05/12/2011 - 18:57h Desmatamento na Amazônia cai 11% e atinge menor taxa em 24 anos

Apesar da queda, a área desmatada na Amazônia Legal em um ano é quatro vezes maior que a cidade de São Paulo
05 de dezembro de 2011

Agência Brasil – Agência Estado

Entre agosto de 2010 e julho de 2011, a Amazônia perdeu 6.238 quilômetros quadrados (km²) de floresta. É a menor taxa anual de desmate registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início do levantamento, em 1988.

O número é calculado pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), que utiliza satélites para observação das áreas que sofreram desmatamento total, o chamando corte raso.

A taxa de 2011 é 11% menor que a devastação registrada pelo Inpe em 2010, de 7 mil km². Apesar da queda, a área desmatada na Amazônia Legal em um ano ainda é maior que o Distrito Federal ou quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

De acordo com o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, quase todos os estados da Amazônia registraram queda no desmatamento entre 2010 e 2011. Apenas em Mato Grosso e Rondônia os satélites verificaram aumento das derrubadas. Mato Grosso desmatou 1.126 km² no período, aumento de 20% em relação a 2010. Em Rondônia, o Inpe registrou 869 km² de novos desmates em um ano, área o dobro da desmatada no período anterior.

No Pará, houve queda de 15% em relação a 2010, mas o estado ainda lidera o ranking anual de desmatamento, com 2.870 km² de florestas a menos entre agosto de 2010 e julho de 2011.

O governo atribui à queda do desmatamento anual às ações de fiscalização e combate, reforçadas a partir de abril, quando o sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), também do Inpe, mostrou aumento significativo do desmatamento, principalmente em Mato Grosso e Rondônia.

“Os alertas do Deter desencadearam operações significativas que reduziram muito a incidência do desmatamento em Mato Grosso. Por causa dessa ação, verificamos que o desmatamento que em abril tinha indícios de que iria crescer, manteve-se por mais um ano em queda”, avaliou o diretor do Inpe, Gilberto Câmara.

De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Curt Trennepohl, somente em Mato Grosso, as operações resultaram no embargo de 38,5 mil hectares de áreas desmatadas irregularmente. Em toda a Amazônia Legal, o número chega a 79 mil hectares embargados, além de 8 mil autos de infração aplicados, 350 caminhões apreendidos e 42 mil metros cúbicos de madeira em tora apreendidos.

01/12/2010 - 08:57h Desmatamento na Amazônia cai e atinge a menor taxa da história

Ambiente. Número que será anunciado hoje pelo presidente Lula ficará próximo de 6 mil m2 – equivalente a 4 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Governo esperava redução ainda maior neste ano, mas isso não ocorreu por causa do desmate em áreas pequenas

Rodrigo Baleia/Greenpeace
Rodrigo Baleia/Greenpeace
Desmate cirúrgico. Segundo o Inpe, destruição se concentra em áreas menores de 500m²


Marta Salomon – O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA

A taxa oficial de desmatamento da Amazônia em 2010 será a menor da história, mas o ritmo de queda caiu em relação ao ano anterior, contrariando expectativa do governo e projeções do sistema de alerta. O número a ser anunciado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo apurou o Estado, ficará próximo de 6 mil quilômetros quadrados. A devastação medida equivale a quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Entretanto, a cúpula do governo federal apostava que a taxa oficial deste ano seria ainda menor, ficando próxima de 5 mil quilômetros quadrados.

Essa expectativa mais otimista do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) era baseada em uma projeção do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esse sistema apontou queda de 48% na ação das motosserras no período de coleta da taxa oficial, que foi de agosto de 2009 a julho de 2010, comparado ao período anterior equivalente.

A expectativa do governo foi frustrada por causa do agravamento de um fenômeno que os satélites do Inpe já vinham captando nos últimos anos, mesmo que em escala menor. O desmatamento na Amazônia mudou de padrão e se concentra cada vez mais em pequenas áreas – menores de 50 hectares ou 500 metros quadrados -, que não são alcançadas pelos satélites mais rápidos e menos precisos.

Essa nova lógica de destruição florestal teria por objetivo justamente escapar dos satélites do sistema de alerta ao desmatamento, que aciona a ação de fiscais. Em outras palavras, o objetivo do novo padrão de abate é driblar a fiscalização.

Apesar da expectativa frustrada em relação ao tamanho da queda do desmatamento em 2010, de cerca de 20% em relação ao ano anterior, a taxa deste ano ainda assim será a menor dos 23 anos da série histórica, desde que o Inpe passou a monitorar a ação das motosserras na Amazônia.

Em 2009, o governo já havia registrado um recorde, após obter uma redução de 42% do desmatamento. Em 2010, será o segundo recorde consecutivo.

O número representa também a retomada de uma tendência iniciada em 2004, de redução no ritmo da devastação da Amazônia, interrompida em 2008, em meio às pressões que levaram ao pedido de demissão da então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Metas climáticas. Com o desmatamento próximo de 6 mil quilômetros quadrados, o governo se aproxima das metas de combate ao aquecimento global definidas no final do ano passado. Na ocasião, o governo se comprometeu a reduzir em 80% o ritmo das motosserras previsto para 2020, na Amazônia. Até lá, o desmatamento deverá ficar próximo de 4 mil quilômetros quadrados por ano.

A queda no ritmo de abate da floresta amazônica ainda é o principal trunfo no corte das emissões de gases de efeito estufa, e o resultado a ser anunciado hoje por Lula será motivo de ostentação na Conferência do Clima de Cancún, no México.

Os números registrados pelos satélites do Inpe mostram que o maior desafio do governo, além de manter o desmatamento da Amazônia sob controle e em queda, é conter o desmatamento do Cerrado, visto ainda como a principal fronteira para o agronegócio. No Cerrado, o ritmo de corte da vegetação nativa é mais acelerado e a meta é cortar o desmatamento ali em 40% até 2020.

Os Estados do Pará e de Mato Grosso ainda lideram o ranking dos que mais desmatam. Mas, em termos relativos, chama a atenção a movimentação das motosserras no Amazonas, único Estado em que o desmatamento cresceu entre agosto de 2009 e julho de 2010.

09/10/2010 - 13:07h Desmatamento na Amazônia cai 47%


Governo atribui queda em relação a 2009 a sistema de combate a crimes ambientais

Catarina Alencastro – O Globo

BRASÍLIA. O desmatamento da Amazônia caiu 47% em agosto deste ano com relação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados do sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram desflorestados 265 quilômetros quadrados de vegetação nativa na região, contra 498 km2 em agosto de 2009. Ao divulgar o resultado ontem, o Ministério do Meio Ambiente atribuiu a queda ao fato de o governo ter montado um sistema integrado de combate aos crimes ambientais, no qual o Ibama atua em parceria com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

— Está se configurando um padrão de queda sustentável do desmatamento. É uma queda contínua. O resultado é muito positivo, mas ainda temos que trabalhar muito para reduzir mais ainda esse desmatamento ilegal. Nós não precisamos ter desmatamento na Amazônia.

Nós temos certeza disso, e nós temos que avançar com as práticas de sustentabilidade — disse a ministra Izabella Teixeira.

De janeiro a agosto, todos os estados da Amazônia legal, com a exceção do Amazonas, tiveram redução na destruição da floresta. Nesse período, o Amazonas desmatou 26% a mais do que o fez entre janeiro e agosto de 2009. Izabella disse que há uma preocupação do governo com relação a isso, e que uma equipe investiga, em campo, o que está acontecendo.

O desmatamento acumulado de agosto de 2009 a julho de 2010 será divulgado em novembro.

Deverá ser o grande trunfo que o presidente Lula levará a Cancún, para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.

No ano passado, o Brasil registrou o menor desmatamento da História: 7.464 km2. Este ano, a expectativa do governo é que a taxa fique abaixo de 5.000 km2.

Ontem, ao anunciar os dados de agosto, o governo informou que o Ibama começou a trabalhar com uma nova tecnologia de detecção do desmatamento: o radar japonês Alos, capaz de captar o que acontece através das nuvens, o que o sistema do Inpe não permite. Mas, ao mesmo tempo em que comemorava a redução do desmatamento, o governo admitiu que no controle das queimadas ainda há muito o que melhorar. O balanço do Ministério do Meio Ambiente é que houve 108 mil focos de incêndio este ano. No cerrado, bioma mais atingido pelo fogo, foram registrados 57,7 mil focos de queimadas, número mais de 350% superior ao verificado no mesmo período de 2009, segundo a ONG WWF. Os parques concentraram grande parte do problema.

Só ontem, segundo o Inpe, foram detectados focos em 120 unidades de conservação.

— Nós precisamos melhorar a informação, a prevenção, a articulação. Tem um conjunto de coisas que precisam ser aperfeiçoadas. Nós vimos que parte bastante expressiva dos incêndios em unidades de conservação tem origem criminosa — disse Izabella.

15/08/2010 - 08:37h Petrobrás avança também na Amazônia

Descoberta na região do Solimões pode ser o maior campo terrestre de petróleo do País; empresa também encontrou gás na floresta amazônica

Nicola Pamplona – O Estado de S.Paulo

Duas décadas após o início da produção no campo de Urucu, em meio à Floresta Amazônica, a exploração de petróleo na Bacia do Solimões, no Amazonas, entra em uma segunda onda de investimentos. O movimento foi iniciado este ano, com a Petrobrás, que já tem duas descobertas na região e, ao contrário da primeira fase exploratória, terá a participação de companhias privadas que arremataram concessões em leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A Petrobrás mantém quatro sondas de perfuração de poços atuando na região e, no início do ano que vem, o consórcio formado por HRT e Petra Energia recebe sua primeira sonda, que deve começar a perfurar no primeiro trimestre. As perspectivas de descobertas são animadoras, segundo os envolvidos no esforço – apenas a HRT estima reservas de 1,5 bilhão de barris. A Petrobrás, por sua vez, pode ter encontrado na região o maior campo terrestre do País.

Nenhuma das empresas fala sobre o assunto, alegando impedimentos provocados pelo período de silêncio que precede emissão de ações na Bolsa . Fontes do setor, porém, indicam que a descoberta no bloco SOL-T-171, da Petrobrás, tem reservas de 180 milhões de barris. O volume é pequeno, se comparado aos bilhões de barris do pré-sal, mas é um petróleo de excelente qualidade, com grande valor de mercado.

A Petrobrás já conseguiu aprovar na ANP um plano de desenvolvimento para o SOL-T-171, que deve incluir a perfuração de novos poços. A concessão fica próxima a Urucu e já estaria produzindo, segundo fontes, a título de teste de longa duração. Dados da agência apontam que a estatal conseguiu reverter um declínio natural da produção na região, atingindo, em junho, a média de 55,2 mil barris por dia, a maior para aquele mês desde o ano de 2005.

Além dessa descoberta, a estatal anunciou na semana passada ter encontrado gás na concessão SOL-T-150, que fica no traçado do gasoduto que liga Urucu a Manaus, inaugurado em novembro do ano passado. A Petrobrás tem ainda duas reservas antigas na região, não desenvolvidas, que formam o polo Juruá-Araracanga, prontas para entrar em produção. A última informação da empresa indicava que as áreas seriam inauguradas em 2012.

Avanço. Para o governo do Amazonas, a disponibilidade de gás poderá representar grande avanço econômico, com a construção de um poço gasoquímico e o uso do combustível em indústrias da Zona Franca de Manaus. Além disso, diz o secretário executivo de geodiversidade da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Daniel Nava, o Estado espera inaugurar em setembro os primeiros postos de gás natural veicular (GNV) de Manaus.

Nava diz ainda que a atividade petrolífera deve garantir também o desenvolvimento econômico do município de Carauari, de 23 mil habitantes e a 780 quilômetros da capital. A cidade servirá de base para a exploração na porção oeste da bacia, onde estão Juruá-Araracanga e três dos sete polos petrolíferos identificados pelo consórcio HRT/Petra na bacia: Juruá, Juruá Sul e Tefé.

A HRT, operadora das concessões, definiu os polos Tefé e Aruã, perto da descoberta do SOL-T-150, como prioridades para os próximos anos, diante do maior potencial para descobertas de petróleo – que tem mais mercado e não demanda a construção de gasodutos. A empresa opera 78,5 mil quilômetros quadrados em concessões na região, que foram adquiridas em 2005 pela argentina Oil M&S e depois vendidas à Petra. A HRT entrou no negócio no fim de 2009.

Os trabalhos iniciais apontaram para a existência de mais de 30 prospectos (áreas com potencial para a descoberta de petróleo e gás) nas concessões da Bacia do Solimões. A primeira sonda de perfuração chega em Manaus no início de 2011. A primeira produção é esperada para o fim do mesmo ano. Segundo dados do prospecto preliminar de abertura de capital entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os investimentos na primeira fase de exploração somarão US$ 1,2 bilhão até 2014.

A Petrobrás não detalhou, em seu plano de investimentos 2010-2014, qual o volume reservado às reservas amazônicas, mas o plano anterior falava em gastos de US$ 1,7 bilhão na busca por novas reservas. Em junho de 2010 a produção de petróleo na área subiu 4,7% com relação ao mesmo período do ano anterior.

A produção de gás também subiu, para 10,9 milhões de metros cúbicos por dia, mas grande parte desse volume (8,6 milhões) permanece sendo reinjetada nos reservatórios por falta de mercado – a Petrobrás precisa extrair o gás para tirar o petróleo. O gasoduto tem como mercado principal as térmicas da região de Manaus, hoje movidas a diesel, que ainda não foram convertidas para o novo combustível. “O Estado está trabalhando para criar outros consumidores, mas é um processo lento”, diz Nava.

26/07/2010 - 10:44h O desmatamento da Amazônia

Editorial O Estado de S.Paulo

Não se trata ainda de uma vitória definitiva, mas a queda de 47% do desmatamento na Amazônia entre agosto de 2009 e maio de 2010, segundo dados obtidos por satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), confirma a inflexão de uma tendência, que há alguns anos parecia avassaladora, de queimadas para abrir pastos ou campos de cultivo e a exploração predatória de madeira na maior reserva florestal do mundo. Em levantamento anterior, feito entre agosto de 2008 e julho de 2009, o sistema Deter do Inpe já havia indicado uma queda de 42% no desmate, uma proporção substancial, que agora se amplia.

Os dados precisam ainda ser referendados pelo Projeto Prodes de monitoramento da floresta amazônica por satélite, cujos dados são revelados anualmente, que mede áreas menores, de menos de 50 hectares, não captadas pelo sistema Deter. Há ainda receio de que, sendo este um ano eleitoral, possa haver ingerências indevidas para aproveitamento comercial de áreas de preservação, especialmente nos meses que precedem a estação das chuvas na região, que começa em outubro. Contudo, é animador constatar que a área desmatada na Amazônia, no período coberto pelo Deter, tenha sido de 1.567 km², área pouco maior que a do Município de São Paulo (1.522 km²).

Fator de importância decisiva para esse resultado foi o corte do crédito para pecuaristas que vinham invadindo áreas preservadas da floresta e que eram considerados os principais agentes do desmatamento. Houve protestos de ruralistas contra a medida, mas não faltou o apoio de ambientalistas e de parcelas da população mobilizadas pelos meios de comunicação ou por ONGs.

Sensíveis à pressão de consumidores, redes de supermercados deixaram de adquirir carne bovina procedente de áreas de ocupação irregular. Em seguida, os frigoríficos suspenderam relações comerciais com mais de 200 fornecedores cujos cadastros indicavam que os criatórios se localizavam no bioma amazônico. A expansão da soja na região é hoje um problema menor, depois da “moratória” negociada pelo Ministério do Meio Ambiente e associações de produtores rurais.

A greve de funcionários do Ibama este ano, paralisando operações previstas, afetou a fiscalização pelo órgão, mas as suas consequências foram menos danosas do que se antecipava. Tem tido continuidade a apreensão de madeira ilegalmente cortada, embora a atividade das chamadas madeireiras piratas não tenha cessado. A ação repressora tem sido facilitada pela colaboração da Polícia Federal e de órgãos estaduais de defesa do meio ambiente. Falhas são, porém, evidentes. Os Estados de Mato Grosso e Pará, onde a pecuária está mais enraizada, continuam ainda como líderes no desmatamento.

A colaboração das populações amazônicas, inclusive das comunidades indígenas, que têm sabido defender os seus direitos, tem sido também essencial. E, embora haja empecilhos burocráticos, o Banco do Brasil e o Banco da Amazônia (Basa) têm buscado ampliar o crédito para o manejo florestal e a produção sustentável, como a extração de látex para borracha, a pesca e a chamada agricultura de baixo impacto, com a assistência técnica da Embrapa.

Para os ambientalistas, a grande ameaça é a BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, numa extensão de 450 km. Uma parte dessa rodovia já foi asfaltada nas duas pontas, mas a conclusão do seu trecho central, de 400 km, passando pelo coração da selva, permanece suspensa. Teme-se que a nova ligação por asfalto tenha o mesmo efeito da rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163), que acelerou a devastação de matas no Pará.

O atual governo considera a Rodovia BR-319 como vital para a economia da região e a incluiu no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os críticos, porém, afirmam que, por mais severas que sejam as exigências ambientais, se criando uma “estrada-parque” nada impediria o desenvolvimento de núcleos populacionais, levando, em consequência, a um maior desmate.

21/07/2010 - 09:58h Satélites indicam queda de 47% do desmatamento na floresta amazônica

Ainda faltam dois meses para o fechamento dos dados, que, se confirmados, poderão indicar uma redução recorde. Apesar do bom resultado, de agosto de 2009 a maio deste ano foi registrado o corte de 1.567 km² – área maior que a cidade de São Paulo

http://www.fmc.am.gov.br/port/Fotos_am/Imagens/Floresta%20Amazonica.jpg

Marta Salomon / Brasília – O Estado de S.Paulo

Faltando apenas dois meses para o período de coleta de dados da taxa anual de desmatamento, o ritmo de abate de árvores na Amazônia indica uma queda de 47%. A redução é maior que a registrada no ano passado, de 42% – até então um recorde nacional.

A indicação de nova queda aparece nos dados acumulados durante dez meses – entre agosto de 2009 e maio de 2010 – pelo Deter, o sistema de detecção do desmatamento em tempo real. Divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Deter é usado para orientar a ação de fiscais no combate à devastação da Amazônia.

O Deter captou desde agosto passado o corte de 1.567 km² da Floresta Amazônica, área maior do que a cidade de São Paulo. Mas o sistema conta apenas uma parte da história do que acontece na região.

Mais rápido e menos preciso, o Deter não capta desmatamentos em áreas com menos de 50 hectares (meio quilômetro quadrado). Vem daí a principal diferença entre o sistema de detecção do desmatamento em tempo real e o Prodes, que mede a taxa oficial, divulgada ao final de cada ano.

No ano passado, o Prodes mediu redução recorde de 42% no ritmo do desmatamento. A área abatida foi a menor desde o início da série histórica do Inpe, em 1988. Entre agosto de 2008 e julho de 2009 foram devastados 7.464 km² de floresta, ou cerca de cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo. No ano anterior, a Amazônia havia perdido quase 13 mil km² de floresta.

Essa queda recorde foi registrada depois de um ano de interrupção em um período de queda do abate de árvores, que vinha se mantendo desde 2004, e de uma crise no governo. Foi resultado sobretudo do aumento de fiscalização e de medidas como o corte de crédito aos desmatadores e o embargo da produção em áreas de abate ilegal de árvores.

A nova taxa oficial de desmate ainda depende das medições dos satélites em junho e julho, que tradicionalmente apresentam ritmo acelerado de corte de árvores. O período mais complicado na preservação da floresta começa com o fim das chuvas na região e segue até outubro.

Ranking. Em maio, o Inpe registrou 11,4% de desmatamento a menos do que no mesmo mês de 2009, dado que contribuiu para a queda de 47% acumulada desde agosto. O Estado de Mato Grosso lidera mais uma vez o ranking dos desmatadores, seguido pelo Pará.

Contribuiu para o resultado em maio a presença de menos nuvens cobrindo Mato Grosso. As nuvens atrapalham as imagens de satélites e tornam menos precisas as medições.

Leitura dos dados de satélites feita pela ONG Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia também aponta queda em maio, mas aponta para um aumento de 7% no acumulado entre agosto de 2009 e 2010.

Para entender
1.
Deter
É um sistema de alerta para auxiliar no controle do desmatamento. Indica áreas de corte raso (completa retirada da floresta) e que foram degradadas. Enxerga desmates maiores que 25 hectares.

2.
Prodes
Sistema usado para calcular a taxa anual do desmatamento. Detecta exclusivamente o corte raso em polígonos
superiores a 6,25 hectares.

15/07/2010 - 17:31h Brasil é apontado como um dos países que mais reduziu o desmatamento

Desmatamento ilegal caiu 22% desde 2002, diz estudo britânico

Richard Black Especialista de meio ambiente da BBC News

Madeira retirada da foresta amazônica
Madeira retirada da foresta amazônica

O desmatamento ilegal nas florestas de todo o mundo caiu 22% desde 2002, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Real de Assuntos Internacionais (conhecido como Chatham House), da Grã-Bretanha.

O estudo, que o instituto diz ser a maior análise sobre a questão já realizada, indica que as maiores quedas no desmatamento foram verificadas no Brasil, na Indonésia e em Camarões, três dos países com as maiores áreas florestais.

No Brasil, a queda no desmatamento nos últimos oito anos teria sido de entre 50% e 75%, enquanto que na Indonésia teria havido queda de 75%, e em Camarões, de 50% no mesmo período.

Segundo a Chatham House, a pressão dos consumidores, as restrições legais dos países importadores de madeira e o destaque nos meios de comunicação contribuíram para a queda no desmatamento.

Ainda grave

Apesar disso, Sam Lawson, o principal autor do estudo, afirma que o corte ilegal de árvores continua a ser um grande problema no mundo.

“Quedas de 50% a 75% parecem muito, mas temos que ter em mente que o desmatamento ilegal era um problema tão grave nesses países que, mesmo com a redução substantiva, ainda é um problema grave”, disse ele à BBC.

“Na Indonésia, por exemplo, 40% do corte de árvores ainda é ilegal”, disse ele.

Segundo o relatório, tanto grandes e ricas corporações quanto empresas pequenas e artesanais promovem o desmatamento.

Iniciativas

A última década viu várias iniciativas com o objetivo de reduzir o desmatamento ilegal, tanto em países que produzem madeira quanto naqueles que a importam.

Países signatários de um acordo da União Europeia sobre florestas passaram a ser obrigados a fornecer apenas madeira cortada legalmente, em troca de ajuda financeira e técnicas para tornar sua produção de madeira sustentável.

Os Estados Unidos aprovaram uma emenda a uma lei que impõe sanções sobre qualquer empresa ou pessoa que importe madeira ilegalmente.

Na semana passada, o Parlamento Europeu aprovou uma medida semelhante.

Medidas como essas estão forçando as madeireiras a operar sistemas que permitem a identificação do produto, no qual a origem de cada pedaço de madeira pode ser em princípio verificada.

Japão e China

O estudo da Chatham House diz que está na hora de o Japão, que importa a maior quantidade de madeira per capita do mundo, aprovar leis semelhantes.

Mas outros países asiáticos também preocupam a organização. “A China está se tornando cada vez mais um importante importador, mas não é somente para seu próprio consumo”, afirma Lawson.

“A China está cada vez mais atuando como um país de processamento, como a fábrica do mundo. Por isso, muito da madeira produzida ilegalmente passa pelas fábricas chinesas e termina na Europa e nos Estados Unidos”, diz ele.

A Chatham House pede o banimento pela China e por outra das “fábricas do mundo”, o Vietnã, da importação de madeira ilegal e a adoção de uma norma para que toda a madeira usada em projetos do governo tenham certificados de fontes legais.

“Esses são dois passos que já se provaram os mais efetivos nos países consumidores”, afirma Lawson.

Para Sam Lawson, porém, novas reduções na escala das verificadas no estudo não serão fáceis.

Estabilidade

Em países produtores de madeira, o estudo indica que os fatores que se provaram eficientes para combater o desmatamento ilegal são a estabilidade política e a aplicação efetiva da lei.

Isso gera preocupações sobre importantes países com grandes áreas florestais e não cobertos no estudo da Chatham House, como Madagascar e a República Democrática do Congo.

Para o comissário da União Europeia para o Desenvolvimento, Andris Piebalgs, a melhor maneira de combater o desmatamento ilegal é “demonstrar, com exemplos positivos, que os países se beneficiam muito mais se agirem para combater o corte ilegal de árvores”.

“Países com recursos bem administrados terão muito mais dinheiro para desenvolvimento”, afirma.

Apesar dos avanços, o estudo indica que a cobertura da imprensa sobre o desmatamento ilegal está em declínio, em parte por causa das melhorias conquistadas, e em parte porque muitos grupos de ativistas se voltaram a outros temas, principalmente para as mudanças climáticas.

O processo de discussão do combate às mudanças climáticas na ONU, porém, tem o potencial de ajudar a conter o desmatamento, ao recompensar financeiramente os países em desenvolvimento pela proteção de suas florestas, diz o documento.

18/06/2010 - 11:40h Crescimento limpo é possível. Desmatamento no Brasil esta caindo

http://www.noticiasdocampo.com.br/site/images/stories/floresta-amazonica.jpg

Crescimento Limpo

Brasil pode reduzir em 37% suas emissões poluentes sem prejudicar desenvolvimento

Carolina Brígido BRASÍLIA – O GLOBO

Estudo do Banco Mundial (Bird) demonstra que o Brasil pode reduzir seus gases do efeito estufa em 37% até 2030 sem prejudicar o crescimento da economia. A redução proposta pelo Bird equivaleria à que seria alcançada com a retirada de circulação, por três anos, de todos os carros do planeta. O documento, intitulado “Cenário Nacional de Baixo Carbono”, foi divulgado ontem. Mas isso tem um custo: R$ 44 bilhões a mais por ano em investimentos.

Os investimentos totais necessários para o corte das emissões de carbono nas próximas duas décadas, segundo o estudo, seriam de US$ 725 bilhões, duas vezes mais do que os US$ 334 bilhões previstos em investimentos para a mesma década, se nenhuma mudança de foco for promovida nas políticas públicas brasileiras.

Do valor calculado pelo Bird, US$ 334 bilhões seriam para energia, US$ 157 bilhões para mudanças no uso da terra e florestas (inclui, por exemplo, a restauração de florestas nativas), US$ 141 bilhões para transportes e US$ 84 bilhões para manejo de resíduos.

Apesar das altas cifras, o banco alerta que os gastos seriam bem menores do que o investimento necessário para reparar danos se nenhuma política pública for adotada para frear as emissões de carbono nas próximas décadas.

— A consolidação desse cenário de reduções de emissões é um grande desafio em termos de planejamento e financiamento. Contudo, a economia do Brasil seria afetada positivamente — avalia o diretor do Bird para o Brasil, Makhtar Diop. — Os resultados indicam um impulso no crescimento do PIB anual e um crescimento no emprego. Não fazer nada seria bem mais custoso, tanto em termos de impactos nacionais quanto globais.

No Brasil, a devastação da cobertura vegetal ainda é a principal responsável pelas emissões de CO2 na atmosfera. Segundo o estudo, em 2008, o desmatamento respondeu por 40% das emissões brutas do país. “Quando a biomassa da floresta é destruída, principalmente através de queimadas e decomposição, o carbono é lançado na atmosfera”, explica o texto.

Ainda segundo o documento, entre 1990 e 2005, o estoque de carbono do Brasil foi reduzido em 6 milhões de toneladas métricas, em grande parte como resultado do desmatamento.

O volume equivale a um ano de emissões globais, combinando-se todas as fontes

Desmatamento está caindo, diz estudo

A pesquisa reconhece o esforço brasileiro em reduzir o desmatamento e afirma que as taxas têm tido “queda acentuada” nos últimos anos. O Bird ressalta que a tarefa de restaurar as florestas é árdua e dispendiosa. “Nos ecossistemas degradados, como áreas abandonadas de pastagem e de plantio, fica prejudicado o potencial de regeneração de espécies arbóreas”, diz o texto. No entanto, para o banco, o trabalho valeria a pena: “o restauro da cobertura vegetal para as matas ciliares apenas de São Paulo poderia resultar na remoção de cerca de 400 toneladas métricas de carbono.

Na Amazônia, o potencial é até superior”.

Representantes do governo federal presentes ao evento elogiaram o estudo.

— Esse estudo veio num momento muito propício. O Ministério da Fazenda o recebe com bons olhos — disse Artur Lacerda, assessor da Secretaria de Assuntos Internacionais do ministério. — A gente espera que ele possa subsidiar novas políticas públicas e sirva de insumo para que o governo direcione sua economia.

Lacerda ponderou que a situação do Brasil é melhor do que a de outros países. Segundo o estudo, o Brasil tem seis vezes menos emissões de carbono per capita em relação a países desenvolvidos. E duas vezes menos do que outros países em desenvolvimento, como China e Índia.

— O estudo reconhece o resultado das políticas do governo que já estão em andamento — afirmou.

17/06/2010 - 10:54h Projeto para novo Código Florestal é um retrocesso

Editorial VALOR

O diagnóstico que deu origem ao projeto de Código Florestal está recheado de equívocos e as soluções propostas, que serão encaminhadas em breve ao Congresso, deixam o Brasil a descoberto na proteção ao ambiente. Sob o pretexto, em parte justo, de que o velho Código foi desfigurado por acréscimos e tornou-se inaplicável, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) faz várias coisas erradas ao mesmo tempo. Seu projeto reduz drasticamente as exigências de reserva legal e de preservação de encostas, morros e várzeas, as áreas de preservação permanente (APPs), entrega aos Estados boa parte do poder de legislar sobre ambiente, elimina a exigência de áreas de conservação em propriedades de até quatro módulos fiscais – segundo o Incra, 90% dos 5,2 milhões de imóveis rurais – e caminha em direção a uma anistia ampla e irrestrita para os desmatadores.

As premissas de Rebelo são ruins. “O equilíbrio existente hoje é uma legislação criada pelas ONGs que inviabiliza a agricultura do país completamente”, diz. (Valor, 17 de maio). A consequência, para ele, é que as ONGs a serviço de interesses estrangeiros querem congelar, com as leis ambientais, as fronteiras agrícolas e impedir o Brasil de manter sua competitividade nos mercados internacionais. A legislação não inviabilizou a agricultura e a prova é o sucesso do Brasil tanto em prover alimentos baratos para sua população como a força de suas exportações, as maiores do mundo de suco de laranja, carne bovina e de frango, café, açúcar e as segundas maiores de soja. Depois, há terras disponíveis suficientes para se elevar a produção agrícola sem que seja necessário devastar a Amazônia.

A verdade está em outro lugar. O Código Florestal é abertamente desrespeitado e o desmatamento no Brasil, especialmente na Amazônia, é escandaloso. Com a atual legislação, sumiram 870 mil km2 de vegetação nativa nas APPs, que deveriam ser preservados, segundo cálculos do professor Gerd Sparovek, da USP (”O Estado de S. Paulo”, 9 de junho). A comissão especial que prepara o novo Código tem um cálculo maior, de 960 mil km2. Quando o relator diz que não aceita que “agricultores sejam acusados de inimigos do meio ambiente”, pode-se concluir que ele está certo e que são fantasmas os responsáveis por tanta devastação. Ou que está errado, já que há agricultores e agricultores, e que se a sede de lucro não for detida pela consciência, preceitos legais claros e punições tempestivas, o Brasil se transformará em um deserto.

O objetivo do novo Código, pela proposta do relator, é claramente diluir as exigências legais de proteção e garantir que o passado seja apagado e os responsáveis por desmatamento ilegal, anistiados. Para supostamente enfrentar o caos do Código, mas ampliando-o ainda mais, Aldo Rebelo dá mais poderes aos Estados para legislar, inclusive sobre APPs e reservas legais. Biomas e bacias hidrográficas são por natureza distintos da divisão política do país em Estado e se localizam em vários deles. É preciso uma legislação federal que dê os parâmetros pelos quais os Estados atuarão na questão. Estados, por outro lado, são mais suscetíveis aos interesses econômicos dos grandes agricultores e o resultado será de terra arrasada, especialmente nas regiões de fronteira agrícola, se os órgãos estaduais passarem a dar as cartas na questão ambiental. O exemplo da quadrilha sob investigação no Mato Grosso, que envolve do ex-secretário do Meio Ambiente ao chefe do gabinete do governo, passando pela mulher e o genro do presidente da Assembleia Legislativa, acusados de falsificar documentos para legalizar madeira retirada ilegalmente, é o exemplo mais recente de uma série que parece não ter fim.

A questão central é que as atividades agrícolas sem controle destroem o ambiente, independentemente da boa ou má vontade do agricultor. A proteção ambiental exige consciência social de quem produz no campo, não só porque é uma garantia para a continuidade de suas atividades como também porque as consequências da devastação afetam de várias formas toda a sociedade. A legislação atual precisa ser aperfeiçoada, não destroçada. Que uma legislação dessa importância vá a discussão em período eleitoral, em que o governo precisa de apoio de todos os partidos para eleger sua candidata à Presidência, dá uma boa ideia de sua finalidade – atender aos velhos anseios da bancada ruralista. Se passar, será um retrocesso irreversível.

11/05/2010 - 09:31h Desmatamento e degradação florestal custam até US$ 4,5 tri ao ano, diz ONU. Relatório elogia o Brasil


Ambiente. Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alerta para os impactos econômicos da perda da biodiversidade no mundo. Estudo revela que 42% das espécies de anfíbios e 40% das de aves estão com a população em declínio

Brasil é citado positivamente no relatório do Pnuma por dois motivos: ter sido o país que mais criou áreas protegidas no mundo desde 2003 (foi responsável por quase 3/4 do total) e ter conseguido reduzir a taxa anual de desmatamento da Amazônia.

http://nsm01.casimages.com/img/2008/08/31//080831124724137452439654.jpg

Afra Balazina – O Estado de S.Paulo

Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) alerta para os impactos econômicos da perda da biodiversidade no mundo. Em âmbito global, os desmatamentos e a degradação florestal geram um custo anual entre US$ 2 trilhões e US$ 4,5 trilhões (R$ 3,6 trilhões e R$ 8,2 trilhões) – para se ter uma ideia, o valor é maior do que os prejuízos provocados pela recente crise financeira mundial.

Chamado de Terceiro Panorama Global de Biodiversidade, o estudo do Pnuma demonstra também que espécies invasoras (que podem competir com espécies nativas e danificar plantações) podem custar para a economia global US$ 1,4 trilhão (R$ 2,5 trilhões) ou mais. Somente na África subsaariana, os invasores são responsáveis por perdas anuais que somam US$ 7 bilhões (R$ 12,8 bilhões).

“Muitas economias continuam cegas para o enorme valor e papel da diversidade de animais, plantas e outras formas de vida num ecossistema saudável e funcional de florestas e água para solos, oceanos e a atmosfera”, diz Achim Steiner, diretor executivo do Pnuma.

Alguns países começam devagar a perceber a importância econômica da biodiversidade. Porém, segundo as Nações Unidas, as iniciativas precisam ganhar escala mais rapidamente.

A plantação e proteção de cerca de 12 mil hectares de mangues no Vietnã teve um custo de aproximadamente US$ 1 milhão (R$ 1.8 milhão), mas economiza gastos anuais em manutenção de diques de mais de US$ 7 milhões (R$ 12,8 milhões).

Ja a China permitiu por mais de 40 anos a destruição de florestas para obter madeira para construção civil e a fabricação de móveis. Porém, o país começou a enfrentar um grave problema de desertificação, viu o Rio Amarelo praticamente morrer e passou a sofrer com enchentes devastadoras – em 1998, uma delas causou danos de bilhões de dólares.

O país decidiu, então, banir o desmatamento em 17 províncias. “Os chineses perceberam que estavam prejudicando a si mesmos, principalmente porque o produto era, em grande parte, exportado para países como Estados Unidos, Japão e Coreia”, diz Pavan Sukhdev, do Pnuma. Segundo ele, o custo real da madeira seria 129% maior do que o comercializado se os danos ambientais fossem considerados.

Em sua opinião, as empresas têm papel fundamental para evitar a perda da biodiversidade hoje. Segundo Sukhdev, há oportunidades nessa área de negócios sustentáveis: a venda mundial de alimentos orgânicos, por exemplo, teve um aumento de 203% entre 1999 e 2007 e inclui empresas como Carrefour e WalMart. Ele prepara um relatório para apresentar a executivos de médias e grandes empresas.

Extinção. O relatório indica que 42% das espécies de anfíbios e 40% das de aves estão com sua população em declínio. Afirma ainda que a população de espécies de vertebrados caiu, em média, 31% globalmente entre 1970 e 2006.

Uma queda severa ocorreu nos trópicos (59%), enquanto houve um aumento da população das espécies de locais temperados, onde quase não ocorrem mais desmatamentos para fazer pastagens e plantações.

O estudo aponta cinco principais pressões para a biodiversidade atualmente: a perda e a degradação dos hábitats (que são convertidos em plantações e, mais recentemente, para produzir biocombustível), as mudanças climáticas, a poluição, o uso insustentável (superexploração) e, por fim, as espécies invasoras.

Em uma amostra de 57 países foram achadas mais de 542 espécies invasoras com algum impacto para a biodiversidade – média de 50 por país. O número provavelmente está subestimado, já que há muitos impactos que não foram examinados e muitos países têm falta de dados.

Extinção marinha

85%
dos recifes de ostras foram extintos no mundo

37%
dos estuários não têm mais esse tipo de recife

14%
dos estoques de peixes avaliados entraram em colapso em 2007

***

Brasil recebe elogio, mas Amazônia preocupa

- O Estado de S.Paulo

O Brasil é citado positivamente no relatório do Pnuma por dois motivos: ter sido o país que mais criou áreas protegidas no mundo desde 2003 (foi responsável por quase 3/4 do total) e ter conseguido reduzir a taxa anual de desmatamento da Amazônia. O estudo lembra que o pico da taxa de desmate foi de 27 mil km² em 2003-2004 e, no período 2008-2009, foi de 7 mil km².

“Alguns países demonstram que, com determinadas ações, tendências históricas podem ser revertidas”, diz o documento.

Porém, o País ainda é alvo de muitas preocupações, principalmente no que se refere à floresta amazônica. “Imagens de satélite sugerem que uma área crescente da Amazônia está sendo degradada”, diz o relatório.

Colapso. No Brasil, o desmate da Amazônia já atingiu 17% do total. Estudos indicam que é importante manter o desflorestamento abaixo dos 20% para evitar um colapso. Segundo o documento, com a interação entre desmatamento, queimadas e mudanças climáticas, a Amazônia pode sofrer um colapso generalizado ? haveria a ocorrência de incêndios mais frequentemente e secas prolongadas.

Esse colapso pode provocar a savanização da floresta em algumas áreas, levar a reduções de chuvas regionais, comprometer a agricultura e a produtividade no País.

O Pnuma avalia que iniciar programas de restauração da floresta amazônica pode ser uma medida “para garantir a segurança”, tendo em vista o cenário negativo. / A.B.


07/05/2010 - 19:18h “Lula pode estar orgulhoso de seu balanço”, declara ao Le Monde o representante de Greenpeace

Le Monde elogia os resultados obtidos no combate à preservação da floresta amazônica e recolhe o reconhecimento dos ecologistas de Greenpeace ao balanço da ação do governo. Le Monde destaca positivamente o Plano Nacional de Óleo de Palma lançado recentemente por Lula e considera o Brasil como o melhor posicionado entre os países produtores, em matéria de preservação das florestas. LF

La déforestation marque le pas en Amazonie

Le Monde

Le président Lula da Silva a annoncé, jeudi 6 mai, un plan national pour la production durable de l’huile de palme Le Brésil est-il en train de gagner son combat contre la déforestation de l’Amazonie?

Les chiffres définitifs publiés par l’Institut national pour la recherche spatiale (INPE), jeudi 29 avril, témoignent d’un ralentissement sans précédent de la déforestation depuis que des observations par
satellites permettent de mesurer la disparition de la première forêt tropicale du monde : 7 464 km2 de forêt se sont évanouis sous le coup des tronçonneuses ou des incendies entre juillet 2008 et août 2009.

Ce chiffre reste considérable, mais il traduit cependant une baisse de 42 % par rapport aux douze mois précédents, amélioration visible dans les neuf Etats qui composent l’Amazonie légale, y compris au Para et au Mato Grosso, les deux ” fronts ” pionniers de l’élevage et de la culture du soja au Brésil. Il confirme une tendance quasi continue depuis 2004.

En gage supplémentaire de sa volonté de faire du Brésil un pays exemplaire, au moment où la communauté internationale discute d’un plan de protection des forêts tropicales dans le cadre des négociations sur le climat, le président Luiz Inacio Lula da Silva a annoncé, jeudi 6 mai, “un programme national pour la production durable d’huile de palme”.

Si le projet est approuvé par le Congrès, la culture du palmier à huile devra, en priorité, se déployer sur “des terres déjà dégradées” et les plantations seront interdites dans des régions où “la végétation est native, y compris en Amazonie”.

Le Brésil est jusqu’à présent absent du commerce de l’huile de palme, dominé par l’Indonésie et la Malaisie, qui gagnent leurs parts de marché en détruisant, précisément, leurs forêts. Le pays, qui prévoit de doubler, toutes essences d’arbres confondues, la superficie de ses plantations d’ici à 2020, cherche ainsi à se mettre, de façon préventive, à l’abri des critiques.

Car pour bénéficier des milliards de dollars promis par la communauté internationale, il faudra avoir bonne réputation.

Sur ce point, le géant d’Amérique latine devance jusqu’à présent largement tous les autres bénéficiaires potentiels. Personne ne conteste la fiabilité des résultats brandis par Luiz Inacio Lula da Silva. “Le gouvernement brésilien s’est engagé dans une démarche de transparence”, témoigne
Pierre Couteron, de l’Institut de recherche pour le développement (IRD).

Le programme principal de télésurveillance Prodes (Legal Amazon Monitoring and Deforestation Project), lancé à la fin des années 1980, permet de scruter l’évolution des 4 millions de km2 de l’Amazonie légale. Depuis 2004, ce système a été renforcé par un dispositif d’alerte qui en livrant
des images – si besoin quotidiennes – aux ingénieurs de l’INPE leur permet de repérer en temps réel les coupes laissées par l’ouverture de routes ou la création de pâturages et de champs. C’est en grande partie grâce à ces clichés que l’Institut brésilien pour l’environnement et les ressources
naturelles (Ibama) et les forces de sécurité ont pu mener davantage d’opérations contre les défricheurs illégaux.

Le plan national contre le changement climatique adopté en 2008 fixe pour objectif de ramener le niveau de déforestation en dessous de 6 500 km2 en 2015, contre 19 500 km2 en moyenne par an entre 1996 et 2005. “Nous atteindrons notre objectif, et sans doute plus tôt que prévu”, assure la nouvelle ministre de l’environnement, Izabella Teixeira, qui a succédé, il y a à peine un mois, à Carlos Minc, démissionnaire pour pouvoir se présenter aux élections législatives d’octobre.

Interrogée par Le Monde, elle met en avant plusieurs raisons à ce succès. En premier lieu, “nous avons ciblé nos efforts sur les quarante-trois municipalités où se concentre plus de la moitié de la déforestation. “Un programme de régularisation des titres de propriété a été lancé et “dix mois plus tard, les chiffres montrent déjà une chute de 50 % à 80 % de la déforestation dans trente municipalités”, souligne Izabella Teixeira. Les banques publiques ont reçu l’ordre de ne plus prêter d’argent aux exploitants s’installant illégalement sur des terres. “Notre bilan montre qu’il est possible de croître économiquement sans favoriser la déforestation”, conclut la ministre.

Paulo Adario, le représentant de Greenpeace en Amazonie, ne partage certainement pas toutes les idées de Mme Teixeira sur le développement de l’Amazonie, mais il la rejoint sur l’essentiel : “Lula peut être fier de son bilan”.

L’organisation écologiste peut, elle aussi, s’enorgueillir d’y avoir contribué, en ayant réussi, depuis 2006, à réunir tous les grands distributeurs de soja autour d’un moratoire interdisant le commerce de l’oléagineux provenant de régions d’Amazonie “fraîchement” déforestées, que ce soit avec ou sans autorisation.

Que se passera-t-il après le départ de M. Lula da Silva, dont le mandat s’achève à la fin de l’année? Dilma Rousseff, sa dauphine au sein du Parti des travailleurs, incarne davantage une figure de la “vieille gauche” qu’une convertie à l’écologie. Le favori à l’élection, José Serra (centre gauche), est jusqu’à présent resté assez discret. Gouverneur de l’Etat de São Paulo, il s’est cependant engagé auprès de Greenpeace à interdire l’achat de bois illégal pour les commandes publiques et a décrété son Etat “ami de l’Amazonie”. Pour Paulo Adario, “c’est plutôt bon signe “.

Laurence Caramel

15/02/2010 - 10:19h A arma secreta do etanol brasileiro

Como um modelo matemático cacifou o lobby que abriu o mercado dos Estados Unidos ao álcool da cana

Raquel Landim – O Estado SP


AUTORES - André (E), Laura, Marcelo, Luciane e Leila trabalharam para mostrar que o etanol não desmata a Amazônia

Luciane Chiodi sonhou com o Blum na sua lua-de-mel. Por mais de um ano, ela e os colegas de trabalho Marcelo Moreira, Leila Harfuth e Laura Antoniazzi, coordenados por André Nassar, dedicaram-se integralmente ao Blum. Leila conta que acordava de madrugada, com insônia, pensando em mudanças que poderia fazer no Blum. “Era só isso de manhã, de tarde, de noite”, disse Moreira. Blum?

Blum são as iniciais de “Brazilian Land Use Model”, que significa Modelo Brasileiro de Uso da Terra. Trata-se de uma ferramenta matemática, formada por centenas de equações, que ajudou a convencer os Estados Unidos de que o etanol brasileiro não é responsável pelo desmatamento da Amazônia e, portanto, não deveria ser penalizado por isso.

O Blum é apenas uma peça de um dos mais bem sucedidos lobbies feitos por empresários brasileiros no exterior. No dia 4 de fevereiro, a Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) classificou o etanol de cana como combustível avançado, com redução de 61% das emissões de dióxido de carbono (CO2) em relação à gasolina, acima dos 21% do etanol de milho. A decisão abre para o Brasil um mercado de até 40 bilhões de litros nos EUA nos próximos anos e funciona como um selo de garantia nos demais países.

Mas a vitória não veio de graça. Há três anos o etanol vinha sendo bombardeado por ambientalistas, que culpavam a cana pelos problemas na Amazônia, e por especialistas em segurança alimentar, que diziam que os biocombustíveis encareciam o custo dos alimentos.

Os usineiros brasileiros tinham de mudar essa imagem – uma tarefa difícil para um setor fragmentado e pouco internacionalizado. Sem saber direito que rumo seguir, a União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) contratou Marcos Jank para dirigir a entidade. Filho de fazendeiros, Jank foi professor da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do Banco Interamericano de Desenvolvimento em Washington. Com a bênção dos ex-ministros Luiz Furlan e Roberto Rodrigues, fundou o Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), entidade financiada por empresários.

Jank ganhou carta branca dos usineiros para abrir escritórios no exterior. Ele contratou em Washington o lobista brasileiro Joel Velasco, que tinha trabalhado no gabinete do ex-vice-presidente dos EUA Al Gore.

Velasco assumiu o cargo em dezembro de 2007 e passou a circular pelo Congresso americano e a acompanhar a tramitação da Lei de Segurança e Independência Energética. A lei dividiu o etanol em três categorias (convencional, avançado e celulósico), com previsões diferentes de consumo. E entregou ao EPA a tarefa de calcular em quanto o etanol de cana reduz a emissão de gases de efeito estufa. Mais complicado ainda: o cálculo deveria incluir o efeito indireto do uso da terra.

A determinação provocou polêmica no Brasil. Usineiros e pesquisadores são contra a ideia de que a expansão da cana no Centro-Sul empurra a pecuária para a Amazônia. Argumentam que é impossível medir isso e que outros problemas, como a ocupação ilegal de terras, provocam desmatamento.

“O problema é que, se querem contar extra-terrestres em Marte, não adianta argumentar que ETs não existem”, disse Velasco. “Disse isso na Unica e apanhei muito.” Mas foi com esse pragmatismo que a entidade decidiu influenciar nos cálculos do EPA.

Velasco se aproximou dos técnicos do órgão logo no início de 2008. “Comecei a participar de todas as conferências que faziam”, disse. Jank reuniu cerca de 20 especialistas para elaborar os argumentos brasileiros. Coube à turma de André Nassar, diretor executivo do Icone, criar o modelo matemático Blum, que provou que o efeito indireto da cana na Amazônia é muito menor do que os americanos achavam.

Em maio de 2009, o EPA apresentou o primeiro cálculo: o etanol de cana reduzia em 44% a emissão de CO2. O resultado foi uma decepção. Para ser avançado, o etanol deveria ter alcançado 50%. Para ser comparado ao celulósico, que ainda não foi desenvolvido comercialmente, acima de 60%.

O resultado do EPA estava aberto à consulta pública. Era a hora de apresentar os argumentos técnicos. Em agosto de 2009, o Itamaraty trouxe uma missão do órgão ao Brasil. Joel conta que ouviu, pela primeira vez, informalmente, qual seria o resultado no início de janeiro. “Um amigo me ligou e disse: Está sentado? Soube que o número do EPA deu 61%.”

O QUE É O BLUM
Brazilian Land Use Model

Em português, significa Modelo Brasileiro de Uso da Terra

É uma ferramenta matemática formada por centenas de equações, usada pelo lobby dos usineiros brasileiros nos Estados Unidos

Ela mostrou que o etanol não é responsável pelo desmatamento da Amazônia

Lição para os americanos fazerem contas


Método brasileiro mostrou que cálculo dos EUA estava errado

Para defender o etanol brasileiro, a equipe técnica da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) tinha dois grandes desafios. O primeiro era medir as emissões de gases de efeito estufa do combustível desde o plantio da cana até o escapamento do carro.

O segundo era calcular o uso indireto da terra – o quanto o avanço da cultura da cana no Centro-Sul contribui para empurrar a pecuária e a soja rumo à Amazônia. Os dados elaborados pelos pesquisadores brasileiros foram enviados à Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos.

Para a primeira tarefa, contaram com Isaías de Carvalho Macedo, um dos pais do etanol. Ele participou da fundação do Centro de Tecnologia da Coopersucar (CTC). Na conferência ECO 92, o setor pediu que o CTC mostrasse as vantagens do etanol e o pesquisador teve a ideia de provar que o etanol emitia menos CO2 que a gasolina.

“Naquela época, ninguém ligava para isso”, contou Macedo. Ele fez os cálculos e produziu um documento de três páginas que mostrava que o álcool reduzia as emissões em 80% em relação à gasolina.

Uma das contribuições de Macedo foi apontar ao EPA, por exemplo, que, no Brasil, o calcário utilizado nas usinas de cana é orgânico. Nos Estados Unidos, o calcário é sintético, produzido por meio de um processo petroquímico. Parece um detalhe, mas faz toda diferença em termos de poluição

Outro ponto foi explicar que o bagaço da cana moída nas usinas é utilizado para produzir energia de biomassa, que substitui a energia “suja” das termelétricas a gás. “Ao utilizar o etanol, você está limpando o sistema elétrico”, defende Macedo.

Para calcular o efeito indireto do uso da terra, a Unica pediu ajuda ao Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone). O trabalho consistia em criar um modelo matemático para fazer a conta.

O Icone fez uma parceria com o Instituto de Política Agrícola e Alimentos (Fapri), da Universidade de Iowa. O Fapri havia sido contratado pela EPA para fazer o cálculo. Segundo André Nassar, diretor do Icone, os americanos utilizavam o mesmo modelo para qualquer país.

No primeiro cálculo do Fapri, o etanol de cana reduzia a emissão de CO2 em 44%. Nassar conta que havia erros de quem não conhece a agricultura brasileira. O Fapri não considerou os 204 milhões de hectares de pastagem ou que são produzidas duas safras de milho por ano.

O Icone encerrou a parceria com o Fapri em 2008 e não sabe se suas sugestões foram aceitas. Nassar, no entanto, rodou o modelo de consenso dos dois institutos com suas hipóteses e chegou a 60% de redução das emissões – menos que os 61% anunciados pelo EPA.

NÚMEROS

44% de redução
de emissões de CO2 na atmosfera para o etanol de cana foi o índice anunciado no primeiro cálculo feito pelo Instituto de Política Agrícola e Alimentos (Fabri) da Universidade de Iowa

61% de redução
de emissões foi o índice anunciado este ano pela Agência de Proteção Ambiental dos EUAP

03/02/2010 - 12:10h Desmatamento na Amazônia em outubro e novembro recua 72%

http://br.viarural.com/agricultura/flora/floresta-amazonica-07.jpg

Agência Brasil, de Brasília – VALOR

O desmatamento na Amazônia em outubro e novembro de 2009 atingiu 247 quilômetros quadrados (km2) de floresta. Na comparação com os mesmos meses de 2008, houve queda de 72,5%.

Os números são calculados pelo Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espacias (Inpe). “Os dados são de queda significativa. Houve redução de 68% em um mês e 80% em outro”, disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Em outubro de 2008, o Inpe havia registrado 540 km2 de desmate, em 2009 contabilizou 175 km2. Já em novembro de 2008, a área desmatada foi de 356 km2, ante 72 km2 em 2009.

A medição do Deter considera as áreas que sofreram corte raso (desmate completo) e as que estão em degradação progressiva. Segundo Minc, a cobertura de nuvens na região em 2009 foi menor que em 2008, o que permitiu que os satélites observassem áreas maiores de floresta.

O Pará lidera o ranking do desmatamento acumulado nos dois meses, com 108 km2 a menos de floresta em outubro e novembro. Mato Grosso aparece em seguida, com 50 km2 desmatados. No Amazonas, o Inpe registrou 33 km2 de derrubada em outubro. Segundo Minc, o Estado foi o “destaque negativo”, já que tradicionalmente não aparece nas primeiras posições entre os desmatadores.

O governo atribui a queda no desmatamento à intensificação das operações de fiscalização e controle, realizadas pelo Ibama, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança e às atividades da Operação Arco Verde, que oferece alternativas econômicas ao desmatamento ilegal. “Esses são os primeiros números pós-operação Arco Verde, que cobriu os 43 municípios mais desmatadores”, disse Minc.

Nos quatro primeiros meses do calendário oficial do desmatamento – de agosto a novembro – a redução entre 2008 e 2009 foi de quase 50%, com queda de 2.238 km2 para 1.144 km2 no acumulado medido pelo Deter.

Minc acha que será possível cumprir a meta de redução do desmatamento da Política Nacional de Mudanças Climáticas muito antes do prazo. “A meta é reduzir o desmatamento em 80% e chegar a 3,5 mil km2 em 2020. Podemos alcançar essa meta ainda este ano.”

16/11/2009 - 10:27h Desenvolvimento sustentável e o Brasil

*HILARY BENN – O Globo

http://i.telegraph.co.uk/telegraph/multimedia/archive/01205/hilary-benn_1205601c.jpgMais de seis bilhões de pessoas compartilham os frágeis sistemas de apoio à vida na Terra.

Com mais pessoas vivendo nas cidades, podemos nos sentir distantes da natureza, mas somos completamente dependentes daquilo que ela nos oferece. É fácil esquecermos que a natureza nos fornece o alimento e a água que nos sustentam; e um clima estável.

À medida que a população mundial cresce, os recursos naturais acabarão por tornarem-se incapazes de responder às nossas demandas. A paz e a estabilidade globais dependem de nossa habilidade de encontrar novas maneiras de crescer e gerir nossos recursos para que todos se beneficiem deles, hoje e no futuro.

E é isso o que significa desenvolvimento sustentável.

Se quisermos alcançar um mundo mais sustentável, precisamos enfrentar nossa responsabilidade por mudanças climáticas. Se falharmos em cortar as emissões de gases de efeito estufa, estaremos sujeitos a secas, inundações e perdas de colheitas.

A mudança do clima representa uma ameaça à prosperidade global. É por isso que o Reino Unido se comprometeu a cortar suas emissões em 34% até 2020 e 80% até 2050, e propôs um fundo de 100 bilhões de dólares anuais para ajudar as nações em desenvolvimento a lutar contra estas mudanças.

A transição para uma economia mais sustentável não significa sacrificar o crescimento ou cercear as aspirações dos países ricos ou pobres.

O Relatório Stern possui uma mensagem simples: enfrentar a mudança do clima não custará nada ao planeta, mas a Terra pagará o preço se não fizermos nada.

É do interesse de todos enfrentarmos essa ameaça juntos. O comprometimento do Brasil em reduzir o crescimento de duas emissões em 38-42 % até 2020, incluindo a redução do desmatamento em 80%, é realmente ambicioso.

O Brasil emerge como uma das potências econômicas e políticas.

Sua economia é estável, sua população vem prosperando e algumas de suas empresas são reconhecidas mundialmente. Mas o Brasil sempre foi mais do que uma potência convencional. É o lar de aproximadamente um quinto de todas as espécies conhecidas. Suas florestas fornecem à América do Sul a chuva para regar as plantações, e ao resto do mundo, um clima estável. Além disso, o país tem sido líder no desenvolvimento de biocombustíveis e no monitoramento via satélite.

É exatamente desse tipo de liderança que o mundo precisa agora. O Brasil tem a oportunidade de consolidar sua reputação de potência ambiental. É possível fazê-lo expandindo sua matriz energética sustentável e seu monitoramento da Amazônia para outros biomas, explorando novas formas de cultivo e pecuária e compartilhando suas tecnologias agrícolas e de monitoramento de outras regiões mega diversas na África e na Ásia.

Em cerca de 20 dias, o mundo se reunirá em Copenhague com o objetivo de acordar uma estrutura política para combater o aquecimento global. Será o primeiro passo no caminho rumo a um mundo mais sustentável. Devemos dar esse passo juntos. O Reino Unido está pronto para embarcar nessa jornada e contamos com o Brasil.

*HILARY BENN é ministro de Meio Ambiente, Alimentação e Questões Rurais do Reino Unido.

13/11/2009 - 10:59h Brasil registra o menor índice de desmatamento dos últimos 21 anos

Anúncio foi feito em clima de festa, com Lula e Dilma; queda em relação ao período anterior foi de 45,7%

João Domingos – O Estado SP

O Brasil registrou o menor índice de desmatamento anual na Amazônia nos últimos 21 anos, com a marca de 7.008 km², segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os números, apresentados ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, referem-se ao período de agosto de 2008 a julho de 2009, que é o calendário oficial de monitoramento da região amazônica.

Em relação ao período anterior (2007-2008), quando se derrubou quase 13 mil km², a redução foi de 45,7%. “Esses números são bastante confiáveis e, quando há revisão, ficam dentro da margem de erro”, disse o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, que também participou da cerimônia. O dado anunciado ontem é uma estimativa preliminar, que será levada para a Conferência do Clima de Copenhague, no mês que vem. O número definitivo só ficará pronto em 2010, após revisão mais detalhada das imagens de satélite.

Para Câmara, será difícil manter taxa igual ou menor no próximo período, visto que a queda deste ano foi muito acentuada. A meta a longo prazo do País é reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia até 2020.

Para que isso ocorra, será necessário diminuir em 42% o ritmo de derrubada da floresta a cada cinco anos, em comparação com a média dos períodos anteriores. Por essa conta, o máximo que poderá ser desmatado no ano que vem é 9,5 mil km², chegando a menos de 4 mil km² em 2020.

Todos os nove Estados da Amazônia Legal reduziram suas taxas de desmatamento em 2009. O que registrou maior área devastada foi o Pará, com 3.687 km² de floresta ceifada, seguido à distância por Mato Grosso, com 1.047 km². Este último apresentou a queda mais significativa em relação ao ano anterior: 68%.

Para Câmara, a queda deve-se à consciência que o brasileiro tem adquirido de que é necessário preservar. Já o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que a redução resulta da repressão por parte do aparelho estatal. Ele acha que agora chegou o momento de mudar a forma de atuação, passando a oferecer alternativas econômicas para as pessoas que moram na Amazônia, com preços mínimos para produtos extrativistas como borracha, castanha, açaí e madeira certificada.

O presidente Lula concordou com Minc. “Dizem que a água de Nova York é muito boa. E é. Mas todos os que moram nos locais das nascentes das águas que vão para lá recebem (dinheiro) para não poluir”, afirmou. “Portanto, as pessoas que moram na Tijuca, no Rio, e na Avenida Paulista, em São Paulo, que vão para os bares tomar chope de boa qualidade e falar mal da vida alheia e dizer que ninguém pode derrubar uma árvore da Amazônia, têm de pagar para ter aquela água boa que tomam. O caboclo da Amazônia quer apenas viver, depois de ter pegado oito malárias.”

A redução do desmate será um trunfo para o Brasil em Copenhague, onde um dos principais temas de negociação será a inclusão do desmatamento evitado como mecanismo de combate ao aquecimento global.

NÚMEROS

Os dados divulgados ontem são do sistema Prodes, que utiliza imagens de alta resolução para calcular as taxas anuais de desmatamento. É diferente do sistema Deter, que produz estatísticas mensais, porém com resolução menor, usadas para direcionar a fiscalização de campo.

Na avaliação do pesquisador Carlos Nobre, do Inpe, os dados dão confiança ao País para exercer liderança nas negociações de Copenhague.

“Mesmo que parte dessa queda possa ser atribuída à crise financeira, ela não ofusca o fato de que as taxas de desmatamento na Amazônia despencaram a partir de 2005. É uma boa notícia para o Brasil e para o planeta”, disse Nobre ao Estado.

12/11/2009 - 17:51h Desmatamento na Amazônia cai 45% e é o menor em 21 anos, diz Inpe

http://www.fmc.am.gov.br/port/Fotos_am/Imagens/Floresta%20Amazonica.jpg

BBC – Agência Estado

Área derrubada foi de 7 mil Km², menor índice desde o início do monitoramento.

- O governo anunciou nesta quinta-feira que o desmatamento na Amazônia Legal no último ano foi o mais baixo desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a monitorar a região amazônica, em 1988.

Entre agosto de 2008 e agosto de 2009 foram desmatados 7 mil quilômetros quadrados, de acordo com os dados do projeto de monitoramento por satélite do Inpe (Prodes). Esta também foi a primeira vez em 21 anos que a área derrubada ficou abaixo dos 9 mil quilômetros quadrados.

O resultado mais próximo disso foi registrado entre 2006 e 2007, com 11.633 km2 derrubados.

O número também representa uma redução de 45% em relação ao período de agosto de 2007 a agosto de 2008, quando, segundo o projeto de monitoramento do Inpe, foram desmatados 12,9 mil quilômetros quadrados.

“Ainda é muito, mas a queda foi muito grande. É um dado excelente, um resultado histórico”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que participou do anúncio ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

A menos de um mês da Conferência da ONU sobre mudanças climáticas em Copenhague, com ou sem metas de redução de emissões, o resultado vai ser um trunfo importante para o governo brasileiro nas negociações por um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto.

Arco Verde

Nos últimos anos, a tendência histórica vem sendo de queda na área desmatada.

No entanto, o governo federal ainda está distante das metas assumidas em seu Plano Nacional de Combate às Mudanças Climáticas, que prevê a queda do desmatamento a 80%.

Isso significa que o desmatamento máximo admitido em 2020 deve ficar por volta de 4 mil quilômetros quadrados, menos de metade dos números anunciados com estardalhaço nesta quinta-feira.

O anúncio foi feito durante o evento de divulgação do balanço do Mutirão Arco Verde, o programa do governo federal de combate a atividades clandestinas que levam ao desmatamento.

O programa visa a promover o desenvolvimento sustentável nos 43 municípios amazônicos responsáveis por mais de 50% das derrubadas na região.

O projeto envolve 14 órgãos do governo, sob a tutela da Casa Civil, além das prefeituras da região e de organizações não-governamentais.

O governo incluiu também um programa de regularização fundiária no Mutirão Arco Verde, como parte da tentativa de unificação das políticas de assentamento agrário, regularização ambiental e desenvolvimento sustentável.

http://eduardoalmeida.files.wordpress.com/2009/03/amazonia.jpg

Amazônia registra menor área desmatada em 21 anos

REUTERS – AGÊNCIA ESTADO

BRASÍLIA – A Amazônia registrou o menor desmatamento em 21 anos, uma queda de cerca de 45 por cento em um ano, mostraram dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciados nesta quinta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Entre agosto de 2008 e julho deste ano, foram destruídos 7.008 quilômetros quadrados de floresta, uma queda de cerca de 45 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. O período de agosto de um ano a julho do ano seguinte é o ano-calendário para a medição da destruição da floresta.

“Estamos fazendo o dever de casa”, comemorou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também presente ao anúncio.

O desmatamento registrado no período 2008-2009 é o menor desde que o Inpe começou a divulgar números da devastação da Amazônia em 1988. Também é a primeira vez, desde o início da medição, que a área desmatada fica abaixo dos 10 mil quilômetros quadrados.

(Reportagem de Ana Paula Paiva e Natuza Nery)

05/01/2008 - 13:06h Green Heroes: 50 people who could save the planet, by The Guardian

NOTA 10

Marina Silva
Politician

Marina Silva, 49, is Brazil’s environment minister. The daughter of a Brazilian rubber tapper, she spent her childhood collecting rubber from the Amazon forest and demonstrating against the destruction wrought by illegal loggers. In one of the great political journeys, she rose from being illiterate at 16 to become Brazil’s youngest senator, and is now the woman most able to prevent the Amazon’s wholesale ruin. Under her watch, deforestation has reduced by nearly 75% and millions of square miles of reserves have been given to traditional communities. Last year 1,500 companies were raided and one million cubic metres of illegally felled timber were confiscated. But the future, says Silva, is peril ous. The only way that long-term loss will be averted is with foreign help. “We don’t want charity, it’s a question of ethics of solidarity,” she says. (The Guardian)

(mais…)

22/12/2007 - 20:35h Crece un 10% la destrucción de la selva amazónica brasileña

La ministra de Medio Ambiente, Marina Silva, ha confirmado la noticia

JUAN ARIAS - Río de Janeiro-El País

Esta vez no han sido las asociaciones en defensa del medio ambiente quienes han denunciado un aumento de la destrucción de la selva amazónica, como suele ser habitualmente, sino la mismísima ministra de Medio Ambiente, Marina Silva, quien, en una reunión en el Palacio de la Alvorada, en Brasilia, en presencia del presidente Luiz Inácio Lula da Silva, admitió el viernes que desde agosto a noviembre, ha aumentado en un 10% la destrucción de la selva, en relación con el año pasado.
(mais…)