10/02/2009 - 14:24h É hora de romper o círculo vicioso

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Amos Oz, International Herald Tribune* – O Estado SP

Ehud Olmert, premiê israelense, declarou que Israel dará uma resposta “desproporcional” a qualquer novo ataque do Hamas contra seus civis. Acho que uma resposta desproporcional é uma resposta imoral. Uma punição desproporcional é uma punição imoral.

Essa desproporcionalidade fortaleceria os candidatos extremistas nas eleições israelenses e atenderia aos objetivos dos fanáticos na Faixa de Gaza e no mundo árabe.

Operações militares desproporcionais nada mais são do que vingança. E vingança nada mais é do que a satisfação de instintos primitivos básicos.

Vejo o Hamas como um bando de criminosos que, há muito tempo, direciona sua ação contra civis israelenses. Nos últimos anos, nada menos do que 10.000 foguetes foram lançados pelo grupo contra cidades e povoados dentro de Israel.

O Hamas também é um bando de criminosos porque usa civis palestinos como escudos humanos e porque, cinicamente, esconde-se atrás de mulheres e crianças.

Mas matar mais civis palestinos não vai levar a nada, já que os radicais islâmicos não se importam absolutamente com essas mortes.

Como o líder do grupo na Síria, Khaled Meshal, disse recentemente, “a atual geração de palestinos pode ser sacrificada”.

A única resposta eficaz é um ataque bem calculado, proporcional, contra os criminosos do Hamas, que tente ao máximo poupar a vida de palestinos inocentes. O Egito está intermediando um cessar-fogo e Israel tem de dar uma chance a essa mediação.

Não devemos nos esquecer que o maior revés para o Hamas seria um eventual acordo de paz entre o governo de Israel e a Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas. Um acerto desse tipo entre palestinos e israelenses é possível – e talvez até mesmo iminente.

* Amos Oz é escritor israelense

07/01/2009 - 11:15h Proposta de França e Egito ganha força

Chaque jour, les bombardements cesseront pendant trois heures à Gaza.

EUA e Autoridade Palestina apoiam plano para pôr fim a ofensiva em Gaza

 

Nova York – O Estado SP

 


Os presidentes da França e do Egito, Nicolas Sarkozy e Hosni Mubarak, apresentaram ontem um plano para obter uma trégua imediata e encerrar o conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. O chanceler francês, Bernard Kouchner, disse ontem à noite durante reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York que o plano levará as principais partes, incluindo a Autoridade Palestina, a adotar “todas as medidas” para encerrar o conflito.

A proposta, apresentada por Mubarak e Sarkozy durante uma entrevista coletiva em Sharm el-Sheikh, pede um cessar-fogo por um período limitado destinado a permitir o envio de ajuda humanitária a Gaza, um encontro urgente entre israelenses e palestinos para discutir meios de impedir novas ações militares e motivos para o conflito, incluindo o fim do bloqueio de Gaza. Também pede a retomada de diálogo sobre uma reconciliação entre o Hamas e a Autoridade Palestina, que perdeu o controle de Gaza para o grupo em meados de 2007.

“Deter a violência é a prioridade. O Conselho de Segurança – que a França passará a presidir em fevereiro – precisa apoiar e encorajar esse esforço promissor”, declarou Kouchner. “Estamos esperando a resposta israelense e temos esperança de que será positiva”, disse. A embaixadora israelense na ONU, Gabriela Shalev, disse que Israel está analisando “seriamente” a proposta.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e os EUA apoiaram imediatamente o plano Mubarak-Sarkozy. Abbas pediu ao CS que pressione por uma trégua e o levantamento do “sítio sufocante” a Gaza.

“Precisamos urgentemente concluir um cessar-fogo que perdure a traga real segurança”, disse a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, ao CS da ONU. “Nesse sentido, estamos satisfeitos e desejamos elogiar o presidente do Egito e seguir sua iniciativa”, disse.

À tarde, durante um encontro em Damasco com o presidente sírio, Bashar Assad, Sarkozy afirmou que um acordo de cessar-fogo em Gaza entre Israel e o Hamas “não está distante”. Sarkozy pediu à Síria – um dos principais aliados do Hamas – que pressione os líderes do grupo radical palestino a firmar uma trégua com Israel. “É preciso simplesmente que um dos atores envolvidos comece a encaminhar as coisas na direção certa”, afirmou.

O otimismo sobre um cessar-fogo foi compartilhado pelo ex-premiê britânico e enviado especial à região, Tony Blair. A violência pode ser “freada rapidamente”, garantiu Blair, que representa o chamado “Quarteto” – grupo de negociação do conflito palestino-israelense formado pela ONU, EUA, União Europeia e Rússia.

Em entrevista ao jornal Haaretz, o premiê de Israel , Ehud Olmert, garantiu que não tem interesse em prolongar a ofensiva em Gaza. “O quanto antes, melhor”, disse Olmert em relação ao fim da ação. “Há diferentes ideias para um arranjo diplomático e estou em discussão com vários líderes sobre elas.” Pela primeira vez após 11 dias de ataque, Israel estaria considerando as propostas de trégua, admitiram funcionários do governo israelense à Reuters.

AL-QAEDA SOLIDÁRIA

O número 2 da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, convocou os muçulmanos do mundo a atacar alvos israelenses e ocidentais como resposta à ação de Israel contra o Hamas em Gaza. “Acerte os interesses dos sionistas e dos cruzados em qualquer lugar e de qualquer modo que você conseguir”, disse Zawahiri em um site jihadista. “Este ataque é o presente do presidente eleito Obama a vocês (palestinos).”
REUTERS E AP