02/02/2012 - 08:32h Petrobras capta US$ 7 bi no exterior

Por Fernando Travaglini | VALOR

De São Paulo

A Petrobras concluiu ontem a maior captação de recursos de uma empresa brasileira no exterior, no valor de US$ 7 bilhões. A demanda, que superou US$ 25 bilhões, mostra o apetite dos investidores estrangeiros pelos papéis de companhias nacionais e aponta também o bom momento para a renda fixa internacional.

A estatal lançou US$ 1,25 bilhão em papéis com vencimento em três anos e outros US$ 1,75 bilhão em títulos de cinco anos. Além disso, a empresa realizou a reabertura de seus bônus com vencimento em 2021 (US$ 2,75 bilhões) e em 2041 (US$ 1,25 bilhão).

“O tamanho de algumas ordens me surpreendeu. Mostra que os investidores estão sentados em cima de muito dinheiro para as operações ainda por vir”, diz Richards Dubbs, chefe da área de renda fixa da BB Securities em NY, braço do Banco do Brasil para o mercado de capitais internacional. O BB liderou a operação ao lado de Citigroup, Itaú BBA, J.P. Morgan, Morgan Stanley e Santander.

“A Petrobras conseguiu seu objetivo de obter taxas bem baixas”, diz Cristina Schulman, chefe da área de renda fixa do Santander, que também liderou a operação. A Petrobras esperou o melhor momento para acessar o mercado, após a recuperação dos títulos negociados no mercado secundário. “Foi uma estratégia que deu certo”, diz.

O retorno para o investidor ficou em 3,051% ao ano para os papéis de três anos e de 3,628% ao ano para os títulos de cinco anos. Nas duas operações de reabertura, a taxa ficou em 4,796% ao ano para os títulos de 10 anos e de 5,935% ao ano para 30 anos.

De fato, as taxas estão em queda, à medida que o mercado fica mais receptivo. A demanda elevada pelos papéis brasileiros – que superou os US$ 50 bilhões nas 11 emissões já realizadas no ano – ajuda a puxar para baixo os custos dos negócios. Soma-se a isso, o preço dos títulos soberanos americanos, as “treasuries”, que atingiram nessa semana um dos patamares mais baixos da história – essas taxas servem de referência para as captações privadas.

Além disso, os prêmios de risco pagos pelas companhias brasileiras ficaram entre os menores do mundo. Em média, as taxas das colocações brasileiras tem ficado entre 10 e 20 pontos básicos acima dos preços dos papéis negociados no mercado secundário (medida conhecida como “new issue premium”). Essa mesma média ao redor do globo gira entre 20 e 25 pontos básicos.

Com a transação da Petrobras, o total de recursos atraídos pelo Brasil neste ano soma US$ 13,075 bilhões, volume 27% superior ao mesmo período do ano passado (US$ 10,33 bilhões). E há pelo menos outras seis companhias na fila que podem trazer mais US$ 2 bilhões já nas próximas semanas. A própria Petrobras deve acessar novamente o mercado internacional em três ou quatro meses.

As empresas de mais alto risco também já conseguem acessar os mercados internacionais, como foi o caso de JBS e Banrisul. Outras companhias, como Cimento Tupi, Virgolino Oliveira, Grupo Farias e Minerva estão em processo de “roadshow”.

A operação do Grupo Farias, por exemplo, produtora de açúcar e álcool, começou a visitar investidores nessa semana e mesmo nunca tendo acessado os mercados internacionais vem tendo uma aceitação muito boa por parte dos investidores, segundo fonte próxima à operação.

As empresas estão aproveitando o bom humor do mercado neste início de ano para antecipar captações, mas o primeiro mês foi até mais ativo do que o esperado pelos bancos de investimentos. Houve uma grande procura por papéis brasileiros e as taxas ficaram em linha com o esperado.

Mas um fato chama atenção nesse primeiro mês: quase todas as companhias optaram por reabertura de operações antigas. Ao recolocar mais papéis de uma transação realizada no passado, as companhias ganham tempo e podem aproveitar dias de melhor humor dos investidores em meio à volatilidade ainda presente.

16/12/2010 - 07:49h Governo reduz imposto para favorecer financiamento privado de longo prazo

Pacote prevê isenção de IR para pessoas físicas e investidores estrangeiros para aplicar em papéis voltados para financiamentos de projetos

Lu Aiko Otta – O Estado de S.Paulo

O governo anunciou ontem um pacote que envolverá renúncias fiscais de até R$ 662 milhões no primeiro ano de funcionamento, com o objetivo de estimular investidores privados a financiar projetos de longo prazo. O intuito do governo é criar novas fontes de recursos para projetos em infraestrutura e expansão de empresas.

Hoje, os financiamentos de longo prazo estão concentrados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas, segundo o presidente do banco, Luciano Coutinho, a economia precisará de até R$ 650 bilhões a mais, nos próximos quatro anos, para elevar a taxa de investimentos da economia dos atuais 19% do Produto Interno Bruto (PIB) para 23% do PIB. A ideia é que o setor privado divida com o BNDES a missão de financiar toda essa expansão da economia, explicou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

No entanto, na divulgação das medidas já ficou claro que o BNDES continuará tendo um papel central, mesmo nos instrumentos criados para captar recursos do setor privado. É o caso, por exemplo, da principal medida: o incentivo fiscal a quem investir em títulos privados de longo prazo (debêntures). Pessoas físicas e investidores estrangeiros ficarão isentos do Imposto de Renda (IR) nessas aplicações. As pessoas jurídicas terão o IR reduzido de 34% para 15%.

Essas debêntures serão lançadas por sociedades de propósito específico (SPEs) criadas para viabilizar um projeto específico (por exemplo: hidrelétrica de Belo Monte). A emissão terá de ser no valor do projeto.

Para ter direito aos benefícios fiscais, o empreendimento precisará cumprir uma série de exigências, entre elas ser aprovado pelo Ministério da Fazenda e pelo ministério setorial – no caso, o de Minas e Energia. Assim, pessoas físicas, empresas e investidores estrangeiros poderão comprar essas debêntures diretamente ou por intermédio de fundos e, assim, financiar a usina.

Mercado secundário. O BNDES, porém, será um grande ator nesse mercado primário (compra das debêntures no lançamento). Coutinho disse ontem que aplicará R$ 10 bilhões na compra desses papéis no prazo de dois a três anos. O banco também terá papel ativo nas medidas de estímulo à formação de um mercado secundário.

Investidores estrangeiros terão isenção de IR também para comprar debêntures de longo prazo emitidos por empresas não financeiras. Mantega citou como exemplo uma fábrica que queira construir uma nova unidade. Ela poderá emitir papéis, e assim captar recursos de não residentes no País. Com isso, a equipe econômica procura dirigir para o setor produtivo parte da avalanche de investimentos estrangeiros. Coutinho estimou que, com as duas medidas, a emissão de debêntures deverá alcançar R$ 15 bilhões no início. Em três ou quatro anos, as emissões atingirão R$ 60 bilhões ou R$ 70 bilhões ao ano.

O pacote seria anunciado hoje em São Paulo, mas teve sua divulgação antecipada para ontem e transferida para o Palácio do Planalto, pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, queria participar. Porém, com a agenda atrasada, ele não compareceu à cerimônia. /COLABORARAM: ADRIANA FERNANDES, FABIO GRANER, EDUARDO RODRIGUES

19/07/2010 - 14:32h Crédito imobiliário da Caixa cresce 95% e atinge R$ 34,1 bilhões no 1º semestre

Do total liberado, R$ 16,48 bilhões foram destinados ao programa Minha Casa, Minha Vida


Reuters – Agência Estado

http://www.imovelclass.com.br/assets/Minha-casa-minha-vida.jpgSÃO PAULO – A Caixa fechou o primeiro semestre com um volume recorde de R$ 34,1 bilhões em crédito imobiliário, em mais de 5,75 mil contratos. O volume é equivalente a um crescimento em valor de 95,1% ante o mesmo período de 2009, informou a instituição nesta segunda-feira.

Segundo o vice-presidente de governo da Caixa, Jorge Hereda, do total liberado, R$ 16,48 bilhões foram destinados ao programa Minha Casa, Minha Vida.

Ainda de acordo com o banco, o montante liberado no primeiro semestre superou todo o volume destinado a moradias no ano de 2008, quando foram emprestados R$ 23,3 bilhões.

Até o final deste ano, a Caixa estima que a aplicação de recursos em crédito imobiliário supere R$ 60 bilhões.

“O desempenho da Caixa em financiamento habitacional é compatível com o atual ciclo de desenvolvimento econômico e de inclusão social do país”, explicou a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho.

No Estado de São Paulo foram financiados no 1o semestre 128.874 imóveis, em relação as 110.450 unidades em igual intervalo no ano passado.

Em termos de valores houve um aumento de 71,7% em São Paulo, passando de R$ 5,3 bilhões no primeiro semestre de 2009 para R$ 9,1 bilhões na primeira metade deste ano.

Segundo a Caixa, se este ritmo for mantido, até o final do ano o volume de financiamentos habitacionais em São Paulo ultrapassará os R$ 12 bilhões registrados em 2009.

28/06/2010 - 11:26h Habitação: Caixa projeta até R$ 60 bi em negócios com imóveis e recursos da poupança terão aumento de 50%

Mercado: Instituição fecha 4,3 mil contratos habitacionais por dia

Anna Carolina Negri/Valor
Foto Destaque
Maria Fernanda Ramos Coelho, da Caixa: “Temos hoje na Caixa um dos processos de concessão de financiamento habitacional mais ágeis do mercado”


Ângela Ferreira, para o Valor, de São Paulo

O setor de crédito imobiliário da Caixa continua fortemente aquecido. O banco encerrou o ano de 2009 com a maior contratação habitacional de sua história e segue este ano em ritmo acelerado. Segundo balanço, os empréstimos em 2009 representaram 71% de todas as concessões.

O volume de financiamentos fechou em R$ 47,05 bilhões, dos quais R$ 14,1 bilhões foram destinados ao Programa Minha Casa, Minha Vida. Foram beneficiadas 896 mil famílias, das quais 275 mil dentro do programa. Esse volume de crédito é 102 % superior ao de 2008 e 9,4 vezes o realizado em 2003.

Até a primeira quinzena de junho, foram concedidos mais de 483 mil financiamentos, no valor total de R$ 29,3 bilhões. São mais de 4,3 mil contratos assinados por dia, o equivalente a financiamentos diários de R$ 263,8 milhões. Depois dos recordes registrados em 2009, 2010 já tem um crescimento de 107% em relação ao mesmo período do ano passado, em valores, e de 66% em quantidade. “Nossa meta é de R$ 55,8 bilhões, o que já é novo recorde. Porém, não nos surpreenderemos se chegarmos ao montante de R$ 60 bilhões aplicados”, entusiasma-se a presidente, Maria Fernanda Ramos Coelho.

Para atender a essa demanda, a Caixa, desde 2003, revisa seus processos e faz um reposicionamento estratégico com vistas a ganhar eficiência. No caso do crédito imobiliário, isso se traduziu em uma redução dos prazos e racionalização do processo de contratação. “Com toda a certeza, temos hoje na Caixa um dos processos de concessão de financiamento habitacional mais ágeis do mercado, sem que isso signifique uma flexibilização nos critérios de avaliação de risco ou da capacidade de pagamento do cliente”, observa Maria Fernanda.

Segundo ela, a Caixa agora investe na revisão do modelo de correspondentes imobiliários, buscando um atendimento semelhante ao usado no financiamento de veículos. “Nosso objetivo é oferecer o crédito no local em que os clientes procuram seu imóvel.”

Para Maria Fernanda, os resultados obtidos são fruto dos avanços institucionais realizados nos últimos seis anos, que redundaram em maior segurança no processo de concessão do crédito imobiliário. Além disso, o setor foi positivamente impactado por políticas públicas que garantiram a inclusão de milhares de famílias ao mercado. Exemplo disso é o próprio Minha Casa Minha Vida, que articula as esferas pública e privada, dando mais subsídios às famílias de baixa renda para acessar um financiamento habitacional.

“Em um ano de programa, a quantidade de imóveis novos contratados foi a maior na década. Hoje, na Caixa, 48% dos contratos realizados se dão com famílias de renda de até seis salários mínimos.”

A perspectiva de um crescimento acentuado da economia brasileira deve colaborar para que o programa atinja o resultado esperado, de contratação de 1 milhão de unidades até dezembro. Os dados do Banco Central confirmam essa percepção, pois, em abril de 2010, o saldo total de crédito imobiliário atingiu R$ 98,9 bilhões, um crescimento de 50,5% em relação ao mesmo período de 2009.

Nem mesmo a expectativa de alta de juros, no curto prazo, afeta esses objetivos, segundo Maria Fernanda. “O recurso aplicado no crédito imobiliário é quase que integralmente originado da caderneta de poupança e FGTS, logo, não diretamente sensível às variações da taxa Selic. Portanto, nossa expectativa é de se manterem inalteradas as taxas de juros dos produtos habitacionais, da mesma maneira que não há previsão de alteração da meta de contratação”, avalia.

Na medida em que os bons fundamentos da economia condicionam um horizonte de crescimento de longo prazo e o governo federal sinaliza a redução do déficit habitacional como uma política de Estado, a Caixa também tem buscado se preparar para este novo ciclo do setor habitacional.

“Além de redimensionar nossos modelos de distribuição, estamos buscando alternativas de funding e parcerias com investidores nacionais e internacionais que possam fazer frente à demanda.”

Recursos da poupança terão aumento de 50%

Adriana Aguilar, para o Valor, de São Paulo

Aproximadamente R$ 50 bilhões, 19% do atual saldo de R$ 262 bilhões do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), serão aplicados no financiamento imobiliário em 2010. O valor é quase 50% superior ao total de recursos financiados em 2009, um total de R$ 34 bilhões. Novas 450 mil unidades serão financiadas neste ano em comparação a 302 mil em 2009.

“Pode até ser que os financiamentos ultrapassem os R$ 50 bilhões. As pessoas estão comprando mais imóveis novos e também usados, incentivadas pelo alongamento do prazo do financiamento até 30 anos”, explica o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz França.

Foto Destaque

O aumento gradual da Selic, que hoje está em 10,25%, ao longo deste ano não deve interferir nas projeções da Abecip, que não incluem imóveis na planta. “Mesmo que a Selic estivesse em 11,5%, não haveria elevação da taxa praticada no financiamento imobiliário. A competição entre taxas para o financiamento imobiliário nos bancos dificulta a elevação”, diz o gerente do ramo imobiliário da Serasa Experian, José Augusto Périgo.

Não é só a competição que estimula a manutenção da taxa para o crédito imobiliário. Ao longo de 2010, os recursos da caderneta de poupança ainda serão suficientes para atender a demanda de todo o setor. E como o custo da poupança ainda é o menor do mercado – 6% ao ano mais a Taxa Referencial (TR) -, ela continua a ser a única fonte usada pelas instituições financeiras, explica França. “Somente a partir de 2012, talvez, seja necessária fonte alternativa para o complemento dos recursos da caderneta de poupança aplicados no financiamento imobiliário.”

A previsão da Caixa é conceder aproximadamente 950 mil financiamentos em 2010. Os empréstimos da instituição representaram 71% do crédito imobiliário em 2009, incluindo recursos da poupança (R$ 19,49 bilhões), do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (R$ 16,85 bilhões), mais R$ 6 bilhões provenientes do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), R$ 3,63 bilhões do Construcard, entre outras fontes de recursos.

O valor médio dos imóveis financiados pela Caixa com recursos do FGTS gira em torno de R$ 70 mil. Quando se trata dos recursos da poupança, o valor médio fica em torno de R$ 170 mil. Segundo a Abecip, em 2006, o preço médio do imóvel financiado era em média de R$ 70,6 mil. Em 2007, evoluiu para R$ 84,1 mil e, em 2008, para R$ 100,5 mil. Em 2009, ficou em R$ 123,0 mil.

Graças a parcerias entre construtoras e bancos, os lançamentos com recursos da poupança ocorrem em todo o Brasil. Entre 2008 e 2009, o financiamento imobiliário aumentou 69,4% no Centro-Oeste, 22,9% no Sul, 20% no Nordeste, 17,9% no Norte e 5,2%, no Sudeste, de acordo com o levantamento do Banco Central e da Abecip.

Chave quase na mão

O desempenho da Caixa no financiamento imobiliário, em que é líder no país, é alavancado pela realização de feirões de imóveis. De janeiro a maio, foram realizados 12 eventos – Belém, São Paulo, Salvador, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Uberlândia, Campinas, Porto Alegre e Florianópolis. Somando com o evento encerrado em 13 de junho, em Belo Horizonte (MG), o Feirão Caixa da Casa Própria movimentou R$ 8,5 bilhões. Desde a abertura do circuito de feirões, em 7 de maio, o evento passou por treze cidades e recebeu 576.194 visitantes. Somados os contratos assinados já no local e os encaminhados para as agências do banco, foram feitos 93.560 negócios. Em relação a 2009, os números representam um aumento de 70% em volume e de 50% em contratos assinados. Até o fim do ano passado, os visitantes da feira encontravam, além de imóveis nas modalidades novos, usados e na planta, a oferta dos chamados imóveis adjudicados – que são confiscados pela Caixa por falta de pagamento das mensalidades. Com a queda na taxa de inadimplência, o produto não tem sido mais encontrado nos feirões. Desde o início deste ano, a Caixa tem oferecido os imóveis adjudicados apenas por intermédio de leilões.

12/05/2010 - 16:01h Governo espera alta de até 8,5% do PIB no 1º trimestre

RENATA VERÍSSIMO Agencia Estado

BRASÍLIA – O secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse hoje que o governo espera um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 7,5% a 8,5% no primeiro trimestre, em relação ao quarto trimestre, já com ajuste sazonal. No entanto, ele afirmou que esse ritmo de crescimento não deve se manter ao longo do ano. “Todo mundo sabe que o PIB do primeiro trimestre vem forte, com um crescimento anualizado de mais de 8%, no mesmo nível do período anterior, mas sabemos que entrando o terceiro trimestre vai dar uma desacelerada”, afirmou ao chegar ao Senado, onde participa de audiência pública sobre a criação do Fundo Social do pré-sal.

Segundo Barbosa, o governo irá aguardar a divulgação do PIB do primeiro trimestre em junho para fazer uma revisão mais fina de sua projeção para o ano. Ele antecipou que, no decreto de programação orçamentária, a ser divulgado no próximo dia 20, a previsão do governo será elevada de 5% para algo entre 5,5% e 6%. Na semana passada, o secretário havia estabelecido um teto de 6,5%.

Barbosa explicou que os resultados do quarto trimestre de 2009 e do primeiro trimestre de 2010 refletiram todos os estímulos do governo à economia, como a redução de tributos e o aumento do gasto com funcionalismo, que, segundo ele, já está caindo. O secretário disse ainda que haverá um aumento da arrecadação de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e demais impostos, como reflexo da retirada desses incentivos. “Vamos continuar crescendo, mas com uma taxa mais desacelerada”, afirmou.

Ele disse que o resultado das vendas no varejo em março ainda é influenciado pelas vendas de automóveis naquele mês, quando havia redução de IPI. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do comércio varejista subiram 1,60% em março na comparação com o mês anterior, na série com ajuste sazonal, e aumentaram 15,70% ante março de 2009. De acordo com Barbosa, já há sinais de desaceleração do crescimento em abril, em função da retirada de estímulos.

Longo prazo

Barbosa confirmou que o governo está discutindo formas de desenvolver fontes privadas de financiamento de longo prazo para que essa atribuição não recaia somente sobre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo ele, o banco teve um papel importante durante a crise na manutenção de projetos e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas, com a normalização da economia, o governo espera ter fontes privadas de financiamento mais relevantes.

Dois instrumentos anunciados recentemente são importantes para que isso ocorra: a criação das Letras Financeiras e a reformulação do sistema de seguro e garantia. Segundo ele, esse segundo item, que foi anunciado semana passada durante a divulgação do pacote de ajuda ao setor exportador, acaba estimulando o financiamento doméstico.

O secretário afirma, no entanto, que não deve haver este ano redução de carga tributária para financiamentos de longo prazo. Segundo ele, esta é uma agenda de médio e longo prazo, mas a redução de tributos não está na mesa por questão fiscal. Ele acredita que esse é um tema para 2011. “O fato de não haver espaço para redução de tributos não quer dizer que não podemos avaliar o assunto”, disse.

28/02/2010 - 12:59h Baixa renda atropela imóvel de luxo


Lançamentos populares aumentaram 350% de 2005 a 2009, e os de alto padrão caíram pela metade no período

Paula Pacheco – O Estado SP

Os lançamentos de imóveis para a baixa renda dispararam na Região Metropolitana de São Paulo. De 2005 a 2009, a oferta mais do que triplicou. O crescimento foi de 350%, segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Já o número de lançamentos para quem tem altíssimo poder aquisitivo e pode pagar a partir de R$ 2 milhões por uma casa ou apartamento tem encolhido. Caiu de 265 unidades em 2005 para 113 no ano passado. De 2008 para 2009, a queda foi ainda maior, com uma diferença de 246 unidades de um ano para outro.

Ainda não falta habitação para quem tem milhões de reais para gastar, mas a queda na procura fez com que as construtoras desacelerassem o ritmo de projetos para a classe A e se voltassem para os imóveis de dois dormitórios.

O programa federal Minha Casa, Minha Vida, lançado há quase um ano, foi um dos estímulos à habitação popular, segundo Luiz Paulo Pompéia, presidente da Embraesp. O projeto prevê a entrega de 1 milhão de moradias para a baixa renda.

Quando o plano foi apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem se cogitava um prazo para a meta ser cumprida. Mas a adesão das construtoras foi acima do esperado, ainda que tenha esbarrado na falta de pessoal na Caixa Econômica Federal, agente financiador do programa. Agora, segundo a direção da Caixa e alguns representantes das construtoras e incorporadoras, a meta de Lula deve ser batida antes do fim do ano.

A execução antecipada do programa e o bônus eleitoral para o partido governista fizeram com que Lula anunciasse, na última sexta-feira, durante visita a El Salvador, que vai incluir a construção de mais 1 milhão de casas na segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), previsto para ser apresentado em março.

Além do Minha Casa, o aumento de linhas de crédito para as construtoras e os mutuários, especialmente por parte dos bancos públicos, como Caixa e Banco do Brasil, motivou o setor imobiliário a se voltar também para a baixa renda. Em 2003, os recursos da caderneta de poupança financiaram 30 mil contratos imobiliários. No ano passado, foram 300 mil.

Em 2010, diz Celso Petrucci, economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), a concorrência será ainda maior por causa do interesse dos bancos privados em ganhar espaço num setor em crescimento. Com isso, o mutuário poderá se beneficiar de juros e condições contratuais melhores.

As construtoras que aderiram logo de início ao segmento de baixa renda já faturam alto. A Gafisa encerrou 2009 com vendas contratadas de R$ 3,248 bilhões – R$ 1,361 bilhão veio de contratos assinados com a Tenda, braço popular da empresa. Wilson Amaral, presidente da Gafisa, acredita que neste ano a participação da Tenda chegará a 45%, com até 80% dos negócios vindos do Minha Casa.

Para calcular o desempenho nos dois segmentos de renda, Pompéia definiu alguns critérios. Primeiro, levou em consideração para os imóveis populares o teto de R$ 130 mil, valor máximo das residências incluídas no Minha Casa. Depois, transformou a cifra em salários mínimos, chegando a 280 salários. Ele usou o período entre abril (mês de início do programa ) e dezembro para medir o número de lançamentos. No caso dos imóveis de luxo, Pompéia fixou o preço de R$ 2 milhões.

“Depois de tantos lançamentos nos últimos anos, a demanda pelo luxo está quase totalmente atendida. Em 2007 e 2008, a quantidade de lançamentos foi absurdamente grande, uma verdadeira aberração em relação à necessidade para o dois dormitórios”, avalia.

Pompeia explica que a produção de imóveis para a baixa renda foi tímida entre 2006 e 2008, “justamente para a fatia que apresenta maior demanda”.

PREÇO DOS TERRENOS

O presidente do Secovi, João Crestana, acredita que haja muita oportunidade para crescer com os projetos do Minha Casa. Segundo ele, em São Paulo apenas 26% da meta de moradias do Minha Casa para quem ganha até três salários mínimos foi atingida. Para a faixa de seis a dez mínimos, chegou-se a 34% da meta de oferta de moradia do programa habitacional do governo federal. “Há algo errado. O valor do empreendimento não pode ser o mesmo no País todo. Em São Paulo os terrenos são mais caros”, diz.

Pompéia tem uma opinião diferente: “Infelizmente, em alguns casos a indústria imobiliária se aproveita do teto de R$ 130 mil do Minha Casa para quem ganha até 10 mínimos e não oferece empreendimentos para as faixas mais baixas, em especial a de até três mínimos”.

Para Crestana, a faixa de zero a três mínimos de renda deve ser atendida também pelo poder público, seja por meio de crédito tributário ou terreno para as construtoras.

28/02/2010 - 12:25h Minha Vida com direito a piscinas e salão de festas

Em Cajamar (SP), lançamento popular ganha ares sofisticados

PAULA PACHECO – O Estado SP

http://imoveis.trovitbrasil.com.br/img/apartamentos%20minha%20casa%20minha%20vida,%20rio%20de%20janeiro/br_1_4853805.jpgEnquanto muitas construtoras e incorporadoras ainda reclamam da dificuldade de formular projetos que se enquadrem na planilha de custos do Minha Casa, Minha Vida, algumas estão atrás de ganhos de escala para pegar carona no programa federal e ampliar os ganhos ao oferecer diferenciais.

Esse é o caso da Construtora Brookfield, dona do maior projeto do Minha Casa no País, com cerca de 3 mil unidades habitacionais, voltado para a faixa de renda entre três e seis salários mínimos. Localizado em Cajamar, na Grande São Paulo, a 29 quilômetros do centro da capital paulista, o empreendimento, que contará, ao todo, com 20 edifícios, teve a segunda fase lançada ontem.

Diferentemente da imagem que se tem de moradia popular, com prédios sem elevador e aparência acanhada, no projeto de Cajamar não houve economia nos opcionais.

Quem conseguir aprovação no financiamento e assinar contrato vai ter direito a piscina, playground, salão de festas, quadra, churrasqueira, guarita com porteiro e garagem. O terreno tem 104 mil metros quadrados.

Os condôminos poderão aproveitar um espaço verde na vizinhança de dar inveja a quem mora nos grandes centros. A mata ao lado do condomínio tem 305 mil metros quadrados e é uma área de preservação ambiental, ou seja, não pode ser derrubada para dar espaço a outro empreendimento. O projeto é de Roberto Candusso, arquiteto conhecido por alguns dos projetos mais luxuosos da cidade (leia mais ao lado).

Os apartamentos custam, respectivamente, R$ 79,5 mil (39 m²) e R$ 99,5 mil (45 m²).

A renda familiar não pode passar de R$ 1.250 e a prestação é de R$ 375, com financiamento de 25 anos e prestações com valor decrescente. O subsídio dado pelo programa habitacional é de até R$ 23 mil, de acordo com a renda do mutuário.

A primeira etapa do projeto foi lançada em setembro do ano passado, com 1.584 unidades, e a previsão é que sejam entregues no segundo semestre do próximo ano.

José de Albuquerque, diretor de Incorporação da Brookfield, calcula que o condomínio deverá custar entre R$ 50 e R$ 100, valor que pode representar uma despesa alta no orçamento da baixa renda. “Deu mais trabalho do que os empreendimentos que costumamos fazer; foi um grande desafio”, diz o executivo.

O terreno em Cajamar já fazia parte da carteira da Brookfield antes do lançamento do Minha Casa. Assim que o governo confirmou que teria um programa de estímulo à habitação popular, o projeto foi adaptado e apresentado à Caixa para aprovação. A baixa renda responde hoje por 18% da carteira da empresa.

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Projetos populares atraem arquiteto especializado em ricos

Mesmo nova, empresa soma 100 mil unidades projetadas

Roberto Candusso é um dos nomes mais paparicados entre os arquitetos paulistanos. Ele é criador da maioria dos projetos do Minha Casa de Cajamar. Também são deles edifícios como o Florida Penthouse, no bairro do Brooklin, na capital paulista, e o Fascination, no Campo Belo, alguns dos metros quadrados mais estilosos da cidade.

Acostumado a projetos luxuosos, Candusso começou a perceber que a baixa renda estava emergindo também para o mercado imobiliário há cerca de dois anos. Foi quando criou o escritório K2 Arquitetos, voltado ao segmento econômico. A divisão de negócios conseguiu num curto tempo acumular em carteira por volta de 100 mil unidades projetadas.

Segundo o arquiteto, com 40 anos de experiência, o maior desafio para atender ao segmento popular é melhorar o aproveitamento dos espaços pequenos. “Neste tipo de empreendimento, simplesmente não se pode nem pensar em desperdiçar áreas, por menores que elas sejam. É preciso pensar muito bem na melhor forma de reduzir os corredores e as áreas em comum dos condomínios”, explica Candusso. E completa: “Não basta apenas fazer um projeto na base do vamos que vamos.”

Apesar da divisão de negócios dedicada à baixa renda, no caso do Minha Casa de Cajamar, quem elaborou o projeto foi o escritório principal de Candusso, que atende a todas as demandas da construtora Brookfield.

Candusso diz que pensou no K2 Arquitetos não só como um negócio, mas como uma forma de dividir com a sociedade o que conseguiu na carreira. Para ele, é uma maneira de fazer parte de um novo momento habitacional do País.

“Esse pessoal vai passar quase a vida toda pagando pela casa que eu projetei. É justo que eu entregue não apenas uma casinha, mas um lugar onde ele deseje estar. Do contrário, vamos ver mais e mais moradores desiludidos, que fazem reformas e descaracterizam tudo. É assim que surgem bairros degradados”, explica.

ECONOMIA DE ESCALA

Para fechar as contas de um projeto do tamanho do localizado em Cajamar, a Brookfield teve de fazer várias contas e negociar muitas e muitas vezes com os fornecedores com quem costuma trabalhar em outros projetos.

Além de Candusso, a Brookfield acertou o fornecimento dos elevadores das 20 torres com a Atlas Schindler. “Conseguimos oferecer um bom preço pelo ganho de escala. O empreendimento de Cajamar é muito grande e os custos são diluídos”, diz Osvaldo Gazola, gerente regional da empresa.

27/10/2009 - 08:53h Financiamento para compra de máquinas cresce 40% em outubro

Indústria retoma projetos de expansão

Alexandre Rodrigues e Marianna Aragão – O Estado SP


A indústria começa a retomar projetos de investimento suspensos durante a crise. O mês de outubro deve registrar liberações entre R$ 2,5 bilhões e R$ 2,6 bilhões na linha específica para aquisição de máquinas e equipamentos (Finame) disponível no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). É quase 40% mais que o emprestado em setembro (R$ 1,85 bilhão) e o dobro dos financiamentos de julho (R$ 1,28 bilhão), consolidando a tendência de retomada de investimentos na indústria.

“Estamos trabalhando com essa projeção para outubro. Acreditamos que é resultado de dois fatores: juros mais baixos do Plano de Sustentação do Investimento (PSI) e o aumento da confiança dos empresário”, afirmou ao Estado o diretor de Administração e Operações Indiretas do banco, Maurício Borges Lemos.

Na semana passada, o balanço trimestral de desempenho do banco já havia registrado R$ 2,4 bilhões em pedidos de liberação da Finame no acumulado de 22 dias úteis anteriores a 15 de outubro, depois de oscilar em torno de R$ 1,5 bilhão entre março e agosto. A média diária de desembolsos atingiu R$ 109,5 milhões este mês, superando em 80% os R$ 60,5 milhões de julho, nível mais baixo desde o início da crise global.

A indústria de base – que inclui principalmente siderurgia, papel e celulose, química e petroquímica e cimento -, primeira a sofrer o baque da crise, começa a tomar a liderança de investimentos. “A recuperação da economia e o fim dos ajustes de estoques aumentaram a utilização da capacidade instalada. Em alguns setores, ela já chegou ao limite”, afirma o economista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski.

Na semana passada, a Siderúrgica Gerdau voltou atrás no adiamento de um investimento de R$ 1,75 bilhão em uma nova usina em Ouro Branco (MG). As expectativas mudaram, justificou o presidente do grupo, André Gerdau Johannpeter.

A companhia quer começar as obras de instalação de um laminador de chapas grossas já no início de 2010. Com o equipamento, entrará na produção de aços planos, matéria-prima que atende às indústrias petrolífera, naval, da construção civil e de equipamentos pesados.

Para o BNDES, a curva ascendente nos financiamentos reflete a atratividade do PSI, programa especial de empréstimos com juros de 4,5% ao ano, que vigora até 31 de dezembro. Mas também indica o retorno de projetos paralisados pela crise. Antes de setembro de 2008, a média diária de desembolsos da Finame vinha crescendo, e chegou a quase R$ 150 milhões.

INDÚSTRIA DE BASE

Segundo o chefe de Pesquisas Econômicas do banco, Fernando Puga, a retomada está sendo comandada pela indústria de base. “São setores exportadores, como siderurgia e celulose, que estavam liderando os investimentos antes da crise. Essas empresas adiaram seus investimentos e decidiram ficar líquidas, ter dinheiro em caixa. Agora, estão retomando os planos”, diz Puga, informando que setores como o de siderurgia já estão nos mesmos níveis de uso da capacidade instalada de entre 2006 e 2007.

“As obras de infraestrutura, com a perspectiva de realização da Copa e da Olimpíada, vão demandar muito aço”, diz o analista de siderurgia e mineração da Link Investimentos, Leonardo Alves. Isso explica a motivação das companhias para reativar investimentos. A CSN vai retomar um projeto em Congonhas (MG), previsto desde 2007. Uma reunião amanhã entre o governador mineiro, Aécio Neves, e o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, deve selar a decisão. O projeto envolve a construção de uma siderúrgica de R$ 6,2 bilhões.

O setor de máquinas e equipamentos ainda está com nível mais baixo de uso da capacidade. O aumento da demanda por crédito no BNDES reflete mais o crescimento dos desembolsos do banco nos setores da indústria de base. Com os empréstimos para a Petrobrás, chama a atenção no balanço total de liberações no acumulado dos últimos 12 meses o crescimento de 371% do setor de química e petroquímica em relação ao mesmo período anterior.

Houve crescimento também nos desembolsos para os setores de material de transporte (93%), celulose (172%), metalurgia e siderurgia (76%) e mecânica (76%).

A Usiminas, que adiou o plano de ter uma nova unidade em Santana do Paraíso (MG), parece menos animada com o reaquecimento. O principal argumento, segundo o presidente da companhia, Marco Antônio Castello Branco, é a expectativa de que a demanda só voltará aos níveis pré-crise em 2011. Para o analista da Spinelli, Jayme Alves, a razão pode ser outra. “Com projetos grandes como o da Vale e Gerdau, pode haver um excesso de capacidade.”

28/09/2009 - 11:32h Imóvel popular lidera vendas em feira de SP

Muitos fazem parte do Minha Casa, Minha Vida

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Paulo Justus, JORNAL DA TARDE – O Estado SP

Mais de R$ 300 milhões foram concedidos em financiamento nos quatro dias do Salão Imobiliário São Paulo, encerrado ontem. O evento atraiu 60 mil pessoas ao Parque de Exposições do Anhembi, na capital paulista. “Mostramos que se consolidou um processo de retomada da atividade econômica”, diz Eduardo Sanovicz, organizador do evento.

A presença de imóveis populares foi a principal diferença em relação à última edição do evento. Das 100 mil habitações postas à venda, 48% se enquadravam no programa Minha Casa, Minha Vida, que facilita a compra de imóveis novos de até R$ 130 mil na capital paulista.

O novo perfil de renda se refletiu nos financiamentos concedidos pela Caixa. Até a tarde de ontem, o banco contratou R$ 145 milhões, para 1.114 pessoas. Desse total, R$ 83 milhões (813 contratos) foram para imóveis do Minha Casa, Minha Vida.

A Brookfield Incorporações montou um estande apenas para esses produtos. “Vendemos todas as 180 unidades que tínhamos disponíveis para o Minha Casa, Minha Vida”, diz Fernando Rodrigues, diretor de vendas da Fernandez Mera, braço comercial da Brookfield.

Mas as habitações de médio e alto padrões também tiveram um bom desempenho. “A demanda por financiamentos até R$ 500 mil surpreendeu”, diz o gerente de divisão da Nossa Caixa, Alcestes Rebêlo Junior. O banco concedeu R$ 53 milhões em financiamentos e superou em 90% o volume do ano passado. Já o Banco do Brasil, no mesmo estande, financiou R$ 60 milhões, o dobro de 2008. “Concedemos crédito para vários perfis de renda”, diz Sergio Augusto Kurovski, gerente de financiamentos do banco.

Praticamente todos os números do salão superaram os resultados do ano passado. Em 2008, o evento teve 50 mil visitantes e 35 mil imóveis à venda. A única redução foi a área ocupada pelos estandes, que foi 30% menor nesse ano. “Isso se justifica pelas fusões que o setor imobiliário passou e pelo menor número de lançamentos após a crise”, diz Sanovicz.

Para Leila Ferreira, gerente de parcerias da administradora de consórcios Embracon, a falta de opções para a classe média ajudou nas vendas. “Vendemos o dobro do ano passado. Foram 200 cartas de crédito, num total de R$ 15 milhões.”

25/09/2009 - 11:04h Minha Casa, Minha Vida: Meta para o ano é de 400 mil moradias e já existem projetos protocolados para mais 342 mil

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Habitação: Programa liberou 60 mil casas até setembro

Samantha Maia e Daniela D’Ambrósio, de São Paulo – VALOR

Após seis meses do lançamento oficial do programa Minha Casa, Minha Vida, a Caixa Econômica Federal (CEF) contratou 60,8 mil unidades habitacionais até 20 de setembro. O número representa 15% da meta do ano, mas dobrou em um mês. De acordo com a CEF, há projetos em análise o suficiente para cobrir a meta de 400 mil casas contratadas até o fim de 2009. Além das 60,8 mil casas com contratos já fechados, há uma carteira de 342 mil unidades sendo avaliadas pela Caixa.

Segundo Válter Nunes, superintendente regional da CEF em São Paulo, um dos motivos dessa aceleração é que os projetos têm chegado à Caixa dentro do formato exigido pelo programa. “No começo, os projetos não estavam alinhados ao programa, e a adaptação dos empreendimentos exigia mais tempo para a assinatura de contrato”, diz ele. A velocidade da apresentação de projetos ao banco também aumentou recentemente. Cerca de 100 mil novas propostas – um terço do total em análise – chegaram em setembro.

Segundo Jorge Hereda, vice-presidente da Caixa, investimentos em agilização das análises do banco permitiram reduzir o período de aprovação dos financiamentos de um ano para três a quatro meses. “É crível esperar que atinjamos a meta de 400 mil contratos este ano considerando que o setor está correndo para apresentar propostas. Se entrar na Caixa, a gente contrata”, diz.

No primeiro mês do programa, a maioria das contratações estava concentrada na faixa de renda de três a seis salários mínimos. De acordo com o último balanço da Caixa, a faixa de famílias que recebem até três salários tomaram a dianteira, com 26 mil unidades habitacionais contratadas. O público de três a seis salários já foi contemplado com 25 mil, e de seis a dez, com 9 mil.

Chamados para ajudar na concepção e a costurar detalhes do projeto, um grupo de 11 empresários do setor da construção continua se reunindo mensalmente com o governo e a Caixa Econômica Federal para acertar os gargalos do programa. São poucas as queixas – o discurso elogioso é uníssono – , mas elas existem. Uma das críticas em relação à Caixa está na avaliação dos imóveis, que costumavam ser subavaliados pela entidade, segundo as empresas.

A burocracia é um entrave, mas, para as empresas, a figura do correspondente bancário – que agiliza o processo antes de passar para a CEF- tem um papel importante. “A Caixa evoluiu bastante, há uma disposição grande em resolver os problemas e dar agilidade ao processo”, afirma Eduardo Gorayeb, presidente da Rodobens Negócios Imobiliários, com 16 mil unidades em análise na Caixa. “Mas é uma instituição descentralizada, que não atua da mesma forma em todos os lugares.”

Paulo Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), diz que o andamento do programa está dentro do esperado, mas considera que as contratações ainda estão demoradas. “A greve dos funcionários da Caixa no meio do ano fez com que alguns trabalhos ficassem atrasados. Agora é preciso ter um ritmo mais forte para recuperar”, diz.

João Crestana, presidente do Secovi-SP, entidade que representa imobiliárias e administradoras de imóveis, afirma que é natural que no começo do programa o ritmo fosse mais lento, pela novidade da política. “É um programa pioneiro, tem que criar cada passo novo.” Dessa forma, ele considera que o mais importante hoje é a quantidade de projetos em análise. “Esse número é importante, porque significa a adesão das empresas ao programa e a confirmação da demanda da população”, diz.

Para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que esteve ontem em São Paulo em cerimônia de posse da diretoria do Secovi-SP, é significativa a evolução das aplicações da Caixa este ano em habitação. Segundo ela, as aplicações devem superar em 65% as do ano passado, chegando a R$ 38 bilhões, mesmo com a crise econômica.

Uma das maiores dificuldades apontadas no início do Minha Casa, Minha Vida foram os valores máximos das residências para as famílias que recebem até três salários mínimos, considerados baixos pelos governos locais e empresas, principalmente para as regiões metropolitanas. Em São Paulo, esse problema está sendo contornado com parcerias entre a Caixa e os governos estadual e municipal.

Na sexta passada, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) paulista assinou com o banco um acordo para a construção de 13 mil unidades habitacionais dentro do programa seguindo o padrão paulista – mais caro cerca de R$ 7 mil em relação ao modelo de casa do programa federal (R$ 52 mil). A diferença de custo será coberta pelo Estado, que também doará os terrenos. “O Estado garantirá terrenos bem localizados e metade das casas terá três dormitórios”, diz Lair Krähenbühl, secretário paulista de Habitação e presidente da CDHU.

Por serem projetos da CDHU, há 1,5 mil unidades já licitadas, cujas obras podem ser iniciadas dentro de 40 dias, segundo Krähenbühl. O secretário diz que este ano mais um contrato para a construção de 11,5 mil unidades da CDHU será firmado com a Caixa sob as mesmas regras. A prefeitura da capital paulista, por sua vez, já apresentou 38 terrenos que poderão ser doados, uma área com potencial para receber até 5 mil habitações.

O governo do Rio, por outro lado, tem encontrado dificuldades para agilizar o programa. Segundo o secretário fluminense de Habitação, Leonardo Picciani, o Estado apresentou logo após o lançamento do MCMV cinco áreas que poderiam ser destinadas à habitação popular na capital, mas até o momento só conseguiu a doação de três. “Encontrar áreas é um gargalo do programa, e quando tem, você encontra dificuldades tanto para a aprovação na Caixa quanto para liberação de licenciamento na prefeitura”, diz. As áreas destinadas pelo Estado têm capacidade para receber 3,5 mil unidades habitacionais, e segundo Piaccini o governo continua o trabalho de identificação de novos terrenos.

O secretário também se queixa do valor máximo dado às habitações fora da região metropolitana. Segundo ele, o preço de R$ 40 mil inviabiliza os investimentos.

O fato de o programa ter atacado a demanda e oferecer subsídios aos compradores é visto como uma das principais vantagens. “A procura por imóveis de baixa renda cresceu muito, o programa mudou a vida da construção civil no país”, diz Rubens Menin, presidente da mineira MRV, que tem 27 mil unidades em 168 projetos em análise. Dessas, 14 mil unidades foram aprovadas. No segundo trimestre, a empresa vendeu R$ 647 milhões no Minha Casa, Minha Vida. No quarto trimestre de 2008, ela foi a quinta colocada em vendas e no segundo trimestre deste ano atingiu a primeira posição.

O fato é que as maiores empresas de construção – MRV, PDG, Rossi e Cyrela – atingiram um novo patamar e vão começar a produzir 30 mil, 40 mil unidades por ano, o que as coloca na mesma dimensão das grandes construtoras mexicanas e americanas. Estudo da Economática do fim de agosto coloca quatro empresas brasileiras (Cyrela, MRV, PDG Realty e Gafisa, dona da Tenda) entre as 20 maiores da América Latina e dos Estados Unidos em valor de mercado. Boa parte dessas empresas já bateu recorde de vendas no segundo trimestre e o ano caminha para ser o maior da história da indústria em vendas. Por conta dessa nova escala, as empresas brasileiras tiveram que recorrer ao mercado de capitais para captar recursos. A MRV foi a primeira a ir à bolsa para fazer uma oferta pública e foi seguida por PDG, Rossi e Cyrela, que estão com as ofertas na rua.

19/09/2009 - 11:49h Finalmente SP assina parceria para implementar “Minha casa, Minha Vida”. CDHU e Caixa vão construír 13 mil imóveis

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Parceria faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida

Eduardo Reina – O Estado SP

Seis meses depois de ter aderido ao programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida, que vai beneficiar famílias com rendimento de 0 a 3 salários mínimos, o governo do Estado de São Paulo assinou ontem acordo de cooperação e parceria para construção de 13 mil unidades habitacionais. As primeiras 1.500 construções estão previstas para ter início em 18 de outubro, em cidades da região metropolitana de São Paulo. Mas não há prazo para entrega de todo o lote. O acordo permitirá beneficiar também municípios com mais de 50 mil habitantes.

A Caixa Econômica Federal vai financiar aproximadamente R$ 650 milhões e a Companhia de Desenvolvimento Urbano (CDHU), empresa da Secretaria de Estado da Habitação, dará contrapartidas entre R$ 6,5 milhões e R$ 195 milhões. Os terrenos são da CDHU ou doações de prefeituras à estatal. O déficit habitacional em todo o Estado é de 880 mil moradias, segundo o governo paulista.

A contrapartida estadual é referente à complementação e adequação ao projeto, já que o programa federal prevê imóveis com dois dormitórios. Um apartamento receberá financiamento da Caixa de R$ 52 mil e uma casa, verba de R$ 48 mil. “Já estamos em licitação para a construção de várias unidades habitacionais. Pelo nosso projeto haverá terceiro dormitório, aquecimento solar nos prédios”, explica o secretário estadual de Habitação Lair Krähenbühl. São Paulo é o primeiro Estado a assinar convênio para a construção de moradias populares com o governo federal dentro do programa.

“A concretização dessa parceria acontece dentro dos prazos previstos. Nós fomos afinando esse processo em função dos projetos disponíveis e que pudessem ser iniciados. É mais do que normal que exista um tempo para os projetos serem maturados. Tivemos que fazer algumas adaptações em função da realidade de São Paulo e achamos que essas contratações não irão parar nessas 13 mil unidades. E já vamos iniciar obras, que isso é que é o importante”, explica Jorge Hereda, vice-presidente de Governo da Caixa.

Krähenbühl diz que a prioridade é construir moradias nas regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Baixada Santista e cidades com mais de 100 mil habitantes. Segundo o secretário, a demanda será atendida neste primeiro lote pela Secretaria de Habitação, CDHU e prefeituras dentro dos critérios estabelecidos pelo Ministério das Cidades para o programa Minha Casa, Minha Vida.

Pelo programa, a Caixa oferecerá financiamentos com juros menores, haverá isenções e descontos nas despesas com cartório e com seguro de vida.

Além disso, o mutuário terá direito a um seguro contra desemprego e só pagará as prestações quando o imóvel for entregue.

09/08/2009 - 10:30h Bancos já projetam ”boom” no crédito imobiliário e as empresas se adaptam para a baixa renda

Para executivos, queda dos juros e legislação que protege o credor farão negócio finalmente deslanchar

 

Leandro Modé – O Estado SP

 

O otimismo dos profissionais que trabalham com crédito imobiliário beira a euforia. Depois de décadas de desempenho errático, que deixaram o Brasil na lanterna do ranking que mede a relação entre esses financiamentos e o Produto Interno Bruto (PIB), a maioria deles não tem dúvidas: agora, o negócio vai deslanchar.”Os astros finalmente se alinharam. Nunca tivemos uma combinação como a atual”, diz o diretor executivo de Negócios Imobiliários do Grupo Santander Brasil, José Roberto Machado. “O boom imobiliário mundial dos últimos anos começa agora a acontecer no Brasil”, completa o consultor técnico da vice-presidência da Caixa Econômica Federal, Teotônio Costa Resende.

São basicamente duas as razões que explicam o bom humor dos executivos. A queda da taxa básica de juros (Selic) para níveis historicamente baixos, que encontrou terreno fértil graças à melhora das leis que regulamentam o crédito imobiliário, a partir de 2004. Entre outros pontos, a legislação facilitou a retomada de imóveis com prestações em atraso.

Devem-se somar a esses fatores as perspectivas para financiamento de imóveis voltados para a baixa renda no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida. “Estamos preparados para atender a todas as faixas de renda”, afirma o superintendente executivo do Departamento de Empréstimos e Financiamentos do Bradesco, Cláudio Borges. “A baixa renda é onde está a demanda.”

Segundo especialistas, o déficit habitacional no Brasil está em 8 milhões de unidades e aumenta a cada ano por causa do crescimento vegetativo.

Algumas movimentações recentes no mercado dão pistas do que deve ocorrer nos próximos meses e anos. No início de agosto, por exemplo, a Equity International, que pertence ao bilionário americano Sam Zell, anunciou a intenção de abrir uma empresa de crédito imobiliário no Brasil. Procurada pelo Estado, a companhia não se manifestou.

Desde que o Banco Santander divulgou oficialmente que fará uma oferta pública de ações (OPA) no Brasil, analistas especulam sobre o destino que será dado ao dinheiro obtido na operação, estimado entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões. João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho & Associados, não tem dúvidas. “O banco aplicará os recursos no mercado imobiliário, onde tem experiência internacional”, afirma.

Machado não comenta a especulação, mas deixa claro que o apetite do Santander no segmento é realmente grande. “Com ou sem OPA, vamos trabalhar para o banco crescer na área”, diz. “O Santander gosta de crédito imobiliário.”

Segundo os executivos, um dos maiores atrativos desse tipo de financiamento é a possibilidade de fidelizar o cliente. Ao longo de 20, 30 anos, o correntista acaba adquirindo outros produtos, como cartão de crédito, seguro de vida, etc.

Outra razão é o baixo índice de inadimplência. “Com a alienação fiduciária (mecanismo implementado no Brasil em 2004), o mutuário que deixa de pagar três prestações perde o imóvel”, explica o vice-presidente do Banco do Brasil (BB), Paulo Rogério Caffarelli. “Por isso, todos se viram e acabam dando um jeito de manter o pagamento. Aqui, esse índice está perto de zero.”

Embora seja uma instituição com mais de 200 anos de história, o BB é um novato em crédito imobiliário. Foi autorizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) a atuar no segmento apenas em maio do ano passado. O primeiro produto da área para pessoas físicas saiu do forno há exatamente um ano e, para empresas, em dezembro.

Um dos desafios que o mercado brasileiro ainda não resolveu diz respeito à fonte de recursos. Hoje, 96% do estoque de crédito imobiliário (R$ 74 bilhões) vem da poupança, no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). O restante é oriundo de capital próprio dos bancos e de instrumentos financeiros como Letras Hipotecárias e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

Por lei, os bancos brasileiros devem direcionar 65% dos depósitos da caderneta para financiar imóveis. “A maioria das instituições já está com a exigibilidade cumprida”, observa o diretor de Crédito Imobiliário e Consórcio do HSBC, Antonio Barbosa. “A perspectiva de crescimento maior (do segmento) passa pela busca de outras fontes de recursos.”

SECURITIZAÇÃO

Na semana passada, um passo decisivo foi dado nesse sentido, segundo o diretor da Brazilian Securities, Fabio Nogueira. A Câmara aprovou a Medida Provisória 460, que, entre outros pontos, autorizou a criação de fundos de investimento que tenham na carteira CRIs. “Há 10 anos, esperávamos por esse momento”, comemora.

A empresa de Nogueira é uma securitizadora. Em outras palavras, cria produtos financeiros a partir de obrigações de crédito. Exemplo prático: pega diversos financiamentos originados por uma varejista, os empacota e vende para investidores dispostos a correr o risco.

Se o presidente Lula assinar a MP, companhias como a Brazilian Securities poderão criar fundos de CRIs. “Será uma opção ideal para pessoas que buscarão diversificar seus investimentos em meio à queda da taxa de juro”, afirma.

Refinanciamento está entre as novidades

Cliente pode levantar recursos dando casa como garantia

 

O cuidado com que executivos de bancos tratam as novidades que estão sendo preparadas no crédito imobiliário comprova a mudança de status da área nos últimos tempos. “Há surpresas, mas não posso divulgá-las ainda”, despista o diretor executivo de Negócios Imobiliários do Grupo Santander Brasil, José Roberto Machado.Há não muitos anos, praticamente não havia variações nos produtos oferecidos aos clientes nem nas taxas cobradas. Hoje, os bancos disputam a paternidade de novas modalidades de financiamento, como a que tem juro prefixado, e brigam para oferecer a menor taxa do mercado.

“Tínhamos a mais baixa, de 8,4% mais TR (taxa referencial), mas aí veio a Caixa e baixou a dela para um pouco menos”, diz o vice-presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli. De fato, a Caixa Econômica Federal cobra hoje 8,2% ao ano mais TR.

A maior segurança para as instituições recuperarem imóveis de clientes inadimplentes e a queda da taxa básica de juros para menos de 10% ao ano (hoje está em 8,75%) têm estimulado até a criação de produtos derivados do crédito imobiliário.

É o caso do Crédito Casa, lançado pelo HSBC no fim de julho. Trata-se de uma linha que permite ao cliente levantar um empréstimo dando o imóvel como garantia. O juro cobrado é de 1,42% ao mês (fixo) e os recursos são do próprio banco, ou seja, nada têm a ver com o Sistema Financeiro da Habitação (SFH). O Grupo Santander também tem na prateleira um produto semelhante.

O uso exagerado de uma modalidade de crédito semelhante a essa esteve na origem da crise financeira dos Estados Unidos, que arrastou o resto do mundo a partir do segundo semestre do ano passado. Milhões de americanos refinanciaram suas hipotecas para conseguir dinheiro e gastá-lo com consumo.

Quando os juros básicos começaram a subir para impedir a escalada da inflação, muitos clientes ficaram inadimplentes. Os imóveis foram devolvidos, mas, como valiam menos do que quando as hipotecas foram feitas, os bancos tiveram rombos enormes. A situação chegou a tal ponto que, como se sabe, muitas instituições tiveram de ser socorridas pelo governo.

BUROCRACIA

Um dos problemas que os brasileiros ainda enfrentam – e devem continuar enfrentando – é a burocracia na hora de obter um financiamento imobiliário. “No Brasil, não existe registro único de um imóvel no cartório”, exemplifica diretor de Crédito Imobiliário e Consórcio do HSBC, Antonio Barbosa.

“Por essas e outras questões, não conseguimos ter velocidade na aprovação”, justifica. Segundo Barbosa, no melhor cenário possível, o banco conseguiu liberar financiamentos em 12 dias. “Mas a média é mais alta”, reconhece.

09/08/2009 - 10:10h Prestação ”que cabe no bolso” faz mercado imobiliário reagir à crise. Demanda da população de baixa renda leva ao crescimento das vendas, que pode chegar a 100% no 2.º trimestre

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Raquel Landim – O Estado SP

O mercado imobiliário brasileiro está se recuperando da crise, impulsionado pela demanda da população de baixa renda. As grandes incorporadoras relatam aumentos significativos nas vendas de casas e apartamentos no segundo trimestre do ano em relação ao primeiro. As taxas de crescimento variam de 10% a quase 100%, conforme os resultados prévios dos balanços das empresas.

Uma conjunção de fatores colabora para a retomada. Com a queda da taxa de juros e a volta do crédito, as incorporadoras recobram o fôlego financeiro para tocar as obras. Os clientes ficaram mais confiantes, ao perceberem que não vão perder o emprego e sua renda foi preservada, apesar da crise. As vantagens oferecidas pelo programa “Minha Casa, Minha Vida” também aquecem as vendas.

“O que oferecem hoje para a classe baixa não é o preço do imóvel, mas da prestação”, disse Marcos Levy, sócio da consultoria Sapiens. O fenômeno é similar ao que ocorreu nos eletrodomésticos e carros. Nos imóveis, os prazos eram longos, mas os preços continuavam salgados. A queda dos juros e os subsídios do programa do governo permitiram às empresas fixarem prestações que cabem no bolso da população pobre.

Mas a situação do mercado imobiliário hoje é diferente da euforia de 2007 e 2008. As empresas reduziram os lançamentos de imóveis, com quedas de mais de 50% em relação ao ano passado, e se dedicaram a vender o que já havia sido planejado. A estratégia foi bem-sucedida e os níveis de estoques (imóveis já anunciados, mas não vendidos) baixaram. Os empresários acreditam na volta dos lançamentos no segundo semestre, embora em ritmo lento.

Os investidores já perceberam que a recuperação é consistente. Depois de cair 43% entre 15 de setembro e 1º de janeiro, o Imob, índice que reúne as ações das principais incorporadoras do País, subiu 123% de janeiro até 1º de agosto, acima da alta de 49% do Ibovespa no período.

Celso Petruci, economista-chefe do Sindicato da Habitação (Secovi), contou que, em outubro, no auge da crise, seriam necessários 20 meses para vender todos os imóveis disponíveis em São Paulo. Em maio, com a melhora nas vendas, eram 9 meses. A entidade acredita que o desempenho de 2009 será similar ao de 2006, quando foram vendidos 28,6 mil imóveis na cidade.

As vendas de imóveis usados ultrapassaram o nível pré-crise e continuam subindo. Conforme o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP), em junho, a alta foi de 31% sobre igual mês de 2008. “A demanda não encolheu. As vendas de imóveis novos caíram porque faltou crédito”, disse o presidente da entidade, Augusto Viana.

O motor da recuperação do mercado imobiliário é a população de baixa renda, que foi em busca do sonho da casa própria, com a ajuda do governo federal. A meta do “Minha Casa, Minha Vida” é construir 1 milhão de casas populares, uma promessa de forte apelo para as eleições de 2010. Concebido com a ajuda dos empresários, o plano oferece condições de crédito e subsídios diretos ao consumidor bastante vantajosos.

Nas contas de Carlos Trostli, CEO (diretor-geral) da incorporadora Tenda, os subsídios garantem queda de quase 30% na prestação. No segundo trimestre, as vendas da Tenda alcançaram R$ 367 milhões, 45% acima do primeiro. Cerca de 90% são imóveis com preço inferior a R$ 130 mil, que se encaixam no “Minha Casa, Minha Vida”.

Eduardo Gorayeb, diretor-presidente da Rodobens, acredita que o programa é “irreversível”, porque “fala a linguagem” da classe baixa, ao garantir um seguro que cobre a prestação por três anos se a pessoa for demitida, um dos principais temores do mutuário.

O problema do programa é a lentidão. Lançado em abril, liberou até agora o financiamento de apenas 215,8 mil imóveis, conforme a Caixa. As vendas das incorporadoras são maiores, porque algumas já possuíam um estoque de imóveis compatível com o programa. Mas poucas empresas trabalham diretamente na baixa renda. Para chegar a 1 milhão de casas, será preciso pisar no acelerador. Mesmo esse número é muito inferior ao déficit habitacional do País, estimado em 8 milhões de moradias.

As incorporadoras também já notam reação do mercado de médio e alto padrões, mas em nível inferior à demanda da baixa renda. Para Wilson Amaral, um termômetro do mercado é a “velocidade de largada” das vendas de um empreendimento. Em junho, a Gafisa fez dois lançamentos de imóveis acima de R$ 500 mil cada, e vendeu de 45% a 55% das unidades em três semanas. “Acima de 30% é um ótimo sinal”, disse o executivo.

Para Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), apesar da melhora do alto padrão, o mercado imobiliário brasileiro está migrando para o segmento econômico. Ele avalia que os lançamentos de luxo superaram a demanda. “A euforia deixou os empreendedores meio cegos. Agora têm problemas de liquidez, não pela crise, mas por erro de produto.”

Em 2007 e 2008, as incorporadoras recorreram pela primeira vez ao mercado de capitais e captaram mais de R$ 20 bilhões. O crédito foi fundamental para o setor, que é de capital intensivo e enfrenta dificuldades históricas de financiamento. Para cumprir as metas com os investidores, as empresas fizeram muitos lançamentos de luxo, nos quais o lucro é alto.

“O mercado imobiliário iria passar por esse ajuste, mesmo sem a crise internacional. Agora o crescimento é saudável e de longo prazo”, disse Hugo Marques da Rosa, presidente da Método Engenharia.

 

Empresas se adaptam para a baixa renda

 


O aquecimento das vendas de imóveis para a baixa renda – estimulado pelo programa “Minha Casa, Minha Vida” – provocou uma reviravolta nos negócios das grandes incorporadoras, que não têm experiência nesse mercado. A Gafisa adquiriu o controle da Tenda. A Cyrela optou por transformar a Living em uma empresa com vida própria. A Rossi criou uma nova marca para o setor econômico, a Rossi Ideal. E a PDV aumentou sua participação na Golfarb para 100%.

“Acredito que esse movimento voltado para a baixa renda é definitivo. É onde está a demanda, porque concentra 90% do déficit habitacional do País. Os preços médios de vendas das incorporadoras já estão caindo”, disse Eduardo Silveira, analista do Banco Fator.

“Ao longo de 20 anos, tentamos inúmeras vezes entrar na baixa renda, mas nunca funcionou”, reconhece Wilson Amaral, presidente da Gafisa. Em 2006, 100% das vendas da Gafisa eram de imóveis de médio e alto padrões. Este ano, após a compra da Tenda e investimentos próprios, a baixa renda vai chegar a 50% das vendas.

São poucas as empresas do País que já nasceram no segmento econômico, como Tenda ou MRV. A Rodobens, que atua no interior, também está focada no setor desde que abriu capital. As grandes incorporadoras optam por comprar ou criar companhias novas, porque a dinâmica do negócio é completamente diferente.

Alguns exemplos da extensa lista do que muda na vida da empresa ao ir para a baixa renda: o sistema de financiamento é diferente, a busca de terreno é feita na periferia, o nível de padronização do imóvel é maior, o que reduziu a necessidade de arquitetos. Além disso, é preciso buscar fornecedores mais baratos e verticalizar boa parte das operações.

Para o negócio funcionar, também é preciso mudar radicalmente o relacionamento com os clientes. Na Tenda, por exemplo, as vendas são feitas em estandes nas obras, mas em lojas, onde os clientes recebem uma consultoria do que comprar e como comprar. O sistema está muito próximo a uma loja de varejo, como a Casas Bahia.

“Antes da abertura de capital, em 2002, só fazíamos alto padrão, por causa da limitação de recursos. Ao crescer, a empresa desceu o mix de produtos”, conta Luiz Rogelio Tolosa, diretor de relações com investidores da Brookfield. Ele disse que o segmento econômico deve atingir 9% das vendas da empresa ainda este ano.

05/08/2009 - 10:31h EUA querem financiar pré-sal e energia no Brasil

Eximbank deve participar de investimentos no Brasil, segundo o assessor de Segurança dos EUA, James Jones

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Leonardo Goy e Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA – O Estado SP

O governo dos Estados Unidos está disposto a participar, por meio de seu Eximbank (banco público de fomento) do financiamento a projetos no Brasil na área de petróleo, como no produção do pré-sal, e na construção de usinas hidrelétricas. A intenção do governo de Barack Obama já havia sido comunicada ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, no mês passado, quando ele esteve em Washington, e foi reiterada ontem pelo assessor de Segurança Nacional dos EUA, James Jones.

Jones participou ontem de uma reunião de quase duas horas com Lobão, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, e o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. “O Eximbank está disposto a investir no Brasil, tanto em petróleo como em hidrelétricas. Esses investimentos estão previstos, então é claro que (os recursos) são bem vindos. A China já anunciou um financiamento no valor de US$ 10 bilhões para a Petrobrás, que é intensiva em capital. Os Estados Unidos também têm interesse”, relatou Zimmermann após a reunião. Ele não revelou, no entanto, qual poderia ser o valor do financiamento americano.

Segundo ele, um dos projetos que poderia receber recursos do banco de fomento norte-americano seria o do futuro complexo hidrelétrico do Rio Tapajós (PA), que ainda está em fase de estudos e inventário. A expectativa é de que nesse complexo de cinco usinas sejam investidos de US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões. Somadas, as usinas teriam capacidade para gerar 14.145 megawatts (MW), o equivalente à hidrelétrica de Itaipu. O valor do investimento não intimidou o governo dos EUA. “Na época, falando sobre Tapajós falei em US$ 10 a 15 bilhões e eles acharam pouco”, disse o secretário. Zimmermann disse, entretanto, que por enquanto não se fala ainda sobre os valores que poderiam vir a ser financiados pelo banco americano.

Como o Eximbank é um banco de fomento às exportações dos EUA, o contrato a ser firmado com a Petrobrás e com as futuras usinas provavelmente deverá exigir que os recursos sejam usados na compra de equipamentos fabricados nos Estados Unidos.

O secretário disse que não foram discutidos com Jones detalhes sobre o marco regulatório do pré-sal. “Isso é um problema interno do Brasil”, disse. Também não foi abordada a questão da taxação norte-americana sobre o etanol brasileiro. Ao chegar ao encontro, ontem pela manhã, Jones confirmou à Agência Estado que o setor petrolífero estaria na pauta da reunião, mas ao ser questionado se trataria da participação das empresas americanas no pré-sal, respondeu apenas que sua conversa seria sobre a parceria entre os dois países.

Zimmermann disse que na conversa foi ressaltada a atuação da Petrobrás em território norte-americano. “A Petrobrás já tem uma refinaria nos Estados Unidos e a concessão para explorar mais 200 blocos, no Golfo do México”, afirmou. Segundo o secretário, o poço mais profundo já prospectado pela Petrobrás está no Golfo do México a 8.250 metros de profundidade. Isso, segundo ele, é mais do que o pré-sal, já que a profundidade de Tupi é de 7.210 metros.

14/07/2009 - 10:15h Endividamento de empresa brasileira no exterior despenca

Participação do mercado internacional na dívida total sai de 40% em 2000 para 11% em 2008

Leandro Modé – O Estado SP

O endividamento financeiro das empresas brasileiras cresceu pouco em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) entre 2000 e 2008, mas as fontes em que os recursos foram captados mudaram drasticamente. Esse é o resumo de um trabalho inédito elaborado pelo Centro de Estudos de Mercado de Capitais (Cemec) do Ibmec, obtido com exclusividade pelo Estado. O estudo tem por base dados de instituições como o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A participação do mercado internacional no endividamento financeiro despencou de 40,2% do total em 2000 para 11% no ano passado. No mesmo intervalo, o crédito bancário tradicional livre (ou seja, sem direcionamento obrigatório) avançou de 29,6% para 40,3%. O crescimento mais expressivo, no entanto, se deu nos títulos de dívida (como debêntures e notas promissórias), que saíram de 10,2% do total para 24,3% em 2008.

“Esse desempenho é explicado, principalmente, pela queda da taxa de juros e pelos fortes avanços institucionais do mercado de capitais”, afirmou o coordenador do Cemec, Carlos Antônio Rocca. “O juro mais baixo, por sua vez, decorre da redução da vulnerabilidade externa do País e da queda da dívida do governo, que abriu espaço para o setor privado.”

A taxa básica de juros (Selic) média foi de 16,19% ao ano em 2000, chegou a 23,03% em 2002 e encerrou o ano passado em 13,66%. Atualmente, está em 9,25%, menor nível da história do País.

Segundo Rocca, o forte recuo do endividamento financeiro no exterior resulta da experiência traumática das companhias brasileiras com a desvalorização do real, em 1999. “Dívida em moeda estrangeira e receita em moeda local cria um problema de descasamento”, observa Rocca. Foi o que ocorreu em 1999, quando a adoção do câmbio flutuante foi seguida de uma disparada das cotações do dólar, o que quebrou várias companhias e ameaçou a sobrevivência de outras tantas.

Situação parecida ocorreu no ano passado com os chamados derivativos tóxicos. Muitas empresas pegaram empréstimos bancários corrigidos pela taxa de câmbio. Com a disparada do dólar, em consequência da crise global, muitas delas tiveram perdas bilionárias. Os exemplos mais conhecidos são a Aracruz e a Sadia (que, por causa desses problemas, acabou se fundindo à Perdigão).

Rocca frisa que esses são exemplos do mau uso do instrumento. “Derivativos são indicados como estratégia para se proteger de grandes oscilações nos preços dos ativos”, disse. De qualquer forma, vale deixar claro que, em 1999, a exposição das empresas era diretamente em dólar. Na experiência mais recente, a dívida assumida era em reais, ainda que corrigida pela variação da moeda americana.

O professor observa, ainda, que, apesar da mudança de perfil, o investidor estrangeiro continuou a ser importante fonte de financiamento para as companhias brasileiras. “A diferença é que, antes, eram as empresas que iam lá fora captar recursos. Mais recentemente, os estrangeiros vieram para cá comprar papéis emitidos por elas.”

ESTOQUE

Segundo o trabalho do Cemec, o estoque de endividamento financeiro das empresas em relação ao PIB subiu de 34,9% em 2000 para 40,9% em 2008, o equivalente a quase R$ 1,2 trilhão. Rocca diz que é um nível ainda baixo se comparado a outros países, mas a tendência é de crescimento.

“As perspectivas são muito positivas, especialmente para os títulos privados de dívida, que tendem a participar cada vez mais da carteira dos investidores.”

De novo, a taxa de juros tem um papel vital na tendência. Em primeiro lugar porque barateia o custo de endividamento, o que estimula as empresas a buscar crédito para, por exemplo, bancar projetos de expansão. De outro lado, porque leva os investidores a buscar alternativas mais rentáveis para suas aplicações, hoje atreladas, em sua maioria, a títulos públicos corrigidos pela Selic.

Com o juro básico no menor nível da história, muitas empresas já emitem papéis com vistas ao investidor de pequeno porte. Oi e Bradespar, por exemplo, lançaram debêntures no primeiro semestre com valor de face baixo para alcançar esse público
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07/07/2009 - 09:20h Financiamento para a casa própria cresce 75% na Caixa

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Chiara Quintão – O Estado SP

O financiamento à casa própria pela Caixa Econômica Federal segue num ritmo forte este ano, apesar da crise global. As operações de crédito imobiliário da Caixa cresceram 75% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 17,5 bilhões.

Também houve alta no número de contratações, que chegou a 351 mil, com expansão “um pouco maior” que a do volume financeiro, segundo o vice-presidente de governo da Caixa, Jorge Hereda.

Do valor total financiado, R$ 9,2 bilhões vieram da poupança, R$ 7,7 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o restante de outras fontes. Conforme Hereda, as contratações com recursos da poupança, que atendem principalmente a classe média, cresceram 220% no semestre.

O programa “Minha Casa, Minha Vida” respondeu por valor próximo a R$ 1,5 bilhão das contratações, sendo metade para financiamento à produção e metade para pessoas físicas. Até 1º de julho, 580 empreendimentos nos moldes do programa estavam em análise pela Caixa, e 175 tinham a documentação completa. Estavam em avaliação 100 mil imóveis.

De acordo com o vice-presidente da Caixa, mais de 10 mil unidades já foram contratadas. A expectativa é que a contratação do total de 1 milhão de unidades previsto no programa seja fechada até o fim de 2010.

Para a expansão do crédito habitacional contribuíram também os feirões, segundo Hereda. Os negócios fechados e agendados nesses eventos ainda vão se reverter em novos contratos, pois as cartas de crédito obtidas no feirão têm validade de seis meses.

JUROS

A presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, afirmou ontem que a redução de juros para o crédito em geral está em estudo permanente pelo banco. “Na última segunda-feira, anunciamos redução de juros para alguns produtos. As taxas para micro e pequenas empresas chegaram a cair de 6% para 2,44% ao ano para operações com fundo garantidor.”

Segundo Maria Fernanda, o total previsto para crédito à micro e pequena empresa em 2009 é de R$ 22 bilhões. O crédito total estimado pelo banco para este ano é de R$ 90 bilhões.

23/05/2009 - 11:06h Financiamento imobiliário cresce 10%

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O Estado SP

O financiamento imobiliário com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somou R$ 8,2 bilhões até abril, o que representa crescimento de 10,26% na comparação com igual período do ano passado, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Segundo a entidade, entre maio de 2008 e abril de 2009, o valor chega a R$ 30,8 bilhões, recorde no período de 12 meses.

Nos primeiros quatro meses de 2009, foram financiadas 78.552 unidades, número 6,31% maior que o registrado em igual período de 2008. Em abril, os recursos da poupança destinados ao financiamento imobiliário totalizaram R$ 2,37 bilhões, incremento de 17,1%.

18/05/2009 - 11:00h Minha Casa, Minha Vida: até três salários sem consulta ao SPC ou Serasa

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Clique na imagem embaixo para ampliar e ler o Diário de São Paulo

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17/05/2009 - 11:56h Empresas voltam a captar no exterior

Companhias brasileiras já levantaram este ano mais de US$ 3 bi; movimento deve ampliar oferta de crédito no País

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Leandro Modé – O Estado SP

O otimismo que contagiou os investidores estrangeiros nas últimas semanas, responsável por grande parte da recente valorização do real e do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), começa a se espalhar para outros mercados. Um deles é o de dívida corporativa.

Depois de enfrentarem enormes dificuldades para obter crédito entre setembro e dezembro do ano passado, empresas brasileiras voltam, aos poucos, a vender bônus no exterior.

Há ao menos dois pontos importantes nesse movimento. O primeiro deles é a confirmação da percepção externa positiva sobre o Brasil, uma vez que companhias brasileiras têm conseguido condições de financiamento melhores do que suas pares de países como Rússia e México. O segundo ponto é o efeito que essas captações podem ter sobre o crédito doméstico.

No auge da crise internacional, o mercado global de capitais ficou paralisado. Com isso, empresas brasileiras que costumavam tomar dinheiro emprestado lá fora tiveram de recorrer a bancos nacionais, prejudicando outros tomadores, como as pessoas físicas. Um caso exemplar foi o da Petrobrás, que em novembro precisou de um empréstimo de emergência de R$ 2 bilhões e acabou no guichê da Caixa Econômica Federal – tipo de operação incomum no País.

“A crise levou os bancos no mercado internacional a retraírem suas operações de crédito. Com isso, houve um congestionamento, uma redução da capacidade de o sistema financeiro atender a todos”, disse ao Estado, em outubro, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fabio Barbosa.

A entidade estima que o capital externo responda por cerca de 20% do total de crédito no País. “Uma melhora no exterior vai se refletir positivamente na oferta de financiamentos”, diz o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg.

Entre janeiro e meados de maio, as empresas captaram lá fora pouco mais de US$ 3 bilhões. Para se ter uma ideia, em todo o segundo semestre de 2008, essas operações totalizaram pouco mais de US$ 500 milhões. O governo também aproveitou a oportunidade e já levantou US$ 1,75 bilhão neste ano.

Segundo profissionais do mercado financeiro, há várias outras captações no radar. O Estado apurou que a Eletrobrás já contratou até banco para comandar uma emissão. Petrobrás, Vale e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também estão analisando opções.

“Os bancos percebem as melhores condições e vão atrás das empresas, que, por sua vez, estão desengavetando projetos de emissão”, diz o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Alberto Kiraly.

Quem reabriu o mercado para as emissões brasileiras no exterior foi o Tesouro, que em janeiro captou US$ 1,25 bilhão. Em fevereiro, a Petrobrás obteve US$ 1,5 bilhão. Em março, os investidores se retraíram e não houve emissão brasileira.

Abril foi o mês mais forte da retomada até agora: a Odebrecht fez uma operação de US$ 200 milhões, a Telemar, de US$ 750 milhões, e a JBS-Friboi, de US$ 700 milhões. Em maio, o Tesouro voltou ao mercado e levantou US$ 750 milhões. Segundo o governo, a demanda foi muito superior à oferta.

A Odebrecht também percebeu uma procura bastante superior ao que foi oferecido. “Poderíamos ter captado mais do que os US$ 200 milhões”, conta o diretor financeiro da companhia, Paulo Cesena.

Líderes da emissão da Odebrecht, Santander e o Itaú BBA dizem que vem mais por aí. “As empresas estão olhando o mercado com atenção. Vai ter muita coisa”, afirma o diretor de Operações Estruturadas do Santander, Jean Pierre Dupui. “Estamos assistindo ao renascimento desse mercado”, diz Douglas Chen, vice-presidente sênior da Itaú Securities.

FRASES

Rubens Sardenberg
Economista da Febraban

“Uma melhora no exterior vai se refletir positivamente na oferta de financiamentos (no Brasil)”

Jean Pierre Dupui
Diretor do Santander

“As empresas estão olhando o mercado com atenção. Vai ter muita coisa”

Douglas Chen
Vice-presidente da Itaú Securities

“Estamos assistindo ao renascimento desse mercado”

24/04/2009 - 11:34h Viaje mais!

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Caixa faz convênio com agências para financiar viagens em 24 meses

Linha de crédito para o turismo popular, com limite de R$ 10 mil, será lançada na segunda-feira, em São Paulo

Isabel Sobral – O Estado SP

A Caixa Econômica Federal (CEF) vai levar a estratégia de ampliar o crédito por meio de parcerias com lojas de varejo para o setor de viagens. O ministro do Turismo, Luiz Barreto, e a diretoria da Caixa vão lançar, na segunda-feira, uma linha de financiamentos de pacotes de viagens nacionais.

Os empréstimos poderão ser feitos pelos clientes diretamente nos balcões das agências de viagens, com pouca burocracia, no momento do fechamento do pacote.

A cerimônia de assinatura do convênio está sendo preparada para ocorrer em São Paulo e devem ser convidados representantes do setor, como a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) e a Associação Brasileira de Operadoras de Turismo (Brastoa).

Essa será a segunda linha da Caixa diretamente para o varejo, já que, desde o fim de 2008, começou a financiar a compra de eletrodomésticos – como os produtos da chamada linha branca – estando presente dentro do ponto de venda por meio das parcerias com as lojas das redes de varejo.

Para aproveitar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos produtos da linha branca, que vai vigorar nos próximos três meses, a Caixa ampliou para 90 dias o prazo de pagamento da primeira parcela do financiamento, isto é, a carência.

Com a estratégia de ampliar presença nos pontos de venda dos produtos, o governo, por meio da Caixa, tenta estimular a concorrência bancária e a consequente redução de juros e spreads (diferença entre as taxas de juros da captação e as dos empréstimos finais).

Tanto para aquisição de eletrodomésticos quanto para a compra de pacotes de viagens, a Caixa limita em até R$ 10 mil o valor dos empréstimos. O prazo máximo de pagamento é de 24 meses e os juros variam de acordo com o perfil de renda de cada região do País. A quitação dos empréstimos pode ser feita por meio de boletos bancários ou débito em conta corrente.

No fim de março, o Banco do Brasil (BB) também anunciou a revitalização de uma linha semelhante, só que destinada a financiar a compra de materiais de construção, colaborando para as ações do governo federal de estímulo da construção civil. O BB ampliou de 60 para 180 dias o prazo de carência para o pagamento da primeira parcela de um crédito que deve ser tomado diretamente nas lojas varejistas que vendem os produtos.

No caso do BB, há a exigência de que os consumidores sejam também clientes do banco, pois o pagamento só é feito por meio de débito na conta corrente e, por isso, é considerado “um bom negócio” pela instituição, já que pode ajudar a ampliar a sua base de clientes.

15/04/2009 - 08:48h Como fazer para comprar sua casa pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”

Para Famílias com renda de três a dez salários mínimos (R$ 1.395 a R$ 4.650)

Clique na imagem do jornal AGORA para ampliar e ler

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15/04/2009 - 08:23h Jornal responde e tira dúvidas sobre “Minha Casa, Minha Vida”

Clique para ampliar o AGORA

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13/04/2009 - 16:44h Interessados já podem se cadastrar no ‘Minha Casa, Minha Vida’; veja como

Programa habitacional do governo começa oficialmente neste 13 de abril e vai construir 1 milhão de casas

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Isabel Sobral e Adriana Fernandes, da Agência Estado

BRASÍLIA – A Caixa Econômica Federal anunciou nesta segunda-feira, 13, o início das operações do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. As construtoras e os movimentos sociais interessados em apresentar projetos já podem, a partir desta segunda, entregar as propostas nas 78 superintendências regionais da Caixa Econômica Federal.

O cadastramento para pessoas físicas com renda mensal de 0 a 3 salários mínimos será realizado pelos Estados e municípios e as datas e os locais serão amplamente divulgados regionalmente. A Caixa alertou que as inscrições são gratuitas.

As pessoas interessadas em comprar uma casa como os benefícios podem fazer a simulação em link especial no site do banco, no endereço http://www.caixa.gov.br/habitacao/index.asp. No portal há ainda cartilhas com todas as informações do programa.

Segundo o banco, já está disponível aos Estados e municípios o termo de adesão ao Programa Minha Casa, Minha Vida. O banco também fornece o modelo de instrução de doação de terreno às prefeituras.

O programa tem a meta de 1 milhão de casas. Serão priorizadas as cidades com mais de 100 mil habitantes e, eventualmente, com mais de 50 mil habitantes. O valor do imóvel variará de acordo com o porte do município. Para as famílias de 3 a 10 salários mínimos, os limites máximos de valores de imóveis variam de R$ 80 mil a R$ 130 mil. Já para os que ganham de 0 a 3 salários mínimos, os valores serão definidos pelo Ministério das Cidades.

Serão, ao todo, 400 mil moradias para a faixa salarial de 0 a 3 salários mínimos, 400 mil de 3 a 6 salários mínimos e 200 mil unidades para a última faixa (de 6 a 10). A previsão do governo é reduzir o déficit habitacional em 14%, que hoje está em 7,2 milhões de unidades. O investimento total estimado para o programa é da ordem de R$ 60 bilhões, sendo R$ 34 bilhões em subsídios.

Para o público de 0 a 3 salários mínimos, a inscrição e seleção das famílias serão feitas pelos Estados e municípios. Poderão participar pessoas não beneficiadas anteriormente em programa habitacional social do governo e que não possuem casa própria ou financiamento ativo em todo o território nacional. Após a seleção, o candidato apresentará documentação pessoal no agente financeiro e a assinatura do contrato ocorrerá na entrega do empreendimento.

No caso de famílias com renda superior a 3 salários mínimos, não ocorrerá alteração em relação às condições atuais. Os proponentes devem procurar diretamente as construtoras. A Caixa disponibiliza ainda espaço especial nas agências de todo o país para contratação e equipe treinada para prestar informações sobre o programa. A Caixa está orientando aos interessados a procurar lançamentos de imóveis novos diretamente nas construtoras.

O candidato não pode ser detentor de financiamento ativo nas condições do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). O interessado também não pode ser proprietário, cessionário ou promitente comprador ou titular de direito de aquisição de outro imóvel residencial urbano ou rural, situado no atual local de domicílio.

Em todos os casos, devem ser apresentados os documentos pessoais (carteira de identidade e CPF), comprovação de renda formal e informal. De 0 a 3 salários mínimos, não haverá análise de risco de crédito e capacidade de pagamento. Para os demais, a operação funciona com as mesmas regras de financiamentos em vigor.

13/04/2009 - 12:34h Programa habitacional do governo Lula começa a sair do papel hoje

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A partir de segunda-feira (13) as construtoras e as pessoas interessadas no programa “Minha Casa, Minha Vida”, já podem procurar as agências da Caixa Econômica Federal para receber as informações sobre as regras para a obtenção do financiamento. O programa habitacional do governo foi lançado pelo presidente Lula no final do mês passado com o objetivo de construir 1 milhão de casas nas cidades com população acima de 100 mil habitantes e para famílias que possuem renda de até 10 salários mínimos.

Os limites de valores do imóvel e da prestação vão variar de acordo com a faixa de renda e a região. O valor máximo do imóvel, por exemplo, não poderá ultrapassar R$ 130 mil na faixa de renda até seis salários mínimos. As famílias que forem financiar o imóvel poderão comprometer até 10% da renda e o prazo para pagamento será de no máximo 10 anos.

Nesta entrevista ao Informes, a secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, explica o foco do projeto, destaca a importância do Fundo Garantidor, criado no programa, e fala sobre o processo de cadastramento de projetos e de financiamento.

Por Vânia Rodrigues

Informes – Quais os objetivos e o foco do programa Minha Casa, Minha Vida?

Inês Magalhães – Os objetivos gerais do programa são os de fazer o atendimento da moradia onde o deficit é mais significativo do ponto de vista do tamanho do problema e também funcionar como uma medida anticiclica, gerando emprego. E a escolha da construção civil vem neste sentido. É um setor da economia que responde mais rapidamente à injeção de recursos. Levando em consideração esses dois objetivos, combater o déficit e dinamizar a economia para gerar empregos, o programa está adequado porque enfrenta esses problemas onde eles têm maior impacto e onde eles são mais sentidos.

Informes – Quem será beneficiado com o programa?

Inês – Os principais beneficiados serão as famílias com renda de até 3 salários mínimos, que terão subsídio integral com isenção do seguro; famílias com renda entre 3 e 6 salários mínimos, que terão subsídio parcial em financiamentos com redução dos custos do seguro e acesso ao fundo assegurados; e as famílias com renda de 6 a 10 salários mínimos, que receberão estímulos à compra com redução dos custos do seguro e acesso ao Fundo Garantidor. O governo também vai financiar empresas da construção civil para a produção desta habitações.

Informes – De onde vem os recursos ?

Inês Magalhães – Os recursos vem do Orçamento Geral da União e também do FGTS. O montante previsto é de R$34 bilhões.

Informes – Qual a importância do Fundo Garantidor?

Inês – É um instrumento inovador que certamente vai dar maior segurança para o comprador no sentido de que, se ele tiver algum contratempo, o Fundo Garantidor vai refinanciar a dívida dele de 12 a 36 meses e também para o agente financeiro, que terá uma maior segurança no caso da interrupção de pagamento. Esta é uma das medidas mais importantes, no sentido de que ela é estrutural e coloca para nós o desafio de tornar o Fundo Garantidor um instrumento perene e estruturador da Política de Financiamento da Política Habitacional do País.

Informes – Porque o governo não optou pelo repasse para os estados e municípios?

Inês – Na verdade, pelas características e pela urgência da aplicação desses recursos, a opção foi de fazer as construções destas casas via financiamento direto à iniciativa privada onde estados e municípios deverão indicar a demanda para o atendimento das casas que serão construídas pela empresas de construção civil. Essa opção não é uma crítica à atuação, de maneira nenhuma, de estados e municípios. Mas é o reconhecimento de que nos três níveis de governo o setor público está sujeito a controles e a regras que burocratizam e fazem com que os recursos demorem mais para chegar no seu destino final. Nós teremos todo o cuidado na fiscalização dos investimentos que serão feitos e que serão pagos pelo Fundo de Arrendamento Residencial, que é o fundo utilizado no financiamento destas obras.

Informes – Como ficam os municípios menores que não serão contemplados pelo Minha Casa, Minha Vida?,

Inês – Para os municípios que não são contemplados no Minha Casa, Minha Vida, nós temos os recursos do FGTS, que continuam sendo aplicados. Existe o Fundo Nacional de Habitação (FNHIS) e continua em elaboração o Plano Nacional de Habitação para resolver todo o defícit habitacional do País, em todos os municípios e faixas salariais, em um prazo estimado de 20 anos.

Informes – Quando o programa começa a ser implementado?

Inês –A implementação do programa começa nesta segunda-feira, dia 13. Há o compromisso de que as regras, os novos parâmetros de financiamento já estarão disponibilizados em todas as agências da Caixa Econômica Federal, a partir desta data, para as pessoas que forem se candidatar a um financiamento imobiliário bancário, dentro da faixa salarial entre 3 e 10 salários mínimos. Já no atendimento das famílias de zero a três salários mínimos, que serão atendidas no programa de produção habitacional pago pelo fundo, estas casas terão que ser construídas ainda. A partir do dia 13 estaremos recebendo os projetos. Eles poderão ser encaminhados pela iniciativa privada ou conjuntamente por estados e municípios que poderão propor projetos junto à iniciativa privada . E ai nós teremos a análise e aprovação da propostas, nos tempos necessários para a construção das habitações.

Informes – Como as pessoas podem se cadastrar?

Inês –Já é bastante usual que as prefeituras tenham os seus cadastros para atendimento habitacional. Nós vamos respeitar este cadastro feito pelos municípios para o atendimento desta população. Que são as diretrizes nacionais para o estabelecimento desta priorização e os municípios terão também o direito de estabelecer diretrizes municipais da política local para hierarquizar essas demandas. Estamos falando de 1 milhão de moradias, um número bastante considerável, mas a demanda é muito maior que isso.

Informes – O processo de liberação de recursos será desburocratizado?

Inês –Na verdade, a liberação dos recursos acontecerá na medida em que as obras forem sendo executadas e elas são bem simples, não é um processo complicado. Nosso enorme desafio é conseguir que haja as aprovações municipais e dos órgãos ambientais dos projetos com a maior celeridade possível para que a gente inicie as obras, tão logo os projetos sejam aprovados.

Vania Rodrigues

Informes – PT

13/04/2009 - 09:29h “Minha Casa, Minha Vida”: Inscrição dos que ganham menos de três salários será nas prefeituras

A informação é do jornal AGORA

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