03/11/2009 - 10:31h Porque José Serra continuará calado

FRASE DO DIA


“O Estado tem que ser competente. Não se pode trazer de volta a ideia de transformar empresas em repartições públicas. A governança tem que ser empresarial. Caso contrário, vira divisão entre partidos políticos.”

Fernando Henrique Cardoso

http://www.estadao.com.br/fotos/aecio_serra_fh.jpg

Escolhida a frase do dia pelo Blog de Noblat, ela constitui o paradigma do pensamento de FHC e parece condensar o “programa” gestionario do ideario tucano-liberal.

Podemos contrapor, sem exagero algum.

” O Estado tem que ser competente. Não se pode trazer de volta a idéia de transformar as repartições públicas em empresas privadas. A governança tem que estar a serviço do governo do povo, conforme à democracia, caso contrario vira divisão entre acionistas privados”.

A supor que FHC esteja certo na afirmação fantasiosa que o “lulismo” é a “república dos sindicatos ou do funcionalismo”, ninguém poderá admitir que a “república do opportunity” constitua uma alternativa verdadeiramente democrática.

Trocando em miúdos. Os ataques de FHC e Armínio, saudados como o soar das trompetes da oposição, pelos articulistas que desesperam do silêncio demo-tucano, colocam os holofotes exatamente onde os demo-tucanos gostariam de manter a escuridão: o programa liberal de direita, verdadeira cruzada pela “restauração” do neo-liberalismo que marcou os 8 anos de FHC.

FHC dá razão assim a Lula: a eleição presidencial em 2010 será plebiscitária, o confronto de dois balanços.

Precisamente o debate que os candidatos tucanos gostariam de evitar em público, para poder sonegar a claridade, no momento da escolha dos eleitores.

Por isso José Serra continuará calado.

LF

20/10/2009 - 12:11h Lula: Dilma lá e Ciro aqui

A analise feita por Maria Inês Nassif (ver post embaixo) é pertinente. Lula decidirá o candidato de sua base em São Paulo e terá o apoio do PT-SP.

A posição defendida pelo presidente é que a eleição presidencial será plebiscitária -por ou contra o seu governo- procurando um desfecho favorável no primeiro turno. Dilma será ele na urna eletrônica, o julgamento dos seus dois mandatos. O terceiro mandato será esse, o da continuidade, ou a ruptura da volta ao passado. Esse é, esquematicamente, o desenho da disputa em 2010.

Para Lula a entrada de Marina Silva não muda esse cenário, mesmo persistindo Ciro Gomes na sua postura de pleitear o cargo de presidente em 2010. A lógica da articulação de Lula é que ambas candidaturas, sem espaço político na polarização, sem alianças substanciais e sem tempo de TV, serão desidratadas e acopladas aos dois candidatos fortes: Dilma e Serra.

No caso de Ciro, aliado de Lula durante todos estes anos, o presidente abre uma perspectiva mais que conveniente para ambos. Em troca de sua desistência e apoio a Dilma, uma candidatura turbinada ao governo de São Paulo.

A vantagem da proposta é que ela resolve favoravelmente a disputa entre duas candidaturas tentando ocupar o mesmo espaço nacional, pondo ao mesmo tempo em xeque a candidatura de José Serra no próprio bastião da oposição, São Paulo.

Não é a toa que cada vez mais a candidatura Serra é questionada na própria oposição, -uma parte do DEM e do próprio PSDB prefere Aécio- e o próprio Serra parece hesitar entre a reeleição mais tranqüila e uma derrota nacional cada vez mais provável.

A candidatura Ciro em São Paulo obriga Serra a reconsiderar suas próprias escolhas estaduais, pois nem Aluisio Nunes, nem Kassab e nem Alckmin teria um percurso tranqüilo na disputa para governador, tendo que enfrentar uma candidatura turbinada de Ciro Gomes (fora que Alckmin é um desafeto do governador de São Paulo).

Para o PT estadual, para seus candidatos ao senado e seus deputados, o efeito de não contar com o 13 na campanha majoritária, pesa negativamente na aceitação da estratégia de Lula. Pesa também para alguns os desdobramentos no futuro (2012) desse apoio a Ciro agora.

Sendo estes os argumentos e motivações da resistência a proposta de Lula, é evidente que elas não se sustentarão perante o desafio maior de vencer a eleição presidencial, a “mãe de todas as batalhas”. Os dirigentes e quadros do PT de São Paulo sabem disto.

Por isso, o PT-SP será provavelmente unânime em apoiar a candidatura Ciro… se ele, Ciro, aceitar a proposta de Lula, o que ainda ele não fez.

Descontando que isto é uma questão de tempo e nem Lula, nem Ciro, têm pressa para uma definição que pode perfeitamente acontecer em março (com vantagens indiscutíveis como a de não se expor prematuramente ao ataque tucano); a indicação de Palocci para ser um dos principais coordenadores da campanha da Dilma (mesmo cogitado por Lula para ser o candidato em São Paulo, no caso de Ciro não aceitar) é um sinal da orientação do presidente.

Salvo recusa definitiva de Ciro de sair candidato em São Paulo, qualquer outra alternativa que tente contrapor à linha presidencial, estará condenada ao ostracismo e por isso dificilmente emplacará.

O artigo de Maria Inês Nassif mostra em filigrana que os principais atores no PT começaram a entender e digerir este fato.

Quando mais cedo melhor, até para evitar multiplicar atritos que são verdadeiros tiro-no-pé dos afobados.

Luis Favre

05/10/2009 - 19:12h Quem tem pressa, come cru

Luis Favre

estrela_sobe

A reunião do Diretório Estadual do PT aprovou um calendário para começar o processo de designação de seu candidato a governador, sem fechar a porta para o diálogo com os partidos da base aliada e nem recusar o eventual apoio a candidatura de Ciro Gomes.

A decisão é sábia, permitindo que o partido possa se movimentar no plano estadual, levando em conta as manifestações repetidas de Ciro Gomes de sair candidato a presidente pelo PSB, mas sem rejeitar a procura de alianças amplas para alavancar uma candidatura de oposição aos demo-tucanos no Estado.

Existem elementos importantes em favor da candidatura Ciro Gomes ao governo estadual, tanto do ponto de vista da campanha presidencial em favor de Dilma Rousseff, como do ponto de vista estadual, na disputa contra o continuismo tucano em São Paulo.

Ciro tem todas as credenciais para ser um candidato forte aqui no Estado e sua contribuição ao debate político estadual é bem-vinda. Isto não significa que seja necessariamente a melhor opção para o campo da Dilma, aqui. Mas a discussão está aberta e não existe qualquer ultimato ou decisão imperativa, segundo as declarações do presidente estadual do PT.

O presidente Lula tentará ainda convencer Ciro a sair da disputa nacional? Ou tendo registrado a vontade várias vezes reafirmadas do candidato socialista, jogará em favor da candidatura Palocci, a favor da qual manifestou-se meses atrás?

Não tendo pressa para essa escolha, Lula aguarda que o processo se decante, até porque os próprios demo-tucanos estão longe de ter definido se terão Alckmin, Aloysio, Kassab ou o próprio José Serra como candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Lula tem razão. Neste caso a pressa é inimiga da sabedoria. LF

01/10/2009 - 16:18h Matéria de 2002: Eleonora Mendes Caldeira, mulher do empresário Ivo Rosset, ela conta como ajudou a quebrar o preconceito da elite xiita contra Lula com dois jantares para o petista

Sociedade/Eleonora Mendes Caldeira – 11/11/2002


Mulher do empresário Ivo Rosset, ela conta como ajudou a quebrar o preconceito da elite xiita contra Lula com dois jantares para o petista

Juliana Lopes – ISTOÉ Gente

Arquivo Pessoal
Lula, Marisa, Eleonora e Ivo, dono da
Valisère, no jantar para 450 convidados

Um adesivo da campanha de Paulo Maluf à prefeitura colado na janela do carro causava arrepios a Eleonora Mendes Caldeira. Seu único filho, André, hoje com 25 anos, era então um pré-adolescente simpatizante do político símbolo da direita paulista. “Eu tinha que respeitar”, diz a psicóloga Eleonora, 56 anos. Doze anos depois, no dia 17 de outubro, André agradecia à mãe pelo inusitado presente de aniversário: um bolo do PT e um abraço de Luiz Inácio Lula da Silva. Embora o aniversário fosse de André, naquela data o homenageado era Lula. Eleonora e o marido, o empresário Ivo Rosset, dono da Valisère, haviam reunido no prédio onde moram 450 convidados da alta sociedade paulistana num jantar para o então candidato do PT à Presidência.

André é apenas um dos convertidos por Eleonora ao petismo. A locomotiva do PT que sacudiu a elite paulistana com dois jantares em prol de Lula na campanha conta, em seu consultório, em São Paulo, que teve agradáveis surpresas nessa eleição. O famoso bolo de três andares de pão-de-ló, doce-de-leite e morangos do jantar do dia 17 foi oferecido por Lali Mansur (mulher do empresário Carlos Alberto Mansur, dono da Vigor). “Pedi a Lali para fazer o bolo uma semana antes do jantar. Na véspera ele estava pronto, lindo, com estrelas do PT!”, conta ela, animada.

Empolgação mesmo aconteceu na residência dos Mansur. “As empregadas estão emocionadíssimas! Todas vão votar no Lula! Foram até o comitê do PT comprar as estrelinhas para fazerem a cobertura no mesmo formato!”, disse Lali a Eleonora. O bolo foi o primeiro assunto de Lula ao chegar para a festa em que estavam pesos pesados da indústria como Eugênio Staub, dono da Gradiente, Daniel Feffer, do Grupo Suzano, e Fernando Xavier, da Telefônica – evento muito mais grandioso do que o jantar para 126 pessoas do dia 4 de setembro. “Levamos o Lula até o bolo para contar a história. Ele achou o máximo”, lembra a anfitriã.

Antes da onda vermelha virar chiique, Eleonora sentia-se de escanteio em festas do high society quando o assunto era política. “A Regina Duarte acha que foi patrulhada. Patrulhada fui eu! Muito mais que ela!”, diz. “Muita gente da alta sociedade tinha preconceito. Agora melhorou muito.” Acostumada a lidar com quem não gosta do PT, Eleonora ficava cheia de dedos para convidar amigos para os eventos com Lula. Para a socialite Fátima Scarpa, ligou avisando logo que “ela não era obrigada a ir”. E também preveniu que ninguém ia pedir dinheiro. Ouviu de Fátima uma sonora risada: “Imagina! Vou votar no Lula!”.

Feliz com o que chama de “lulismo” – fenômeno que, segundo Eleonora, atingiu em cheio a elite paulistana agora bastante empolgada com o presidente eleito, ela conta que também converteu o marido, Ivo Rosset, um dos grandes empresários que apoiaram Lula. “Minha mulher é o maior cabo eleitoral do PT”, diz ele. “Acabei me tornando também”, afirma o dono da Valisère. “No meu caso ela não tem participação”, garante Rosset. A adesão do casal influenciou pessoas próximas. Além de amigos da comunidade judaica, os filhos de Ivo – três empresários entre 30 e 36 anos – também entraram na onda vermelha. “Esses votaram no Serra no primeiro turno”, segreda Eleonora. “Fiz tanta boca-de-urna que disseram que eu ia ser presa. Botei estrelinha em todo mundo.”

O bolo de pão-de-ló preparado para Lula

O envolvimento de Eleonora com a política começou cedo. Ela cursava Direito no começo dos anos 70 na Faculdade Mackenzie, região central de São Paulo, onde havia conflitos freqüentes entre polícia e estudantes. Amiga de Chico Buarque, com quem teve um namorico, ela não militou, mas
sempre esteve no meio do burburinho. Chegou ao PT por intermédio da prefeita de São Paulo Marta Suplicy, de
quem se tornou amiga na adolescência e até hoje é bem próxima. “Eu e meu marido, Luís Favre, temos convivido
muito com Ivo e Eleonora e nossas conversas certamente ajudaram Eleonora a levar Ivo para um partido pelo qual
ela tinha simpatia”, diz a prefeita. Favre fez a ponte entre Rosset e a cúpula do PT. “Os jantares foram importantes porque Ivo e Eleonora manifestaram de público apoio ao
Lula, o que muitos empresários fizeram depois”, diz Favre. “Foi uma atitude pioneira.”

O primeiro voto de Eleonora no PT foi na eleição de Luiza Erundina para a prefeitura de São Paulo em 1988. Para presidente, optou por Lula e não Collor um ano depois.
Depois escolheu duas vezes seguidas o tucano Fernando Henrique Cardoso porque o admirava como intelectual.
“Mas não votei em José Serra porque Lula é mais preparado como político e como pessoa”, diz.

Não era fácil ser petista em casa. Seu pai, Octávio Camillo Pereira de Almeida, de família quatrocentona do Vale do Paraíba, foi secretário de Obras e de Vias Públicas da prefeitura de São Paulo durante 12 anos. Entre os prefeitos, conviveu com Paulo Maluf, que era odiado pelos amigos da filha mais velha. “A briga maior que tivemos foi quando ele votou no Collor para presidente”, conta Eleonora, que não perdeu a piada quando o político alagoano sofreu impeachment. “Cheguei em casa dizendo: ‘Estão vendo como eu estava certa? Eu avisei, eu avisei!’”, disse. Octávio morreu em 1999. Depois de viver uma fase em que seus amigos eram de esquerda, Eleonora passou a estar cercada de socialites por todos os lados. Casou-se em 1972 com o banqueiro Victor Simonsen. Dois anos depois, uniu-se ao incorporador Wilson Mendes Caldeira, de quem herdou o sobrenome. O casamento durou 19 anos.

Por enquanto, Eleonora não pensa em outras festas para Lula. “Agora é hora de trabalhar, mas tenho certeza de que teremos muita coisa para comemorar nesses próximos quatro anos”, diz ela. “Espero que Lula faça um governo que dê dignidade para milhões de brasileiros, com emprego e educação. Que ele não pense em números, mas em gente.”

22/09/2009 - 12:53h Porque o orçamento foi superdimensionado por Kassab?

Aos poucos a verdade emerge. Valor, O Estado SP, JT e o jornal AGORA tem publicado artigos mostrando que a “crise” invocada por Kassab para justificar falta de investimento, cortes na limpeza, congelamentos na saúde, redução na merenda etc. era lorota.

A prefeitura arrecadou em 2009 mais que em 2008. Isto é um fato que desmente o argumento de Kassab.

Mas o orçamento de Kassab estava superdimensionado. Porque?

É bom lembrar que o orçamento foi aprovado em dezembro de 2008, ou seja após que a crise internacional atingiu Brasil em setembro 2008.

Se a crise tinha estourado no mundo no começo de 2008 e afetado em setembro o Brasil, porque Kassab previu para 2009 uma arrecadação bem superior à de 2008, ano em que o crescimento brasileiro foi de mais de 5% do PIB?

A apresentação do orçamento 2009 foi feita durante a campanha eleitoral e ele tinha que incluir todas as promessas demagógicas de Kassab, por isso ele foi inflado.

Após ter iludido os eleitores e vencido o pleito em outubro, Kassab solicitou que os vereadores aliados diminuíssem uma primeira vez a proposta de orçamento. Isto feito, a peça fico mesmo assim, bem acima dos resultados da arrecadação de 2008. Por isso agora ele tem que desinchar as falsas “previsões”.

Ao mesmo tempo os gastos de custeio aumentaram pelo descontrole da máquina, os subsídios ao transporte superam em muito os valores de 2008 (a tarifa em 2008 não aumentou).

Kassab se mostrou um hábil demagogo, um político populista e agora se mostra um péssimo administrador, um gestionário despreparado.

Um personagem típico da direita populista conservadora que São Paulo já experimentou com Maluf e Pitta, onde Kassab se formou. Em soma, um digno representante do ex-PFL, hoje DEM.

O apoio tucano é só a manifestação da evolução direitista do PSDB, que hoje quase nada distingue de seu aliado demo.

A operação de travestimento e de ilusão teve êxito e ainda tem. Até quando?

LF

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16/09/2009 - 08:33h Obrigado, GCM

Portal do Guarda Civil – Elogia Blog do Favre

Prezado,
Deixamos aqui nosso elogio pelo grande trabalho de comunicação que seu blog oferece aos internautas brasileiros e pelo constante apoio às Guardas Civis, em especial de São Paulo.
Cordialmente,

Portal do Guarda Civil

06/09/2009 - 09:08h Posição de Serra sobre o pré-sal pode afastar investidores. Segundo analistas europeus, mudar as regras durante o jogo não é aceitável

A criação do novo marco regulatório para a exploração de petróleo em grandes profundidades na costa sudeste brasileira não chocou especialistas em energia na União Europeia.

Segundo os experts, o novo modelo brasileiro se enquadra na “abordagem clássica” da partilha de lucro originário da extração do petróleo, mesmo que a presença do Estado, por meio da Petrobrás e da Petro-Sal, seja crescente.

A eventual mudança pelo próximo governo do marco regulatório do pre-sal  é considerado o principal problema que pode afastar investidores. Até agora, só o eventual candidato tucano, José Serra, formulou uma ameaça de mudar de modelo, caso vier a vencer as eleições.

O modelo que muda a legislação de 1997 e que torna agora a Petrobrás a operadora de todos os blocos de exploração da camada pré-sal, com participação mínima de 30% nos lucros,  se enquadra nos padrões contratuais aceitos pelas grandes petrolíferas. É o que disse Maité Jauréguy-Naudin, diretora do Programa de Energia do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), de Paris, mas ela acrescenta:

“O mais importante é que as regras do jogo não sejam alteradas durante o jogo. A parceria precisa ter diretrizes claras desde o início do processo de exploração”, alerta Maité. “O Brasil, como democracia estável que vem estabelecendo parcerias de longo prazo com os atores de mercado petrolífero, reúne todas as condições de obter sucesso na exploração da camada pré-sal.”

Esse é o risco provocado pela ameaçã de Serra em mudar às regras, caso vier a vencer o pleito em 2010.

Já o baixo preço do petróleo hoje não parece diminuir o optimismo sobre o novo marco regulatório. Mesmo chamando a atenção para a relação entre os custos de produção elevados em grande profundidade e o baixo preço do barril no momento – a tendência é de aumento proporcional à retomada da demanda. Ou seja o preço atual é uma dificuldade passageira.

Posição semelhante tem a alemã Susanne Nies, professora do Instituto de Estudos Políticos (Science Po), de Paris, e especializada em energia. “O preço baixo do petróleo levou as grandes petrolíferas a enormes perdas financeiras em meio à crise, o que compromete de certa forma sua disposição para investimentos de grande magnitude neste momento”, afirma.

Sem ter estudado em profundidade o novo modelo brasileiro, Susanne entende que o passo mais importante e que foi garantido no projeto do governo brasileiro é de transformar as companhias privadas em parceiras do Estado, e não simples prestadoras de serviço,. “Se fossem apenas contratos de prestação de serviço, as empresas estariam muito menos interessadas, porque em algum momento elas ficariam de fora do negócio.” 

Vou parar por aqui. O que você acaba de ler é um artigo inventado por mim, com base exclusivamente nas afirmações de especialistas contidas no artigo do Estadão que está reproduzido aqui embaixo.

Meu artigo-ficção é completamente oposto ao  artigo do Estadão que pretende que a partilha do pré-sal pode afastar investidores e que o modelo reduz a rentabilidade do negócio.

Ambas afirmações, que não deixam de ser seguramente verdadeiras na medida em que pelo modelo da lei de 1997 as grandes empresas de petróleo estrangeiras seriam bem mais beneficiadas com a riqueza do pré-sal, figuram na manchete do Estadão para indicar recusa de investimentos -o que as declarações dos especialistas não afirmam. 

O que todos os especialistas sim sabem, e alguns o afirmam no próprio artigo do Estadão, é que regras de jogo claras e contratos não podem ser questionados pouco tempo depois, sem que o país em questão perca completamente sua credibilidade.

As descobertas do pré-sal autorizam uma nova legislação regulatória exclusivamente para as novas explorações dessa descoberta. As regras do jogo depois de aprovadas pelo congresso e os contratos assinados com investidores, os futuros candidatos deverão assumir compromisso público que não jogarão a credibilidade do Brasil no lixo e respeitarão os contratos. Era o que o Estadão exigia de Lula em 2002 e que logicamente deveria exigir do candidato Serra agora.

 Sei, sonhar não custa nada…

Luis Favre

A seguir o artigo do Estadão

Partilha no pré-sal pode afastar investidores

Segundo analistas europeus, modelo reduz rentabilidade do negócio

Andrei Netto – O Estado SP

A criação do novo marco regulatório para a exploração de petróleo em grandes profundidades na costa sudeste brasileira não chocou especialistas em energia na União Europeia. Segundo os experts, o novo modelo brasileiro se enquadra na “abordagem clássica” da partilha de lucro originário da extração do petróleo, mesmo que a presença do Estado, por meio da Petrobrás e da Petro-Sal, seja crescente. O risco, alertam, é não atrair empresas privadas que possam financiar a extração do óleo, ao oferecer lucratividade menor em um momento de crise econômica.

A análise foi feita a pedido do Estado por economistas especializados no setor energético na Europa, e se antecipa à Agência Internacional de Energia (AIE), que até o momento não divulgou estudos específicos sobre o impacto das novas jazidas brasileiras no mercado energético mundial.

Para Maité Jauréguy-Naudin, diretora do Programa de Energia do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), de Paris, a mudança na legislação criada em 1997, que torna agora a Petrobrás a operadora de todos os blocos de exploração da camada pré-sal, com participação mínima de 30% nos lucros, ainda se enquadra nos padrões contratuais aceitáveis pelas grandes petrolíferas.

“O mais importante é que as regras do jogo não sejam alteradas durante o jogo. A parceria precisa ter diretrizes claras desde o início do processo de exploração”, alerta Maité. “O Brasil, como democracia estável que vem estabelecendo parcerias de longo prazo com os atores de mercado petrolífero, reúne todas as condições de obter sucesso na exploração da camada pré-sal.”

Apesar do otimismo sobre o marco regulatório, a especialista vê adversidades no caminho da Petrobrás e da Petro-Sal. “A exploração no Brasil depende enormemente do preço do barril”, entende Maité, chamando a atenção para a relação entre os custos de produção elevados em grande profundidade e o baixo preço do barril no momento – embora a tendência seja de aumento proporcional à retomada da demanda.

PERDAS

Posição semelhante tem a alemã Susanne Nies, professora do Instituto de Estudos Políticos (Science Po), de Paris, e especializada em energia. “O preço baixo do petróleo levou as grandes petrolíferas a enormes perdas financeiras em meio à crise, o que compromete de certa forma sua disposição para investimentos de grande magnitude neste momento”, afirma.

Sem ter estudado em profundidade o novo modelo brasileiro, Susanne entende que o passo mais importante, o de transformar as companhias privadas em parceiras do Estado, e não simples prestadoras de serviço, foi garantido. “Se fossem apenas contratos de prestação de serviço, as empresas estariam muito menos interessadas, porque em algum momento elas ficariam de fora do negócio.”

Em artigo publicado na quinta-feira, o gabinete Sia Conseils, especializado em energia e meio ambiente, também fez críticas positivas ao modelo. “O gigante verde sonha com o ouro negro, e seu sonho está a um passo de se tornar realidade”, afirma o relatório, fazendo uma ressalva: “O Estado não poderá assumir sozinho o custo da exploração das jazidas – estimadas em US$ 600 bilhões – e precisa encontrar um meio termo justo para não afugentar as empresas privadas e, ao mesmo tempo, melhorar a repartição dos lucros em seu favor”.

Segundo o escritório, em razão das novas jazidas “o Brasil se apresenta como um parceiro político e econômico cada vez mais influente nos próximos anos”.

TRAÇO NACIONALISTA

George Friedman, Ph.D. em Economia e fundador do escritório de inteligência estratégica Stratfor, com sede no Texas, nos Estados Unidos, também fez uma análise ponderada da mudança do marco regulatório, em artigo publicado pela FXStreet, site europeu especializado em comércio exterior.

Segundo o especialista, o novo modelo contém “um traço nacionalista” que concede ao governo amplas possibilidades de intervenção no desenvolvimento das reservas, mas, diz Friedman, a regulamentação do setor de energia está em linha com a estratégia de interesses do Estado brasileiro.

“Está claro que o Brasil vê suas reservas pré-sal como um bem que precisa ser protegido pelo Estado, mesmo com o risco de tornar mais lento o influxo de capital externo e de tecnologia que o país está tentando atrair para impulsionar o desenvolvimento de suas reservas,” afirma o especialista.

03/09/2009 - 11:37h Conversa para boi dormir

Alberto Temer, colunista do Estadão, reafirma uma série de verdades com relação ao novo marco regulatorio do pré-sal. O modelo “enviado pelo governo ao Congresso não cria o monopólio estatal do petróleo”; “pouco muda nas regras atuais, a não ser a introdução de contratos de partilha, sem alterar o existente, de concessão. Ficam ambos, o que não é nenhuma grande novidade ou “revolução nacionalista”" e “Ele não afasta as empresas privadas, principalmente estrangeiras,”.

Alberto Temer foi consultar um especialista, opositor ferrenho das propostas apresentadas pelo governo federal. Giuseppe Bacoccoli é geólogo de petróleo, atuou por 34 anos na Petrobrás, onde trabalhou no primeiro poço exploratório no Brasil, situado no Espírito Santo. É pesquisador visitante do Programa de Recursos Humanos da ANP (PRH-02) junto à COPPE/UFRJ. Bacoccoli é claro: “A abertura do capital da Petrobrás foi mantida. Há hoje 76 empresas, a grande maioria estrangeira, operando no setor, associada à Petrobrás ou não. O modelo apenas abre espaço para uma participação maior do Estado na exploração do pré-sal. Essas empresas vão continuar investindo na Bacia de Santos simplesmente porque não têm alternativa. Não há em nenhum outro lugar do mundo oportunidade como essa. É muito petróleo, num país politicamente estável, respeitador de contratos; depois da revolução militar, o governo não nacionalizou nada, ao contrário, privatizou a CSN e a Vale. Tem uma economia crescendo com estabilidade e está atraindo capitais externos (que faltam a outros países, em meio à crise que só agora está sendo superada)”.

Pois bem, Temer e Bacoccoli são contra a proposta mesmo assim; porque para eles -é o que Temer escreve- o novo marco regulatório foi ditado exclusivamente por motivações eleitorais.

Mas, que utilização eleitoral poderá ser feita, na lógica das verdades assinaladas acima, se todos os partidos e candidatos manifestassem apoio unanime à proposta?

A questão é: por que, se o novo modelo “é equilibrado” e eu concordo com Temer nisto, a oposição demo-tucana é contra? Só porque Lula falou mal de FHC no discurso?

Os demo-tucanos vão se opor porque é Lula quem faz e não eles? Só isso?

A bem da verdade, a questão é outra.

Se novas propostas não fossem introduzidas com o marco regulatório proposto, o pré-sal iria beneficiar essencialmente as empresas privadas de petróleo que pagariam um montante ridículo por um tesouro que faz do Brasil um dos primeiros países petrolíferos do mundo. Ou seja, era necessário mudar as regras para garantir para o país os benefícios do seu petróleo. Sem lessar ninguém, sem romper contratos, sem desequilibros, a formula encontrada permite direcionar os recursos ao combate a pobreza e evitar a “maldição do petróleo” destruidora da indústria local. Garante o interesse do Estado brasileiro por cima de o interesse privado devidamente contemplado. Assegura para o país uma poderosa alavanca para o desenvolvimento e a modernização.

Os demo-tucanos são contra porque consideram o interesse privado como motor do progresso e o Estado como obstaculo ao libre desenvolvimento do mercado. Mas não ousam assumir o discursso hoje, como faziam no passado recente, porque pega mal com o eleitorado.

O resto é conversa para boi dormir. LF

”Não há monopólio ou nacionalizaçao do petróleo”

Alberto Tamer* – O Estado SP

O modelo do pré-sal enviado pelo governo ao Congresso não cria o monopólio estatal do petróleo, como os discursos da festa no Planalto pretendem dizer. Na verdade, pouco muda nas regras atuais, a não ser a introdução de contratos de partilha, sem alterar o existente, de concessão. Ficam ambos, o que não é nenhuma grande novidade ou “revolução nacionalista”.

Como já dissemos, o modelo é até equilibrado, o discurso de Lula é que não. Ele não afasta as empresas privadas, principalmente estrangeiras, só limita sua participação e administração na exploração do pré-sal. O presidente e a ministra Dilma Rousseff sabem disso, só não disseram. Querem levantar de novo a bandeira esfarrapada de “o petróleo é nosso”, quando nunca ninguém duvidou disso, muito menos o governo.

Lula ataca a oposição condenando injustamente o ex-presidente Fernando Henrique, que, para bem do País e da proporia Petrobrás, abriu o capital da empresa, sem o qual ela não teria recursos para elevar a produção e investir no pré-sal.

Vamos deixar, portanto, bem claro: “não há monopólio, não há nacionalização, só maior participação do Estado. Não há restrição alguma de empresas privadas nacionais ou estrangeiras na exploração do pré-sal”. Tudo o mais é demagogia eleitoral para fortalecer a candidata de Lula. Não fosse isso, não precisaria ter criado modelo nenhum, bastava um decreto presidencial, como o respeitadíssimo geólogo Giuseppe Bacoccoli, com o peso de 34 anos de experiência pioneira na Petrobrás. Têm sido dele as análises mais lúcidas da “nova” (não tão nova) política do petróleo.

Mas e como fica? Não fica, continua como está.

BACOCCOLI ESCLARECE

A coluna voltou a conversar com Bacoccoli para complementar seu artigo do dia 1º de setembro, ” Pré-sal, quais as razões de mudar”, publicado no Estado, de leitura obrigatória. Procuramos uma voz autorizada para não sermos acusados de críticos “leigos”.

E ele confirma. A motivação do modelo foi a eleição presidencial. Não é necessário hoje nem seria no futuro. Mas as empresas privadas, principalmente as grandes estrangeiras, não se afastariam com toda essa história de “intervenção” do Estado, de nacionalização? “Não, afirma Bacoccoli. Mesmo porque não existe monopólio de fato.”

” A abertura do capital da Petrobrás foi mantida. Há hoje 76 empresas, a grande maioria estrangeira, operando no setor, associada à Petrobrás ou não. O modelo apenas abre espaço para uma participação maior do Estado na exploração do pré-sal. Essas empresas vão continuar investindo na Bacia de Santos simplesmente porque não têm alternativa. Não há em nenhum outro lugar do mundo oportunidade como essa. É muito petróleo, num país politicamente estável, respeitador de contratos; depois da revolução militar, o governo não nacionalizou nada, ao contrário, privatizou a CSN e a Vale. Tem uma economia crescendo com estabilidade e está atraindo capitais externos (que faltam a outros países, em meio à crise que só agora está sendo superada)”, afirma Bacoccoli.

NUNCA ANTES…

Agora, sim, a coluna pode dizer que “nunca antes” o Brasil foi tão procurado por investidores estrangeiros, nem mesmo na época das privatizações. Só no ano passado, US$ 42 bilhões, sem contar a enxurrada de investimentos financeiros, em títulos do governo ou na bolsa.

DÓLAR ‘DANOSO’

É tanto dinheiro que até atrapalha. E vai ser mais, muito mais, com a entrada dos novos e grandes investimentos no pré-sal, com esse modelo “estatizante” ou não. Os economistas e a própria equipe econômica já estão preocupados com o efeito negativo sobre a valorização do real, que prejudica as exportações, principalmente de produtos industrializados. Por enquanto, a alta do preço das commodities ainda ajuda. Isso pode se tornar um problema grave e já está levando o governo a estudar formas de conter a desvalorização do dólar.

E ENTÃO, SR. COLUNISTA?

Então que, de fato, real, nada muda com o tal modelo. Então, que o pré-sal se transformou em palanque eleitoral. Então, que o governo vai ter de se endividar em mais de R$ 100 bilhões – pode passar de R$ 150 bilhões, ninguém sabe ainda – para capitalizar a Petrobrás. Com isso, desviará recursos que deveriam ser aplicados em outras atividades industriais, e não só no petróleo.

*E-mail: at@attglobal.net

29/07/2009 - 09:42h Kassab não sabia que Berrini não tem metrô

A restrição aos ônibus fretados em São Paulo leva a marca inconteste da gestão Kassab, a improvisação.

A justificativa para recuar da decisão na Avenida Berrini é a prova mais cabal da ausência de qualquer estudo ou planejamento na proposta inicialmente implementada; Kassab diz que foi necessário alterar o plano porque na avenida “não têm metrô”.

Que Kassab desconhecesse a inexistência do metrô pode se explicar pois ele usa o helicóptero alugado pela prefeitura para seus deslocamentos. Que seu Secretário de Transportes ignore o fato só mostra quanto está longe de suas preocupações o transporte público. Mas como explicar que o corpo técnico da secretaria ignore este fato?

Acontece, como já aconteceu repetidas vezes na atual “gestão” (como no “teste” com as motos na 23 de maio), que nenhum estudo é apresentado como basamento para decisões, nenhum debate é organizado sobre esses assuntos (a Câmara Municipal discutiu o assunto e a bancada do PT alertou sobre os fretados, mas de nada adiantou).

A improvisação é a irmã gémea do factóide. Procurando mostrar iniciativa para esconder a falta de investimento no transporte público, Kassab mostra preocupação pelo marketing e não pela gestão. Suas medidas buscam, com respaldo da mídia, transmitir a ideia de “ação” no setor pior avaliado de sua administração. Exemplificando, Kassab procura esconder com factóides que em 5 anos nenhum corredor de ônibus foi construído; que o aumento no número de passageiros correspondeu com diminuição do número de ônibus e que o trânsito piora a cada dia.

A mídia, em geral pouco crítica com os demo-tucanos, desta vez teve que apontar para os responsáveis pelo caos e deixaram Kassab mal parado. É que uma parte dos usuários dos fretados são leitores dos jornais, componentes da classe média que votou e vota nos demo-tucanos, o que provoca mais impacto que o descaso com os beneficiários do Bolsa-Família que por descaso de Kassab não recebem o dinheiro do governo federal.

Mesmo assim o tratamento do assunto é diferente no editorial de hoje do Jornal da Tarde e no editorial da Folha de São Paulo reproduzidos a seguir. Duas “sensibilidades” marcadas pelas orientações políticas e pela diversidade. LF

http://psolpinheiros.files.wordpress.com/2009/04/kassab.jpg

Editorial JORNAL DA TARDE

Deu no que deu

O que aconteceu no primeiro dia de vigência das restrições impostas pela Prefeitura à circulação dos ônibus fretados – protestos dos usuários desse tipo de transporte, lentidão média do trânsito acima do normal, mau funcionamento de muitos dos pontos de embarque e desembarque criados para os passageiros – era facilmente previsível, tendo em vista a forma improvisada e atabalhoada com que as mudanças foram adotadas e implantadas.

A situação ficou particularmente difícil, tanto de manhã como à tarde, nas imediações da Estação Santos-Imigrantes, da Linha 2 (Verde), do Metrô, como mostrou reportagem do Jornal da Tarde. Cerca de 200 ônibus fretados pararam no bolsão da Rua Guilherme Winter para o desembarque de 7,5 mil passageiros, entre 7 e 8 horas. A fila de veículos chegou à Avenida Ricardo Jafet, o que provocou congestionamento e dificultou a circulação de ônibus urbanos. Dentro da estação, passageiros esperaram até meia hora na fila para comprar bilhetes do metrô.

Casos semelhantes a esse ocorreram em vários outros pontos, o que fez com que, entre 7 e 10 horas, o índice médio de lentidão, de 31 quilômetros, fosse 40% maior do que o da segunda-feira da semana passada e 10% superior ao da última segunda-feira de julho de 2008. Não admira que, revoltados, os passageiros e outros que se sentiram prejudicados tenham promovido manifestações de protesto, com bloqueio de vias importantes – Avenidas Ricardo Jafet e Bandeirantes e Marginal do Pinheiros -, que ajudaram a piorar a situação.

Atribuir esses protestos a uma “postura intransigente de setores que se recusam a cooperar”, como fez a Secretaria Municipal de Transportes em nota oficial, é procurar fugir à realidade desagradável ou, como se diz, querer esconder o sol com peneira. Como assinalamos aqui quando essa medida foi anunciada, ela não se baseou em nenhum estudo técnico que recomendasse sua necessidade e indicasse sua viabilidade. Aí é que está a origem dos problemas que sua implantação vem enfrentando.

O fato de antes mesmo de sua aplicação ela ter sofrido alterações confirma que foi produto de improvisação. E os novos ajustes que o prefeito Gilberto Kassab prometeu fazer, depois da pouco feliz experiência do primeiro dia de vigência das restrições, só reforça essa conclusão. Agora, só resta ao prefeito e ao seu secretário de Transportes tentar limitar ao máximo, e rapidamente, os efeitos negativos de sua decisão, principalmente para evitar que a maior parte dos passageiros dos fretados opte por usar carro, porque, se isso ocorrer, vai complicar ainda mais o trânsito. E tomar consciência de que medidas desse tipo, que afetam a vida de milhões de paulistanos, exigem maiores cuidados.

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/foto/0,,20849010-EX,00.jpg

Editoriais – FOLHA SP

editoriais@uol.com.br

Começo confuso

FOI MARCADO por transtornos o primeiro dia de restrição aos ônibus fretados na cidade São Paulo. Vias importantes para o tráfego foram interditadas por protestos. É preciso admitir que a ideia de impor regras à circulação desses veículos, em si correta, não foi bem aplicada. Faltou planejamento e algumas decisões terão de ser revistas.
O veto ao tráfego de ônibus contratados para transportar pessoas que trabalham numa mesma empresa ou numa mesma região da cidade vale de segunda a sexta, das 5h às 21h, numa área de 70 km2. A restrição inclui pontos de grande movimentação, como as avenidas Paulista, Brigadeiro Faria Lima e Luiz Carlos Berrini.
As principais falhas foram a escolha de locais inadequados para embarques e desembarques e a incapacidade do sistema público, já saturado, de absorver a nova demanda em horários de pico.
Ainda é cedo para avaliar de forma conclusiva o impacto da restrição sobre o trânsito -que deveria, em tese, se beneficiar da medida, não apenas no que se refere à fluidez mas também ao respeito à ordem. Sabe-se que o crescimento do uso de fretados ocorreu de maneira desordenada, com paradas aleatórias e estacionamento dos veículos em locais impróprios.
É bom lembrar que a diminuição dos congestionamentos não beneficia só os automóveis. Também o transporte coletivo torna-se menos moroso. A medida adotada em São Paulo não pretende ser uma solução para os graves problemas da rede pública -apenas enfoca um aspecto importante. Cabe à prefeitura, nos próximos dias, acompanhar os resultados e mudar as regras se for necessário.

20/07/2009 - 10:58h ‘Bafafá político’ impede debate sério no Brasil, diz Paulo Cunha

“O Brasil precisa discutir o pré-sal, discutir questões mais relevantes”, (…) “Esse bafafá político tem impedido o país de discutir essas questões.”

Constatação lapidar do empresário Paulo Cunha em entrevista a Folha SP hoje.

Ontem Janio de Freitas escreveu que “Espetáculos de degradação como o do Senado se afiguram para a classe dominante brasileira como espetáculos”. O Ombudsman do jornal, coincidentemente, ponderou que a cobertura feita pela Folha contribui para transformar o Congresso em “baudeville”* e servir assim ao espetáculo da mesma classe dominante.

O empresário Paulo Cunha, da “classe dominante” não aceita o “divertimento” e remete a sua real dimensão os escândalos, verdadeiros ou fabricados, que a mídia nos fornece cotidianamente.

A crítica do ombudsman e a entrevista de Paulo Cunha com destaque para à frase acima na própria capa do jornal, talvez signifique que a Folha esteja querendo corregir seu curso e voltar a ser um espaço para a discussão das questões relevantes evocadas por Paulo Cunha.

Neste blog tenho feito um esforço para evitar o “bafafá” e tratar do que me parece ser relevante, mas nem sempre tenho conseguido pois é abrumadora a pressão para tratar a política como espetáculo.

O udenismo de setores médios, particularmente de São Paulo, alimentados pela ação política opositora de grande parte da mídia e de alguns setores partidários, impregna a atmosfera poluindo um debate urgente e necessário.

Luis Favre

http://veja.abril.com.br/060199/imagens/holofote2.jpgENTREVISTA DA 2ª – PAULO CUNHA

Bafafá político atrapalha o debate de temas relevantes

Para o presidente do conselho do grupo Ultra, sistema político não atende à necessidade do país e não recruta as melhores pessoas para seus quadros

NOS ÚLTIMOS anos, o empresário Paulo Cunha, presidente do conselho de administração do grupo Ultra, tem adotado um estilo bastante reservado. Avesso a entrevistas, ele prefere se manter como um expectador privilegiado da cena nacional.
Nesta entrevista concedida na semana passada na sede do grupo Ultra, em São Paulo, Cunha manifesta otimismo com as perspectivas da economia, apesar da crise. Na sua opinião, o Brasil perde muito tempo com o que ele chama de bafafá político, quando há temas mais relevantes para serem discutidos no país.

GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA

“O Brasil precisa discutir o pré-sal, discutir questões mais relevantes”, diz Cunha. “Esse bafafá político tem impedido o país de discutir essas questões.”
Para ele, o sistema político não atende às necessidades do país. Um dos grandes problemas é a forma como se escolhe as pessoas no setor público.
“Se uma empresa fizesse o recrutamento dos seus quadros da mesma maneira que os partidos, as empresas estariam fora do jogo”, afirma. “O governo precisa ser estatizado.” A seguir, trechos da entrevista.

FOLHA – A crise acabou?
PAULO CUNHA
- Em primeiro lugar, temos de olhar a crise na sua origem. [...] A crise surgiu do grande desbalanceamento do comércio nas finanças internacionais. De um lado, o gigantesco déficit americano; de outro, o gigantesco superávit de Ásia e Alemanha. [...] Também havia o elevado endividamento do consumidor americano. A poupança é praticamente zero e o consumidor americano se endividou muito. A ponto de o nível de endividamento médio do cidadão americano atingir quase 140% da sua renda anual.
É óbvio que tinha de estourar.
Os governos agiram e a crise financeira, a crise bancária, foi atenuada. Não diria que terminou, mas está totalmente escorada nos créditos e nas garantias dos governos europeu e americano. Julgo que, uma vez terminado o pânico, já começa a recapitalização dos bancos e o sistema se normaliza. Mas o nível de atividade não se normaliza tão cedo. Há ainda um longo processo de desalavancagem do consumidor americano.

FOLHA – Quanto tempo o sr. acha que pode levar até a recuperação?
CUNHA
- O consumidor americano está ficando novamente conservador do ponto de vista financeiro. Está com medo do desemprego, do futuro. Paga juros elevados e tem dificuldades de se refinanciar. Muitos perderam suas casas, poupanças, aposentadorias e, portanto, estão apertando o cinto e consumindo menos. Quanto tempo? Não sei e suponho que ninguém saiba ao certo.

FOLHA – E como fica o Brasil?
CUNHA
- O Brasil, evidentemente, é parte do mundo. Nos últimos tempos, o crescimento brasileiro vinha sendo turbinado pelo comércio internacional, pelas exportações, notadamente para a China e o Ocidente. Isso, evidentemente, sofreu uma parada devido à crise. O Brasil também está sendo afetado por ter havido um corte muito forte nos investimentos das empresas em resposta à crise. Mas, ao mesmo tempo, o Brasil vem desenvolvendo o seu mercado interno, de consumo. As classes menos favorecidas, as classes mais pobres, vêm sendo incorporadas gradativamente ao mercado. Está começando a acontecer uma coisa que não havia no Brasil, que é o financiamento de consumo.

FOLHA – Como o sr. vê a reação do governo?
CUNHA
- Em primeiro lugar, foi de susto, tentando negar a crise. Mas, passado o susto, acho que o governo agiu bem e rapidamente. Não havia mesmo necessidade, no Brasil, de segurar o sistema financeiro. O sistema financeiro é sólido. Alguns setores começaram a sofrer um impacto forte, como os de automóveis e de eletrodomésticos, e o governo agiu rápido para restabelecer o consumo. São vendas que dependiam de financiamento. O governo Lula mostrou presteza e atenção.

FOLHA – O Banco Central não demorou a começar a baixar os juros?
CUNHA
- O Banco Central tem sido disfuncional em determinados aspectos. Tem sido lento e suas decisões são sempre na direção do conservadorismo, de manter os juros estratosféricos, mas, depois, acabou agindo na direção certa. Agora, o juro está começando a chegar a números mais civilizados.

FOLHA – Mas o presidente do BC, Henrique Meirelles, não é considerado a âncora da economia?
CUNHA
- Por alguns, mas a âncora da economia, no fundo, é o brasileiro, são as empresas brasileiras, o sistema de produção, a agricultura, o agricultor, o trabalhador, os funcionários das empresas. Tende-se a achar que o governo e algumas pessoas são responsáveis pelo que há de bom. Muitas vezes são responsáveis pelo mal. O bem são os brasileiros que fazem.

FOLHA – Onde o sr. nota essa tendência?
CUNHA
- O Brasil vive hoje uma fase muito interessante, bastante heterogênea. O brasileiro está querendo crescer, melhorar, subir. Está buscando educação. Pela primeira vez se começa a falar de educação de maneira mais ampla e mais profunda no Brasil. Vejo grande parte dos funcionários das empresas que trabalham durante oito horas por dia saírem [do trabalho] e ainda irem para a escola, para algum curso de aperfeiçoamento, para um curso superior buscando o conhecimento para melhorar sua formação. É um esforço muito grande. Outra coisa que se vê é um aperfeiçoamento muito grande na qualidade de gestão das empresas. Essa gestão mais profissionalizada está se generalizando no Brasil. É um fato notável. Tanto que as filiais das multinacionais no Brasil estão em situação melhor do que as matrizes. Os brasileiros estão se transformando em grandes gestores. Cada vez mais se vê brasileiros na gestão de empresas multinacionais.

FOLHA – O governo Lula foi uma surpresa para o sr.?
CUNHA
– O governo Lula sofreu uma mudança de paradigma no momento da Carta aos Brasileiros (antes da eleição de 2002, em que assumia compromissos caso fosse eleito). [...] Ele teve, de um lado, o bom senso de manter as coisas que vinham dando certo, de reconhecer a importância da estabilização da moeda, o valor da higidez das contas públicas. Essas coisas centrais o governo Lula manteve, com uma intensidade que, admito, foi surpresa para muita gente. Ao mesmo tempo, o governo levou atitudes concretas de apoio ao povo mais desassistido. Apesar de os instrumentos básicos terem sido estabelecidos anteriormente, como o Bolsa Educação, a incorporação desses programas no Bolsa Família deu a ele uma nova dimensão.
Agora, nem tudo é tão maravilhoso assim. Do lado institucional há muito a fazer. Nós temos um sistema político que não atende às necessidades do país. O sistema político está recrutando mal. Ele não recruta as melhores pessoas. Se uma empresa fizesse recrutamento dos seus quadros da mesma maneira que os partidos fazem, as empresas estariam fora do ar, fora do jogo.

FOLHA – O sr. acha que é preciso fazer uma reforma política?
CUNHA
- O Brasil precisa de reforma política, mas o mais importante é uma mudança mais profunda na maneira de fazer as coisas. O governo precisa ser estatizado. Algumas estatais estão em grande parte privatizadas, não apenas por políticos regionais mas por determinados partidos. A crise do Senado é uma crise que não é de agora, não é de ontem, não é da semana passada, é uma crise que já vem se desenhando há muito tempo e não é exclusiva do Senado. O Senado está sob o holofote agora, mas, certamente, o mesmo holofote colocado em outros órgãos poderá trazer surpresas desagradáveis.

FOLHA – O sr. acha que a CPI da Petrobras pode chegar a alguma coisa?
CUNHA
– Não sei, acho que essa CPI não vai chegar a lugar nenhum. Não acho que o Brasil se resolva com CPIs. O que o país precisa é discutir o pré-sal, discutir essas questões mais relevantes. Esse bafafá político tem impedido o Brasil de discutir essas questões.

FOLHA – Como o sr. viu a proposta do governo para o pré-sal?
CUNHA
- Não vi a proposta do governo, ainda. O que se tem são vazamentos do que seria. Há duas questões centrais: como é que vão ser repartidos os resultados e como o governo vai se apropriar dos resultados.
Essa é uma questão de grande profundidade. Envolve interesses de Estados, municípios, de um sistema político que já está estabelecido em torno do sistema tradicional de concessões. O governo parece optar por um sistema de partilha.

FOLHA – O sr. aprova a mudança?
CUNHA
- Tanto um como o outro funcionam, mas desde que seja bem administrado, assim como a estatal a ser criada para a operação. Se for bem administrada, transparente, enxuta, a estatal pode funcionar bem.
Mas existe outra questão, que é de grande relevância, que é o que será feito com a exploração das reservas, que ritmo vamos dar à exploração. Não podemos sair numa correria louca para produzir o máximo de petróleo e distribuir esses resultados, senão haverá consequências muito ruins do ponto de vista inflacionário, a partir de uma apreciação forte do real, e os efeitos serão devastadores para o resto da produção brasileira.
O melhor seria explorar de forma moderada, preocupando-se em poupar para o futuro.

04/06/2009 - 09:52h Uma boa notícia para Kassab

Pesquisa Datafolha indica que a avaliação de Kassab parou de cair. Depois de passar de 61% em outubro 2008, para 45% de ótimo e bom em março, o recente levantamento indica uma estabilização neste patamar de aprovação, hoje com 46%. (A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos).

Para Kassab é uma boa notícia que reforça sua perspetiva de ser candidato ao governo de Estado em 2010. Seus amigos do DEM não escondem este projeto e são adversários da candidatura Alckmin, repetindo o conflito das eleições municipais passadas.

A outra boa notícia, que os índices da pesquisa mostram para Kassab, é que também ele se beneficia, como seu padrinho José Serra, da continuidade do clima existente durante as eleições municipais do ano passado, favorável a releição dos titulares dos cargos por conta da boa avaliação geral da situação econômica, com o aumento do consumo e do emprego. Só que, diferentemente de Lula e Serra, o patamar de apoio de Kassab é hoje bem menor.

A Folha, que dá conta dos resultados da pesquisa na sua edição de hoje (ver embaixo), escolheu destacar as oscilações internas à segmentação da pesquisa, ignorando que a margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos é sobre o total do universo pesquisado, e aumenta quando a amostragem é segmentada por conta do número menor de formulários em consideração. Ou seja em cada categoria tomada isoladamente a margem de erro é bem superior aos 3 pontos da pesquisa global. Sendo assim, oscilações maiores em tal ou qual segmento tem seu significado bem reduzido, por conta da margem de erro bem superior.

Especificamente, tanto na oscilação no segmento de até dois salários e mais ainda na do segmento ensino superior, a margem de erro é imensamente superior à margem de 3 ponto para mais ou para menos, contrariamente ao afirmado na matéria.

Significa isto que estas oscilações não podem nem ser tomadas em conta? Não estatisticamente, mas se juntássemos 3 ou 4 pesquisas, poderia se verificar uma eventual tendencia na oscilação para além da enorme margem de erro. Mas só comparando duas amostras isto é impossível.

Resumindo: Kassab pode não ter necessariamente caído entre os universitários e nem tampouco subido entre os mais pobres. O que a pesquisa mostra, com uma margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, é que a avaliação de Kassab não sofreu mudanças entre a pesquisa de março e a de finais de maio.

Uma boa notícia para Kassab que não precisa ser amelhorada por interpretações complacentes e estatisticamente inconsistentes.

LF

http://campanhanoar.folha.blog.uol.com.br/images/KASSAB.jpg

Kassab cai entre mais escolarizados e sobe entre mais pobres

Segundo pesquisa Datafolha feita em maio, gestão tem 46% de aprovação, mantendo o nível do levantamento de março

Apoio entre eleitores com renda de até 2 salários mínimos foi de 39% para 45%; entre os com ensino superior, caiu de 57% para 49%

EVANDRO SPINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

A gestão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), manteve seu índice de aprovação, segundo pesquisa Datafolha. O apoio, no entanto, caiu entre os eleitores mais escolarizados e cresceu entre aqueles mais pobres.
No levantamento feito entre 26 e 28 de maio, 46% dos entrevistados apontaram como ótimo ou bom o governo Kassab, um ponto percentual acima do índice de março -variação dentro da margem de erro da pesquisa, que é de três pontos.
O apoio à gestão atingiu seu pico no início de outubro do ano passado, com 61%, na semana seguinte ao primeiro turno da eleição, no qual Kassab ficou em primeiro lugar.
Desde o pleito, a aprovação vinha em queda até atingir os 45% de março, índice semelhante ao do início de setembro do ano passado.
Disseram considerar ruim ou péssimo o atual governo 19% dos entrevistados. Em março, índice era de 23%. Mais uma vez, a variação ocorreu dentro da margem de erro da pesquisa.
A pesquisa Datafolha ouviu 1.091 moradores de São Paulo com mais de 16 anos de idade.

Segmentos
O apoio à gestão Gilberto Kassab entre os entrevistados com renda de até dois salários mínimos passou de 39% para 45% -no limite da margem de erro. A reprovação nesse mesmo segmento caiu sete pontos, de 28% para 21%.
Já entre os entrevistados com ensino superior, a aprovação caiu de 57% para 49% e a reprovação variou seis pontos para cima, de 12% para 18%.
Desde o início do mandato, Kassab sempre teve melhores índices de aprovação entre os eleitores mais ricos e mais escolarizados. Conquistou o apoio dos mais pobres e de menor escolaridade somente no período eleitoral.

Desgaste
Nestes pouco mais de dois meses entre a pesquisa de março e a atual, a gestão Kassab enfrentou desgaste pelo atraso na distribuição dos uniformes para alunos da rede municipal e pelas falhas na varrição das ruas no centro da cidade.
O prefeito também foi atingido por acusações do Ministério Público sobre supostas irregularidades em suas contas de campanha em 2008.
Por outro lado, neste período foi anunciada uma linha de “metrô leve” que ligará a Vila Prudente à Cidade Tiradentes (zona leste).
Também foi realizada, no início de maio, a quinta edição da Virada Cultural, que reuniu 4 milhões de pessoas, segundo a prefeitura.
Parte da aprovação ao governo pode ser atribuída à propaganda. Nos primeiros cinco meses de 2009, Kassab gastou R$ 32,2 milhões em publicidade e já reservou mais R$ 45,1 milhões para este ano.

20/05/2009 - 09:41h O PSDB abandonou sua intenção de privatizar a Petrobrás?


“Em qualquer outro lugar do mundo, todos estariam interessados em preservar a Petrobrás. No Brasil, temos uma parte da oposição que está, talvez, com reminiscências de tentativas frustradas anteriormente, de privatizar a Petrobrás e, agora, estão tendo uma recaída”
, declarou Ideli Salvatti (senadora PT-SC).

A frase provocou uma reação irritada dos tucanos e de FHC.

Segundo nota distribuída à imprensa ontem, FHC declara que o PSDB “como qualquer brasileiro decente, deseja apenas saber se há ou não deslizes graves na administração da companhia”. Como qualquer brasileiro decente deseja saber se a governadora Yeda Criusus, do PSDB de Rio Grande do Sul, cometeu ou não as gravíssimas acusações feita contra ela pelos seus próprios correligionários, é o PSDB recusa toda e qualquer CPI; o “brasileiro decente” e os motivos invocados por FHC são argumentos de circunstância.

Pode-se levar a serio a afirmação, também contida na nota, negando qualquer vontade privatizadora da Petrobras por parte dos tucanos, como real motivação da CPI?

Dois fatos, públicos e notórios, permitem duvidar da palavra dos dirigentes do PSDB. Durante a campanha de 1998 FHC reiteradamente negou qualquer mudança no sistema de paridade do Real com o Dólar, desvalorizando o Real imediatamente após ter sido re-eleito. A crise de 1998-1999 teve como consequência um aumento do número de pobres em 1,8 milhão (ver Apesar da crise, cai o número de pobres no País) e torrou uma boa parte da riqueza nacional. A palavra de FHC, como se viu na época, serviu para um grande estelionato eleitoral.

O segundo fato, aparentemente menos grave, porem não menos esclarecedor sobre o valor da palavra tucana, foi a carta assinada por José Serra assumindo o compromisso, se eleito, de cumprir seu mandato a frente da Prefeitura, a qual abandonou como era sua intenção, 1 ano depois.

Mas o que pesa mais na desconfiança sobre as intenções reais dos tucanos em relação a Petrobras, alem dos seus compromissos ideológicos em favor das privatizações e do Estado mínimo, é que a vontade de privatizar a Petrobras já foi tentada durante o segundo mandato de FHC, com o surrado argumento que, sendo a Petrobras empresa com capital em bolsa, ela já era quase privada. A venda do controle do governo permitiria simplesmente assegurar os recursos que a empresa precisaria para poder se modernizar. A mudança do nome Petrobras, para Petrobrax, era o primeiro passo.

O projeto mudava o nome da Petrobrás para PetroBrax, sob o argumento de que seria melhor para internacionalizar a empresa. Diante da reação negativa, o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu voltar atrás, apesar de o presidente da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul ter insistido. Joelmir Beting, explicava “A Petrobras era uma empresa nacional de petróleo. A Petrobrax será uma corporação transnacional de energia. Eis como o presidente da estatal, Henri Philippe Reichstul, explica e justifica a adoção, pela Petrobras, da marca corporativa Petrobrax. Sim, sem abrir mão da razão social Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras)” (O Globo 29/12/2000)

Emir Sader, no seu blog, relembra: “Na crise de 1999, subiram as taxas de juros a 49%, para tentar segurar o capital especulativo e impuseram uma recessão de que a economia só voltou a se recuperar no governo Lula. Entre as cláusulas secretas da Carta de intenções assinadas nesse momento, a imprensa revelou que constava a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica.”

FHC talvez seja o porta-voz menos indicado para dar crédito a ideia que o PSDB renunciou a toda e qualquer vontade de privatizar a Petrobrás. Ele que não hesitou em rasgar a própria constituição para se autorizar um outro mandato de presidente, mesmo após ter jurado fidelidade a Carta Magna, parece não ter, aos olhos do povo brasileiro, as credenciais necessárias para dar valor a palavra empenhada. LF

12/05/2009 - 11:28h O “fator” Serra

O governador de São Paulo voltou a desancar a atuação do Banco Central. O tucano já tinha manifestado sua oposição à política do Copom meses atrás, questionando incluso a própria independência operacional da instituição. Como ainda falta muito para às eleições presidenciais, o discurso fica só como palavras ao vento e não provoca estragos.

A crítica de Serra ecoa a do vice-presidente José Alencar e a do próprio Lula, lamentando o patamar da taxa Selic. Nenhuma palavra, porem, para saudar o fato que essa taxa é hoje a menor da história.

Mas o que é mais significativo é o silêncio de Serra sobre a postura do seu partido em relação a remuneração da poupança, contraditória com a pretensão de forçar uma brusca queda dos juros (ver artigo de Bresser-Pereira em Bresser-Pereira denuncia a perversa aliança entre grandes rentistas e a classe média de pequenos poupadores). Silêncio que se estende ao fato do país ser saudado, junto com a China, como melhor posicionado perante a crise. Entre outras coisas, como disse o prêmio nobel de economia Joseph Stiglitz, por ainda ter margem para abaixar os juros, diferentemente da Europa e os EUA que esgotaram esta possibilidade para irrigar a economia.

Imaginem só o que teria acontecido se no momento da brusca contração do crédito que atingiu o mercado e nas semanas seguintes, o BC tivesse abaixado bruscamente a taxa Selic. O país teria combinado uma massiva fuga de capitais que ainda hoje estariam receosos para voltar, com um recrudescimento da inflação alimentada pelo vigor do mercado de consumo vitaminado pela política econômica do governo federal. Seguramente a medida teria alimentado o setor industrial voltado para o consumo interno, mas seu efeito teria sido de curta duração e os famosos “fundamentos” ficariam a meio-termo comprometidos.

Vale lembrar que os tucanos também questionaram na época a política de crescimento das Reservas cambiais praticadas pelo BC, Reservas que junto com os fundamentos sadios da economia, permitiu que a crise ficasse contida no país.

O que diferencia, porem, a voz de Serra, do coro generalizado em favor da taxas de juros ainda menores -eu sou a favor de juros bem mais baixos, a Fiesp e José Dirceu também, até Meirelles deve ser favorável- é o intervencionismo que ele apregoa. A piada com a que Vinicius Torres começa seu artigo hoje (ver mais embaixo) é significativa do risco pressentido pelo “ativismo” errático de Serra.

Na verdade, nenhuma visão coerente da economia está por trás das injunções de Serra. A crítica procura esconder com linguajar mais a esquerda, a política centralmente de centro-direita que o governador prática e defende. O mesmo acontece com o apoio verbal que ele prodiga à política social do governo Lula, duramente atacada pelos demo-tucanos durante todos estes anos. Trata-se de uma simples tentativa de se apossar do discurso alheio.

No que concerne a realidade, e não o discurso, a postura do governador está retratada na sua oposição ao programa habitacional do governo federal, na sua recusa em desonerar o setor da construção, no seu descaso com a remuneração da Polícia, dos professores ou do pessoal da saúde. Na sua persistente arrogância e autoritarismo no trato de qualquer reivindicação social no Estado. Ela está presente também, na sua política de privatizações, de desmonte do Estado e no seu desprezo pela política de recuperação salarial dos servidores públicos praticada pelo governo federal.

Luis Favre

08/05/2009 - 10:36h Aviso aos navegantes

http://www.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2008/01/central_de_boatos_1.JPG

Minha pessoa é objeto, de tempo em tempo, de campanhas caluniosas e de boatos insidiosos, particularmente espalhados na classe A, visando atingir minha reputação. Quando se trata de calunias públicas, processo os seus autores. Mas nada posso fazer contra boatos, salvo desmenti-los.

Esta campanha procura jornalistas para espalhar rumores e mentiras em relação a minha pessoa, contando com a cumplicidade dos profissionais da mídia para ver se repercutem à boataria da qual sou alvo.

Os verdadeiros jornalistas verificam as informações comigo e descartam a manipulação e as inverdades. Outros preferem dar vazamento, pois alimentam assim seus leitores.

Meus amigos e os que me conhecem sabem que trata-se de inverdades.

Quem pode estar interessado em me atingir e manchar minha credibilidade?

Provavelmente os que se sentem incomodados pelo que escrevo neste blog e pela minha ação política.

Saibam que ela continuará inalterada, apoiada em minhas convicções e em mais de 40 anos de militância política.

29/04/2009 - 08:57h O retorno do Pitta: Kassab e Serra poem trilhos rumo a 2012, com parada em 2010

http://campanhanoar.folha.blog.uol.com.br/images/03inpittablog.jpg

O “Fura-Fila” volta a ocupar o lugar previsto quando foi lançado por Celso Pitta: servir de marketing eleitoral para 2012.

Ontem mesmo, enquanto José Serra e Gilberto Kassab “vendiam” sua nova versão moderna “sobre trilhos”, o JT e o Estadão informavam que após 5 anos a dupla “modernista” não tinha construído um único corredor de ônibus exclusivo e utilizado apenas 40% das verbas previstas por eles mesmos, para os corredores. (ver “Gestão” Kassab: o abandono do transporte público)

A ideia comum a Pitta e Kassab é a do produto vitrine, não resolve os problemas e nem melhora para valer a falta de investimento no transporte público, mas permite que a TV mostre a obra com comentários dos eventuais beneficiados pelo trajeto. Um pouco como a linha 5 do metrô. Nada contra a linha 5 e nada contra concluir e melhorar se possivel o mostrengo de Pitta. Nada pior que obra abandonada ou parada.

O Estadão de hoje tem razão “agora o fura-fila vai ganhar trilhos” disse a sua manchete do caderno Metrópole. Diferente da Folha, que proclama “após 11 anos, Kassab desiste do Fura-Fila”.

Na apresentação dos “trilhos” para 2012, José Serra exclamou que os corredores são “vagadores”, em referência inconsciente ao fato de nenhum ter andado nos 5 anos em que comandam São Paulo.

Com o genial argumento que quando não tem farol o transporte é mais rápido, pretendesse justificar ao mesmo tempo não ter feito nenhum corredor de ônibus até agora e os trilhos para 2012. Pena que ninguém na sala perguntou que sendo tão verdadeira está afirmação, como o governador explica que em 14 anos de governos tucanos tão pouco metrô tenha sido construído?

Mas ninguém perguntou, sequer, se a sua exclamação implicava se, fora o fura-fila, nenhum corredor seria feito? Ou se todas as outras regiões teriam corredores elevados sobre trilhos?

Os corredores elevados e sobre trilhos encarecem a obra, em relação a todos os outros corredores necessários na cidade, por isso é uma manipulação comparar seu custo ao do metrô e não ao dos outros corredores, que sendo exclusivos e planejados, significam um ganho importante de tempo para os passageiros.

O engraçado de toda esta história é que o Estado vai repassar à prefeitura R$1 bi para o projeto, o equivalente ao suposto R$1 bi que a prefeitura passou ao Estado para o metrô. Será que vão nos fazer de novo a foto do cheque entre os dois, um devolvendo ao outro o cheque anterior, agora para a campanha de 2010? Ou tudo sera dedicado a campanha de 2012?

“É o super-homem? é um avião? Não é o fura-fila na nova versão.

Luis Favre

15/04/2009 - 18:36h Já tenho 2 anos

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O blog cumpriu 2 anos. Primeiro no Blogger da Google, desde 14 de abril de 2007 até fevereiro de 2008, quando passou para o IG. Desde a chegada ao IG, até hoje, 1.950.000 leitores acessaram ao menos uma vez este blog (antes eu não tinha como saber o número de leitores).

O número de leitores diários foi progredindo desde o início e no mês passado o blog atingiu quase 8.500 leitores em média, por dia.

Desconheço o número de leitores de outros blogs semelhantes, e suponho que os mais conhecidos tenham um índice bem superior de frequentação. Mas para mim, este resultado esta bem acima do que podia imaginar. É isto é graças a fidelidade de muitos de vocês e provavelmente da propaganda que vocês fazem deste blog.

Em tudo caso o parabéns é para todos nós, pois o blog é uma construção coletiva, minha e dos leitores e comentadores que frequentam este espaço.

Neste momento particular de minha vida, este reconhecimento é uma poderosa alavanca de esperança e de encorajamento a prosseguir meu trabalho, qual é  compartilhar minhas leituras e minhas opiniões, acolhendo as de vocês.

Humildemente obrigado.

Luis

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corrigido após intervenção de raphael j

13/04/2009 - 10:29h Internet Total: Portland é a segunda cidade dos EUA a ter cobertura WIMAX disponível para seus habitantes

O caderno LINK, do jornal O Estado de São Paulo, traz hoje uma interessante reportagem sobre Internet sem fio na cidade de Portland, no Oregon (EUA). Reproduzo a seguir a introdução do trabalho feito pelos repórter do Estadão. O caderno comporta vários artigos sobre o assunto e também uma entrevista de Greg Welch, diretor de portabilidade da Intel (a entrevista será postada acima). Vale a pena conferir o conjunto dos artigos no caderno Link.

Esta questão está longe de ser uma simples questão de tecnologia. Ela é uma questão central da construção do futuro das nações. Mas ela concerne também a questão da exclusão digital, como instrumento da perpetuação da desigualdade social.

Como este tema esteve presente na última campanha eleitoral em São Paulo, ele ainda suscita polemicas acaloradas. Os mesmos que foram contra a construção do CEU, contra a implantação do Bilhete-Único, contra a distribuição de uniforme e material escolar gratuito nas escolas municipais, contra a construção da Ponte Estaiada; foram adversários ferozes da proposta de implementar internet sem fio gratuita na cidade.

Podem apostar, que do mesmo jeito que após combaterem as propostas foram obrigados a aceitá-las, assim procederão com a questão da proposta defendida por Marta Suplicy. Só que, não tendo a questão da inclusão social como eixo da suas atuações políticas, a apropriação das ideias procura emascarar o esvaziamento do conceito e do conteúdo. Assim os CEU ainda aguardam “os outros módulos” (ou seja não tem teatros, não tem aulas de música etc.), os uniformes nunca chegam a tempo e a Ponte vira cartão-postal, mas a favela do lado e que devia ser substituída por habitação popular, ainda aguarda.

Boa leitura e a luta prossegue em favor da inclusão digital. Internet gratuita e sem fio é possivel. LF

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Após Portland, repórter se sente um “sem-internet”

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01/04/2009 - 16:01h Cresce o número de leitores do blog

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Como todo mês, hoje é dia de balanço do blog.

Março marca uma real retomada no número de leitores do blog, após o período de ferias. O fato marcante é o crescimento na quantidade de leitores diários do blog. No mês, foram quase 8.500 pessoas por dia, em média, as que acessaram. Nas duas últimas semanas este número foi crescendo, atingindo o pico ontem, com 12.054 leitores. O menor número foi registrado em 1° de março com 5.604.

Os leitores são de 153 países, majoritariamente de Brasil, mas também -pela ordem do número de leitores-, de Portugal, França, Estados-Unidos, Espanha, Argentina, México, Inglaterra, El Salvador e Japão. Teve também leitores de Cazaquistão.

Os leitores no Brasil são de 268 cidades em todos os Estados. também pela ordem, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Campinas (SP), Curitiba, Recife, Porto Alegre e Goiânia. Teve também em Capanema, Registro, Colinas de Tocantins, Torres e Alenquer.

Para todos, meu agradecimento e obrigado por frequentar este espaço. O aumento não foi só no número de leitores, mas também no número de comentários. Talvez tenha ajudado o fato de ser eu mais estrito na moderação dos mesmos, eliminando os provocadores e trolls, o que deve permitir que as pessoas se sentam mais à vontade para comentar.

As que mais participam são as mulheres, o que não é de estranhar, pois são mais decididas e arrojadas que nós, homens. Isto quando conseguem se afirmar contra o machismo excludente. Têm mulheres que devem esconder dos maridos ou pais que participam de blogs ou navegam na internet, pois estes falocratas consideram que elas podem sucumbir a tentações perigosas. É verdade, o “perigo” é delas conseguirem ser livres dos machistas e falocratas!

Uns dos problemas que encontrei é em relação aos diferentes artigos que trataram da questão do programa “Minha Casa-Minha Vida”. Foram de longe os que mais receberam comentários, a maioria solicitando esclarecimentos. Aparentemente alguns leitores leram um ou outro dos artigos, não todos eles, é formulam perguntas que às vezes estão respondidas em outro artigo sobre o assunto. Eu mesmo reproduzi nos comentários algumas dessas respostas para tentar ajudar. Eu sei, porque vivi na própria pele, o drama dos que aspiram como grande sonho a ter uma casa. Minha mãe repetia todos os dias que a única coisa que desejava na vida era “uma casinha com um teto” (a frase ela dizia em idisch, não em castelhano; era “a shtivele mit a dach”). É que onde morávamos quando eu era criança, alugando um comodo para nossa família de seis, em um cortiço de Buenos Aires, as goteiras eram tão numerosas que quando chovia era um verdadeiro concerto polifônico. Talvez por isto tenho reproduzido e continuarei a reproduzir todo o que ajude a esclarecer o alcance do programa, como proceder para fazer parte etc.

O mesmo motivo me leva a ser absolutamente intolerante com a politicagem que leva o governador Serra a dar as costas ao programa federal, para evitar que Dilma e Lula possam tirar crédito do mesmo. Não seria o caso os movimentos de moradia, os sindicatos, as entidades do setor organizar abaixo-assinados e protestos para obrigar o governo estadual e a prefeitura de São Paulo a assumir o programa? Vimos que a Prefeitura de Campinas já apresentou proposta ao Ministério da Cidades e à Caixa, para deslanchar as novas construções quanto antes. Empresas tem projetos prontos e aguardam só um sinal da prefeitura ou do Estado. As pessoas querem começar logo as inscrições e às prefeituras devem acolher já os inscritos e fornecer todas as informações. Aqui eu continuarei a fazer o que esteja ao meu alcance.

Mesmo recebendo relativamente menos comentários, tenho a impressão que as músicas, vídeos, poemas e contos, fotos e pinturas assim como a agenda cultural em geral tem grande aceitação dos leitores do blog. Considero uma dimensão essencial para nossas vidas, quase tão ou mais importante ainda que os demais temas que aqui publico. Eles são indispensáveis e continuarão a ganhar espaço, na medida das minhas possibilidades.

Penso estar melhorando meu português, mas reconheço que estou longe do que razoavelmente os leitores merecem. No posso traduzir textos que reproduzo na língua em que os encontro, pois faço este blog sozinho. Temos problemas técnicos que o IG está tentando resolver e pelos meus próprios erros peço a todos desculpas; particularmente se no fogo da polemica tenho ofendido pessoalmente alguém. Meu objetivo não é agredir ninguém e sim contestar eventualmente posições ou atitudes.

Espero continuar contando com a apoio de vocês. Obrigado.

Luis Favre

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20/03/2009 - 09:43h Datafolha: uma marolinha na abrumadora aprovação ao governo Lula

A Folha publica hoje uma nova pesquisa Datafolha de avaliação do governo Lula e de intenção de votos para 2010.

Em relação a este último ponto, intenção de voto, fico com a opinião do Diretor do Datafolha: “Dilma é a única que sobe. O crescimento dela é contínuo desde março de 2008. A medida que vai se tornando mais conhecida e associada como candidata do presidente a tendência é que cresça.” (citado pela Folha, pag. A7).

A pesquisa mostra que Lula é aprovado pela maioria absoluta da população em todos os segmentos. Permanece inalterado o percentual dos que consideram seu governo ruim ou pessimo (são 8%). Já os que consideram o governo Lula ótimo e bom são 65%, tendo diminuído em relação a pesquisa anterior em 5 pontos, os quais aumentaram a faixa dos que avaliam o governo como regular (a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos para + ou -).

Normal que isto aconteça em momentos em que o Brasil passa por um aperto gerado pela crise internacional, com impacto no emprego e na situação da indústria, particularmente o setor exportador.

Como curiosidade da pesquisa, a concordança da metade dos brasileiros (quase a mesma taxa que na pesquisa anterior) com a frase do presidente Lula “o Brasil, se tiver que passar por um aperto, será muito pequeno”. Ou seja continua a percepção que a crise econômica mundial, que tal um tsunami arrasou com as principais economias do mundo, no Brasil comparativamente sera uma marolinha, exigindo talvez um aperto “muito pequeno” (entende-se comparativamente).

A curiosidade é que a força da propaganda contra outra frase de Lula -a da marolhinha- e que substancialmente disse o mesmo que a anterior, viu despencar a porcentagem dos que com ela concordam e aumentar de 11 pontos os que dela discordam. Curioso mas não surpreendente, pois a frase sobre a marolinha pronunciada quando a crise estava ainda cincunscrita aos países ricos, foi objeto de críticas, sarcasmo e campanhas televisivas negativas, já a outra frase não.

A verdadeira questão, em relação as eleições de 2010, não é se a crise acabará provocando um “aperto pequeno ou grande”. A questão é qual será a percepção da população sobre a ação do governo para enfrentar as consequências da crise. Evidentemente qualquer “aperto”, com impacto no emprego e renda, desgasta o governante. Isto é válido para Lula, mas também para José Serra ou Kassab. O que a população julgará, pois ela sabe que a crise não é resultado da situação da economia brasileira como era na época de FHC; é como e em defesa de quais interesses os governantes procederão ao “aperto”.

Neste quesito, por enquanto, o governo Lula tem mostrado que age com acerto para preservar os interesses da nação como um todo, incluindo empresários e trabalhadores, na procura de limitar o impacto da crise. Mesmo assim, tem diminuído à aprovação a atuação do governo no combate aos efeitos da crise (passou de 49% a 43%).

Por parte da oposição, mesmo com a benevolência de grande parte da mídia, não se percebe nenhuma ideia (nem para enfrentar tsunami ou marolinha). O encefalograma dos demo-tucanos não registra qualquer sinal vital, e suas principais vitrines -o Estado de São Paulo e sua capital- não parecem exemplos à favorecer seus titulares, Serra e Kassab. Seguramente o Datafolha avaliará proximamente a situação destas vitrines.

Não deixa de ser um extraordinário reconhecimento para o presidente Lula o infográfico da Folha comparando seus resultados na pesquisa, após 7 anos de governo, com os do Barack Obama, recem eleito: o mesmo percentual de ótimo e bom para ambos.

Luis Favre

01/03/2009 - 16:14h Balanço de fevereiro

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O mês de fevereiro é um pouco atípico em relação à frequentação do blog. Ferias e carnaval seguramente reduzem o número de leitores, porem fiquei surpreso de constatar que 6 mil pessoas acessaram o blog a cada dia, neste mês.

É para mim particularmente reconfortante, neste momento, saber que meu trabalho e as questões que avivam meu interesse e que estão volcadas neste blog, são compartilhadas por vocês.

Em fevereiro os leitores foram originarios de 144 países, a maioria do Brasil, seguidos de Portugal, França, Estados-Unidos e Espanha.

Aqui no Brasil (pessoas de 262 cidades acompanham o blog), eles são majoritariamente de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Campinas (SP), Curitiba, Recife, Porto Alegre, Goiânia, Fortaleza, Guarulhos (SP), Santo André (SP), Ribeirão Preto (SP), Osasco (SP), Florianópolis e Santos (SP).

As páginas mais visitadas são as que tratam de casa própria, aumento do salário mínimo, aniversário da greve da CSN, a nova ortografia do português, licencia maternidade e aumento das passagens de ônibus e metrô em São Paulo. Os tags mais acessados são Idesp, Inpc, Marta Suplicy, saúde, contos-eróticos e José Serra. Seguramente os vídeos são bastante vistos e ouvidos mas não tenho registro no mês de fevereiro, salvo para Sansão e Dalila.

Tenho aumentado o espaço para contos e poesias, que junto com a seleção de músicas, fotos e a arte em todas suas manifestações desperta na minha opinião cada dia maior interesse dos frequentadores deste blog.

Poucos comentários foram recusados, alguns spam, comentários nazistas, injuriosos, caluniosos ou provocadores. Alguns “trolls” frequentam o blog e alguns leitores gostam de responder as suas provocações. Eu dou boas risadas, pela mistura de indigência intelectual e persistência provocativa que os trolls manifestam nos seus comentários. mas evidentemente não levo a sério e suponho que a maioria dos leitores deste blog reagem como eu.

Não sei se meu português melhorou ou piorou, mas continuo fazendo esforço para corrigir e aprimorar minha escrita. Sei que pode ser muito desagradável para os leitores se deparar com o maltrato da língua que meu escasso conhecimento provoca. Peço desculpas.

Também peço desculpas por não proceder a traduções dos artigos que reproduzo aqui em outros idiomas. Eu faço o blog sozinho e não tenho tempo para fazer tradução dos textos. Os que podem ler esses artigos espero que aproveitem e os outros devem pular e não me xingar, pois não é por snobismo que eles estão na versão original.

Os artigos assinados por mim são da minha responsabilidade, assim como a seleção que apresento das minha leituras. A reprodução delas aqui não significa que concorde parcial ou totalmente com os conteúdos e sim que julgo interessante conhecer essas abordagens feitas por diversos autores e jornalistas.

As criticas, sugestões e opiniões são bem-vindas e ajudam a levar à frente este projeto.

Obrigado

Luis Favre

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