14/10/2009 - 15:59h Jornal militante de Oswald e Pagu ganha reedição

“O Homem do Povo” foi pasquim político e gaiato dirigido pelo poeta modernista e a mulher, nos anos 30, em SP

Lançamento será no sábado, no museu Lasar Segall, com exibição de documentos e obras ligados à fase mais politizada do antropófago


http://3.bp.blogspot.com/_Mmy749wfY0g/R60cUyC488I/AAAAAAAAAIw/nzZ9QUfZxhU/s1600/pagu%2Boswald%2Be%2Brud%C3%83%C2%A1%2B1930%2Barq%2Bdo%2Bmis%2Bsp.jpg

Pagu segurando o filho Rudá de Andrade


MARCOS AUGUSTO GONÇALVES – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O dia 9 de abril de 1931 amanheceu agitado na cidade de São Paulo. Naquela quinta-feira, um grupo de estudantes da Faculdade de Direito reuniu-se na praça da Sé para protestar e atacar a sede de um periódico anarco-comunista intitulado “O Homem do Povo”, que havia publicado violenta crítica à vetusta instituição de ensino.
A afronta saíra da pena do modernista Oswald de Andrade, ele mesmo um homem proveniente da elite, formado pela escola do Largo São Francisco, que qualificava de um “cancro” a minar a sociedade paulista. Ao lado de Patrícia Galvão, a Pagu, então sua mulher, Oswald era o diretor daquele pasquim político e gaiato -que ganha agora edição fac-similar, lançada pela editora Globo em parceria com a Imprensa do Estado e o Museu Lasar Segall.
Em 1984, o “insolente papelucho” já havia sido objeto de iniciativa semelhante, com apresentação do poeta e ensaísta Augusto de Campos. A nova coleção, baseada nos oito números deixados pelo militante comunista Astrojildo Pereira, amigo do casal, republica o texto de Campos e traz artigo de Geraldo Galvão Ferraz, filho de Patrícia. É publicada também uma carta inédita enviada “à camarada Pagu” por uma assídua leitora do jornal.

Lançamento
O lançamento vai acontecer no sábado, com a abertura de uma exposição no museu Lasar Segall -com curadoria da pesquisadora Gênese Andrade.
O ataque dos estudantes à sede de “O Homem do Povo”, que ficava no Palacete Rolim, no número 9 da praça da Sé, repetiu-se na segunda dia 13 de abril. Os incidentes foram acompanhados pela imprensa.
“Um justo revide dos estudantes de direito contra os ataques de um antropófago” -foi a manchete da “Folha da Noite” do dia 9, que fazia referência à antropofagia, a “filosofia do primitivo tecnizado”, desenvolvida alguns anos antes pelo poeta que lançou, em 1928, o “Manifesto Antropófago”.
Os jornais narraram “a depredação nos escritórios da redação” e a providencial intervenção da polícia, que impediu o iminente linchamento dos diretores. No dia 13, Oswald voltara ao ataque em novo artigo, com seu humor ferino: “A grande manifestação de pensamento que produziu até hoje a Faculdade de Direito foi o trote”.
Segundo a “Folha da Noite”, no segundo dia de manifestação, Pagu surgiu inesperadamente à porta do prédio -e, para espanto geral, “vinha armada com revólver, com o qual fez dois disparos em direção aos estudantes”. Ela teria, ainda, atacado manifestantes a unhadas enquanto era conduzida com Oswald para a central de polícia -e o jornal tinha sua breve carreira encerrada.

Romance
O lançamento de “O Homem do Povo” é um marco na fase politizada de Oswald. Numa época de rompimentos, inclusive com velhos amigos, filiou-se ao Partido Comunista, puxado pela nova e sedutora companheira, que posteriormente veio a ser presa e sofrer violências no cárcere.
Quando “O Homem do Povo” foi lançado, Oswald tinha 41 anos de idade e Pagu, 21. O romance teve início quando ele ainda era casado com a pintora Tarsila do Amaral. Foi o poeta Raul Bopp quem apresentou a então jovem normalista ao casal “Tarsiwald” -como foi apelidado por Mário de Andrade. Pagu tornou-se amiga de ambos e acabou nos braços do antropófago.

Pagu

Segundo a curadora Gênese Andrade, que assina o catálogo da mostra, quando Tarsila faz sua primeira exposição individual brasileira, no Rio, em julho de 1929, “o antropófago e a normalista já haviam iniciado uma relação amorosa”.
O fato está registrado em uma espécie de diário do novo casal, intitulado “O Romance da Época Anarquista. Livro das Horas de Pagu que São Minhas”. O caderno de anotações estará exibido numa vitrine, no Lasar Segall -e 13 de suas páginas serão projetadas num monitor de vídeo.

Pinturas e documentos inéditos do casal ganham mostra no Lasar Segall

DA REPORTAGEM LOCAL

A mostra que será inaugurada sábado no museu Lasar Segall concentra-se na fase mais politizada do modernista Oswald de Andrade e em suas relações com Patrícia Galvão e o próprio pintor Lasar Segall, de quem o poeta se reaproxima depois de deixar o Partido Comunista, em 1945.
São 60 peças, das quais 19 pinturas e 11 fotografias, além de documentos, cartas e primeiras edições -entre elas a da peça “O Rei da Vela”, de 1933.
Gênese Andrade, pesquisadora e curadora da mostra, é responsável pelo estabelecimento dos textos publicados na reedição das obras do poeta, que vem sendo realizada pela editora Globo.
Nas pesquisas que fez, Gênese encontrou material inédito.
Será exibido, por exemplo, um passaporte de Pagu, datado de setembro de 1929, com o nome Patrícia Galvão de Andrade. É uma evidência de que a relação com Oswald, que era casado com Tarsila do Amaral, já estava adiantada, e uma sugestão de que ambos poderiam ter planos de deixar o país. O casamento, na realidade, só ocorreu em janeiro de 1930.
Entre as pinturas que integram a exposição, há três retratos de Oswald assinados por Lasar Segall, jamais expostos.
Serão mostrados, ainda, pela primeira vez, alguns desenhos de Pagu. São quatro deles, três dos quais estavam na coleção de artes visuais de Mário de Andrade -embora não se saiba exatamente como o poeta veio a possuí-los, uma vez que sua relação com Oswald fora interrompida.
O período mais politizado do antropófago, a partir da virada dos anos 20 para os 30, coincide com a crise mundial e é marcado por desentendimentos com ex-amigos. O poeta ironiza Mário, que chama de “Miss Macunaíma”, briga com Paulo Prado, mecenas da Semana de 22, e, diante da recusa de dona Olívia Guedes Penteado de recebê-lo com Pagu, passa a tratá-la como dona Azeitona.


PAGU/OSWALD/SEGALL

Onde: museu Lasar Segall (rua Berta, 111, Vila Mariana, tel. 0/xx/ 11/5574-7322)
Quando : abertura no sábado, às 17h; de terça a sábado, das 14h às 19h
Quanto : grátis
Classificação indicativa : livre

09/03/2009 - 18:51h Fotojornalismo e publicidade

© Foto de Oliviero Toscani. Kissing-nun. Imagem de um padre beijando um freira em um anúncio da empresa italiana Benetton.1992.

 

 

Exposição em Paris reúne oitenta fotos polêmicas no fotojornalismo e na publicidade

 

Blog Images&Visions

A fotografia no fotojornalismo como na publicidade, não é unívoca. Ao contrário, ela pode ser fonte de diversas interpretações, dependendo do olho e do julgamento de quem vê e, por isso, pode gerar polêmicas e suscitar problemas jurídicos e éticos. Sobretudo quando se trata de fotojornalismo. É o que mostra a exposição “Controvérsias – Uma História Ética e Jurídica da Fotografia”, que reúne oitenta imagens polêmicas na Bibliothèque Nationale de France em Paris. O trabalho é fruto de muitos meses de pesquisa de um historiador da arte e de um advogado, Daniel Girardin e Christian Pirker, que resolveram contar a história de uma série de fotos polêmicas no fotojornalismo e na publicidade. Um dos exemplos é a fotografia de uma freira beijando um padre, de autoria de Oliviero Toscani, usada em um anúncio da empresa italiana Benetton. A exposição Controvérsias fica em cartaz até o dia 24/05. Veja mais fotos Aqui

18/01/2009 - 16:43h Genaro de Carvalho

http://www.vitorbraga.com.br/leilao2007_dezembro/images/032a.jpg
Jardins, Genaro de Carvalho

 

 

 

 


Painel Festas Regionais. Pintura mural a tempera. Genaro de Carvalho. Salvador, 1950. Hotel da Bahia.

 


A Martiniquenha. França, óleo s/ tela.Dec. 50. Genaro. Roberto Alban Galeria de Arte.

 

 

Nuzinho do gato preto. Téc. mista s/tecido, 1969.
Genaro. Cat. Renot 2003.


Sem título. Desenho, dec. 1950.Genaro. Catálogo de exposição Galeria Quirino, 1965

 

 

 

 

 

Jardim abstrato. OBJETO

 

 

Série Mulatas. Óleo s/ tela. Dec. 1970.

 

A Francesa de Bruges – Nicole. Óleo sobre tela. França, dec. 1950. Genaro.
Roberto Alban Galeria de Arte.

26/12/2008 - 15:29h Picasso onipresente no inverno parisiense

Mostra que reúne os mestres do mestre do cubismo deve atrair 700 mil pessoas

http://www.mus.ulaval.ca/lacasse/cours/Seminaires/Oeuvre/Images/Las-Meninas-after-Velazquez-1957.jpg
As Meninas, de Picasso
http://arachnid.files.wordpress.com/2007/09/velazquez-las-meninas.jpg
As Meninas, de Velázquez

Andrei Netto – O Estado SP

Filas de espera de duas horas e trinta minutos de duração todos os dias, reservas de ingressos já esgotadas até 2 de fevereiro de 2009. Não é o show de estréia de uma turnê do U2, não é a final da Liga dos Campeões. É uma exposição de arte – ok, a mais bem-sucedida exposição de arte em mais de uma década na França. Mais de 700 mil pessoas passarão pelos corredores do Grand Palais, em Paris, a principal sede das três em que se realizam a exposição Picasso e os Mestres – a prova de que a maior inspiração do espanhol foi a própria pintura.

Realizada em três dos principais museus da França – Louvre, Orsay e Picasso -, em Paris, a megaexposição é um sucesso tão estrondoso de público que o assédio levou a Reunião dos Museus Nacionais (RMN), sua organizadora, a abrir as portas pela madrugada, durante 83 horas consecutivas. A maratona acontecerá às vésperas do fim da mostra, a partir das 9 horas de 30 de janeiro.

E a exceção será aberta depois de receber 6,5 mil visitantes por dia, o limite estabelecido pela organização, durante as 14 horas diárias de abertura. Segundo a RMN, as cifras só não são mais grandiosas porque há 15 anos o número de freqüentadores passou a ser controlado em nome do conforto dos apreciadores e da segurança das obras. Mesmo com as restrições, sabe-se que a aclamação de público será maior do que os fenômenos Cézanne, em 1995, e Picasso-Matisse, em 2002. Só em vendas do catálogo, 100 mil exemplares, a renda pode atingir 1 milhão.

A razão de tamanho triunfo está na conjunção entre uma tese arrebatadora e uma reunião inédita de obras que contam um tanto da história dessa arte. Picasso e os Mestres, como seu nome insinua, agrega em um mesmo ambiente clássicos da obra do gênio malaguenho e as telas que o inspiravam. O objetivo é tornar claro para o leigo a influência que artistas como Greco, Vélasquez, Goya, Delacroix, Manet, Courbet, Lautrec, Cézanne, Renoir, Gauguin, Rembrandt e Van Gogh, entre muitos outros, exerceram sobre sua obra.

O resultado é arrebatador. Pelas salas do Grand Palais, o espectador comum descobre que em cada fase de Pablo Picasso sua fonte de alimentação mais constante era a pintura de exceção. Nos estudos que fazia no Museu do Prado, em Madri, entre 1898 e 1899, ou no Louvre, em Paris, a partir de 1900, está uma chave para compreender seu brilhantismo. Tamanho fascínio não o levava a copiar seus inspiradores, mas a os reinterpretar, subverter, deturpar, ironizar, cultuar. Mais do que nutrir profunda admiração por gênios que o antecederam – ou que lhe eram contemporâneos -, Picasso os usava como energia criativa.

A associação entre sua obra e a de seus mestres torna-se evidente quando a exposição põe lado a lado telas como Grande Nu em Pé, de Picasso, e Mulher Nua em Pé, de Cézanne, O Líder de Cavalo Nu e Saint-Martin, de Greco, e Homem na Guitarra e Saint François d’Assise, de Zurbaran. Só em torno de Velasquez, o espanhol pintou 40 versões de Meninas. “Não devemos observar Picasso e Velasquez, por exemplo, em uma filiação única, superficial, de pai e filho. Isto seria pobre. Picasso não é assim. Ele cruza todos”, comenta Anne Baldassari, diretora do Museu Nacional Picasso e curadora da exposição.

Um dos méritos da mostra é situar do ponto de vista histórico as origens das rupturas estilísticas e inovações formais abertas por Pablo Picasso. É como se o passado e o presente da pintura fossem reunidos, lado a lado, sem a clássica divisão por estilos e escolas adotada pelos museus no mundo inteiro. “O diálogo no interior da exposição é diverso, variado, depende do estado de espírito de cada um, mas é sempre plural”, afirma Anne Baldassari.

A exposição também representa um exercício raro de esforços financeiros e diplomáticos, já que incorporou obras chave de grandes mestres, em geral os quadros de destaque na coleção de seus proprietários. Daí a necessidade de abrir as portas pela madrugada. Em 2 de fevereiro, cada museu quer sua monalisa de volta.

10/12/2008 - 18:17h Exposição em Paris mostra Picasso e os grandes mestres da pintura

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Qu’allez-vous y découvrir ?- Une exposition, trois lieux- L’exposition salle par salle aux Galeries nationales du Grand Palais- Une exposition, trois lieuxCette exposition, dont le sujet avoué est de transgresser les frontières historiques et institutionnelles, se tient dans trois lieux majeurs de la culture muséale française :- Le Grand Palais où Picasso expose lors de l’inauguration du bâtiment dans le cadre de l’Exposition Universelle de 1900. Âgé de 19 ans, il figure dans la sélection officielle Espagnole et découvre lors du voyage effectué alors à Paris, au sein des expositions décennales et centennales qui sont organisées au Grand palais, les oeuvres anciennes et modernes représentatives de tous les grands courants artistiques européens contemporains.- Le musée du Louvre où Picasso, dès ce premier voyage, étudie notamment l’art des écoles française, flamande, italienne, et découvre l’art ibérique à l’hiver 1905, grâce à l’exposition des fouilles d’Osuna qui déclencha la recherche le conduisant vers le Cubisme.C’est là aussi, en 1947, qu’il accrochera aux côtés des oeuvres de Zurbaran, Delacroix et Courbet, les sept toiles qu’il destinait au nouveau Musée d’art moderne pour vérifier si sa peinture « tenait » à côté de celle des grands maîtres. En un hommage exceptionnel organisé en 1971 pour son quatre vingt dixième anniversaire, son Arlequin de 1923 fut accroché dans la Grande galerie du Louvre en relation avec le Gilles de Watteau, le consacrant maître parmi les maîtres.- Le musée d’Orsay, enfin, qui s’il n’existait pas du temps de Picasso, conserve aujourd’hui les oeuvres de Manet, des impressionnistes et postimpressionnistes dont l’oeuvre bouleversa ses conceptions picturales et ses convictions en 1900 lors de ce voyage inaugural.Contact presse : > Amélie Hardivillier

Pablo Picasso se forme très tôt aux règles strictes de la pratique académique auprès de son père, José Ruiz-Blasco, professeur à l’Ecole des Beaux Arts et directeur du musée de Málaga, comme durant son cursus (1893-1899) à l’Ecole des Beaux-Arts de la Corùna, à la Lonja (Barcelone), puis à l’Académie San Fernando (Madrid).Dessins d’après l’Antique, statuaire et architectonique, copies de toiles des grands maîtres espagnols, étude de l’histoire de l’art européen sont au cœur de cette formation, enracinée dans la tradition picturale humaniste qui nous rappelle que Picasso est un peintre né au XIXe siècle (1881). Académies, peinture d’histoire, scène de genres, compositions épiques ou religieuses, rendu bitumeux, grandes machines, concours, peinture officielle, galerie de peinture, forment le quotidien, la référence et la perspective de son apprentissage.

Nu de Picasso e a Maja desnuda de Goya, ambos lado a lado na exposição
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L’oppression ressentie par Picasso, jeune artiste virtuose, qui ne dessina jamais comme un enfant mais eut immédiatement à se confronter à Michel-Ange et Raphaël, nourrira pour longtemps un désir de subversion qui le conduisit à la plus radicale des innovations formelles, le Cubisme, comme à la fondation de l’art moderne.A la fois jeune maître académique (médaillé dès l’âge de 19 ans) et acharné destructeur des formes établies, Picasso mena sans discontinuer un dialogue tendu avec la grande tradition de la peinture.Sa posture n’est pas – comme chez d’autres artistes de sa génération – le simple reflet d’une époque en pleine mutation, mais un élément moteur, constitutif de son projet pictural. Il opère depuis sa première grande composition à sujet allégorique, Derniers Moments (1896), jusqu’aux dernières toiles d’après Vélasquez, Titien et Rembrandt, où règnent sous les masques de mousquetaires, musiciens et matadors, le motif d’un autoportrait obsessionnel. La période des « variations » d’après Delacroix, Vélasquez ou Manet (1950-1962), forme l’épisode le plus connu et explicite de cette démarche de relecture critique qui traverse l’ensemble de son œuvre.L’exposition Picasso et les maîtres présentée aux Galeries nationales du Grand Palais se veut un premier bilan. Quelque 210 œuvres se trouvent rassemblées pour l’occasion, issues des collections les plus prestigieuses, publiques et privées, nationales et internationales.Confrontant passé et présent, au-delà des ruptures stylistiques et des innovations formelles, l’exposition présente dans un parcours croisant approches thématique et chronologique, au gré de la peinture de Picasso et en la prenant pour seul guide : Greco, Vélasquez, Goya, Zurbarán, Ribera, Melendez, Poussin, Le Nain, Dubois, Chardin, David, Ingres, Delacroix, Manet, Courbet, Lautrec, Degas, Puvis de Chavannes, Cézanne, Renoir, Gauguin, Douanier Rousseau, Titien, Cranach, Rembrandt, Van Gogh. Espagnols, Français, Italiens, Allemands, ces peintres forment la trame plurielle d’un motif serré où la peinture apprend de la peinture.Un cannibalisme pictural sans précédent est à l’œuvre dans la démarche de Picasso qui érige en système, la peinture de la peinture.En rupture avec les procédés académiques de transmission et de reproduction de la tradition – copie, paraphrase, citation – cette méthodologie nouvelle place la peinture au cœur de la connaissance du monde. Transposition, mimétisme, détournement, dénaturation forment quelques unes des figures de la stratégie déployée par Picasso à l’égard de ses peintres deprédilection. Il aura ainsi fécondé le modus operandi de la création moderne et contemporaine, la tirant aussi parfois du côté de la duplication perverse, de l’ironie et du pastiche.Anne Baldassari, Extrait de l’introduction au catalogue de l’exposition Pablo Picasso et les maitres

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08/12/2008 - 15:15h O diário livre de Tomie Ohtake

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Artista, aos 95 anos, abre hoje mostra individual com pinturas e esculturas realizadas em 2008

Camila Molina – O Estado SP

Cada dia é um dia diverso – todos bem sabemos – e na exposição que Tomie Ohtake inaugura hoje na Galeria Nara Roesler cada uma de suas recentíssimas pinturas comprova essa verdade simples. “A vida tem muitos acontecimentos, alegres e tristes. A vida mesmo transforma a forma e a cada dia há uma cor diferente. Mas o sentimento vem do mesmo lugar”, afirma, à sua maneira essencial, a artista, que brinca ser a mostra uma espécie de “diário de Tomie Ohtake” já que as obras, realizadas em 2008, são diferentes entre si assim como simplesmente são os dias. É curioso ver a heterogeneidade do conjunto – desta vez, nenhuma das telas tem o simbólico grande círculo solitário que se fazia presente nas obras de sua última individual na galeria. Tomie Ohtake, que acaba de completar 95 anos, em novembro, recusa a idéia de manter uma forma como se fosse a de mais uma fase em sua trajetória. “São totalmente livres”, diz, sobre seus novos trabalhos. Se mais uma vez é possível fazer uma metáfora de referência à sua origem japonesa, novamente a mostra de Tomie vem como se fosse uma onda da gravura ukiyo-e de Hokusai para nos mostrar que sua obra não está estagnada, se renova e surpreende mais uma vez o espectador.

Suas novas telas estão repletas de elementos, algumas com menos, outras, com mais. As cores também são bem diversas – há azuis, vermelhos, tons terrosos, tantos outros -, mas há uma força que parece unir todos os trabalhos, a linha (branca) que se faz, como define o curador Agnaldo Farias, a grande protagonista das histórias do diário de Tomie. Porque ela até mesmo aparece na exposição em sua forma tridimensional, em esculturas feitas com aço tubular que convivem, pela primeira vez na trajetória da artista, com suas pinturas dentro de uma mesma exposição. As “esculturas lineares” parecem brotar do teto, saem das paredes, florescem do chão. E tudo convive no mesmo espaço naturalmente formando, afinal, um movimento contínuo entre todas as obras.

Tomie conta que como este é o ano de comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil, ela – uma das mais reverenciadas artistas no cenário brasileiro, que chegou ao País na década de 1930, aos 22 anos – foi convidada a realizar seis obras públicas (entre elas, em São Paulo, Santos e Guarulhos), além de tantos outros projetos. “A escala pública é diferente”, diz Tomie, que mesmo assim não parou de criar, com agilidade, pelos vários tentáculos dos gêneros artísticos (mas, de alguma maneira, o pensamento escultórico marcou presença nos dias da artista). Para ela, a escala não é problema, como define – ir do terreno do monumental para o mais íntimo faz parte de sua desenvoltura artística -, e, sendo assim, criou, nesses últimos tempos intensos, as obras públicas, as esculturas lineares menores e pinturas – que vemos agora – e ainda, conta, um grande conjunto de gravuras, que será exibido em outra ocasião.

Dentro desse campo de “elogio da linha”, como define Agnaldo Farias, as pinturas e esculturas não entram em confronto na atual exposição. “Na escultura, naturalmente, a forma é mais rígida, mas essa, para mim, é sempre só linha, é livre”, reforça mais uma vez Tomie, que não reconhece em seu gesto de criação nem mesmo o toque oriental a que poderíamos fatalmente reduzir sua obra por sua origem japonesa. A artista, nascida em Kyoto e que só tardiamente começou a se dedicar à arte, aos 39 anos, já caminhou por tantas vertentes – da figuração à abstração – mantendo sempre independência e liberdade. “A presença das duas modalidades expressivas freqüentadas por Tomie Ohtake reforça a propriedade de seus gestos e, indo além, até porque sua poética não se resume a um jogo com a linha, demonstra a amplitude de sua poética, o modo como ela opera a relação entre cor, plano e linha engendrando situações tão diversas”, afirma o curador em texto que acompanha a exposição.

“Eu só queria pintar”, diz a artista – e para ela, a linha, tão em questão, se tornou um válido elemento para “brincar” no campo do jogo entre o que está visível e o invisível, entre “o ter e não ter”: o traço faz ora e outra uma forma aparecer, se justapor, se diluir, sempre em movimento para os olhos (por isso, há até muitas transparências nas pinturas). A linha pode até parecer frágil, mas na verdade é ela que define formas “claras e concisas, limpas ou beirando o emaranhado, demonstrando a persistente plasticidade do espaço, sua infinita maleabilidade” dentro de um campo cromático sempre potente e especial. “A cor tem de fazer, ela não aparece”, afirma Tomie. O diário, por assim dizer, da artista não revela apenas que um dia é diferente do outro, mas que o sentimento motriz de sua criação se mantém o mesmo – e, por isso, o curador até afirma ser essa uma mostra que ganha “a força de um balanço” dos caminhos tomados por Tomie nas últimas décadas.
Serviço
Tomie Ohtake. Galeria Nara Roesler. Avenida Europa, 655, 3063-2344. 10 h/19 h (sáb. 11 h/15 h; fecha dom.). Grátis. Até 31/1. Abertura hoje, 20 h, para convidados

03/12/2008 - 13:49h Le baiser de la belle spectre

Fascinée par les histoires de fantômes, les noces funèbres, les films d’horreur et les contes de fée sombres, la lituanienne , réalise des œuvres peuplées de beautés décapitées, de goules pâles et de poupées aux yeux noirs comme des carapaces de scarabée.

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Mercredi 3, Natalie Shau sera à Paris, avec ses longs cheveux de jais et ses lèvres rouges comme du sang, à l’inauguration d’une exposition spectrale et onirique. Natalie Shau est une artiste jeune, belle, mondialement célèbre et… profondément triste. Pourquoi ? Nul ne le sait. Elle n’écoute que des litanies sombres et s’inspire de morceaux composés par des groupes de dark folk, goth ou death rock aux noms révélateurs : Christian Death, Cinema Strange, Sopor Aeternus, Dead can dance, Corpus Delicti, Ataraxia, Unto Ashes, Virgin Prunes, Specimen, Current 93 et bien d’autres. De ces musiques, elle tire des images hantées par certaines obsessions noires et érotiques.

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Mains coupées, roses sanglantes, bijoux morbides, visions d’outre-tombe… Cette mélancolie mystérieuse semble sourdre littéralement des tableaux qu’elle réalise à l’aide de photos retouchées à l’aérographe et au logiciel, mixées avec de la 3D. Ce sont des portraits de femmes-vampires ou de jeunes vierges, inspirés par les romans d’horreur du XIXe siècle. Elles posent à la façon des nobles dames du temps jadis, les mains croisées sur une robe élizabéthaine, devant des murs tapissés ou des meubles anciens. Parfois, elles tiennent un verre rempli de liquide pourpre. Parfois, elles tiennent un couteau. Parfois, elles se penchent sur des rivières qui charrient des noyées ou enfoncent le bras dans la terre pour atteindre des cadavres humains… Leurs coiffures aux mèches travaillées comme de la dentelle sont ornées de crânes et de rubans mortuaires.

«La majeure partie de mon travail se compose de photos manipulées, explique Natalie Shau, c’est une sorte de collage. Je suis complément fascinée par les histoires de fantômes, les films d’horreur et les contes de fées sombres et puisqu’il s’agit là d’une de mes principales sources d’inspiration, on retrouve ce coté “qui donne la chair de poule” dans mon art.»
La chair de poule est une réaction de l’organisme face à certaines situations comme le froid et la peur. Pour lutter contre le froid ou une sensation inhabituelle, le cerveau déclenche un mouvement réflexe nommé “horripilation” : l’érection des poils. La peau se couvre de picots. Les cheveux se dressent sur la tête. Il est intéressant de savoir que c’est d’abord à ce phénomène que les scientifiques du siècle des lumières s’intéressent lors des premiers travaux portant sur l’électricité.

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On croyait au XVIIIe siècle que les humains contenaient du feu. Vers 1748, des savants prouvent que le corps peut transmettre des décharges électriques et enflammer de l’alcool. Ils s’interrogent : pourquoi ce feu ne nous brûle-t-il pas ? Couverait-il au fond de nos corps, en attendant de nous embraser ? Dans Psychanalyse du Feu, Gaston Bachelard retrace la lente émergence de ce concept révolutionnaire qui est celui d’une énergie invisible, capable de faire se dresser nos poils et d’aimanter la limaille de fer.
«Il faudra de grands efforts d’objectivité pour faire du feu une énergie qui en aucun cas ne peut être latente ou cachée» explique-t-il. Et pourtant la science ne cesse jamais de jouer avec le vieux fantasme d’un corps que le moindre frottement peut faire crépiter. C’est le fantasme d’une caresse «électrisante» – irrationnel, mais terriblement poétique – auquel l’œuvre de Natalie Shau nous demande de croire… Quand on regarde ses poupées vénéneuses, si blanches et si magnétiques, on sent l’attirance de la vie pour son contraire. Les pôles opposés qui s’appellent en silence.

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Le vernissage de l’exposition Natalie Shau a lieu ce mercredi 3 décembre à 19 heures.
Cabinet des curieux : 12 passage Verdeau, 75009 Paris. Tél. : 01 44 83 09 57.
L’exposition dure jusqu’au 15 janvier 2009.

25/11/2008 - 18:23h Fantasias de um visionário

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Um revolucionário do teatro americano nos anos 1960, o diretor Robert Wilson volta ao Brasil para mostrar fotos de estrelas e explicar sua obra numa palestra

Antonio Gonçalves Filho – O Estado SP


Diretores de teatro, de maneira geral, carregam dentro de si uma grande frustração, justamente por ser a direção uma forma evanescente de arte. Assim, é lícito que um deles, de vez em quando, arrisque outra empreitada, mesmo correndo o risco de não ser tão bem sucedido. O diretor norte-americano Robert Wilson, que desde os anos 1960 é considerado um inovador tão importante como foram Brecht ou Artaud em sua época, decidiu aceitar a proposta de realizar uma série de fotografias e vídeos de alta definição, Voom Portraits, agora exposta no Sesc Pinheiros, onde faz amanhã, às 20h30, uma palestra.

Não é a primeira vez que Robert Wilson vem ao Brasil. Parceiro das primeiras óperas do compositor minimalista Philip Glass (Einstein on the Beach) e de músicos populares como Tom Waits e David Byrne, Wilson fez sua estréia em São Paulo há 35 anos, trazido pela atriz e empresária Ruth Escobar. Nesta entrevista ao Estado, ele lembra o choque de desembarcar num país que imaginava atrasado – o título da peça, Time and Life of Joseph Stalin, foi alterado para despistar a censura militar – e constatar que São Paulo era até uma metrópole menos conservadora, multiétnica e “excitante”que Nova York.

De Wilson, o público brasileiro viu posteriormente uma montagem de Ibsen (Quando nós, os Mortos, Despertarmos), mais alinhada com a imagem de seu teatro formalista, que dramatiza a “crise da linguagem” recorrendo a elementos mínimos e gestos econômicos, coreografados, dos atores. São trabalhos mais representativos que sua exposição de fotografias e vídeos em cartaz no Sesc Pinheiros. Nela, o diretor deixa de lado a linguagem como “artefato social” e recorre à imagem pura, retornando a um estágio pré-verbal que não lhe cai bem. Prova maior é a foto em que a atriz Winona Ryder aparece enterrada até o pescoço como a Winnie de Dias Felizes, de Beckett, ilustração paródica que esvazia o conteúdo da peça original sem acrescentar muito à vida da melancólica e madura Winnie, a mulher que passa o tempo escovando os dentes e lembrando histórias do passado ao tocar objetos pessoais.

http://farm1.static.flickr.com/183/378724829_77ae39d2a9.jpg?v=0

Você tem discutido a obra de Beckett com freqüência nos últimos anos, mas nunca montou uma peça dele, a despeito da identidade formal existente entre Beckett e sua maneira de esculpir imagens no palco. A escolha de Winona Ryder como modelo de uma possível Winnie de Dias Felizes pode indicar um desejo oculto de encenar a peça? Que semelhanças você vê entre o seu trabalho e o de Beckett?

Eu e Beckett temos muitas coisas em comum. Seus atores favoritos são os profissionais de vaudeville e do cinema mudo, como Buster Keaton e Charlie Chaplin. Os meus também. Em suas peças, ele não apenas escreve os textos como cria imagens. Faço o mesmo. Como complemento do retrato de Winona Ryder em Dias Felizes, acabo de dirigir, no Grand Théâtre de Luxembourg, em Spoleto, uma montagem com Adriana Asti. No próximo verão europeu, no Festival de Spoleto, vou atuar no monólogo A Última Gravação de Krapp.

Em Dias Felizes, Winnie é enterrada até o pescoço, envolvida em atividades banais como escovar os dentes ou relembrar o passado por meio de objetos pessoais. Você parece vê-la como uma erupção no asfalto, um ser imóvel rodeado de objetos organizados com precisão doentia, como se fosse uma bizarra composição de Joel-Peter Witkin, o fotógrafo que faz naturezas-mortas com flores e cadáveres. Como vê seu trabalho?

Não o conheço.

Em sua eclética série Voom Portraits, celebridades viram ícones culturais. Há alguma razão especial para ter escolhido Brad Pitt e colocá-lo de cuecas e meias sob uma chuva torrencial? O que essa imagem representa para você?

Brad é um deus da nossa época. É reconhecido em qualquer cultura, em qualquer país. Dramaturgos sempre escreveram sobre deuses de seu tempo. Os gregos falaram de Hércules, Racine ressuscitou Fedra. Eu fiz peças sobre Einstein, Freud e Stalin.

A série sugere fotografias publicitárias ou “stills”, mas, num olhar demorado, revelam sua linguagem teatral, feita de movimentos mínimos e gestos coreografados. Uma vez que cada uma dessas fotografias tem sua própria trilha sonora, composta por seus colaboradores, como é que trabalha essa correspondência entre imagem e som?

É algo que não sei explicar. É intuitivo. Faço o que acho certo. Não colocaria um tema musical escrito para Robert Downey Jr. para acompanhar a imagem de Brad Pitt, nem trocaria o tema de Brad pelo de Johnny Depp. Esses retratos são minha resposta pessoal para diferentes personalidades.

Você fez um retrato, que não está na mostra, em que Isabelle Huppert imita Greta Garbo, forçando-nos a repensar a idéia tradicional de portrait, especialmente por você ter adotado a foto de Garbo por Edward Steichen como modelo. Essa foto foi concebida como paródia ou tributo a Steichen?

Como tributo a Steichen. Na primeira vez que vi Isabelle Huppert, por volta de 1970, disse a ela que se parecia com Greta Garbo. Isabelle ficou surpresa com a comparação. Dez anos mais tarde, ao falar mais uma vez com ela, mostrei novamente meu espanto com as semelhanças entre Isabelle e Garbo. Ela disse que eu era a única pessoa a notar essa semelhança. Trabalhei com Isabelle várias vezes depois disso, e ela, de certo modo, foi sempre Greta Garbo, o que explica o retrato da série.

Sean Penn recusou ser Rembrandt em sua série e você aceitou que ele fosse Sean Penn. Por que atores, de modo geral, sempre querem ser eles mesmos e parecerem outras pessoas quando são fotografados? A série trouxe uma possível resposta a essa questão?

Esses retratos foram feitos em colaboração com os atores. Não tive nenhum problema por Sean Penn se recusar a ser Rembrandt. O mais importante foi que ele se sentiu confortável no contexto de meu trabalho.

Suas montagens são invariavelmente identificadas pela pureza formal, pelo uso das cores e luzes certas, a tal ponto que tanto as óperas como as peças teatrais freqüentemente transmitem a impressão de que estamos diante de ?tableaux vivants?, especialmente em Quando Nós, os Mortos, Despertamos, de Ibsen. Por que seu trabalho tem tanta ênfase no movimento, mas os atores de suas peças parecem mortos? Você concorda com a descrição que Holmberg faz de seu trabalho, que o define como uma obra destinada a “superar Beckett”, no sentido de que o seu é um “silêncio que fala”?

O meu é um trabalho de teatro formal, em que as emoções são contidas e não precisam ser exteriorizadas. Isso é praticamente desconhecido no teatro ocidental, onde os atores tentam agir naturalmente e se projetam para fora. No teatro formal, há uma certa distância, destinada a preservar a reflexão. Talvez para algumas pessoas isso possa significar falta de expressão ou até mesmo sugerir uma aparência cadavérica, mas, olhando mais de perto, é possível sentir algo diferente.

http://adage.com/images/bin/image/medium/robertwilson.jpgA primeira vez que seu nome foi mencionado no Brasil vivíamos ainda nos tempos da ditadura, isto é, nos anos 1970, quando Ruth Escobar convidou-o para encenar aqui Time and Life of Joseph Stalin, que teve seu título trocado para enganar a censura da época. Qual foi, então, sua primeira impressão do país?

Minha impressão era de que não havia aí nada velho, que Nova York parecia a Europa em comparação ao Brasil. Era excitante ver uma cidade como São Paulo repleta de representantes de várias etnias e estar instalado no 27º andar de uma torre construída num ambiente moderníssimo. São Paulo parecia ter uma bateria inesgotável, capaz de funcionar 24 horas sem recarga.

No próximo ano você vai adaptar os sonetos de Shakespeare numa montagem do Berliner Ensemble com música de Rufus Wainwright (cantor norte-americano assumidamente gay). Como é sua interpretação pessoal dos sonetos shakesperianos? São eles declarações de amor de natureza homossexual?

Em primeiro lugar, não interpreto obras. Interpretação não é responsabilidade do diretor, do ator, do compositor ou do escritor. Interpretação é para o público. Vejo os sonetos como obras cheias de significados, de histórias, a não necessariamente dependentes de uma idéia específica, mas abertas e livres para contemplação.

Entre os compositores de óperas que você escolheu, Wagner ocupa o principal posto. O que o conceito wagneriano de Gesamtkunstwerk (obra de arte total) representa para você? Apenas um termo genérico que define a combinação de teatro, música, dança e artes visuais ou uma declaração de princípio?

Digo apenas que a idéia que Wagner tinha da Gesamtkunstwerk remete ao significado original da palavra ópera, que significa apenas obra, trabalho, em latim.

24/11/2008 - 17:57h França e Brasil: trocando ”figurinhas”

Grande mostra idealizada para o ano da França no Brasil, em 2009, reunirá 250 trabalhos de fotógrafos veteranos e novos

Simonetta Persichetti – O Estado SP

 


História e memória do e sobre o Brasil serão os eixos da exposição que entre abril e junho do próximo ano estará na Pinacoteca durante a programação do ano França no Brasil. Pensada e elaborada por Diógenes Moura, curador da Pinacoteca, em parceria com a CulturesFrance e o Consulado Geral da França de São Paulo, a exposição pretende ser um bate-papo entre os diversos artistas selecionados: “Como se eles estivessem numa mesa de bar trocando fotografias entre eles”, exemplifica Diógenes.

O primeiro eixo, histórico, será composto pelas imagens de Pierre Verger, Marcel Gautherot, Jean Manzon e Claude Lévi-Strauss, três franceses que têm em comum o fato de terem vivido no Brasil e registrado o País do ponto de vista humanista, do cotidiano da arte e religiosidade. Nas palavras do curador, o antropólogo Claude Lévi-Strauss (1908) aparece como uma epígrafe da mostra, visto que, enquanto seus conterrâneos terão a oportunidade de mostrar seu olhar com 30 imagens, o antropólogo, um dos fundadores e professores da USP, onde lecionou sociologia de 1935 a 1939, aparece com poucas imagens: “É apenas uma pontuação. Poucas e eficientes imagens.”

Isso se deve ao fato de os três primeiros terem – em épocas, momentos e intencionalidades diferentes – fotografado os mesmos lugares. Coincidentemente, os três autores tiveram suas fotografias publicadas na revista O Cruzeiro numa época em que essa publicação era o sonho de vários fotógrafos e ajudou a criar entre nós a idéia do que era realmente a estética fotojornalística.

Jean Manzon (1915-1990), mais que seus colegas, foi determinante para trazer para o Brasil a modernização do fotojornalismo que nos anos 40 ainda engatinhava entre nós. Devemos a ele – que na Europa já havia trabalhado para as mais importantes revistas ilustradas da época, como por exemplo, a Paris Match – a introdução das câmeras mais ágeis para o trabalho do repórter, e trouxe também o respeito e o reconhecimento da profissão.

Já Marcel Gautherot (1910- 1996) chega ao Brasil em 1939. Na França, ele estava ligado à antropologia visual, sendo um dos responsáveis, em 1936, pela criação do Musée de L?Homme, em Paris. No Brasil, seu interesse se voltou sobretudo para o folclore, arquiteturas e festas brasileiras. Alguns desses seus trabalhos foram publicados na revista O Cruzeiro.

A vida e a obra de Pierre Verger (1932-1996) é há muito nossa conhecida. Seus estudos e viagens sobre o homem, que o levaram a percorrer de 1932 a 1946 o mundo todo, são bastante conhecidos. Desembarca no Brasil em 1946, mais precisamente na Bahia, pela qual – como não podia ser diferente – se encanta e onde decide se estabelecer pelo resto de sua vida. Procurou conhecer em detalhes a vida dos descendentes africanos, seus ritmos, sua religiosidade. Para tanto, durante anos fez a ponte aérea África-Brasil. Em 1948, passou a se dedicar ao estudo do candomblé. E foi na África, onde também estudou a religiosidade, que em 1953 recebeu o título de Fatumbi “nascido de novo graças ao Ifá”.

São essas visões de Brasil, dos marinheiros no porto, dos cultos e do cotidiano, que ele também registra e publica: “Esses nomes, com um período de atuação que atravessa as décadas de 1940 e 1980, reafirmam a importância e a sensibilidade de como um olhar estrangeiro seria incorporado aos mais diferentes temas da nossa cultura, podendo traduzi-la num documento sem precedentes para o entendimento da fotografia no Brasil”, conta o curador. A foto como descoberta do mundo.

Para que esta conversa se amplie e atualize, a Pinacoteca do Estado escolheu três brasileiros que, de alguma forma, décadas depois, também caminharam pelos mesmos lugares fotografados pelo olhar europeu. Luiz Braga, de Belém; Tiago Santana, de Fortaleza; e Mauro Restiffe, de São Paulo, contribuem com seu olhar moderno, ou pós-moderno, sobre o cotidiano brasileiro para o diálogo com o registrado nos anos 40 e 50 em especial, quando o ufanismo se fazia presente e a identidade nacional precisava ser reafirmada.

O olhar dos jovens – em relação aos colegas franceses – fotógrafos muito mais do detalhe, do pequeno, do aprofundamento e da interpretação dos locais desvelados pelos antecessores: “Trinta anos depois, três fotógrafos brasileiros parecem andar e registrar as mesmas imagens realizadas por Pierre Verger e Marcel Gautherot”, explica Diógenes. Claro que não são as mesmas imagens, mas as mesmas necessidades de encontro.

O fotógrafo Tiago Santana está realizando um novo ensaio para essa exposição: panorâmicas realizadas no interior do Ceará. Luiz Braga comparece com seu olhar particular sobre o cotidiano amazonense e Mauro Restiffe, o mais urbano de todos, coloca um ponto final nesta deliciosa conversa.

Mas é então que mais uma surpresa se faz presente: três fotógrafos contemporâneos franceses foram convidados para nos mostrar imageticamente como entendem e imaginam o Brasil. Já estão por aqui Antoine D?Agata, Bruno Barbey e Olivia Gay. Os três fazem parte da agência Magnum e cada um está realizando um ensaio específico para a mostra. D?Agata, preferiu fixar-se em São Paulo, mais precisamente no entorno da própria Pinacoteca, mas também vai trazer imagens do Rio e de Salvador. Ele trabalha sempre com as situações-limite do ser humano, buscando humanidade em lugares onde há muito ela foi esquecida ou abandonada. Barbey resolveu flutuar por São Paulo, Rio, Maranhão e Belém, enquanto que Olivia Gay fixou-se na Bahia, resolveu seguir famílias baianas e acompanhar seu dia-a-dia, em especial no que diz respeito à culinária.

Todas essas imagens – aproximadamente 250 – ocuparão cinco salas da Pinacoteca. Um diálogo franco-brasileiro que deverá viajar por todo o Brasil durante o ano de 2009 para aportar em 2010 na França, em Paris e no festival de Fotografia de Arles.

20/11/2008 - 20:08h Paris vale uma missa

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Paris#7 (notas atrasadas)

Lee Miller, Women with Fire Masks, Downshire Hill, Londres, 1941
© Lee Miller Archives

**É possível ir a Paris sem tirar uma única fotografia? É.

**Há quem duvide da existência de uma “escola de Düsseldorf” da fotografia. As catalogações são sempre redutoras e formadoras de equívocos, mas o certo é que um grupo alargado de artistas que a frequentaram, guiados pela nova objectividade, se destacou no panorama artístico contemporâneo formando um corpo de trabalho que, apesar de muito diversificado na forma e no conteúdo, partilha a mesma filiação estética, as mesmas orientações criativas – a do arquivo e a da tipificação. E isto é capaz de ser uma “escola”. A exposição Objectivités, que junta professores e alunos da Kunstakademie de Düsseldorf, é uma das propostas mais interessantes da programação do Mois de la Photo. Foi publicado um catálogo que se reveste de particular importância para compreender a produção fotográfica actual.

**Uma rapariga fotografava outra rapariga de ar acabrunhado e cabelo colado à cara pela chuva miudinha. Cenário escolhido: uma fotografia de publicidade a um perfume francês. Aposto que ela não gostou de se ver. O ficheiro deve ter sido apagado.

**Nos 70` americanos fotografou-se com despudor, criatividade e ilusão. Já vimos muitas das imagens que foram escolhidas para a exposição sobre fotografia americana deste período, patente na Biblioteca Nacional de França. Mas o que emociona nunca cansa. E para lá da emoção do reencontro, há a emoção da descoberta pessoal, como a que fiz de Louis Faurer e Bruce Gilden.

**Garry Winogrand: I photograph to find out what something looks like when photographed.

**Parecia uma barata tonta ali para os lados da Bastilha à procura da rua Jules-Cousin. Perguntei a um farmacêutico, a um jornaleiro e a mais meia dúzia de pessoas com cara de quem fosse capaz de me apontar o dedo da direcção certa. Nada, nem um. Depois de meia hora à deriva, desisti. Ou quase: no metro espreitei o mapa outra vez. Zero. Arrisquei mais uma pergunta, a última. A mulher, que notou o sotaque estrangeirado, sorriu, sacou um guia de ruas da mala, seguiu as coordenadas e com um sotaque britânico carregado deu-me as indicações que me levariam à Galeria Vu (uma inglesa a orientar-me em Paris!). Subi à superfície outra vez, andei os quarteirões que precisava e… bati com o nariz na porta quando o programa garantia o contrário. Atrás de mim, duas italianas que vinham ao mesmo entoaram de rajada 10 palavras por segundo. Aí umas 9 deviam ser asneiras, pragas e amaldiçoamentos. À minha conta, os senhores da Vu também devem ter ficado com as orelhas a arder.

**Na Maison Européenne de la Photographie a bicha para entrar chegava à rua. Sabine Weiss apresenta um trabalho de fotojornalismo clássico que inclui uma dúzia de fotografias de Portugal dos anos 50 e 80. Parei algum tempo à frente de uma imagem da Baixa de Lisboa onde uma mulher com um cesto de flores à cabeça corre para o outro lado da estrada, talvez em direcção à Praça do Rossio, onde as rosas e os malmequeres já reinaram. MacDermott & MacGough andam fascinados pelos antigos processos fotográficos (cianotipia, papel salgado…) mas não se deixaram enredar pela armadilha arqueológica. An Experience of Amusing Chemistry é um olhar delicado, actual e criativo para as antigas maneiras de ver. No fotojornalismo, destaque também para a obra do turco Göksin Sipahioglu, mítico fundador da agência Sipa.

**Na rua Gosciny as indicações aparecem em balões de banda de desenhada e letra de brincar. Nos postes e no chão. Parece que estamos dentro dos quadradinhos a disparar mais rápido do que Lucky Luke. Pum! Morri.

**Alguém me pode explicar por que é que o Metro de Lisboa nos obriga a sacar do bilhete sempre que queremos sair de uma estação? Em Paris, e na generalidade das cidades com metro, as portas abrem-se e já está.

**Desilusão máxima: Expérimentations Photographiques en Europe des Anées 20 à Nos Jours. Não há aqui um retrato das experimentações fotográficas coisa nenhuma. O que há é um percurso metido à pressão por meia dúzia de salas onde aparecem artistas avant-garde que usaram a fotografia como suporte.

**Desilusão mínima: Gabriele Basilico, Moscou Verticale. Esta aposta na vertigem pela monumentalidade pode não resultar muito bem e pode até transformar-se na visão de um turista embriagado. Basilico deslumbrou-se até à miopia com a grandeza dos mastodontes arquitectónicos do antigo império russo ou então bebeu uns copitos de vodka a mais.

**O melhor, ao vivo e a preto e branco: Philip Jones Griffiths, Recollections.

**A surpresa, ao vivo e a cores: Reiner Riedler, Fake Holidays.

**O que não vi e gostava de ter visto: John Bulmer, Hard Sixties, l´Angleterre post-industrielle; Nathan Lerner, L`héritage du Bauhaus à Chicago; Xavier Lambours, XElles27; Werner Bischof, Images d`Après-guerre; Jackie Nickerson, Faith; Joakim Eskildsen, Voyages chez les Roms; Miguel Rio Branco, Photos Volées; Pierre Verger, L`Espagne Prémonitoire; Sarah Moon, 1-2-3-4-5; Henri Cartier-Bresson e Walker Evans, Photographier l`Amérique, 1929-1947.

**No Jeu de paume, logo de manhã, há casa cheia. Lee Miller é rainha – pelas fotografias que tirou, pelas fotografias que lhe tiraram.

**Em frente ao Centro Cultural Sueco, onde vi fotografias de Lars Tunbjörk, há um pequeno jardim onde apetece ficar muito tempo. As folhas começaram a cair e os tons de castanho parecem infinitos. O trabalho de Tunbjörk é uma imitação esforçada da crítica consumista de Martin Parr, mas não passa disso. É das heras a ganhar terreno às paredes que me vou lembrar.

17/11/2008 - 18:16h Arte em transição

Masp inaugura amanhã mostra que reúne obras de 16 artistas chineses, todos representantes das gerações que se abriram para o mundo ocidental

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Chen Bo: I love you

 

Camila Molina – O Estado SP

 


Por dois anos, a curadora Tereza de Arruda veio trabalhando no projeto de China: Construção/Desconstrução, mostra de arte contemporânea chinesa encomendada pelo Masp e que será inaugurada amanhã para convidados e na quarta para o público. Em São Paulo, a produção contemporânea da China foi apresentada nos últimos tempos de forma pingada, entre uma exposição e outra, entre uma Bienal e outra – e infelizmente China Hoje, com ampla seleção de obras da coleção do suíço Uli Sigg, foi exibida no ano passado apenas no Rio. Agora, China: Construção/Desconstrução, no primeiro andar do Masp, é uma mostra mais condensada, mas não por isso deixa de ser representativa. Traz cerca de 45 obras – grande parte pinturas – de 16 artistas – 5 deles representados apenas por vídeos. “É uma vertente marcada por um contexto de fragmentação, de transição”, diz a curadora.

Falar de transição significa dizer que as obras refletem uma produção de artistas da 2ª e 3ª gerações de abertura da China para o mundo capitalista ocidental. O mote da construção/desconstrução não aparece apenas literalmente, como na instalação de Ma Jiawei ou nas fotos de Wang Qingsong (o durante e o depois de um banquete da ONU) e nas de Ai Weiwei (sobre a edificação do estádio Ninho de Pássaro para as Olimpíadas de Pequim) -, mas abarca também a idéia de criação de uma poética marcada por “quebras de preceitos e tradições”, segundo a curadora. Por isso, o milenar símbolo do dragão recriado nas telas de Yin Zhaoyang ganha outra dinâmica para se tornar emblemático dessa transição, assim como o movimento que Chen Bo promoveu em sua obra: primeiramente, o artista tinha como personagens de suas pinturas, de forte carga gestual, os trabalhadores rurais, “os heróis trabalhadores”, para passar pelos mitos do pop ocidental até chegar ao que vemos agora: seus protagonistas são pessoas comuns.

Se já é um fato que o mercado vem baixando seu interesse pela produção contemporânea chinesa, para voltar seus olhares ávidos para obras de criadores da Índia e América Latina, é ao mesmo tempo inegável que a China ainda tem o seu apelo pela força da situação atual. Tereza de Arruda acredita que somente agora, por causa dessa espécie de rebaixamento pós-boom, os criadores chineses vêm alçando outros vôos na produção. Uma característica é certa: a maioria dos trabalhos apresentados são, curiosamente, dípticos e trípticos – o que reforça ainda a idéia de quebra. Além disso, o forte dessa arte é ainda a pintura – de grandes dimensões e figurativa. “Eles estão começando a fazer arte abstrata e arte conceitual”, diz a curadora, citando o trabalho A Loja de Liu Ding, que trata de um conceito: a autoria. Sua instalação é formada por telas feitas por artesãos, mas assinadas por Ding. Exemplares delas serão vendidas na loja do Masp.

Serviço
China: Construção/Desconstrução. Masp. Av. Paulista, 1.578, 3251-5644. 11 h/18 h (5.ª até 20 h; fecha 2.ª). R$ 15 (3.ª, grátis). Até 15/2. Abertura amanhã, para convidados

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Wang Qingsong

Quando o adeus às ilusões leva à criação

Em suas fotos, Wang Qingsong critica a rápida ocidentalização de seu país

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“Dormitorio” de Wang Qingsong (embaixo detalhes)
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Cláudia Trevisan, PEQUIM – O Estado SP

De operário modelo de poços de petróleo nos anos 80 a artista plástico consagrado internacionalmente, Wang Qingsong é um dos melhores exemplos do diálogo entre história e arte que marca grande parte da produção contemporânea da China, da qual os brasileiros poderão ter uma mostra a partir de amanhã no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

China: Construção/Reconstrução reúne obras de 16 artistas, imersos no desafio de interpretar uma realidade que muda de maneira vertiginosa desde o fim dos anos 70, quando a China abandonou décadas de isolamento e embarcou em um rápido processo de abertura e reforma econômica.

Todos os participantes da exposição têm mais de 30 anos e a maioria nasceu em uma China que vivia imersa no culto a Mao Tsé-tung. O consumo atendia apenas a necessidades básicas, o guarda-roupa de todos apresentava poucas variações e a atividade econômica era totalmente controlada pelo Estado.

Hoje, os ricos consomem Louis Vuitton e BMW e lojas do McDonald?s e KFC estão espalhadas por todo o país. Apesar do inegável sucesso econômico da receita chinesa, muitos dos artistas experimentam um sentimento de desilusão e desconforto diante de um mundo no qual não há espaço para sonhos voluntaristas.

“Na minha infância, eu queria ser soldado, porque a China enfrentava invasões estrangeiras. Quando comecei a trabalhar, eu queria ser cientista, para fazer algo importante para o país”, lembra Wang Qingsong, que vai expor duas obras no Masp. O artista nasceu em 1967, no início da Revolução Cultural (1966-1976), que foi marcada pela promoção da arte engajada e por inúmeras campanhas ideológicas promovidas por Mao Tsé-tung. “No início dos anos 80, todo mundo era idealista e queria contribuir para o país.”

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Futuro em ouroWang Qingsong

O adeus às ilusões levou Wang Qingsong para o mundo artístico e hoje ele retrata os conflitos e contradições da sociedade chinesa em representações teatrais registradas em fotografias. De maneira geral, os trabalhos são marcados pela crítica ao consumismo e à rápida ocidentalização do país.

A Esperança Gloriosa é um de seus trabalhos que serão apresentados em São Paulo. A imagem mostra um cenário desolado, no centro do qual um pequeno grupo de despossuídos contempla o sol nascente à frente dos anéis olímpicos escavados em um charco no chão.

Além de fotos, a exposição terá pinturas, instalações e performances. Li Guo Sheng, dono da galeria Chinablue, que organizou a mostra, afirma que ela terá a participação de artistas consagrados internacionalmente, de outros que começam a se projetar fora da China e de jovens ainda desconhecidos.

Além de Wang Qingsong, outras estrelas serão Ai Wei Wei, He Yunchang, Yin Zhaoyang, Zhou Wenzhong e Zhou Xiaohu. Segundo Li Guo Sheng, o objetivo é apresentar a China como um país em desenvolvimento, imerso em rápida transformação e no qual a arte também vem sendo construída.

O pintor Zhou Wenzhong, de 34 abos, terá cinco obras em exibição e estará em São Paulo nesta semana junto com outros dois artistas que também participam da mostra, Chen Bo, de 35 anos, e Xiong Yu, de 33.

Como Wang Qingsong, Zhou Wenzhong reflete em sua arte: “Na escola eu tinha altos ideais, mas minhas aspirações e sonhos se confrontaram com a realidade. A arte é uma maneira de escapar do sentimento de frustração.”

 

 

Escultura de Ai Wei Wei

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09/11/2008 - 20:45h Rever os americanos

Blog Arte photographica

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The Americans
© Robert Frank

Dias antes da memorável noite eleitoral americana, o cronista do Público Pedro Mexia foi buscar a obra seminal de Robert Frank The Americans para contextualizar a forma apaixonada como sempre falamos das ideias e das imagens que nos chegam do lado de lá do Atlântico.No ano em que se cumprem 50 anos após a publicação da primeira edição de The Americans(Paris, 1958), a editora alemã Steidl decidiu reeditar o álbum que marcou gerações de fotógrafos e lançar um olhar renovado sobre toda a obra do Frank (Zurique, 1924). De tão ambiciosa e particular, a iniciativa foi até baptizada. Chama-se The Robert Frank Project e, para além de reedições das obras clássicas, prevê novas edições de obras mais pequenas e menos conhecidas, publicação de trabalhos nunca mostrados, novos livros e o lançamento de um conjunto de DVD`s com toda a obra filmada. Centrada nas imagens do livro The Americans, mas não exclusivamente, será inaugurada também a exposição Looking In: Robert Frank’s The Americans, que começará uma itinerância na National Gallery ofArt, Washington D.C. (Janeiro 2009).
A Steidl preparou uma brochura para explicar o The Robert Frank Project, onde se conta também a história que levou à publicação de The Americans. Está aqui
Para ouvir Robert Frank a falar sobre Jack Kerouac e The Americans clique aqui (demora a carregar, mas vale a pena esperar)

Para ler a crónica de Pedro Mexia clique aqui

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The Americans
© Robert Frank

22/10/2008 - 17:07h Mostra fotográfica de Roosevelt Nina no Rio

Blog Images&Visions

© Foto de Roosevelt Nina. Imagem que compõe a exposição “Objetos”, no CCJF, Rio de Janeiro.

Será aberta hoje, dia 21/10, às 19 horas, a exposição “Objetos”, do fotógrafo Roosevelt Nina, no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no centro do Rio. O evento marca a inauguração do Gabinete de Fotografia do CCJF. Unindo e fazendo interagir nas imagens em preto e branco objetos e figuras femininas, o artista, que é engenheiro de formação, consegue um efeito surrealista nas fotos que podem ser vistas de terça a domingo, de meio-dia às 19 horas. Roosevelt Nina venceu em 2000 o Prêmio Icatu das Artes, obtendo uma bolsa de estudos em Paris, onde permaneceu por seis meses. O fotógrafo tem trabalhos publicados nas revistas Zoom e Extra Câmara, da Venezuela e na revista Américas, editada pela Organização dos Estados Americanos (OEA). A exposição “Objetos” será exibida na galeria do 1º andar do CCJF, que fica na avenida Rio Branco, 241, na Cinelândia. Até dia 23 de novembro.

11/10/2008 - 14:05h InstitutoTomie Ohtake reúne trabalhos de artistas que têm em comum a criação da fotografia com recursos experimentais

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© Foto de Eustáquio Neves.

Está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo, a exposição fotográfica “Identidades Contrapostas”, uma reunião de trabalhos de diversos artistas que têm em comum a criação da fotografia com recursos experimentais. A seleção dos trabalhos foi feita a partir dos vencedores Prêmio Porto Seguro de Fotografia, entre 2001 e 2007. Quem assina a curadoria é o artista plástico Cildo Oliveira. Participam da mostra os seguintes artistas: Cássio Vasconcellos, Avani Stein, Marcelo Lerner, Guilherme Maranhão, Edith Derdyk, Ricardo Hantzschel, Cris Bierrenbach, Vilma Sonaglio, Edu Marin Kessedjian, Fátima Roque, Lívia Aquino, Eustáquio Neves, Marcelo Zocchio, Clayton Camargo Jr, Tom Lisboa e Tiago da Arcela. Instituto Tomie Ohtake: Av. Faria Lima, 201 – Pinheiros, tel.: (11) 2245-1900. Grátis. Até 30 de novembro, de terça a domingo, das 11h às 20h.

29/09/2008 - 21:01h A arte de John Currin

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por Gonçalo Loureiro do Blog Entrelinhas de Portugal

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É dele o sorriso alucinado que faz a capa da edição da Art Review (21, Abril de 2008). O mesmo sorriso que empresta às personagens das suas telas, num trabalho que podemos situar algures entre a releitura das estéticas dos Grandes Mestres da pintura e a homenagem à época dourada da pornografia – os anos 70. Corre bem a vida a John Currin, artista que é alvo de um artigo de fundo na dita revista, a propósito da sua última exposição na galeria Sadie Coles, em Londres.



John Currin, Couple in bed

Numa visita guiada ao seu atelier, somos convidados a mergulhar subitamente no seu imaginário perverso, carregado de luxúria e humor negro. Entre pincéis usados e telas inacabadas, saltam à vista as cenas de sexo explícito espalhadas pelas paredes. Envoltas num cenário facilmente associado aos lares de antepassados remotos, um olhar despreocupado sobre elas reproduz automaticamente dois efeitos distintos na percepção do espectador: deixa seduzir pela acção; dá relevância ao traço e despreza a brutalidade da cena pintada. Seja qual for o caso, o choque já não existe. Nos dias que correm, os artistas perderam a capacidade de chocar. E, enquanto eventual motor da criação, o choque deixou de fazer qualquer sentido, tendo vindo a sofrer ao longo das últimas décadas sucessivos amortecimentos. Não pela mão de Currin, obviamente, mas graças aos devaneios da cultura popular. Sejamos francos, não é aquela invasão de pénis erectos e vaginas peludas, nem tampouco as posições acrobáticas dignas de um Kamasutra do século XXII, que irá chocar alguém. Aconselha-se, portanto, um olhar atento e exigente.


O trabalho de John Currin – artista nascido no Colorado, Estados Unidos da América, e figura de proa da nova pintura americana, em conjunto com Lisa Yuskavage – é um exercício aliciante na sua génese formal, capaz de suscitar diversas interpretações: uma homenagem às estéticas envolvidas; uma (re)leitura crítica das mesmas; ou, por fim, uma paródia sem grandes interrogações, meramente retiniana, mas sempre prazenteira. E no último caso, o enfoque irá centrar-se inevitavelmente na destreza técnica do artista norte-americano. E daí nunca virá mal ao Mundo. Afinal, John Currin diverte-se com o seu trabalho e nós a olhar para ele.



Longe de tentar empreender um revisionismo estético, faz antes uma apropriação descarada de um imaginário específico – formal e espiritual – que abalará certamente algumas estruturas. É uma lufada de ar fresco. E um regresso ao triunfo da pintura é sempre bem-vindo, numa altura em que a tecnofobia volta a estar na ordem do dia.


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Veja as mais ousadas obras de John Currin no blog Entrelinhas

04/09/2008 - 16:32h O alemão que fotografou o apocalipse

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Thomas Hoepker, autor da mais polêmica foto registrada no 11 de setembro, vem ao Brasil para inaugurar a sua exposição

Antonio Gonçalves Filho – O Estado de São Paulo

A mais polêmica foto da tragédia do 11 de setembro de 2001, quando terroristas colocaram abaixo as torres gêmeas, em Nova York, não mostra o choque dos aviões contra os prédios do World Trade Center nem as vítimas do atentado. Registra uma cena idílica de verão. Nela, cinco jovens conversam tranqüilamente em algum lugar de Williamsburg, no cais do Brooklyn, em meio a ciprestes e flores, enquanto uma nuvem negra de fumaça cobre os prédios de Manhattan. Seria uma montagem forjada em fotoshop? Um comentário irônico sobre a alienação da juventude americana? Uma crítica à incapacidade do homem contemporâneo de se comover com o drama alheio? Nenhuma das anteriores. É, ou deveria apenas ser, um instantâneo do fotógrafo alemão Thomas Hoepker, ex-presidente da agência Magnum (de 2003 a 2006) que, a convite da Galeria de Babel, abre esta semana, em São Paulo, uma exposição com sua série histórica sobre Cassius Clay, feita na época (1966) em que o pugilista se converteu ao islamismo.

Hoepker, que concedeu por telefone uma entrevista exclusiva ao Estado, vai ter sua foto do 11 de setembro leiloada no sábado pela Bolsa de Arte (preço estimado entre R$ 14 e R$ 18 mil) e exibida também no 2º Circuito de Fotografia I-Contemporâneo (leia texto na página 7), a partir do dia 10, no Shopping Iguatemi. Antes, no sábado, Hoepker abre sua individual na Galeria de Babel, onde mostra a série de Muhammad Ali, nome que Cassius Clay adotou após se tornar muçulmano. É um trabalho de referência na história do fotojornalismo. Em raras ocasiões a comunhão entre fotógrafo e celebridade chegou a tal grau de intimidade, permitindo revelar aspectos da vida particular do boxeador.

Fotojornalista é como Hoepker se define, mesmo sendo valorizado como artista no circuito internacional. Entrar nesse mercado, diz, foi apenas circunstancial. Com a redução no orçamento das revistas impressas, conseqüência da concorrência da internet, fotógrafos realizam cada vez menos trabalhos por encomenda de editoras, que garantiram a Hoepker fotografar séries históricas transformadas em livros, entre eles o impressionante Return of the Maya (Dewi Lewis Publishing, 160 páginas, 1998). A publicação registra a vida dos descendentes dos maias após a longa guerra civil da Guatemala, que acabou em 1996 e deixou um rastro de 150 mil mortes nos 36 anos do conflito, encerrado com o acordo entre o presidente Arzu e guerrilheiros.

“Esse foi um trabalho para a revista Stern, que me mandou para a Guatemala fazer uma reportagem turística sobre os costumes locais”, conta Hoepker. Ele acabou subvertendo a pauta, envolvendo-se com o sofrimento dos maias. “Após 500 anos de opressão cultural, pela primeira vez esse povo pôde praticar seus rituais religiosos e resgatar antigos costumes de seus ancestrais”, lembra o fotojornalista, que visitou o país quatro vezes, registrando, de 1990 a 1997, como os descendentes dos maias recuperaram os corpos de seus mortos no confronto com o governo guatemalteco e a maneira como conduziram os ritos fúnebres em cavernas, ravinas e cachoeiras.

Para a mesma Stern ele realizou, em 1975, outra impressionante série sobre a vida cotidiana em Berlim Oriental, quando a cidade alemã ainda era dividida pelo muro. Hoepker, um alemão de 72 anos nascido em Munique, atravessou a cortina de ferro como assistente técnico da revista, registrando imagens de dissidentes políticos como Wolf Bierman e Robert Havemann, além do retrato inquietante de um comerciante exibindo um ganso em plena época do Natal, uma raridade gastronômica na triste Berlim Oriental. “Comparando com o tempo em que lá vivi, a reunificação fez bem para os alemães do Leste, a despeito da nostalgia de alguns representantes do antigo regime, que não enxergam com bons olhos as mudanças na Alemanha”, observa.

Por essa época as fotos de Hoepker já eram distribuídas pela Magnum e seus documentários exibidos pela televisão alemã, chamando a atenção de editores americanos. Todos conheciam a série de Muhammad Ali, feita para a Stern em 1966, época em que negros eram discriminados em locais públicos nos EUA. O punho de Cassius Clay, exibido na foto desta página, era visto então como um protesto contra a opressão. “Foi uma leitura equivocada da foto, que é de fato ambígua, mas nem tanto como a do 11 de setembro”, esclarece Hoepker, dizendo que pretendeu apenas destacar o punho de um campeão.

No caso da foto maior desta página, a da tragédia das torres gêmeas, foi justamente seu caráter indeterminado que fez Hoepker mantê-la escondida por três anos, até que um amigo seu da Alemanha resolveu incluí-la numa retrospectiva dedicada ao fotógrafo. Quando publicada nos EUA, ele foi acusado de banalização do terror. Hoepker defendeu-se, dizendo que não pretendia, de modo algum, ser desrespeitoso com a memória dos mortos na tragédia. “Tanto que, ao selecionar as fotos da Magnum para um livro, retive a minha, por considerar que sua publicação poderia distorcer a realidade tal como a percebemos naquele dia.”

A imagem foi registrada por acaso. Retido em seu carro no Brooklyn, sem poder atravessar a ponte, ele viu um grupo de jovens conversando no cais de Williambsurg e tirou três fotos. “Não pensei em nada naquele momento, nem mesmo em fazer uma crítica à alienação dos garotos, como denunciaram posteriormente dois deles”, admite o fotógrafo. “De qualquer modo, acho que é da natureza humana se habituar com o horror”, diz o fotógrafo, um dos últimos da escola humanista de Cartier-Bresson e Elliott Erwitt, suas duas maiores referências.

Serviço

Thomas Hoepker. Galeria de Babel e Paparazzi Galeria. Av. Pedroso de Moraes, 100, tel. 3816-5520. Visitação: 24 h. Até 8/11. Abertura domingo, 15 h

26/08/2008 - 08:47h De olho na Copa-14, 7 museus recebem R$ 2 milhões

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Museu Nacional de Belas Artes – RJ

Ministérios do Turismo e da Cultura investem para melhorar estrutura e divulgação das instituições

Clarissa Thomé – O Estado de São Paulo

Sete museus de Estados que são candidatos a sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014 vão receber, neste ano, R$ 2 milhões dos Ministérios do Turismo e da Cultura para sua reestruturação. A idéia é transformar esses museus em atrações para turistas estrangeiros que virão ao País e ampliar a visitação nacional.

O programa de qualificação de museus para o turismo – que tem como mote “Museu – Descubra um na sua próxima viagem” – prevê o treinamento de profissionais de turismo e dos funcionários das instituições, melhoria nos espaços de exposição, aquisição de equipamentos e mobília, divulgação dos museus, panfletos e identificação trilíngüe de obras (português, espanhol e inglês) além de desenvolvimento de roteiros turísticos em que esses museus estejam inseridos.

Serão beneficiados os museus de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Bahia, a Casa das Artes do Divino, em Goiás, o Museu da Inconfidência, em Minas Gerais, o Museu Emílio Goeldi, no Pará, o Museu do Homem do Nordeste, em Pernambuco, o Museu Nacional de Belas Artes, no Estado do Rio, e o Museu Oceanográfico, no Rio Grande do Sul.

DIVERSIFICAÇÃO

“No mundo todo há uma potencialização do museu como atrativo turístico. Infelizmente, isso ainda não acontece no Brasil como gostaríamos. Esse programa é uma primeira iniciativa no sentido de aproximar os museus brasileiro do turismo, melhorar o receptivo desses museus, diversificar os roteiros turísticos. Sol e praia não podem ser as únicas atrações”, disse o ministro do Turismo, Luiz Barretto. Um dos objetivos do programa é ampliar o número de visitas aos museus.

O ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, que toma posse na quinta-feira, em substituição a Gilberto Gil, lembrou que as instituições já estão recebendo investimentos para o reforço da segurança, antes mesmo do programa de qualificação. “A segurança dos museus não depende deste programa. Já estamos fazendo investimentos, até mesmo atraindo a iniciativa privada, com incentivos da Lei Rouanet. Temos como meta dotar rapidamente nossos museus de estrutura de segurança que nos permita superar a vulnerabilidade que a gente tem hoje”, disse. Ele citou como exemplo o Museu Nacional de Belas Artes, um dos contemplados pela parceria entre os ministérios, e que já recebeu equipamentos de segurança.

OS MUSEUS

Museu de Arte Sacra:
Aberto em 1958, há no acervo esculturas de madeira e barro e coleção de marfim dos séculos 17 e 18, além de prataria, móveis e pinturas. Salvador (BA). Site: www.mas.ufba.br

Museu da Inconfidência:
Criado em 1938, tem documentos relativos à Inconfidência Mineira, como o volume original com a sentença de Tiradentes. Ouro Preto (MG). Site: www.museudainconfidencia.iphan.gov.br

Museu Emilio Goeldi: Fundado em 1866, tem importante acervo etnográfico e arqueológico, além de coleções de estudos de botânica, zoologia e geologia. Belém (PA). Site: www.museu-goeldi.br

Museu do Homem do Nordeste: Criado em 1979, surgiu a partir das idéias de Gilberto Freyre, que defendia um Museu de Etnografia sertaneja. Reúne acervos oriundos dos museus de Antropologia, de Arte Popular e do Açúcar. Recife (PE). Site: www.fundaj.gov.br

Museu Nacional de Belas Artes:
Criado em 1937, teve origem nas obras trazidas de Portugal por d. João VI, em 1808. São pinturas, gravuras, esculturas de Auguste Rodin, Pablo Picasso, Joan Miró e muitos outros. Rio de Janeiro (RJ). Site: www.mnba.gov.br

Museu Oceanográfico: Fundado em 1953, mantém exposição sobre o oceano, com maquetes e aquários. A coleção de moluscos tem 51 mil lotes. Rio Grande (RS). Site: www.museu.furg.br/museu_oceanografico.html

Casa das Artes do Divino: Não há informações sobre o museu no Sistema Brasileiro de Museus. Pirenópolis (GO)

04/08/2008 - 19:25h Isto não é o Sitio de Sergio Leo

A arte do Duchamp não é penico

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por Sergio Leo – roubado do Sitio de Sergio Leo

Ah, finado Duchamp, quanta tonteria se fala em seu nome! Talvez por isso ele dizia não ser artista, mas jogador de xadrez (na imprensa francesa, seu obituário saiu na seção de enxadrismo; para os esnobes do Velho Mundo, Duchamp era coisa de novo-rico americano). Leio no Estadão, em artigo do Daniel Piza, que Duchamp não caiu no jogo da arte conceitual, que botava a mão na massa… Menas, querido Daniel, menas.

Duchamp, é, sem dúvida, o pai da arte conceitual, como bem aponta o Geraldo Tomás na Folha deste domingo. O artigo, como boa parte dos escritos do Tomas é de uma panaquice sem fundo; o Geraldo se descabela e exagera quando fala do Duchamp como único pai do pessoal do Fluxus, gente como o John Cage, o cara que fez por merecer não um, mas quatro minutos e meio de silêncio após a morte.

Ora, a turma Dada já estava botando a tuba do avesso quando o Duchamp lustrava o penico para a exposição dos recusados.

Mas acabo caindo no erro do Geraldo Tomas, recitando como aluno arrogante coisas que os estudantes de Artes Plásticas aprendem no primeiro ano de faculdade. O Geraldo errou no tom, mas acertou na substância: é meio ridículo acreditar que a obra do Duchamp será acessível com uma retrospectiva da “obra” dele, como a que está em exibição, nesse momento, em Sampa. Isso porque, a menos que tenham treinado direito os monitores (e os comentários do público perplexo, transcritos pela Folha, me indicam que não), a “obra” de Duchamp que lhe garantiu lugar na história das artes plásticas pouco tem a ver com exposições museológicas, de objetos criados pelo artista. (Duchamp até reproduziu obras dele mesmo, em fotos e objetos depois arrumados em maletas que distribuía aos amigos; mas isso era, em si, uma outra obra).

mona_lisa_lhooq.jpg Ironia e humor são elementos inseparáveis do trabalho de Duchamp. Ao apresentar um urinol _ e fazer com que um amigo, no corpo de jurados, garantisse sua inclusão no Salão alternativo montado em Paris_, ele punha em xeque o conceito de arte e os limites da rebeldia, dos artistas que se insurgiam contra a arte sancionada pela academia, pelo status quo. (Depois, o Andy Warhol poria a arte em cheque, lucrando muito com o pop; mas isso é tema doutro post). A Mona Lisa com bigodes tem um título (”L.H.O.O.Q.”)que, lido em francês, soa como “ela tem fogo no rabo”, piadinha tão incompreensível quanto reveladora da mania de Duchamp de jogar com os títulos das obras (Ao lado, uma interpretação de um grafiteiro inglês que pegou o espírito da coisa).

Duchamp começa mais careta, porém, aplicando à pintura conceitos de Cèzanne e dos cubistas, misturados a idéias do futurismo (influência que ele renegava), com um elemento adicional: o non-sense evocativo dos surrealistas. “Nu descendo a escada” choca os contemporâneos, não pela imagem, uma representação dinâmica quase monocromática e movimento, mas pelo título. Nus reclinavam-se, assumiam poses mitológicas, até assemelhavam-se a figuras banais; mas não movimentavam-se pelo mundo, como gente, descendo escadas, nem se encaixavam no conceito de arte contestatória dos rebeldes de então.
Os irmãos de Duchamp o recriminam pela tela, recusam a obra no Salão dos Independentes, e ele briga com eles e os amigos, vai a Nova York, onde é recebido como um sopro de modernidade européia pelos apreciadores de arte ávidos de novidade. É nos EUA emergentes do pós-guerra que Duchamp emerge também como figura lendária. The right man in the right place.
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Duchamp _ e aí está o erro do Daniel Piza _ reprovava os cubistas pela sua subserviência a uma arte “retiniana”, “ótica”, voltada aos sentidos. Ele é pai e avô dos conceitualistas porque, mais que enfant terrible como os Dadas e seu gosto pelo irracionalismo e pela contestação, ele tem uma pretensão teórica; e é o primeiro a condenar sériamente a estética como padrão de julgamento da arte. O artista não é mais um artesão iluminado, mas uma espécie de medium, um intermediário que vai traduzir em Arte o espírito, desafios e ameaças de sua época.
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Até hoje escandaliza, e intriga. Duchamp e seus netinhos me fazem lembrar Platão, que excluiria os artistas de sua República ideal porque eles enganavam o povo, com imagens que não passavam de ilusões montadas sobre outra ilusão _ aquilo que pensamos ser realidade e que, para Platão, não passa de fantasmas da verdadeira realidade, a Idéia. Diferentemente de Platão, porém, os idealistas da Arte contemporânea valorizam (claro) e repensam o papel do artista, que não seria mais reproduzir o visível (há máquinas para fazer isso), mas vasculhar esse mundo das idéias, para trazer novas idéias ao mundo.

Nu descendo a escada
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O mais importante não seriam os objetos, os resultados dessa pesquisa, mas o próprio processo executado pelo artista nessa busca de novas significações para aquilo que nós experimentamos sem ter consciência exata do que estamos experimentando. Um dos bispos dessa nova religião, Joseph Kosuth, vai dizer que os quadros cubistas são meros cadáveres, resquícios da verdadeira arte dos cubistas. A arte não é o quadro, mas o processo pelo qual eles revolucionaram a forma de representar o mundo visível.

Instalação de Joseph Kosuth
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É um caminho onde a arte vai encontrar a filosofia e brigar para tomar o lugar dela, com regras próprias. O conservador Tom Wolfe, com um estilo que falta a muitos críticos inconformados com a arte contemporânea, vai zombar disso num livro, A Palavra Pintada, em que prevê exposições onde as tabuletas explicativas chamarão mais atenção que os objetos de arte. O que ele não aceita é que a experiência pura, dessa arte que exige explicações, às vezes possa abrir a cabeça das pessoas dispostas a compreender novidades.

Sobre esse mundo aberto pelo Duchamp, de uma arte não representativa e conceitual, quem tem um comentário bacana e mais inteligente que a do Wolfe é o iconoclasta Michel Onfray, ao falar da necessidade de “fabricação do gosto” no mundo contemporâneo:
“Aceite, no princípio de sua iniciação (à Arte) perder-se, não compreender tudo, misturar, enganar-se, aproximar-se, de não obter, de cara, resultados excelentes”. Ninguém se arrisca a criticar um grande intelectual sem dedicar algum tempo a entender o que ele fala, argumenta o Onfray.

Com a arte que debocha de si mesma, essa dedicação a entender é mais difícil. Mas necessária, como mostra a fertilidade do trabalho esquisito do Duchamp. É curioso como certos achados da criticada arte contemporânea vão sendo apropriados, com o passar do tempo, pela publicidade, pelo cinema, pela arquitetura e pelo design e incorporados na vida daqueles que achavam uma empulhação as obras que inspiraram essas apropriações.
(e pensar que eu ia escrever sobre a Marina Abramovic e um artigo sobre os limites da vanguarda chocante. Fica para o próximo domingo).

Sergio Leo

21/07/2008 - 12:58h Olimpíadas com arte

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Conhecido como 798, este é o bairro de Pequim que reúne o maior número de artistas, estúdios e galerias e parece praticamente imune à rígida censura do país

Cláudia Trevisan – O Estado de São Paulo


A meteórica ascensão econômica da China se replica no mundo das artes plásticas, no qual a produção contemporânea do país bate sucessivos recordes de preços no mercado internacional. O bairro que reúne o maior número de estúdios e galerias de Pequim se transforma em um dos principais pontos turísticos da cidade, depois da Grande Muralha e da Cidade Proibida.

Conhecido como 798, o distrito artístico da capital chinesa é um enorme território livre de criação – ou pelo menos mais livre que seu entorno, submetido à estrita censura chinesa. O local era um parque industrial construído nos anos 50 com ajuda de arquitetos da ex-Alemanha Oriental, que conceberam os edifícios no melhor estilo Bauhaus, simples e funcionais.

Várias fábricas identificadas por números se dedicaram durante anos à produção de equipamentos eletrônicos para as Forças Armadas. Desativadas nos anos 90, muitas delas começaram a ser ocupadas por artistas no fim da década, o que transformou a região em uma versão chinesa do SoHo nova-iorquino.

A que tinha o número 798 foi recriada como um dos primeiros locais de exposição e acabou emprestando seu nome a todo o distrito. Em suas paredes, ainda estão os slogans da Revolução Cultural (1966-1976), que pediam longa vida ao comandante Mao Tsé-tung (1893-1976), escritos em ideogramas vermelhos.

As galerias seguiram os artistas e atrás deles foram restaurantes, bares, livrarias e lojas. No ano passado, o distrito 798 recebeu 1,5 milhão de visitantes, número três vezes maior do que em 2005. Livre das amarras ideológicas do passado, a arte contemporânea chinesa floresceu a partir de meados dos anos 80, pelas mãos de artistas que nasceram ou cresceram durante a Revolução Cultural, o movimento que levou ao extremo a idéia de que a criação deveria estar submetida aos interesses da construção do socialismo.

A arte contemporânea chinesa começou a ganhar o mundo na década atual, com exibições na Europa e nos Estados Unidos e colecionadores dispostos a pagar preços cada vez mais altos por seus trabalhos.

O caso mais emblemático da ascensão meteórica dos chineses no mercado internacional é a obra Execução, de Yue Minjun, de 46 anos. Inspirado no massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989, o quadro foi pintado em 1995 e vendido em seguida por US$ 5 mil ao marchand de Hong Kong Manfred Schoeni. No ano seguinte, o investidor Trevor Simon desembolsou US$ 32 mil pela pintura, com a condição de não exibi-la em público durante dez anos em razão de seu tema ‘’sensível”. Em outubro de 2007, Execução foi arrematada por US$ 5,9 milhões em um leilão da Sotheby’’s de Londres, tornando-se a mais cara obra contemporânea chinesa vendida até então.

O recorde logo foi quebrado por Zeng Fenzhi, de 44 anos, e seu quadro Série Máscaras,1996, nº 6, vendido em maio de 2008 por US$ 9,7 milhões, o mais alto preço já pago por uma obra de arte contemporânea asiática.

A cifra foi o triplo da estimativa inicial de US$ 3,2 milhões feita pela Christie’’s, responsável pelo leilão. O quadro mostra oito jovens de braços dados, com máscaras sorridentes e os lenços vermelhos no pescoço, típicos da Revolução Cultural.

Os artistas chineses que nasceram na década de 60 tentam captar o turbilhão de mudanças no qual o país mergulhou nos últimos 30 anos e refleti-lo de diferentes maneiras em suas criações. Muitos deles sofreram influência decisiva do massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989, que enterrou as aspirações por mudanças democráticas e mais liberdade alimentadas desde o início daquela década.

O resultado foi o movimento ”Realismo Cínico”, do qual fazem parte Yue Minjun e Fang Lijun, outro artista que usa figuras carecas em suas pinturas. A escola é marcada pela ironia, o desencanto e o fim do idealismo dos primeiros anos do processo de reforma e abertura da China, iniciado por Deng Xiaoping em 1978.

A memória do passado socialista está presente nos quadros de Zhang Xiaogang, que realiza séries inspiradas na estética de fotografias de família do início do século passado, mas com a maioria dos personagens vestidos com o guarda-roupa que imperou durante o maoísmo.

”Os retratos familiares mudos de Zhang Xiaogang parecem ter capturado a verdadeira essência do drama histórico, ou mesmo trauma, da construção de uma sociedade contemporânea próspera a partir das brasas de uma revolução”, diz o catálogo da Sotheby’’s sobre sua obra.

O impacto das transformações econômicas na vida de milhares de chineses é refletido nas criações de Liu Xiaodong, pintor figurativista, autor de uma longa série sobre a construção da gigantesca hidrelétrica de Três Gargantas, que inundou um trecho de 600 km de extensão e 1,1 km de largura e forçou a realocação de pelo menos 1,4 milhão de pessoas. Xiaodong estabeleceu um novo nível de preço para a arte contemporânea chinesa em 2006, quando sua obra Pessoas Recentemente Deslocadas foi vendida por US$ 2,7 milhões.

ESTRELAS CHINESAS

AI WEIWEI
Ano de nascimento: 1959

Misto de artista e agitador cultural, Ai Weiwei já realizou trabalhos de design, arquitetura, escultura, instalações, performances e foi consultor da dupla Jacques Herzog e Pierre de Meuron, arquitetos responsáveis pelo desenho do Estádio Olímpico de Pequim, batizado de Ninho de Pássaros. Ai Weiwei é diretor do China Art Archives and Warehouse, galeria voltada para a arte conceitual e experimental

ZENG FENZHI
Ano de nascimento: 1964

Bateu o recorde de preço de arte contemporânea asiática depois que seu quadro Série Máscaras, 1996, nº 6 foi arrematado por US$ 9,7 milhões em maio deste ano. A série ”máscaras” é seu mais célebre trabalho e mostra personagens dos anos 90 usando máscaras com olhos bem abertos e expressões ensaiadas e artificiais

YUE MINJUN
Ano de nascimento: 1962

Sua marca registrada são auto-retratos sorridentes (foto acima)que aparecem em todos os seus trabalhos, sejam pinturas ou esculturas. Inspirado pelo massacre de estudantes na Praça Tinanmen, em 1989, seu quadro Execução foi vendido por US$ 5,9 milhões em outubro de 2007, o mais alto preço pago por uma obra contemporânea chinesa até então. Yue integra o movimento Realismo Cínico, que surgiu depois do massacre na Praça Tiananmen, em 1989

ZHANG XIAOGANG
Ano de nascimento: 1958

Inspirados no estilo de fotos de família do início do século passado, seus quadros mostram figuras tristes e silenciosas, que evocam com suas roupas ‘’socialistas” a memória do período maoísta que a China começou a abandonar em 1978 em favor do crescimento econômico. Zhang é um dos artistas chineses preferidos pelas galerias internacionais

FANG LIJUN
Ano de nascimento: 1963

Um dos líderes do movimento Realismo Cínico, que surgiu com o sentimento de desencanto provocado pelo massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989. Seus personagens costumam ser homens carecas, com expressões ambíguas, apresentados sobre paisagens infinitas

LIU XIAODONG
Ano de nascimento: 1963

Pintor figurativista que se destacou com uma série sobre o custo humano e ambiental da hidrelétrica de Três Gargantas, que forçou a realocação de pelo menos 1,4 milhão de pessoas. Seu quadro Pessoas Recentemente Deslocadas foi vendido por US$ 2,7 milhões em 2006 e estabeleceu um novo patamar de preço para a arte contemporânea chinesa

Melhor da produção contemporânea, fora das quadras

Durante os jogos olímpicos, estão programadas exposições, performances, instalações e arte digital

Cláudia Trevisan, Pequim


Os estrangeiros que forem a Pequim para os Jogos Olímpicos terão a chance de ver a mais completa mostra de arte contemporânea chinesa já realizada em todo o mundo. Apenas no distrito 798, 27 galerias vão realizar 103 exibições no período próximo ao das competições, que começam dia 8 e terminam dia 24 de agosto.

A mostra mais representativa foi organizada pela Ullens Center for Contemporary Art (Ucca), começou no sábado e segue até 12 de outubro. Fundada no mês de novembro de 2007, a galeria reúne a coleção de arte contemporânea chinesa que o casal belga Guy e Myriam Ullens começou a construir em meados dos anos 80 e é o maior centro de exposições do 798, com uma área de 8 m². A exibição da Ucca reúne 92 trabalhos de 60 artistas e inclui performances, instalações e arte digital.

O interesse do casal surgiu quando ninguém fora da China prestava atenção à produção artística do país. Ao longo de duas décadas, eles reuniram cerca de 1.700 obras, que representam os trabalhos de diferentes gerações de artistas, em vários momentos de suas carreiras.

Desde março, a Ucca é dirigida pelo francês Jérôme Sans, co-fundador e ex-diretor do museu de arte contemporânea Palais de Tokyo, em Paris. “As exibições têm o melhor da arte contemporânea chinesa e os visitantes podem ver os artistas de milhões de dólares, mas também os talentos emergentes”, observa Robert Bernell, dono da livraria e editora Timezone8, especializada em livros de arte e criador do site www.chinese-art.com.

O 798 é o mais badalado endereço da arte contemporânea de Pequim, mas está longe de ser o único. A pioneira nessa área foi a galeria Red Gate, fundada em 1991 pelo australiano Brian Wallace em uma antiga torre de observação que integrava a Muralha de Pequim – quase toda destruída depois da Revolução Comunista de 1949. No ano passado, a Red Gate emprestou seu prestígio ao distrito 798 e abriu uma filial no local.

Na medida em que os aluguéis começaram a subir no antigo distrito industrial, alguns artistas se mudaram para uma área a cinco quilômetros de distância, chamada Caochangdi. O primeiro endereço do local foi a China Art Archives and Warehouse, dedicada à arte experimental e conceitual.

A galeria é dirigida por Ai Wewei, um dos mais importantes artistas chineses, com talento para design, arquitetura, performances, instalações e escultura. Filho do poeta Ai Qing, enviado para o campo durante a Revolução Cultural, Ai trabalhou como consultor dos arquitetos Jacques Herzog e Pierre de Meuron na concepção do Ninho de Pássaros, o Estádio Olímpico de Pequim que sediará as principais competições dos Jogos de agosto.

17/07/2008 - 23:09h Prix Pictet: o prémio de fotografia focado na sustentabilidade

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Edward Burtynksky, Nickel Tailings #36, da série Tailings, Sudbury, Ontario
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© Edward Burtynksky)

O banco suíço Pictet & Cie e o diário Financial Times lançaram um prémio de fotografia que dará ao vencedor uma soma considerável: cem mil francos suíços (cerca de 60 mil euros), talvez a maior recompensa do mundo no campo da fotografia.
O Prix Pictet apresenta-se como o “o primeiro prémio de fotografia mundial centrado no tema da sustentabilidade”, onde a temática ligada à água será protagonista. No último fim-de-semana foi revelada uma shortlist de 18 fotógrafos, entre mais de 200 candidatos. A selecção foi feita por um painel global de 49 pessoas, entre as quais Jorge Molder, fotógrafo e director do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.

Os nomes escolhidos para a fase final foram estes:
Benoit Aquin, Edward Burtynksky, Jesus Abad Colorado, Thomas Joshua Cooper, Sebastian Copeland, Christian Cravo, Lynn Davis, Reza Deghati, Susan Derges, Malcolm Hutcheson, Chris Jordan, Carl De Keyzer, David Maisel, Mary Mattingly, Robert Polidori, Roman Signer, Jules Spinatsch, Munem Wasif.

Deste grupo sairá um grande vencedor e um segundo premiado com uma bolsa de 40 mil francos suíços (cerca de 25 mil euros) para o aprofundamento de um trabalho relacionado com o tema água. O anúncio será feito no dia 30 de Outubro, no Palais de Tokyo, em Paris, onde as obras dos finalistas estarão em exposição até 8 de Novembro. O prémio Nobel da Paz e antigo secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan foi escolhido como presidente honorário da primeira edição do Prix Pictet.

O júri de selecção é composto por:

>>Francis Hodgson – presidente, responsável da secção de fotografia da leiloeira Sotheby’s
>>Peter Aspden – jornalista de arte do Financial Times
>>Régis Durand – consultor, crítico de arte, e antigo director do centro de arte Jeu de Paume
>>Leo Johnson – co-fundador da Sustainable Finance
>>Abbas Kiarostami – realizador e fotógrafo
>>Richard Misrach – fotógrafo
>>Loa Haagen Pictet – consultor de arte e curador do Pictet & Cie

(…) we didn’t want to favour journalism over art, and we didn’t really mind whether the authors thought of themselves as documentary photographers, autobiographers, landscape artists or anything else. We wanted powerful messages with the ring of truth.

Francis Hodgson, Financial Times (o texto completo está aqui)

Para ver o trabalho de cada um dos artistas clique aqui.

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Christin Cravo,
da série Waters of Hope, Haiti, Sodo, 2001
(
© Christian Cravo)

03/07/2008 - 20:40h A exposição “Magnum 60 Anos” é exibida em Curitiba

© Foto de Marc Riboud.

Depois de passar pelo Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Brasília, chegou a Curitiba, na Galeria da Caixa, a exposição “Magnum 60 Anos”, que é uma amostragem das seis décadas de existência da mítica agência Magnum, cujas lentes dos fotógrafos registraram os grandes fatos que marcaram a segunda metade do Século 20 no mundo. Composta por imagens do arquivo da agência, “Magnum 60 Anos” apresenta 50 fotografias coloridas e em preto-e-branco. A curadoria é de João Kulcsár. Uma verdadeira geração de ouro do fotojornalismo, composta por Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, David “Chim” Seymour e George Rodger, foi a responsável pela fundação da Magnum, em 1947. Organizada como uma cooperativa, a agência permitia aos seus membros liberdade e independência, direito aos negativos, direito à assinatura e direito à edição do próprio ensaio fotográfico. A agência mantém até hoje um arquivo com mais de um milhão de imagens em preto-e-branco e cor. A Magnum já publicou mais de 100 livros de fotografia e realizou mais de 120 exposições no mundo. Magnum 60 Anos. Galeria da Caixa. End.: R. Conselheiro Laurindo, 280 – Edifício Sede II. Até 20 de julho. Fonte: Portal Photos.

Images&Visions

23/06/2008 - 22:39h Leibovitz II

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Isabel II
(© Annie Leibovitz. De Annie Leibovitz: A Photographer’s Life, 1990–2005)

(Público, P2, 20.6.2008)

A imagem da rainha de Inglaterra, captada numa sessão conduzida por Annie Leibovitz, que foi utilizada num documentário sobre Isabel II para a BBC, editada de forma a parecer que a rainha tinha abandonado abruptamente o estúdio, vai ser exposta pela primeira vez numa galeria. A National Portrait Gallery de Londres mostra a foto que foi usada numa apresentação à imprensa do documentário e que, depois de desmentida a suposta zanga da rainha, custou o emprego a Peter Fincham, da BBC One, responsável pela continuação do engodo.
Um ano depois da polémica, a fotógrafa norte-americana diz que o assunto a diverte e comenta que os autores do programa “se enganaram redondamente” quando montaram as imagens. Na verdade, a foto é do momento em que Isabel II chegava à sessão, um pouco agastada por ter de envergar toda a vestimenta real.

Demi Moore

Mas a exposição Annie Leibovitz: A Photographer’s Life, 1990 – 2005 mostra muito mais: passa em revista as imagens mais carismáticas da sua carreira, tanto profissional quanto pessoal. Como a capa da Vanity Fair com uma Demi Moore muito grávida, a eleição de Hillary Clinton para o Senado ou Sarajevo no início da década de 1990. Ou ainda a vida de Leibovitz com Susan Sontag até à morte da escritora e imagens icónicas, como a capa de Born in the USA de Bruce Springsteen ou a foto de John Lennon a beijar Yoko Ono cinco horas antes de ser assassinado. Cerca de 150 retratos estarão em exposição entre 16 de Outubro e 1 de Fevereiro de 2009.

O resumo das sessões de retrato com a rainha estão aqui embaixo

21/06/2008 - 19:51h O resgate de Pagu

Texto: Eugênio Martins Júnior / Fotos: Leandro Amaral e Reprodução

Jornal da Orla

Escritora, jornalista, ativista política, apaixonada pelas artes e pela vida, Patrícia Galvão foi, sem dúvida, uma das personalidades mais importantes da história santista e —por que não dizer?— brasileira do século passado.
Após um período de esquecimento, sua vida e obra vêm sendo resgatadas pelas mãos de duas mulheres: a jornalista Márcia Costa e a professora Lúcia Maria Teixeira Furlani.

A dissertação de mestrado Jornalismo Cultural: A Produção de Patrícia Galvão no Jornal A Tribuna, da jornalista Márcia Costa, analisa a produção de Pagu entre 1954 e 1962, aprofundando-se na coluna Literatura, do suplemento A Tribuna, publicado sempre aos domingos, entre 1957 e 1961. Já a professora Lúcia, cujo interesse por Pagu em 20 anos de pesquisa rendeu duas obras e a criação do Centro de Estudos Pagu, na Unisanta, está prestes a lançar No Angu de Pagu – Uma Fotobiografia, pelas editoras Santa Cecília/Cosacnaify. A previsão de lançamento é para agosto.

São duas visões distintas com a sensibilidade que somente as mulheres poderiam imprimir ao pesquisar a vida agitada de Pagu. Porém, sem esquecer o rigor histórico que os temas exigem.

Em dois anos de pesquisa, a jornalista Márcia Costa compilou, em mais de 200 páginas, informações preciosas sobre a produção jornalística de Patrícia Galvão, como quando Pagu chegou a criar quatro colunas sobre cultura, entre elas a primeira do Brasil a falar sobre televisão. “A maior produção de Pagu foi mesmo como jornalista. Ela escreveu em jornais por mais de 30 anos e em todo o país sua palavra era respeitada nos meios culturais. Sua casa era freqüentada por Jorge Amado e Érico Veríssimo. Além deles, Sabato Magaldi, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles e Antunes Filho também faziam parte de seu círculo de amizade”, diz a autora da dissertação.

Outra faceta revelada no trabalho de Márcia Costa é a generosidade de Patrícia Galvão com os novos talentos. Na verdade, como lembra a autora, não era bem generosidade, “Pagu sabia reconhecer o talento dos novos escritores, foi a primeira a elogiar o trabalho de Clarice Lispector, e a bancar com seu prestigio o jovem Plínio Marcos”.

Além dessas informações, a dissertação mostra ainda que na época em que Pagu passou por A Tribuna (na foto, a jornalista é a segunda da direita para a esquerda), o jornal possuía um time de colunistas de peso, o que valoriza ainda mais seus textos como ativista cultural. Escreviam Otto Maria Carpeaux, Carlos Drummond de Andrade e Narciso de Andrade.

Para realizar seu trabalho, Márcia entrevistou 17 pessoas, entre elas o jornalista Geraldo Galvão Ferraz, filho de Pagu com o também jornalista Geraldo Ferraz; Augusto de Campos, Narciso de Andrade, Júlio Bittencourt, Gilberto Mendes, Willy Correia de Oliveira, Flavio Viegas Amoreira, Cid Marcos Vasquez e o brasilianista David K. Jackson, além de consultar o precioso acervo da professora Lúcia Maria Teixeira Furlani.

Guardiã do legado

Depositária da confiança da família de Pagu, Lúcia (na foto, Márcia à esquerda e Lúcia à direita) guarda com carinho e cuidado manuscritos produzidos há décadas pela ativista cultural modernista, além de fotos e documentos usados em No Angu de Pagu.

Em um primoroso trabalho de resgate, todas as imagens estão dispostas em ordem cronológica e são, uma a uma, seguidas por explicações rápidas, mas esclarecedoras. Estão ali, por exemplo, sua primeira foto com Oswald de Andrade, na Bahia; seu passaporte da época em que, perseguida por ser comunista, se viu obrigada ao auto-exílio; e até uma radiografia da face com um projétil alojado, fruto de uma tentativa de suicídio mal-sucedida.

“Nossa principal preocupação foi contextualizar todos os documentos, para melhor entendimento do leitor”, explica a autora que, na obra, reuniu mais de 253 imagens, muitas vindo à luz pela primeira vez. Segundo Lucia, cerca de 80% do que há nesse “angu” nunca foi publicado.

Há também o prefácio do sobrinho de Patrícia, o jornalista Clóvis Galvão, hoje em A Tribuna, e ainda um poema inédito de Rudá de Andrade, filho do primeiro casamento, com Oswald de Andrade. O poema se chama “Homenagem às loucuras de minha mãe”, e prova que o filho deixado aos cuidados do pai, Oswald, não guardou os mesmos ressentimentos que os detratores de Patrícia Galvão.

O trabalho da professora não se limita a guardar os documentos doados pela família de Pagu. No momento, o centro de pesquisas está empenhado em recuperar e digitalizar mais de 2.300 documentos recolhidos pela pesquisadora ao longo dos 20 anos de busca em todo o Brasil.

Ela afirma que ainda há muita coisa a ser dita sobre a obra de Pagu. Outro trabalho em andamento é o que está sendo realizado em conjunto com o norte-americano David K. Jackson, estudioso sobre a obra de Patrícia Galvão. “Dessa vez, será uma obra de peso, cinco volumes com muito material inédito”, avisa.

Exposição - A história mais uma vez se vinga e a cadeia que um dia aprisionou a comunista Patrícia Galvão e que agora foi transformada em um centro cultural que leva o seu nome, recebe, a partir do dia 24, a exposição Croquis de Pagu. A mostra reúne letras de poemas, músicas e 55 gravuras já publicadas em um livro homônimo de Lucia Maria Teixeira Furlani. Na abertura, dia 24, às 19h30, a professora fará a leitura dramática de um texto inédito de Patrícia Galvão.

18/06/2008 - 18:21h Violência dos sentidos nas telas de Max Beckmann

Irmã e irmão

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Max Beckmann é um expresionista alemão e artista gráfico cujas obras transmitem uma visão pessimista da sociedade. Nasceu na Alemanha, em Leipzig, em 1884 e estudou na Academia de Belas Artes de Weimar; as suas primeiras obras são de estilo impressionista. A sua dramática experiência como ajudante no corpo médico durante la I Guerra Mundial, levou-o a pintar obras enérgicas e de grande dramatismo, caracterizadas por contornos muito marcados, colorido forte e violência implacável. Tal como as obras do movimento Nova Objectividade (Neue Sachlichkeit), os seus quadros expressavam uma crítica social à Alemanha do pós-guerra. Na década de 1930, Beckmann refletiu a sua consternação pela ascensão do nacional-socialismo em nove trípticos, que são gigantescas alegorias figurativas com cores estridentes, como A Partida (1932-1933, Museu de Arte Moderna, Nova Iorque). Beckmann pintou esta obra imediatamente depois que os nazis o destituíram do cargo de professor de arte na Escola de Arte Städel, de Frankfurt, por ser considerado artista degenerado. Em 1937 emigrou para Amsterdão ao saber que a sua obra iria ser exposta como arte degenerada numa exposição nazi. Em1947 mudou-se para os Estados Unidos. Entre 1947 e 1949, foi professor na Universidade Washington de Saint Louis (Missouri), lugar que abandonou para ir para Nova Iorque, onde morreu no ano seguinte. Fonte O século prodigioso

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Cristo e mulher em adultério – 1917
Óleo sobre tela

149.2 x 126.7 cm.

 

 

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Retrato de família – 1920
Óleo sobre tela
25 5/8 x 39 3/4″
Museum of Modern Art, Nova Iorque

 

 

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Ponte de ferro – 1922
Óleo sobre tela
120.5 x 84.5 cm.
Kunstsammlung Nordrhein. Dusseldorf

 

 

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Lido – 1924
Óleo sobre tela
72.5 x 90.5 cm.
St Louis Art Museum. St Louis

 

 

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Lirios Negros – 1928
Óleo sobre tela
74.9 x 41.9 cm.
Coleccão privada

 

 

 

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Quappi – 1934
Óleo sobre tela
139.5 x 59.5 cm
Museum of Modern Art, Nova Iorque

 

 

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Inferno de Pássaros – 1938
Óleo sobre tela
120 x 160 cm.
St. Louis Art Museum. St. Louis

 

 

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A tarde – 1946
Óleo sobre tela
89.5 x 133.5 cm.
Museum am Ostwall. Dortmund

 

 

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The Argonauts – 1949-50
Óleo sobre tela
Tríptico, painel central- 80 1/4 X 48″
Paineis laterais74 3/8 X 33″
Colecção privada, Nova Yorque

10/06/2008 - 22:58h ‘A arte é uma inutilidade indispensável”

“Missão: como construir catedrais”, obra de Cildo Meireles
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Ganhador do Prêmio Velázquez, o brasileiro Cildo Meireles disse que a crise econômica logo vai atingir o mercado artístico

EFE – O Estado de São Paulo

A arte é sempre “uma espécie de inutilidade indispensável”, decorrente daqueles que estão próximos da loucura e que têm força e coragem para transformar seu entorno, afirmou o artista brasileiro Cildo Meireles que, em Madri, receberia ontem à noite o Prêmio Velázquez de artes plásticas.

Em entrevista coletiva, Meireles disse receber com “imensa honra” o prêmio que, também importante, se abre agora para outros países, em que não se fala espanhol.

Artista multidisciplinar, ele é considerado referência na arte conceitual e postula um compromisso político ao criticar a natureza européia da arte moderna ocidental, buscando dar-lhe uma nova identidade.

Meireles, que usa fotografia, instalação e pintura em seus trabalhos, admitiu que, embora considerado um artista conceitual, sua singularidade é sempre fronteiriça com o compromisso político, do qual não se pode fugir.

“Não se pode mais fazer planos. O maior deles é seguir vivo e trabalhando. É importante saber que não importa o que se está fazendo, pois, de alguma forma, já se está entrando na História”, declarou.

Seu parecer sobre a relação entre a crise econômica mundial e a arte é que, “se não se nota, logo acontecerá”. “A crise nos envolve, mas é secundária: há coisas mais importantes, como a própria sobrevivência do planeta.”

Sobre o Brasil, Meireles comentou que educação, saúde e salários são prioritários antes da arte que, em seu país, responde à máxima “Cada um por si e Deus contra todos”.

“A arte é a arma para combater o poder?”, perguntaram. “Não, isso é para trabalhos como o filme Encouraçado Potemkin. A forma de se opor ao poder seria algo muito mínimo, mas permanente. Não se pode ter a ilusão de uma revolução por meio da arte”, respondeu.

O prêmio, que pela última vez estará dotado em 90.450 (a partir do próximo ano, passará a 125 mil), inclui ainda a organização de uma exposição no museu Reina Sofía, que Meireles já negocia com seu diretor.

Ainda que não tenha um compromisso firmado com a instituição espanhola, como a mostra a ser exibida, a partir de outubro, na Tate Modern de Londres, Cildo Meireles espera que a exposição no Reina Sofía ocorra o mais cedo possível. Sobre o compromisso com a Tate, ele disse, como já ironizou um amigo, que “será uma a menos, não uma a mais”.

Sobre sua tentativa, há anos, de ser escritor, Meireles se desculpou por seu “deslize”. “Uma das razões que me levou às artes plásticas é poder me expressar por outro meio que não o da palavra”, afirmou. “As palavras são implacáveis.”