04/10/2009 - 17:25h War Photographer

Images&Visions

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Cartaz do documentário “War Photographer”, sobre o trabalho do fotojornalista James Nachtwey.


Em 2001 foi lançado o documentário “War Photographer”, sobre o trabalho do fotógrafo James Nachtwey. O diretor Christian Frei utilizou micro-câmeras especiais acopladas à câmera fotográfica dele, proporcionando ao público a oportunidade de acompanhar o fotojornalista em ação. O documentário foi filmado em dois anos durante os conflitos de Kosovo, Palestina e Indonésia. Norte-americano nascido em Syracuse e criado em Massachusetts, formou-se na Dartmouth College, onde estudou História da Arte e Ciências Políticas (1966-70). James Nachtwey começou a trabalhar em 1976, como fotógrafo de jornais no Novo México e em 1980, mudou-se para Nova Iorque para dar início a uma carreira como fotógrafo free-lance para revistas. No seu primeiro trabalho como fotógrafo internacional fez a cobertura do movimento civil na Irlanda do Norte em 1981 durante a greve de fome do IRA (Exército Republicano Irlandês). Desde então, James Nachtwey tem se dedicado a documentar guerras, conflitos e situações sociais precárias. James Nachtwey é considerado por muitos o mais corajoso fotojornalista da atualidade e também o mais ocupado dos fotógrafos profissionais do mundo. Em 2003, atuava como correspondente da revista Time em Bagdá e foi ferido por uma granada quando acompanhava uma patrulha dos Estados Unidos. Ficou internado inconsciente por alguns dias. Além disso, é tido como um homem tímido, empenhado na profissão e que gosta de mergulhar em pensamentos filosóficos, vem usando a fotografia ao longo de sua experiência como uma arma pacífica para documentar desigualdade e conflitos sociais. Leia mais sobre James Nachtwey Aqui
Assista aqui ao trailer do filme

28/08/2009 - 22:00h Boa noite

“Recuerdo” de Osvaldo Pugliese no filme de Carlos Saura “Tango”

28/08/2009 - 19:47h O cavaleiro da rosa

Elisabeth Schwarzkopf, Sena Jurinac e Anneliese Rothenberger, no final da ópera Der Rosenkavalier, filme de P. Czinner (1960). Regente: Karajan e a Orquestra filârmonica de Viena

17/08/2009 - 17:07h Olhos de Ressaca

Festival de Gramado: ‘ressaca’ que dilata os olhos

Prêmio especial do júri e melhor filme do júri de estudantes de cinema

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O Globo Online

Do último e mais fraco dia de competição de curtas-metragens do 37º Festival de Gramado só uma produção fez justiça à telona do Palácio dos Festivais: o filme carioca “Olhos de Ressaca”, de Petra Costa. Apoiado na fotografia de Eryk Rocha, o curta de Petra cumpriu a cota de poesia exigida minimamente por cada dia de concurso dos pequenos filmes selecionados para o evento gaúcho. Petra registra, a partir de um fluxo de memória, a história de amor do casal Vera e Gabriel, juntos há seis décadas. A diretora mescla relatos pessoais à percepções sobre o amor, a solidão e as alegrias compartilhadas a dois.

“Olhos de Ressaca” monta um mosaico delicado sobre as possibilidades de se combinar subjetividades variadas sem as castrações convencionais da instituição que o matrimônio representa. O curta é um caminho interessante para se pensar o tipo de cinema de jorro poético que os irmãos Eryk e Ava Rocha (ela é responsável pela montagem), filhos de Gláuber, têm ajudado a construir. Os dois emprestam a assinatura estética ao projeto de reflexão sobre memória e tempo (ou de memória como tempo) realizado com primor por Petra.

Trailer

MOSTRA SP

Dia 21/08 – 16H00 – Cineclube Grajaú
Dia 23/08 – 19H00 – Cinemateca – Sala BNDES
Dia 26/08 – 16H00 – Centro Cultural São Paulo
Dia 27/08 – 19H00 – CineSESC

11/08/2009 - 17:35h Dream

“Van Gogh dream” filme de Kurosawa

com Martin Scorsese como Vincent Van Gogh

 

 

 

15/07/2009 - 22:00h Boa noite

West Side Story (no Brasil Amor, sublime amor), o filme – abertura

05/05/2009 - 22:00h Boa noite

abertura de La Traviata de Verdi, filme de Franco Zeffirelli

12/04/2009 - 13:00h Deixa que chore minha triste sorte

Sempre aos domingos e durante uma semana,

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dá um toque melódico a leitura do blog.

 

 

 

Na coluna vermelha, acima, no lado direito desta página,

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reproduz um vídeo de música. 

 

 

No

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desta semana uma maravilha de Haendel. São suas árias da ópera Rinaldo: Venti turbini e Lascia ch’io pianga. As imagens são do filme Farinelli, de Gérard Corbiau.

Aproveito par reproduzir aqui a mesma ária (Lascia ch’io pianga), cantada em um recital por Philippe Jaroussky.

 

Lascia ch’io pianga mia cruda sorte,
E che sospiri la libertà!
E che sospiri, e che sospiri la libertà!
Lascia ch’io pianga mia cruda sorte,
E che sospiri la libertà!

Il duol infranga
queste ritorte
de’ miei martiri
sol per pietà!
(de’ miei martiri
sol per pietà!)

Lascia ch’io pianga mia cruda sorte,
E che sospiri la libertà!
E che sospiri, e che sospiri la libertà!

Lascia ch’io pianga mia cruda sorte,
E che sospiri la libertà!

12/12/2008 - 20:11h O rito

Eyes Wide Shut – Kubrick – Kidman -Cruise

03/12/2008 - 18:28h Night and Day

Fred Astaire canta e dança Night and Day de Cole Porter, com Ginger Rogers (do filme The Gay Divorcée 1934).

Night and Day (Cole Porter)

Like the beat beat beat of the tam-tam
When the jungle shadows fall
Like the tick tick tock of the stately clock
As it stands against the wall
Like the drip drip drip of the raindrops
When the summer shower is through
So a voice within me keeps repeating you, you, you

Night and day, you are the one
Only you beneath the moon or under the sun
Whether near to me, or far
It’s no matter darling where you are
I think of you

Day and night, night and day, why is it so
That this longing for you follows wherever I go
In the roaring traffic’s boom
In the silence of my lonely room
I think of you

Night and day
Day and night,
Under the hide of me
There’s an oh such a hungry yearning burning inside of me
And this torment won’t be through
‘Till you let me spend my life making love to you

Day and night, night and day

17/11/2008 - 22:08h Rhapsody in Blue – Fantasia

Fantasia de Walt Disney e música de George Gershwin

01/10/2008 - 18:08h L’âme des poètes (a alma dos poetas)

Charles Trenet

Longtemps, longtemps, longtemps
Après que les poètes ont disparu
Leur âme légère courent encore dans les rues
Leur âme légère c’est leurs chansons
Qui rendent gais, qui rendent tristes
Filles et garçons
Bourgeois, artistes
Ou vagabonds.

Longtemps, longtemps, longtemps
ah-da ah-la…

A canção completa

Os versos completos da canção

Longtemps, longtemps, longtemps
Après que les poètes ont disparu
Leurs chansons courent encore dans les rues
La foule les chante un peu distraite
En ignorant le nom de l’auteur
Sans savoir pour qui battait leur cœur
Parfois on change un mot, une phrase
Et quand on est à court d’idées
On fait la la la la la la
La la la la la la

Longtemps, longtemps, longtemps
Après que les poètes ont disparu
Leurs chansons courent encore dans les rues
Un jour, peut-être, bien après moi
Un jour on chantera
Cet air pour bercer un chagrin
Ou quelqu’heureux destin
Fera-t-il vivre un vieux mendiant
Ou dormir un enfant
Tournera-t-il au bord de l’eau
Au printemps sur un phono

Longtemps, longtemps, longtemps
Après que les poètes ont disparu
Leur âme légère et leurs chansons
Qui rendent gais, qui rendent tristes
Filles et garçons
Bourgeois, artistes
Ou vagabonds.

25/09/2008 - 20:14h La Traviata

Ária “Alfredo, di questo core” da Ópera La Traviata de Verdi

Árias “Noi Siamo Zingarelle”,”Di Madride Noi Siam Mattadori”

Violetta ……Teresa Stratas
Alfredo …… Placido Domingo
Germont…Cornell MacNeil

Maestro…..James Levine
Diretor Franco Zeffirelli

20/09/2008 - 13:49h Cheek to cheek

Fred Astaire e Ginger Rogers “Heaven… I’m in Heaven”

 

Cheek to Cheek (do filme Top Hat)

Letra de Irving Berlin

Heaven, I’m in Heaven,
And my heart beats so that I can hardly speak;
And I seem to find the happiness I seek
When we’re out together dancing, cheek to cheek.

Heaven, I’m in Heaven,
And the cares that hang around me thro’ the week
Seem to vanish like a gambler’s lucky streak
When we’re out together dancing, cheek to cheek.

Oh! I love to climb a mountain,
And to reach the highest peak,
But it doesn’t thrill me half as much
As dancing cheek to cheek.

Oh! I love to go out fishing
In a river or a creek,
But I don’t enjoy it half as much
As dancing cheek to cheek.

Dance with me
I want my arm about you;
The charm about you
Will carry me thro’ to Heaven

I’m in Heaven,
and my heart beats so that I can hardly speak;
And I seem to find the happiness I seek
When we’re out together dancing cheek to cheek.

13/09/2008 - 20:18h Canções de amor

27/07/2008 - 15:13h O Rei dança, e você?

As danças do filme “O rei dança”, direção de Gérard Corbiau, o mesmo que fez o filme Farinelli.

A música é de Jean-Baptiste Lully (1632 – 1687)

Three amazing dance scenes from the movie “Le Roi Danse” (The King Is Dancing), directed by Gérard Corbiau (the director of “Farinelli”).

The music is written by Jean-Baptiste Lully (1632-1687).

1. Ballet de la Nuit: Ouverture
The young King Louis XIV is dancing, dressed as the Sun. O jovem rei Louis XIV dança, fantasiado de Rei-Sol

2. Idylle sur la paix: Air pour Madame la Dauphine
The adult King is dancing, dressed as Jupiter. O rei já adulto dança fantasiado de Júpiter.

3. Les Amants magnifiques: Entrée d’Apollon
The gold-painted King is dancing in the park, in front of the fountain. O rei em ouro dança no parque.

Conductor: Reinhard Goebel
Orchestra: Musica Antiqua Köln

The young King Louis XIV: Emil Tarding
Lully: Boris Terral
The adult King: Benoît Magimel

19/06/2008 - 15:51h Mais Buñuel: Belle de jour

Belle de Jour de Luis Buñuel, com Catherine Deneuve

19/06/2008 - 15:05h Buñuel e Lula têm a mesma preocupação

La ilusíón viaja en tranvia, de Luis Buñuel 1954

16/05/2008 - 15:59h Para Eleonora e Ivo: Maazal-tov!

12/05/2008 - 10:29h Documentário pode interessar aos fãs de tango, mas entedia os cinéfilos

Crítica/”O Último Bandoneón”

Divulgação
Cena de “O Último Bandoneón’, documentário argentino sobre tango que está em cartaz em SP


CRITICO DA FOLHA DE SÃO PAULO

Jorge Luis Borges (1899-1986), que foi um escritor imenso, mais do que grande, achava que o tango corresponde ao lado sentimental, quase desprezível da alma argentina. Como quase tudo nas opiniões de Borges, isso era controverso. Cortázar, por exemplo, outro magnífico escritor, era fã.
Mas Borges interessa justamente por suas intervenções heterodoxas. Ele dizia, quando o acusavam de não ser argentino, que não devia ser mesmo, porque “os argentinos gostam de Paris, e eu prefiro Londres”: só com isso punha uma pá de cal, mas com que classe, no nacionalismo.
Ele também podia ser malvado. Ao comentar um filme argentino, lembra que lhe disseram tratar-se “de um dos melhores filmes argentinos”. E completava: “portanto, um dos piores do mundo”. O tempo passou e nos acostumamos mesmo a entoar loas ao cinema argentino. Esquecemos que a produção de um país seja qual for é, em média, muito fraca.
É dessa fraqueza que sofre “O Último Bandoneón”, documentário -em cartaz na cidade desde a última sexta-feira- extremamente convencional do diretor Alejandro Saderman. Aqui, não há como comparar com o melhor do documentário ou do documental brasileiro.
Podemos esquecer dos que -como Eduardo Coutinho e Andrea Tonacci sobretudo-, entre nós, trabalham tão intensamente esse limite entre o real documentado e a ficção, entre real vivido, representação, apropriação e verdade.

Limitações
Em “O Último Bandoneón”, estamos diante da moça disposta a viver de seu bandoneón, mesmo que para tanto tenham de tocar em ônibus, do maestro que recria uma orquestra de tango, de aulas de dança, espetáculos do gênero. E entrevistas, pilhas de entrevistas.
Se do ponto de vista cinematográfico “O Último Bandoneón” tem muitos limites, a verdade é que pode muito bem chegar ao público que se interessa por tango em particular ou mesmo por dança de uma maneira geral.
Do falar portenho, das visitas a locais típicos, às pessoas típicas, às músicas tradicionais, tudo favorece esse contato. Não falta nem mesmo essa crença tão latino-americana de que, não fossem os nossos ritmos, os europeus morreriam sem ter como externar seus sentimentos. Esses aspectos singelos do universo musical estão contemplados também.
Num mundo tão regressivo em matéria de usos e costumes, reviver o começo do século 20 pode não ser, hoje, apenas um prazer de sexagenários. Os fãs do ritmo têm por que se esbaldar. Os cinéfilos não têm muito como não se entediar. (INÁCIO ARAUJO)


O ÚLTIMO BANDONEÓN
Produção:
Argentina, 2005
Direção: Alejandro Saderman
Com: Marina Gayotto, Natalia Arroyo, Rubén Jurado e outros
Onde: em cartaz no Reserva Cultural 4 (classificação: livre)
Avaliação: ruim

06/05/2008 - 19:32h Irving Berlin: Puttin On The Ritz

1930 do filme Puttin on the Ritz cantado por Harry Richman

 

 

na versão de Fred Astaire

 

 

e por último: Taco (1983)

01/05/2008 - 23:23h Un di felice, eterea

Placido Domingo e Teresa Stratas cantam o dueto de Alfredo e Violeta do primeiro ato da Traviata de Verdi.
Longa metragem dirigida pelo Franco Zefferelli.
Orquestra dirigida por James Levine

12/04/2008 - 14:34h Uma jóia de “La Traviata”

Beniamino Gigli canta “PARIGI, O CARA” da “TRAVIATA” de Verdi. filme italiano “DIVINE ARMONIE”, sobre a vida de Giuseppe Verdi.

05/03/2008 - 15:46h O musical que mudou a Broadway

Versão nacional conserva o leve tom operístico e a coreografia que define o caráter dos personagens

Ubiratan Brasil – O Estado de São Paulo

Versão moderna de Romeu e Julieta, metáfora sobre a ameaça que os imigrantes significam a um país rico, a eterna briga pela conquista do território – West Side Story ainda provoca leituras diversas, mas em um detalhe todos são unânimes: trata-se do musical que revolucionou a Broadway. ‘Quando foi montado, em 1957, surpreendeu não só pelos temas mas por apresentar uma ação que passava para a dança de forma natural, como se a coreografia fosse extensão dos movimentos dos atores’, comenta Jorge Takla, que comanda a primeira montagem brasileira de West Side Story, que estréia sexta para convidados, no Teatro Alfa, e sábado para o público.

Diretor, produtor, iluminador e cenógrafo do espetáculo, Takla preferiu manter o título original, rejeitando a tradução brasileira que acompanha a versão cinematográfica, Amor, Sublime Amor, ganhador de nada menos do que dez Oscars em 1961. ‘Preferi realizar um trabalho sem concessão, ou seja, com 42 atores e uma orquestra com 23 músicos, como prevê o original’, conta ele, que calcula um investimento total de R$ 5 milhões para levantar a montagem, além de R$ 1,5 milhão mensal para manutenção de um total de 100 apresentações.

Tamanho cuidado não é exagero – a criação original de West Side Story uniu uma equipe ainda imbatível na história da Broadway. Jerome Robbins, que se tornou o modelo máximo do coreógrafo-diretor, teve o controle total da produção, desde a concepção até a montagem final; Leonard Bernstein, com quem Robbins havia iniciado uma brilhante parceria anos antes, compôs as músicas; Stephen Sondheim, na época um jovem de 20 anos que contava apenas com o apoio do grande Oscar Hammerstein, escreveu as letras das canções; e Arthur Laurents, então um dramaturgo promissor, cuidou do libreto.

A história é ambientada no subúrbio de Nova York, onde duas gangues rivais, os Jets (os nascidos americanos) e os Sharks (imigrantes porto-riquenhos), lutam pelo domínio do bairro. Em meio a tanta incompreensão, Tony, um dos fundadores dos Jets, se apaixona por Maria, a irmã de Bernardo, comandante dos Sharks. O amor impossível, que faz lembrar Romeu e Julieta (inspiração inicial da história), é fadado ao fracasso – uma paixão irrealizável graças ao racismo e à xenofobia americana. ‘Trata-se de obra musicalmente complexa, em que atores devem cantar e dançar de forma natural, sem parecer uma demonstração de técnica’, comenta Takla.

De fato, escrito como se fosse uma ópera, o musical exige cantores com vocação lírica para os papéis principais. Mais: em uma das mais célebres canções, Maria, o ator que interpreta Tony necessita alcançar uma nota difícil, o si bemol. ‘Para conseguir isso, tive de retrabalhar minha respiração’, conta Fred Silveira, que vive Tom com firmeza e emoção e participa do oitavo musical de sua carreira. ‘Além de outra exigência, a coreográfica, é preciso preparar a emoção para o final.’

É justamente o momento em que Maria perde a inocência à custa da vida do amado. ‘Ela sofre uma mudança radical em sua rotina, tornando-se mulher graças ao ódio que separa as duas gangues’, comenta Bianca Tadini, soprano lírica que, como Maria, também atinge notas difíceis (como um dó, no final da música Quinteto) e confere dignidade à menina obrigada a amadurecer com a perda.

Também cantora lírica, Sara Sarres interpreta um papel (Anita, porto-riquenha apaixonada por Bernardo) que exigiu uma mudança em sua carreira. ‘Mudei vocalmente minha interpretação, buscando posições mais graves de minha voz.’ Com isso, ela deixou de viver as eternas mocinhas e se tornar, com presença marcante, uma mulher madura, que também sofre uma perda.

Em West Side Story, os números musicais ajudam a narrar a trama e definem o caráter dos personagens. Daí a comprovada importância dos papéis considerados secundários. ‘Cada um tem uma trajetória específica e até uma coreografia própria, o que marca bem sua posição’, comenta Luciano Andrey, desenvolto como Riff, principal amigo de Tony. ‘E, para isso, temos de usar a técnica do balé clássico adaptado ao musical’, completa Adalberto Halvez, dono de uma enorme vitalidade ao viver Bernardo.

Foi esse o grande desafio de Tânia Nardini, responsável pela adaptação da coreografia original, e também de Cláudio Botelho, que traduziu as letras sem perder o frescor – seu maior trunfo foi a versão de Tonight: como a canção exigia uma palavra de duas sílabas para substituir ‘tonight’, ele encontrou em ‘você’ a chave para manter o ritmo certo e ainda segurou a linha melódica da letra. Um esforço de equipe para garantir o estilo clássico do musical, cujo final, ao contrário da peça de Shakespeare, é mais amargo e mais condizente com o mundo moderno.

Serviço
West Side Story. 140 min. (com 15 min. de intervalo). 12 anos. Teatro Alfa – Sala A (1.210 lug.). Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, telefone 5693-4000. 5.ª e 6.ª, às 21 h; sáb., às 17 h e às 21 h; dom., às 18 h. R$ 40 a R$ 130 (5.ª);R$ 60 a R$ 140 (6.ª e dom.);
R$ 60 a R$150 (sáb.). Ingressos pelos telefones 5693-4000 e 0300 789-3377 (serviço exclusivo do Teatro Alfa, com entrega no próprio teatro no dia do espetáculo). Ingresso Rápido, 4003-1212, www.ingressorapido.com.br (com taxa de conveniência). Até 27/7

05/03/2008 - 15:12h Canções de uma América que perde a inocência na rua

Musical de Bernstein e Sondheim é um registro documental do nascimento das gangues racistas nas cidades dos EUA

Antonio Gonçalves Filho – O Estado de São Paulo

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O musical West Side Story nasceu há meio século como uma história de dois amantes de crenças antagônicas, um católico e outro judeu, ambos moradores no lado leste de Manhattan. O projeto logo foi abandonado. Seria esquemático demais situar o musical na parte nobre da ilha. Nem o coreógrafo Jerome Robbins, que teve a idéia de adaptar Romeu e Julieta para a linguagem do musical americano, parecia convencido. Finalmente, ao ler uma reportagem no jornal Los Angeles Times sobre gangues rivais formadas por mexicanos e americanos, Arthur Laurents, autor da peça, logo imaginou que o conflito religioso da história original poderia ser transformado numa briga étnica. Não no elegante lado leste, mas no lado oeste de Manhattan, o mais miserável.

Laurents conversou, então, com o compositor Leonard Bernstein, parceiro de Robbins no musical On the Town (1944). Coincidentemente, o maestro, um gay nada discreto habituado a rondas noturnas em bairros pobres de Manhattan, havia descoberto às margens do Rio Hudson, lá pela Rua 125, alguns garotos porto-riquenhos fazendo uma algazarra dos diabos: pulavam e brigavam entre os arcos de um prédio como se estivessem numa coreografia de Robbins. Assim nascia um dos números mais fascinantes (a seqüência do Rumble) de West Side Story, herdeiro dos musicais politizados de Brecht e Weill – sem o didatismo da dupla alemã. Estava decidido: seria um musical sobre gangues urbanas que tomam o lugar das famílias feudais de Shakespeare e lutam por afirmação étnica e pela defesa de seu território. Isso nos anos 1950, muito antes do hip-hop e dos gangsta rappers.

No lugar dos Capuletos e Montecchios, os Jets, a gangue polimorfa de caucasianos, luta até a morte contra os Sharks, outra gangue formada por imigrantes porto-riquenhos. O cenário: a América de jovens deserdados, dispostos a tudo para pertencer a algum grupo social. Em West Side Story, o sonho americano de ascensão vira um pesadelo quando um dos garotos da primeira gangue, os Jets – ou seja, os ‘jatos’, signos da América do futuro -, apaixonado pela irmã do líder porto-riquenho, mata por acidente um dos Sharks – os ‘tubarões’, bichos que não evoluem há mais de 2 milhões de anos.

Os sociólogos americanos cansaram de explicar a origem desse conflito: declínio da oferta de emprego aos imigrantes (especialmente os latinos) numa época de automação e medidas cautelares da Suprema Corte para manter negros, chicanos e nativos fora do páreo. Aprovando leis ambíguas nos anos 1950, que garantem igualdade aos cidadãos (desde que separados por raças), essa corte é ridicularizada na figura do policial Krupke, que ouve, dos garotos das duas gangues de West Side Story, mais palavrões do que suportam seus ouvidos. Tanto que Sondheim (também autor de Sweeney Todd, base do filme homônimo em cartaz) foi obrigado a mudar as letras da canção Gee, Officer Krupke, na adaptação para o cinema: nela, um garoto diz que seu pai é um bastardo, sua mãe uma ‘fdp’ e sua irmã uma biscate. Conclusão: a canção foi banida da programação da BBC por mencionar abuso sexual e uso de drogas. Mais uma vez: isso em 1957.

O pior de tudo é que nem Bernstein nem Sondheim exageravam. Quando Rita Moreno interpretou, no cinema, a cena em que Anita é acossada e quase currada pelos Jets, a atriz desabou a chorar ao lembrar que foi vítima de abuso sexual quando criança. Ela não perdoa seu algozes. Aconselha Maria, apaixonada pelo americano Tony, a procurar um bom rapaz porto-riquenho e se livrar daqueles ‘monstruosos’ ianques que a acuaram na rua (na canção A Boy Like That). Perpetuam-se os estereótipos cultivados por ambos os lados. Fica claro que eles são transmitidos pelos pais das vítimas. Os Jets não só discriminam os Sharks porto-riquenhos, acusando-os de roubar seus empregos, como enunciam um discurso racista sobre a inferioridade latina, imitando o sotaque do antípoda. A própria Anita se encarrega de traçar um auto-retrato depreciativo dos porto-riquenhos, justificando que prefere a discriminação à miséria (na canção América). Algo mudou?