O jornal francês de direita “Le Figaro” publica hoje uma pesquisa sobre o balanço de Sarkozy um ano após entrar em função.
Para 64% dos franceses sarkozy não respeitou suas promessas eleitorais. Veja a pesquisa completa aqui.
O site Rue 89 faz um balanço ponto a ponto entre as promessas realizadas, realizada parcialmente e não realizadas.
Par Julien Martin | Rue89
Douze mois après son élection, l’heure est au bilan. Le président français a-t-il respecté les promesses du candidat UMP?
1er août 2007: le Parlement adopte définitivement la loi Tepa (Travail, emploi, pouvoir d’achat). Plus connue sous le nom de “paquet fiscal”, elle instaure un bouclier fiscal, exonère de taxes des droits de succession et défiscalise les intérêts d’emprunts immobiliers. Cette loi censée relancer l’économie française se chiffre à environ 15 milliards d’euros par an.8 janvier 2008: en conférence de presse, Nicolas Sarkozy avoue qu’il ne peut vider “des caisses qui sont déjà vides”. Tout le gouvernement reprend en coeur ce qui va devenir une ritournelle, quand certains de ses membres ne vont pas plus loin encore, tel le ministre du budget Eric Woerth:
“Le Président, quand il dit que les caisses sont vides, a raison. Les caisses ne sont pas vides, elles sont plus que vides, elles sont en déficit de 38 milliards.”
Deux dates qui symbolisent le bilan plus qu’en demi-teinte de la première année du Président. Mais, lors de son interview télévisée du 24 avril, le chef de l’Etat a demandé à être jugé dans quatre ans: “Je ne peux pas faire tout, tout de suite.” Dont acte. Ce qui n’empêche pas de faire un bilan d’étape en cette veille d’anniversaire de l’élection de Nicolas Sarkozy à la présidence de la République. Continue
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Assessor de Lula manda prefeito cuidar dos mosquitos
Karla Correia – JB
Brasília
O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, atiçou a ira do assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia ao afirmar, em seu ex-blog, a existência de fotos do assessor no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o segundo homem na hierarquia das Farc, morto no mês passado em ação do exército colombiano em território da Bolívia. Marco Aurélio reagiu com irritação. Negou ter visitado qualquer acampamento ou escritório das Farc e criticou as declarações do prefeito, chamando-o de “irresponsável”. Citando matéria do Jornal do Brasil sobre a ausência de Cesar Maia em meio à crise gerada pela epidemia de dengue, o assessor falou para o prefeito “voltar a governar o Rio”.
O avanço da dengue na capital carioca foi o ponto escolhido pelo assessor para atacar o prefeito.
– César Maia que cuide dos mosquitos dele e não me obrigue a falar dele como meu aluno na Faculdade de Economia no Chile – disparou Marco Aurélio Garcia, logo depois de participar de almoço oferecido ao presidente da Eslovênia, Danilo Türk. Questionado se o prefeito carioca teria sido irresponsável em sua declaração, Marco Aurélio aproveitou para subir o tom.
‘Olhem a manchete do JB’
– Ele é irresponsável em tudo o que faz. Olhem a manchete do JB hoje: o prefeito sumiu. O que ele tem de fazer é governar o Rio.
Em seu ex-blog, boletim que envia por correio eletrônico, o prefeito Cesar Maia faz referência a suposta declaração feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante sua visita ao Brasil, no mês passado. Na cidade de Recife, Chávez teria chamado atenção para a existência de fotos de Marco Aurélio no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o que, de acordo com o assessor da Presidência, não teria passado de uma “piada” do presidente venezuelano.
– Não estive em nenhum acampamento das Farc e, se estivesse, não haveria nenhum problema em dizer porque estaria em missão oficial. Eu não tenho missões extra-oficiais, nem vida clandestina – retrucou.
O assessor especial da Presidência disse, ontem, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer à abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim, mas que isso não significa a adesão do governo brasileiro a um movimento de boicote por conta do conflito entre China e Tibet, país considerado pelo governo chinês como parte do território da China. A violência crescente nos confrontos entre tibetanos e o exército chinês em Lhasa, capital do Tibet, já levou o Parlamento Europeu a admitir medidas de boicote contra a China.
Marco Aurélio disse desconhecer a posição do presidente Lula sobre o assunto e se esquivou de falar sobre um possível boicote do Brasil às Olimpíadas de Pequim. O assessor responsabilizou o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por qualquer decisão sobre a ida de atletas brasileiros aos Jogos Olímpicos e criticou movimentos de boicote.
– Acho sempre complicada essa mistura de política com esportes – disse Marco Aurélio.
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Entrevista: Sergio Leo no blog Exu caveira cover
“Sergio Leo formou-se em jornalismo pela Escola da Comunicação da UFRJ na oitava década do século passado, e, neste milênio, especializou-se na UnB em Relações Internacionais. Já deu aulas de jornalismo em um curso de extensão da UnB e no Ceub, Centro de Ensino Unificado de Brasília. Trabalhava no Segundo Caderno dO Globo quando foi convidado por Ricardo Noblat para a sucursal do JB em Brasília, no começo do governo Sarney; passou, desde então, pelas sucursais da Folha, Estadão, O Globo, Rede Globo, isto É e Isto É Dinheiro, até se aquietar no Valor, onde está desde 2001. Como repórter especial do Valor, cobre todos os assuntos de Economia e Política, mas prefere mesmo acompanhar a política externa, especialmente na América do Sul, as negociações comerciais e as discussões sobre política industrial. Em 2004 inaugurou o blogue Sítio do Sergio Leo que, desde 2007, desdobrou em outro, o Ralações Internacionais.”entrevistador convidado: andré deak.
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Crianças colombianas mobilizadas na ‘Guerra de los mil dias” (1899-1902)
O Estadão me convidou no começo da semana para escrever, para o caderno dominical Aliás, um artigo sobre as Farc e as tensões regionais geradas pelo ataque colombiano em solo equatoriano. Como a crise evoluía muito rapidamente, passei a semana coletando material. Mas só comecei a redigir o texto na sexta-feira de manhã (o deadline do jornal era às 18 horas, horário brasileiro): esperava não ser surpreendido por nenhuma novidade que desmontasse os argumentos desenvolvidos no texto.
Zapeando no meio da semana, vi na TV a cena em que Chávez decretava a mobilização de suas tropas. De camisa vermelha, falando no meio da multidão para um ministro da guerra parecido com aquele gordinho de óculos do programa Chaves, da SBT, Chávez, o outro, ordenava com voz tonitruante:“que se mande diez regimientos, que se despliegue la aviación militar!”. Entre um pistache e outro, pensei: «ou o cara ficou doido ou está brincando». Doido, Chávez não é: nunca interrompeu as exportações de petróleo venezuelano para os Estados Unidos. Por isso, comecei a redigir o artigo num enfoque de longo prazo que excluía a iminência de um conflito armado envolvendo a Colômbia, a Venezuela e o Equador. O fato de que Chávez, Uribe e Correa não tivessem desmarcado sua presença na reunião do Grupo do Rio em Santo Domingo, confirmava esta impressão. Mas o tom de muitos sítios de informação era:«There will be blood!». No final do dia, sexta-feira à noite, veio a notícia e as imagens: Chavez, Uribe e Correa estavam se abraçando em Santo Domingo. Tant mieux! Mas a imprensa brasileira traz hoje artigos que começaram a ser impressos antes do final da crise, imaginando que a guerra iria rebentar de uma hora para outra. Veja-se a capa da Veja.
A certa altura escrevi que a guerra com as Farc é o conflito mais antigo do mundo. O raciocínio teria ficado mais completo se tivesse inserido a frase que agora vai em itálico (incluo também a referência do estudo em que me baseio):
«Estudos especializados registraram um total de 229 conflitos armados em 148 países entre 1946 e 2003. No meio tempo, a grande maioria destas guerras cessou. Assim, excluídos os conflitos inter-étnicos oriundos de partições territoriais estabelecidas após 1945 (Palestina, Território Karen na Mianmar-Birmânia, Cachemira na Índia), a guerra do governo colombiano com as Farc, cujos combates começaram em 1966, configura o mais antigo dos conflitos mundiais[1].Considerando-se que tal fato ocorre num país independente desde 1819, a guerra civil colombiana apresenta-se como um caso único na história do mundo contemporâneo ».
[1]. Mikael Eriksson e Peter Wallensteen, « Armed Conflict 1989-2003 », Journal of Peace Research, v. 41 (5), 2004, pp. 625-636.
O artigo completo está aqui.
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Uribe (esquerda) sabia que Sarkozy (centro) negociava com Reyes (direita) a libertação de Ingrid Betancourt
Segundo Chancelaria francesa, Colômbia conhecia negociações internacionais com guerrilheiro para soltura de reféns
Declaração da França subsidia denúncia, feita por Correa, de que ataque no Equador frustrou trato para soltar 11 seqüestrados
DA REDAÇÃO – FOLHA DE SÃO PAULO
A Chancelaria da França declarou ontem que a Colômbia sabia que Paris mantinha contatos com Raúl Reyes, o segundo homem no comando das Farc, a fim de negociar a libertação de reféns mantidos pela guerrilha. Reyes foi um dos guerrilheiros mortos pelas Forças Armadas da Colômbia em incursão no território equatoriano no último sábado.
O chanceler da França, Bernard Kouchner, já havia lamentado anteontem a morte de Reyes, afirmando que ele era um dos contatos da diplomacia francesa com a guerrilha e que a ação colombiana dificultaria as tratativas para a eventual soltura de reféns.
“Tínhamos contatos com Raúl Reyes e os colombianos sabiam”, disse ontem Pascale Andréani, porta-voz da Chancelaria da França. Embora tenha reiterado que a França considera as Farc um grupo terrorista, Andréani acrescentou que tais contatos integravam os esforços desempenhados não só por seu país, mas por Suíça e Espanha, na facilitação da troca de reféns das Farc por membros presos da guerrilha.
À agência de notícias France Presse, fontes diplomáticas da Espanha confirmaram que Raúl Reyes era o interlocutor com quem os três países europeus estavam conversando. Mas, segundo as mesmas fontes, não identificadas, o último contato se deu em junho de 2007, pois Bogotá “interrompeu o processo”.
Para retomar posteriormente esse processo de negociações, o próprio presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi à Europa em janeiro último a fim de pedir o envolvimento novamente de Espanha e Suíça, além da França, na tentativa da troca de reféns por prisioneiros. Sua intenção à época era esvaziar o papel de seu colega venezuelano, Hugo Chávez, nas negociações com a guerrilha.
Esforço frustrado
A declaração de Paris vai ao encontro de denúncia feita anteontem pelo presidente do Equador, Rafael Correa, em rede nacional de rádio e TV. Correa disse que a ação militar colombiana frustrou conversas em andamento para a libertação de 11 reféns das Farc, entre os quais Ingrid Betancourt, cidadã franco-colombiana cuja tentativa de liberação está na pauta do governo francês, do presidente Nicolas Sarkozy.
Em comunicado divulgado ontem, o comando das Farc afirma que Reyes estava negociando uma reunião com Sarkozy para tratar da soltura de reféns, entre os quais Betancourt. O presidente da França declarou na semana passada estar disposto a ir à fronteira entre Colômbia e Venezuela, se necessário, para libertar Betancourt -intenção essa que, segundo declaração ontem do Palácio do Eliseu, ainda está de pé.
Com agências internacionais
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Além dos contatos com o governo francês, as FARC mantiveram contatos durante muitos anos com governos e forças políticas dos mais diversos matizes ideológicos. mesmo sendo considerados “uma organização terrorista” pela União Européia e também pelos Estados-Unidos, seus governos realizaram várias reuniões com representantes das FARC.
Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, segundo escreve o jornalista Josias de Souza, as FARC chegaram a ter uma representação e escritório no Brasil. O jornal The New York Times de hoje mostra uma parte destes relacionamentos: documentos oficiais sobre encontros entre o Diretor de Assuntos Andinos do State Departement dos USA no governo Clinton e o próprio Raúl Reyes, na Costa Rica. O objetivo destes contatos era ter um canal de comunicação em casos de crise.
“For instance, in 1998 a Clinton administration official, Philip T. Chicola, then the State Department’s director of Andean affairs, had a clandestine meeting with Mr. Reyes in Costa Rica in an effort to establish a way of communicating with the FARC during times of crisis.
The meeting was described in a diplomatic cable written by Mr. Chicola in January 1999 and declassified in 2004. Also present at the meeting was Mr. Reyes’s wife, Olga Marín, who is believed to be the daughter of the FARC’s top commander, Manuel Marulanda, and also reported to be present, and possibly wounded, in the raid on the jungle camp on Saturday.”
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Raúl Reyes, comandante das FARC morto no Equador

Reunión con Sarkozy
EL PAÍS (Espanha)
Raúl Reyes, el comandante de las FARC que murió el sábado pasado junto a otros 20 compañeros en un ataque del ejército colombiano en territorio ecuatoriano, intentaba organizar cuando murió una reunión con el presidente francés, Nicolas Sarkozy, para tratar nuevas liberaciones de rehenes en poder de la guerrilla. Así lo han asegurado hoy las FARC en un comunicado. Francia está muy involucrada en la crisis de los rehenes de las FARC porque intenta lograr la liberación de la ex candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, que también tiene la nacionalidad francesa. Ayer, el ministro francés de Exteriores, Bernard Kouchner, reveló que Reyes era el contacto del Gobierno francés con la guerrilla para lograr esta liberación.
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AFP/PABLO COZZAGLIO
Des soldats de l’armée équatorienne déployés à Lago Agrio, à la frontière entre l’Equateur et la Colombie, lundi 3 mars.
Segundo o jornal Le Monde, citando fontes do governo francês, a presença de Raul Reyes e de seus acompanhantes das FARC em territorio equatoriano poderia estar relacionada com a negociação da libertação de Ingrid Betancourt. O Ministério das Relações Exteriores da França declarou que o governo colombiano sabia destas negociações. Isto parece confirmar a declaração do presidente do Equador, Rafael Correa, para o qual o ataque colombiano visava a abortar a negociação e seria obra dos “inimigos da paz”. Segundo Le Monde, um alto funcionário do Ministério da Defesa da Colômbia reconheceu a participação norte-americana na localização do líder das FARC.
La crise diplomatique s’aggrave en Amérique latine après la mort du n° 2 des FARC
Le Monde.fr. Zones d’influence des FARC en Colombie.
Le Monde
La tension est encore montée d’un cran mardi 4 mars entre Bogota, Caracas et Quito, trois jours après l’élimination par la Colombie du numéro 2 de la guérilla des FARC, Raul Reyes en territoire équatorien. Après la rupture par l’Equateur de ses relations diplomatiques avec la Colombie, et l’expulsion des diplomates colombiens du Venezuela, lundi, le ministre de l’agriculture vénézuélien a annoncé mardi que le Venezuela avait décidé de fermer sa frontière avec la Colombie.
L’escalade verbale s’est par ailleurs poursuivie. Le président colombien, Alvaro Uribe, a annoncé son intention de poursuivre son homologue vénézuélien devant la Cour pénale internationale (CPI) de La Haye. “Notre ambassadeur aux Nations unies va annoncer que la Colombie a l’intention de dénoncer devant la Cour pénale internationale Hugo Chavez, le président du Venezuela, pour parrainage et financement de génocide”, a déclaré le président colombien à un groupe de journalistes.
Et à Genève, devant la Conférence sur le désarmement des Nations unies, le vice-président colombien, Francisco Santos, a accusé les FARC de chercher à fabriquer une “bombe sale”, faisant ainsi planer une menace sur toute l’Amérique latine.”Hier [lundi], notre police nationale a présenté un rapport préliminaire concernant le contenu de deux ordinateurs découverts auprès de [Raul] Reyes”, a déclaré Francisco Santos. Ses fichiers contenaient “des informations d’un commandant à un autre indiquant que les FARC négociaient apparemment des matériaux radioactifs, matière première des armes sales de destruction massive et du terrorisme”, a-t-il affirmé.
LA FRANCE EN CONTACT AVEC REYES
Alors que sur la foi de documents découverts sur ces mêmes ordinateurs, la police colombienne a accusé lundi Rafael Correa, le président équatorien, d’être lié aux FARC, et Hugo Chavez d’avoir remis à la guérilla la somme de 300 millions de dollars (200 millions d’euros), Quito a rétorqué que ces contacts avec la guérilla des FARC avaient pour but la libération attendue en mars de douze otages, dont la Franco-Colombienne Ingrid Betancourt. “Tout a été anéanti par les mains guerrières et autoritaires [du gouvernement colombien]. Nous ne pouvons pas exclure que cela ait été le but de l’incursion et de l’attaque des ennemis de la paix”, a souligné Rafael Correa.
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Soldados equatorianos enviados para a fronteira com Colômbia. foto Epa/José Jacome
A realpolitik de Uribe, golpe certeiro
Sergio Leo* – Ralações Internacional
Tente imaginar guerrilheiros anti-Chávez escondidos na floresta amazônica, para lá da serra do Caparaó, em algum lugar de Roraima. Imagine se, por isso, o presidente venezuelano ordenasse uma incursão de tropas da Venezuela através da fronteira, usando seus recém-comprados jatos Sukhoi para dizimar a oposição armada, em pleno Brasil. Que grita não haveria por aqui, hein? E com razão.
Como a estridente agressividade de Chávez o transformou em vilão da vez na imprensa estabelecida, não vão faltar comentaristas que defendam como aceitável a invasão do território equatoriano por tropas da Colômbia, para um sensacional ataque aos guerrilheiros das Farc. É inaceitável. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, está errado nesse episódio, e cabe ao Brasil condenar o desrespeito das Forças Armadas colombianas aos limites territoriais com o Equador.
Ah, o Equador e a Venezuela abrigam guerrilheiros em seu território, usado como refúgio seguro de onde partem agressões à Colômbia? O direito internacional prevê isso, e há instituições na América do Sul e na comunidade internacional para denunciar esse tipo de ação. Uribe poderia denunciar a conivência das autoridades vizinhas,e teria justo direito de cobrar apoio do Brasil nisso. Errado seria o Brasil não apoiá-lo caso agisse assim.
Não acredito em guerra nos Andes. Acuado pela tremenda crise econômica que seu modelo voluntarista criou, Chávez, claro, aproveitará a oportunidade para apontar mais um inimigo comum da sociedade venezuelana, o Uribe lacaio do Império, que invade os vizinhos na repressão aos opositores guerrilheiros. Se o discurso colar, a beligerância na retórica chavista vai ser ensurdecedora. E inócua, como costuma ser. Não há fato concreto que apóie algum tipo de conflito armado entre os dois países, e nem Uribe nem Chávez ~estão dispostos a serem o primeiro a jogar a pedra do outro lado.
Rafael Correa, do Equador, fez o que devia fazer, retirou seu embaixador de Bogotá, chamou o embaixador colombiano para exigir explicações, acusou Uribe de agressão. Tem um problem,a constrangedor a resolver, se forem verdadeiros os documentos capturados pelas forças de segurança colombiana, que mostram um estreitamento de relações entre as Farc e o governo equatoriano. Conversas com Raul Reyes, o vice-comandante e porta-voz das Farc morto na invasão, não são suficientes para dizer que Correa era conivente com a guerrilha. Reyes era o “embaixador” das Farc, e todos os países da região buscam contatos, sigilosos ou não, com as Farc para tentar um acordo de paz e desmobilização da guerrilha. Mas podem surgir outtros documentos comprometedores, e a posição do Equador tornar-se, no mínimo, incômoda. Continua, clique em leia mais.
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Thomas Traumann – O Filtro – portal Globo
O estilo histriônico de Hugo Chávez chama mais a atenção, mas hoje o maior risco para a estabilidade do continente é o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Ele é o antípoda da imagem que o coronel Chávez fez de si mesmo na última década. Advogado com temporadas em Harvard e Oxford, Uribe é um homem formal, reservado, de frases cuidadosas e raciocínio linear. Foi eleito e reeleito com a bandeira do combate incessante às Farc, depois do fracasso da “solução negociada” com a guerrilha de seu antecessor, Andrés Pastrana. Essa postura lhe garantiu a maior popularidade da história recente da Colômbia e a possibilidade real de mudar a Constituição e tentar um terceiro mandato em 2010. Mas essa ambição entrou em risco quando, a partir do fim do ano passado, o venezuelano Chávez se tornou o principal negociador entre as Farc e o mundo civilizado. Foi essa circunstância que fez com que Uribe autorizasse seu Exército a invadir o Equador no sábado para destruir um acampamento das Farc, matando 21 guerrilheiros, entre eles o comandante Raúl Reyes. Pesquisas divulgadas ontem pelas TVs de Bogotá mostram que 83% dos colombianos aplaudiram a ação. É natural. Qualquer um que já tenha tido o prazer de visitar a Colômbia enxerga nas ruas a rejeição aos guerrilheiros. Mas os colombianos não querem transformar o episódio numa guerra. Embora 61% dos colombianos acreditem na possibilidade de um conflito com o Equador e a Venezuela, as mesmas pesquisas mostram que mais de dois terços querem manter relações diplomáticas com os dois vizinhos. Ou seja, existe uma boa possibilidade de o caso render apenas um longo bate-boca diplomático e dar mais um palanque para Hugo Chávez vociferar contra o “subimperialismo colombiano” (não esqueça que Caracas já foi governada a partir de Bogotá em boa parte do período colonial, no vice-reinado de Granada, e logo depois da independência, na República de Grã-Colômbia).
Mas, como revela hoje o diário El Tiempo, de Bogotá, o governo Uribe segue um caminho perigoso. A defesa que a Colômbia fará nos fóruns internacionais para a invasão de sábado se baseará no mesmo argumento que os Estados Unidos usaram para entrar no Afeganistão, ou seja, que o território de outro país servia de base para inimigos do país. É um embuste: a invasão americana ao Afeganistão foi autorizada pela ONU, ao contrário da atual operação no Iraque ou da movimentação militar colombiana no Equador. O site da revista especializada em diplomacia Foreign Affairs observa que tais “ações de guerra assimétrica se tornaram comuns depois do 11 de Setembro”. Dá como exemplos a invasão do Iraque pela Turquia para combater nacionalistas curdos e o lançamento de mísseis americanos contra bases do Al Qaeda no Paquistão e na Somália. Ao usar esse argumento, o governo Uribe deixa na entrelinha a possibilidade de realizar novas incursões pelos países vizinhos, inclusive o Brasil. Por esse raciocínio, nada impede que, na semana que vem, os colombianos invadam Tabatinga. Essa preocupação com o futuro deve ser a diretriz da tentativa do Brasil e da Argentina em mediar o confronto. Ao contrário do que parece fazer crer as análises dos jornais de hoje, o início dessa ofensiva diplomática foi correto. O presidente Lula não tem atendido os telefonemas de Hugo Chávez e tenta circunscrever a crise ao que ela é, uma querela entre Equador e Colômbia. Se o governo Uribe colaborar, pode dar certo.
Por Thomas Traumann
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Ingrid Betancourt
Mãe de Betancourt diz rezar para que Colômbia não ache sua filha
REUTERS
BUENOS AIRES – A mãe de Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial colombiana sequestrada pelas Farc, disse neste domingo rezar para que o governo de Alvaro Uribe não encontre sua filha.
A ex-senadora franco-colombiana foi sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em fevereiro de 2002, durante sua campanha eleitoral, e desde então a família de Betancourt mantém uma intensa luta para conseguir a liberdade dela, sem saber se está viva.
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Ingrid Betancourt
Mãe de Betancourt diz rezar para que Colômbia não ache sua filha
REUTERS
BUENOS AIRES – A mãe de Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial colombiana sequestrada pelas Farc, disse neste domingo rezar para que o governo de Alvaro Uribe não encontre sua filha.
A ex-senadora franco-colombiana foi sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em fevereiro de 2002, durante sua campanha eleitoral, e desde então a família de Betancourt mantém uma intensa luta para conseguir a liberdade dela, sem saber se está viva.
Vídeos recentemente divulgados, nos quais pode se ver uma Betancourt debilitada e desanimada em meio à selva colombiana, reavivaram os pedidos internacionais às Farc.
“Eu peço a Deus todos os dias que o governo da Colômbia não saiba onde está minha filha”, disse Yolanda Pulecio a jornalistas em Buenos Aires, após encontro com o chanceler argentino Jorge Taiana.
“Tenho muito medo da prova de vida da minha filha, por medo de que as pessoas descubram e saibam onde se encontra a minha filha e o presidente (Uribe) mande operações militares, e que a matem e justifiquem a guerra dizendo que a guerrilha a matou”, acrescentou Yolanda.
As imagens de prova de vida comoveram o mundo e levaram o presidente da França, Nicolas Sarkozy, a pedir que as Farc libertem Betancourt.
Uribe irá a Buenos Aires na segunda-feira para a posse de Cristina Fernández Kirchner, onde conversará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem se mostrado disposto a cooperar com a Colômbia.
(Por Juan Bustamante)
Tags: Betancourt, Colômbia, FARC, Uribe
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Valor
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AP

O esquerdista Samuel Moreno, eleito prefeito da capital colombiana, Bogotá
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O prefeito eleito de Bogotá, Samuel Moreno, se diz mais à esquerda do que a social-democracia e toma Lula e Cristina Kirchner como exemplos. Leia abaixo os principais trechos da entrevista dada ao Valor ontem, em que ele fala sobre segurança pública e sobre o quadro político do país após as eleições de domingo. (SL) |
| Valor: Que reflexo essas vitórias da esquerda trarão para o futuro da esquerda na Colômbia? |
| Sergio Moreno Há um avanço importante, se não dos candidatos do Pólo, de muito próximos, afins do que pensamos. |
| Valor: Como o sr. se define politicamente? |
| Moreno Sou de esquerda democrática. Mais à esquerda que a social-democracia [ri]. |
| Valor: Qual a referência mais forte para a esquerda na América Latina, Lula ou Hugo Chávez? |
| Moreno Lula e, agora, Kirchner, Cristina, sim. |
| Valor: Usaram contra sua candidatura manifestações de apoio das Farc. Qual o papel da esquerda democrática na negociação com a guerrilha? |
| Moreno Nunca me senti mencionado [quando criticavam de candidatos apoiados pela guerrilha], porque as pessoas me conhecem. Sempre tive uma posição de rechaço à luta armada. Rechaçamos em declarações os atos de violência contra a população civil e, ao mesmo tempo, defendemos o diálogo e um acordo humanitário para superar o conflito e obter a liberação das pessoas seqüestradas. |
| Valor: Como prefeito de Bogotá, o segundo posto político mais importante do país, o senhor pretende ter um papel nessa negociação? |
| Moreno Claro, meu antecessor, Lucho Garzón, foi promotor importante do acordo humanitário, e nós incluímos essa proposta, essas idéias em nosso programa de governo. Sensibilizar a cidadania e fazer ações para chegar ao acordo. É importante que nós, prefeitos, possamos exercer uma liderança para esse tema. |
| Valor: Uma das peças mais importantes de sua campanha foi a construção do metrô de Bogotá, algo que interessa a empresas como as brasileiras, que constroem metrôs no continente. O Brasil está entre os países com quem o sr. pretende levar esse projeto à frente? |
| Moreno Toda colaboração internacional que possamos conseguir, especialmente dos países da América Latina, será bem vinda. Já há sistemas integrados de transporte de massa, há metrô integrado, sabem como operá-los, como se estruturaram, como financiá-los. Vamos precisar de ajuda, e a experiência internacional é chave. |
| Valor: Já há experiência brasileira no metrô de Caracas. |
| Moreno E em São Paulo. Vamos tomar todas as ações para conseguir recursos, estrutura, financiamento e experiência para tornar realidade nosso programa de governo. Há muitos projetos de metrô na América Latina, o do México, de Santo Domingo, de Brasil, Venezuela, Chile, Argentina. Quero conhecer de perto a experiência que tiveram. O mandato que nos entregaram foi exatamente para tomar todas as medidas para concretizar esse metrô. |
| Valor: Bogotá terá recursos para isso? |
| Moreno Sim, Bogotá é numa cidade imensa, tem recursos importantes, que geram a quarta parte do PIB da nação. Para cá vêm mais de 40% dos investimentos diretos estrangeiros na Colômbia. E boa parte das exportações saem daqui. A cidade é hoje o principal centro de negócios da área andina. |
| Valor: Por que a questão da violência não foi tão importante nessa campanha como na passada? |
Moreno As pessoas ainda se preocupam com a segurança. Eu diria que há avanços significativos na redução de homicídios e furto de veículos, mas, ao mesmo tempo, há uma percepção de insegurança nas ruas, roubos, furtos, e aí temos de adotar ações importantes para melhorar a percepção de segurança na cidade. Aqui há uma política de desarme, cerca de 60% dos delitos em Bogotá são com arma de fogo, e estamos interessados em liderar uma proposta de desarme, levantada pelo atual prefeito Garzón. Que as armas sejam exclusivas das forças públicas.
Tags: Colômbia, FARC, Pólo Democrático Alternativo da Colômbia, Prefeitura de Bogotá, Samuel Moreno
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Colombians reckon that Álvaro Uribe saved their country. It’s a pity for them that so many outsiders don’t see their president that way

The Economist
WHEN hundreds of thousands of Colombians poured into the streets on July 5th to protest at the killing of 11 hostages who had been held by the guerrillas of the Revolutionary Armed Forces of Colombia (FARC), President Álvaro Uribe chose to read this as support for his tough security policies. “This demonstration is notice to the international community that we cannot, in this hour of pain, give in to the criminals,” he said. But much of the “international community” no longer sees events in Colombia in the way most Colombians do.
At home Mr Uribe is seen as the saviour of a country that was in danger of being turned into a failed state by the rampaging violence of drug-traffickers, left-wing guerrillas and right-wing paramilitaries. Since he took office in 2002, violence has fallen sharply. As confidence returns, the economy is growing at 8% a year. According to Invamer-Gallup, a pollster, Mr Uribe’s approval rating has remained steady at between 70% and 80% over the past year.
That is despite recent scandals in which a dozen legislators who support him, as well as a former intelligence chief, have been arrested on suspicion of having ties to the murderous paramilitaries; the latest to face investigation is Mario Uribe, a senator and the president’s cousin. In the United States and Europe, on the other hand, Mr Uribe’s reputation has suffered—so much so that in April Al Gore, America’s former vice-president, refused to appear at the same conference as Mr Uribe in Miami.
Reactions to the killing of the hostages highlighted the widening gulf between the perceptions of Colombians and those of the outside world. The hostages were regional legislators who had been held by the FARC for five years. According to the guerrillas they died when an “unidentified military group” attacked the jungle camp where they were being held. Mr Uribe said that there were no government operations on the day in question in the area where officials believe the hostages were held.
The governments of France, Spain and Switzerland have been trying to broker an agreement under which the FARC would swap its well-known hostages, who include three American contractors and Ingrid Betancourt, a politician who holds dual French and Colombian nationality (hundreds more hostages are being held for ransom). Mr Uribe freed scores of guerrilla prisoners. But the FARC insists on the creation of a “demilitarised zone” in which talks should take place. For Colombians, that brings back bad memories of failed peace talks from 1999-2002 in which the FARC used a similar zone for recruitment and criminal activity. Mr Uribe refuses to go down that route again.
After the killing of the 11 hostages, the three European governments condemned hostage-taking. But they also called for an international inquiry into the deaths and urged the government not to use force to rescue captives. Boosted by the demonstrations, Mr Uribe said he could not accept “statements…that measure the FARC and the government by the same yardstick”. Few things rile him more than having his democratic and human-rights credentials questioned internationally.
Yet that is happening more and more. At the end of June the Democratic leadership in America’s House of Representatives announced that it would oppose ratification of a free-trade agreement with Colombia until it could see “concrete evidence of sustained results” on reducing violence, on punishing the killings of trade unionists and on prosecuting politicians with links to paramilitaries.
The Democrats did not set any precise benchmarks. But Mr Uribe is in no position to ignore such views. Since 1999 Colombia has received some $5 billion in mainly military aid from America under a plan to fight drug-trafficking and rebel groups of left and right. Until recently, this enjoyed bipartisan support in Washington. Last month, however, the House of Representatives cut the aid by $60m (to $530m) and earmarked more of the money for social and justice programmes (some of these changes may be reversed by the Senate). More…
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