02/07/2008 - 12:06h Petróleo vermelho-sangue

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Bob Herbert* - The New York Times e O Estado de São Paulo

É cada vez mais difícil que continuemos sendo enganados. Há duas semanas, The New York Times noticiou que quatro das maiores petrolíferas do Ocidente estavam prestes a assinar contratos sem licitação que lhes permitirão regressar ao Iraque, onde está a terceira reserva de petróleo mais abundante do planeta. Os acordos, que deverão ser finalizados nos próximos 30 dias, são o tipo de notícia pela qual as grandes petrolíferas vivem.

Podia-se até ouvir executivos cantando Oh, Happy Day (”Oh, Dia Feliz”) nos escritórios da Exxon Mobil, Shell, Total e BP, excluídas do Iraque há 35 anos. Nesta semana, ouvimos falar que um grupo de assessores americanos, orientados por uma equipe do Departamento de Estado, teve atuação importante na elaboração desses contratos entre as companhias e o governo iraquiano. A Chevron e outras empresas também estão prestes a concluir acordos.

Durante muito tempo, o presidente George W. Bush e o vice-presidente Dick Cheney, ambos ex-executivos de petrolíferas, tentaram nos convencer de que a guerra no Iraque foi provocada pelo terrorismo, por armas de destruição em massa, e teria como objetivo levar a liberdade e a democracia ao povo iraquiano - enfim, por causa de tudo, menos do petróleo.

Não se levou em conta o fato de que Saddam Hussein não representava ameaça iminente para os EUA. Nem o fato de que o Iraque não tinha nada a ver com os ataques de 11 de setembro de 2001. No início de 2003, as tropas foram mandadas para a batalha e lá continuam, depois da morte de mais de 4 mil americanos, sem que haja previsão de fim do conflito.

As verdadeiras prioridades dos EUA ficaram evidentes quando começaram as pilhagens, após a queda de Bagdá. No meio da violência e do caos, os soldados americanos receberam a ordem de proteger um alvo particularmente precioso: o Ministério do Petróleo do Iraque. Agora, é muito conveniente a perspectiva de que o governo Bush, obcecado por petróleo, assessore o governo iraquiano na conclusão dos contratos com as petrolíferas!

Os contratos em si não são muito expressivos. Eles são, isto sim, a chave cobiçada que começará a abrir as portas das imensas reservas de petróleo do Iraque. É um prêmio para as petrolíferas. Mas a que custo? Além do preço terrível em termos de soldados americanos e de iraquianos mortos e feridos, a guerra desviou as atenções e os recursos necessários para sanar problemas cruciais nos EUA, onde o mercado da habitação entrou em colapso, a Bolsa de Valores enlouqueceu, a gasolina chegou a custar mais de US$ 4 o galão (3,8 litros), o desemprego aumenta e um número extraordinário de famílias de trabalhadores cheias de dívidas vê à frente o abismo financeiro.

E há ainda a guerra ao terror. As notícias mais recentes informam que a Al-Qaeda se reagrupou nas áreas tribais do Paquistão e recuperou a capacidade de lançar ataques terroristas a partir dali. Para um governo ligado umbilicalmente à indústria petrolífera, o fascínio das enormes reservas do Iraque foi maior até mesmo do que o impulso de aniquilar um inimigo que, no 11/9, assassinou mais de 2.700 civis.

Quem sabe quanto tempo os EUA levarão para desvincular-se de forma significativa do Iraque? O que se pode imaginar é que os EUA não farão grandes avanços em política energética, na cobertura de saúde para todos, na melhoria das escolas públicas ou na redução da dívida pública e privada enquanto não puserem fim ao compromisso ilimitado com uma guerra catastrófica que já consumiu trilhões de dólares. Quanto tempo levará para que os EUA se convençam disso?

*Bob Herbert é colunista do jornal “The New York Times”

02/07/2008 - 11:51h Petrolíferas comemoram abertura de reservas no Iraque

Empresas estrangeiras participam de licitação para explorar campos de petróleo e gás natural no país

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AP, Efe e NYT, Bagdá - O Estado de São Paulo

As empresas petrolíferas Total, da França, e Exxon Mobil, dos EUA, comemoraram ontem a abertura das reservas de petróleo do Iraque a estrangeiros, anunciada na segunda-feira pelo governo do país. As duas empresas se mostraram otimistas em relação à recuperação da estrutura de gás e petróleo do país e manifestaram seu desejo de participar do processo. “Teremos uma produção de seis milhões de barris diários no Iraque, mas não sei quando”, afirmou Christophe de Margerie, conselheiro da Total.

O Iraque anunciou na segunda-feira que abriria licitações de longo prazo para empresas estrangeiras explorarem seis de seus principais campos de extração de petróleo e para dois de seus campos de extração de gás natural. O governo iraquiano, porém, atrasou o anúncio de uma série de contratos de curto prazo sem licitação firmados com cinco empresas ocidentais do setor energético.

O ministro do Petróleo do Iraque, Hussain al-Shahristani, disse que 35 empresas foram aprovadas para participar do processo de licitação, que terá seus vencedores anunciados no ano que vem. Os contratos têm como objetivo dobrar a produção do Iraque, indo dos atuais 2,5 milhões de barris de petróleo por dia para 4,5 milhões ao longo dos próximos cinco anos.

O país árabe dispõe de algumas das maiores reservas de petróleo do planeta, mas elas permanecem em grande parte inexploradas porque o Iraque precisa de recursos para desenvolvê-las. As empresas estrangeiras entrariam com equipamento e conhecimento para reformar a infra-estrutura obsoleta do país. Segundo Shahristani, os seis campos estão em produção, mas há necessidade de desenvolvimento, pois foram abertos há muito tempo.

No entanto, uma grande polêmica legal paira sobre o processo: o país ainda não aprovou uma legislação referente ao petróleo, cujos lucros devem ser distribuídos proporcionalmente entre suas regiões.

CURTO PRAZO

O governo iraquiano ainda está negociando os primeiros cinco contratos com empresas de petróleo, que disponibilizariam suporte técnico para ajudar o país a aumentar a produção antes de serem contempladas com contratos de longo prazo, informou uma fonte que não quis ser identificada.

O processo de negociação dos contratos com a Exxon Mobil, Shell, Total, BP e Chevron deve ser concluído no próximo mês. Ontem, a Total confirmou que está perto de fechar um contrato com o governo iraquiano. A Chevron afirmou, em nota, que também está “em negociações”.

Shahristani defendeu a maneira com a qual o Iraque administrou os contratos do petróleo - que recebeu duras críticas das nações vizinhas, onde suspeita-se de que a invasão liderada pelos EUA, em 2003, estaria, pelo menos em parte, relacionada ao acesso às reservas naturais do país árabe.

NÚMEROS

35 empresas
foram aprovadas para participar do processo de licitação, que terá seus vencedores anunciados no ano que vem

2,5 milhões
de barris de petróleo são produzidos diariamente no Iraque

4,5 milhões
de barris produzidos por dia é a meta que o país quer atingir nos próximos cinco anos

19/05/2008 - 14:44h Petrobras supera Microsoft e se torna 3ª maior das Américas em valor de mercado

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da Folha Online

A Petrobras passou a gigante da tecnologia Microsoft e se tornou a terceira maior empresa das Américas em valor de mercado (cotação das ações da companhia), estimada em US$ 287,17 bilhões (cerca de R$ 473,26 bilhões), segundo balanço da Economática que leva em conta números colhidos até 16 de maio.

À frente da petrolífera brasileira estão apenas a Exxon Mobil, que vale US$ 489,64 bilhões (R$ 806,92 bilhões), e a General Electric, estimada em US$ 320,25 bilhões (R$ 527,77 bilhões). A Microsoft, que até pouco tempo era a terceira maior empresas do continente americano, está na quarta posição em valor de mercado, estimada em US$ 279,3 bilhões (cerca de R$ 460,29 bilhões).

Entre as dez maiores (confira lista abaixo), outra brasileira aparece na lista, a mineradora Vale, com valor de US$ 196,49 bilhões (cerca de R$ 323,81 bilhões). Se considerado o ranking com as 50 maiores empresas, o Bradesco fica na 43ª posição, valendo US$ 67,247 bilhões (R$ 110,82 bilhões).

O valor de mercado da Petrobras, empresa que tem puxado as altas recordes da Bolsa de Valores de São Paulo, mais do que dobrou nos últimos 12 meses. A descoberta dos novos campos de petróleo e a alta do preço do barril ajudou na disparada.

Anunciado em outubro do ano passado, o campo de Tupi, na Bacia de Santos, pode ampliar as reservas brasileiras de petróleo em 60%. Outro campo, o Carioca, teria reservas estimadas em 33 bilhões de barris. Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos e seria também o terceiro maior campo do mundo na atualidade.

Além disso, a menor valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período em 2007, gerou impacto positivo de R$ 1 bilhão nas despesas financeiras líquidas da Petrobras, contribuindo para reduzir os efeitos do câmbio sobre os resultados da companhia.

O lucro da Petrobras no primeiro trimestre atingiu R$ 6,925 bilhões, com alta de 68% sobre o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou bem acima do esperado pelos analistas de mercado. Segundo a corretora Brascan, a expectativa era de lucro de R$ 5,589 bilhões. Trata-se do maior lucro trimestral da estatal petrolífera desde o segundo trimestre de 2006, quando obteve lucro de R$ 7,099 bilhões.

Confira a lista das dez maiores empresas das Américas:

1. Exxon Mobil - US$ 489,640 bilhões
2. General Electric - US$ 320,253 bilhões
3. Petrobras - US$ 287,171 bilhões
4. Microsoft Corp - US$ 279.306 bilhões
5. AT&T Telecomunicações - US$ 238.056 bilhões
6. Wal Mart Stores - US$ 225.562 bilhões
7. Chevron Texaco - US$ 207.625 bilhões
8. Procter & Gamble - US$ 203.787 bilhões
9. Vale R Doce - US$ 196.495 bilhões
10. Berkshire Hathaway - US$ 189.580 bilhões

20/04/2008 - 08:00h Tupi entra em operação só em 2012. Com tecnologia-modelo para pré-sal

Projeto-piloto deve começar em 2010 e vai definir como será a extração do combustível em águas ultraprofundas

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Irany Tereza - O Estado de São Paulo

A Petrobrás fará, no início de 2009, o teste de longa duração que determinará o volume exato das reservas do campo de Tupi, a primeira grande descoberta em águas ultraprofundas da Bacia de Santos. Será esse o campo - com estimativa inicial de conter entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo - que vai definir a tecnologia adotada na produção em toda a chamada camada de pré-sal, revela uma fonte da estatal. Mas o projeto-piloto somente entrará em operação em 2010 e a produção plena, em 2012, na melhor das hipóteses.

Na semana passada, declarações do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, sobre a possibilidade de uma nova província petrolífera na Bacia de Santos (área conhecida como Pão de Açúcar/Carioca) conter volume de petróleo cinco vezes superior à de Tupi levaram rebuliço ao mercado.

De acordo com a fonte da estatal, não há como afirmar ainda com precisão a existência de jazidas dessa magnitude. Mas confirma que a animação entre a equipe é muito grande pelo fato de todos os sete poços perfurados na região, em cinco diferentes blocos, terem detectado a existência de óleo.

O inusitado índice de sucesso na perfuração já levanta entre as empresas responsáveis pela operação dos poços a suspeita de que toda a região forme um único campo. A Lei do Petróleo prevê casos assim e determina que seja promovida a unitização de blocos.

“Essa é uma possibilidade”, admite o geólogo John Forman, ex-diretor da ANP, hoje dono da J. Forman Consultoria. “É extremamente difícil tantos poços pioneiros terem resultado positivo desse jeito. Não há a menor dúvida de que aquela é uma área de grande potencial. Mas ainda teremos de esperar um ano para a declaração de comercialidade de Tupi.”

Ele explica que a unitização de blocos servidos por uma mesma jazida é obrigatória e tem como objetivo garantir o melhor aproveitamento do campo. E cita uma imagem figurada de uma jarra de água com canudos para três diferentes consumidores. Se não houver definição antecipada do volume que caberá a cada um, todos sugarão o mais rapidamente possível, para ficar com a maior parte, o que levará ao esgotamento da reserva antes do tempo.

A Petrobrás ainda precisará de dois a três meses para anunciar as primeiras estimativas sobre blocos na área Carioca/Pão de Açúcar, informou na semana passada o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli.

O presidente da Petrobrás não confirmou a expectativa de 33 bilhões de barris anunciada por Lima, em seminário do qual participou segunda-feira, no Rio. Lima revelou o número espontaneamente, durante uma palestra sobre as potencialidades brasileiras.

A revelação fez com que as ações da Petrobrás disparassem no Brasil e em Nova York, e movimentou as cotações das empresas estrangeiras que operam naquela região, em parceria com a estatal.

NÚMEROS OFICIOSOS

Lima teve de se explicar na Comissão de Infra-Estrutura do Senado e atribuiu a informação a dados coletados em noticiário especializado. No dia da palestra, porém, havia explicado que eram “números oficiosos, com base em dados preliminares das empresas”. Depois dos esclarecimentos no Senado, Lima não concedeu mais nenhuma entrevista.

Gabrielli se recusa a comentar as declarações de Lima. “Não vou falar sobre isso”, disse, quinta-feira, e destacou que qualquer divulgação sobre as reservas dos blocos de Santos tem de ser feita “com prudência e de forma responsável”.

Os blocos que estão sendo explorados em Santos abaixo da camada de sal são concessões adquiridas em 2000 e 2001 em leilões da ANP. O mapeamento dessas áreas, consideradas novas fronteiras exploratórias, está sendo feito desde 2004. Mas a Petrobrás e as companhias estrangeiras - entre elas, BG, Galp, Amerada Hess, Exxon - não têm certeza sobre a viabilidade de produção, por causa do alto custo.

No Golfo do México já há produção de petróleo em pré-sal, mas a profundidade não ultrapassa 5 mil metros. Aqui, esses campos terão de produzir a 7 mil metros de profundidade, em média. Somente na fase de exploração foram gastos US$ 420 milhões na perfuração dos sete poços.