08/11/2009 - 18:26h Anselmo Duarte

ANSELMO DUARTE - O PAGADOR DE PROMESSAS - THE PLAYER OF PROMISES por Lumi Zúnica - Fotojornalismo

ANSELMO DUARTE – O PAGADOR DE PROMESSAS

O cineasta e ator Anselmo Duarte, de 89 anos, morreu hoje, por volta da 1h30, no Hospital das Clínicas, em São Paulo. A causa da morte foi um acidente vascular cerebral hemorrágico, segundo a assessoria de imprensa do hospital, onde ele estava internado em estado grave desde 27 de outubro.
Anselmo Duarte foi o único brasileiro a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1962
com o filme ” O Pagador de Promessas”. A foto foi tirada na sua residência em 21 de janeiro de 2008. Foto Lumi Zúnica. Fonte Lumi Zúnica

04/11/2009 - 09:44h Brasil celebra antropólogo, mas esquece lição política

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“Orgulho” por laços entre o intelectual e o país não incluiu seus “mestres” locais, os índios

Lévi-Strauss participou da criação da USP; experiência brasileira e mitos locais foram fundamentais para concepção de suas ideias

RAFAEL CARIELLO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Claude Lévi-Strauss é, entre os grandes intelectuais do século 20, talvez um dos nomes mais conhecidos no Brasil, mesmo por pessoas que nunca chegaram a ler um parágrafo que tenha sido escrito pelo “pai do estruturalismo”.
Além de nome familiar, quase todo brasileiro que tenha terminado algum curso universitário sabe que o antropólogo participou do grupo de professores franceses que ajudou a criar, nos anos 30, a Universidade de São Paulo, símbolo de certa modernidade brasileira e ainda hoje a melhor instituição de ensino e pesquisa no país.
Não são essas as únicas razões que fizeram esse intelectual francês, nascido na Bélgica, se tornar, curiosamente, uma espécie de “orgulho nacional” brasileiro. Como se sabe, o contato de Lévi-Strauss com diferentes populações indígenas do país, em expedições ao então “remoto” oeste brasileiro na segunda metade da década de 1930, forneceram material rico, “bom para pensar”, que contribuiria decisivamente para sua obra futura.
E são também narrativas míticas recolhidas por outros autores em grupos “brasileiros”, entre eles os bororos, que já haviam sido visitados pelo antropólogo em Mato Grosso, que dão o pontapé inicial e perpassam toda a sua obra maior, as “Mitológicas”, quatro volumes sobre a lógica do pensamento ameríndio, em particular, e sobre as próprias condições do pensar, de modo geral.

Cegueira

Como se vê, Lévi-Strauss aprendeu muito com o Brasil, e era razoável que isso terminasse sendo utilizado de forma provinciana, dirão alguns, ou como elemento de uma saudável autoestima, dirão outros. O interessante é que essa lógica narcisista, essa reiterada associação entre o antropólogo e o país depende de um constante esquecimento, uma cegueira mesmo, sobre o que ele de fato escreveu sobre nós, e sobre o que, exatamente, somos esse “nós” (os brasileiros).
Esse “Brasil” com que tanto aprendeu Lévi-Strauss é constituído justamente pelos brasileiros que, ao longo de todo o século 20, o país teimou em esconjurar, em negar -o Brasil das dezenas de grupos indígenas que não desapareceram e que, pesquisas demográficas recentes demostram, voltou a crescer e está aí para ficar.
Enquanto Lévi-Strauss utilizava as preciosas lições que aprendera com grupos indígenas do cerrado e da Amazônia brasileira (sobre outros modos de relacionar natureza e cultura, diferentes concepções metafísicas, lógicas de organização social) para criar um dos pensamentos mais influentes da segunda metade do século 20, a maioria dos brasileiros olhava para os “mestres” do antropólogo como um símbolo de atraso a ser superado ou esquecido, um motivo de vergonha fadado felizmente (eles acreditavam) a desaparecer.
Ao mesmo tempo em que valorizava esse Brasil de que os próprios brasileiros se envergonhavam -Lévi-Strauss pode ser descrito como “carinhoso” ao falar de povos como os nambiquara e os bororo-, o antropólogo foi duro, em alguns momentos implacável, ao apresentar suas impressões sobre a sociedade brasileira urbana, envolta em sua permanente disputa por status.
Para os estudantes da USP recém montada, escreve Lévi-Strauss em “Tristes Trópicos”, “ideias e doutrinas não ofereciam [...] um interesse intrínseco, consideravam-nas como instrumentos de prestígio cujas primícias deviam conseguir”. “Partilhar uma teoria conhecida com outros equivalia a usar um vestido já visto.”
Se uma teoria europeia “antiga” já não valia nada nesse gosto vulgar pelo “moderno”, utilizado como signo de prestígio, que dizer dos povos indígenas e suas ideias?
Se, em regra, as coisas não são muito diferentes hoje, é justo notar que foi exatamente no ramo da antropologia, fortemente influenciada por Lévi-Strauss mesmo quando esse autor estava “em baixa”, nas últimas décadas, que a academia brasileira conseguiu formar alguns dos seus principais pensadores -nomes como Manuela Carneiro da Cunha e Eduardo Viveiros de Castro-, reconhecidos hoje entre os principais cientistas sociais em atividade no mundo.

04/11/2009 - 09:38h Claude Lévi-Strauss: Ideias em constante transformação

Em trecho de livro inédito sobre o antropólogo, Eduardo Viveiros de Castro analisa o autor de Mitológicas

http://www.lesquotidiennes.com/files/imagecache/480x240/articles/claudelevistrauss.jpghttp://www.estadao.com.br/fotos/eduardoviveiros_fabio_motta292.jpg
Claude Lévi-Strauss analisado por Eduardo Viveiros de Castro, ce n’est pas tout

O título do livro que começo a escrever aqui diante de vocês é Isso Não é Tudo: Lévi-Strauss e a Mitologia Ameríndia. “Isso não é tudo”, “ce n’est pas tout” é uma fórmula frequentemente empregada por Lévi-Strauss, a ponto de poder ser considerada um pequeno maneirismo do autor, para introduzir um desdobramento ou uma guinada na análise, ou encerrar uma demonstração com uma sequência inesperada de acordes. Ela aparece, eventualmente nas variantes “não é só isso” e “há mais”, um pouco em toda parte na obra lévi-straussiana, mas (provavelmente) aumentando sua frequência nas Mitológicas.

A “petite phrase de Lévi-Strauss” marca um passo estilístico típico: o surgimento quase prestidigitatório (se a palavra existe) de sempre mais um eixo, sempre “um outro eixo” de transformação, disposto de través, em diagonal aos vários eixos que vinham até ali guiando a comparação; a produção em finta ou pirueta de uma torção suplementar completamente imprevista, que abre subitamente uma progressão que tudo encaminhava para o fechamento; a revelação de vínculo extra, implicado, obscuro, compactado no texto sob análise que subitamente se explica e esclarece, e ao mesmo tempo se multiplica e difrata em perspectivas que, literalmente, perdem-se de vista no horizonte. Teremos ocasião de registrar vários momentos da demonstração ao mesmo tempo sinuosa e reticular, barroca e rizomática abertos pelo “Isso não é tudo” nas Mitológicas. Na verdade, o movimento assinalado pela pequena frase ocorre muito mais frequentemente que ela; ela é opcional, mas o movimento, ao contrário, parece-nos necessário, intrínseco ao procedimento lévi-straussiano. A petite phrase, eis a nossa tese, cumpre na verdade uma função conceitual fundamental dentro da economia teórica do estruturalismo.

Descobri recentemente que F. Keck fala em um “méthode du “Ce n”est pas tout” – não fui, assim, o único a notar o maneirismo metódico. Mas Keck não tira deste método grandes lições, quando ao contrário penso que ele é muito importante. Ele aponta para o inacabamento da análise estrutural, e sugere as razões desse inacabamento: a fractalidade e rizomaticidade de todo objeto determinado pelo método estrutural, na medida em que esse objeto em geral é concebido sempre como um estado particular de um sistema de transformações cujos limites são contingentes. A ”interminabilidade”, no duplo sentido (sem fim ou término, e sem possibilidade de determinação unívoca do que é um termo e uma relação, do que é literal e figurativo) da análise mítica é um princípio absolutamente fundamental das Mitológicas. Veremos que Lévi-Strauss insiste no caráter aberto, intensivo, iterativo, em nebulosa, poroso, “conexionista” dos sistemas míticos que reconstrói. “Isso não é tudo”, então, porque nada é tudo, em nenhum momento se alcança uma totalização. “Isto não é tudo” supõe um conceito de estrutura e de análise que não privilegia uma vontade de fechamento, compacidade, a determinação de uma combinatória exaustivamente definida a priori. Com o “isso não é tudo”, começamos a divisar a possibilidade de pensar Lévi-Strauss como um pós-estruturalista. (…)

Naturalmente, isso não é tudo? Lévi-Strauss irá insistir repetidas vezes nas Mitológicas sobre o fechamento do sistema que analisa, a redondez da terra da mitologia (mas também sua porosidade?), a completude do círculo que o leva das savanas do Brasil Central às costas brumosas do estado de Washington e da Columbia Britânica,e, localmente, sobre os vários fechamentos de grupos míticos menores. Será preciso então insistirmos sobre uma tensão interna ao pensamento do autor relativo à mitologia americana, a saber, sobre uma dialética da abertura e do fechamento analítico (e mítico) que caberá explorar, em suas aparentes contradições inclusive? Isso realmente não é tudo. A pequena frase pode ser usada para fechar a análise por um lado que parecia aberto. A ênfase no fechamento dos grupos, na coerência e homogeneidade do conjunto é sublinhada repetidas vezes no correr do texto, e atinge uma espécie de apoteose enfática no capítulo O Mito Único, do Homem Nu. Por isso, eu preciso sublinhar, já que estou fazendo uma leitura parcial, apostando na tensão que ora enfatiza a ”vasta máquina combinatória que é todo sistema mítico” e o caráter grupal, fechado e coerente do seu ”mito único”, ora fala em dinamismo, desequilíbrio, devir perpétuo, assimetria que sempre abre o mito por um outro lado – essa tensão deve estruturar minha exposição.

Lévi-Strauss, fundador do pós-estruturalismo… Ele certamente não é o último pré-estruturalista, mas é o primeiro pós-estruturalista. Ao dizer isso, em certo sentido, estaríamos antecipando a conclusão deste livro, que tem como uma de suas principais intenções a de mostrar a atualidade do pensamento lévi-straussiano: pensamento da assimetria, da complementaridade, da torção e da abertura. Poderíamos ir para casa agora e dedicar o tempo a ocupações mais amenas. Mas felizmente, ou infelizmente, isto não é tudo? Além de que será preciso demonstrar minimamente o bem-fundado de minha tese, o livro tem uma outra intenção maior, que não se comprime tão facilmente em um ou dois parágrafos, a saber, a intenção de expor a originalidade radical do pensamento indígena, tal como transparece nos discursos míticos analisados nas Mitológicas.


INÉDITO

Estes são trechos da versão preliminar da Introdução Generalíssima do manuscrito inédito do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, Isso Não é Tudo: Lévi-Strauss e a Mitologia Ameríndia, a ser lançado pela Cosac Naify em agosto de 2010, junto à primeira edição brasileira de O Homem Nu, quarto volume das Mitológicas de Claude Lévi-Strauss. Trata-se da primeira grande análise das Mitológicas, e uma visão contemporânea da obra lévistraussiana e do estruturalismo de modo geral. Viveiros de Castro trabalhou com Lévi-Strauss e foi, segundo ele, responsável pela criação de uma “nova escola na antropologia”

Fonte O Estado SP

04/11/2009 - 09:29h Obras fundamentais de Claude Lévi-Strauss

http://clec.uaicf.asso.fr/recherches_patrimoniales/images/Claude_Levi_Strauss.gif

Tristes Trópicos – Clássico da
etnologia, reúne informações
recolhidas na viagem pelo Brasil (Companhia das Letras)

Antropologia Estrutural – De 1958, traz os elementos para a renovação do método antropológico
(Cosac Naify)

O Suplício do Papai Noel -
Discute o significado de festas de fim de ano e a comercialização
dessas datas (Cosac Naify)

Mitológicas – Série de quatro livros em que analisa mais de oitocentos mitos indígenas americanos
(Cosac Naify)

De Perto e de Longe - Longa
entrevista concedida por
Lévi-Strauss em 1988 ao filósofo Didier Eribon (Cosac Naify)

História de Lince – Última
incursão do antropólogo pela
mitologia americana
(Companhia das Letras, esgotado)

Saudades do Brasil – Coletânea
de fotos feitas por ele do País,
seguida de Saudades de São
Paulo (Companhia das Letras)

Olhar, Escutar, Ler – Reunião de ensaios sobre arte, em tom de
conversa com o autor
(Companhia das Letras, esgotado)

O Pensamento Selvagem – Análise do que Lévi-Strauss chama de
“traço universal do espírito
humano” (Editora Papirus)

As Estruturas Elementares do
Parentesco
– O primeiro livro
do autor, fruto de sua tese de
mestrado (Editora Vozes)

04/11/2009 - 09:24h Claude Lévi-Strauss: Um século dedicado ao homem

Linha do tempo

http://fabiaolima.files.wordpress.com/2009/02/claude-levi-strauss_machado1209828628.jpg


1908
Claude Lévi-Strauss nasce em Bruxelas, Bélgica, no dia 28 de novembro. Seus pais são Raymond Lévi-Strauss, pintor, e Emma Lévy. No ano seguinte, a família retorna a Paris

1914
Seu pai é convocado para lutar na 1.ª Guerra e a família muda-se para casa de parentes em Versalhes, subúrbio de Paris, voltando à capital apenas em 1918

1926
Estuda direito e filosofia em Paris, ao lado de Maurice Merleau-Ponty e Simone de Beauvoir

1935
Desembarca no Brasil e assume o cargo de professor de sociologia na USP. Sobre a São Paulo da época, disse ao “Estado”, no início dos anos 90: “Era um local de grande curiosidade, um pouco desordenada, dirigida para todos os sentidos.” No final do ano, realiza uma expedição a Mato Grosso e à Amazônia. Para o Le Monde, em 2005, declara: “A viagem ao Brasil foi a experiência mais importante da minha vida, seja pelo distanciamento e contraste, seja porque foi determinante na minha carreira. Tenho com este país uma dívida muito profunda”

1936
Depois de uma curta expedição ao Pantanal, volta à França, onde exibe material coletado no Brasil. Dois anos mais tarde, volta para nova expedição ao Mato Grosso. Em 1939, retorna à França

1940
É convocado pelo Exército francês. Oferece seus serviços como professor, em Montpellier, e deixa as Forças Armadas

1941
Resolve deixar a França e segue para os EUA. Durante uma parada do navio em Porto Rico é considerado suspeito pelas autoridades americanas. Só é liberado após visitar Jacques Soustelle, que estava na ilha a serviço do general Charles de Gaulle

1942
Já nos EUA, dá aulas de etnologia na Escola Livre de Estudos Superiores, em Nova York. Dois anos mais tarde, é chamado pelo Departamento das Relações
Culturais, retorna à França, onde passa a ocupar cargo de diretor da entidade.

1949
Publica seu primeiro livro, Estruturas Elementares do Parentesco, fruto de tese defendida um ano antes na Sorbonne

1950
Nomeado diretor da Escola Prática de Altos Estudos, faz
viagens à Índia e ao Paquistão, com apoio da Unesco.

1955
Publica Tristes Trópicos, em que narra as expedições pelo Brasil e o contato com os índios cadiuéus, bororos, nhambiquaras e tupi-cavaíbas. “Foi um livro escrito num momento complexo: fracasso na carreira e minha vida pessoal abalada pela separação de minha mulher. Vi-me, então, livre de tudo, sem estar preso a nenhuma amarra universitária e quis fazer um livro dissociado de consequências”, disse depois.

1958
É escolhido para ocupar a cadeira de antropologia social no tradicional Collège de France, em Paris.
Publica o livro Antropologia
Estrutural

1960
Cria o Laboratório de Antropologia Social no Collège de France, em Paris. No ano seguinte, funda a revista de antropologia L”Homme: Revue Française d”Anthropologie e publica as obras O Tomemismo Hoje e O Pensamento Selvagem

1964
Publica o primeiro volume das Mitológicas – O Cru e o Cozido. Os demais são Do Mel às Cinzas, de 1967, A Origem dos Modos à Mesa, de 1968, e O Homem Nu, publicado em 1971

1985
Volta ao Brasil por alguns dias, integrando uma comitiva do então presidente francês François Mitterrand. “Ainda que muito curta, essa viagem produziu em mim uma verdadeira revolução mental: o Brasil tinha se transformado completamente, totalmente. Havia se tornado um outro país. Aquela cidade, São Paulo, que eu havia conhecido no momento em que chegava a 1 milhão de habitantes, já tinha 10 milhões de pessoas. Os traços e vestígios da época colonial haviam desaparecido e São Paulo se transformara em uma cidade muito assustadora, com quilômetros de torres. A urbanização da cidade fez desaparecer a natureza. O rio Tietê, fundamental na conquista do interior do Brasil, estava moribundo. De tal forma que cabe perguntar: afinal, essa quebra dos liames entre o homem e a natureza é ou não é uma característica do nosso tempo?”, declarou em entrevista ao Le Monde, em 2005

1994
Lança Saudades do Brasil, coletânea de fotos feitas por ele no País nos anos 30. Dois anos depois, lança Saudades de São Paulo, livro de fotografias com o mesmo conceito

2005
Recebe o 17º Prêmio Catalunha, na Espanha

2008
Homenagens marcam, em todo o mundo, o centenário de seu
Nascimento

2009
Morre no dia 1.º de novembro, em Paris

Fonte O Estado SP

03/11/2009 - 16:42h Morre aos 100 anos o antropólogo Claude Lévi-Strauss

RETRATO DE UM HOMEM INVISÍVEL

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da Efe, em Paris e da Folha Online

O antropólogo Claude Lévi-Strauss, um dos intelectuais mais importantes do século 20, morreu no sábado passado aos 100 anos, informou hoje a editora Plon.

Lévi-Strauss influenciou de maneira decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.

08/10/2009 - 16:53h Morre Irving Penn, aos 92 anos

irving
O fotógrafo norte- americano Irving Penn, um dos maiores nomes da história da fotografia, morreu nesta quarta-feira, dia 07/10, em Nova York, aos 92 anos.


O fotógrafo norte- americano Irving Penn, um dos maiores nomes da história da fotografia, morreu nesta quarta-feira, dia 07 de outubro em Nova York, aos 92 anos. A causa da morte não foi revelada. Penn é autor de retratos definitivos de algumas das maiores personalidades do século 20, como Pablo Picasso e Miles Davis. Além dos retratos de grandes nomes da arte, Penn também fez importantes trabalhos na área de moda (publicou em revistas como a Vogue e a Harper’s Bazaar) e experimentos em naturezas mortas. Seu período mais produtivo foi nas décadas de 1940 e 1950. Nessa época, revolucionou a fotografia de moda ao colocar as modelos diante de simples fundos cinza. Sua morte foi anunciada por seu assistente, Roger Krueger. Fonte: AFP – Images&Visions

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Giselle Bündchen e Kate Mosse

20/08/2009 - 17:00h Ópera perde a soprano alemã Hildegard Behrens

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Grande intérprete de papéis de obras de Richard Wagner e Strauss, como Isolda e Salomé, ela estava com 72 anos e, longe dos palcos, dedicava-se a dar aulas

João Luiz Sampaio – O Estado SP

Difícil imaginar, na ópera dos anos 80, tarefa mais ingrata: assumir os principais papéis wagnerianos, deixados vagos pela geração anterior, liderada pela lendária soprano Birgit Nilsson. Ainda assim, a alemã Hildegard Behrens saiu-se bem do desafio. Não só: ajudou mesmo a moldar uma nova compreensão do canto dramático em teatros como o Metropolitan Opera de Nova York e a Ópera de Viena. Aos 72 anos, ela já estava afastada dos palcos. Dedicava-se a dar aulas e master classes. Na semana passada, foi com esse objetivo que desembarcou no Japão, onde morreu na noite de terça-feira, vítima de um aneurisma.

Segundo representantes da Associação Musical Kanshinetsu, promotora da viagem da soprano ao Japão, ela passou mal na tarde de domingo durante um passeio a uma cidade próxima de Tóquio e foi prontamente levada a um hospital da capital. Na terça, seu quadro piorou. Ela estava acompanhada do filho e da filha. Segundo porta-voz do Metropolitan, responsável pelas declarações sobre o caso, seu corpo será velado e enterrado em Viena, onde ela residia.

Hildegard Behrens nasceu em Varel-Oldenburg, cidade no norte da Alemanha. Filha de um casal de médicos, estudou violino e piano na infância. Frequentou a Universidade de Freiburg, estudou Direito – e passou a integrar o coro de alunos. Resolveu, então, estudar seriamente o canto, a princípio com a professora Ines Leuwen. Sua estreia profissional ocorreu em Freibur, em 1971, com o papel da Condessa nas Bodas de Fígaro, de Mozart. Anos mais tarde, ela seria descoberta pelo maestro Herbert Von Karajan. Ele estava à procura de soprano principal para uma nova montagem de Salomé, de Strauss. Pediu a ela que fosse, então, a Berlim para uma audição. Resultado: em 1977, a cantora estreava no Festival de Salzburgo interpretando um dos pilares do repertório de soprano dramática, que gravaria anos depois com Karajan e a Filarmônica de Viena. Em tempo: foi com o mesmo papel que atuou no Municipal do Rio nos anos 80.

Sua estreia americana foi em 1976, em Il Tabarro, de Puccini, dando início ao longo casamento com o Metropolitan Opera, de Nova York, que, como muitas uniões, acabou na Justiça – atingida por uma parte de um cenário durante uma apresentação, ela processou o teatro por danos físicos. Antes da separação, no entanto, ela e o maestro James Levine contracenaram em um dos principais momentos de sua carreira. O maior deles talvez seja a tetralogia O Anel do Nibelungo, de Richard Wagner, no final dos anos 80, em que interpretou Brünhilde. Foi a primeira transmissão ao vivo pela televisão da monumental criação do compositor alemão.

As comparações foram inevitáveis. Brünhilde, como Isolda, que ela também interpretou, são papeis míticos no imaginário do público – e, não por acaso, viram lendas também as sopranos que os interpretam com sucesso. Naquele momento, ainda ecoava a memória da voz de Birgit Nilsson, como revela uma crítica pouco lisonjeira da apresentação, publicada em um jornal nova-iorquino. O que o tempo mostrou, no entanto, é que o soprano dramático de Behrens unia a resistência, a intensidade, a um caráter lírico de rara doçura, oferecendo uma fragilidade muito grande a um papel que ganhava novas e nuançadas cores. De alguma forma, sem qualquer juízo de valor, é possível afirmar que a geração atual de sopranos wagnerianas se aproximam mais dela do que das divas da geração de Nilsson, Flagstad e companhia.

Além dos papeis wagnerianos e de Salomé e Elektra, de Strauss, Behrens encontrou no Wozzeck, de Alban Berg, um dos triunfos de sua carreira, documentado em gravação dos anos 80 comandada pelo maestro italiano Claudio Abbado. Mas ela também foi uma intensa Tosca ao lado do tenor Plácido Domingo. Na sua lista extensa de gravações, há ainda um interessante Tristão e Isolda, regido por Leonard Bernstein, e um Fidelio, de Beethoven, comandado por Karl Böhm. Fora da ópera, no entanto, existem dois menos conhecidos registros, ainda que igualmente significativos de suas escolhas e características como cantora. Em um deles, lançado pela EMI Classics, ela interpreta canções de Schumann, Strauss, Brahms e Alban Berg, gravação de seu primeiro recital oferecido em Freiburg. No outro, já cantora feita, ela interpreta ao lado da Sinfônica de Viena dois marcos da música francesa, os ciclos Les Nuits D’Étè, de Berlioz, e Xerezade, de Ravel.COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

“Orest!”
Elektra – Hildegard Behrens
Orest – Donald McIntyre

 

Richard Strauss – Elektra

21/09/2008 - 12:21h Companheiro Eleno Bezerra, presente!

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O Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de SP, Eleno José Bezerra, 52 anos,  morreu ontem em um acidente de carro.

Horas antes tinha participado do comício na zona norte, com Lula e Marta.

O companheiro Eleno assumia também a prêsidencia da Confederação dos Metalurgicos e era um dos principais dirigentes da Força Sindical.

Eleno se engajou de corpo e alma na campanha de Marta. Esteve com ela no Sindicato das Costureiras, na porta da fábrica MWM e em inumeras atividades de campanha.

Uma relação de amizade e companheirismo existia entre Marta e Eleno.

O choque foi imenso e a dor também. Eleno era pernambucano, casado pela segunda vez e tinha dos filhos. Um deles estava junto com ele no acidente, mas saiu com poucos ferimentos.

A perda é grande para os trabalhadores metalúrgicos, para a Força Sindical e para a família.

Para nós também.

Luis Favre

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Nota da Força Sindical

É com imenso pesar que as Diretorias da CNTM – Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, entidades filiadas à Força Sindical, comunicam o falecimento do companheiro Eleno Bezerra, presidente da CNTM e do Sindicato, na tarde deste sábado (20 de setembro).

O velório será realizado no Palácio do Trabalhador, rua Galvão Bueno, 782, Bairro Liberdade, em São Paulo.

Lamentamos o ocorrido e oferecemos aos familiares nossas condolências, bem como nossos mais estimados préstimos.

Biografia

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, e da CNTM (Confederação nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos), Eleno José Bezerra nasceu em 17 de julho de 1956 em Caetés, agreste de Pernambuco, na época município de Garanhuns. É casado pela segunda vez e tem um casal de filhos. Filho de trabalhadores rurais, concluiu o curso primário em Caetés. Junto com três irmãos trabalhou com os pais nas lavouras de feijão e milho e com pecuária. Aos 18 anos veio para São Paulo em busca de capacitação profissional e para continuar os estudos.

Primeiro emprego: Metalúrgica Deca, em 1975, de onde foi demitido em 1979 por participar de greve da categoria. Iniciou sua militância sindical e política em 1978, quando ainda estava na empresa. Já trabalhando na Metalúrgica Rio, nos anos seguintes, participa, como ativista do Sindicato, das lutas políticas pela redemocratização do Brasil, dos movimentos por melhores condições de vida, e começa a se destacar por sua capacidade de liderança nas lutas dos metalúrgicos.

Combativo na defesa de suas idéias, aberto ao diálogo e considerado um bom negociador, é eleito pela primeira vez para a Diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo em 1987, na chapa de Luiz Antonio de Medeiros. Aliado a Paulinho, ajuda a formular e a implementar a política conhecida como Sindicalismo de Resultados e mudanças provocadas pela globalização, que dá grandes vitórias e projeção nacional ao Sindicato. Participou de várias greves pelos direitos trabalhistas, inclusive na ação dos 147% para os aposentados.

Destacou-se como um dos representantes mais ativos do Sindicato, motivo pelo qual é um dos sindicalistas mais procurados para participar de debates sobre temas como Previdência Social, redução da jornada de trabalho, legislação trabalhista, PLR (Participação nos Lucros ou Resultados), mudanças no sindicalismo, geração de empregos, entre outros temas. Em fevereiro de 1996, assumiu a Secretaria-Geral do Sindicato. Conhecendo a fundo a estrutura social, e com sua experiência de lutas nas fábricas, Eleno dá continuidade à política formulada por Paulinho, presidente da Força Sindical, de luta e negociação, firmeza de princípios e diálogo responsável com os empresários e com o governo, no caminho permanente que possibilite a conquista de melhores condições de vida, trabalho, dignidade e bem-estar dos trabalhadores e suas famílias.

Em 1998, foi coordenador da campanha eleitoral que elegeu o diretor do Sindicato Cícero de Freitas a deputado estadual, e Luiz Antonio de Medeiros, então presidente da Força Sindical, a deputado federal. Em 2000, foi um dos coordenadores da vitoriosa campanha eleitoral dos vereadores Raul Cortez e Toninho Campanha. Em 2002, participou da campanha que reelegeu Medeiros a deputado federal e também foi um dos coordenadores da Campanha Salarial que resultou em um dos melhores acordos salariais em relação a outras categorias.

Em 2003, Eleno assumiu a Presidência do Sindicato com o afastamento de Paulinho, que passou a se dedicar mais exclusivamente à atividade política e à Força Sindical. Promoveu a Campanha Salarial Emergencial, deu início aos Ciclos de Debates voltados aos trabalhadores da categoria, Cursos de Formação Delegados Sindicais e o 10º Congresso dos Metalúrgicos, entre outras ações, visando uma maior aproximação com a base e o fortalecimento do Sindicato.

Em 2004, foi coordenador da Campanha Salarial que garantiu a reposição integral da inflação aos salários e um aumento real de 4% para os trabalhadores, bem como da eleição do diretor do Sindicato, Cláudio Prado, a vereador de São Paulo. Em dezembro do mesmo ano, nas eleições sindicais, foi eleito presidente do Sindicato, com 96,2% dos votos.

Em 2005, coordenou novamente a campanha salarial que levou à conquista de mais aumento real de salário para a categoria. Nos dois anos de mandato como presidente do Sindicato, as duas campanhas salariais que conduziu conquistou um aumento real global (acima da inflação) de 7%.

Por sua militância e ações políticas, em 27 de outubro de 2005, Eleno foi eleito, por unanimidade, presidente da CNTM, confederação filiada à Força Sindical que reúne 150 sindicatos e federações de metalúrgicos, que representam 1,2 milhão de trabalhadores no País. À frente da entidade, vinha promovendo diversas ações, entre elas, seminários, encontros, cursos de formação de dirigentes visando a unificação da categoria metalúrgica em âmbito nacional e o fortalecimento das entidades.

26/06/2008 - 09:57h FH emociona políticos e amigos no adeus a Ruth

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Velório em São Paulo teve a presença de Lula, de dez ministros, parlamentares, intelectuais e empresários

Adauri Antunes Barbosa e Flávio Freire – O GLOBO

SÃO PAULO. Políticos de campos opostos se uniram ontem na despedida à antropóloga Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Adversários políticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente se abraçaram e choraram durante o velório, ao lado do caixão.

Lula e sua mulher, Marisa Letícia, que ficaram no velório por cerca de 40 minutos, abraçaram Fernando Henrique. Ao lado do ex-presidente, se aproximaram do caixão e prestaram as últimas homenagens a Ruth Cardoso. O presidente foi a São Paulo acompanhado por dez ministros e vários integrantes do governo.

Os presidentes dos demais poderes — do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes — também foram ao velório.

Ao lado de Fernando Henrique, muito emocionado, políticos conhecidos não seguraram a emoção e choraram. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), amigo de Ruth Cardoso, falou da influência dela: — Quero dizer que era a pessoa que eu mais ouvia a respeito da minha atuação na vida pública.

Sabia sempre que tinha uma opinião sensata, muitas vezes crítica, mas sincera, bem fundamentada e bem intencionada — disse o governador, depois de beijar o rosto da amiga.

Serra abraçou Lula, com quem conversou por alguns minutos: — (A visita de Lula) foi um gesto quase que institucional do reconhecimento do valor que a Ruth Cardoso tinha e que vai continuar tendo através do seu exemplo. Foi um reconhecimento justo e gentil da parte do presidente e de seus ministros.

FH recebe telefonemas dos Clinton e do rei Juan Carlos O movimento no salão do velório, no hall de entrada da Sala São Paulo, a sede da Orquestra Sinfônica de São Paulo (Osesp), foi intenso durante toda a tarde.

Entre os presentes, Paulo Skaf, presidente da Fiesp; os empresários Horário Lafer Piva, Mário Amato, Lázaro Brandão e Jorge Gerdau Johanpeter; João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, e sua mulher, Gisela; Otavio Frias Filho, diretor de Redação da “Folha de S. Paulo”; e as atrizes Maitê Proença e Regina Duarte.

Fernando Henrique recebeu telefonemas de condolências do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e de sua mulher, a senadora Hillary Clinton, e do rei Juan Carlos, da Espanha. Dezenas de coroas de flores foram enviadas ao velório e foram colocadas na entrada da Sala São Paulo. O enterro será hoje, às 10h, no Cemitério da Consolação, em São Paulo.

Inovação nos projetos sociais é traço destacado Um dos aspectos mais destacados pelas pessoas que conheceram Ruth Cardoso foi o trabalho social feito por ela à frente do Comunidade Solidária, quando foi primeira-dama.

— Ela ajudou a redefinir os rumos da política social no Brasil.

Não fez isso não só quando era mulher do presidente, mas fez isso até o último dia do Comunidade Solidária. Fez o Comunitas, algo dedicado à promoção social, não só alfabetização, mas treinamento e preparação de crianças jovens e adultos — disse Serra.

O governador Aécio Neves (PSDB), de Minas Gerais, falou sobre o trabalho profissional pioneiro que dona Ruth fez: — O que deve ficar é a lembrança da grande companheira, da grande mulher brasileira, de uma das pioneiras do seu campo profissional e referência não apenas dentro, mas fora do Brasil também. Ela foi uma referência na sua geração e também para os que vieram depois.

A ex-prefeita Marta Suplicy (PT), que esteve no velório ao lado do marido, Luís Favre, lembrou o aspecto intelectual e o papel feminista de dona Ruth.

— Eu tinha muito respeito pela Ruth, que foi uma mulher excepcional em várias áreas.

Uma intelectual brilhante, muito respeitada no seu campo de saber, na antropologia. Participamos muitos anos de um grupo feminista juntas. Ela tinha uma consciência clara do papel da mulher e ajudou o marido a perceber isso. E, como primeira-dama, que ela não gostava de ser chamada, desempenhou um papel muito inovador devido à sua competência.

Ela foi modelo para várias pessoas, para várias gerações, uma professora excepcional também. É uma perda muito grande para o Brasil.

Nós não temos muitas mulheres com o porte, a sabedoria, a delicadeza, a gentileza que tinha a Ruth — afirmou Marta.

O ex-ministro da Educação Paulo Renato de Souza destacou a percepção que a antropóloga Ruth Cardoso tinha da educação como instrumento para reforçar políticas sociais.

— A Ruth tinha uma visão correta do que o país tinha que enfrentar. Por isso, trabalhou desde a elaboração do programa de governo. Ela não tinha um caráter paternalista e preferia abandonar as práticas clientelistas, de cooptação, pelo lado da ajuda — disse.

Paulo Renato lembrou que ela foi uma das formuladoras do programa de educação do PSDB desde a campanha presidencial de 1994 e incentivou a universalização do ensino básico: — Ter crianças em idade escolar trabalhando, em vez de estar na escola, sempre incomodou a Ruth, por isso o empenho dela no programa Bolsa Escola.

A HORA DA DESPEDIDA: Fernando Henrique se despede da companheira Ruth, com quem foi casado durante 55 anos, e recebe, emocionado, o abraço do presidente Lula no velório na Sala São Paulo, ao qual compareceram dez ministros, centenas de amigos do casal, intelectuais, empresários e artistas de todo o país

27/05/2008 - 07:37h Cineasta Sydney Pollack morre aos 73 anos

da Folha Online

O diretor de cinema Sydney Pollack morreu nesta segunda-feira aos 73 anos, vítima de um câncer, informou seu representante. Pollack morreu em sua casa em Los Angeles, no subúrbio de Pacific Palisades, por volta das 17h (21h em Brasília).

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Cineasta Sydney Pollack morreu aos 73 anos, vítima de câncer, em Los Angeles

 

Pollack é considerado um dos grandes nomes da sétima arte. Diretor, ator, produtor e roteirista, Pollack emplacou sucessos como “Os três dias do Condor” (1975), “Tootsie” (1982), “A Firma” (1993), “A Intérprete” (2005) e “Conduta de Risco”, que em 2008 deu à britânica Tilda Swinton o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Em 1986, o cineasta ganhou um Oscar de Melhor Diretor pelo filme “Entre Dois Amores” (1985), também agraciado com a estatueta de melhor produção.

“Tootsie” (1982) recebeu dez indicações ao Oscar, entre elas a de Melhor Diretor, mas que ficou apenas com a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, com Jessica Lange.

Após alguns anos afastado do cinema, ressurgiu em 1995 com “Sabrina”, adaptação do célebre filme que Billy Wilder rodou na década de 50.

Pollack produziu ainda filmes para outros diretores, especialmente nos últimos anos, como “O Paciente Inglês” (1996) e “Cold Mountain” (2003), de Anthony Minghella.

Seus últimos projetos foram “Margaret” e “The Reader”, filmes que devem estrear ainda este ano.

Pollack nasceu na localidade de Lafayette (Indiana), no dia 1º de julho de 1935, era casado e teve três filhos. Um deles morreu em 1993 em um acidente aéreo.

Confira a lista dos trabalhos de Pollack:

Diretor:

“A Intérprete” (2005)
“Destinos cruzados” (1999)
“A Firma” (1993)
“Havana” (1990)
“Entre dois amores” (1985, vencedor do Oscar)
“Tootsie” (1982, indicação para o Oscar)
“Ausência de Malícia” (1981)
“Os três dias do Condor” (1975)
“Nosso amor de ontem” (1973)
“Mais forte que a vingança” (1972)
“A Noite dos Desesperados” (1969, indicação para o Oscar)

Ator:

“Made of Honor” (2008)
“Conduta de Risco” (2007)
“Will & Grace” (2000-2006, série de TV)
“The Sopranos” (2006, série de TV)
“A Intérprete” (2005)
“Fora de controle” (2002)
“Destinos cruzados” (1999)
“De olhos bem fechados” (1999)
“A Civil Action” (1998)
“Husbands and Wives” (1992)
“O Jogador” (1992)
“Tootsie” (1982)

Produtor:

“The Reader” (2008, filmando)
“Margaret” (2008, inédio)
“Recount” (2008, série de TV)
“Leatherheads” (2008)
“Conduta de Risco” (2007, indicação de Melhor Filme)
“A Intérprete” (2005)
“Cold Mountain” (2003)
“The Quiet American” (2002)
“O talentoso Ripley” (1999)
“Destinos cruzados” (1999)
“De Caso com o Acaso” (1998)
“Razão e Sensibilidade” (1995)
“Sabrina” (1995)
“Havana” (1990)
“Presumed Innocent” (1990)
“Susie e os Baker Boys” (1989)
“Bright Lights, Big City” (1988)
“Entre dois amores” (1985, vencedor do Melhor Filme)
“Tootsie” (1982, indicação para Melhor Filme)
“Ausência de Malícia” (1981)
“Honeysuckle Rose” (1980)
“Bobby Deerfield” (1977)
“The Yakuza” (1974)

Com Efe e France Presse

03/12/2007 - 14:13h Adeus, companheira Heloneida Studart


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O Brasil está de luto. Morreu hoje de manhã, um dia depois de ter sido eleita presidente do Diretório Zonal do PT de Copacabana, a ex-deputada estadual, militante petista e história militante da luta das mulheres, Heloneida Studart.

Escritora, ensaísta, teatróloga, jornalista, Heloneida Studart foi premiada como uma das mulheres que mais lutaram pela justiça social no Brasil e uma das indicadas em 2005 ao Prêmio Nobel da Paz. Fundadora do movimento feminista no Brasil, criou leis que beneficiam as mulheres, como a Lei 2648 que garantiu o exame de DNA para mães de baixa renda

Heloneida Studart nasceu em Fortaleza, no Ceará, no dia 9 de abril de 1932.

Com dezesseis anos, Heloneida foi morar no Rio de Janeiro, estreando como colunista no jornal O Nordeste, onde suas opiniões já causavam polêmicas na época. De Fortaleza, ela trouxe os originais de seu romance A primeira pedra, que seria publicado em São Paulo, em 1953, pela Editora Saraiva. Quatro anos depois, viria o romance Dize-me o teu nome, que foi premiado pela Academia Brasileira de Letras e laureado com o prêmio Orlando Dantas, do jornal Diário de Notícias. Em 1960, ela foi trabalhar no jornal Correio da Manhã e, por várias décadas, atuou no jornalismo, apesar de ter se formado em Ciências Sociais pela Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Posteriormente, ela trabalhou dez anos como redatora da revista Manchete.

Heloneida envolveu-se com as lutas populares e foi eleita presidente do Sindicato das Entidades Culturais (Senambra), em 1966. No entanto, por fazer oposição à ditadura militar, foi destituída do cargo e presa em março de 1969. Do cárcere, no presídio São Judas Tadeu, brotaram os roteiros de seus futuros trabalhos Quero meu filho e Não roubarás. Em meio àquele ambiente de repressão, ninguém imaginaria que, em anos vindouros, aqueles trabalhos seriam exibidos com sucesso pela TV Globo.

Com o fim do regime militar, surgiriam três novos romances, chamados pela própria autora de Trilogia da tortura: O pardal é um pássaro azul (que já foi traduzido em quatro idiomas); O estandarte da agonia (inspirado na vida de sua amiga Zuzu Angel); e O torturador em romaria.

A jornalista escreveu sobre a condição feminina, a convite da Editora Vozes, publicando os ensaios Mulher objeto de cama e mesa, obra que vendeu 280 mil exemplares e se transformou em uma espécie de bíblia do feminismo brasileiro; e Mulher, a quem pertence seu corpo? Esses dois trabalhos estão, respectivamente, na 27ª. e 6ª. edições.

Em 1978, com 60 mil votos, Heloneida seria eleita deputada estadual do Rio de Janeiro, pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Ela reelegeu-se em 1982, novamente pelo PMDB, sendo inclusive vice-líder da bancada de 1979 a 1988, ano em que deixou o Partido, e participou da fundação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). No ano seguinte, saiu do PSDB e entrou no Partido dos Trabalhadores.

Entre outros, Heloneida exerceu vários cargos importantes: foi vice-presidente da Comissão Parlamentar de Controle do Meio-Ambiente, de 1979 a 1980; presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) de 1981 a 1982; integrou as comissões especiais, relativas aos direitos da mulher, no que diz respeito aos direitos reprodutivos; participou da apuração das condições de atendimento da população nessa área; em seu terceiro mandato como deputada, atuou como vice-líder da bancada do PT; e, de 1995 a 1999, presidiu uma comissão especial destinada a apurar as formas de arrecadação e distribuição dos direitos autorais no Rio de Janeiro. Além disso, fundou duas instituições importantes, com várias companheiras feministas: o Centro da Mulher Brasileira, a primeira entidade feminista do País; e o Centro Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim); e é presidente da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos.

Heloneida Studart tinha seis filhos, tinha um temperamento alegre e hábitos bem simples. Com vários mandatos de deputada estadual, ela aprovou muitas leis que vieram a beneficiar mulheres e trabalhadores, estando sempre em defesa da democracia e da justiça social. A profissional polivalente também ficou conhecida por sua participação nos debates da TV (como o “Sem Censura” da TV Educativa, onde atuou durante dois anos), nos programas de rádio e na publicação de artigos nos principais jornais cariocas.

No livro Mulheres brasileiras, da Editora Record, Heloneida Studart foi indicada como uma das 100 brasileiras mais importantes do século XX. Mais recentemente, a Fundação de Mulheres Suíças escolheu 1.000 mulheres para concorrerem ao prêmio Nobel da Paz. Dentre elas, 52 eram brasileiras; e a jornalista cearense estava entre elas.

A morte de Heloneida Studart é uma grande perda para o Brasil e o PT. Seu exemplo de luta e solidariedade nos farão falta.

O corpo de Heloneida Studart será velado hoje, a partir das 16 horas, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e o enterro será amanhã no Cemitério do Caju. Fonte Blog de Dirceu.