06/11/2009 - 10:28h O setor de petróleo brasileiro, com a exploração e desenvolvimento da camada pré-sal, tem tudo para ser a maior alavanca da economia nos próximos anos

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Exploração do pré-sal impulsiona novos negócios

Simone Goldberg, para o Valor, do Rio

O setor de petróleo brasileiro, com a exploração e desenvolvimento da camada pré-sal, tem tudo para ser a maior alavanca da economia nos próximos anos, abrindo inúmeras perspectivas de negócios. A festa já começou. Entre 2009 e 2012, de acordo com dados da Organização Nacional do Petróleo (Onip), os investimentos no setor industrial somarão R$ 450 bilhões, 60% dos quais oriundos do segmento de petróleo e gás. “A programação de investimentos é bilionária: a Petrobras e as demais petroleiras vão aportar US$ 200 bilhões nos próximos cinco anos”, informa o diretor geral da Onip, Eloi Fernandez.

Desses US$ 200 bilhões, US$ 45 bilhões irão para o pré-sal, somando Petrobras – que contribuirá com 62% desse montante – e demais empresas. Num horizonte de prazo mais longo, esses valores dão saltos consideráveis: até 2020, a previsão é a Petrobras, sozinha, gastar US$ 111,4 bilhões no pré-sal. Petroleiras estrangeiras, ainda que estejam em compasso de espera, aguardando as definições sobre o marco regulatório da nova província exploratória em análise pelo Congresso Nacional, também já anunciaram planos bilionários de investimento no Brasil.

É o caso da petrolífera norueguesa StatoilHydro, que pretende fazer aportes de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões no país em uma década e da americana Chevron, que revelou intenção de investir US$ 5 bilhões também nos próximos dez anos. A StatoilHydro, que tem expertise em águas profundas, vai gastar os recursos em campos onde já opera no Brasil. Mas, segundo o presidente no país, Kjetil Hove, há interesse também no pré-sal. “É um projeto que se encaixa bem nas ambições de longo prazo da empresa”, diz.

Já a Chevron vai tocar o desenvolvimento de cinco campos que opera em sociedade com outras petroleiras e em empreendimentos novos, que podem incluir o pré-sal, se a legislação referente a sua exploração não for restritiva. Além delas, outra grande ‘player’, a anglo-holandesa Shell, com grande experiência em pré-sal, que atua em regiões como o Golfo do México e o Oriente Médio, também está acompanhando as mudanças das regras do negócio.

Há quase cem anos no Brasil, a Shell já desembolsou mais de US$ 2,8 bilhões explorando e produzindo petróleo por aqui. A empresa participa de 15 blocos de exploração e só no ano passado investiu mais de meio bilhão de dólares no país. De acordo com seu gerente de relações externas de exploração e produção no Brasil, Flavio Rodrigues, o pré-sal exigirá muitos recursos e tecnologia para confirmar sua viabilidade e potencial. Ele espera que se estabeleça um ambiente de negócios transparente, com regras estáveis, e competitivo.

Muitas petroleiras estrangeiras são sócias da Petrobras em blocos já licitados do pré-sal, como a própria Shell, as portuguesas Partex e Galp, a espanhola Repsol, a britânica BG e as americanas Hess e Exxon. Algumas têm razões para dar sorrisos largos, pois já foram confirmados grandes volumes de óleo em suas áreas de exploração. É a sorte da Galp, que participa de cinco blocos no pré-sal. Ela pretende investir US$ 2,6 bilhões até 2013 para desenvolver essas descobertas, focando nos seus quatro blocos da Bacia de Santos. O outro fica na Bacia do Espírito Santo.

Os blocos já leiloados representam cerca de 28% da nova província exploratória e, segundo o projeto do marco regulatório que está no Congresso, vão se manter sob as regras atuais de concessão. Os demais, que ainda serão licitados, ficarão sob o regime de partilha, conforme propõe o governo.

Essa movimentação traz a reboque uma série de outros negócios, estimulando a grande cadeia produtiva de bens e serviços domésticos e abrindo apetites estrangeiros. A quinta edição da Brasil Offshore, feira da indústria petroleira, realizada em Macaé, em junho, serviu de termômetro para o negócio de óleo e gás daqui para frente. O número de expositores do exterior -138 – representou aumento de 100% em relação à feira anterior. Vieram fabricantes principalmente da China, França, Reino Unido, Holanda, EUA e Alemanha. Vários já se preparam para se instalar no país e ficar mais perto dos clientes.

Um exemplo é a francesa Ixsea, fabricante de sistemas de giroscópio com sensores de movimento usados para estabilizar embarcações. Outra francesa, a Imeca, avalia desembarcar no Brasil com sua fábrica de equipamentos que movimentam tubos em alto mar. A empresa já está presente no pré-sal brasileiro: fornece maquinário para a também francesa Technip, que trabalha para a Petrobras no Teste de Longa Duração do Campo de Tupi, na Bacia de Santos. A Technip é dona da Flexibras, fabricante de tubos flexíveis, no Espírito Santo.

Empresas brasileiras também já se preparam para morder um pedaço do bolo. O Estaleiro Atlântico Sul (EAS), instalado no Porto de Suape, Pernambuco, já tem uma carteira cheia de pedidos da Petrobras. O EAS está contratado para fazer 22 navios petroleiros, integrantes das fases um e dois do Programa de Modernização da Frota (Promef). Em setembro de 2008 foi iniciada a construção do primeiro, que deverá ser lançado ao mar, para acabamento e testes finais, no começo de 2010. Dos 22 navios, sete são da fase dois do Promef e tiveram seu contrato assinado em setembro. Eles serão usados no transporte de petróleo das novas áreas produtoras do pré-sal para os terminais da Petrobras.

O estaleiro também está fazendo o casco da plataforma P-55 para a estatal. Sua carteira de encomendas soma US$ 3,4 bilhões e o estaleiro avalia uma expansão para atender ao aumento de demanda que virá com o pré-sal. “O pré-sal traz aos fornecedores da cadeia do petróleo a oportunidade de viabilizar investimentos de médio e longo prazos. Especialmente no Nordeste, onde estamos instalados, contamos muito com o pré-sal”, afirma o presidente do EAS, Ângelo Bellelis.

O EAS é controlado pelos grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Este último, por sinal, por meio da Queiroz Galvão Óleo e Gás (QGOG), tem projetos ambiciosos para prestar serviços no pré-sal. Entre eles está a compra, junto a estaleiros estrangeiros, de três plataformas capazes de operar em áreas ultraprofundas. A Queiroz Galvão Óleo e Gás acumula experiência como prestadora de serviços de perfuração em águas profundas desde agosto, quando teve sua plataforma Olinda Star contratada pela Petrobras para trabalhar nos campos de Barracuda e Caratinga, na Bacia de Campos. O investimento, incluindo a adaptação da Olinda Star para atuar em águas profundas, chega a US$ 1,65 bilhão.

17/05/2009 - 10:45h Empresas estrangeiras intensificam procura por petróleo no pré-sal

Líderes de consórcios entram em nova fase de exploração, furando poços para calcular o tamanho das reservas

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do blog jhunhior

Nicola Pamplona, RIO – O Estado SP

Petroleiras estrangeiras com atuação no Brasil começam a intensificar as buscas pelas reservas abaixo da camada de sal como operadoras e líderes de consórcios, com ou sem a participação da Petrobrás. Segundo especialistas, os primeiros detalhes sobre volumes de reservas podem ser divulgados ainda este ano. Apesar de a média de preço internacional do barril de petróleo ter despencado desde meados do ano passado, a aceleração dos investimentos parece confirmar a viabilidade do pré-sal brasileiro.

Em parceria com a estatal brasileira, duas estrangeiras – a portuguesa Galp e a britânica BP – já haviam comemorado a multiplicação de seus volumes de reservas. Agora, dois poços já sendo perfurados no pré-sal sob o comando de multinacionais e a expectativa é que pelo menos outras quatro perfurações sejam feitas este ano.

O estágio atual marca a segunda fase da atividade exploratória de multinacionais no País, já com a perfuração dos chamados poços de extensão, que têm como objetivo dimensionar o tamanho dos reservatórios. Nesse caso, enquadram-se os dois poços perfurados atualmente: Azulão 2, da americana Exxon, e Corcovado 2, da britânica BG, ambos na Bacia de Santos.

“Já é uma fase mais adiantada de exploração, em que as companhias avaliam a extensão dos reservatórios”, explica o geólogo Giuseppe Bacoccoli, professor da UFRJ e ex-funcionário da Petrobrás. “Há hoje uma importante participação de companhias estrangeiras no pré-sal, seja por meio de parcerias com a Petrobrás ou como operadoras”, comenta.

Azulão e Corcovado, por exemplo, têm participação da Petrobrás, mas são operados pelas estrangeiras. A expectativa do mercado é que, com a conclusão dos poços, as empresas já possam divulgar estimativas de reservas, assim como fez a estatal ao fim do segundo poço de Tupi. Exxon e BG anunciaram as primeiras descobertas nos blocos BM-S-22 e BM-S-52, respectivamente, este ano. Imediatamente, partiram para os poços de extensão.

“Depois do poço, vamos estudar os resultados e decidir a melhor maneira de continuar a exploração”, desconversou o diretor de Assuntos Corporativos da BG no Brasil, Roberto Ardenghy. A companhia tem 40% do BM-S-52, em águas mais rasas do que Tupi, e assumiu a operação após acordo com a Petrobrás, que liderava o consórcio da área, adquirida em leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A dupla tem sociedade em algumas das descobertas do pré-sal das águas ultraprofundas de Santos, incluindo Tupi e controla ainda outra concessão em águas mais rasas, o BM-S-50, que deve ter um poço perfurado este ano. A BG já declarou que o projeto Corcovado tem potencial de reservas na casa dos bilhões de barris.

A Exxon não tem se pronunciado sobre o potencial do BM-S-22, mas especialistas acreditam que o bloco é um dos mais promissores do pré-sal de Santos. O presidente da Exxon, Rex Tillerson, afirmou que “não há dúvidas do grande potencial do pré-sal”, mas ainda é cedo para qualquer projeção.

Um terceiro poço de extensão de descoberta no pré-sal será perfurado no fim do ano pela americana Anadarko, que anunciou no ano passado a descoberta de reservatório abaixo do sal no norte da Bacia de Campos. O diretor executivo da empresa no Brasil, Cláudio Araújo, informou ao Estado que a perfuração depende apenas de liberação, pela Petrobrás, da sonda Deepwater Millenium, que está sendo usada pela estatal em blocos na Bacia do Espírito Santo.

A companhia estuda ainda a perfuração de um segundo poço na mesma região, no bloco BM-C-32, com características semelhantes às do Campo de Jubarte, onde saiu o primeiro óleo do pré-sal brasileiro. A descoberta no BM-C-30, batizada de Wahoo, foi a primeira do pré-sal feita sem participação da Petrobrás e tem como parceiros a americana Devon, a canadense Encana e a sul-coreana SK.

A anglo-holandesa Shell pode ser a próxima estrangeira a operar poços no pré-sal brasileiro. A companhia contratou uma sonda com capacidade para atingir grandes profundidades e espera iniciar, até o fim do ano, o trabalho no bloco BM-S-54, projeto batizado de Epitônio. Na semana passada, o gerente da companhia, Kent Stingl, disse ao Estado que a empresa também vai estudar a perfuração de poços no pré-sal do norte da Bacia de Campos.

Stingl é responsável pelo projeto BC-10, batizado de Parque das Baleias, que começa a produzir óleo do pós-sal no segundo semestre. O bloco fica ao lado do Parque das Conchas, onde a Petrobrás descobriu reservas no pré-sal. “Qualquer empresa que tenha reservas no Brasil vai começar a olhar para o pré-sal daqui em diante”, diz o presidente da Chevron África e América Latina, Ali Moshiri.


FRASES

Giuseppe Bacoccoli
Geólogo da UFRJ

“É uma fase mais adiantada de exploração, em que as companhias avaliam a extensão dos reservatórios”

Ali Moshiri
Presidente da Chevron

“Qualquer empresa que tenha reservas no Brasil vai começar a olhar para o pré-sal daqui em diante”

17/03/2009 - 10:06h Fuga para emergentes pode ser opção

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Catherine Vieira e Nelson Niero, Valor, do Rio e de São Paulo

Os títulos do tesouro americano não são mais o parâmetro de “risco zero” no mercado global? Conceitos como “fuga para qualidade” estão sob revisão, desde que a bússola econômica perdeu o norte? O Primeiro Mundo não é mais o mesmo depois da implosão de ícones de seu poderio empresarial?

Se questões como essas começaram a perturbar o sono do investidor estrangeiro, ele pode estar suscetível a uma ideia que começa a ganhar força entre economistas e gestores: talvez esta seja a hora dos chamados emergentes, e uma suposta comprovação da teoria é que empresas e bancos que têm operações fortes em países como China, Índia e Brasil vêm conseguindo respirar melhor na crise financeira global. Mas vamos aos fatos.

Os efeitos práticos dessa que é a percepção de muitos formadores de opinião de investidores globais ainda não são completamente nítidos, mas há quem já vislumbre alguns sinais, como o fluxo positivo de investidores estrangeiros no mercado de ações brasileiro em fevereiro. Óbvio que esse suspiro ainda é muito pouco para sustentar uma direção para os ativos ou sinalizar uma reabertura do mercado como alternativa de financiamento para as companhias. No entanto, nesses tempos de dureza, não há muito a que se apegar.

É preciso ponderar que a torcida é grande. Mais que uma simples retomada do mercado brasileiro, a volta das captações das empresas por meio do lançamento de títulos e, principalmente, de ações seria a confirmação de que os quatro anos de sucessivas emissões recordes não foram apenas um ponto fora da curva – apesar da euforia excessiva do mercado em 2007.

Entre 2004 e 2007, cerca de cem companhias foram à bolsa e um recorde absoluto de ofertas públicas foi registrado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Foi uma experiência e tanto para um país no qual o mercado de capitais como opção de financiamento de longo prazo parecia uma lenda.

Agora, há aquela sensação incômoda de que voltamos ao zero. A relação entre valor de mercado das empresas e o Produto Interno Bruto (PIB) sugere isso: depois de chegar perto de 100% em 2007, voltou aos níveis de 2004 no ano passado (47,6%). O número de operações em análise e já registradas em 2009 é extremamente desanimador e os prognósticos são de que pelo menos até o fim do ano não se verá um cenário muito diferente.

Mas se estamos com dificuldades de passar pela “marolinha” do presidente Lula e o ano será praticamente nulo para o mercado de capitais, há indícios de que o país está mais bem preparado para a crise do que em outras épocas.

A euforia da fase anterior deixou como herança um caixa gordo em algumas companhias e também em muitas carteiras de fundos de participações em empresas. O sistema financeiro, depois da crise da década de 90, também parece mais sólido do que seus pares no exterior (sem esquecer que os bancos brasileiros ganham muito com títulos públicos e não precisam de muita ousadia para sobreviver).

A expectativa entre gestores e analistas é que, passados estes momentos de nebulosidade, as emissões voltem a florescer no Brasil – mesmo que em ritmo menor que 2007. “Apesar das nossas qualidades, não dá para superar o fato de que a liquidez secou”, observa a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana. Ela diz que os instrumentos foram testados e que os eventuais problemas que surgiram foram sendo contornados.

Entre esses problemas, um dos cruciais é a questão de governança empresarial no país. Muitas novatas foram à bolsa sem o devido preparo, empurradas por bancos de investimento, e companhias tradicionais, consideradas exemplares, envolveram-se em operações arriscadas com derivativos, para a surpresa de seus acionistas.

A queda do PIB no quarto trimestre, que projeta um número anualizado entre os piores do mundo, foi outro balde de água fria, já que as empresas podem não crescer no ritmo esperado. Ainda assim, há um certo otimismo entre os participantes do mercado, especialmente porque o país, assim como China e Índia, vem sendo escalado entre os que reúnem melhores condições competitivas no tumultuado cenário global de hoje.

“Passada a tormenta inicial, os diferenciais positivos do Brasil neste novo cenário começam a ser visualizados com mais clareza”, observa Marcelo Mesquita, que após mais de dez anos no UBS abriu sua própria gestora de recursos, a Leblon Equities. O estrategista assinala que a presença estatal já é forte também por aqui, inclusive no setor financeiro e nas empresas listadas, como a Petrobras.

A petroleira, aliás, que é a principal ‘blue chip’ da Bovespa, é vista como um trunfo para alguns, já que as ações caíram muito. Apesar das mazelas de governança nas quais anda tropeçando nos últimos tempos, a Petrobras tem, por conta dos projetos do pré-sal, uma perspectiva como nenhuma outra do setor. “A Petrobras vai ser uma Exxon”, compara Mesquita.

Uma Exxon estatal pode até parecer atraente no momento em que o governo americano vira sócio de bancos, mas esse viés estatizante pode cobrar seu preço mais adiante, principalmente no que diz respeito à governança.

Mesquita lembra que os bancos locais também sofreram na bolsa por conta da revoada sem critério que ocorreu no pós-crise, apesar de muitas das instituições locais terem fundamentos sólidos. A atratividade nos preços desses ativos já levou a Leblon a montar duas posições relevantes em dois bancos médios, por exemplo.

O estrategista global de câmbio do HSBC, David Bloom, é um dos que acreditam que os emergentes são o futuro. Mas não de forma generalizada: China, Brasil e Índia encabeçam a lista. Este momento poderá ser lembrado como o ponto de virada para um período em que essas economias passarão a ter mais importância no xadrez global. “Já não dá para dizer que os EUA são seguros e o resto do mundo não. Nada mais é intocável.”

O banco inglês amorteceu as perdas com crédito nos Estados Unidos com os resultados robustos obtidos no Brasil e em países do oriente. A General Electric, pouco à vontade com seus números em sua terra, declarou recentemente que os emergentes são prioridade, fazendo coro ao que vem se tornando um mantra empresarial.

A forte regulação e o juro ainda alto também são vantagens competitivas do Brasil. Esses fatores ajudaram os investidores locais a ficarem menos vulneráveis aos ativos tóxicos que causaram perdas mundo afora, embora não tenha evitado as perdas com derivativos.

Os bancos de investimento são regulados e supervisionados pelo Banco Central e a CVM. As ofertas de ativos securitizados também passam pelo crivo dos reguladores. “Há uma atuação muito coordenada, que busca evitar zonas de sombra e manter sempre a transparência”, afirma Maria Helena

No entanto, pode não funcionar exatamente assim. O Novo Mercado, que tinha como princípio garantir os direitos dos investidores, registrou em 2008 operações no mínimo polêmicas, que colocaram em xeque vantagens consideradas certas pelos acionistas.

Os fundos de pensão, que possuem uma carteira de R$ 415 bilhões e investem pelo longo prazo, são impedidos de aplicar no exterior e têm uma participação média baixa no mercado de ações. Isso não evitou rentabilidades reduzidas em 2008, mas ainda mantém esse grupo com um colchão de segurança e apetite pelos projetos de longo prazo. “Temos aproveitado oportunidades em infraestrutura e na bolsa”, diz Wagner Pinheiro, presidente da Petros, o segundo maior fundo de pensão do país.

Os fundos de participação em empresas também estão em situação confortável. Nos últimos anos, captaram cerca de R$ 50 bilhões para investir, mas a concorrência das ofertas públicas iniciais elevou os preços dos ativos e dificultou a efetiva aplicação desses recursos em projetos. Em meados de 2008, estimava-se que mais de R$ 20 bilhões ainda estavam disponíveis. Na semana passada, o empresário Eike Batista anunciou que criará um fundo de até US$ 10 bilhões.

Os chamados administradores de fortunas optaram, com a crise, por ficar com os recursos mais líquidos, esperando por um momento de maior clareza para voltar a alocar os ativos. “Visitamos quase todos e em média estão com 70% a 80% dos recursos em caixa”, contou Mesquita, convicto de que os valores voltarão a ser aplicados no mercado, em algum momento.

19/01/2009 - 11:00h Energia deve opor Obama a empresas

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Ricardo Balthazar, de Washington – VALOR

Os esforços que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, promete fazer para combater o aquecimento global e diminuir a dependência americana de petróleo e carvão enfrentarão nos próximos meses enorme resistência de grupos empresariais assustados com os custos elevados que podem advir dos planos do novo governo.

Obama e seus aliados no Partido Democrata querem criar um sistema para controlar a emissão dos gases que contribuem para as mudanças climáticas. Companhias de energia elétrica, refinarias de petróleo e outras indústrias seriam forçadas a adquirir licenças do governo para continuar poluindo, o que obrigaria as empresas a reduzir suas emissões significativamente nas próximas décadas.

Estima-se que o governo poderia arrecadar US$ 100 bilhões por ano com os leilões em que essas licenças seriam vendidas, dinheiro que Obama quer usar para investir em biocombustíveis, painéis de energia solar e turbinas de energia eólica. Metade da eletricidade consumida nos EUA é gerada em usinas que queimam carvão e são responsáveis por quase um terço das emissões de gás carbônico do país.

Um plano semelhante ao proposto por Obama foi engavetado pelo Senado americano em 2008, mas há em tramitação no Congresso outras propostas com o mesmo espírito. Grupos ambientalistas com simpatizantes em posições-chave do futuro governo e associações empresariais preocupadas com os rumos da discussão têm ampliado as pressões sobre os congressistas e a equipe de Obama.

Na semana passada, representantes de grupos poderosos, como a gigante do petróleo Conoco Philips, a Duke Energy e a mineradora Rio Tinto foram ao Congresso propor um sistema diferente. Elas aceitam que o governo imponha limites às emissões, mas sugerem que no início algumas licenças sejam distribuídas de graça. Isso ajudaria indústrias afetadas a se adaptarem gradualmente à mudança.

Muitos ambientalistas são contra a idéia, por considerá-la um presente indevido para grandes poluidores. Na campanha do ano passado, Obama também se manifestou contra a proposta, mas seu plano sugere que parte do dinheiro recolhido nos leilões do governo poderia ser usado para ajudar empresas e consumidores, que tendem a sofrer com o impacto do novo sistema sobre o preço da energia elétrica e de combustíveis.

O deputado democrata Henry Waxman, que preside a Comissão de Energia da Câmara e é um das principais envolvidos nessa discussão no Congresso, disse na semana passada que gostaria de ver o sistema proposto por Obama aprovado em maio. Mas ninguém acha que isso será possível. O tema é muito complexo e os esforços para tirar o país da recessão terão a prioridade de Obama neste ano.

Os democratas apresentaram na semana passada um plano de estímulo econômico com US$ 825 bilhões em cortes de impostos e em investimentos do governo em várias áreas. O pacote inclui US$ 20 bilhões em incentivos fiscais para estimular a produção de energia de fontes renováveis, e Obama anunciou este mês que deseja dobrar a capacidade de geração dessa energia nos próximos três anos.

A meta é considerada inviável por críticos como o presidente de outra grande petroleira, a Exxon Mobil, Rex Tillerson. “Vamos ser realistas”, disse ele a repórteres em Washington há duas semanas, no mesmo dia em que Obama fez um discurso eloqüente em defesa do seu plano econômico. “Não vamos nos enganar.” Ele é contra os sistemas de controle de emissões em debate no Congresso atualmente.

A crise econômica e a queda acentuada dos preços do petróleo nos últimos meses esfriaram o ânimo de muitos investidores que apostaram no desenvolvimento de fontes de energia mais limpas. A eletricidade gerada por turbinas movidas pelo vento é mais cara do que a produzida com o uso de fontes tradicionais e, por isso, as empresas do setor precisam de subsídios para serem competitivas.

Muitos especialistas acham que uma solução mais simples para forçar as indústrias a reduzirem emissões e ao mesmo tempo estimular o desenvolvimento de novas tecnologias seria criar um imposto, que incidiria sobre a venda de gasolina, gás natural e outros combustíveis fósseis. Os defensores da idéia acham possível realizar assim os mesmos objetivos que Obama espera alcançar com seu sistema de controle de emissões.

Ambientalistas não gostam dessa opção, pois a indústria não seria obrigada a cortar suas emissões. E políticos acham difícil aprovar a criação de um imposto como esse, ainda mais agora, com a economia tão frágil. Mas pessoas próximas a Obama, como o futuro diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Lawrence Summers, simpatizam com a idéia.

Aliados dos ambientalistas, como Carol Browner, que trabalhará com Obama na Casa Branca e terá como missão coordenar as políticas do governo na área energética, terão grande influência nesse debate. Além disso, os democratas parecem dispostos a usar o poder da Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) para pressionar os políticos se eles derem sinais de hesitação.

O temor de muitas indústrias é que a EPA as force a cortar emissões explorando brechas na lei atual e baixando normas sem pedir autorização ao Congresso. “Um aparato regulatório imposto de cima para baixo, que pode interromper a recuperação da economia, não é algo de que o país precise”, disse Thomas Donohue, presidente da Câmara de Comércio.

Mas alguns observadores acreditam que os riscos que esse caminho apresentaria para Obama seriam enormes. “Seja lá o que for feito, o preço da energia irá subir e isso terá um custo político para o governo”, diz Divya Reddy, analista da consultoria Eurasia Group. “Se eles negociarem uma solução com todos os interessados no Congresso, esse custo ficará bem menor.”

02/07/2008 - 12:06h Petróleo vermelho-sangue

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Bob Herbert* – The New York Times e O Estado de São Paulo

É cada vez mais difícil que continuemos sendo enganados. Há duas semanas, The New York Times noticiou que quatro das maiores petrolíferas do Ocidente estavam prestes a assinar contratos sem licitação que lhes permitirão regressar ao Iraque, onde está a terceira reserva de petróleo mais abundante do planeta. Os acordos, que deverão ser finalizados nos próximos 30 dias, são o tipo de notícia pela qual as grandes petrolíferas vivem.

Podia-se até ouvir executivos cantando Oh, Happy Day (”Oh, Dia Feliz”) nos escritórios da Exxon Mobil, Shell, Total e BP, excluídas do Iraque há 35 anos. Nesta semana, ouvimos falar que um grupo de assessores americanos, orientados por uma equipe do Departamento de Estado, teve atuação importante na elaboração desses contratos entre as companhias e o governo iraquiano. A Chevron e outras empresas também estão prestes a concluir acordos.

Durante muito tempo, o presidente George W. Bush e o vice-presidente Dick Cheney, ambos ex-executivos de petrolíferas, tentaram nos convencer de que a guerra no Iraque foi provocada pelo terrorismo, por armas de destruição em massa, e teria como objetivo levar a liberdade e a democracia ao povo iraquiano – enfim, por causa de tudo, menos do petróleo.

Não se levou em conta o fato de que Saddam Hussein não representava ameaça iminente para os EUA. Nem o fato de que o Iraque não tinha nada a ver com os ataques de 11 de setembro de 2001. No início de 2003, as tropas foram mandadas para a batalha e lá continuam, depois da morte de mais de 4 mil americanos, sem que haja previsão de fim do conflito.

As verdadeiras prioridades dos EUA ficaram evidentes quando começaram as pilhagens, após a queda de Bagdá. No meio da violência e do caos, os soldados americanos receberam a ordem de proteger um alvo particularmente precioso: o Ministério do Petróleo do Iraque. Agora, é muito conveniente a perspectiva de que o governo Bush, obcecado por petróleo, assessore o governo iraquiano na conclusão dos contratos com as petrolíferas!

Os contratos em si não são muito expressivos. Eles são, isto sim, a chave cobiçada que começará a abrir as portas das imensas reservas de petróleo do Iraque. É um prêmio para as petrolíferas. Mas a que custo? Além do preço terrível em termos de soldados americanos e de iraquianos mortos e feridos, a guerra desviou as atenções e os recursos necessários para sanar problemas cruciais nos EUA, onde o mercado da habitação entrou em colapso, a Bolsa de Valores enlouqueceu, a gasolina chegou a custar mais de US$ 4 o galão (3,8 litros), o desemprego aumenta e um número extraordinário de famílias de trabalhadores cheias de dívidas vê à frente o abismo financeiro.

E há ainda a guerra ao terror. As notícias mais recentes informam que a Al-Qaeda se reagrupou nas áreas tribais do Paquistão e recuperou a capacidade de lançar ataques terroristas a partir dali. Para um governo ligado umbilicalmente à indústria petrolífera, o fascínio das enormes reservas do Iraque foi maior até mesmo do que o impulso de aniquilar um inimigo que, no 11/9, assassinou mais de 2.700 civis.

Quem sabe quanto tempo os EUA levarão para desvincular-se de forma significativa do Iraque? O que se pode imaginar é que os EUA não farão grandes avanços em política energética, na cobertura de saúde para todos, na melhoria das escolas públicas ou na redução da dívida pública e privada enquanto não puserem fim ao compromisso ilimitado com uma guerra catastrófica que já consumiu trilhões de dólares. Quanto tempo levará para que os EUA se convençam disso?

*Bob Herbert é colunista do jornal “The New York Times”

02/07/2008 - 11:51h Petrolíferas comemoram abertura de reservas no Iraque

Empresas estrangeiras participam de licitação para explorar campos de petróleo e gás natural no país

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AP, Efe e NYT, Bagdá – O Estado de São Paulo

As empresas petrolíferas Total, da França, e Exxon Mobil, dos EUA, comemoraram ontem a abertura das reservas de petróleo do Iraque a estrangeiros, anunciada na segunda-feira pelo governo do país. As duas empresas se mostraram otimistas em relação à recuperação da estrutura de gás e petróleo do país e manifestaram seu desejo de participar do processo. “Teremos uma produção de seis milhões de barris diários no Iraque, mas não sei quando”, afirmou Christophe de Margerie, conselheiro da Total.

O Iraque anunciou na segunda-feira que abriria licitações de longo prazo para empresas estrangeiras explorarem seis de seus principais campos de extração de petróleo e para dois de seus campos de extração de gás natural. O governo iraquiano, porém, atrasou o anúncio de uma série de contratos de curto prazo sem licitação firmados com cinco empresas ocidentais do setor energético.

O ministro do Petróleo do Iraque, Hussain al-Shahristani, disse que 35 empresas foram aprovadas para participar do processo de licitação, que terá seus vencedores anunciados no ano que vem. Os contratos têm como objetivo dobrar a produção do Iraque, indo dos atuais 2,5 milhões de barris de petróleo por dia para 4,5 milhões ao longo dos próximos cinco anos.

O país árabe dispõe de algumas das maiores reservas de petróleo do planeta, mas elas permanecem em grande parte inexploradas porque o Iraque precisa de recursos para desenvolvê-las. As empresas estrangeiras entrariam com equipamento e conhecimento para reformar a infra-estrutura obsoleta do país. Segundo Shahristani, os seis campos estão em produção, mas há necessidade de desenvolvimento, pois foram abertos há muito tempo.

No entanto, uma grande polêmica legal paira sobre o processo: o país ainda não aprovou uma legislação referente ao petróleo, cujos lucros devem ser distribuídos proporcionalmente entre suas regiões.

CURTO PRAZO

O governo iraquiano ainda está negociando os primeiros cinco contratos com empresas de petróleo, que disponibilizariam suporte técnico para ajudar o país a aumentar a produção antes de serem contempladas com contratos de longo prazo, informou uma fonte que não quis ser identificada.

O processo de negociação dos contratos com a Exxon Mobil, Shell, Total, BP e Chevron deve ser concluído no próximo mês. Ontem, a Total confirmou que está perto de fechar um contrato com o governo iraquiano. A Chevron afirmou, em nota, que também está “em negociações”.

Shahristani defendeu a maneira com a qual o Iraque administrou os contratos do petróleo – que recebeu duras críticas das nações vizinhas, onde suspeita-se de que a invasão liderada pelos EUA, em 2003, estaria, pelo menos em parte, relacionada ao acesso às reservas naturais do país árabe.

NÚMEROS

35 empresas
foram aprovadas para participar do processo de licitação, que terá seus vencedores anunciados no ano que vem

2,5 milhões
de barris de petróleo são produzidos diariamente no Iraque

4,5 milhões
de barris produzidos por dia é a meta que o país quer atingir nos próximos cinco anos

19/05/2008 - 14:44h Petrobras supera Microsoft e se torna 3ª maior das Américas em valor de mercado

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da Folha Online

A Petrobras passou a gigante da tecnologia Microsoft e se tornou a terceira maior empresa das Américas em valor de mercado (cotação das ações da companhia), estimada em US$ 287,17 bilhões (cerca de R$ 473,26 bilhões), segundo balanço da Economática que leva em conta números colhidos até 16 de maio.

À frente da petrolífera brasileira estão apenas a Exxon Mobil, que vale US$ 489,64 bilhões (R$ 806,92 bilhões), e a General Electric, estimada em US$ 320,25 bilhões (R$ 527,77 bilhões). A Microsoft, que até pouco tempo era a terceira maior empresas do continente americano, está na quarta posição em valor de mercado, estimada em US$ 279,3 bilhões (cerca de R$ 460,29 bilhões).

Entre as dez maiores (confira lista abaixo), outra brasileira aparece na lista, a mineradora Vale, com valor de US$ 196,49 bilhões (cerca de R$ 323,81 bilhões). Se considerado o ranking com as 50 maiores empresas, o Bradesco fica na 43ª posição, valendo US$ 67,247 bilhões (R$ 110,82 bilhões).

O valor de mercado da Petrobras, empresa que tem puxado as altas recordes da Bolsa de Valores de São Paulo, mais do que dobrou nos últimos 12 meses. A descoberta dos novos campos de petróleo e a alta do preço do barril ajudou na disparada.

Anunciado em outubro do ano passado, o campo de Tupi, na Bacia de Santos, pode ampliar as reservas brasileiras de petróleo em 60%. Outro campo, o Carioca, teria reservas estimadas em 33 bilhões de barris. Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos e seria também o terceiro maior campo do mundo na atualidade.

Além disso, a menor valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período em 2007, gerou impacto positivo de R$ 1 bilhão nas despesas financeiras líquidas da Petrobras, contribuindo para reduzir os efeitos do câmbio sobre os resultados da companhia.

O lucro da Petrobras no primeiro trimestre atingiu R$ 6,925 bilhões, com alta de 68% sobre o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou bem acima do esperado pelos analistas de mercado. Segundo a corretora Brascan, a expectativa era de lucro de R$ 5,589 bilhões. Trata-se do maior lucro trimestral da estatal petrolífera desde o segundo trimestre de 2006, quando obteve lucro de R$ 7,099 bilhões.

Confira a lista das dez maiores empresas das Américas:

1. Exxon Mobil – US$ 489,640 bilhões
2. General Electric – US$ 320,253 bilhões
3. Petrobras – US$ 287,171 bilhões
4. Microsoft Corp – US$ 279.306 bilhões
5. AT&T Telecomunicações – US$ 238.056 bilhões
6. Wal Mart Stores – US$ 225.562 bilhões
7. Chevron Texaco – US$ 207.625 bilhões
8. Procter & Gamble – US$ 203.787 bilhões
9. Vale R Doce – US$ 196.495 bilhões
10. Berkshire Hathaway – US$ 189.580 bilhões

20/04/2008 - 08:00h Tupi entra em operação só em 2012. Com tecnologia-modelo para pré-sal

Projeto-piloto deve começar em 2010 e vai definir como será a extração do combustível em águas ultraprofundas

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Irany Tereza – O Estado de São Paulo

A Petrobrás fará, no início de 2009, o teste de longa duração que determinará o volume exato das reservas do campo de Tupi, a primeira grande descoberta em águas ultraprofundas da Bacia de Santos. Será esse o campo – com estimativa inicial de conter entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo – que vai definir a tecnologia adotada na produção em toda a chamada camada de pré-sal, revela uma fonte da estatal. Mas o projeto-piloto somente entrará em operação em 2010 e a produção plena, em 2012, na melhor das hipóteses.

Na semana passada, declarações do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, sobre a possibilidade de uma nova província petrolífera na Bacia de Santos (área conhecida como Pão de Açúcar/Carioca) conter volume de petróleo cinco vezes superior à de Tupi levaram rebuliço ao mercado.

De acordo com a fonte da estatal, não há como afirmar ainda com precisão a existência de jazidas dessa magnitude. Mas confirma que a animação entre a equipe é muito grande pelo fato de todos os sete poços perfurados na região, em cinco diferentes blocos, terem detectado a existência de óleo.

O inusitado índice de sucesso na perfuração já levanta entre as empresas responsáveis pela operação dos poços a suspeita de que toda a região forme um único campo. A Lei do Petróleo prevê casos assim e determina que seja promovida a unitização de blocos.

“Essa é uma possibilidade”, admite o geólogo John Forman, ex-diretor da ANP, hoje dono da J. Forman Consultoria. “É extremamente difícil tantos poços pioneiros terem resultado positivo desse jeito. Não há a menor dúvida de que aquela é uma área de grande potencial. Mas ainda teremos de esperar um ano para a declaração de comercialidade de Tupi.”

Ele explica que a unitização de blocos servidos por uma mesma jazida é obrigatória e tem como objetivo garantir o melhor aproveitamento do campo. E cita uma imagem figurada de uma jarra de água com canudos para três diferentes consumidores. Se não houver definição antecipada do volume que caberá a cada um, todos sugarão o mais rapidamente possível, para ficar com a maior parte, o que levará ao esgotamento da reserva antes do tempo.

A Petrobrás ainda precisará de dois a três meses para anunciar as primeiras estimativas sobre blocos na área Carioca/Pão de Açúcar, informou na semana passada o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli.

O presidente da Petrobrás não confirmou a expectativa de 33 bilhões de barris anunciada por Lima, em seminário do qual participou segunda-feira, no Rio. Lima revelou o número espontaneamente, durante uma palestra sobre as potencialidades brasileiras.

A revelação fez com que as ações da Petrobrás disparassem no Brasil e em Nova York, e movimentou as cotações das empresas estrangeiras que operam naquela região, em parceria com a estatal.

NÚMEROS OFICIOSOS

Lima teve de se explicar na Comissão de Infra-Estrutura do Senado e atribuiu a informação a dados coletados em noticiário especializado. No dia da palestra, porém, havia explicado que eram “números oficiosos, com base em dados preliminares das empresas”. Depois dos esclarecimentos no Senado, Lima não concedeu mais nenhuma entrevista.

Gabrielli se recusa a comentar as declarações de Lima. “Não vou falar sobre isso”, disse, quinta-feira, e destacou que qualquer divulgação sobre as reservas dos blocos de Santos tem de ser feita “com prudência e de forma responsável”.

Os blocos que estão sendo explorados em Santos abaixo da camada de sal são concessões adquiridas em 2000 e 2001 em leilões da ANP. O mapeamento dessas áreas, consideradas novas fronteiras exploratórias, está sendo feito desde 2004. Mas a Petrobrás e as companhias estrangeiras – entre elas, BG, Galp, Amerada Hess, Exxon – não têm certeza sobre a viabilidade de produção, por causa do alto custo.

No Golfo do México já há produção de petróleo em pré-sal, mas a profundidade não ultrapassa 5 mil metros. Aqui, esses campos terão de produzir a 7 mil metros de profundidade, em média. Somente na fase de exploração foram gastos US$ 420 milhões na perfuração dos sete poços.