08/10/2009 - 12:24h Ciro diz que Serra joga no “tapetão”

Curiosidade jornalística: A Folha publicou ontem matéria informando que o PSDB quer tirar o mandato de Ciro. Perguntado sobre o assunto, Ciro disse que Serra joga no “tapetão”. O artigo da Folha “constata”: “é a segunda vez que Ciro ataca Serra”.
E eu que pensava que Ciro estava se defendendo do ataque tucano…LF

http://www.brasilwiki.com.br/fotos/noticia_14782.jpghttp://ideianobolso.files.wordpress.com/2007/06/serra_fuzil.jpg

Em SP, governador diz que nunca ouviu falar da ideia de tirar mandato de deputado em razão de mudança de domicílio

Advogado do PSDB afirmou que transferência deixa o CE com um deputado a menos; pré-candidato do PSB diz que argumentação é “disparate”

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA REPORTAGEM LOCAL

Deputado federal e pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PSB-SP) criticou ontem o governador de São Paulo e também pré-candidato, José Serra, pelo fato de o PSDB estudar uma maneira de retirar seu mandato na Câmara dos Deputados.
Ciro classificou a intenção do PSDB como “um disparate” e “patética”. E disse ainda: “Isso revela como o Serra gosta de enfrentar os seus adversários nas eleições, sempre no tapetão”. Questionado se ele achava que essa era uma ideia do próprio governador, respondeu ironicamente: “Não, o Serra não tem nada a ver com isso, aliás, ele nunca tem”. O deputado também disse acreditar que a pretensão tucana “não vai dar em nada”.
Em São Paulo, Serra disse que “nunca ouviu falar” da proposta do PSDB de tentar suspender o mandato de Ciro e que é contra a ideia.
“Acho que é fofoca”, disse Serra. “Acho que não é necessário. Nunca ouvi falar disso, também não seria a favor. Deixa todo mundo que quiser ser candidato, que quiser falar, mudar domicílio, não mudar. Que cada um faça o que bem entenda a esse respeito”, afirmou o governador paulista.
Segundo reportagem da Folha de ontem, a tese sustentada pelo advogado Ricardo Penteado -responsável pela assessoria jurídica de campanhas do PSDB- é a de que Ciro está sujeito a perder o mandato por ter transferido o seu título eleitoral do Ceará para São Paulo.
Para os tucanos, o Estado do Ceará, que elegeu o deputado, perdeu um representante, passando de 22 para 21 deputados. Pela tese, Ciro poderia disputar o governo de São Paulo, mas sem o mandato na Câmara. A intenção é explorar o assunto, ao menos para indispor Ciro com o eleitorado do Ceará.
Essa é a segunda vez em poucos dias que Ciro ataca o seu desafeto político José Serra. Há alguns dias, o deputado disse que o governador “era feio para caramba, mais feio na alma do que no rosto”.
Ontem, ao ser questionado sobre a decisão do PT paulista de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e construir uma candidatura própria ao governo de São Paulo para 2010, Ciro não quis responder.
(MARIA CLARA CABRAL E FERNANDO BARROS DE MELLO)

30/09/2009 - 09:16h Chalita acusa governo estadual de ter descontinuado seus projetos na área de educação

[chalita34.jpg]
Ciro Gomes sobre Chalita: “Conheço o ramo. Ele pode desestabilizar esse conservadorismo de 16 anos”


PSB filia Gabriel Chalita em ato anti-Serra


Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

Numa reunião que contou com a presença de petistas, a filiação do vereador paulistano Gabriel Chalita, ex-PSDB, ao PSB, transformou-se ontem em um ato contra o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). As críticas foram puxadas pelo seu mais novo integrante e tiveram como principal alvo a gestão da educação no Estado, que entre 2002 e 2006 teve à frente o próprio Chalita. O pré-candidato a presidente da legenda, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), reforçou os ataques, com discurso de candidato a presidente em 2010.

“Durante minha gestão, não tivemos uma greve no magistério. A evasão foi a mais baixa da história. E o currículo foi incrementado com a participação dos professores. Aí está uma diferença básica. Eu respeito os professores. Não coloco neles a culpa pelos eventuais fracassos. Culpados são os maus gestores por destruírem políticas públicas, por não terem a humildade de dar continuidade ao que dá certo. Pelo personalismo hediondo tão mesquinho daqueles que pouco entendem de ética”, disse Chalita em longo discurso.

Depois, afirmou que um dos motivos por que deixou o partido foi a falta de espaço para debater a educação. “A minha lamentação no PSDB é que eu faço um projeto nacional, e no meu partido essas teses não eram nem discutidas. Queria, por exemplo, convencer que a escola em tempo integral é um bom caminho e eu não tinha esse espaço”

Criticou ainda que os métodos do governador paulista na política. “Basta fazer qualquer movimento de saída partidária que vem uma quantidade de blogs te destruindo com coisas que a gente não sabe de onde vem. Tem gente que diz que é o Serra quem faz. Na política, a gente deveria parar de usar o subsolo. Serra não é um político que admiro.”

Filiado por quase 20 anos ao PSDB, foi o vereador mais votado em São Paulo em 2008, com 102 mil votos. Entretanto, por pertencer ao grupo político do ex-governador e atual secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, não encontrou espaço no partido para postular o Senado. Aceitou, então, a ida ao PSB sob essa condição. Foi recebido com fogos e escola de samba em um amplo e lotado auditório no Sindicato dos Eletricitários, no bairro da Liberdade, centro da capital paulista.

A assessoria da Secretaria da Educação disse ontem que as críticas de Chalita são infundadas, na medida em que não houve descontinuidade de projetos da gestão anterior e que há políticas de valorização e incentivo ao professor sendo tocadas pelo atual secretário, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza.

Antes do discurso de Chalita, Ciro fez um discurso com nuances de candidato a presidente, que passou pela política e economia nacional e internacional. Sobre Chalita, disse que o novo correligionário é o símbolo do que o país precisa na política: “Um jovem que resolveu botar a mão na massa” e que “sem dúvida tem grande futuro na política de São Paulo e do Brasil”. “Conheço o ramo. Ele pode desestabilizar esse conservadorismo de 16 anos, que é razoavelmente bem avaliado mas pelo qual ninguém morre de amores”, disse Ciro, que chegou a mencionar Chalita como possível candidato do PSB ao governo do Estado.

Mas foi nos ataques a Serra, seu provável adversário em 2010, que Ciro, foi mais incisivo. “Ou o senhor José Serra é a volta da turma do presidente Fernando Henrique ou não é. Ele foi ou não foi ministro do FHC em dois mandatos, que tiveram o definhamento consistente da massa salarial em relação ao PIB, do crédito, o desfinanciamento dos investimentos em serviços públicos”, disse, afirmando em seguida que o país corre risco com a candidatura Serra. Em relação a si, disse: “Batam no mensageiro mas por favor prestem atenção na mensagem”.

Ciro reafirmou sua intenção de se candidatar a presidente, embora o partido pretenda definir isso no início do ano. Há a possibilidade de que ele transfira seu domicílio eleitoral para São Paulo, deixando em aberto a possibilidade de disputar o governo paulista. Uma reunião que ocorreria ontem e foi adiada para a manhã de hoje entre dirigentes do PSB deve debater essa transferência. Enquanto a decisão final não ocorre, Ciro se coloca como candidato e o PSB se movimenta para filiar o maior número possível de pré-candidatos com visibilidade a cargos proporcionais . Isso ocorre principalmente em São Paulo, onde pretende montar palanque para enfrentar o PSDB.

Anteontem, a reitora da USP, Suely Vilela, foi umas das que assinaram a ficha de filiação. Primeira mulher a assumir a reitoria da universidade, assumiu o cargo em novembro de 2005, durante a gestão Alckmin. Foi no governo Serra, porém, que enfrentou crises que desgastaram sua relação com o atual governador, como a ocupação da reitoria e greve de professores. Em conversa ontem com o Valor, disse que até deixar o cargo, em novembro, irá contribuir com plataformas educacionais para o partido. A decisão sobre uma possível candidatura ocorrerá depois. Afirmou se filiar ao PSB por acreditar nos ideais de “justiça, igualdade e participação” da sigla e que “a universidade é apartidária”. Sobre sua relação com o governador, disse que “Relação entre universidade e governo é sempre cordial”.


“É o maior fato político e eleitoral”, diz petista

“É o maior fato político e eleitoral do semestre. Muda a realidade em São Paulo e contribui para alterar a realidade nacional. Com Chalita entre nós, podemos apresentar a São Paulo algo para darmos um salto a frente.” As palavras foram ditas ontem pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza, na cerimônia de filiação do ex-tucano Gabriel Chalita ao PSB, um dos principais partidos da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Vaccarezza era mais um dos petistas presentes e entusiasmados com a adesão do ex-secretário da Educação do então governador Geraldo Alckmin (PSDB) à base aliada federal. Ao seu lado na mesa estava o presidente do PT paulista, Edinho Silva, que postou no twitter, ao deixar o ato: “Saindo do ato de filiação do Chalita ao PSB, muito representativo e com muita força política. O projeto do governo Luiz Inácio Lula da Silva ganha mais força social.” Outros dois vereadores petistas compareceram: José Américo e João Antonio.

Antes do ato, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) comemorava, também pelo twitter: “Daqui a pouco o vereador de SP Gabriel Chalita deixa o PSDB e se filia ao PSB passando a apoiar o governo Lula e seu projeto de nação.”

Essa aproximação contraria o histórico da relação do PT com o vereador paulistano. Enquanto esteve no PSDB, Chalita era um dos alvos preferidos dos petistas paulistas.

Em 23 de setembro de 2008, o líder da bancada do PT, Roberto Felício, protocolou nos Ministérios Público Estadual e Federal pedido de investigação sobre possível irregularidade na evolução do patrimônio de Chalita. Em março de 2006, a bancada petista protocolou um pedido de “CPI do Chalita”. Queria verificar a cessão de uma fazenda de 87 hectares para a rede de Comunicação Canção Nova, onde o então secretário de Educação de Alckmin tem um programa.

Em outubro de 2005, a Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia, liderada pelo PT, aprovou a convocação de Chalita para prestar esclarecimentos sobre a existência de 200 vans e micro-ônibus destinados ao transporte escolar que estariam paradas no pátio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. (CJ)

Comentário LF

Não sei se Vaccarezza exagera quando afirma que a filiação de Chalita “É o maior fato político e eleitoral do semestre”, é possível que seja exagerado mesmo.

A Folha, ao que parece, está convencida que a afirmação do líder do PT é um exagero. Por isso dedica ao fato um espaço reduzido.

A cobertura da Folha se resume hoje a ecoar crítica de Alckmin a Chalita, no Painel, e a uma foto legendada delatando Ciro por fumo em lugar proibido.

Ciro_fuma

Painel

RENATA LO PRETE – painel@uol.com.br

Alckmin sobre Chalita

No dia em que seu ex-pupilo Gabriel Chalita se filiou ao PSB e subiu o tom dos ataques a José Serra, Geraldo Alckmin resolveu romper o silêncio sobre o assunto. “Ele deveria ter continuado no PSDB. Respeito sua decisão, mas não concordo com suas críticas”, afirma o ex-governador, atual secretário do Desenvolvimento e líder isolado nas pesquisas sobre a sucessão no Palácio dos Bandeirantes.
“Primeiro, porque o Serra sempre foi nosso aliado e sabe que pode contar comigo”, diz Alckmin. “Segundo, porque o povo aprova e quer a continuidade do governo do PSDB em São Paulo. Assim como, mostram as pesquisas, quer uma nova Presidência tucana.”

Claque.
Os petistas Cândido Vacarezza, Edinho Silva, José Américo e João Antonio prestigiaram a filiação de Chalita. Depois, os dois últimos levaram o neoaliado almoçar.

16/09/2009 - 13:49h Petrobras defende o marco regulatorio proposto pelo governo

Pressa e desinformação: carta a Folha de S.Paulo

Com relação às notas  Pressa 1 e Pressa 2, publicadas na coluna Painel da Folha de S.Paulo em 15/9, a Petrobras esclarece que não tem qualquer intenção de mudar as regras do modelo regulatório proposto pelo Governo Federal. Também não está apoiando iniciativa de apresentação de emendas à proposta. Portanto, não é verdadeira a informação de que a Companhia fez um ”alerta” ao relator do projeto que estabelece o regime de partilha. A Petrobras reitera que cumprirá todas as normas do modelo aprovado pelo Congresso Nacional.

Blog da Petrobras

02/09/2009 - 09:09h Editoriais da Folha e do Estadão endosam posição de Serra e da oposição no pré-sal

Editoriais

editoriais@uol.com.br

Folha de São Paulo

Petróleo na urna

Governo tenta atropelar Congresso com proposta inconvincente de marco regulatório, repleta de armadilhas estatistas

CONSUMOU-SE , na explicitação dos projetos do Planalto para o pré-sal, a revanche contra a abertura do mercado e contra a quebra do monopólio da Petrobras, efetivadas na década passada. A antecipação do calendário eleitoral, motivada pela iniciativa do presidente Lula de viabilizar a candidatura Dilma Rousseff, atropelou o interesse público.
Propor a tramitação em 90 dias, no regime de urgência constitucional, de um programa que subverte todo o modelo de exploração, tributação, concorrência e partilha de recursos fiscais em curso -e que, além disso, exige emissão de mais R$ 100 bilhões em dívida pública, o equivalente a dois meses de arrecadação federal- é um acinte.
O governo federal e a Petrobras, que passaram 14 meses confabulando para chegar à sua proposta, não são os únicos interessados na discussão. A mudança afeta toda a sociedade, detentora das riquezas do subsolo. A tramitação dos quatro projetos de lei pelo Congresso é a oportunidade de dar a Estados, municípios, trabalhadores, consumidores, empresários, ambientalistas e técnicos o tempo que for necessário para que se façam ouvir.
A precipitação de Lula chega a ser ridícula diante do fato de que não se sabe, com o mínimo de segurança, qual a dimensão da renda petrolífera que se quer, desde já, dividir. A que ponto a província do pré-sal vai elevar as reservas recuperáveis de petróleo do Brasil, hoje em 14 bilhões de barris? A que custo de extração?
Na falta de mapeamento da região de 149 mil km2 (equivalente à área do Ceará), campeia uma incrível dispersão de palpites. De 30 bilhões de barris a 300 bilhões de barris, vai uma diferença oceânica. No primeiro caso, o Brasil apenas administraria pelas próximas décadas a autossuficiência energética já obtida; no outro, seria alçado à condição de potência exportadora.
Em vez de mapear as riquezas antes -até para convencer o público de que seria preciso mudar o modelo-, o governo passou diretamente à fase seguinte. A urgência eleitoral prevaleceu e deu passagem a propostas estatistas de fazer inveja aos “desenvolvimentistas” da ditadura militar.
Na partilha de produção, o governo divide o lucro da empreitada, na forma de óleo, com o consórcio empresarial contratado para explorar os campos. Mas, para chegar ao lucro, é preciso definir antes os custos de cada empreendimento específico, o que não é trivial numa atividade complexa e intensiva em capital como a petrolífera.
O governo cria, então, a Petro-Sal para controlar os custos de cada campo, entre outras funções -como cuidar dos trâmites de comercialização do óleo estatal- que deveriam ser eminentemente técnicas. Capaz de influir em decisões empresariais básicas, caso da contratação de fornecedores, e sujeita a controle político do governo de turno e de sua sempre notória “base aliada”, a Petro-Sal seria uma porta escancarada para corrupção, negociatas e privilégios.
Outro ponto vulnerável à politização e à má alocação de recursos, bem como à acomodação típica dos monopólios, é a regra que torna a Petrobras parceira obrigatória da União em todos os campos do pré-sal, com participação mínima de 30%. Dispensada da concorrência, terá no entanto de participar mesmo das empreitadas as quais o cálculo frio recomendaria recusar.
O poder discricionário do Executivo amplia-se também por outros meios. Mesmo fora do pré-sal, onde continuam valendo as regras da concessão -empresas disputam livremente o direito de exploração num processo licitatório, e vence a que oferecer o maior lance-, o governo poderá intervir. Basta que considere, num simples decreto, a região como de “interesse para o desenvolvimento nacional” e ela será retirada da competição.
Além disso, o privilégio já oferecido à Petrobras poderá ser ampliado. A fim de preservar o “interesse nacional”, sem definir bem o que isso significa, o governo poderá contratar apenas a Petrobras, sem licitação, para operar determinados campos.
Até aqui o governo Lula não demonstrou que a sua proposta será capaz de assegurar os investimentos necessários para a exploração das novas jazidas petrolíferas. Tomando-se os “chutes” mais conservadores acerca do potencial do pré-sal, não é difícil que essa cifra ultrapasse meio trilhão de dólares -ou 30% do PIB-, diluído ao longo dos anos. O modelo de concessões oferece uma resposta satisfatória a esse problema, pois amplia as fontes de investimento, por meio de uma competição de escala global, e propicia antecipação de receitas ao governo.
A experiência mundial, decerto, mostra que modelos não são decisivos para o sucesso de um país na exploração do petróleo; por vários caminhos e ajustes se chega a um bom arranjo. O fundamental é o governo ampliar, por meio de tributação ou dispositivos análogos, a sua participação na renda gerada pela atividade -e ser proibido, por lei, de torrar os recursos em despesas de custeio. Dadas a rarefação de parâmetros técnicos e a falta de definições que prevalecem na proposta do Planalto sobre o pré-sal, nem isso está garantido.
Por ora, o “passaporte para o futuro” anunciado pelo presidente Lula pouco se distingue de um panfleto eleitoral que já chega embolorado -tal o grau de dirigismo, privilégios e distorções nele estampados.

 ***

Editorial O Estado SP

O palanque do pré-sal

 


Parecia um clipe da propaganda do presidente Lula no horário eleitoral de 2006 – e será uma cena recorrente da propaganda da sua provável candidata Dilma Rousseff na sucessão de 2010. Para isso, exclusivamente para isso, é que foram concebidos os rombudos ataques do presidente às inovações adotadas por seu antecessor na política do petróleo, com que ele degradou o comício de apresentação dos projetos que compõem o marco regulatório para a exploração do pré-sal. Não seria de esperar, evidentemente, que Lula reconhecesse os avanços para a economia nacional proporcionados pelas mudanças na Lei do Petróleo, de 1997, que flexibilizou o monopólio exercido pela Petrobrás e instituiu no setor o sistema de concessão – a começar do salto de qualidade no desempenho da empresa, o que, em última análise, tornou possíveis as descobertas das jazidas em águas ultraprofundas do litoral brasileiro.

Um outro presidente poderia até defender a guinada nas regras para o pré-sal, sem, no entanto, ofender a verdade dos fatos acumulados ao longo desse último decênio. Os argumentos para justificar o novo modelo não se sustentariam do mesmo modo – o restabelecimento do monopólio estatal é um retrocesso por onde quer que se o encare -, porém o orador teria se poupado de assacar uma ignomínia. Mas, para Lula, no palanque vale tudo – e tudo para ele é palanque. Daí o golpe baixo retórico de acusar o governo Fernando Henrique de tratar a Petrobrás como “uma herança maldita do período jurássico” ou como “o último dinossauro a ser desmantelado no País”. Na disputa do segundo turno de 2006, o lulismo fabricou a enormidade de que o candidato tucano Geraldo Alckmin pretendia privatizar a Petrobrás. Em 2010, o mote será o advento da Idade de Ouro do Brasil, graças ao pré-sal da Petrobrás salva da extinção.

A fala de Lula, quanto não mais não fosse, deixou claro que o jogo pesado eleitoral e a exumação da ideologia estatista são faces da mesma moeda. A ansiedade com que o governo quer ver aprovadas as normas para a exploração das megarreservas – cujos frutos não serão colhidos antes do final da próxima década – tem duas origens que se encaixam e explicam a imposição da chamada “urgência constitucional” para a tramitação da matéria no prazo de 90 dias. De um lado, o intento de propagar, já no início oficial da campanha do próximo ano, que Lula e Dilma deixaram tudo pronto para o País receber “o bilhete premiado” do pré-sal, numa exploração deslavada do sentimento de brasilidade da população, equiparando desonestamente patriotismo e nacionalismo. De outro lado, a pressa se explica pela aversão ao risco político: quanto menos tempo tiver o Congresso para aprovar o pacote petrolífero, maior a possibilidade de passar incólume o que as propostas têm de essencial e mais nefasto: o restabelecimento do monopólio estatal na exploração do recurso.

A Petrobrás será a única operadora do pré-sal. Terá no mínimo 30% de participação nos consórcios com outras empresas. Poderá ser escolhida sem licitação para explorar com exclusividade os blocos mais fecundos – o “filé do pré-sal”. E receberá da União um aporte de R$ 100 bilhões para o governo ampliar o controle acionário que nela já detém. O plano de reestatização do setor é o que dá sentido à preferência pelo sistema de partilha de produção, em que o governo fica com a parte do leão do produto extraído. (No sistema de concessão em vigor, a concessionária escolhida em leilão fica com o óleo e paga royalties ao governo.) O modelo da partilha é uma criatura da ministra Rousseff – e, ao contrário do que ela quer fazer crer, não é o que a Noruega adota. Por sinal, um levantamento citado pelo colunista Jorge Vidor, do Globo, evidencia uma correlação alarmante: a partilha é típica dos países corruptos. Quanto menor o grau de percepção da corrupção em um país, maior a probabilidade de que, tendo petróleo, a sua exploração se dará por meio de contratos de concessão.

No seu discurso, Lula falou que a “dádiva de Deus” do pré-sal pode virar uma “maldição”, se não se souber administrar os seus proventos.

Estatizar a economia num país em que a privatização do Estado avança a galope – basta ser namorado da neta do presidente do Senado para obter um emprego público – é tornar o risco da “dádiva de Deus” virar maldição uma alta probabilidade.

26/08/2009 - 10:07h Everardo Maciel afirma que demissionários da Receita Federal atuam ligados a um projeto político

Everardo Maciel foi secretário da Receita Federal durante o governo FHC. Ele sabe do que fala e conhece o grupo liderado por Lina Vieira.

Coube ao jornal O Globo de publicar as informações e o ponto de vista de Maciel. A Folha em editorial, aponta com razão: “A oposição, que condenou a ascensão de Lina Vieira por representar um projeto de aparelhamento do fisco, agora trata os sindicalistas defenestrados como heróis do bem público.”

Já Elio Gaspari define o grupo de Lina Vieira como “servidores (que) preferiram defender seus nomes e os interesses do Estado.”

A seguir o artigo do jornal O Globo e artigo da Folha SP sobre a briga na Receita Federal

receita_federal.jpg
Leia a integra do artigo no jornal O Globo
ANÁLISE
Desavenças no fisco não têm sinal de trégua
LEANDRA PERES – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, tirou da cúpula do fisco alguns sindicalistas levados pela ex-secretária Lina Vieira e trouxe a sua “nova equipe”. Todo o esforço será feito a partir de agora para mostrar que a crise causada pela demissão de 12 integrantes do mais alto escalão foi debelada. Mas o problema na Receita está longe de uma solução.
As divisões que dominam o órgão continuam se digladiando sem sinal de trégua. A briga pelo controle de uma máquina que arrecadou R$ 685 bilhões no ano passado, que tem poder de fiscalizar e multar todas as empresas e pessoas físicas do país, além de empregar 28 mil servidores está concentrada entre os auditores fiscais ligados à ala política do sindicato da categoria, o Unafisco Sindical, e os remanescentes da era Rachid/Everardo Maciel.
Durante quase 15 anos, a cúpula da Receita foi dominada pelo grupo que chegou ao órgão no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1995. Foi na gestão de Maciel que foram criadas as metas de fiscalização para cada auditor, que foi estabelecido o mandado de procedimento fiscal, documento que informa ao contribuinte o imposto e o ano que será alvo de fiscalizações.
No governo tucano, o Unafisco criticava essas medidas como restritivas à ação dos fiscais. Entre 1997 e 2007, o sindicato foi dominado por um grupo que defendia a atuação mais política dos auditores, exatamente aqueles que foram alçados à cúpula do órgão na gestão de Lina.
Alijados dos postos de comando, os sindicalistas se viram vitoriosos em julho do ano passado, quando o ministro Guido Mantega (Fazenda) demitiu Jorge Rachid. Com Lina e respaldo irrestrito do gabinete de Mantega, chegaram aos postos de comando e colocaram em prática as suas ideias.
O sistema de metas de fiscalização foi alterado e o tempo médio a ser gasto pelos auditores nas fiscalizações aumentou. O objetivo era focar a fiscalização nos grandes contribuintes.
Com a demissão de Lina, a reação do grupo tomou a forma de rebelião. O nome indicado pelo ministro para secretário foi vetado e os superintendentes chegaram a sugerir publicamente nomes para a sucessão.
Mantega, que se aliou aos sindicalistas para derrubar o grupo de Rachid, que considerava muito refratário às demandas do Ministério, está agora no meio de um tiroteio. Seus ex-neoaliados no sindicato estão insatisfeitos e seus antigos desafetos assistem à queda na arrecadação e apostam que serão chamados de volta.

22/06/2009 - 12:05h Luz para todos, incluso para o jornal VALOR

http://4.bp.blogspot.com/_IK6RCryEdYY/SZ8ZIjj0SLI/AAAAAAAAE2c/RFLF8D3U-2Y/s400/homem_lampada_portugal_porreiro.jpg

O programa Luz para todos continua a ser objeto de apresentação distorcida em alguns jornais. Já falei disto em Luz para todos, incluso para a Folha; ontem o ombudsman da Folha escreveu sobre o assunto:

“Na segunda, uma chamada da capa do jornal foi sobre o programa Luz para Todos, do governo federal, que visa dar acesso à luz elétrica a 3 milhões de domicílios até o final de 2010.
Segundo a reportagem, foi contemplado 1,8 milhão de famílias até 2008 e será atendido mais 1,1 milhão neste ano e no ano que vem. Restarão 168 mil casas, pouco mais de 5% do total.
O título da chamada e a manchete da página A4 destacaram o descumprimento da meta, mas não que ele representa porcentagem relativamente pequena dela.
Sem contar que as coisas podem mudar até 2010 e as 168 mil famílias podem ser incluídas, o destaque para o não cumprimento integral do projeto induz à conclusão de que se tentou ser crítico demais por motivo de menos. (…)”

Hoje, a carta de Furnas volta ao assunto no jornal VALOR

Carta publicada hoje pelo jornal VALOR

Furnas

“Em relação à matéria publicada na edição de 19/06 do Valor (’Luz para Todos deixará 168 mil sem energia’), Furnas esclarece que: 1) A execução do programa Luz para Todos encontra-se rigorosamente dentro da normalidade diante das metas estabelecidas por resolução Normativa da Aneel para o período 2009/2010. Na região sob coordenação de Furnas (região Sudeste e estado de Goiás), as metas foram ultrapassadas em 123%; 2) A declaração do diretor-presidente Carlos Nadalutti Filho ilustra a natureza dessas ligações adicionais: são pontos não mapeados nos levantamentos anteriores feitos para o programa Luz para Todos e que surgem com o passar do tempo. Por essa razão, tais pontos evidentemente não faziam parte do planejamento das obras do programa, e por isso serão objeto de atendimento posterior; 3) Lamentamos a preferência por dar-se destaque a um resíduo que equivale a pouco mais de 1% do total de pessoas já atendidas pelo Luz para Todos, ao invés de divulgar-se a verdadeira revolução proporcionada pelo programa na vida dos dez milhões de brasileiros já beneficiados.”

Carlos Nadalutti Filho – Diretor-Presidente de Furnas Centrais Elétricas

16/06/2009 - 11:49h Luz para todos, incluso para a Folha

http://4.bp.blogspot.com/_IK6RCryEdYY/SZ8ZIjj0SLI/AAAAAAAAE2c/RFLF8D3U-2Y/s400/homem_lampada_portugal_porreiro.jpg

O Programa do governo federal que leva a luz para todos os que até hoje não tem acesso, e que não eram poucos até Lula ser eleito presidente, já atingiu 10 milhões de pessoas.

10 milhões que agora têm luz e antes desconheciam a rede elétrica. 10 milhões que saíram das trevas. Uma das maiores conquistas da cidadania realizadas pelo governo Lula, junto com o Bolsa-família e o ProUni, para mencionar os mais conhecidos.

Pois bem, a Folha dedicou uma matéria ao programa e seu título anunciava: “Meta do Luz para Todos em 2010 não deve ser atingida”. A matéria indicava que 168 mil domicílios seriam deixados de fora do programa. Hoje o jornal pública carta que corrige a informação.

O esclarecimento, em se tratando de luz, é bem-vindo. À informação veiculada obscurecia a compreensão sobre a abrangência do programa e seu êxito. A iluminação serve, incluso aos leitores do jornal. LF

http://luzparatodos.mme.gov.br/luzparatodos/images/luz_banner_03.jpg

PAINEL DO LEITOR

O “Painel do Leitor” recebe colaborações por e-mail (leitor@uol.com.br), fax (0/xx/11/3223-1644) e correio (al.Barão de Limeira, 425, 4º andar, São Paulo-SP, CEP 01202-900). As mensagens devem ser concisas e conter nome completo, endereço e telefone. A Folha se reserva o direito de publicar trechos.

Luz para Todos
“Diferentemente do que informou o texto “Meta do Luz para Todos em 2010 não deve ser atingida” (Brasil, ontem), não existem domicílios excluídos do Programa Luz para Todos -e as metas de atendimento estão na Resolução nº 365 da Aneel, exposta a consulta pública de 12 a 31 de março de 2009.
Os números baseiam-se em informações das concessionárias de energia elétrica e foram ratificados em audiência pública presencial realizada em 1º de abril de 2009.
Portanto, os números oficiais de atendimento são os da resolução.
O programa beneficiou, até maio deste ano, 10 milhões de pessoas.
O MME reafirma o compromisso de atingir plenamente, até dezembro de 2010, a meta do Programa Luz para Todos estabelecida na Resolução nº 365, para cujo alcance dispõe dos necessários recursos.”
ANTÔNIO CARLOS LIMA, assessor especial de comunicação do ministro de Minas e Energia (Brasília, DF)

Resposta do jornalista Eduardo Scolese – A informação de que 168 mil domicílios estão fora da meta do Luz para Todos é das concessionárias e dos comitês gestores do programa.

19/04/2009 - 09:16h O conto do vigário na Folha de domingo

Domingo é o dia em que os jornais têm maior número de leitores. Por isso, no domingo o espaço para publicidade é bem maior.

Mas na Folha de hoje a publicidade acabou ocupando boa parte do caderno cotidiano, só que disfarçada de reportagem.

Todo leitor deste blog, ou de qualquer jornal paulista, sabe que neste momento está em discussão na Câmara Municipal um novo projeto apresentado por Kassab para a Nova Luz. O tema foi objeto de um editorial do jornal O Estado de São Paulo muito esclarecedor. As propostas de Kassab provocaram manifestações dos lojistas da Santa Ifigênia. Várias reportagens mostraram a persistência da Cracolândia e também o abandono do projeto de revitalização do Centro iniciado por Marta Suplicy. Outras falaram das multas que a Prefeitura de Kassab paga por não ter utilizado o dinheiro do BID e abandonado o projeto de reabilitação.

Um item bastante discutido na questão da Nova Luz é o da construção de moradias populares, que no projeto inicial apenas se era contemplada e que agora poderá, se a oposição conseguir impôr isto na lei, abranger 40% da área destinada ao projeto.

Pois bem, todos estes assuntos são olimpicamente ignorados pela reportagem da Folha. Nem são mencionados, simplesmente inexistem nas páginas do jornal. O único ponto de vista presente em quase todos os artigos é o da administração Kassab.

A reportagem começa com uma piada que me faz rir ainda agora, enquanto escrevo esta nota. “A revitalização do centro de São Paulo, projeto de maior visibilidade do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para sua segunda gestão, pode emperrar por causa das restrições da legislação municipal que dificultam a aprovação de empreendimentos imobiliários na região.” Assim começa e o resto é desse nível. Outro artigo leva como título: “Plano é principal bandeira do segundo mandato de Kassab”; outro tem como manchete: “Centro terá mais opções culturais com revitalização”.

Nenhuma pergunta “incomoda” passou pela cabeça do repórter, como por exemplo “porque o São Vito ou treme-treme esta há cinco anos sem que nada aconteça?”; ou “porque na Nova Luz era previsto só cento e poucos apartamentos para moradia, a lei impedia mais?”; ou “Quando serão construídas as garagens públicas para o Mercado Municipal”; ou “porque a prefeitura acabou pagando multa para o BID”?

Mas talvez a mais importante das perguntas, pela ótica do tema tratado pelas reportagens é, porque nenhum representante das mais de 150 entidades unidas na oposição ao projeto de revisão do Plano Diretor foi ouvido? Nenhum representante da oposição, nenhum representante das associações de moradia, de comerciante ou a própria entidade pro-centro?

Não é a “lei que emperra revitalização e ocupação na região central” como afirma taxativamente a manchete da Folha e sim uma política dirigida à especulação imobiliária e a vontade de apagar o trabalho feito pela administração anterior.

Talvez o jornal de segunda, aquele de menor número de leitores, traga alguma forma de compensação para a reportagem chapa-branca da edição de domingo, a do maior número de leitores. Talvez sim, talvez não. A de hoje é um insulto a inteligencia do leitor, ao jornalismo isento e seguramente também ao Manual da redação da Folha. Reproduzo a seguir o ponto de vista de Kassab transmitido via Folha, para que os leitores do blog, os urbanistas, os ativistas das questões do centro, as entidades etc. possam debater; também reproduzo no final, novamente, o editorial do jornal O Estado SP sobre o assunto.

Boa leitura e bom domingo.

Luis Favre

http://ipt.olhares.com/data/big/56/565263.jpg

Vista do São Vito ou Treme-treme. A cinco anos projeto de revitalização está parado

Lei emperra revitalização e ocupação na região central

Mercado reclama de excesso de exigências para liberar novos prédios residenciais construídos no centro em cinco anos

Prefeitura diz que recuperação e adequação de imóveis antigos é uma alternativa para atrair moradores de baixa renda para o centro

Danilo Verpa/Folha Imagem
 

Um dos cinco prédios residencias (à dir.) construídos no centro de SP nos últimos cinco anos; burocracia atrapalha ocupação na região

EVANDRO SPINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

A revitalização do centro de São Paulo, projeto de maior visibilidade do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para sua segunda gestão, pode emperrar por causa das restrições da legislação municipal que dificultam a aprovação de empreendimentos imobiliários na região.
Especialistas apontam que só os investimentos públicos não resolvem: a revitalização do centro depende da ida de novos moradores para a área.
Os problemas apontados por empresários do mercado imobiliário são a legislação incompatível com os edifícios já existentes e as restrições impostas pelos órgãos do patrimônio histórico. A própria prefeitura admite que há necessidade de atualizar as leis, embora não abra mão das questões de segurança e de preservação do patrimônio histórico.
O problema começa na falta de áreas para novos empreendimentos. Há poucos terrenos disponíveis, muitos com problemas de documentação, pois envolvem inventários, dívidas tributárias, ações judiciais etc.
Quando se encontra um terreno sem problemas burocráticos, surgem as restrições do patrimônio histórico -os órgãos de preservação impõem limites para construções em áreas envoltórias dos cerca de mil bens tombados no centro.
Quando há um terreno livre de todos esses problemas, aparece a burocracia. Empresários do setor apontam que um projeto imobiliário no centro dificilmente demora menos de dois anos para ser aprovado devido ao trâmite nos órgãos do patrimônio. Em outras áreas da cidade, a aprovação leva em média seis meses.
“Tempo é fundamental, não dá para ficar com o dinheiro empatado. Quando você compra o terreno, precisa aprovar o projeto logo”, diz Fábio Adorni, diretor da Engelux, responsável por três dos únicos cinco prédios residenciais novos lançados no centro nos últimos cinco anos. O projeto desses condomínios, diz Adorni, levou dois anos para ser aprovado.
“Projetar no centro é quase um exercício de adivinhação. A legislação é muito complicada. Revitalizar o centro deveria ser um trabalho de mutirão entre todos os órgãos relacionados à questão”, afirma José Eduardo Tibiriçá, vice-presidente da Asbea (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura).
O próprio poder público sofre com isso. O Conpresp (conselho municipal do patrimônio) vetou um projeto da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), do governo do Estado, para construir dois prédios de apartamentos na região da cracolândia por excesso de altura.
O secretário municipal da Cultura, Carlos Augusto Machado Calil, concorda que a legislação precisa ser atualizada. Mas ele contesta a afirmação de que as restrições do patrimônio histórico inviabilizam as obras.
“No centro, o problema não é construir mais. O centro já está construído. Portanto, o mercado imobiliário não é muito importante. Aqui há muita edificação de qualidade que é preciso restaurar”, diz o secretário.
A restauração de edifícios antigos -chamada de retrofit- é a principal aposta da prefeitura para atender moradores de baixa renda que já moram no centro. No plano de metas para a atual gestão, Kassab promete atender 4.300 famílias em prédios recuperados na região, o que pode ser feito inclusive por empresas privadas com financiamento do governo federal.
“O mercado imobiliário tem interesse inclusive nos empreendimentos para as classes mais baixas, principalmente depois do plano Minha Casa, Minha Vida do governo federal. Mas a legislação municipal precisa nos permitir fazer as obras nessa região”, afirma Eduardo Della Manna, diretor de Legislação Urbana do Secovi (sindicato da habitação).
Arquitetos ouvidos pela Folha apontam que a adaptação de boa parte dos prédios do centro é inviável devido às exigências de segurança, acessibilidade e patrimônio histórico. Um exemplo é a obrigação de que o elevador chegue a todos os andares, impossível em prédios com subsolo construídos até a década de 1950.

Plano é principal bandeira do segundo mandato de Kassab

DA REPORTAGEM LOCAL

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) quer que a revitalização do centro cumpra, em seu segundo mandato, o mesmo papel que a lei Cidade Limpa cumpriu no primeiro: projeto de alta visibilidade e com forte agenda positiva para a administração municipal.
Para isso, o prefeito aposta em dois focos. O primeiro é aprovar o projeto de concessão urbanística, em fase final de discussão na Câmara Municipal, para transferir para a iniciativa privada o direito de desapropriar imóveis da região da cracolândia e construir ali um novo bairro.
O outro é fazer do centro um grande polo cultural. A região, que já conta com equipamentos como o Teatro Municipal e o Museu da Língua Portuguesa, deve ganhar ainda novos centros culturais, cinemas de rua e até uma escola de circo.
“O perfil do centro hoje é de cultura, educação e serviços. É isso que estamos estimulando”, disse o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo.

Cracolândia
Na Nova Luz -novo nome da região da cracolândia-, a prefeitura pretende instalar empresas de serviços nas áreas de tecnologia e comunicação. Há até incentivos fiscais já aprovados. Para o restante do centro, o estimulo é para escolas, faculdades e novos empreendimentos culturais.
Além disso, está sendo projetada a reforma do Vale do Anhangabaú. “Vai ser a grande praça da cidade”, disse o secretário da Cultura, Carlos Augusto Machado Calil.

Um editorial do Estadão que desnuda a “gestão” Serra-Kassab

A Nova Luz provoca polemica de tucano com o jornal O Estado SP

29/03/2009 - 12:00h Mas, porque a Folha Online derrapou? A pressa em colocar no ar informações inexistentes?

“Esta semana, na cobertura da Operação Castelo de Areia, a versão on-line da Folha deu uma derrapada feia, em decorrência de vícios estruturais dessa plataforma: a pressa em colocar no ar informações e a frouxidão dos controles.
Das 8h41 às 10h30 de quinta-feira, a terceira chamada da página inicial da Folha Online tinha um título errado (”PT pode ser investigado por doações da Camargo”), sem nenhuma base nas informações disponíveis. O erro, que não apareceu no jornal impresso, foi corrigido e o título mudado.
O rigor e o cuidado imprescindíveis no jornal impresso devem ser obrigatórios no eletrônico. As sociedades democráticas podem até sobreviver sem jornalismo de papel, mas sem jornalismo independente serão castelos de areia.”

Castelos de papel, tela e areia


Mais do que nunca, é preciso cuidar para que a qualidade sempre exigida no jornalismo impresso se mantenha no jornalismo eletrônico

OS TEMPOS são terríveis para os jornais impressos nos EUA e na Europa. A crise econômica acelerou o desgaste do modelo econômico dessa indústria nos países centrais do capitalismo e os efeitos são visíveis.
Na sexta-feira, circulou a última edição em papel do centenário e excelente “Christian Science Monitor”. Na quinta, o “New York Times” anunciou corte de 5% por nove meses no salário de quase todo o seu pessoal, mais um gesto extremo para tentar melhorar suas contas, e o “Washington Post” deu partida a processo de demissões voluntárias.
Na terça, quatro cidades do Estado de Michigan, inclusive Ann Arbor, sede da Universidade de Michigan, souberam que este ano ficarão sem nenhum jornal impresso porque o único em cada uma delas (todos pertencentes a uma rede) vai deixar de circular.
Semanas atrás, dois tradicionais títulos, o “Rocky Mountain News” e o “Seattle Post Intelligencer” haviam deixado de rodar e passado a operar só na internet.
A Federação Europeia de Jornalistas, em atitude clara de desespero, pediu aos líderes dos partidos no Parlamento Europeu que os governos salvem os jornais impressos, “pedra angular da democracia europeia”, segundo dizem no documento.
A administração Sarkozy, na França, já seguiu nessa direção com um pacote de 600 milhões de euros de socorro aos diários. Nos EUA, o senador Benjamin Cardin, democrata do Maryland, argumenta com seus pares que os jornais merecem tanto auxílio quanto os bancos.
Esse apelo ao Estado é um atentado contra o princípio essencial da independência, condição indispensável para o exercício do bom jornalismo. A sobreviver como apêndice de governos, é melhor perecer.
Apesar de todos esses indícios, e dos prenúncios sombrios para os jornais no mais recente relatório do “State of the News Media” (http://www.stateofthenewsmedia.org/2009/index.htm), o jogo ainda não está jogado nem lá nem muito menos aqui no Brasil.
Mas a tendência da migração do jornalismo do papel para a tela é irredutível, mesmo que as versões impressas se mantenham. Por isso, mais do que nunca, é preciso cuidar para que a qualidade sempre exigida no produto impresso se mantenha no eletrônico.
Esta semana, na cobertura da Operação Castelo de Areia, a versão on-line da Folha deu uma derrapada feia, em decorrência de vícios estruturais dessa plataforma: a pressa em colocar no ar informações e a frouxidão dos controles.
Das 8h41 às 10h30 de quinta-feira, a terceira chamada da página inicial da Folha Online tinha um título errado (”PT pode ser investigado por doações da Camargo”), sem nenhuma base nas informações disponíveis. O erro, que não apareceu no jornal impresso, foi corrigido e o título mudado.
O rigor e o cuidado imprescindíveis no jornal impresso devem ser obrigatórios no eletrônico. As sociedades democráticas podem até sobreviver sem jornalismo de papel, mas sem jornalismo independente serão castelos de areia.

25/03/2009 - 17:55h Aguardando o resto do Datafolha

A Folha SP está publicando parcelada a pesquisa Datafolha. Na sexta-feira passada foi a avaliação do governo Lula. No domingo e segunda, intenções eleitorais e hoje ranking de governadores.

Amigos tem me dito que é tudo o que a Folha publicará. Outros, ao contrário, dizem que nos próximos dias aparecerá o resultado completo da pesquisa, com a avaliação do governo Serra e até da administração Kassab.

Penso que se o Datafolha fez esses levantamentos, a Folha certamente os publicará, incluso os números da avaliação da gestão Kassab.

Por isso decidi aguardar a publicação completa da pesquisa para emitir uma opinião sobre seus resultados. LF

08/03/2009 - 11:23h Folha avalia que errou, mas reitera críticas

Folha de São Paulo

DA REDAÇÃO

O diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, divulgou ontem as seguintes declarações:

“O uso da expressão “ditabranda” em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis.

Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda.

A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, “de joelhos”, a uma autocrítica em praça pública.

Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam.”

Otavio Frias Filho

17/02/2009 - 17:57h Cresce a indignação

Filho de chocadeira

 

por Conceição Lemes,

Será que o jornalista Josias de Souza, colunista da Folha de S. Paulo, tem mãe, irmã, companheira, namorada, amiga? Será que ele as respeita? Será que as vê como seres humanos de verdade?

Bem, antes de responder, leia atentamente a manchete e o texto do primeiro item –Veneno –  da coluna de Josias, publicada ontem no seu blog no Uol. Veja a foto. Observe as palavras circundadas em vermelho por Eduardo Guimarães na denúncia que postou às 23h56, no Cidadania.com

bodega.gif

1. Veneno: No jantar oferecido por Marta a Dilma, na sexta (13), a candidata companheira comparou-se ao FHC da eleição de 1994.

Naquele pleito, empurrado pelo Real, o tucano voou de um ministério (Fazenda) para o Planalto, deixando pelo caminho um Lula que as pesquisas davam como favorito.

Pelo menos um grão-petista deixou o repasto com a impressão de que alguma coisa subiu à cabeça da presidenciável oficial do Planalto.

Lamentou que Dilma tenha apagado da memória o Serra de 2002, um tucano que também alçou vôo de um ministério (Saúde) e quebrou o bico.

De resto, o partidário cético de Dilma acha que, por ora, o PAC está mais para o programa de genéricos de Serra do que para o Real de FHC.

O que achou? Engraçadinho? Apenas uma brincadeira com as palavras? Ingênuo?

Pois para nós, não. Mais. Pelo menos, a impressão que passa é a de que Josias de Souza não tem mãe, irmã, companheira, namorada, amiga. Se as tivesse e as considerasse não faria um título e um texto rasteiros, com segundas intenções. E, considerando que o jornalista sabe manusear a língua portuguesa, não foi descuido. Foi má-fé. Desqualificação de gênero.

O seu objetivo é induzir o leitor a olhar Marta Suplicy e Dilma Rousseff como vadias e vagabundas. Vejamos:

1) Por que será que Josias colou o título geral do post e em seguida a foto e o texto sobre Marta e Dilma?  Ah, já sei; são do PT e, ainda, por cima mulheres. E o patrão dele odeia tudo o que diz respeito ao PT.

2) Se o objetivo do jornalista não era maledicente, por que não colocou como primeira nota a que fala sobre o Jarbas Vasconcelos e o Orestes Quércia, por exemplo?  Ah, já sei, os dois são da ala do PMDB que quer o José Serra para a presidência em 2010, assim como a própria Folha desde sempre.  Também não ia pegar bem correr o risco de relacioná-los com vagabundos e vadios, né?

Foi o Eduardo Guimarães quem nos alertou para essa ignomínia. O título do nosso artigo, aliás, é tirado do post dele: Um filho de chocadeira.

“Sou casado e tenho quatro filhos, sendo três mulheres. Tenho também uma neta. Além disso, tenho mãe, o que não parece ser o caso desse infeliz desse blog abjeto que aparece na imagem acima, desse empregadinho da mídia golpista, desse sujeitinho à toa que acha que a escolha dessa manchete para uma matéria relativa a foto mostrando a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a ex-prefeita Marta Suplicy, é coisa de homem. Eu não acho. Como filho, esposo, pai e avô, tenho, ao todo, seis bons motivos para não descer a esse ponto na guerra política, ao ponto a que desceu esse degenerado sem mãe.”

É segundo Carlinhos Medeiros, do blog Bodega Cultural, o PITU – Partido da Imprensa Tucana — em ação.

Examinem mais uma vez as protagonistas da foto e as imagens textuais selecionadas para associá-las. “É uma maneira subliminar de desqualificação”, indigna-se a historiadora Conceição Oliveira no seu blog “Ao associar termos e expressões com duplo sentido à imagem das fotografadas, o Josias opera no subconsciente de uma sociedade com longa história patriarcal, sexista, machista, chauvinista e de muita violência contra as mulheres. Escolher a dedo termos como ‘vadias’, ‘vagabundas’, ‘bico’, ‘asas’ (só faltaram as penas) tem um propósito claro neste contexto.”

“Ainda vivemos em uma sociedade que mulheres no centro de poder são exceções e por ousar ocupá-los são constantemente desqualificadas. E é neste registro que operam manchete, imagem e texto do Josias de Sousa”, prossegue Conceição Oliveira. “Esta estratégia é danosa para homens e mulheres e para as lutas femininas por respeito e dignidade humana.”

Ações como sua, Josias, são um desserviço às mulheres e ao País; contribuem para aumentar a violência contra nós.  Tomara que nem você nem as pessoas que ama provem do seu veneno.

Fonte Vi o mundo, Blog de Azenha

15/02/2009 - 12:13h Os problemas da Folha

 

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA
ombudsman@uol.com.br

A Folha e os problemas de São Paulo


O jornal deixa muito a desejar em relação ao que se espera do maior diário paulista na cobertura de temas como exame de professores e merenda

A CIDADE e o Estado de São Paulo, onde este jornal tem a maioria absoluta de seus assinantes e leitores, começam 2009 com problemas sérios.
A maneira com que a Folha os vem tratando deixa muito a desejar em relação ao que se pode esperar do maior diário paulista.
Um deles é o exame a que foram submetidos professores temporários da rede estadual de ensino público, no qual número expressivo tirou nota zero e metade não chegou a cinco.
Como na greve da categoria em 2008, o jornal trata do caso superficialmente. Reproduz declarações das autoridades e, em contraponto, ouve mecanicamente o sindicato dos trabalhadores.
O “outro lado” não é o sindicato, mas os professores, cujas histórias não chegam ao público. O jornal não vai fundo nem nas causas de haver tantos professores provisórios no sistema nem nas razões por que muitos se deram mal na prova.
As condições em que o teste foi concebido, formulado e aplicado (há indícios de que estiveram longe do ideal) não foram detalhadas.
O noticiário e opiniões do jornal acabaram passando a ideia de que a “culpa” do mau desempenho é apenas dos professores, mostrados como em geral despreparados. É claro que a explicação é muito mais complexa.
Outra situação é a da merenda escolar no município de São Paulo. Embora em 2007 a Folha tenha levantado o tema que agora está sendo retomado pelo Ministério Público, seu acompanhamento neste ano tem sido pouco arrojado.
O jornal precisa ser mais ativo. Em vez de quase se limitar ao pingue-pongue entre prefeitura e seus acusadores deve tomar a iniciativa de, por exemplo, verificar autonomamente a qualidade da merenda, pesquisar se pais, professores e alunos estão satisfeitos com ela em comparação com a que tinham antes.
O tema merece mais espaço, destaque e investimento do que tem recebido. Houve dia em que o noticiário sobre ele teve o mesmo tamanho de uma foto que mostrava as calças de um calouro estragadas em trote universitário.
Os paulistas, principalmente os paulistanos, estão sofrendo bastante com enchentes. Mas o jornal tem cuidado delas de forma acanhada. Relata os alagamentos que ocorrem, publica fotos de carros boiando nas ruas, conta os quilômetros de congestionamento. É muito pouco
No dia 10, por exemplo, reportagem registrou que a prefeitura “espera o pior fevereiro desde 2004″ e fará novo estudo de riscos só depois do período de chuvas.
A placidez com que acata tal declaração só se compara com a aceitação passiva do argumento de que a prefeitura tapa os buracos “sempre que é informada”. Ambas são constrangedoras.
Nada de jornalismo preventivo. Nada de acompanhamento sistemático das providências que as autoridades dizem tomar.
Finalmente, a erupção de violência na favela de Paraisópolis, cujo acompanhamento anódino por este jornal já comentei, não o motiva a se aprofundar no exame desta e de outras comunidades em que a expressão “barril de pólvora” se aplica bem, apesar do lugar-comum. Até acontecer a próxima explosão.


Carlos Eduardo Lins da Silva é o ombudsman da Folha desde 24 de abril de 2008. O ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais dois. Não pode ser demitido durante o exercício da função e tem estabilidade por seis meses após deixá-la. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores, recebendo e verificando suas reclamações, e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação.

22/01/2009 - 12:38h Hilária má fé


Blog Entrelinhas

Não deixa de ser hilária a má vontade da Folha de S. Paulo com qualquer tipo de estatística econômica que não revele a aproximação cada vez mais rápida de um verdadeiro apocalipse no Brasil, de preferência ainda sob a gestão Lula. O exemplo abaixo é bastante didático, um exercício de comparação que desnuda a torcida do pessoal que faz o diário da Barão de Limeira pelo agravamento da crise no país.

Globo Online:
Desemprego cai para 6,8% em dezembro, o menor desde 2002

Estadão.com:
Desemprego mensal no País é o menor em 6 anos

Folha Online:
Taxa de desemprego no país deve refletir crise em janeiro

21/01/2009 - 14:09h Acidentes e articulistas convidados

Depois do acidente em Congonhas com o avião da TAM e após a Folha de São Paulo ter publicado com destaque um artigo acusando o governo federal de assassino, o Ombudsman do jornal na época, prodigou sábios conselhos, que reproduzo a seguir.

São Paulo, domingo, 05 de agosto de 2007

“Governo assassina mais de 200″

Com a fumaça ainda enevoando a tragédia, o psicanalista Francisco Daudt, colunista da Revista da Folha, escreveu, fora do seu espaço habitual, um artigo publicado no dia 19 de julho.
Começava assim: “Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, “GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS”. [...] O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime”.
Pelo que se sabe hoje, a gestão aeroportuária não foi determinante para o desastre.
No dia 20, o escritor e piloto Ivan Sant’Anna disse em artigo que o Airbus estava “arremetendo” (tentando levantar vôo) quando bateu. No dia 23, o diretor de teatro Gerald Thomas bancou que o piloto da TAM “tentou arremeter”.
Até agora, os fatos divulgados sugerem o contrário.
A Folha ganharia se não restringisse aos seus jornalistas a orientação de não firmar “certezas” técnicas sem comprovação sobre acidentes aeronáuticos. A norma deveria se estender aos articulistas convidados.”

Hoje, após a tragédia do desabamento do templo de Cambuci, a Folha publica artigo com “certezas técnicas sem comprovação” de “articulista convidado”.

Aparentemente a Folha não levou em consideração os conselhos do seu ombudsman.

Em sua defesa, o jornal poderá arguir que diferentemente do tratamento dado ao acidente da TAM, desta vez o “articulista convidado” diz com todas as letras “Açodadamente, procura-se responsabilizar a prefeitura pelas tragédias, seja por não ter fiscalizado os edifícios, seja por ter concedido os alvarás sem maiores cuidados. A questão central não é a documentação da obra.” e até acrescenta “A prefeitura não entra e nem deve entrar no mérito do trabalho técnico das obras.”

A Folha poderá arguir que incorporada a lição sobre ilações e acusações sem fundamento, agora as autoridades estão preservadas de qualquer acusação sem provas.

Ela pode também, mais prosaicamente, dizer que não é responsável pelos palpites contidos em artigos assinados e que aquele de 2007 tinha um viés antigovernamental e o de hoje pro-prefeitura, por exclusiva responsabilidade dos seus autores.

A arguição da Folha deixará satisfeitos os seus leitores? LF

artigo

Documentação perfeita, técnica desprezada

LÚCIO GOMES MACHADO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Surpreendidos pela Justiça, infratores menores ou maiores não mais negam seus delitos. Cinicamente afirmam: “Não há provas”.
Uma forma análoga de desfaçatez tem comparecido no noticiário: “A documentação está em ordem!”.
Dez anos depois da tragédia do desabamento de um templo evangélico em Osasco, uma nova tragédia semelhante nos choca. Outro templo, também resultado de adaptação de antigo cinema à nova função, desaba. Em Osasco, 25 pessoas morreram e 467 ficaram feridas.
Agora, nove morreram e mais de cem foram machucadas. Neste ínterim, o crime constatado na tragédia de Osasco prescreveu -deixando de punir oito pessoas condenadas em primeira instância- e a “bancada evangélica” impediu a instalação de CPI para averiguar as condições de segurança de templos. Crime perfeito?
Açodadamente, procura-se responsabilizar a prefeitura pelas tragédias, seja por não ter fiscalizado os edifícios, seja por ter concedido os alvarás sem maiores cuidados. A questão central não é a documentação da obra.
Podemos ter certeza: se a documentação não estiver em ordem, rapidamente será regularizada. Há dezenas de firmas de despachantes especializadas nesse campo.
A prefeitura não entra e nem deve entrar no mérito do trabalho técnico das obras. Seu papel é traçar diretrizes urbanísticas, determinar as normas e os padrões de desempenho a serem atendidos por cada tipo de edificação e uso. Deve, sem dúvida, zelar pela garantia da presença de profissionais habilitados e qualificados na condução de projetos, consultorias e obras, além de fiscalizar o efetivo cumprimento desses padrões.
Cabe aos profissionais -arquitetos e engenheiros- garantir a segurança e a qualidade técnica e estética das edificações. Isso não ocorre com a simples assinatura de uma planta, mas ao longo de exaustivo processo de projeto, de direção técnica da obra e de manutenção do edifício.
Deixando de ser objeto de tais ações especializadas, os edifícios nascem defeituosos, adoecem, entram em colapso, morrem e matam.
Por outro lado, é preciso que os profissionais tenham consciência de suas limitações, assumam suas responsabilidades. Mas, para que possam trabalhar, devem ser respeitados como detentores de conhecimento específico que ultrapassa, em muito, o senso comum.
O problema tem se tornado mais grave: tanto a iniciativa privada quanto o poder público têm optado por contratar serviços de arquitetura e de engenharia pelo menor preço, sem exame do mérito técnico do que vai ser elaborado. Isso equivale a comprar a pior qualidade pelo maior preço, como se constata nesses casos: mortes em desabamentos perfeitamente evitáveis se algum profissional competente tivesse examinado periodicamente a estrutura em vez de ter sido contratado algum “esperto” para construir uma documentação vazia.


LÚCIO GOMES MACHADO é arquiteto, professor doutor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP, ex-vice-presidente do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo, do Instituto de Arquitetos do Brasil (Departamento de SP) e do Crea-SP
Folha de São Paulo hoje, 21/01/2009

09/01/2009 - 12:46h Gotas

Mais ou menos grana?

A nomeação de Rodrigo Garcia é noticiada de maneira diferente na Folha e no Estadão. Veja os dois artigos reproduzidos aqui no blog (Kassab reforça sua turma; Ex-sócio de prefeito é “promovido” de secretaria). No Estado SP, Rodrigo Garcia tem pasta reforçada mas perde verba; na Folha SP ele sai de uma pasta sem orçamento para mais dinheiro e poder na máquina. A Folha informa que Rodrigo Garcia foi sócio de Gilberto Kassab, omitido pelo Estadão. Já este último informa sobre o cargo atribuído ao tesoureiro da campanha de Kassab, Flávio Chuery, que coordenará a pasta de Garcia.

A importância desta promoção, completada com a de Miguel Bucalem na nova Secretaria de Desenvolvimento Urbano, aparecerá sem dúvida nos grandes assuntos empresariais da cidade: revisão do Plano Diretor, Habite-se, alvarás, mobília urbana que reintroduzira a publicidade nas ruas da cidade etc.

 

 

Sexismo

http://tribunadonorte.com.br/fotos/29454.jpgEstão de parabéns a Embratur e o Ministério de Turismo (foto Luiz Barretos, ministro da pasta) em requerer da justiça a retirada de um folheto sexista que procura promover o turismo no Rio de Janeiro apelando parte das brasileiras como “máquina de sexo bunduda”.

A publicação “Rio For Partiers” (Rio para festeiros) trata as mulheres como objetos sexuais e as divide em categorias segundo a dificuldade ou facilidades em leva-las para a cama. Segundo a Embratur, o guia “viola a dignidade humana e expõe o povo brasileiro a situação vexatória”. A publicação, vendida pela internet, é editada em inglês pela Solcat Publishing Editora e está em sua 7ª edição.

 

 

Folha médio orientada

uri_avneri.jpgA Folha aproveitou os equívocos da nota assinada por Ricardo Berzoini e Valter Pomar, acusando os israelenses de “prática típica do Exército nazista”, para procurar no governo de Israel alguém que desqualifique a disposição do governo brasileiro em contribuir para a mediação do conflito.

Depois de pedir a opinião do Ministro de Assuntos Sociais de Israel, procurado pela Folha na cidade israelense de Ashkelon, sobre a nota do PT (que o entrevistado aparentemente desconhecia até encontrar o repórter da Folha), o jornalista pede para o ministro considerar se seria “relevante” a oferta de mediação do governo do Brasil. Como o ministro considera positiva a iniciativa brasileira, o jornalista volta à carga para saber se a nota do PT não descredencia o Brasil como mediador.

Apesar dos seus esforços, a Folha não consegue transformar a nota dos dois dirigentes petistas em atrito diplomático entre o governo brasileiro e o governo de Israel. Ainda bem.

O desatino da comparação feita pelos petistas não é um monopólio, como bem mostra Marcos Guterman no artigo A Hitler o que é de Hitler. Uri Avneri, o conhecido pacifista israelense, fez comparação semelhante (na foto) durante passeata em Tel-Aviv dizendo que os pilotos israelenses agem como os pilotos nazistas (Israelenses e palestinos manifestam pela paz). Minha concordância com Marcos Guterman não me impede considerar a tentativa da Folha um desserviço à informação e uma tentativa torpe de tentar fabricar incidentes.

 

 

Drummond

A língua girava no céu da boca

A língua girava no céu da boca. Girava! Eram duas bocas, no céu único. O sexo desprendera-se de sua fundação, errante imprimia-se nos seus traços de cobre. Eu, ela, elaeu. Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu. A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava. Consumia-nos em piscina de aniquilamento. Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós. A custo nossos corpos, içados do gelatinoso jazigo, se restituíram à consciência. O sexo reintegrou-se. A vida repontou: a vida menor.

Carlos Drummond de Andrade

 

 

 

Amor — pois que é palavra essencial

 

Amor — pois que é palavra essencial

comece esta canção e tudo a envolva.

Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,

Reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?

Quem não sente no corpo a alma a expandir-se

até desabrochar em puro grito

de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,

Fundido, dissolvido, volta à origem

http://www.s-y-s.cn/text/ewebeditor/UploadFile/200687194325578.jpgDos seres, que Platão viu contemplados:

é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?

Onde termina o quarto e chega aos astros?

Que força em nossos flancos nos transporta

a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,

já tudo se transforma, num relâmpago.

Em pequenino ponto desse corpo,

a fonte, o fogo, o mel se concentram.

Vai a penetração rompendo nuvens

e devassando sóis tão fulgurantes

que nunca a vista humana os suportara

mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte

que, além de nós, além da própria vida,

como ativa abstração que se faz carne,

a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,

menos que isto, sons, arquejos, ais,

um só espasmo em nós atinge o clímax:

é quando o amor morre de amor, divino.

PhotoQuantas vezes morremos um no outro,

no úmido subterrâneo da vagina,

nessa morte mais suave do que o sono:

a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,

estendidos na cama, qual estátuas

vestidas de suor, agradecendo

o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

Carlos Drummond de Andrade

Fotos Jean-Loup Sieff

Fonte portal Germina


 

Gotas, por Luis Favre

05/01/2009 - 11:17h Acertado

 PAINEL DO LEITOR FOLHA SP

Ex-prefeito
“A reportagem “Pressionado, Lula terá de acomodar petistas sem emprego após eleições” (Brasil, 2/ 1) procura demonstrar muito conhecimento sobre a agenda futura, e ainda pouco conhecida, do presidente Lula. Especulações, fontes secretas e apostas fazem parte, muitas vezes, de opiniões e análises de repórteres. O que não posso aceitar é que se compare o fim de um mandato popular, o qual exerci com muita honra e muito carinho, com a perda de um emprego. Mandato eletivo é uma missão que tem data para começar e para acabar. Fiquei muito feliz de encerrar o meu terceiro mandato de prefeito de Diadema e entregar o cargo para um grande companheiro, também do PT, Mário Reali. Sou engenheiro e volto a minha profissão com a alegria do dever cumprido.”
JOSÉ DE FILIPPI JR (Diadema, SP)

21/12/2008 - 10:45h Em meio à crise, governo Serra autoriza Comgás a aumentar o gás para indústria em 19%

http://portaldecaragua.com.br/images/stories/jose_serra.jpgA Folha escolheu uma outra manchete para a capa do jornal: “Em meio à crise, gás para indústria de SP subirá 19%”.

Evidentemente que o gás, mesmo com propriedades que incluem a volatilização, não subirá só. Alguém decidiu pelo aumento do preço. Quem?

A manchete de capa da Folha não diz.

O lide, texto imediatamente embaixo, informa: “O governo de São Paulo autorizará nesta semana que a Comgás reajuste em 19% o preço do gás cobrado das grandes indústrias no Estado, relata Guilherme Barros. Para os pequenos consumidores da indústria, o aumento deve ficar em 10%. Não se prevê alta para consumidores residenciais. A autorização atende parcialmente à Comgás, que solicitara reajuste de 56% para cobrir perdas.”

Acostumados a manchetes onde Lula isto ou aquilo; onde Fiscal da Marta é preso; a discrição e objetividade da Folha chama a atenção.

A manchete de capa é chamada para o artigo de capa do caderno Dinheiro e que leva como manchete: “Na crise, SP eleva gás à indústria em 19%”. O lide do artigo, após a manchete, disse: “Segundo o Estado, reajuste decorre da defasagem no cálculo do produto fornecido pela Petrobras; residências não devem ter aumento. Estatal, por sua vez, defende critério de preço, que tem ajuste trimestral com base no dólar e na cotação, de seis meses antes, do petróleo.”

O SP da manchete, não é o time e sim José Serra e o seu governo. Notem que na capa do jornal é “a indústria de SP” a vítima e na manchete do artigo “SP eleva o gás”, SP é o algóz.

O SP decidiu como? Quem é que decide e que encarna o Estado?

O artigo começa “O governo de São Paulo anuncia nesta semana autorização para a Comgás reajustar em 19% o preço do gás cobrado dos grandes consumidores industriais do produto no Estado.”

A primeira e única menção, no artigo, ao governador José Serra é assim: “Já o preço do gás residencial não deve ser reajustado. O objetivo do governador José Serra (PSDB) é poupar o consumidor residencial de um aumento.”

Resumo da ópera: O aumento “em meio à crise” foi uma ação negativa de uma abstração e o bom governador Serra tem “o objetivo de poupar o consumidor residencial de um aumento”.

Mas, a indústria vai absorver o aumento reduzindo o valor dos seus lucros? Ou repassará ao consumidor o aumento?

O artigo nada diz sobre isto.

Mas o governo Serra, nos informa Guillerme de Barros, recusou que o aumento fosse de 56% e, de qualquer jeito, a culpa não é do governo de São Paulo e sim da Petrobrás.

Resumindo: o Secretário de Finanças de Serra dá a informação do aumento para Folha, para poder assim apresentar sua versão e suas explicações para o aumento. Ele pauta o jornal com a matéria. As manchetes correspondem  assim a pauta estabelecida pelo governador e o impacto negativo do aumento não atinge a figura de… José Serra!

A seguir o artigo da Folha. LF

Capa Folha de S.Paulo - Edição São Paulo

Na crise, SP eleva gás à indústria em 19%

Segundo o Estado, reajuste decorre da defasagem no cálculo do produto fornecido pela Petrobras; residências não devem ter aumento

Estatal, por sua vez, defende critério de preço, que tem ajuste trimestral com base no dólar e na cotação, de seis meses antes, do petróleo

GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA

O governo de São Paulo anuncia nesta semana autorização para a Comgás reajustar em 19% o preço do gás cobrado dos grandes consumidores industriais do produto no Estado. Aos pequenos consumidores da indústria o aumento deve ser da ordem de 10%.
Já o preço do gás residencial não deve ser reajustado. O objetivo do governador José Serra (PSDB) é poupar o consumidor residencial de um aumento.
A informação foi confirmada à Folha pelo secretário estadual de Fazenda, Mauro Ricardo Costa, após mais de um mês de discussão com diversas outras áreas do governo. A autorização do reajuste no preço do gás será anunciada pela Arsesp (agência estadual reguladora de saneamento e energia).
A decisão de autorizar o aumento do gás atende só parcialmente ao pedido feito pela Comgás, a maior distribuidora do país, de repasse tarifário para cobrir perdas com a defasagem no preço do produto.
A Comgás tinha solicitado reajuste de 56%. O cálculo da distribuidora é de que essa defasagem já tenha provocado perdas de R$ 500 milhões até novembro. Em janeiro, iria para R$ 600 milhões.
O grande problema, para o governo de São Paulo, é a fórmula da Petrobras para o cálculo do preço do gás às distribuidoras. Há um desbalanceamento entre o preço que a Comgás paga pelo gás à Petrobras e o que ela vende.
A tarifa cobrada pela Petrobras sofre reajustes trimestrais e é indexada ao dólar e ao preço do barril de petróleo de seis meses antes. Já o gás vendido ao consumidor pelas distribuidoras sofre reajuste anual e é fixado em reais.
Assim, hoje a Comgás compra o gás com base num preço do barril de petróleo equivalente a US$ 110 e a um dólar a quase R$ 2,50. Já a tarifa que a empresa vende é fixada levando em conta o barril a US$ 88 e o dólar a R$ 1,75.
“O Brasil tem que pensar numa nova política de gás, senão ninguém mais vai consumir o produto”, diz Mauro Ricardo. Segundo o secretário, o governo paulista tentou por diversas formas convencer a Petrobras a mudar a fórmula de cálculo do preço do gás às distribuidoras, mas não obteve sucesso.
Já a diretora de gás e energia da Petrobras, Maria da Graça Foster, afirma que não houve intransigência da companhia. O que ela argumenta é que São Paulo consome 8,5 milhões de metros cúbicos de gás boliviano e apenas 4,5 milhões de gás nacional, e o preço que a Petrobras cobra da Comgás segue a mesma fórmula do que a companhia compra da Bolívia.
“São contratos-espelhos com os da Bolívia”, diz Foster. “Quando o preço do petróleo está em alta, a empresa ganha, mas, quando cai, perde”.
Dessa forma, a diretora da Petrobras diz que a queda do preço do petróleo -de US$ 147 o barril para US$ 35- não pode ser incorporada ao preço do gás imediatamente em razão do contrato com a Bolívia.
Mauro Ricardo diz, no entanto, que a Petrobras foi inflexível nas negociações, apesar de ter sido dito que essa política de gás poderia destruir as distribuidoras de São Paulo.
O consultor Adriano Pires, especialista do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura), afirma que a distorção na fórmula do cálculo do preço do gás cobrado pelas distribuidoras é evidente. Para ele, em vez de anual, o repasse deveria ser feito mediante um gatilho a ser acionado quando o preço do barril de petróleo ultrapasse um determinado limite para cima ou para baixo. Atualmente, o reajuste no preço do gás só é concedido no mês de maio, mas pode ser antecipado no caso de se verificar que a tarifa esteja provocando desequilíbrio econômico e financeiro nas contas da distribuidora.
De acordo com Mauro Ricardo, ao autorizar esse aumento do gás, o governo de São Paulo procurou determinar uma tarifa que sacrificasse o mínimo possível os consumidores industrial e residencial. O objetivo foi o de evitar que o preço do gás seja mais um fator de preocupação à indústria num momento de crise econômica.

08/12/2008 - 11:21h “É mole, mas sobe” como diria o Macaco Simão

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/cp08122008.jpg

macaconao.gif“No cenário com Serra como nome do partido, o tucano subiu de 38% para 41%, enquanto Ciro caiu de 20% para 15%.” Para a Folha SP este resultado da pesquisa Datafolha justifica como manchete de capa: “Serra amplia vantagem para 2010 (…)”

É verdade que a margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos e Serra teve 3 pontos a mais que na pesquisa anterior.

O que é curioso é que a Folha não considera 3 pontos a menos em pesquisa Datafolha -com iguais margens de erro de 2 pontos-, como queda e sim como estabilidade. Veja por exemplo na pesquisa sobre Kassab, há dois dias: “O prefeito fechou a eleição com 59% de aprovação à sua gestão e 15% de rejeição. Chegou agora a 56% e 17%, respectivamente. Nos dois casos, há uma variação dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.”(Kassab encerra 1º mandato com 56% de aprovação, segundo Datafolha)

Ou seja se Kassab passa de 59% pra 56%, ele não caiu, para a Folha está igual. Já se Serra fica com 3 a mais, segundo a Folha ele sobe e não ficou igual.

Mas a Folha poderá argumentar que na medida em que Ciro caiu 5 pontos em relação ao levantamento anterior, Serra ampliou sua vantagem. Em relação a Ciro, o que a manchete não diz. Já em relação a Dilma, por exemplo, Serra não ampliou nada e até diminuiu  sua vantagem (“No cenário 1, Serra subiu de 38% para 41%, enquanto Ciro caiu de 20% para 15%. Heloísa Helena manteve seus 14%, e Dilma subiu de 3% para 8%.” Folha SP, hoje).

Vá entender a lógica do tratamento dos números que a Folha faz!

Seguramente os leitores deste blog têm uma explicação para esta “curiosidade”.

E os leitores da Folha?

LF

02/11/2008 - 14:14h A ética ao gosto do cliente

“quando decidiu explorar a vida privada do adversário na TV -acreditando que pudesse despertar o preconceito de parcela da sociedade a partir de uma insinuação velada, mas óbvia, de homossexualismo-, Marta rompeu uma barreira e fez uma aposta de risco -ou baixa, a depender do ângulo.”

É assim que escreve Fernando de Barros, editor da Folha. Atribuindo a Marta não só a responsabilidade genérica pelo comercial da campanha eleitoral, mas a intencionalidade própria para “despertar o preconceito”. O “jornalista” precisa atribuir a Marta a responsabilidade, não em geral, mas especifica e individual para poder atingi-la politicamente. Por isso o “jornalista” ignora as explicações dadas no próprio jornal pelo marqueteiro Joào Santana e ignora também as declarações de Marta sobre o fato que só viu o dito comercial depois que a polêmica fora lançada.

A manipulação do “jornalista” visa a atingir a figura da Marta, pouco importa os fatos. Por isso ele não escreve sobre a “intenção” do marqueteiro, ou dos petistas, ou da campanha e sim de Marta Suplicy.

A falta de escrúpulos do “jornalista” mal esconde seu objetivo. Faz anos que ele senta em cima dos “métodos válidos e os limites éticos de uma campanha eleitoral”, como prova o fato que nada diz, nem seu jornal, sobre os ataques à vida privada de Marta nas eleições de 2004, por exemplo.

Vale lembrar que foi a Folha SP a que em 2001 publicou o ataque mais vil e violento contra Marta e minha pessoa, lançando assim a campanha de ataques pessoais sobre a vida afetiva da Marta. Como eu tenho vergonha na cara, jamais me permitiria escrever que quando “Fernando de Barros decidiu explorar a vida privada da Marta no seu jornal, o fez para levantar o preconceito contra ela”. Mesmo que Fernando de Barros esteja longe de desempenhar um papel marginal na repetição destes ataques (ele é o autor recente de uma crônica falando a vontade do meu casamento, por exemplo), seria injusto atribuir a ele o que foi uma decisão do próprio jornal. A verdade exige respeito.

O objetivo de seu artigo hoje é evitar que os petistas possam utilizar os argumentos do ombudsman da Folha condenando a parcialidade do jornal. O argumento já tinha sido invocado quando o predecessor do atual ombudsman se demitiu, pois os donos do jornal não queriam que sua crônica diária na internet pudesse ser utilizada por membros do governo federal para criticar a Folha.

Fernando de Barros considera a opinião do ombudsman respeitável, já a dos petistas não. Mesmo quando a dos petistas coincide com a emitida pelo próprio ombudsman, ou seja que a Folha favoreceu Kassab contra Marta não permitindo nenhum equilibro no segundo turno no tratamento dispensado a cada candidato.

Vindo de petistas ou do ombudsman da Folha, os fatos são os mesmos: a Folha pegou gancho no comercial, atribuiu a ele um conteúdo homofóbico, depois fez uma campanha em defesa de Kassab e contra o preconceito da Marta e completou sua campanha publicando na capa declarações de Kassab sobre assédio das mulheres e negando homossexualidade. Não respeitou qualquer equilibro no tratamento e as explicações de Marta ou do seu marqueteiro cumpriram só o papel de registro. Foram publicadas para justificar um suposto equilibro que o ombudsman mostrou inexistente.

Luis Favre

18/10/2008 - 22:44h A participação da Folha na luta dos demo-tucanos contra Marta

Os jornais de amanha estão disponiveis em São Paulo hoje. Na edição de domingo da Folha o ombudsman publica uma coluna com o título “Faça o que digo, não o que faço”. Na sua coluna o ombudsman da Folha considera “um grave erro editorial” o exagero despropositado na exposição da vida pessoal do prefeito.

Pessoalmente, e contrariamente ao ombudsman, eu não penso que teve exagero da Folha e sim ação premeditada para sustentar a campanha eleitoral de Kassab após o primeiro debate na Band. A Folha decidiu agir para desviar o foco do debate eleitoral para o terreno da vida pessoal, utilizando como pretexto a leitura que a Folha fez do comercial de João Santana.

Segundo o ombudsman: “Todos os temas de políticas públicas, cerne da discussão para os eleitores decidirem seu voto, desapareceram do jornal de segunda a sexta.” A pesquisa Datafolha viria “coroar” esse esforço da Folha.

Eu já tinha alertado sobre a movimentação da Folha nessa direção, bem antes do início da campanha do segundo turno. Em nota postada aqui no blog, em 4 de outubro, concluí: “Mas a Folha abre a porta ao desencadeamento das piores manifestações de intolerância e de preconceito.” Ela já tinha descambado para falar da vida privada da Marta. (ver Trajetórias).

Para o jornal falar sobre os casamentos de Marta, insinuar traição conjugal, configurava uma questão “natural”, ao ponto de terem sido estes os destaques que o jornal deu no domingo 5 de outubro a trajetória da Marta publicada pela Folha.

Nesse dia, a Folha de São Paulo apresentou a trajetória de Marta começando com uma foto do seu casamento com Eduardo Suplicy e concluiu sua trajetória com uma foto do casamento comigo. O fato de Marta ter sido casada, posteriormente ter divorciado e casado novamente, para a Folha merecia destaque e era uma questão pertinente. A legenda da foto de nosso casamento dizia que em 2001 Marta tinha dito a sua mãe que estava apaixonada e que em 2002 tinha se separado de Eduardo. As datas da Folha eram propositalmente erradas, Marta se separou publicamente em 2001, poucos dias após ter dito a sua mãe que estava apaixonada. Para a Folha a vida privada de Marta merecia destaque, sua paixão também, sua separação idem.

Nem Clovis Rossi, nem Eliane Cantânhede, nem Janio de Freitas, nem Gilberto Dimenstein, nem Fernando de Barros, nem Kennedy Alencar, nenhum deles viu nada que merecesse comentário.

No que, poderíamos perguntar, a vida privada da Marta importava para os eleitores? Qual é a insinuação que a Folha fazia sobre a vida privada de minha esposa?

Faz  anos que a mídia trata intensamente da vida privada de Marta, de suas roupas, de seu divórcio, do que come no restaurante, do cabeleireiro, de onde passa suas férias e assim vai. Invadiram sua casa para fotografar os quartos, incitaram em permanência a xenofobia contra minha origem argentina e estrangeira.

A Folha se justificava considerando que as pessoas públicas devem aceitar uma certa “intrusão” na sua vida privada. A Folha até procurou entrevistar a mãe de meus filhos, na França,  para tentar obter detalhes sobre minha vida pessoal. Tudo em nome da informação e do direito do leitor a saber quem são as pessoas próximas das figuras públicas.

Sob pretexto de ecoar as motivações dos eleitores, quantas reportagens não traziam afirmações sobre a “família desregrada da Marta”, ou a “questão moral”. Recentemente a Folha convocou dois “cientistas políticos” para comentarem sobre o peso da “rejeição ao marido franco-argentino” e de novo “a moral”. O Estadão fez igual em artigo de Vera Rosa.

Não recebi, nem ouvi manifestação de solidariedade com a Marta, de nenhum dos que se apressaram a posar de “santos” para condenar o comercial do PT. Eu protestei com o ombudsman da Folha pela insinuação e a utilização da vida privada de Marta.  O ombudsman até concordou comigo, mas na sua coluna do domingo seguinte nada diz.

Eu escrevi um artigo aqui denunciando a campanha eleitoral da Folha. Nenhum dos que agora posam de defensores do respeito à privacidade, manifestou-se. Nenhuma carta no Painel do Leitor manifestou qualquer indignação. Nenhum dos que agora querem posar de “éticos”, incluso alguns apoiadores da Marta, manifestou-se para questionar o direito da Folha de destacar os casamentos e a vida privada da candidata Marta.

O ombudsman escreve agora na sua coluna:
“Se o jornal acha que a vida íntima do prefeito não é relevante, por que le dá tanto relevo?
Além de incentivar a degradação do ambiente político, a decisão incoerente de tornar tal caso o prioritário da campanha do segundo turno provocou desequilíbrio total no tratamento até então relativamente justo que o jornal vinha dando aos dois candidatos.
Marta Suplicy recebeu nestes cinco dias uma carga de matérias negativas absolutamente desproporcional em relação ao seu adversário.
Por exemplo, ela foi alvo de oito textos opinativos críticos; Kassab, de nenhum. Das 19 cartas publicadas, 15 foram contra Marta.”

Na sua entrevista para a mesma Folha, João Santana o responsável do marketing eleitoral da Marta, diz que seu erro “foi não ter previsto a reação que o comercial provocaria em determinados setores. Uma reação causada, na maioria dos casos, por interpretações equivocadas.” Ele acrescenta também “Já disse que errei por não ter previsto a onda que se formou. Lamento profundamente. No entanto, não posso deixar de reconhecer que houve exagero e até manipulação.
Ninguém, por exemplo, publicou o texto completo do comercial. Ele não transgride, em nenhum momento, os limites da ética e da elegância. Em pesquisa que fizemos depois -e isso foi confirmado por reportagem da Folha-, a maioria das pessoas disse não ter sentido nenhuma malícia de natureza sexual no comercial. Somente começaram a interpretar isso depois da polêmica instaurada.” 

O ombudsman diz que a Folha “nunca deveria se prestar ao trabalho sujo que outros veículos fazem com muito prazer e competência”.

Eu mostrei que a Folha foi a primeira a fazer o “trabalho sujo” contra Marta publicando “informe publicitário” atentando violentamente contra nossa privacidade, em abril de 2001 (ver A Folha e a nossa vida privada) e prosseguiu permanentemente durante estes sete anos.

O que agora fica claro é que existe um elo que une aquela primeira campanha da Folha em 2001 e a campanha de agora. Esse elo é o vínculo político estreito entre a Folha e José Serra.

O “trabalho sujo” ao qual a Folha se prestou é, em verdade, decorrente de seu engajamento político.

A democracia ganharia se esse engajamento, como nos Estados-Unidos por exemplo, fosse assumido publicamente e de forma transparente pelo jornal. Mas a Folha também prefere travestir seu engajamento partidário, em “jornalismo”.

Luis Favre

16/10/2008 - 18:10h A Folha e a nossa vida privada

Em abril de 2001, a Folha de São Paulo, onde pontificam Clovis Rossi e Jânio de Freitas, foi responsável por publicar uma peça publicitária de autoria do Sr. Claudio Humberto que reproduzo a seguir. O autor da publicidade pagou para a Folha espaço nobre de 1/4 de página e depois dos editores do jornal tomaram conhecimento do conteúdo da publicidade, autorizaram sua publicação.

Nem Clovis Rossi, nem Jânio de Freitas, nem nenhum dos editorialistas do jornal fizeram nenhum comentário, após a publicidade ter sido publicada na Folha, em página nobre. Só o ombudsman, na época, considerou que a Folha “errou”.

A peça abjeta não insinuava nada, não induzia nada, proclamava uma violenta ofensa a honra, a privacidade e com terrível dano moral.

Eu afirmo: a Folha foi a primeira responsável para a campanha que durante os 7 anos seguintes foram feitos contra Marta e contra mim.

Idelber Avelar, no artigo que reproduzi aqui ontem, ficou tão chocado, que se recusou a linkar o conteúdo. Eu o reproduzo para vocês saberem com quem estamos lidando em matéria de ética.

O juiz que condenou a Folha em primeira instância (o processo continua porque a Folha não aceitou a sentença e recorreu), diz na sua sentença contra a Folha:

“Vale lembrar que a ré (Folha) publica o jornal de maior circulação do país e é lamentável que se preste a vender o espaço no jornal para publicação de matéria puramente ofensiva a honra alheia e sem qualquer interesse público.

Por ter publicado o “informe publicitário”, mediante remuneração, sabendo do seu conteúdo vastamente contaminado por grosserias e ataques à honra do autor, inevitavél a condenação da ré (Folha) a indenizar o autor pelo dano moral suportado.”

O juiz acrescenta, justificando o valor da indenização que isso “desetimula a ré (Folha) de prosseguir na publicação de “informes publicitários” ofensivos a honra alheia.”

Reitero, nenhum dos hipócritas defensores da “vida pessoal” hoje, escreveu nunca uma mísera linha contra a Folha e em nossa defesa.

A Folha foi a responsável, reproduzindo na suas páginas o repugnante texto contra Marta, na época a Prefeita de São Paulo, e contra mim, cheio de mentiras e ofensas, por uma boa parte da famosa “rejeição” que ajudou a propagar nas suas páginas.

Até hoje ela não se desculpou, nem reconheceu sua responsabilidade e ainda está recorrendo da sentença.

Clovis Rossi não sentiu asco. E o gigantesco movimento em defesa do respeito a vida privada de Kassab, ficou calado perante a ignomínia.

Onde estavam os indignados de hoje.

Luis Favre

PS – Porque a Folha não reproduz este meu texto e o conteúdo do “informe publicitário” e volta a falar de respeito a vida pessoal?

A seguir o texto publicado como “Informe Publicitário” na Folha de São Paulo em 21 de abril de 2001. Clique na imagem para ampliar e ler.

claudio_humberto.jpg

13/10/2008 - 08:33h Vale a pena ler de novo (I)

05/10/2008 – 12:17h Trajetórias

 

capa_folha_primeiroturno.jpghttp://img.radio.cz/pictures/networkeurope/070824-diana-tabloid.jpg
Folha e “imprensa marrom”: trajetórias convergentes

 

A Folha de hoje, dia da eleição, traz a “trajetória” dos candidatos à prefeitura de São Paulo. A dupla página contém iconografia ilustrando o resumo da trajetória dos mesmos.

A Folha inicia a ilustração da trajetória da Marta com uma foto de seu primeiro casamento com Eduardo Suplicy e conclui com uma foto de nosso casamento, em 2003.

Tanto Kassab, como Alckmin, comportam inicialmente fotos quando crianças e concluem, a de Kassab junto com Serra após ganhar a prefeitura em 2004, e a de Alckmin no velório de Mário Covas.

Vale uma pergunta: Trata-se só de uma manifestação de sexismo, considerar que a trajetória de uma mulher começa e conclui no seu casamento?

Não só. Marta ficou conhecida como feminista, defensora dos direitos das mulheres e da igualdade. Ícone dos precursores da libertação das mulheres da hipocrisia “moral”, foi e é defensora dos direitos das minorías. Deputada federal, autora da lei que garante 30% de vagas para as mulheres nas candidaturas nas listas eleitorais; foi candidata a governadora, prefeita da maior cidade de América Latina e Ministra de Turismo. Hoje é candidata e líder em todas as pesquisas eleitorais.

Na legenda que ilustra a foto de nosso casamento, a Folha escreve: “Casa-se com Luis Favre, tendo Lula e Marisa Letícia como padrinhos. Em seu livro, Marta relata o que disse para a mãe em 2001: ‘Estou apaixonada e pensando em me separar’. Seu casamento de 36 anos com Suplicy terminara em 2002.”

O texto comporta um “erro”. “Erro” escolhido para alimentar a cloaca que a Folha incentiva contra Marta. A conversa de Marta com sua mãe precedeu de poucos dias o anuncio público do fim do casamento com Eduardo, publicado na Folha no final de abril de 2001.

Tem uma diferença entre a Folha e a chamada “imprensa marrom”, como por exemplo os tablóides ingleses. A “imprensa marrom” inglesa não insinua, mas proclama abertamente a sua utilização caricatural e escandalosa da vida privada das personalidades públicas. Ela é independente e age inescupulosamente, incitando as piores baixezas escondidas na alma da “massa”, sem partidarismos. Ela é nojenta contra todos, sem discriminação.

A Folha ganharia se incorporasse também esse lado da imprensa marrom. A Folha ficaria mais isenta.

Luis Favre

12/10/2008 - 13:04h A Folha em campanha

Na Folha de hoje uma manchete diz, “estatísticamente”,  que “nunca” em São Paulo alguém ganhou a eleição tendo começado o segundo turno em segundo lugar nas pesquisas.

Vejam quanto pensamento sofisticado: A) a pesquisa define quem é o primeiro, B) o primeiro nas pesquisas no segundo turno sempre ganhou a eleição em São Paulo.

A mensagem é: fiquem em casa, a questão foi resolvida. A missa foi dita.

A afirmação se baseia em apenas 4 eleições, desde 1992, nas quais o segundo turno foi adotado. 4 eleições não constituem base estatística para nada. A Folha poderia de igual maneira proclamar: Nunca o prefeito em exercício foi reeleito em São Paulo, desde que a reeleição foi aprovada.

Como se vê, a escolha do artigo do jornal faz parte da campanha eleitoral da Folha em favor de Kassab e não de uma constatação ou de qualquer curiosidade estatísticamente significativa. Até porque, a Marta ganhando a eleição, a Folha poderá sempre proclamar: pela primeira vez em São Paulo, o segundo na pesquisa, vence a eleição. Confirmando as estatísticas, nunca um prefeito conseguiu se reeleger na cidade. LF

05/10/2008 - 12:17h Trajetórias

capa_folha_primeiroturno.jpghttp://img.radio.cz/pictures/networkeurope/070824-diana-tabloid.jpg
Folha e “imprensa marrom”: trajetórias convergentes

 

A Folha de hoje, dia da eleição, traz a “trajetória” dos candidatos à prefeitura de São Paulo. A dupla página contém iconografia ilustrando o resumo da trajetória dos mesmos.

A Folha inicia a ilustração da trajetória da Marta com uma foto de seu primeiro casamento com Eduardo Suplicy e conclui com uma foto de nosso casamento, em 2003.

Tanto Kassab, como Alckmin, comportam inicialmente fotos quando crianças e concluem, a de Kassab junto com Serra após ganhar a prefeitura em 2004, e a de Alckmin no velório de Mário Covas.

Vale uma pergunta: Trata-se só de uma manifestação de sexismo, considerar que a trajetória de uma mulher começa e conclui no seu casamento?

Não só. Marta ficou conhecida como feminista, defensora dos direitos das mulheres e da igualdade. Ícone dos precursores da libertação das mulheres da hipocrisia “moral”, foi e é defensora dos direitos das minorías. Deputada federal, autora da lei que garante 30% de vagas para as mulheres nas candidaturas nas listas eleitorais; foi candidata a governadora, prefeita da maior cidade de América Latina e Ministra de Turismo. Hoje é candidata e líder em todas as pesquisas eleitorais.

Na legenda que ilustra a foto de nosso casamento, a Folha escreve: “Casa-se com Luis Favre, tendo Lula e Marisa Letícia como padrinhos. Em seu livro, Marta relata o que disse para a mãe em 2001: ‘Estou apaixonada e pensando em me separar’. Seu casamento de 36 anos com Suplicy terminara em 2002.”

O texto comporta um “erro”. “Erro” escolhido para alimentar a cloaca que a Folha incentiva contra Marta. A conversa de Marta com sua mãe precedeu de poucos dias o anuncio público do fim do casamento com Eduardo, publicado na Folha no final de abril de 2001.

Tem uma diferença entre a Folha e a chamada “imprensa marrom”, como por exemplo os tablóides ingleses. A “imprensa marrom” inglesa não insinua, mas proclama abertamente a sua utilização caricatural e escandalosa da vida privada das personalidades públicas. Ela é independente e age inescupulosamente, incitando as piores baixezas escondidas na alma da “massa”, sem partidarismos. Ela é nojenta contra todos, sem discriminação.

A Folha ganharia se incorporasse também esse lado da imprensa marrom. A Folha ficaria mais isenta.

Luis Favre