15/06/2008 - 23:51h Brasil busca supervacina dos trópicos

País desenvolve imunizante inédito contra malária e febre amarela

http://www.salesdantas.com/painel/banco/vacina%20contra%20aids%202.jpg

Roberta Jansen – O Globo

Se tudo correr conforme o previsto, dentro de alguns anos o Brasil poderá conseguir vencer um dos maiores desafios mundiais na área da imunologia: o desenvolvimento de uma supervacina tropical contra a febre amarela e a malária, uma das doenças que mais matam no mundo e contra a qual nunca se conseguiu obter um imunizante eficaz.

Uma pesquisa inédita conduzida no Instituto Oswaldo Cruz (IOC) conseguiu produzir vírus recombinantes de febre amarela que seriam capazes de imunizar também contra a malária.

Uma vacina capaz de proteger ao mesmo tempo contra duas graves doenças que ocorrem em zonas geográficas semelhantes seria um avanço dos mais significativos em termos de saúde pública alcançados no mundo nas últimas décadas. E a idéia de reunir as duas num único produto partiu justamente da constatação de a vacina contra a febre amarela ser uma das mais bem-sucedidas do mundo há décadas enquanto que todas as tentativas de se criar um imunizante para a malária não vão adiante.

Gene do parasita se une ao vírus

Feita a partir de vírus atenuado, a vacina contra a febre amarela é usada com sucesso no Brasil há 80 anos. Foi com ela que o país conseguiu erradicar a doença dos centros urbanos e controlá-la na maior parte do território nacional.

— Atualmente essa é uma das vacinas mais exploradas pelo pessoal que trabalha na área da imunologia — conta a pesquisadora Myrna Cristina Bonaldo, do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC, responsável pela linha de pesquisa. — Por ser tão eficaz, com um percentual de proteção muito alto, as pessoas tendem a estudá-la para entender de que forma um bom imunizante induz uma resposta protetora. Então a nossa idéia é justamente usar uma vacina que tem boa performance para imunizar contra um doença cujos imunizantes até agora não conseguiram proteção.

O desenvolvimento de uma vacina contra a malária representa um grande desafio para os cientistas porque o parasita causador da enfermidade adota diversas formas ao longo do ciclo da doença no organismo humano e apresenta vários mecanismos de escape às defesas produzidas. Além disso, o uso do próprio parasita atenuado como vacina (técnica mais comum na produção de imunizantes) mostrou-se inviável. Os cientistas partiram então para a identificação de moléculas de proteínas do parasita capazes de induzir uma resposta imunológica.

O grupo de Myrna conseguiu inserir no vírus da febre amarela genes do Plasmodium falciparum. Com isso, o vírus recombinante passou a fabricar proteínas do parasita, além das proteínas virais que já produzia. A idéia é que, a exemplo do que ocorre com a vacina simples da febre amarela, uma vez exposto às proteínas do parasita, o organismo tenha capacidade de montar uma resposta imunológica mais eficaz no caso de uma infecção.

— Agora estamos fazendo testes pré-clínicos, vendo como o vírus prolifera e se é eficaz — afirmou Myrna. — Em estudos iniciais com camundongos queremos ver se os animais apresentam uma resposta contra a febre amarela e a malária, se há a formação de anticorpos.

Dependendo dos resultados que obtivermos, começaremos a expandir os testes, inclusive em macacos.

Entre os próximos passos está a obtenção de um vírus recombinante também para o Plasmodium vivax.

O grupo trabalha também, numa linha de pesquisa paralela, com a criação de um outro vírus recombinante, dessa vez para atuar contra febre amarela e dengue. Embora nesse caso os resultados sejam ainda mais incipientes, fica a esperança de, no futuro, se conseguir uma vacina contra as três doenças.

— Potencialmente é possível, mas ainda é muito cedo para falarmos disso — afirmou a pesquisadora.

Mais de um milhão de mortes

A malária é hoje a doença tropical que mais causa problemas sociais e econômicos no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Ela atinge as áreas mais pobres do planeta, sobretudo na África, produzindo mais de um milhão de mortes por ano — um número que só é inferior ao de óbitos causados pela Aids.

Além de não haver uma vacina contra a doença, os tratamentos disponíveis se encontram muito ultrapassados.

Por se tratar de uma doença que atinge majoritariamente áreas pobres do planeta, os investimentos em pesquisa de drogas e imunizantes são poucos. No Brasil são registrados cerca de 500 mil casos por ano, sobretudo na região amazônica, mas a letalidade é baixa no país, não chega a 0,1% do total.

A malária é uma doença infecciosa que ataca os glóbulos vermelhos do sangue, provocando anemia. Em casos mais graves, bloqueia a circulação, levando à morte.

A doença é causada por protozoários do gênero Plasmodium, introduzidos no homem através da picada do mosquito anófeles.

09/02/2008 - 13:46h CONCEIÇÃO LEMES: “UM VERDADEIRO CRIME CONTRA A SAÚDE PÚBLICA”

do Blog de Azenha, Vi o mundo

O texto abaixo nasceu de uma troca de mensagens que tive com a jornalista Conceição Lemes. Tanto quanto eu, ela ficou alarmada com o tratamento irresponsável que a mídia brasileira deu à epidemia de febre amarela, tão real quanto as armas de destruição em massa que até hoje são procuradas no Iraque. Dessa troca de mensagens nasceu a idéia de produzir um texto com o objetivo de fazer o que muitos não fizeram: bem informar o público. Por isso, convoco todos os leitores a disseminá-lo. E todos os blogueiros a reproduzí-lo. Quem quiser, imprima o texto.

Vou contar um causo verdadeiro para explicar que, mesmo que você não acredite, essa internet funciona. Fiz uma entrevista para o site com o dr. Granato, da UNIFESP. Na entrevista, pedi ao médico um conselho: minha mãe, de 83 anos de idade, moradora de Bauru, deveria ou não se vacinar? Minha mãe não lê o meu site. Porém, uma rádio de Bauru capturou o áudio da entrevista e colocou no ar. E minha mãe, ao ouvir a entrevista que fiz com o dr. Granato, finalmente se tranqüilizou e NÃO tomou a vacina, o que ela havia considerado fazer. Portanto, peço a vocês que tratem o artigo abaixo como uma peça de contra-desinformação.

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29/01/2008 - 09:25h Os resultados da febrilidade da mídia começam a aparecer



Crescem casos de reação à vacina

O Estado de São Paulo

Em uma semana, suspeitas passaram de 31 para 43

Fabiane Leite

Em uma semana, subiu de 31 para 43 o número de pessoas que possivelmente tiveram reação adversa à vacina contra a febre amarela. Como tem afirmado o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o total de casos em que a imunização pode ter sido prejudicial já é maior do que o de confirmações de febre amarela silvestre no País: foram 19 desde dezembro, com 10 mortes , segundo o último boletim. (…)

Leia mais no jornal O Estado de São Paulo

27/01/2008 - 17:14h ALERTA AMARELO: A GLOBO NOS TEMPOS DA DENGUE E DO APAGÃO ELÉTRICO


Do Blog Vi o mundo de Luiz Carlos Azenha

Atualizado em 21 de janeiro de 2008 às 13:26 | Publicado em 21 de janeiro de 2008 às 13:22

Um leitor deste site deixou nos comentários um texto publicado pelo jornal O Globo em editorial depois da fala do ministro José Gomes Temporão na TV: “As palavras tranqüilizadoras do ministro José Gomes Temporão sobre a febre amarela em cadeia nacional na noite de domingo, tem contra si a baixa credibilidade do governo. Se tantas vezes anunciaram que o apagão aéreo havia acabado, e não era verdade, porque não fariam a mesma coisa com a febre amarela?, pode-se perguntar o brasileiro ressabiado. Diante da maré de descrença, resta a Brasília abastecer postos de saúde com vacinas e não sonegar qualquer informação sobre o que acontecer com a doença.”

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27/01/2008 - 10:05h Jornalismo febril ou politicamente orientado?




Na edição de hoje, domingo, o ombudsman da Folha faz um balanço do tratamento dado pelo jornal Folha de São Paulo a questão da febre amarela.

Eu mesmo tenho tratado aqui no blog várias vezes deste tema, mostrando a maneira pouco responsável e extremamente “política” com a qual a mídia operou sobre esta questão nos primeiros dias de janeiro 2008. O ombudsman da Folha pesquisou a maneira como o jornal tratou deste tema nos diversos anos em que a febre amarela provocou vítimas no Brasil e descobriu o que muitos já imaginávamos: em 2001, ano em que a febre amarela matou 22 pessoas só no primeiro trimestre, o tema ocupou escassas linhas numa nota perdida no interior do jornal, nunca foi para a primeira página e nenhum pedido de explicação, nem entrevista, do ministro da saúde da época. Em tempo, o ministro era José Serra e o presidente não era Lula. A seguir o artigo do ombudsman publicado na Folha de hoje.
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23/01/2008 - 12:15h País vive ‘revolta da vacina’ às avessas


Fila para vacinação contra a febre amarela no Centro de Atendimento Integrado de Saúde (Cais) do setor Garavelo, em Goiânia (GO), nesta quarta-feira (15).


Há cem anos, pessoas fugiam da vacinação no Rio; agora, febre amarela leva até quem já foi vacinado a postos
Lígia Formenti – O Estado de São Paulo

A recente corrida da população pela vacina contra febre amarela já é comparada por alguns sanitaristas com um movimento que ocorreu em 1904 no Rio, conhecido como ‘revolta da vacina’. Porém, ao contrário. No século passado, a movimentação era para evitar a vacinação. Embora o governo garantisse, na época, que a imunização era segura, ninguém a aceitava. Agora, ocorre o inverso. Embora desde o início das mortes de macacos o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assegure que não há risco de surto, pessoas de todos os locais do País – mesmo em áreas consideradas livres do problema – insistem em ser imunizadas. E, em casos extremos, mais de uma vez.
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23/01/2008 - 09:50h Qual mosquito picou a mídia?



Uma luz nas motivações febris da imprensa

As questões levantadas sobre o pânico provocado pelo boato sobre “epidemia” de febre amarela são esclarecedoras sobre a maneira e os motivos pelo qual, uma boa parte da mídia, incentivou a “corrida” pela vacina.

Hoje o jornal O Estado de São Paulo entrevista o historiador José Murilo de Carvalho, tentando desvendar o motivo da população ter considerado que devia correr aos postos de vacinação. A resposta é ” desconfiança na palavra do governo”. O jornal limita-se a perguntar, com objetividade e as reflexões são do entrevistado.

Em 15 de janeiro, depois do pronunciamento em cadeia nacional do Ministro da Saúde sobre a questão, o editorial do Estadão concluía:

“Hoje, com a revolução da tecnologia, as informações de todo tipo, inclusive as científicas e as que dizem respeito à saúde e à higiene estão ao alcance até dos analfabetos. Mas, até por ter fácil acesso às informações de todos os dias que desmoralizam governos ao exporem a facilidade com que costumam enganar o povo, é perfeitamente compreensível a desconfiança da população, quanto a desmentidos oficiais de problemas. E isso vale tanto para desmentidos de risco de apagões como de risco de epidemias. Resta esperar que a população seja capaz de se convencer da ausência de risco com o conhecimento das notícias sobre o número ínfimo de casos confirmados de febre amarela.”

Um aberto chamado a desconfiar da informação e verdadeiro incentivo ao corre, corre.

Durante os primeiros dias de janeiro cada intervenção do Ministro da Saúde para transmitir informação clara e segura sobre o tema levava quase sempre o termo epidemia na manchete. “Ministro nega epidemia… após novos casos e mortes…”. A articulista Eliane Cantanhêde, da Folha, gritava com todas suas forças:

“Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem… Vacine-se logo! ”

Hoje o Estadão nos informa que “País vive “revolta da vacina”às avessas” e que “há mais gente com efeito colateral das doses do que com suspeita da febre”.

E a culpa seria do governo?

A “epidemia” de febre amarela e o “apagão” da eletricidade foram os grandes temas da mídia deste começo de 2008. Cada negação do governo era posta na conta de querer esconder a incompetência, negando a evidência. Tínhamos epidemia e não tínhamos luz esse era o mantra.

Agora já não temos epidemia, mas para alguns jornais ainda não temos luz, mesmo assim podemos pelo menos ler e saber como somos (des) informados.

Luis Favre

‘A população evoluiu nessa questão, o governo, não’

O Estado de São Paulo

Entrevista
José Murilo de Carvalho: historiador
Estudioso acredita que pessoas compreenderam a importância da vacina, mas ainda não confiam no discurso das autoridades

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22/01/2008 - 16:59h Ombudsman da Folha: Alarmismo do jornalismo sobre a febre amarela


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Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
O ombudsman Mário Magalhães

MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br

Quem sabe sabe

O artigo de Adib Jatene na seção Tendências/Debates reforça a impressão de que houve exagero e alarmismo no jornalismo brasileiro na cobertura sobre febre amarela.

22/01/2008 - 16:28h Pânico na população, difundido pela mídia, é desmontado por Adib Jatene




TENDÊNCIAS/DEBATES

Febre amarela

ADIB D. JATENE


A corrida pela vacina por pessoas que não precisam dela reduz a disponibilidade para os que efetivamente têm necessidade


NO PERÍODO em que estive à frente do Ministério da Saúde, tomei conhecimento da importância da relação entre dengue e febre amarela silvestre e o eventual risco da reurbanização desta última.
Desde 1942, não ocorreu nenhum caso de febre amarela urbana. Entretanto, persiste, e é impossível eliminar, sua forma silvestre.
É por essa razão que o Ministério da Saúde vem vacinando sistematicamente toda a população das áreas de risco, onde há ocorrência de casos humanos, adquiridos sempre nas áreas de mata. Já vacinamos, nos últimos 12 anos, mais de 60 milhões de pessoas.
Nas matas, existe alta concentração de mosquito transmissor e animais, principalmente macacos, portadores do vírus. Daí o risco de pessoas não vacinadas incursionarem em regiões com alta concentração de mosquito, onde alguns estão contaminados e, por isso, são capazes de transmitir a doença. Assinale-se que, nos últimos 12 anos, tivemos 349 casos confirmados, com 161 óbitos, todos adquiridos por pessoas não vacinadas que freqüentaram áreas de mata.
A incidência desses casos variou de ano a ano. Tivemos anos com apenas três casos, enquanto em outros, como 1999, 2000 e 2003, ocorreram, respectivamente, 76, 85 e 64 casos, com mortes de 29, 40 e 23 pacientes.

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20/01/2008 - 10:53h Jornais febris: surto de pânico na mídia cria “epidemia” inexistente

Valter Campanato/Agência Brasil

Pânico gerado pela mídia leva população a filas para vacinação. Foto cidade de Rio de Janeiro

“Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem… Vacine-se logo! ”

Eliane Cantanhêde, na sua coluna da Folha de São Paulo do 8 de janeiro 2008

6) As pessoas devem ou não se vacinar contra a febre amarela, que já fez pelo menos 11 vítimas, com sete mortes, em menos de um mês?
7) Ou é melhor se trancarem em casa nas férias de janeiro e fevereiro, no Carnaval e na Semana Santa, para fugir do risco? E por que a turma do Planalto se vacinou?


Eliane Cantanhêde, na sua coluna da Folha de São Paulo hoje

“Não se pode fazer vacinação preventiva de população de uma área só porque apareceram casos em pessoas que invadiram área de floresta ou passaram dias em ecoturismo. Isso não coloca em perigo a população das áreas que não estão com esse mesmo tipo de comportamento e, na minha maneira de ver, foi um erro estratégico do Ministério da Saúde”, afirmou
Luiz Hildebrando Pereira da Silva, diretor do Instituto de Pesquisas em Patologias Tropicais de Rondônia. “Não haveria a necessidade disso”.

Em férias na França, onde trabalhou por mais de 30 anos no Instituto Pasteur, Silva tem conversado com representantes do ministério. “Eu me informei e técnicos dão explicações de que às vezes são obrigados a atender a certas necessidades extremamente improváveis por questões de ordem psicológica, para mostrar que o ministério é capaz, para garantir tranqüilidade às pessoas.”

Até ontem, 31 pessoas já tinham apresentado reações adversas à vacina, principalmente em razão do recebimento de mais de uma dose em curto espaço de tempo, admitiu o ministério. “É exatamente esta uma das razões de não se poder usar a vacina sistemática”, afirma o especialista. Foi identificada até mesmo uma pessoa que recebe a vacina há quatro anos sistematicamente.

20/01/2008 - 10:29h Tendência é que casos de febre amarela se reduzam



ENTREVISTA – JOSÉ GOMES TEMPORÃO

Para ministro da Saúde, aumento da vacinação deve conter evolução da doença

ANGELA PINHO
JOHANNA NUBLAT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

FOLHA DE SÃO PAULO

Confrontado com uma escalada do número de casos de febre amarela no país e, ao mesmo tempo, com a corrida da população pela vacina, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirma que há “um clima de irresponsabilidade no país” e culpa a mídia por parte dele. Para Temporão, 56, setores dos meios de comunicação induziram a população a uma “interpretação equivocada” da doença. “O governo fala uma coisa e parte da imprensa estimula outra”, disse em entrevista à Folha, por telefone, na tarde de sexta-feira.
Apesar de afirmar que essa mesma mídia, para ele, precisa “esquecer a política com “p” pequeno”, o ministro nega sofrer pressão política e diz que o ministério não vai divulgar a lista de municípios em áreas de risco porque essa tarefa é dos governos estaduais e prefeituras.
Temporão voltou a negar a possibilidade de uma epidemia de febre amarela no país, disse que é nula a chance de casos urbanos e, diante da falta de vacina em alguns postos, prometeu que o problema será resolvido nesta semana.


FOLHA – O número de casos de febre amarela confirmados neste ano já é maior do que o do ano passado e o maior desde 2004. Por quê?

JOSÉ GOMES TEMPORÃO - Eu poderia fazer uma análise distinta. O número de casos vem diminuindo de maneira consistente desde 2000 e é bem menor do que em 2003. Isso tem a ver com a dinâmica de circulação do vírus em regiões de mata e com a entrada de pessoas não vacinadas nessas regiões. Todos os anos o Brasil apresenta casos de febre amarela silvestre porque nós temos matas, macacos, mosquitos e o vírus, circulando permanentemente nessas regiões. O que aconteceu, de uma certa forma, é que houve uma interpretação por algum motivo equivocada da população que desnecessariamente começou a procurar vacina mesmo não necessitando. (mais…)

20/01/2008 - 10:22h Especialista vê exagero em vacinação contra febre amarela

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Luiz Hildebrando Pereira da Silva entende que não deveria haver imunização contra a doença em áreas urbanas

Fabiane Leite – O Estado de São Paulo

Um dos maiores especialistas em doenças tropicais no mundo, o médico Luiz Hildebrando Pereira da Silva diz que o governo pode ter exagerado ao estender a recomendação de vacinação contra a febre amarela para além de áreas de matas, conforme instrução divulgada pelo Ministério da Saúde brasileiro. A recomendação do governo abrange também áreas urbanas. A vacina traz riscos, destaca, e deve ser administrada com cuidado.
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19/01/2008 - 16:07h Acho ergo est


 

René Descartes (1596 - 1650)

René Descartes (1596 – 1650)


Cogito ergo sum
(penso, logo existo), resumo do pensamento do filósofo francês Descartes, parece servir de inspiração a uma nova forma de jornalismo tupiniquim.

“Acho” ergo est, parece ser a divisa que parte do principio que a realidade é o que os articulistas ponderam nos jornais e danem-se os fatos.

O “mundo da fantasia” de Mauro Chaves (ver aqui Fantasia e realidade) é um exemplo dos mais recentes.

Outro exemplo é a pregação do “pânico” na questão da febre amarela. A articulista Eliane Cantanhêde, por exemplo, disse na sua coluna do 8 de janeiro 2008

“Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem… Vacine-se logo! ”

E depois de alguns parágrafos termina assim:
“O fantasma da febre amarela, portanto, paira sobre o país como um alerta num momento crucial, para que a saúde e a educação sejam preservadas antes de tudo o mais. Senão, Lula, o aedes aegypti vem, pica e mata sabe-se lá quantos neste ano –e nos seguintes. ”

A incidência da febre amarela nos últimos anos, porém, não autoriza esse “achismo” e não me consta que Eliane tenha escrito nada semelhante em 1999, 2000, 2001 ou 2003.

1996 – 15 casos

1997 – 3 casos

1998- 34 casos

1999 – 76 casos

2000- 85 casos e 42 mortes

2001 – 41 casos e 22 mortes

2002 – 15 casos e 6 mortes

2003 – 64 casos e 22 mortes – obs: 58 dos casos diagnosticados na região sudeste, principalmente MG

2004 – 5 casos e 3 mortes

2005 – 3 casos e 3 mortes

2006 – 2 casos e 2 mortes

2007 – 6 casos e 5 mortes

(fonte : Min.Saúde)

Outro exemplo é a reportagem da revista Istoé, nas bancas hoje, sobre as eleições a prefeitura de São Paulo. Chega a por aspas na suposta proclamação de candidatura de Marta Suplicy, quando é público e notório que o PT tomará sua decisão em função da conjuntura municipal em maio-junho e não de cálculos “futuristas” sobre 2010.

Neste caso o “acho”, combinado com anônimas fontes é uma “aposta”. Como na roleta com a cor vermelho ou preto, a candidatura da Marta também só tem duas opções. As probabilidades de achar certo são tão grandes como as do achar errado. Sempre poderá se argüir que o prognóstico não estava errado e que o candidato mudou de idéia.

Luis Favre

19/01/2008 - 00:44h Febre de pânico: País tem 31 casos de superdosagem de vacina contra febre amarela, dois em estado grave


da Folha Online

O Ministério da Saúde comunicou na noite desta sexta-feira o registro de 31 casos de pessoas que tiveram reações adversas à vacina contra febre amarela por superdosagem. Estas pessoas, segundo a pasta, tomaram uma nova dose de vacina antes que a anterior expirasse –o prazo de validade da imunização é de dez anos, sem necessidade de reforço. Em dois destes casos, os pacientes estão internados em estado grave.

Em Brasília, uma mulher de 36 anos está internada no Hran (Hospital Regional da Asa Norte), com suspeita de reação à vacina. Ela respira com auxílio de aparelhos.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a mulher vive em Riacho Fundo 2 e chegou ao hospital com “quadro de dificuldade de andar e episódios de desmaio”, evoluindo para “um estado grave com paralisia dos membros inferiores, posteriormente superiores e dispnéia [dificuldade de respirar]“.

Para a equipe médica que a acompanha, ou ela sofreu reação à vacina ou desenvolveu um processo infeccioso agudo ou tem síndrome de Guillain-Barré. Os resultados dos exames que identificarão o problema devem ser divulgados na semana que vem.

Os sintomas de reação à revacinação são febre, dor de cabeça, vômito, enrijecimento dos músculos e problemas neurológicos.

O Ministério da Saúde recomenda vacinação apenas a pessoas que vivem em áreas de risco ou que irão visitá-las em breve e que não são vacinadas contra a doença desde 1999.

Desde o começo do ano, houve 11 casos confirmados de febre amarela no país, dos quais sete evoluíram para a morte. O caso mais novo foi confirmado nesta sexta, pela Secretaria Estadual de Saúde de Goiás. Em nota, a pasta afirmou que a paciente é uma jovem de 19 anos, da cidade de Pirenópolis, que já teve alta.

18/01/2008 - 09:50h Febre de pânico


por Alexandre Xavier

Valter Campanato/Agência Brasil

“Brasileiro não só gosta de fila, como também gosta de tomar injeção”

 

Atravessei a fronteira do Distrito Federal com Goiás no início do ano sem estar vacinado contra a febre amarela. E não estou febril e nem morri. Pensei em compartilhar esse relato com as pessoas que faziam fila em frente a um posto de vacinação do Rio de Janeiro nesta segunda-feira, mas iam me chamar de suicida. E eu ia chamá-los de malucos, já que o risco de se pegar febre amarela no centro do Rio é inexistente e, mesmo sem viajar para as áreas de risco, muita gente esperou HORAS para ser vacinado à toa.

 

Depois de ver a reportagem da Globonews com a posterior cara de preocupada da apresentadora, cheguei à seguinte conclusão: brasileiro não só gosta de fila, como também gosta de tomar injeção. Qual a outra explicação? Medo? De fato a febre amarela é o principal assunto da mídia brasileira em 2008. É papel dela alimentar o pânico na audiência para vender mais jornal (só lembrar que quando o PCC “sitiou” São Paulo, os sites de notícia ficaram entupidos, quando o avião da TAM explodiu, as revistas venderam mais e quando o Corinthians caiu, o diário Lance evaporou).

 

Mas a mídia não é a vilã dessa história sozinha; toda reportagem sobre a febre amarela traz o adendo com certo destaque de que “não há risco de epidemia”. Nos últimos dois meses, mais gente morreu devido a complicações respiratórias por causa da poluição endêmica de São Paulo do que devido à febre amarela. A febre amarela hoje é dos problemas menos graves do Brasil, por incrível que pareça. E mesmo assim anda causando tumulto.

 

O que falta mesmo é aparecer um mosquito que dissemine a febre do bom-senso. Uma epidemia de bom-senso faria deste um país muito menos doente (é claro que muito jornal e tevê por aí ia exigir vacina contra o bom-senso pra não perder leitor e audiência). Mas já que o vírus do bom-senso anda extinto, vacine-se contra a mídia de massa. A febre amarela é inócua perto dela.

 

Alexandre Xavier é editor da revista JungleDrums (www.jungledrums.org) e escreve quinzenalmente direto da terra da Rainha e dos Sex Pistols

 

Fale com Alexandre Xavier: alexandre_xavier@terra.com.br
Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.
Terra Magazine

17/01/2008 - 12:06h Não tem epidemia de febre amarela, o pânico é um fenômeno de imprensa, disse o DR. Drauzio Varella


 

Foto: Fantástico – Rede Globo


Reportagem do Fantástico neste domingo mostra o Dr Dráuzio Varela em Teresina, no quadro “E agora doutor?”. A matéria ensina como reconhecer a dengue, com cenas em interiores de residências e hospitais, com pacientes e médicos locais.

Excelente. Imperdível.

Confira o vídeo aqui

Febre amarela


“É uma situação normal”, diz Drauzio Varella

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO – 14 de janeiro 2008

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

De cinco casos de febre amarela notificados pela vigilância sanitária no ano de 2004, três pacientes morreram. Um dos dois sobreviventes é o cancerologista Drauzio Varella, 64.
Infectado numa viagem à Amazônia dias antes, com vacina vencida havia ao menos duas décadas, o médico diz que a exposição da doença nos meios de comunicação nos últimos dias deve levar a um aumento no número de casos “por que os médicos vão fazer mais diagnósticos.”

No livro “O Médico Doente”, Drauzio narra a experiência com a doença. Leia abaixo os principais trechos da entrevista, concedida ontem no intervalo de atendimento a pacientes no Hospital Sírio-Libanês.

FOLHA – Dá para falar em surto?

DRAUZIO VARELLA – Acho que não. O que acontece é um fenômeno de imprensa. E isso é clássico na história das epidemias. Toda vez que surge uma, os governos negam. E a imprensa vai atrás, no rastro da doença. Estamos vivendo uma situação normal. As pessoas achavam que a febre amarela havia saído do repertório. E agora volta. Acho importante voltar para que se tenha idéia de que existe.

FOLHA – O senhor não vê esses casos como um alerta?

DRAUZIO
– Não vejo mesmo. O problema dessas fases de pânico é que muita gente que não precisa vai tomar a vacina. O sujeito está em São Paulo e vai ao Guarujá e quer se vacinar. Aí cria-se um problema social, engrossam-se as filas. E o sujeito que precisa não vai tomar. Eu acho até que essa preocupação com a febre amarela silvestre vai aumentar o número de casos porque os médicos vão fazer mais o diagnóstico.
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17/01/2008 - 09:31h Com filas nos postos de saúde, Rio vive agora “revolta pela vacina”



RAQUEL ABRANTES

DA SUCURSAL DO RIO – FOLHA DE SÃO PAULO

O Rio de Janeiro, cidade em que houve a Revolta da Vacina há 103 anos, agora assiste à “revolta pela vacina”: parte dos cariocas quer ser imunizada contra a febre amarela (apesar de a última ocorrência da doença na cidade datar de sete anos atrás), enfrenta filas nos postos de saúde e sai revoltada se não consegue.

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17/01/2008 - 09:29h A febre amarela e as palavras ao vento interesseiras do jornal O Globo


O jornal O Globo gosta de dar “opinião” sobre febre amarela

Um surto de rubéola atinge o Estado de São Paulo. O aumento no número de casos é de mais de 300% em relação ao total registrado durante todo o ano passado. Passou de 66 para 286 pessoas infectadas -crescimento superior também à soma dos últimos três anos. Na capital, o aumento foi maior: de 45 casos, em 2006, para 200, até o fim de setembro. A alta é de 344%.
O CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) emitiu alerta em que orienta intensificação das ações de controle da doença, como vacinação, que pode ser feita em qualquer posto de saúde. A transmissão da rubéola ocorre pelo ar.

A doença, mais comum na infância, também atinge adultos e é especialmente perigosa em grávidas- pode causar malformação do feto. A rubéola é causada por um vírus e tem como principais características o aparecimento de urticárias na pele e de ínguas ou caroços.

Em 2007 o Brasil teve 536.519 casos declarados de infecção pelo mosquito da dengue, com várias mortes provocada pela forma mais violenta da doença. No Estado de São Paulo o crescimento da dengue é exponencial, mesmo não constituindo ainda uma situação de epidemia.

O número de casos de febre amarela registrados neste ano no Brasil totalizam 10 casos, 7 de morte até agora. Ainda há 12 em investigação – 1 deles registrado ontem – e 7 infecções. Em 2003, por exemplo, foram computados 64 casos, com 23 mortes.

A febre amarela urbana não é registrada no Brasil desde 1942. As pessoas que adoeceram desde o final do ano foram contaminadas pelo tipo silvestre, em área de mata, onde circula outro mosquito transmissor da doença. Segundo o Ministério da Saúde, seriam necessários altos índices de infestação do Aedes aegypti, vetor da febre amarela nas cidades, para que a doença se espalhasse nas áreas urbanas. Para a transmissão, é necessário o mosquito da dengue picar um doente e, em um curto intervalo de tempo, picar uma pessoa sadia.

Os dados de Goiás comprovam que é muito pequeno o risco de a doença se urbanizar, mesmo no Estado, conforme tem dito o Ministério da Saúde. Dos 246 municípios do Estado, apenas 4 não registram a presença do mosquito da dengue. Mas o índice de infestação nas cidades que têm o Aedes aegypti é baixo – em apenas 30 delas supera o 1% aceitável pelo Ministério da Saúde, de acordo com dados de novembro.

Mesmo com todos esses dados, o jornal O Globo “opina” que a “epidemia” de febre amarela não é uma invencionice, chegando incluso a “opinar” contra o que disse sua principal coluna de política da página 2, que mostra os dados da dengue e da febre amarela para desmistificar a onda de boatos que, entre outros, a própria “opinião” do jornal ajuda a propalar. Vai ver que é por “opiniões”assim que tem filas gigantescas na cidade de Rio de Janeiro para obter a vacina.

O Globo
não “opina” nada sobre a dengue que corre solta em São Paulo, nem sobre a rubéola.

Por que sera? ou porque Serra? nunca sei muito bem como se escreve…

16/01/2008 - 16:07h Os dados da febre amarela


No ano 2000 o Brasil teve 80 casos de febre amarela, com um total de 40 mortos.

No ano passado foram cinco óbitos e o número se repete agora no início de 2008.

A vacina contra a febre amarela é necessária para todos os que foram visitar regiões de mata nos estados em que a doença foi detetada.

Brasil é um dos principais fabricantes de vacinas que são 100% eficientes contra a doença.

O surto atual está longe de configurar uma situação que justifique vacinação generalizada da população, segundo especialistas. Nada justifica as filas para obter a vacina, fora um certo alarmismo propalado inicialmente pela mídia, que agora já parece mais ponderada, dando informações corretas.

Fonte O Estado de São Paulo.