15/02/2009 - 18:11h Beijo reduz o estresse e estimula fidelidade no homem

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Deborah Kerr e Burt Lancaster na famosa cena do casal se beijando na praia em “A Um Passo Da Eternidade”?

Beijar reduz a oxitocina, o hormônio do afeto, nas mulheres, mas aumenta a quantia nos homens

Associated Press – O Estado SP

CHICAGO, EUA – Bem a tempo para o dia e São Valentim, o Dia dos Namorados nos Estados Unidos, celebrado neste sábado, 14, um painel de cientistas examinou o mistério do que ocorre quando os lábios se encontram. Beijar, ao que parece, libera substâncias que reduzem os hormônios do estresse em ambos os sexos estimulam a formação de laços emocionais nos homens, mas nem tanto nas mulheres.

Substâncias da saliva podem ainda oferecer uma forma de avaliar a qualidade do parceiro, disse a neurocientista Wendy Hill, durante reunião da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS).

Em um experimento, explicou ela, pares de estudantes universitários heterossexuais beijaram-se por 15 minutos ouvindo música. Eles experimentaram mudanças significativas nos níveis da oxitocina, que afeta a formação de ligações afetivas, e de cortisol, que está associado ao estresse. Os níveis das substâncias na saliva foram auferidos antes e depois do beijo.

Ambos os sexos tiveram redução no cortisol, um sinal de queda no estresse. Os homens experimentaram ainda um aumento da oxitocina – sinal de elevação da disposição para formar laços – mas a substância caiu entre as mulheres. “Isso foi uma surpresa”, disse Wendy.

Ela falou numa sessão da AAAS sobre a Ciência do Beijo, ao lado de Helen Fisher, e de Donald Latenier.

Helen destacou que mais de 90% das sociedades humanas praticam o beijo que, para ela, tem três componentes: impulso sexual, amor romântico e apego.

O impulso sexual leva as pessoas a avaliar diversos parceiros, o amor romântico leva-as a focalizar em um indivíduo, e o apego permite que o casal se tolere o bastante para criar uma criança. Homens tendem a pensar no beijo como uma prévia da cópula, disse ela, destacando que o sexo masculino prefere os beijos “desleixados”, que permitem a transferência de substâncias, incluindo o hormônio sexual testosterona, para a mulher.

Lateiner, um estudante da Antiguidade clássica, observou que o beijo aparece pouco na arte grega e romana, embora fosse praticado nessas sociedades, mesmo com o risco de transmissão de doenças que acompanhava o gesto na época. Ele também disse que era possível cometer gafes ao beijar a pessoa errada, ou beijar na hora errada.

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O beijo, de Rodin

04/09/2008 - 16:48h Ciúme

CONTARDO CALLIGARIS

Folha de São Paulo

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Pesquisa oferece duas sugestões para que uma relação não seja envenenada pelo ciúme


A CADA semana, ouço a queixa de alguém que encontra, no celular de seu parceiro ou parceira, a “prova” de uma traição: o ciúme vinga com a tecnologia, mas entendê-lo continua difícil.

Para os darwinistas, a evolução favoreceu os ciumentos: sobrevive a linhagem dos que evitam sustentar rebentos ilegítimos, poupando assim seus recursos. Problema: o argumento evolucionista vale só para o ciúme masculino (mesmo no pleistoceno, os homens que pulavam a cerca não voltavam grávidos para casa), e, restaria explicar, o ciúme feminino. Várias pesquisas mostram que todos, homens e mulheres, são mais sensíveis à infidelidade emocional (que não engravida ninguém) do que à infidelidade sexual.

Os cognitivistas, em geral, entendem o ciúme como uma reação contra algo que ameaça a relação e fere o amor-próprio do “traído”. Faz sentido, mas o ciúme (sobretudo patológico) nem sempre é reativo: às vezes, o ciumento inventa situações para alimentar seu ciúme.

Os terapeutas psicodinâmicos notam que o ciumento é mais preocupado consigo e com seus rivais do que com o objeto de seu amor. Eles reconhecem, grosso modo, dois tipos de ciúme, que ambos seriam restos neuróticos da infância:

1) Há o ciúme possessivo de quem não deixa a primeira infância, continua querendo ser um único corpo, junto com a mãe, e só enxerga ameaças – no pai, nos irmãos etc. Nesse estilo, uma tia minha passou a vida recluída pelo marido: não saía de casa, nenhum médico podia examiná-la. Por essa razão, eu não a conheci, mas minha avó dizia que o homem era louco e que ela era louca também, por aceitar.

2) Há o ciúme inseguro de quem nunca se sente “tranqüilamente” amável e está sempre revivendo as emoções da pré-puberdade, quando descobrimos que a mãe tem interesses diferentes da gente (experiência dolorosa, mas também prazerosa, pois, traindo-nos, ela nos liberta para desejarmos outras coisas).

Então? Pois é, acabo de ler uma pesquisa, de Visser e McDonald, no “British Journal of Social Psychology” (vol. 46, nº 2, junho 2007): “Swings and Roundabouts: Management of Jealousy in Heterosexual Swinging Couples” (suingue e carrosséis: administração do ciúme em casais heterossexuais que praticam o suingue).

Questão dos pesquisadores: há casais que praticam regularmente o suingue, a troca sexual de parceiros; como eles administram o ciúme?

Resultado previsível: os casais que praticam suingue transformam seu ciúme em excitação sexual. Essa transformação é mais fácil para o homem; na mulher, a visão do parceiro nos braços de outra produz facilmente insegurança. Seja como for, a transformação do ciúme em excitação sexual é possível à condição que seja garantida a confiança absoluta de ambos na coesão do casal. Garantida como?

1) A primazia do envolvimento afetivo sobre o sexual é permitida pela sinceridade. O parceiro é sempre o primeiro a saber: essa prioridade garante a superioridade do laço afetivo do casal sobre o laço sexual com outros. De fato, na infidelidade, o que mais causa aflição é que, por exemplo, o amante sabe do marido, e o marido não sabe do amante (diga para um amante que sua performance é comentada na mesa do casal, e ele, provavelmente, sumirá para sempre).

2) O próprio suingue, como fantasia constantemente elaborada pelos dois, consolida o laço do casal, torna-o muito mais importante do que os parceiros ocasionais de cada um.

Será que, dessas constatações, há como deduzir uma receita contra o ciúme ordinário?

Parece que sim: à condição de não precisar repetir os restos da infância mencionados antes, deve ser possível construir uma relação em que o ciúme seja tolerável.

Para isso, segundo a pesquisa, é bom:

1) que as “infidelidades” (todas, não só as sexuais) sejam prenunciadas, ou seja, que elas existam primeiro na conversa do casal;

2) que os membros do casal compartilhem uma aventura, um sonho (voar de asa delta, aprender sânscrito ou praticar suingue, tanto faz).

Mais duas observações. A maior traição é a traição do próprio desejo da gente; portanto, pedir ao outro para não nos trair é menos importante do que lhe pedir para não trair a si mesmo. Até porque um parceiro ou uma parceira que traísse seu próprio desejo para ficar com a gente acabaria, a médio prazo, odiando-nos por ter-se traído.

Enfim, uma infidelidade não é razão para acabar com uma relação. No máximo, é razão para perguntar-se se a relação vale a pena.

ccalligari@uol.com.br

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01/05/2008 - 13:49h L’infidélité, obsession américaine, par Pascal Bruckner

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Pascal Bruckner – Le Monde

Quand le nouveau gouverneur démocrate de New York, David Patterson, un aveugle, succéda, il y a quelques semaines, à Eliot Spitzer, ex-incorruptible coupable d’avoir fréquenté des call-girls, que fit-il en premier ? Il convoqua les médias et avoua avoir trompé sa femme plusieurs fois avec des collègues de bureau.
Son épouse, à son tour, reconnut quelques incartades et jura que son mari et elle avaient surmonté ces épreuves. Stupeur du citoyen européen qui a encore en mémoire l’effarante affaire Lewinsky : au lieu d’afficher son programme politique, voilà un officiel qui fait repentance de peur que ses écarts ne soient un jour révélés en public. Bref, la première puissance mondiale, qui est en train de perdre la guerre en Irak et en Afghanistan, qui a réhabilité la torture et porté à sa tête deux fois de suite l’un des chefs d’Etat les plus incompétents de cette période, s’enflamme pour de misérables histoires de coucherie !
Que se passe-t-il pour que la presse entière, des journaux de caniveau jusqu’au très sérieux New York Times, s’empare de ce sujet privé et glose dessus à l’infini ? Souvenons-nous des déconvenues de l’ex-gouverneur démocrate Eliot Spitzer : pourfendeur de la corruption financière, champion de la lutte contre la prostitution, il fréquentait lui-même une ravissante brunette de 22 ans, Ashley Youmans, alias Kristen, dont il payait les services entre 1 000 et 5 000 dollars, en puisant, paraît-il, sur ses fonds de campagne électorale.
Là encore, rien que de très normal pour un vieil Européen rompu aux aléas de la nature humaine : tel le capitaine Haddock, présidant ivre mort une réunion contre l’alcoolisme, les pères la pudeur, aux Etats-Unis, ennemis du vice, du féminisme et de la liberté de moeurs, finissent invariablement entre les bras de prostituées, les narines bourrées de cocaïne, pris la main dans le sac. Tout moraliste finit par basculer un jour dans l’abîme qu’il dénonce : l’Eglise catholique elle-même, qui prône la chasteté et voue les homosexuels aux gémonies, ne couvre-t-elle pas de par le monde les agissements de milliers de prêtres pédophiles qui violent et abusent des enfants ?
Première leçon de la vieille Europe : se méfier a priori de tout discours vertueux. Eros se venge de ses censeurs et adresse un formidable pied de nez au puritanisme ambiant. Que penser encore de ces associations américaines de thérapie familiale, expliquant que “les réactions d’une épouse trahie ressemblent aux symptômes du stress post-traumatique des victimes d’événements traumatisants”, tels le 11 septembre 2001 ? Que dire de ces séminaires pour époux infidèles que l’on rééduque à la manière des dissidents de l’ex-empire soviétique ?
Pour un Européen, confondre un écart amoureux avec une catastrophe collective est une comparaison scandaleuse. On ne saurait que trop engager les Américains à prendre dans le Vieux Monde des leçons de civilisation : de ce côté-ci de l’Atlantique, comme en témoignent le cinéma, la littérature, le théâtre, tout le monde trompe et est trompé, et l’on survit très bien à l’inconstance de son conjoint. La vraie fidélité est autrement plus exigeante qu’une stricte abstinence physique, et si l’amour est fort, il surmontera ces épisodes.
Mieux encore : l’adultère, chez nous, est presque devenu un objet de vénération, la protestation de la créature opprimée contre la convention matrimoniale – de l’utopiste Charles Fourier, établissant, au début du XIXe siècle, une “Hiérarchie du cocuage” drolatique qui ridiculise tous les “cornus”, à Labiche, Feydeau, Guitry, qui font rire avec les malheurs des époux bafoués, les infractions au contrat de mariage constituent autant d’occasions de réjouissance.
Plus modernes encore, Sartre et Simone de Beauvoir n’avaient-ils pas distingué amours contingentes et amours nécessaires pour s’autoriser des aventures avec d’autres partenaires qu’ils s’échangeaient à l’occasion ? Sur le plan des moeurs, l’Europe est infiniment plus sage que le Nouveau Monde et sa hideuse obsession de la transparence. Même dans un mariage d’amour, la monogamie stricte est un idéal inhumain, et mieux vaut composer avec les faiblesses humaines que les contenir à tout prix, au prix de drames inutiles.
Bertrand Russell, en 1929, dans son essai sur Le Mariage et la Morale, préconisait une solution à la française : une grande tolérance vis-à-vis des passades adultères, pour l’homme comme pour la femme, pourvu qu’elles n’interférent en rien dans la vie du couple et ne gênent pas l’éducation des enfants. Bref, la quiétude conjugale s’accommode de petits arrangements entre conjoints qui sont la marque d’une société raffinée.
A y regarder de plus près, pourtant, l’épisode Spitzer-Kristen délivre d’autres enseignements. Que sanctionne-t-on chez l’ex-gouverneur de New York ? L’hypocrisie d’un homme qui jurait ses grands dieux de terrasser le trafic d’êtres humains et fréquentait The Emperor Club, réseau de prostituées de luxe dirigé par un proxénète notoire. C’est donc Tartuffe qui tombe, mais c’est la call-girl qui accède à une notoriété surprenante : la voilà soudain propulsée au sommet de la gloire, inondée d’offres de films, de photos de charme, de publicités pour produits de beauté, lingerie fine. Deux chansons qu’elle enregistre et vend sur un site musical lui rapportent 200 000 dollars en quelques jours.
Est-elle puritaine, la société qui punit le prêcheur et récompense la pécheresse, en fait une star instantanée, qui place le vice chez le représentant de l’ordre moral et la candeur chez une “pretty woman” du New Jersey ? On peut se demander si l’obsession de l’infidélité outre-Atlantique ne vient pas du caractère artificiel du contrat social américain, ce pacte inauguré en 1787 entre hommes de toutes conditions, races, origines, religions. Le mariage librement consenti et assorti du divorce possible est alors le miroir, le microcosme de ce serment fondateur de la nation.
Si l’on scrute les transgressions avec une telle minutie, c’est pour mieux vérifier la norme : se montrer déloyal dans l’amour conjugal, n’est-ce pas remettre en question cette alliance originelle qui soude tous les Américains ? Si la petite patrie qu’est la famille vacille sous les caprices des conjoints, qu’en sera-t-il de la grande, en cas de danger ? Là où l’Europe, composée de nations anciennes riches de leurs traditions, fait preuve d’une certaine désinvolture, les Etats-Unis manifestent rigidité et intransigeance : quand le plus fondamental de tous les liens, celui du couple, est mis à mal, c’est l’avenir même du pays qui peut basculer. Création récente, l’Amérique exorcise, à travers les infractions conjugales de ses responsables, sa propre fragilité. L’enjeu n’est que superficiellement moral : il est d’abord politique.
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Pascal Bruckner. Ecrivain