13/06/2008 - 12:32h A arte no roubo
Folha de São Paulo
di cavalcanti
Picasso inspirou “Mulheres na Janela”, de 1926
FABIO CYPRIANO - FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
“Mulheres na Janela” (1926) é uma pintura bastante representativa do conjunto da obra de Di Cavalcanti, conhecido por ser o “pintor das mulatas”. Ela foi realizada sob o efeito de sua estada em Paris e revela uma grande influência de Pablo Picasso.
As duas mulatas ocupam o primeiro plano da obra, num tipo de composição que lembra “Les demoiselles d’Avignon” (1907), obra-prima do espanhol, que retrata cinco prostitutas e inaugura o estilo denominado cubismo.
Em sua obra, Di Cavalcanti não é tão radical para distorcer as figuras, mas o tom avermelhado da tela propicia um caráter sensual às mulheres que, com maquiagem carregada e roupas decotadas, sejam possivelmente também prostitutas.
Esse conjunto figurativo contrasta com o fundo geometrizado, que ressalta ainda mais os corpos arredondados das mulatas.
picasso
“Minotauro” e “O Pintor” são de fases distintas
DA REPORTAGEM LOCAL
“Minotauro, Bebedor e Mulheres” (1933) e “O Pintor e seu Modelo” (1963) representam fases distintas na obra do espanhol Pablo Picasso. A primeira aborda a figura mítica, representada pelo minotauro, com quem o artista se identificava.
Esse tema surge em sua obra em 1928 numa convergência de estilos, mas especialmente vinculado com o surrealismo, e suas abordagens do desejo e da sensualidade, que são questões exploradas em suas obras com os minotauros, portadores de forte energia sexual.
Já “O Pintor e seu Modelo” faz parte de um grande ciclo de Picasso, que trata da arte, sua história e seu contexto. Essa fase costuma ser denominada como “Os últimos anos”, quando ele já não tinha mais Paris como seu centro produtor.
Nessa fase, ele recria obras de grandes mestres como “O Piquenique na Relva segundo Manet”, em 1961. (FCY)
segall
“Casal” retrata Lituânia após a 1ª Guerra Mundial
DA REPORTAGEM LOCAL
“Casal” (1919), de Lasar Segall, é uma obra que retrata o ambiente trágico de Vilna, na Lituânia, cidade natal do artista, após a Primeira Guerra Mundial, que ele havia visitado no ano de realização desse guache.
Pessoas com cabeças de dimensões exageradas e expressões trágicas vão compor também outras obras dessa fase, como “Duas crianças” (1920), que também pertence à Coleção Nemirovsky, proprietária de ao menos oito obras do artista.
“Casal” tem as características do movimento denominado expressionismo -a crítica social é uma delas, criado, entre outros, pelo grupo Secessão de Dresden, em 1919, que teve em Segall um de seus fundadores.
Em 1913, seis anos antes de concluir “Casal”, Segall já havia passado pelo Brasil. Suas exposições, então realizadas em São Paulo e Campinas, são consideradas marcos do modernismo no país. (FCY)
14/05/2008 - 09:52h O pintor que reciclou o lixo da cultura ocidental
Ele incorporou o refugo da sociedade de consumo nas telas
Antonio Gonçalves Filho - O Estado de São Paulo
Rauschenberg não foi Jasper Johns, apesar de ter sido uma instituição da arte americana. Isso quer dizer muito, embora ambos tenham surgido na esteira da arte pop que representava, nos anos 1960, uma alternativa para o expressionismo abstrato americano. Ao ganhar o grande prêmio de pintura na Bienal de Veneza, em 1964, Rauschenberg foi elevado à condição de semideus do pós-expressionismo com suas telas pantagruélicas consumidas avidamente pelo mercado e instituições museológicas. Mas, como se disse, Rauschenberg , a despeito dessa presença permanente na arte americana, não fez por ela o que fez Jasper Johns, ao trazer para o mundo do consumo pop a bandeira dos EUA esvaziada do sentido patriótico e reduzida à mera condição de pretexto para a pintura. Rauschenberg, de certo modo, faz o percurso inverso, apesar de estar na mesma estrada pop: usou as sobras da civilização urbana como crítica, mas acabou contribuindo para o consumo desse refugo como arte - daí a equivocada associação de Rauschenberg com os neodadaístas.
A arte pop sempre manteve uma relação incestuosa com a publicidade e a sociedade de consumo. Rauschenberg era esperto demais para deixar escapar os frutos dessa orgia artístico-financeira, seja vendendo uma cama com lençóis sujos - de tinta ou coisa pior (como a pintura-objeto Cama, produzida nos anos 1950)- ou telas que incorporavam objetos do cotidiano retirados de seu contexto. Jasper Johns, ao contrário, partiu desse mesmo cotidiano para criar um novo espaço pictórico, requintado e próprio.
Em outras palavras, apesar de ligado ao advento da arte pop americana, Jasper Johns ainda cultivava a herança pictórica européia, como mais tarde ficaria provado em pinturas cada vez mais próximas dessa tradição. Rauschenberg representava justamente o contrário, a crise da arte como ciência européia - e, nesse sentido, Argan estava absolutamente certo ao afirmar que a busca de uma arte autônoma, desligada desse passado, deslocou o eixo de produção da Europa para os EUA com o fim da 2ª Guerra. Mas pode um artista ou um movimento ser, efetivamente, autônomo?
Rauschenberg bem que tentou. Não custa lembrar que ele cometeu a heresia de apagar os vestígios dessa mesma pintura européia em 1953, ao destruir um desenho de Willem De Kooning - que, apesar de um nome ligado ao expressionismo abstrato americano, era holandês. A justificativa; ele queria trabalhar num espaço intermediário entre ‘arte e vida’. Isso existe? Uma assemblage - e Rauschenberg foi mestre na técnica - não é a mais sincera prova de que ambas estão grudadas como irmãs siamesas? Não foi ele mesmo quem disse que a tarefa de um artista é ser testemunha de seu tempo? Pois bem: esqueça o homem (e suas contradições) e fique com o pintor, que, nos anos 1950, ainda se preocupava em remover de suas telas abstratas uma incômoda narrativa, até sucumbir a ela ao adotar uma posição antagônica em seu período pop, incorporando mais metáforas do que poderiam suportar os olhos cansados de seus espectadores.
Ao contrário do amigo Johns, os olhos de Rauschenberg não se fixaram na pintura. Eles vagaram pela tela com o ceticismo pop e a inquietação performática, mas acabaram se voltando, de forma nostálgica, para o passado nas últimas obras. Elas constituem uma prova de que o crédito na renovação da arte usando o refugo das ruas caiu por terra quando Rauschenberg cedeu ao formalismo, desistindo do discurso pop. Em certa medida, virou uma paródia dele mesmo, assumindo a condição de performático de plantão ou reciclando idéias para parecer antenado com as bandas dos anos 1980 (ele fez capas para o Talking Heads).
É bem verdade que, nos últimos tempos, Rauschenberg já não incomodava ninguém com seu policromatismo - mais tropicalista que o de Beatriz Milhazes. Ninguém se importa em ganhar dinheiro com pinturas multinacionais. É um negócio como outro qualquer. Até que alguém, algum dia, não consiga vender o refugo.
14/05/2008 - 09:46h Morre um pioneiro da pop art
O artista norte-americano Robert Rauschenberg estava com 82 anos

NYT e ANSA - O Estado de São Paulo
O artista americano Robert Rauschenberg, que reformulou a arte americana no século 20 - principalmente, um dos precursores da pop art - e se tornou um dos mais importantes de seu país, morreu anteontem à noite, aos 82 anos, em sua casa na ilha de Captiva, na Flórida. Ele esteve internado por causa de bronquite, mas quis sair do hospital e em 2002 sofreu um acidente vascular cerebral que paralisou metade de seu corpo. Pintor, escultor, gravador, fotógrafo, coreógrafo e performer, o trabalho de Rauschenberg deu um novo significado à escultura, como define o crítico do The New York Times, Michael Kimmelman, citando as obras que se tornaram emblemáticas do modernismo pós-Guerra: Canyon - consistia em uma águia calva empalhada e unida a uma tela; Monogram - que tinha sobre um painel pintado um pneu; e Bed - o artista moldou na parede uma colcha e travesseiro encharcado com tinta, como se estivessem cheios de sangue. Trabalhando em muitas frentes durante sua vasta carreira - chegou até mesmo a ter experiência como compositor - Rauschenberg ‘desafiou a tradicional idéia de que um artista deve ficar ligado a apenas um meio ou estilo’.
Milton Ernest Rauschenberg nasceu em 22 de outubro de 1925 na pequena cidade de Port Arthur, no Texas, lugar onde ‘era muito fácil crescer sem nunca ver uma pintura’, como já disse o artista, que, mais tarde, adulto, resolveu tomar Robert como nome. Ele estudou farmácia na Universidade do Texas e só em San Diego, tempos mais tarde, quando trabalhava no Hospital da Marinha, pôde ver pela primeira vez uma pintura, em uma galeria da cidade. Depois, entrou para o Instituto de Arte da Cidade de Kansas e viajou a Paris, onde conheceu Susan Weil, uma jovem pintora de Nova York, que ia entrar para o Black Mountain College na Carolina do Norte. Admirador do artista Josef Albers, então chefe da área de belas artes da faculdade, Rauschenberg resolveu acompanhar Susan (sua esposa por pouco tempo). Foi o ponto inicial de sua trajetória.

Já nessa época, Rauschenberg tinha uma cabeça aberta para experimentar materiais e novos meios. Em 1950, deu início a uma série de impressões azuis para produzir os negativos de silhuetas, obras publicadas na revista Life em 1951 e que renderam sua primeira mostra individual, na influente Betty Parsons Gallery. ‘Todos estavam tentando desistir da estética européia’, afirmou Rauschenberg, referindo-se a Picasso, aos surrealistas e a Matisse. ‘John Cage dizia que o medo na vida é o medo da mudança’, ainda disse o artista - afinal, o compositor Cage comprou uma pintura de Rauschenberg na exposição na Betty Parsons. Com seu espírito inventivo, Rauschenberg se transformou, já na década de 1950, em um elo entre o expressionismo abstrato americano dos pintores Jackson Pollock e Willem de Kooning e os artistas que vieram depois, criadores identificados com o pop, a arte conceitual, os happenings e outros.
Poucos meses depois de mostrar as silhuetas azuis em Nova York, Rauschenberg, em viagem pela Europa e Norte da África com o artista Cy Twombly, entre 1952 e 1953, começou a coletar e fazer assemblages com objetos - pedaços de cordas, pedras, ossos. Um marchand de Roma resolveu mostrar essas obras, ‘as caixas contemplativas’, e elas foram também exibidas em Florença, onde um crítico sugeriu que o americano jogasse aqueles assemblages no Rio Arno - Rauschenberg achou uma boa idéia, se desfez de algumas caixas e guardou algumas para si. Foi uma passagem importante em sua trajetória, para depois realizar trabalhos importantes como os quadros-objetos intitulados monogramas, ainda nesta década. Também, de volta a Nova York, Rauschenberg exibiu série de pinturas todas brancas e todas pretas. Entre elas estavam telas com as quais De Kooning o presenteou para que fossem apagadas, o que foi o mote para que Rauschenberg ganhasse sua reputação de novo ‘enfant terrible’ do mundo da arte.

A partir de então, o artista não parou: fez trabalhos em parceria com o coreógrafo Merce Cunningham entre meados dos anos 50 e na década de 1960, executando cenários e figurinos - e em 1963, por exemplo, ele mesmo coreografou e fez a performance da obra Pelican usando patins - além de trabalhos com Paul Taylor e Trisha Brown.
Suas Obras No Brasil
BIENAL DE SÃO PAULO: Robert Rauschenberg participou por quatro vezes, em diferentes períodos, da Bienal de São Paulo, mais importante mostra realizada no País: em 1959, na 5.ª edição da mostra, ainda abrigada no então espaço do Museu de Arte Moderna de São Paulo, ele apresentou três pinturas híbridas com colagem; na 9.ª, de 1967, estava entre os destaque da pop art americana; na 22.ª, de 1994, quando foi representado por um grande conjunto de peças, um total de 13 trabalhos ; e na 24.ª, de 1998, com curadoria-geral de Paulo Herkenhoff - nesta mostra ele exibiu uma de sua pinturas da série White Painting, de 1951.
EM MUSEU: No acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), há duas obras do americano. Os dois trabalhos, sem título e doados pelo artista, são criações de 1994. São obras da série em que Rauschenberg fez colagens a partir da união de duas diferentes imagens fotográficas.
13/03/2008 - 15:29h As mulheres cor de rosa de Kooning
03/09/2007 - 15:24h Retrato da mulher do artista, sentada; Egon Schiele
08/08/2007 - 14:05h Galáxia
Jackson Pollock’s Galaxy,
a part of the Joslyn Art Museum’s permanent collection
Jackson Pollock (January 28, 1912 – August 11, 1956) was an influential American artist and a major force in the abstract expressionism movement.
He was born in Cody, Wyoming, and grew up in Arizona later moving to New York in 1929, where he studied under Thomas Hart Benton. Pollock’s early representational work was influenced by the Mexican Muralists David Alfaro Siqueiros and Diego Rivera but after visiting exhibitions of Pablo Picasso and Surrealist Art his work became more symbolic. Pollock had for several years been in psychoanalytic therapy to try and cope with depression and this gave him an interest in Carl Jung’s theory of primitive archetypes that formed the basis of his work between 1938 and 1944. These works were often violent and not well received at first.
Pollock married Lee Krasner in 1944 and in 1945 they moved to Long Island where he made his studio in a barn. Krasner worked to support the couple so that Pollock could concentrate on his painting. Pollock was able to work on large areas of canvas spread on the floor, in the process he moved away from figurative art, and developed techniques of splashing and dripping his paint onto canvas (action painting). Pollock was dubbed “Jack the Dripper” due to his painting style. Despite the apparent randomness of his technique Pollock extensively edited the canvases by trimming or destroying the whole work.
When the first set of these painting was exhibited at the Betty Friedman Gallery in 1948 it was a sensation and a sell out. Pollock was able to take on a larger studio building and there produced the series of 6 paintings of 1950 for which he is most renowned. Pollock was profiled in Time Magazine as ‘the greatest living American artist’ in 1951 and as part of the profile Hans Namuth produced a celebrated series of photos of Pollock at work.
From 1938 to 1942 he worked for the Federal Art Project, in the 1950s Pollock was supported by the CIA via the Congress for Cultural Freedom (CCF).
Pollock’s work after 1951 was darker in colour, often only black, and began to reintroduce figurative elements. Pollock had moved to a more commercial gallery and there was great demand from collectors for new paintings. In response to this pressure his alcoholism deepened. Pollock’s career was cut short when he died in an alcohol-related, single car crash in 1956 at the age of only 44, killing one of his passengers, Edith Metzger. The other passenger, his girlfriend Ruth Kligman, survived. After his death, Pollock’s gallery sold all the works left in his studio including many works that he had not intended to release.
He was the subject of the documentaries Jackson Pollock (1987) and Jackson Pollock - Love & Death on Long Island (1999) as well as a movie drama called Pollock (2000) starring Ed Harris. The earlier ten-minute documentary Jackson Pollock (1951) was directed by Hans Namuth and had music by Morton Feldman.
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