24/08/2008 - 14:28h Farinelli

No L'image “http://images.ig.com.br/blig/blogdofavre/images/bg_intermezzo.gif” ne peut être affichée car elle contient des erreurs. (na parte superior da barra lateral vermelha, a direita) durante toda a semana o vídeo Lascia Ch’io Pianga com a voz de Philippe Jaroussky.

Aqui
Venti turbini e Lascia ch’io pianga no filme Farinelli, de Gérard Corbiau*.
As duas árias são da Ópera Rinaldo de Handel.

“Farinelli” (1994)
Director: Gérard Corbiau
Awards:
Best Foreign Language Film (Golden Globes 1995)
Nominated for Oscar in the same category
—————————————-
In this video appear the arias “Venti, turbini” and “Lascia ch’io pianga” from the opera “Rinaldo” written by Haendel.
If you wonder why the people and Farinelli are so sad when he is singing “Lascia ch’io pianga”, is because the translation is “Let me weep over my cruel fate, and that I long for freedom” (en castellano es “Déjame que llore mi triste suerte, y que añore la libertad” e em português “Deixa que chore minha triste sorte e que anseie a liberdade)

18/08/2008 - 18:42h Chet Baker

No INTERMEZZO, na coluna acima a direita, esta semana Chet Baker e My funny Valentine. Aqui uma apresentação de Chet Baker, no documentário de Bruce Weber
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William Claxton, Chet Baker (Piano), Hollywood, 1954


My funny valentine
Sweet comic valentine
You make me smile with my heart
Your looks are laughable
Unphotographable
Yet youre my favourite work of art (…)

17/08/2008 - 14:12h Chet Baker - Let’s Get Lost

No INTERMEZZO, na coluna acima a direita, esta semana Chet Baker e My funny Valentine. Aqui uma apresentação de Chet Baker, no documentário de Bruce Weber

Documentário realizado por Bruce Weber

10/08/2008 - 12:27h Tal pai, tal filho? depende de você

Se precisar das dicas é que você já perdeu o pé, mas dá para consertar. Reproduzir estereótipos é repetir besteiras. Ninguém deveria calcar imagens e cargar, além da conta , o peso de sua própria infância. Quebrar a rigidez de papeis e manter a essência do lugar distinto do pai e da mãe, pode virar um instrumento de superação. Gostei das “dicas” publicadas no Correio Braziliense. LF

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PASSOS PARA SE TORNAR UM ENCANTADOR

Você se considera um bom pai? Acha que tem uma relação próxima e saudável com seu filho? Então responda rápido: qual a cor preferida dele? Qual é o super-herói com quem ele mais se identifica? Quem são seus melhores amigos? Qual é o seu maior sonho? E seu maior medo? E seu filme predileto? Se depois dessas perguntas você sentiu que é hora de se envolver mais com a família e, quem sabe, entrar para o ilustre hall de pais encantadores, veja abaixo um pequeno guia elaborado com a ajuda dos pais entrevistados e com o respaldo dos psicanalistas Wadson Damascena e Roberto Menezes, com idéias que podem mudar a história do relacionamento entre pai e filho:

1 Assuma tarefas diárias da babá ou da mãe, como preparar o café da manhã, dar o banho, levar para a escola, colocar para dormir ou ajudar na lição de casa. “O pai tem que criar junto. Falta de tempo é a pior desculpa que alguém pode arrumar para justificar a distância com o filho. Tempo a gente sempre arruma quando há um real interesse”, opina Wadson.

2 Muitos subestimam a capacidade e a inteligência das crianças e dos jovens. Crianças são boas de papo e têm pensamentos e histórias fascinantes para dividir. “Criar o hábito de conversar é uma excelente forma de aproximação”, afirma Wadson.

3 Na hora do almoço não há nada mais desagradável do que um pai que pede silêncio aos familiares que querem conversar para poder assistir ao telejornal ou ao programa de esportes. As refeições são boas oportunidades de socialização, aproximação e divertimento.

4 Crie um hobby em comum com seu filho. Descubra algo que ambos gostem e ponha em prática esse gosto, pelo menos uma vez por semana. Pode ser andar de bicicleta, praticar algum esporte, ir ao cinema, exposição ou aprender a desenhar, por exemplo.

5 Saia da rotina. Surpreenda a família com um passeio, uma viagem ou um programa diferente.

6 Conte histórias sobre sua infância. As crianças adoram imaginar os pais quando jovens. Deixe-o contar suas histórias também.

7 Preste atenção no que ele fala. Valorize-o. Se um dia ele contar que aprendeu sobre os animais mamíferos na escola, por exemplo, leve-o ao jardim zoológico.

8 Brinque com ele. Brincar é o que as crianças fazem melhor. Na companhia dos pais, acham esse prazer ainda mais divertido.

07/08/2008 - 16:16h Les uns et les autres - Bolero - Retratos da Vida

A pedido de Deolinda, leitora do blog, um pedaço do filme “Les uns et les autres” de Claude Lelouche. A música é o Bolero de Maurice Ravel, a coreografia é de Maurice Bejart e o dançarino é Jorge Donn. No filme atua Geraldine Chaplin e tem ainda canção de Michel Legrand et Francis Lai, mas é todo uma questão de gosto. Aqui vão os dois. Acrescentei também o trailer em inglês, com sub-títulos em português, com o nome Bolero. A versão que passou no Brasil com o nome de Retratos da Vida, esta apresentada no Youtube pelo comentário que reproduzo a seguir.LF

“Enquanto o mundo batalhava entre si durante a Segunda Guerra Mundial, quatro família de distintos países - Estados Unidos, França, Alemanha e Rússia - se cruzam em circunstâncias históricas e se unem através da dança e do drama. Este clássico decalca o Bolero de Ravel, com um coreografia marcante de Jorge Donn em pleno Trocadero parisiense. A música tornou-se uma verdadeira febre na época lançada sendo quase impossível ouvir a música e não associá-la ao filme. Composto de um elenco de extraordinários atores - James Caan, Robert Houssein, Geraldine Chaplin, Nicole Garcia, Fanny Ardant - sob a direção do renomado diretor Claude Lelouch, destacado pela criação de diversas obras primas do cinema de arte, Retratos da Vida é, sem dúvida, um dos filmes mais marcantes de sua época e continua encantando platéias do mundo inteiro.
Agenda da Danca de Salao Brasileira.
www.dancadesalao.com/agenda”

03/08/2008 - 17:29h Anarquista, libertário, surrealista… e genial

Retrato de Luis Buñuel feito por Salvador Dali

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Há 25 anos morria um dos artistas mais provocativos do século: Luis Buñuel

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de São Paulo

Dia 29 completaram-se 25 anos da morte de Luis Buñuel (1900-1983). Espanhol de Calanda, cidade de Aragão, Buñuel escolheu o México para viver sua aposentadoria. Realizou boa parte de sua obra nessa país e nele morreu. Em seu livro de memórias, Meu Último Suspiro (Nova Fronteira, 1982), ditado ao seu roteirista Jean-Claude Carrière, Buñuel muito fala do México. Agradava-lhe o tom de suave absurdo que encontrava no país, o culto da violência e dos mortos, a alegria, os contrastes. Lá, dom Luis estava em casa.

Foi, no entanto, na França, que teve início sua carreira de cineasta. E ela começou em parceria com outro exilado ilustre, espanhol como ele, o pintor Salvador Dalí. Juntos, fizeram o filme-manifesto do surrealismo, Un Chien Andalou - Um Cão Andaluz, em 1928. Já nos primeiros planos, uma imagem forte, e tão contundente que quase intolerável: uma nuvem esconde a lua por alguns momentos; a câmera registra um rosto de mulher. Por trás dela, surge um homem com uma navalha na mão. Com a outra mão, ele abre o olho da mulher e o decepa. Um crítico como Ado Kyrou via nessa seqüência a proposta de um método radical, que iria acompanhar Buñuel por toda a vida - a dissecação.

Não deixa de ter razão. A obra de Buñuel é diversificada, inclusive pelas condições materiais de produção de que dispôs ao longo da carreira. Mas centra-se em torno de alguns motivos centrais - a crítica da religião e da hipocrisia burguesa, os paradoxos da sexualidade, a força do desejo, os automatismos mentais, que obedecem, ao mesmo tempo em que escapam, as determinações sociais e históricas. O “como” tratar esses temas era um caso à parte e Buñuel sempre pareceu incisivo como um cirurgião munido do seu bisturi. Ia na contracorrente da relação de fascínio acrítico do espectador em relação ao filme.

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O uso freqüente do absurdo era uma dessas maneiras de tirar o público do seu centro de passividade acomodada. Esta é uma lição que levou do surrealismo mais estrito de André Breton, aliás já prefigurado na obra poética de Isidore Ducasse, o Conde de Lautréamont (1846-1870). O autor de Cantos de Maldoror, leitura de cabeceira do grupo surrealista, morto aos 23 anos, falava sobre o efeito poético da justaposição de itens heterogêneos - o impacto do inesperado como o guarda-chuva e da máquina de costura sobre a mesa de cirurgia, era o exemplo. Buñuel usou com freqüência esse artifício de surpresa e distanciamento.

Assim, já nos dois primeiros filmes, ao escrever o roteiro, os (então) amigos Buñuel e Dalí descartavam tudo aquilo que pudesse fazer sentido imediato. Nessa recusa do significado linear e fixo, pululam imagens inéditas e inesquecíveis - o olho cortado pela navalha, as formigas que saem das mãos, os burro morto sobre um piano de cauda, os esqueletos vestidos com trajes papais.E, claro, como era da própria intenção dos criadores, desse aparente nonsense brotavam significados aos borbotões - dependentes da imaginação de quem assistia aos filmes.

Buñuel não ignorava o quanto de provocativo havia nessas imagens insólitas. Tanto assim que, na estréia de Un Chien Andalou, em Paris, forrou os bolsos de pedras para defender-se, se fosse necessário. Dois anos depois, nova dose de remédio da mesma natureza: A Idade de Ouro. O grupo de direita Action Française veio à porta do cinema protestar e o filme, um média-metragem, acabou proibido pela censura.

As tesouras do censor perseguiram Buñuel durante muito tempo e ele não parecia se importar muito com o fato. Há uma passagem interessante sobre esse “relacionamento”entre artista e censor, esse diálogo entre a corda e o pescoço. Buñuel, havia muitos anos fora da Espanha, obtém autorização para filmar em seu país e lá rodou o que muitos consideram sua obra-prima, Viridiana (1961). Como conseguiu produzir obra tão anticlerical na carola Espanha de Franco, só Deus é capaz de saber. Viridiana é uma jovem piedosa, que decide abrigar em sua casa um grupo de mendigos. Eles se embebedam, um deles tenta violentá-la e, em cena famosa, parodiam a Santa Ceia. Mas não foi com essa imagem que a censura franquista implicou e sim com o desfecho. Buñuel havia filmado a heroína, interpretada por Silvia Pinal, entrando no quarto com um homem, numa clara indicação de que iriam fazer sexo. A cena foi vetada. Buñuel inventou outra: a moça joga cartas com o rapaz, os dois sentados em volta de uma mesa. “Ficou muito mais alusivo e portanto melhor; agradeço de coração à censura franquista”, ria-se Buñuel. Mesmo assim, o filme foi interditado na Espanha quando os censores se deram conta do que Luis havia feito, e sob as suas barbas conservadoras.

Esse exercício de filmar segundo as circunstâncias havia sido desde cedo assimilado por Buñuel. Se em Un Chien Andalou e L?Âge d?Or (1930) fizera exatamente o que lhe viera à cabeça, com a mudança primeiro para os Estados Unidos e depois para o México teve de se conformar a certas regras do cinema comercial. Nos EUA, escreveu roteiros. Mudando-se para o México, teve de se haver com as normas do melodrama. Mesmo assim, Buñuel se comportava como se, no fundo, filmasse exatamente o que tinha em mente. “Jamais me envergonhei de um único plano de minha obra”, dizia.

E com razão. Porque, mesmo fazendo melodramas, neles infiltrava, de contrabando, suas idéias, sua estética, sua visão de mundo. Instilava nos dramalhões o veneno surrealista e fazia insólitos filmes que na origem poderiam ser banais, como Subida ao Céu (1951)e Escravos do Rancor (1953). A Ilusão Viaja de Trem (1954) é uma pequena jóia surrealista.

Mas é com o drama social Los Olvidados (Os Esquecidos, 1950) que Buñuel alcança notoriedade mundial. Depois desse estranho filme social, que lhe deu o prêmio de direção em Cannes, Buñuel ainda realiza no México obras do porte de O Alucinado (1953), Nazarin (1958) e O Anjo Exterminador (1962).

Na fase final de Buñuel, destaca-se a sua longa colaboração com o roteirista francês Jean-Claude Carrière, a quem caberia, como vimos, ajudá-lo a escrever suas memórias. Esse trabalho a dois vai de Diário de uma Camareira (1964) até o último, Esse Obscuro Objeto do Desejo (1977). Filmes como A Bela da Tarde (1967), A Via Láctea (1969), O Discreto Charme da Burguesia (1972) e O Fantasma da Liberdade (1974) passaram a fazer parte do imaginário cinematográfico mundial.

É um grande cinema, anarquista e libertário, que continua atual e pulsante, mesmo em tempo tão conformista como o nosso. Talvez , por isso mesmo esteja vivo como nunca - porque nos obriga a reler um presente medíocre a contrapelo, a partir do seu contrário.

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ALGUNS TÍTULOS DISPONÍVEIS EM DVD

UM CÃO ANDALUZ E A IDADE DE OURO: os dois primeiros filmes, manifestos do surrealismo no cinema. Trazem algumas das imagens mais marcantes da obra do cineasta, como a do olho sendo decepado pela navalha.

O ANJO EXTERMINADOR: filmado no México, traz uma situação clássica da poética de Buñuel: um grupo de ricaços não consegue sair de uma sala, sem que haja motivo aparente para isso.

OS ESQUECIDOS: Talvez o maior exemplo do drama social tratado à maneira do autor. Não existem santos nem vilões; todos podem se aviltar, ou se santificar, na luta pela sobrevivência.

VIRIDIANA: Para muitos, a obra-prima de Buñuel, filmada na Espanha. Seu tema seria a inutilidade da caridade, na história da personagem que acolhe em sua casa um grupo de mendigos.

A BELA DA TARDE: Um dos principais papéis de Catherine Deneuve. Ela vive Séverine, a mulher rica que se prostitui em um bordel no período da tarde.

O DISCRETO CHARME DA BURGUESIA: Buñuel aposta no cômico para ridicularizar um grupo de burgueses condenado a nunca conseguir terminar uma refeição.

ESSE OBSCURO OBJETO DO DESEJO: Última obra do diretor, história do homem que não pode consumar o sexo com a mulher que deseja, interpretada por duas atrizes, Angela Molina e Carole Bouquet.

02/08/2008 - 08:57h ”Está chegando a hora de mudar a Lei Rouanet”

Sucessor diz que Gil foi o melhor ministro da Cultura da história e que transição já vinha sendo feita, ‘de baiano para baiano’

Roberta Pennafort - O Estado de São Paulo

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Sucessor de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, Juca Ferreira está acostumado a ser chamado de ministro. Já representou Gil muitas vezes, no Brasil e no exterior. Desde a posse do amigo, em 2003, Juca sempre foi considerado o “xerife” da pasta, na condição de seu secretário-executivo. Prestes a ser confirmado no cargo, o que deve ocorrer, segundo ele próprio, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltar de Pequim (para onde viaja, na semana que vem, por conta da abertura das Olimpíadas), Juca disse ontem ao Estado que Gil foi o melhor ministro da Cultura da história, e que a transição já vinha sendo feita lentamente, “de baiano para baiano”.

Quais serão as prioridades de sua gestão?

Primeiro, manter o movimento em direção à estruturação e à execução de políticas públicas de cultura em todas as áreas, no espectro que o ministro abriu. Segundo, a área das artes. A Funarte (Fundação Nacional de Artes) foi a que mais sofreu com a intervenção que o (ex-presidente Fernando) Collor de Mello fez na área cultural. Foi um escândalo. Demoramos muito a compreender a profundidade (do problema). Outra área é a decantada reforma da Lei Rouanet. Está chegando a hora. E a modernização das leis de direitos autorais no Brasil. Na área do patrimônio, estamos às vésperas de criar o Instituto Brasileiro de Museus.

E o Plano Nacional de Cultura?

Estamos discutindo publicamente o plano, que é importantíssimo e vai dar institucionalidade ao ministério. Toda política pública respeitável no Brasil tem um plano nacional. Estamos fazendo audiências públicas em todo o Brasil. Lá para meados do primeiro semestre (de 2009) vamos ter um Plano Nacional de Cultura, como primeira pactuação da estratégia geral de cultura.

Em sua opinião, quais foram os maiores acertos e erros da gestão de Gil?

O ministério, em todos os aspectos que você considerar, é muito melhor do que o que a gente encontrou. Em alguns aspectos a gente avançou mais e em outros, menos. A compreensão de que cultura é uma necessidade tão básica quanto comida, saúde e educação e, portanto, precisa de política pública, foi uma grandeza, uma lucidez. Na área de patrimônio e memória, a gente avançou, na área de museus, de cinema - conseguimos fazer em torno de 400 filmes de longa-metragem nesse período. Agora, erros se cometem; cometemos alguns.

Que avaliação faz sobre a Lei Rouanet como está?

A gente não pode ter a renúncia fiscal como critério principal para financiar a cultura brasileira. É um mecanismo que serve para algumas ações. Tem de ter o Orçamento, os mecanismos de mercado. Queremos introduzir o vale-cultura, semelhante ao vale-refeição, e reestruturar os mecanismos de uso da renúncia. O ministério está preparado para botar na rua a discussão.

Como reage aos críticos da lei?

Não dá para desestruturar um mecanismo que, com todas as distorções que a gente possa considerar, disponibilizou, no ano passado, R$ 1 bilhão. Eu não sou maluco. A substituição seria por mais Orçamento, então dependemos da sensibilidade do governo para mudar o modelo. As Nações Unidas recomendam no mínimo 1% do Orçamento. O que a gente precisa para aplicar o planejamento da política cultural já estabelecida é de R$ 3,7 bilhões, o que dá perto de 3%. A visibilidade que o Gil deu ao ministério ajuda muito. Em todas as áreas você percebe a presença do ministério de forma positiva.

O tempo todo o senhor enfatiza o papel de Gil e o coloca como o melhor ministro da Cultura que já existiu. Por quê?

Não só eu, mas todo mundo. O (Sérgio Paulo) Rouanet, que foi um dos ministros da Cultura, disse, na comemoração do aniversário do ministério, que Gil tinha fundado o ministério. Ele reconhecia que tinha sido dado um salto monstruoso nesta gestão. É inquestionável. Gil foi um gigante.

Como o senhor analisa as críticas que o ministério e o ex-ministro sofreram nestes anos (dirigismo na área cultural, viagens como artista, lentidão na liberação de pareceres para obtenção de patrocínios)?

A questão do dirigismo foi uma bobagem. Acho que a gente deve usar as palavras com precisão. O que nós queríamos era regular a economia da cultura, e não as opiniões. A questão das viagens de Gil… O ministério é ultrabem-sucedido. Ele montou um sistema de gestão moderno, um colegiado de dirigentes. Eu fui designado para representá-lo em sua ausência. Os celulares existem para isso. Funcionamos muito bem, melhor do que os ficaram o tempo inteiro sentados na cadeira. Quanto aos pareceres, o ministério cresceu muito e o número de pareceres passou de 3 mil para quase 30 mil. É difícil manter a eficiência com a mesma estrutura que existia antes.

Quem é: Juca Ferreira


Durante o regime militar, passou 9 anos exilado no Chile, na Suécia e na França, onde se formou em sociologia

Filiado ao Partido Verde, foi duas vezes eleito vereador em Salvador, em 1992 e 2000

28/06/2008 - 13:07h A Última Amante (Une vieille maitresse)

Crítica/cinema/”A Última Amante”

Catherine Breillat subverte convenções do filme de época Diretora francesa aborda a afirmação da sexualidade em um ambiente opressor

PEDRO BUTCHER
CRÍTICO DA FOLHA

Um filme de época era a última coisa a se esperar de Catherine Breillat, cineasta francesa obsessivamente dedicada à questão do desejo feminino. Seu cinema, famoso pelas cenas de sexo filmadas sem pudor -”Romance” e “Anatomia do Inferno”, que traziam o astro pornô Rocco Sifredi, foram particularmente escandalosos-, sempre foi fundamentalmente contemporâneo, e talvez seja justamente por isso que “A Última Amante”, uma adaptação do romance “Une Vieille Maitresse”, de Jules-Amédée Barbey d’Auverilly, tenha lá seu frescor.
Crônica de uma época da nobreza francesa, a trama traz fortes ecos de “Ligações Perigosas”, apesar de se situar em 1835, cerca de 70 anos depois da célebre intriga de Chordelos de Laclos. Na verdade, Breillat não abandonou suas questões prediletas, e o resultado é que “A Última Amante” cresce a partir da tensão entre as convenções do “filme de época” e a estética particular da cineasta, que nega, em cada fotograma, o tradicionalismo do gênero.
Os personagens de Breillat não são figurinos recheados de corpos, como é comum acontecer nesse tipo de filme, mas corpos (desajeitadamente) vestidos com roupas de época. A dimensão de crônica é subvalorizada em favor de um estudo mais franco da possibilidade de uma afirmação da identidade sexual em meio a um ambiente opressor.
A figura central de “A Última Amante” é uma “outsider” da corte, a senhora Vellini (Asia Argento), espanhola de jeito extravagante, filha de um toureiro, que vive uma longa relação com o filho da nobreza Ryno de Marigni (Fu’ad Ai Aattou). Os laços entre os dois serão postos em xeque quando a família dele decide casá-lo com a jovem Hermangarde (Roxane Mesquida). Uma situação clássica, que ganhará tratamento não-clássico.

Crueza calculada
A encenação de Breillat continua guardando um grau de crueza calculado para evitar qualquer possibilidade de glamour. Sua câmera é direta e os cenários e figurinos não sufocam outros aspectos do filme. É verdade que nas cenas dominadas pelas palavras Breillat não demonstra a mesma desenvoltura das seqüências em que o corpo é a figura central, e por isso seu filme cresce bastante quando abandona a corte, fofocas e intrigas para se concentrar na realização do amor de Vellini e Ryno depois que eles fogem para a Argélia -com toques trágicos.
Para que o projeto de Breillat se realize, a presença de Asia Argento em “A Última Amante” é fundamental. A atriz cristaliza a representação da sexualidade feminina como elemento transgressor, numa interpretação transbordante e decididamente infernal, que confirma Argento como ícone do cinema de ambições transgressoras.


A ÚLTIMA AMANTE
Produção:
França/Itália, 2007
Direção: Catherine Breillat
Com: Asia Argento, Fu’ad Ait Aattou, Roxane Mesquida
Quando: em cartaz no Bristol, Cine UOL e Reserva Cultural; 16 anos
Avaliação: bom

19/06/2008 - 14:12h Aos 25 anos da sua morte, um Ciclo Buñuel e também um livro sobre seu filme Los Olvidados

El ciclo Buñuel

La Expo Zaragoza 2008 inicia su Ciclo Buñuel (desde hoy y hasta el día 21) en el que se analizará y profundizará en la obra y vida del universal cineasta desde diversos ángulos. Emma Cohen, Àlex Rigola y otros directores imaginan cómo montar la única obra de teatro del cineasta, su Hamlet, al que la Expo de Zaragoza dedica un amplio ciclo estos días.

El ciclo Buñuel que se desarrollará hasta el 22 de junio dentro de lo que se ha venido a denominar Balcón de las Artes Escénicas (y en tres franjas horarias distintas). Las miradas sobre Hamlet de estos cuatro directores se harán cada día a las cinco de la tarde (el 19 Emma Cohen, el 20 Àlex Rigola, el 21 Alberto Castrillo y el 22 Mercedes Lezcano). Hoy también se presentará el proyecto teatral que el director Joan Ollé estrenara el 19 de agosto con El Ángel Exterminador. También por las tardes (a las 19,15) habrá debates, coordinados por Gaizka Urresti, estudioso de la obra de Buñuel y cineasta. En el primero de estos debates intervendrá Joan Ollé, director de escena que prepara para la Expo la versión teatral de El Ángel Exterminador (se estrena el 19 de agosto) y otros profesionales como Jean Claude Carriére, guionista de 6 películas de Buñuel; la actriz Silvia Pinal, que trabajó con Buñuel en Viridiana y su hijo Juan Luis.

También estos cuatro días (a las 21.00) se realizan proyecciones en torno a la figura y el universo de Buñuel y donde se presentarán cortos del propio Buñuel, su hijo, Mercedes Gaspar, Luis Eduardo Aute, Emilio Casanova, Clemente Calvo, Yago de Mateo, Javier Estella, Daniel Cubillo. Además, el día 22 se presentará el espectáculo multidisciplinar Ahora sí que muero, bailado y coreografiado por Ingrid Magrinyá y con el actor Pedro Rebollo.

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De izquierda a derecha, Salvador Dalí, José Moreno Villa, Luis Buñuel, Federico García Lorca y José Antonio Rubio Sacristán, en Madrid, en 1926.

Buñuel vestido de harapos

GREGORIO BELINCHÓN - EL PAÍS

Carmen Peña y Víctor M. Lahuerta reúnen cientos de documentos y fotos, además del guión original de Los olvidados en edición facsímil

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“Ayer se estrenó en México la película Los olvidados. Ya se consumó la ignominia. Buñuel [sic] se salió con la suya, con su injusta actitud para con México, para con el cine mexicano, para con la sociedad y para con los pobres olvidados”. Así arrancaba en Ovaciones una crítica titulada Sadismo cinematográfico. No fue la única. Un artículo en el diario Novedades: “El argumentista trabaja con el dinero del público que ha de ir a ver lo que él escribió. El pintor puede echar a perder una tela o su propio prestigio sin gastar un centavo de nadie. Toda la gente del cine trabaja con el precio de la entrada de miles de personas que irán mañana seguro a ver la obra. Por eso los experimentos en el cine son criminales”. En noviembre de 1950 el estreno de Los olvidados, la primera película propia de la etapa mexicana de Luis Buñuel, tras dos encargos alimenticios y taquilleros, Gran casino y El gran calavera, no sentó nada bien en la prensa oficial e incluso a las autoridades. El tiempo, sin embargo, puso a cada uno en su sitio. En el siguiente Festival de Cannes, Los olvidados obtuvo la Palma al mejor director y el Premio de la Crítica Internacional. Se llevó 11 arieles -los goyas charros- de 18 posibles. Medio siglo más tarde, en 2002, la Unesco incluyó el negativo original del filme en su Programa Internacional Memoria del Mundo. Y hoy Los olvidados, con su desgarradora visión de los problemas de la infancia, del hacinamiento de los campesinos en los suburbios más pobres de las grandes metrópolis, barrios denominados en los tiempos de Buñuel ciudades perdidas, con su huida de un tipo de melodrama que sí marcó el neorrealismo italiano, se ha reivindicado como uno de los títulos más incisivos, acertados y, al mismo tiempo, artísticos del cineasta.

Y por estas razones y otras más apasionadas cinematográficamente, Carmen Peña Ardid, profesora de la Universidad de Zaragoza, y el diseñador gráfico Víctor M. Lahuerta Guillén estuvieron dos años investigando y preparando el libro Los olvidados, editado por el Instituto de Estudios Turolenses. Un volumen que rezuma datos, fotografías y amor fílmico. Más de setecientas páginas que reúnen el guión original de Buñuel, editado ahora en facsímil para poder ver sus anotaciones, la foto fija, y diversos estudios que sirven para que el lector se sumerja en la época y el lugar del estreno, y para recorrer la vida de la película: tras su éxito en Cannes y su proyección por Europa, Los olvidados no se vio en España hasta 1964 (y no llegó a Madrid ¡hasta 1967!). “No queríamos hacer un libro bonito”, asegura Carmen Peña Ardid, “ni caer, por su temática, en lo meramente estético”. Sin embargo, el libro deslumbra: por su profusión gráfica, por su cuidado diseño, porque en 700 páginas la historia de Los olvidados deviene en ejemplo de una época y, por qué no, de thriller.

“Hemos dedicado, obviamente, muchísimo tiempo a la búsqueda, a la datación de los artículos periodísticos que aparecen. En el éxito de este volumen tiene mucho que ver el Archivo Buñuel, actualmente depositado en la Filmoteca Nacional”. Peña desgrana sus fuentes en esta investigación policial: la misma familia Buñuel, archivos desperdigados por todo el mundo… “Nos sorprendió, como investigadores, el cuidado con que Buñuel recopilaba las reseñas referidas a su trabajo. Conservaba críticas de distintos lugares del planeta, su correspondencia [muy útil para comprobar, por ejemplo, el apoyo que recibió en Cannes de un miembro del jurado, y rendido admirador suyo, el escritor Octavio Paz], incluso fotos”. En el volumen, incluso, aparece la transcripción de una entrevista radiofónica que dio a Cadena de Radio del Aire. “¡Y la había guardado él! Otro de nuestros descubrimientos -que nos obligó a que el libro creciera según avanzábamos en la investigación- fue la trascendencia de este filme en la política y la sociedad de los años cincuenta”.

Más documentos. Luis Buñuel, durante seis meses y hasta días antes del inicio del rodaje el 6 de febrero de 1950, visitó disfrazado con harapos los arrabales de Ciudad de México: rumbo de Nonoalco, Tlalpan, Tacubaya, plaza de Romita, la calle de Atrampa…, y fotografió mercados, avenidas y gente que le sirvieran a él y al coguionista Luis Alcoriza como inspiración. El libro compara esas tomas con fotogramas del filme para revelarnos que el cineasta rodó en muchos escenarios naturales. “El capítulo dedicado a la foto fija también sirve para vindicar la labor profesional de Luis Márquez, un retratista excepcional al que no dejaron prosperar en su carrera”.

La trama de Los olvidados, como producto, arranca quejumbrosa. Tras un estreno timorato en México, sólo el éxito de Cannes obliga al grueso de los intelectuales mexicanos y al público de aquel país a replantearse el filme. Su reestreno, apoyado por amigos y creadores de todo el mundo, se convierte en lo que ahora se denomina taquillazo. “Nos tomamos como un reto apasionado todo el trabajo. Y nos crecimos en los momentos más difíciles”. Como, por ejemplo, encontrar el comentario del cineasta Vsevolod Pudovkin, que saludaba con alborozo “el reflejo sincero de la vida de los pueblos”. Peña Ardid comenta: “Nos dijeron que había salido en Pravda, y resultó que en realidad se publicó en Gaceta Literaria”. Al final, la crítica se pudo reproducir con su respectiva traducción. Como también el de André Bazin, una carta de Julio Cortázar… Incluso, el artículo de Ínsula que sirvió para apoyar en España a Buñuel. “Víctor y yo pensamos: ¿qué pasaría si sacamos en el libro todo el desarrollo de la recepción del filme?”, dice Carmen Peña. De ahí la exhaustividad de documentos del después, muy poco habitual en este tipo de libros.

Como remate a esta labor, la profesora señala dos hechos que le han confirmado su pasión por Buñuel: “A pesar de su estatura moral y artística, era un antidivo”. El productor de Los olvidados, Óscar Dancigers, le pidió rodar un final alternativo, optimista, completamente opuesto a la filosofía del filme. “Y Buñuel lo hizo. Sin quejas. Pero nunca se supo más de él hasta que en 1996 ese metraje apareció en la Universidad Nacional Autónoma de México. Hemos sido incapaces de responder a una cuestión: ¿cuándo descartaron esa conclusión y Dancigers decidió estrenar el final original?”. El segundo hecho: la confirmación que detrás de Los olvidados, en el equipo técnico, estaban bastantes exiliados republicanos. Escondido en una obra eminentemente mexicana, residía el talento humanista de los expulsados por Franco. Y, por suerte, detrás de esos críos sedientos de amor materno, de esos delincuentes adolescentes devenidos en hermosas figuras del mal, hay un libro a la altura, que ha recibido el Premio Muñoz Suay de la Academia del Cine por su calidad. -

A imagem “http://www.elpais.com/recorte/20080523elpepucul_32/XLCO/Ies/20080523elpepucul_32.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

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Los olvidados. Guión y documentos. Carmen Peña Ardid y Víctor M. Lahuerta Guillén. Instituto de Estudios Turolenses. 720 páginas. 25 euros

18/06/2008 - 19:23h Cyd Charisse, a mais belas pernas de Hollywood

The Band Wagon - Fred Astaire and Cyd Charisse

17/06/2008 - 23:05h Faleceu Cyd Charisse

Cyd Charisse dançando com Gene Kelly em Singin’ in the rain

 

Los Angeles (EUA), 17 jun (EFE).- A dançarina e atriz de cinema americana Cyd Charisse, famosa por sua personagem no musical “Cantando na Chuva”, morreu hoje em Los Angeles aos 86 anos.Segundo seu agente, a atriz que interpretou grandes musicais do cinema junto com Fred Astaire e Gene Kelly, morreu no Centro Médico Cedars-Sinai após sofrer um ataque cardíaco ontem.

Fonte: UOL

07/06/2008 - 15:57h Cineasta italiano Dino Risi morre aos 91 anos

L'image “http://oglobo.globo.com/fotos/2008/06/07/07_MVB_cult_dinorisis.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs. ROMA - O diretor de cinema italiano Dino Risi, que retratou a vida agridoce da Itália no pós-guerra, morreu no sábado, aos 91 anos, informaram familiares.

Risi foi conhecido como um dos mestres de comédia italiana. Esteve doente por algum tempo e faleceu em sua casa, em Roma, onde viveu durante vários anos.

Entre seus filmes mais famosos estão “Poveri ma Belli” e “Il Sorpasso”. Em 1974, seu longa “Profumo di Donna” (a primeira versão de “Perfume de Mulher”) obteve duas indicações ao Oscar.

Risi nasceu em Milão, em 1912, e trabalhou com diretores como Mario Soldati, Alberto Lattuada e Mario Monicelli antes de realizar seus próprios longas-metragens.

Ele foi um dos cineastas que impulsionou as carreiras de estrelas como Sophia Loren e o falecido Vittorio Gassman.

06/06/2008 - 18:12h A artista que amou demais

Com esculturas, documentos pessoais e desenhos, mostra no Museu Rodin tira Camille Claudel da sombra a que foi confinada por desafiar cânones de sua época

Luiz Carlos Merten - O Estado de São Paulo

Você, se assistiu ao filme de Bruno Nuytten Camille Claudel, de 1989, deve se lembrar da cena em que a enlouquecida Isabelle Adjani destrói as obras em seu ateliê. A cena, fortíssima, deve ter contribuído para a indicação que Isabelle recebeu para o Oscar, mas seria preciso esperar até Marion Cotillard, a Piaf, neste ano, para que uma atriz, representando em francês, bisasse o prêmio da Academia de Hollywood que Simone Signoret havia recebido, falando em inglês, por Almas em Leilão, em 1959. Foi grande a comoção quando Camille Claudel irrompeu nas telas. Críticos irados viram no filme uma mistificação romântica, protofeminista, destinada a confirmar a tese absurda de que a irmã do escritor Paul Claudel, como escultora, teria sido uma artista maior do que o próprio Auguste Rodin, de quem foi amante obsessiva (e, por isso, enlouqueceu de amor, ao ser rejeitada).

Nos anos 50, uma grande exposição havia resgatado Camille Claudel (1864-1943) das sombras a que fora relegada. Outra mostra, que se realiza agora no Museu Rodin, em Paris, e vai até 20 de julho, é a prova de que a tese de Nuytten, ex-fotógrafo (e marido de Isabelle), não era furada como parecia. Frio e chuva, inesperados no verão parisiense, não impediram que extensas filas se formassem em frente do Museu Rodin no começo da semana passada. Não apenas turistas, mas os próprios franceses estão correndo para prestigiar Camille Claudel - Une Femme, Une Artiste, a maior exposição já realizada sobre a escultora. O evento compara-se, pela magnitude, à grande exposição sobre Gustave Courbet que, no começo do ano, resgatou outra glória um tanto subestimada da arte francesa (e que agora corre mundo, provocando reações de entusiasmo em toda parte).Além de suas grandes obras - e dos numerosos estudos em mármore e bronze, a título de preparativos -, a mostra de Camille Claudel reúne documentos pessoais e desenhos que ela fez ao longo de sua tumultuada carreira. Camille foi, sim, maior do que Rodin, o que em absoluto não diminui o escultor de O Pensador, mas recupera o lugar do qual ela havia sido alijada por desafiar os cânones não apenas da Academia. Os da sociedade machista do fim dos anos 1800, também

Obra de Camille Claudel “La Valse”, coleção particular, de 1895

 

 

Camille Claudel (1864-1943), em foto de 1877.
Artista inspira a mostra “Une Femme, Une Artiste”, no Museu Rodin.
Era irmã do poeta Paul Claudel e amante de Auguste Rodin, autor de “O Pensador”.

“Vertumne el Pomone”, de Camille Claudel, mármore de 1905.

 

 

Bronze e pedra para captar a alma

A grande exposição de Camille Claudel em Paris reafirma a força e a técnica superior da artista que foi tratada como louca

Luiz Carlos Merten


Camille Claudel, a mulher, a artista. A mostra no Museu Rodin divide-se em partes - Retratos de Família, O Ateliê de Rodin, La Valse e Clotho, Sakantala, L”Âge Mûr (A Idade Madura) e As Pequenas Coisas Novas. Em cada uma delas, há pelo menos uma obra-prima, e não apenas A Onda, La Vague, peça de pequeno tamanho - ao contrário de outras - que exibe três banhistas, esculpidas em bronze, prestes a serem engolidas por uma onda gigantesca que a artista criou em mármore e a unidade da peça vem justamente da disposição das figuras femininas e do movimento da onda que, em diferentes suportes, expressam o embate do humano com as forças da natureza. A Onda é quase sempre considerada a obra-prima de Camille Claudel, mas você fica em dúvida, face à riqueza descortinada pela exposição. Ela viveu com intensidade. E foi, com certeza, uma artista adiante de sua época. Num momento em que, às mulheres, era vetado o ingresso na Academia de Belas Artes, Camille começou produzindo retratos de família, que desenhava e modelava sozinha, até entrar, como estudante, no ateliê de Auguste Rodin, que já era o maior escultor da França. Ele foi o modelo de diversos desenhos e esculturas de Camille. Foi seu amante. Ela se tornou cada vez mais possessiva. A atração fatal (o desejo incontido de Camille, a repulsa de Rodin, a fratura psicológica da mulher e seu internamento num instituto psiquiátrico pelo próprio irmão e pela mãe, cansados de seus escândalos) fornecem a trama do longa realizado por Bruno Nuytten, mas o tema do filme é a genialidade (incompreendida) da artista.

link Confira galeria de fotos da mostra mais imagens

As fotos que acompanham a exposição dão conta dessa trajetória singular. Vê-se a jovem Camilla, que antecipa um pouco Isabelle Adjani; a artista mergulhada no trabalho, em seu ateliê; e a velhinha que teve apenas uma amiga, devotada e fiel, para assisti-la no longo período em que esteve internada. Camille melhor do que ninguém, numa tradição que remonta a Miguel Ângelo - tão fascinado por seu Moisés que, diante da escultura pronta, teria nela batido com o cinzel, ordenando que sua criação falasse -, conseguiu o prodígio de petrificar aquilo que seus admiradores hoje proclamam como ”os movimentos da alma”. Uma de suas peças mais admiráveis é Sakuntala, a primeira realmente narrativa e simbólica, na qual ela encara (e resolve) os problemas da composição, indo buscar inspiração no mito indiano da mulher que se perde de seu príncipe e eles só se reencontram no Nirvana. Sakuntala virou mito greco-romano e, depois, tornou-se paradigma da noção psicológica do abandono, no sentido amoroso do termo. Camille fez diferentes versões do tema. O Salmo reutiliza o rosto de Sakuntala, Vertumne et Promone introduz pequenas variações no conjunto e O Abandono vira outra de suas obras maiores, cinzeladas em bronze ou em mármore.

Também existem diferentes versões de La Valse, cujo movimento oblíquo é representativo do tipo de composição que ela gostava de criar. A peça foi elaborada em 1890 e apresentada no Salão de 1893. As diferentes versões reafirmam uma tendência da escultora - embora as diferenças sejam mínimas, a mudança de material, ou a ênfase num movimento, modificam a percepção das obras pelo observador. À vertigem do movimento segue-se a representação da dor e da morte na Idade Madura, que atinge o patetismo e, em algumas peças, metaforiza a relação com Rodin, que vira, ele próprio, a morte a arrebatar a donzela. O sommet, o ápice da exibição, pega carona na expressão de Kierkegaard, que em sua correspondência fala das ”pequenas coisas insignificantes, acidentais” que dão sentido à vida. Numa carta ao irmão, Paul, Camille também anuncia que quer experimentar ”les petites choses nouvelles”, as pequenas coisas novas. É a fase de La Vague ou Les Bagnistes, e de Profonde Pensée ou Rêve au Coeur du Feu, que vão além da representação para expressar atitudes metafísicas diante da vida.

É interessante comparar La Profonde Pensée com o Pensador, de Rodin, presente na coleção permanente do mesmo museu. O homem que viaja interiormente, com a cabeça apoiada pela mão em sua perna, vira esta mulher de joelhos, com as mãos em adoração. É a própria Camille, com certeza, imersa em pensamentos profundos, na dor que a consumia. O catálogo da exposição sustenta a tese de que ela não pôde realizar monumentos públicos nem obter, antes de 1906, quando já era tarde demais, a encomenda de um mármore ou de um bronze que permitiria a sua entrada no círculo dos artistas reconhecidos. Mas Camille teve os seus mecenas - os Rothschild e a Condessa de Maigret, para quem ela executou a versão em mármore de Sakuntala. A derradeira obra-prima, Niobide Blessée, é mais uma variação da figura feminina de Sakuntala, que tanto obcecava a escultora. Uma das pérolas da exposição não é nenhuma escultura, mas uma folha escrita pela própria Camille, quando jovem, na qual ela revela suas aspirações e preferências. Qual é a maior virtude do homem? Aprender com a mulher. Qual é a maior virtude da mulher? Ensinar o homem. Personagem masculino preferido? Ricardo III. Personagem feminina? Lady Macbeth. Se não fosse você, o que gostaria de ser? Um cavalo de fiacre. A indomável Camille Claudel queria ser domesticada.

Tão grande personagem encontrou em Isabelle Adjani a intérprete definitiva no cinema. Lançada por François Truffaut na pele de outra heroína obsessiva - Adele H, a filha de Victor Hugo -, Isabelle rapidamente se converteu em mito. Em 1987, com a carreira no auge, ela revelou que se chamava Yasmine, era filha de pai argelino e mãe alemã. A combinação incômoda para a maioria silenciosa francesa desencadeou uma reação imediata. Surgiram rumores de que Isabelle estaria morrendo de aids. Ela precisou ir à TV para provar que não. Como redatora-chefe de uma edição especial de Figaro Magazine, Isabelle, em seguida, entrevistou o então presidente Jacques Chirac, o que a tornou non grata para a esquerda bem pensante da França. Além de aidética, seria ”chiraquista”. Odiada à esquerda e à direita, Isabelle ameaçava ir para o limbo. Salvou-a Camille Claudel. Há quase 20 anos, não foi só com a personagem histórica que a França se reconciliou, mas com uma de suas maiores atrizes.

04/06/2008 - 21:55h Mais cinema brasileiro em Paris

por Mário Camera - Blog À Francesa

O cinema brasileiro continua tomando conta de Paris. Depois do Festival du Cinéma Brésilien, chegou a vez do “Brésil en Mouvements” e do “Nossas Novas”.

O “Brésil en Mouvements” é uma mostra politizada, que apresenta projeções seguidas por debates sobre direitos humanos, meio ambiente e questões sociais no Brasil. A 4ª edição começa hoje e vai até o dia oito.

A iniciativa é da Autres Brésils, associação que promove discussões em torno da atual situação social no Brasil, fugindo da santíssima trindade dos clichês sobre o país: bunda-samba-praia. A responsável por tudo é a Érika Campelo, jornalista que eu conheci há dois anos, quando comecei na rádio. Foi com a Érica que fiz o meu primeiro “ao vivo”, durante o fatídico França-Brasil da última Copa.
Além disso, o Brésil en Mouvements tem os melhores cartazes de todos os festivais de cinema brasileiro que eu já vi.

 

Brèsil en Mouvement/Divulgação

Cinema também no “Nossas Novas”, que tem apoio da universidade Paris VIII e no próximo domingo inaugura sua primeira edição trazendo curtas e longas brasileiros a Paris. Os documentários são, em sua maioria, produções independentes recentes.
O festival é organizado pelo coletivo Vira Lata, formado por estudantes brasileiros na França e capitaneado pela mineira Telena Teles, que conheci, primeiro, pelos pães de queijo preparados por ela e, depois, em volta de uma garrafa de vinho “bon marché”, em uma dessas noites que nunca acabam quando estou em sua casa.

Festival Nossas Novas/Divulgação

Para a programação:

Brésil en Mouvements
Nossas Novas

04/06/2008 - 16:08h La mort de Will Elder, pro des parodies et pilier du magazine Mad

Little Annie Fanny avec le patron du FBI, Edgar Hoover (Elder, Kurtzmann Playboy/Fantagraphics).

Will Elder est mort au matin du 15 mai 2008 des suites de la maladie de Parkinson à la maison de retraite médicalisée de Rockleigh (New Jersey). Le dessinateur René Pétillon nous a signalé sa disparition passée inaperçue en France: “c’est une des grandes références de l’humour BD. Avec son ami Harvey Kurtzman, Il a eu beaucoup d’influence sur Crumb et Spiegelman notamment, et, en France, sur Wolinski, Gotlib et sur beaucoup de dessinateurs de la génération de Pilote dont je fais partie”.

“Personne n’a dessiné comme Elder un radiateur surchauffé, une mémère aux bas qui plissent, un gros type poilu qui transpire dans un tricot de corps douteux, une paire de godillots boueux, des mèches de cheveux gras qui dépassent d’un chapeau informe…

“Personne n’a su rendre l’accumulé, l’encombré, le déglingué, le bancal, le cassé, le troué, le pourrissant, le blet comme lui. Personne n’a mis autant de gags par case. Personne ne m’a autant épaté que lui et son complice Kurtzman.”

René Pétillon nous a également transmis ce texte de Jacques Dutrey, grand connaisseur de la BD américaine.

Rue89

Né Wolf William Eisenberg le 22 septembre 1921 dans le Bronx, il développe très tôt un sens de l’humour “hénaurme” qu’il ne cessera de mettre en pratique jusqu’à l’armée et qui le rendra très populaire auprès de ses camarades. Les anecdotes sur ses plus célèbres blagues sont devenues légendaires.

Il entre à la New York High School of Music and Art, où son don pour le dessin (et les gags) va pouvoir se développer. C’est là qu’il rencontrera ses futurs complices, John Severin, Al Jaffee, Al Feldstein et surtout Harvey Kurtzman, de trois ans plus jeune que lui.

Dès 1933, Wolf commence à signer Will Elder (”l’ancien”, d’après le peintre Brueghel l’Ancien, qu’il admire), nom qu’il officialisera en 1949. En 1942, il s’engage dans l’armée et est affecté au service des cartes en relief, débarque en Normandie le 12 juin 1944, puis précède l’avance des troupes américaines, se trouve coincé à Bastogne, entre à Cologne et découvre les camps d’extermination, dont il ne parlera jamais.

Démobilisé début 1946, il vivote de petits boulots publicitaires, place quelques BD dans des revues, puis à partir de mi-1951, il encre les récits de guerre d’Harvey Kurtzman, dans Two Fisted Tales, puis Frontline Combat.

Il parsème ses parodies de Popeye et Pim Pam Poum de petites piques

Mais la révélation viendra fin 1952 avec la création du magazine Mad: dans ces parodies/satires des comic books maison d’abord, puis des comic strips les plus célèbres (Pim Pam Poum, Popeye), des films populaires (King Kong, Sherlock Holmes, Mickey), des feuilletons radios, de télévision, des publicités, etc. il peut donner libre cours à son imagination délirante.

Il ajoute ainsi aux scénarios extraordinairement adultes et aux mises en pages précises de Kurtzman des dizaines de gags secondaires en arrière-plan, qui ne distraient point de la lecture de l’histoire principale mais augmentent encore le potentiel “destructeur de mythes” des récits. Ce que Kurtzman nomme “Katchkas” et Elder “Chicken Fat” (”ce qui dans la soupe n’est pas bon pour votre santé mais excellent pour le goût”, comme il le définit lui-même).

L’entente est si parfaite entre les deux hommes que l’équipe Will Elder -Harvey Kurtzman finira même, en symbiose parfaite, par signer WEHK vers la fin de leur trente-sept ans de carrière commune. Elder a travaillé dur, très dur, pour arriver à cette ressemblance parfaite des styles des dessinateurs de bandes dessinées qu’il parodie.

Les premiers numéros de Mad définissent une bonne partie de l’humour moderne

L’aisance n’est qu’apparente, mais le jeu en valait la chandelle. Les 23 premiers numéros de Mad définissent toute satire en matière de bande dessinée pour adulte et une bonne partie de l’humour moderne. Constamment réédités aux Etats-Unis, ils restent éternellement jeunes, hors du temps.

Curieusement, leur humour ne passe pas la traduction, d’où leur échec commercial en France. Au delà de la bande dessinée, cet humour va influencer le cinéma, la télévision, etc et certains même disent que cette façon d’apprendre à voir au delà des apparences va influencer la génération qui contestera la guerre du Vietnam et va créer les underground comics. Qu’est-elle devenue sous Bush Junior?

En France, il sera publié très tardivement, dans Charlie Mensuel, L’Echo des Savanes, Special USA et en albums (surtout des reprises de Mad version comic book). Il faudra attendre l’an 2000 pour que Little Annie Fanny voit le jour chez nous, beaucoup trop tard pour que la satire des modes soit encore d’actualité.

Il a exercé une influence graphique notable sur Wolinski première manière, dans la rondeur du trait et la profusion des hachures, ainsi que sur Pétillon à ses débuts, dans la multiplication des gags parasites. Son influence sur Gotlib est plus diffuse.