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	<title>Blog do Favre &#187; FED</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Brasil se antecipa e desfaz política anticíclica</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 14:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP
Afinal, retira-se ou não a política de incentivos à economia para sair da recessão? Esse é um dilema dos países ricos. Do Brasil, não. Nós já estamos desfazendo as medidas anticíclicas em ordem, com redução de juros e impostos. Eles voltam aos poucos, de forma gradual e seletiva, sem afetar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Afinal, retira-se ou não a política de incentivos à economia para sair da recessão? Esse é um dilema dos países ricos. Do Brasil, não. Nós já estamos desfazendo as medidas anticíclicas em ordem, com redução de juros e impostos. Eles voltam aos poucos, de forma gradual e seletiva, sem afetar a demanda e aumentando a arrecadação. Mas a pergunta, quase acadêmica, voltou no cenário mundial, este fim de semana, com a reunião dos ministros das Finanças do G-20, na Escócia.</p>
<p>Barack Obama e Ben Bernanke dizem que não. O Banco Central Europeu diz que sim. Chega de ajuda ao sistema financeiro a partir do próximo ano, afirmou o seu presidente Jean-Claude Trichet, na quinta-feira. E só não aumentou os juros por pressão dos governos, principalmente da França. O juro permanece em 1%, com sinais de alta. O BCE tem medo da inflação que não é inflação, mas deflação. Menos 0,3% em setembro.</p>
<p>Nos EUA, o desemprego de 10,2% se antecipa às previsões. Não era para acontecer agora, mas no início do ano. Janeiro ou fevereiro. Preocupa, mas era esperado, pois a economia, que havia dado um salto no último trimestre, continua frágil. Ainda não se sustenta.</p>
<p>O governo estava preparado. No mesmo dia em que se anunciou esse índice, Obama estendeu os benefícios federais aos desempregados, que se acumulam aos estaduais, e prorrogou medidas de estímulo ao setor imobiliário. A Casa Branca informou também que novas medidas anticíclicas estão sendo estudadas e poderão ser anunciadas em breve.</p>
<p>Um dia antes, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), também veio a público para informar que não muda a política monetária, vai manter ainda por algum tempo o juro básico em torno de 0,25%, praticamente negativo em termos reais. Vai continuar ativo na compra de títulos do Tesouro e imobiliários. Ou seja, mais dólares vão entrar no mercado.</p>
<p>Para Obama e Bernanke, a economia só reage com mais estímulos. Tudo o mais, déficit, dívida, fica para depois</p>
<p>Na Europa, nada muda, apesar de o desemprego já estar em 9,7%, e a inflação crescendo. Não seria grave se ela não tivesse o mesmo que os EUA no Produto Interno Bruto (PIB) mundial. US$ 14 trilhões.</p>
<p>Quem está certo, os americanos ou os europeus? Trichet ou Bernanke?</p>
<p>É isso que estava na pauta da reunião dos ministros do G-20, encerrada ontem. Foi a terceira do ano ? um balanço com resultados previsíveis. A conclusão é que vão continuar estimulando a economia, mas cada um do seu modo. Só que isso não funciona porque alguns querem agir mais, outros menos. E a economia mundial vai continuar se arrastando ainda por muitos e muitos meses.<br />
<strong><br />
RETOMADA NÃO CONVENCE</strong></p>
<p>Eles deveriam ouvir quem não foi ouvido no passado, e acertou ao prever a recessão: Nouriel Roubini, da Universidade de Nova York. Para ele, a retomada é ainda incerta e não se mantém porque está sendo sustentada pelos estímulos fiscais e monetários, gastos dos governos e pela política de juros baixos. Quanto dura? Roubini arrisca. Quando muito, não mais de seis meses. É mais ou menos o prazo para que os estímulos do governo não se transformem em déficits insuportáveis. Em determinado momento, o setor privado, as empresas, terão de substituir o governo. Há ainda muitos desequilíbrios. O mercado financeiro está se recuperando mais rapidamente que a atividade econômica. Sinal, o desemprego continua aumentando. E permanece a pergunta. Quando o governo deve começar a sair? Roubini não responde, mas insinua que o setor privado ainda não está preparado. E cabe aos governos dos países desenvolvidos continuar a tarefa de prepará-los. Só devem tentar administrar melhor seus déficits. E antecipar-se a bolhas previsíveis.</p>
<p><strong>QUEM ESTÁ CERTO?</strong></p>
<p>Acho que nós. Estamos indo devagarzinho nas duas frentes, fiscal e monetária. Sem a ousadia dos dias que antecederam a crise e se enfrentou, com êxito, a recessão. Agora, não há pressa. O governo está começando a remover as medidas anticíclicas de forma gradual. Na área tributária, com o restabelecimento do IPI no setor automobilístico, o mais afetado pela crise. Nessa área, grande empregadora de mão de obra, evitou-se o pior. Mas esse imposto está sendo restabelecido gradualmente para que empresas e compradores se adaptem à nova realidade. E a realidade é uma economia na qual o crédito volta, o desemprego recua e o rendimento das famílias aumenta. No final da linha, isso vai representar maior arrecadação.</p>
<p>O mesmo está sendo feito ainda com mais cuidado na linha branca por causa do seu componente social.</p>
<p>Na área monetária, lembra Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o Banco Central mantém sua posição, também com medidas graduais, sem precipitações. Reduziu o juro básico para 8,75% e o mantém nesse nível.</p>
<p>Não temos pressa porque nos apressamos antes, aproveitando um terreno já preparado no governo anterior e neste. A inflação caiu de 12,5% em 2002 para 4,3% neste ano.</p>
<p>O juro nominal em 2002 era de 19,1%, teve de ser aumentado para 23,3% no ano seguinte para conter a inflação e agora está em 8,7%.</p>
<p>Sabedoria? Não. Apenas soubemos aproveitar esse cenário, que nós mesmos preparamos, para nos sobrepormos aos outros, que afundaram na recessão.<br />
<strong><br />
*Email: at@attglobal.net </strong></p>
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		<title>Quanto maior a bolha atual, maior será o inevitável estouro</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 13:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Para o economista Nouriel Roubini, juros negativos nos EUA e dólar fraco geram &#8220;mãe&#8221; de todos os &#8220;carry trades&#8221; e bolha global cujo estouro é inevitável
NOURIEL ROUBINI DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP
Desde março vem ocorrendo um aumento maciço em ativos de alto risco de todo tipo -participações, preços do petróleo, energia e commodities-, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
Para o economista Nouriel Roubini, juros negativos nos EUA e dólar fraco geram &#8220;mãe&#8221; de todos os &#8220;carry trades&#8221; e bolha global cujo estouro é inevitável</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">NOURIEL ROUBINI DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>Desde março vem ocorrendo um aumento maciço em ativos de alto risco de todo tipo -participações, preços do petróleo, energia e commodities-, um estreitamento dos &#8220;spreads&#8221; de alta rentabilidade e alta classificação e um aumento maior ainda nas classes de ativos de mercados emergentes (suas ações, obrigações e moedas).<br />
Ao mesmo tempo, o dólar caiu muito, enquanto a rentabilidade dos títulos governamentais tem aumentado ligeiramente, mas se mantido baixa e estável.<br />
Essa recuperação dos ativos de alto risco é movida em parte por melhores condições econômicas fundamentais. Evitamos uma quase depressão e um derretimento do setor financeiro com um estímulo monetário e fiscal maciço e pacotes de socorro aos bancos. Quer a recuperação tenha formato de V, conforme a visão consensual, ou tenha formato de U e seja anêmica, como eu argumento, os preços dos ativos deveriam estar subindo gradualmente.<br />
Contudo, ao mesmo tempo em que as economias americana e global iniciaram uma recuperação modesta, desde março os preços dos ativos vêm subindo vertiginosamente, numa alta grande e sincronizada. Em 2008, quando o dólar subia, os preços dos ativos estavam em queda forte, mas, desde março, eles têm recuperação acentuada, enquanto o dólar cai. Os preços dos ativos de alto risco vêm subindo demais, cedo demais e rápido demais em comparação com os fundamentos.<br />
O que está por trás dessa alta maciça? Com certeza, foi ajudada pela onda de liquidez advinda de juros a quase zero e flexibilização quantitativa das condições monetárias. Mas um fator mais importante que alimenta a bolha de ativos é a fraqueza do dólar americano, movida pela &#8220;mãe&#8221; de todos os &#8220;carry trades&#8221; [operação em que o investidor pega empréstimos com juros muito baixos, como os dos EUA hoje, e aplica em outros ativos]. O dólar virou a principal moeda a financiar os &#8220;carry trades&#8221;, na medida em que o Fed [BC dos EUA] vem segurando os juros. Os investidores que estão vendendo o dólar a descoberto para comprar ativos de rentabilidade maior e outros ativos globais em base altamente alavancada não estão só contraindo empréstimos a juros zero em termos do dólar -estão contraindo empréstimos a juros muito negativos, que podem chegar a 10% ou 20% negativos ao ano-, na medida em que a queda do dólar leva a ganhos maciços de capital sobre posições do dólar.<br />
Resumindo: negociantes estão contraindo empréstimos a juros negativos de 20% para investir em base altamente alavancada em uma massa de ativos globais de alto risco que estão subindo devido ao excesso de liquidez e a um &#8220;carry trade&#8221; maciço. Cada investidor que joga esse jogo de alto risco fica parecendo um gênio -mesmo que só navegue numa bolha imensa-, já que os retornos totais têm estado na faixa entre 50% e 70% desde março.<br />
A consciência que as pessoas têm do valor em risco de seus portfólios deveria ter aumentado devido à correlação crescente dos riscos entre classes diferentes de ativos, todos movidos por essa política monetária comum e pelo &#8220;carry trade&#8221;. Na prática, virou uma grande negociação comum -você compra o dólar para adquirir qualquer ativo de alto risco.<br />
Ao mesmo tempo, porém, o risco percebido das classes individuais de ativos vem declinando, na medida em que a volatilidade diminuiu graças à política do Fed de comprar tudo que está à vista. Assim, o efeito conjunto da política de taxa zero sobre fundos do próprio Fed, flexibilização quantitativa das condições monetárias e aquisição maciça de instrumentos de dívida de longo prazo está aparentemente fazendo o mundo ser seguro -por enquanto- para o maior de todos os &#8220;carry trades&#8221; e a maior de todas as bolhas de ativos globais altamente alavancados.<br />
Ao mesmo tempo em que essa política alimenta a bolha global, também alimenta uma nova bolha de ativos americanos. Dinheiro fácil, facilitação do crédito e fluxo maciço de capitais para os EUA por meio de um acúmulo de reservas em divisas estrangeiras em outros países tornam os deficit fiscais dos EUA mais fáceis de financiar e alimentam a bolha americana de participações e crédito.<br />
Finalmente, um dólar fraco é bom para as participações acionárias americanas, já que pode gerar crescimento maior e elevar os lucros de multinacionais.<br />
A política americana insensata que alimenta esses &#8220;carry trades&#8221; obriga outros países a adotar a mesma política monetária. Políticas de juros a quase zero e flexibilização quantitativa já eram seguidas no Reino Unido, na zona do euro, no Japão, na Suécia e em outras economias avançadas, mas a debilidade do dólar vem agravando essa flexibilização monetária global. Ásia e América Latina, preocupadas com a fraqueza do dólar, estão intervindo agressivamente para impedir a valorização excessiva de suas moedas. Isso segura os juros de curto prazo em níveis inferiores aos desejáveis. É possível que os BCs também sejam forçados a reduzir os juros.<br />
Preocupados com o dinheiro quente que vem inflando suas moedas, algumas autoridades, como as do Brasil, vêm impondo controles aos fluxos de capital entrantes. Mas a bolha do &#8220;carry trade&#8221; vai se agravar: se as moedas estrangeiras se valorizarem mais, o custo negativo dos empréstimos do &#8220;carry trade&#8221; ficará ainda maior. Se intervenções ou operações no mercado aberto controlarem a valorização das moedas, a flexibilização monetária doméstica decorrente alimentará a bolha nessas economias. Assim, a bolha perfeitamente correlacionada de todas as classes de ativos globais cresce diariamente.<br />
Mas essa bolha vai estourar um dia, levando ao maior estouro coordenado de ativos já visto: se fatores puderem levar o dólar a reverter sua queda e a se valorizar repentinamente -como em inversões anteriores-, o &#8220;carry trade&#8221; alavancado terá de ser encerrado de uma hora para a outra, à medida que os investidores cobrem suas transações a descoberto com dólar. Haverá um estouro da boiada, com o fechamento de posições de alto risco e alavancagem longa em todas as classes de ativos financiadas por transações em dólar a descoberto gerando colapso coordenado de todos esses ativos de alto risco -ações, commodities, ativos de emergentes e instrumentos de crédito.<br />
Por que esses &#8220;carry trades&#8221; desabarão? Para começar, o dólar não pode cair a zero, e em algum momento se estabilizará; quando isso acontecer, o custo de empréstimos em dólar repentinamente se tornará zero, em lugar de altamente negativo, e o risco de uma inversão no dólar levará muitos investidores a cobrirem suas transações a descoberto. Em segundo lugar, o Fed não poderá suprimir a volatilidade para sempre. Em terceiro, se o crescimento americano surpreender positivamente, os mercados podem começar a esperar que um arrocho do Fed chegue mais cedo, não mais tarde. Em quarto, pode haver fuga do risco movida pelo medo de um repique recessivo ou risco geopolítico, como um choque EUA/Israel-Irã.<br />
Esse processo pode não ocorrer por algum tempo, já que o dinheiro fácil e a liquidez global excessiva ainda poderão elevar os ativos por algum tempo.<br />
Mas, quanto mais se prolongarem e quanto mais crescer a bolha, maior o crash. O Fed e outros responsáveis pela política econômica parecem não ter consciência da bolha monstro que criam. Quanto mais tempo permanecerem cegos, mais dolorosa será a queda.</p>
<p><strong>NOURIEL ROUBINI é professor da Universidade de Nova York e presidente da RGE Monitor.</strong></p>
<p><em>Tradução de CLARA ALLAIN</em></p>
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		<title>Não está tudo bem com os bancos nos Estados-Unidos</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 12:32:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Paul Krugman*, THE NEW YORK TIMES &#8211; O Estado SP
Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos. Talvez não literalmente o pior, mas ruim. E o contraste entre a sorte de alguns e o persistente sacrifício de tantos outros era o prenúncio de um futuro incerto. Logicamente, estou falando dos bancos. Uns poucos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://www.cartoonstock.com/newscartoons/cartoonists/pto/lowres/pton236l.jpg" alt="http://www.cartoonstock.com/newscartoons/cartoonists/pto/lowres/pton236l.jpg" /></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Paul Krugman*, THE NEW YORK TIMES &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos. Talvez não literalmente o pior, mas ruim. E o contraste entre a sorte de alguns e o persistente sacrifício de tantos outros era o prenúncio de um futuro incerto. Logicamente, estou falando dos bancos. Uns poucos ganharam, mas muitos reagiram com ira quando o Goldman Sachs apresentou lucros recordes e voltou a pagar bonificações enormes, enquanto nos EUA as vagas continuam se fechando.</p>
<p>Mas não se trata só de bancos se recuperando enquanto trabalhadores padecem. Bancos que operam com empréstimos, e não os de investimentos, voltam a enfrentar dificuldades, principalmente Citigroup e Bank of America, que calaram boatos de estatização no início do ano, declarando que haviam voltado a lucrar. Mas, agora, estão com prejuízos de novo.</p>
<p>Como afirmou um crítico: &#8220;Hoje, não há nenhuma instituição financeira que não se beneficie, direta ou indiretamente, dos trilhões de dólares dos contribuintes usados para sanar o sistema financeiro&#8221;. De fato: o Goldman ganhou muito dinheiro com suas operações de investimentos, mas só conseguiu continuar no jogo graças a medidas que puseram em risco vastas somas de dinheiro público, da operação de salvamento da AIG às garantias concedidas a muitos títulos do Goldman.</p>
<p>E quem é esse crítico? Ninguém menos que Lawrence Summers, o principal economista do governo do presidente Barack Obama &#8211; e um dos arquitetos da política para salvar bancos que, até agora, sem sido extremamente tolerante.</p>
<p>A que se deve a mudança de tom? Funcionários do governo estão furiosos com o setor financeiro, que empreende um lobby feroz contra reformas profundas no sistema. Mas o que eles esperavam? O governo adotou uma política suave, concedendo ajuda sem precondições; com isso, ficou com pouco poder de pressão sobre empresas como o Goldman que agora, mais uma vez, ganham rios de dinheiro.</p>
<p>Mas há um problema maior: enquanto o lado agressivo do setor financeiro &#8211; o das operações de investimentos &#8211; voltou a ser lucrativo, a parte que realmente importa &#8211; a dos empréstimos que alimentam investimentos e empregos &#8211; não voltou. Os principais bancos continuam fracos, e sua debilidade prejudica a economia como um todo.</p>
<p>Lembremos que, no início do ano, houve um amplo debate sobre o que seria preciso fazer para que o setor bancário voltasse a conceder empréstimos. Alguns analistas, me incluo no grupo, argumentaram que pelo menos algumas das principais instituições precisariam de uma grande injeção de capital, e que a única maneira de fazer isso seria a estatização temporária dos bancos mais comprometidos. Porém, o debate acabou quando o Citi e o BofA, os elos mais fracos do sistema bancário, anunciaram lucros surpreendentes. &#8220;Está tudo bem&#8221;, foi o que nos disseram, porque os bancos voltaram a lucrar.</p>
<p>Mas ocorreu algo curioso: Na semana passada, tanto o Citi quanto o BofA anunciaram prejuízos no terceiro trimestre. O que houve? Em parte, aqueles lucros iniciais não passaram de pura imaginação dos auditores contábeis. No entanto, em termos mais amplos, o que podemos ver é uma espécie de vingança da economia real.</p>
<p>Na primeira fase da crise financeira, o sistema foi punido pelos desregramentos de Wall Street; agora, a crise geral, somada a um elevado e persistente desemprego, está levando a altos prejuízos com os empréstimos hipotecários e os cartões de crédito.</p>
<p>E aqui está a questão: A contínua fragilidade de muitos bancos contribui para perpetuar a crise. Os bancos continuam relutando a conceder empréstimos, e o aperto do crédito, principalmente às pequenas empresas, é um obstáculo no caminho da forte recuperação de que necessitamos.</p>
<p>E agora? Summers não se cansa de insistir que o governo fez a coisa certa: novas injeções de capital não &#8220;teriam sido uma estratégia útil para solucionar os problemas&#8221;. De qualquer modo, em termos políticos, o momento para uma ação radical já passou.</p>
<p>O mais importante, por enquanto, é fazer o possível para respaldar o crescimento do emprego. Com sorte, assim será possível criar um círculo virtuoso no qual a economia em recuperação fortalece os bancos, e eles se tornam mais dispostos a conceder crédito.</p>
<p>Além disso, precisamos desesperadamente da aprovação de uma reforma efetiva do setor financeiro. Se não conseguirmos isso, logo os banqueiros vão assumir riscos maiores do que o que eles assumiram antes da crise.</p>
<p><em>*Paul Krugman é prêmio Nobel de Economia </em></p>
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		<title>Krugman: Gastar dinheiro agora significa fortalecer a economia, no curto e no longo prazos</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 17:35:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Missão não cumprida
Paul Krugman*
As ações estão em alta. Segundo Ben Bernanke, a recessão acabou. Eu sinto uma crescente disposição entre os formadores de opinião a declarar: missão cumprida no combate à crise. E há quem afirme que está na hora de deixarmos de nos preocupar com o estímulo econômico para nos concentrarmos no déficit do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: x-large;"><strong><img class="size-full wp-image-14234 alignleft" title="Krugman_paul" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/Krugman_paul.jpg" alt="Krugman_paul" width="190" height="201" />Missão não cumprida</strong></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Paul Krugman*</span></h2>
<p>As ações estão em alta. Segundo Ben Bernanke, a recessão acabou. Eu sinto uma crescente disposição entre os formadores de opinião a declarar: missão cumprida no combate à crise. E há quem afirme que está na hora de deixarmos de nos preocupar com o estímulo econômico para nos concentrarmos no déficit do orçamento. Mas não está, não. A autocomplacência que começa a se instaurar em relação ao estado da economia é insensata e perigosa.</p>
<p>Sim, o Federal Reserve (Fed) e o governo Obama nos tiraram da Beira do Precipício &#8211; título de um novo ensaio de Christina Romer, diretora do Conselho de Assessores Econômicos, no qual argumenta, de maneira convincente, que a política de forte expansão dos gastos públicos nos salvou de uma possível reedição da Grande Depressão.</p>
<p>Mas, embora evitar outra depressão seja muito bom, tudo indica que, se o governo não fizer muito mais do que planeja atualmente para promover a recuperação da economia, a situação do mercado de trabalho &#8211; no qual, hoje, a procura de emprego é seis vezes maior que a oferta &#8211; continuará sendo angustiante nos anos vindouros.</p>
<p>Na realidade, a projeção econômica do próprio governo &#8211; em que são levados em conta os novos empregos que suas medidas criarão &#8211; mostra que a taxa de desemprego, que há apenas dois anos estava abaixo de 5%, será em média 9,8% em 2010, 8,6% em 2011 e 7,7% em 2012.</p>
<p>Não podemos considerar aceitável essa perspectiva, em primeiro lugar, porque ela implica enorme sofrimento nos próximos anos. Além disso, se o desemprego permanecer nesse nível por tanto tempo, lançará uma sombra negra sobre o futuro dos Estados Unidos.</p>
<p>Os que acham que estamos fazendo o bastante para criar empregos devem ler o relatório apresentado recentemente por John Irons, do Instituto de Política Econômica, que descreve a &#8220;devastação&#8221; produzida por um desemprego persistente. Entre outras coisas, Irons destaca que o desemprego persistente na escala hoje prevista levaria a um enorme aumento da pobreza &#8211; e que existem evidências esmagadoras de que as crianças que crescem em meio à pobreza muito provavelmente terão uma vida miserável.</p>
<p>Esse custo humano deveria constituir nossa maior preocupação, mas suas implicações em termos de recursos também são assustadoras. As projeções do Departamento do Orçamento do Congresso, por exemplo, mostram que, no período de 2010 a 2013 &#8211; sem contar os prejuízos que já sofremos &#8211; o &#8220;déficit de produção&#8221;, a diferença entre tudo o que a economia poderia ter produzido e tudo o que ela realmente produz, será superior aos US$ 2 trilhões. O que significa que são trilhões de dólares de potencial produtivo que se perderão.</p>
<p>Mas a coisa é muito pior. Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra que o tipo de recessão que tivemos, causada por uma crise financeira, costuma causar danos no longo prazo em termos das perspectivas de crescimento de um país. &#8220;O caminho da produção tende a se estreitar substancialmente e de maneira persistente depois das crises do setor bancário.&#8221;</p>
<p>Entretanto, o mesmo relatório sugere que esse desfecho não é inevitável. &#8220;Concluímos que uma resposta mais firme de uma política fiscal no curto prazo&#8221; &#8211; medida pela qual se entende um aumento temporário dos gastos do governo &#8211; &#8220;está significativamente associada a menores perdas da produção no médio prazo.&#8221;</p>
<p>Portanto, deveríamos fazer muito mais do que estamos fazendo para promover a recuperação econômica, não apenas porque isso reduziria nosso sofrimento atual, como também porque melhoraria nossas perspectivas no longo prazo.</p>
<p>Mas será que podemos fazer mais &#8211; no sentido de oferecer mais ajuda a combalidos governos estaduais e aos desempregados, de aumentar os gastos em infraestrutura, de oferecer incentivos fiscais aos empregadores para que criem empregos? Sim, nós podemos.</p>
<p>O senso comum diz que ajudar a economia agora produzirá ganhos no curto prazo à custa de sofrimento no longo prazo. Mas, como acabamos de ressaltar, do ponto de vista da nação como um todo não é assim que funciona. A crise está produzindo danos no longo prazo para a economia e a sociedade e, se pudermos abrandá-la, teremos um futuro melhor.</p>
<p>É verdade que um aumento dos gastos com a recuperação e a reconstrução piorará a própria posição fiscal do governo. Mas mesmo neste caso, o bom senso exagera. Os verdadeiros custos fiscais desse respaldo para a economia são surpreendentemente baixos.</p>
<p>Gastar dinheiro agora significa fortalecer a economia, no curto e no longo prazos. E uma economia mais forte implica maiores receitas, para compensar uma considerável parcela dos custos iniciais. Segundo cálculos aproximados, a compensação chegaria a quase 100%, de forma que o estímulo fiscal não é um almoço grátis completo. Mas custa muito menos do que imaginaríamos de acordo com um suposto debate informado.</p>
<p>Sei que um aumento do estímulo é algo difícil de vender em termos políticos, mas é urgentemente necessário. A questão não é se podemos fazer mais para promover a recuperação, mas se podemos optar por não fazê-lo. E a resposta é não.</p>
<p><strong><span style="font-size: large;">*Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia de 2008 </span></strong></p>
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		<title>Um ano depois, Brasil passa no teste e sai da crise maior do que entrou</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 19:12:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Para especialistas, avanço do País e de outros emergentes é uma das características do mundo pós-crise
Fernando Dantas &#8211; O Estado SP
 
O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Para especialistas, avanço do País e de outros emergentes é uma das características do mundo pós-crise</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Fernando Dantas &#8211; O Estado SP</p>
<p> <img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090830/img/4.1.imagem_lehman.jpg" align="left" /><br />
O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, o otimismo com o País tornou-se consensual. &#8220;O fato de que o Brasil passou tão bem pela crise tinha mesmo de instilar confiança&#8221;, diz Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Jim O&#8217;Neill, do Goldman Sachs, e criador da expressão Bric (o grupo de grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), &#8220;o Brasil passou por essa crise extremamente bem, e pode crescer a um ritmo de 5% nos próximos anos&#8221;.</p>
<p>O crescimento de importância do Brasil e de outras economias emergentes é uma das características do novo mundo surgido com a crise econômica. Para comentar essa e várias outras mudanças, o Estado ouviu oito grandes economistas estrangeiros e brasileiros: Rogoff; O&#8217;Neill; Barry Einchengreen, da Universidade de Berkeley; José Alexandre Scheinkman, de Princeton; Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio gestor do Gávea Investimentos; Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA e codiretor do Instituto de Estudo de Políticas Econômicas &#8211; Casa das Garças (Iepe/CdG); Affonso Celso Pastore, consultor e ex-presidente do BC; e Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.</p>
<p>Pastore observa que a recessão no Brasil foi curta, de apenas dois trimestres, comparada a quatro em países como Estados Unidos, Alemanha e França. Goldfajn nota que há os países que estão saindo da recessão no segundo trimestre e os que estão saindo no terceiro &#8211; o Brasil está entre os primeiros, com várias nações asiáticas. &#8220;Mesmo no primeiro trimestre, se olhar mês contra mês, há números fortes de crescimento no Brasil&#8221;, acrescenta.</p>
<p>Para Goldfajn, a crise foi um teste de estresse para diversos países, no qual alguns passaram, outros não, alguns tiveram nota boa e outros nota ruim. &#8220;Acho que o Brasil tirou nota boa, e agora está todo mundo olhando e dizendo &#8216;esse cara é bom&#8217;&#8221;, diz Goldfajn.</p>
<p>Uma das principais razões para o sucesso do Brasil em enfrentar a crise, segundo Pastore, é que ela pegou o País com o regime macroeconômico adequado &#8211; câmbio flutuante, bom nível de reservas, inflação controlada, superávit primário, dívida pública desdolarizada e caindo em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). Essa solidez combinou-se com o sistema financeiro capitalizado, pouco alavancado, que estava proibido pela regulação de operar com os ativos perigosos, como os títulos estruturados no mercado americano de hipotecas subprime. &#8220;Uma das lições da crise é que países que tinham uma abordagem equilibrada da regulação do mercado financeiro, como Brasil, Austrália, Canadá , não tiveram crise bancária&#8221;, diz O&#8217;Neill.</p>
<p>A política anticíclica, baseada em corte de impostos e ampliação de gastos públicos, também ajudou, embora esta segunda parte seja criticada pelos efeitos de médio prazo. Para Pastore, os aumentos do funcionalismo e do Bolsa-Família tiveram efeitos contracíclicos, mas &#8220;por coincidência&#8221;, já que foram decididos antes da crise. &#8220;O defeito é que, se fosse política contracíclica mesmo, teria de expandir gastos transitórios, e não permanentes.&#8221;</p>
<p>Para a maioria dos economistas, o aumento dos gastos públicos correntes reduz o espaço do investimento, e impede que o Brasil cresça a um ritmo ainda mais forte do que os 4% a 5% que estão sendo previstos. &#8220;Não é nem preciso dizer que há um monte de coisas que o Brasil poderia fazer para crescer mais rápido&#8221;, comenta Rogoff.</p>
<p>De qualquer forma, o sucesso diante da crise jogou o Brasil no radar dos investidores. &#8220;À medida que continuarmos a crescer mais que o mundo, é natural que o País receba um aporte muito grande de investimentos estrangeiros diretos&#8221;, diz Pastore, acrescentando que eles aumentaram, mesmo com recessão e queda de lucros nos países que sediam as empresas que investem no Brasil.</p>
<p>A contrapartida dos fluxos de capital é o câmbio valorizado e o déficit em conta corrente, o que significa que o mundo está financiando o Brasil para consumir muito (o que implica poupar pouco) e investir ao mesmo tempo. Segundo Goldfajn, os brasileiros serão um dos povos convocados, junto com os asiáticos, a preencher o espaço deixado pelo fim da exuberância do consumidor americano, atolado em dívidas e necessitado de reconstruir seu patrimônio.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://raulmarinhog.files.wordpress.com/2008/10/lula-marolinha.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://raulmarinhog.files.wordpress.com/2008/10/lula-marolinha.jpg" height="444" width="497" /></div>
<p><font size="5"><strong>&#8221;Não foi o fim do mundo que se prenunciava em dezembro&#8221;</strong></font></p>
<p>Reação global de governos impede crise pior; papel da China se torna vital para retomada</p>
<p style="background-color: #ffff99">Fernando Dantas &#8211; O Estado SP</p>
<p>A crise global não foi tão ruim quanto parecia no pior momento, entre o fim do último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. &#8220;Não foi o fim do mundo que se prenunciava em janeiro e dezembro, porque a reação dos governos foi do tamanho da crise&#8221;, diz Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA, comentando os maciços pacotes fiscais e a política monetária expansionista convencional (corte de juros) e não convencional (injeção de dinheiro na economia pela compra de títulos em poder do mercado) das principais economias do mundo.</p>
<p>Hoje, mesmo um observador relativamente pessimista, como Kenneth Rogoff, de Harvard, prevê que o mundo deve se estabilizar num crescimento em torno 4%, menos que o ritmo próximo de 5% dos anos anteriores à crise, mas já claramente fora da recessão. Ele ressalva que a atual recuperação &#8220;não é normal, com o sistema todo na UTI, o sistema bancário bancado pelo governo, e o mercado residencial se estabilizando apenas por causa dos grandes subsídios às hipotecas.&#8221;</p>
<p>Barry Eichengreen, da Universidade Berkeley, é outro que mostra ceticismo quanto ao vigor da recuperação mundial. &#8220;A mudança mais importante na economia pós-crise é o grande endividamento nos países industriais avançados, que tornará as finanças públicas restritivas, criando um ambiente inamistoso para o investimento, e que não é bom para o crescimento.&#8221; Ele se refere à necessidade que os governos dos países ricos terão de aumentar impostos e cortar gastos para contrabalançar o enorme crescimento da dívida pública na esteira dos grandes déficits fiscais da política contracíclica.</p>
<p>Um ponto crucial para sustentar a recuperação global é a capacidade da China de insuflar a demanda global. Para Rogoff, &#8220;a mudança número um do mundo pós-crise é que o consumidor americano, o combustível da economia mundial no último quarto de século, provavelmente será menos energético nos próximos cinco a dez anos.&#8221;</p>
<p>A grande questão, hoje, é saber se o recuo do superendividado consumidor americano pode ser compensado pelo avanço do consumo na China e em outros países emergentes asiáticos, e até no Brasil.</p>
<p>Para Rogoff, &#8220;a demanda dos mercados emergentes vai substituir a dos EUA, mas isso não acontecerá de um dia para o outro.&#8221; Essa mudança, ele continua, exige uma grande reestruturação da economia chinesa, que ainda está voltada para as exportações, e não para expandir o consumo interno.</p>
<p>Jim O&#8217;Neill, do Goldman Sachs, discorda: &#8220;Essa crise talvez tenha sido necessária, porque forçou a China a fazer uma transição para o crescimento puxada pela demanda interna. Isso era exatamente o que o mundo precisava para evitar a crise, e é o que mundo precisa para sair da crise.&#8221;</p>
<p>Para O&#8217;Neill, os dados da expansão de consumo da China são muito claros. As vendas de varejo saltaram 15,2% em julho e, nos últimos dois anos, convertidas em dólares, apresentam um avanço maior do que o recuo no consumo americano. Em relação ao setor externo, o economista inglês diz que tentou apostar recentemente, com membros da equipe econômica do governo britânico, que a China terá déficit comercial nos próximos dois anos. &#8220;Mas agora nós achamos que é possível que isso aconteça nos próximos 12 meses. Desde abril, o crescimento das importações chinesas é muito mais forte que o das exportações.&#8221;</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.rnnoticias.com.br/SPN/bancoimagem/Cultura/lula-e-marolinha-surf-obama.bmp" alt="http://www.rnnoticias.com.br/SPN/bancoimagem/Cultura/lula-e-marolinha-surf-obama.bmp" /></div>
<p><font size="5"><strong>Crise mudou mapa da globalização</strong></font></p>
<p>Mudança ocorreu tanto no comércio quanto nos investimentos e nas relações de poder de órgãos internacionais</p>
<p style="background-color: #ffff99">Jamil Chade &#8211; O Estado SP</p>
<p>Os fluxos de investimentos mudaram de direção, a China se transformou no maior exportador do planeta e organizações consideradas como pilares das decisões internacionais hoje são questionadas e até substituídas. Em 12 meses, a crise acelerou processos de profunda mudança na geografia da globalização e uma incipiente nova relação de poder entre países.</p>
<p>No campo comercial, a maior novidade foi a transformação da China na maior exportadora do mundo. Por uma margem mínima, superou a Alemanha, que liderava desde 2003. A China exportou US$ 521,7 bilhões em seis meses, ante US$ 521,6 bilhões da Alemanha. Os americanos estão na terceira colocação.</p>
<p>A China já vinha subindo no ranking mundial. Mas a crise na Europa acelerou sua nova posição. Em 2002, a China era a quinta maior exportadora, com vendas anuais de US$ 325 bilhões, US$ 200 bilhões abaixo do que o país vendeu apenas nos últimos seis meses. Em 1997, a China era apenas a 16ª maior exportadora, com US$ 24,5 bilhões em vendas.</p>
<p>Nos últimos anos, dezenas de medidas foram adotadas contra os produtos chineses, que são hoje os mais afetados por medidas restritivas. Uma delas foi adotada pelo Brasil no início do ano para barrar a entrada de produtos siderúrgicos.</p>
<p>A crise ainda redesenhou o mapa dos principais destinos das exportações de vários países, inclusive o do Brasil. Neste ano, a China superou os EUA como o principal comprador de bens brasileiros. Além disso, passou a ser o maior fornecedor de produtos à Europa, acabando com 50 anos de relação comercial privilegiada entre europeus e americanos.</p>
<p>Em junho, as importações americanas estavam 34,5% abaixo dos níveis de junho de 2008. No ano passado, os Estados Unidos foram os maiores importadores do planeta, consumindo mais de 12% de tudo o que o mundo exporta.</p>
<p>No setor de investimentos, a crise também mudou a estratégia de multinacionais e coloca os países emergentes no centro da internacionalização. Levantamento com mais de 240 multinacionais elaborado pela ONU deixou claro que não há um risco de &#8220;desglobalização&#8221; da produção. O processo de internacionalização será retomado, mesmo mais lentamente. E será direcionado de forma cada vez mais clara aos emergentes.</p>
<p>A pesquisa mostrou que as multinacionais continuarão a investir no exterior para a internacionalização de suas vendas, produção e compra de ativos. Tanto em países emergentes como nos ricos, o levantamento indica que a crise está dando um incentivo extra para as empresas buscarem novos mercados, além de novos locais de produção para reduzir custos.</p>
<p>A tendência de uma maior atenção aos emergentes já vinha ocorrendo nos últimos dez anos. Em 1998, os países em desenvolvimento tinham 8% dos fluxos de investimentos, ante 13% em 2007. A tendência é de que a taxa aumente até 2011.</p>
<p>A preferência será pela Ásia, pelo tamanho do mercado e acesso a trabalhadores mais baratos. Cinco dos 15 maiores destinos de investimentos estarão na Ásia até 2011. Os países que formam o Bric &#8211; Brasil, Rússia, Índia e China &#8211; ocupam agora quatro dos cinco primeiros lugares preferidos para investimentos até 2011 e dividem as preferências com os americanos.</p>
<p>Em termos gerais, porém, o mundo ainda verá uma queda de investimentos em 2009 de cerca de 50%, ante 2008. Os mais afetados serão os países ricos, com redução de 60%. Mas os emergentes mostrarão certa resistência, com queda de apenas 25%. Em 2008, o mundo já sofreu queda de 15% nos investimentos, depois de atingir recorde de US$ 1,9 trilhão em 2007.</p>
<p>Outro sinal de mudança no mapa da globalização é a iniciativa de alguns países de reduzir sua dependência em relação ao dólar e acelerar a compra de papéis emitidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A decisão de Brasil, China e Rússia de se tornarem credores do FMI promove uma pequena revolução no mercado. Parte da estratégia dos emergentes é mostrar que têm como ser credores e, portanto, têm direito a uma maior voz em entidades como o FMI e o Banco Mundial.</p>
<p>O debate sobre os grupos e instituições financeiras ainda deixa alguns na defensiva. É o caso de Angel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os países ricos e por anos tentou atrair os emergentes. Para Gurría, o mundo passará a viver em nova relação entre instituições e diferentes grupos de países, como o G-8 ou o G-20. &#8220;Cada grupo precisa de seu espaço. Hoje, o mundo é das redes, do network. E assim é que podemos imaginar uma nova configuração de países.&#8221;</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://youpode.com.br/blog/liberati/files/2009/03/liberati.jpg" alt="http://youpode.com.br/blog/liberati/files/2009/03/liberati.jpg" /></div>
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		<title>Bancos centrais temem deflação crônica</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 14:44:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Na Alemanha, produtos têm hoje o mesmo valor de maio de 2007

Gustavo Chacra &#8211; O Estado SP
Os bancos centrais de países desenvolvidos começam a enfrentar o risco de a deflação se intensificar nos próximos meses, com recordes sendo anunciados nos Estados Unidos e na Europa. Na sua maior queda em seis décadas, o índice [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Na Alemanha, produtos têm hoje o mesmo valor de maio de 2007</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0901/deflation_0116.jpg" alt="http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0901/deflation_0116.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Gustavo Chacra &#8211; O Estado SP</p>
<p>Os bancos centrais de países desenvolvidos começam a enfrentar o risco de a deflação se intensificar nos próximos meses, com recordes sendo anunciados nos Estados Unidos e na Europa. Na sua maior queda em seis décadas, o índice de preços ao consumidor da Alemanha despencou 7,8% em julho em relação ao mesmo mês no ano passado. Na variação mensal, a diminuição foi de 1,5%.</p>
<p>Segundo o Escritório Federal de Estatísticas, os produtos alemães têm hoje o mesmo valor de maio de 2007. Os preços para o consumidor na Alemanha registraram a sua primeira baixa desde a reunificação do país, em 1990, ao caírem 0,5%. A redução é dois décimos menor do que a média da zona do euro.</p>
<p>Do outro lado do Atlântico, o índice de preços ao consumidor americano também atingiu o seu menor nível desde 1950, ao se reduzirem 2,1% em julho, quando comparado ao mesmo mês no ano passado &#8211; em relação a junho, a inflação se manteve estável -, de acordo com dados do Departamento do Trabalho divulgados na semana passada. Assim como na Alemanha, os piores números vieram do setor produtivo, com uma redução de 6,8% nos preços desde julho de 2008, e 0,9% em junho .</p>
<p>A deflação tem como principal causa a redução nos preços da área energética, especialmente do barril do petróleo &#8211; apesar da elevação de ontem, que não está embutida no índice -, ao longo do último ano. Na Alemanha, a deflação anual é de 3,6% quando não se leva em conta os preços deste setor.</p>
<p>O Fed (banco central dos EUA) indicou que não existe risco de inflação por enquanto, o que eliminaria a necessidade de elevar os juros, evitando uma possível estagflação (inflação e recessão simultaneamente). O problema, segundo dizem alguns economistas, é que, com a deflação, há pouca margem de manobra para o Fed. Os juros já estão próximos de zero e o risco seria de um círculo vicioso como no Japão dos anos 1990.</p>
<p>A saída seria o aumento da demanda para o fim da deflação. Por enquanto, os sinais não indicam que isso venha ocorrendo. Ao contrário, o índice de confiança dos consumidores está em queda nos Estados Unidos por três motivos &#8211; elevado desemprego (9,4%), endividamento e maior propensão a poupar em vez de consumir.</p>
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		<title>Lula tinha razão, foi uma &#8220;marolinha&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 12:12:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Bem na foto

Celso Ming &#8211; O Estado SP
À medida que se consolida a percepção de que a crise global não foi tão destruidora como parecia e que, afinal, a virada está a caminho, é preciso perguntar quais as consequências de tudo isso para o Brasil.
Sortudo ou o que for, o presidente Lula ficou com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <font size="5"><strong>Bem na foto</strong></font></p>
<p><font size="5"></font><img src="http://www.rnnoticias.com.br/SPN/bancoimagem/Cultura/lula-e-marolinha-surf-obama.bmp" alt="http://www.rnnoticias.com.br/SPN/bancoimagem/Cultura/lula-e-marolinha-surf-obama.bmp" align="left" /></p>
<p style="background-color: #ffff99">Celso Ming &#8211; O Estado SP</p>
<p>À medida que se consolida a percepção de que a crise global não foi tão destruidora como parecia e que, afinal, a virada está a caminho, é preciso perguntar quais as consequências de tudo isso para o Brasil.</p>
<p>Sortudo ou o que for, o presidente Lula ficou com a razão. Comparada com as projeções feitas pelo Morgan Stanley e seu economista-chefe, Marcelo Carvalho, de que o PIB do Brasil mergulharia 4,5% neste ano, a afirmação de Lula de que isso não passaria de &#8220;marolinha&#8221; estava bem mais correta.</p>
<p>Terça-feira, o presidente executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, avisava que o PIB brasileiro no segundo semestre avança ao ritmo de 4% ou 5%. Assim, ainda que o resultado líquido do ano fique perto de zero por cento, para 2010 já se pode esperar números próximos dos 4%.</p>
<p>Como esta coluna já fez em outras oportunidades, não dá para fechar os olhos para a atual deterioração das contas públicas. Em apenas nove meses, o déficit do setor público saltou de 1,8% do PIB para 3,2%. E o enorme despejo de recursos na economia, que o governo alardeia como sendo política anticíclica, baseou-se em despesas de má qualidade, na medida em que se concentraram não em investimentos, que trariam retorno, mas em despesas correntes, com o funcionalismo público e aposentadorias, que ficam nisso.</p>
<p>Mas não se pode negar a qualidade do resto. Fato inédito, a economia brasileira sai dessa crise com reservas externas superiores às que tinha no seu início. Os juros básicos (Selic) estão em seu nível mais baixo desde 1999. A inflação ficou enquadrada na meta (e em queda). O desemprego está mais baixo do que nos países ricos. E o crédito segue em expansão e já permite o esticamento dos financiamentos habitacionais para além de 20 anos. São condições que, por si sós, constituem credenciais de grande validade para novas decolagens.</p>
<p>A crise e as circunstâncias trouxeram outros benefícios de longo prazo. Acabou, por exemplo, o risco de apagão no sistema de energia elétrica, um pouco porque a derrubada da atividade industrial reduziu o consumo e outro pouco porque o extraordinário período de chuvas encheu os reservatórios e ficou afastada a ameaça de insuficiência de energia elétrica por pelo menos mais três anos.</p>
<p>É provável que o crescimento do PIB deste ano seja alguma coisa acima de zero por cento, como novas projeções estão indicando. Mas, mesmo que seja zero, será o quinto ou o sexto melhor desempenho do planeta, atrás apenas da China, Índia, Indonésia, África do Sul e, talvez, Colômbia.</p>
<p>Assim como o governo americano terá de enfrentar a estratégia de saída da crise, o governo brasileiro terá de normalizar o regime tributário dos setores que foram beneficiados com isenção de IPI.</p>
<p>A queda das vendas da indústria automobilística em julho, de 4,9% em relação a junho, parece comprovar que os benefícios se limitaram a antecipar as compras; não criaram mercado novo. E, se foi assim, a indústria voltará a ter dificuldades nos próximos meses.</p>
<p>Em todo o caso, se o governo Lula não fizer nenhuma grande besteira, a economia brasileira tem tudo para mostrar bom resultado no ano que vem.</p>
<p><strong>CONFIRA</strong></p>
<p>Como o mercado esperava, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manteve os juros básicos entre 0% e 0,25% ao ano. O que surpreendeu muitos analistas foi o tom brando com que o Fed tratou da recuperação da economia.</p>
<p>Muitos acreditavam que a recente melhora da atividade levaria o BC americano a acabar com o afrouxamento no primeiro semestre de 2010.</p>
<p>No entanto, o Fed fala em garantir um nível excepcionalmente baixo para os juros por um período prolongado. Uma das prováveis consequências disso é a desvalorização do dólar ante outras moedas, como o real.</p>
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		<title>Recessão nos EUA chegou ao fim, dizem economistas</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 11:52:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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De 52 economistas ouvidos pelo WSJ, 38 dizem que país está saindo da crise
O Estado SP
A recessão nos Estados Unidos iniciada em dezembro de 2007 já terminou, segundo a maioria dos economistas consultados em um levantamento do Wall Street Journal publicado ontem. Na pesquisa, que entrevistou 52 economistas, 27 disseram que a crise já acabou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
</strong><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/08/recessao-nos-eua-chegou-ao-fim-dizem-economistas/12739/" rel="attachment wp-att-12739" title="criseusa.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/08/criseusa.jpg" alt="criseusa.jpg" align="left" /></a><font size="4"><strong>De 52 economistas ouvidos pelo WSJ, 38 dizem que país está saindo da crise</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">O Estado SP</p>
<p>A recessão nos Estados Unidos iniciada em dezembro de 2007 já terminou, segundo a maioria dos economistas consultados em um levantamento do Wall Street Journal publicado ontem. Na pesquisa, que entrevistou 52 economistas, 27 disseram que a crise já acabou e outros 11 acreditam que chegará ao fim neste mês ou no próximo.</p>
<p>Eles também são quase unânimes na aprovação de Ben Bernanke como presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e desejam que ele seja nomeado para mais um mandato. Para os economistas americanos, há 71% de chance de o presidente dos EUA, Barack Obama, pedir que ele continue no posto.</p>
<p>O combate à desaceleração da economia definiu boa parte do mandato de Bernanke, que começou no início de 2006 e termina em janeiro de 2010, segundo os economistas. Eles disseram que a forma com que Bernanke lidou com a crise o faz merecer mais quatro anos no comando do Fed.</p>
<p>&#8220;Ele merece bastante crédito por estabilizar os mercados financeiros&#8221;, disse Joseph Carson, da AllianceBernstein. &#8220;A confiança na recuperação seria prejudicada se ele não fosse renomeado.&#8221; Muitos dos economistas consultados acreditam que há pouco a se ganhar com uma mudança no comando do Fed, especialmente considerando a tarefa maciça nas mãos do banco central, conforme a economia sai da recessão.</p>
<p>&#8220;Uma continuidade é crítica conforme emergimos desta crise. Do contrário, podemos cair nela de novo&#8221;, disse Diane Swonk, economista da Mesirow Financial. &#8220;O Bernanke é o melhor indicado para desfazer o que foi feito quando chegar a hora.&#8221; O Fed tomou medidas sem precedentes para evitar outra Grande Depressão e a estratégia de saída continua sendo uma questão-chave.</p>
<p>A taxa básica de juros não deve ser alterada tão cedo. Apenas seis economistas esperam que o Fed eleve este ano o juro &#8211; hoje na faixa entre zero e 0,25%. Muitos preveem um aumento em algum momento em 2010, mas mais de um quarto não vê mudança até 2011 ou mais.</p>
<p>&#8220;A estratégia de saída será muito, muito lenta e cautelosa&#8221;, disse John Silvia, do Wells Fargo. &#8220;O Fed vai desmontar o balanço antes de elevar o juro&#8221;, acrescentou. O balanço do Fed &#8211; o valor total dos empréstimos e títulos que possui &#8211; mais que dobrou durante a crise, para mais de US$ 2 trilhões, em meio à expansão das linhas de crédito, na tentativa de descongelar os mercados de crédito.</p>
<p>AGÊNCIAS INTERNACIONAIS</p>
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		<title>&#8220;O Brasil, mesmo em um mundo em declínio, terá expansão mais forte&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2009 15:08:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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&#8221;Parou de piorar. Mas a crise não acabou&#8221;
Principal executivo do banco de investimentos americano diz que Brasil é um dos países em que a recuperação já começou

&#160;
Leandro Modé &#8211; O Estado SP
&#160;


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Pela primeira vez em seus 140 anos de história, o banco de investimentos americano Goldman Sachs realizou no Brasil a reunião anual do Conselho [...]]]></description>
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<h3>&#8221;Parou de piorar. Mas a crise não acabou&#8221;</h3>
<p><strong><font size="4">Principal executivo do banco de investimentos americano diz que Brasil é um dos países em que a recuperação já começou</font></strong></div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Leandro Modé &#8211; O Estado SP</p>
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p><img src="http://johnbatchelorshow.com/images/lloyd_blankfein.jpg" alt="http://johnbatchelorshow.com/images/lloyd_blankfein.jpg" align="left" />Pela primeira vez em seus 140 anos de história, o banco de investimentos americano Goldman Sachs realizou no Brasil a reunião anual do Conselho de Administração. O encontro, realizado durante o último fim de semana em São Paulo, é prova real do aumento da importância dos países emergentes na economia global. &#8220;O Brasil, mesmo em um mundo em declínio, terá expansão mais forte. Por isso, em termos relativos, vamos crescer mais aqui&#8221;, diz o presidente-executivo e do Conselho de Administração do banco, Lloyd Blankfein, de 54 anos. Blankfein também falou sobre temas como aperto da regulação, causas da crise e futuro dos bancos de investimento &#8211; que muitos acreditavam estar fadados ao fracasso, depois da quebra do Lehman Brothers e da absorção do Bear Stearns e do Merrill Lynch por outras instituições.</p>
<p><strong>O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou o que classificou de &#8220;maior reforma do sistema financeiro desde os anos 30&#8243;. O sr. acredita que mais regulação pode evitar crises como a atual?</strong></p>
<p>Se há um acidente de avião, qual a primeira coisa que se faz? Os reguladores tentam entender o que houve e, a partir daí, implementam mudanças. Alteram, por exemplo, a maneira de fabricar as aeronaves. É por isso que é tão seguro viajar de avião. Mas isso significa que não haverá acidentes de avião nunca mais? É claro que não. Há determinadas situações, circunstâncias&#8230; É o mesmo aqui (no mercado financeiro). A ideia é fazermos o sistema melhorar e ser mais seguro, mas a perfeição está além da nossa capacidade.<br />
<strong><br />
O sr. vê risco de regulação excessiva?<br />
</strong><br />
Sempre há um &#8216;trade-off&#8217; (troca) entre segurança e agilidade. Se você faz as coisas muito seguras, pode-se perder inovação. A experiência recente foi muito mais guiada pela falta de segurança do que pela falta de inovação. É um pêndulo. Claramente, estamos levando-o em direção à segurança. Se for bem feito, não perderemos em termos de inovação. Mas, se fizermos de maneira pobre, pode haver perda. O plano apresentado é muito sensível a esse assunto. Isso não quer dizer que será bem executado, até porque ainda não sabemos como será executado. De qualquer forma, o ponto de virada parece muito bom.</p>
<p><strong>O que essas mudanças significam para o seu negócio?</strong></p>
<p>Haverá alterações para todos os negócios, não apenas para o nosso. Haverá um regulador sistêmico, maior necessidade de transparência, mais regras afetando alavancagem, liquidez e a segurança dos produtos. Mas, francamente, tudo isso está no foco porque a experiência recente nos fez mais sensíveis a esses temas. Vivemos um momento que assustou a todos. Daqui para frente, seremos mais líquidos, menos alavancados, mais focados em tocar nosso negócio de forma mais prudente. Haverá mais transparência porque nossos clientes e as pessoas que nos financiam estão mais desconfiadas. Temos de responder a todos os nossos medos e preocupações &#8211; e os do público. A regulação está no topo.</p>
<p><strong>Por que tudo isso aconteceu?</strong></p>
<p>Havia muito capital no mundo, muito dinheiro em circulação. Não houve problemas por muito tempo e as pessoas ficaram complacentes e se alavancaram. As taxas de juros ficaram baixas no mundo por muito tempo. Um monte de capital foi acumulado por meio de &#8216;pools&#8217;, como fundos de investimento, fundos hedge (os mais arriscados do mercado), fundos de private equity (participação em empresas), etc. Esse capital foi investido ao redor do mundo. Quando as coisas ocorrem facilmente, as pessoas dão como certo (os retornos) e se tornam complacentes. Com isso, o mundo ficou menos disciplinado. Algumas práticas negligentes deram resultado durante um período e, quando aconteceu (a crise), tudo se deu muito rápida e violentamente. Muitas instituições não estavam preparadas. Por isso, não reagiram suficientemente rápido aos problemas e não protegeram os clientes.</p>
<p><strong>Alguns críticos culpam os bancos centrais, em especial Alan Greenspan, ex-presidente do Fed (o BC dos EUA). </strong></p>
<p>Não estou em posição de culpar ninguém. Olhando em retrospectiva, vejo muitas práticas que deveriam ser diferentes. Estou certo de que, com o benefício do tempo, Alan Greenspan teria feito as coisas de forma diferente, bem como os reguladores e o Congresso. Não acho justo avaliar as coisas depois que já aconteceram. Não se pode esquecer que tínhamos pressões deflacionistas há alguns anos. Acho que o ponto mais importante é: que lições aprenderemos para o futuro? Quais as verdadeiras lições a aprender e quais as falsas? Temos de estar seguros de que aprenderemos com as boas lições, não com as más.</p>
<p><strong>O sr. acredita que as pessoas estão aprendendo as boas lições? Já há quem diga que a recente alta das bolsas, sobretudo em mercados emergentes, é uma bolha.</strong></p>
<p>É possível, mas acho que bolhas só são identificadas depois que estouram. Quando Greenspan fez o discurso em que falava da exuberância irracional dos mercados, o Índice Dow Jones (o mais tradicional da Bolsa de Nova York) estava abaixo de 6.000 pontos. Não era um nível em que se identificava exuberância. Em uma onda de alta, é possível ver isso com mais clareza, mas, honestamente, não sei se é uma bolha ou não. Quando se olham os fundamentos do mundo, a situação de países emergentes como o Brasil, pode ser real. Pode ser cedo demais? Pode, mas pode estar certo também. Estou calmo porque as pessoas estão questionando se é ou não exuberância irracional. Alguns acham que sim, outros, não. Esse é o bom mercado. Quando todos vão para a mesma direção, fico com medo.</p>
<p><strong>Qual a percepção do Goldman Sachs para a economia mundial e, em especial, para o Brasil?</strong></p>
<p>Nas economias desenvolvidas, a situação estava tão ruim que uma recuperação era inevitável. A economia real está indo na direção correta, mas devagar. O melhor que se pode afirmar, neste momento, é que a taxa de declínio desacelerou e não que já chegamos ao final (da crise). O que já vemos é o fim da deterioração. Quando se acredita que parou de piorar, é possível projetar o ponto de virada. Acreditamos que esse ponto se dará no fim deste ano. A economia real está atrás do mercado porque os valores dos ativos estavam tão baixos que uma alta das cotações era inevitável. Isso porque, no início do ano, um dos cenários para 2009 era de uma total catástrofe. Esse está fora da mesa hoje. A economia real vai se recuperar lentamente. Provavelmente sentiremos os efeitos dessa virada no início do ano que vem. Os mercados normalmente antecipam esses movimentos. Com relação aos emergentes, tudo o que acontecer nos mercados desenvolvidos será potencializado. Ou seja, mesmo um um mercado ruim, os Brics sentirão menos. Quando houver a recuperação, esses países vão senti-la mais fortemente. Na nossa opinião, o Brasil já está se recuperando. O crescimento no ano poderá ser negativo &#8211; talvez 1% &#8211; por causa do primeiro trimestre muito ruim. Mas veremos crescimento positivo no País na segunda metade do ano.</p>
<p><strong>É isso que explica sua visita?</strong></p>
<p>Não há correlação. Queremos ajudar as pessoas que usam nossos serviços em um ambiente de perspectiva de crescimento. Se as pessoas estão procurando financiamento, estão investindo&#8230; É isso que fazemos. Se as pessoas estão deprimidas, não acreditam no crescimento, não fazem essas coisas. O que elas querem de nós? Querem nossos conselhos, nosso ponto de vista. Claramente, nossa expansão será maior em mercados que crescem mais. E o Brasil, mesmo em um mundo em declínio, terá expansão mais forte. Por isso vamos crescer nossos negócios aqui mais em termos relativos.</p>
<p><strong>O Goldman Sachs devolveu US$ 10 bilhões que pegou do governo americano no Tarp (Programa de Recuperação de Ativos Problemáticos). Não foi cedo demais?</strong></p>
<p>Não. O dinheiro do governo ajudou o sistema e nos ajudou também. Sinceramente, somos gratos por isso. Uma semana antes de o governo lançar o Tarp, levantamos dinheiro no mercado e com (o megainvestidor) Warren Buffett. Ou seja, procuramos cuidar de nosso capital àquela época. Depois, conseguimos capital adicional com o regulador. Mas éramos tão líquidos que não precisamos de mais. Elementos do programa foram importantes para o sistema em geral, mas nunca quisemos que se tornasse permanente.</p>
<p><strong>Os bancos, entre eles o Goldman Sachs, ganharam muito dinheiro nos últimos anos. Como manter a alta lucratividade em um ambiente bem mais desafiador?</strong></p>
<p>Faremos como nos últimos 140 anos. Nosso negócio não é fazer dinheiro, mas financiar pessoas, levantar capital, investir por elas, aconselhá-las&#8230; Em diferentes momentos, esse negócio é mais ou menos lucrativo. Temos ido bem nos diferentes ciclos. Estou há 27 anos neste negócio e os clientes precisam de nós. Na verdade, não sei se a hipótese de sua pergunta está correta. Não estou dizendo que você esteja errado, mas eu não sei se está certo. Minha opinião pessoal, com segurança, é que não tenho ideia. E admito isso. Não sei, mas, com base em minha experiência, sei também que ninguém sabe.</p>
<p><strong>No pior momento da crise, o modelo de bancos de investimento foi dado como morto por alguns. </strong></p>
<p>Não achei que essa análise estivesse certa naquele momento e continuo achando que não está. O que é esse modelo? Ajudamos empresas a levantar capital, fazemos fusões e aquisições, levantamos financiamento no mercado de dívidas, gerenciamos seu dinheiro&#8230; Qual dessas atividades está fora de moda? Qual delas não é um bom negócio hoje?</p></div>
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		<title>A atual política anticrise do governo Lula está dando certo e a recessão começa a passar</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 16:51:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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A recessão começa a passar no mundo
Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP

Já existe um consenso entre os economistas e instituições internacionais: a recessão deve terminar neste ano e a recuperação se iniciará em 2010. Mas será uma recuperação lenta e desigual, maior nos EUA e nos países emergentes e irrisória na Europa. Até mesmo um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="4"><strong><br />
A recessão começa a passar no mundo</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/mundo_deconstruction.jpg" title="mundo_deconstruction.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/mundo_deconstruction.thumbnail.jpg" alt="mundo_deconstruction.jpg" align="left" /></a></p>
<p>Já existe um consenso entre os economistas e instituições internacionais: a recessão deve terminar neste ano e a recuperação se iniciará em 2010. Mas será uma recuperação lenta e desigual, maior nos EUA e nos países emergentes e irrisória na Europa. Até mesmo um economista sempre severo em suas análises, como Paul Krugman, afirmou nesta semana que a recessão nos EUA deve terminar no segundo semestre. O crescimento do PIB deve fechar o ano em torno de 0%. Pouco interessa se for um pouco mais ou menos, o importante são os sinais de que a economia americana e grande parte da mundial deixou de afundar.Não se devem repetir PIBs de 6%. A confirmar-se isso, teremos passado por uma recessão profunda, mas curta. Ou, podemos dizer, uma recessão grande, mas não uma grande recessão.</p>
<p><strong>BRASIL NA LINHA DE FRENTE</strong></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/brasil_olho.jpg" title="brasil_olho.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/brasil_olho.thumbnail.jpg" alt="brasil_olho.jpg" align="left" /></a>O resultado menos negativo do PIB no primeiro trimestre mostra que isso é ainda mais válido no Brasil. Previa-se uma retração de até 2% e foi de 0,8%. Tendo em vista a queda de 3,6% no último trimestre de 2008, é difícil ver algum crescimento significativo nos próximos meses, mas está claro que estamos saindo da recessão. Insisto, porém, em reafirmar que não há muita diferença entre recuar 1% ou crescer 1%; ambos resultados significam uma economia frágil,ainda exposta a crises externas, o que exige do governo intensificar a atual política anticrise, que está dando certo. É a ela que devemos esse desempenho menos negativo do PIB e à perspectiva de que estamos em condições de superar tudo ainda neste ano.</p>
<p>Vejam, somente as medidas de estímulo ao consumo estão injetando na economia cerca de R$ 100 bilhões neste ano. E, mais acertadamente ainda, o governo anuncia que estuda redução do imposto sobre salários para aumentar o poder de compra do consumidor.</p>
<p><strong>NEM TUDO É MENOS MAU</strong></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/minhacasa1.jpg" title="minhacasa1.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/minhacasa1.thumbnail.jpg" alt="minhacasa1.jpg" align="left" /></a>O resultado do IBGE apresenta pontos altamente negativos, como a queda de 12,6% nos investimentos, a forte e resistente retração da produção industrial e o recuo das exportações. Isso certamente vai afetar o crescimento nos próximos meses.</p>
<p>Cabe ao governo insistir em três pontos básicos: intensificar as medidas de incentivo ao consumo, pôr em pratica uma política de comércio exterior por meio de impostos sobre a produção e incentivos diretos às exportações; e, finalmente, continuar estimulando o setor de construção civil, grande gerador de demanda de emprego. Cumpre, assim, a meta social, de oferecer casa à população, e econômica, de reativar o crescimento. Felizmente, já vem fazendo uma boa parte disso.</p>
<p><strong>DÁ PARA CONFIAR NELES?</strong></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/dinheirocorrendo.gif" title="dinheirocorrendo.gif"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/dinheirocorrendo.thumbnail.gif" alt="dinheirocorrendo.gif" align="left" /></a>Mas, de qualquer forma, continuamos na dependência do que vier a acontecer lá fora. Será que as economias desenvolvidas e outras emergentes, que representam a maior parte do PIB mundial, não vão desandar novamente, impedindo que voltemos a crescer?</p>
<p>Pode ser, mas, pelo menos no momento não parece muito provável, principalmente em países que têm hoje um papel decisivo na recuperação mundial, como os EUA e a China.</p>
<p>E o que estamos vendo? Nos EUA, dez grandes bancos devolveram ao Tesouro US$ 68 bilhões recebidos em momento de extrema urgência. E insinuam que é só o começo. Levantaram recursos no mercado, até mesmo vendendo ativos, para livrar-se da fiscalização direta e da intervenção do governo em suas atividades e decisões. Mas o Tesouro mostrou que continua vigilante: só aceitou o pagamento depois de analisar as contas e ver se não iria enfraquecê-los, expondo-os a novos problemas. Não quer que comece tudo de novo&#8230; Assim, até ontem recusavam receber devoluções de grandes bancos. Entre estes, o Citi e o Bank of American, que pretendia repagar US$ 90 bilhões. O fato de o sistema financeiro começar a buscar soluções de mercado é um indício de mudança em relação ao pânico de há alguns meses.</p>
<p><strong>OBAMA CAUTELOSO</strong></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/obama_caricatura.gif" title="obama_caricatura.gif"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/obama_caricatura.thumbnail.gif" alt="obama_caricatura.gif" align="left" /></a>O presidente americano, a cuja política anticrise devemos tudo isso, mostrou-se cauteloso diante desses fatos. &#8220;Não é sinal de que nossos problemas passaram. Muito longe disso. A crise que esta administração herdou ainda está criando efeitos dolorosos nas empresas e nas famílias. Mas é um sinal positivo.&#8221;</p>
<p>Foi esse também o tom do seu secretário do Tesouro, para quem há ainda um longo e difícil caminho pela frente. Haverá avanços e recuos, mas o caminho de saída está sendo aberto.<br />
<strong><br />
VEJAM OS NÚMEROS!</strong></p>
<p>A coluna concorda, e aproveita para responder a leitores que nos criticam por estarmos sendo otimistas demais. Não. Estamos apenas confrontando situações de há algumas semanas com a atual e registrando os sinais não para o futuro distante, mas para os próximos meses, a curto prazo. Para mim, isso é realismo, é não se deixar impressionar e influenciar por fatores altamente negativos do passado, desde que eles não estejam se repetindo no presente. Bastam duas estatística do IBGE: o PIB do último trimestre de 2008 despencou catastróficos 3,6% e no primeiro trimestre deste ano apenas 0,8%. Será que isso não significa nada? Não é sinal de recuperação? Não há como negar.</p>
<p>No cenário externo, a economia americana recua menos e a da China &#8211; o grande mercado &#8211; não deverá crescer neste ano apenas 5%, como o governo previa, mas 7,5%, pela estimativa oficial divulgada ontem. Estão injetando trilhões na economia. Ambos são nossos mercados preferenciais e projetam um cenário de relativa esperança.</p>
<p>Só resta a Europa, o &#8220;Continente Perdido&#8221;, onde o BC recusa-se a baixar o juro mesmo com inflação 0. Mas isso não afetará nosso crescimento. Ele vai depender ainda por algum tempo do mercado interno, que hoje representa 60% do PIB. Ele vai bem. E o governo tem ainda espaço para continuar intensificando a política anticíclica de incentivo ao consumo.</p>
<p><strong>*E-mail: at@attglobal.net </strong></p>
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