16/06/2008 - 14:21h Governador de Massachusset respalda saída do armário da filha

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Governador de Massachussets, Deval Patrick, acompanhado por Barck Obama

Filha do governador de Massachussets diz em entrevista que é lésbica

L'image “http://p-userpic.livejournal.com/55334090/1062536” ne peut être affichée car elle contient des erreurs. O governador Deval Patrick, do estado de Massachusetts, deu este fim de semana um exemplo raro e emocionante de apoio à sua filha, Katherine, de 18 anos. Na semana passada, a garota chamou os pais e disse que antes de entrar para o Smith College e iniciar sua vida universitária queria fazer ter uma conversa especial: Katherine disse aos pais que era lésbica e pediu ao pai para tornar esta revelação pública, a fim de que não houvesse motivo para que a mídia passasse a tratar com fato nas colunas de fofocas de Boston. Deval Patrick então telefonou para a editora de Bay Windows, Laura Kiritsy, e convocou uma entrevista dupla, de pai e filha. Nos 45 minutos que durou a conversa, o governador e sua filha contaram à jornalista que pretendiam tornar o fato público para mostrar que Katherine tinha o amplo apoio dos pais:

_ Nós sempre apoiamos o movimento gay e agora temos mais um motivo para isto. Em Massachussetts, o casamento gay é legal e eu continuo sonhando com o dia em que minha filha vai se casar, e em saber quanto vai custar a festa… _ disse emocionado Deval Patrick.

O encontro com a editora de Bay Windows aconteceu na central da MassEquality, uma organização de defesa dos direitos legais dos homossexuais, onde Katherine está fazendo um estágio, para enfrentar a Faculdade de Direito que ela sonha cursar.

_ Estamos muito orgulhosos da reação positiva do governador _ disse o diretor-executivo da MassEquality, Marc Salomon _ Ele sempre lutou pelos direitos da nossa comunidade, antes de saber que sua filha fazia parte dela. Deval Patrick e sua mulher Diane são pais que qualquer jovem hoje gostaria de ter.

Fonte Blog Diário de Nova York de Marília Martins)

15/06/2008 - 19:00h Verissimo

Crônica

O Globo

Rir ou não rir

verissimo.jpgCasal de judeus americanos em visita a Israel entra num clube noturno de Tel Aviv onde se apresenta um cômico local. As piadas do cômico fazem grande sucesso com o público e quem ri mais do que todos é o americano.

Sua mulher estranha. As piadas são em hebraico. O marido não sabe hebraico. Por que está rindo tanto?

— Por que não? — responde o marido. — Eu confio nesta gente!

Dependendo do jornal que você lê, e às vezes do analista num mesmo jornal, o otimismo com a situação do Brasil se justifica, é um delírio ou é um embuste. Poucas vezes na nossa história recente entender o que se passa dependeu tanto da predisposição, ou do preconceito, de cada um. A economia do país raramente esteve tão bem, nunca se comprou tanto carro e casa própria, estamos finalmente a caminho de ter um bendito mercado para sustentar nosso desenvolvimento — ou a caminho do caos. Você decide. Os números não provam nada, ou provam tudo, o que dá no mesmo. Uma correta avaliação é improvável, já que os profissionais da avaliação se contradizem. Os fatos não influem muito na decisão de ser otimista ou catastrófico.

Ou seja: saber hebraico é secundário. Para rir ou não rir das piadas, basta confiar ou não confiar em quem está rindo.

FOFOCA

Com Barack Obama definido como candidato dos democratas à Casa Branca, espera-se para qualquer momento não um atentado contra ele mas uma fofoca sexual, que nos Estados Unidos também costuma ser uma arma. Em países latinos as revelações sexuais não têm o mesmo efeito, portanto não têm o mesmo risco político.

A filha que o Mitterrand tinha com sua amante foi motivo apenas de curiosidade, e de afetuosa surpresa com um pecado menor do velho, e não prejudicaria sua carreira política mesmo se tivesse aparecido antes. E o boato de que o Chirac era amante da Claudia Cardinale só aumentou sua reputação. No Brasil existe um imenso lençol subterrâneo, se este é o termo, de indiscrições conhecidas do poder que nunca vêm à superfície. Tipo todo o mundo sabe mas ninguém publica.

O que é saudável, já que a vida particular do político só é relevante quando surgem falhas de caráter que afetarão o nosso bolso, como uma tara por dinheiro público, e qual é o problema de namorar um pouco se ajuda a relaxar e até a governar e legislar melhor, desde que a patroa não fique sabendo? Mas há quem diga que a falta de inconfidências no mercado se deve a uma insuficiência do nosso setor editorial, que ainda não pôde fazer ofertas convincentes.

Quando morreu Buddy, o labrador dos Clinton, talvez o cachorro com mais histórias para contar do mundo, suspeitou-se que o atropelamento se devesse aos rumores de um contrato milionário para publicar um livro seu, título provável “Memórias da Casa Branca, ou Babando no tapete do Salão Oval”. Buddy, presumivelmente, estava presente nos encontros de Clinton com estagiárias para fins não reprodutivos. Inconfidências de assessores, empregados, amantes etc. são um risco constante para dirigentes americanos e ingleses, incluindo até a família real — no caso dos Estados Unidos, os Kennedy.

As revelações podem ser moderadamente embaraçosas (como a da atriz Angie Dickenson, que descreveu seu caso com John Kennedy como “os quinze segundos mais memoráveis da minha vida”) ou podem acabar com reputações para sempre. Do Bush nunca se soube nada, salvo os atos antinaturais que praticou com o país. Do Barack Obama, devem estar catando.

08/06/2008 - 14:43h O futuro dos jornais

FOLHA SP

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Blog de política mais popular dos EUA, Huffington Post radicaliza a noção de interatividade, mas ainda depende das reportagens dos grandes diários; para sua fundadora, falar da morte dos jornais é “ridículo”

ERIC ALTERMAN

O jornal norte-americano está na praça há mais ou menos 300 anos. A folha veemente de Benjamin Harris “Publick Occurrences, Both Foreign and Domestick” [Ocorrências Públicas Estrangeiras e Domésticas], só conseguiu tirar um número, em 1690, antes de ser fechada pelas autoridades de Massachusetts.
Harris sugerira uma linha dura e politicamente incorreta quanto à remoção dos indígenas e chocara as suscetibilidades locais ao informar que o rei da França tomava liberdades com a mulher do príncipe.
Mas foi apenas em 1721, quando o impressor James Franklin lançou o “New England Courant”, que as colônias britânicas na América do Norte viram surgir algo semelhante aos jornais de hoje.
Irmão mais velho de Benjamin, Franklin se recusava a aderir às praticas costumeiras de direitos autorais e atacava os poderes estabelecidos na Nova Inglaterra, logrando assim tanto independência editorial como sucesso comercial.
Preenchia seu jornal com cruzadas (contra tudo, dos piratas ao poder dos pastores puritanos Cotton e Increase Mather), ensaios literários, vinhetas e ruminações filosóficas.
Três séculos depois do “Courant”, já não é preciso ter uma imaginação distópica para cogitar quem terá a honra ambígua de publicar o último jornal de verdade nos EUA.
Pouca gente acredita que os jornais, na forma impressa de hoje, tenham chance de sobreviver. Eles estão perdendo anunciantes, leitores, valor de mercado e, em alguns casos, o próprio senso de missão, num ritmo que teria sido difícil imaginar meros quatro anos atrás.
Num discurso recente em Londres, Bill Keller, editor-executivo do “New York Times”, declarou: “Onde quer que editores e publishers se encontrem, a atmosfera é funérea. Os editores perguntam “como você está?” naquele tom que se usa com um amigo que acaba de sair de uma desintoxicação ou um divórcio”.
Seu discurso foi publicado no site de seu anfitrião, o “Guardian”, sob a manchete “Vivo ainda”. Ainda. Mas as tendências de circulação e publicidade, a ascensão da web, que faz o jornal diário parecer lento e lerdo, e o advento da Craigslist, que está extinguindo os classificados, criaram uma sensação palpável de fim iminente.
Nos últimos três anos, os jornais americanos independentes perderam 42% de seu valor de mercado, segundo o empresário de mídia Alan Mutter.
Poucas companhias foram tão punidas em Wall Street quanto aquelas que ousaram investir no ramo jornalístico. A McClatchy Company, a única a dar um lance pela cadeia Knight Ridder quando ela foi a leilão em 2005, perdeu 80% de seu valor acionário desde que concluiu a aquisição de US$ 6,5 bilhões. As ações da Lee Enterprises caíram 75% desde que ela adquiriu a cadeia Pulitzer, naquele mesmo ano.
As companhias jornalísticas mais prezadas começaram, de repente, a parecer um fardo empresarial. Em vez de competir numa era de transformação, as famílias que controlavam o “Los Angeles Times” e o “Wall Street Journal” venderam a maior parte de suas ações.
A New York Times Company viu suas ações caírem 54% desde 2004, em especial no último ano; em fevereiro, o Deutsche Bank recomendou que seus clientes vendessem ações do “New Tork Times”. A Washington Post Company só evitou o mesmo destino ao se apresentar como “empresa de educação e comunicação”; seu braço didático, a Kaplan, agora responde por pelo menos metade do faturamento total.

(mais…)

22/05/2008 - 14:39h Bundas e peitos

KENNETH MAXWELL

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DIZ-SE QUE OS homens brasileiros prestam mais atenção às bundas do que aos peitos. Não é este o caso aqui no Reino Unido. Os peitos vencem as bundas em todas as disputas. E peitos eram assunto em destaque na imprensa durante esta semana.

A Corte de Apelações invalidou a condenação de um homem gay que vinha filmando outros homens secretamente no vestiário de uma piscina. Os juízes declararam que contemplar peitos masculinos era legal, mas o mesmo não se aplicava aos seios femininos, nos termos da legislação de combate aos crimes sexuais adotada em 2003. Apenas o peito feminino, determinou o tribunal, pode ser considerado como uma “parte íntima”. O juiz Hughes determinou que a “intenção do Parlamento era referente ao peito de uma mulher, e não ao peito masculino exposto”.

Curiosamente, as colunas de obituários estavam ao mesmo tempo exibindo fotos de um dos mais famosos peitos masculinos da história do cinema, o de John Phillip Law, que morreu aos 70 anos em Los Angeles. Law é lembrado especialmente como o anjo cego Pygar, em “Barbarella”, a obra-prima kitsch que Roger Vadim dirigiu em 1968. Dino de Laurentiis havia escalado Law, um belo californiano loiro e de físico imponente, como o anjo protetor, alado e seminu, da heroína intergaláctica e sexualmente insaciável interpretada por Jane Fonda.

Tudo isso se justapunha a colunas de fofocas nas quais muita gente batia no peito diante das espalhafatosas memórias de Cherie Blair, mulher do antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair. A sra. Blair é uma advogada poderosa e ambiciosa e, de modo bem parecido ao da senadora Hillary Clinton, subordinou suas ambições às de seu poderoso marido. Agora, chegou a sua vez de brilhar. Entre as revelações da sra. Blair: ela foi para a cama com Tony no primeiro encontro, ainda que estivesse saindo com dois outros homens à mesma época. O filho mais moço do casal foi concebido porque ela considerava que levar camisinhas ao palácio de Balmoral, uma das residências da rainha, na Escócia, não seria uma boa idéia, dada a possibilidade de que os criados abrissem suas malas e ficassem chocados.

E assim por diante. Essa imagem de “bater no peito” é, claro, uma invocação bíblica. Em Jeremias, 9:17, ela invoca mulheres que são pagas para expressar pesar.

Muito apropriado à situação atual da sra. Clinton. Mas, em Isaías, 32:12, “batei no peito” é pretendido como estímulo ao crescimento de vinhas frutíferas, o que parece mais apropriado à sra. Blair, caso suas memórias, como as da sra. Clinton, venham a se tornar um best-seller.


KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna. FOLHA DE SÃO PAULO
Tradução de PAULO MIGLIACCI

21/08/2007 - 13:09h Propalando mexericos e mentiras (ilustrando artigo de Claudio Lembo)

tal

“Rien n’est jamais gratuit.” Confucius

21/08/2007 - 12:20h "Os criadores de fofocas, podiam obter bons empregos. Subir na hierarquia social. Colocar-se em posição de relevo"

O mal de todos
Terça, 21 de agosto de 2007, 09h22
Claudio Lembo

Reprodução

O Concilio de Trento: Quando a fofoca ganhou força no Ocidente
 
 

Existe um hábito tão entranhado em nosso cotidiano, que sequer é percebido nas relações diárias. Este hábito alcança graus assustadores nas esferas políticas.

Parece um complexo psicológico coletivo. Ou ainda mais. Uma deformação de caráter que atinge a todos. É grave. Possui raízes históricas profundas. No Ocidente, surgiu nos escaninhos da Idade Média e tomou corpo com o Concílio de Trento, lá no longínquo ano de 1563.

Esta doença social abate-se sobre todos, sem distinção. Acentua-se em determinados segmentos. Quanto mais diferenciada a pessoa, maior a incidência. A endemia é contagiosa e devastadora.

Importante é expor, de pronto, esta enfermidade social. Ao torná-la pública, indicando suas causas, certamente, pode-se minorar os efeitos da praga nascida tão distante no tempo e tão presente no nosso dia-a-dia.

Trata-se do disse-me-disse, a bisbilhotice. Ou mais claramente, o mexerico. Enfim, a fofoca, hábito nacional tão popular quanto o próprio futebol. Duas pessoas se encontram. De pronto, uma terceira sofre maledicência.

A endemia é violenta. Por vezes, transforma-se em epidemia. Agride imagens plasmadas em muitos anos. Em segundos, destrói reputações. Fere a honra e os traços marcantes de diferentes personagens.

Encontra-se presente em todas as partes. É universal. Do balcão do mais singelo dos bares à mesa sofisticada do mais exclusivo restaurante sempre surge a fofoca. Ela alimenta as refeições.

Não se encontra ausente do gabinete do qualificado executivo e muito menos do espaço da mais modesta micro empresa. À foca, por vezes, dá-se o nome de informação privilegiada. Paga-se até para conhecê-la.

A maledicência possui origem remota. Nos costumes brasileiros, ingressou por intermédio dos colonizadores ibéricos. Vale o diagnóstico para a América espanhola, portanto.

Ao chegarem, os ibéricos traziam em suas caravelas, além da pólvora, os princípios inquisitoriais. Delatar, captar verdades ou inverdades, transmiti-las aos agentes da Inquisição constituía-se em procedimento exemplar.

Os autores das delações, os criadores de fofocas, podiam obter bons empregos. Subir na hierarquia social. Colocar-se em posição de relevo. Participar do butim. Levar vantagem.

Tão próprios da cultura latino-americana, estes traços se vinculam diretamente à Inquisição, este tribunal religioso que deformou as consciências. Alterou a convivência entre pessoas, gerando dor e profundas angústias.

Na América portuguesa, jamais se instalaram Tribunais do Santo Ofício da Inquisição, como aconteceu na América espanhola. Mas, as conseqüências das atividades dos agentes inquisitorias repercutiram de maneira comum.

Os visitadores do Santo Ofício percorreram o espaço português da América meridional. Iam em busca de infiéis e de heréticos. De passagem, arrecadavam patrimônios. Destruíam famílias. Agrediam culturas.

Como herança, os visitadores deixaram a prática da delação. Com o fim da Inquisição, no primeiro quartel do século XIX, restou o habito da maledicência. De captar meias verdades e transformá-las em fatos notórios.

Em toda a América ibérica, preservou-se esta forma anômala de expor fatos e acontecimentos. Sempre recolhidos a partir dos desvãos das casas. Sempre mediante o uso de insídias.

Fala-se mal de tudo e de todos. Proclama-se a imperfeição. Um niilismo insano assume todas as situações. Coroe todas as conquistas. Nada vale. Tudo torna-se frágil. Descartável.

Esta forma de agir gera uma depressão coletiva. Uma exaustão sem paralelo. Leia-se as últimas entrevistas reproduzidas pelos meios de comunicação. Retratam enfado ilimitado. Uma descrença generalizada.

Importante romper este ciclo maléfico. As causas encontram-se em nosso passado comum. A Inquisição criou medos e privilégios. Vitimou pessoas e costumes. Gerou esta vontade indomável de praticar maledicência. Levou ao complexo de culpa.

A prioridade zero da América ibérica vai além de romper os obstáculos econômicos. Precisa vencer a prática autofágica do falatório. Ai vai dar certo. O difícil é cortar a língua.

TERRA MAGAZINE

Cláudio Lembo é advogado e professor universitário. Foi vice-governador do Estado de São Paulo de 2003 a março de 2006, quando assumiu como governador.

Fale com Cláudio Lembo: claudio.lembo@terra.com.br