19/05/2009 - 12:07h Conjuntura: Empresas que atendem ao mercado interno avaliam que o pior momento da crise econômica passou


Retomada já começou, mas exige atenção


Davilym Dourado/valor

Empresários reunidos na cerimônia de premiação do Executivo de Valor 2009: planos são de crescimento, apesar dos efeitos da crise sobre a economia local

De São Paulo – VALOR

O mercado interno e as políticas anticíclicas adotadas pelo governo ajudaram um conjunto de empresas a navegar com menos turbulência nos primeiros meses de 2009. Quanto mais ligada à demanda doméstica, menos a empresa sentiu a crise, segundo relato de empresários que ontem receberam o prêmio Executivo de Valor 2009, em solenidade no bufê Rosa Rosarum. O amargo final de 2008, informam estes executivos, ficou para trás, mas o momento ainda exige controle de custos, monitoramento de oportunidades, reavaliação de investimentos, e percepção da real demanda do consumidor. E por enquanto, reforçam, só a China ajuda as exportações.

A Positivo Informática, maior fabricante nacional de computadores, é um exemplo da recuperação dos setores ligados ao consumo. A empresa vai retomar hoje o terceiro turno em sua fábrica de Curitiba, interrompido desde o agravamento da crise econômica, que derrubou as vendas de PCs. Para o presidente da empresa, Hélio Rotenberg, já existem alguns sinais de recuperação na demanda por computadores. “Estamos mais otimistas que no fim de 2008″, disse ele. Segundo Rotenberg, licitações do governo ajudaram a compensar a queda nas vendas de PCs para pessoas físicas.

Outras empresas que creditam os bons resultados ao mercado interno e às políticas públicas são WEG, Fiat e Gafisa. Na área de motores para uso doméstico da WEG, a produção está acima do volume do ano passado por conta da redução de Imposto sobre Produtos Importados (IPI), conta Harry Schmelzer Junior, presidente da empresa, que separa os desempenhos neste ano pelos setores em que atua. Na área de equipamentos industriais, o volume de produção, tanto no Brasil quanto no exterior, teve uma queda importante em relação ao ano passado. Em energia, a empresa tem uma boa carteira, mas o ritmo dos novos pedidos está menor que o de 2008.

Os pontos de venda do Magazine Luiza também responderam bem à diminuição, na linha branca, do IPI. As vendas aumentaram cerca de 25% depois da medida do governo, conta a presidente da empresa, Luiza Helena Trajano

A WEG, diz Schmelzer Junior, sempre investiu muito em capacidade fabril e com muita velocidade para sustentar seu crescimento acelerado. Agora, com a retração da economia mundial, a companhia pode “tirar o pé do acelerador e reduzir a velocidade de implantação das novas fábricas”. Na Índia e no México os projetos foram retardados em alguns meses.

Cledorvino Belini, da Fiat, informa que a empresa está hoje “próxima do patamar médio de produção do ano passado” – média de 2.900 veículos/dia, hoje. “Felizmente, a recuperação do mercado interno tem mantido bons índices de ocupação da indústria, embora insuficiente para compensar a queda dos volumes de produção para as exportações”, acrescenta.

Na Alpargatas , o crescimento do primeiro trimestre foi de 5% sobre igual período de 2008, conta o presidente Márcio Utsch. “A empresa está crescendo, o elástico esticou”, diz. E os investimentos não pararam. “Mas, prevendo a crise, no final do ano passado, fizemos uma readequação da estratégia. Decidimos focar o direcionamento dos recursos em redução de custos, tecnologia e internacionalização da empresa”, resume Utsch.

A crise também não impedirá que a Gafisa cresça em 2009. Segundo cálculos da empresa, as vendas consolidadas devem ficar entre R$ 2,7 bilhões e R$ 3,2 bilhões este ano, contra R$ 2,6 bilhões em 2008. No primeiro trimestre do ano as vendas cresceram 11% – foram R$ 558 milhões, 46% no segmento de baixa renda, muito acima do peso de 10% alcançado nos três primeiros meses de 2008. “Se não tivéssemos diversificado nossa atuação, teríamos queda neste primeiro trimestre”, diz Wilson Amaral, presidente da Gafisa.

A Mapfre, companhia de seguros, é outra companhia que está operando em um patamar melhor do que o do final do ano passado. “Estamos crescendo mais do que o mercado, inclusive conquistando market-share. Nosso faturamento cresceu 22,6% nos primeiros quatro meses do ano em relação ao ano passado e 4,2% em relação ao fim do ano passado”, conta o presidente da empresa, Antonio Carlos dos Santos. Por conta dos bons resultados, os investimento foram mantidos, porém com uma política de controle a curto prazo para liberação de verbas bimestrais.

O presidente da Cargill, Marcelo Martins, diz que os negócios em 2009, “seguem bem” quando comparados a 2008, mas admite que suas diversas linhas de produtos são afetadas de forma distinta pelo cenário econômico. Na Natura, diz Alessadro Carlucci, não ocorreu nenhuma queda de vendas neste início de ano. Para o presidente da Nestlé no Brasil, Ivan Zurita, o mercado está mais “sincerizado”. O neologismo indica, na visão do executivo, um mercado “muito mais real, mais pé no chão”, e pronto para identificar o real potencial de crescimento em cada setor.

Mesmo indiretamente, as medidas de redução de IPI ajudaram o setor de aço, diz Benjamin Steinbruch, da CSN. Com a crise mundial, muitos projetos foram suspensos e a produção cortada. Agora, ele prevê que as vendas da CSN cresçam 50% de abril a junho sobre o primeiro trimestre. As medidas de desoneração tiveram efeito em setores, como o automotivo e a habitação. “Tivemos um baque forte no fim do ano e no primeiro trimestre, mas agora vemos pequenas melhoras mês a mês”. Mas o setor segue fraco, diz ele.

A principal resposta da rede de hotéis quatro estrelas Blue Tree para a crise será dada no final de junho: a inauguração do primeiro hotel da bandeira Spotlight, que marca a entrada da rede no segmento econômico. Serão cinco unidades em 18 meses, um total de R$ 120 milhões de investimento. “Estamos testemunhando a velha e conhecida frase ‘a crise também é oportunidade’”, diz Chieko Aoki, presidente do conselho de administração da rede Blue Tree Hotels, dona de 23 unidades no Brasil, duas na Argentina e duas no Chile.

O setor de saúde ainda não foi fortemente afetado pela crise, segundo Mauro Figueiredo, presidente do grupo Fleury. Segundo ele, porém, caso a crise se prolongue, será difícil não sentir impactos. O grupo adequou seu planejamento orçamentário para um ambiente de menor crescimento. Em 2008, o faturamento do Fleury cresceu 21,5%. “Estamos atentos aos movimentos de mercado para eventuais ajustes, sejam esses para retomada do crescimento, sejam para eventual retração”, diz.

A crise afetou o consumo de energia das indústrias e consequentemente as vendas da Eletropaulo no primeiro trimestre deste ano, que ficaram estáveis em relação ao ano passado. A redução de 13,5% do consumo industrial foi compensada pelo crescimento dos segmentos residencial (2,4%) e comercial (4,2%). “É um reflexo da crise. Para o ano, porém, temos a expectativa de crescimento de consumo total entre 1,7% e 2,0%”, diz o presidente do grupo AES Brasil, Britaldo Soares. Com essa previsão, o grupo manteve o plano de investir 15% mais do que em 2008.

Bernardo Hees, diretor-presidente da ALL, conta que, no primeiro trimestre, o volume movimentado subiu mais de 10% no Brasil . “Pretendemos crescer de 10 a 12% em volume no Brasil e estamos contratando 300 colaboradores, entre maquinistas, operadores e técnicos”, informou.

A Votorantim Celulose e Papel (VCP), segundo seu diretor-presidente, José Luciano Penido, vendeu um volume recorde de celulose no primeiro trimestre. Foram 349 mil toneladas – 14% acima do primeiro trimestre de 2008 e 17% acima do último trimestre do ano passado. Parte deste incremento decorreu do início de operação do projeto Horizonte, em Três Lagoas (MS), no fim de março, cujo investimento foi mantido.

De acordo com Bernardo Gradin, da Braskem, as condições já estão melhores do que estavam no início do ano. “Em março atingimos plena carga”, disse. Segundo ele, a empresa se mantém competitiva na exportação e ainda aproveita o bom momento dos setores dependentes do varejo, como embalagens, higiene e alimentos.

A demanda, aos poucos, começa a se normalizar, mas ainda será de forma bem devagar até o fim do ano”, avalia o presidente da Vale, Roger Agnelli. No primeiro trimestre, a queda de produção da empresa foi de 37%. “Mas enquanto a Europa está a 10 graus negativos, a China está com temperatura elevada, na casa de 40 graus positivos”, afirmou. Sobre os investimentos, Agnelli disse que está revendo o valor, de US$ 14 bilhões em setembro, para menos de US$ 10 bilhões por conta da desvalorização real e também por conta de possível não liberação das licenças ambientais em alguns projetos no Brasil.

A diversidade de setores atendidos pela Totvs ajudou a companhia, que desenvolve softwares de gestão, a driblar a crise econômica. “Como temos clientes em vários setores, conseguimos mirar esforços em segmentos diferentes. A crise não atinge todos ao mesmo tempo”, disse o presidente da companhia, Laércio Consentino.

19/05/2009 - 11:26h Vendas de veículos novos atingem a marca de 1 milhão

Apesar da crise, marca foi atingida um dia antes do que no ano passado

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Cleide Silva – O Estado SP

As vendas de veículos novos no País este ano chegaram a 1 milhão de unidades um dia antes de essa marca ter sido atingida em 2008, ano recorde de vendas para a indústria automobilística. Foram necessários 91 dias úteis de licenciamentos para alcançar 1,02 milhão de unidades, volume registrado na quinta-feira. No ano passado, sem nenhum sinal de crise financeira, foram 92 dias para atingir esse desempenho.

Na sexta-feira, as vendas acumuladas desde janeiro somavam 1,014 milhão de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, ante 1,032 milhão de unidades no ano passado, uma queda de apenas 1,8%.

Somente na primeira quinzena de maio foram licenciados 111,4 mil veículos, 18,6% menos que em igual período de abril e 9,7% menor que o resultado do mesmo mês de 2008, de acordo com fontes do setor automotivo com base nos números do Registro Nacional de Veículos (Renavan).

O mercado brasileiro de modelos zero-quilômetro tem sido mantido pelo corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a volta de planos de financiamento com prazos mais longos e juros mais baixos e descontos extras oferecidos pelas montadoras e concessionárias. Essas medidas, porém, não tiveram o mesmo efeito no segmento de caminhões e ônibus, que não está reagindo.

A indústria automobilística projeta para este mês vendas de 230 mil veículos, muito próximo do volume registrado em abril, de 234,4 mil unidades. Para o ano, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê vendas totais de 2,7 milhões de unidades, 4% menos que em 2008, quando foram vendidos 2,82 milhões de veículos.

O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, acredita ser possível chegar a esse volume mesmo que a redução do IPI, em vigor desde meados de dezembro para modelos com motores até 2.0, termine em 30 de junho, conforme está previsto pelo governo federal.

As principais montadoras do País – Fiat, Ford, GM e Volkswagen -, porém, acham que esse volume só será atingido se o governo prorrogar o corte do imposto até o fim do ano. Do contrário, as apostas variam de 100 mil a 300 mil unidades a menos, de 1,4 milhão a 1,6 milhão de veículos. “A posição que temos até agora é de que o IPI voltará ao normal em 1º de julho”, disse Schneider. “É com esse cenário que trabalhamos.”

28/03/2009 - 13:38h Corte de IPI de carro é prorrogado

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Cleide Silva – O Estado SP

Uma manhã de conversas ao telefone entre sindicalistas, dirigentes de montadoras e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, selou ontem a renovação do acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros por mais três meses. O anúncio oficial será feito na segunda ou terça-feira, pois depende da agenda dos envolvidos nas negociações.

O governo já vinha manifestando intenção de renovar a medida, que ajudou as montadoras a venderem, em plena crise, mais veículos no primeiro trimestre deste ano do que em 2008. O impasse estava na contrapartida a ser exigida, de manutenção de empregos, sugerida pelas centrais sindicais. Só em janeiro e fevereiro as montadoras cortaram 4 mil vagas.

As fabricantes concordaram, desde que ficassem de fora os trabalhadores com contratos temporários. Os sindicalistas encontraram uma “frase mágica” para endossar o acordo, que terá cláusula afirmando que “os contratos temporários serão cumpridos”. Ou seja, aqueles que vencerem nos próximos três meses não serão renovados, pois tinham validade por um ano. A abertura de programa de demissão voluntária está liberada.

O corte do IPI em meados de dezembro e com validade inicial até 31 de março foi adotado para reduzir o efeito da crise financeira nas vendas de carros no País, que despencaram nos últimos meses de 2008. Apesar de ter provocado queda de 90% na arrecadação do imposto, a medida é vista como uma das poucas anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com resultado efetivo.

O primeiro trimestre deve ser fechado com vendas próximas a 655 mil veículos, 1% a mais do que em igual período de 2008, quando somaram 647,9 mil unidades. No segmento de automóveis e comerciais leves, o mais beneficiado pela medida, o aumento deve ficar perto de 2%, com 630 mil unidades.

Os estoques nos pátios das fábricas e das revendas, que chegaram a 305 mil veículos em dezembro, equivalentes a 56 dias de vendas, baixaram no mês passado para 181 mil unidades, ou 27 dias de comercialização.

A alíquota do IPI, que era de 7% para carros 1.0, permanecerá isenta. Para modelos 1.4 até 2.0, ficará em 5,5% para motores flex e 6,5% para a gasolina, metade da alíquota normal. Com o novo imposto, os preços dos carros caíram em média de 5% a 7%.

FEIRÕES

Com o anúncio da prorrogação só a partir de 2ª-feira, o governo não vai atrapalhar as campanhas das montadoras neste fim de semana, que usam como atrativo a última oportunidade para comprar carro com IPI reduzido.

A Volkswagen faz feirão hoje e amanhã na fábrica Anchieta e na área ao lado do Playcenter com o slogan “Último fim de semana de IPI reduzido”. A Fiat fará ações nas lojas de todo o País e divulga anúncios com a chamada “Aproveite o último fim de semana com IPI reduzido e condições especiais.”

08/03/2009 - 13:00h Metalúrgicos festejam volta à vida normal

Empresas que haviam cortado salários e jornada já suspenderam medida

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Cleide Silva – O Estado SP

Casado e pai de cinco filhos com idades de dois a 18 anos, o metalúrgico Humberto Pereira de Santana passou a controlar a compra mensal no supermercado. “Se passasse de R$ 220, eu tirava os produtos do carrinho”, conta ele. O controle rígido das despesas foi adotado em janeiro e fevereiro, período em que a empresa onde trabalha, a autopeça Polistampo, de Diadema, no ABC paulista, reduziu a jornada de cinco para três dias semanais, com corte também nos salários.

A medida iria até o fim de março. Ao ser avisado da volta da jornada normal, um mês e meio antes do previsto, Santana sentiu um alívio. “Voltamos à vida normal”, dizia ele na sexta-feira, num intervalo da tarefa de montar suportes de baterias. Com 40 anos e funcionário da Polistampo há 4,5 anos, ele conta que nos dias de folga forçada na fábrica ajudava a esposa e um dos filhos no atendimento de um pequeno bar pertencente à família.

As autopeças também precisam acompanhar o ritmo mais acelerado das montadoras em relação aos últimos meses de 2008. Várias fábricas que fizeram acordos de redução de jornada e salários estão voltando atrás antes do prazo previsto.

No ABC, além da Polistampo, já voltaram a operar em semana cheia a fabricante de buzinas Fiamm e a Proxyon, que produz chapas e outras peças. A Kostal fez acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos para redução de jornada a partir da semana passada, mas cancelou a medida antes mesmo de aplicá-la.

“Vimos uma luz no fundo do túnel já no início de fevereiro. Desconfiados, temíamos que fosse um trem vindo em posição contrária, mas logo depois confirmamos que as encomendas estavam aumentando”, conta Nelson Garcia, supervisor de Recursos Humanos da Polistampo.

A empresa foi fundada há 30 anos e hoje fornece diversos componentes para veículos da Volkswagen, Fiat, Renault, General Motors e Mercedes-Benz e para motocicletas da Honda. Foi a primeira vez que a autopeça precisou reduzir a semana de trabalho.

Em Taubaté, interior de São Paulo, a Thyssenkrupp KMAB, que produz eixos, vai recontratar 38 dos 70 trabalhadores demitidos em dezembro. O motivo é o aumento de pedidos por parte da Volkswagen.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo, “as empresas demitiram sem ter conhecimento do tamanho do impacto da crise na economia brasileira. Passado o susto inicial, estão recontratando para manter o nível da produção”.

Sueli Aparecida Souza de Oliveira, de 26 anos e há dois na Polistampo, chegou a trancar a matrícula em um curso técnico de química iniciado há três meses. “Por causa da crise, meu marido está desempregado desde janeiro e, com o salário menor, não daria para pagar o curso”, conta ela. Com o chamado para voltar a trabalhar cinco dias por semana no fim de fevereiro e o pagamento do salário integral, ela pretende retomar as aulas na próxima semana.

O operador de máquinas Kleuson dos Santos Vieira, de 31 anos e solteiro, suspendeu atividades de lazer, como ir ao shopping center e bares. Também cortou a compra de roupas. Nas semanas em que ficava em casa dois dias a mais, aproveitou para realizar serviços de pintura e manutenção da casa alugada em Diadema.

Na base do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, onde foram feitos 24 acordos de redução de jornada e salário, a maioria em autopeças, até agora apenas uma – a Thyssenkrupp – desistiu de aplicar a norma.

RETOMADA

Fiamm: Voltou à jornada de 5 dias na segunda-feira, suspendendo acordo que previa semana de 4 dias até maio na unidade de São Bernardo, com 168 empregados

Fiat: Chamou 12 mil funcionários (de um total de 14 mil) para repor produção em três sábados de março e tem feito diariamente 45 minutos de trabalho extra

GM: Suspendeu as férias coletivas de todos os 5,2 mil funcionários previstas para 26 de janeiro a 8 de fevereiro em Gravataí (RS)

Polistampo: Após adotarem semana de 3 dias, os 140 funcionários voltaram aos 5 dias em fevereiro, 1,5 mês antes do previsto

Proxyon: Suspendeu semana de 4 dias adotada em janeiro para os 228 trabalhadores em São Bernardo e voltou a operar em 5 dias na última quinta-feira

Renault:
500 funcionários com contratos suspensos até maio voltarão ao trabalho no dia 23 em São José dos Pinhais (PR), onde trabalham 4,5 mil pessoas

Thyssenkrupp KMAP: Empresa de Taubaté com 400 funcionários recontratou 38 demitidos

Volkswagen: Convocou 7 mil trabalhadores para horas extras nos próximos 3 sábados na Anchieta e 5 mil em Taubaté. As duas empregam 17,3 mil pessoas

05/03/2009 - 12:09h Autopeça recontrata demitidos em Taubaté

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Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

A recuperação nas vendas de veículos ocorrida em janeiro e fevereiro provoca uma lenta retomada da atividade no setor de autopeças. Empresas de Taubaté e do ABC Paulista reconvocam funcionários, estimuladas sobretudo pelo aumento das encomendas pela Volkswagen. Em janeiro, as vendas de automóveis e veículos leves cresceram 5,11% sobre dezembro e, em fevereiro, 0,85% sobre o mês anterior, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No ano, a Volkswagen liderou as vendas de veículos do país, com 23,34% dos emplacamentos.

Ontem, a Thyssenkrupp KMAB, que fornece autopeças para a montadora alemã e possui 400 funcionários em Taubaté (SP), recontratou 38 funcionários dos 70 que havia demitido desde que a crise internacional se agravou, em meados de setembro de 2008. De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município, Isaac do Carmo, por enquanto, as empresas que têm a Volkswagen como principal cliente estão retomando mais rapidamente o ritmo de produção. “Outras empresas de autopeças que também demitiram já estão aumentando o pagamento de horas extras. Nesses casos o sindicato tem orientado as empresas a recontratar”, afirmou.

Carmo observou que a decisão da Volkswagen de convocar os 5,3 mil empregados da unidade de Taubaté para horas-extras aos sábados injetou na economia local R$ 8 milhões no primeiro bimestre deste ano. No ano todo de 2008, o pagamento de adicionais pela empresa no município totalizou R$ 50 milhões. A empresa também renovou os contratos de 650 temporários em janeiro para garantir o ritmo de produção. “Existe também uma expectativa de que a Fiat normalize a produção até o mês que vem, o que também dará impulso às empresas locais”, disse.

Em São Bernardo do Campo, a Kostal, que havia negociado com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC a redução da jornada, voltou atrás, também devido ao aumento da demanda. Em fevereiro, outras duas empresas de autopeças da região cancelaram a redução de jornada, a Fiamm e a Polistampo. “As empresas estão aos poucos cancelando a redução da jornada, mas é preciso confirmar se há mesmo uma tendência”, afirmou o presidente do sindicato, Sérgio Nobre.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres, também confirmou a mudança nas indústrias de autopeças, mas salientou que a retomada do emprego é sempre muito mais lenta que o ritmo das demissões. Torres e Nobre citam como fonte de preocupação atual as empresas de máquinas e equipamentos, que têm procurado os sindicatos com o temor de que a redução do imposto de importação sobre máquinas usadas provoque mais quedas na demanda e as obrigue a demitir. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estuda um plano de ações para evitar demissões nesse setor.

04/03/2009 - 09:17h Fiat lucra R$ 1,87 bi, seu melhor resultado no País

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Cleide Silva – O Estado SP

 


A Fiat Automóveis obteve, em 2008, o maior lucro líquido de sua história no País. A líder em vendas de veículos registrou ganho de R$ 1,87 bilhão, ultrapassando em 11,3% o recorde anterior de 2007, quando teve resultado positivo de R$ 1,68 bilhão.

O montante equivale a quase 40% dos ganhos divulgados em janeiro pela matriz na Itália, de 1,61 bilhão (R$ 4,87 bilhões), valor 17% menor do que o obtido em 2007. O faturamento com vendas da filial brasileira atingiu R$ 18,4 bilhões, 7% a mais do que no ano anterior.

Em nota distribuída ao mercado ontem, a Fiat afirma que “apesar da redução na atividade durante o último trimestre, 2008 foi o melhor ano para a indústria automotiva no Brasil”. As vendas totais de automóveis e comerciais leves somaram 2,67 milhões de unidades, 14,1% a mais que em 2007. A Fiat cresceu 8,2%, com 657,7 mil carros.

O balanço foi o quarto seguido da subsidiária com resultados positivos. A Fiat é a única montadora que divulga balanço individual no País. Em 2005, a unidade de automóveis teve lucro de R$ 511,2 milhões e, em 2006, de R$ 803,7 milhões. A Fiat é a única montadora que divulga balanço no País.

RECALL

A Fiat inicia hoje a convocação de 52.986 modelos Punto para averiguação e, se necessário, troca do fecho do cinto de segurança do banco central traseiro. O recall envolve todos as unidades produzidas entre junho de 2007 e novembro de 2008, com motores 1.4 e 1.8.

Segundo Nilson Bretz, gerente de qualidade da Fiat, o problema foi detectado pela equipe da montadora e não há ocorrências de problema envolvendo consumidores. “É uma ação preventiva”, diz. A montadora constatou que se o passageiro do banco traseiro esquerdo, por engano, encaixar o cinto no fecho do assento central terá a falsa sensação de encaixe, mas a peça pode soltar-se. O recall é para substituir o fecho que não deveria aceitar a peça do cinto lateral.