06/09/2008 - 20:07h Municipais: uma onda em favor do governo federal

A nova rodada de pesquisas Datafolha, assim como as últimas do IBOPE e de outros institutos, permitem estabelecer um panorama geral da situação eleitoral no país, a um mês do escrutino municipal.
Virou lugar comum destacar que às eleições municipais respondem a uma lógica local. Mas, sem perder essa característica, o voto em 2008 reflete com maior peso esse dado local, pelo fato que a oposição desertou completamente do ataque ao governo Lula, abandonando nas suas campanhas qualquer conteúdo oposicionista.
Ao mesmo tempo que a oposição foge do confronto político federal, o que ela não fez em 2004, a avaliação positiva do governo Lula tem favorecido, sem lugar a dúvidas, os candidatos identificados com a base de apoio do presidente. Não é por outro motivo que Aécio Neves, amparado no acordo com o prefeito de BH, Fernando Pimentel, propulsa Marcio Lacerda ao topo das preferências eleitorais na capital mineira e procura se projetar no plano nacional como eventual presidenciavel surfando nas suas “boas relações” com Lula.
Interessante também é a evolução do eleitorado da capital paulista. Os tucanos foram vitoriosos aqui, nas eleições municipais de 2004, no primeiro e no segundo turno. Ganharam as eleições estaduais no primeiro turno de 2006 e foram vitóriosos no primeiro e no segundo turno das presidenciais com Alckmin. A única vez em que o PT venceu contra um candidato tucano foi na eleição presidencial de 2002 quando Marta era prefeita e Lula derrotou Serra no primiero e no segundo turno.
Agora, até quase finais de julho o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, aparecia empatado com Marta no primeiro turno e vitorioso nas simulações do segundo turno. A situação mudou depois e ele aparece hoje com apenas a metade dos votos de Marta no primeiro turno e empatado no segundo. O favoritismo tucano, amparado nas máquinas Estadual e municipal, na identificação de uma boa parte da elite empresarial com o PSDB, no apoio dos principais veículos de informação e no conservadorismo de um setor das classes médias, está diminuindo.
Hoje as relações das forças eleitorais na cidade de São Paulo estão mais equilibradas e mesmo contando com as mesmas bases de apoio, o favoritismo tucano já não é tão evidente. É bom lembrar que nas únicas duas vezes em que o PT ganhou eleições municipais em São Paulo, primeiro com Erundina e em 2000, com Marta, o confronto decisivo não foi com os tucanos. No primeiro caso, quando não tinha dois turnos, um terço dos votos foram suficientes para Erundina vencer Maluf (hoje PP) e Leiva (PMDB). No caso de Marta em 2000, sua vitória contra Maluf contou com o apoio de Mário Covas e do PSDB (mesmo assim Maluf obteve 42% no segundo turno).
Voltando ao plano nacional, com exceção de Curitiba, em nenhuma capital os tucanos estão relativamente tranqüilos. Em alguns casos até se apresentam respaldando o presidente Lula, como em Salvador. Em outros enfrentam divisão, como na manifestação do vice-governador tucano de Espírito Santo que apóia publicamente o candidato do PT João Coser em Vitória.
Em 2000 uma “onda vermelha” venceu em várias capitais antecipando e propulsando o movimento que levaria Lula à presidência em 2002. O PSDB e os partidos aliados ao governo FHC mantinham a maioria nas capitais, mas o impacto político da “onda vermelha” foi indiscutivel. Politicamente as eleições municipais de 2000 foram uma derrota dos tucanos e uma vitória importante do PT e da esquerda.
Em 2004 os resultados, com as derrotas significativas do PT em São Paulo e Porto Alegre, significaram um golpe político sério, porém sem mudar substancialmente as relações de forças eleitorais. Mas permitiram a oposição se sentir com asas para tentar desestabilizar o governo federal, o que fizeram em 2005 e até a reeleição de Lula em 2006.
É bom não esquecer também que mesmo com a vitória esmagadora de Lula no país em 2006, o PSDB conquistou no primeiro turno o governo estadual com José Serra, vitorioso no Estado e na cidade. Além de ganhar o governo estadual em Rio Grande do Sul, Alagoas, Minas Gerais etc.
A derrota dos tucanos nas eleições presidenciais em 2006 e as vitórias obtidas na luta contra a desigualdade social, na melhora da renda, do emprego, das oportunidades de estudos e na expansão da economia, levaram ao contexto favorável atual.
Por tudo isso, paradoxalmente, é em São Paulo que a disputa será mais difícil e onde vai se concentrar o fogo dos que procuram preservar o tucanato como força hegemonica no Estado e na cidade.
Aqui a eleição será decidida voto a voto e os que torcendo pela vitória de Marta, esperam que ela se faça sem o engajamento militante de todos os torcedores, estão imbuídos de ilusões e deveriam começar a se mexer e a participar ativamente na campanha.
Luis Favre












