05/11/2009 - 09:18h “FHC diz que governo Lula estimula bloco de poder burocrático-corporativo; embora exagerada, sua crítica faz sentido”. É o que afirma a Folha de São Paulo em editorial

http://quemtemmedodolula.files.wordpress.com/2009/06/serra_fhc.jpg

Editoriais – Folha SP

editoriais@uol.com.br

Capitalismo tutelado

FHC diz que governo Lula estimula bloco de poder burocrático-corporativo; embora exagerada, sua crítica faz sentido

O EX-PRESIDENTE Fernando Henrique Cardoso provocou um debate relevante acerca do novo “bloco de poder” que estaria sendo alimentado sob o patrocínio do governo Lula, com traços autoritários e consequências nefastas para o país. Em longo artigo publicado no domingo pelos jornais “O Estado de S. Paulo” e “O Globo”, o tucano começa por chamar a atenção para as “transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes” por parte do seu sucessor ou do governo petista.
FHC faz um inventário de atitudes e exemplos condenáveis de Lula e nelas detecta um DNA que “pode levar o país, devagarzinho, sem que se perceba, a amoldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm a ver com nosso ideais democráticos”.
O cerne da crítica de Fernando Henrique se volta para o que chama de “poder burocrático-corporativo” estimulado por este governo: aliança entre Estado, sindicatos, movimentos sociais, fundos de pensão e grandes empresas, “cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro”.
“Com ajudinha do BNDES, então”, ironiza o tucano, “tudo fica perfeito”. Diante de partidos desmoralizados e da satisfação popular com a economia, que favorecem a liderança autoritária e personalista, estariam lançadas as bases do que FHC chama de “subperonismo” -alusão a Juan Domingo Perón (1893-1974), o caudilho que governou a Argentina em três ocasiões.
O ex-presidente carrega nas tintas, como seria de esperar de um líder oposicionista, e peca por exagero ao descrever a configuração do atual governo. Sua análise, contudo, ilumina os piores aspectos do lulismo.
Vale ressaltar que a participação do BNDES nas privatizações e a ingerência política nos fundos de pensão estatais tiveram início no governo FHC. Mas a verdade é que o problema mudou de escala.
Este é um governo que vem estimulando de modo sistemático, como se fosse uma diretriz, a aliança entre algumas das maiores empresas privadas e grupos de interesse aninhados no Estado e no partido. O assédio recente do Planalto sobre os investimentos e rumos da Vale é um exemplo disso. A viabilização da compra da Brasil Telecom pela Oi/Telemar, que demandou mudanças legais e dinheiro do Banco do Brasil e do BNDES, é outro.
A participação do Estado na economia brasileira ainda é excessiva. Na relação divulgada recentemente das cem maiores empresas do país, dois terços são de capital nacional ou misto -e, entre essas, metade são estatais ou tem o governo como acionista de peso, via BNDES. Um governo menos tentacular e corporativo e mais orientado para as necessidades reais da população é o que se deveria buscar. Não é para isso que aponta o lulismo.

30/09/2009 - 09:16h Chalita acusa governo estadual de ter descontinuado seus projetos na área de educação

[chalita34.jpg]
Ciro Gomes sobre Chalita: “Conheço o ramo. Ele pode desestabilizar esse conservadorismo de 16 anos”


PSB filia Gabriel Chalita em ato anti-Serra


Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

Numa reunião que contou com a presença de petistas, a filiação do vereador paulistano Gabriel Chalita, ex-PSDB, ao PSB, transformou-se ontem em um ato contra o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). As críticas foram puxadas pelo seu mais novo integrante e tiveram como principal alvo a gestão da educação no Estado, que entre 2002 e 2006 teve à frente o próprio Chalita. O pré-candidato a presidente da legenda, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), reforçou os ataques, com discurso de candidato a presidente em 2010.

“Durante minha gestão, não tivemos uma greve no magistério. A evasão foi a mais baixa da história. E o currículo foi incrementado com a participação dos professores. Aí está uma diferença básica. Eu respeito os professores. Não coloco neles a culpa pelos eventuais fracassos. Culpados são os maus gestores por destruírem políticas públicas, por não terem a humildade de dar continuidade ao que dá certo. Pelo personalismo hediondo tão mesquinho daqueles que pouco entendem de ética”, disse Chalita em longo discurso.

Depois, afirmou que um dos motivos por que deixou o partido foi a falta de espaço para debater a educação. “A minha lamentação no PSDB é que eu faço um projeto nacional, e no meu partido essas teses não eram nem discutidas. Queria, por exemplo, convencer que a escola em tempo integral é um bom caminho e eu não tinha esse espaço”

Criticou ainda que os métodos do governador paulista na política. “Basta fazer qualquer movimento de saída partidária que vem uma quantidade de blogs te destruindo com coisas que a gente não sabe de onde vem. Tem gente que diz que é o Serra quem faz. Na política, a gente deveria parar de usar o subsolo. Serra não é um político que admiro.”

Filiado por quase 20 anos ao PSDB, foi o vereador mais votado em São Paulo em 2008, com 102 mil votos. Entretanto, por pertencer ao grupo político do ex-governador e atual secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, não encontrou espaço no partido para postular o Senado. Aceitou, então, a ida ao PSB sob essa condição. Foi recebido com fogos e escola de samba em um amplo e lotado auditório no Sindicato dos Eletricitários, no bairro da Liberdade, centro da capital paulista.

A assessoria da Secretaria da Educação disse ontem que as críticas de Chalita são infundadas, na medida em que não houve descontinuidade de projetos da gestão anterior e que há políticas de valorização e incentivo ao professor sendo tocadas pelo atual secretário, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza.

Antes do discurso de Chalita, Ciro fez um discurso com nuances de candidato a presidente, que passou pela política e economia nacional e internacional. Sobre Chalita, disse que o novo correligionário é o símbolo do que o país precisa na política: “Um jovem que resolveu botar a mão na massa” e que “sem dúvida tem grande futuro na política de São Paulo e do Brasil”. “Conheço o ramo. Ele pode desestabilizar esse conservadorismo de 16 anos, que é razoavelmente bem avaliado mas pelo qual ninguém morre de amores”, disse Ciro, que chegou a mencionar Chalita como possível candidato do PSB ao governo do Estado.

Mas foi nos ataques a Serra, seu provável adversário em 2010, que Ciro, foi mais incisivo. “Ou o senhor José Serra é a volta da turma do presidente Fernando Henrique ou não é. Ele foi ou não foi ministro do FHC em dois mandatos, que tiveram o definhamento consistente da massa salarial em relação ao PIB, do crédito, o desfinanciamento dos investimentos em serviços públicos”, disse, afirmando em seguida que o país corre risco com a candidatura Serra. Em relação a si, disse: “Batam no mensageiro mas por favor prestem atenção na mensagem”.

Ciro reafirmou sua intenção de se candidatar a presidente, embora o partido pretenda definir isso no início do ano. Há a possibilidade de que ele transfira seu domicílio eleitoral para São Paulo, deixando em aberto a possibilidade de disputar o governo paulista. Uma reunião que ocorreria ontem e foi adiada para a manhã de hoje entre dirigentes do PSB deve debater essa transferência. Enquanto a decisão final não ocorre, Ciro se coloca como candidato e o PSB se movimenta para filiar o maior número possível de pré-candidatos com visibilidade a cargos proporcionais . Isso ocorre principalmente em São Paulo, onde pretende montar palanque para enfrentar o PSDB.

Anteontem, a reitora da USP, Suely Vilela, foi umas das que assinaram a ficha de filiação. Primeira mulher a assumir a reitoria da universidade, assumiu o cargo em novembro de 2005, durante a gestão Alckmin. Foi no governo Serra, porém, que enfrentou crises que desgastaram sua relação com o atual governador, como a ocupação da reitoria e greve de professores. Em conversa ontem com o Valor, disse que até deixar o cargo, em novembro, irá contribuir com plataformas educacionais para o partido. A decisão sobre uma possível candidatura ocorrerá depois. Afirmou se filiar ao PSB por acreditar nos ideais de “justiça, igualdade e participação” da sigla e que “a universidade é apartidária”. Sobre sua relação com o governador, disse que “Relação entre universidade e governo é sempre cordial”.


“É o maior fato político e eleitoral”, diz petista

“É o maior fato político e eleitoral do semestre. Muda a realidade em São Paulo e contribui para alterar a realidade nacional. Com Chalita entre nós, podemos apresentar a São Paulo algo para darmos um salto a frente.” As palavras foram ditas ontem pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza, na cerimônia de filiação do ex-tucano Gabriel Chalita ao PSB, um dos principais partidos da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Vaccarezza era mais um dos petistas presentes e entusiasmados com a adesão do ex-secretário da Educação do então governador Geraldo Alckmin (PSDB) à base aliada federal. Ao seu lado na mesa estava o presidente do PT paulista, Edinho Silva, que postou no twitter, ao deixar o ato: “Saindo do ato de filiação do Chalita ao PSB, muito representativo e com muita força política. O projeto do governo Luiz Inácio Lula da Silva ganha mais força social.” Outros dois vereadores petistas compareceram: José Américo e João Antonio.

Antes do ato, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) comemorava, também pelo twitter: “Daqui a pouco o vereador de SP Gabriel Chalita deixa o PSDB e se filia ao PSB passando a apoiar o governo Lula e seu projeto de nação.”

Essa aproximação contraria o histórico da relação do PT com o vereador paulistano. Enquanto esteve no PSDB, Chalita era um dos alvos preferidos dos petistas paulistas.

Em 23 de setembro de 2008, o líder da bancada do PT, Roberto Felício, protocolou nos Ministérios Público Estadual e Federal pedido de investigação sobre possível irregularidade na evolução do patrimônio de Chalita. Em março de 2006, a bancada petista protocolou um pedido de “CPI do Chalita”. Queria verificar a cessão de uma fazenda de 87 hectares para a rede de Comunicação Canção Nova, onde o então secretário de Educação de Alckmin tem um programa.

Em outubro de 2005, a Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia, liderada pelo PT, aprovou a convocação de Chalita para prestar esclarecimentos sobre a existência de 200 vans e micro-ônibus destinados ao transporte escolar que estariam paradas no pátio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. (CJ)

Comentário LF

Não sei se Vaccarezza exagera quando afirma que a filiação de Chalita “É o maior fato político e eleitoral do semestre”, é possível que seja exagerado mesmo.

A Folha, ao que parece, está convencida que a afirmação do líder do PT é um exagero. Por isso dedica ao fato um espaço reduzido.

A cobertura da Folha se resume hoje a ecoar crítica de Alckmin a Chalita, no Painel, e a uma foto legendada delatando Ciro por fumo em lugar proibido.

Ciro_fuma

Painel

RENATA LO PRETE – painel@uol.com.br

Alckmin sobre Chalita

No dia em que seu ex-pupilo Gabriel Chalita se filiou ao PSB e subiu o tom dos ataques a José Serra, Geraldo Alckmin resolveu romper o silêncio sobre o assunto. “Ele deveria ter continuado no PSDB. Respeito sua decisão, mas não concordo com suas críticas”, afirma o ex-governador, atual secretário do Desenvolvimento e líder isolado nas pesquisas sobre a sucessão no Palácio dos Bandeirantes.
“Primeiro, porque o Serra sempre foi nosso aliado e sabe que pode contar comigo”, diz Alckmin. “Segundo, porque o povo aprova e quer a continuidade do governo do PSDB em São Paulo. Assim como, mostram as pesquisas, quer uma nova Presidência tucana.”

Claque.
Os petistas Cândido Vacarezza, Edinho Silva, José Américo e João Antonio prestigiaram a filiação de Chalita. Depois, os dois últimos levaram o neoaliado almoçar.

16/09/2009 - 13:49h Petrobras defende o marco regulatorio proposto pelo governo

Pressa e desinformação: carta a Folha de S.Paulo

Com relação às notas  Pressa 1 e Pressa 2, publicadas na coluna Painel da Folha de S.Paulo em 15/9, a Petrobras esclarece que não tem qualquer intenção de mudar as regras do modelo regulatório proposto pelo Governo Federal. Também não está apoiando iniciativa de apresentação de emendas à proposta. Portanto, não é verdadeira a informação de que a Companhia fez um ”alerta” ao relator do projeto que estabelece o regime de partilha. A Petrobras reitera que cumprirá todas as normas do modelo aprovado pelo Congresso Nacional.

Blog da Petrobras

08/08/2009 - 13:21h Apoio rápido no gatilho

A Folha não precisa maiores esclarecimentos para manifestar rapidamente seu apoio a licitação de Kassab sobre mobília urbana. Dá como moeda corrente a afirmação da Emurb que a manutenção dos abrigos implicará em nenhum retorno aos cofres municipais pela concessão da publicidade. Não precisa saber se isto é verdade ou não, nem qual é a prática em outros países sobre o mesmo assunto.

O negócio é bom para a empresa que ganhar, mas para a prefeitura? Os abrigos já existem, pelo menos na área que mais publicidade ira receber, o centro expandido. A licitação prevê um novo modelo de abrigo a ser construído pela empresa ganhadora? aparentemente não. Ela ira vender o espaço publicitário e abocanhar lucro sem nenhum investimento prévio, utilizando os abrigos já existentes e construídos pela prefeitura? Ou a prefeitura utilizará o critério da outorga que é usado para as estradas em São Paulo?

Como essas, têm inúmeras peguntas que o editorial da Folha não faz, dedicado a apoiar o retorno da publicidade nesses abrigos.

Indiscutivelmente dobrar o número de relógios permitirá um extraordinário ganho de pontualidade dos cidadãos, permitindo que deixemos os nossos relógios de pulso, em casa; mas é uma contrapartida suficiente para quem ira explorar publicitariamente? ou a prefeitura deveria receber uma parte da receita publicitária?

Porem, em 15 de setembro 2007 a Folha informava do projeto de Kassab em estes termos:
“Funcionará assim: a empresa instala os abrigos de ônibus ou os relógios nos pontos predefinidos e vende anúncios nesses locais. Para poder explorar essa publicidade, terá de pagar um valor à prefeitura. Ganhará a licitação a empresa que oferecer o maior valor para “comprar” o direito de explorar o serviço.
O governo estima que possa arrecadar até R$ 150 milhões por ano com a concessão do serviço. Antes da Lei Cidade Limpa, por conta da poluição visual, a receita seria de, no máximo, R$ 40 milhões, disseram técnicos da prefeitura.
Kassab afirmou que o dinheiro será usado para começar a enterrar fios e cabos.

Contratos
Hoje, os abrigos de ônibus e os relógios têm propaganda. Os contratos são anteriores à Lei Cidade Limpa.
São 1.250 abrigos de ônibus, cujo contrato vence em 30 de setembro, e 350 relógios com hora e temperatura e contrato até 31 de dezembro.
A prefeitura arrecada cerca de R$ 140 mil por mês com os dois contratos, ou R$ 1,68 milhão por ano, pouco mais de 1% do que o governo pretende receber com a nova licitação.
Será permitida propaganda em pelo menos 8.000 abrigos de ônibus, que devem ser instalados pela própria empresa que vencer a licitação. Hoje, a prefeitura recebe R$ 0,60 para cada abrigo com publicidade, um pagamento simbólico, equivalente a R$ 750 por mês.”
(FSP 15/09/2007).

Agora resulta que “a prefeitura não receberá quase nada -a vantagem é que deixará de gastar” (editorial FSP, hoje ver mais embaixo).

A Folha é rápida no apoio e silenciosa nas interrogações. LF

http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/upload/DSC_4845_1190305609.JPGhttp://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/upload/DSC_4883_1190305818.JPG

Editoriais

editoriais@uol.com.br

Abrigos e relógios

O PREFEITO de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), decidiu permitir a publicidade em abrigos de pontos de ônibus, além de triplicar o número de relógios de rua, onde as propagandas já são permitidas. A possibilidade de anúncios nos pontos já estava prevista quando a Lei Cidade Limpa entrou em vigor, há dois anos e meio. Agora, parte do chamado mobiliário urbano começa a ganhar peças publicitárias, que deverão custear sua renovação e manutenção.
Desde que bem conduzido, o projeto oferece vantagens à cidade. Não retrocede no ganho contra a poluição visual, promove uma fonte de recursos para o erário e se compromete com a conservação de um item importante para a boa qualidade do transporte público municipal, que é o oferecimento de abrigos de ônibus bem conservados.
No caso dos relógios de rua, cuja licitação para exploração será aberta hoje com uma consulta pública, a ideia é passar dos atuais 320 em toda a cidade para cerca de 850 equipamentos em até dois anos. Outros 150 ficarão em reserva técnica para novas avenidas ou ampliação da cobertura, a critério da prefeitura. Os relógios passarão a ter câmeras de vídeo conectadas com a Polícia Militar, a Guarda Civil Metropolitana e a Companhia de Engenharia de Tráfego.
A licitação para os abrigos de ônibus deve ser aberta até o próximo mês. A depredação inutiliza 15% dessas instalações todo ano. A estimativa dos técnicos da Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), que gerencia o projeto, é que a prefeitura não receberá quase nada -a vantagem é que deixará de gastar. Os contratos devem render R$ 2,4 bilhões, pagos em sua maioria com abrigos e relógios.
É de esperar que o projeto resulte em melhorias palpáveis para os cidadãos com a instalação de equipamentos de qualidade.

27/07/2009 - 19:15h Manchete da Folha está errada

Blog da Petrobras

folha 27 7Na matéria “Devedora da União recebe R$ 203 mi da Petrobras” (27/7, pág. A4), a Folha de São Paulo constrói uma tese, a partir de sua manchete, de que a Petrobras fez contratos com empresas devedoras da União. Na verdade, a Petrobras só tem relação comercial atualmente com a Protemp SG Prestação de Serviços, cujo último contrato foi assinado em outubro de 2008, mediante apresentação de todos os documentos exigidos pela legislação vigente.

A Protemp SG Prestação de Serviços Limitada reiterou hoje, por meio de carta encaminhada à Petrobras, que não tem débito de nenhuma natureza, seja fiscal, previdenciário, com fornecedores ou empregados. Durante a vigência dos contratos anteriores com as empresas Protemp SG Mão de Obra Temporária Ltda. e Protemp Sertviços Empresariais Ltda. também não existiam débitos junto ao INSS e FGTS e as certidões negativas foram apresentadas. Portanto, a Petrobras não celebra contratos com empresas devedoras da União.

Para ler a matéria da Folha clique aqui

19/07/2009 - 09:58h “La commedia no è finita”

“Espetáculos de degradação como o do Senado se afiguram para a classe dominante brasileira como espetáculos”, escreve na Folha Janio de Freitas (“Um país divertido”). O Ombudsman do jornal, coincidentemente, parece considerar que a cobertura feita pela Folha contribui para transformar o Congresso em “baudeville”* e servir assim ao espetáculo da mesma classe dominante. É que Janio de Freitas não trata do papel da imprensa nessa “comédia” e Carlos Eduardo Lins da Silva, o ombudsman, sim. LF

* Baudeville é uma forma do teatro originado na França, a partir de parodias ou temas leves tratados geralmente como comedia e divertimento.

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA
ombudsman@uol.com.br

Como diminuir a lixação

O Legislativo produz mais do que crimes e fofocas, as duas únicas criações que parecem mobilizar a reportagem

NA QUINTA-FEIRA , o jornal noticiou que o Senado havia aprovado em última instância projeto de lei que altera regras para a adoção de crianças. A mais recente menção da Folha ao assunto havia ocorrido em 21 de agosto de 2008. É como se dez meses atrás tivesse anunciado que Roberto Carlos faria um show no Maracanã e só voltasse ao tema na segunda para descrever o espetáculo.
Ou tivesse dito na quinta que o Cruzeiro perdera a final da Libertadores sem ter tratado do campeonato nos 300 dias anteriores.
Poucos discordarão de que a Lei Nacional de Adoção é um assunto relevante. Como a lei da gorjeta, a reforma eleitoral, a regulamentação dos mototáxis, as mudanças no processo de divórcio, só para citar algumas leis a respeito das quais o Congresso tomou decisões vitais recentemente e que foram apresentadas ao leitor como fatos consumados.
As atividades de trabalho do Legislativo (nos seus três níveis) são cobertas pobremente pela Folha. E não é por falta de gente nem de papel. Boa quantidade de árvores caiu para produzir a montanha de páginas usadas para os mil e um escândalos da Câmara e do Senado só neste ano.
É claro que denunciar malfeitorias com dinheiro público é uma das principais funções do jornalismo.
Mas o Legislativo produz mais do que crimes e fofocas, suas duas únicas criações que parecem mobilizar a reportagem deste jornal.
Mesmo nessas áreas, seu desempenho é fraco. As malversações em geral só aparecem quando algum político interessado em prejudicar adversários as joga no colo de um repórter. Durante anos o Senado teve mais de uma centena de diretores, cujos nomes e funções constavam de catálogos públicos. Mas só agora se tratou deles, por exemplo.
E a cobertura insiste em focar pessoas, não instituições. É mais fácil responsabilizar indivíduos do que explicar processos. Mas tal simplificação é perniciosa para a cidadania e para a sociedade.
O jornal precisa produzir e editar mais material do tipo que gerou o livro recomendado ao final desta coluna e menos do que tem sido o padrão do seu jornalismo político: textos previsíveis, redundantes, cifrados, superficiais, aborrecidos, moralistas e frequentemente a serviço conscientemente ou não de políticos ou individualmente ou em grupos.
Em entrevista que vai ao ar amanhã e está indicada abaixo, o jornalista Gay Talese diz que uma providência imediata para melhorar a qualidade do seu jornal, o “New York Times”, seria tirar de Washington a maioria dos jornalistas que compõem a sucursal na capital do país.
Talvez nem seja preciso tanto aqui.
Se os que estão em Brasília se dedicarem a informar o leitor sobre a tramitação de projetos de lei de importância, ajudando-o a engajar-se no debate público, o jornal será mais efetivo. Talvez então congressistas suspeitos deixem de se lixar para ele.

07/06/2009 - 12:30h Cansei

PAINEL DO LEITOR

O “Painel do Leitor” recebe colaborações por e-mail (leitor@uol.com.br), fax (0/xx/11/3223-1644) e correio (al.Barão de Limeira, 425, 4º andar, São Paulo-SP, CEP 01202-900). As mensagens devem ser concisas e conter nome completo, endereço e telefone. A Folha se reserva o direito de publicar trechos.

Leia mais cartas na Folha Online
www.folha.com.br/paineldoleitor

Terceiro mandato
“Está ficando cansativo ler diariamente a Folha e a opinião de seus colunistas. Só se fala no bendito terceiro mandato de Lula. Estou começando a crer que a Folha está torcendo pelo terceiro mandato do presidente, ou porque gosta mesmo dele e não assume, ou porque quer que ele cometa esse equívoco para depois o criticar até a morte. Ele já cansou de falar que não quer outro mandato, mas a mídia fica batendo na mesma tecla. Seria bom o jornal dar um tempo e ignorar declarações e notícias sobre o assunto.
Nós, leitores, agradecemos.”
GUILHERME FREITAS (São Paulo, SP)

21/04/2009 - 11:56h Me engana, que eu gosto

Uma verdadeira ação de enganação é desenvolvida pela “gestão” Kassab, utilizando a falta de rigor de alguns jornais, sobre as receitas e o orçamento da Prefeitura.

Durante a campanha eleitoral Kassab teve que fazer “entrar” na sua proposta de orçamento todas as promessas que o marketing eleitoral lhe ditara.

Esse primeiro orçamento era uma ficção. Por isso, pretextando a crise, os seus vereadores recortaram de R$ 2 bi as recitas previstas, deixando mesmo assim a previsão orçamentária bem acima da realidade. Isto permitia assegurar para Kassab um índice de remanejamento bem superior aos 15% que sua maioria folgada na Câmara votou.

A explicação é simples. Como Kassab pode utilizar como bem quiser 15% do orçamento previsto, uma previsão maior permite um remanejamento discricional de maior volume de dinheiro sem ter que discutir o assunto com ninguém.

Acontece que o MP está atento a qualquer manipulação deste tipo o que obriga Kassab a “justificar” que à arrecadação não correspondeu com as expectativas. Para isto “serve” a crise.

A Folha de hoje, por exemplo, trás uma matéria explicando que a crise levou a Prefeitura a reduzir em R$3 bilhões as previsões de receitas, devendo por isto cortar investimentos.

O artigo nada diz sobre o dinheiro aplicado no banco Itaú e outros, de montante equivalente ao que ano após ano Kassab deixava com o banco (em dezembro o superávit da prefeitura era quase R$2 bi, hoje já é de mais ou menos R$4 bilhões).

Mas o artigo reproduz, en passant, declaração do Secretário de Finanças do município, que confessa: “Conseguimos arrecadar 1% a mais que o ano passado.”

Curiosamente o jornalista nem pergunta se assim sendo, não teriam sido às previsões “exageradas” ou infladas, para facilitar assim o descumprimento das promessas eleitorais e continuar remanejando verbas à vontade? Tampouco pergunta porque o dinheiro fica no banco e as obras e investimentos estão parados?

A questão não é evocada e vemos assim dar cobertura a uma justificativa incoerente. Se a arrecadação este ano foi superior à de 2008, porque os gastos estão contingenciados, as obras paradas e os investimentos adiados (salvo com publicidade) e em 2008 não foi assim?

A bem da verdade, podem aguardar. Ao final de 2009 a prefeitura terá arrecadado pelo menos o equivalente de 2008. Mesmo assim será muito menos que as expectativas orçamentárias infladas por Kassab.

Se o MP exigir explicações, a resposta já está pronta e pavimentada por inúmeras matérias dos jornais, todas no mesmo sentido: a culpa é da “crise”.

Será que o MP engole essa?

LF

A seguir o artigo da Folha de hoje, percebam que o “outro lado”, -no caso a oposição a Kassab- nunca é ouvida neste tema.

http://inconfidencial.com.br/in/media/blogs/hojemiro/kassab.jpg

Queda de receita faz Kassab cortar mais o Orçamento

Obras viárias sofrerão maior impacto, diz secretário

CATIA SEABRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Após ver frustrada em mais de R$ 550 milhões a estimativa de arrecadação do primeiro trimestre, a Prefeitura de São Paulo reduziu em R$ 3 bilhões a previsão de receita do ano.
Segundo números já apresentados ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), a projeção de receita para 2009 deverá cair dos R$ 27,5 bilhões originalmente programados no Orçamento para R$ 24,5 bilhões.
Recém-calculados, os números dos três primeiros meses inspiraram tal reavaliação. Segundo o secretário municipal de Finanças, Walter Aluisio Morais Rodrigues, a prefeitura arrecadou pouco mais de R$ 6,6 bilhões no primeiro trimestre, 7,7% a menos do que os cerca de 7,2 bilhões previstos.
“Conseguimos arrecadar 1% a mais do que no ano passado. Mesmo assim, foram R$ 560 milhões a menos do que previsto. Uma frustração muito grande. Mantido esse ritmo, a prefeitura estará muito bem se chegar a R$ 24,5 bilhões [em 2009]“, disse Walter Aluisio, avisando que o congelamento de gastos (contingenciamento) só será revisto caso a economia passe por uma recuperação.
No fim do ano passado, num acordo entre Kassab e Câmara, os vereadores chegaram a reduzir em R$ 2 bilhões, já por causa da crise, o total de despesas previstas para São Paulo: de R$ 29,4 bilhões propostos inicialmente pelo Executivo para R$ 27,5 bilhões. Assim como o titular das Finanças, o secretário municipal de Planejamento, Manuelito Magalhães, também admite uma perda bem maior, mesmo com a aprovação de um Orçamento mais magro.
“Temos uma defasagem entre o que estava projetado e o que está acontecendo. Tanto que fizemos um contingenciamento. A projeção é de R$ 27,5 bilhões no Orçamento. Agora, se der R$ 25 bilhões, estamos felizes da vida”, afirmou ele.
Para garantir fôlego a obras, a prefeitura reduziu a quase um terço a projeção de superávit primário (a “economia” que faz para abater sua dívida). Segundo proposta enviada na sexta-feira à Câmara, a previsão passou de R$ 1,1 bilhão para R$ 406,5 milhões.

Obras
Antes reservada ao pagamento da dívida, essa diferença será destinada a obras. Ainda assim, o secretário de Infraestrutura, Marcelo Branco, admite que boa parte dos investimentos será contida. Segundo ele, a orientação é pela preservação das obras na área de educação e saúde. “As de infraestrutura [no setor viário] deverão sofrer maior impacto da crise”, disse Branco, para quem o momento requer o aumento de parceiras público-privadas.
Em curso desde o início do ano, a renegociação de contratos da Prefeitura não surtirá tanto efeito, afirmou o secretário de Finanças, porque já foram assinados na atual gestão.
Com a crise, o estoque da dívida também engordará em R$ 1,4 bilhão. A saúde financeira da prefeitura é hoje alvo de atenção do governador José Serra (PSDB). Avalista de Kassab, seu vice na eleição de 2004, Serra terá, segundo seus aliados, seu desempenho eleitoral atrelado à avaliação do prefeito.

29/03/2009 - 12:00h Mas, porque a Folha Online derrapou? A pressa em colocar no ar informações inexistentes?

“Esta semana, na cobertura da Operação Castelo de Areia, a versão on-line da Folha deu uma derrapada feia, em decorrência de vícios estruturais dessa plataforma: a pressa em colocar no ar informações e a frouxidão dos controles.
Das 8h41 às 10h30 de quinta-feira, a terceira chamada da página inicial da Folha Online tinha um título errado (”PT pode ser investigado por doações da Camargo”), sem nenhuma base nas informações disponíveis. O erro, que não apareceu no jornal impresso, foi corrigido e o título mudado.
O rigor e o cuidado imprescindíveis no jornal impresso devem ser obrigatórios no eletrônico. As sociedades democráticas podem até sobreviver sem jornalismo de papel, mas sem jornalismo independente serão castelos de areia.”

Castelos de papel, tela e areia


Mais do que nunca, é preciso cuidar para que a qualidade sempre exigida no jornalismo impresso se mantenha no jornalismo eletrônico

OS TEMPOS são terríveis para os jornais impressos nos EUA e na Europa. A crise econômica acelerou o desgaste do modelo econômico dessa indústria nos países centrais do capitalismo e os efeitos são visíveis.
Na sexta-feira, circulou a última edição em papel do centenário e excelente “Christian Science Monitor”. Na quinta, o “New York Times” anunciou corte de 5% por nove meses no salário de quase todo o seu pessoal, mais um gesto extremo para tentar melhorar suas contas, e o “Washington Post” deu partida a processo de demissões voluntárias.
Na terça, quatro cidades do Estado de Michigan, inclusive Ann Arbor, sede da Universidade de Michigan, souberam que este ano ficarão sem nenhum jornal impresso porque o único em cada uma delas (todos pertencentes a uma rede) vai deixar de circular.
Semanas atrás, dois tradicionais títulos, o “Rocky Mountain News” e o “Seattle Post Intelligencer” haviam deixado de rodar e passado a operar só na internet.
A Federação Europeia de Jornalistas, em atitude clara de desespero, pediu aos líderes dos partidos no Parlamento Europeu que os governos salvem os jornais impressos, “pedra angular da democracia europeia”, segundo dizem no documento.
A administração Sarkozy, na França, já seguiu nessa direção com um pacote de 600 milhões de euros de socorro aos diários. Nos EUA, o senador Benjamin Cardin, democrata do Maryland, argumenta com seus pares que os jornais merecem tanto auxílio quanto os bancos.
Esse apelo ao Estado é um atentado contra o princípio essencial da independência, condição indispensável para o exercício do bom jornalismo. A sobreviver como apêndice de governos, é melhor perecer.
Apesar de todos esses indícios, e dos prenúncios sombrios para os jornais no mais recente relatório do “State of the News Media” (http://www.stateofthenewsmedia.org/2009/index.htm), o jogo ainda não está jogado nem lá nem muito menos aqui no Brasil.
Mas a tendência da migração do jornalismo do papel para a tela é irredutível, mesmo que as versões impressas se mantenham. Por isso, mais do que nunca, é preciso cuidar para que a qualidade sempre exigida no produto impresso se mantenha no eletrônico.
Esta semana, na cobertura da Operação Castelo de Areia, a versão on-line da Folha deu uma derrapada feia, em decorrência de vícios estruturais dessa plataforma: a pressa em colocar no ar informações e a frouxidão dos controles.
Das 8h41 às 10h30 de quinta-feira, a terceira chamada da página inicial da Folha Online tinha um título errado (”PT pode ser investigado por doações da Camargo”), sem nenhuma base nas informações disponíveis. O erro, que não apareceu no jornal impresso, foi corrigido e o título mudado.
O rigor e o cuidado imprescindíveis no jornal impresso devem ser obrigatórios no eletrônico. As sociedades democráticas podem até sobreviver sem jornalismo de papel, mas sem jornalismo independente serão castelos de areia.

08/03/2009 - 11:23h Folha avalia que errou, mas reitera críticas

Folha de São Paulo

DA REDAÇÃO

O diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, divulgou ontem as seguintes declarações:

“O uso da expressão “ditabranda” em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis.

Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda.

A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, “de joelhos”, a uma autocrítica em praça pública.

Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam.”

Otavio Frias Filho

03/03/2009 - 14:21h A nova direita

berlin-wall.jpg

MARCOS NOBRE – FOLHA SP

NÃO FAZ MUITO tempo, a esquerda tinha conseguido estabelecer alguns sólidos pontos de partida do debate político. Aplicar pena de prisão não diminui a criminalidade, porque o crime não é apenas ação de um indivíduo, mas falha de toda uma sociedade. O desemprego não é culpa do desempregado, mas de um sistema econômico que produz injustiça. O progresso material só significa progresso social e político se houver uma justa e solidária distribuição da riqueza. E por aí vai.
Essas posições foram desafiadas e derrotadas. Nos últimos 30 anos, enquanto movimentos e grupos sociais reivindicavam mais liberdade, uma esquerda tradicional respondeu de maneira tradicional: liberdade só com igualdade primeiro. Recusou-se a ver que havia ali um problema real, que a promoção da igualdade não produz automaticamente pessoas autônomas. Ao invés de aceitar o desafio de pensar uma nova relação entre liberdade e igualdade, boa parte da esquerda perdeu-se em discussões bizantinas como a das causas da queda do decrépito bloco soviético.
Enquanto isso, a direita se apresentou em nova roupagem, como paladino da liberdade e mãe da democracia -quando se sabe que a democracia de massas foi em larga medida uma conquista do movimento operário contra a direita, que entrava em pânico só de pensar no voto universal secreto. A nova direita ocupou um a um os espaços disponíveis nos meios de comunicação de massa e na esfera pública, em um combate cotidiano contra as teses de esquerda então dominantes. Venceu e transformou a sua vitória em poder institucional.
O resultado foi uma guinada nos pontos de partida do debate político. O que se pede hoje de todos os lados é mais prisão, mais responsabilização dos indivíduos, mais progresso material puro e simples. E por aí vai. É nisso que consiste a atual hegemonia da direita.
A nova direita vê a forma atual da democracia como imutável, como o “fim da história”. Avalia toda tentativa da esquerda de transformar a democracia como um ataque à liberdade. Mas, ao mesmo tempo, não vê problema em aceitar -como fez a Folha a propósito da ditadura militar brasileira- o revisionismo histórico e gradações no autoritarismo.
A atual crise econômica pode alterar esse quadro. Esse é o maior temor da nova direita hegemônica. Mas isso só tem chance de acontecer se a esquerda for capaz de fazer o combate de ideias no espaço público sem continuar a pressupor que seus pontos de partida seguem inquestionáveis. Convencer pessoas que já estão convencidas é puro conformismo.

nobre.a2 uol.com.br
MARCOS NOBRE escreve às terças-feiras nesta coluna.

17/02/2009 - 17:57h Cresce a indignação

Filho de chocadeira

 

por Conceição Lemes,

Será que o jornalista Josias de Souza, colunista da Folha de S. Paulo, tem mãe, irmã, companheira, namorada, amiga? Será que ele as respeita? Será que as vê como seres humanos de verdade?

Bem, antes de responder, leia atentamente a manchete e o texto do primeiro item –Veneno –  da coluna de Josias, publicada ontem no seu blog no Uol. Veja a foto. Observe as palavras circundadas em vermelho por Eduardo Guimarães na denúncia que postou às 23h56, no Cidadania.com

bodega.gif

1. Veneno: No jantar oferecido por Marta a Dilma, na sexta (13), a candidata companheira comparou-se ao FHC da eleição de 1994.

Naquele pleito, empurrado pelo Real, o tucano voou de um ministério (Fazenda) para o Planalto, deixando pelo caminho um Lula que as pesquisas davam como favorito.

Pelo menos um grão-petista deixou o repasto com a impressão de que alguma coisa subiu à cabeça da presidenciável oficial do Planalto.

Lamentou que Dilma tenha apagado da memória o Serra de 2002, um tucano que também alçou vôo de um ministério (Saúde) e quebrou o bico.

De resto, o partidário cético de Dilma acha que, por ora, o PAC está mais para o programa de genéricos de Serra do que para o Real de FHC.

O que achou? Engraçadinho? Apenas uma brincadeira com as palavras? Ingênuo?

Pois para nós, não. Mais. Pelo menos, a impressão que passa é a de que Josias de Souza não tem mãe, irmã, companheira, namorada, amiga. Se as tivesse e as considerasse não faria um título e um texto rasteiros, com segundas intenções. E, considerando que o jornalista sabe manusear a língua portuguesa, não foi descuido. Foi má-fé. Desqualificação de gênero.

O seu objetivo é induzir o leitor a olhar Marta Suplicy e Dilma Rousseff como vadias e vagabundas. Vejamos:

1) Por que será que Josias colou o título geral do post e em seguida a foto e o texto sobre Marta e Dilma?  Ah, já sei; são do PT e, ainda, por cima mulheres. E o patrão dele odeia tudo o que diz respeito ao PT.

2) Se o objetivo do jornalista não era maledicente, por que não colocou como primeira nota a que fala sobre o Jarbas Vasconcelos e o Orestes Quércia, por exemplo?  Ah, já sei, os dois são da ala do PMDB que quer o José Serra para a presidência em 2010, assim como a própria Folha desde sempre.  Também não ia pegar bem correr o risco de relacioná-los com vagabundos e vadios, né?

Foi o Eduardo Guimarães quem nos alertou para essa ignomínia. O título do nosso artigo, aliás, é tirado do post dele: Um filho de chocadeira.

“Sou casado e tenho quatro filhos, sendo três mulheres. Tenho também uma neta. Além disso, tenho mãe, o que não parece ser o caso desse infeliz desse blog abjeto que aparece na imagem acima, desse empregadinho da mídia golpista, desse sujeitinho à toa que acha que a escolha dessa manchete para uma matéria relativa a foto mostrando a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a ex-prefeita Marta Suplicy, é coisa de homem. Eu não acho. Como filho, esposo, pai e avô, tenho, ao todo, seis bons motivos para não descer a esse ponto na guerra política, ao ponto a que desceu esse degenerado sem mãe.”

É segundo Carlinhos Medeiros, do blog Bodega Cultural, o PITU – Partido da Imprensa Tucana — em ação.

Examinem mais uma vez as protagonistas da foto e as imagens textuais selecionadas para associá-las. “É uma maneira subliminar de desqualificação”, indigna-se a historiadora Conceição Oliveira no seu blog “Ao associar termos e expressões com duplo sentido à imagem das fotografadas, o Josias opera no subconsciente de uma sociedade com longa história patriarcal, sexista, machista, chauvinista e de muita violência contra as mulheres. Escolher a dedo termos como ‘vadias’, ‘vagabundas’, ‘bico’, ‘asas’ (só faltaram as penas) tem um propósito claro neste contexto.”

“Ainda vivemos em uma sociedade que mulheres no centro de poder são exceções e por ousar ocupá-los são constantemente desqualificadas. E é neste registro que operam manchete, imagem e texto do Josias de Sousa”, prossegue Conceição Oliveira. “Esta estratégia é danosa para homens e mulheres e para as lutas femininas por respeito e dignidade humana.”

Ações como sua, Josias, são um desserviço às mulheres e ao País; contribuem para aumentar a violência contra nós.  Tomara que nem você nem as pessoas que ama provem do seu veneno.

Fonte Vi o mundo, Blog de Azenha

17/02/2009 - 10:25h Todo organismo vivo produz seus excrementos

Josias de Souza, da Folha de São Paulo

josias.jpg

A infâmia de Josias de Souza no seu blog, na Folha Online, provocou uma legitima onda de indignação na blogosfera. Vários leitores deste blog manifestaram sua reprovação.

Luiz Nassif o definiu assim:

A escola do esgoto

Do Blog do Josias

Ou, as prévias do que será o jornalismo em 2010.”

No seu Blog, Cidadania.com, Eduardo Guimarães exclamou sua indignação (ver embaixo a nota “Um filho de chocadeira”).

A Folha por enquanto não se manifestou, mas duvido que na sua redação a reprovação da abjeção não seja unanime. É que uma coisa é a divergência política, muitas vezes impregnada de má fé, e outra é a manifestação do esgoto machista e revulsivo.

Muitas vezes se pondera que internet permite esse tipo de imundícia, pois não existe mecanismos de controle ou de preservação da ética. Mas é da natureza que todo organismo vivo, -e internet é um instrumento de intensa vida e de conhecimento- produza seus excrementos.

Com a particularidade que não basta apertar a descarga para sumir com os dejetos.

Na internet não tem privada, mas alguns “jornalistas” transformam seus blogs em um sucedâneo.

Eles expõem assim sua alma.

Luis Favre

Cidadania.com

Denúncia

Um filho de chocadeira

 

 

 

 

Sou casado e tenho quatro filhos, sendo três mulheres. Tenho também uma neta. Além disso, tenho mãe, o que não parece ser o caso desse infeliz desse blog abjeto que aparece na imagem acima, desse empregadinho da mídia golpista, desse sujeitinho à-toa que acha que a escolha dessa manchete para uma matéria relativa a foto mostrando a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a ex-prefeita Marta Suplicy, é coisa de homem. Eu não acho. Como filho, esposo, pai e avô, tenho, ao todo, seis bons motivos para não descer a esse ponto na guerra política, ao ponto a que desceu esse degenerado sem mãe.

Eduardo Guimarães

15/02/2009 - 12:13h Os problemas da Folha

 

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA
ombudsman@uol.com.br

A Folha e os problemas de São Paulo


O jornal deixa muito a desejar em relação ao que se espera do maior diário paulista na cobertura de temas como exame de professores e merenda

A CIDADE e o Estado de São Paulo, onde este jornal tem a maioria absoluta de seus assinantes e leitores, começam 2009 com problemas sérios.
A maneira com que a Folha os vem tratando deixa muito a desejar em relação ao que se pode esperar do maior diário paulista.
Um deles é o exame a que foram submetidos professores temporários da rede estadual de ensino público, no qual número expressivo tirou nota zero e metade não chegou a cinco.
Como na greve da categoria em 2008, o jornal trata do caso superficialmente. Reproduz declarações das autoridades e, em contraponto, ouve mecanicamente o sindicato dos trabalhadores.
O “outro lado” não é o sindicato, mas os professores, cujas histórias não chegam ao público. O jornal não vai fundo nem nas causas de haver tantos professores provisórios no sistema nem nas razões por que muitos se deram mal na prova.
As condições em que o teste foi concebido, formulado e aplicado (há indícios de que estiveram longe do ideal) não foram detalhadas.
O noticiário e opiniões do jornal acabaram passando a ideia de que a “culpa” do mau desempenho é apenas dos professores, mostrados como em geral despreparados. É claro que a explicação é muito mais complexa.
Outra situação é a da merenda escolar no município de São Paulo. Embora em 2007 a Folha tenha levantado o tema que agora está sendo retomado pelo Ministério Público, seu acompanhamento neste ano tem sido pouco arrojado.
O jornal precisa ser mais ativo. Em vez de quase se limitar ao pingue-pongue entre prefeitura e seus acusadores deve tomar a iniciativa de, por exemplo, verificar autonomamente a qualidade da merenda, pesquisar se pais, professores e alunos estão satisfeitos com ela em comparação com a que tinham antes.
O tema merece mais espaço, destaque e investimento do que tem recebido. Houve dia em que o noticiário sobre ele teve o mesmo tamanho de uma foto que mostrava as calças de um calouro estragadas em trote universitário.
Os paulistas, principalmente os paulistanos, estão sofrendo bastante com enchentes. Mas o jornal tem cuidado delas de forma acanhada. Relata os alagamentos que ocorrem, publica fotos de carros boiando nas ruas, conta os quilômetros de congestionamento. É muito pouco
No dia 10, por exemplo, reportagem registrou que a prefeitura “espera o pior fevereiro desde 2004″ e fará novo estudo de riscos só depois do período de chuvas.
A placidez com que acata tal declaração só se compara com a aceitação passiva do argumento de que a prefeitura tapa os buracos “sempre que é informada”. Ambas são constrangedoras.
Nada de jornalismo preventivo. Nada de acompanhamento sistemático das providências que as autoridades dizem tomar.
Finalmente, a erupção de violência na favela de Paraisópolis, cujo acompanhamento anódino por este jornal já comentei, não o motiva a se aprofundar no exame desta e de outras comunidades em que a expressão “barril de pólvora” se aplica bem, apesar do lugar-comum. Até acontecer a próxima explosão.


Carlos Eduardo Lins da Silva é o ombudsman da Folha desde 24 de abril de 2008. O ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais dois. Não pode ser demitido durante o exercício da função e tem estabilidade por seis meses após deixá-la. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores, recebendo e verificando suas reclamações, e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação.

22/01/2009 - 12:38h Hilária má fé


Blog Entrelinhas

Não deixa de ser hilária a má vontade da Folha de S. Paulo com qualquer tipo de estatística econômica que não revele a aproximação cada vez mais rápida de um verdadeiro apocalipse no Brasil, de preferência ainda sob a gestão Lula. O exemplo abaixo é bastante didático, um exercício de comparação que desnuda a torcida do pessoal que faz o diário da Barão de Limeira pelo agravamento da crise no país.

Globo Online:
Desemprego cai para 6,8% em dezembro, o menor desde 2002

Estadão.com:
Desemprego mensal no País é o menor em 6 anos

Folha Online:
Taxa de desemprego no país deve refletir crise em janeiro

21/01/2009 - 14:09h Acidentes e articulistas convidados

Depois do acidente em Congonhas com o avião da TAM e após a Folha de São Paulo ter publicado com destaque um artigo acusando o governo federal de assassino, o Ombudsman do jornal na época, prodigou sábios conselhos, que reproduzo a seguir.

São Paulo, domingo, 05 de agosto de 2007

“Governo assassina mais de 200″

Com a fumaça ainda enevoando a tragédia, o psicanalista Francisco Daudt, colunista da Revista da Folha, escreveu, fora do seu espaço habitual, um artigo publicado no dia 19 de julho.
Começava assim: “Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, “GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS”. [...] O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime”.
Pelo que se sabe hoje, a gestão aeroportuária não foi determinante para o desastre.
No dia 20, o escritor e piloto Ivan Sant’Anna disse em artigo que o Airbus estava “arremetendo” (tentando levantar vôo) quando bateu. No dia 23, o diretor de teatro Gerald Thomas bancou que o piloto da TAM “tentou arremeter”.
Até agora, os fatos divulgados sugerem o contrário.
A Folha ganharia se não restringisse aos seus jornalistas a orientação de não firmar “certezas” técnicas sem comprovação sobre acidentes aeronáuticos. A norma deveria se estender aos articulistas convidados.”

Hoje, após a tragédia do desabamento do templo de Cambuci, a Folha publica artigo com “certezas técnicas sem comprovação” de “articulista convidado”.

Aparentemente a Folha não levou em consideração os conselhos do seu ombudsman.

Em sua defesa, o jornal poderá arguir que diferentemente do tratamento dado ao acidente da TAM, desta vez o “articulista convidado” diz com todas as letras “Açodadamente, procura-se responsabilizar a prefeitura pelas tragédias, seja por não ter fiscalizado os edifícios, seja por ter concedido os alvarás sem maiores cuidados. A questão central não é a documentação da obra.” e até acrescenta “A prefeitura não entra e nem deve entrar no mérito do trabalho técnico das obras.”

A Folha poderá arguir que incorporada a lição sobre ilações e acusações sem fundamento, agora as autoridades estão preservadas de qualquer acusação sem provas.

Ela pode também, mais prosaicamente, dizer que não é responsável pelos palpites contidos em artigos assinados e que aquele de 2007 tinha um viés antigovernamental e o de hoje pro-prefeitura, por exclusiva responsabilidade dos seus autores.

A arguição da Folha deixará satisfeitos os seus leitores? LF

artigo

Documentação perfeita, técnica desprezada

LÚCIO GOMES MACHADO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Surpreendidos pela Justiça, infratores menores ou maiores não mais negam seus delitos. Cinicamente afirmam: “Não há provas”.
Uma forma análoga de desfaçatez tem comparecido no noticiário: “A documentação está em ordem!”.
Dez anos depois da tragédia do desabamento de um templo evangélico em Osasco, uma nova tragédia semelhante nos choca. Outro templo, também resultado de adaptação de antigo cinema à nova função, desaba. Em Osasco, 25 pessoas morreram e 467 ficaram feridas.
Agora, nove morreram e mais de cem foram machucadas. Neste ínterim, o crime constatado na tragédia de Osasco prescreveu -deixando de punir oito pessoas condenadas em primeira instância- e a “bancada evangélica” impediu a instalação de CPI para averiguar as condições de segurança de templos. Crime perfeito?
Açodadamente, procura-se responsabilizar a prefeitura pelas tragédias, seja por não ter fiscalizado os edifícios, seja por ter concedido os alvarás sem maiores cuidados. A questão central não é a documentação da obra.
Podemos ter certeza: se a documentação não estiver em ordem, rapidamente será regularizada. Há dezenas de firmas de despachantes especializadas nesse campo.
A prefeitura não entra e nem deve entrar no mérito do trabalho técnico das obras. Seu papel é traçar diretrizes urbanísticas, determinar as normas e os padrões de desempenho a serem atendidos por cada tipo de edificação e uso. Deve, sem dúvida, zelar pela garantia da presença de profissionais habilitados e qualificados na condução de projetos, consultorias e obras, além de fiscalizar o efetivo cumprimento desses padrões.
Cabe aos profissionais -arquitetos e engenheiros- garantir a segurança e a qualidade técnica e estética das edificações. Isso não ocorre com a simples assinatura de uma planta, mas ao longo de exaustivo processo de projeto, de direção técnica da obra e de manutenção do edifício.
Deixando de ser objeto de tais ações especializadas, os edifícios nascem defeituosos, adoecem, entram em colapso, morrem e matam.
Por outro lado, é preciso que os profissionais tenham consciência de suas limitações, assumam suas responsabilidades. Mas, para que possam trabalhar, devem ser respeitados como detentores de conhecimento específico que ultrapassa, em muito, o senso comum.
O problema tem se tornado mais grave: tanto a iniciativa privada quanto o poder público têm optado por contratar serviços de arquitetura e de engenharia pelo menor preço, sem exame do mérito técnico do que vai ser elaborado. Isso equivale a comprar a pior qualidade pelo maior preço, como se constata nesses casos: mortes em desabamentos perfeitamente evitáveis se algum profissional competente tivesse examinado periodicamente a estrutura em vez de ter sido contratado algum “esperto” para construir uma documentação vazia.


LÚCIO GOMES MACHADO é arquiteto, professor doutor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP, ex-vice-presidente do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo, do Instituto de Arquitetos do Brasil (Departamento de SP) e do Crea-SP
Folha de São Paulo hoje, 21/01/2009

20/01/2009 - 15:47h Cargos

“Jogada de mestre”, ” liderança”, “capacidade política” e “demostração de unidade”; este e outros foram os comentários que acompanharam a nomeação de Alckmin secretário de Serra.

Nada de “prêmio de consolação”, “emprego”, “boquinha” e outros epítetos que acompanham nomeações de políticos do PT, mais ainda quando foram derrotados nas urnas, como foi o caso de Alckmin.

Porque Serra que a mídia pratica duas atitudes opostas?

Recentemente a Folha nos brindava assim:

“Pressionado, Lula terá de acomodar petistas sem emprego após eleições”

“Ex-prefeitos de Belo Horizonte, Recife e Diadema querem ficar na vitrine para 2010″ 

Hoje, o registro é outro:

“De olho em 2010, Serra dá a Alckmin secretaria em SP”

“Ex-governador comandará pasta do Desenvolvimento, com verba de R$ 2 bilhões”

“Reaproximação dos dois tucanos fortalece Serra no âmbito nacional como o nome do PSDB à sucessão de Lula no próximo ano”

O derrotado candidato a presidente, que passou de favorito à prefeitura a eliminado já no primeiro turno, ganhou o picolé do “desenvolvimento”. Ganha Serra, dizem os articulistas repercutindo assim os autoelogios prodigados pelos próprios tucanos.

Assim a Folha, no artigo consagrado ao assunto, dá a palavra aos envolvidos:

“Venho para somar, unir e trabalhar”, disse Alckmin, que reconheceu o favoritismo do governador paulista. “Se da própria eleição presidencial, na qual Serra desponta como importante candidato, não é hora de se tratar [desse assunto], imagine da eleição estadual”, disse, após ter sido questionado se concorrerá ao Bandeirantes.
Segundo Serra, a escolha pode funcionar como antídoto contra sua imagem de “desagregador”. Embora negando divergências internas, o governador afirmou ainda que, “para o público externo, existe a imagem de fissura partidária”.
“É um fato político importante. Um sinal de maturidade e grandeza de Serra e Alckmin, que certamente será bem aceito, não apenas pelo PSDB, mas também pelos paulistas em geral”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
À frente da pasta, o ex-governador controlará projetos importantes. Os investimentos previstos para este ano se aproximam de R$ 2 bilhões.”

O que pensa a oposição sobre esta nomeação? nenhum jornal nos informa a respeito.

Mas porque deveriam os opositores aguar a alegria tucana? LF

20/01/2009 - 09:48h Alimentando a crise com papel jornal

A cifras do desemprego de novembro e dezembro 2008 são suficientemente graves. Elas justificam a mobilização das centrais sindicais, a preocupação das entidades patronais e o acompanhamento e as iniciativas do governo para diminuir o impacto da crise internacional sobre o Brasil.

Mas alguns jornais carregam as tintas, mais da conta; como se semear o terror ajudasse a tomar consciência de um problema ignorado. Ou procurando disseminar um descontentamento com o governo e sua política econômica, saudada como muito positiva pela maioria dos analistas internacionais e nacionais.

A Folha SP, por exemplo, publica um artigo que começa assim:

“O corte de 654 mil vagas registrado pelo Caged em dezembro do ano passado não encontra, em termos nominais, comparação com nenhum dos realizados pelas principais economias desde o agravamento da crise, há quatro meses. Nem mesmo os EUA, que são o centro da crise e têm uma população superior à brasileira, tiveram mais vagas eliminadas.
No seu pior momento, em novembro do ano passado, o mercado de trabalho norte-americano viu 584 mil vagas deixarem de existir, o sexto maior corte em 59 anos e que era o maior até então entre as principais economias mundiais (levando em conta alguns parâmetros como a confiabilidade e a regularidade dos dados, o que exclui, por exemplo, a China).”

Esta comparação ganhou até espaço na primeira página do jornal: “As demissões no Brasil superaram o recorde dos EUA na atual crise, em novembro de 2008, quando foram cortadas 584 mil vagas.”

Em ambos os artigos o jornal não diz que em 2008 foram suprimidos 2,529 milhões de vagas nos EUA e, no Brasil, foram criados no mesmo período 1,452 milhões de empregos com carteira assinada.

A Folha tampouco informa que os dados do emprego dos EUA não incluem o setor agrícola, diferentemente daqui. No Brasil os dados incorporam a agricultura que foi responsável por 20% do total das dispensas em dezembro de 2008. Ou seja se retirarmos esse setor, para comparação equivalente e pelo tanto correta, as afirmações da Folha estão incorretas.

No mês de dezembro de 2007 (desde 1999 o mês de dezembro comporta saldo negativo de vagas, que o crescimento seja alto ou baixo no ano), quando o crescimento embalava a criação de emprego no Brasil (2007 foi recorde histórico na criação de emprego no país) o saldo foi negativo em 319,4 mil demissões. Desta vez, em 2008, o saldo é negativo em 654,9 mil postos de trabalho eliminados. Não só é o dobro, mas indicativo do processo de desaceleração previsto para 2009, especialmente no primeiro trimestre do ano. Todos os analistas, mesmo os mais otimistas, preveem um crescimento de 2% ou 3%, bem abaixo das taxas registradas nos últimos dos anos.

Segundo o jornal Valor as demissões são restritas e não configuram “o ápice do efeito da crise econômica mundial sobre o emprego no Brasil.”

O governo tem agido para paliar os efeitos da desaceleração com desoneração impositiva, facilidades de crédito, investimento público e outras medidas complementares. O corte nos juros e particularmente no spread bancário poderão aliviar ainda mais o setor de crédito, diminuído por conta da crise e dos juros praticados no país. Mas outras iniciativas, como proposto pelas centrais sindicais, deveriam complementar o dispositivo para evitar que as consequências da crise sejam agravadas.

O fogo da crise é suficientemente sério, a suas chamas não deveriam ser alimentadas com papel jornal. LF

10/01/2009 - 12:06h Assessor de Lula discorda de nota do PT

Brasília - Coletiva do presidente interino do Partido dos Trabalhadores, Marco Aurélio Garcia. Foto: Fabio Pozzebom/ABr

A Folha de São Paulo não considerou importante incluir na sua edição eletrônica, o artigo de Eliane Cantanhêde, em página A10 da edição impressa de São Paulo, com declarações de Marco Aurélio Garcia sobre o Oriente-Médio e a nota do PT.

O assessor internacional da Presidência, Marco Aúrelio Garcia, discordou ontem da nota do PT sobre a guerra no Oriente Médio, informa o artigo. Para Marco Aurélio Garcia “o texto cometeu uma omissão: a de não ter reiterado a orientação histórica do partido em defesa do Estado de Israel”.

Para o assessor de Lula, a nota do PT comporta também “uma adjetivação inadequada” quando evoca as práticas nazistas.

Vale lembrar que a posição do governo brasileiro em favor da moderação, a trégua e a paz foi considerada positiva até pelo ministro de Assunto Sociais de Israel, Issac Herzog, que recusou a tentativa de amalgama que a Folha tentou fazer entre a nota do PT e a posição do governo Lula (ver Gotas). O ministro israelense declarou a Folha: “Temos muito respeito pelo Brasil e excelentes relações com o seu governo e consideramos bem-vinda qualquer iniciativa para contribuir com a paz na região. Parte dos esforços do Brasil e da comunidade internacional em geral poderia ser o fortalecimento do processo que já começamos com os palestinos moderados da Autoridade Nacional Palestina e o presidente Mahmoud Abbas, para melhorar a economia da Cisjordânia. Espero que em algum ponto esse esforço também possa se estender a Gaza, com forças moderadas que reconhecem Israel e estão dispostas a continuar o processo de paz.” (FSP 9/1/2008)

A clara manifestação do assessor do presidente Lula contribui para reafirmar a maneira séria e responsável com a qual o governo e Itamaraty agem para contribuir ao estabelecimento das condições de um cessar-fogo e negociações de paz. LF

09/01/2009 - 20:26h Lula fala à revista Piauí

http://www.artshopping.com.br/lojavirtual/images/caricatura_super_lula.gif
www.artshopping.com.br.

Entrevista exclusiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, à revista Piauí no dia  18 de dezembro de 2008. Publicada na edição nº 28, na primeira semana de janeiro de 2009

Presidente, é o seguinte: eu queria saber… o senhor está com a imprensa aí há quase 40 anos na sua cola. Estando no Planalto, muda a sua relação, piora, o senhor sente que a imprensa é melhor ou pior do que o senhor achava antes ou não?

Eu não vejo, Mário Sérgio, melhora ou piora na imprensa. Eu acho que a imprensa brasileira tem um comportamento, que não é um comportamento de agora, é um comportamento histórico. Eu, por exemplo, sou um cidadão brasileiro que nunca tive a grande mídia brasileira com preocupação de fazer coisas favoráveis a mim, e nunca me preocupei muito com isso, porque antes de tudo eu acredito na inteligência de quem assina uma revista, de quem assina jornal, de quem vê televisão e escuta rádio.

Possivelmente, ainda tenha gente inocente, que acredita que tudo o que ele fala, tudo o que ele escreve é recebido pelo leitor como a verdade mais absoluta, ou seja, ele não acredita na capacidade de análise do leitor, que pega uma matéria e percebe se há má fé, se não há má fé, se a matéria está informando corretamente ou se não está informando corretamente.

Hoje a informação é muito plural, não tem mais apenas a informação de tal revista, a informação de tal jornal. A informação é veiculada por diferentes fontes. Então, quando o cidadão pega o jornal de manhã, aquela matéria ele já viu na televisão, ele já ouviu no rádio, ele já viu em vários blogs (incompreensível) diferentes, então aumenta a capacidade de interpretar do cidadão que lê.

Agora, o senhor falou uma vez, eu fiz uma matéria com o senhor, eleição municipal 2000, 2001. A gente percorreu várias cidades, uma semana, dez dias. Eu, o senhor, tinha mais gente, o Zé Dirceu… Mas aí o senhor… a relação que o senhor tinha com a imprensa, eu observava, o senhor todo dia lia o jornal no avião, lia a parte de esportes. O senhor comentava comigo, o senhor comentou duas vezes comigo: “olha, esse Painel, petista adora o Painel da Folha, até o Kennedy Alencar, eles botam nota”. O senhor tinha uma coisa que curtia a imprensa, o senhor achava, vamos dizer, engraçado. O senhor disse: “se eu tivesse até mais tempo – eu me lembro disso – se eu tivesse mais tempo eu lia isso com mais vagar”. Hoje o senhor tem tempo, o senhor curte mais, curte menos, como é que é hoje?

Bem menos, bem menos.

Isso melhora a sua vida ou não?

Não, acho que melhora. Eu fui deputado e eu sei como é que muita gente passava matérias para o Painel da Folha, para o Informe JB, para aquele negócio do Estadão. Você sabia quais os deputados que ficavam procurando jornalista, você conversava com um cara aqui e daqui…

Sabia o que era plantado…

…sabia o que era plantado e o que não era plantado. Eu sempre dizia que no PT, às vezes uma matéria que saía em um informe qualquer, ou no Painel, era mais vista do que uma matéria do Jornal Nacional. Eu falava isso em tom crítico, porque eu queria mostrar o lado mais intelectualizado da Direção do PT, que não via o que passava no Jornal Nacional, que é o que o povo vê, e via o Painel, que é uma coisa que o povo não lia.

O senhor nunca foi político de fazer esse tipo de ação, vamos dizer, o senhor nunca foi fonte de jornalista, o senhor nunca…

Não gosto, não gosto de ser fonte, porque eu acho que você estabelece uma relação promíscua com o jornalista, com o jornal, com a revista, com a televisão. Se você passa a ser uma espécie de informante privilegiado… no caso do mundo policial, isso seria informante. No mundo jornalístico é mais chique, você passa a ser fonte. Então, é o cara que planta laranja para colher manga, é o cara que planta manga para colher limão…

(mais…)

05/01/2009 - 11:17h Acertado

 PAINEL DO LEITOR FOLHA SP

Ex-prefeito
“A reportagem “Pressionado, Lula terá de acomodar petistas sem emprego após eleições” (Brasil, 2/ 1) procura demonstrar muito conhecimento sobre a agenda futura, e ainda pouco conhecida, do presidente Lula. Especulações, fontes secretas e apostas fazem parte, muitas vezes, de opiniões e análises de repórteres. O que não posso aceitar é que se compare o fim de um mandato popular, o qual exerci com muita honra e muito carinho, com a perda de um emprego. Mandato eletivo é uma missão que tem data para começar e para acabar. Fiquei muito feliz de encerrar o meu terceiro mandato de prefeito de Diadema e entregar o cargo para um grande companheiro, também do PT, Mário Reali. Sou engenheiro e volto a minha profissão com a alegria do dever cumprido.”
JOSÉ DE FILIPPI JR (Diadema, SP)

28/12/2008 - 10:26h Textos que a Folha não publicou a semana retrasada

As enchentes da semana retrasada na cidade de São Paulo não provocaram nenhum artigo editorial da Folha ou dos seus articulistas. O Estadão fez um editorial entusiasta de apoio a Kassab com o argumento que não morreu ninguém (informação lamentavelmente inexata). Sobre este editorial ver aqui no blog Euforia natalina.

Uma rápida busca no portal da Folha permite ver que nem sempre as enchentes em São Paulo tiveram um tratamento tão “seco”. Leiam embaixo algumas das opiniões, no ano 2002. Todas as fotos e o vídeo aqui reproduzidos são de 2008. LF

Passageiros saem pela escotilha de emergência de ônibus na zona sul de São Paulo para fugir da inundação causada pelo temporal que atingiu a cidade na tarde de ontem e provocou 44 alagamentos
Natal 2008

CLÓVIS ROSSI

As cinzas de São Paulo

SÃO PAULO – Carlos Tramontina, o apresentador da segunda edição do “SP-TV”, da Rede Globo, tinha toda a razão ao alertar o espectador de que não estava mostrando cenas de guerra e, sim, das enchentes que rapidamente engolfaram São Paulo no fim da tarde de ontem.
O que se via, pelo menos na avenida Aricanduva, era, de fato, o retrato de uma cidade derrotada. Carros amontoados uns sobre os outros, passageiros subindo nas capotas para escapar, o lixo amontoado -enfim, cenas idênticas às do ano passado, do ano retrasado, de cinco anos atrás, dez anos antes.
Com certeza, vai começar de novo o joguinho de distribuir culpas. A prefeitura dirá que a enchente é estadual, o Estado dirá que a enchente é municipal, e sempre haverá algum chato para culpar o presidente Fernando Henrique Cardoso.
É um pouco como o caso da dengue no Rio, em que não se sabe direito se o mosquito é estadual, federal ou municipal. Seria tudo tão ridículo, não fosse tão trágico. Os políticos brasileiros parecem empenhados em imitar a Argentina, ou seja, em convidar ao repúdio a todo o sistema político-partidário.
No ano passado, a prefeita Marta Suplicy ainda podia tirar o corpo fora e dizer que assumira recentemente e, portanto, a enchente não era dela, mas dos antecessores.
Agora, não dá mais. Quatorze meses de gestão é tempo suficiente para, pelo menos, começar um trabalho que evitasse as cenas dantescas que a televisão mostrava no começo da noite. Ainda mais que a chuva não parece ter sido tão formidável para que toda a culpa seja jogada para o velho e bom são Pedro.
Afinal, não é segredo para ninguém que a cidade é, digamos, “inundável”.
Todo mundo sabe quais são as áreas mais sujeitas a risco.
O fato é que São Paulo tornou-se um inferno, e ninguém mostra talento e competência para levá-la pelo menos para o purgatório.

FOLHA DE SÃO PAULO – 14 de fevereiro 2002

http://www.gazetapress.com/v.php?1:00218365:3http://www.gazetapress.com/v.php?1:00218360:3http://www.gazetapress.com/v.php?1:00218355:3http://www.gazetapress.com/v.php?1:00218363:3
Natal 2008

(…)Mal completado um ano de sua administração, duas enchentes em São Paulo bastaram para encerrar o prazo de carência concedido a Marta Suplicy. Já saiu ela com apressadas explicações, provável ponto de partida da série que conduz, em tantas administrações, as boas intenções iniciais aos fins mais lamentáveis. (…)

Janio de Freitas – FOLHA SP 14 de fevereiro 2002

Natal 2008

Editorial Folha SP 16 de fevereiro 2002

PLANO PÉSSIMO

Autocrítica sempre faz bem. Em política, trata-se de elemento escasso. Tão escasso que, quando usado, deixa inevitavelmente no ar a impressão de que o governante quer livrar-se de responsabilidades. Não parece ser esse o caso do “mea culpa” lançado pela prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Diante de mais uma inundação com consequências danosas na cidade, qualificou o plano de contingência de sua própria administração como um “paliativo péssimo” para as consequências das tempestades de verão.
Batizado de SP Protege, o programa aplica a “filosofia” da diminuição de danos com as enchentes. Uma vez que não se pode evitá-las no curto prazo, uma coordenação de esforços entre instâncias do poder público, organizações civis que atuam localmente e moradores ao menos tenta minimizar os estragos. Informações sobre risco iminente de inundação são fornecidas; ações de defesa civil são mobilizadas e mutirões de limpeza são enviados para os locais tão logo haja condições de trabalho.
Com o programa, na verdade, a prefeitura não faz nada mais que uma de suas obrigações. Se logrou constituir um serviço mais eficaz, centralizando operações de emergência, também não fez mais que cumprir uma atribuição que é sua. Mas é evidente que não se pode confundir esse tipo de ação com o que se faz necessário para diminuir os alagamentos em São Paulo.
Na região do córrego Aricanduva, que se transformou num lago urbano em menos de uma hora de chuva na quarta-feira, é consenso que vários piscinões precisam ser construídos e a calha do Tietê, aprofundada para contornar a causa do problema. Há três desses piscinões ao longo da calha do córrego. A prefeitura deve entregar mais um até o fim do ano.
São obras que custam caro e dependem de articulação orçamentária nas três instâncias de governo e de financiamento externo. Mas não há dúvidas de que são prioritárias.
São Paulo paga caro por um longo histórico de erros graves na ocupação do solo. O pior é que basta uma olhadela no que continua a ocorrer, por exemplo, nas áreas de proteção de mananciais para notar que nem sequer o problema da urbanização predatória e irracional foi sanado. Há muito a fazer. A começar do básico.

http://static.blogstorage.hi-pi.com/spaceblog.com.br/o/ol/olinguarudo/images/gd/1203802435.jpg
Janeiro 2008
 http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/foto/0,,15055255-EX,00.jpg

25/12/2008 - 12:20h Melhora o tratamento da questão das enchentes em São Paulo

Passageiros saem pela escotilha de emergência de ônibus na zona sul de São Paulo para fugir da inundação causada pelo temporal que atingiu a cidade na tarde de ontem e provocou 44 alagamentos

Falando dos problemas das enchentes na cidade de São Paulo, o editorial do Estadão de ontem (ver aqui no blog Euforia natalina) -mesmo inteiramente favorável a administração Kassab- reconhecia que “o mapa de riscos, com áreas sujeitas a enchentes ou desabamentos, em períodos de chuvas na capital, é de 2003 – portanto, é preciso atualizá-lo. 

Pelo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) cerca de 5.500 famílias moram em 562 pontos de risco, em encostas e margens de córregos. Desse total, 315 pontos são considerados de muito alto e alto riscos. Nas áreas mais perigosas há cerca de 11.500 moradias, onde habitam 57.500 pessoas. Considerando-se, porém, que os locais de risco com o correr do tempo vão se tornando ainda mais arriscados, é preciso que se faça, a respeito, uma rigorosa atualização de dados.”

Além de atualizar o mapa de risco, “com as áreas sujeitas a enchentes ou desabamentos”, é importante saber o que foi feito durante estes 4 anos nessas áreas e quais os projetos em andamento para reduzir o drama deste flagelo.

O jornal Folha de São Paulo disse ter recebido, já em 2007, um mapa mais recente . Segundo a Folha, Kassab tomo conhecimento do mapa há pelo menos dois anos (Kassab e a Folha aparentemente desconhecem o mapa de 2003). Mas independentemente de saber se o mapa de 2003 é o último mapeamento existente ou se outro foi realizado, atualizando os dados do precedente, o importante é saber o que foi feito até agora, após 4 anos de administração demo-tucana e às vésperas de iniciar Kassab um novo mandato de mais 4 anos. Mesmo se nos últimos 4 anos -com muito mais recursos- foram construidos muito menos piscinões que nos 4 anos precedentes, devemos supor -perante as informações coincidentes do Estadão e da Folha- que a situação nessa área está bem melhor.

A Folha está constatando hoje, com muita ironia, um “progresso” no tratamento do problema:

“A Prefeitura de São Paulo diz ter projetos para solucionar 14 dos 30 pontos crônicos de alagamentos na cidade, entre obras realizadas, em licitação ou estudos concluídos. Para um deles não existe uma solução técnica viável. E para os outros 15 não há projetos prontos, apenas estudos.
Essa lista dos trechos mais problemáticas -aqueles que nas chuvas ficam parcial ou totalmente intransitáveis- é conhecida pela administração Gilberto Kassab (DEM) há pelo menos dois anos. A situação é pouco melhor do que no início de 2007, quando a prefeitura informou à Folha os pontos principais. Na época, não havia previsão para 16 deles.
Conforme a Folha revelou ontem, 22 desses locais voltaram a causar transtornos neste ano, como aqueles vividos pelos paulistanos na última terça-feira, quando veículos e pessoas ficaram ilhados em várias partes da cidade.
Houve melhora também no número de obras realizadas ou em andamento neste ano em relação a fevereiro de 2007. Há quase dois anos, a prefeitura informava estar só com uma obra em andamento. Agora, são seis trechos com trabalhos em andamento ou concluídos.
Entre os trabalhos realizados está, por exemplo, o trecho da marginal Tietê sob a ponte das Bandeiras. Segundo o município, “o reservatório existente foi reformado com ampliação do número de bombas. O novo sistema já está em operação e, desde então, não foram registrados novos alagamentos”.
Esse trecho, segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), ficou parcialmente interditado das 15h40 às 18h18 da terça. Outros dois pontos onde a prefeitura diz ter feito obras ou serviços -avenida Dr. Ricardo Jafet com viaduto Saioá e avenida Professor Abraão de Morais com avenida Bosque da Saúde-, também ficaram alagados na terça.
Segundo a prefeitura, neste ano foram investidos R$ 321,3 milhões em ações antienchentes -94,75% da verba orçada.”

Ou seja, após 4 anos, a administração Kassab tem projetos para tentar resolver o problema em 14 pontos, dos 30 mapeados, e para o resto nem projeto tem. Dois anos atrás, segundo a prefeitura, tinha uma obra em andamento ou concluída, agora são seis. Segundo a Folha, em três dos seis o alagamento continua.

A ironia da Folha é mordaz. O descaso e abandono é posto em evidência, sem crítica ao prefeito, nem agressividade desmedida. O leitor atento percebe a incompetência e o jornal cumpre sua função de informar, com objetividade. Em relação ao editorial do jornal rival, o artigo da Folha mostra uma melhora no tratamento da questão das enchentes na cidade de São Paulo. Uma pequena melhora… do tratamento dado pela Folha. LF

21/12/2008 - 10:45h Em meio à crise, governo Serra autoriza Comgás a aumentar o gás para indústria em 19%

http://portaldecaragua.com.br/images/stories/jose_serra.jpgA Folha escolheu uma outra manchete para a capa do jornal: “Em meio à crise, gás para indústria de SP subirá 19%”.

Evidentemente que o gás, mesmo com propriedades que incluem a volatilização, não subirá só. Alguém decidiu pelo aumento do preço. Quem?

A manchete de capa da Folha não diz.

O lide, texto imediatamente embaixo, informa: “O governo de São Paulo autorizará nesta semana que a Comgás reajuste em 19% o preço do gás cobrado das grandes indústrias no Estado, relata Guilherme Barros. Para os pequenos consumidores da indústria, o aumento deve ficar em 10%. Não se prevê alta para consumidores residenciais. A autorização atende parcialmente à Comgás, que solicitara reajuste de 56% para cobrir perdas.”

Acostumados a manchetes onde Lula isto ou aquilo; onde Fiscal da Marta é preso; a discrição e objetividade da Folha chama a atenção.

A manchete de capa é chamada para o artigo de capa do caderno Dinheiro e que leva como manchete: “Na crise, SP eleva gás à indústria em 19%”. O lide do artigo, após a manchete, disse: “Segundo o Estado, reajuste decorre da defasagem no cálculo do produto fornecido pela Petrobras; residências não devem ter aumento. Estatal, por sua vez, defende critério de preço, que tem ajuste trimestral com base no dólar e na cotação, de seis meses antes, do petróleo.”

O SP da manchete, não é o time e sim José Serra e o seu governo. Notem que na capa do jornal é “a indústria de SP” a vítima e na manchete do artigo “SP eleva o gás”, SP é o algóz.

O SP decidiu como? Quem é que decide e que encarna o Estado?

O artigo começa “O governo de São Paulo anuncia nesta semana autorização para a Comgás reajustar em 19% o preço do gás cobrado dos grandes consumidores industriais do produto no Estado.”

A primeira e única menção, no artigo, ao governador José Serra é assim: “Já o preço do gás residencial não deve ser reajustado. O objetivo do governador José Serra (PSDB) é poupar o consumidor residencial de um aumento.”

Resumo da ópera: O aumento “em meio à crise” foi uma ação negativa de uma abstração e o bom governador Serra tem “o objetivo de poupar o consumidor residencial de um aumento”.

Mas, a indústria vai absorver o aumento reduzindo o valor dos seus lucros? Ou repassará ao consumidor o aumento?

O artigo nada diz sobre isto.

Mas o governo Serra, nos informa Guillerme de Barros, recusou que o aumento fosse de 56% e, de qualquer jeito, a culpa não é do governo de São Paulo e sim da Petrobrás.

Resumindo: o Secretário de Finanças de Serra dá a informação do aumento para Folha, para poder assim apresentar sua versão e suas explicações para o aumento. Ele pauta o jornal com a matéria. As manchetes correspondem  assim a pauta estabelecida pelo governador e o impacto negativo do aumento não atinge a figura de… José Serra!

A seguir o artigo da Folha. LF

Capa Folha de S.Paulo - Edição São Paulo

Na crise, SP eleva gás à indústria em 19%

Segundo o Estado, reajuste decorre da defasagem no cálculo do produto fornecido pela Petrobras; residências não devem ter aumento

Estatal, por sua vez, defende critério de preço, que tem ajuste trimestral com base no dólar e na cotação, de seis meses antes, do petróleo

GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA

O governo de São Paulo anuncia nesta semana autorização para a Comgás reajustar em 19% o preço do gás cobrado dos grandes consumidores industriais do produto no Estado. Aos pequenos consumidores da indústria o aumento deve ser da ordem de 10%.
Já o preço do gás residencial não deve ser reajustado. O objetivo do governador José Serra (PSDB) é poupar o consumidor residencial de um aumento.
A informação foi confirmada à Folha pelo secretário estadual de Fazenda, Mauro Ricardo Costa, após mais de um mês de discussão com diversas outras áreas do governo. A autorização do reajuste no preço do gás será anunciada pela Arsesp (agência estadual reguladora de saneamento e energia).
A decisão de autorizar o aumento do gás atende só parcialmente ao pedido feito pela Comgás, a maior distribuidora do país, de repasse tarifário para cobrir perdas com a defasagem no preço do produto.
A Comgás tinha solicitado reajuste de 56%. O cálculo da distribuidora é de que essa defasagem já tenha provocado perdas de R$ 500 milhões até novembro. Em janeiro, iria para R$ 600 milhões.
O grande problema, para o governo de São Paulo, é a fórmula da Petrobras para o cálculo do preço do gás às distribuidoras. Há um desbalanceamento entre o preço que a Comgás paga pelo gás à Petrobras e o que ela vende.
A tarifa cobrada pela Petrobras sofre reajustes trimestrais e é indexada ao dólar e ao preço do barril de petróleo de seis meses antes. Já o gás vendido ao consumidor pelas distribuidoras sofre reajuste anual e é fixado em reais.
Assim, hoje a Comgás compra o gás com base num preço do barril de petróleo equivalente a US$ 110 e a um dólar a quase R$ 2,50. Já a tarifa que a empresa vende é fixada levando em conta o barril a US$ 88 e o dólar a R$ 1,75.
“O Brasil tem que pensar numa nova política de gás, senão ninguém mais vai consumir o produto”, diz Mauro Ricardo. Segundo o secretário, o governo paulista tentou por diversas formas convencer a Petrobras a mudar a fórmula de cálculo do preço do gás às distribuidoras, mas não obteve sucesso.
Já a diretora de gás e energia da Petrobras, Maria da Graça Foster, afirma que não houve intransigência da companhia. O que ela argumenta é que São Paulo consome 8,5 milhões de metros cúbicos de gás boliviano e apenas 4,5 milhões de gás nacional, e o preço que a Petrobras cobra da Comgás segue a mesma fórmula do que a companhia compra da Bolívia.
“São contratos-espelhos com os da Bolívia”, diz Foster. “Quando o preço do petróleo está em alta, a empresa ganha, mas, quando cai, perde”.
Dessa forma, a diretora da Petrobras diz que a queda do preço do petróleo -de US$ 147 o barril para US$ 35- não pode ser incorporada ao preço do gás imediatamente em razão do contrato com a Bolívia.
Mauro Ricardo diz, no entanto, que a Petrobras foi inflexível nas negociações, apesar de ter sido dito que essa política de gás poderia destruir as distribuidoras de São Paulo.
O consultor Adriano Pires, especialista do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura), afirma que a distorção na fórmula do cálculo do preço do gás cobrado pelas distribuidoras é evidente. Para ele, em vez de anual, o repasse deveria ser feito mediante um gatilho a ser acionado quando o preço do barril de petróleo ultrapasse um determinado limite para cima ou para baixo. Atualmente, o reajuste no preço do gás só é concedido no mês de maio, mas pode ser antecipado no caso de se verificar que a tarifa esteja provocando desequilíbrio econômico e financeiro nas contas da distribuidora.
De acordo com Mauro Ricardo, ao autorizar esse aumento do gás, o governo de São Paulo procurou determinar uma tarifa que sacrificasse o mínimo possível os consumidores industrial e residencial. O objetivo foi o de evitar que o preço do gás seja mais um fator de preocupação à indústria num momento de crise econômica.

20/12/2008 - 10:08h Último minuto, Urgente!

kassab_alfaiate.jpg

Furo da Folha de São Paulo. Exclusivo da entrevista com o prefeito Gilberto Kassab: o terno da posse em 1 de janeiro será azul!

Também na Folha, o prefeito informa que continuará seu esforço para emagrecer.

En passant, Kassab explica como o aumento de cargos e secretarias dá eficácia à máquina pública.

Com sobriedade, o prefeito pondera como exageradas as previsões catastróficas sobre a crise no Brasil, contradizendo assim as previsões mais otimistas dos pessimistas… e até da própria Folha.

O prefeito não falou, e a Folha não perguntou, nem sobre o pedido de demissão do subprefeito da Mooca, nem sobre o transporte público -tarifas, subsídios-, nem sobre qualquer outro tema secundário

A seguir a entrevista, ou a singular e sorridente harmonia entre um prefeito e um jornal.

Cool, baby, cool. Todo muito coooool. LF

Na foto Kassab mostra folha: é seu diploma

kassab_diploma.jpg

 

Para Kassab, previsões sobre crise são exageradas

Prefeito afirma que, para combater crise financeira, manterá equilíbrio das contas

Criação de secretarias vai melhorar a estrutura administrativa “sem aumento significativo de custos”, diz Gilberto Kassab

LUIZ CARLOS MURAUSKAS – FOLHA SP

REPÓRTER-FOTOGRÁFICO

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), diz que as previsões para o ano que vem “são catastróficas” demais devido à crise e assegura que vai manter o equilíbrio financeiro das contas do município.
Kassab já encomendou o terno da posse, azul, que está sendo feito pelo alfaiate Antonio Pio. Leia a entrevista que ele concedeu à Folha.

FOLHA – Por que o senhor decidiu criar novas secretarias, aumentando a máquina administrativa?
GILBERTO KASSAB
- As medidas procuram melhorar a estrutura administrativa, sem aumento significativo de custos. Não faz sentido uma cidade como São Paulo não ter uma secretaria pensando o seu crescimento urbano, as questões propriamente urbanísticas, pensando o futuro e antecipando problemas e soluções. Por isso criamos a Secretaria de Planejamento Urbano, com custos e estruturas que já existem na Secretaria de Planejamento.
Também é limitante que a fiscalização de posturas construtivas esteja dentro de uma estrutura que já tem a missão de resolver problemas de habitação popular. Então criamos a Secretaria de Controle Urbano, com custos que já existiam. As duas estruturas passam a ter focos mais bem definidos.
E a Secretaria de Segurança Urbana segue o roteiro definido desde o início desta gestão, visando dar soluções para questões de segurança em parceria com o governo do Estado. Os custos dessas alterações foram mínimos e os ganhos em eficiência administrativa serão muito importantes.

FOLHA – A área da saúde vai melhorar na cidade?
KASSAB
- Com certeza vai melhorar ainda mais. Vamos manter a prioridade e o nível de investimentos, mantendo a melhoria de cada unidade e da rede integrada como um todo.

FOLHA – E como vamos enfrentar a crise que vem aí?
KASSAB
- Vamos trabalhar para manter o equilíbrio financeiro, que é fundamental para ter credibilidade e poder impor prioridades. Vamos manter investimentos em saúde, educação e transportes, que ajudam a gerar e manter empregos. E vamos trabalhar pelo desenvolvimento de novos focos econômicos da cidade, aumentando o dinamismo econômico que é a marca da cidade.

FOLHA – Marola ou tsunami?
KASSAB
- Acho que será menor que as previsões mais catastróficas. E eu concordo com o Lula: os governantes têm que se pautar pelo otimismo responsável, não podem contribuir com o pessimismo

FOLHA – Quando vai encomendar o próximo terno de posse? 2010?
KASSAB
- Sim, vou encomendar um terno novo para usar na posse do [governador José] Serra, em 2011.

FOLHA – E ele terá um tamanho maior ou mais enxuto?
KASSAB
- Mais magro [risos].

FOLHA – Continuará a perder peso?
KASSAB
- Sim. Agora, com o fim da campanha, vou voltar aos exercícios diários.