais de 60% são representados pelo mercado interno. Dependemos pouco do comércio exterior.

No entanto, o que é às vezes apontado com uma vantagem, menos dependência externa, torna-se uma desvantagem considerado o relativamente baixo poder aquisitivo dos brasileiros e a fragilidade de um mercado interno ainda incipiente. Ele está sendo sustentado mais pelo crédito do que pela renda.

Essa é a nossa fragilidade em relação aos outros.

Os Estados Unidos podem renascer com um empurrão fiscal porque partem de uma base sólida. Nós vamos precisar muito mais empurrões, de um governo que tem recursos limitados.

Estamos até bem em relação a eles, mas não tanto em relação a nós mesmos e aos nossos desafios.

*E- mail: at@attglobal.net

17/12/2008 - 20:09h Espanha: Zapatero advierte a los que piden recortes salariales de que “no llamen” a su puerta

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El presidente inaugura el Congreso Confederal de CC OO y reitera que no habrá ayudas al sector del motor si prosiguen con los despidos

EFE – Madrid – El País

El presidente del Gobierno, José Luis Rodríguez Zapatero, ha advertido hoy a los que proponen recortes de salarios y de derechos que no “llamen a la puerta del Gobierno”, porque su compromiso es ampliarlos, especialmente la cobertura por desempleo.

Zapatero ha hecho esta declaración durante la inauguración del 9º Congreso Confederal de CC OO, que se ha iniciado con un minuto de silencio en memoria de todos los trabajadores muertos en accidente de trabajo y en el que José María Fidalgo, actual secretario general, se enfrenta a Ignacio Fernández Toxo por la dirección del sindicato.

Según el presidente del Gobierno, el Ejecutivo será “sensible y estará abierto” a las propuestas que los sindicatos hagan en el diálogo social en materia de cobertura por desempleo. “Os puedo asegurar que el gran reto, porque es la gran demanda de la sociedad, es volver a crear cuanto antes empleo en la sociedad española”, ha dicho antes apuntó que para ello hay que crear actividad económica aunque ha advertido de que ahora “menos que nunca se puede fiar todo al mercado”.

En su opinión, en esta crisis económica “profunda” no sería “ni justo ni eficaz” recortar derechos a los trabajadores y a los ciudadanos, ya que se pondría en “peligro” la cohesión social. Por ello, ha destacado que “los que pretendan esa respuesta” no deben “llamar a la puerta del Gobierno” porque el “compromiso” y el “horizonte” del Ejecutivo es ampliar los derechos de los trabajadores y los ciudadanos, especialmente de los sectores más desfavorecidos. En este punto, ha anunciado subidas de las pensiones y del salario mínimo interprofesional, al tiempo que ha adelantado que se aumentará el fondo de reserva de la Seguridad Social.

Sobre las medidas puestas en marcha hasta la fecha, el presidente ha insistido en que el plan integral de ayudas al sector del automóvil, dotado con 800 millones de euros, tendrá como contrapartida el compromiso de las empresas de no aplicar expedientes de regulación de empleo extintivos.

A continuación, ha querido destacar que el objetivo de este plan integral del automóvil, que ocupa 300.000 empleos directos e indirectos y concentra el 20% de las exportaciones, es doble: a corto plazo, minimizar el impacto de la crisis del sector en el empleo y, a largo plazo, garantizar la competitividad en un sector “que ha ido ganando productividad año a año”.

Superávit de la Seguridad Social

En la misma línea, el ministro de Trabajo e Inmigración, Celestino Corbacho, ha augurado hoy que la Seguridad Social terminará el año con un superávit en torno al uno por ciento, lo que supondrá 9.400 millones de euros. El titular del departamento ha destacado que este hecho tiene “gran valor” en la actual coyuntura económica, y ha asegurado que la cuenta de la Seguridad Social trasmite “tranquilidad” porque es un reflejo de la “solidez” del sistema público de protección social.

Coincidiendo con el presidente, Corbacho también ha reseñado que esta coyuntura “tan favorable” ha sido compatible con una mejora “sustancial” de las prestaciones, tales como la subida de las pensiones mínimas que, según ha apuntado, aumentarán un 6% durante el próximo ejercicio.

De cara a la elección del nuevo dirigente del sindicato, Toxo ha afirmado hoy que “no da por perdida la batalla” de convencer al actual secretario general y candidato a la reelección, José María Fidalgo, de cerrar una candidatura única que integre las distintas sensibiliades que conviven en Comisiones.

El IESE propone un contrato fijo de entre 5 y 10 años para reducir la temporalidad

Un informe elaborado por el Instituto de Estudios Superiores de la Empresa (IESE) de la Universidad de Navarra propone que los agentes sociales, en la próxima reforma laboral, negocien un nuevo tipo de contrato que sea “estable” y que dure entre 5 y 10 años para reducir la temporalidad.

Esta es una de las propuestas que se incluyen en el informe Las reformas laborales en España y su impacto en el mercado de trabajo (periodo 1985-2008), en el que se analiza el contenido y eficacia de las distintas reformas que se han producido en el Estatuto de los Trabajadores desde su aprobación en el año 1980 hasta la actualidad. El informe también ofrece una serie de recomendaciones para afrontar “con éxito” futuras reformas.

Así, aconseja que la nueva renovación del mercado laboral, “ahora tan demandada”, debería esperar a que el clima económico sea más favorable, y añade que es necesario una reflexión sobre la situación real del mercado de trabajo.

06/12/2008 - 11:35h Brasil tem cenário melhor que resto do mundo, diz OCDE

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Tendência no país permanece de avanço, enquanto perspectiva global é de forte desaceleração

Entre os países analisados, só o Brasil não aparece em desaceleração; em outubro de 2007, apenas três não tinham cenário positivo

FOLHA SP

Em um cenário de aprofundamento da desaceleração para a economia global em outubro, o Brasil aparece como o único ponto positivo, apesar de já dar sinais de recuo. Segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), entre os principais industrializados e emergentes como China e Índia, só o Brasil não aponta para uma “forte desaceleração”.

De acordo com relatório mensal da entidade que reúne 30 dos países mais ricos do mundo, os dados “continuam a apontar para um enfraquecimento em todas as sete grandes economias, mas, comparado com o mês anterior [setembro], o cenário se deteriorou significativamente para as economias que não integram a OCDE, com China, Índia e Rússia agora também enfrentando fortes desacelerações”. O Brasil, diz a OCDE, está em um cenário de inflexão, isto é, está em expansão, mas a curva aponta para uma perda de ritmo.

Entre os 31 países analisados pela OCDE, apenas o Brasil não aparecia com forte desaceleração em outubro. Cenário bem diferente do registrado no mesmo período de 2007: nessa época, apenas Japão, Coréia do Sul e Nova Zelândia, entre os 34 países estudados, apareciam em cenário de desaceleração.

Em outubro do ano passado, o mundo já começava a sentir os efeitos da crise, mas eles ganharam ainda mais força nos últimos meses, especialmente a partir de setembro, quando ocorreu o pedido de concordata do banco de investimento americano Lehman Brothers.

Para chegar a essa previsão, a OCDE usou os chamados indicadores antecedentes, que são vários dados dos países aglutinados para “tentar indicar momentos de mudanças na atividade econômica com aproximadamente seis meses de antecedência”. Ele é, por isso, considerado um termômetro para as economias dos países.

No caso brasileiro, em que são usados dados como produção industrial e exportações, o índice da entidade mostra tendência de crescimento desde junho de 2006.

No final do mês passado, a OCDE previu que a economia brasileira vai se desacelerar. Segundo ela, o PIB brasileiro vai se expandir em 5,3% neste ano e 3% em 2009 -mesma estimativa que foi feita dias antes pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

Ela afirmou ainda que vários dos seus países-membros caminham para a pior recessão desde o início da década de 1980 e que deve crescer 8 milhões o número de desempregados até 2010 nos 30 integrantes da entidade, chegando a 42 milhões de pessoas sem trabalho. Para a OCDE, os Estados Unidos, o Japão e a zona do euro (bloco de 15 países europeus) terão 12 meses consecutivos de contração, a partir do terceiro trimestre deste ano.

04/12/2008 - 10:42h Por qué los profetas no lo vieron venir

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Los ‘gurús’ de la economía no anticiparon la crisis por miedo a disentir y por interés – Muchos analistas también viven del negocio

DAVID FERNÁNDEZ – EL PAÍS

Imagínese que usted forma parte de una de las instituciones económicas más influyentes del mundo como es la London School of Economics. Imagínese también que ejerce de anfitrión junto con sus colegas durante una visita de la reina Isabel II a la sede del centro. En principio, uno de tantos actos protocolarios de guante blanco. Imagínese que la soberana de todo un Imperio se salta el protocolo para lanzar al aire una pregunta que seguro también se la hace el tendero de la esquina: “¿Por qué nadie ha sido capaz de anticipar la que se nos ha venido encima?”. Deje de imaginar. La situación es real, ocurrió el pasado noviembre y ejemplifica cómo la crisis económica ha puesto en evidencia los pronósticos económicos. Hasta tal punto han fallado las previsiones que uno de los pocos que anticipó el crash, Nouriel Roubini, ha traspasado la línea que separa al economista de la estrella del pop y ahora va impartiendo doctrina por medio mundo en conferencias avaladas con cheques de varios ceros.

Simples turbulencias, desaceleración, crisis, recesión, ¿depresión? Ésta es la secuencia que han seguido las previsiones de Gobiernos (incluido el español, que hasta bien entrado 2008 se negó a hablar de crisis), organismos internacionales, escuelas de negocios, reputados consultores y gurús de la gestión empresarial. Nadie tiene una bola de cristal para anticipar el futuro. Como decía Karl Popper, “predecir el nacimiento de la rueda es inventarla”. Además, una crisis económica como la actual, la peor para muchos desde 1929, presenta varias raíces inéditas que han aflorado al mismo tiempo, lo que complica cualquier análisis. Sin embargo, estas dificultades no deben servir de excusa para esconder que los modelos de estimación económica presentan algunos vicios que limitan sus probabilidades de éxito. Conflictos de intereses, falta de transparencia, miedo a ir contracorriente (”fuera del consenso hace mucho frío”, ironiza un experto) o la resistencia a dar voz a los críticos con el sistema económico durante el largo periodo de bonanza porque sus teorías no venden son algunos de estos vicios.

Hace un año este periódico pidió a 15 casas de Bolsa que dijeran en qué nivel se situaría el Ibex 35 en diciembre de 2008. El precio objetivo medio situaba el índice bursátil español en 17.300 puntos. El Ibex 35 está hoy por debajo de los 9.000 enteros. En defensa de los analistas hay que decir que en ese momento la crisis financiera aún no había mostrado su cara más violenta y que la economía real no se había contagiado. Lo que ya tiene menos explicación es que el pasado junio, cuando la metástasis de las hipotecas basura se había extendido por todo el sistema, la venta de optimismo seguía siendo la tónica dominante.

Credit Suisse, UBS, Citigroup, JPMorgan, Deutsche Bank, Goldman Sachs y Exane BNP Paribas son algunas de las firmas de Bolsa más importantes del mundo. En conjunto analizan las acciones de más de 10.000 compañías cotizadas. Pues bien, en junio sólo un 13% de sus consejos eran de vender acciones. El resto de recomendaciones a sus clientes eran de comprar o en el peor de los casos de mantener los títulos en cartera.

¿Por qué cuesta tanto escribir en un informe de Bolsa la palabra vender? “Por la propia estructura del mercado. Una entidad financiera suele tener conflictos entre el análisis y el negocio. Esta situación puede significar que la independencia de los analistas a la hora de emitir sus opiniones se vea limitada”, reconoce Rafael Sarandeses, secretario general del Instituto Español de Analistas Financieros. A pesar de entonar el mea culpa, Sarandeses matiza que esta crisis no se debe a los errores de los analistas sino “a los fallos de los supervisores financieros y a las malas prácticas de las agencias de calificación de riesgos”.

Sería injusto centrar todas las críticas en los analistas de Bolsa. Sus colegas macroeconómicos tampoco han estado muy finos. En enero de 2007 el consenso de mercado (bajo este concepto se engloban organismos supranacionales como el FMI, el Banco Mundial o la OCDE cuyos juicios deberían estar a salvo de las tentaciones que acechan a las instituciones privadas) preveía un crecimiento del PIB en EE UU y en la zona euro del 3% y del 2,1%, respectivamente. En noviembre de 2008 esas expectativas habían caído al 1,4% y al 1%. “Las crisis ocurren porque son inesperadas. Si todo el mundo las esperase no se materializarían. Además, en este caso nos hemos topado no con una crisis, sino con tres al mismo tiempo: la financiera, la hipotecaria y la económica”, se defiende José Luis Martínez, economista jefe de Citigroup en España. Entonces, ¿no cree que haya que ajustar en nada los modelos económicos? “Todos los economistas manejamos varios escenarios. Quizás esta crisis lo que nos enseñe es que debemos aprender a asignar una determinada probabilidad al escenario elegido. No es lo mismo que digamos que va a producirse determinado acontecimiento cuando el margen de acierto que manejamos es de sólo el 40% que cuando asignamos a nuestro pronóstico el 80% de probabilidades. Esta crisis va a forzar una mayor transparencia en las previsiones”.

Al calor de cada burbuja suelen surgir teorías que hablan de cambios revolucionarios que transformarán por completo el sistema económico. Estos planteamientos, sin embargo, suelen desinflarse casi a la misma velocidad que la burbuja que los amparó. A finales del siglo pasado se popularizó el concepto de Nueva Economía según el cual el desarrollo de Internet y otras tecnologías harían que pasásemos de una economía industrial a una economía del conocimiento y, como consecuencia de ello, se acabarían los ciclos económicos. Que le pregunten a las personas que hacen cola a cientos a las puertas del Inem si todavía existen los altibajos en economía… Con la burbuja financiera de los últimos años, diferentes think tanks han puesto de moda otra teoría no menos visionaria bautizada con el nombre de decoupling. La corriente de pensamiento que está detrás de este vocablo viene a decir que las reformas estructurales acometidas por los países emergentes les permitirán seguir con su senda de crecimiento con independencia de lo que ocurra en las economías desarrolladas. En los últimos dos meses se ha vuelto a comprobar que cuando las economías occidentales tosen, el resto, como mínimo, se resfría. China echa el freno a su espectacular crecimiento, los inversores castigan las divisas de México y Brasil, Rusia se ve forzada a cerrar en varias ocasiones sus mercados, Argentina desempolva medidas confiscatorias… En fin, todo un déjà vu.

“No creo en los gurús. Es una tendencia a abolir”, sentencia José de Rafael, director de la Asociación Española de Empresas de Consultoría. “No se puede opinar más que con altos conocimientos de la situación. Se han corrido muchos riesgos por la proliferación de los mal llamados gurús. Siempre están los arribistas que tiene más pico que los demás, y en un determinado momento sus teorías pueden llegar a convencer”. A pesar de la fuerte crítica a los analistas estrella, De Rafael opina que las previsiones económicas en esta crisis no han resultado tan erróneas. “La crisis se veía venir desde hace 14 meses. Lo que los expertos no han sabido anticipar ha sido su intensidad. Además, la raíz de la crisis no es financiera, sino de valores, y esto es imposible de predecir. La codicia y la corrupción han prevalecido sobre la ética empresarial”, añade este experto.

El escritor especializado en temas de management Peter Drucker solía decir que el término gurú se había convertido en una palabra bastante popular debido a que la etiqueta alternativa de charlatán era demasiado larga para usarla en un titular periodístico. En los últimos años las conferencias de los grandes expertos en gestión empresarial han desbordado todos los aforos. Cientos de discursos y power points para encontrar la receta del éxito, pero pocas voces que alarmasen sobre lo que se estaba gestando. “Que yo recuerde, de los economistas extranjeros sólo adelantaron la crisis Nouriel Roubini y Paul Krugman mientras que entre los españoles destacan Ignacio Garikano y Xabier Mena”, recuerda Alberto Saiz, director de HSM España, empresa especializada en contenidos de gestión empresarial y organizadora de Expomanagement. “Es más fácil subirse a la ola del pensamiento reinante que hacer un estudio profundo de la situación. En este sentido, yo también criticaría la actitud de los medios de comunicación por popularizar algunos mensajes”, añade. “La verdad absoluta no la tiene nadie. Nuestra misión es inspirar a los ejecutivos para que encuentren alternativas para desarrollar sus estrategias, no decirles lo que tienen que hacer”.

Tanto Saiz como el resto de expertos consultados para este reportaje reconocen que ante el tema de las previsiones, sean estas económicas o de otra índole, las personas se mueven con un marcado sentido gregario y que, al igual que hace dos años era un milagro que un libro de management o un economista crítico se abrieran paso, ahora se corre el peligro, por la ley del péndulo, de que sólo quede espacio para los agoreros. “Los seres humanos queremos oír aquello que se adecúa a nuestros patrones mentales. Si antes lo único que parecía vender eran las noticias buenas, ahora parece que triunfan las previsiones pesimistas”, señala el director de HSM. “Tanta incertidumbre obliga a converger en posiciones, se traduce en una cierta opinión consensuada. Aunque con puntuales discrepancias, todos buscamos saber la opinión del de al lado. Ahora puede que corramos el riesgo de irnos al otro extremo: caer en el pesimismo absoluto y no valorar las cosas buenas que se están haciendo”, añade José Luis Martínez.

Pero, cuidado, conviene no pasarse de frenada en la teoría del caos. La realidad es tozuda y el éxito efímero. Y si no que se lo pregunten a Ariun Murti, experto de materias primas en Goldman Sachs. En marzo de 2005 Murti predijo que el precio del petróleo daría el salto de 50 dólares a 105 en sólo cuatro años. Se desvió sólo unos meses. La situación del mercado le llevó a doblar su apuesta en mayo pasado, situando el barril de crudo en 200 dólares en sólo dos años. Coincidiendo con este segundo augurio de Murti, el petróleo inició un vertiginoso descenso que le ha devuelto de nuevo a la zona de los 50 dólares.

Otra consecuencia de la crisis actual es que se ha puesto en duda un dogma de fe económico de los últimos años: el poder casi religioso del libre mercado. Incluso en el santa sanctorum del capitalismo como es Wall Street han tenido que hincar la rodilla y rogar una inyección de dinero público para resolver sus pecados. El retorno a políticas de corte más intervencionista ha vuelto a poner de moda al economista británico John Maynard Keynes, partidario de la intervención del Gobierno para estimular la economía.

Pero incluso él también erraba a veces en sus previsiones. Un día tuvo que salir del paso de las críticas de un economista rival que le acusaba de inconsistencia en sus argumentos. “Cuando los hechos cambian, yo cambio mi opinión, ¿qué hace usted, caballero?”. Habría sido interesante oír la respuesta que hubiera dado Keynes a la pregunta de la reina Isabel II.

24/11/2008 - 15:53h ‘O pior ainda está por vir’, afirma o chefe dos economistas do FMI

 

ZURIQUE, Suíça (AFP) — A crise financeira e suas repercussões poderão se agravar ainda mais, considerou o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, que considerou que a situação vai melhorar a partir de 2010, em declarações à imprensa suíça.

“O pior ainda está por vir”, afirmou Blanchard em uma entrevista ao jornal econômico suíço Finanz und Wirtschaft, antes de acrescentar que “será necessário muito tempo para que a situação se normalize”.

“Até o final do ano que vem, o crescimento será pela primeira vez levemente mais elevado que no trimestre anterior”, destacou o economista francês, que permanecerá no posto até o final de maio.

O crescimento econômico deverá se restabelecer a partir de 2010 e a situação se normalizará em 2011, acrescentou.

O FMI, que se declarou disposto a auxiliar a Letônia para que este país saia da crise, já apoiou vários países atingidos pela tempestade financeira, em particular Islândia, Hungria, Ucrânia, Sérvia e Paquistão.

Blanchard advertiu que o FMI não poderá respaldar todas as situações, em especial aquelas referentes à falta de liquidez.

As retiradas de capitais que geram problemas de liquidez, “podem ser tão grandes, que o FMI por si só não poderá contê-las”, disse Blanchard, antes de acrescentar que a retirada maciça de investimentos dos países emergentes representaria “centenas de bilhões de dólares”.

“Não temos esse dinheiro e nunca tivemos”, disse.

Dos 250 bilhões de dólares (199,8 bilhões de euros) que o FMI possui -o Japão contribuiu com mais 100 bilhões- o Fundo gastou nas últimas duas semanas 50 bilhões, indicou Blanchard.

Ele aconselhou os bancos centrais a baixar as taxas de juros para enfrentar a crise.

Os bancos centrais “deveriam aproximar de zero as suas taxas principais”, considerou Blanchard.

19/11/2008 - 09:46h Crise faz países ricos darem sinais de deflação

Agências internacionais – VALOR

A crise financeira internacional ameaça criar deflação nos países ricos e aprofundar os efeitos da desaceleração econômica. Analistas prevêem deflação no ano que vem e países como EUA e Reino Unido já registram retração ou desaceleração nos preços, aumentando os temores do mercado e forçando cortes de juros.

John Herrmann, presidente da Herrmann Forecasting, de Nova Jersey, disse que “a retração generalizada dos preços nos EUA mostra que a inflação foi contida, e que a deflação está se instaurando”. “Isso dá munição ao Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) para continuar cortando os juros”, concluiu.

Matthew Sharratt, economista do Bank of America de Londres, disse que a inflação ao consumidor no Reino Unido “é agora água passada”. “Ela vai cair para bem menos do que a meta [do Banco da Inglaterra] no ano que vem. Isso abre bastante o caminho para que as taxas de juros passem por uma redução profunda em dezembro.”

O presidente do Banco da Inglaterra [BC britânico], Mervyn King, disse na semana passada que a economia britânica deve estar em recessão e que as autoridades da área monetária vão reduzir o custo do dinheiro o necessário para combater a deflação. O banco prevê que a inflação do país vai desacelerar para menos que o limite inferior fixado pelo governo, de 1%, se o BC não reduzir a taxa referencial de juros a partir de seu nível atual de 3%.

Nos EUA, os preços pagos pelos produtores americanos tiveram em outubro sua maior queda de todos os tempos, num momento em que a economia mundial, que perde fôlego, fez com que a demanda por commodities estancasse. A queda de 2,8%, superior à prevista, seguiu-se à retração de 0,4% verificada em setembro, disse o Departamento do Trabalho.

O núcleo do índice, que exclui elementos como alimentos e combustíveis, subiu 0,4%, o que indica que as quedas dos custos das matérias-primas ainda não chegaram aos outros produtos.

Segundo a mediana de 76 prognósticos captados pela Bloomberg News, os preços no atacado dos EUA cairiam 1,9% em outubro. O acompanhamento do Índice dos Preços ao Produtor pelo Departamento do Trabalho dos EUA remonta a 1947.

A inflação ao consumidor do Reino Unido desacelerou em outubro mais do que o previsto pelos economistas – a maior desaceleração de pelo menos 11 anos. Os preços ao consumidor subiram 4,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, comparativamente à alta de 5,2% registrada em setembro, disse o Departamento de Estatística Nacional em Londres. A mediana das projeções captadas em sondagem junto a 27 economistas foi de 4,8%. A taxa agora ultrapassou pelo 13º mês a meta de 2% fixada pelo BC.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, disse ontem que “ainda” não observa tendências de deflação na zona euro. Trichet destacou que os planos de relançamento adotados serão bons “nos países onde há margem de manobra”.

Ele disse que o BCE “reduzirá as taxas de juros se for preciso”.

Anteontem, o Comissário Europeu dos Assuntos Monetários, Joaquín Almunia, havia alertado para o risco de uma possível deflação como consequência da crise econômica internacional.

14/11/2008 - 10:15h Pouco a esperar

Celso Ming, O Estado SP

celso.ming@grupoestado.com.br

celso_ming.jpgO presidente da França, Nicolas Sarkozy, é, no mínimo, um forçador de barra. Ou não tem lá muito compromisso com os fatos.

Ao embarcar ontem em Paris para Washington, onde participará da reunião dos chefes de Estado do Grupo dos 20 (G-20) que se realizará neste fim de semana, declarou aos jornalistas que vai demonstrar que 2008 não é 1945 e que o dólar deixou de ser a principal moeda do mundo. E não era o Berlusconi falando; era mesmo Sarkozy.

Ele não vai passar da primeira parte do objetivo declarado à imprensa. Nem precisa insistir; ninguém acha que 2008 repete 1945. Mas está errado no principal. O dólar continua, sim, reconhecidamente a principal moeda do mundo.

O país mais encrencado pela crise são os Estados Unidos. E, no entanto, na pior hora e apesar de tudo, quando é preciso encontrar um porto seguro, todos correm para o dólar e para os títulos do Tesouro americano (T-Bonds). Como negar isso, presidente Sarkozy?

Declarações assim parecem sugerir que a reunião de cúpula, que se imaginava destinada a traçar as diretrizes para a reformatação do sistema financeiro global, não vai passar de um congraçamento, se chegar a tanto.

Três obstáculos hoje aparentemente intransponíveis impedem que se espere mais do que isso desse encontro. O primeiro deles é que não há muito o que negociar com o presidente George Bush, que ainda representa a maior potência econômica da atualidade.

Bush não tem mais o que dizer. Não está em condições de decidir nada com quem quer que seja, porque o balcão atrás do qual está hoje terá outra administração em questão de semanas. A hora é mais de uma festa de adeus do que de reformatação das pilastras da economia. E Barack Obama, o novo chefe, não quer se meter antes da hora.

O segundo obstáculo é que o momento não é de confronto, por maior que sejam as divergências entre Estados Unidos e Europa. Os mercados estão especialmente vulneráveis a cabos-de-guerra entre os senhores do mundo. Se virem meia dúzia de chefes de Estado apontando para direções opostas, o risco é que se desmanchem.

E, finalmente, com Bush e depois de Bush, os Estados Unidos não querem mudanças. Ao contrário do que vai trombeteando Sarkozy, o mundo adora o dólar, confia nele muito mais do que se imaginava até agora e confia muito mais do que no euro ou na libra esterlina. E confia no título mais cobiçado, que ainda são as promissórias emitidas pelo Tesouro americano. Além disso, quem controla as máquinas que emitem os ativos mais cobiçados do planeta não quer mudar nada.

Para não decepcionar as platéias, os mais ansiosos líderes do G-20 provavelmente encaminharão alguns temas para análise de comissões de trabalho encarregadas de examinar as bases para a reestruturação dos fundamentos do capitalismo.

Se isso se confirmar, vai ser difícil obter dessas comissões mais do que estratagemas para ganhar tempo, sabe-se lá até quando e com que objetivo.

Enfim, não dá para esperar demais desse encontro. O que precisa ser perguntado é até quando a crise espera.

Confira

Disparada – O dólar deu ontem mais um salto, de 3,8%, fechando nos R$ 2,38. A volatilidade ainda é enorme. Basta dizer que, há apenas 43 dias, o dólar estava abaixo de R$ 2.

O Banco Central decididamente não quer esses níveis porque sabe o impacto que provocam na inflação, a partir da alta dos produtos importados.

Mas as intervenções que tem feito, por meio de leilões de dólares e de leilões de títulos amarrados à correção cambial, não estão nem segurando as cotações nem revertendo a tendência de alta. O Banco Central parece sem estratégia na sua política cambial.

14/11/2008 - 09:50h Alemanha não resiste à crise e entra em recessão

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Maior economia européia vive seu pior momento desde o pós-Guerra; OCDE prevê contração nos EUA, Japão e UE

Jamil Chade, Genebra; Andrei Netto – O Estado SP

A maior economia da Europa não resiste e entra em recessão. A Alemanha, conhecida como a locomotiva do Velho Continente, anunciou ontem que sua economia se contraiu pelo segundo trimestre consecutivo. A queda no crescimento coloca o país em sua pior situação nos últimos 12 anos, o que deve ter repercussões em toda a Europa e mesmo para as exportações brasileiras. Para o Deutsche Bank, 2009 pode ainda registrar o pior desempenho econômico da Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Segundo os dados oficiais, o PIB foi reduzido em 0,5% entre agosto e outubro. No segundo trimestre, a queda já havia sido de 0,4%. Tecnicamente a recessão é declarada quando uma economia registra contração por dois trimestres consecutivos. França, Reino Unido e Irlanda já estão na mesma situação da Alemanha, mas a esperança era de que a maior economia do bloco resistisse.

O cenário é bem diferente do que os políticos alemães previam. No início da crise, a chanceler Angela Merkel deixou claro que a Alemanha “não entraria em recessão”. Agora, a queda é superior até mesmo às previsões mais negativas dos analistas. A última recessão foi registrada em 1996.

Desta vez, o temor é de que a crise seja prolongada. A Bolsa de Frankfurt já perdeu mais de 40% neste ano e a falta de confiança dos empresários bate recorde. O consumo também caiu e o país deve perder o posto de maior exportador do mundo, posição que ocupava havia quatro anos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já havia alertado que 2009 verá uma contração da economia alemã de 0,8%.

Todo o bloco europeu também deve sofrer com a recessão. Em meados da semana passada, foi a Inglaterra que admitiu estar em recessão.

OCDE PESSIMISTA

Estados Unidos, Japão e os 15 países da zona euro, cujas economias já enfrentam a estagnação, também devem sofrer recessão severa em 2009. A estimativa é do relatório de previsões econômicas da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE), divulgado ontem, em Paris.

Segundo os especialistas, os 30 países-membros da entidade crescerão 1,4% em 2008, mas enfrentarão queda de 0,3% no PIB em 2009. Em 2010, vem a retomada. O maior decréscimo no próximo ano se dará nos Estados Unidos: -0,9%.

Os Estados Unidos devem enfrentar quatro trimestres de contração. A crise se agrava de forma progressiva no país: no terceiro trimestre, a retração será de 0,3%, chegando no fim do ano ao fundo do poço, com 2,8% negativos. Em 2009, a previsão é de decréscimo de 2% no primeiro trimestre e de 0,8% no segundo. A queda brusca na primeira metade do ano levará à retração do PIBdo país a valores próximos de 1%.

Só no segundo semestre de 2009, conforme os experts da OCDE, começa o reaquecimento nos EUA. Em 2010 a previsão é de 1,6% de crescimento.

O relatório da OCDE confirma o recuo também na União Européia. No grupo de 15 países que adotam a moeda única – entre os quais Alemanha, França, Itália e Espanha -, também deve viver quatro trimestres consecutivos de contração: -0,5% no terceiro trimestre de 2008, -1% no quarto, -0,8% no início de 2009 e -0,4% no segundo trimestre do próximo ano.

Jorgen Elmeskov, diretor de Estudos Econômicos da entidade, disse que os 30 países que integram a OCDE – Brasil não incluso – entram em recessão, com perspectivas de desaceleração prolongada da atividade.

O relatório também reitera a convicção de que os grandes países emergentes, como China, Índia e Brasil, embora em desaceleração, sustentarão o crescimento internacional durante a recessão no G-7. “O crescimento em países não-membros da OCDE também se desacelera”, diz Elmeskov, “mas é claro que o nível de elevação do PIB destes emergentes ajuda os países desenvolvidos a enfrentar a crise”. Questionado pelo Estado sobre quando China, Índia e Brasil voltarão a acelerar, o economista não respondeu. “Vamos divulgar um relatório exclusivo sobre o tema em 25 de novembro.”

12/11/2008 - 18:00h Brown aboga por estímulos fiscales coordinados para afrontar la recesión

Gordon Brown
Gordon Brown- AP

El primer ministro británico esgrime como ejemplos a China y España

WALTER OPPENHEIMER – Londres – El País

El primer ministro británico, Gordon Brown, defenderá en la cumbre global del próximo fin de semana en Washington que las grandes economías del planeta pongan en marcha “estímulos fiscales” de manera coordinada para afrontar la recesión. Brown citó como ejemplo a seguir los paquetes de ayudas fiscales aprobados en países como China y España, pero no explicó cuáles son sus planes específicos para el Reino Unido.

Los estímulos fiscales se han convertido en la panacea para los tres grandes partidos políticos británicos. Los liberales-demócratas hace ya semanas que defienden recortes de impuestos y ayer se sumaron también los conservadores. Su líder, David Cameron, presentó un plan de recorte de impuestos a las empresas de 2.500 libras (algo más de 3.000 euros) por cada trabajador que contraten que lleve más de tres meses desempleado. De esta manera, aseguró, se podrían crear 350.000 nuevos empleos sin coste para el Estado porque las ayudas fiscales se compensarían mediante ahorros en el pago del subsidio de paro.

Los “estímulos fiscales” defendidos por el primer ministro se conocerán cuando la semana que viene, o quizá la siguiente, el ministro del Tesoro y canciller del Exchequer, Alistair Darling, presente en el Parlamento el tradicional minipresupuesto de otoño. Entre las medidas que se barajan están el incremento de las ayudas para gasóleo de calefacción, un nuevo aplazamiento de las nuevas tasas que gravan el gasóleo y una extensión de las vacaciones fiscales de determinadas tasas.

Pero esas medidas parecen insuficientes para tener un impacto serio en la actual situación, y el Gobierno podría estar preparando un anuncio más impactante. Algunos analistas especulan con la posibilidad de un recorte del IVA, dado el alarmante parón del consumo. Ayer se supo que las ventas al detalle han sufrido en octubre su caída más pronunciada en cuatro años y que el gasto de las familias está a niveles históricamente bajos debido al miedo al desempleo.

El primer ministro ha esbozado las ideas que piensa presentar en la cumbre de Washington. “Mi mensaje es que tenemos que ser internacionalistas, no proteccionistas; intervencionistas, no neutrales; progresistas y no reactivos; tener visión de futuro, no quedarnos congelados por los acontecimientos”.

Allí desbrozará los cinco puntos que, en su opinión, hay que tener en cuenta a la hora de reformar las estructuras financieras internacionales: la recapitalización de los bancos y la reactivación del crédito a negocios y familias; mejor coordinación internacional de la política fiscal y monetaria; un nuevo fondo de rescate para el FMI; un nuevo acuerdo comercial y mayor transparencia.

El secretario de Estado español para la UE, Diego López Garrido, dijo ayer en Londres que España coincide con las propuestas que llevará Brown a la cumbre de Washington en cuanto a la regulación de los mercados

Gordon Brown irá a Washington con un ojo puesto en la crisis financiera y otro en los réditos políticos domésticos que puede sacar de ella. Una encuesta de Populus publicada ayer por el diario The Times confirmaba su resurrección política: los laboristas, que hace un mes estaban a 15 puntos de los conservadores, están ya a sólo seis (41% a 35% ahora, 45% a 30% hace cuatro semanas).

12/11/2008 - 10:01h Indicadores confirmam recessão na Europa

Desemprego britânico é recorde e indústria européia desacelera

Dados aumentam o temor de uma recessão global profunda; produção industrial na zona do euro despenca

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Nathália Ferreira e Cynthia Decloedt, da Agência Estado

LONDRES – Dados sobre a economia européia divulgados nesta quarta-feira, 12, reforçaram o temor de uma grave recessão mundial. No Reino Unido, o número de pedidos de auxílio-desemprego aumentou 36.500 em outubro, na maior alta desde dezembro de 1992 e o nono mês consecutivo de avanço, mostraram dados do Escritório de Estatísticas Nacionais. Já a produção industrial nos 15 países da zona do euro despencou em setembro, com a variação anual mostrando o maior recuo em mais de cinco anos e meio.

O dado britânico ficou levemente abaixo do esperado por economistas, que previam aumento de 40 mil pedidos. Por outro lado, o número de setembro foi revisado para alta de 36.300, ante 31.800 divulgada anteriormente. A taxa de desemprego subiu para 3% em outubro, de 2,9% no mês anterior, atingindo o maior nível desde março de 2001. O aumento ficou em linha com o esperado.

Na zona do euro, a produção industrial caiu 1,6% em setembro ante agosto e cedeu 2,4% em comparação a setembro do ano passado, segundo dados divulgados pela agência de estatísticas da União Européia. A queda de 2,4% é a maior desde fevereiro de 2002, quando recuou 3,2%.

A retração mensal foi um pouco menor do que o esperado, mas a variação anual superou o previsto. Economistas ouvidos pela Dow Jones previam queda mensal de 1,8% na produção e anual de 1,3%. As informações são da agência Dow Jones.


Reino Unido continuará em recessão até o 1º semestre de 2009

A estimativa é do Banco da Inglaterra, que prevê ainda risco de deflação, caso a taxa de juro não seja alterada

Nathália Ferreira, da Agência Estado

LONDRES – A economia do Reino Unido se contraiu 0,5% no terceiro trimestre e entrou em uma recessão no segundo semestre deste ano, afirmou o Banco da Inglaterra (BoE) em seu relatório de inflação trimestral. Segundo o documento, a economia britânica continuará em contração no primeiro semestre de 2009 e deverá começar a se recuperar no segundo semestre do próximo ano.

O BoE disse que há uma série de visões sobre a direção da economia no Comitê de Política Monetária, com a principal incerteza sendo a fraqueza da libra esterlina. Contudo, o BoE disse que, no geral, os riscos ao crescimento e à inflação estão “amplamente balanceados”.

Segundo o banco, a taxa de inflação no Reino Unido irá cair “bem abaixo” da meta de 2,0% no médio prazo, se a taxa básica de juro permanecer em 3,0%. De acordo com o BoE, há algum risco de deflação a partir do final de 2009 caso o juro não seja alterado. Contudo, a autoridade monetária disse que o risco de um período de queda de preços é relativamente pequeno.

“Na projeção central, a inflação desacelera fortemente no curto prazo, conforme as contribuições dos preços de energia e alimentos caem. Mais adiante, a inflação cai bem abaixo da meta de 2%, refletindo uma margem mais larga de capacidade ociosa e o menor impacto dos preços de importação”, afirmou o BoE.

O banco central acrescentou que as perspectivas para o crescimento econômico e a inflação são “extraordinariamente incertas”. Para o crescimento, o BoE projeta que a economia irá se contrair a uma taxa anual de cerca de 2% até o segundo semestre de 2009, se os juros se moverem em linha com as expectativas do mercado, que seria de uma taxa básica de 2,75% no segundo semestre do próximo ano.

No entanto, dentro da projeção central, o crescimento irá se recuperar no segundo semestre de 2009 e irá “crescer de certa forma acima da taxa média histórica” até 2011. As informações são da Dow Jones.


Desemprego na Grã-Bretanha atinge nível mais alto desde 1997

REUTERS

LONDRES – O desemprego na Grã-Bretanha subiu para seu nível mais alto em mais de uma década no terceiro trimestre, à medida que a economia caminha rumo à recessão, mostraram dados oficiais nesta quarta-feira.

A Agência de Estatísticas Nacionais informou que o número de pessoas sem emprego subiu para 1,825 milhão em três meses até setembro, o nível mais alto desde o último trimestre de 1997.

Isso fez com que a taxa de desemprego da medida internacional ILO subisse para 5,8 por cento, a mais alta desde o período entre janeiro e março de 2000.

O número de pessoas utilizando benefício de auxílio-desemprego subiu em 36.500, o maior aumento desde dezembro de 1992, quando a Grã-Bretanha passou por uma severa recessão.

04/11/2008 - 12:53h UE vê zona do euro em recessão, com EUA e Japão

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Jamil Chade – O Estado SP

A economia da zona do euro já está em recessão e ficará estagnada em 2009. Esse também é o destino dos demais países ricos. A constatação é da Comissão Européia, que pressiona os governos não apenas para que salvem seus bancos, mas para que deixem as divergências de lado e elaborem planos de retomada de crescimento.

Na sexta-feira, o bloco se reúne para preparar a participação da UE na cúpula em Washington, no dia 15, que tentará estabelecer um plano financeiro. Até 2010, o bloco terá mais 2,7 milhões de desempregados.

Segundo o levantamento oficial de Bruxelas, Japão e Estados Unidos também entrarão em recessão. A economia americana vai recuar 1,5% em 2008 e 0,5% em 2009. Uma recuperação somente começará no fim do próximo ano. Até o déficit fiscal vai chegar a 9% do PIB em 2010. Já no segundo trimestre, o PIB dos 15 países da zona do euro recuou 0,2%. No terceiro trimestre, a queda foi de 0,1%.

Tecnicamente, a recessão ocorre quando existe recuo no crescimento por dois trimestres seguidos. Ontem, o índice de atividade industrial da zona do euro atingiu o nível mais baixo em 11 anos.

Segundo os dados da UE, a zona do euro crescerá apenas 0,1% em 2009, a pior taxa desde 1993. O bloco também refez a projeção para 2008. Com a crise, a economia européia não crescerá 1,5%, mas 1,2%. Em 2007, o crescimento havia sido de 2,7%.

A crise continuará em 2010, quando a economia européia crescerá apenas 0,9%. Em 2009, Irlanda, Espanha e Reino Unido vão continuar sofrendo retração do PIB. Já a economia da Alemanha, a maior da Europa, já está em recessão e vai se estagnar em 2009, o mesmo ocorrendo com França e Itália.

Os 27 países da UE também entrarão em recessão este ano, com quedas de 0,1% do PIB no terceiro e quarto trimestres. Em 2009, esses países vão crescer apenas 0,2%. Em 2010, 1,1%.

30/10/2008 - 09:45h Bancos centrais ao redor do mundo intensificam combate à recessão

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Jon Hilsenrath, Joellen Perry e Takeshi Takeuchi, The Wall Street Journal – VALOR

Mundo afora, bancos centrais abriram uma nova frente no combate ao enfraquecimento da economia. Autoridades nos Estados Unidos, China e Noruega anunciaram cortes de juros e em vários outros países isso deve acontecer nos próximos dias.

O Federal Reserve já está há dois anos cortando juros. O banco central americano tem sido mais agressivo do que qualquer outro e ontem baixou sua taxa de referência em meio ponto porcentual, para 1% ao ano. O Fed também deu sinais de que novos cortes são possíveis, ao observar que ” riscos de redução do crescimento persistem”.

Pela primeira vez em meses, o Fed não mencionou a inflação alta como uma preocupação, observando apenas que “espera que a inflação modere nos próximos trimestres a níveis consistentes com a estabilidade de preços”.

Com o corte de ontem, a taxa americana está num nível atingido pela última vez em 2003, bem depois que a recessão de 2001 acabou. Na época, crescimento fraco e temores de deflação, ou queda generalizada de preços, preocupavam as autoridades monetárias.

Como a economia americana continua deteriorando, juros mais baixos e outras ações do Fed e outras autoridades dos EUA parecem uma forte possibilidade. Se eles caírem ainda mais agora, poderiam chegar a níveis que não se viam desde os anos 50. A questão é se as baixas taxas oficiais têm o efeito de estímulo que as autoridades desejam.

Juros mais baixos costumam ser uma ferramenta poderosa para estimular a economia, porque reduzem o custo do crédito para empresas e consumidores e isso lhes dá um incentivo para iniciar projetos ou gastar dinheiro. Juros baixos também reduzem o custo de fundos para bancos, o que teoricamente os deixaria mais dispostos a conceder crédito.

Mas isso talvez não aconteça desta vez. A crise de crédito criou uma onda de aversão ao risco no sistema financeiro mundial, o que deixou muitos bancos sem disposição de emprestar mesmo tendo acesso a fundos mais baratos. Em vários mercados, os padrões para crédito se apertaram e, embora o juro de referência tenha caído, outras taxas de financiamento têm demorado a responder.

O rendimento dos títulos de dívida de grau especulativo está mais de 16 pontos porcentuais acima dos de papéis do Tesouro americano, o mais alto nível em décadas, segundo dados da Merrill Lynch. “O mercado de dívida de alto risco está parecendo uma bomba-relógio”, diz Martin Fridson, da Fridson Investment Advisors. “Mesmo na melhor das circunstâncias há um atraso entre o estímulo fiscal ou monetário (e o impacto) na economia. Quando os bancos estão tão surrados e resistentes a emprestar, é provável que seja ainda menos eficaz do que o normal.”

O amplo impacto econômico da crise de crédito deu às autoridades monetárias internacionais um maior sentimento de urgência.

Também ontem, o banco central da China cortou juros pela terceira vez em seis semanas, em meio à deterioração do panorama econômico para sua economia dependente de exportações. Autoridades japonesas deram sinais de que podem cortar os juros amanhã. E o banco central norueguês cortou sua taxa referencial pela segunda vez em duas semanas.

O Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra, que baixaram suas táxas básicas em meio ponto porcentual no início do mês, numa operação coordenada com o Fed, devem ser os próximos a anunciar cortes expressivos, na semana que vem.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter a taxa básica em 13,75% ontem. Os juros no Brasil vinham numa tendência de alta em razão do recente surto inflacionário, mas desde a reunião anterior da autoridade monetária sinais de redução do crescimento ganharam mais proeminência.

O Japão, onde nem um juro de zero por cento conseguiu ressuscitar a economia alguns anos atrás, é um exemplo estudado cuidadosamente por Ben Bernanke, o presidente do Fed. Ainda assim, numa reunião marcada para amanhã, o comitê de política monetária do Banco do Japão vai considerar cortar sua taxa básica de 0,5% para 0,25%, segundo uma autoridade familiarizada com a situação.

A possibilidade de um corte de juros surpreendeu participantes do mercado financeiro. Há apenas uma semana, diretores do Banco do Japão praticamente descartavam afrouxar a política no curto prazo, dizendo que os juros já estavam baixos o bastante para sustentar a economia. A mudança de posição demonstra como as autoridades monetárias japonesas ficaram mais preocupadas com o enfraquecimento da economia devido à deterioração do mercado financeiro na última semana.

Dados divulgados ontem sugerem que o enfraquecimento de economias estrangeiras está pesando sobre o Japão. A produção industrial japonesa teve sua maior queda em quase quatro anos no período julho-setembro, caindo 1,2% no trimestre.

Mundialmente, a maré de cortes de juros mudou dramaticamente em poucas semanas. No início do semestre, os bancos centrais estavam preocupados com a alta do petróleo. Especialmente em mercados emergentes, onde parecia que a inflação estava ficando mais enraizada, muitos bancos centrais ainda pretendiam aumentar juros, até que a crise de crédito piorou, em setembro.

Agora, embora uns poucos bancos centrais tenham aumentado juros para segurar suas moedas em queda, muitas taxas importantes para a política monetária tendem a cair ao redor do mundo.

Economistas do J.P. Morgan Chase estimam que, em média, as metas de bancos centrais para juros estavam em 3,4% ao redor do mundo no fim da semana passada. Até o fim do ano, o J.P. Morgan espera que elas caiam para 2,8% e então continuem a cair no ano que vem, para 2,3%.

Ontem, o banco central da Noruega cortou sua taxa básica de 5,25% para 4,75% e deu sinais de novos cortes à frente. A decisão seguiu-se a um corte surpresa de meio ponto em 15 de outubro, o primeiro do Norges Bank desde março de 2004. Semana passada, o banco central da Suíça também cortou sua taxa básica de 4,25% para 3,75% e previu uma queda para 3,25% até março.

Algumas autoridades monetárias do BCE temem que a zona do euro, uma economia de US$ 12,2 trilhões, menor apenas que a dos EUA, possa ter um longo período de crescimento magro e só comece a se recuperar em fins do ano que vem. O presidente do banco, Jean-Claude Trichet, disse segunda-feira que um corte na reunião do banco em 6 de novembro era uma “possibilidade”, consolidando expectativas do mercado de um corte de meio ponto porcentual, para 3,25%.

“É uma reviravolta impressionante”, diz Erik Nielsen, economista da Goldman Sachs em Londres. “Eles perceberam que inflação não é mais um problema, e agora estão querendo salvar o mundo.”

Taxas ao redor da Europa estão mais altas do que nos EUA, o que dá aos bancos centrais europeus mais espaço para cortes do que o Fed tem.

Alguns economistas temem que o Fed possa se ver na mesma posição do Japão do início desta década, com taxas perto de zero e uma economia ainda afundando.

(Colaborou Andrew Batson)