14/04/2009 - 20:04h Misia

Garras dos Sentidos
Triste Sina

Mar de mágoas sem marés
Onde não há sinal de qualquer porto
De lés a lés o céu é cor de cinza
E o mundo
desconforto
No quadrante deste mar que vai rasgando
Horizontes sempre iguais à minha frente
Há um sonho
agonizando
Lentamente, tristemente
Mãos e braços para quê
E para quê os meus cinco sentidos
Se a gente não
se abraça não se vê
Ambos perdidos
Nau da vida que me leva
Naufragando em mar de trevas
Com meus sonhos de menina
Triste sina

Pelas rochas se quebrou
E se perdeu a onda deste sonho
Depois ficou uma franja de espuma
A desfazer-se em bruma
No meu jeito de sorrir ficou vincada
A tristeza de por ti não ser beijada
Meu senhor de todo o sempre
Sendo tudo não és nada.

10/04/2009 - 20:09h Mariza

Rosa branca

Primavera

Chuva


Chuva

As coisas vulgares que há na vida

Não deixam saudades

Só as lembranças que doem

Ou fazem sorrir

Há gente que fica na historia

da historia da gente

e outras de quem nem o nome

lembramos ouvir

São emoções que dão vida

A saudade que trago

Aquelas que tive contigo

e acabei por perder

Ha dias que

marcam a alma e a vida da gente

e aquele em que tu me

deixaste não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto

Gelado e cansado

As ruas que a cidade tinha

Ja eu percorrera

Ai… meu choro de moça perdida

gritava a cidade

que o fogo do amor

sob chuva

há instantes morrera

A chuva ouviu e calou

meu segredo a cidade

E eis que ela bate no vidro

Trazendo a saudade

25/03/2009 - 19:37h Lágrima

María Bozzini

Lágrima

Amália Rodrigues

Cheia de penas me deito
E com mais penas me levanto
Já me ficou no meu peito
O jeito de te querer tanto

Tenho por meu desespero
Dentro de mim o castigo
Eu digo que não te quero
E de noite sonho contigo

Se considero que um dia hei-de morrer
No desespero que tenho de te não ver
Estendo o meu xaile no chão
E deixo-me adormecer

Se eu soubesse que morrendo
Tu me havias de chorar
Por uma lágrima tua
Que alegria me deixaria matar

02/12/2008 - 19:26h Corpo iluminado

http://www.cristinabranco.com/pub/images/cd_ci.gifhttp://www.cristinabranco.com/pub/images/cbranc31.jpg

Corpo Iluminado Cristina Branco: Corpo IluminadoMP3

De que túnel de que árvore
De que zero de remorso
De que rasura do vento
De que núpcias de mármore
De que fresta de que pórtico
Saíste neste momento

Para que praia que porto
Que fugitiva garupa
Que torre desconhecida
Que mãos que braços que rosto
Que tempestade difusa
Te encontras já de partida

Não és de nenhum sossego
Vives no gume do ser
Na fronteira do devir
E assim me tornas eu mesma
Entre nascer e morrer
Entre chegar e partir

David Mourão-Ferreira / Custódio Castelo

Meu amor meu amor (Meu Limão de Amargura) Cristina Branco: Meu Limao de AmarguraMP3

Meu corpo em movimento
Minha voz à procura
Do seu próprio lamento
Meu limão de amargura
Meu punhal a crescer;
Nós parámos o tempo
Não sabemos morrer
E nascemos nascemos
Do nosso entristecer.

Meu amor meu amor
Meu pássaro cinzento
A chorar a lonjura
Do nosso afastamento.

Meu amor meu amor
Meu nó de sofrimento
Minha mó de ternura
Minha nau de tormento:
Este mar não tem cura
Este céu não tem ar
Nós parámos o vento
Não sabemos nadar
E morremos morremos
Devagar devagar

Ary dos Santos/Alain Oulman

Sugestão de muito bom gosto de Marisa, leitora do blog

26/11/2008 - 19:50h Mariza

Alexandre O’neill – Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.


Alexandre O’neill (Poeta português, 1924-1986)

Este poema foi musicado por Mário Pacheco

 Há palavras que nos beijam

 

 Medo

 

25/11/2008 - 19:55h Estranha forma de vida

Amália Rodrigues

Letra: Amália Rodrigues
Música: Alfredo Marceneiro

Estranha forma de vida

Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vives de vida perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

Coração independente,
coração que não comando:
vives perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.

Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes aonde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais

Se não sabes onde vais:
para, deixa de bater,
eu não te acompanho mais.


Extraña forma de vida (En castellano)

Fue por voluntad de Dios
que yo vivo en esta ansiedad
que todos los ayes son míos,
que es toda mía la aflicción.
Fue por voluntad de Dios.

Que extraña forma de vida
tiene este corazón mío:
vives de vida perdida.
¿Quién le daría el don?
Qué extraña forma de vida

Corazón independiente
corazón que no comando:
vives perdido entre la gente,
tercamente sangrando,
corazón independiente.

Yo no te acompaño más:
para, deja de latir.
Si no sabes adonde vas,
por qué porfías en correr,
yo no te acompaño más.

Si no sabes donde vas:
para, deja de latir,
yo no te acompaño más.

29/04/2008 - 16:43h Medo

Mariza

09/02/2008 - 19:39h Mariza – Meu Fado

16/01/2008 - 16:39h Corpo iluminado, Cristina Branco e Conjunto Iberico