02/04/2009 - 08:59h Montadoras têm melhor trimestre da história

Com o corte do IPI, as vendas chegaram a 668 mil veículos, alta de 3,14% em relação ao ano passado

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Cleide Silva – O Estado SP

Março foi o segundo melhor mês da história da indústria automobilística brasileira, com vendas de 271,4 mil veículos, incluindo caminhões e ônibus. Em relação ao mesmo mês de 2008, foi registrado crescimento de 16,9%. Na comparação com fevereiro deste ano, o aumento foi de 36,1%. O melhor mês até agora é julho passado, com 288,1 mil carros vendidos.

Empresários do setor admitem que parte do desempenho se deve a antecipação de compras de consumidores que não confiavam na renovação do acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que venceria em 31 de março e foi estendido até 30 de junho, conforme anúncio do governo federal feito na segunda-feira. A medida permite preços entre 5% a 7% mais baixos para modelos com motor 1.0 até 2.0.

De janeiro a março, as vendas somaram 668,3 mil veículos, um aumento de 3,14% ante os mesmos meses do ano passado e o melhor resultado já obtido para esse período. Os dados, na visão de executivos, comprovam as previsões de que o Brasil sofreria menos com a crise internacional. Nos Estados Unidos, as vendas de carros despencaram 40% na comparação com março de 2008.

A ajuda recebida do governo, que além do benefício tributário incluiu a liberação de crédito para financiamento, também foi fundamental para o desempenho. “O impacto da redução do IPI, no entanto,vai começar a se diluir nos próximos meses”, diz o presidente da General Motors, Jaime Ardila. Para ele, as vendas nesse trimestre devem ficar na casa das 230 mil unidades ao mês.

Segundo Luiz Carlos Andrade, vice-presidente da Toyota, entre 20% a 30% das vendas em março foram antecipação de compra. “Abril será um mês morno, maio será mais quente e em junho vamos retomar (as vendas nos níveis do mês passado)”, prevê o executivo. Ele não quis fazer projeções para o ano. Ardila aposta em vendas de 2,4 milhões a 2,5 milhões de veículos, entre 11% a 15% menor que em 2008 por levar em conta um segundo semestre mais fraco que o anterior.

Só em automóveis e comerciais leves foram vendidos em março 261 mil unidades, 36,4% acima do volume de fevereiro e 11,6% maior que o de igual mês de 2008. No trimestre, as vendas cresceram 3,9% ante o ano passado, para 642,4 mil unidades. Fiat e Volkswagen travam disputa acirrada pela liderança no mercado, com 152,7 mil unidades vendidas pela primeira e 151,7 mil pela segunda. Depois vem a GM, com 123,3 mil veículos.

28/03/2009 - 13:38h Corte de IPI de carro é prorrogado

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Cleide Silva – O Estado SP

Uma manhã de conversas ao telefone entre sindicalistas, dirigentes de montadoras e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, selou ontem a renovação do acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros por mais três meses. O anúncio oficial será feito na segunda ou terça-feira, pois depende da agenda dos envolvidos nas negociações.

O governo já vinha manifestando intenção de renovar a medida, que ajudou as montadoras a venderem, em plena crise, mais veículos no primeiro trimestre deste ano do que em 2008. O impasse estava na contrapartida a ser exigida, de manutenção de empregos, sugerida pelas centrais sindicais. Só em janeiro e fevereiro as montadoras cortaram 4 mil vagas.

As fabricantes concordaram, desde que ficassem de fora os trabalhadores com contratos temporários. Os sindicalistas encontraram uma “frase mágica” para endossar o acordo, que terá cláusula afirmando que “os contratos temporários serão cumpridos”. Ou seja, aqueles que vencerem nos próximos três meses não serão renovados, pois tinham validade por um ano. A abertura de programa de demissão voluntária está liberada.

O corte do IPI em meados de dezembro e com validade inicial até 31 de março foi adotado para reduzir o efeito da crise financeira nas vendas de carros no País, que despencaram nos últimos meses de 2008. Apesar de ter provocado queda de 90% na arrecadação do imposto, a medida é vista como uma das poucas anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com resultado efetivo.

O primeiro trimestre deve ser fechado com vendas próximas a 655 mil veículos, 1% a mais do que em igual período de 2008, quando somaram 647,9 mil unidades. No segmento de automóveis e comerciais leves, o mais beneficiado pela medida, o aumento deve ficar perto de 2%, com 630 mil unidades.

Os estoques nos pátios das fábricas e das revendas, que chegaram a 305 mil veículos em dezembro, equivalentes a 56 dias de vendas, baixaram no mês passado para 181 mil unidades, ou 27 dias de comercialização.

A alíquota do IPI, que era de 7% para carros 1.0, permanecerá isenta. Para modelos 1.4 até 2.0, ficará em 5,5% para motores flex e 6,5% para a gasolina, metade da alíquota normal. Com o novo imposto, os preços dos carros caíram em média de 5% a 7%.

FEIRÕES

Com o anúncio da prorrogação só a partir de 2ª-feira, o governo não vai atrapalhar as campanhas das montadoras neste fim de semana, que usam como atrativo a última oportunidade para comprar carro com IPI reduzido.

A Volkswagen faz feirão hoje e amanhã na fábrica Anchieta e na área ao lado do Playcenter com o slogan “Último fim de semana de IPI reduzido”. A Fiat fará ações nas lojas de todo o País e divulga anúncios com a chamada “Aproveite o último fim de semana com IPI reduzido e condições especiais.”

19/03/2009 - 16:29h França enfrenta greve geral hoje

Des responsables de la CFDT, de la CGT, de FO et de la FSU défilent à Paris le 19 mars.

Ben Hall, Financial Times, de Compiègne, França – VALOR

AP

Empregados da Continental em Grenoble, França, colocam fogo em pneus durante protesto:

trabalhadores franceses já dão sinais de radicalismo

Após serem atingidos por ovos jogados por trabalhadores que bloqueavam a entrada da fábrica de pneus da Continental às margens do rio Oise, diretores da fábrica foram vistos entrando sorrateiramente por uma entrada lateral cujo acesso se dá por barco.

“As pessoas estão perturbadas”, afirma Christian Lahargue, um funcionário da Continental que corre o risco de ser demitido. “Vamos fazer de tudo para manter esta fábrica aberta.”

Este impasse agressivo no norte da França às vésperas de uma greve nacional sugere que a tensão social está aumentando e contribuindo para a impressão de que o outrora confiante Nicolas Sarkozy, o presidente da França, está perdendo o passo.

A segunda maior economia da zona do Euro deverá enfrentar distúrbios hoje, por causa de uma greve nacional convocada por sindicatos, que deverá contar com centenas de manifestações em protesto contra a política econômica e o programa de reformas de Sarkozy.

Sindicalistas prometeram superar a última greve, feita em janeiro, quando entre 1 milhão e 2,5 milhões de pessoas foram às ruas.

A escala dos protestos de sete semanas atrás pegou o governo de surpresa, forçando-o a oferecer ? 2,6 bilhões (US$ 3,38 bilhões) em pagamentos extras de auxílio-desemprego e corte de impostos para famílias de baixa renda. Mas as concessões não satisfizeram os sindicatos, nem impressionaram a população.

Segundo uma pesquisa de opinião feita pelo instituto Ifop para a revista “Paris Match” , 78% dos franceses consideram a greve de hoje justificada. Os franceses “deram autorização ao movimento sindical para articular sua oposição a Nicolas Sarkozy”, afirma Stéphane Rozès, presidente-executiva do instituto de pesquisas CSA.

De acordo com outra pesquisa, os franceses acreditam que Olivier Besancenot, o líder trotskista da extrema esquerda, tem tanta “credibilidade” quanto o presidente.

Sarkozy está na defensiva desde o começo do ano, com o agravamento da situação da economia. O governo foi lento em reagir a uma greve geral de seis semanas e a tumultos em Guadalupe, um território francês no Caribe.

O presidente vem encontrando oposição dentro de seu partido de centro-direita em uma série de questões, do retorno da França ao comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à redução da carga tributária para os ricos.

Sarkozy foi forçado a recuar na reforma universitária, uma de suas principais medidas de modernização, em meio a temores de que um movimento de protesto estudantil liderado pela extrema esquerda pudesse se tornar violento. A concessão preocupou alguns empresários. “Os mais radicais estão conseguindo resultados”, diz Maurice Lévy, presidente-executivo do grupo de propaganda Publicis.

Sarkozy tem motivo para se sentir ressentido. A economia francesa deverá se sair bem melhor que as de seus vizinhos depois que Sarkozy implementou rapidamente um plano de socorro bancário, garantias de empréstimos para pequenas empresas, seguro de crédito comercial bancado pelo governo e outra medidas para manter o crédito fluindo para a economia.

Ele mobilizou o outrora intervencionista e desdenhoso Estado francês e entendeu a mensagem que estava sendo passada pela população com sua crítica ao capitalismo financeiro.

Mas, ao mesmo tempo em que celebra o retorno do Estado, Sarkozy está se agarrando às suas metas de cortar os impostos, diminuir a burocracia do governo e conter os gastos.

É por isso que os franceses acreditam que as políticas de Sarkozy “não são coerentes, eficientes ou justas”, diz Rozès. Os franceses sentem que os bancos estão sendo ajudados com poucos limites, enquanto o governo vem dando pouca ajuda às famílias comuns.

A oposição a Sarkozy deverá se concentrar na redução dos impostos para os ricos, o chamado escudo que limita o imposto de renda devido de um indivíduo a 50% da renda. Sindicatos e alguns membros do partido do presidente não querem isso. Sarkozy reage, reforçando sua imagem de amigo dos ricos.

Não está nem um pouco claro se a tensão social vai acabar resultando em um movimento político coerente capaz de paralisar o governo Sarkozy. “Ele não está numa espiral de queda”, afirma Zaki Laidi, da Sciences Po, que aponta para a confusão entre os socialistas da oposição e diz que as críticas da população e dos sindicatos ao presidente são bastante difusas. “Não estamos na iminência de uma greve geral.”

Mas outros observadores temem a possibilidade de tumultos. “O verdadeiro problema para qualquer um é saber como a opinião pública vai evoluir”, diz Lévy. “Será que as pessoas vão acreditar que com a economia mundial em tamanha dificuldade elas precisam ficar calmas e razoáveis, além de trabalhar juntas para superar tudo isso? Ou será que vai levar as pessoas a atos desesperados? Minha sensação é de que não chegamos lá ainda, mas poderemos nos encontrar em uma situação com as sementes de um descontentamento muito profundo e uma espiral negativa que poderão levar a repetidas greves. Isso iria forçar o governo a desistir.”

08/03/2009 - 13:00h Metalúrgicos festejam volta à vida normal

Empresas que haviam cortado salários e jornada já suspenderam medida

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Cleide Silva – O Estado SP

Casado e pai de cinco filhos com idades de dois a 18 anos, o metalúrgico Humberto Pereira de Santana passou a controlar a compra mensal no supermercado. “Se passasse de R$ 220, eu tirava os produtos do carrinho”, conta ele. O controle rígido das despesas foi adotado em janeiro e fevereiro, período em que a empresa onde trabalha, a autopeça Polistampo, de Diadema, no ABC paulista, reduziu a jornada de cinco para três dias semanais, com corte também nos salários.

A medida iria até o fim de março. Ao ser avisado da volta da jornada normal, um mês e meio antes do previsto, Santana sentiu um alívio. “Voltamos à vida normal”, dizia ele na sexta-feira, num intervalo da tarefa de montar suportes de baterias. Com 40 anos e funcionário da Polistampo há 4,5 anos, ele conta que nos dias de folga forçada na fábrica ajudava a esposa e um dos filhos no atendimento de um pequeno bar pertencente à família.

As autopeças também precisam acompanhar o ritmo mais acelerado das montadoras em relação aos últimos meses de 2008. Várias fábricas que fizeram acordos de redução de jornada e salários estão voltando atrás antes do prazo previsto.

No ABC, além da Polistampo, já voltaram a operar em semana cheia a fabricante de buzinas Fiamm e a Proxyon, que produz chapas e outras peças. A Kostal fez acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos para redução de jornada a partir da semana passada, mas cancelou a medida antes mesmo de aplicá-la.

“Vimos uma luz no fundo do túnel já no início de fevereiro. Desconfiados, temíamos que fosse um trem vindo em posição contrária, mas logo depois confirmamos que as encomendas estavam aumentando”, conta Nelson Garcia, supervisor de Recursos Humanos da Polistampo.

A empresa foi fundada há 30 anos e hoje fornece diversos componentes para veículos da Volkswagen, Fiat, Renault, General Motors e Mercedes-Benz e para motocicletas da Honda. Foi a primeira vez que a autopeça precisou reduzir a semana de trabalho.

Em Taubaté, interior de São Paulo, a Thyssenkrupp KMAB, que produz eixos, vai recontratar 38 dos 70 trabalhadores demitidos em dezembro. O motivo é o aumento de pedidos por parte da Volkswagen.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo, “as empresas demitiram sem ter conhecimento do tamanho do impacto da crise na economia brasileira. Passado o susto inicial, estão recontratando para manter o nível da produção”.

Sueli Aparecida Souza de Oliveira, de 26 anos e há dois na Polistampo, chegou a trancar a matrícula em um curso técnico de química iniciado há três meses. “Por causa da crise, meu marido está desempregado desde janeiro e, com o salário menor, não daria para pagar o curso”, conta ela. Com o chamado para voltar a trabalhar cinco dias por semana no fim de fevereiro e o pagamento do salário integral, ela pretende retomar as aulas na próxima semana.

O operador de máquinas Kleuson dos Santos Vieira, de 31 anos e solteiro, suspendeu atividades de lazer, como ir ao shopping center e bares. Também cortou a compra de roupas. Nas semanas em que ficava em casa dois dias a mais, aproveitou para realizar serviços de pintura e manutenção da casa alugada em Diadema.

Na base do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, onde foram feitos 24 acordos de redução de jornada e salário, a maioria em autopeças, até agora apenas uma – a Thyssenkrupp – desistiu de aplicar a norma.

RETOMADA

Fiamm: Voltou à jornada de 5 dias na segunda-feira, suspendendo acordo que previa semana de 4 dias até maio na unidade de São Bernardo, com 168 empregados

Fiat: Chamou 12 mil funcionários (de um total de 14 mil) para repor produção em três sábados de março e tem feito diariamente 45 minutos de trabalho extra

GM: Suspendeu as férias coletivas de todos os 5,2 mil funcionários previstas para 26 de janeiro a 8 de fevereiro em Gravataí (RS)

Polistampo: Após adotarem semana de 3 dias, os 140 funcionários voltaram aos 5 dias em fevereiro, 1,5 mês antes do previsto

Proxyon: Suspendeu semana de 4 dias adotada em janeiro para os 228 trabalhadores em São Bernardo e voltou a operar em 5 dias na última quinta-feira

Renault:
500 funcionários com contratos suspensos até maio voltarão ao trabalho no dia 23 em São José dos Pinhais (PR), onde trabalham 4,5 mil pessoas

Thyssenkrupp KMAP: Empresa de Taubaté com 400 funcionários recontratou 38 demitidos

Volkswagen: Convocou 7 mil trabalhadores para horas extras nos próximos 3 sábados na Anchieta e 5 mil em Taubaté. As duas empregam 17,3 mil pessoas

05/03/2009 - 12:52h PIB nordestino deve crescer mais que a média, diz estudo

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 Novos investimentos no nordeste e consumo em alta fazem o PIB crescer mais (na foto Pernambuco)

Carolina Mandl, do Recife – VALOR

O consumo das famílias deve puxar o crescimento da região Nordeste neste ano para níveis acima da média do país, segundo a Datamétrica. Em relatório divulgado ontem, a consultoria apontou que em 2009 o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados nordestinos ficará em 3,12%, enquanto o país terá uma alta de 1,8%.

Pelos cálculos da Datamétrica, desde 2005 o Nordeste cresce acima da média. Em 2008, a consultoria prevê que o PIB da região aumentou 6,12%, ante 5,62% do país. Agora, mesmo em um cenário de crise, o movimento deve se repetir.

De acordo com Alexandre Rands, sócio da Datamétrica, os dois fatores que mais podem favorecer a região são o aumento do salário mínimo e a Bolsa Família. “Por terem um peso maior na região, eles podem amortecer o impacto da crise”, diz Rands. Com um contracheque maior, o consumo familiar se elevará, ajudando a atividade da região.

Outros pontos também podem pesar a favor do Nordeste, segundo ele, como o fato de as indústrias terem uma importância menor para o crescimento do que no Sudeste, por exemplo. “Por enquanto, a crise está afetando mais o setor industrial, que é menos significativo na região”, afirma ele.

Além disso, políticas públicas de combate à crise podem favorecer mais os Estados nordestinos. “O governo Lula demonstra ter mais agilidade para gastos sociais do que com infraestrutura, por exemplo. E o Nordeste é mais beneficiado com isso, por ter mais pobres”, avalia Rands.

O Estado que mais deve crescer em 2009 é Pernambuco, com um aumento de 4,29%, puxado principalmente por empreendimentos privados que estão em fase avançada de obras, como o estaleiro Atlântico Sul, no litoral, e as fábricas da Perdigão e da Sadia, no interior. O menor aumento do PIB está estimado para Alagoas, com 2,14%, ainda acima da média nacional. Entre esses extremos estão Bahia (2,89%), Ceará (2,87%), Maranhão (2,97%), Piauí (3,03%), Sergipe (2,46%), Paraíba (2,83%) e Rio Grande do Norte (2,93%).

04/03/2009 - 08:57h Resumo

Capa do jornal O Estado de São Paulo: um resumo significativo sobre o impacto da crise econômica
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No Brasil, vendas reagem e fábricas adotam hora extra

Queda de 4,5% no número de unidades vendidas foi menor do que analistas e empresas esperavam

Ao contrário de mercados internacionais, as vendas de veículos no Brasil apresentaram pequena recuperação em fevereiro e, no bimestre, a queda é de 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado, com 396,8 mil unidades vendidas. Diante de resultados menos pessimistas do que os previstos, as montadoras estão tendo de recorrer a horas extras e suspensão de dispensas temporárias para dar conta da demanda.

A Volkswagen convocou 7 mil funcionários – quase a totalidade do quadro da produção – para jornada extra neste sábado na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Na Fiat em Betim (MG), 12 mil funcionários vão trabalhar nos próximos três sábados para repor feriados. Cerca de 440 funcionários da Renault em São José dos Pinhais (PR)voltarão ao trabalho dia 23. Eles fazem parte do grupo de 844 pessoas com contratos suspensos até maio.

Com a necessidade de produzir mais, até para evitar filas de espera de alguns modelos, a ação das montadoras puxa a das autopeças. Nos últimos meses, várias fabricantes fizeram acordos de redução de jornada e agora estão voltando atrás.

Na região do ABC paulista, a Fiamm, fabricante de buzinas, cancelou a semana reduzida de trabalho três meses antes do previsto. Os 168 trabalhadores retomaram a jornada normal de cinco dias na segunda-feira. A medida visa a normalizar a produção, segundo informou a empresa ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Os 160 trabalhadores da Polistampo, que faz peças para portas, voltaram uma semana antes do previsto à jornada normal de trabalho.

A Volkswagen não comentou a razão das horas extras. A Fiat informou que pretende ampliar a produção diária de 2,6 mil para 3 mil veículos.

Marcelo Cioffi, da consultoria PricewaterhouseCoopers, avalia que o mercado brasileiro “não está tão ruim quanto se esperava”. Mas acha também que pode ser um movimento por parte das montadoras de garantir estoques para as vendas de março, último mês de redução do IPI. É provável que haja uma correria às lojas, “uma antecipação de compras”. As empresas, nos bastidores, tentam convencer o governo a manter o benefício.


NÚMEROS

396,8 mil
unidades foram vendidas em janeiro e fevereiro

7 mil
funcionários da Volkswagen foram convocados para trabalhar sábado. Na Fiat, 12 mil vão trabalhar nos próximos 3 sábados

Venda de carros cai até 53% nos EUA, o nível mais baixo em 30 anos

Especialistas falam em ‘depressão automotiva’ nos EUA; na Europa, a GM diz que pode ficar sem caixa em abril

Agências internacionais, NOVA YORK


A venda de automóveis das principais montadoras nos Estados Unidos em fevereiro caiu mais de 40% na comparação com igual período do ano passado. Apesar de oferecerem descontos bastante agressivos, o desempenho das montadoras registraram o nível mais baixo em quase 30 anos.

Na General Motors, que vem sobrevivendo graças a uma ajuda governamental de US$ 13,4 bilhões, a queda nas vendas foi de 52,9%. A Ford teve redução de 48% e a Chrysler, que também ganhou uma sobrevida com uma ajuda de US$ 4 bilhões em dezembro, viu suas vendas caírem 44%.

Maior montadora do mundo em vendas, a japonesa Toyota vendeu 37,3% a menos. Honda e Nissan anunciaram queda de 38% e 37%, respectivamente, enquanto a alemã BMW informou uma redução de 34,7%.

“Estamos vivendo uma depressão automotiva”, afirmou o analista da Standard & Poor?s Efraim Levy. “Consumidores temerosos de perder o emprego e assistindo a uma queda no valor de suas casas e de seus ativos em bolsa estão muito receosos de fazer compras grandes e não essenciais.”

Na Europa, o cenário também não é animador. Na Espanha, o número de registros de veículos caiu 48,8%, o pior desempenho para um mês de fevereiro na história do país. Na França – um dos países que havia resistido melhor à crise do setor em 2008 -, o recuo foi de 13,1%.

A retração da demanda na Europa já ameaça as subsidiárias da GM, que empregam 300 mil pessoas. “A GM Europa poderá ficar sem caixa lá para abril ou maio. Só uma ajuda governamental poderia evitar a perda de 300 mil postos de trabalho”, alertou o vice-presidente mundial de operações da GM, Fritz Henderson. O executivo pleiteia uma ajuda de US$ 4,2 bilhões, que seria usada para financiar a separação das subsidiárias Opel e Vauxhall.

No entanto, o apelo não parece sensibilizar os líderes europeus. Depois de uma reunião com o presidente executivo da GM Europa, Carl-Peter Forster, o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, declarou que ainda não está convencido de que a Opel tenha pela frente um “futuro sustentável”. Os governos da Suécia e da Grã-Bretanha, sede das subsidiárias Saab e Vauxhall, estão igualmente relutantes.

Os números negativos divulgados ontem alimentam os temores de que as montadoras não conseguirão obter a recuperação esperada para o segundo semestre deste ano nos EUA, com a qual as companhias vinham contando para desacelerar sua erosão financeira.

Para se qualificarem a receber mais US$ 21,6 bilhões do governo, além dos US$ 17,4 bilhões que já receberam, GM e Chrysler têm até o fim deste mês para demonstrar que estão tendo sucesso nos planos de reestruturação. Caso elas não sejam convincentes, não apenas não receberão mais recursos do governo como terão de devolver aquilo que receberam.

As duas montadoras insistem que terão condições de recuperar a lucratividade e, a partir de 2012, poderão começar a pagar os empréstimos recebidos. Entretanto, para isso, precisam aumentar consideravelmente as vendas este ano.

As empresas também tentam estabilizar suas operações com a queda da produção. A GM e a Ford, que ainda não precisou de ajuda financeira, já declararam que a produção no segundo trimestre deve ser reduzida em mais de 30%, ante o mesmo período de 2008.

“Diante de um cenário econômico frágil, temos de ficar atentos para perceber os indícios de que as condições estão se deteriorando”, afirmou a economista sênior da Ford nos EUA, Emily Kolinski Morris. “Isso quer dizer que não atingimos ainda o fundo do poço. Pode ser que o fundo tenha sido atingido em fevereiro, mas não há nenhuma âncora no horizonte econômico que nos permita ser conclusivos em relação a isso.”

Nem mesmo descontos de mais de US$ 5 mil, que se tornaram comuns nas últimas semanas, estão atraindo os consumidores americanos. E os poucos que ainda estão em busca de um carro novo esbarram na falta de crédito. Pensando nesse tipo de cliente, a Toyota pediu ontem em Tóquio um empréstimo emergencial de US$ 2 bilhões do governo japonês para financiar a compra de carros nos EUA.

03/03/2009 - 08:45h Volkswagen convoca hora extra no ABC

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Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

O aumento no ritmo das vendas de veículos levou a Volkswagen a convocar praticamente todos os empregados da linha de produção da sua maior fábrica, em São Bernardo do Campo, no ABC, para fazer hora extra no sábado.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, apenas as áreas de motores e transmissões não funcionarão no período extraordinário. O trabalho no sábado visa atender ao aumento de demanda, segundo teria informado a empresa ao comitê dos empregados. A empresa não pôde ser contatada para confirmar as informações.

A Volks recomeçou a convocar os funcionários para hora extra logo depois das férias coletivas, em dezembro. Segundo os sindicalistas, os operários já foram para a fábrica em seis sábados. Metade foi para compensar folgas de fim de ano e o restante para acompanhar o reaquecimento do mercado.

Além do crescimento das vendas, impulsionadas pela decisão do governo de reduzir o IPI dos automóveis para combater a crise no crédito, a Volks também acelerou a produção porque assumiu a liderança do mercado, passando à frente da Fiat este ano.

22/02/2009 - 13:06h Retomada desigual preocupa analistas

Autos e alimentos melhoram em janeiro, mas vários setores pioram

Fernando Dantas – O Estado SP

No momento em que a Embraer demite 20% da sua força de trabalho e a angústia em relação à economia em 2009 se intensifica, outra ameaça paira sobre a tênue retomada da indústria brasileira iniciada em janeiro. A recuperação (projetada pelos indicadores antecedentes), após a queda brusca nos três últimos meses de 2008, parece ser bastante desigual entre os setores, com vários deles podendo apresentar resultados ainda muito ruins. “É difícil dizer que o vale (pior momento) já passou”, diz Jander Medeiros, analista de consumo da JGP Investimentos, empresa de gestão de recursos.

O Índice de Situação Atual da Fundação Getúlio Vargas (FGV), componente do Índice de Confiança da Indústria que melhor mede a avaliação das empresas sobre a demanda a cada momento, teve quedas expressivas de dezembro para janeiro em importantes setores industriais: 4,4% em material elétrico e de comunicações; 8,3% no mobiliário; e 14,3% em vestuário e calçados.

Esses resultados foram contrabalançados pela alta em setores como produtos alimentares e material de transporte (que inclui a indústria automobilística), que tiveram altas no Índice de Situação Atual de respectivamente 10,3% e 4,6% em janeiro.

O problema, porém, para vários analistas, é que o setor automotivo pode estar se recuperando por causa de uma queda muito forte no fim do ano passado. O bom desempenho dos alimentos, por sua vez, é compatível com a atual fase da contração econômica, que ainda está mais concentrada nos produtos dependentes de crédito.

“Quando desagreguei o resultado por setores, fiquei mais preocupado porque o índice mostra que há segmentos nobres de consumo, como eletrônicos, mobiliário e vestuário, que ainda têm quedas muito significativas”, diz Vagner Ardeo, vice-diretor do Instituto Brasileiro de Economia, da FGV no Rio.

Bráulio Borges, da LCA Consultoria, está mais otimista. Ele nota que a indústria automobilística é responsável, direta ou indiretamente, por 25% da produção industrial, afetando segmentos como siderurgia, petroquímica, etc. “É um poder de influência muito grande, e essa recuperação é um bom sinal para economia como um todo”, diz.

Um ponto comum nas análises é que o setor automobilístico foi o que pisou com mais força no freio no último trimestre do ano passado, exagerando a dose e provocando a reaceleração em janeiro. “A fábrica da Ford na Bahia, por exemplo, praticamente não operou em dezembro”, observa Borges.

Outros setores de bens duráveis, porém, como eletrodomésticos e móveis, não tiveram freada tão drástica. “Eles ainda têm de se preocupar em reduzir os estoques antes de aumentar a produção”, acrescenta.

Medeiros, da JGP, nota que fator determinante no desempenho dos setores é a dependência ou não do crédito (exceto a indústria automobilística, com sua dinâmica particular). Nos alimentos, que não têm vínculo com crédito, o bom momento se reflete no desempenho de empresas como Wal-Mart, que manteve planos de investimento de R$ 1,5 bilhão, e do Pão de Açúcar, que retomou projetos. O aumento real do salário mínimo também deve ajudar.

Outro segmento que vai bem, acrescenta o analista, é o de cosméticos. Assim como os alimentos, são produtos que podem ter a demanda até ampliada num primeiro momento de retração, à medida que o consumidor corta bens duráveis mais caros. “A pessoa não comprou presente de Natal, mas dá uma melhoradinha na ceia”, resume Ardeo, do Ibre.

Uma preocupação, porém, é que esses setores sejam mais afetados no momento em que o pior da crise se transferir do crédito para o emprego, como parecem indicar os recentes resultados sobre mercado de trabalho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). John Welch, economista global do Itaú, porém, acha que a queda da inflação pode poupar o setor de alimentos de um ajuste mais drástico.

20/02/2009 - 10:05h Vendas sobem e GM muda plano de dispensa

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Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

O reaquecimento do mercado de automóveis vai evitar que parte dos 1,6 mil trabalhadores da General Motors que estavam para ser dispensados fiquem sem emprego. Depois de ter cogitado, poucos dias atrás, a dispensa desse pessoal, o presidente da GM do Brasil, Jaime Ardila, disse ontem que a empresa vai estudar caso a caso.

“Vamos renovar os contratos das pessoas que precisamos”, disse o executivo. Cada caso será analisado separadamente. O processo de avaliação começará em março, segundo Ardila.

O grupo de 1.633 empregados formava o terceiro turno de trabalho, aberto pela GM em São Caetano do Sul (SP) em abril do ano passado pela primeira vez na história dessa fábrica desde a sua inauguração em 1929.

Quando voltaram das férias coletivas, no início de janeiro, esses operários trabalharam somente um dia e já entraram em licença remunerada, sendo avisados que na data do vencimento de seus contratos – temporários – seria avaliado se eles permaneceriam na empresa ou seriam desligados. Esses contratos começarão a vencer entre o fim deste mês e março.

No início de janeiro, a GM decidiu não renovar os contratos de 744 trabalhadores temporários da fábrica de São José dos Campos (SP). Mas o cenário do mercado de veículos mudou desde então.

Ardila acompanha as vendas de veículos diariamente. Do início de janeiro até quarta-feira foram licenciados no Brasil 337,1 mil veículos. Isso representa um avanço de 8,4% na comparação com idêntico período em 2008.

“Isso significa que a redução do IPI tem muita importância”, diz o executivo. Para ele, o mercado continuará aquecido em fevereiro, em março – quando termina o benefício do IPI – e até abril, quando ainda haverá estoque de carros mais baratos por conta do incentivo tributário.

A partir de maio e junho haverá uma retração de mais ou menos 15% nas contas do presidente da GM. Ele estima que esse será o percentual de retração nas vendas de veículos este ano em relação a 2008.

Na quarta-feira a Volkswagen também decidiu renovar o contrato de 106 trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo que venceriam este mês.

O mercado externo continua caindo, enquanto o reaquecimento do mercado interno tem levado muitos trabalhadores temporários de volta para as fábricas.

Ardila diz que as vendas externas já passaram a ser uma parte muito pequena nos volumes de produção da companhia. A montadora vendeu no mercado brasileiro 29,3 mil veículos em dezembro e 38,1 mil em janeiro.

Ardila diz não estar contando com a prorrogação do benefício do IPI. Segundo ele, por outro lado, mesmo que os preços dos carros aumentem, com a volta do imposto, é possível que o governo continue a estimular as vendas por meio de linhas especiais para financiamento.

De modo geral, os executivos da indústria automobilística garantem não contar com a prorrogação do incentivo. Mas já faz alguns dias que representantes dessas empresas começaram a mobilizar-se em Brasília para convencer o governo que o benefício poderá ajudar a manter a atividade e os empregos no setor.

18/02/2009 - 11:09h Com corte do IPI, venda de veículos já se aproxima do nível de 2008

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DO ENVIADO ESPECIAL A FLORIANÓPOLIS – FOLHA SP


DA REPORTAGEM LOCAL

Com a redução do IPI e a retomada da oferta de crédito, o mercado está voltando ao patamar do ano passado. Nos primeiros 45 dias deste ano, foram vendidos 301,5 mil automóveis e comerciais leves no país, apenas 500 a menos do que no mesmo período de 2008.
“Esse resultado mostra que 2009 deve ser um ano bom, mas o segundo trimestre será crítico para a indústria automobilística. Quem está comprando agora está antecipando a compra”, afirmou Jaime Ardila, presidente da General Motors do Brasil, na apresentação do Vectra Next Edition, ontem. Ardila diz acreditar que a redução do IPI, prevista para terminar em 31 de março, não deverá ser prorrogada. “As montadoras e a Anfavea [associação dos fabricantes de veículos] estão pressionando o governo, mas ele não deve ceder.”
Para aproveitar o período de vigência do IPI reduzido, as montadoras planejam aumentar a produção e os estoques em março. O que não significa manter o quadro de funcionários das fábricas. “As montadoras devem mesmo aproveitar para produzir mais agora, enquanto o IPI está baixo. É claro que quem ousa pode ganhar ou perder. Mas o fato é que já temos demanda”, avalia o consultor André Beer, ex-presidente da Anfavea.
Para o presidente da GM, outras medidas precisam ser tomadas para estimular o mercado. “Uma delas é a redução da taxa Selic. O Banco Central tem fôlego para reduzi-la para 10% ao ano. O governo também poderia retomar gradualmente a cobrança do IPI.”
Enquanto isso não acontece, as financeiras aumentam o crédito e reduzem as taxas. Antes da crise, os juros para planos de 60 meses variavam de 1,3% a 1,4% ao mês.
“Chegaram a 1,9% [ao mês] em novembro, e hoje estão em 1,7%. Se estivessem entre 1,4% e 1,5% [ao mês], seriam mais atrativos para o consumidor”, diz Ardila.

Joinville
Apesar dos efeitos da crise global, a GM afirma que não irá cancelar os projetos e os investimentos no país, apesar de ter prorrogado em seis meses as obras para a construção de uma nova fábrica de motores em Joinville (SC). “As fortes chuvas que caíram na região atrapalharam os serviços de terraplanagem”, justifica Ardila. A inauguração agora está prevista para o início de 2010, após um investimento de US$ 200 milhões (R$ 454 milhões).
Essa quantia, porém, não faz parte dos US$ 13,4 bilhões emprestados à GM americana em dezembro. “O plano de reestruturação apresentado pela GM dos EUA não inclui o Brasil”, finaliza Ardila.

Fenabrave

Na primeira quinzena deste mês, as vendas de automóveis e comerciais leves cresceram 7,43% em relação ao mesmo período de 2008, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Até anteontem, foram vendidas 109.258 unidades, volume 15,56% maior do que o registrado no mesmo período de janeiro passado. (FELIPE NÓBREGA E PAULO DE ARAUJO)

05/02/2009 - 12:08h Mercado reage no Brasil e revendas têm fila de espera

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Para alguns modelos, entrega pode demorar 45 dias

Cleide Silva – O Estado SP

Os pátios de fábricas e concessionárias ainda estão cheios e as montadoras realizam feirões, mas para alguns modelos da linha 2009 há fila de espera. O prazo para entrega pode chegar a 45 dias. As montadoras admitem que o corte na produção a partir de dezembro para adequar estoques à demanda provocou escassez de algumas versões, mas afirmam que a falta é pontual.

Pesquisa feita ontem em grandes revendas da capital paulista pela MSantos, especializada no varejo de veículos, constatou que modelos como Ford Ka básico e o novo Volkswagen Gol levam entre 20 e 30 dias para entrega. Já a espera para Siena, Stilo Sport e Strada Locker, da Fiat, e Celta 4 portas, Captiva e Meriva com câmbio automático, da GM, chega a 45 dias.

Nas revendas das marcas Honda e Toyota, há fila de 30 dias para as versões EX e EXL do Fit, os mais caros da linha, e para todos os modelos Corolla e Hilux. “Lançamos as novas versões em novembro, no olho do furacão da crise, e logo em seguida reduzimos a produção, que nas versões top de linha já era em volume menor”, explica o gerente geral da Honda, Alberto Pescuno.

A fábrica de Sumaré (SP), que operava em três turnos, iniciou este ano com apenas dois turnos, mas está adequando sua produção, informa Pescuno. Segundo ele, as entregas devem se normalizar em março. “Viramos o ano com pouco estoque na rede e agora faltam todos os produtos”, diz a gerente de vendas da revenda Toyota Caltabiano, Maria de Lourdes Gameiro.

As revendas GM Itacolomy e Itororó pedem 20 a 30 dias para entregar o Celta 4 portas. O modelo, que custa na faixa de R$ 26 mil com alguns opcionais, é produzido em Gravataí (RS). A empresa já suspendeu as férias coletivas previstas para 26 de janeiro a 8 de fevereiro e a linha de montagem opera normalmente.

O presidente da GM do Brasil, Jaime Ardila, informa que a rede de revendedores tem cerca de 27 mil veículos em estoque, o equivalente a 20 dias de vendas. “Desde agosto não tínhamos essa situação”, diz. No mês passado, todas as marcas somavam estoques de 211 mil veículos, suficientes para 36 dias de vendas.

Representantes da Volkswagen e da Fiat consideram normal a demora de 10 a 20 dias para entrega de modelos encomendados com acessórios não disponíveis nos estoques. Na revenda Volkswagen Amazon, há versões do Voyage para pronta entrega. Mas, se o consumidor pede, por exemplo, um modelo prata com ar condicionado, terá de esperar três semanas.

Apesar da falta pontual, as montadoras ainda precisam desovar estoques altos. A Ford realiza de hoje a domingo o primeiro feirão da marca neste mês. Todos os modelos terão opção de compra com zero de entrada e parcelamento em até 60 meses.

As vendas de veículos em janeiro, incluindo caminhões e ônibus, apresentaram recuperação de 1,5% ante dezembro. Primeiro mês completo de vendas com corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), os negócios somaram 197.476 unidades. Em relação a janeiro de 2008, a queda foi de 8,13%.

03/02/2009 - 11:26h Embalado com IPI menor, mercado reage

 

Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

A indústria automobilística retomou um pouco do fôlego no mês passado graças, principalmente, ao efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na venda de automóveis. O total de veículos que passaram pelo licenciamento em janeiro foi de 197,47 mil unidades, o que representou um acréscimo de 1,5% na comparação com dezembro.

Tradicionalmente, janeiro costuma ser mais fraco do que dezembro. Por isso, qualquer crescimento é um dado positivo, mesmo levando em conta que o resultado do último mês de 2008 foi muito ruim, com fábricas paradas por conta das férias coletivas em praticamente todas.

Mas não é apenas o dado do licenciamento de automóveis que animou o setor. Números extra-oficiais indicam que o nível dos estoques baixou em torno de 10%. Há um mês havia nos pátios das concessionárias e das fábricas total de 211 mil veículos, o suficiente para 36 dias de vendas.

A queda representa um alívio para as montadoras. Com estoque menor, é possível fazer a produção retomar um pouco da normalidade, sem ter de apelar para férias coletivas, banco de horas ou mesmo demissões.

A média diária de vendas em todo o ano passado ficou em mais de 11 mil veículos. No primeiro mês de 2009, o volume caiu para pouco mais de 10 mil. Mas isso tem sido considerado positivo para a maior parte dos executivos, que levou um susto com o impacto da queda das vendas desde o início de novembro. Como disse um executivo do setor, a indústria precisa agora “construir degrau por degrau”.

Apesar disso, o momento ainda é de crise. As vendas do mês passado representaram um declínio de 8,13% na comparação com janeiro de 2008. Na indústria de autopeças o ritmo dos pedidos indica volumes menores também em fevereiro em relação às encomendas de um ano atrás.

Se o resultado de janeiro for anualizado, chega-se a um mercado total aproximado para o ano de 2,4 milhões de unidades. Trata-se de um volume inferior aos 2,82 milhões de veículos vendidos no ano passado. O lado positivo é que tradicionalmente muitos outros meses do ano costumam ser melhores do que janeiro. Mas, por outro lado, é importante ressaltar que o desempenho do mês passado é em boa parte resultado da redução do IPI, que, a princípio, tem prazo para terminar, em 31 de março.

A maior parte da retomada registrada no primeiro mês do ano foi puxada pelos carros de passeio. Nesse segmento, pesa também favoravelmente para o futuro a expectativa de que o Banco Central reduza ainda mais a taxa básica de juros.

Já na indústria de caminhões, ainda há muita resistência por parte dos transportadores de efetuar as compras agora, mesmo com o estímulo do IPI menor.

Além do mercado interno, a indústria tem registrado quedas nos pedidos externos, o que provoca impacto nas exportações de veículos. Embora prefiram não falar em previsões abertamente, nos bastidores boa parte dos executivos já conta com uma forte retração nas vendas externas deste ano. Trata-se de uma consequência do impacto da crise, principalmente nos países vizinhos.

Aos poucos, a indústria começa a refazer as suas programações de produção a partir da retomada da demanda. Há casos como o da General Motors , que recentemente anunciou ter desistido de conceder novo período de férias coletivas na fábrica de Gravataí (RS), onde é produzido do Celta.

Em janeiro, a Volkswagen passou à frente da Fiat. A montadora alemã ficou no primeiro lugar com 21,96% , seguida muito de muito perto pela Fiat, com 21,93%. A General Motors, em terceiro lugar, ficou com fatia de 19,32%, seguida por Ford (12,04%), Honda (4,73%), Renault (4,46%), Peugeot (3,08%), Citroën (2,62%) e Toyota (2,42%).

20/01/2009 - 11:51h Papel e Celulose: Saldo comercial cresce 21% e chega a US$ 4,1 bi

André Vieira, de São Paulo – VALOR

http://www.eca.usp.br/nucleos/njr/voxscientiae/img/eucaliptos.jpgA produção brasileira de celulose fechou 2008 com um crescimento de 7,7% sobre o ano anterior, segundo estimativas divulgadas ontem pela Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), entidade que reúne as principais companhias do setor.

As empresas produziram 12,85 milhões de toneladas de celulose no ano passado. Deste total, o setor industrial exportou 7 milhões de toneladas da matéria-prima para a fabricação de papel – o que equivaleu a US$ 3,91 bilhões em vendas externas, uma alta de 23,5% sobre 2007.

A Europa continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de celulose, representando 2,02 milhões de toneladas, uma alta de 25%, seguido pela América do Norte, que comprou 791 milhões de toneladas (alta de 27%). A Ásia foi a região onde houve a maior taxa de crescimento das exportações, com 63%, atingindo 690 mil toneladas de celulose.

A produção de papel se expandiu apenas 1,9% ao longo do ano passado, atingindo 9,18 milhões de toneladas por ano. Houve um crescimento de 17% nas importações de papel, de 1,32 milhões de toneladas, das quais mais de 1 milhão se destinaram para a produção de papéis para imprimir e escrever.

No saldo comercial, a indústria de papel e celulose com base no país foi responsável por um superávit de US$ 4,126 bilhões – um crescimento de 21,2% sobre o resultado líquido anterior. As exportações do setor somaram US$ 5,83 bilhões e as importações, US$ 1,71 bilhão.

Os papéis corresponderam a 83% do total das compras externas, principalmente em razão da valorização do real frente ao dólar nos primeiros nove meses do ano passado.

O levantamento da Bracelpa também mostra um ligeiro crescimento no consumo brasileiro de aparas de papel. Em 2008, a entidade estima que o consumo alcançou 3,7 milhões de toneladas, um aumento de 1,6%, abaixo das taxas de crescimento da produção (1,9%) e das vendas internas (2,2%) de papéis.

Apesar dos efeitos da crise depois de setembro não terem abalado as projeções para 2008, a produção de celulose do ano passado colocou o Brasil na quarta posição entre os maiores fabricantes, superando a Suécia e Finlândia, tradicionais produtores.

Especialistas indicam as condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento do eucalipto no Brasil como um dos principais fatores para construção de novas fábricas de celulose. Mas no curto prazo, a indústria está pressionada pela queda nos preços da celulose que fez as empresas paralisarem temporariamente parte da produção. Nas primeiras semanas deste mês, as compras voltaram a ser intensas, mas os preços continuam quase 40% mais baixos. Na semana passada, a Suzano confirmou a demissão de 180 pessoas, somando a outras dispensas já anunciadas pela VCP e Aracruz.

17/01/2009 - 11:56h Greve para Magneti, que demitiu no ABC

Greve foi aprovada pelos 670 funcionários da empresa. Foto: Antonio Ledes

Corte de 400 causa paralisação de 2,6 mil metalúrgicos por 24 horas

Joaquim Alessi – O Estado SP

Os cerca de 1,6 mil funcionários das unidades de Santo André e Mauá da fabricante de autopeças Magneti Marelli Cofap iniciaram às 6h da manhã de ontem uma greve de advertência de 24 horas contra a demissão de aproximadamente 400 companheiros. “Todas as demissões vamos responder com greve”, discursou em frente ao portão principal da unidade o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Firmino da Silva, o Martinha, que cobrou intervenção direta do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele tem de usar o peso político do seu cargo para promover um grande pacto nacional contra a crise”, disse o sindicalista.

Também em São Bernardo, onde as demissões na Magneti Marelli Cofap atingiram cerca de 150 operários, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC promoveu manifestação. Os sindicalistas não têm o número exato de demissões na empresa, até porque grande parte deles foi contratada há menos de um ano, período em que não há necessidade de a homologação ser feita no sindicato. A empresa foi procurada, mas não retornou as ligações para comentar as demissões.

Martinha afirmou que o quadro em Santo André e Mauá é preocupante porque entre oito a dez empresas de médio porte já manifestaram ao sindicato o desejo de cortar pessoal. Essas indústrias empregam cerca de 3 mil trabalhadores e as demissões atingiriam entre 250 e 300 funcionários. Já foram demitidos 34 na Borlem Alumínio e outros 31 na GT do Brasil (do Grupo Italiano Gammastamp), fabricante de peças automotivas.

O sindicalista afirmou que, se as paralisações de advertência não surtirem efeito, serão adotadas novas ações. “Vamos chamar todos os desempregados e fazer atividades populares em frente às Prefeituras, Câmaras Municipais, Palácio dos Bandeirantes, se preciso vamos a Brasília e vamos cobrar ação das autoridades”, disse Martinha.

Ao cobrar uma posição mais firme de Lula, Martinha defendeu uma “agenda positiva” para o País. “O presidente Lula tem de ligar para o Serra, para o Aécio e dizer: vamos esquecer as eleições de 2010, deixar a disputa política de lado e pensar na população.”

A CUT deflagra na próxima segunda-feira o movimento “Os trabalhadores e trabalhadoras não pagarão pela crise”. A campanha vai reivindicar garantia de emprego, manutenção dos direitos dos trabalhadores, queda imediata dos juros e a contrapartida das empresas que receberem incentivos do governo.

Serão feitas manifestações de rua, passeatas, protestos diante de empresas e todas as formas possíveis de luta, segundo os sindicalistas. CUTs estaduais, confederações e federações cutistas por ramo de atividade econômica e sindicatos já estão envolvidos no movimento, que também distribuirá para a população panfletos explicativos com as propostas dos trabalhadores e as declarações que, segundo eles, o empresariado e parte da mídia usam para confundir a opinião pública.

APELO AO BISPO

As 744 demissões na GM no início da semana levaram o Sindicato dos Metalúrgicos de São Jose dos Campos a pedir ajuda para a Igreja Católica. Na manhã de ontem, diretores sindicais se reuniram com o representante da diocese de São José dos Campos, padre Paulo Renato, para discutir a situação dos temporários dispensados. A entidade quer o apoio e a participação dos padres e da comunidade católica na campanha contra as demissões.

De acordo com o presidente do sindicato, Adilson dos Santos, eles entregaram ao padre uma carta endereçada ao bispo dom Moacir Silva. “Existe a necessidade de unificar a cidade e a região na luta pelo emprego e contra a ameaça aos poucos direitos trabalhistas que dispomos. Precisamos da igreja e da comunidade católica.”

Ontem foi um dia pacífico na frente da fábrica da GM de São José dos Campos, sem protestos ou paralisações na produção. Entretanto, ficou definido que no dia 24 de janeiro haverá um grande ato na praça central da cidade, na tentativa de reverter os cortes.

10/12/2008 - 11:25h Tudo que é sólido desmancha no ar

David Kupfer – VALOR

http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20080429_economics.jpgEntre as muitas perplexidades enfrentadas por todos que tentam compreender os desdobramentos relacionados à evolução da crise financeira mundial, talvez a maior esteja na rapidez com que vem se dando o seu contágio para o mundo da produção. Tantos quantos têm acesso às informações sobre o desempenho das empresas mostram-se surpresos com o pequeno intervalo de tempo que separou o momento da quebra da corretora Lehman Brothers em 15 de setembro último, considerado o marco inicial da fase aguda da crise, e a enxurrada de notícias dando conta da suspensão de projetos de investimento em novas fábricas, ou da interrupção da produção por meio de férias coletivas, ou ainda da edição de extensos programas de demissões. Será isso um sintoma de que as atividades produtivas estão enfrentando algo além da reversão das expectativas sobre os seus níveis de demanda?

Quem imaginava que o estouro da super-bolha de ativos financeiros acumulada nas últimas décadas iria cobrar seu preço apenas dos rentistas e especuladores, vê agora que a financeirização do capitalismo contemporâneo nos países centrais está comprometendo também aquilo que parecia ser a maior virtude do modelo fabril construído nos anos recentes: o primado de um sistema de produção genuinamente “em massa”, efetivamente desintegrado no plano tecnológico e verdadeiramente organizado em escala planetária. Como facilmente evidenciado pela análise do elenco de agentes e regiões envolvidos na produção de um simples calçado vendido no mercado americano, ao contrário do que se supunha nos idos da década de 80, quando começaram a se materializar os dogmas da abertura e da desregulamentação dos mercados nos países centrais, o mundo não se tornou uma feira livre global. Muito distante do que seria o mundo walrasiano dos preços totalmente flexíveis, no qual todos os vendedores e compradores barganhariam preços ao sabor dos resultados ora superavitários, ora deficitários, dos balanços entre demanda e oferta, a globalização criou o contrário: cadeias de suprimentos em escala mundial, muito longas no espaço e, freqüentemente, também longas no tempo, nas quais as encomendas são feitas com grande antecedência, em sistemas produtivos enxutos, com insumos e produtos entregues just-in-time, sem estoques e sem desperdícios. Portanto, esquemas produtivos fortemente apoiados em planejamento da produção, sobre os quais dificilmente se pode esperar ajustamentos muito bruscos, sem grandes prejuízos da coordenação geral do próprio sistema.

Sem dúvida que a viabilização desses sistemas de produção tem como um de seus pilares a alta capacitação da engenharia, que planeja tempos e movimentos, define logísticas, sincroniza as entradas e as saídas de mercadorias, enfim, permite às empresas a absorção das fortes economias dinâmicas de escala e escopo requeridas como resposta aos imperativos de qualidade, eficiência e estabilidade impostos pelo acirramento da concorrência ao nível global. Mas também é decisivo para o eficaz funcionamento desse modelo fabril a existência de um sistema financeiro que possibilite postergar o pagamento dos custos de insumos e antecipar o recebimento das receitas pois, do contrário, as pressões sobre o fluxo de caixa poderiam comprometer a economicidade final do próprio modelo. Em suma, nesses novos sistemas produtivos, banco e indústria alcançaram um grau inédito de interpenetração, com as empresas industriais tornando-se extremamente dependentes de operações financeiras também para as suas atividades correntes. Por isso, é possível que aquilo que parecia tão sólido, o grande autômato da produção em massa, tenha se desmanchado em conseqüência da falta do lubrificante financeiro, trazida pelo sumiço da liquidez pós-crise. Embora seja muito cedo para que se disponha de elementos capazes de comprovar ou não essa tese, é possível que a grande novidade na atual crise seja o fato de que a humanidade esteja observando, pela primeira vez em sua história, quão devastadores podem ser os efeitos de uma mudança abrupta da velocidade de funcionamento de um sistema de produção em massa com as características descritas. Essa poderia ser a explicação adicional para a rapidez do contágio.

Em que medida tudo isso afeta a indústria brasileira? Nosso sistema industrial, por diversas razões, ainda estava e permanecerá muito distante desse modelo desintegrado e deslocalizado que caracteriza as cadeias virtuais de suprimento mundo afora. Dados publicados pelo jornal “Folha de São Paulo” há poucos dias dão conta de que, em 2007, metade do valor total dos investimentos das empresas industriais brasileiras foram financiados por meio da retenção de lucros das operações prévias, isto é, pela via do autofinanciamento. Dos demais 50%, metade teve origem no BNDES, restando ao mercado de capitais, à captação externa e a todas as demais formas de acumulação externa a parcela restante. Para as operações correntes, os dados não são disponíveis mas sabe-se que não devem diferir muito desses padrões. A pouca profundidade do sistema financeiro nacional, o racionamento de crédito que sempre existiu no país, os elevados juros efetivamente pagos pelos tomadores de dinheiro explicam o fato conhecido de que a penetração dos instrumentos creditícios e a alavancagem das empresas brasileiras tenham se mantido em níveis muito baixos quando comparados aos países desenvolvidos e até mesmo a muitos dos países emergentes. Dessa perspectiva, parece legítimo esperar que a indústria brasileira provavelmente não sinta os efeitos da dessincronização dos sistemas produtivos globais de forma tão intensa quanto as indústrias líderes. Nossos problemas permanecem basicamente os mesmos, justificando todos os esforços visando preservar ao máximo a demanda interna, os planos de investimentos em andamento ou prestes a serem deslanchados e a melhoria recente alcançada no nosso mercado de trabalho. Feliz ano velho para todos nós.

David Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ. Escreve mensalmente às quartas-feiras. www.ie.ufrj.br/gic E-mail: gic@ie.ufrj.br)

07/12/2008 - 14:47h Obama vai investir em estrutura

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Para criar empregos, presidente eleito promete maior plano de gastos em infra-estrutura desde a década de 50

Reuters, AP e AFP , Washington – O Estado de São Paulo

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, disse ontem que planeja implementar o maior investimento em infra-estrutura desde a década de 50, com o objetivo de criar pelo menos 2,5 milhões de empregos e reduzir drasticamente o uso de energia no país. Durante o programa semanal de rádio do Partido Democrata, Obama acrescentou que pretende expandir o acesso à internet de banda larga e modernizar fisicamente as escolas públicas americanas.

“Precisamos de ações – e ações imediatas”, declarou, um dia depois de o governo anunciar que a crise econômica tinha cortado 533 mil empregos de trabalhadores americanos em novembro. O presidente eleito afirmou que detalhes de seu plano serão esclarecidos nas próximas semanas, incluindo a rápida modernização de edifícios escolares e a instalação de novos computadores nas salas de aula.

Obama, que toma posse em 20 de janeiro, disse que pretende agir rapidamente para tirar a economia americana da recessão. O índice de desemprego chegou a 6,7% no mês passado e pode superar os 8% no ano que vem.

Depois de duas semanas em que se apressou para nomear sua equipe econômica e enviar ao mercado sinais claros de como pretende agir nos primeiros meses de governo para conter a crise, Obama afirmou ainda no programa de rádio que pretende convencer o Congresso a aprovar medidas de estímulos à economia já em janeiro. Entre essas medidas estaria o plano de ajuda às três maiores companhias do setor automobilístico do país – a General Motors, a Ford e a Chrysler -, que se encontram hoje em situação pré-falimentar.

“Primeiro, devemos lançar um esforço maciço para tornar os edifícios públicos mais eficientes energeticamente. Nosso governo agora paga as contas mais caras do mundo”, afirmou Obama. Substituir velhos sistemas de aquecimento e instalar lâmpadas eficientes nos prédios federais economizarão bilhões de dólares, e ainda criará novos empregos, afirmou o presidente eleito.

Milhões de novos empregos ainda viriam “do maior esforço de investimento na infra-estrutura do país desde a criação do sistema federal de rodovias na década de 50″, disse Obama, sem anunciar os valores desses investimentos.

ALERTA SOMBRIO

Na véspera, Obama havia lançado o sombrio alerta de que o pior da crise econômica do país ainda estava por vir. A declaração do democrata foi feita em meio ao choque de pessimismo causado pela divulgação dos maus resultados nos indicadores sobre o emprego e pela renovação dos pedidos de socorro das fábricas de automóveis. A perda de 533 mil postos de trabalho em novembro significou o pior resultado desse indicador em 34 anos.

Eleito em 4 de novembro, em parte como conseqüência do cenário de crise econômica, Obama lembrou que em um ano de recessão a economia já tinha perdido 2 milhões de empregos. “Não há conserto fácil ou rápido para esta crise, que passou muitos anos se formando, e provavelmente vai piorar antes de melhorar”, disse ele, numa nota divulgada por sua assessoria, reiterando afirmações de que seus primeiros meses na Casa Branca não serão tranqüilos. “Mas agora é hora de reagir com uma resolução urgente para colocar as pessoas de volta aos seus locais de trabalho e fazer a nossa economia se mexer de novo.”

AGENDA AMBICIOSA

Empregos – Obama pretende criar 2,5 milhões de empregos até 2010

Energia – Presidente eleito quer reduzir gastos com energia melhorando a eficiência do consumo em edifícios públicos

Escolas – Plano de modernizar fisicamente as escolas públicas americanas, incluindo a instalação de computadores em todas as salas de aula

Resgate financeiro – Presidente eleito pretende acelerar a aprovação de pacotes de ajuda a montadoras pelo Congresso

06/12/2008 - 12:09h Corte de 533 mil vagas nos EUA é o pior em 34 anos

Novembro apresentou a 11.ª retração consecutiva; no total, já são 10,3 milhões de americanos sem emprego

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS – O Estado SP

http://a7.vox.com/6a00cdf3ab4a37cb8f00fad68f1aaf0004-320piA economia americana cortou 533 mil empregos em novembro, o 11º mês seguido de retração na oferta de trabalho. Foi o maior saldo negativo mensal entre contratações e demissões desde 1974. Em mais um sinal dramático de deterioração da economia americana, o desemprego no país subiu para 6,7%, pior nível em 15 anos. No fim de novembro, 10,3 milhões de americanos estavam sem emprego, 2 milhões a mais que a população de Nova York.

Apesar de os números divulgados ontem pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos serem piores do que o previsto, as bolsas, que iniciaram o dia em baixa, se recuperaram, na esperança de novas ações governamentais para estimular a economia. Em Nova York, o Índice Dow Jones fechou em alta de 3,09%. Entretanto, os temores de uma prolongada recessão fizeram despencar o preço do petróleo. No quarto dia seguido de baixa, o petróleo recuou 6,55%, cotado por US$ 40,81, menor preço em quatro anos.

As bolsas reagiram depois que a Casa Branca e o presidente eleito, Barack Obama, deram declarações sinalizando que poderiam adotar medidas para estimular a economia. A Casa Branca declarou estar “muito preocupada” com o desemprego e prometeu “continuar com esforços agressivos” para restabelecer a saúde dos mercados imobiliário e de crédito.

Paralelamente, Obama pediu ao Congresso medidas “urgentes” para reativar o mercado de trabalho e estimular a economia. “Não há conserto rápido ou fácil para essa crise, que foi produzida durante muitos anos, e é provável que piore antes de começar a melhorar”, disse Obama, em comunicado.

A reação aos números do desemprego também renovou as esperanças da indústria automobilística. O setor recebeu ontem o apoio do deputado democrata Barney Frank, que alertou para um “desastre imitigável” caso uma grande montadora venha a falir neste momento em que o país perde empregos em velocidade alarmante.

É grande o consenso entre o Congresso e a administração Bush de que o setor automotivo precisa de ajuda. Os dois lados, porém, permanecem irredutíveis em suas propostas. O Partido Democrata propõe que parte do pacote de US$ 700 bilhões para salvar as instituições financeiras seja aplicada em Detroit. Já o presidente George W. Bush quer que o Congresso ajude as montadoras com mudanças nas regras de outro pacote, de US$ 25 bilhões, para estimular a produção de automóveis mais eficientes.

Diante do impasse, e depois de dois dias de audiências no Congresso, os executivos da General Motors, Ford e Chrysler foram para casa na sexta-feira sem nenhuma indicação se vão ou não conseguir ajuda. Juntos, eles pleiteiam US$ 34 bilhões.

Na audiência, o presidente da GM, Rick Wagoner, afirmou que a empresa fará um corte de 2 mil funcionários nas fábricas dos Estados de Ohio e Michigan e do Canadá no início de 2009.

Na primeira semana de dezembro, a conta das demissões passa de 34 mil, com cortes na AT&T, Du Pont e outras empresas.

27/11/2008 - 08:54h Queda do consumo de aço na China provoca calafrios globais

http://www.bloomberg.com/apps/data?pid=avimage&iid=iuy3Za0hzJd4

Andrew Batson, The Wall Street Journal – VALOR

A indústria chinesa do aço, que na fase de alta dos últimos anos se tornou a maior do mundo, enfrenta agora um longo e tenebroso inverno.

A demanda está caindo tanto no mercado doméstico quanto no externo. As exportações de aço do país, que vinham aumentando a um ritmo extraordinário de 60% ao ano, estão em queda. O declínio das exportações chinesas de aparelhos domésticos e maquinário reduziu a demanda pelo aço. O esfriamento no mercado imobiliário levou a uma forte queda na construção, deprimindo ainda mais a demanda de aço.

A atual baixa na siderurgia chinesa é a mais acentuada e mais profunda em pelo menos uma década, com uma queda de 17% na produção em outubro. Alguns executivos acreditam que os bons tempos do setor nunca mais vai voltar.

“Acreditamos que a época de altos lucros para as produtoras de aço já chegou ao fim”, disse Yang Siming, presidente do conselho da Nanjing Iron & Steel Group, uma siderúrgica de tamanho médio.

Com o rápido crescimento da indústria do aço no país nos últimos anos – hoje ela é cinco vezes maior do que na última contração do mercado e produz mais de um terço do aço consumido no mundo – a atual queda está causando impacto no país e no mundo.

A tendência ainda pode se inverter, claro, se a economia chinesa recuperar o recente furor. O governo está tomando medidas nesse sentido. Além de um enorme pacote de estímulo anunciado este mês, ontem o banco central chinês cortou juros, em mais uma tentativa de estimular a economia.

Mas o fim do túnel ainda parece longe, para desespero de grandes mineradoras como a Companhia Vale do Rio Doce, a BHP Billiton Plc. e a Rio Tinto Plc. Elas foram prejudicadas pelo colapso na demanda chinesa por minério de ferro e outros minerais utilizados na fabricação do aço. Produtores de carvão, que é consumido em grandes quantidades na indústria siderúrgica, também perderam um grande mercado com o esfriamento chinês. Com o declínio nos preços e fraqueza na demanda, a BHP está se concentrando agora em preservar suas finanças. Na terça-feira, a empresa abandonou sua proposta de comprar a Rio Tinto.

A queda na demanda também obrigou os fabricantes de aço de outros países asiáticos a cortar a produção e baixar os preços.

A japonesa Nippon Steel Corp., maior produtora mundial de aço depois da ArcelorMittal e dona de 24% da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais SA (Usiminas), informou que aumentará os cortes na produção de 1 milhão para mais de 2 milhões de toneladas no segundo semestre fiscal que termina em março e não exclui a possibilidade de mais cortes no futuro.

A China Steel Corp., de Taiwan, informou que no primeiro trimestre de 2009 vai cortar os preços dos produtos de aço numa média de 22,56% para o mercado doméstico, que consome 75% de sua produção. Trata-se do primeiro corte em quase três anos. Essa medida se segue a onze trimestres consecutivos de alta de preços.

A China Steel também informa que sua produção em 2008 deve ficar cerca de 10% abaixo do patamar do ano passado, de 10,2 toneladas. A empresa também comunicou que no primeiro trimestre planeja fechar uma de suas fornalhas para manutenção, o que significa outro corte de 25% na produção.

Na Índia, os preços do aço baixaram em cerca de um terço desde julho, e caíram pela metade desde o início do ano.

As fábricas de aço indianas, incluindo a estatal Steel Authority of India, cortaram os preços entre 15% e 20% este mês, e muitos analistas acreditam que haverá outros cortes em breve.

Enquanto isso, as importações de aço em outubro diminuíram em um terço em relação ao mês anterior, segundo dados do governo indiano. Analistas dizem que o aço importado ainda é 5% a 10 % mais barato, em vista da queda nos preços do aço chinês.

A atual baixa também significa menos negócios para os portos, ferrovias e empresas marítimas que transportam commodities como carvão e minério de ferro. O Índice Báltico de Cargas Secas, ou Baltic Dry, que mede o preço do transporte marítimo de produtos a granel, já caiu mais de 90% em relação a junho deste ano, em grande parte devido à expectativa de menor demanda na China.

Uma retração na indústria do aço poderia ajudar a mudar o perfil da economia chinesa, que nos últimos anos tem se concentrado em indústrias pesadas, grandes consumidoras de energia. A expansão da produção de aço foi a base para a transformação da China em um gigante industrial, mas também contribuiu muito para o explosivo aumento no consumo de carvão e petróleo no país e suas emissões de poluentes e gases de efeito estufa. Uma indústria do aço de menor envergadura poderia significar uma China mais limpa, mais eficiente e que exerça menos pressão sobre os recursos mundiais.

“Se o crescimento da produção do aço se reduzir, conforme a tendências recente, para menos de 10%, e houver uma saudável consolidação do setor, até 2012 a China terá economizado mais de um bilhão de toneladas de carvão, fazendo um corte do tamanho da França no seu total anual de emissões de dióxido de carbono”, disse Trevor Houser, analista de energia do Rhodium Group.

(Colaboraram Yuzo Yamaguchi, Alex Pevzner, Arpan Mukherjee e Miho Inada)

19/11/2008 - 09:15h Para metalúrgicos, crise é passageira

 
Jefferson Dias/Valor
Benigno José Domingues, metalúrgico do ABC: pescaria, mas perto de casa

 

 

 

De São Bernardo do Campo – VALOR  

A chuva forte da manhã, substituiu o fim de semana ensolarado na grande São Paulo, e cedeu lugar à velha garoa, fina e constante. A instabilidade do clima, semelhante a dos mercados financeiros, fez companhia aos humores dos metalúrgicos da base sindical de São Bernardo do Campo na noite de segunda-feira. Aos poucos, alguns prevenidos chegavam com seus guarda-chuvas e jaquetas, outros não ligavam para a mudança do clima e uma camiseta já era suficiente para ficar a vontade.

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo foi falar sobre a crise financeira e seus impactos sobre o Brasil. Metalúrgicos das grandes montadoras (Ford, Volkswagen, Mercedes Benz) e das autopeças lotaram a sala reservada para o evento. Na platéia, muitos estão com férias coletivas marcadas, mas a maioria apenas para o fim do ano, como é tradicional na base do sindicato. Os semblantes eram menos nublados do que se poderia esperar. E as preocupações também. Nas autopeças, o temor de demissões é maior; nas montadoras, os trabalhadores mantém os planos de consumo para o Natal, esperando que os brasileiros também continuem comprando carros novos.

De camisa pólo branca, Benigno José Domingues, conhecido como “Maluf” por conta de algumas semelhanças com o político, chegou com 20 minutos de antecedência. Aos 53 anos, trabalha no setor metalúrgico desde 1977, quando começou na Volkswagen. Desde 1996, está na Delga Indústria e Comércio, empresa de autopeças, como operador de empilhadeira.

Domingues conta que há vários anos não ouvia falar em férias coletivas, medida anunciada nos últimos dias na empresa em que trabalha. Ele diz que ficará parado por duas semanas (a partir de 22 de dezembro), mas não vê riscos de que a crise afete a fábrica onde está empregado, pois espera que a partir de janeiro a situação melhore. Para o período que ficará parado planeja a pescaria. “A gente tem chumaço (isca), vamos descer até o riacho e pescar um pouquinho” brinca o operário. Apesar da tranqüilidade que manifesta, está atento. “Não dá para ir para muito longe, a gente fica preocupado, o dinheiro que a gente pega é preciso guardar e segurar, a gente não sabe, né?”, pondera o metalúrgico.

Objetivo e com um bloquinho de anotações, ele foi à palestra à procura de uma “orientação”. “É muito importante participar desses debates para o nosso dia a dia, temos que fazer tudo com o pé no chão” observa Domingues. Ele admite estar preocupado com o cenário para as autopeças. Sempre atento ao que acontece com as montadoras, ele descreve que o clima entre os funcionários na empresa é de preocupação, principalmente por conta de demissões noticiadas em outras autopeças de Diadema, na base do sindicato. Ontem, em Campinas, novas demissões foram anunciadas na Foxconn, de eletroeletrônicos.

Outro operário do setor de autopeças que apareceu para conferir as análises da crise, foi José Augusto, de 38 anos. Na Welcon Fasteel, fábrica em que trabalha há cinco anos e sete meses como operador de máquina no departamento de estamparia, Augusto faz parte da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e do Comitê Sindical da Empresa (CSE).

Na empresa foram anunciadas férias coletivas para o início de dezembro para acompanhar o calendário das montadoras, o que reforçou, no início, o clima de preocupação entre os trabalhadores, conta Augusto. “O pessoal ficou meio surpreso no começo, mas agora já estão assimilando melhor o fato, embora a maioria tema demissões”, acrescenta.

Se para os trabalhadores das autopeças as dúvidas pairam e criam nebulosidades, para os jovens colegas de trabalho e ponteadores da Ford, Sandro Randal Alves, 31 anos, e Jairo de Souza Franco, de 25, o céu cinzento da mudança não provocará diferenças.

Alves completou o ensino médio e decidiu investir em cursos do departamento de Formação Sindical. Fez dois, um de Ergonomia e outro de Formação para Formadores. Orgulha-se das oportunidades e empenha-se em acompanhar de perto tudo o que está ligado às questões trabalhistas.

A Ford informou que as férias coletivas começarão a partir de 15 de dezembro. Para Alves, a parada representa uma pequena diferença na programação dos anos anteriores, mas não implica na desaceleração na produção, e pode ser explicada como uma necessidade de adaptação dos estoques.

Para os seus companheiros de produção, contudo, a notícia não foi recebida com tanta frieza. Alves conta que há muitos trabalhadores apreensivos, mas responsabiliza a mídia pelo clima de desconfiança. Para o Natal, com sua esposa e as duas filhas, ele não pretende alterar os hábitos em comparação com outras festas. Nas férias coletivas, vai aproveitar para descansar e estudar.

Com voz de locutor de rádio e poucas palavras bem cuidadas, o companheiro de trabalho de Alves, o tímido mineiro Jairo concorda com a análise de que o setor não sofrerá grandes adaptações. Em São Paulo desde os 12 anos, quando veio morar com a tia para estudar e depois trabalhar, Jairo planeja uma visita à mãe em Minas Gerais nas férias coletivas. E não teme perder o emprego na volta.

Na Volkswagen, o clima é um pouco mais apreensivo entre os funcionários, segundo o coordenador do comitê sindical, Reinaldo Marques. As notícias de carros parados nos pátios trazem preocupação e levam os operários a questionar as medidas que a empresa pode tomar nos próximos dias.

 

17/11/2008 - 10:57h Mesmo na crise, setores chamam temporários

http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2007/12/129_2337-com%C3%A9rcio.bmp

Cibelle Bouças, VALOR

Pelo menos dois segmentos da economia esperam um Natal aquecido, a despeito da crise externa. Longe das preocupações que afetam os setores movidos a crédito de longo prazo e com projeções de aumento nas vendas neste fim de ano, as indústrias de produtos alimentícios voltados para esta época do ano e também o varejo de bens de consumo mantêm fortes as contratações de trabalhadores temporários. Para os dois segmentos, a expectativa é que a crise só chegue em 2009.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de São Paulo, sete indústrias produtoras de chocolates e panetones contrataram aproximadamente 1,5 mil trabalhadores temporários entre outubro e novembro. Juntas, elas mantém um número fixo de 1,2 mil funcionários. “O período de alta produção começa agora e vai até a Páscoa. O setor está aquecido. Se houver reflexo da crise, só será sentido depois de março”, afirmou o presidente do sindicato, Carlos Vicente de Oliveira. Grandes redes do varejo e pequenos lojistas de rua e de shopping centers também planejam reforçar seu quadro de vendedores entre 8% e 10% em relação ao total de funcionários. Para alguns, é um reforço superior ao realizado no ano passado; para poucos, ele é menor.

Entre as grandes redes varejistas, o Ponto Frio oferecerá 1,5 mil vagas para diversos postos em todo o Brasil a fim de atender ao fluxo maior de consumidores, típico da época. O diretor de recursos humanos da empresa, Rodolfo Roquete, afirma que o crescimento é de 23% em relação ao número de vagas temporárias oferecidas em 2007. “Desse total, em torno de 70% devem ser efetivados no início do próximo ano”, prevê Roquete.

Na rede Casas Bahia, o número de vagas temporárias para o fim deste ano quase dobrou em relação ao ano passado. Em 2007 houve 1.350 contratações de temporários, com 100% de efetivação dos empregados. Para esta temporada, as 2,5 mil vagas já estão preenchidas e a efetivação destes trabalhadores dependerá apenas do seu desempenho, de acordo com a empresa. O grupo também informou, por meio de sua assessoria, que o número de contratações não foi revisado em função da crise.

Outra rede que manteve intactos os planos de contratação de temporários foi a Lojas Cem. Em setembro, antes do agravamento da crise, a empresa contratou 300 trabalhadores, que devem permanecer até março, sem risco de corte, afirma o supervisor geral da rede, Valdemir Coleone. Os temporários cobrirão, em janeiro e fevereiro, as férias de funcionários fixos da empresa. Ao término desse período, diz Coleone, haverá uma seleção prévia para contratos definitivos, seguindo “uma cultura da própria empresa”. Para ele, o número representa uma “incógnita” diante do atual cenário de incertezas gerado pela crise financeira.

De acordo com levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisas Manager (Ipema) e coordenado pelo Sindicato das Empresas de Prestação de Serviço e Trabalho Temporário (Sindiprestem) e pela Associação Brasileira de Empresas Terceirizáveis e Trabalho Temporário (Asserttem), o número de vagas temporárias para o Natal deste ano deve crescer 8%, gerando 113 mil postos de trabalho em todo o país.

O estudo foi concluído em agosto, portanto, antes da crise. O diretor da Asserttem, Vander Morales, avalia que o crescimento de 8% – inferior aos 16% de aumento registrados no ano passado – foi uma projeção realista, baseada no incremento da demanda. Apesar do crescimento menor, pondera, não há sinal de retração no número de contratações. “Não haverá retração, o que pode reduzir serão as efetivações no próximo ano.”

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) também mantém uma perspectiva otimista. A entidade estima 25% de aumento no número total de empregados com a contratação de temporários, o que significa a criação de 158 mil vagas temporárias em um setor que já emprega 630 mil pessoas. No ano passado, o número de temporários equivaleu a 20% da massa de empregados fixos.

O Sindicato dos Lojistas de São Paulo prevê um crescimento de 10% nas contratações de temporários, acompanhando a expectativa de incremento nas vendas do varejo de 10% – a mesma registrada no ano passado. “O Natal ainda é a melhor época do ano. Lojistas são otimistas por natureza e não vamos ser afetados pela crise”, afirma o assessor de relações institucionais do sindicato, Marcos Galindo. A Federação dos Empregados no Comércio do Estado de São Paulo (Fecomerciários) tem uma previsão um pouco menos otimista. O presidente da entidade, Luiz Carlos Motta, estima que neste fim de ano serão contratados em torno de 160 mil temporários. A média para esse período é de 200 mil pessoas. “O setor não vai atingir a mesma meta de 2007, mas haverá contratações”, analisa Motta.

Há otimismo também nas indústrias de chocolates e panetones. A Top Cau, que mantém 140 funcionários, contratou 600 pessoas desde setembro, que serão mantidas até o fim da produção de ovos de Páscoa, em março, informou a empresa. A Visconti, que mantém 130 funcionários na fábrica em São Paulo, contratou 267 pessoas para a produção de fim de ano. A Doceria Campos do Jordão (dona da marca Santa Edwiges) mantém 200 funcionários e contratou 300 temporários para a produção de fim de ano.

A Kopenhagen, que possui 400 funcionários fixos, contratou outros 200 para a produção de panetones e de ovos de Páscoa. A Casa Suíça, que mantém 60 funcionários, contratou outros 100. A Cacau Show, com quadro fixo de 220 empregados contratou 150 pessoas e poderá contratar mais gente no início do ano. A Montevergine, que mantém 300 funcionários, contratou 80 pessoas e contratará mais 70 no início de 2009, segundo informações fornecidas pelas empresas ao sindicato de trabalhadores do setor.

“O setor industrial alimentício normalmente eleva o quadro de trabalhadores para produção de panetones, chocolates, congelados e sorvetes”, afirmou Oliveira, presidente do sindicato. O segmento, que possui 10 mil trabalhadores filiados, tem um acréscimo médio de 30% do pessoal entre o outubro e março. De acordo com Oliveira, o volume de contratações está em linha com o que foi registrado no ano passado.

12/11/2008 - 10:01h EUA: montadoras na mira do Estado

Crise pode levar governo americano a assumir GM, Ford e Chrysler, como fez com bancos

José Meirelles Passos – O GLOBO – Correspondente • WASHINGTON

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O governo dos Estados Unidos começa a se convencer de que não há outra alternativa para salvar a indústria automobilística do país — centrada na General Motors (GM), na Ford e na Chrysler — do que estatizar as três empresas ou, pelo menos, alguma delas, como já vem fazendo no setor financeiro. Segundo analistas do setor e membros da equipe do presidente eleito, Barack Obama, a questão já não é mais de “se” isso será necessário, mas de “quando” tomar essa iniciativa. A estimativa é que, quanto mais o presidente George W. Bush resistir, pior será para a economia.

Isso porque a GM está à beira da falência. Ela já anunciou que tem dinheiro suficiente para se manter apenas até o fim do ano, mas que, se as vendas continuarem caindo — em outubro a queda foi de 45,1% —, talvez nem chegue lá. A empresa fechou seu balanço do terceiro trimestre com US$ 16,2 bilhões em caixa, mas precisa de US$ 11 bilhões a US$ 14 bilhões por mês só para bancar os seus custos básicos: salários, pagamentos a fornecedores e pensão de seus aposentados.

Ontem, seus papéis chegaram a cair 18%, para seu menor nível em 65 anos, encerrando o pregão em queda de 13%, a US$ 2,92.

Desde 1946 a ação não fechava abaixo de US$ 3.

— Já fizemos os cortes possíveis.

Cortamos até o osso.

Sem ajuda do governo não vamos conseguir operar nos primeiros seis meses de 2009 — disse o presidente da GM, Frederick A. Henderson.

As medidas incluem um corte de US$ 10 bilhões em agosto, venda de US$ 5 bilhões em ativos, um corte de US$ 5 bilhões na semana passada, redução de US$ 2,5 bilhões em investimentos para 2009, produção menor em dez fábricas e adiamento de lançamentos.

Segundo o “Wall Street Journal”, a GM negocia aumentar sua participação em uma joint venture na China que faz carros populares.

Obama defende ajuda a montadoras

Se a GM chegar à bancarrota provocará uma quebra em série, pois isso afetará seus fornecedores de autopeças, que também abastecem Ford e Chrysler, apressando o colapso destas. Calcula-se que a falência das três causaria o desemprego de três milhões de americanos e uma perda de US$ 156,4 bilhões em impostos nos próximos três anos. O quadro poderia se agravar com as falências dos fornecedores de autopeças, aço, plástico e vidro para as montadoras, pois isso acabaria afetando também as três grandes montadoras japonesas instaladas nos EUA: Toyota, Honda e Nissan.

— Diante da inércia do governo, não vejo outra saída. Para mim, é apenas questão de tempo a primeira das três montadoras americanas declarar falência — disse Kevin Tynan, da Argus Research.

Em sua conversa com Bush, segundafeira, Obama afirmou ser urgente a injeção de dinheiro público no setor. Bush respondeu que também anda preocupado com o assunto, mas impôs uma condição. Ele disse que sua prioridade é aprovar o acordo bilateral de livre comércio com a Colômbia, estancado há meses no Congresso. E que só concordaria em financiar as três montadoras americanas se Câmara e Senado aprovassem esse tratado.

Obama sempre foi contra esse acordo bilateral. E, a julgar pelo que dizem seus assessores, ele estaria disposto a pagar para ver. Ou seja: os democratas não cederiam à pressão (alguns a chamam de chantagem) de Bush, apostando em que ele não deixaria que a GM, que já foi a maior montadora do mundo e é um ícone do capitalismo americano, quebrasse no final de seu governo, já tão criticado.

O governo aprovou US$ 25 bilhões de ajuda às montadoras em setembro, mas vinculando esse dinheiro ao desenvolvimento de veículos que consumam menos combustível e poluam menos. A questão é que as fábricas necessitam de capital urgente para pagar as suas contas.

Obama sugeriu um novo pacote de US$ 25 bilhões, sem condições, ou o acesso das três montadoras a parte dos US$ 700 bilhões destinados originalmente ao resgate de instituições financeiras — o que tem o apoio da presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi. Ela pediu ontem uma “ajuda financeira de emergência e limitada” para o setor. Se Bush não concordar com uma coisa ou outra, restará à GM, em especial, encontrar formas de se manter de pé até 20 de janeiro, quando Obama assume e, então, terá como salvá-la da falência.

 

 

Vendas voltam a nível da Segunda Guerra

WASHINGTON. As vendas de veículos nos Estados Unidos estão chegando quase ao fundo do poço. Entre janeiro e outubro, a queda foi de 14,5% em relação a igual período do ano passado. Só em outubro, as vendas atingiram um nível igual ao de 25 anos atrás.

A General Motors foi a empresa que mais perdeu. Suas vendas caíram 45,1% no mês passado. Segundo a empresa, considerando o crescimento da população dos EUA, as vendas tiveram uma queda proporcional fora do comum: ela vendeu um volume igual ao que atingira logo depois da Segunda Guerra Mundial.

— Isso mostra que é preciso que o governo faça algo, e logo, para nos ajudar a sair desse período de congelamento de vendas — disse Mike DiGiovanni, funcionário da GM encarregado das previsões de vendas.

As seis principais montadoras dos EUA continuaram perdendo dinheiro em outubro, tanto as três americanas (GM, Ford e Chrysler) quanto as três japonesas (Toyota, Honda e Nissan). Em 2007, elas venderam 16,1 milhões de automóveis, jipes, vans, caminhões e caminhonetes.

A perspectiva para 2008, a continuar no ritmo atual, é que as vendas não passem de 10,6 milhões.

Isso significa que a situação está se tornando bem pior do que o esperado, já que, na recessão mais profunda, no início dos anos 90, as fábricas chegaram a vender 12 milhões de veículos por ano. O enxugamento do mercado significa que os revendedores também estão em maus lençóis. Cerca de 1.600 já saíram de cena este ano.

— Se as coisas continuarem do jeito que estão, não há dúvida de que um número ainda maior de revendedores de veículos fecharão as portas até o fim do ano — disse o consultor Mark Johnson.

Sua previsão é que, até dezembro, nada menos do que duas mil revendedoras desaparecerão do mercado. (J.M.P.)

07/11/2008 - 11:19h Têxteis e calçadistas reduzem férias

Davilym Dourado / valor

Com estoques altos, Buettner concede férias coletivas a todos os funcionários, afirma o presidente da empresa, João Henrique Marchewsky

VALOR de São Paulo. Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis e Recife

http://www.assintecal.org.br/assintecal/images/conteudofoto/conteudo_14731_foto_1_calcadistas.jpgNos setores têxtil e calçadista, as férias de fim de ano foram mantidas e, alguns casos, até reduzidas. Um dos principais pólos calçadistas do Rio Grande do Sul, Sapiranga está registrando reduções nos períodos de férias coletivas devido ao mercado aquecido para as indústrias do setor, disse o diretor do sindicato dos trabalhadores local, Leandro dos Santos. A Paquetá, que opera nos mercados interno e externo e emprega 3 mil pessoas na cidade, decidiu substituir o período tradicional de 15 a 20 dias de férias pelo período entre o Natal e o Ano Novo que totaliza nove dias.

O quadro é semelhante na Daibi, com 600 funcionários. Focada no mercado externo, a empresa vai conceder 15 dias de férias, contra os 20 dias nos anos anteriores, mas o período exato não foi comunicado ao sindicato, disse Santos. A Beira-Rio já informou que vai parar do dia 22 de dezembro a 10 de janeiro, repetindo os 20 dias de férias concedidos no ano passado.

Em Parobé, também no Rio Grande do Sul, a Azaléia, com 5,3 mil funcionários, deve manter, “em princípio”, os 20 dias de férias tradicionais, comentou o presidente da entidade, João Pires. A maior preocupação na cidade é com os mais de 400 pequenos “ateliês”, que empregam 4 mil pessoas e produzem como terceirizadas para empresas exportadoras, diz. Conforme Pires, com a retração de consumo nos Estados Unidos, maior importador de calçados brasileiros, e com as alegadas perdas provocadas pelas operações de derivativos, as empresas contratantes estão reduzindo as encomendas e nos últimos meses pelo menos 100 pessoas perderam o emprego nos ateliês.

Em Santa Catarina, Malwee e Marisol, darão férias coletivas a todos os seus funcionários entre novembro e dezembro, informou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Têxteis de Jaraguá do Sul, Gildo Antônio Alves. O período de 20 dias será o mais comum entre as empresas da região, que somam 450 indústrias. Com encomendas fortes, a Marisol será uma exceção. Neste ano, a empresa reduziu as férias coletivas de 20 para 13 dias.

Em Brusque (SC), a Buettner pretende dar 14 dias de férias coletivas, começando no dia 22 de dezembro. O presidente da empresa, João Henrique Marchewsky, observa que as férias em 2007 foram de dez dias e a empresa não ficou totalmente sem produzir no período. Dessa vez, a parada será de 100% dos funcionários. O período será maior por conta do aumento dos estoques e pelas perspectivas de um primeiro trimestre mais fraca de encomendas em 2009, em razão da crise econômica mundial. A empresa tem 1,4 mil empregados.

De acordo com o Sindicato dos trabalhadores das Indústrias Têxteis de Blumenau, que representa funcionários de 211 indústrias, ainda não foram comunicadas as férias coletivas de grandes empresas como Teka, Hering e Coteminas. Vivian Bertoldi, presidente do sindicato, acredita que as empresas concederão de 10 a 20 dias. A Teka informou que fará uma parada entre 22 de dezembro e 11 de janeiro. A expectativa é de férias de 10 dias na Hering e de 20 dias na Coteminas. Caso venha a conceder, será a primeira vez que a Coteminas, com uma fábrica em Blumenau, terá férias coletivas na cidade.

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Calçados e Vestuário de Crato e Juazeiro do Norte, no Ceará, não recebeu nenhum aviso de férias coletivas. No ano passado, nesta mesma época, algumas firmas já tinham comunicado que dariam férias. O Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal) também informou não ter recebido avisos de férias coletivas.

A Baterias Moura, de Pernambuco, optou por iniciar as férias coletivas em outubro para cerca de 10% do quadro de funcionários. O sistema funcionará assim até dezembro, segundo Sérgio Moura, vice-presidente da companhia. Em outubro, as vendas para as fabricantes de automóveis caíram 5%, e as exportações, 20%. Por causa disso, o executivo estima que as vendas do último trimestre de 2008 serão 10% menores em relação ao mesmo período de 2007.

Para o próximo ano, entretanto, a expectativa de Moura é de melhora na demanda. “Ainda são sabemos muito bem quanto, mas trabalhamos com crescimento para 2009. Por isso optamos por não demitir os trabalhadores.” O vice-presidente prevê alta de 20% nas exportações de 2009 e de 5% na venda para montadoras. Para ele, o câmbio está mais favorável às vendas externas. “E creio que os bancos das montadoras vão financiar mais os carros.”

Mesmo no segmento de autopeças, o período de férias coletivas foi mantido em algumas praças. Em Caxias do Sul (RS), apenas algumas empresas de pequeno e médio porte da cadeia de produção de autopeças, com até 200 funcionários, encaminharam os programas de férias coletivas, informou o diretor do sindicato dos metalúrgicos local, Antônio Homem. Em geral as férias vão de 22 de dezembro a 4 de janeiro. “Normalmente esse é o período concedido pelas empresas da região”, afirmou.

O grupo Randon, um dos maiores do município, também concederá férias do dia 19 de dezembro a 4 de janeiro, mantendo uma “tradição histórica” da companhia, informou o diretor corporativo de relações com investidores, Astor Schmitt. No período 2007/08, a parada foi de 22 de dezembro a 6 de janeiro. Segundo o diretor do sindicato dos metalúrgicos, a base de atuação da entidade, que inclui Caxias do Sul e oito pequenos municípios vizinhos, reúne cerca de 40 mil trabalhadores do setor.

A situação se repete em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, onde trabalham em torno de 11 mil metalúrgicos, disse o presidente do sindicato local, Nelson Luiz da Silva. A entidade ainda não recebeu nenhum comunicado formal das empresas, mas as informações disponíveis são de que elas vão conceder 20 dias de férias entre o Natal e o Ano Novo.

17/09/2008 - 12:29h Velhos problemas, novas oportunidades

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Tudo indica que, a despeito da piora percebida no cenário internacional, a meta de atingir uma taxa de investimento anual de 21% do PIB estabelecida pelo governo para 2010 vai ser atingida ou mesmo ultrapassada

David Kupfer – VALOR

Com esse título, a Cepal, Comissão Econômica para a América Latina, realizou em junho último a sua 32ª Conferência, visando definir as linhas mestras de ação para o fomento do desenvolvimento latino-americano a serem perseguidas nos próximos anos (documento disponível em www.cepal.org). Duas décadas após a eleição do lema “Transformação produtiva com equidade”, que em si mesmo revelava uma certa dose de pessimismo diante da capacidade de resposta insuficiente que se antevia para as economias da região, a revisão contida no novo documento buscou registrar diagnósticos e propostas voltadas para reconectar os diversos países às perspectivas de crescimento mais acelerado trazidas pelo novo padrão de expansão da economia global, no qual é maior o papel reservado aos países emergentes. Dentre os países do subcontinente latino-americano, o Brasil foi o que conseguiu ir mais longe no projeto original de industrialização, o que enfrentou o mais prolongado período de estagnação e é, agora, o que reúne as melhores condições para o salto em direção a um novo estágio de desenvolvimento. Há, de fato, um importante conjunto de oportunidades que estão se abrindo, mas que não deixam de embutir os velhos problemas dos quais o país não conseguiu ainda se desvencilhar em seu esforço para escapar das mazelas do baixo crescimento.

É exatamente quando o cenário internacional começa a atravessar uma zona de crescente turbulência que essas questões ganham relevância. Enquanto muitos analistas afirmam que a deterioração da situação financeira internacional já atingiu proporções que a tornam o pior episódio de crise desde a Grande Depressão de 1929, o Brasil vê-se diante do mais forte ciclo de investimentos desde os idos dos anos 1970. Como previsível, essa mesma dicotomia entre o velho e o novo dominou o 5º Fórum de Economia da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, realizado no início dessa semana. Na mesa que buscou discutir as relações entre investimento e mercado interno, ficou claro que, no que respeita as probabilidades de sustentação das atuais taxas de crescimento por um horizonte temporal mais duradouro, existe espaço tanto para otimistas quanto para pessimistas, e também para ressabiados. Os otimistas nutrem-se das oportunidades abertas pelas novas frentes de expansão da economia relacionados ao deslanche das obras de infra-estrutura, de energia, incluindo a grande estrela que é a exploração do petróleo no pré-sal, e ainda de setores de commodities, que finalmente entraram em rota de ampliação da capacidade produtiva. Os pessimistas alimentam-se do temor do ressurgimento dos velhos problemas, dentre os quais a sensação de que os grandes déficits da conta-corrente poderão voltar muito antes do que se esperava e, em um quadro de maior restrição de liquidez internacional que se anuncia, devolver o país aos tempos de vulnerabilidade externa, da qual parecia ter recém se libertado.

No debate macroeconômico, faz todo sentido tentar avançar na modelagem teórica das relações de causalidade que entrelaçam crescimento econômico ao investimento, e esse último à poupança. A conclusão provável deve ser, porém, pela ausência de qualquer relação fixa unindo esses pares de variáveis. O problema é que os efeitos de um dado nível de investimento não podem ser totalmente determinados sem o conhecimento da produtividade do capital, isto é, qual a quantidade de produto que uma unidade de capital permite obter esse valor, que tecnicamente é chamado de relação capital-produto, é um parâmetro estritamente empírico, de difícil estimativa, pois depende da tecnologia, das instituições e, ainda, dos mistérios da capacidade organizacional humana. Para o Brasil não são disponíveis dados sobre essas relações capital-produto setoriais que, sabe-se, são hoje muito diferentes das que vigoravam no passado devido à profunda reestruturação ocorrida nos métodos de produção praticados no país. A título de exemplo, uma fábrica projetada para realizar simplesmente a montagem de componentes importados terá um nível de investimento muito menor do que outra com a mesma capacidade produtiva, mas com maior densidade de operações industriais, isto é, mais integrada do ponto de vista dos insumos e processos produtivos realizados. Posteriormente, quando entrar em operação, também irá gerar menos emprego e renda. Quanto a investimento e poupança, é lógico que, olhados a posteriori, ambos evoluem em sincronia, como os dois lados de uma mesma moeda, simplesmente porque fazem parte de uma identidade contábil. Há porém fortes evidências a sugerir que a poupança cresce quando o investimento cresce, definindo uma relação de precedência para a decisão de investimento, o que não quer dizer, porém, que o problema do financiamento macroeconômico do investimento não exista e não deva atrair a devida atenção dos formuladores da política.

Tudo indica que, a despeito da piora percebida no cenário internacional, a meta de atingir uma taxa de investimento anual de 21% do PIB estabelecida pelo governo para 2010 vai ser atingida ou mesmo ultrapassada, a confirmar-se para o segundo semestre a expansão de 16% da formação bruta de capital já ocorrida nesse primeiro semestre de 2008 – uma velocidade quase o triplo da do crescimento do PIB. As causas desse fato estão associados aos efeitos aceleracionistas do ciclo de crédito no mercado de bens e habitações, à dinamização da demanda no mercado interno provocada pelo processo de redistribuição de renda em curso, aos efeitos do cenário benigno no mercado internacional de nossos principais produtos de exportação que vigorou no passado recente e, finalmente, à retomada dos investimentos em infra-estrutura energética e de transportes que, de tão atrasados, não podiam mais esperar.

Em conjunto, esses blocos de investimento conseguiram fazer funcionar o motor de arranque da economia brasileira, ultrapassando uma barreira que vinha se mostrando quase irredutível. Daí a serem indutores de um processo de crescimento sustentado, dependerá da capacidade do governo modificar o atual mix da política macroeconômica, que é direcionado para objetivos puros de estabilização para começar a construir uma macroeconomia do crescimento no país. Na prática, após décadas de políticas curto-prazistas, será necessário reaprender a fazer políticas eficazes de financiamento do desenvolvimento. São as dificuldades envolvidas nessa passagem que deixam alguns nem otimistas nem pessimistas, mas bastante ressabiados.

16/09/2008 - 16:33h Uma prefeita de classe

Fábrica MWM

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Correios

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Bairro da Lapa

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Fotos Cesar Ogata

05/09/2008 - 10:11h Volvo reajusta salário em 10%. No ABC, impasse

Assembléia de metalúrgicos da Teksid do Brasil e da Nemak, em Betim (MG)http://portalctb.org.br/site/images/stories/Imagens/di_greve_mg_metal_teksid_nemak_betim.jpg

Continuam em greve no Paraná trabalhadores de Volks, Renault e Nissan.

Em SP, funcionários pararam por 2 horas

Lino Rodrigues – O Globo

SÃO PAULO e RIO. A onda de paralisações de trabalhadores das montadoras produziu ontem um primeiro resultado. A Volvo aceitou conceder 10% de reajuste linear a seus empregados, a ser pago a partir deste mês, mais abono de R$ 1.500. As duas partes cederam: os metalúrgicos, que pediam 5% só de reajuste real (acima da inflação), e a empresa, que reviu sua oferta de 1,25% para 2,5%. A fábrica da Volvo, na Região Metropolitana de Curitiba, estava parada há três dias. Continuam parados na região os 8 mil trabalhadores de Volkswagen, Renault e Nissan. Ao contrário da Volvo, as três querem que o reajuste seja apenas a partir de dezembro.

O impasse também perdura no ABC paulista, onde paralisações de uma a duas horas interromperam ontem a produção na Ford, na Volks e na Scania. Até as 21h de ontem, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Sinfavea (das empresas) continuavam reunidos em São Paulo para tentar um entendimento. De manhã, em assembléias, os trabalhadores decidiram suspender a produção extra para este fim de semana. Eles ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado na segundafeira, caso as montadoras não apresentem nova proposta.

A entidade não revela a proposta feita aos empresários. — Acreditamos que as empresas vão oferecer proposta razoável para evitar uma greve que não interessa a ninguém — disse o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, antes da reunião.

Os metalúrgicos da Força Sindical (mais de 700 mil no estado de São Paulo) devem engrossar o movimento na próxima semana. Ontem, eles fizeram passeata na Avenida Paulista para entregar a pauta de reivindicações à Fiesp. A campanha envolve 54 sindicatos com data-base em 1ode novembro, e reivindica 20% de aumento salarial e jornada de 40 horas semanais.

A pressão dos metalúrgicos pegou as montadoras com estoques em alta, diz a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume de veículos nas concessionárias e na indústria subiu 30% entre julho e agosto, de 23 para 30 dias. Para o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, a alta reflete a acomodação do mercado de carros no país, após sucessivos recordes. As vendas de veículos caíram 15,1% em agosto sobre julho, mas subiram 4% contra igual mês de 2007, atingindo 244,8 mil unidades. Já a produção recuou 1% na comparação mensal e avançou 12,6% na anual. — Você não pode crescer sempre 25% — disse Schneider. Sobre as negociações com os metalúrgicos, ele afirmou: — Acredito na maturidade dos atores (sindicalistas e empresários) e que chegaremos a um ponto de equilíbrio com a expectativas dos trabalhadores.

Protesto no Rio deu um nó no trânsito do Centro

No Rio, metalúrgicos da capital, de Niterói e Angra fizeram manifestação em frente à sede da Petrobras, no Centro, pela construção da plataforma P-62 no estaleiro Mauá, de Niterói. Cerca de 3 mil manifestantes iniciaram a caminhada na Praça XV, dando um nó no trânsito. Segundo sindicalistas, a construção da plataforma pode gerar 2.500 empregos no Rio, mas corre o risco de ser levada para outro estado.