20/11/2009 - 10:43h Economia brasileira está em fase de “boom”, diz pesquisa

PESQUISA


DA FOLHA ONLINE

A economia brasileira passou “para a fase de “boom” e se destacou entre as demais da América Latina, com um ICE (Índice de Clima Econômico) de 7,4 pontos em outubro, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas) elaborada em parceria com o instituto alemão Ifo. Em julho, o indicador estava em 5,5 pontos.
O Brasil também lidera entre os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China). A Índia ficou com 7 pontos; a China chegou a 6,5 pontos e a Rússia foi para 4,7 pontos. O ICE mundial foi de 5,1 pontos.
O ICE é composto pelo Índice da Situação Atual (ISA), que trata do desempenho econômico do país no momento da pesquisa, e pelo Índice de Expectativas (IE), que aborda as previsões para os próximos seis meses.
O ISA no Brasil aumentou de 4,3 para 6,4 pontos e o IE passou de 6,6 para 8,4 pontos. “O Brasil se destaca por apresentar os maiores índices da região, seja o de clima econômico, situação atual ou de expectativas”, informou a FGV em comunicado.
A sondagem é feita trimestralmente com especialistas de cada país. Em outubro foram consultados 142 técnicos em 16 países.

Moody’s
A Moody’s Economy.com, uma divisão da agência de “rating” Moody’s, projeta um crescimento “”em torno de 4,5%” para a economia brasileira em 2010.
A previsão faz parte de relatório divulgado ontem, onde consta também a expectativa de que a taxa básica de juros não sofra ajustes “antes do final do ano que vem”.
Para 2009, o economista-chefe Alfredo Coutino calcula um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) entre 0,5% e 1%.
Em outro relatório, também divulgado hoje, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) reportou que vê um país ainda estagnado, mas se recuperando com força em 2010 (crescimento de 4,8%) e 2011 (4,5%).

07/11/2009 - 09:47h Cesta básica pesa menos no orçamento dos pobres

da Folha Online

A fatia do salário mínimo necessária para comprar a cesta básica é uma das menores em mais de uma década, segundo reportagem de Verena Fornetti na Folha deste sábado.

Com isso, o peso dos gastos com alimentação no orçamento das famílias de menor renda tem caído.

Segundo dados do Dieese, a compra da cesta básica toma 44,99% da renda líquida (descontada a parcela da Previdência) do trabalhador que recebe salário mínimo. O resultado é melhor que o do ano passado, quando eram necessários 50,25% do rendimento para fazer essa compra. Em 1995, os produtos básicos comprometiam quase 89% da renda.

O aumento do poder de compra do salário mínimo ocorre em razão dos reajustes acima da inflação nos últimos anos e porque os preços dos alimentos se desaceleraram após dois anos de altas significativas.

O feijão, o arroz e a carne, por exemplo, ficaram mais baratos. O preço do feijão carioquinha caiu 47,39% nos últimos 12 meses, de acordo com o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fundação Getulio Vargas. Ovo, macarrão, óleo de soja, músculo bovino e carne suína também tiveram deflação.

Leia reportagem completa aqui

http://www.agenciasindical.com.br/imagens/manchetes/cesta%20basica.jpg

Poder de compra maior diversifica gastos

Com deflação em alimentos como arroz, feijão e carne, famílias desembolsam menos em itens básicos e variam consumo

Trabalhadores com salário menor são os que mais transformam renda em consumo, pois poupam menos, diz especialista

VERENA FORNETTI – FOLHA SP

DA REDAÇÃO

A fatia do salário mínimo necessária para comprar a cesta básica é uma das menores em mais de uma década. Com isso, o peso dos gastos com alimentação no orçamento das famílias de menor renda tem caído.
Segundo dados do Dieese, a compra da cesta básica toma 44,99% da renda líquida (descontada a parcela da Previdência) do trabalhador que recebe salário mínimo. O resultado é melhor que o do ano passado, quando eram necessários 50,25% do rendimento para fazer essa compra. Em 1995, os produtos básicos comprometiam quase 89% da renda.
O aumento do poder de compra do salário mínimo ocorre em razão dos reajustes acima da inflação nos últimos anos e porque os preços dos alimentos se desaceleraram após dois anos de altas significativas.
O feijão, o arroz e a carne, por exemplo, ficaram mais baratos. O preço do feijão carioquinha caiu 47,39% nos últimos 12 meses, de acordo com o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fundação Getulio Vargas. Ovo, macarrão, óleo de soja, músculo bovino e carne suína também tiveram deflação.
Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV, afirma que os alimentos subiram menos que a inflação neste ano, ao contrário do que aconteceu no ano passado. Como o reajuste do salário mínimo é calculado a partir do PIB e da inflação média na economia, a conta beneficia os mais pobres, que empregam uma parte da renda maior que a dos mais ricos nos gastos com alimentação. Com o poder de compra ampliado, essas famílias podem variar os itens consumidos.
“O salário está maior, e o gasto, menor. As famílias podem, então, gastar com outras coisas, como materiais de construção para reformar a casa e vestuário”, diz Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese.
É o caso da dona de casa Lucinéia Macena da Silva Cruz, 39, que controla cada centavo que entra em casa e notou a diferença deste ano em relação a 2008. O marido de Lucinéia ganha pouco mais de um salário mínimo montando materiais de escritório em São Paulo. Moram com quatro filhos -só um trabalha, mas quase não ajuda nas compras da casa.
Mesmo com o orçamento apertado, tem sobrado um pouco mais de dinheiro para incrementar o consumo da família.
No mês passado, depois de quitar as contas e providenciar os produtos para a alimentação, Lucinéia comprou três blusinhas e uma saia. Em outubro, havia comprado um rádio, que parcelou em seis vezes.
“O que eu uso mais em casa é arroz e feijão porque a nossa família é grande. Como estão mais em conta, às vezes eu compro um iogurte para as crianças, uma fruta ou uma bolachinha”, diz ela, que mora em uma casa de dois quartos equipada com micro-ondas, máquina de lavar, tanquinho, fogão, geladeira, TV e um DVD queimado, a ser trocado assim que sobrar dinheiro no fim do mês.

Efeito cascata
O diretor do Dieese destaca que as famílias que ganham menos são as que mais transformam renda em consumo, pois tendem a poupar menos. “Se o rendimento dessas famílias aumentar R$ 1, certamente elas vão gastar R$ 1 a mais. Esse é um mecanismo importante para dinamizar a economia.”
Lúcio ressalta que o salário mínimo tem efeito cascata, pois uma parte expressiva da população ocupada no Norte e no Nordeste recebe salários próximos ao valor mínimo. Benefícios sociais -como o valor base da aposentadoria -também estão atrelados ao piso salarial.
“No fundo, o brasileiro está com mais dinheiro no bolso e isso proporciona tanto bem-estar a curto prazo quanto mantém a economia girando”, diz Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas.

04/11/2009 - 13:51h Sondagem da FGV mostra que o crescimento da produção no fim do ano será o maior dos últimos dez anos

Produção superaquecida para o Natal


Lula_noel

Márcia De Chiara – O Estado SP

A produção industrial prevista para o último trimestre deste ano está superaquecida, o que sinaliza um Natal forte e um início de 2010 acelerado nas fábricas. Metade das 1.065 empresas consultadas pela Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) planeja crescimento da produção entre outubro e dezembro e apenas 4,3% delas programam redução. É o menor índice de indústrias que vão cortar a produção no último trimestre do ano desde 1980, o início da série.

Dos 14 gêneros industriais pesquisados pela sondagem em outubro, todos estavam com a produção prevista para o último trimestre do ano acima da média de dez anos para esse período, um resultado inédito. “A produção de outubro costuma ser menor que a de setembro”, observa o coordenador técnico da pesquisa, Jorge Ferreira Braga. Mas, neste ano, os resultados contrariaram a regra.

Segundo o economista, dois fatores explicam a mudança no padrão. O primeiro deles é atraso na produção da indústria, que primeiro tratou de se livrar dos estoques excessivos para depois acelerar a produção. O segundo fator é a própria sinalização de crescimento vigoroso do Produto Interno Bruto (PIB) para 2010, na casa de 5%, puxado pela demanda interna.

De setembro para outubro, o indicador de produção prevista para três meses, apurado pela FGV, descontadas as influências sazonais, cresceu 4,5%. O indicador leva em conta o saldo entre os porcentuais de empresas que apostam no aumento e na queda de produção.

Dos 14 gêneros pesquisados, 7 puxaram de forma acentuada o crescimento da produção prevista para o trimestre: minerais não metálicos, metalurgia, mecânica, material elétrico e de comunicações, material de transporte, têxtil e alimentos. Três desses gêneros atingiram o maior nível de produção prevista para três meses apurado pela FGV num mês de outubro.

Segundo a pesquisa, 57,4% das indústrias de minerais não metálicos, itens usados principalmente pela construção civil, acreditam que a demanda será maior até dezembro e só 3,2% delas, menor. A Eternit, por exemplo, fabricante de telhas e caixas d”água, trabalha com mais de 90% de uso da capacidade nas 5 fábricas. “Estamos praticamente sem estoques nas fábricas”, afirma o presidente da companhia, Elio A. Martins.

O empresário explica que o que o que está puxando atualmente a demanda por seus produtos é o consumo “formiga”. “É a autoconstrução, a reforma”, exemplifica. A população de baixa renda responde por 80% desse consumo. Segundo Martins, o quadro de abastecimento deve ficar mais apertado no ano que vem quando entrar em operação o programa habitacional do governo. Por isso, ele já estuda investimentos em aumento de produtividade.

A indústria mecânica, que inclui dos bens de capital que começam a reagir à linha branca (geladeiras e máquinas de lavar, por exemplo), é outro setor que está super otimista, com 58,1% das empresas planejando alta da produção no trimestre.

Beneficiadas pela prorrogação do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os eletrodomésticos, os fabricantes da linha branca vão acelerar o ritmo das fábricas. A Mabe, dona das marcas GE e Dako, por exemplo, vai ampliar em 25% a produção no último trimestre deste ano em relação a 2008. “Com certeza, será o maior trimestre de vendas da companhia no Brasil”, afirma o presidente da companhia para o Mercosul, Patricio Mendizabal. Ele observa que “os estoques da empresa estão abaixo do adequado para encarar a temporada”.

Na concorrente Whirlpool, donas das marcas Brastemp e Consul, o otimismo se repete. O diretor de Relações Institucionais, Armando Ennes do Valle Júnior, diz que o crescimento da produção no último trimestre deste ano deve oscilar entre 13% 15% em relação a 2008, que foi uma base baixa por causa da crise. Na comparação com igual período de 2007, o acréscimo varia entre 8% e 9%. “Teremos um começo de ano aquecido”, prevê o executivo, lembrando a recuperação da renda, do emprego e da oferta de crédito.

Até o setor têxtil, tido como “patinho feio” da indústria por perder mercado para os importados, deu a volta por cima. A sondagem revela que 31,5% das empresas do setor planejam aumentar a produção no último trimestre deste ano. A Stenville Têxtil, por exemplo, trabalha hoje usando 100% da capacidade de produção da fábrica de Jundiaí (SP). “A reação da economia foi muito rápida”, afirma o sócio diretor, George Tomic. O motor da reação é a reposição de estoques no varejo e as boas perspectivas para 2010.

29/10/2009 - 10:37h Uso da capacidade da indústria tem 8ª alta seguida. Índice medido pela FGV supera o resultado médio dos últimos dez anos

Isto indica que as fábricas devem acelerar a retomada dos investimentos

http://www.fiec.org.br/portalv2/sites/fiec-onlinev2/files/images/fiec_online/industria.jpg

Márcia De Chiara – O Estado SP

Puxada pelo mercado interno, a indústria brasileira pisou fundo no acelerador neste mês. O uso da capacidade de produção das fábricas subiu pelo oitavo mês seguido e atingiu em outubro 82,9%. A marca supera a média dos últimos dez anos (82,2%) e empata com a média desde 2003, período recente de maior produção. Os números de uso da capacidade fazem parte do Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que atingiu neste mês 112,2 pontos, o maior nível desde setembro de 2008.

Em apenas três meses, de julho a outubro, o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci)das 1.065 indústrias consultadas aumentou 3,1 pontos porcentuais. “É uma aceleração muito forte”, afirma o coordenador da pesquisa, Aloisio Campelo. Ele lembra que entre fevereiro e junho, em cinco meses, o acréscimo havia sido de apenas 2,2 pontos porcentuais. Com a rápida evolução da ocupação, a perspectiva é que o investimento na indústria volte antes do previsto. “O investimento volta nesta virada do ano”, prevê o economista.

Apesar da arrancada, o indicador de uso da capacidade de outubro de 82,9% está abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado (85,3%). “Não existe uma explosão do Nuci, ainda há ociosidade”, pondera.

Dos cinco segmentos pesquisados, três estão hoje com o uso da capacidade acima da média de dez anos: bens de consumo duráveis, bens de consumo não duráveis e material de construção. As vendas desses segmentos dependem essencialmente do crédito, da renda e da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fatores que jogam a favor do mercado.

Já o Nuci dos fabricantes de bens de capital e da indústria de bens intermediários ainda está abaixo da média, aponta a FGV. Campelo argumenta que os bens intermediários são muito voltados para a exportação, que recupera o fôlego, porém lentamente. No caso dos bens de capital, que são as máquinas e os equipamentos, eles dependem da volta do investimento.

De toda forma, o índice de confiança da indústria de bens de capital foi o que teve a maior taxa de crescimento neste mês entre todos os segmentos pesquisados. O ICI dos bens de capital aumentou 13,8% de setembro para outubro. Na análise do economista, esse resultado é um indicador antecedente de que a volta do investimento e a aceleração na produção e venda de máquinas deve ocorrer em breve.

Outro dado relevante, que reforça a perspectiva de forte recuperação, é que a produção para três meses atingiu neste mês o maior nível da série histórica iniciada em 1980. Quase a metade das empresas (49,8%) prevê produção maior até dezembro.

09/10/2009 - 08:58h Miséria cai no Brasil, mas aumenta em São Paulo

Enquanto a “gestão” Kassab dificulta a expansão do Bolsa-Família federal e os tucanos discorrem sobre a bolsa-esmola, a miséria se agrava em São Paulo. A região metropolitana governada por Serra e Kassab é a única em que a miséria se agravou, no resto do país, ao contrário, ela diminuiu. É o que mostra estudo da FGV publicado no Estadão. LF

Ver também

Kassab deixa os pobres sem o Bolsa-Família

http://www.novacorja.org/wp-content/uploads/2009/01/serrakassab.jpg

Crise global afetou mais SP, diz FGV

Região metropolitana da capital é a única em que a miséria se agravou em agosto, com expansão de 5,91%


Adriana Chiarini, RIO – O Estado SP

A região metropolitana de São Paulo foi a que mais sofreu com a crise econômica entre as seis principais do País, de acordo com dados de pesquisa do Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foi a única em que a miséria aumentou em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado, com expansão de 5,91% da classe E. Na média das seis regiões, a miséria caiu 4,82%.

“São Paulo é a região metropolitana mais identificada com a indústria e o sistema financeiro, que foram os setores mais atingidos pela crise”, disse o economista-chefe do CPS, Marcelo Neri. “Em agosto do ano passado estávamos às vésperas da crise e, apesar disso, a miséria e a pobreza diminuíram no Brasil”, afirmou, sobre o resultado nacional.

A pesquisa é baseada em análise de dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ela mostra também que São Paulo teve em agosto o menor crescimento do conjunto de pessoas das classes de renda A, B e C, de 0,19%, entre as regiões no estudo. Nas demais, as classes alta e média tiveram aumentos bem maiores: Recife (6,05%); Salvador (5,11%); Porto Alegre (4,43%); Rio de Janeiro (1,55%) e Belo Horizonte (0,98%).

“São Paulo também tem poucos pobres, proporcionalmente, e acaba não sendo tão beneficiada por programas sociais para a pobreza como o Bolsa-Família quanto o Nordeste”, disse Marcelo Neri.

A região metropolitana de São Paulo teve queda de renda média por habitante de 2,78% em agosto em relação a igual mês de 2008, passando de R$ 883,06 para R$ 858,48. Essa redução só não foi pior que a de 3,91% no Recife, enquanto a média de crescimento de renda per capita nas seis regiões foi de 1,56%.

Apesar desse aumento, a média das seis regiões ainda é inferior à de São Paulo em valor, totalizando R$ 662,15. Uma outra parte da pesquisa do CPS, baseada nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), também do IBGE, que considera as 27 capitais brasileiras, mostra que São Paulo caiu no ranking de mais alta renda domiciliar per capita. Saiu do quarto lugar entre 1997 e 1999, com R$ 952,82, para o oitavo, no período de 2005 a 2008, com R$ 891,58. Antes, esteve em sétimo lugar, entre 2001 e 2004, com R$ 816,40.

A capital com maior renda por habitante no período entre 2005 e 2008 é Florianópolis, com R$ 1.161,18. Em seguida vem Porto Alegre, com R$ 1.153,89; Vitória, com R$ 1.149,51; Brasília, com R$ 1.098,55, e Curitiba, com R$ 1.035,64. Ainda ficaram à frente de São Paulo, o Rio de Janeiro, com R$ 950,14, e Belo Horizonte, com R$ 941,60.

NÚMEROS

5,9% foi o aumento
da quantidade de miseráveis em São Paulo

4,8% foi a queda
da miséria no resto do País

06/10/2009 - 10:54h País crescerá até 7% em 2010, prevê FGV

Para Ibre, economia retoma “exuberância” do período pré-crise; mercado volta a estimar expansão em 2009

http://1.bp.blogspot.com/_xTPwCM2NUeA/SgsMQ2hMVGI/AAAAAAAAB9s/TN_5Iz4Ap64/s400/bensdecapital.jpg


DA REDAÇÃO FOLHA SP

O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no ano que vem deve variar de 4,5% a 7%, de acordo com projeção do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Segundo análise da instituição, uma alta de 7% resultaria de uma recuperação em forma de V, “na qual a intensidade da retomada é equivalente à da contração ocorrida na virada de 2008 para 2009″. “O crescimento de 7% [do PIB] não é, de forma alguma, inconcebível.”
A Carta do Ibre aponta que a economia brasileira está retomando a “exuberância” do nível de atividade pré-crise.
A expansão mais consistente em 2010, porém, poderá trazer o maior desafio ao Banco Central desde a implementação do regime de metas de inflação, em 1999.
Na análise do Ibre, se a economia caminhar no ano que vem para uma taxa de crescimento próxima de 7%, o BC “enfrentará a situação desconfortável de ter que puxar o freio da política monetária em plena campanha eleitoral”. Já o cenário de 4,5% seria de mais tranquilidade para o BC, que poderia, sem o fantasma da pressão inflacionária, manter a taxa básica de juros em 8,75% ao ano.
Entre os fatores que devem estimular a economia em 2010, está o aumento do salário mínimo. Pelas regras atuais, o reajuste deve ser feito pela taxa de inflação do ano mais a taxa de crescimento do PIB verificada dois anos antes, o que elevaria o mínimo para R$ 505,90.

Mercado
Pela primeira vez desde o fim de março, economistas consultados pelo BC esperam uma variação positiva do PIB em 2009. Segundo a pesquisa Focus da última semana, a projeção é de crescimento de 0,01%.
Na semana anterior, a previsão era de variação zero do PIB. Desde março, porém, o mercado vinha prevendo retração na economia.
Em relação à taxa Selic, a previsão para 2010 foi aumentada pela segunda semana seguida, passando de 9,50% ao ano para 9,75%. Para 2009, continuou nos atuais 8,75%.
A projeção para o IPCA chegou a 4,31% para este ano.
Com a Folha Online

30/09/2009 - 17:27h Expectativa da indústria para a produção é a melhor em 18 anos, diz FGV

http://fiepb.com.br/images/noticias/3108/image/prodindust.jpg

TATIANA RESENDE da Folha Online

O índice de expectativa para a produção da indústria atingiu neste mês o maior nível (139,2) desde abril de 1991, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgada nesta quarta-feira.

O indicador considera a projeção para o trimestre (setembro, outubro e novembro), no comparativo com os três meses imediatamente anteriores, e é a combinação entre as respostas dos empresários otimistas e dos pessimistas. Nesse confronto, 49,9% esperam ampliar a produção, patamar semelhante ao de agosto de 2008 (50,0%). Já os que preveem diminuição totalizam 10,7% –menor nível desde novembro de 2007 (5,7%).

Para Aloísio Campelo, coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, esse indicador é “o mais operacional” entre os que compõem o Índice de Confiança da Indústria, que atingiu neste mês o maior nível desde setembro de 2008. O dado (109,5), que apresentou a nona alta consecutiva neste mês, está acima da média histórica e só 4,7% abaixo do patamar pré-crise. “Houve uma diminuição das incertezas.”

O setor de material de transporte, que engloba montadoras e autopeças, é o que tem a melhor expectativa sobre a produção, seguido de metalurgia, materiais plásticos e celulose, papel e papelão. A cadeia da indústria automotiva também lidera o otimismo na análise do índice de confiança geral e já está em um patamar mais elevado até do que a média histórica, considerando o período desde o Plano Real.

A partir de amanhã, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido em dezembro do ano passado para automóveis, com o objetivo de impulsionar as vendas, volta a subir gradativamente, até chegar à alíquota original em janeiro.

Emprego

A expectativa para o emprego no mesmo período é menos otimista do que para a produção. Isso mostra, na avaliação de Campelo, que a indústria vai em busca de aumento de produtividade e ampliação no número de horas extras antes de acelerar as contratações. De acordo com a pesquisa, 26,5% dos empresários projetam um incremento no quadro de funcionários e 14,4%, retração, resultando em um índice (112,1) que só é inferior ao de setembro de 2008 (115,1).

Na perspectiva da situação dos negócios para os próximos seis meses, o índice também é o melhor desde o agravamento da crise. “O mercado externo deve passar a ter mais relevância”, afirmou.

O nível de demanda global teve uma leve queda (-1,9%) entre agosto e setembro por causa do mercado interno (-0,7%), que já estava em um patamar alto. Já o nível de demanda externa cresceu 2,9%, mas ainda está abaixo da média histórica.

Na avaliação de estoques, 5,0% dos empresários o consideram insuficiente, e 4,5%, excessivo.”Esse indicador retrata o equilíbrio. Os estoques estão ajustados”, comentou Campelo. Corroborando o momento favorável, a utilização da capacidade instalada na indústria chegou a 81,9% em setembro, superior a agosto (81,3%) e bem próxima da média histórica (82,2%).

17/09/2009 - 10:11h Um ano de crise: empate social com muitos gols

Colunista

Marcelo Neri – VALOR

Na passagem do Ano I D.C. (ano um depois da crise) no dia 15 de setembro, quando a crise irrompeu as bolsas de valores lá fora, o que podemos dizer dos seus efeitos no bolso do brasileiro? O Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/IBRE/FGV) revelou em sucessivos estudos a emergência de uma nova classe média no Brasil: no período de 2003 a 2008 quando 27 milhões de pessoas ascenderam às classes ABC ( www.fgv.br/cps/classemedia e www.fgv.br/cps/desigualdade ).

Com a chegada da crise externa ao país a partir de setembro de 2008, nossos estudos voltaram-se à crônica da manutenção, ou queda, dos padrões de vida recém-conquistados naquele período crítico (www.fgv.br/cps/crise e www.fgv.br/cps/crise2009). A nova classe média brasileira tornou-se um ativo macroeconômico crucial para compensar a queda na exportação de nossos produtos como fruto da retração global. Damos sequência aqui, com dados até julho de 2009, ao monitoramento da evolução da composição da população em seus diversos estratos econômicos (isto é, as classes E, D, C e AB), bem como de seus determinantes próximos, como a desigualdade e mobilidade de renda e seus respectivos componentes trabalhistas.

Julho de 2009, nove meses após a chegada da crise, já há uma visão clara dos seus efeitos na renda dos trabalhadores brasileiros nas seis maiores metrópoles do país. A desigualdade de renda, que passou por forte deterioração em janeiro, quando perdeu-se parte das melhoras dos últimos anos, já voltou em julho último aos níveis mais próximos do pré-crise, uma virtual estabilidade em níveis de julho de 2009 e 2008 (aumento do Gini de 0,3%).

A boa notícia é que estamos voltando aos níveis mais baixos da nossa série histórica, que datam de 1960. Mesmo a classe AB, que ganha mais de R$ 4.800,00 por mês e que tinha perdido mais com a crise (-2,7% só em janeiro), está hoje apenas 0,5% abaixo dos níveis de um ano atrás (14,97% da população estão na classe AB, com quase 55% da renda). A classe C já está no saldo positivo, com ganho de 2,5% em 12 meses (com 53,2%, a classe dominante no sentido populacional). Se esse empate com muitos gols pode ser considerado um bom resultado em época de crise, por outro lado ele esconde uma parada súbita da melhora prévia dos indicadores: de julho de 2003 a julho de 2008, a Classe AB cresceu 35,7%, a classe C subiu 23,1% e a desigualdade de renda caiu como nunca tinha caído antes nas séries estatísticas brasileiras.

Uma síntese pode ser encontrada na soma das classes ABC, que subiu 1,81% no período de crise e 25,7% na auspiciosa fase anterior à chegada da crise no Brasil. Um aspecto inovador da pesquisa foi abrir as periferias das metrópoles, onde observamos aumentos das classes ABC de 2,8% nos últimos 12 meses e de 31,15% no período anterior, em níveis portanto bastante superiores aos das metrópoles. Ou seja, da mesma forma que esta é uma crise no centro do capitalismo mundial, leia-se países desenvolvidos, e não da chamada periferia, nas metrópoles vale o mesmo: as capitais mais conectadas com o exterior pelas vias das exportações industriais e do crédito sofreram mais que as periferias.

Antes de começar a comemorar, devemos ressaltar que temos ainda muitas incertezas e desafios no futuro próximo. Ao compararmos esta última semana da série com o total do mês percebemos que a classe ABC assumiria um viés de baixa (67,44%, ou seja 1,06% abaixo da média do mês de julho de 2009 como um todo, mas ainda 1,1% maior que julho de 2008). Como se isto não bastasse, vai ser difícil nos próximos dois meses manter o ritmo de crescimento do período julho-setembro do ano passado, quando as classes ABC estavam bombando, como se diz na gíria, crescendo 2,4% no período. Ou seja, um empate de fato em setembro, um ano D.C. deve ser visto como um resultado ainda mais auspicioso que o observado até agora.

O brasileiro se acostumou com facilidade às vitórias e não aceita empates. Mal comparando, é como na louvável classificação antecipada que acabamos de conquistar para a Copa do Mundo, ou o fato de sermos, até 2018, o único país a ter participado de todas as edições da Copa. Mas, os trunfos recentes ou passados não vão atenuar um fiasco no ano que vem. Isto é tão certo quanto o fato dos argentinos não comemorarem por nós, ou que nós não choremos por eles.

Nossa estratégia é, a cada atualização das nossas séries tradicionais, incorporar uma nova dimensão à análise da nova classe média como o acesso a bens de consumo, empreendedorismo e microcrédito, educação de boa qualidade, entre outros, explorando a cada pesquisa uma nova ótica. Na nossa última pesquisa, impactados pelos riscos emanados do estouro de bolhas financeiras, exploramos a demanda por mecanismos de seguro pela população de baixa renda e pelos segmentos recém-promovidos a novos estratos econômicos.

Microsseguros é uma agenda que emerge só agora, tal como o microcrédito floresceu nas últimas duas décadas. São sequências naturais de um mesmo processo: o microcrédito possibilita às pessoas subirem na vida e o microsseguro impede que essas mesmas pessoas sucumbam a choques adversos relacionados a desemprego, doenças, acidentes, roubo, morte, entre outros. Isto é, microsseguro impede que uma situação crítica se torne crônica (vide WWW.fgv.br/cps/ms). Durante a melhora na distribuição de renda dos últimos anos, demos os pobres ao mercado consumidor. Há que se fechar o ciclo e dar o mercado aos pobres produtores.

Reconhecer os pobres como protagonistas de suas vidas, explorar as interações público-privadas no bojo das políticas sociais, desenvolver ações de empreendedorismo que atendam a principal dificuldade relatada pelos nanoempresários: falta de clientes, desenvolver microsseguros e o crédito produtivo popular, dar qualidade à educação básica compõem a nova geração de políticas públicas para a próxima década. O desafio é por meio dessas ações articular o meio de campo entre a nossa bem plantada defesa macroeconômica e o nosso ataque social.

Marcelo Côrtes Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV, é autor de “Retratos da Deficiência”, “Cobertura Previdenciária: Diagnóstico e Propostas” e “Ensaios sociais”. E-mail: mcneri@fgv.br

10/09/2009 - 15:57h Mesmo na crise, pobres migram para classe média

Estudo da FGV aponta expansão da classe média

FolhaNews – VALOR

A crise econômica não interrompeu o processo de expansão da classe média brasileira, revela estudo feito pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em dados da Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE . A população economicamente ativa incluída na classe C (pessoas com renda domiciliar de R$ 1.115 a R$ 4.807) representava, em julho, 53,20% do total, crescimento de 2,5% sobre a proporção verificada em julho de 2008.

Ao mesmo tempo, a classe AB (renda superior a R$ 4.807) teve retração de 0,5%. Em julho, representava 14,97% da população, de acordo com os dados da FGV. A classe D (entre R$ 804 e R$ 1.115) diminuiu 4,1% em relação a julho do ano passado, significando 13,51% dos brasileiros. A classe E (renda inferior a R$ 804) apresentou recuo de 3,3% em um ano, passando a representar 18,32% da população.

“No período pré-crise, em cinco anos, houve crescimento de 35% da classe AB e de 23% da classe C. No pós-crise, a boa notícia é que houve algumas perdas iniciais já recuperadas. Hoje, a classe AB está 0,5% abaixo de um ano atrás, e a classe C está 2,5% acima. Ou seja, a crise não afetou o bolso do brasileiro comum”, afirmou o coordenador do estudo, Marcelo Neri.

Neri explicou que está havendo uma recomposição da classe AB, sem perdas significativas. Ele frisou que o aumento da classe C é resultado, basicamente, de pessoas oriundas das classe mais baixas (D e E). O economista acrescentou que as chamadas periferias mantiveram um bom ritmo de atividade econômica durante a crise, sendo menos afetadas que os grandes centros urbanos.

“A peça-chave contra a crise brasileira é a classe média, é o poder de compra construído nos últimos anos. Então, as periferias conseguiram aumentar suas rendas nos últimos anos, isso segurou a atividade econômica dessas áreas na crise. Esse mercado interno gera atividade, e atividade gera emprego e mercado interno”, comentou Neri.

Estadão

De acordo com pesquisador da FGV, com a crise, ficou mais difícil se manter nas classes A e B

Adriana Chiarini, RIO – O Estado SP

A crise no Brasil atingiu principalmente a população de maior renda, inclusive na capital de São Paulo. A virada econômica dificultou o acesso e a permanência nas classes econômicas mais altas, A e B. Porém, os mais pobres, das classes D e E, mantiveram a mobilidade em direção à classe, classificada como “média baixa”. Essas são algumas das conclusões de estudo do Centro de Políticas Sociais (CPS), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) feito a partir da comparação de dados de julho deste ano com o mesmo mês de 2008.

O conjunto das classes A e B chegou a cair 0,5% entre julho do ano passado e julho deste ano, em contraste com o crescimento de 35,7% entre julho de 2003 e o mesmo mês do ano passado. Por outro lado, a classe C, cresceu 2,5% de julho do ano passado até julho de 2009, principalmente pela passagem de pessoas das classes mais baixas para a classe média. A classe C tinha crescido 23,1% entre os meses de julho de 2003 e 2008.

“É um empate e é um resultado muito bom para a época de crise, mas é uma parada súbita, já que a gente vinha melhorando a taxas altas. O copo está meio cheio e meio vazio”, disse o economista-chefe do CPS, Marcelo Neri. Ele observou que, entre 2003 e 2008, 27 milhões de pessoas – “meia França”, salientou – foram incorporadas ao conjunto de classes A, B e C e 24 milhões deixaram a pobreza.

Na capital de São Paulo, o conjunto das classes A, B e C caiu 0,68% entre julho de 2008 e julho de 2009. No entanto, na periferia paulista, houve um crescimento de 0,67% nesse grupo. Neri observou que, com exceção de Salvador, as periferias de maneira geral, reagiram melhor à crise do que as capitais nas seis principais regiões metropolitanas do País. Entre elas, São Paulo foi a única capital com queda no total das classes A, B e C.

Na avaliação de Neri, tanto a melhor performance das periferias quanto o pior desempenho de São Paulo podem estar relacionadas a que a indústria, principalmente a exportadora, e as instituições financeiras foram mais atingidas pela crise. Já as periferias teriam se beneficiado da renda da população mais pobre que continuou movimentando setores de comércio e serviços, segundo o especialista. “O mercado interno foi um verdadeiro Pelé contra a crise”, disse Neri.

A crise também parou a trajetória de queda do índice de Gini, que indica a desigualdade na economia quanto maior estiver, que subiu 0,30% em julho de 2009 em relação a igual mês de 2008. Foi a primeira alta na comparação de julho contra julho do ano anterior desde 2001, segundo Neri.

Ele comentou que a desigualdade esteve mais alta em janeiro deste ano e que o resultado de julho já representa melhora em relação àquele mês.

Também observou que a diferença entre o índice de julho de 2008 e o de julho deste ano é pequena.

De acordo com Néri, com a crise, ficou mais difícil se manter nas classes A e B. De cada 100 brasileiros que estavam em alguma dessas classes em julho de 2008, 25 tinham saído em julho de 2009, embora outros tenham ascendido. De julho de 2006 para 2007, os que saíram foram 18 em cada 100.

FOLHA

Desigualdade recua a patamar pré-crise

Estudo da Fundação Getulio Vargas aponta que principais regiões metropolitanas do país dão sinais de recuperação

Pobreza havia aumentado de forma preocupante no começo do ano; pesquisador questiona se indicador ficará parado no nível atual

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

As seis principais regiões metropolitanas brasileiras dão sinais de que estão se recuperando da crise, segundo estudo divulgado ontem pelo economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas.
Ao analisar a evolução da renda na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE -a PME- especialmente de julho de 2008 a julho deste ano, Neri detectou que a desigualdade, que tinha dado sinais preocupantes de aumento nos primeiros meses deste ano, no pico da crise, praticamente voltou aos patamares de 12 meses atrás.
De 2003 a 2008, a série histórica mostra que a pobreza e a desigualdade caíram de forma praticamente constante. Esse movimento de melhoria foi interrompido em janeiro deste ano, quando os efeitos da crise começaram a ser percebidos com mais força nas regiões metropolitanas brasileiras.
A piora verificada nos quatro primeiros meses do ano, no entanto, foi compensada pela melhoria na PME em maio, junho e julho. Com isso, os indicadores de desigualdade e pobreza voltaram praticamente aos patamares de 12 meses antes.
“O que houve foi um empate, o que não é ruim em tempos de crise. Mas a questão agora é o que vai acontecer no futuro: voltaremos a melhorar com a pujança de antes ou ficaremos estagnados nessa situação atual?”, indaga o pesquisador.
Em julho de 2003, 47% dos brasileiros estavam nas classes D ou E, definidas no estudo como aquelas em que a renda domiciliar total é inferior a R$ 1.115. Em julho de 2008, essa proporção caiu para 33%. Neste ano, no mesmo mês, o percentual registrado foi de 32%.
No caso da desigualdade, que é medida pelo índice de Gini, de julho de 2003 para julho de 2008 a redução foi de 5,8%. No período de julho de 2008 a julho deste ano, houve ligeiro aumento de 0,3%.
A analise mensal, no entanto, mostra que apenas em janeiro houve um aumento de 2,5% em relação a dezembro do ano passado. Esse pico foi compensado em parte pela redução verificada a partir de abril. Isso fez com que o indicador de todo o período de 12 meses de julho a julho ficasse praticamente estável.

São Paulo
Na comparação das seis regiões metropolitanas da pesquisa (São Paulo, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio e Porto Alegre), São Paulo teve o pior desempenho entre julho de 2008 e julho de 2009, com aumento na renda per capita de apenas 0,5%. Nas demais, o crescimento variou de 3,7% (caso de Recife) a 6,4% (em Belo Horizonte).
Neri analisou também separadamente as capitais e as demais cidades que compõem as regiões metropolitanas. Na maioria delas, os municípios ao redor das capitais atravessaram melhor o período de crise.
Em São Paulo, por exemplo, a capital chegou a registrar de julho de 2008 a julho de 2009 queda de 3,2% na renda média per capita. Em compensação, as demais cidades da região metropolitana tiveram crescimento de 7,7% na renda média.
A hipótese do economista para explicar esse comportamento é que as capitais, por serem mais industrializadas, sentiram mais os efeitos da crise econômica internacional.
“Foram os mercados financeiros que transmitiram a crise. Talvez as periferias sejam menos conectadas aos mercados externos via exportação.”

15/06/2009 - 10:22h Crise “amena” no Brasil é prova de estabilidade, diz pesquisadora

http://www.mediasources.ucr.edu/images/200.jpg

Para a brasileira Marcelle Chauvet, da Universidade da Califórnia e relatora de comitê da FGV que avalia recessões, recuperação substancial vem no 2º semestre

DENYSE GODOY – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Para a pesquisadora Marcelle Chauvet, o fato de o Brasil estar atravessando a atual crise mais suavemente do que outras nações é mais uma prova da sua estabilidade. Segundo os seus cálculos, a recuperação está em curso e já no segundo semestre o país pode voltar a crescer. Leia abaixo trechos da entrevista que ela concedeu à Folha por e-mail e por telefone da casa da sua família, em Brasília, na semana passada.
FOLHA – O Brasil entrou oficialmente em recessão no primeiro trimestre do ano. O que os índices já dizem sobre a economia do país no segundo trimestre?
MARCELLE CHAUVET – Os indicadores de atividade apontam para uma recuperação já a partir de março. Os dados de abril são ainda melhores, indicando uma recuperação econômica contínua. Essa retomada ainda é incipiente e relativamente frágil: precisa se sustentar nos próximos meses para definir o fim da recessão.

FOLHA – Quais os dados que mostram melhora e quais estão fracos?
CHAUVET
– Normalmente, o emprego é a variável que demora mais a indicar a recessão, pois as empresas tendem a segurar os seus funcionários tanto quanto possível. Reduzem a jornada, dão férias, para só depois demitir mesmo. Da mesma maneira, os empregos só serão retomados quando a expansão se estabilizar mais. Em março, esse é um dos índices mais fracos. Já nos dados relativos a produção e vendas da indústria, começa a haver uma recuperação.

FOLHA – É correto aplicar o termo recessão ao que aconteceu no Brasil? Quando os especialistas falam em recessão técnica e frisam o termo “técnica”, tem-se a impressão de que o fenômeno se encaixa na definição teórica sem ocupá-la com propriedade.
CHAUVET
- O conceito mais tradicional de recessão é aquele baseado na análise do NBER (National Bureau of Economic Research), dos EUA, desde os anos 1940. Por essa definição, recessão é uma queda generalizada e substancial de vários setores da economia por um período de pelo menos cinco a seis meses. Afeta não só a produção mas também a renda pessoal, o emprego, as vendas do comércio e da indústria. Usar o conceito de queda do PIB [Produto Interno Bruto] por dois trimestres é uma forma mais popular e acessível. Essa definição pode ser problemática porque não reflete diretamente as condições do mercado de trabalho e também não incorpora nuances importantes da volatilidade econômica durante períodos recessivos. Por exemplo, suponha que a economia estivesse apresentando um crescimento forte, de 5%, e um choque interno ou externo fizesse com que a atividade recuasse 3% em um trimestre e avançasse 0,1% no seguinte. O conceito simplificado não indicaria esse período como de recessão. No entanto, o emprego, a renda, os lucros, as vendas etc. podem ter caído substancialmente, e diversos setores e agentes teriam sido afetados. Pela definição do NBER, esse período seria de recessão.

FOLHA – Essa foi mais ou menos a situação do Brasil. Ainda assim, alguns setores não experimentaram toda essa contração.
CHAUVET
– As quedas mais bruscas se deram no setor industrial, então as pessoas próximas a ele, tanto empregadores como empregados, perceberam. Quem não sentiu foi o setor de serviços. Porém a desaceleração atingiu profundamente o país. As recessões enfrentadas pelo Brasil na última década foram muito curtas, bateram e foram embora muito rápido, não chegaram a afetar demais o emprego. Isso mostra que a economia do país está realmente mais estabilizada.

FOLHA – Quanto tempo vai levar para que o Brasil volte a crescer?
CHAUVET
– Se não houver outro choque externo significativo, a economia brasileira deve se recuperar substancialmente neste ano já a partir do segundo semestre. A queda da produção no último trimestre de 2008 foi brusca, porém os modelos indicam que essa queda foi temporária e que já está havendo uma recuperação. O Brasil entrou em recessão bem depois dos EUA e deve sair dessa antes.

FOLHA – E as previsões de que a recessão nos EUA vai passar entre o final deste ano e começo do próximo são factíveis, pelo modelo?
CHAUVET
- Sim, as probabilidades de recessão para os EUA vêm caindo lenta mas continuamente. No entanto janeiro e fevereiro foram meses muito ruins ainda, com probabilidades de recessão por volta de 90%. A economia americana começou a mostrar sinais de recuperação a partir de março e os dados de abril confirmam isso. A economia americana pode sair da recessão já no terceiro trimestre deste ano. O modelo apresenta probabilidades inferiores a 50% no outono [do hemisfério Norte].
O fim da recessão, o vale, na verdade representa o fundo do poço e um movimento ascendente das séries. Os economistas dizem que a recuperação vai ser lenta, mas ainda não é possível saber. A renda dos consumidores não caiu tanto, e pode ser que em certo momento eles não tenham conseguido comprar porque não havia produtos -com medo, os comerciantes reduziram drasticamente seus estoques. Quando a produção volta ao normal, se as pessoas estão com dinheiro e não muito temerosas em relação ao futuro, a tendência é que voltem a gastar.

28/05/2009 - 10:55h Crise externa interrompe 21 trimestres seguidos de crescimento (2003-2008) com alta acumulada de 30% no PIB. Fim da recessão “não será longa”

http://1.bp.blogspot.com/_6886BCkrAL0/SNalVPCoDuI/AAAAAAAACDw/q0v9yqkwWdI/s400/CRISE+AMERICAN+1.jpg

País entrou em recessão em 2008, diz comitê

Retração começou no último trimestre do ano passado, diz órgão recém-criado da FGV para determinar ciclos econômicos

Recessão interrompe 21 trimestres seguidos de crescimento, com alta acumulada de 30% no PIB, segundo nova metodologia

PEDRO SOARES – FOLHA SP

DA SUCURSAL DO RIO

“Não há dúvida” de que o Brasil entrou em recessão no último trimestre de 2008, interrompendo 21 trimestres de expansão continuada da economia, o mais longo ciclo de crescimento desde 1980, que gerou incremento acumulado do PIB de 29,9% -nível só verificado na história recente no ciclo expansionista entre 1983 a 1987.
As conclusões são do Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos), criado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) para apoiar as decisões de política monetária e de planejamento das empresas. Iniciativa inédita no país, a criação do Codace segue os moldes e a proposta de comitê similar dos EUA, o NBER (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês), que afirmou que aquele país está em recessão desde o final de 2007.
Relatora do Codace, a economista Marcelle Chauvet, professora da Universidade da Califórnia, disse que a decisão de marcar o início da recessão no Brasil não considera projeções sobre o futuro da economia. Levou em conta, porém, indicadores que mostram que “não há dúvida” sobre o declínio da economia por um período superior a seis meses, segundo ela.
Esse é o prazo mínimo que o comitê considera necessário para determinar um novo ciclo, de expansão ou recessão.
Segundo Régis Bonelli, pesquisador da FGV, o Brasil vive claramente uma fase de recessão, e os indicadores de produção da indústria apontam uma contração do PIB no primeiro e no segundo trimestre deste ano. Ele é também membro do comitê, mas disse que essa opinião é sua, não do órgão.
O papel do Codace é analisar o passado e determinar o começo e o fim dos ciclos econômicos, sem fazer projeções. Por isso, seus integrantes são econômicos na hora de fazer análises prospectivas. Além de Bonelli e Chauvet, mais cinco economistas integram o comitê de notáveis: Affonso Celso Pastore (coordenador do grupo, ex-presidente do Banco Central), Dionísio Dias Carneiro (Casa das Garças), João Victor Issler (FGV), Marco Bonomo (FGV) e Paulo Picchetti (FGV).
O grupo foi criado neste mês e se reuniu na segunda-feira e na terça-feira para discutir a “datação” do atual ciclo e o cenário macroeconômico.
De acordo com Chauvet, a informação de quando o país entra numa fase recessiva ou expansionista é “fundamental” para auxiliar o planejamento das empresas e definir estratégias de estoques, investimentos e produção. Pode também ajudar o governo na definição da política monetária.
“Saber quando o país entrou em recessão é fundamental para a política monetária. E enterra aquela regra sem fundamento econômico de que dois PIBs negativos seguidos indicam recessão. É um dado importante para calibrar a política de juros”, disse Sérgio Vale, economista da MB Associados.
Para Vale, outra vantagem é que o comitê usa outros dados para decretar se o país está ou não em recessão -como produção, emprego e renda. “Acaba a centralidade do PIB”, diz.
Sobre a duração do atual ciclo, Vale acredita que somente ao final do segundo trimestre o país poderá começar a sair da recessão. “Não será uma recessão tão longa nem profunda como nos EUA. O mercado interno sustentará a economia.”
Já Thaís Marzola Zara, economista da Rosenberg & Associados, diz que só em 2010 o Brasil deixará a recessão para trás e retomará os níveis de produção anteriores ao quarto trimestre de 2008. Ela já vê, porém, sinais de melhora a partir do quarto trimestre deste ano.

27/05/2009 - 12:17h Os critérios para definir crescimento e recessão ficam mais precisos

Brasil já define recessão pelo critério dos EUA

Hoje, Comitê do Ibre divulga ciclos econômicos nos últimos 30 anos

Fernando Dantas, RIO – O Estado SP

O Brasil já estabelece os seus períodos de expansão e contração econômica num método semelhante ao dos Estados Unidos. A datação é considerada de melhor qualidade do que o critério de dois trimestres seguidos adotado para definir o que se chama de “recessão técnica” na maior parte dos países.

Hoje, em entrevista à imprensa no Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio, será divulgada a cronologia dos ciclos de expansão e recessão da economia brasileira nos últimos 30 anos, com pontos de transição precisos, estabelecida pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), organizado pelo Ibre.

O Codace é coordenado por Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central (BC), e tem como membros os economistas Dionísio Dias Carneiro, do Instituto de Estudos de Política Econômica (Iepe-Casa das Garças); João Victor Issler, da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da FGV-Rio; Marcelle Chauvet, da Universidade da Califórnia; Marco Bonomo, da EPGE; Paulo Picchetti, da Escola de Economia de São Paulo (EESP/FGV); e Regis Bonelli, do Ibre.

O Codace vai funcionar de forma parecida com o Comitê de Datação de Ciclo de Negócios do National Bureau of Economic Research (NBER), dos EUA. O Comitê do NBER tem a datação dos ciclos econômicos americanos desde 1854, e, no seu site, deixa claro que uma recessão não é definida como dois trimestres consecutivos de queda do PIB real, mas, sim, por “um declínio significativo na atividade econômica espalhado pela economia, durando mais do que alguns meses, normalmente visível no PIB real, na renda real, no emprego, na produção industrial e nas vendas no atacado e varejo”.

Na verdade, o método do NBER, e também o do Codace, além de utilizar todos aqueles dados, conta também com a interpretação dos conselheiros para definir os períodos de recessão e expansão.

Para Rodrigo Azevedo, ex-diretor do BC e sócio da JGP Investimentos, “essa iniciativa é importante porque uniformiza a leitura do ciclo econômico no Brasil”. Alexandre Schwartsman, economista chefe do Santander e também ex-diretor do BC, considera que a datação “é uma tremenda iniciativa, já que a definição de dois trimestres consecutivos de redução do PIB é muito superficial”.

26/03/2009 - 15:41h Moradia: no plenario da Assembleia Legislativa, criticas ao governador Serra

O programa habitacional lançado pelo presidente Lula nesta quarta-feira foi o tema central dos debates no plenário da Assembleia Legislativa. Já conhecido como “Minha Casa, Minha Vida”, o programa prevê a construção de um milhão de moradias para famílias com renda de até dez salários mínimos.

A bancada petista manifestou indignação com a atitude do governador José Serra, que tem sinalizado que não pretende fazer concessões tributárias, a exemplo de outros estados, para garantir a participação de São Paulo no programa de moradia popular do governo federal.

Com início previsto já para o dia 13 de abril, “Minha Casa, Minha Vida” envolve recursos de 34 bilhões de reais, além dos 4,5 bilhões de reais previstos no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para linhas de financiamento já existentes.

Apesar de toda esta atividade do governo federal para o combate do déficit habitacional, ativação da economia e geração de emprego, o governo paulista, sob a alegação de que São Paulo tem um programa próprio, apresenta uma proposta tímida de ao longo dos quatros anos de sua gestão, entregar 120 mil casas para um déficit de 1,5 milhão de moradias no Estado.

“Lutamos para que São Paulo tenha uma política semelhante a do governo Lula, que destina recursos de acordo com as necessidades dos municípios e não em função de partidos”, disse o líder da bancada petista, Rui Falcão.

Para o deputado Simão Pedro, “chama a atenção para a atitude do governador Serra que se nega a participar do esforço coletivo de outros governadores e prefeitos e diminuir, por exemplo, a alíquota de ICMS no material de construção para baratear a moradia popular”.

A forma criativa e inédita do governo federal de enfrentar a crise global, com a construção de moradias e geração de empregos, em contraste com o descumprimento até de metas orçamentárias do governo Serra foi ressaltada pelos deputados Carlinhos de Almeida, Fausto Figueira e Antonio Mentor.

Mas, o programa de moradia popular do governo federal também é destaque dos principais jornais do País pelo incentivo à cidadania do brasileiro. “A luta pela moradia popular é um dos pilares do movimento social. Por isso, o programa tem o grande mérito de atenuar a crise e também de responder ao anseio de milhares de famílias que sonham com a casa própria e todos sabemos como a aquisição deste bem é importante para os brasileiros”, destacou o deputado Vicente Cândido, que lembrou ainda que é a primeira vez na história do Brasil que o governo tem um papel ativo diante da crise.

Fonte Bancada do PT na Assembleia Legislativa SP

26/03/2009 - 13:36h “Minha Casa, Minha Vida”: o bom exemplo da prefeitura de Rio

Clique na imagem do jornal O Globo, para ampliar e ler

habitacao_rio.jpg

26/03/2009 - 13:11h “Minha Casa, Minha Vida” exige agilidade das prefeituras e da Caixa, assim como vontade política dos governadores

casa_propria3.jpgFaz vários dias que a maioria dos comentários enviados ao blog solicitam informações sobre como e onde se cadastrar para aceder à casa própria com o programa “Minha casa, Minha Vida”.

Seguramente as prefeituras, responsáveis do cadastro e a Caixa Econômica Federal (CEF) procederão a informar os endereços para inscrição. Este será um dos problemas que deverão ser equacionados para dinamizar o atendimento e facilitar as informações, para que o programa ande rápido. O artigo a seguir, do jornal VALOR, mostra a importância de azeitar o funcionamento da burocracia para facilitar o deslanche do programa.

Uma preocupação, já abordada neste blog, é com a decisão dos governos estaduais em relação à redução do ICMS contrapartida necessária ao impacto do programa e ao seu custo para o destinatário final da casa própria. Segundo o jornal VALOR, o governador José Serra teria recusado abater o ICMS e não estaria disposto a colaborar para que o programa tenha exito. Segundo o jornal VALOR às motivações do governador José Serra seriam puramente eleitoreiras.

Caberá a população fazer pressão para que estes obstaculos, políticos ou burocraticos, sejam vencidos para poder obter o resultado esperado por todos: o acesso a casa própria. LF

Burocracia tem de funcionar, alerta setor de construção

Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

O programa habitacional de R$ 34 bilhões para a construção de 1 milhão de casas para a população que ganha até dez salários mínimos representa o primeiro passo na direção de uma reforma mais profunda da legislação para acabar com o déficit habitacional de aproximadamente 7,5 milhões de moradias. A avaliação foi feita pelo presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão.

O dirigente da entidade garante que os empresários do setor têm capacidade para responder aos estímulos do governo, mas alertou para o fato de que a burocracia tem de funcionar em todos os níveis da administração pública. “Não há mais desculpa com essas normas do programa e com essa clareza que está aí. Os primeiros sinais são excelentes e acredito que o governo não vai emperrar”, admite.

Há três preocupações identificadas por Simão no programa Minha Casa, Minha Vida. A primeira está relacionada com as áreas que serão usadas para os empreendimentos e, nesse aspecto, estão envolvidos todos os desdobramentos ambientais e fundiários. Em segundo lugar, vem a falta de harmonização dos projetos com o desenvolvimento urbano das cidades.

Por fim, Paulo Simão torce para o bom funcionamento dos complexos mecanismos de subsídio, seguro e garantias no período inicial das medidas, para que não prevaleça um sentimento de desânimo entre os principais agentes.

Por outro lado, o presidente da CBIC também reconhece que há três grandes virtudes no pacote habitacional. Em primeiro lugar, cita o foco para a população de baixa renda que ganha até três salários mínimos. Além disso, elogia o governo federal porque foi derrubado o obstáculo que impedia a aplicação de fortes subsídios nessa área. O patamar saltou das centenas de milhões para R$ 20 bilhões. Ele também considera positivo o fato de as escrituras dos imóveis serem lançadas em nome das mulheres, medida que, na sua opinião, protege a família.

Quando o presidente da CBIC argumenta que o programa habitacional é um primeiro passo para atacar o déficit habitacional, refere-se ao projeto de lei que deve ser apresentado em pouco tempo para consolidar duas propostas. Uma delas foi originada das discussões conduzidas no Ministério das Cidades que levaram ao Plano Nacional de Habitação (Planhab).

Do lado da sociedade, há um conjunto de propostas que recebeu o nome Moradia Digna. Nas contas da CBIC, investimentos de R$ 28 bilhões por ano, por 18 anos, acabariam com o déficit habitacional no país.

Simão explica que essa consolidação vai representar grande avanço, mas exigirá que o Congresso faça mudanças profundas na legislação para, entre outras medidas, vincular 2% da arrecadação líquida para a habitação popular.

Além da garantia das fontes de recursos e subsídios, o presidente da CBIC explica que há previsão de novo marco regulatório para o setor, desoneração tributária do produto final, incentivo à inovação tecnológica, concentração de todas as informações do imóvel na matrícula, padronização dos materiais de construção em nível nacional, e por fim, a desburocratização e descentralização do uso dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

26/03/2009 - 12:50h Tire alguma das dúvidas sobre o programa “Minha Casa, Minha Vida”

casa_propria3.jpgPara poder se inscrever no programa “Minha Casa, Minha Vida” é necessário RG e CPF. O comprovante de renda poderá ser formal ou informal.

Os beneficiados que recebem até 3 salário mínimos deverão estar inscritos no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal). Para se inscrever, o interessado deverá procurar a prefeitura ou as Associações de moradia (fonte jornal AGORA).

Depois de ser escolhido, ele será convocado a apresentar seus documentos na Caixa ou na própria prefeitura.

A condição para participar é não ter participado de programa de habitação do governo e não ter imóvel, nem financiamento em curso.

Para os interessados com renda de três a dez salários mínimos, será solicitado também o comprovante da declaração do Imposto de Renda. Neste caso será feita uma verificação na ficha do cadastro habitacional, para ver se o candidato já possui um imóvel; será consultado o serviço de proteção ao crédito (Serasa ou SCPC) e verificado seu nome no Cadmut (cadastro Nacional de Mutuário).

A localização dos imóveis poderá ser consultada na Caixa, a Prefeitura, as empresas construtoras e os bancos que operam o FGTS.

O programa não permite comprar imóvel usado, só novos.

Em caso de perder o emprego, o beneficiado que ganha até três salários mínimos poderá ter a prestação paga pelo governo. Quem ganha mais que isso, haverá um Fundo Garantidor, em que o mutuário pagará 0,5% do valor da prestação e assim, ele poderá deixar de pagar as prestações por até três anos, pagando só 5% durante o período e refinanciando a dívida depois.

O programa começa no dia 13 de abril e os interessados poderão procurar a Agencia da Caixa mais próxima ou a prefeitura da sua cidade.

LF

Fonte jornal AGORA

26/03/2009 - 12:16h Com pacote, MRV espera expansão na baixa renda

Katia Lombardi / Valor
http://milenaandrade.files.wordpress.com/2007/10/baixa-renda.jpg

Leonardo Correa, diretor: “Crescemos três dígitos em lançamentos, vendas e receita e mantivemos a lucratividade.”

Por Daniela D’Ambrosio, de São Paulo  – VALOR

Ontem, o presidente da MRV, Rubens Menin, estava entre os cinco empresários do setor que estiveram na solenidade de apresentação do pacote habitacional do governo. Engrossou o coro otimista em relação às medidas anunciadas e arregaçou as mangas para que sua empresa possa aproveitar os benefícios e subsídios do pacote. A mineira MRV já começa a estudar uma forma de atender o público de zero a três salários mínimos – que terão subsídio integral com isenção do seguro – e que não era atendido pela companhia.

O balanço de 2008 da empresa mostra um crescimento importante da companhia e, segundo Menin, a ideia é que a MRV tenha uma expansão acima das projeções iniciais por conta do pacote. O novo planejamento da companhia começa a ser feito amanhã por um time de 20 profissionais de várias áreas eleitos para “agilizar a participação da empresa no pacote”, segundo Menin. A empresa divulgou “guidance” (projeção) de vendas pré-pacote entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2 bilhões para o ano. “O benefício ao segmento de baixa renda e às empresas que já têm tradição no segmento é muito grande.”

No quarto trimestre, as vendas contratadas da companhia aumentaram 19,4% em relação ao mesmo período de 2007, atingindo R$ 298,4 milhões. No acumulado de 2008, as vendas totalizaram R$ 1,54 bilhão, alta de 115,4% em relação ao ano de 2007. A receita líquida em 2008 cresceu 178% em relação ao ano anterior e chegou a R$ 1,1 bilhão. “Crescemos três dígitos em lançamentos, vendas e receita, o que nos dá volume e respaldo para sermos competitivos”, diz Leonardo Correa, diretor de relações com investidores da MRV.

No último trimestre do ano, o lucro líquido (antes do ajuste pelas novas regras) atingiu R$ 50,1 milhões, 10,3% acima dos R$ 45,4 milhões do quarto trimestre de 2007. No ano, o lucro líquido (já contabilizado pelas novas regras) atingiu R$ 231 milhões, alta de 165,2% em relação a 2007. A margem líquida no quarto trimestre foi de 16,9% e, no ano, atingiu 20,8% ante 21,8% em 2007.

O endividamento total da MRV é de R$ 430 milhões, sendo que 16% dela vence em 2009. A relação dívida sobre patrimônio líquido é de 18%. O caixa no final do ano estava em R$ 150 milhões.

Na segunda-feira, a MRV divulgou fato relevante anunciando a emissão de 100 notas promissórias em valor equivalente a R$ 100 milhões e com prazo de vencimento de 90 dias da data de emissão. Para alongar a dívida a ser representada pelas notas promissórias, emitiu 100 debêntures no mesmo valor. Na semana passada, a companhia lançou ADR nível 1 (mercado de balcão) na Bolsa de Nova York.

26/03/2009 - 11:47h Construtoras já projetam crescimento maior este ano

http://www1.caixa.gov.br/gov/resources/apoio_construcao_hab_para_familias_de_baixa_renda.jpghttp://3.bp.blogspot.com/_g1fGTdfF1bs/Rit81LTJzTI/AAAAAAAAAFc/crR57MZ-d7Q/s320/Conjresibaixo+custo.jpg

Daniela D’Ambrosio, de São Paulo – VALOR

Os empresários do setor de construção, especialmente os que atuam na baixa renda, aplaudiram o pacote habitacional do governo. Mais do que isso: já projetam um novo patamar de crescimento por conta das medidas anunciadas e preparam estratégias – inclusive a entrada em novos mercados -para agilizar a participação de suas empresas no pacote.

O clima ontem tanto entre os que estiveram em Brasília quanto os que acompanharam o anúncio de longe foi de otimismo – até porque companhias como Gafisa, MRV, Cyrela, Rodobens, Rossi e Bairro Novo participaram ativamente de reuniões e discussões com o governo. O receio de que o plano pudesse sair deturpado deixou de existir conforme o plano ia sendo detalhado. “Foi exatamente como pleiteamos”, disse Rubens Menin, presidente da mineira MRV. “O plano saiu redondo, contemplou todos os aspectos que atrapalhavam e encareciam o processo”, disse Wilson Amaral, presidente da Gafisa, que é dona de 60% da Tenda, que atua na baixa renda.

Todas as empresas consultadas pelo Valor disseram que a previsão para o ano melhora por conta das medidas. A PDG Realty, dona da Goldfarb, empresa paulista que atua no segmento econômico, calcula que possa sair de 15 mil unidades para 20 mil e até 25 mil este ano por conta das medidas. “Anunciamos uma projeção de lançamentos entre R$ 2 e R$ 3 bilhões e agora já poderemos pensar mais no intervalo entre R$ 2,5 e R$ 3 bilhões”, diz Zeca Grabowsky, presidente da PDG.

O discurso pró-setor é unânime e ainda há dúvidas sobre a capacidade de operacionalização das medidas. Mas sair na frente nessa disputa é fundamental, sobretudo em tempos de crise. As empresas já reúnem suas equipes para digerir as medidas, entender onde ganhar mercado e recalcular projeções. Embora o governo tenha anunciado que o programa entra em operação no dia 13 de abril, ontem mesmo funcionários da PDG procuravam se informar para saber se poderiam comunicar aos clientes as novas taxas e os benefícios do pacote no plantão de vendas que lança neste final de semana.

A Tenda já tinha um material de comunicação pré-preparado e começa a fazer os ajustes agora com o que efetivamente foi publicado para distribuir em suas 30 lojas e a MRV convocou para hoje uma reunião com um grupo de 20 pessoas criado especialmente para refazer seu planejamento para 2009 e encontrar soluções que aumentem sua participação junto ao público que será beneficiado pelo pacote.

A MRV pretende criar uma uma estrutura de atuação para atender as famílias com renda de até 3 salários mínimos, onde estão os maiores benefícios: subsídio integral, isenção de seguro e o imposto sobre o faturamento da obra cai de 7% para 1%. A mineira MRV atende o público entre 3,5 e 10 salários mínimos. “Já identificamos que 30% do nosso banco de terrenos pode ser usado para atender o público abaixo de 3 mínimos”, afirma Menin. O banco de terrenos da MRV tem potencial construtivo de R$ 9 bilhões e 91 mil unidades.

A Rodobens, que faz casas populares em grandes loteamentos, vai na mesma direção. “Vamos adaptar terrenos e projetos para atender famílias de zero a três salários mínimos”, afirma Eduardo Gorayeb, presidente da Rodobens. “É um mercado novo para nós, não imaginávamos que conseguiríamos entrar nele”, completa. A empresa tem um banco de terrenos para 70 mil unidades, das quais 27 mil entre 3 e 10 salários mínimos e cerca de 4 mil unidades para até três salários. As companhias calculam que um apartamento para essa faixa de renda saia a partir de R$ 40 mil. Hoje, não existe nada no mercado abaixo de R$ 60 mil.

A redução do prazo da obra de 12 meses para 6 meses é outra meta das companhias. Tenda e Rodobens imaginam que possam reduzir o ciclo ainda este ano.

O déficit habitacional do Brasil, calculado pela Fundação João Pinheiro, e usado como referência pelo Ministério das Cidades é de 7,9 milhões de casas – o Sudeste concentra 12% e o Nordeste, 19,5%. “Vamos nos beneficiar porque, além da diversificação por segmento de renda, estamos no Brasil todo”, diz Cássio Audi, da Rossi. A empresa prevê que o segmento econômico seja metade dos negócios este ano, contra 29% em 2008.

26/03/2009 - 11:04h “Minha Casa, Minha Vida” faz crescer o emprego e o faturamento do setor. Vai elevar crescimento do PIB do país, segundo a FGV

Clique na imagem para ampliar o artigo do VALOR

habitacao_pib.jpg

26/03/2009 - 10:46h Pacote habitacional: indústria de aquecedor solar comemora

 

Em Birigui (SP) a Caixa Económica Federal já entregou conjuntos habitacionais com aquecimento solar (foto)

Guilherme Manechini, de São Paulo – VALOR

Os fabricantes de aquecedores solares já vinham entusiasmados com a possibilidade de aumento das vendas desde junho do ano passado, quando a prefeitura de São Paulo sancionou a obrigatoriedade de uso dos equipamentos em imóveis novos. Agora, com o pacote da habitação, que exige a instalação dos aquecedores, ganharam também o incentivo direto do governo federal, mesmo que a colocação dos aparelhos nas novas moradias ainda deva demorar entre um e dois anos.

Mas, independentemente do tempo de maturação dos projetos, o incremento na demanda é dado como certo. Luis Augusto Ferrari Mazzon, presidente da Soletrol, uma das maiores fabricantes do país, ressalta não só o volume de um milhão de novas moradias, mas a visibilidade que o aquecimento solar de água passará a ter depois de ter sido exigido pelo Ministério do Meio Ambiente.

“Há anos trabalhamos para esta adoção por parte do governo federal. É certo que até a adimplência das distribuidoras de energia sai fortalecida em decorrência da economia gerada pelo aquecedor”, declarou.

Os fabricantes já contavam com essa possibilidade e aguardam agora apenas a especificação dos modelos e o formato das licitações. Segundo o ministério, o custo estimado para a instalação dos equipamentos é de R$ 1,9 mil por habitação, o que corresponde a cerca de 3% do valor da obra. Na visão das empresas, no entanto, este valor poderá ser ainda menor por conta da produção em grande escala.

Edson Pereira, presidente da Transsen Aquecedor Solar, acredita que o governo federal deverá se espelhar no modelo adotado pelo Estado de São Paulo na construção de unidades da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que, de acordo com ele, exige configurações mínimas ao equipamento para depois habilitar a empresa na concorrência.

“O cuidado da CDHU nos requisitos mínimos, como a exigência de certificação do Inmetro, orientação para instalação e uso, aliados à concorrência, tem dado bons resultados”, disse Pereira.

Em meio às expectativas sobre o impacto das novas moradias em suas vendas, ambos os empresários informaram a pretensão de investir em suas fábricas. No caso da Soletrol, até o fim do ano que vem a capacidade de produção passará de 200 mil para 500 mil unidades por ano. O investimento totalizará R$ 10 milhões. Na Transsen, existe a perspectiva de ampliação de turnos de trabalho e instalação de novas unidades.

26/03/2009 - 10:24h São Paulo receberá o maior número de moradias do governo federal

VALOR

habitacao_regioes.jpg

26/03/2009 - 10:00h Déficit habitacional por Estados

Clique na imagem do jornal VALOR para ampliar

 

habitacao_deficit.jpg

26/03/2009 - 09:40h Reduzão de impostos na construção alavanca o pacote habitacional


casa_propria3.jpgAlíquota de 7% sobre o valor da venda dos imóveis será reduzida a 1% nos empreendimentos do programa

Lu Aiko Otta – O Estado SP

O pacote da habitação anunciado ontem vai reduzir a carga tributária sobre as construtoras. Hoje, elas têm um Regime Especial de Tributação (RET), pelo qual recolhem 7% sobre o valor da venda dos imóveis e com isso quitam o Imposto de Renda, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o PIS/Cofins. Essa alíquota será reduzida para 1%, nos empreendimentos construídos pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

O corte na tributação vai constar de Medida Provisória (MP) que será divulgada hoje, disse o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Ele não informou o valor da renúncia fiscal. A desoneração do produto final era uma antiga reivindicação das empresas, ressaltou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão.

O governo descartou, porém, outro corte de impostos que chegou a ser analisado durante a elaboração do pacote: “zerar” o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos materiais de construção. Hoje, a maior parte dos itens recolhe 5%. Essa “bondade” faria a arrecadação do tributo cair cerca de R$ 1,1 bilhão, valor considerado excessivo.

O pacote também prevê a redução do principal tributo estadual, o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). No caso das prefeituras, poderá haver cortes no Imposto Sobre Serviços (ISS) e no Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). Este último é pago pelo mutuário, e vai de 2% a 3% do valor do imóvel.

Compromissos com o corte desses tributos poderão figurar nos termos de adesão que prefeitos e governadores vão assinar com a Caixa. Poderá ainda haver compromissos com a doação de terrenos e aportes financeiros de Estados e municípios. Inicialmente, as casas serão distribuídas conforme o déficit habitacional, mas a divisão pode mudar para favorecer prefeituras e Estados que mais colaborarem. Pela divisão inicial, o Sudeste receberá 36,4% dos imóveis, seguido pelo Nordeste (34,3%), o Sul (12%), o Norte (10,3%) e o Centro-Oeste (7%).

FUNDIÁRIA

Outra MP vai formalizar o programa Minha Casa, Minha Vida e atacar o problema da regularização fundiária. Segundo o ministro das Cidades, Márcio Fortes, há no País grande número de terrenos que não se sabe quem é o dono.

Brincando, ele comentou que a questão sucessória é tão complexa que às vezes é necessário pesquisar na Torre do Tombo, em Portugal, para saber quem era o dono da sesmaria onde hoje está o terreno.

A MP vai autorizar o poder público a publicar editais chamando os proprietários do terreno. Se eles não aparecerem, será decretado o usucapião administrativo e a propriedade poderá ser regularizada.

26/03/2009 - 09:20h Governo libera FGTS para imóvel de até R$ 500 mil

casa_propria3.jpg

Pacote também dará alívio para a classe média ao reduzir valor da entrada dos financiamentos

Lu Aiko Otta – O Estado SP

O valor máximo dos imóveis que podem ser pagos com o saldo do mutuário no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) será elevado dos atuais R$ 350 mil para R$ 500 mil. A decisão deverá ser formalizada na reunião de hoje do Conselho Monetário Nacional (CMN), segundo informou ontem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

A classe média terá também um alívio no valor da entrada na compra dos imóveis. Hoje, os bancos financiam até 80% do total, se o empréstimo for pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Essa parcela passará a 90%. Nos imóveis para a classe média emergente, construídos com recursos do FGTS, a parcela financiada pelos bancos passará dos atuais 90% para 100%.

Os agrados à classe média a serem anunciados hoje completam o pacote habitacional que o governo vem montando desde outubro do ano passado.

Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou as medidas voltadas para as famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 4.650,00), que entrarão em vigor no dia 13 de abril. O programa, batizado de Minha Casa, Minha Vida tem como meta construir 1 milhão de moradias num prazo indeterminado e custará R$ 34 bilhões aos cofres públicos.

“Queremos gastar esse dinheiro. Quanto antes, melhor”, disse Lula, num discurso em que se mostrou crítico quanto à capacidade de o governo, os Estados e municípios, os bancos e as empresas tirarem o pacote do campo das promessas. Uma prova que as medidas demorarão a ganhar velocidade veio do próprio governo, que espera gastar este ano só R$ 6 bilhões.

Esse valor poderá ser ampliado conforme o andamento do programa, segundo Nelson Barbosa. O governo poderá até lançar mão dos R$ 14,2 bilhões do Fundo Soberano. “O Fundo não será usado diretamente no programa, mas para reequilibrar o Orçamento”, explicou.

As construtoras serão o principal agente do programa. Caberá a elas apresentar projetos à Caixa, de preferência com os cadastros dos candidatos às novas casas. Nesse trabalho, poderão contar com a ajuda de prefeituras, governos estaduais e entidades de moradia popular. Nas demais faixas, a tendência é que os imóveis sejam oferecidos ao mercado diretamente pelas construtoras.

A Caixa, apontada dentro do governo como possível gargalo deve cortar prazos. O vice-presidente Jorge Hereda disse que atualmente leva-se 120 dias para analisar um projeto de uma construtora. A meta é cortar o prazo para 30 a 40 dias. Foram criadas ainda duas novas linhas de crédito: uma de R$ 5 bilhões para financiar a infraestrutura (instalação de água, luz, asfalto, esgoto) nos novos empreendimentos e outra, de R$ 1 bilhão, para modernizar as construtoras e seus fornecedores.

26/03/2009 - 08:53h PACOTE HABITACIONAL: ajustes finais no programa habitacional levaram críticos a revisar suas avaliações

casa_propria3.jpg
Especialistas veem avanço em regularização de terrenos

No entanto ainda há pontos que precisam de maior definição; preocupações com aspectos urbanísticos ainda permanecem

NATÁLIA PAIVA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Até então crítico do pacote habitacional do governo, o presidente da FNA (Federação Nacional dos Arquitetos), Ângelo Arruda, reviu sua avaliação ontem, após o anúncio oficial. Foram três os “fatores decisivos”: o aumento de 20% para 40% das casas destinadas às rendas de até três salários mínimos; a diminuição do subsídio para as classes de maior renda; e a decretação da MP da regularização fundiária -até ontem, a regulação do terreno não havia sido mencionada pelo governo.
Evaniza Rodrigues, da União Nacional por Moradia Popular, diz que “ainda está digerindo as medidas”, já que há “muita coisa ainda para entender como vai funcionar”, mas elogia a MP e o aumento de aporte de recursos do Orçamento da União para a baixa renda -de cerca de R$ 3 bilhões, anunciados inicialmente, para R$ 16 bilhões.
No entanto diz que permanecem algumas preocupações, como a inserção urbana das moradias, os parâmetros de projetos apresentados pela Caixa -”minúsculos, 32 m2 de área interna para casas e 37 m2 para apartamentos”-, e o direcionamento de boa parte dos recursos para construtoras, em detrimento das cooperativas.
O estudioso de políticas urbanas Kazuo Nakano diz que há claro esforço de atingir as necessidades habitacionais da baixa renda e que, nesse processo, as prefeituras ganham papel de destaque no atendimento das famílias e na regulação dos empreendimentos. “Qual é o alerta? A nossa tradição de distribuição de casas populares segue critérios clientelistas e eleitoreiros (…). [Sugiro] que as prefeituras sejam equipadas para realizar isso com democracia”, diz.
Para Arruda, o modelo de habitação popular proposto pelo plano é novo e combina questões que, até então, não haviam sido pensadas em conjunto, como registro em cartório, regularização fundiária, trâmite de licenças ambientais e aceleração de aprovação de projetos nas prefeituras. “A crítica está na direção de melhorar a edificação dos projetos”, diz.
Mas ainda há ressalvas: garantir que o PlanHab (Plano Nacional de Habitação, finalizado no ano passado, no Conselho de Cidades) seja mais conectado ao pacote, fazendo com que as medidas não durem apenas até 2011. O PlanHab, que pensou mecanismos como o fundo garantidor, agora aproveitado, prevê ações até 2023.
Para a economista e consultora da FGV Projetos Ana Maria Castelo, “o governo se comprometeu a reduzir a burocracia e a aumentar a agilidade, mas não disse como vai fazer isso”. Castelo diz que uma dificuldade para o sucesso do pacote seria as empresas acharem que as medidas são localizadas no tempo. “Na medida em que vejam regras e recursos definidos, vão se mobilizar. E 1 milhão [de moradias] é suficiente para aquecer o setor”, acredita.